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2 SÉRIE
ENSINO MÉDIO
Caderno do Professor
Volume 1

FILOSOFIA
Ciências Humanas
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

MATERIAL DE APOIO AO
CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CADERNO DO PROFESSOR

FILOSOFIA
ENSINO MÉDIO
2a SÉRIE
VOLUME 1

Nova edição

2014 - 2017

São Paulo
Governo do Estado de São Paulo
Governador
Geraldo Alckmin
Vice-Governador
Guilherme Afif Domingos
Secretário da Educação
Herman Voorwald
Secretário-Adjunto
João Cardoso Palma Filho
Chefe de Gabinete
Fernando Padula Novaes
Subsecretária de Articulação Regional
Rosania Morales Morroni
Coordenadora da Escola de Formação e
Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP
Silvia Andrade da Cunha Galletta
Coordenadora de Gestão da
Educação Básica
Maria Elizabete da Costa
Coordenadora de Gestão de
Recursos Humanos
Cleide Bauab Eid Bochixio
Coordenadora de Informação,
Monitoramento e Avaliação
Educacional
Ione Cristina Ribeiro de Assunção
Coordenadora de Infraestrutura e
Serviços Escolares
Ana Leonor Sala Alonso
Coordenadora de Orçamento e
Finanças
Claudia Chiaroni Afuso
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Barjas Negri
Senhoras e senhores docentes,

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo-
radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que
permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula
de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com
os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor-
dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação —
Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste pro-
grama, seus maiores esforços ao intensiàcar aç×es de avaliação e monitoramento da utilização dos
diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas aç×es de
formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, àrma seu dever com a busca por
uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso do
material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb.

Enàm, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo faz Escola, apresenta orien-
taç×es didático-pedagÓgicas e traz como base o conteÙdo do Currículo 0àcial do Estado de São
Paulo, que pode ser utilizado como complemento à .atriz Curricular. 0bservem que as atividades
ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias,
dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade
da sua escola e de seus alunos. 0 Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas
aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam
a construção do saber e a apropriação dos conteÙdos das disciplinas, além de permitir uma avalia-
ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodolÓgicas em sala de aula, objetivando a
diversiàcação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagÓgico.

Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu


trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar
e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua histÓria.

Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo.

Bom trabalho!

Herman Voorwald
Secretário da Educação do Estado de São Paulo
SUMÁRIO
Orientação sobre os conteúdos do volume 5
Situações de Aprendizagem 8
Situação de Aprendizagem  m 0 Eu racional 
Situação de Aprendizagem 2 – Introdução à Ética 16
Situação de Aprendizagem  – A liberdade 2
Situação de Aprendizagem 4 – Autonomia 36
Situação de Aprendizagem 5 – Introdução à Teoria do Indivíduo 43
Situação de Aprendizagem 6 – Tornar-se indivíduo 52
Situação de Aprendizagem  – Condutas massiàcadas 62
Situação de Aprendizagem  – Alienação moral 6
Quadro de conteúdos do Ensino Médio 75
Gabarito 76
Filosofia – 2a série – Volume 1

ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME


Prezado professor, referência do Currículo 0àcial do Estado de
São Paulo.
0 presente volume sofreu algumas altera-
ç×es em relação às ediç×es anteriores. As Lembramos e entendemos que nunca é
mudanças foram modestas e tiveram o sen- demais destacar que a aplicação do Currículo é
tido de melhorar o diálogo entre o Caderno indispensável, pois trata-se de uma política de
do Professor e o Caderno do Aluno. Estado que visa a melhoria da educação pÙblica
e a uniàcação dos processos de ensino e apren-
De maneira geral, procuramos preservar dizagem. Essa uniàcação pretende garantir a
as Situaç×es de Aprendizagem no seu formato igualdade na formação e, assim, dar a oportu-
original, pois não se trata de uma nova publi- nidade aos nossos alunos para que possam
cação, mas de uma nova edição. Dessa forma, realizar trajetÓrias mais equânimes. Ainda, o
àzemos alguns acréscimos e algumas exclu- Currículo procura reáetir a perspectiva de uma
s×es, sempre para atender melhor as orienta- educação comprometida com a formação crí-
ç×es gerais para o ensino de Filosoàa. tica, solidária e inclusiva visto que também se
prop×e a preparar os nossos alunos para a vida
Enfatizamos que o encaminhamento pro- social, assim como para adentrar e melhor se
posto nas Situaç×es de Aprendizagem dispo- adaptar às demandas da esfera do mundo do
níveis no Caderno do Professor e no Caderno trabalho, com base no desenvolvimento de habi-
do Aluno visa apresentar uma possibilidade lidades e competências.
para percorrer o caminho dado pelo Currí-
culo 0àcial do Estado de São Paulo. Con-
tudo, entendemos que para seguir o Currículo Conhecimentos priorizados
você não precisa nem deve àcar restrito ape-
nas aos Cadernos, podendo complementar as Neste volume você encontrará nas Situa-
Situaç×es de Aprendizagem propostas com ç×es de Aprendizagem temas, conteÙdos e pro-
outros recursos. Você pode, ainda, adotar postas de reáexão que abordam a temática rela-
como referência um livro didático da sua pre- tiva ao mundo da prática. Isto é, sobre a esfera
ferência, mas, mesmo que faça essa opção, das quest×es morais e sobre as condiç×es da
lembre sempre que, ainda assim, deverá com- existência ética e, nesse sentido, sobre a
plementar a proposta do livro com outros qualiàcação das aç×es baseadas na nossa condi-
recursos e planejamento a àm de que possa ção humana. Nesse contexto, aparecem neste
atender o Currículo. Advertimos que nenhum volume temas relativos à ética, à moral, à liber-
material é perfeito e jamais poderá ser utili- dade e à autonomia. Consideramos, ainda, a
zado sem planejamento e sem as indispensá- importância de refletir sobre o indivíduo e os
veis contribuiç×es teÓricas e práticas do perigos das condutas massiàcadas e da alienação
docente. Professor, você tem autonomia para moral e, dessa forma, procuramos chamar aten-
planejar e preparar as suas aulas, selecionar ção para as demandas de viver em sociedade e a
os textos e os pensadores que melhor se ade- responsabilidade de pertencer a uma sociedade.
quam aos temas curriculares e ao desenvolvi- Com base nas Situaç×es de Aprendizagem, pre-
mento das competências e habilidades, tendemos proporcionar aos alunos ocasião para

