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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA ESCOLAR

FRACASSO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL NA
ESCOLA PÚBLICA: UMA PERSPECTIVA
PSICOPEDAGÓGICA

ANA LUDMILA MOURA DE CERQUEIRA

SALVADOR – BAHIA
2010

ANA LUDMILA MOURA DE CERQUEIRA

FRACASSO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL NA
ESCOLA PÚBLICA: UMA PERSPECTIVA
PSICOPEDAGÓGICA

Trabalho monográfico apresentado ao Curso de
Pós-Graduação da Universidade Cândido Mendes,
como requisito parcial para obtenção do grau de
Pós-graduação em Psicopedagogia Escolar, sob a
orientação da professora Maria Esther de Araújo
Oliveira.

SALVADOR – BAHIA
2010

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA ESCOLAR

FOLHA DE APROVAÇÃO

Orientadora Profª: Maria Esther de Araújo Oliveira
Título: Fracasso escolar no ensino fundamental na escola pública:
uma perspectiva psicopedagógica

Aluna: ANA LUDMILA MOURA DE CERQUEIRA

Parecer:
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Nota: ________________________
SALVADOR – BAHIA
2010

neste espaço. discussões e produções dos trabalhos solicitados. Que fique registrado. incentivo e paciência demonstrados ao longo desses meses em que estou participando do Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Escolar. o meu reconhecimento pela força que vocês nos dão e a certeza de que lutarei tenazmente para superar todos os obstáculos surgidos no caminho até atingir o objetivo almejado. Ana Ludmila .Este trabalho é especialmente dedicado aos nossos familiares. precisei sonegar momentos importantes que passaria no aconchego e carinho familiar para poder traçar os planos necessários para fazer fluir as pesquisas. leituras. pelo apoio. uma vez que devido à necessidade de produzir os trabalhos solicitados.

Agradecimentos À Universidade Cândido Mendes. Em especial à colega Nadja Lopes pelo apoio e incentivo. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho. .

"Conhecer esta realidade [condições materiais. e não como vem sendo feito." Anna Maria Bianchini Baeta . usar este conhecimento como álibi para eximir a escola de seu papel na produção do fracasso escolar. concretas. de vida da maioria das crianças que freqüentam a Escola Pública [que] são de fato extremamente precárias] deve ser ponto de partida para adequar a prática pedagógica às crianças que nela estão inseridas.

Vem mostrar também. dinamizando o futuro e procurando corrigir os erros do presente. só assim. o que nos levou a analisar o problema com um novo olhar. Neste trabalho foram utilizados os princípios teóricos apresentados por LEITE (1988). O fracasso escolar. pergunta inquietante do nosso trabalho. Psicopedagogia. em sentido restrito. um problema político fundamental. LUCKESI (1997). e é desse ponto de vista que devemos encarar. portanto.RESUMO Este trabalho apresenta uma pesquisa bibliográfica do fracasso escolar no ensino fundamental na escola pública: numa perspectiva psicopedagógica. Portanto. a cada discussão efetuada. por sua vez. BOSSA (2000). porque as expectativas dos que elaboram e gerenciam a política educacional e as dos educadores não são compartilhados. SOARES (1993). que além de cultural. avançamos no campo da construção conjunta do conhecimento da escola e da sociedade que queremos. revendo o passado. Escola Pública. e outros. Ensino Fundamental. sob um novo prisma. ensejar esforços que venham transformar este fracasso em êxito. poderemos ter uma educação voltada para as crianças de classe menos favorecida e a redução dos índices de fracasso escolar no ensino fundamental na escola pública. é amplamente discorrida a cada leitura do assunto. . que certamente proporcionará maior compreensão dos problemas enfrentados por alguns alunos e assim. FUKUI (1985). seus objetivos e intenções não são os mesmos para os alunos da escola pública. porque acreditamos que os mesmos nos oferecem maiores subsídios e embasamento teórico para entendermos o objeto que nos propomos estudar. a educação é. Palavras-chave: Fracasso Escolar. CUNHA (1996). É perceptível nas entrelinhas que não há interesse em elevar o nível do ensino.

CARACTERIZANDO O FRACASSO ESCOLAR NO PROCESSO ENSINO– APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL ---------------------------------. O FRACASSO ESCOLAR SEGUNDO A PSICOPEDAGOGIA------------------39 6. FRACASSO ESCOLAR: de quem é a culpa? -------------------------------------. DEFICIÊNCIA CULTURAL E INSUCESSO ESCOLAR -------------------------.10 2.51 CONSIDERAÇÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------.62 REFERÊNCIAS ----------------------------------------------------------------------------------.26 5. ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL NA ESCOLA PÚBLICA--------------------------------------------.21 4.66 .SUMÁRIO RESUMO INTRODUÇÃO -----------------------------------------------------------------------------------.11 3.01 1 REVISÃO DA LITERATURA --------------------------------------------------------------.

a psicopedagogia muda de objeto. A Psicopedagogia surge no Brasil como uma resposta ao grande problema do fracasso escolar e evoluiu de acordo com a natureza do seu objeto e dos seus objetivos. seu objetivo era remediar esses sintomas. astenia (fraqueza orgânica. Desta forma. cognitivos e sociais. assim. passando a considerar a gênese da aprendizagem. e. No início. dos fatores extra-escolares. o tratamento puro e simples dos sintomas pode não se revelar suficiente para que ocorra o êxito escolar. lentidão. representado pela multirrepetência no Ensino Fundamental. Quando consideramos os sintomas do ponto de vista de valores relativos. . Desta forma. exigindo uma nova definição nesta área de estudo. bem como remediar ou refazer esse processo em todos os seus aspectos. onde afirma que o objeto passa a ser o processo de aprendizagem e seus objetivos. tendo como uma das causas a não conscientização do corpo docente e técnico sobre as reais condições de escolaridade dos alunos. então. desinteresse do aluno e a deficiência de escolaridade de seus pais. vem atingindo um número cada vez maior de alunos repetentes. deixando de lado o desempenho. abandono dos pais. a psicopedagogia entra em nova fase. emergência de uma desarticulação dos diferentes aspectos de aprendizagem. Será necessário. debilidade). desinteresse. seu objeto era os sintomas das dificuldades de aprendizagem: desatenção. mudar a base da reflexão teórica e sob um prisma diferente colocar a questão: Quem é o objeto da psicopedagogia? Os estudiosos da matéria definem o objeto da psicopedagogia como sendo o ser cognoscente. os bons e maus resultados antes considerados. A psicopedagogia emerge então em uma fase marcada pela falta de nitidez conceitual. o ser em processo de construção do conhecimento.8 INTRODUÇÃO O fracasso escolar. entende-se o sintoma como sinal. como: desnutrição falta de condições econômicas. a saber: os aspectos afetivos. Entretanto. produto. etc.

mas que na realidade não entram na sala de aula. que sabe ler.9 Dentre os fatores intra-escolares temos a discriminação da escola com os alunos de classe sócio-econômica e cultural baixa. na sua grande maioria. lavadeiras e até mesmo viciados em drogas. Alunos que seus pais não têm condições de ensinar-lhes os deveres de casa por serem analfabetos. escrever e se expressar corretamente. alunos que muitas vezes não têm nem o que comer em casa. salário baixo dos professores. que na maioria das vezes só vem à escola atrapalhar o trabalho do professor e que de fato atrapalha mesmo. e que vai para o colégio de sandálias havaianas por não terem condições de comprar um sapato. econômica e social. A escola pública não foi pensada para a maioria dos alunos cheios de problemas de ordem familiar. visto que. estereótipos e preconceitos dos professores com esses alunos. os quais na medida em que criam os empecilhos concretos fazem com que esses alunos carentes tenham um rendimento escolar de regular a insuficiente. avaliação e currículo escolar. alunos filhos de pais separados. caracterizados pela real condição de pobreza com todas as suas conseqüências. desempregados. A escola foi pensada para um aluno ideal. A escola trata até hoje o fracasso escolar como se fosse culpa somente do aluno. alunos que não têm condições de cursar a série atual por não dominar conhecimentos das séries iniciais. um aluno que tem tempo de estudar em casa e com condições de ter um reforço escolar. devido à escola não ter sido pensada para os alunos com esse estereótipo determinado pela sociedade. são alunos oriundos de bairros periféricos. alunos que só vão para a escola por causa da merenda escolar e da carteira de passe de meia passagem. muito menos o material escolar. Alunos que faltam aulas e provas por não terem o dinheiro do transporte. que não trabalha. .

Uma das contribuições teóricas de LUCKESI (1997). e que o problema só será efetivamente resolvido a partir de profundas mudanças na política educacional que venham atender às classes desfavorecidas. LUCKESI (1997). De acordo com os princípios teóricos de FUKUI (1980). SOARES (1993). professor– escola–aluno. o desenvolvimento do raciocínio e a concentração nas atividades escolares. Seguindo os fundamentos teóricos de CUNHA (1977). e sim como um instrumento para motivar o interesse e estimular o aluno para maior esforço e dedicação nos estudos. FUKUI (1985). BOSSA (2000). no capítulo Fracasso Escolar: de quem é a culpa? Procuramos mostrar que a utilização do trabalho da criança desde os 8 anos de idade e a dificuldade de conciliar o estudo ao trabalho produtivo é também uma das causas extra-escolares do insucesso dos alunos no ensino fundamental.10 1. ele nos mostra que dentre os fatores extra-escolares está a carência alimentar. quando nos mostra que a avaliação não deve ser usada pelo professor como uma arma de tortura e punição. REVISÃO DA LITERATURA Nesse trabalho serão utilizados os princípios teóricos apresentados por LEITE (1988). e outros. uma vez que no aspecto cognitivo a fome compromete a inteligência. teoria essa abordada por SOARES (1993). sobre o fracasso escolar é a questão da avaliação. procurou-se mostrar também que é comum encontrarmos crianças com o rendimento escolar deficiente em decorrência da discriminação social por parte do professor através da prática escolar. procuramos mostrar as verdadeiras causas que levam os alunos do ensino fundamental ao fracasso escolar.No capítulo que trata da deficiência cultural e insucesso escolar. porque acreditamos que os mesmos nos oferecem maiores subsídios e embasamento teórico para entendermos o objeto que nos propomos estudar. a qual contribui para o fracasso escolar do aluno. Na visão de LEITE (1988). . CUNHA (1996). abordadas de forma transparente entre os fatores extra-escolares dos quais fazem parte.

a organização e estrutura dela. feito a imagem e semelhança dos quartéis e conventos. p. os alunos. entretanto. os pais e a sociedade pelo baixo rendimento na escola. Anny salienta ainda que o fracasso escolar afeta o sujeito em sua totalidade. há sempre a conjunção de várias causas que interferem umas sobre as outras. de fracasso. A esse sofrimento de conflito inconsciente junta-se uma dimensão específica que não se encontra nas outras estruturas neuróticas e que é a ferida narcísica de um ser depreciado a seus próprios olhos e aos olhos dos outros. a noção do fracasso escolar não está mais ligada ao tempo. As crianças. perdem seu grupo e têm que começar da estaca zero. já que não é mais marcada pelas fatídicas barreiras (leitura. Também. FRACASSO ESCOLAR: de quem é a culpa? Durante muitos anos os estudos sobre fracasso escolar vêm responsabilizando. de . sociais e históricos e que as identidades sejam respeitadas. vetando suas aspirações e em seguida. etc. onde o aprender seja possível para todos. os currículos e as relações de tempo. de ignorância. não cabe atribuir a culpa pelo fracasso escolar nem jogar essa culpa nos estudantes de forma pura e simples. A organização e divisão do tempo. encontram uma organização escolar já pronta e definida. Segundo Anny Cordié (1996. seu sucesso social. do espaço escolar. Primeiro em seu íntimo. ao entrarem na escola. Para vários estudiosos desta matéria. já que será uma escola de direitos. de forma alternada. determinam ao mesmo tempo o mesmo conhecimento igual para todos. espaço e rotina escolar como usinas geradoras do fracasso. escrita.11 2. Aqueles que não de adequarem ficam para trás. os professores.). que raras vezes são questionadas a cultura escolar. É necessário romper barreiras e criar uma nova escola que não tenham fronteiras de reprovações. Ocorre. A lógica que determina a escola é a lógica dos valores escolares. onde o aluno seja visto como sujeitos culturais. é difícil se colocar a organização seriada. nunca há uma única causa para o fracasso escolar. Além do mais.31).

. a estrutura e o funcionamento do ensino. ou a desenvolver mecanismos de defesa como: a mentira. frustração. quando os pais manifestam sua decepção e cólera em vista dos maus resultados escolares. A escola.. Esta é uma declaração feita com freqüência por pais no final do ano. pouco estudiosa ou dispersa. “Meu filho repetiu na escola. Estes sentimentos podem desencadear uma auto-estima baixa e uma sensação de inadequação que poderá levá-lo a uma vida apagada. a agressividade ou a alienação. Eles trazem estampado no semblante os sentimentos mais contraditórios: decepção. portanto não mereço ser amado”. O fracasso escolar pressupõe a renúncia ao dinheiro. esse valor acontece em função de um ideal. ascensão social na vida do indivíduo. demonstrada quando os pais ignoram o que se passa em aula. pais. raiva. professores e governantes por considerarem esse sucesso como sendo fator que dará acesso ao consumo de bens.”. de castigos e punições que visam acabar com regalias e privilégios dos filhos. Assim. Vários pais supõem que a criança não tira boas notas por ser relapsa. a saber: desaprovação. O problema é muito mais amplo e outros fatores como desempenho do professor. sou mesmo realmente um fracasso!”. indiferença. Pela cabeça do aluno pode estar passando pensamentos do tipo: “Eu não valho nada. os pais têm alguns tipos de comportamento. poder. impotência. implica um julgamento de valor. A ausência de interesse pelos resultados escolares pode estar ligada ao modelo cultural dos pais. Logo.12 cidadania e de consciência política. opondo-se ao sucesso. Um sujeito se constrói perseguindo ideais que se apresentam a ele no decorrer de sua existência. que busca transformar o cotidiano rompendo fronteiras do hoje e que o passado ajude a preparar o amanhã. “Não sou capaz de aprender. o sucesso escolar ocupa um lugar importante na vida de estudantes. triste e retraída. preguiçosa. nem sempre está bem equipada e possui uma equipe pedagógica especializada para entender as . furor e outras tantas emoções que poder ir da tristeza à desolação. o material didático e a própria atuação dos pais deverão ser consideradas no processo de desenvolvimento escolar. Ocorre que o fracasso. Diante do fracasso escolar. por sua vez. os pais desfiam listas de promessas. fracasso.

