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MENSAGEIRO

DO CORAÇÃO DE JESUS

VOLUNTÁRIOS
VISITAM RECLUSOS
EM CADEIAS DO
PORTO
pág. 4

À CONVERSA
COM...
MIGUEL ARAÚJO
pág. 32

A IGREJA CATÓLICA
E O MATRIMÓNIO

FEV | 2015

MENSAGEIRO

DO CORAÇÃO DE JESUS

Porque devemos
chamar-nos cristãos

Fevereiro 2015
Ano CXL n.º 2

MARCELLO PERA

Director
António Valério, s.j.

Se querem enfrentar os desafios postos às
sociedades livres, os liberais precisam de se
reconhecer culturalmente cristãos – o que não
implica ser cristão crente nem renunciar à laicidade
do Estado. Este é o desafio de Marcello Pera aos
liberais europeus. Será que estes – cristãos ou não –
ainda o podem comprender?
Formato: 14,8x22 cm; Páginas: 246; Preço: 18,00€;
Portugal: 18,90€; Europa: 22,00€; Fora da Europa: 24,50€
(Portes de Correio incluídos nos preços).

Etty Hillesum
Um itinerário espiritual
PAUL LEBEAU, S.J.
A partir de 1941, e até 1943, data da sua deportação
para Auschwitz, onde foi morta, Etty Hillesum
confiou ao seu Diário a intensa transformação
interior que fez dela um caso raro de serenidade
e coragem face à barbárie nazi. Este livro ajuda a
entender o seu caminho interior e a riqueza de uma
personalidade multifacetada e única.
Formato: 14,8x21 cm; Páginas: 286; Preço: 14,00€;
Portugal: 14,90€; Europa: 18,00€; Fora da Europa: 20,50€
(Portes de Correio incluídos nos preços).

Evangelho Diário 2015
Um livro que permite a leitura diária do Evangelho,
seguindo o ritmo do calendário litúrgico. Propõe-se,
para cada dia do ano, a passagem do Evangelho lida
na Eucaristia desse dia, acompanhada de uma breve
meditação/oração. São ainda indicadas as outras
leituras bíblicas proclamadas na Eucaristia, bem
como os santos celebrados ao longo do ano.
Formato: 10,5x14,8 cm; Páginas: 344;
Preço: 3,50€; Portugal: 4,20€; Europa: 6,50€; Fora da
Europa: 8,90€ (Portes de Correio incluídos nos preços).

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2 | Mensageiro

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Província Portuguesa da Companhia de Jesus
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ISSN
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ABERTURA

A LIBERDADE

E O PERDÃO
SUMÁRIO
ABERTURA ........................................................................ 1
A liberdade e o perdão - P. António Valério, s.j.
INTENÇÕES DO PAPA....................................................... 2
António Coelho, s.j.
DESTAQUE ........................................................................ 4
Mensageiros de esperança e confiança
Associação “Foste Visitar-me” em cadeias do Porto
TIRAR A BÍBLIA DA ESTANTE......................................... 7
A Bíblia: a verdade destas histórias
Miguel Gonçalves Ferreira, s.j.
INformar............................................................................ 8
Arte Sacra - Luís Silva Pereira
ANO DA VIDA CONSAGRADA....................................... 10
As Carmelitas Descalças
OPINIÃO........................................................................... 12
Eram muito novos, aqueles dois... - Isabel Figueiredo
DOSSIER........................................................................... 13
A Igreja Católica e o matrimónio
Miguel Almeida, s.j.
VIVER O AO...................................................................... 22
O AO em duas ideias
António Valério, s.j.
REUNIÃO DE GRUPO....................................................... 23
Esquema de reunião de grupo - Manuel Morujão, s.j.
1ª SEXTA-FEIRA............................................................... 24
Rezar com o Papa pelos reclusos - Dário Pedroso, s.j.
NOTÍCIAS ........................................................................ 26
Cláudia Pereira / Elisabete Carvalho
À CONVERSA COM... ..................................................... 32
Miguel Araújo, Cantor, músico e compositor
Fotos
Pág. 5: © “Foste Visitar-Me” – Associação de Visitadores de Reclusos; pág. 8:
“Pietá” – Miguel Ângelo; pág. 28: © Lusa; Arquivos A.O.

P. António Valério, s.j.
No segundo mês do Mensageiro renovado,
temos em destaque as intenções do Papa para
Fevereiro: os jovens reclusos, para que olhem o
futuro com esperança, e os casais separados, para
que encontrem acolhimento na Igreja.
A reportagem deste mês dedica-se ao voluntariado na prisão, dando a perspectiva de quem
acompanha os reclusos e os vai entusiasmando
para uma mudança de vida, depois de cumprida a
pena. Esta reportagem é enriquecida com o testemunho de quem esteve na prisão e decidiu dar um
novo rumo à sua vida. O Dossier trata a questão
dos casais separados e a Igreja, algo muito actual,
em particular por causa da recente Assembleia do
Sínodo dos Bispos. Mais do que indicar soluções –
pois estas virão a seu tempo – pretendemos apresentar o estado actual do tema, para conhecer
mais a fundo a origem destas questões.
A prisão e as famílias em dificuldade: dois temas
para reflectir e rezar. E como a oração não pode
ser desligada da vida, convidamos os nossos leitores a considerarem as suas implicações na vida
pessoal. Muitas vezes, as maiores prisões são as
interiores, as coisas das quais temos dificuldade
em nos libertar; e as dificuldades na família não
existem apenas nos casais que se separam. Os
dons da liberdade e do perdão poderão ajudar-nos a viver bem a Quaresma que está prestes a
iniciar, no nosso coração e nas nossas casas.

Por tudo isto. porque o seu amor paternal e maternal está em toda a parte. porque ficam com o estigma de ter estado presos. . por vezes. leva-nos a meditar sobre toda esta dolorosa problemática. nas quais os presos vivem. em condições infra-humanas. tantas vezes. piores do que quando entraram. Porquê há tantos jovens detidos? O problema tem a ver com a sociedade que. Vêm depois todas as questões que têm a ver com a situação nas cadeias. espera com ele. RECONSTRUIR A VIDA Quando pensamos na realidade daqueles que estão presos nas cadeias por esse mundo fora. trabalha com ele. o chamamento vibrante do Papa para que os jovens reclusos tenham a possibilidade de refazer uma vida digna. pelo menos. sobretudo em relação aos jovens. porque mais influenciáveis. Uma dessas questões é a prevenção. deploráveis e o mesmo se diga da alimentação e outros factores que não existem ou existem insuficientemente. sobretudo os mais jovens. as prisões transformam-se em lugares de aprendizagem do crime e delinquência dos detidos. A Igreja tem que mostrar que o Senhor não está fora das prisões e das celas.J. ESPECIALMENTE OS JOVENS. não lhes oferece condições que lhes permitam levar uma vida digna. ficam entregues a si próprios e aos seus problemas.INTENÇÕES DO PAPA POR ANTÓNIO COELHO. em tantos casos. S. Neste mês. As condições higiénicas são. tornam-se. os marginaliza ou. sem o mínimo conforto. mas se encontra dentro de cada preso: chora com ele. como se isso constituísse uma «doença incurável». várias questões se nos colocam imediatamente. Em vez de um tra­balho em que possam passar o tempo ou até aprender um ofício. como sejam tra­ balho e outras muitas. em muitos casos. 4 | Mensageiro INTENÇÃO UNIVERSAL PARA QUE OS RECLUSOS. TENHAM A POSSIBILIDADE DE RECONSTRUIR A SUA VIDA COM DIGNIDADE Outro problema muito comum é constituído pela atitude da sociedade em relação àqueles que saem das cadeias e não encontram o acolhimento que lhes permitiria uma reinserção nessas sociedades.

66). aqueles que pretendem unir as suas vidas não têm ideias muito claras sobre o casamento. sobre aquilo que são chamados a assumir e as obrigações que isso implica. como todas as comunidades e vínculos sociais» (n. Mas para além desta preparação. Que os separados possam encontrar nos seus pastores o apoio autêntico de pais e guias espirituais que os protejam das ideologias negativas e os ajudem a ser fortes em Deus e no seu amor. Como sublinha o Papa na Exortação Apostólica Evangelii gaudium. assim como ajudá-los a que não percam a fé e eduquem os seus filhos na plenitude da experiência cristã. a fim de que descubram a beleza desta união que. Fevereiro 2015 | 5 . é cada vez maior o número de casais que se separam. Uma delas (esta prévia ao casamento) é constituída pela falta de preparação para o matrimónio. a Igreja é chamada a perguntar-se como ajudar os casais que se separaram. em muitos casos. «a família atravessa uma crise profunda. como uma forma de gratificação afectiva que se pode constituir de qualquer maneira e modificar segundo a mentalidade de cada um. O matrimónio é considerado. Quais as causas destes divórcios? Não são fáceis de enumerar e variam de caso para caso. do amor fraterno dos outros irmãos e da solicitude pela sua salvação. muitas vezes. por isso. preparação que deve incluir todos os aspectos que este problema reveste. assim. As comunidades cristãs devem ser lugares de escuta. Com efeito.OS CÔNJUGES SEPARADOS Infelizmente. necessário perguntar-se como melhorar a preparação dos jovens para o matrimónio. permita superar as dificuldades. Impõe-se. fundada no INTENÇÃO PELA EVANGELIZAÇÃO PARA QUE OS CASAIS QUE SE SEPARARAM ENCONTREM ACOLHIMENTO E APOIO NA COMUNIDADE CRISTÃ amor e na responsabilidade. de diálogo e de consolação. a fim de que não se sintam excluídos da misericórdia de Deus. a necessidade de investir na preparação para aqueles que querem constituir família. É. nalguns casos pouco tempo depois de estarem juntos.