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identiàcar as condiç×es de uma vida pautada na 0 Currículo e, como não poderia deixar de
ética e em uma moral que considere e valorize a ser, os Cadernos de Filosoàa procuram atender
subjetividade. A prioridade, nesse sentido, é levar não apenas a demanda instrumental dada pela
os alunos a reáetir sobre a sua condição de indi- Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas também
víduos, histÓrica e socialmente construídos e, promover e valorizar a reflexão do tipo filo-
conscientes dessa condição, tornarem-se respon- sÓàca. Dessa forma, a organização dos temas
sáveis pelas suas posiç×es e aç×es. curriculares e das Situaç×es de Aprendizagem
busca, de acordo com temas e conceitos relevan-
tes no contexto da histÓria da Filosoàa, favorecer
Competências e habilidades a reáexão àlosÓàca para os alunos do Ensino
Médio. Assim, ao trazer para a reáexão àlosÓàca
As competências e habilidades priorizadas a ética, a moral e a importância de atentar para
são aquelas referentes à reáexão ética sobre a as condutas cotidianas, ela o faz com base no
condição humana, que é racional e está vincu- aporte da tradição àlosÓàca.
lada a uma realidade histÓrica, social e política
que permite ao indivíduo posicionar-se e Ao centrar as Situaç×es de Aprendizagem
manifestar-se criticamente como cidadão. Des- nas quest×es que perpassam a ética, a moral, a
tacamos que a reáexão e a manifestação exi- capacidade racional e a autonomia do sujeito,
gem o exercício da leitura, da linguagem escrita não dispensamos a histÓria da Filosoàa, a reto-
e da prática dialÓgica. Essas três práticas ele- mada dos conceitos àlosÓàcos e o exercício de
mentares são indispensáveis para a compreen- oralidade, leitura e escrita que permitem explo-
são dos fenÔmenos histÓricos, sociais, culturais, rar o potencial àlosÓàco de cada aluno e não
artísticos e cientíàcos. A compreensão desses cair em um ensino enciclopédico. Consideramos,
fenÔmenos permite a interpretação e a reáexão na abordagem do tema, que o aporte da tradição
àlosÓàca. àlosÓàca sÓ terá sentido se incentivar a elabora-
ção de uma reflexão filosÓfica, se os alunos
puderem experimentar o percurso do pensa-
Metodologia e estratégias mento organizado pelo encontro com diferentes
possibilidades de vocabulário, raciocínio, hipÓ-
A Filosoàa no Ensino Médio tem o sentido teses, escolhas de premissas e consequências.
de responder à necessidade de uma educação Nesse sentido, incentivamos nas Situaç×es de
integral. Ela comp×e, com a arte e a ciência, uma Aprendizagem a leitura, a análise para a com-
forma de abordar o mundo. Dessa forma, enten- preensão do texto, a partir de pesquisas que
demos que um ensino que ignore a perspectiva visam ampliar o vocabulário, em especial, per-
àlosÓàca de abordar o mundo não pode almejar mitir que os alunos tenham acesso aos termos
ser integral. Se a presença da Filosoàa no Ensino àlosÓàcos. )á, ainda, a indicação de quest×es
Médio é justiàcada por uma demanda instru- que se prop×em a fazer que o aluno se remeta
mental que seria a de munir os jovens de certos ao texto preferencialmente ou à explicação do
conhecimentos considerados necessários para o professor. E, em menor frequência, mas não em
exercício da cidadania, essa demanda não lhe é menor importância, destacamos o papel da
exclusiva e é compartilhada por todas as discipli- redação, que não especiàcamos como disserta-
nas do Currículo. 0 papel da Filosoàa é apresen- ção, pois esta deve ser uma opção do professor,
tar aos jovens a reáexão do tipo àlosÓàca e, por de acordo com as condiç×es de suas turmas.
meio dela, ofertar a eles um ensino mais abran- Contudo, lembramos que a dissertação é oca-
gente, que visa à formação integral. sião privilegiada para o exercício da reáexão
àlosÓàca é por ela que o aluno experimenta,