13 diferenças individuais da clientela. sobrecarga e a desvalorização a que são submetidos no trabalho. Alguns retratam cansaço. dificultando ainda mais o acompanhamento da aula. Não entende necessariamente aquilo que é exposto pelo professor e teme dizer que não entende. a falta de exercícios ao ar livre. continuam seguindo a tendência tradicional e suas normas e regulamentos seguem critérios rígidos que acabam criando situações que em muito contribuem para afetar de forma decisiva os resultados. as escolas. desânimo. . O aluno fecha-se em seu mundo de apatia e desânimo. portanto. o desportismo de alguns professores que detêm o sistema de punições e recompensas. a falta de material didático de boa qualidade e professores muito inexperientes ou que não se enquadram na realidade da aprendizagem. Alguns fatores são deflagradores de um estado de inquietação e tensão emocional muito grande na maioria: a ênfase exagerada nas provas e avaliações. frustração. O fracasso escolar. que privam de afeto e atenção o filho malsucedido. sendo substituída pela resignação de que o ano letivo está perdido. preparados de forma inadequada pelos centros de formação. Segundo Patto (1991) sucessivos levantamentos desde os anos 30 até os anos 90 mostraram sempre elevados índices de evasão e reprovação nos primeiros anos da escola pública brasileira. Daí. envergonhado de falar. Os professores. a motivação para continuar se esforçando vai esmaecendo. não é uma coisa recente. agressivo ou indisciplinado. O aluno com medo das críticas e correções aquieta-se no seu canto. em grande parte. O fracasso escolar toma forma antes do final do ano. As condições de trabalho às vezes são bastante precárias. alimentação balanceada etc. não querendo dar respostas quando instado a isso. não sabem como e o que ensinar exatamente e não dispõem de tempo para se interessar pelas dificuldades de cada criança. de perguntar e tirar dúvidas. sem que se pudessem constatar índices de melhora dos serviços por ela prestados à população. Somando-se a isto a formação de classes superlotadas e heterogêneas. Por outro lado. tornando-se passivo. a ameaça de pais muito exigentes e repressores.

diferente e único. inapetência e outras manifestações psicológicas que se agravam no final do ano letivo com a reprovação. tipo: cólicas dores de cabeça. Ao final do período letivo levará consigo a marca da humilhação e do fracasso. e isto significa. o fracasso escolar estabelece uma enorme distância da missão da escola que é focalizar o indivíduo. dotado de inteligências múltiplas. de apoio dos pais e da segurança que lhe dá coragem para enfrentar as dificuldades do ano seguinte. O aluno vai precisar de todo apoio e ajuda possíveis de pais e professores. vai assimilar o fato de que é incapaz de tal proeza. É bom que se ressalte que o objeto de estudo da psicopedagogia não é o fracasso escolar em si. ser original. desequilibrando o organismo e desencadeando distúrbios psicossomáticos diversos. . Cabe detectar os elementos causadores deste processo de não aprendizagem para que não venha interferir no seu campo de atuação que é a construção do conhecimento do ser aprendente.14 A associação destes fatores com outros não mencionados podem criar no aluno ansiedade crônica. regressões e paralisações. às vezes. pois mesmo tendo capacidade e inteligência para aprender. Quanto mais se sentir seguro e respeitado mais reunirá condições para crescer. É necessário fazê-lo saber que é importante pelo que é e não porque obtém bons resultados no boletim escolar. a vergonha de ser o aluno repetente e a esperança de vencer desta vez. Por sentir que seus esforços são infrutíferos. E a partir do momento em que o psicopedagogo detecta através de diagnósticos de anamnese a origem destes transtornos. motivo pela qual não obteve êxito. Deve-se mostrar que ele tem seu próprio ritmo e que seu desenvolvimento se faz em etapas. Com a ajuda dos pais ele pode superar esta fase difícil de sua vida. pois não sabe exatamente o que se espera dele. que impedem a aquisição da aprendizagem. singular. cabe a si a tarefa de promover um trabalho em grupo com pais. a convicção de que é pouco dotado pouco inteligente e inferior aos demais. acaba desistindo de lutar. Este momento é crucial para o estudante. que possui diferentes estilos de aprendizagem e habilidades para resolver problemas. É quando mais necessita de compreensão. Por conseguinte.

que nas crianças podem interferir com as capacidades intelectuais. a qual é entendida como alguma coisa que acontece de dentro para fora do indivíduo e que depende basicamente da passagem do tempo. marginalizados pela sua real condição de pobreza. A imaturidade do aluno é também uma das causas que tem contribuído muito para o seu desempenho insatisfatório. como: a desnutrição a qual pode agrupar-se em três diferentes tipos de alterações: menor tamanho cerebral. . por motivos diversos. No bojo dessa ação. conseqüentemente. garantindo desse modo a construção de um caminho em direção ao exercício pleno da cidadania. constitui-se num desperdício em termos econômicos. chegamos a conclusão da existência da situação e dos resquícios deixados por ela àqueles alunos que. proporcionando aumento de evasão e afetando negativamente a igualdade das oportunidades educacionais e. aumentando os custos da educação. especialistas de diversas áreas na busca de soluções para que a aprendizagem aconteça de forma sistemática e assistemática. fraqueza e inanição. sendo esta observada através do seu comportamento e desenvolvimento escolar no decorrer do ano letivo. baixando seu grau de eficiência. conseqüentemente.514). p. A multirrepetência representada pela permanência de alunos na mesma série. limitando-se a capacidade de absorção do sistema. entendemos que a imaturidade do aluno tem muita influência no seu rendimento escolar. não por alterações do sistema nervoso. tornando-se apáticos às atividades do seu convívio escolar e familiar e. (LEITE. por não serem estimulados têm seu desenvolvimento escolar prejudicado. não conseguiram substituir a cultura do fracasso pela cultura do sucesso. Dessa maneira. afinal. por mais de dois anos. inserem-se as causas consideradas como extraescolares. dando a oportunidade para que o êxito. seja obtido. sintam-se incapazes de produzir em suas tarefas escolares. A partir da revisão de literatura.15 escola. responsáveis por esse insucesso escolar. redução do número de células nervosas e menor quantidade de lipídio. Esses efeitos produzidos pela carência de alimentação fazem com que esses alunos. sociais e educacionais. 1988. mas pelos efeitos da fome.

desenvolverem um trabalho produtivo ou estão procurando um emprego e consigam freqüentar uma escola. limítrofe. por razões de sobrevivência. médio-inferior e que passaram a ser utilizado como a explicação do processo escolar e que é mais um problema de limitação do próprio indivíduo. e como é que ficam esses alunos que. Assim: É freqüente a utilização do trabalho da criança desde os 8 ou 10 anos de idade. Dentre os fatores intra-escolares temos o confronto da escola com a população atendida. Mas como é que elas podem trabalhar e continuar a estudar se a escola está organizada pensando só nos alunos que não trabalham? O trabalho prejudica o rendimento escolar e o aluno acaba de reprovação em reprovação. A necessidade que muitas crianças têm de trabalhar e estudar ao mesmo tempo é vista como uma das causas que atrapalham o rendimento escolar e explica o seu fracasso. 1978. matriculadas nas escolas públicas. tornam-se desmotivadas com seus estudos. 1985. não podem estudar sem trabalhar? As condições de vida da grande maioria da população vêm decaindo. se todas as condições de vida pressionam para que as mesmas se tornem um membro economicamente ativo. p. (FUKUI. existem alunos que ao ingressarem na escola recebem a mesma quantidade de informações que uma criança com desenvolvimento cognitivo e escolar “normais” recebem. as crianças têm sido obrigadas a começar a trabalhar cada vez mais cedo. o qual é rotulado como retardado. (NIDELCOFF. e.516) É muito difícil para uma criança nessa idade estudar e trabalhar ao mesmo tempo. tem seu rendimento escolar fracassado. Neste sentido entendemos que “há também na escola a discriminação e marginalização de crianças oriundas de classes socialmente . 515) Na realidade.16 Observamos também que o QI baixo do aluno tem grande repercussão na sua progressão escolar. abandonando a escola. p. porém. conseqüentemente. porque: É visto como uma forma redundante a um mero problema de nível de inteligência significa no mínimo a psicologização de uma situação que fundamentalmente é determinada pela origem social do indivíduo. existem outras que se destacam por apresentarem um rápido desempenho escolar com relação àquelas que por se sentirem marginalizadas pela sua real condição de pobreza e por terem um nível de aprendizagem insuficiente.

517). A expectativa do professor com relação ao aluno representa uma importante variável na análise do fracasso escolar. doentes e anormais. prevêem alunos com o comportamento e bagagem de conhecimentos trazidos das séries anteriores para que possam dominar todo o programa dentro do prazo previsto pela escola e pelo professor. Com relação ao professor na rede de ensino público. seja através de seus objetivos ou de suas práticas. É por tudo isso que. LEITE. uns estão bem alimentados e bem vestidos. outros falam de um jeito que a escola considera fora dos padrões estabelecidos pela língua. incluindo-se a relação professor–aluno” (CUNHA. Verifica-se que existem alunos que. p. conseqüentemente. estes são freqüentemente rotulados como imaturos. outros só sabem coisas que a escola despreza. significa não apenas manter a desigualdade. foi verificado que existem alunos que aprenderam a falar em casa uma língua correta e bonita que a escola exige. querer tratar da mesma maneira alunos que se encontram em situação desigual. 1988). com a sua atuação e. dados do ECIEL (Estudos Conjuntos de Integração Econômica Latino-Americana. no desempenho dos alunos. Assim. mas sim aumentá-la. outros vêm para a escola com fome. Pode-se supor que tais condições devem acarretar efeitos na qualidade. 1977.518). visto que as crianças já chegam à escola numa situação sócio–econômica e cultural desigual e com isso: Observa-se estereótipos e preconceitos de professores com relação a alunos mais carentes. as famílias também são encaradas de forma depreciativa (BRANDÃO. fingindo que todos têm as mesmas possibilidades de aprender o que a escola ensina. nesta perspectiva. . para conseguir dominar determinados conteúdos. Essas características chocam o professor pela maneira como seus objetivos de ensino foram planejados. esperado pelo professor. exigem um tempo muito maior. 1980. perdidos. uns têm tranqüilidade para estudar em casa e contam com o auxílio dos pais.17 marginalizadas. por não trazerem uma bagagem de conhecimento anterior. uns aprendem em casa uma série de coisas que a escola valoriza. p. FUKUI demonstram que o salário do professor associa-se claramente com um melhor rendimento dos alunos. demonstram um ritmo inicial de aprendizagem lento em relação à faixa média de aprendizagem da classe. outros têm que estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

530). Ainda com relação às práticas escolares. p. Estas condições afetam no desempenho do professor e rendimento escolar de seus alunos. tais como: menor número de turmas e alunos por série. que além de serem mal remunerados não dispõem de condições necessárias para fazerem um bom trabalho. maior número de jornada de trabalho do professor. disponibilidade de livros didáticos. pois o crescimento do aluno ocorre em todo processo educativo e interativo. é o que não acontece com os professores das escolas públicas. 525) O que se observa é que não há um consenso em relação a uma metodologia mais adequada para as crianças carentes. através das provas bimestrais. afinco e dedicação. se conclui que todo profissional bem remunerado. sendo que “a avaliação acaba se tornando um instrumento cujos resultados podem ser utilizados contra o aluno: se aprender é aprovado caso contrário fica retido” (LEITE. não garante um bom controle da aprendizagem. Outro grupo de fatores intra-escolares relacionados com o fracasso escolar diz respeito aos currículos e práticas escolares. sem a preocupação crítica de adequar esses conteúdos às condições de vida da população atendida” (LEITE. 1988. pois o fracasso escolar não se deve tanto ao método. se conclui que os alunos da escola pública devem ser avaliados diariamente. tais como: papel. 1988. “observa-se na prática do professor das escolas públicas a utilização de castigos. a começar pela falta de materiais didáticos básicos. uma avaliação processual e não em períodos predeterminados. .525). textos de qualidade. álcool. ameaças. Devemos observar também que o sistema de avaliação tradicional utilizado nas escolas públicas. p. cabendo ao professor acompanhá-lo a fim de ter condições suficientes de fazer uma avaliação dentro dessa progressão atingida pelos alunos.18 Contudo. que tem o seu trabalho valorizado e reconhecido. São crianças carentes e para elas é fundamental a existência de melhores condições de funcionamento da escola. Dessa maneira. 1980. trabalha com mais amor. punições e também recompensas” (BRANDÃO. stencil. visto que “é comum encontrar professores desenvolvendo conteúdos rigidamente de acordo com determinados livros. p. mas aos conteúdos e práticas estarem distantes dessas crianças com a qual o professor se depara.

a eles são transmitidos métodos e técnicas pré-elaboradas e que podem funcionar para um determinado grupo. 1986. recebemos é questionável. onde uma visão dialética da realidade possibilite o constante processo de crescimento e aprimoramento do educador. amplamente conhecido como burocracia pedagógica. bem como a formação que nós. . levando o aluno a culparse pelo seu desempenho insatisfatório.19 Dessa forma. Diante dessa informação. professores. na grande maioria. pois. gerando no indivíduo (professor) um sentimento de impotência e uma sensação de que nada pode ser feito para mudar as coisas. deixa de valorizar a experiência que cada um traz ao chegar à escola. mas não necessariamente para outros grupos. p. Em todos esses aspectos abordados como determinantes do fracasso escolar na escola pública.Uma escola que não percebe estas deficiências e não apresenta nenhuma proposta de mudança ou estímulo intelectual e social só poderá levar a um alto índice de reprovação. Essa pode ser uma das maneiras pela qual a ação educacional seja assumida como uma ação política. O que se pode constatar é que a escola pesquisada está diante da realidade dos seus alunos e. ao considerá-los num mesmo nível.531). é verificado que “as diversas tarefas burocráticas são realizadas pelo professor em sala de aula. onde o magistério é assumido como um sacerdócio. contribuindo para que a função educativa do professor mantenha-se como uma ação eminentemente individualista. de estratos sócio–econômico e cultural baixos da população. geralmente. o receio de ser reprovado) contribuindo para um processo de introjeção da ideologia do esforço. numa perspectiva de doação individual. chega-se à conclusão que essas atividades assumidas pelos professores para manter a disciplina dos seus alunos podem ser transformadas em manifestações espontâneas (o medo. criando-se assim uma situação de difícil solução. se conclui que a existência da burocracia pedagógica traz conseqüências diretas. provocando a diminuição real do tempo destinado à relação professor–aluno” (PATTO. Acreditamos que as escolas não estão adequadamente preparadas para oferecer uma educação voltada às necessidades dos alunos provenientes.

o melhor educador e uma educação escolar de qualidade.20 Por conseguinte. . porém. uma vez que toda e qualquer criança merece o melhor professor. visto que à escola cabe contribuir para transformar essa realidade às necessidades desses alunos. cabe aos professores selecionar criteriosamente as técnicas e métodos adequados a cada grupo. Dessa forma. sem um projeto político– pedagógico na escola fica complicado definir. garantir-se-ia uma comunicação pedagógica eficaz. pois assim o educador estaria efetivamente adaptando sua prática pedagógica às condições específicas dos alunos.

