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Universidade Federal do Maranhão – UFMA

Curso: Ciências Naturais - Física;
Disciplina: Ecologia;
Professor: Elídio Armando Exposto Guarçoni;
Alunos: Hermerson da Silva Aguiar, 2013035894;
Malena Silva de Oliveira, 2013032079;
Mariana Pinto de Araújo, 2013035965.

Conceito de Espécie

Bacabal – MA
09/04/2015

Também veremos que estimativas de diferentes parâmetros da biodiversidade têm em comum a utilização de espécies como as unidades mais fundamentais de análise. A segunda metade do século XX. assim como discutir alguns pontos que possam auxiliar no conceito de espécie. os quais estão igualados a espécie. e quando é usado há evidência de que o critério de reprodução reúne grupos que estão geneticamente isolados na natureza. . diante de outras possibilidades disponíveis? Para a maioria dos conceitos atuais o que difere uma espécie de outra está no isolamento reprodutivo (incompatibilidade genética) e isolamento geográfico. com papéis e tendências evolutivas próprias”. Ganhou força na segunda metade do século XX. Os operacionais são aqueles que podem ser usados para diagnosticar e reconhecer espécies. Consequentemente.CONCEITO DE ESPÉCIE O tema nesse texto remete à aproximação de diferentes características da biodiversidade que têm em comum a utilização de espécies como as unidades fundamentais da vida. tem como objetivo detalhar de forma mais pedagógica a base teórica que desenvolveu o processo de classificação das aves e as dificuldades para a conceituação de espécie em relação aos fungos. o Conceito Biológico tem sido usado para identificar grupos de indivíduos que pareiam. políticas de conservação em diferentes níveis geopolíticos se utilizam de espécies como os principais indicadores de vulnerabilidade. O Conceito Biológico de Espécie (CBE) define espécie como “grupos de populações naturais intercruzáveis isolados reprodutivamente de outros grupos”. que são vários. propiciou ampla discussão acerca de uma pergunta que muitos especialistas da área ainda tem dificuldade de responder clara e precisamente: o que é espécie? Ou que critérios poder-se-á adotar para determinar a taxonomia. desde o nível populacional até a escala de biomas inteiros. Devido as características especificas de cada grupo. mas que retém a característica ancestral de intercruzamento. Os conceitos de espécie encontrados na literatura divide-se em dois tipos: teóricos e operacionais. No reino Fungi. O único fundamentalmente teórico é o Conceito Evolutivo de Espécie definido espécie como “uma linhagem que evolui separadamente de outros. Por esse motivo busca-se um conceito que possa ser aplicado em todos os reinos. como a base para o conceito de espécie adotado pelos biólogos evolucionistas. e foi o primeiro a fornecer propostas genuinamente enraizadas no Darwinismo que tratava espécie como população de indivíduos unidos pelo fato de serem potencialmente aptos a procriar. os conceitos definidos para um grupo não são utilizados por outro.