6 | Mensageiro Ser tratado como pessoa. conta Filipe. São pequenos pormenores a que realmente dávamos muito valor».. Filipe não coloca de parte a possibilidade de vir a ser visitador. dá a conhecer um pouco melhor este projecto. Em 1991 começaram as visitas aos reclusos de Santa Cruz do Bispo.. da qual já precisou para dar um novo rumo à sua vida.j. Já esteve detido e foi nessa ocasião que contactou com os voluntários da Associação “Foste Visitar-me”. eles nunca deixaram de me ligar e acompanhar».. nem sempre bem compreendido pela sociedade.. que começaram a ser visitadores desafiados pelo Padre Gonçalo Eiró. É esta a missão da “Foste Visitar-me” – Associação de Visitadores de Reclusos. Tratam-nos como pessoas e não como números e transmitem-lhes sobretudo esperança e confiança. Entravam sempre com um sorriso no rosto e logo aí o dia já era diferente. 31 anos. em 2007. Como se desenrolou este processo? A “Foste Visitar-me” foi legalmente constituída em 2007 mas a sua história é uns anos mais antiga. «Gostaria de fazer aos outros o que me fizeram a mim. Só o simples facto de eles entrarem e nos chamarem pelos nossos nomes e não pelos nossos números já era algo que nos fazia sentir como pessoas normais que éramos e marcava muito a diferença num local tão frio como era aquele.j. O Padre António Júlio. foi constituída a Associação “Foste Visitar-me”. adianta. Cláudia Assis Teixeira. pois sei que são estes gestos de amizade e fraternidade que podem ajudar as pessoas a mudar radicalmente as suas vidas. a partir de 2004. .j. «Foram os elementos da associação que me deram esperança quando a tinha perdido. com o apoio do Padre Vasco Pinto Magalhães. trabalha como monitor numa instituição de apoio a jovens em risco de exclusão social. visitou sozinho a Cadeia de Santa Cruz do Bispo.. Foi o concretizar do sonho de alguns dos primeiros visitadores. sempre acreditei que tudo se iria resolver da melhor maneira e que poderia voltar a ter uma vida normal e melhor. s. sendo director do CREU – Centro Universitário dos Jesuítas no Porto. Era «realmente algo extraordinário. amigos assim para nos cantar os parabéns». Aqueles sábados de manhã eram sempre diferentes de todos os outros dias da semana. s. do José Maria Soares Franco e da Ana Azevedo. com elas do meu lado. dando um exemplo: os visitadores «nunca se esqueciam do aniversário de alguém». A presidente da direcção. que não percebe porque há pessoas que escolhem visitar aqueles que estão “tão bem” presos. e principalmente do Carlos Coelho. pois alguns de nós não teríamos outra forma de ter um bolo para comer. que durante cinco anos. Filipe (nome fictício). s. até que. «Foram pessoas que se cruzaram no meu caminho numa das alturas mais difíceis da minha vida e. quando abandonasse o estabelecimento prisional». Mesmo já estando em liberdade há sete anos.DESTAQUE Mensageiros de esperança e confiança Voluntários visitam reclusos em cadeias do Porto São voluntários e dedicam parte do seu tempo livre a visitar reclusos de estabelecimentos prisionais do Porto. que me deram carinho quando precisei dele. deu o empurrão definitivo à sua constituição. Vários passos foram dados. explica Filipe. um organismo ligado à Companhia de Jesus.

Tentamos ajudá-los a resolver alguns pequenos problemas e ajudamo-los a manter a ligação às famílias. jogos de futebol com os jovens do CREU. psicologicamente equilibrado e estruturado. estamos com eles. enquanto nos estabelecimentos masculinos estamos limitados a espaços pré-determinados. se bem que às vezes eles têm necessidade de desabafar connosco. etc. que estabelecimentos prisionais são abrangidos? Visitamos o Estabelecimento Prisional do Porto. um em Custóias e outro na PJ. Actualmente. Por uma questão de princípio. falamos com reclusos que têm desde os 17/18 anos até reclusos com 70 anos. tentando ajudá-los a que o tempo de prisão não seja um interregno na vida deles. ajudando-os a fazer a ponte entre duas fases diferentes da sua vida. Clube de Leitura no Estabelecimento Prisional de Custóias. Quanto à idade. dois clubes de Leitura. Que tipo de apoio prestam? Prestamos essencialmente apoio emocional. Temos também alguns projectos além da visita tradicional. No estabelecimento feminino temos grande liberdade e podemos ir a todo o lado. O candidato a visitador tem de ser um adulto. o cultivo de uma horta na Unidade Livre de Droga de Santa Cruz do Bispo. não perguntamos qual o crime que os reclusos cometeram. Jogo de futebol entre reclusos de Santa Cruz do Bispo e jovens do CREU. os Estabelecimentos Prisionais de Santa Cruz do Bispo (masculino e feminino) e o Estabelecimento Prisional anexo à Polícia Judiciária (PJ). Tentando ser mensageiros de esperança e de confiança. Como orientam a vossa intervenção? O Estabelecimento Prisional indica? Que idades têm os reclusos? Que tipo de crimes cometeram? O esquema das visitas varia de estabelecimento para estabelecimento. quase 80. no entanto a noção que grande percentagem dos crimes praticados pelos reclusos que visitamos está relacionada com a droga. Temos. o convite a pessoas de referência para falarem aos reclusos. conversamos. em Custóias. Quais os requisitos para se ser visitador? Almoço em Santa Cruz do Bispo no dia do Voluntariado. com Fevereiro 2015 | 7 . mostrando que há outros caminhos possíveis.O vosso trabalho incide nas visitas aos reclusos. Por exemplo.

que fazes tu pelos pobres’? Esse aguilhão interior como que me predispôs para a decisão então tomada”. João. seja o bem do outro e não qualquer motivo egoísta.uma vida espiritual activa. casado. com capacidade de escuta. de não julgar e de calar e cujo objectivo principal. Por exemplo. E eles sabem que eu gosto deles – é isso o mais importante que lhes dou. seremos enfim libertos para vivermos os novos céus e a nova terra”. Ser voluntá. gostam de estar comigo e isso é o mais importante que me dão”. “Decidi que gostaria de ser visitador prisional durante uns exercícios espirituais realizados há cerca de 11 anos. é estar habituado a pedir apoio para os nossos projectos e esses apoios serem negados porque é para os reclusos… Depois de os reclusos deixarem o estabeleciEste mês. escolhemos visitar aquelas pessoas que estão tão bem presas. de 62 anos. desabafa. senti que deveria começar a dedicar algum do tempo da minha vida a pessoas necessitadas. Esta Com muitos deles. organizamos jantares liza para fazermos mais e melhor. Nesses exercícios.periódicos onde nos encontramos todos e eles. criamos laços de amizade é uma intenção que vos anima ainda mais neste muito fortes. que seja capaz de se comprometer.reintegração. para o médico Carlos Alberto da Rocha tomar a decisão de dedicar algum do seu tempo aos reclusos. muitas vezes me surgia a crítica interior: ‘Carlos. dão força uns aos outros. os que estamos dentro de grades e os que estamos fora. para quem “fé sem obras não chega”. para que possam reconstruir a vida com dignidade. Carlos Alberto da Rocha diz que se tornou visitador “por vontade de Deus”. é estar ção. Foi como que um aguilhão que o predispôs para esta causa. afirma. 8 | Mensageiro . particularmente os jovens. o Papa Francisco pede orações pelos mento prisional. “A grande motivação inicial foi dar resposta a uma exigência de coerência com a minha fé”. “Compaixão” ou “Esperança” são as palavras que utiliza para sintetizar esta sua acção de voluntariado. “Eu gosto deles. há mais de uma década. mas também nos responsabi. particularmente com os chamados inimputáveis da Clínica do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. esperando na esperança o tempo em que todos nós. que fazes tu pelos pobres”? Esta crítica interior serviu de impulso. Não faria assim qualquer sentido trabalho? que estes laços se quebrassem quando eles saem em liberdade. rio junto de pessoas reclusas é estar habituado a que estão em fases diferentes da sua reintegranão ser compreendido na nossa escolha. Claro que a relação continua. Passados estes 11 anos. Antes dos exercícios. “Na verdade eu sou um prisioneiro a visitar prisioneiros. Este voluntário gosta de estar com os reclusos. ao querer fazer voluntariado. E sei que eles gostam de mim. explica o ginecologista e obstetra no Hospital de S. habituado a que a sociedade não perceba porque “Carlos. continuam a acompanhá-los? reclusos. acomClaro que ter o nosso trabalho confirmado pelo panhando e tentando ajudar no seu processo de Papa nos anima.

atender à coesão das verdades da fé entre si e no projecto total da Revelação. condenado e executado pelas autoridades romanas.TIRAR A BÍBLIA DA ESTANTE A Bíblia: a verdade destas histórias Miguel Gonçalves Ferreira. o essencial daquilo de que a Bíblia fala acontece na História e no planeta Terra. Jesus reuniu uma comunidade de discípulos e enviou-os em missão. através de lugares e personagens não históricos.. é indispensável uma «arte de interpretar». personagens individuais ou colecti­vas! No caso de Jesus.j. Fazemos uma interpretação correcta tomando em conta aquilo que os autores humanos quiseram dizer e aquilo que Deus quer dizer. Por fim. A tradição católica foi amadurecendo alguns critérios de interpretação que nos ajudam a buscar o verdadeiro sentido dos textos: prestar atenção ao conteúdo e unidade de toda a Escritura. A recta interpretação da Escritura é uma necessidade. No Antigo e no Novo Testamento há numerosos elementos que nos ligam à história dos homens: datas. falando d’Ele com autoridade através de parábolas e realizando sinais e prodígios. s. foi julgado pelas autoridades judaicas. mesmo que isso quebrasse o preceito do Sábado. que Se referiu a Deus como seu Pai. na Escritura existe também poesia. Se é essencial reconhecer a capacidade que a linguagem metafórica tem para nos ajudar a captar as verdades existenciais. não numa fábula imaginária na «terra do nunca». mas sim destinados a ajudar-nos a crescer espiritualmente. podemos afirmar com certeza histórica que existiu.. lugares. Sabemos que Se aproximou dos pecadores e perdoou os pecados em nome próprio. A verdade da Bíblia é a sua capacidade de semear e fazer crescer a verdade na nossa história! Fevereiro 2015 | 9 . Porém. Então. Da mesma forma Se aproximou dos doentes e marginalizados sem medo da «impureza ritual». ler a Escritura na tradição viva da Igreja. não uma arbitrariedade. Saber se aquilo que a Bíblia diz é verdade é uma questão essencial! Só assim poderemos decidir o grau de confiança a atribuir aos seus textos. Contudo. prosa ou textos apocalípticos que nos falam de uma realidade sobretudo interior e espiritual. Podemos também afirmar que os discípulos confessaram a sua ressurreição e por essa verdade de fé deram a vida. é necessário compreender que não buscamos uma verdade «jornalística» mas sim o desvelar de algo que aconteceu na história humana e nos torna mais autênticos. encontrando o nosso lugar na História.