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Filosofia – 2a série – Volume 1

assume as hipÓteses que devem levá-lo a certas dos em cada Situação de Aprendizagem ao ler
conclus×es. Neste volume, você, professor, um texto àlosÓàco, conseguiram reconhecer os
poderá desaàar os alunos a argumentar acerca conceitos e a linha argumentativa do àlÓsofo
de seus valores, das suas escolhas e acerca da foram capazes de, a partir desse contato, identi-
concepção de liberdade, abordando também as àcar a relevância do problema e da contribuição
consequências que tais escolhas podem trazer. da tradição àlosÓàca constataram que o pro-
blema proposto é um problema atual, da sua
realidade e, ànalmente, até que ponto eles con-
Avaliação da aprendizagem seguiram avançar para uma reáexão e argumen-
tação do tipo àlosÓàca.
Estamos acostumados com a perspectiva de
avaliação como uma régua, uma medida que Professor, optamos, nesta edição, por não
possibilita classiàcar os alunos. Para realizar essa trabalhar com a perspectiva de gabarito no sen-
medição, nÓs, professores, geralmente, aplicamos tido de stricto senso, pois, no contexto do ensino
provas, cujos resultados nos permitem dar notas de Filosoàa, devemos atentar, mais do que para
e, assim, classiàcá-los. Muitas vezes a classiàca- a precisão das respostas, para o quanto o aluno
ção, ao ànal de um ano, nos permite identiàcar reconhece dos conteÙdos transmitidos e, a partir
os alunos que apresentam ou não as condiç×es deles, apresenta condiç×es de se aproximar da
para avançar no processo de escolarização. 0u experiência àlosÓàca. Assim, reforçamos a pers-
seja, no processo, a prova nos ajuda a decidir pela pectiva de que as sugest×es de quest×es, presen-
aprovação ou reprovação deles. Entendemos que tes nas Situaç×es de Aprendizagem, não se
essa perspectiva é apenas parcialmente válida se conàguram em um receituário de perguntas em
considerarmos a atual função da escola. Dessa que as respostas já foram deànidas. Com isso
forma, procure estar sempre atento aos processos não queremos dizer que vale qualquer resposta.
de aprendizagens dos alunos, às necessidades, Lembramos que as Situaç×es de Aprendizagem
avanços e diàculdades e não apenas ao que eles apresentam como referência textos e questiona-
apresentam na prova bimestral. Considerando mentos que abordam o pensamento de determi-
que a avaliação deve fazer parte do cotidiano nados àlÓsofos. Dessa forma, as respostas dos
escolar e não pode se reduzir a uma prova, ela alunos devem sempre se remeter ao que foi
deve contemplar todas as tarefas propostas, não proposto e aos pensadores citados, sempre que
apenas para o professor classiàcar, mas também assim for requerido. Por fim, sugerimos que
para que o aluno reconheça as suas diàculdades realize o exercício de responder às quest×es pro-
e suas potencialidades. Assim, entendendo a postas em cada Situação de Aprendizagem,
avaliação da aprendizagem como parte de um antes de indicá-las a eles, e veriàque se elas são
processo formativo, o professor deve considerar pertinentes para a sua turma, se elas atendem à
todas as atividades propostas (e isso inclui as expectativa de aprendizagem e formação com
pesquisas, a lição de casa e, sempre que possível, base no tema trabalhado. Esse procedimento
a redação). Não esqueça que cada atividade pro- deve ser considerado sempre que utilizar ques-
posta e realizada deve receber da sua parte um t×es que não foram elaboradas por você, tais
retorno individualizado, preferencialmente, e como as que estão propostas em livros didáticos,
(ou) geral (nesse caso, deve-se especiàcar o que e as que foram formuladas para o Exame Nacio-
foi considerado um acerto da turma e no que eles nal do Ensino Médio (Enem), provas de vesti-
precisam melhorar). No contexto deste volume, bulares e outras. Afinal, ninguém conhece
considere se os alunos identiàcaram palavras melhor as turmas do que você!
centrais e seus signiàcados diante do tema apre-
sentado reconheceram os problemas apresenta- Bom trabalho!

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
SIT6A¬«0 DE APRENDI;A(EM 1
0 E6 RACI0NAL
0 objetivo desta Situação de Aprendiza- p r i n c í p i o s ra c i o n a i s q u e re c o n h e c e m
gem é fazer que o aluno se reconheça como valores.
um ser racional e seja introduzido ao estudo
da ética como sujeito ético, isto é, como Para isso, vamos utilizar o cogito cartesiano
alguém capaz de fazer escolhas por meio de como suporte teÓrico.

Conteúdos e temas: razão subjetividade moderna Descartes cogito.

Competências e habilidades: a realização desta Situação de Aprendizagem deve estimular o


desenvolvimento de habilidades relacionadas com o domínio de diferentes linguagens e a compreensão
de diferentes fenômenos do conhecimento. A proposta procura incentivar as competências que
possibilitam que o prÓprio aluno se reconheça como sujeito racional, capaz de uma certa autonomia
de pensamento. Além disso, a Situação de Aprendizagem visa a incentivar as práticas de pesquisa,
sistematização e a apresentação de conceitos e informaç×es, com o que os alunos também serão
levados a fundamentar conhecimentos teÓricos.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas e exercícios de reáexão e leitura.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme Cadernos do Professor e do Aluno, dicionários de
Filosoàa, sites e livros que trazem biograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: como toda a tarefa é realizada em sala de aula, a observação e as anotaç×es a
respeito da participação nas atividades propostas são fundamentais.

Para iniciar, você pode pedir aos alunos Durante a aula, você pode propor que os
que pesquisem, como lição de casa, a biogra- alunos formem grupos de no máximo três
àa de René Descartes, pensador tema desta pessoas e que respondam o desaào proposto
Situação de Aprendizagem. Destacamos que no Caderno do Aluno. Essa atividade tem
o importante nesse tipo de pesquisa é a pos- como objetivo exercitar nos alunos a argu-
sibilidade de identiàcação do aluno com o mentação a partir do modelo cartesiano.
àlÓsofo, o que poderá levá-lo a se interessar Procure incentivá-los a não se contentar com
mais pelos conteÙdos aplicados. respostas sem profundidade ou que apelem
para obviedades.