comprometendo o seu desempenho escolar. por conseguinte. . Assim. concordância. ao contrário daquelas que não encontrando esse ambiente familiar escolarizado a tendência é falar. Segundo LEITE (1988) a riqueza e propriedade do vocabulário dos pais refletem no dos filhos. Percebemos também que “as crianças vindas de lares pobres e deficientes culturalmente se sentem perdidas e confusas diante da artificialidade das situações ensinadas na sala de aula” (MOTTA. percebemos que as crianças da classe média quando não entendem determinados assuntos têm seus pais para ajudá-las em casa. se seus pais têm um elevado nível cultural (vocabulário rico. o nível cultural dos pais condiciona tão fortemente seus filhos ao sucesso ou fracasso escolar. regência e pronúncia correta das palavras) essas crianças apresentam também um desenvolvimento escolar rápido e com sucesso. Assim. Já as crianças pobres não trazem consigo esta bagagem cultural. eles adotarão um modo aproximado e vago de falar. e a bagagem que elas trazem não são aceitas nem valorizadas pela escola por ser culturalmente discriminada. p. 1992. 1987. mas se o vocabulário familiar for pobre e limitado e os termos empregados inadequados. dispõe de coleções variadas de livros como fonte de pesquisa.18).520). ler e escrever de forma deficiente e. Observamos que “a gama de conhecimentos que a criança leva consigo para a escola difere o nível cultural de seus pais” (AVANZINI. daí. além dos filmes e programas de televisão que fazem parte do seu ambiente familiar e são vistos como fonte de prazer e informação. ou os objetos pelos nomes apropriados. dessa maneira entendemos que quando os filhos ouvem seus pais pronunciarem palavras corretamente.21 3. não fazer parte dos valores transmitidos pela escola que são os valores da classe dominante. Assim. DEFICIÊNCIA CULTURAL E INSUCESSO ESCOLAR Não nos surpreende que o status sócio-econômico da família de uma criança esteja significativamente relacionado ao seu nível de aspiração educacional e a sua realização acadêmica. p. contraem o hábito de proceder do mesmo modo.

resultando daí o seu insucesso escolar no que se refere a linguagem. cometendo erros de pronúncia. Almeida (1990) diz que “a deficiência de linguagem dos alunos pobres é verificada principalmente na leitura. Diante dessa concepção. e tendo vergonha de dizer que não entendeu nada. Assim. p. vindo a fracassar por não conseguir corresponder ao que a escola exige. concluímos que esses alunos por pertencerem a uma . ler e escrever deficientemente. a tendência é falar. em decorrência de que escrevem como falam ou ouvem seus pais falarem em casa. perguntar ou de responder” (CECON. se seu ambiente familiar é pobre. esses alunos ao ingressarem na escola já apresentam deficiência. et alii. verificamos que. onde as pessoas usam um vocabulário rico de palavras corretas e variadas no significado. e que sendo uma forma de comunicação. Podemos observar também que. 1993. Assim. Assim. concordância e vítimas de um vocabulário deficiente. sintaxe. redação e interpretação de textos lidos”.22 O que podemos observar em relação ao fracasso escolar dos alunos da classe dominada “é que esses alunos apresentam desvantagens ou déficit resultantes de problemas de deficiência cultural” (SOARES. e não entendendo o que a professora diz. com vergonha de falar. Verificamos também que “os alunos de família pobre muitas vezes com medo de serem criticados e corrigidos diante dos colegas. a qual consiste em uma questão fundamental da deficiência cultural. segundo Motta (1992) a relação entre a linguagem e a cultura. as outras que são a maioria vão se sentindo cada vez mais incapazes de aprender. p. vão ficando com medo de falar e. tende a um desenvolvimento escolar rápido e com sucesso. ao contrário daquelas que não encontrando esse ambiente familiar escolarizado. e entrando tardiamente na escola pública (7 anos). essas crianças aos poucos vão ficando incapazes de se comunicarem. Como a escola só aceita uma linguagem correta.12). vão ficando quietos no canto. 1986. tanto financeiramente quanto culturalmente. com dificuldade de pensar e de raciocinar.37). se inicia na criança a partir de seu ambiente familiar. conseqüentemente. verificada nas crianças da classe média. a criança que desenvolve uma linguagem no meio sócio-econômico e cultural mais elevado. tanto na fala quanto na escrita.

gera discriminação e fracasso escolar. isto é. com pais médicos. provocando dificuldade de aprendizagem. pedreiros dentre outros textos que não condizem com a sua linguagem. empregadas domésticas. Dessa forma. revistas. raciocínio e criatividade. deve ser encarada pelo professor como uma forma de estimular o aluno e não como um instrumento de punição. É o uso da linguagem na escola pública que evidencia mais claramente as diferenças entre os grupos sociais e que. que por pertencer a uma classe sócio-econômica e cultural baixa passa fome ou é mal nutrido. toma como modelo a cultura da classe dominante. famílias desempenhando funções de lavadeiras. desprezando ou ignorando como inexistente os padrões culturais da classe dominada. desenvolver suas habilidades de expressão. menos aptos e conseqüentemente incapazes de prosseguir nos estudos seriados. de ampliar seus conhecimentos. observamos que a escola. especialmente por que as escolas públicas usam termos e propostas de aprendizagem fora da realidade do aluno. uma vez que. jornais e biblioteca. Assim. de forma a apresentar um baixo rendimento escolar por não ser um detentor de uma linguagem apropriada para os enunciados apresentados em suas atividades e avaliação escolar. com nível de vida economicamente elevado. advogados. É necessário destacar também o que diz Arns et alii (1978) “que existe além da deficiência de linguagem. fazendo parte do trabalho docente. ao invés da sua realidade com feiras locais. impossibilitando-o de conhecer outras realidades. os padrões culturais de cada classe social”. mesmo sendo pública.23 classe desfavorecida culturalmente. a deficiência cultural e de linguagem se constituem em uma das causas do fracasso escolar. muitas vezes o aluno é avaliado com conceitos e informações próprias da cultura da classe dominante. Concluí-se que a deficiência cultural é um dos fatores de maior relevância do fracasso escolar entre os alunos da classe baixa. . não tem acesso a livros variados. se tornam menos dotados. conseqüentemente. com textos referentes a famílias bem estruturadas. levando-os ao fracasso escolar. Dessa feita a avaliação do rendimento escolar do aluno tem sido uma preocupação constante dos professores.

podemos afirmar que o aluno tem necessidade de conhecer suas possibilidades para poder situar-se em relação ao que está sendo proposto e buscar novos caminhos para construir novas estruturas em busca da sua ascensão acadêmica. p. auxiliando-os a fixar respostas corretas e a corrigir as falhas. Melchior (apud SAUL. “Avaliação consiste em fazer um julgamento sobre resultados. Entendemos que. cabe ao professor replanejar a sua atuação didática. prosseguindo e redimensionando esse processo segundo as necessidades dos seus alunos. verificando de que forma pode aperfeiçoá-la para que seus alunos obtenham mais êxito na . A avaliação serve para o aluno como uma forma de diagnosticar sua real situação no processo ensino– aprendizagem. direta ou indiretamente envolvido em uma ação educacional. “avaliação é um processo orientador”. encontrarem uma forma de superar as dificuldades no processo ensino–aprendizagem. Assim.24 Dessa maneira.15).152). a avaliação deve ajudar tanto o professor quanto o aluno a se auto-avaliarem e. Dentro desse contexto podemos afirmar que a avaliação pode ser útil para orientar tanto o aluno como o professor. p. Se esse resultado não traduziu a um bom nível de aproveitamento. comparando o que foi obtido com o que se pretende alcançar” (NOLL.1988. Entendese que a avaliação não pode ser esporádica nem improvisada e sim constante e planejada para que ocorra normalmente ao longo de todo o processo de ensino– aprendizagem. mas orientar seu processo de aprendizagem para que possam atingir os objetivos previstos. Assim. fornecendo feedback e permitindo uma recuperação sempre que for necessário. entendemos que “avaliação deve ser um instrumento auxiliar da aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos” (LUCKESI. 1989.61) diz que “o compromisso principal da avaliação é o de fazer com que o aluno. a avaliação não visa eliminar alunos. tendo em vista a busca de soluções que venham ajudá-la a superar as dificuldades. e ao professor dá subsídios para aperfeiçoar seus procedimentos de ensino. em conjunto. p. 1997. Ao aluno fornece informações para melhorar sua atuação acadêmica. permitindo ao aluno conhecer seus erros e acertos. Segundo Tyler (1989) “avaliação é um processo contínuo e sistemático”. Melchior (1989) afirma que. Em relação à avaliação. escreva a sua própria história e gere a sua própria alternativa”.

Porém. decorrente de situações conflitantes por ele vivenciadas no seu ambiente familiar ou da escola. pelo professor. insucesso escolar e o currículo são por demais evidentes. quanto em casa. se suas explicações são entendidas. se devem reformular seus conteúdos programáticos. se devem procurar novas técnicas. Conforme Luckesi (1997). enfim. este tende a concluir que seus procedimentos de ensino foram satisfatórios.25 aprendizagem. cabe ao professor procurar ver se a deficiência é de origem afetiva ou emocional. após a aplicação de uma avaliação. uma vez que esse problema (afetivo e emocional) pode se manifestar no comportamento do aluno em sala de aula. devendo ser reformulado sempre que os resultados não satisfizerem as expectativas do professor. deve o professor fazer essa autoavaliação na tentativa de reestruturar o seu trabalho. de que maneira irá motivar mais seus alunos com as suas aulas. Verifica-se isso quando. e por ser visto muitas vezes pelo professor como incapaz. Pode-se afirmar que a relação entre a avaliação. se seu vocabulário é de nível elevado. . interferindo na sua aprendizagem. Se a dificuldade for por parte do aluno. o programa das atividades a serem desenvolvidas no decorrer das unidades não pode estar distanciado da avaliação. dificultando o acompanhamento dos assuntos. às necessidades. Assim. os alunos apresentam resultados que satisfazem as expectativas do professor. o qual. Problemas semelhantes a esse têm quando o aluno é multirepetente. uma vez que o trabalho docente depende em grande parte da adequação das estratégias de ensino às características de cada classe. Cabe ao professor questionar-se sobre a eficácia do seu trabalho didático. com os pais. se sua linguagem está no nível de compreensão da turma. torna-se perdido. ao ritmo e ao nível de aprendizagem de seus alunos. sentindo-se frustrado com o seu fracasso escolar. desprezando a sua autoconfiança e auto-estima. “o exercício da avaliação não pode estar desvinculado do planejamento”. isto é. se é no aluno ou no seu trabalho didático. quando um número elevado de alunos apresenta um baixo rendimento. o professor deve questionar-se procurando ver onde está a causa. reproduzindo na sala de aula uma atitude que irá corresponder às expectativas esperadas tanto na escola. devendo ser reiniciado após um diagnóstico do desempenho obtido pelos alunos no ato avaliativo.

Inclusive. sobre a natureza do problema e de comportamentos adequados em relação à criança. o conceito de aprendizagem incluía as características ao inatismo e estabilidade ao longo do tempo. mantendo-se. é presentemente a que reúne maior consenso. 1988. raciocínio e habilidades matemáticas. Esses transtornos são intrínsecos ao indivíduo e presume-se que sejam devido à disfunção do sistema nervoso central. levando-as ao fracasso escolar. não podendo ser incorporados à nossa prática sem uma adequada avaliação crítica. entretanto. (por exemplo. muitas vezes confundida com problemas de excepcionais. a definição do National Joint Commitee of Learnig Disabilities. As pessoas expressavam dificuldades de aprendizagem por causas fundamentalmente orgânicas. fala. A sua definição. escrita. Além disso.26 4. sendo dificilmente modificadas posteriormente. déficit sensorial. . com poucas possibilidades de intervenção. Ao longo dos anos surgiu a necessidade de ampliar as categorias do fracasso escolar. este traço comum de que o distúrbio era um problema inerente à criança. professores ou outros elementos. destacadas por vários estudiosos e por relevantes associações científicas. ou habilidades sociais. muitos desses conceitos são frutos de pesquisas desenvolvidas em países que apresentam uma realidade social. segundo Garcia. Das inúmeras definições dadas ao fracasso escolar. ainda que um problema de aprendizagem possa ocorrer concomitantemente com outras soluções incapacitantes. Não existe ainda um consenso quanto à definição dessas. e nem quanto às prováveis causas desse fracasso. Atualmente o estudo do fracasso escolar ainda é um campo relativamente novo e complexo da psicologia. além da própria dificuldade de tentar conscientizar pais. compreende o seguinte conteúdo: As dificuldades de aprendizagem são um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de transtornos manifestados por dificuldades significativas na aquisição e uso da recepção. Conseqüentemente surgem diversos procedimentos para tentar superar esses problemas.NJCLD. retardamento mental. CARACTERIZANDO O FRACASSO ESCOLAR NO PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM Durante a primeira metade do século XX. econômica e política diferentes da realidade brasileira.

49). hospitalizações. Assim. p. Referências a problemas na gestação. teorias. É importante enfocar a correlação entre o fracasso escolar e os vários fatores que permeiam a vida cotidiana da criança e do adolescente em idade escolar. como pré–maturidade. traumatismo crânio encefálico no parto devem ser cuidadosamente avaliados. Na avaliação de crianças com fracasso escolar. A partir do primeiro mês de vida é importante a avaliação da amamentação natural.27 transtorno emocional ou social). Durante o primeiro ano de vida a criança é vulnerável aos agravos do meio–ambiente que são expressões de maior nível de distúrbios orgânicos ou psicossomáticos. pois este campo agrupa efetivamente uma variedade desorganizada de conceitos. pode-se avaliar que o termo dificuldades de aprendizagem tem sido usado para designar um fenômeno complexo. Outro problema que se refere ao fato de que profissionais de diferentes especialidades podem estabelecer conceitos reducionistas e parciais. transtornos por déficit de atenção. p. problemas obstétricos. (GARCIA. é importante a avaliação da gravidade da freqüência destes distúrbios nesta fase da vida. modelos e hipóteses. desde o nascimento até os dias atuais. critérios. especialmente. 14). Esta correlação é freqüentemente levantada na avaliação de crianças provenientes de grupos sociais de baixa renda. e. 1995. todos os quais podendo causar dificuldades de aprendizagem. conforme é colocado por SCOZ & Colaboradores (1990. uma dificuldade de aprendizagem não é o resultado direto destas influências e condições. Um exemplo pode ser situado na correlação entre desnutrição e dificuldade de aprendizagem. com influências sócio–ambientais (por exemplo. quando trabalham sem a devida ampliação interdisciplinar exigida neste tipo de problemática. anoxia perinatal. principalmente as provenientes de grupos sociais de baixa renda. do ambiente de vida da criança em termos de suas experiências institucionais (creches. Conforme é colocado por Davis e Oliveira: . sócio–culturais. instrução insuficiente ou inapropriada. mudança ou ausência das figuras parentais). Através da análise dessa definição. fatores psicogênicos). é freqüente serem encontrados relatos ou problemas de saúde durante a gestação e no primeiro ano de vida.