ARTE SACRA Luís Silva Pereira 10 | Mensageiro .

as emoções e os afectos. admiravelmente. por uma série de outras artes como a ourivesaria ou a tecelagem. Não deveríamos confundir arte religiosa com arte sacra. Isso implica. para além de ser a produção correcta de um determinado objecto. o mundo está cheio de objectos estéticos que testemunham as linguagens que o homem foi inventando para falar de Deus e com Deus. isto é. pelo menos no contexto cristão. pois. de súplica. um episódio verosímil. O facto. não conseguimos encontrar facilmente um trolha ou um picheleiro. arte. A arte sacra é uma epifania e uma pedagogia e incontáveis e imprevisíveis são os seus caminhos. A noção de arte sacra apresenta-se mais restrita. É. para a revelação da beleza divina e para a aproximação do homem a Deus. pois. porém. Em sentido lato. produção sabedora e intencional de um determinado objecto tendo em vista determinado fim. Da arquitectura à escultura. XV. verosimilmente. não se adequa ao culto litúrgico. Escapa-nos o sentido e escapa-nos a sua beleza mais profunda. a arte sacra tem de obedecer a outras exigências que não as da perfeição formal. Pelo contrário. de louvor. Pela sua natureza e funcionalidade. portanto. muitos artistas imaginaram que tal tivesse acontecido. de agradecimento. de estar ao serviço da liturgia não diminui em nada a sua qualidade estética. Tão essencial que. necessário que. Deverá tocar não apenas a nossa inteligência. uma vez que tem como função essencial ajudar o homem a melhor compreender a Revelação e. propriamente. pois se considera como tal apenas aquela que está ao serviço da liturgia. à Pietá de Miguel Ângelo. essencial. E isso é que é. Aí reside a força persuasiva de toda a arte e. pelo teatro. por exemplo. Ela deverá levar-nos a descobrir a beleza divina. e continua a ser. antes de mais. ao longo da História. João Baptista: duas figuras da Revelação. mas também a sensibilidade. mesmo que fuja à letra do texto sagrado. tão artista era quem sabia fazer bem uma enxada ou um pipo. Recentes documentos do magistério eclesiástico mostram que essa faceta pedagógica. está a ser redescoberta e justamente revalorizada. em meu entender. Tal função implica sempre fidelidade à Sagrada Escritura. ajudá-lo a entrar em contacto com Deus. desde as Vesperbild alemãs. as mais relevantes obras de arte que enobrecem a cultura dos povos. o sentido da obra escapa-nos. Lembro o caso da iconografia da Pietá. um poderoso veículo de evangelização. Não esqueçam. e continuam a contribuir. assim. da oração oficial da Igreja. não podemos utilizar senão a nossa melhor linguagem. A arte sacra tem que ser. isto é. mais ou menos explícita. isto é. de afecto. toda a arte é religiosa. Essa é a noção básica de arte que prevalece sensivelmente até ao séc. daí resultando inúmeras obras-primas de arte sacra. proporcionou. Apenas um exemplo: vi.INformar A arte sacra. embora o conceito se alargue também às obras de arte que se destinam à devoção particular dos fiéis. suscitando estados de oração. cultas e de apurado sentido estético. Os Evan­ gelhos não dizem que Jesus Cristo morto tivesse sido depositado no colo de sua mãe. porque foi dando ao homem uma nova consciência de si próprio. um dos mais decisivos factores do progresso humano. porém. sabendo bem distinguir o que é conveniente do que não é. a arte sacra exige apurado sentido crítico de quem decide aceitar esta ou aquela obra para uso litúrgico. mas que. o conhecimento e o domínio das técnicas que o levarão a fabricar com perfeição. A fidelidade da arte sacra ao texto fundamentador é. Para falar com Deus e de Deus. Das mais realistas às mais abstractas. tornando-a como que sensivelmente mais visível. Esse sentido original da palavra ainda hoje permanece na linguagem corrente. e continua a ser. da pintura à literatura. na medida em que procura a beleza ideal e a verdade mais profunda da realidade. Por isso ela foi sempre. Também a arte sacra o é. como aquele que concebia as linhas de uma catedral e lhes dava corpo na pedra. Todas as escolas e movimentos artísticos. A arte é sempre a produção de uma obra bela. existam pessoas responsáveis. Mas. cultura. essa mesma finalidade exige aos artistas um iniludível apuro. Falamos de beleza. e não só a de raiz cristã. da parte do artista. também da arte sacra. dizemos que há uma enorme falta de artistas. passando pela música. se é ou não verdadeira arte e se é ou não verdadeiramente sacra. para decidirem se esta ou aquela obra é ou não apta para o culto divino. fidelidade que não é contrária à verosímil interpretação do artista. Contudo. pela dança. em cada diocese. Quando. Durante muitos séculos. Fevereiro 2015 | 11 . deixaram a sua marca na arte sacra. uma simpática escultura de Jesus Menino saltando ao eixo com S. Podemos afirmar que a arte sacra foi. que a Igreja não tem uma escola artística exclusivamente sua. em nosso entender. se não o conhecemos. há tempos. todas contribuíram. em todo o mundo e em todos os tempos.

ANO DA VIDA CONSAGRADA AS CARMELITAS DESCALÇAS AS CARMELITAS DESCALÇAS SÃO UMA ORDEM DE VIDA CONTEMPLATIVA E O NOSSO SERVIÇO À IGREJA É A ORAÇÃO E A ENTREGA DE VIDA. 12 | Mensageiro .

Santa Teresinha é Padroeira Universal das Missões. mas habitados por os cristãos e a eles se destina. Como dizia Santa Teresinha: «Não é para ficar no cibório de ouro que Jesus desce todos os dias do Céu. c) Verdadeira humildade. Aliás. Espírito apostólico/missionário: A nossa vida de oração tem um objectivo que é. nem façais grandes e delicadas considerações com o vosso entendimento. antes de tudo. É Padroeira das Missões pelo seu zelo apostólico.» Nunca nos deveríamos sentir sós. Trata-se de uma espiritualidade de intimidade. a meditação. b) Desprendimento de todas as coisas. sem as quais o caminho de oração não é autêntico: a) Amor de uns para com os outros. mas de «entrar dentro de si» e encontrar-se com o Senhor presente no nosso coração. tudo me deve levar a amar mais. mas para encontrar outro Céu que Lhe é infinitamente mais caro que o primeiro: o Céu da nossa alma. Desprendimento de todas as coisas – Não deixar que o meu coração se apegue às coisas. mas permaneça livre para procurar em tudo fazer a vontade do Senhor. Foi esse amor que transbordou para o mundo. que brotava antes de mais do amor que ela cultivava pelas suas Irmãs de Comunidade. a minha relação com o Senhor e com os irmãos. Este percorreu milhares de quilómetros. nem que retireis muitos conceitos. eclesial. de O sentir «companheiro nosso». Fevereiro 2015 | 13 . de familiaridade com o Senhor. um «encontrar-me a mim mesmo».Oração e Vida fraterna Oração: «A oração é um trato de amizade. senão que O olhemos» (Santa Teresa de Jesus).. o templo vivo da adorável Trindade!. Diz Santa Teresa: «Talvez não saibamos o que é amar… porque não está no maior gosto. partilhando este título com S. e de forma que esse encontro mude de facto a minha vida. Francisco Xavier. Mas não se trata de um silênIsto que aqui deixamos está ao alcance de todos cio nem de uma solidão «sós». porque o Carmelo uma presença. estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama». mas encontra-Se também no nosso coração. Verdadeira humildade – «Deus é a suma verdade. que precisam de estar atentos a três coisas muito importantes. e a humildade é andar na verdade» (Santa Teresa de Jesus) Só actuando em nós estas três virtudes muito práticas e concretas podemos fazer com proveito o caminho de oração. «Não vos peço agora que penseis n‘Ele. porque «Ele não perde o cuidado de nós» (Santa Teresa de Jesus). a acção de graças. Silêncio / solidão – Presença de Deus Presença de Deus: o Senhor não Se encontra apenas no sacrário. apostólico e missionário. a Presença de Deus. os propósitos para a vida. Tudo na oração deve convergir para o amor: a leitura.. feita à sua imagem. Clausura – Espírito apostólico/ missionário Clausura: Não se trata apenas de «não sair». Vida fraterna: Santa Teresa fala de oração. dando-me aos irmãos. «amigo que nunca falta». Silêncio / solidão: é o húmus onde cresce a vida de união com Deus. não vos peço senão que O olheis… Olhai que não está à espera de outra coisa. É o lugar do é para a Igreja e só no dar-se a ela e ao mundo encontro com Jesus. encontra o seu sentido. Amor de uns para com os outros – procurando o verdadeiro bem do irmão e não me procurar a mim nele. descobrindo a «água viva» da qual Jesus fala à samaritana. pelo seu amor aos missionários. mas na maior determinação de desejar contentar em tudo a Deus». mas alerta todos os que querem começar «caminho de oração» e unir-se a Deus. simplesmente. mas para encontrar-me com Jesus. Além disso. é essa a razão pela qual Ele está no sacrário. Santa Teresinha nunca saiu do seu Carmelo. a oração não é para procurar uma plenitude. um «sentir Deus».

aqueles dois… Conheceram-se entre as longas férias de Verão e as tardes de amigos. Precisamos de partilhar histórias que nos falem de vidas reais. Apaixonaram-se com a verdade do primeiro amor. a palavra namoro andava pela sala. já casados e com filhos. parecia ter vida própria. algumas inquietas à procura de caminhos. Fizeram muitas perguntas. Descobriram a emoção da proximidade.OPINIÃO ERAM MUITO NOVOS. Asas para voar. Precisamos de acreditar que o namoro pode ser um tempo extraordinário e decisivo. zangaram-se muitas vezes. Porque aquele namoro lhes deu asas para voar. tantas vezes gastas na banalidade dos dias. 14 | Mensageiro No fim da tarde. todas as horas de todos os dias… namorar é um tempo para aprender a amar. quando estava a contar esta história a um grupo de adolescentes. Isabel Figueiredo Eram muito novos. Tudo depende daquilo que se quer e da forma como se vive. DORMIR NA MESMA CAMA. perceberam como pode ser estruturante uma relação bem vivida na adolescência. Namoraram. par­ tilharam sonhos e segredos. PORQUE NAMORAR NÃO É PARTILHAR A MESMA CASA. decisivas para toda a vida. E se é na infância que se definem muitos dos traços da nossa personalidade. AQUELES DOIS. Porque namorar não é partilhar a mesma casa. Não podemos ficar satisfeitos com a profusão dos corações de chocolate que nos enchem os olhos por estes dias. Como pode ser decisiva a opção de namorar. é na adolescência que se rasgam horizontes e se fazem opções. gostavam da praia em dias de chuva. dormir na mesma cama. outras desafiadoras por pressentir as respostas. Foi a expressão que lhe ocorreu. . E quando trocaram palavras e sorrisos. Mas a história prosseguiu. Precisamos de dar espaço e tempo aos sentimentos que se definem em palavras. Como pode ser radical a partilha da intimidade do que se pensa. sentiram-se gratos. voltaram a encontrar-se. DIVIDIR DESPESAS OU SENTIR A SATISFAÇÃO DE ESTAR COM O OUTRO. TODAS AS HORAS DE TODOS OS DIAS… NAMORAR É UM TEMPO PARA APRENDER A AMAR. Ouviam música de mãos dadas. Muitos anos mais tarde. A surpresa da expressão provocou alguns olhares trocistas. mesmo separados pelo tempo e pela distância. mais do que a partilha da intimidade do corpo.. Precisamos de corações que queiram tudo para sempre. os rapazes a lutarem contra as borbulhas e as raparigas preocupadas com os cabelos. tantas delas. Cada um tinha feito o seu caminho e.. dividir despesas ou sentir a satisfação de estar com o outro. caminhavam sem destino pelas ruas.