Sondagem e sensibilização – Sugerimos como problemas iniciais:


ouvir e dialogar
f Prove que você existe.


Filosofia – 2a série – Volume 1

f Prove que você não está em um sonho. sua existência com base na possibilidade do
f Prove que tudo o que você está vivendo pensar, o quadro a seguir, que também se
hoje não é uma lembrança, pois você não encontra no Caderno do Aluno, permitirá
é uma pessoa idosa lembrando do seu que você aponte para eles o raciocínio carte-
passado. siano sobre a existência ele está aí para
a j u d á - l o n a e l ab o r a ç ã o d i d át i c a d o
Para levar os alunos à compreensão de problema.

Como posso provar que existo

Se tudo isto fosse um sonho, sÓ uma coisa eu


eu penso.
ainda seria capaz de fazer:

Se tudo isto fosse uma ilusão e este meu corpo


eu penso.
não existisse, ainda teria uma certeza:

Se tudo isto fosse uma loucura, ainda que de


eu penso.
modo peculiar:

Se eu fosse uma memÓria, mesmo assim: eu penso.

Se eu duvido da existência de tudo, não


eu penso.
importa duvidar prova que:
Quadro 1.

Com base na visualização do quadro, os Ler


alunos poderão perceber que seu pensamento
está presente nas diferentes situaç×es descritas. A partir do momento em que os alu-
0 ato de pensar é uma certeza. Se tudo é uma nos passam a entender que o “eu
ilusão, pensar é uma certeza. Pensar é uma ação penso” é uma constante, leia com eles
realizada por alguém, de forma que é possível o texto a seguir, que também está no Caderno
aàrmar que também é uma certeza a existência do Aluno:
de alguém que pensa.

Discurso do método
[...] desejando então somente dedicar-me à busca da verdade, eu pensei que fosse necessário que
eu àzesse o contrário, rejeitando como absolutamente falso tudo o que me pudesse despertar a
menor dÙvida, para veriàcar se, apÓs isso, restaria alguma coisa em minha crença que fosse com-
pletamente incontestável. Assim, como nossos sentidos nos iludem algumas vezes, supus que não
existia nada da maneira como os sentidos nos fazem imaginar e como há homens que se enganam
ao raciocinar, ainda que sobre os assuntos mais simples de geometria, e cometem paralogismos,
considerando que eu também estava sujeito ao erro como qualquer outro, eu rejeitei como falsas
todas as raz×es que anteriormente eu tinha tomado como demonstraç×es e, enàm, considerando


que os mesmos pensamentos que temos quando despertados também podem nos acometer quando
dormimos, sem que nenhum seja verdadeiro, decidi àngir que todas as coisas que até então tinham
penetrado meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilus×es de meus sonhos. Mas logo em
seguida ponderei que, querendo pensar, dessa forma, que tudo é falso, era necessário que eu, que o
pensava, fosse alguma coisa e observando que esta verdade, penso, logo existo, era tão àrme e certa
que as mais extravagantes suposiç×es dos céticos não seriam capazes de abalá-la, julguei que eu po-
dia adotá-la sem escrÙpulos como o primeiro princípio da àlosoàa que eu buscava.
Depois, examinei atentamente quem eu era, e vendo que eu podia àngir que não tinha nenhum cor-
po e que não havia nenhum mundo, nem nenhum lugar em que eu existisse, mas que não podia àngir
que eu não existia, e que, ao contrário, pelo fato mesmo de eu duvidar da verdade das outras coisas,
sucedia-se, evidente e certamente, que eu existia enquanto se eu somente deixasse de pensar, ainda que
tudo que eu sempre tivesse imaginado fosse verdadeiro, eu não teria nenhuma razão para imaginar que
eu existia disso concluí que eu era uma substância cuja única essência ou natureza era só pensar, e que
para existir não necessitava de nenhum lugar nem dependia de nenhuma coisa material de modo que
esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo, e mesmo mais fácil de
conhecer que ele e, ainda que o corpo não existisse, a alma não deixaria ser tudo o que é.
ApÓs isso, eu considerei, de modo geral, o que é exigido para que uma proposição seja verdadeira e
certa pois, já que acabava de encontrar uma que eu sabia que o era, eu pensei que devia também saber
no que consiste a certeza. E tendo observado que na proposição penso, logo existo não há nada que as-
segure que eu digo a verdade, a não ser que vejo muito claramente que para pensar é preciso existir, eu
julguei que podia admitir esta regra geral, que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são
todas verdadeiras, mas que há somente alguma diàculdade em determinar quais são as que concebemos
distintamente. [...]

DESCARTES, René. Discurso do método. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/aa000016.pdf>.


Acesso em: 2 maio 2013. Tradução Célia (ambini.