O enfoque do fracasso escolar está no indivíduo que não rende ao nível do que se poderia supor e esperar a partir do seu potencial intelectual. a fim de minimizar o fracasso escolar crônico que caracteriza seu campo. José e Coelho salientavam que: A maturação conduz ao desenvolvimento do organismo e independentemente de treino ou estimulação ambiental. é necessário um trabalho interdisciplinar na avaliação de crianças e adolescentes que apresentam tal problema. fundamentais para que essa avaliação ultrapasse a demasiada fragmentação da maioria das investigações. psicologia e médica. ele tende a revelar fracassos inesperados. 1995. A partir do segundo ano de vida. envolvendo a coordenação de numerosas partes do sistema nervoso. (DAVIS & OLIVEIRA. 1994. A falta de uma teoria sólida e coesa nos seus paradigmas e pressupostos de uma taxonomia pormenorizada e compreensível é assim uma das razões que explicam a ambigüidade e legitimidade do fracasso escolar. p. o fracasso escolar não desaparece nem se extingue. Dentro de uma análise contextual. da linguagem e da socialização passam a serem áreas de expressão mais significativas das eventuais dificuldades que a criança possa estar enfrentando no seu processo de desenvolvimento. Caracteriza-se por mudanças estruturais influenciadas pela hereditariedade que ocorrem em dado momento. 10-11). distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor. daí que a criação e promulgação de serviços educacionais sejam presentemente muito restritas e . é essencial evitar interferências precipitadas e generalizações reducionistas e inapropriadas. Além de aperfeiçoar a precisão diagnóstica e classificar os resultados das investigações. mesmo na presença de uma pedagogia eficaz de professores competentes.28 Vygotsky defende a idéia de contínua interação entre as mutáveis condições sociais e a base biológica do comportamento humano. e por motivo dessa especificidade cognitiva da aprendizagem. fonoaudiologia. há necessidade de compreender que. 49). p. (JOSÉ & COELHO. sendo a participação de especialistas das áreas de pedagogia. Assim. formam-se novas e mais complexas funções mentais a depender da natureza das experiências sociais a que as crianças se acham expostas. partindo de estruturas orgânicas elementares determinadas basicamente pela maturação.

.29 ineficazes. ao detectar qualquer distúrbio. no plano educacional. sem qualquer resultado ou aplicação reeducativa. A educação especial. sinais neurológicos ligeiros. ou sustentados administrativamente em pareceres e avaliações médicas (por exemplo. solicitar ajuda da família do aluno para que juntos possam ajudá-lo a superar suas dificuldades. um conjunto de condutas significativas em relação à população deficiente em geral. Somente as classes sociais mais abastadas conseguem educar adequadamente uma criança com dificuldades de aprendizagem. A incidência do fracasso escolar varia conforme os autores e os países. Os mais freqüentes são: hiperatividade. mas desviante e atípica em outros. impulsividade. Devido a essa vulnerabilidade conceitual. desordens de atenção. acusando a dificuldade de aprendizagem. Os jovens brasileiros ainda são identificados com base em critérios pedagógicos arbitrários. ainda é uma utopia na realidade brasileira. O aluno com fracasso escolar possui. habilidade emocional. apesar da necessidade de uma participação interdisciplinar dos profissionais no diagnóstico psicopedagógico. que por si só exigem processos de aprendizagem que não se encontram disponíveis na classe regular. problemas psicomotores. Na escola pública o professor deve contar com seus próprios conhecimentos e. porque não surgem nem se vislumbram um critério ou uma definição apropriada para o fracasso escolar. evidentemente de acordo com determinados parâmetros de definição e classificação nem sempre concordantes. desordens na memória e no raciocínio. psiquiátricas ou psicológicas tradicionais). São muitos os comportamentos específicos demonstrados pelos alunos que apresentam um fracasso escolar. Trata-se de um indivíduo normal em alguns aspectos. problemas de audição e da fala. porém. dita “normal”. problemas gerais de orientação. pediátricas. neurológicas. apesar de não terem sido identificados como tal. disortografia e discalculia. muitos alunos são negligenciados ou mesmo excluídos de atendimentos psicopedagógicos. disgrafia. equívocos e irregulares no Eletroencefalograma. pois alguns diferem substancialmente. dificuldades específicas de aprendizagem: dislexia.

Qualquer criança. etc. (FONSECA. de envolvimento sócio–econômico pobre. interessará avançar com alguns fatos sobre o fracasso escolar.30 A criança ou adolescente européia com dificuldades de aprendizagem não pode. provavelmente. auditivas. Fonseca se posiciona de forma contrária afirmando que: Teremos de distinguir a criança com dificuldade de aprendizagem da criança que experimenta problemas de aprendizagem por razão de desvantagem cultural. verifica-se que as avaliações escolares e as normas de eficácia e rendimento oprimem as crianças e jovens vulnerabilizando-os. O mesmo se pode dizer das causas sociais e econômicas. de inadequada. Muitas tragédias e conflitos familiares resultam como se sabe. p. sabe-se também que a sua incidência é maior nos rapazes do que nas moças. é constante o aumento de abandono e repetência e. uma adequada recepção sensorial e um comportamento motor e sócio–emocional adequado. interação pedagógica ou de deficiências específicas. 1995. Visto que é cada vez mais freqüentes a presença de crianças com fracasso escolar no sistema de ensino. ignora-se que a influência do atraso mental é inferior . na medida em que nos podem ajudar a encarar outras óticas do problema. As causas orgânicas são múltiplas e diversas. emocionais. reconhecese que a escola parece não se adaptar a sua função cultural e tende a institucionalizar-se como agência de seleção e de rejeição. de inadequada aprendizagem. em fracasso escolar dos jovens.97). pode se sentir confusa. por definição. não é só nelas que está a solução do problema. O adolescente com dificuldade de aprendizagem tem uma inteligência normal. de qualquer classe social ou de qualquer nível econômico. Na análise das crianças e jovens brasileiros com dificuldades de aprendizagem são considerados também os fatores sócio–econômicos que interferem cognitivamente no rendimento escolar de alunos de 6a série. A integração biossocial é indispensável como modelo para abordar os problemas das dificuldades de aprendizagem. diagnosticadas obvia e cientificamente. motoras. Por exemplo: sabe-se hoje que os problemas de dificuldades de aprendizagem tendem a reduzir a sua importância na adolescência. Nessa linha de abordagem. ameaçada e insegura pelas exigências escolares. ter quaisquer deficiências visuais.

As primárias compreendem perturbações nas aquisições especificamente humanas. auditorização. por sua vez. Envolvimentos familiares. disartria. disgrafia. como: a linguagem escrita e a linguagem quantitativa. e na base do diagnóstico diferencial. problemas de processamento e transformação de informações. deficiência mental. As dificuldades de aprendizagem estão subdivididas em primárias e secundárias. antes de alterar a situação das dificuldades de aprendizagem. prioritariamente. e não tanto na escola. como provam vários estudos de indução sócio–biológica e biossocial. De outro lado. à da linguagem escrita: dislexia. podem também produzir o fracasso escolar. surgem perturbações perceptivas sutis.31 durante o período pré–primário. disortografia. visto substituírem relações recíprocas de implicação. à da linguagem quantitativa: discalculia. as modificações dos fatores de envolvimento que afetam a aprendizagem da criança. disfunções neuropsicológicas. disfasia. erros pedagógicos. . memória de curto termo. situações de aprendizagem limitada etc. para aumentar depois o primário. que. há que atender. conclui-se que a prevenção mais crucial recai nos envolvimentos pré–perinatais e neonatais desfavorecidos. expectativas negativas. outras. confirma-se que a escola parece ser mais responsável pela deficiência mental e pela inadaptação do que a própria sociedade no seu todo. síntese. também podem gerar o fracasso escolar. Algumas das dificuldades de aprendizagem primárias são: a) disfunções cerebrais: à da linguagem falada: disnomia. pode-se compreender que se torna difícil determinar a natureza precisa das causas endógenas do fracasso escolar. Em resumo. relação criança–adulto distorcida. Com base nas pesquisas. b) problemas perceptivos: à do processo auditivo: discriminação. Na nossa perspectiva já não podemos superar a etiologia biológica do social.

praxia global. visualização. métodos pedagógicos inadequados. de modo que se possa perceber onde está o bloqueio no seu processo ensino–aprendizagem.32 à do processo visual: discriminação. constância da forma. ambiopia. Quando examinamos a história da educação. posição e relação espacial. praxia fina (visuomotricidade e destralidade). deficiência visual. deficiência auditiva. Quando se fala em fracasso escolar deve-se ter em mente que é um quadro amplo. paralisia cerebral. figura fundo. deficiência mental. má nutrição. fatores ecológicos e sócio-econômicos no envolvimento afetivo. . estruturação espaço temporal. c) problemas psicomotores: controle vestibular e proprioceptivo. atualmente devem ser focados no diagnóstico psicopedagógico os fatores biossociais que perpassam toda a análise das dificuldades de aprendizagem. neurótico. deficiência motora. uma situação que se desconhece a extensão e a origem. As dificuldades de aprendizagem secundárias são: afecções biológicas do sistema nervoso central (SNC): lesões cerebrais. problemas de comportamento reativo. limitações ou deficiências devidamente diagnosticadas em deficiência visual. laterização. Quaisquer que sejam os pressupostos teóricos que fundamentem o fracasso escolar. constatamos que nem sempre se cuidou adequadamente da importante questão da formação do professor. Esta crença gera a ilusão de que ela não precisa de preparo especializado. Há uma idéia corrente de que vocação e desprendimento generoso bastam para que a pessoa se encaminhe para essa profissão tão desafiadora. imagem do corpo. Para se determinar a razão do fracasso escolar necessário se faz um estudo da criança e do adolescente no seu todo. privação cultural. deficiência emocional ou privação cultural. epilepsia. As dificuldades de aprendizagem secundárias resultam de desordens. excluindo dessa forma o surgimento de estereótipos que podem comprometer todo o desenvolvimento humano. psicótico. complemento. dos sistemas sensoriais a deficiência auditiva hipoacusia.

O último aspecto. a fim de que o trabalho pedagógico se desenvolva para além do senso comum e se torne realmente uma atividade intencional.33 Dessa maneira. visando garantir a eficácia da ação. Assim. da educação e da história da educação. ü formação pedagógica: a atividade de ensinar deve superar os níveis do senso comum. ü formação ética e política: o professor deve educar a partir de valores e tendo em vista um mundo melhor. podemos afirmar categoricamente que. os recursos técnicos. Nesse caso. para que não sejam criados aspectos negativos nos processos pedagógicos inadequados na aprendizagem do aluno. O segundo aspecto nos mostra que não basta ser bem informado. desenvolvendo as habilidades que viabilizem a atividade docente. da filosofia. mesmo que o método pedagógico em qualquer escola seja bom. o professor precisa ter acesso às contribuições das ciências auxiliares de educação. Deve dominar também. Pedagogia e Licenciatura devem proporcionar uma compreensão sistematizada da educação. além desses aspectos. tornando-se uma atividade sistematizada. geografia. fazem-se necessários observarmos outros aspectos de fundamental importância ao processo de aprendizagem. diz respeito ao fato de que o professor desenvolve um trabalho intelectual transformador que não só quer mudar o comportamento do aluno como também educar para um mundo melhor que está para ser construído. – já que ninguém ensina o que não sabe. perfeito ou adequando. Os cursos de Magistério. Além disso. matemática etc. É fundamental que se saiba selecionar. inevitavelmente ocorrerão impactos negativos no processo de ensino– aprendizagem. . No primeiro aspecto busca-se garantir a competência do professor por meio do domínio do conteúdo dentro da área escolhida – história. devemos destacar três aspectos importantes na formação do professor: ü qualificação: o professor deve adquirir os conhecimentos científicos indispensáveis para o ensino de um conteúdo específico.

Devemos atentar para a profissionalização do educador. A expressão “tia”. nos faz lembrar a “feminização” do magistério. no academicismo ou tecnicismo. a formação ética e política permitem uma melhor compreensão a respeito do que é relevante ensinar e de como fazê-lo. as convicções do professor a respeito da ética e da política aparecem na forma como os conflitos em sala de aula são trabalhados. por meio daquilo que ele diz assim como por meio daquilo que silencia. o que não significa em absoluto assumir atitudes de proselitismo perniciosas que visam doutrinar o aluno. são formas semelhantes de depreciação do trabalho do mestre. O tom falsante afetivo dessas expressões descaracteriza o cunho profissional da atividade do docente que merece ser respeitada principalmente sobre o aspecto do trabalho realizado. Por isso o professor não pode estar alienado dos acontecimentos de seu tempo. levando à convicção de que a grandeza espiritual do empreendimento de educar estaria na razão inversa da exigência de uma . amorosa ou mística.34 A educação está inserida em um contexto maior – social. Quer queira quer não queira. a exclusão injusta e as diversas formas de preconceitos. e não como ocupação desinteressada. sempre atento aos valores políticos. sobretudo primária. a fim de não cair no enciclopedismo. também desvalorizado profissionalmente na sociedade sexista. Não é a vocação o motivo pelo qual predominam as mulheres na função docente. além de conferir um “ar doméstico” à atividade profissional. Assumir posições significa estar comprometido com o mundo e disposto a participar lutando contra o trabalho degradante. Chamar a professora de “tia” ou exclamar com reverência. que o “magistério é um sacerdócio”. Convém que o professor se posicione diante do mundo. A expressão “sacerdócio” nos faz lembrar abnegação. abusando de sua receptividade intelectual. total dedicação a uma atividade vilmente remunerada. Além disso. devendo ser capaz de realizar juízos de valor a respeito dos comportamentos coletivos e individuais. a alienação da consciência. Nesse caso é sempre bom lembrar que quando existe um falso apoliticismo e a crença de que se está desenvolvendo uma atividade neutra se encontra bem escondidos interesses de grupos que se acham no poder. morais e sociais. a submissão política. econômico e político. O desprestígio e a baixa remuneração destinam essas atividades ao segmento feminino.

em alguém que lamenta o fato de não se ensinar mais latim no colégio. reciclagem para atualização permanente. preparar o planejamento escolar ou enfrentar dificuldades específicas em sala de aula é preciso ter clareza a respeito da teoria que permeia as decisões. fundar uma escola. para os intelectuais. como tal. reuniões pedagógicas. Vejamos alguns exemplos que causariam inevitavelmente impactos negativos no processo de ensino–aprendizagem: Pensemos em uma escola de 2º grau que oferece. Só assim o professor poderá desenvolver nos alunos a capacidade de questionamento e promover a desmistificação da cultura. uma de história e nenhuma de filosofia. além de uma boa formação deve buscar garantir condições mínimas para um trabalho decente: condições materiais adequadas. A realidade concreta que se resume no convívio com os alunos é sempre um desafio quando o professor não assimilou bem as teorias. em um professor que prefere estimular os trabalhos em grupo e ou que privilegia a exposição oral. Embora não atue de forma tão revolucionária quanto sonharam os escolanovistas. em outro que exige leituras extraclasse. dez aulas de química. não lhes custa nada e que poderiam oferecer seus préstimos como dádivas. além de salários mais dignos. a cada semana.35 salário justo. As pessoas tendem a considerar que. devemos entender que qualquer atividade educacional que se queira obter a eficácia têm claros pressupostos teóricos que orientam a ação: ao elaborar leis. É sempre interessante observar como são tratadas em todos os tempos as “obras de pensamento”. gerada porque o professor não foi adequadamente informado a respeito da teoria ou porque não sabe como integrála à prática efetiva. dar uma aula. é comum observarmos o “espontaneísmo”. fazer uma conferência. em um que faz . escrever um artigo ou livro. não resta dúvida de que a escola desempenha importante papel no processo de conscientizar as novas gerações com relação aos problemas a serem enfrentados. plano de carreira. resultado da indevida dicotomia entre teoria e prática. em uma as de primário em que as carteiras estão fixadas no chão. evitando assim impactos negativos dos métodos pedagógicos aplicados na aprendizagem do aluno. O professor é um profissional e. Para se evitar impactos negativos no processo de aprendizagem. dispondo para isso de suas idéias. No entanto.