A IGREJA CATÓLICA e o matrimónio Miguel Almeida.j. s. MENSAGEIRO | DOSSIER 2 Fevereiro 2015 | 15 .

que contém e confere graça e que é indissolúvel. Quando o Concílio de Trento. XVI. XIII) dá-se uma maior «sistematização» da teologia e o matrimónio era já então considerado sacramento. apenas reafirma e sistematiza o que era já a doutrina oficial da Igreja. que o matrimónio é um sacramento. Com Alberto Magno e Tomás de Aquino (séc. juntamente com o baptismo. em 1439. o Concílio de Verona incluía o casamento na lista dos sacramentos. defende. a eucaristia e a penitência. contra os Cátaros. o Concílio de Leão delibera sete sacramentos (matrimónio incluído) e. «um sinal exterior de uma graça interior instituído por Cristo» Casamento como sacramento O casamento não foi sempre parte integrante da lista de sacramentos. 16 | Mensageiro . no séc. o Concílio de Florença afirma que estes sete sacramentos contêm Graça e conferem Graça a todos os que os receberem dignamente. que pregavam a pecaminosidade do casamento por causa da inerente prática sexual. contra a Reforma Protestante.A definição clássica de sacramento. Já em 1184. Em 1274.

garantindo-lhe estabilidade. Corpo de Cristo. Ef 5. Paulo (Rm 8. revela e proclama no mundo humano a união entre Deus e o seu Povo. torna presente a Pessoa de Cristo na relação entre marido e mulher (cf. E não estranha. é dizer ao mundo com a própria vida que Deus nos ama e que o seu Reino está entre nós. Um sacramento é um gesto simbólico no qual e através do qual a Igreja. tornando presente. Cristo está presente e activo no casamento. já não só sinal profético da relação entre Deus e o seu Povo. diz S. modelando-o. algo sem o qual não seria casamento cristão. MUITO MAIS DO QUE CASAR. revela e celebra. entre Cristo e a sua Igreja. 39). É DIZER AO MUNDO COM A PRÓPRIA VIDA QUE DEUS NOS AMA E QUE O SEU REINO ESTÁ ENTRE NÓS. A definição clássica de sacramento.O que significa o casamento ser um sacramento? A auto-compreensão e identidade mesma do Povo de Israel enraíza-se na noção de aliança entre si e Deus. Mas. muito mais do que casar. então. Não só simboliza. É a assunção do compromisso de construir uma família. portanto. Não estranha. Casar na Igreja é. AFINAL. imerecida graça. É. É neste sentido que tal gesto é um sacramento: sinal e causa da presença graciosa de Cristo e do Deus que Ele revela. «um sinal exterior de uma graça interior instituído por Cristo». por isso. a um segundo nível. 31-32). A um primeiro nível. a outro nível. mas realiza. dizer que: a um nível revela e celebra a íntima união de amor e comunhão de vida entre um homem e uma mulher e. amor tenha que ser fecundo na sua natureza. Esta presença da graça é-lhe estrutural e essencial. pode agora ser mais plenamente entendida. O casamento não é só amor humano. não é só lei. mas sacramento representado pela relação entre Cristo e a sua Igreja. que seja indissolúvel. já que é em virtude de ser sacramento – e de representar a união de Cristo com a Igreja – que esta relação ganha uma especial indissolubilidade. este poder de Deus a que chamamos graça. O profeta Oseias é o primeiro a referir-se ao matrimónio como sinal desta aliança. No Novo Testamento. É na comunhão do homem e da mulher que se casam que se revela a comunhão entre Cristo e a sua Igreja. De facto. agraciando-o. Desde o início. revela e celebra a íntima união de amor e comunhão de vida entre Deus e o seu Povo. é também graça e redenção. Aliás. afinal. o matrimónio cristão não se reduz à celebração do amor entre duas pessoas. porque o amor de Cristo pela Igreja é indissolúvel: nada nos separará do amor de Cristo. que este CASAR NA IGREJA É. o casamento cristão é intencionalmente mais do que comunhão de vida entre este homem e esta mulher.“Jesus vem” Fevereiro 2015 | 17 . Imagem: Quadro de Carlos Araujo . Afirmar que o casamento entre cristãos é um sacramento é. o casamento revela-se. não só faz referência. Desde o início. sobretudo. o casamento de Oseias com Gomer é como qualquer outro casamento. não seria possível que um amor a prazo pudesse simbolizar o amor eterno de Cristo.

e aperfeiçoa-se e aumenta pela sua própria generosa actuação» (Concílio Vaticano II. é espelho e realização do amor divino. «Unindo o humano e o divino. E. realmente. a linguagem altera-se radicalmente em relação ao passado. Gaudium et spes. a não ser com a morte de um dos cônjuges. E. fiel e indissolúvel. Com o Papa João Paulo II. A questão levanta-se apenas quando se dá uma nova união e «entra uma terceira pessoa em cena». ele nunca se quebra. embora possam não conseguir viver uma vida quotidiana em conjunto. A exortação apostólica Familiaris consortio (FC) dedica um parágrafo especificamente a esta matéria. fiel e indissolúvel. Antes de mais. se esta é a verdade sobre o matrimónio. Mas. não anula um matrimónio. que se manifesta com a ternura do afecto e com as obras. a começar pelos filhos. O sonho de um projecto de vida a dois fica. muitas vezes. Mesmo que marido e mulher se separem. deste modo. Por isso. A Igreja. Como sabemos. e penetra toda a sua vida. Mas quando se dá uma vivência marital fora do primeiro casamento. alguma ou algumas das condições necessárias para a sua validade estavam ausentes. . não raramente. Ou seja. o matrimónio subsiste. esse amor leva os esposos ao livre e recíproco dom de si mesmos. importa sublinhar que esta prática se aplica somente às pessoas “recasadas” e não aos separados e/ou divorciados. mas sim em «situação irregular». muitos dos que se divorciam acabam por assumir uma nova união. 49). passada a tempestade da separação. por ser bem diferente. portanto. deste modo. E. causando um sofrimento que arrasta para a história dorida dos cônjuges toda a família. Nulidade do matrimónio Esta nulidade pode ser reconhecida mediante um processo jurídico por meio do qual se declara que. não há motivo para não poderem comungar ou receber a absolvição. O que diz. a situação dos que se «recasam» considera-se ser um estado de vida 18 | Mensageiro O casamento cristão exprime o amor humano de uma forma fecunda. é espelho e realização do amor divino. infelizmente. pelo caminho. quando da celebração do matrimónio. Divórcio A Igreja Católica não reconhece a figura jurídica do divórcio. a Igreja afirma que estas pessoas deixam de ter acesso pleno aos sacramentos. A lógica é bastante transparente: dada a inquestionável doutrina da indissolubilidade do matrimónio. muitos casamentos atingem rupturas irremediáveis e divisões sem retorno. reconhece que o mesmo não chegou a existir. quando marido e mulher se separam? Em que circunstâncias deixam de poder aceder aos sacramentos? E porquê? A atitude pastoral da Igreja para com as pessoas que se divorciam e contraem um segundo casamento (civil) tem sido a de não serem admitidas à comunhão eucarística.Até que a morte nos separe? O casamento cristão exprime o amor humano de uma forma fecunda. Já não se fala de adultério nem em «situação de pecado». a Igreja acerca dos casamentos que se quebram. a realidade concreta na vida de alguns casais acaba.

a educação dos filhos – não se podem separar. isto é. assumem a obrigação de viver em plena continência. continua o Papa: «A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que. E é por esta razão que as pessoas que vivem nesta situação não devem comungar eucaristicamente. O Papa João Paulo II explica a razão: «o seu estado e condições de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja. Isto tem como consequência. por motivos sérios – quais. 84). por exemplo. de abster-se dos actos próprios dos cônjuges« (FC. quanto ao sacramento da Penitência ou Reconciliação. arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo. a prática da Igreja no que respeita às pessoas recasadas. concretamente. portanto. E.que contradiz objectivamente a regra da Igreja. estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Como chegamos aqui? Foi sempre assim na Igreja? Porquê esta praxis? Fevereiro 2015 | 19 . Esta é. que quando o homem e a mulher. signi­ ficada na Eucaristia».

em S. Mateus – e também em S.. facto não menor já que. em caso de adultério. não é a tradução exacta dos termos. Pelo contrário. Estas duas excepções não foram postas de lado. Esta atitude de Jesus. 32 e Mt 19.Referências na Escritura Dos Evangelhos só podemos tirar uma conclusão: Jesus é claramente contra o divórcio. Paulo – surgem duas excepções a este ensinamento de Jesus. 20 | Mensageiro . na futura teologia. então. introduziu uma excepção. que proibia todo o repúdio. 32 da edição bíblica da TOB refere que «esta célebre excepção mateana é provavelmente uma aplicação da parte do evangelista de uma palavra de Jesus. E se a mulher repudiar o marido e casar com outro. Quer dizer. são hoje praticadas na Igreja. Os Romanos consentiam o divórcio.) A tradição ortodoxa vê neste inciso uma base para constatar. não consideraram que introduzir-lhe excepções pastorais fosse uma traição ao Senhor. O apóstolo afirma mesmo: «Digo eu. Marcos (o Evangelho mais antigo). mas acrescenta: «excepto em caso de porneia». Jesus é claro e peremptório: «Quem repudiar a mulher e casar com outra comete adultério contra a primeira. Mas. É uma palavra grega que é traduzida de vários modos. A nota de rodapé de Mt 5. Os Judeus aceitavam o divórcio. 9. a uma nova situação (. é que Mateus e Paulo. O seu significado continua hoje em discussão (Luís Alonso Schockel). por se tratar de casamento entre um cristão e um não-cristão. esta diferença distingue a sacramentalidade da união). no entanto. O Evangelho de S. onde surgiam uniões entre os que se convertiam ao cristianismo e os gentios. O mais significativo. 11-12). comete adultério» (Mc 10. Em S. surge. segundo interpretações diversas. Paulo. onde o divórcio era de aceitação comum. Marcos e o Evangelho de S. conhecendo perfeitamente o ensinamento de Jesus. para permitir que um cristão que se separe do seu cônjuge não-cristão possa casar-se de novo (certamente. que há [causa para] divórcio». não o Senhor» (1 Cor 12). Na Igreja Ortodoxa invoca-se a excepção de Mateus e na Igreja Católica continua a praticar-se a excepção de Paulo no que respeita aos casamentos mistos. Mateus. pois Moisés tinha-o permitido.. A questão ficaria resolvida se não houvesse mais nenhuma alusão a este assunto. Jesus diz a mesma frase que em Marcos. aqui a questão difere da anterior. dirigindo-se aos Coríntios. dirigindo-se a uma comunidade judaica. como uma novidade. João não inclui esta referência. também da parte da mulher. Lucas segue o de S. Em Mt 5. Do mesmo modo actua S.