Comentário sobre o texto pertinentes ao texto. Essa atividade é importante


para o aluno sensibilizar-se com o tema.
A àlosoàa cartesiana poderá nos auxiliar
na compreensão da construção do sujeito ético Atividade
a partir da Era Moderna.
Propomos, no Caderno do Aluno, o
Na perspectiva da Filosoàa Moderna e em seguinte exercício: apÓs a leitura do texto, os
especial da àlosoàa cartesiana, a articulação alunos devem desenvolver com as suas pala-
entre a subjetividade e a verdade tem como vras algumas das ideias extraídas do trecho
referência básica o sujeito que pensa e que, por da obra Discurso do método, de René Des-
isso, pode ter acesso ao conhecimento legítimo. cartes (1637). Selecionamos algumas suges-
Nesse sentido, a constituição do sujeito ético é t×es, mas você poderá utilizar outras de
pensada como efeito das técnicas que condu- acordo com a turma e com a dinâmica da sua
zem ao conhecimento verdadeiro e, por elas, aula. Se optar pelo exercício proposto, suge-
bem conduzir a vida. rimos que faça um sorteio dos itens entre os
alunos, de modo que todas as ideias sejam
Professor, no Caderno do Aluno há a reco- analisadas – não importa que, algumas delas,
mendação de pesquisa do signiàcado das palavras por mais de um aluno:

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Filosofia – 2a série – Volume 1

a) Rejeitar tudo o que era proveniente dos da percepção, nÓs não apenas ouvimos
sentidos. o som em uma festa, mas podemos com-
preender o ritmo, veriàcar se as pessoas
b) Rejeitar tudo o que poderia vir do estão felizes e enxergar seus movimentos
raciocínio. de dança etc. Assim, as quest×es de ca-
ráter ético que podemos propor agora
c) Rejeitar todos os pensamentos que ocorrem são: Como melhorar a nossa percep-
quando se está acordado e quando se está ção sobre as coisas e eventos do mundo?
dormindo. Como sentir melhor e distinguir o que
nos cerca? Por que um entendimento
d) Considerar como Ùnica certeza o fato de errado ou um mau juízo podem causar ou
pensar. motivar o mal?
f Juízo – Atividade intelectual de escolha,
e) Julgar que as coisas que concebemos muito avaliação e decisão (AristÓteles, Da alma
clara e distintamente são todas verdadeiras. [De anima] III, 45). Da pergunta funda-
mental – Qual o critério ou a regra dos
Dialogar nossos juízos? – podemos derivar outras
tantas, como: Por que escolhemos isto e
Como pensamos )á várias maneiras não aquilo? Por que achamos mais impor-
de dividir as atividades do intelecto. tante isto e não aquilo? Por que tomamos
Para efeito didático, escolhemos, da esta decisão e não outra?
tradição àlosÓàca, as seguintes: razão, percepção, f Imaginação – Muitas vezes vista com
juízo, imaginação e memÓria. Pautando-se pela desconàança pela tradição àlosÓàca, a
ideia do “eu penso”, você pode pedir aos alu- imaginação encontra um lugar de impor-
nos que reflitam sobre seus pensamentos, tância na Filosoàa Contemporânea, em
segundo as funç×es intelectuais. Para auxiliar especial com Jean-Paul Sartre. A imagi-
nessa reflexão, indicamos, no Caderno do nação como criação de imagens que po-
Aluno, uma pesquisa que visa auxiliar os alu- dem libertar o indivíduo da relação ime-
nos no entendimento das diferentes atividades diata com o mundo. Ao imaginarmos um
do intelecto. A seguir, indicamos alguns ele- mundo que não existe, poderíamos julgar
mentos que incluem consideraç×es histÓrico- o mundo que existe. A imaginação de-
-filosÓficas sobre as atividades do intelecto. senvolve os indivíduos e pode levá-los a
Essas consideraç×es podem auxiliá-lo no tra- fazer as mais diferentes proposiç×es. Por
tamento da pesquisa solicitada aos alunos. exemplo: Podemos imaginar onde Deus
mora? Podemos imaginar um mundo sem
f Razão – Por meio da razão, que é lÓgi- violência ou desamor? Podemos imaginar
ca, nÓs temos a regra para os cálculos em a presença de alguém que não está perto?
nosso pensamento. 0 que julgamos, per- Podemos imaginar a dor que as outras pes-
cebemos, lembramos e até imaginamos, soas sentem? Podemos imaginar o que ain-
em geral, pode obedecer às regras da lÓ- da não foi pensado?
gica. Assim, a pergunta ética que pode f Memória – Em geral considerada a reto-
ser proposta é: Como aprofundar nossa mada de um conhecimento do passado
racionalidade, visando fazer o bem? – por exemplo, uma fÓrmula matemáti-
f Percepção – Lembrando que percepção ca que aprendemos há algum tempo –, a
é o exame das sensaç×es, podemos partir memÓria é entendida de outro modo pela
disso para conhecer o mundo. Por meio Filosoàa Contemporânea. )enri Berg-

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son, no livro Matéria e memória (16), Exercício
defende a ideia de que a memÓria não
é apenas acessar um conhecimento do 0 objetivo do exercício que se segue
passado, mas é a possibilidade efetiva é tornar a teoria mais prÓxima da
de vivermos de novo o que aconteceu ou vida dos alunos. Por isso, você pode
o que aprendemos. Nosso corpo guarda apresentar o quadro a seguir, também reprodu-
o passado e, por isso, lembrar é reviver. zido no Caderno do Aluno, comentar os exem-
Uma questão importante a se colocar plos dados e, em seguida, pedir que preencham
sobre isso é: Como desenvolver a memó- um segundo quadro de exercício proposto no
ria e o que pode ser esquecido?, amplian- Caderno, que tem como circunstâncias a ser
do, a partir dela, o leque de quest×es e exploradas a “festa”, a “prova”, “comprar
indagando, por exemplo: O que não se roupa”, “escolher um curso”, “cortar o cabelo”
deve esquecer jamais? Perdoar é esque- e “votar”. Sugerimos que se apresentem pelo
cer? O que o professor disse na semana menos três exemplos para cada faculdade do
passada e caiu nesta prova? Como reviver intelecto, mas você pode decidir para mais ou
aquele dia tão feliz da minha vida? para menos, e até alterar os temas.