Para “atualizar” as potencialidades.36 chamada oral com freqüência e outro que não dá valor às avaliações (WEISS. 1990. mas baseia suas aulas na exposição oral. como a exposição oral feita pelo professor ou a exposição escrita dos manuais escolares. usa-se o recurso do método expositivo por meio de procedimentos específicos. Neste caso. que parte de uma concepção de natureza humana universal que precisa ser “trazida à luz” pela educação. É evidente que na escola renovada ou na escola tecnicista parte-se de outra concepção de homem (ou cidadão). buscando nas avaliações o retorno do que foi ensinado. o processo pedagógico pode resultar em insucesso com relação aos fins propostos ou. O que ensinar para formar aquele tipo de homem? Só então se colocam questões metodológicas: como ensinar? Portanto. Essa incoerência existe. utilizam-se procedimentos tais como exercícios de fixação e provas periódicas. ainda. p. Para tanto. mas se enraíza em uma determinada concepção de homem e de sociedade. busca-se transmitir a maior quantidade possível de conhecimentos (ênfase no conteúdo) e de valores desta sociedade relativamente estável. primeiramente. quando um professor está adotando o construtivismo. . os procedimentos contradizem a teoria. Se as diversas etapas não estiverem claras para o professor. Vejamos como exemplo a escola tradicional.78). Esses exemplos acima resultam de concepções tematizadas ou não que revelam. escolhe-se diferentes conteúdos (tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo) e privilegiam-se outros métodos selecionando diferentes procedimentos de ensino. a seguinte questão: Que homem se quer formar? Para que tipo de sociedade? A partir da elucidação da base antropológica. estando impregnada da visão política que a anima. em incoerência na ação. passamos para a seleção dos conteúdos a seres transmitidos. Na avaliação da aprendizagem. concepção esta que não é neutra. a escolha dos conteúdos e do método não é casual. nas quais se exige a reprodução do conhecimento.

causadas por fatores internos e/ou externos. como também nas funções ligadas à socialização de um modo geral como cidadão. onde os aspectos externos estão relacionados ao ensinante e a escola. durante a fase pré–escolar. A partir de sua entrada na escola. evitando que este venha fazer parte de uma maioria de desassistidos e excluídos do seu meio. ou até deixar seqüelas emocionais. ao passo que os aspectos . afetiva. Essa influência pode-se dar de forma positiva e negativa. que para o recém-nascido representa a totalidade do seu mundo. psicológico. o aprendizado das regras do convívio social e a consolidação de sua auto–estima e autoconfiança passarão a sofrer a decisiva influência da vida escolar que afetará o seu processo de aprendizagem. tanto a família como a escola continua a ser importantes pontos de referências nos esforços do adolescente em busca de si mesmo e do seu lugar no mundo. Na adolescência. o fator mais importante na maturação psico–sócio–afetiva da criança. e conseqüentemente no seu desenvolvimento como um todo: seja emocional. de onde advêm os problemas de aprendizagem. Portanto. A família. fenômeno biopsicossocial do processo de crescimento e desenvolvimento do ser humano. A infância. Em geral. os educadores confundem muita a diferença entre fatores internos com fatores externos no processo de aprendizagem. continua a ser. é nitidamente marcada pela família e pela escola. mas reconhecemos que profissionais respeitadíssimos na área da educação têm buscado. ou de formas danosas que podem afetá-lo temporariamente. profissional ou social do contexto em que ele estiver interagindo. incessantemente. inovações a fim de melhorar e reduzir os impactos negativos dos métodos pedagógicos ainda existentes nas escolas. apesar de haver um nítido movimento em direção a progressiva independência dos pais e uma clara tendência à contestação da autoridade estabelecida (como a dos professores).37 Sabemos que não se trata de uma luta fácil que possa ser solucionada rápida e magicamente. contribuindo para o amadurecimento e bem-estar do educando. cabe ao educador estar consciente dos fatores internos e externos que afetarão a aprendizagem do aluno. as aquisições cognitivas.

desatentas em sala de aula.38 internos somente ao aprendente. a constatação de que o fator é interno ou externo. ou seja. o profissional poderá confundir-se nesta dicotomia que existe entre esses dois aspectos. sendo possível confundir-se com esse tipo de quadro de hiperatividade de fundo neurótico com problemática de fundo orgânico. uma boa avaliação no processo diagnóstico para que se tenha uma definição exata da etiologia. pois. Por exemplo. Sendo o diagnóstico mal feito. . O fracasso na aprendizagem é causado por uma conjugação de fatores interligados que impedem o bom desempenho do aluno. É necessário. uma vez que tanto o aluno quanto o professor são influenciados pelo que ocorre no seu ambiente social como um todo. a conduta em crianças irrequietas. embora se tente identificar um ponto interno ou externo.

em que a trajetória da construção do conhecimento é valorizada e entendida como parte do resultado final.Vivemos na era do conhecimento.39 3. transforma-a em aprendizagem e a coloca a serviço da comunidade. seja ela a mais simples ou a mais complexa. ter acesso à tecnologia adequada e às fontes de informações seguras do conhecimento. Nessa perspectiva. etc. Ao mesmo tempo em que o conhecimento circula com facilidade por todos os lados. Não se pode pensar no exercício da cidadania sem que o cidadão tenha acesso à formação acadêmica mínima de oito anos mas. de gerar instrumentos e serviços adequados ao contexto sócioeconômico-cultural. A Psicopedagogia tem por objeto de estudo a aprendizagem como um processo individual. não apenas por especificidade da função e do local de trabalho. perfil de cliente. ou ainda. surge a pergunta: só a informação basta? Sabe-se que não. é necessário saber como encontrá-lo. qualidade. a freqüência à escola não garante o salto qualitativo que requer o movimento social. Diante disso. com um pós-médio. É extremamente fácil acontecer um avanço científico em determinada área do conhecimento sem que o profissional especializado saiba. em que o conhecimento e as descobertas científicas circulam com uma incontrolável rapidez e as próprias instituições de ensino têm dificuldade em acompanhar o fluxo dessas informações. mas por treinamentos de ética. O que fará a diferença é a forma como a pessoa integra uma informação. de outra área do conhecimento venha a saber dessas descobertas antes do especialista. Temos visto que para exercer qualquer profissão. O FRACASSO ESCOLAR SEGUNDO A PSICOPEDAGOGIA A Psicopedagogia tem por objeto de estudo a aprendizagem como um processo individual. é possível que uma outra pessoa. a pessoa será submetida a treinamentos que devem passar. de preferência. a sociedade demonstra que a exigência real de um segundo grau e. em que a trajetória da construção do conhecimento é . economia. A pessoa é valorizada por seus diplomas. Estamos vivendo em plena era de globalização. mas também por sua capacidade de construir conhecimento. na prática.

as relações são fundamentais" (CAPRA. . 47) A dificuldade de aprendizagem nessa definição é entendida e trabalhada com um agente dificultador para a construção do aprendiz que é um ser biológico.. afetivo e social. A criança ficou subdividida em setores e não havia articulação entre o emocional."Posteriormente. Porém. se eximiam de suas responsabilidades: "Ela (a criança) tem problemas. construtora da sua história..42) A preocupação e os profissionais que atendiam essas pessoas eram os médicos. É comprometido com a construção de sua autonomia. A Psicopedagogia. (BOSSA. objetivando facilitar o processo de aprendizagem. em primeira instância e. pensante. A criança ficava rotulada e a escola e o sistema a que ela pertencia. A preocupação maior da Psicopedagogia é o ser que aprende.40 valorizada e entendida como parte do resultado final. essa observação levou a uma prática pautada no refazimento do processo de aprendizagem e requeria reposição de conteúdos e repetições até que a criança aprendesse. Os fatores orgânicos eram responsabilizados pelas dificuldades de aprendizagem na chamada época "patologizante". desejos e um compromisso políticosocial. que tem uma história. "A Psicopedagogia tem como meta compreender a complexidade dos múltiplos fatores envolvidos nesse processo" (RUBINSTEIN. os psicopedagogos passaram a estudar e a avaliar o processo da aprendizagem. o ser cognoscente e o seu objetivo geral é desenvolver e trabalhar esse ser de forma a potencializá-lo como uma pessoa autora. em segunda Psicólogos e Pedagogos que pudessem diagnosticar os déficits. de conhecimentos. à medida que se compromete com o seu social estabelecendo redes relacionais. p 127 Nem sempre a Psicopedagogia foi entendida da forma como aqui está caracterizada. e adequadamente inserida em um contexto social. começou tendo como pressuposto que as pessoas que não aprendiam tinham um distúrbio qualquer. emoções. "Para o pensador sistêmico. que se estabelece na relação com o seu "em torno". o motor e o social. O trabalho da Psicopedagogia é evitar ou debelar o fracasso escolar em uma visão do sujeito como um todo. p. p. O ser sob a ótica da Psicopedagogia é cognitivo. inicialmente. a cognição. com a ampliação da visão de que o sujeito não é apenas um ser racional.

etc. de onde ele vinha e para onde ele queria e podia ir. com um outro referencial. mas possuímos os nossos instrumentos de trabalho. pesquisas. etc." (NICOLESCU. tais como a Pedagogia. dos Psicólogos. a . O Psicopedagogo é um outro profissional. hoje. deflagrou o que é hoje a Psicopedagogia.. a Psicanálise.o fracasso escolar. 56) Diante desses avanços. outros instrumentos. a Psicologia. a Neurologia. dos Fonodiólogos. experimentos. A constatação que apenas uma área do conhecimento não conseguiria respostas absolutas e definitivas para a situação. pautado em teorias. Em face da complexidade das questões aqui levantadas e da delicadeza do nosso objeto e objetivo de trabalho. é entendida num contexto de interdisciplinaridade. A partir de diferentes referenciais teóricos. mas como um aprendiz que possui um estilo de aprender diferente. Os profissionais interessados nas questões de aprendizagem entenderam que o caminho era a interdisciplinaridade para compreender a complexidade desse fenômeno. mas era necessário saber que sujeito era esse. A Psicopedagogia se propõe a investigar e a entender a aprendizagem com base no diálogo entre as várias disciplinas. Neste raciocínio. sem contudo. nem tampouco. perder de vista que "Os diferentes níveis de Realidade são acessíveis ao conhecimento humano graças à existência de diferentes níveis de percepção. os nossos referenciais. sem jamais esgotá-la completamente. a Psicopedagogia não é a justaposição da Psicologia e da Pedagogia e. Trabalhamos e necessitamos dos Pedagogos. foram se construindo e pesquisando outros referenciais. a criança que não está conseguindo aprender é entendida e trabalhada. de uma realidade que teimava em incomodar . a Sociologia. a partir de um outro conhecimento e com um outro olhar. que está diretamente relacionado ao estilo de família e da comunidade a que pertence. um Pedagogo ou um Psicólogo "mais especializado". práticas diferenciadas e. p. não como alguém que possui um déficit ou um problema. não prescindimos dos nossos parceiros. outras sínteses.A psicopedagogia. Esse conhecimento foi construído a partir do encontro desses profissionais.. o mais provocante. a Fonoaudiologia.41 Os vários profissionais envolvidos na questão aprendizagem foram percebendo que não bastava retirar o eixo da patologia para a aprendizagem. que se acham em correspondência biunívoca com os níveis de realidade.

A aprovação do projeto de lei será uma oficialização do que já está socialmente reconhecido. Os psicopedagogos. se os professores são psicopedagogos especialistas. Fundada em 1980. já que poderemos participar de concursos públicos. etc. poderemos cuidar da qualidade dos cursos oferecidos e estender o atendimento à comunidade como um todo. o desejo de aprender e sua possibilidade de amadurecer. testemunham que apenas a formação é insuficiente para entender e trabalhar. em atendimentos individuais. de convênios. tanto em clínicas quanto nas instituições. as leituras e dramatizações. tem como objetivo . Os recursos são os que possibilitem entender quais as dificuldades que aquele aprendiz está enfrentando para aprender e quais as possibilidades para mudança que ele apresenta. Os instrumentos não costumam ser os padronizados e sim os jogos. o número de horas ofertadas. Enfim. em instituições escolares. com a aprendizagem e seus possíveis percalços. trabalham com diagnóstico e intervenção. etc. vencer situações e resolver problemas. Portanto. hospitais e empresas onde se promova aprendizagem. atividades que valorizem o que a criança sabe. Entendemos que. Por tudo o que aqui foi descrito é que estamos lutando pela regulamentação da profissão de Psicopedagogo. competentemente. Analisando a trajetória aqui apresentada. Ela exige do aprendiz uma articulação. quando inquirido da necessidade ou relevância do curso de Psicopedagogia ser de especialização. é necessário muito cuidado na escolha do curso de pós-graduação em Psicopedagogia.42 nossa escuta e o nosso olhar. uma abordagem e um avanço qualitativo inerentes a uma maturidade profissional e acadêmica. a linguagem escrita. se o projeto de lei que regulamenta a nossa profissão for aprovado. fica claro o entendimento do porquê da formação em Psicopedagogia estar organizada na forma de pós-graduação. Onde trabalham os psicopedagogos? Como trabalham? Quais as suas ferramentas de trabalho? Os psicopedagogos trabalham em clínicas. Devemos analisar a oferta de disciplinas inerentes a aprendizagem. as atividades de expressão artística. A Associação Brasileira de Psicopedagogia é uma entidade de caráter científico cultural. Os profissionais psicopedagogos. que estimulem a expressão pessoal. se tem estágio supervisionado por um psicopedagogo.