Rafael Fevereiro 2015 | 21 . vieram à luz do dia divergências. se possa vir a encontrar uma solução pastoral que passe por readmitir pessoas recasadas à comunhão sacramental? A doutrina ensina o conteúdo da fé e o direito canónico define e explicita-o em lei. O que «está em cima da mesa» é a discussão da possibilidade de uma atitude pastoral que responda ao sofrimento e anseios de tantos casais recasados que vivem não só a angústia de não poderem comungar como também a acrescentada dificuldade de educação dos filhos na fé. Imagem: The Holy Family . 3-4). não puderam viver o ideal de vida proposto por Cristo. nesta matéria. 13). responde-lhes: «Não lestes o que fez David quando sentiu fome. nalguns casos concretos. não só pelo cumprimento das suas palavras. abre excepção à lei para aqueles que. Como se sabe. Mas talvez o critério último da acção da Igreja pudesse ser uma atitude pastoral de misericórdia que. Na Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos. nem aos que estavam com ele.O Sínodo dos Bispos “Todos concordam que a doutrina da indissolubilidade do matrimónio é inquestionável”. De facto. quer na interpretação dos dados históricos sobre esta matéria (passado). pudesse ir mais longe. a fidelidade a Cristo mede-se. mas somente aos sacerdotes?» (Mt 12. já que «a misericórdia triunfa sobre o juízo» (Tg 2. ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição que não lhe era permitido comer. sem negar a doutrina da indissolubilidade eterna do matrimónio. sem contrariar a doutrina. É possível que. quer na atitude possível e adequada a tomar no futuro. bem determinados. O próprio Jesus. perante os fariseus que acusavam os discípulos. foi levantada e discutida a questão do acesso ou não dos recasados aos sacramentos. mas também (e acima de tudo?) pela adesão à sua atitude e às suas acções. Todos concordam que a doutrina da indissolubilidade do matrimónio é inquestionável. ocorrida em Outubro passado. Esta é a posição da Igreja Ortodoxa que aplica o princípio da «economia»: este princípio exprime a concessão e a misericórdia de Deus que.

pelo fruto se conhece a árvore».. como diz S.. E a verdade é que neste tempo torna-se tão fácil desistir e abandonar. inesperado. confrontou-nos com uma pergunta essencial em Mt 12. Permanecer. tão destrutivo. Mas não esqueceremos nunca. Um turbilhão que colocou em causa os valores em que acreditávamos.. Lidamos com muita dificuldade com o erro. recasados e casados de novo. Com o tempo foi-nos chegando outra interpelação de Deus em Jo 8. É assim que queremos continuar.. como sempre estava ali disponível e atento. Esta é a história de dois casamentos feitos com a consciência e a liberdade possíveis para a altura. é que sou forte» (2 Cor 12. que veio para os pecadores. Paulo. normalmente. pois nunca as há. que é difícil lembrar e esquecer. Duas histórias de sofrimento e de pecado de que ninguém se orgulha. outra. divorciados. Francisca Assis Teixeira e Rui Marques 22 | Mensageiro . se investe tanto. sem rumo. normalmente. Mas Deus. o tempo fazia acreditar que o fruto era bom. Testemunho: casados. acabou por chegar. sem sacramentos. Ficámos sem rede. que «quando sou fraco.. nesta fraqueza sem certezas mas confiante e totalmente dependente do seu Amor. é tantas vezes tão humilhante. Mas é também a história de um encontro. um casamento onde. embora não facilitando. Enquanto uma Igreja. apontava e excluía. sem referência.“Falhar uma relação. que abalroou muros e barreiras e que provocou um verdadeiro terramoto nas nossas vidas. deu-nos a oportunidade de voltar a casar pela Igreja. que não correram bem e que acabaram em separação. com que tínhamos sido educados e que eram estruturantes nas nossas vidas. que é Amor e Graça. ainda demasiado numerosa. acolhia. é um dos maiores falhanços por que se pode passar. tão duro. 10). um casamento onde. Será isso que Deus quer da sua Igreja? Seria essa a resposta que Jesus daria? A fonte de algumas destas regras não será mais o medo que o Amor? Deus. E embora sem certezas. A lógica humana não está desenhada para quem falha. Que fruto produzia a nossa árvore? A resposta. se investe tanto. mas pode ser que seja útil. que não era rápida nem automática. bem mais à imagem de Jesus. sem parte dos amigos. então. nem agradável. com a derrota. 32: «. com o pecado. Falhar uma relação. é um dos maiores falhanços por que se pode passar”. impossível.. sabendo-se colocado à parte. E falar na primeira pessoa de uma história com estes contornos não é nem fácil. 1: «Vai e não tornes a pecar». Deus manteve-Se essencial durante todo o longo tempo de deserto por que passámos.

e também a diferença entre sexos. Portugal: 12. A Família Cristã Através desta Exortação apostólica. a castidade e o pudor.00€. Páginas: 288. andam à procura da verdade e a quem está impedido de realizar livremente o ideal familiar.LIVRARIA Nascemos e jamais morreremos Neste livro. cujos tratamentos adia para não pôr em risco a vida da criança que estava a ser gerada. Formato: 14. sabe-se que a mãe.70€. O objectivo da obra é o de proporcionar algumas chaves que permitam compreender em que medida a palavra da Igreja se enraíza numa experiência histórica colectiva recheada de atribulações e onde não falta também a compreensão amiga da condição sexuada da humanidade. – Rua S. aos que. que acompanhou para o Céu os seus dois primeiros filhos. Europa: 15.40€ (Portes de Correio incluídos nos preços). Europa: 15. Preço: 5.70€.70€.5x19.8x22 cm. Pedidos: www. Quando um terceiro bebé. as relações pré-conjugais.00€. Fora da Europa: 17. conhecendo o valor do matrimónio e da família. tem um cancro. «Nascemos e jamais morreremos» conta a história do casal Petrillo. poucos minutos após o nascimento.pt. é gerado. saudável. Páginas: 176. livros@snao. Barnabé. à qual é impossível ficar indiferente.O.livraria. Fora da Europa: 10.00€.apostoladodaoracao.00€. João Paulo II mostra que a Igreja – consciente de que o matrimónio e a família são um dos bens mais preciosos da humanidade – quer fazer ouvir a sua voz e oferecer ajuda a quem. testemunha a paz de uma profunda experiência de Deus.5 cm. Formato: 12. Chiara. encontramos a proximidade de uma vida desconcertante que. a contracepção. Europa: 8. Portugal: 5. Portugal: 12.40€ (Portes de Correio incluídos nos preços).00€. Páginas: 144.00€. procura vivê-lo fielmente. Formato: 13x21 cm. incertos e ansiosos. Secretariado Nacional do A. Preço: 12. muito além do sofrimento. Preço: 12. o aborto.pt/.40€ (Portes de Correio incluídos nos preços). Fora da Europa: 17. 32 – 4710-309 Braga Fevereiro 2015 | 23 . A Igreja e a sexualidade Os capítulos deste livro versam sobre os problemas permanentes da sexualidade humana: o casamento.

uma série de elementos mais devocionais. nas circunstâncias de cada um. Com uma história de 170 anos. dispor-se interiormente a realizar a vontade de Deus no dia-a-dia. s. etc. O modo de levar à prática estas duas ideias será o tema dos próximos artigos desta secção. ocorrido um pouco por todo o mundo. Uma Rede Mundial de Oração Sendo o AO o principal destinatário das Intenções que o Santo Padre confia aos cristãos. proposto a qualquer cristão. atravessando circunstâncias muito diferentes. Estas duas ideias-chave aliam constantemente o caminho interior com a prática exterior. formação ou estrato social. em celebrações comunitárias. pessoalmente ou em grupo. isto é. dirigido a todos os cristãos. independentemente da sua idade. espalhada por todo o mundo. E tendo o AO assumido. herdando uma espiritualidade própria de um tempo.VIVER O AO O AO em duas ideias António Valério. a oração que leva à intimidade com Jesus leva à dimensão apostólica da fé. o rezar pelas Intenções do Papa deve levar também a um compromisso em cada mês relacionado com o tema das Intenções. que procura unir a sua oração a compromissos concretos. ou seja. chegou-se àquilo que poderia resumir o que é o AO em duas ideias-chave: Disponibilidade apostólica O AO é um caminho espiritual quotidiano que leva a uma atitude de disponibilidade apostólica. ao longo da sua história. mas profundo. através de um ritmo quotidiano simples. Esta intimidade que gera a disponibilidade alimenta-se na oração pessoal.j. fazendo da oração algo concreto no dia-a-dia. como se poderia definir o que é o Apostolado da Oração? Durante o processo de Recriação percebeu-se a necessidade de explicitar aquilo que é específico do AO. Tem por base uma relação de intimidade com Jesus Ressuscitado. que faz a diferença em relação a outras propostas dentro da Igreja. não sendo um movimento eclesial. na internet e redes sociais digitais. 24 | Mensageiro apaixonando-se por Ele e pela sua missão. presente em 83 países de culturas e línguas muito diversas. mas um caminho transversal. Pode fazer-se parte desta Rede Mundial de muitos modos. na linha das Intenções. aquele apresenta-se como uma Rede Mundial de Oração. . Do mesmo modo. como se poderia hoje mostrar naquilo que são as suas linhas identitárias? Após alguns anos de um intenso diálogo.