Faculdades do
Futebol Paquera Entrevista de emprego
intelecto
– Decidir com que
– Decidir a hora certa
roupa ir para a
– Decidir para qual de se aproximar da
entrevista.
jogador passar a bola. pessoa.
– Decidir a melhor
– Escolher a hora de – Escolher o assunto
Juízo maneira de
driblar o zagueiro. para começar a
cumprimentar o
– Escolher com quem conversa.
entrevistador.
você quer jogar. – Julgar se vai ou não
– Julgar o que ressaltar
ficar com essa pessoa.
no currículo.

– Tentar sentir o time – Sentir se a pessoa – Perceber qual é a


adversário, se eles em quem você está personalidade do
jogam bem, quais são interessado tem ou entrevistador, se ele
suas estratégias, seus não interesse por gosta de brincadeiras
pontos fortes e suas outra pessoa. ou piadinhas.
fraquezas. – Sentir se, neste – Sentir como é o
Percepção
– Perceber como é o momento, a pessoa clima da empresa, se é
árbitro, se é exigente, se está preparada para o bom trabalhar lá ou
é justo, se é rápido. que você tem a dizer. não.
– Sentir a vibração ou o – Sentir se ficar com – Sentir se o
descontentamento da essa pessoa realmente entrevistador gostou
torcida. vai ser legal. do que você falou.

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Filosofia – 2a série – Volume 1

Faculdades do
Futebol Paquera Entrevista de emprego
intelecto
– Deduzir o que
– Como organizar
realmente o
todas essas
– Como elaborar uma entrevistador deseja.
informaç×es.
estratégia para – Não se mostrar
– Montar uma
conquistar a pessoa. confuso na hora de
estratégia com o time,
– Deixar claras as responder às
de forma que todas as
suas intenç×es. perguntas.
Razão informaç×es disponíveis
– Saber articular as – Demonstrar que sabe
nos ajudem a ganhar.
palavras, para não articular as ideias e,
– Falar de forma clara
falar coisas que assim, convencer o
para os atacantes
deixem a pessoa entrevistador sobre
como eles devem se
constrangida. sua inteligência,
posicionar e qual é o
merecendo, portanto,
esquema de jogo.
o emprego.

– Imaginar várias
maneiras de não
– Imaginar qual vai ser
– Imaginar quais mostrar nervosismo ou
o lance se cobrar o
palavras a pessoa preocupação.
escanteio de
gostaria de ouvir. – Imaginar o que vai
determinado jeito.
– Imaginar o futuro fazer com o primeiro
– Imaginar um drible
com a pessoa amada, salário.
Imaginação diferente para agradar
como o dia do – Imaginar uma
a torcida.
casamento. maneira de mostrar
– 0 goleiro pode
– Criar uma situação que sempre teve bom
imaginar o canto
para poder ficar a sÓs desempenho escolar, o
escolhido pelo batedor
com a pessoa. que pode significar
do pênalti.
facilidade de
aprendizagem.

– Lembrar o conselho
do professor de
– Não se esquecer de
Educação Física para
– Lembrar-se de ser levar todos os
manter o fôlego.
gentil e educado. documentos pedidos.
– Lembrar outros jogos
– Não esquecer o – Lembrar de estudar
de futebol em que
nome da pessoa muito, porque é
determinado lance foi
Memória desejada. possível perder um
marcante para o seu
– Não esquecer que emprego por falar
atual desempenho.
um amor pode fazer incorretamente ou por
– Lembrar que o
a gente ser feliz ou usar gíria.
goleiro do time
triste. – Não deixar de falar
adversário costuma
nada que é importante.
mover-se antes de o
pênalti ser batido.
Quadro 2.

13
ApÓs a realização do exercício e de tecer 0s alunos poderão, ainda, elaborar um
comentários sobre ele, sugerimos algumas ques- quadro que relaciona as faculdades do inte-
t×es para ampliar a reáexão. As quest×es que se lecto com outras situaç×es diferentes das
seguem estão disponíveis no Caderno do Aluno. propostas. Nesse caso, os alunos devem
apresentar registros de acordo com regras
a) Qual faculdade nos parece mais fácil de da língua portuguesa em sua norma-padrão,
utilizar? Por quê? com coerência e adequação àquilo que foi
trabalho nesta Situação de Aprendizagem.
b) Quais são as nossas maiores diàculdades
em relação a cada uma das faculdades do Propostas de questões para avaliação
intelecto?
1. 0 que quer dizer “eu sou um ser que
c) Entre o futebol, a paquera e a entrevista pensa”?
de emprego, o que parece a você mais difícil Espera-se que o aluno compreenda a importância do ato de
em relação à percepção? Por quê? pensar como determinante da condição humana.