ordenar.) constitutivas da lógica." A questão da formação do psicopedagogo assume um papel de grande importância na medida em que é a partir dela que se inicia o percurso para a formação da identidade desse profissional. doze (12) seções. apenas estamos exigindo uma legalização de uma atuação já legitimada pelo mercado de trabalho" (NOFFS. uma sede nacional localizada em São Paulo. se deixarmos de sonhar sonhos possíveis. constituída a partir de um objetivo comum e bom para todos. etc.. pensamos simbolicamente. Temos hoje. onze (11) núcleos que atendem a todo o território nacional. Como nos ensinou Paulo Freire "Ai de nós. equilibrada. e não ao sujeito ‘individual’.. O trabalho psicopedagógico não pode confundir-se com a prática psicanalítica e nem tampouco com qualquer prática que conceba uma única face do sujeito. Pois bem. Nesse processo interferem o seu . p. que se refere às ações próprias e diferenciadas de cada indivíduo considerado à parte" (1970. Alicia Fernández afirma o seguinte: "O pensamento é um só. a promover mais aprendizagens. no Brasil. Diz Piaget que "o estudo do sujeito ‘epistêmico’ se refere à coordenação geral das ações (reunir. O pensamento é como uma trama na qual a inteligência seria o fio horizontal e o desejo vertical. cujo objeto de estudo é a problemática da aprendizagem. cursos. nos diferenciamos e promovemos parcerias sem ocupar ou "invadir o mercado. 67). mas já conseguimos nos fazer entender. educadores. p 2) As ações que caracterizam uma comunidade cidadã é a luta por uma comunidade justa. não pensamos por um lado inteligentemente e. Um psicopedagogo. Ao mesmo tempo. Desse sujeito individual ocupa-se a psicopedagogia. depois. acontecem a significação simbólica e a capacidade de organização lógica" (1990. Obviamente que muito ainda necessitamos avançar. p. em cada novo dia. 20). isso nos leva ao entendimento da nossa responsabilidade e do nosso compromisso político social de aprender. não pode deixar de observar o que sucede entre a inteligência e os desejos inconscientes.43 principal congregar profissionais psicopedagogos e profissionais afins e promover estudos. encontros e compartilhamentos. O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a Psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo num processo de interação com o meio físico e social. como se girássemos o dial. pesquisas.

o que deve ser um ponto de partida para uma eterna busca do melhor conhecimento. Na maioria das vezes em programas lato sensu regulamentados pela Resolução n° 12/83.44 equipamento biológico. que até enviarem os filhos para a escola não haviam identificado no comportamento habitual dessas crianças nenhum sintoma preocupante. o psicopedagogo lida com perplexidades de natureza diversa: a perplexidade da escola. a depender do enfoque priorizado pelo curso. eximindo-se. mas que assumem os “distúrbios” atribuídos às crianças a partir do diagnóstico “patologizante” da escola (instituição que a sociedade representa como competente para opinar sobre questões de ensino– . a perplexidade das famílias. Não encontrando outra saída senão a de rotulá-las (apressadamente) de portadoras de algum “distúrbio de aprendizagem”. alguns conteúdos são valorizados em detrimento de outros. de 06. Estes se identificam com um referencial teórico que irá nortear a sua prática a partir da formação anterior. Ao concluir o curso de especialização em Psicopedagogia. ocorre também que. que não consegue entender por que certas crianças não aprendem a ler e escrever. Outro aspecto a considerar é que o curso se destina a profissionais com diferentes graduações. na tentativa de identificar os fatores (internos ou externos) que interferem no seu processo de aprendizagem e de ajudá-lo a superar as dificuldades. assim. que forma os especialistas e que os habilita legalmente também para o ensino superior – ainda que não necessariamente. de forma a construir novos conhecimentos a partir delas. Em decorrência do seu papel de mediador. Interferem também características de personalidade no perfil desse profissional. em termos de conhecimentos. o aluno esteja realmente habilitado para tal. as suas condições afetivo-emocionais e as suas condições intelectuais que são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. O psicopedagogo atua diretamente junto ao educando que apresenta “problemas” de aprendizagem. de qualquer responsabilidade.10. Conhecer a Psicopedagogia implica um maior conhecimento de várias outras áreas. o aluno está iniciando a sua formação. Além das diferenças resultantes da própria divergência acerca do que é a Psicopedagogia.83. O produto de tal interação é a aprendizagem. a escola não reluta em encaminhá-las para especialistas vários.

conseqüentemente em casa. (1990): Pedro. quando os pais planejavam uma permanência no exterior. pois não pode ‘ler’. que muitas vezes não entendem a escola. o seu discurso e as atividades que ali são chamadas a desempenhar. Carla. Assim. orgânica ou emocional. uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada. no diagnóstico. uma investigação. estágio de pensamento operatório concreto. a perplexidade das próprias crianças. com excelente desempenho em todas as atividades espaciais.45 aprendizagem). rompendo o círculo vicioso resultante do conflito (fator interno/externo) de tais perplexidade. De acordo as experiências narradas acima. caçula de quatro irmãos. residente na favela da Chacrinha. (1990. já no pensamento formal. além de não aprender nada. “criava caso” na sala de aula e era. É necessário que o profissional atente para o significado do sintoma a nível familiar e escolar e não o veja apenas como uma deficiência psicológica. o psicopedagogo precisa estar tecnicamente capacitado para lidar com uma série de equívocos que perpassam o ensino de todos os conteúdos da escola. chegamos a conclusão de que para a existência de uma atuação significativamente. A família a rejeita por ter nascido em hora indesejável. grande criatividade em todas as situações e péssima vinculação com objetos de aprendizagem escolar.78). em si. p. Todo diagnóstico psicopedagógico é. apresenta uma ‘dislexia reativa’. Está com 13 anos na 6ª série. . acabam por incorporar o rótulo a elas atribuído e por comportar-se segundo expectativas geradas pelo próprio rótulo. ter inteligência normal. no falar da professora. entendemos que nem sempre é uma tarefa fácil para o educador determinar se a dificuldade na aprendizagem do aluno decorre de um fator interno ou externo. Vejamos as experiências que nos conta a psicopedagoga Maria Lúcia Lemme. Revelou. 1ª série de escola municipal. 9 anos. ia ser eliminado da escola porque. Após o tratamento. Perplexas com os tratamentos que passam a receber na escola e. Não possui nenhum problema de ordem orgânica. Dentro desta abordagem não é suficiente centrar a avaliação no que é explicitado. É o ‘patinho feio’ dentre irmãos brilhantes e colecionadores de medalhas escolares. voltou a aprender e cursa atualmente a 3ª série com relativa facilidade. ‘meio retardado’. revelando inteligência superior à média.

nos escritórios. além de outros fatores internos. qual seja o significado do não . entre outros). as mesmas massas enchem os cinemas para assistirem como o ator. vejamos o que expressou Walter Benjamin: É diante de um aparelho que a esmagadora maioria dos habitantes da cidade precisa alienar-se de sua humanidade. E. se vinga. psicoses. trabalhando. nas escolas. o uso do bate-papo. hereditária. portanto o esclarecimento de uma queixa do próprio sujeito. sites de sexo. a criança terá toda liberdade para assimilar coisas negativas que lhes são mostradas por esses . epilepsia. produto do meio. Por fatores externos entendemos má alimentação. dons natos). onde as crianças despertam desde cedo interesse por jogos. p. inevitavelmente esses fatores externos criarão interferência no seu processo de aprendizagem.aprender dentro da dinâmica familiar. depressões endógenas. a paciência e o bom conhecimento do educador para que se possa. Além disso.63) Ora. em nome delas. a sensibilidade. escola e sociedade como um todo. Por fatores internos entendemos os problemas de ordem biológica (congênita. no seu lar. Buscar o sentido do sintoma de aprendizagem para o próprio sujeito. sobretudo o volume de informações veiculado pelos meios de comunicação de massa. até mesmo dentro da sala de aula. do fugir de situações de aprendizagem. À noite. a compreensão.aprender. da família. criando impactos profundos no processo de aprendizagem. Além da comunicação eletrônica (computador).46 Será. resolver alguns problemas que a princípio pode nos parecer difícil ou insolúvel. Para provar a influência desses fatores externos. o implícito existente no não aprender. É essencial se procurar o não dito. problemas de comportamento: neuroses. Trata-se do não . lesões cerebrais. privação de liberdade de expressão (criatividade. um diagnóstico psicopedagógico eficiente. deficiência visual. paralisia cerebral. E isto só se faz através de uma avaliação criteriosa denominada Anamnese. problemas vividos em sua família. do aprender com dificuldade ou lentamente. onde não se respeita as regras de gramática. espontaneidade. Ao tentar desvendar isso. nas fábricas. como os pais estão sempre fora de casa. comunidade. de certa maneira. (BENJAMIN. ou seja. 1996. durante o dia do trabalho.revelar o que aprendeu. sendo a criança. da escola. estaremos penetrando num ponto crucial do problema. vale muito o tato. do não .

ensinando informalmente o que as crianças devem fazer. A educação dada pela família fornece a base. visando propor novas alternativas de ações voltadas para a melhoria da prática pedagógica nas escolas. trata-se de ensinamentos que acabam desvinculando a criança da realidade. indiscutivelmente. Assim. bem como no desenvolvimento da subjetividade autônoma. Nestes casos. no que viria. em geral. (por parte dos pais. compreendendo todas variáveis que intervêm neste processo a partir do enfoque preventivo e terapêutico. em última instância. estigmas. taxando-o até de “louco” – o que vem agravar a situação. no sentido de se fazer uma investigação de etiologia da dificuldade de aprendizagem. numa concepção totalizante. O mais sensato seria ter-se uma visão mais ampla do problema e valer-se da Psicopedagogia. Será que esses veículos nos mostram programações interessantes? Tanto no que diz respeito aos fatores internos e externos. se rebelar contra os valores recebidos: contra esses . Há casos de famílias com maior poder aquisitivo (que não é o caso de alunos de escola pública) encaminhá-lo a um psicólogo ou psiquiatra. levando-a ao insucesso escolar – exceto aqueles que são controlados e orientados no sentido de ver o que lhe é interessante e educativo. dizer ou pensar – isso não significa que não resta aos indivíduos liberdade alguma para reagir a essas influências. evitando assim que os fatores internos e externos não sejam obstáculos definitivos na aprendizagem daqueles que estão necessitando de ajuda. agravar o problema. a partir da qual o homem pode agir até para. incentivando os outros educadores. que.47 aparelhos. Segundo Jorge Visca (1987). sendo a Psicopedagogia possuída de um objeto de estudo – o processo de aprendizagem – e de recursos diagnósticos corretores e preventivos próprios. aversões. colegas e educadores) e até mesmo falsos diagnósticos que acabam hostilizando o aluno. o melhor seria não concluir de forma precipitada um diagnóstico (que poderia ser falso) ou tentar isolá-lo da escola com advertências e outros tipos de punições. tendo o aluno dificuldades na aprendizagem. há uma tendência em se criar rótulos. cabe ao psicopedagogo adotar uma postura crítica frente ao fracasso escolar. que afetam a aprendizagem. para minimizar os fatores internos e externos no processo de aprendizagem a família é uma instância importante no processo de socialização.

a si e a sociedade. uma parceria entre família. cujos conteúdos se apóiam numa organização rigidamente estabelecida. Lidar adequadamente com o problema requer. impor recursos disciplinares ou atribuir os problemas a fatores externos tais como: o desequilíbrio familiar. gera abandono. antes de qualquer coisa. por vezes. Se os fatores internos e externos abordados afetarem o aprendizado do aprendente. Começar a freqüentar a escola é um marco aguardado pela maioria das crianças com alegria e expectativa. uma forma nem sempre fácil. entre outras coisas. desconectada das experiências dos próprios alunos e na qual uma etapa é preparação para a seguinte. Pois as causas desses e de outros fatores podem ser genéticos. nossas aulas mais se assemelham a modelos do início do século. professores e psicopedagogos e outros profissionais afins. Um grupo de fatores das mais variadas naturezas que prejudicam o rendimento escolar. . mas sempre a partir deles. a família é o local privilegiado para o desenvolvimento humano. às dificuldades de aprendizagem. A despeito de todo avanço das pesquisas em educação. a relação da criança com a escola se torna cada vez mais necessária. A resposta que a escola dá a isso é. Portanto. ou os incontáveis problemas de aprendizagem. faz-se necessário para que a criança possa reestruturar-se na escola.48 valores. a exercitação e a comprovação. desmotivação e até mesmo rebeldia. Entre os motivos que transformam esta alegria em pesadelo podem estar associados à inadaptação do aluno ao ambiente escolar. na possibilidade de apassividade dos alunos em sua indisciplina. Na sociedade atual. dominadas por uma ritualização de procedimentos escolares muito obsoletas. congênitos ou desconhecidos. A escola organizada sob tal enfoque carece de significados aos alunos. da ciência e da tecnologia. tendo como perspectiva metodológica dominante a exposição. saber identificar sua origem. a imaturidade do aluno. dita moderada.É comum que os currículos escolares sejam organizados em torno de um conjunto de disciplinas nitidamente diferenciadas. escola. acentuar procedimentos repressivos. que se manifesta.

A escola. É difícil conseguir completar nossa tarefa. tentando descobrir a função do não aprender. com o fim de reunir toda a informação possível sobre sua realidade pessoal. Bossa (2000) ao falar da importância do psicopedagogo na instituição escolar. os limites fundamentais de nossa ação são marcados por vários fatores: ruptura familiar. é fundamental a participação contínua de todos envolvidos neste processo. Tantas quantas forem necessárias. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. como necessidades individuais dos alunos. afirma que “através da aprendizagem. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. os que têm problemas e os que não têm.49 Como a resposta a este problema deve englobar todos os alunos da escola. por melhor que seja. que são intransponíveis até o momento. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. com os meios de que dispomos e a carência de professores de apoio eficaz que trabalhem com o tema. 2000. qual a modalidade de aprendizagem da criança. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. a família marginal e os fracassos com alunos antigos. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. de analisar os dados recebidos e programar uma ação objetiva. social e familiar. há somente uma saída possível: a configuração de uma escola que funcione há várias velocidades. Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. o sujeito é inserido. de forma mais organizada. p. no mundo cultural e simbólico que o incorpora à sociedade” (IDEM. Sendo a instituição escolar parte da sociedade e a aprendizagem . não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. No acompanhamento deste processo. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. para obter do aluno os melhores resultados como pessoa. têm certos limites em sua ação. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do nãoaprendizado mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar.90). pois. a droga e o álcool.

50 partindo da interação da criança na interação com o meio social. como se a escola fosse um ambiente de desprazer. Todos esses fatores determinam uma profunda desigualdade no desempenho dos alunos e também das diversas classes sociais. o mais tardiamente. evadem com mais freqüência. em conseqüência sejam reprovados freqüentemente. . e devido também à migração ao trabalho “precoce”. vê-se que no Ensino Fundamental os alunos têm menos chances de entrar na escola e quando entram. Portanto. torna-se importante ressaltar a importância que o mundo sociocultural tem na aprendizagem da mesma. Isso faz com que os alunos do Ensino Fundamental o seu desempenho seja mais baixo e. gerando assim uma profunda rejeição ou inadaptação ao ambiente escolar. é em escolas de baixa qualidade. Por isso.