é precisamente «visitar os presos». particularmente os que conhecemos. os cristãos devem actualizar as atitudes de Jesus de inclusão e acolhimento fraternos.REUNIÃO DE GRUPO Esquema de reunião de grupo Manuel Morujão. o Evangelho do domingo seguinte à recorda-nos a compreensão e ajuda que devemos reunião) e com uma oração ou um cântico. – cair na conta de que sem os outros eu não sou o que devo ser. pois os outros fazem parte de mim. cumprindo a bem-aventurança de Cristo: «Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia»? O Responsável. Terminar com uma leitura da Palavra de Deus A Intenção (missionária) pela evangelização (por exemplo. especialmente os jovens. Cristo deu-nos claro exemplo de acolher os que a sociedade marginalizava.j. s. concretizando Assuntos práticos do grupo do AO os ensinamentos de Jesus.ª Parte córdia» recomendadas pela Igreja. Oração inicial – Oração do Oferecimento (com a fórmula tradicional ou com outra) 1. «Reunir» é um verbo que nem sempre é fácil de conjugar.ª Parte Intenções do Papa para o mês de Fevereiro oferecer aos casais separados: «Que os casais que se separaram encontrem acolhimento e apoio na comunidade cristã». 2. – criados à imagem de Deus pluralidade de pessoas. talvez respondendo às seguintes perguntas: – Na nossa paróquia ou zona conhecemos alguém que esteja preso? Se não for fácil que alguém do grupo visite essa pessoa no estabelecimento prisional. A intenção universal fala dos presos: «Que os reclusos. só vivendo a cultivar uma boa relação com os outros manifesto a imagem de Deus em mim. será certamente viável visitar a sua família. – Como poderemos ter concretas atitudes de acolhimento e apoio para com os casais que se separaram. poderá fazer uma apresentação de uma ou das duas Intenções do Papa Francisco. Como sabemos.ª Parte Os grupos do AO são grupos de oração e de acção Dar algum tempo para partilhar o que os membros do AO poderão fazer na linha das propostas que o Papa Francisco nos dirige. É um verbo que nos desafia a: – ultrapassar as nossas diferenças e a buscar o que nos une. Assim. Trindade Santíssima. – cair na conta de que todos precisamos de todos: eu preciso dos outros e os outros precisam de mim. Fevereiro 2015 | 25 . tenham a possibilidade de reconstruir a sua vida com dignidade». uma das «obras de miseri3. ou outra pessoa do grupo.

de falta de dignidade. 4 – Oração pelos reclusos Por todos os que sofrem prisão. pobre e humilde. s. de condições. de injúrias… E rezar-Lhe mais uma vez por todos os reclusos do mundo. as blasfémias. de violação de direitos básicos. vivendo em violência e solidão. em oração e em diálogo com Jesus. Fazê-lo em silêncio e recolhimento. em todo o mundo. o traidor. em tantas cadeias e lugares de tormento. Expor Jesus Eucaristia na custódia. abandonado e só em milhões de sacrários. as calúnias. etc. o beijo de Judas. 1 – Estava «preso» e visitaste-me O Jesus Eucaristia é o mesmo que disse esta frase (cf. na Hóstia consagrada. as falsas testemunhas. recordando. (Guardar silêncio orante para dar tempo a esta longa oração). a sua prisão no Jardim das Oliveiras. com paz e serenidade.1ª SEXTA-FEIRA Rezar com o Papa pelos reclusos Dário Pedroso. 2 – Cântico eucarístico para avivar a presença e o amor de Jesus 3 – Jesus preso (Mt 26. fazer silêncio para que cada um se recolha em Jesus e se coloque em seu Coração. Rezar-Lhe pelos reclusos… colocar todos dentro do seu Coração. de opróbrio. (Guardar silêncio orante para dar tempo a esta longa oração). sobretudo os que sofrem prisões injustas e vivem em condições infra-humanas… Rezar pelas suas famílias. ou colocar a píxide sobre o altar. os seus julgamentos em diversos tribunais. Acompanhar Jesus nessa noite de dor. escondido e perseguido. pode ajudar-nos a pensar que Ele está «preso» por amor. de sofrimento. as mentiras. Mt 25. Depois. 31-46). 36 – 27. 14) Ler o texto e depois meditar. Estar diante de Jesus. É Ele que está diante de nós e que está presente em muitos milhares de reclusos.j. começar com um cântico eucarístico e rezar algumas jaculatórias costumadas. que 26 | Mensageiro .

condenados sem serem culpados… Rezar por aqueles que. desesperando. Pai Nosso. que vivem verdadeiros martírios físicos e morais… Lembrar e rezar por aqueles que foram presos e mortos injustamente.sofrem as consequências da sua prisão… Rezar para que tenham visitadores que os ajudem e animem… rezar para que tenham meios de cultura e de trabalho para ocupar o seu tempo… Rezar. mais dignidade para todos os reclusos. Fevereiro 2015 | 27 . se suicidam nas cadeias… Pedir que estes estabelecimentos sejam lugares mais justos. trazer à memória a imensidade de sofrimento. 8 – Cântico Eucarístico. de dor.. onde mesmo aqueles que foram presos justamente encontrem amizade e estima… (Ficar em silêncio orante).. rezar em comunhão de irmãos a oração dos filhos de Deus. 7 – Trazer à memória Diante de Jesus Eucaristia. 5 – Cântico que ajude a interiorizar a caridade e a paz 6 – Pai Nosso… Unidos a Jesus na Eucaristia. de privação de milhões de reclusos. etc. sobretudo. pedindo ao Pai mais justiça. mais estima. pessoas e instituições que os ajudem e acolham… (Guardar silêncio orante para dar tempo a esta longa oração de petição). Bênção… Bendito seja Deus. sobretudo presos por causas políticas. para que não percam a estima pela sua vida e a sua dignidade humana… rezar para que reconheçam os seus crimes e pecados e se possam emendar… Rezar para que ao serem libertos encontrem meios para crescer em dignidade.

que se deseja cada vez mais evangelizada. fundada sobre a oração quotidiana que busca desenvolver uma relação pessoal com Jesus Cristo. Este processo permitiu redescobrir o essencial do Apostolado da Oração. deu-se o reforço em alta no mundo digital com o lançamento da plataforma multicanal . o Apostolado da Oração procurou. o AO tem uma forte presença na rede. que se exprime na oração quotidiana. desde a primeira hora. Em Portugal. o Padre Geral da Companhia de Jesus. sobretudo jovens. com o «Passo-a-Rezar». sobretudo às novas gerações. Adolfo Nicolás. levado a cabo por indicação do seu responsável internacional. A recriação tem como objectivos actualizar e adaptar a proposta apostólica do AO e o modo de a apresentar. consciente da necessidade de se renovar para responder aos desafios do presente e preparar o futuro. A data torna-se particularmente simbólica porque coincide com o fim de um processo longo e intenso de reflexão sobre a recriação do AO. foi feita uma grande aposta nos meios de comunicação digital. acompanhar e contribuir para a reflexão do AO Internacional. O primeiro passo foi dado com toda a segurança e maior sucesso em 2010. capaz de transformar a vida à luz do Evangelho. Obra da Santa Sé confiada à Companhia de Jesus. Em 2014. tornando-a mais acessível e atractiva aos cristãos de hoje. Hoje. O AO tornou-se uma proposta de espiritualidade muito centrada no quotidiano. no compromisso eclesial. transversal aos 28 | Mensageiro vários movimentos apostólicos e aberta a todos os cristãos. e no compromisso diário com a transformação da realidade vivida. no âmbito da sua missão específica: propor uma espiritualidade simples. indo ao encontro daquilo que a Igreja e a sociedade precisam. em Dezembro. por onde passam milhares de pessoas. traduzido de modo particular na oração pelas Intenções do Papa. assinalou os seus 170 anos de existência. Desde logo.NOTÍCIAS AO É NOTÍCIA Uma proposta para hoje e para todos O Apostolado da Oração (AO).

organizado pela direcção diocesana. Apesar da tarde chuvosa e fria. um Encontro para membros do Apostolado da Oração. junto ao Marquês. houve alguns minutos de Adoração em profundo silêncio. às 16 horas. AO de Sesimbra celebra 140 anos Dando início às comemorações do seu 140° aniversário. aceitando a ignomínia da morte na Cruz e fazendo sair do seu lado trespassado sangue e água. O programa começou com uma intervenção do Padre José Miguel Joaquim que. nos sacrifícios e vida orante dos seus numerosos membros. em Novembro passado. As novas formas de comunicar a fé e a vida de oração do AO têm merecido os maiores elogios e felicitações por parte de várias personalidades e estruturas da Igreja. pensando nas múltiplas paróquias de mais perto e do grande Patriarcado. A equipa diocesana está de parabéns por mais esta iniciativa. na igreja paroquial. A festa terminou com um animado convívio no salão paroquial. onde todos puderam saborear as iguarias apresentadas. o que está bem patente nos 140 anos de actividade do Centro do AO. sobre o Caminho do Coração e sobre a Exortação do Papa. que têm dado frutos nesta paróquia! Depois. Padre Manuel Silva. o Centro do Apostolado da Oração da Paróquia de Santiago de Sesimbra. cerimónia presidida pelo pároco. pelos membros deste Centro. realizou-se. Cruzada. É urgente dinamizar as paróquias para que o AO se renove e o encontro de Março tenha muito mais participantes. O processo de recriação motivou ainda a refor- mulação de toda a linha gráfica e respectivos conteúdos das publicações periódicas do Secretariado Nacional: Mensageiro. Cristo reina. em versão digital. Foi bom sentir o entusiasmo de todos. referindo o relativismo que avassala o mundo em que vivemos. Encontro diocesano no Patriarcado de Lisboa Num dos salões da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. seguindo-se o canto de Vésperas e a Bênção do Santíssimo Sacramento. um Encontro de aprofundamento. levou a efeito. Cristo Impera!». oração e convívio. agraciada com a aparição na sua praia da veneranda Imagem do Senhor das Chagas (em 1534). pediu ao Padre Dário Pedroso que agendasse novo encontro para o dia 28 de Março. não poderia deixar de prestar culto ao Coração Santíssimo de Jesus. A direcção está determinada a dar passos para conseguir que essa nomeação vá por diante. participaram quase duas centenas de pessoas que cantaram entusiasticamente «Cristo vence. Ao início da tarde rezou-se o terço em comum. na presença do Senhor Sacramentado. Laura Reis Marques Fevereiro 2015 | 29 . Diocese de Setúbal. O Padre Dário Pedroso foi convidado para falar no Encontro e fez três conferências: sobre o Advento e a nossa vida de oração. Estiveram presentes cerca de 50 pessoas. assim como sentir a preocupação de ainda não terem um Director Diocesano que substitua o cessante. como fontes de misericórdia para todos nós. Entretanto. o Sínodo da diocese e a contribuição do Apostolado da Oração. destacou de forma eloquente o Amor do Coração de Jesus pela humanidade. no mesmo local. do Mensageiro e da Cruzada. Lembrou que Sesimbra. e o Encontro terminou com a Eucaristia. Clarim e Oração e Vida (Bilhetes Mensais) e a disponibilização.«Click To Pray». na tarde de 23 de Novembro – Solenidade de Cristo Rei. meditado pelo Padre Dário. em generosa partilha.