Conceito aplicável para organismos que se reproduzem sexuada e assexuadamente. o grau de semelhança genética é um caráter ancestral retido dessas linhagens. não se deve supor que tais organismos tenham terminantemente evidência de co-especificidade. porque ele admite a existência de espécies bastante inclusivas em termos evolutivos. Só através de análises filogenéticas será possível definir um conceito de espécie mais adequado para o reino Fungi. plumagem e vocalização. porque segundo os termos filogenéticos.processo responsável pela quebra . quanto porque uma vez que as espécies descendentes tenham se formado a partir de um ancestral. seria levar em consideração a concordância de várias genealogias gênicas. ecológicos. diagnosticando grupos monofiléticos. logo as conclusões são. tendo como base as ideias de Willy Hennig (1966). morfológicos e genético. 3-O CBE faz uso do conceito de subespécie para identificar organismos que mantêm entre si uma lógica reprodutiva. porque as populações podem sofrer diferenças de vulnerabilidade. na grande maioria dos casos.O CBE pode nos levar a conclusões precipitadas e com graves consequências do ponto de vista da conservação. entretanto. outra maneira para se delimitar uma espécie seria a reconstrução do processo de clodogênese. O CFE nasceu com a perspectiva de que as espécies devem ser sublinhadas primeiramente com fundamento no real parentesco e ancestralidade entre unidades operacionais. subjetivas. a fim de evitar uma subjetividade da decisão de onde colocar esses limites. esses organismos expressam diferenças consideráveis como: tamanho. cujas populações podem ser tão distintas em relação a caracteres comportamentais. Para o CFE. definindo espécie como sendo “o menor conjunto diagnosticável de indivíduos dentro do qual há um padrão parental de ancestralidade e descendência”. O CBE passou a ser questionado a partir de 1970 pelo desenvolvimento da sistemática filogenética. Na determinação dos limites de uma espécie.. 2-O isolamento reprodutivo entre táxons de áreas geográficas diferentes é impossível de ser observado em condições genuinamente naturais. a denominação desse tipo é Conceito Filogenético de Conceito de Concordância Gênica (Mayden 1997). As três principais críticas feita pelo Conceito Filogenético de Espécie (CFE) foram: 1-Quando duas linhagens distintas têm capacidade de produzirem descendentes férteis. ocorreriam mudanças nas sequências de genes que poderiam ser reconhecidas antes que tivessem ocorrido mudanças no comportamento reprodutivo ou na morfologia. que seria melhor opção tanto por este motivo. contrapondo com o isolamento reprodutivo.

não podem fazer a diagnose entre elas. 2007) Segundo Queiroz todos os conceitos de espécies propostos até então são variações de um único conceito de espécie. isoladamente. De acordo com o Conceito Filético Geral de Espécie. O fato de existir um conceito não simplifica o processo de identificação de espécimes. 2007) 4. e às condições ambientais. Se diferenciarem em pelo menos um caráter de variação contínua com baixa ou nenhuma sobreposição. 2007) 3. que em resposta a contínuas transformações anatômicas e funcionais. 2007) 2. . Se diferenciarem significativamente em análises estatísticas multivariadas de diversos caracteres. duas populações serão consideradas diagnósticos. Os biólogos evolucionistas e conservacionistas entendem que diversidade filética é a célula de preservação mais básica em biologia da conservação. propondo critérios para reconhecer relações entre organismos ou métodos para estabelecer hipóteses filogenéticas. Todos os conceitos vistos anteriormente visam estabelecer métodos para divisão de grupos. resultam na divisão da população.de coesão de uma população.que só poderia ser concretizado por meio da construção de hipóteses filogenéticas em diversos caracteres. (Aleixo. O foco da biologia de conservação em Unidades Evolutivas Significativas (UES) tem uma definição prática de espécie como o objetivo de maximizar o reconhecimento e legitimidade taxonômica. implica que os conceitos de espécies mais uteis nesta serão justamente aqueles que resgatem mais prontamente a equivalência entre Unidades Evolutivas Significativas (UES) e “espécie” como o CFE. (Aleixo. se elas corresponderem aos seguintes critérios: 1-Se divergirem em pelo menos um caráter de variação discreta (presença / ausência). o que é plenamente consistente com a definição livre de espécies fornecido pelo Conceito Filético Geral de Espécie (CFGE): metapopulações diferenciados em trajetórias evolutivas distintas. (Aleixo. propiciando diferenças capazes dá origem a outro grupo de organismos que juntos compartilham o mesmo ancestral. uma vez que eles consideram espécies segmentos de linhagens evolutivas de nível populacional (sentido de organização evolutiva acima do indivíduo). Talvez venha a existir um conceito único de espécie. Se diferenciarem por uma combinação de 2 ou 3 caracteres funcionalmente independentes e que. porem os critérios de reconhecimento ainda sejam diferentes para cada grupo. (Aleixo.

as estimativas de diversidade de espécies ou entendimento dos padrões de fluxo gênico dentro das unidades. . nacional ou internacional (Cracraft 2000). por exemplo. e também a tomada de decisões sobre o delineamento de áreas de endemismo ou sobre quais unidades devem receber local.Um fato importante desta discussão é que cada vez mais os sistematas reconhecem como os diferentes conceitos de espécie podem afetar outras áreas de estudo como.