Assim. coerente e perfeita. mas que houvesse mudanças substanciais no . Sabemos que seria utópico pensarmos numa escola pública completa. até mesmo por ser o homem um ser imperfeito. orientar as famílias no desenvolvimento de atividades educativas ligadas à saúde do aluno (campanhas de vacinação. Pode-se afirmar que a escola pública tem hoje duplo papel social: é transmissora de cultura e transformadora das estruturas sociais. aos professores de escola pública. O trabalho da mulher fora do lar. fabricam e fabricam estatísticas. sobretudo. tornando-o cidadão integrado no contexto social em que está inserido. que atendesse todas às nossas expectativas. visando o seu futuro educativo. combate à raiva. Cabe. também. conhecendo os recursos extraescolares da comunidade e os de fora dela. Prendemse apenas em números para comprovar sua tese de que a escola pública vai bem obrigada. sobretudo ao professor. ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL NA ESCOLA PÚBLICA Devido às alterações ocorridas na sociedade atual muita das funções educacionais da família vêm sendo delegadas à escola. ao rato). social. Cabe à escola pública. juntamente com sua equipe de trabalho. propiciar o desenvolvimento de atitudes. deixando a educação dos filhos bem antes dos sete anos a cargo da escola foi um dos fatores que contribuíram para a sobrecarga de responsabilidade para a escola pública. conhecer as condições familiares. procurar sanar estes problemas. identificar os problemas e as queixas. da família e da comunidade. Observar que a escola pública não está cumprindo sua função é um fato que só meia dúzia de administradores escolares teima em não admitir. profissional. observar a freqüência e a continuidade da manifestação. higiene. adequando seu trabalho às necessidades da criança. analisar as situações escolares que possam agravar os problemas de saúde física e mental dos alunos. hábitos e habilidades favoráveis à saúde física e mental. conclui-se que seria uma condição básica para que a escola pública provocasse mudanças consistentes no sentido de dar ao aluno uma base concreta. político e.51 5.

Este novo quadro se expressa em significativos dispositivos constantes da Carta Magna em vigor hoje no país. nas constituições. para todas as crianças e jovens em idade escolar. na determinação da liberdade desta e da gratuidade apenas na rede de ensino fundamental. Observa-se que. pode-se assegurar que o Estado brasileiro. o dever do Estado em promover educação básica (fundamental hoje.52 sentido de impedir o surgimento de novos problemas sociais que a cada dia se avolumam em função das transformações que têm ocorrido em nossa sociedade atual. Quando muito. a Constituição de 1988 inova quanto à obrigação do Estado. Com o reverso dessa realidade exposta. a Constituição de 1988 trouxe algo novo. historicamente. Ainda que mantendo a defesa da iniciativa privada no campo da educação. os estados federados ou os municípios. pública. pelo menos. jovens e adultos. inclusive para aqueles que nessas fases não tiveram acesso à escolarização. Em primeiro lugar. o provimento da educação básica. afirma a norma. encontra-se o estabelecimento do acesso à escola como um direito subjetivo do cidadão brasileiro e. em segundo lugar. estes. Se são consideradas as diferentes esferas de governo como a União. no que se refere à educação na escola pública. Isto significa dizer que o Estado brasileiro. antes primária ou primeiro de grau) para todos os membros foi diluído numa co-responsabilidade com a família e com a iniciativa privada. uma escolarização mínima que fosse. . às vezes até com grau de urbanização e industrialização menor que o nosso. até então. não contou com um projeto ou uma proposta educacional cujo alcance objetivasse atingir os diversos seguimentos que compõem esta sociedade. gratuita em sua rede. extensiva a todos os cidadãos. definindo que a atribuição prioritária do município é a ação no ensino fundamental para crianças. até então. Esta última sempre contou com a firmeza nas constituições no sentido de que o ensino é livre à iniciativa privada. tal como se verificou em sociedades outras. não atuaram no sentido de promover o conjunto da sociedade de. como dever do Estado. não teve consignado a si a obrigatoriedade do provimento do acesso a uma escolarização básica comum para todos os cidadãos deste país. radicalmente contrário ao que veio sendo historicamente a não responsabilidade do Estado para com a educação.

a escola de quatro anos (o primário). o Projeto de Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (LDB) – na versão aprovada na Câmara de Deputados – vem a reforçar o que constitucionalmente está definido como obrigação na esfera municipal. de modo geral. e que. Como parte do Estado brasileiro. entre os técnicos das equipes centrais e os professores. no que veio a compor a população economicamente ativa. como o governo federal e estadual. Hierarquicamente situadas no plano interno da organização estatal. . em alguns casos tecno–burocracias. ao vetar que o município (governos municipais) estenda suas atividades aos demais graus de ensino. que posteriormente. ao empresariado brasileiro.53 Consoante com o dispositivo constitucional. prescindindo de uma força de trabalho educada. ao menos em termos de obtenção do ensino básico. enquanto isso permanece na penumbra questões fundamentais relacionados com quem planeja e para que se planeje a educação. tornou efetivo o impulso econômico que vivenciamos. este país se transformou de sociedade agrário–exportadora numa sociedade industrial convivendo com a insuficiência de escolas para os filhos dos trabalhadores. se bastam na definição de políticas. As burocracias que deles fazem parte. Assim. os governos municipais. Isto se referindo tanto àqueles em idade escolar como. durante o processo de crescimento econômico transcorrido. gerando o conhecido fosso entre as secretarias e as escolas. que elevou o país à oitava economia industrial do mundo. portanto. Foi possível às empresas e. esta se prende comodamente no que diz respeito à educação escolar básica. optando por objetivos e metas a serem perseguidos na prática da ação no campo educacional. em verdade. de modo geral auto-suficientes. estas burocracias tecno–burocracias exercem “competentemente” a separação entre os que pensam e os que executam no âmbito da educação. cuja atuação sempre se fez de modo privado no interior do seu espaço. o convívio com taxas baixíssimas de escolarização da população. mantém a tradição de um Estado autoritário. o fizeram. Este quadro indica que o empresariado brasileiro alcançou de modo pleno seus objetivos. Quando auscultando. por conseqüência. a partir dos interesses privados destas. às elites. passou a oito séries. No que corresponde à esfera econômica da sociedade brasileira. a partir de 1971.

pois. Estes últimos. Estes parecem assumir um novo modo de compreender o seu papel. tanto no nível escolar quanto no social. esta emergência se verifica mais acentuadamente no interior da própria instância governamental. A despeito de todas estas considerações. quando parece que os professores se movimentam. A questão fundamental não é dar o atendimento pré–escolar a todas as crianças nessa fase. a despeito de todo idealismo e boa vontade que existem em relação à pré–escola. as quais se distanciam tanto da velha tradição clientelista das práticas liberais de governar como dos modelos neoliberais. mesmo assim. De modo geral. a sociedade civil cobrou a ação necessária do Estado com certa timidez. tão em voga nos dias de hoje. por exemplo. não é um instrumento de democratização escolar e social. mas sim dar um atendimento de igual qualidade a todos. na direção de uma presença mais acentuada quanto ao que fazer no campo das decisões sobre o sistema escolar. Por outro lado. . ainda que também timidamente. o que temos diante de nós. Em suma. parece emergir algo novo e que se expressa na atuação de alguns poucos governos municipais no país. como palavras de ordem de uma falsa modernização. via os partidos políticos e os sindicatos. Desejam discutir sobre seu trabalho e querem influir também nas decisões. que clama por novas formas de articulação entre governo e sociedade civil. A proposta oficial de atendimento pré–escolar não está sendo cumprida. tornou-se de qualidade absolutamente insatisfatória. isto porque não de forma consistentemente organizada. os poucos atendidos são da área urbana e. os quais sempre se omitiram nesta questão. Ademais. também nota-se surgindo uma nova expressão de cidadania. das classes populares e das regiões menos desenvolvidas. embora dê prioridade às crianças da zona rural. apregoando a desregulamentação.54 porque para os demais seguimentos daquelas camadas. dentro de uma filosofia educacional de compensação que leva ao fracasso. mas apenas mais uma forma de desigualdade e de agravamento das desigualdades já existentes. hoje. a privatização e o desaparecimento da educação escolar da condição de função de estado.

ou. terceira e quarta séries de seis colégios da rede pública. seu comportamento. Como empresa privada. além de desprezar sua inteligência e vida real. que formam a sua clientela. quando muito. a escola forma umas crianças passivas. escolhidos por amostragem. não é difícil perceber que a televisão tem um papel que favorece a ideologia dominante. Quando caracterizamos a escola pública. estruturada para atender crianças das classes médias e altas e não as das camadas mais baixas. influencia praticamente todas as atitudes do homem moderno. É o maior veículo de lazer e informação da nossa sociedade. segunda. também pautados no modelo de aluno ideal e não naquele que efetivamente recebe. da forma pela qual é praticado. o resultado foi surpreendente: quanto mais adiantados os alunos. Penetra na intimidade cotidiana de cada indivíduo de uma forma tão absoluta que é capaz de influenciar e modificar seus hábitos. voltados para uma sociedade de consumo. Sua onipresença é uma característica do mundo atual. devemos levar em conta que a televisão. tornando-a uns instrumentos opressores e alienantes. O que é grave é que seu consumidor é um público despreparado. Essas situações levam à conclusão de que na escola de hoje não se pensa: seguem-se trilhas preconcebidas. Em outro teste.55 O que determina o fracasso dos alunos das primeiras séries da rede pública de ensino é o modelo da escola primária. fazendo as contas ao lado. capaz. A televisão é o meio de comunicação mais poderoso inventado pelo homem. não dá oportunidade ao aluno de desenvolver sua intuição e capacidade criativa. pronto para receber o produto da forma que lhe é comercializado. no Rio de Janeiro. Um teste de percepção visual foi aplicado a crianças da primeira. Provocando sua aprendizagem mecanizada. O grau de dificuldade em desenhar a escola cresceu de série para série. como um instrumento de difusão de interesses. Sua recuperação terá que passar pela reestruturação dos cursos normais. tolhidas. sua linguagem de maneira incontestavelmente forte. por outra: o ensino. sem espontaneidade. as crianças foram solicitadas a representar em desenhos os problemas dados. Para os pesquisadores. de copiar o professor. . mas sem iniciativa para resolver novas situações e descobrir as coisas por ela própria. mais insatisfatórias as soluções. cujo objetivo está longe de ser liberal e esclarecedor.

mas em questionar o fato aceito universalmente de que a escola é o único e melhor meio de educação. Vivemos uma crise muito séria e nos preocupamos em saber qual será o destino da instituição escolar. a aprendizagem dos alunos. por demais petrificada. seu ideal de democratização não foi atingido. Para Celso. Fazendo coro com essa tendência. causando impactos negativos. nem simplesmente em denunciar o elitismo.. A década de 70 foi fértil em críticas à escola e propostas para alterar esse quadro sombrio. nada vale. já em 1926. | Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo.56 o que irá afetar. este poderoso veículo de comunicação de massa interferirá na aprendizagem do aluno na escola pública. aprofundar-se na busca pelo conhecimento. inexistência de um sistema educacional no Brasil. também professor. vê. é o interesse de conhecer mais. Para ele a solução da crise não estaria em promover reforma de métodos ou currículos. tanto por parte dos alunos quanto por parte de muitos professores. O professor Dermeval Saviani demonstra.10). 1995.. Para ele. por certo. O que falta também hoje na escola pública.. | Mas quem compreende também ama | observa. pois. Ivan Illich (1983) apresenta uma proposta aparentemente mais radical: “por que não ‘descolarizar’ a sociedade?”. a escola reproduz as formas de dominação social. nada ama | quem nada pode fazer. expressou poeticamente essa inquietação: Quem nada conhece. sobretudo a escola pública. prejudicando assim a nossa tentativa de minimizar os problemas já existentes. segundo os teóricos críticos–reprodutivistas. esclerosada e classista. o homem é capaz de educar de modo sistematizado apenas quando . Quer queira quer não queira. No entanto. (In: ORNELIA. p. Vimos que a escola nova pretendeu revolucionar os métodos vitalizando a escola tradicional. | Quanto mais conhecimento houver | inerente numa coisa | tanto maior o amor. como as cerejas | nada sabem a respeito das uvas.. a partir do estudo de nossas leis. Têm-se observado as diversas faces que a escola adquiriu ao longo da história até o presente momento. nada compreende | quem nada compreende. sobretudo àqueles pertencentes a escola pública.

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“Toma consciência da situação (estrutura) educacional, capta os seus
problemas, reflete sobre eles, formula-os em termos de objetivos
realizáveis, organiza meios para alcançar os objetivos, instaura um
processo concreto que os realiza e mantém ininterruptos o movimento
dialético ação–reflexão”. (SAVIANI, 1983)

Este último requisito resume todo o processo, sendo condição necessária
para garantir sua coerência, bem como sua articulação com processos ulteriores.
Como se vê, está para ser elaborada a teoria da educação brasileira e nem existe
ainda um sistema educacional para o Brasil. Essa é uma tarefa que não só os
teóricos, mas todos os educadores têm de enfrentar. Vê-se, então, que os
desafios são grandes no que diz respeito à escola pública, e o resultado disso são
os problemas que afetam a aprendizagem do aluno. Sendo assim, devemos
pensar como pensava o grande mestre Paulo Freire:
Eu agora diria a nós, educadores e educadora: ai daqueles e daquelas,
entre nós, que pararem com a capacidade de sonhar, de inventar a sua
coragem, de denunciar e anunciar. Ai daqueles e daquelas que em lugar
de visitar de vez em quando o amanhã, se atrelam a um passado de
exploração e de rotina! (FREIRE, 1991).

Sem um consenso determinado sobre as classificações do fracasso escolar
não se pode atingir uma identificação precoce e pedagogicamente eficiente,
evitando, a princípio, problemas que tendem a complicar-se com a evolução
escolar.
Cabe aos professores, na ótica de uma pedagogia científica, estudar as
variáveis que estão em jogo nas diferentes aprendizagens escolares na medida
em que assim se pode dar mais significação ao diagnóstico psicopedagógico. A
tridimensão desse problema pode vir a facilitar a obtenção de uma linguagem
comum e a troca de experiências, ao contrário dos que pensam que o diagnóstico
psicopedagógico surge apenas com o auxílio dos médicos, psicólogos e
psicopedagogos.
Ao professor não pode caber unicamente a função de aplicar métodos
pedagógicos. Ele deve saber como e quando o método deve ser aplicado, o que
obviamente implica um processo de identificação que considere as condições
internas e externas que favorecem ou prejudicam o desenvolvimento do ser
humano.