Há 15 doenças e tentações que. São «doenças 30 | Mensageiro e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor». ao mau funcionamento». nem procura melhorar é um corpo enfermo». pretendem ser uma chamada de atenção para todos os que integram este Corpo que é a Igreja. imune ou mesmo indispensável. por altura do Natal. . congregação. obrigatório e deve ser vivido seriamente». para quem levou a cabo a sua missão. e explicou que o Espírito Santo «é o único que as pode curar». comunidade. santidade e sabedoria. O Santo Padre disse ainda que «a cura é fruto também da consciencialização da doença e da decisão pessoal e comunitária de se curar. movimento eclesial». elencando 15 doenças curiais. O Papa começou por focar a doença de se sentir «imortal. Uma Cúria que não se auto-critica.NOTÍCIAS IGREJA É NOTÍCIA Papa fala de “doenças” perigosas para a Cúria e para qualquer cristão O Papa Francisco discursando à Cúria Romana. o tratamento». Chamada a melhorar e a crescer «em comunhão. não se actualiza. afirmou. para realizar plenamente a sua missão». é necessário. a Cúria Romana está sujeita «às doenças. Mais do que um «recado» à Cúria. Francisco falou detalhadamente destas doenças no habitual encontro com a Cúria Romana. é Ele «que sustenta todo o esforço sincero de purificação e toda a boa vontade de conversão». com paciência e perseverança. paróquia. constituem «um perigo para todo o cristão e para cada cúria. descuidando os controles habitualmente necessários. Francisco criticou também a «actividade excessiva» daqueles que mergulham demasiado no trabalho: «o tempo do repouso. no entender do Papa. suportando. que acabam por afectar aqueles que pensam mais em si próprios e em atingir objectivos pessoais do que no serviço que estão a prestar à Igreja.

um «serviço à justiça» e uma «condição necessária» à paz. enquanto a «doença de divinizar os líderes» é a «daqueles que fazem a corte aos Superiores. a «doença do acumular» e a «doença da cara fúnebre». O Santo Padre considera que. Diálogo inter-religioso é antídoto contra o fundamentalismo O diálogo é o «melhor antídoto» contra o fundamentalismo religioso. na verdade e no amor. não tendo a coragem de dizer directamente. vivendo num ambiente de maioria muçulmana. Embora em número reduzido. a «doença do empe­ der­ ni­ mento mental e espiritual». necessária para nos fazer chorar com os que choram e alegrar-nos com os que estão alegres». declarou. nas vésperas do último Natal.) causa grave deficiência à pessoa. identificou a «doença do lucro mundano. os cristãos podem ajudar os seus «concidadãos muçulmanos a apresentarem. tais crimes e denuncie a prática de invocar a religião para os justificar». são capazes de caluniar. A concluir. as «bisbilhotices». falam pelas costas». das «pessoas rudes e amargas que consideram que. começa «com boas intenções. de severidade e tratar os outros (…) com rigidez. perdendo assim o contacto com a realidade. naturalmente para se exibir e demonstrar-se mais capazes do que os outros». É perigoso perder a sensibilidade humana. o Papa Francisco destaca a importância do diálogo inter-religioso no cenário de tensão que se vive no Médio Oriente e que atinge. entre outros. Numa Carta escrita aos cristãos do Médio Oriente. Existe ainda a «doença da rivalidade e da vanglória» – que «nos leva a ser homens e mulheres falsos» – e à «esquizofrenia espiritual» – «uma doença que acomete frequentemente aqueles que. uma imagem mais autêntica do Islão». a situação «dramática» vivida pelos cristãos iraquianos. que (. em que manifesta vontade de visitar pessoalmente e confortar estas populações. Por outro lado. escraviza os membros.Existe ainda. nalgumas situações. Com estas palavras. lembra o Pontífice. ao próprio Cristo». com o passar do tempo. os cristãos da região.. é «o melhor antídoto contra a tentação do fundamentalismo religioso. os cristãos do Médio Oriente são «protagonistas» da vida da Igreja e dos países onde vivem. honram as pessoas e não Deus». onde a pertença ao grupo se torna mais forte que a pertença ao Corpo e. com as pessoas concretas». tornando-a incapaz de exercer qualquer actividade autónoma. com discernimento. vivendo num estado de absoluta dependência dos seus pontos de vista frequentemente imaginários». o Sumo Pontífice afirma que o diálogo inter-religioso. O «alzheimer espiritual» foi outro sintoma apresentado: «trata-se de um progressivo declínio das faculdades espirituais. na esperança de obter a sua benevolência. «um serviço à justiça e uma condição necessária para a tão desejada paz». O Santo Padre diagnosticou a «planificação excessiva». tornando-se um cancro que ameaça a harmonia do Corpo e causa um mal imenso». dos exibicionismos». tornando-se máquinas de práticas e não homens de Deus. para se ser sério. No seu discurso. São vítimas do carreirismo e do oportunismo. é preciso pintar o rosto de melancolia. bem como a «doença da má coordenação» e referiu-se à «doença dos círculos fechados. mas. abandonando o serviço pastoral. asseverando que «toda a Igreja está solidária» com eles e apoia-os «com grande afecto e estima». de modo unânime e sem qualquer ambiguidade. baseado numa atitude de abertura. difamar e desacreditar os outros. Francisco assinalou ainda a «indiferença para com os outros». prosseguiu. se limitam às questões burocráticas. dureza e arrogância». para isso. a demonstrarem que «o Islão é uma religião de paz e pode conciliar-se com o respeito dos direitos humanos e a convivência entre todos». Para o Papa. «murmurações» e «críticas» afectam «as pessoas velhacas que. a doença daqueles que «procuram insaciavelmente multiplicar o seu poder e. o «funcionalismo». daqueles que se escondem «sob os papéis. pelos yazidis e membros de outras comunidades religiosas e étnicas «exige uma tomada de posição clara e corajosa por parte de todos os responsáveis religiosos que condene. «Continuaremos Fevereiro 2015 | 31 . que é uma ameaça para os crentes de todas as religiões». inclusive nos jornais e revistas..

após a criação de 19 cardeais. Esta realidade «constitui um forte apelo à santidade de vida. «promovendo a paz por meio da negociação e da actividade diplomática. quando confrontado com a notícia. lembrou que a instituição se lançou “na aventura de estar ao lado dos mais vulneráveis e dos mais pobres”. diversidade e interculturalidade”. considerando que «os sofrimentos padecidos pelos cristãos prestam uma contribuição inestimável à causa da unidade». inclui. O Santo Padre espera que esta «prova» que os cristãos do Médio Oriente estão a atravessar. há 110 cardeais eleitores. acompanhando. com cujo pontificado e pensamento me identifico absolutamente». Neste momento. servindo e defendendo os refugiados. Liberdades e Garantias decidiu distinguir o JRS. na defesa dos direitos e na integração da população imigrante em situação de grande vulnerabilidade”. O director do JRS. O júri do Prémio Direitos Humanos. o facto de ser escolhido para cardeal é uma oportunidade para «colaborar mais directamente» com o Papa. 32 | Mensageiro provenientes de 14 países. os sacramentos. seguindo-se a América (33 . «Que a palavra de Deus. uma medalha de ouro comemorativa dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Etiópia. entre outros. Manuel Clemente criado cardeal O Patriarca de Lisboa vai ser criado cardeal durante o Consistório que se realiza nos dias 14 e 15 deste mês.a ajudar-vos com a oração e com os outros meios à disposição». dos quais menos de metade são da Europa (52). Direitos. Mianmar. além do Patriarca de Lisboa. este organismo da Companhia de Jesus conta com aproximadamente mil e 400 colaboradores e está presente em cerca de 50 países. migrantes e todas as pessoas deslocadas à força dos países de origem. na Assembleia da República. Francisco diz continuar a incitar a comunidade internacional a acorrer às necessidades dos cristãos e de outras minorias que sofrem. Panamá. a oração. a fraternidade alimentem e renovem sem cessar as vossas comunidades». Manuel Clemente. a 22 de Fevereiro de 2014. . “uma organização especializada em migrações que desenvolve uma forte acção no terreno. como o comprovam santos e mártires das mais diversas confissões eclesiais». Tailândia e Vietname. Tonga. «Para mim é um gosto colaborar ainda mais directamente com o Papa Francisco. constituído no âmbito da Comissão de Assuntos Constitucionais. Serviço Jesuíta aos Refugiados recebe prémio de direitos humanos O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) em Portugal recebeu. O Papa decidiu criar 15 cardeais eleitores. no Vaticano. numa lista que. adiantou ainda na Carta. procurando circunscrever e extinguir o mais depressa possível a violência que já causou muito dano». entre os quais 16 eleitores. Este é o segundo consistório do actual pontificado. «fortaleça» a sua fé e fidelidade. os prelados de Cabo Verde. África (13). D. André Costa Jorge. territórios e famílias. entre outros. Ásia (11) e Oceânia (1).17 do Norte e 16 latino-americanos). O Papa mostra também a sua alegria com as «boas relações e a colaboração entre os patriarcas das Igrejas Orientais católicas e ortodoxas» e «entre os fiéis de diferentes Igrejas». Fundado em 1980. Moçambique. Para D. assim como “na promoção do diálogo em torno da imigração. afirmou o Patriarca de Lisboa.

arriscando as suas vidas. é necessário considerar as cinco viagens internacionais realizadas o ano passado (Terra Santa. escreveu que concedeu «asilo e hospitalidade no colégio a pessoas que eram perseguidas na base de leis injustas e desumanas». Cláudia Pereira e Elisabete Carvalho Fontes: Ecclesia / Renascença / www. Em 1940. vice-reitor e reitor do Colégio Pontifício Português de Roma entre 1940 e 1954. Quase seis milhões de pessoas com o Papa no Vaticano Em 2014. O Padre Joaquim Carreira nasceu em 1908. aproximado. este número. «Justo entre as Nações» é um título usado pelo «Yad Vashem» para designar as pessoas que salvaram judeus durante o Holocausto. além de verem os nomes inscritos no francesa e residente em França). celebrações litúrgicas na Basílica e Praça de S. Estrasburgo e Turquia) e as quatro viagens em Itália. juntando-se a Aristides de Sousa Mendes (cônsul português em Bordéus). É a maior distinção concedida por Israel a pessoas que não professam a fé judaica. mais de 6. desde a sua eleição em Março. que viria a ser ocupada pelos nazis em Setembro de 1943.19 milhões de participantes). foi ordenado padre em 1931 e formado na pilotagem de aviões. O sacerdote ofereceu abrigo a várias pessoas perseguidas pelos nazis. mural do Jardim dos Justos. quase seis milhões de pessoas estiveram com o Papa Francisco em celebrações e encontros no Vaticano. Carlos Sampayo Garrido Museu Yad Vashem (embaixador de Portugal na Hungria) e José Brito Mendes (operário português casado com uma de honra. Coreia do Sul. do Yad Vashem.va Fevereiro 2015 | 33 . Monsenhor Joaquim Carreira passa a ser o quarto português a ser declarado «Justo entre as Nações».5 milhões de pessoas estiveram com o Papa no Vaticano. decidiu atribuir ao sacerdote português Joaquim Carreira.1 milhão) e oração do Angelus e Regina Coeli (3. Albânia. No relatório da actividade do Colégio. Memorial do Holocausto de Jerusalém. Pedro (1. refere-se a 43 audiências semanais de quarta-feira (1. No ano anterior.onde uma pequena floresta homenageia também tinguidos com uma medalha e um certificado os seus nomes. já em plena II Guerra Mundial. De acordo com este organismo da Santa Sé. audiências especiais (567 mil). Aqueles que são declarados «Justos» são dis. Além destas presenças. revelou a Prefeitura da Casa Pontifícia. foi para Roma. numa aldeia próxima de Fátima.Sacerdote português declarado «Justo entre as Nações» O Departamento dos Justos do «Yad Vashem».vatican. o título de «Justo entre as Nações».04 milhões).