d) Qual dessas faculdades, no seu caso, você 2. Explique como Descartes chegou à conclu-
considera precisar ser aprimorada no caso são de sua existência.
de uma entrevista de emprego? Espera-se que o aluno apresente os argumentos de Descar-
tes, ao se basear na dúvida metódica, quando se duvida da
Essa reáexão pode ter início em pequenos veracidade do corpo, do lugar e do raciocínio, até a constru-
grupos, para garantir a participação de todos, ção do cogito (“Se duvido, eu penso; se penso, logo existo”).
e ser ànalizada com a elaboração, em folha
avulsa, de uma síntese que contemple, por 3. No trecho da obra Discurso do método,
exemplo, as faculdades a ser aprimoradas pela selecionado para leitura, Descartes escre-
maioria dos alunos da turma. veu o percurso que vai da dÙvida sistemá-
tica à certeza da existência de um sujeito
pensante. Podemos considerar, de acordo
Avaliação da Situação de com o trecho selecionado, que a obra é
Aprendizagem uma autobiograàa intelectual? Justiàque a
sua resposta.
Um produto importante desta atividade Espera-se que os alunos reconheçam que o fragmento apre-
refere-se à síntese elaborada a partir da senta características de uma autobiografia intelectual per-
reflexão sobre o quadro das faculdades e ceptível pela redação em primeira pessoa e porque a reda-
situaç×es (futebol, paquera e entrevista de ção faz o relato de uma trajetória pessoal.
emprego). Você pode considerar a partici-
pação dos alunos no processo de elaboração 0 exercício 4 está proposto no
do quadro e da reflexão sobre ele e os regis- Caderno do Aluno, na seção Você
tros de cada grupo ao responder às quest×es aprendeu? Você pode utilizá-lo
sugeridas. A síntese final também merecerá como parte da avaliação. Nesse caso, os alunos
correção e comentários de sua parte, a ser poderão entregar o exercício em folha avulsa.
divulgados para toda a classe. Procure veri-
ficar se os alunos acrescentaram palavras ou 4. A memÓria é a nossa primeira e basi-
termos desconhecidos no Meu vocabulário lar experiência com o tempo. Trata-se
filosÓfico, no final do Caderno do Aluno. de uma forma de guardar uma experiên-

14
Filosofia – 2a série – Volume 1

cia que passou. A memÓria pode ser o aluno seja capaz de, ao rever a Situação de
pessoal, coletiva ou social. 0u seja, ela Aprendizagem, desenvolver as habilidades pro-
pode se referir ao passado do sujeito, postas para o tema trabalhado, do qual destaca-
mas pode ser objetiva e se fazer presente mos o reconhecimento do aluno como sujeito
nos monumentos, nos documentos e nos racional. Nesse sentido, sugerimos a releitura
relatos histÓricos de uma comunidade do trecho da obra Discurso do método e,
e da sociedade. Dessa forma, podemos baseando-se nela, os alunos deverão produ-
associar memÓria à nossa identidade zir um poema ou uma mÙsica que refaça o
pessoal (quais experiências me levaram a trajeto do argumento de Descartes. Lembra-
ser quem sou) ou quais eventos àxados mos que a atividade proposta é apenas uma
em documentos ou expressos em alguma sugestão e que você, professor, deverá, de
manifestação artística podem ser consi- acordo com as dificuldades encontradas
derados como herança da nossa socie- pelos alunos, elaborar atividades de recupe-
dade (podemos, por exemplo, evocar os ração que julgar pertinentes.
ideais de civilização a partir das ruínas
da AcrÓpole de Atenas, que remete a
um centro de poder na (récia Antiga)a. Recursos para ampliar a perspectiva
Enàm, memÓria exige experiência. do professor e do aluno para
compreensão do tema
Com base nessa consideração, sugerimos
que os alunos escrevam as suas memÓrias, Livro
derivadas da experiência, dos aprendizados
acerca da vida escolar. 0 relato da memÓria B0SI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças
deve provocar a evocação de percepç×es do de velhos. 17. ed. Companhia das Letras, 2012.
espaço, do trajeto realizado entre a casa e a Trata-se de uma tese de livre-docência em Psi-
escola e do prÓprio espaço da escola. 0s alu- cologia Social. Recomendamos especialmente
nos devem, na sua escrita, relatar, segundo a a apresentação nomeada “0s trabalhos da
sua memÓria, as estratégias utilizadas na vida memÓria” de Marilena Chauí.
escolar e as decis×es que levaram a ser o estu-
dante que é hoje. Sites

Professor, essa atividade de caráter reáexivo U0L Educação. Biografia resumida de René
tem o sentido de acessar, por intermédio da Descartes. Disponível em: <http://educacao.uol.
memÓria, elementos que remetem à faculdade com.br/biograàas/rene-descartes.jhtm>. Acesso
da percepção, da razão e do juízo. em: 27 jun. 2013.

BRISVILLE, Jean-Claude. 0 encontro de Des-


Proposta de situação cartes com o jovem Pascal. Estudos Avançados,
de recuperação v. 5, n. 11, 11, p. 145-170. Disponível em: <http:
//www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid
A atividade proposta para a situação de recu- =S0103-40141100010000&lng=pt&nrm=
peração tem o sentido de fornecer meios para que iso&tlng=pt>. Acesso em: 27 jun. 2013.

a
Conforme I;QUIERD0, Ivan. MemÓrias. Estudos Avançados. São Paulo, v. 3, n. 6, 1. Disponível em: <http://dx.doi.
org/10.150/S0103-40141000200006>. Acesso em: 27 jun. 2013.