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A identificação deve ser feita o mais precocemente possível, visando não
agravar o desenvolvimento total da criança e diminuir seus efeitos cumulativos.
A identificação precoce deve ser simultânea com uma intervenção
psicopedagógica precoce que possa implicar a modificabilidade do potencial de
aprendizagem, intervindo no desenvolvimento da inteligência, da linguagem e da
maturidade global requerida para as aprendizagens simbólicas. Sabe-se que é
complexa a rede de fatores que interferem no processo de aprendizagem, mas a
psicopedagogia vem caminhando no sentido de contribuir para uma melhor
compreensão desse processo.
A criança, ao longo de seu crescimento, vai desenvolvendo estruturas de
relação com o mundo e, portanto vai mudando sua forma de enxergar as
situações a ela apresentada. As primeiras relações que a criança estabelece com
o conhecimento são de fundamental importância para a construção de sua
modalidade de aprendizagem, isso porque a modalidade é o molde que o
indivíduo adota para adquirir conhecimento ao longo sua vida. E esse molde se
constrói a partir do vínculo que ele estabelece nestas primeiras relações.
É por isso que a escola mais remota é à base do conceito que esse
indivíduo terá de escola e, conseqüentemente, do vínculo formado com o
conhecimento formal. Muitas vezes um vínculo inadequado remonta uma história
de fracassos dentro da instituição escolar, criando uma criança habituada à falha
e com uma auto–estima negativa dentro da sua estrutura psíquica.
Não podemos negar a existência de limites e dificuldades dos profissionais
no intuito de minorar os problemas de aprendizagem por vários motivos, tais
como: as crianças já nascem no seio de uma sociedade corroída e desassistida
pelos seus governos vigentes; falta de modernização na estrutura educacional;
metodologias inadequadas; mito de que as dificuldades de aprendizagem são
insolúveis; as transformações tecnológicas, sociais, econômicas e políticas
avassaladoras são globais e acabam afetando a sociedade como um todo; falta
de engajamento político por parte de muitos educadores; falsa democracia na
sala de aula e falta de aplicação de teorias progressistas.
A atuação dos profissionais junto ao fracasso escolar, embora com todas
as limitações, têm sido de certa maneira substanciais. Entretanto, os limites

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impostos, conforme os motivos mostrados acima, de certa forma já vêm causando
uma notória impotência por parte dos educadores no sentido de minorar esses
problemas que se avolumam tão abundantemente.
A atuação dos professores e teóricos da educação, na sua maioria, tem
sido profunda e incessante, talvez até revolucionária. Ainda assim, persistem em
demasiado os fracassos escolares.
Sabe-se que os professores também são responsáveis pela queda da
qualidade do ensino. Acomodados, sem consciência crítica e política da realidade,
limitam-se a produzir o que lhes foi ensinado e sem nenhuma confiança de
resultado, tanto assim que só não colocam seus filhos nas escolas particulares
quando não conseguem pagar as anuidades.
O professor, principalmente o de ensino primário ou das cadeiras de área
humana, atribui à escola uma autonomia que ela não tem e acredita que ela vá
resolver os problemas de fracasso escolar. Todavia, os educadores (professores,
pedagogos, psicopedagogos etc.) se enganam ao terem uma visão conservadora.
Analisemos o que Vygotsky diz:
Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades
adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social
e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma
do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o
objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa
é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente
enraizado nas ligações entre história individual e história social. (In:
ARANHA, 2002, p.202).

Existem novos caminhos, novas perspectivas, para que os profissionais
dessa área estejam atentos. Independentemente das normas estabelecidas pelo
governo, devem os educadores ir além das suas limitações culturais, sociais,
econômicas, políticas e profissionais, com a finalidade de revolucionar os seus
modelos tradicionais, permitindo ao educando possibilidades outras que venham
ajudar a evitar as dificuldades de aprendizagem, ou seja, não deve haver limites
na sua atuação pedagógica.

o estágio atual do saber. quando proferimos essa grande palavra. na busca de uma pedagogia popular e democrática e sua influência sobre as correntes autoritárias de base socialista. Vásquez. ser modernos e liberais. Sentimo-nos bem ou mal neste ou naquele tipo de situação e de relação. que desenvolveu elucidativa distinção entre pedagogias essencialistas e existencialistas. tornar-se plenamente ela mesma. possibilitando cada vez mais que as camadas populares tenham acesso à educação e. Não desabrochamos no abstrato. tais como as de Lobrot. Henry Giroux. Há ainda muitos outros. numa fábrica barulhenta. como o francês Bernard Charlot. portanto. nas relações com os outros? Mas não podemos. representante da teoria crítica de inspiração frankfurtiana. no trabalho. O esforço da pedagogia progressista se faz na direção de tornar a escola um local de socialização do conhecimento elaborado. . 1983. bem como o italiano Antonio Gramsci. Não desabrocho quando estou fechado numa escola–caserna sem interesse.60 Vejamos o que diz Bernard Charlot: O pensamento pedagógico comum considera. além do espanhol Francisco Ferrer e os representantes brasileiros Maurício Tragtenberg e Miguel Gonzales Arroyo. quando encontro pessoas que me agradam. Outros nomes significativos são os dos construtivistas soviéticos Vygotsky e Leontiev. (CHARLOT. Não”. 58). então. p. Entre os pioneiros da tendência progressistas se encontra os pedagogos soviéticos Makarenko e Pistrak. buscando uma superação a partir da análise na natureza social do homem. Oury. e o desabrochamento pressupõe condições concretas e sociais de realização. fria e fétida. desabrocho quando devo suportar cotidianamente as gritarias de meus quatro filhos num apartamento de sala e quarto. falar de desabrochamento sem levar em consideração as realidades econômicas. Desabrochar! Pensamos ter dito tudo. Quando apenas nos contentamos em falar de desabrochamento. sociais e política. mesmo reconhecendo os limites do empreendimento. Também é importante a contribuição do francês Célestin Freinet. o polonês Suchodolski. quando tenho tempo para me dedicar a meus filhos num ambiente agradável. Mas desabrocho quando faço um trabalho que me interessa. num compasso infernal. que a educação deve permitir à criança realizar-se. mais ou menos implicitamente. desabrochar. Não desabrocho quando devo suportar todo o dia os humores de um chefe de escritório atrabiliário. desumanizada. Mas o que é que isso quer dizer. somos vítimas de um dos conceitos mais ideológicos que a pedagogia jamais produziu. No desabrocho quando trabalho na linha de montagem. desabrochar? É nos sentirmos bem em nossa pele.

sobretudo. trilhando caminhos semelhantes. algo que acaba afetando a aprendizagem do educando. amor pela educação. desenvolve a pedagogia do conflito. Moacir Gaddotti. valores. professores. Wagner Gonçalves Rossi. uma educação voltada para a conscientização da opressão. que permitiria a conseqüente ação transformadora. conceitos. sobretudo. Carlos Rodrigues Brandão e tantos outros fazem parte. o trabalho pioneiro e inovador de Paulo Freire. a partir da década de 70. também conhecida como pedagogia do oprimido. convém lembrar a importância dos movimentos populares da década de 60.61 Entre os brasileiros. e que nossa atuação poderia ser mais produtiva no que diz respeito ao fracasso escolar e na educação como um todo. coragem e. Espelhando-se nesses heróis universais da educação. podemos dizer que os nossos limites como educadores são discutíveis e superáveis. e. nós. da já fértil produção teórica sobre a educação brasileira. Basta pensarmos na produção de novas idéias. ao criar um método de alfabetização de adultos que mereceu a atenção de pedagogos de várias partes do mundo. A pedagogia libertadora de Paulo Freire. . baseada na concepção dialética da educação.

acarretando na grande maioria das vezes na reprovação. prossegue durante todo o trabalho. Através da aprendizagem. a qual significa uma tomada de consciência do problema do fracasso escolar e um propósito de mudança aliada a uma reforma nas Diretrizes Curriculares e no Projeto-Político Pedagógico da escola. que o incorpora à sociedade. tomar consciência. reformular os objetivos e adaptar à realidade que ora se apresenta. no mundo cultural e simbólico. com certeza. se for o caso. aqui. Sem lucidez sobre uma realidade não se poderá agir com adequação. buscando dar a sua contribuição no sentido de prevenir ulteriores problemas de escolaridade. Pesquisar observando a prática diária. significa um conhecimento atrelado a uma decisão de transformação. só saber quais as causas que ocorrem o fracasso escolar. Na sua tarefa junto às instituições escolares o psicopedagogo deve refletir sobre estas questões. na própria intervenção. a qual cumpre uma função social: a de socializar os conhecimentos disponíveis. com o objetivo da observação. é preciso então pesquisar muito sobre o problema do fracasso escolar no Ensino Fundamental. de forma mais organizada. numa atitude investigadora. O trabalho psicopedagógico pode e deve ser pensado a partir da instituição escolar. onde a intervenção do psicopedagogo inicia. um . ainda hoje. obter decisões certas e ajustadas na solução do problema que vem se agravando nas escolas públicas. É preciso observar que essa atitude investigadora. um contínuo sempre revisável. e. nem é suficiente só conhecê-las. fazer intervenções. o sujeito é inserido. O passo fundamental para uma prática educacional é a postura do profissional. importa sim. Não bastará. promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta. Não basta tomar consciência do problema no sentido do saber. dentro de um projeto social mais amplo. até a intervenção. faz parte do cotidiano das nossas escolas. de fato. isto é.62 CONSIDERAÇÕES FINAIS O fracasso escolar. do ponto de vista exclusivo da informação. O diagnóstico psicopedagógico é um processo. a sua conversão.

de terceiro mundo. tenham sido experimentadas. poderão minimizar os efeitos do fracasso escolar.63 posicionamento filosófico das escolas. com um redimensionamento destes fatores. estiver organizada e lutar por alternativas que venham atender às necessidades e interesses da classe menos favorecida. descobrir e propor novas formas viáveis e efetivas de mudanças dentre os fatores intra-escolares que mantêm o fracasso escolar. com muitos problemas sociais e sem uma política educacional eficiente. Isso significa que essas transformações só ocorrerão quando a sociedade civil. dos governantes e da própria sociedade civil da qual o educador faz parte. desde a revisão dos objetivos. Tais mudanças sociais certamente deverão implicar em profundas modificações na política educacional adotada. imaginem no Brasil país pobre. Estadual. Ensinar e aprender torna-se uma tarefa árdua e difícil. da qual o educador faz parte. criando também condições sócio-econômicas necessárias para que as crianças da classe baixa tenham oportunidades de usufruírem dos benefícios do sistema escolar. porém. passando pelas práticas de ensino até os procedimentos de avaliação. cabe sim. populoso. Embora. Os problemas na educação sempre existiram e a escola como seu principal palco sempre sofreu os males do processo ensino–aprendizagem. o problema só será efetivamente resolvido a partir de profundas transformações na esfera Federal. percebe-se que. os problemas existem. e os paradigmas tentaram “resolver” as dificuldades de aprendizagem. Municipal e local. Entende-se que o problema não será resolvido a curto prazo. As diversas abordagens teóricas. À medida que. o fracasso escolar depender em última instância de fatores sócio-econômicos e políticos. trazendo a comunidade para participar e buscar soluções para as dificuldades que possam surgir em todo processo de mudança e construção. . dos mecanismos escolares. e difíceis de serem solucionados. Não cabe ao educador esperar de braços cruzados para que essas transformações ocorram. os problemas permanecem. onde a educação é prioridade. criar. Se nos países ricos. muitas delas. uma vez que a repetência depende em grande parte de transformações internas.

mas o que deve ser intensificada é a preparação das escolas e professores para receber alunos com capacidades adquiridas de . não como “salvadora da pátria”. convive com problemas de aprendizagem. Tais relações parecem ter influência significativa na determinação do sucesso ou do fracasso escolar da criança. diz que a escola não é mais a mesma. Ficaremos na esperança de êxito desta nova tendência. com o meio no qual se insere e com o conhecimento. Nesse contexto. Mas isso não é uma tarefa fácil. Estas questões sociais geram carências afetivas que são significativas. Só a escola não resolverá os problemas de aprendizagem. são muitos os problemas enfrentados pelas escolas para atingirem seus objetivos de alfabetizar e escolarizar. A escola. desinteresse pelo estudo. com vistas a contribuir na libertação da criança. barreiras a serem superadas e que bloqueiam e limitam as condições de aprendizagem. pois exige um esforço muito grande e um bom preparo por parte do profissional. Só a escola não resolverá todas as circunstâncias que envolvem a questão das dificuldades escolares. apontando caminhos para uma atuação pedagógica. Indisciplina. por sua vez. com seus circundantes. muitas vezes geradora do fracasso escolar. mas como uma grande atenuante para os problemas da educação. No meio dessa “briga” surge o psicopedagogo como mediador e promessa de solução. historicamente. favorecendo seu desenvolvimento pleno. requerendo do estudioso da área atenção e sensibilidade para detectar falhas que denunciam causas. a questão do vínculo ganha especial relevância. capazes de se entrecruzarem. falta de educação doméstica e não reconhecimento da autoridade dos professores e diretores por parte dos alunos são alguns dos problemas apontados. à medida que denota a importância da natureza das relações que o indivíduo estabelece consigo mesmo.64 Hoje. A família. A investigação desses problemas remete a um leque infinito de possibilidades. A escola tende a culpar a família por omissão na educação dos filhos. A psicopedagogia surge como mais uma alternativa para ajudar na solução dos problemas de rendimento escolar e ensino–aprendizagem. Há questões sociais que deverão ser superadas a fim de que se possam garantir condições mínimas para o indivíduo querer aprender.

contígua à vida. revendo o passado. 1986. A conquista do espaço na escola significa uma escola aberta. pois está relacionado com a operacionalização do trabalho e conseqüentemente com seu êxito. o que produz seres humanos com capacidades diferentes. . da escola. realizando experiências realmente brasileiras. Somente uma boa avaliação psicopedagógica de fracasso escolar de uma criança pode discernir e ponderar devidamente "o que" e o "quantum" é da criança. 77). Assim. cheia de presenças humanas. Este é um aspecto cuja prática tem me mostrado como bastante complicado na atuação do psicopedagogo. p. da família e da interação constante dos três vetores na construção das dificuldades de aprendizagem apontadas pela escola. só assim. avançamos no campo da construção conjunta do conhecimento da escola e da sociedade que queremos. poderemos ter uma educação voltada para as crianças de classe menos favorecida e a redução dos índices de fracasso escolar no ensino fundamental na escola pública.65 histórias culturais cada vez mais diferentes. Diante desse contexto. dinamizando o futuro e procurando corrigir os erros do presente. cujo objetivo é "solucionar rapidamente os efeitos mais nocivos do sintoma para depois dedicarse a afiançar os recursos cognitivos" (Pain. a relação psicopedagogo-paciente é mediada por atividades bem definidas. A especificidade do tratamento psicopedagógico consiste no fato de que existe um objetivo a ser alcançado: a eliminação do sintoma.

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