A banda foi uma experiência feliz que lhe permitiu atingir a maioridade na música? A banda continua a ser uma experiência feliz. Mas as letras são em português. faço exercícios espirituais. mas sempre com a devida distância de quem não pertence a uma cultura. A minha carreira a solo em nada “beliscou” a minha presença nos Azeitonas. gosto muito de música. no Porto. Da apropriação dos blues por parte dos ingleses. trouxeram-me até aqui. do Elvis. mas como Cristo perdoa e inclui. gosto muito de correr na Avenida do Brasil. da sua introdução na música pop. intelectuais. O trabalho reflecte a sua forma de estar na vida? Julgo que sim. Nem que eu não quisesse! Mas acontece que quis.À CONVERSA COM.. estreou-se a solo com o maior sucesso. A música chega até mim por essa via da tradição oral. vem dos Beatles. Talvez seja o primeiro dos “não cristãos praticantes”. é muito mais americana do que portuguesa. Praticante. Miguel Araújo Cantor. tudo isso. Se sou católico. Questões existenciais.. Nove anos depois. não como carne mas como peixe. contaminar a minha música de certos elementos portugueses. sinto-me sempre muito bem acolhido! 34 | Mensageiro . 60) foi resgatada duma música mais académica. etc. detesto água de piscina. etc. porque as minhas funções nos Azeitonas mantêm-se inalteradas desde 2002. e eu tento. a certa altura da minha vida. Revelou-se nos “Azeitonas”. Gosto do Fernando Pessoa e do Saramago.. e ficou na mão de autodidactas. não gosto de filmes. no Porto. acho-os aborrecidos e longos. que nasci em 1978. que por essa altura (anos 50. julgo também que sim mas não tenho a certeza absoluta. detesto ar condicionado. do lugar e tempo onde nasci e respectiva influência cristã. ando na catequese. adoro água do mar. sou sem dúvida. E não fui eu que a decidi assim!) E enquanto pessoa? Não tenho hobbies. cristão. por uma questão quase folclórica. Vou à missa. poderia ser de outra maneira? Como se define enquanto músico? A minha música é totalmente anglo-saxónica. Por via da minha circunstância de nascimento. Deus existe na sua vida? Inevitavelmente. músico e compositor. banda de rock alternativo que marcou o panorama musical português a partir de 2002. com cinco álbuns e um DVD. (A minha cultura.

-02 Abr. 08 Fev. 19-22 Fev.pt 14 Fev. E-mail: secretaria@creu. Exercícios Espirituais – P. 19-22 Mar. João Carlos Onofre Pinto Exercícios Espirituais – P. Carlos Azevedo Mendes e P. E‑mail: casadatorre@jesuitas. 12-15 Fev. 12-15 Mar. 80 – 4730‑570 SOUTELO – Tel. 12-15 Mar. 05-08 Mar. Vasco Pinto de Magalhães Em Coimbra: CUMN – Centro Universitário Manuel da Nóbrega R. 239 829 712. 10 Fev. 10 Mar. comer e gostar (com Círculo Loyola) Atravessar o deserto: Dia de retiro – P.-01 Mar. Oliveira Monteiro. José Falcão. Miguel Gonçalves Ferreira e Círculo Loyola Fim-de-Semana para Noivos – P. Miguel Almeida Exercícios Espirituais – P. Vasco Pinto de Magalhães Rezar com Daniel Faria e Maria Gabriela Llansol – P. Missões Universitárias (com a Missão País) Orar. Alberto Brito Exercícios Espirituais – P. Sérgio Diz Nunes Exercícios Espirituais – Alzira Fernandes Exercícios Espirituais “pé-descalço” (Leigos para o Desenvolvimento) – P. dos Viscondes da Torre. 08 Mar. António Santana Exercícios Espirituais Temáticos: “Comprometer-se” – P. 27 Mar.pt 02-10 Fev. Miguel Almeida Exercícios Espirituais – P. Fax: 219 289 026. Miguel Gonçalves Ferreira Exercícios Espirituais – P. 20-22 Mar.: 226 061 410. 26 – 1769-014 LISBOA – Tel. Nuno Tovar de Lemos e P. Carlos Azevedo Mendes e grupo de casais Exercícios Espirituais (em Palmela) – P. 13): O caminho singular dos místicos-D. 11-18 Fev. António Couto. Mário Garcia Porta estreita (Mt 7. 03 Mar. Nuno Branco e grupo de casais Exercícios Espirituais “pé-descalço” (em Ourém) – P. 05 Mar.-01 Mar. Manuel Morujão Exercícios Espirituais – P.pt 13-17 Fev. Filipe Martins Desafio da meia-idade (dos 40 aos 55 anos) – P. Gonçalo Eiró Fim-de-Semana para Noivos – P. Emília Providência. Carlos Azevedo Mendes Exercícios Espirituais “pé-descalço” (para Universitários) – P. José Carlos Belchior Desafio do Meio da Vida – P.ACTIVIDADES INACIANAS Fevereiro / Março Em Soutelo (Vila Verde): CEC – Casa da Torre Av.-01 Mar. Linha vermelha – Encontro/Bênção dos Namorados Conversas D’ouro – Encontro com as artes e os artistas 1 Noite & 1 Dia: Onde é que está o mal? Biografia das melhores tentações – P. 12-15 Mar. 12-15 Mar. 06-07 Mar. 12-15 Mar. Patrícia Calvário Exercícios Espirituais – P. Nuno Tovar de Lemos e P. 27 Fev. 12-15 Mar. Nuno Tovar de Lemos e animadores CaFé: Curso de Aprofundamento da Fé – P. João Goulão Nós e Deus – P. Carlos Azevedo Mendes e grupo de casais Exercícios Espirituais – P. Dário Pedroso Exercícios Espirituais “Vida corrente” (em colaboração com CVX e ACI) Exercícios Espirituais – P. 28 Fev. 15 Mar. 20-22 Mar. 19-22 Mar.-04 Abr. Fax: 253 310 401. 12-18 Fev. 13-18 Fev. Luís Maria da Providência Fevereiro 2015 | 35 . 219 289 020. João Goulão Retiro de Quaresma – P. E-mail: cumn@cumn. 20-22 Fev. Mário Garcia Exercícios Espirituais – P. Exercícios Espirituais – P. Gonçalo Eiró No Porto: CREU – Centro de Reflexão e Encontro Universitário Inácio de Loyola R. 13-20 Fev. Vasco Pinto de Magalhães [Inscrições no CREU] “VivàMissa”: Para compreender e poder viver melhor a Missa – P. 20-22 Mar. Alberto Brito Fim-de-Semana para Noivos – P. E‑mail: crsi. 26 Mar. 05-13 Mar. 22 Fev. 17-19 Mar. Joana Serrano. António Vaz Pinto Exercícios Espirituais Temáticos : “Conhecer” – P.-01 Mar.pt 06-08 Fev. Sérgio Diz Nunes Exercícios Espirituais – P. António Santana e Margarida Alvim Em Lisboa: CUPAV – Centro Universitário Padre António Vieira Estrada da Torre. 562 – 4050-440 PORTO– Tel. 20-22 Mar. comer e gostar (com Círculo Loyola) Eneagrama – Clara e João Pedro Tavares Rezar com os ícones – P. 20-22 Mar. 4 – 3000-233 COIMBRA – Tel.pt 07-14 Fev. Vasco Pinto de Magalhães Retiro de Quaresma – P. 21 Fev. Alberto Brito Exercícios Espirituais (para CVX) – P. 05-08 Fev. Nuno Branco Exercícios Espirituais “pé-descalço” (para Universitários) – P. 07-08 Mar. 06-08 Mar. 253 310 400. António Costa e Silva Exercícios Espirituais “Vida corrente” (em colaboração com CVX e ACI) Exercícios Espirituais – P. 20-22 Fev. E‑mail: info@cupav. 27-30 Mar. 14-15 Mar. 124 – 2705-335 COLARES – Tel.rodizio@jesuitas. Miguel Almeida Relações Humanas – P. José Carlos Belchior Orar. 26-29 Mar. 27 Fev. Miguel Almeida e grupo de casais Exercícios Espirituais – P. José Eduardo Lima [Inscrições no CREU] Relações Humanas: Comunicação Interpessoal – P. João Goulão Formação da Consciência – P. 217 590 516. 26 Fev. João Goulão NO RODÍZIO – Casa de Exercícios de Santo Inácio Estrada do Rodízio. Fim-de-Semana para Noivos – P.

Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. acima de tudo. é fermento para toda a sociedade. a alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas. misericordioso. a família que vive a alegria da fé. e que nos faz sentir a beleza de estarmos juntos. E. apaga-se a alegria. na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus.. que todos sentem no coração. cheio de respeito por todos. de nos apoiarmos uns aos outros no caminho da vida. PAPA FRANCISCO. Mas. comunica-a espontaneamente. prevalecem os individualismos. [. a família também perde a harmonia. HOMILIA NA JORNADA DA FAMÍLIA POR OCASIÃO DO ANO DA FÉ 27 DE OUTUBRO DE 2013 36 | Mensageiro . Se falta o amor de Deus.Queridas famílias.. a presença de Deus na família. Pelo contrário. um amor paciente. é sal da terra e luz do mundo.]. está o seu amor acolhedor.