15
SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 2
INTR0DU¬«0 © ÉTICA
0 objetivo nesta Situação de Apren- tes, AristÓteles e Epicuro.
dizagem é proporcionar aos alunos
elementos para a reflexão ética. Vamos iniciar o trabalho com um caso de
Para melhor encaminhar o tema, você pode espancamento ocorrido no Rio de Janeiro
pedir aos alunos que pesquisem as palavras (RJ), sobre o qual àzemos um resumo de diver-
vinculadas ao tema, como “Ética”, “Moral”, sas reportagens. Esse caso permitirá uma dis-
“Virtude”, “Vício”, “Prazer”, “Dor”, “Conhe- cussão sobre as diferenças entre moral e ética,
cimento” e “Alma”, de acordo com a sugestão possibilitando maior clareza sobre o objeto da
presente no Caderno do Aluno. Esta relação reflexão ética e seus critérios. Como apoio,
pode ser ampliada conforme julgar necessário. indicamos para leitura fragmento de um texto
Sugerimos, ainda, para a introdução do tema, de Epicuro, filÓsofo que pode despertar a
que os alunos sejam orientados a fazer uma curiosidade dos alunos por causa de sua preo-
breve pesquisa biográàca dos àlÓsofos SÓcra- cupação com a questão do prazer.

Conteúdos e temas: ética moral critérios éticos SÓcrates AristÓteles virtude Epicuro hedonismo.

Competências e habilidades: para desenvolver esta Situação de Aprendizagem os alunos deverão recorrer
aos conhecimentos obtidos na escola para reáetir sobre as condiç×es de intervenção solidária na reali-
dade, que respeitem os valores humanos e a diversidade sociocultural.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas, exercícios de leitura e temas para a reáexão.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme os Cadernos do Professor e do Aluno, dicionários de
Filosoàa, sites e livros que trazem biograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: durante a realização desta Situação de Aprendizagem, a observação e as anotaç×es


a respeito da participação oral são fundamentais. Deve-se avaliar o comprometimento dos alunos em
participar das discuss×es, resolver os exercícios propostos, entregar no prazo as atividades exigidas, assim
como a lição de casa, sempre que esta for exigida, além do desempenho nas provas.

Sondagem e sensibilização – ouvir que você trabalhe um fato, ocorrido no Rio de


Janeiro, para o qual a mídia deu grande desta-
Em geral, os alunos entendem a ética que. Você pode fazer a leitura ou pedir a um
como um amplo conjunto inàndável aluno que a faça. 0 texto a seguir encontra-se
de coisas que não se deve fazer. Para no Caderno do Aluno na seção Leitura e aná-
sensibilizá-los sobre a importância da ética, lise de texto.
como base para o convívio social, sugerimos

Cinco jovens de classe alta agridem doméstica


Uma empregada doméstica, de 32 anos, foi espancada e roubada, na manhã do dia 24 de junho de
2007, quando saía do seu trabalho. 0s espancadores eram cinco jovens ricos, todos estudantes. Eles
não apresentavam sinais de ter ingerido álcool ou outra substância química.

16
Filosofia – 2a série – Volume 1

A mulher relatou à polícia que, por volta das 6h30, estava em um ponto de ônibus, perto do apar-
tamento onde trabalha e mora, para ir a uma consulta médica. De repente, saindo de um automÓvel,
os cinco jovens começaram a xingá-la e chutá-la na cabeça e na barriga. Depois, roubaram sua bolsa,
com seus documentos, 47 reais e um celular, que nem tinha sido completamente pago. ApÓs a agres-
são, ela voltou ao prédio em busca de ajuda.
Um taxista, que estava prÓximo ao local do crime, anotou a placa do carro e notiàcou a polícia,
que prendeu os jovens. 0s agressores confessaram o crime, mas nada falaram sobre os motivos que os
levaram a cometer o ato de crueldade.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

ApÓs a leitura, peça aos alunos que respon- Proponha, então, a seguinte questão: Jogar
dam, no Caderno do Aluno, às quest×es a xadrez com as regras do jogo de damas é errado
seguir, elaboradas com o objetivo de sensibi- e espancar uma mulher, ou quem quer que seja,
lizá-los para a necessidade da aplicação de é errado. Embora sejam duas situações comple-
valores éticos na avaliação dos problemas tamente diferentes, podemos usar a mesma
sociais, sobre os quais todos nÓs temos respon- palavra para as duas coisas. Então, aànal, o que
sabilidade. A atividade foi proposta para ser é o errado?
realizada em grupo, mas fica a seu critério
determinar como ela será realizada. Aprofundando a questão, você pode per-
guntar: Quantas vezes ouviram que era errado
1. Como avaliar, segundo a ética, a agressão o que faziam? Quantas vezes lhes disseram que
cometida pelos cinco jovens? aquilo era errado?
2. Como considerar a atitude do taxista no epi-
sÓdio ao alertar a polícia? Você seguiria seu 0ra, precisamos de alguns elementos para
exemplo ou iria embora da cena do crime? poder julgar de maneira adequada, pois tira-
mos as nossas certezas das explicaç×es. Nosso
Com base nessas respostas, você poderá julgamento se alimenta de respostas a pergun-
abrir um debate com a sala sobre o aconteci- tas como “Por que certas coisas são erradas e
mento descrito, além de abordar outros fatos outras são certas?”.
considerados “errados” ou “proibidos” pelos
alunos. Ética

Nesse caso, deve estar claro para os jovens Ao distinguirmos entre o que é o certo e o que
que espancar uma mulher em um ponto de é errado, entre o que é bom e o que é mau, permi-
ônibus é algo muito errado. Pensamos em tido ou proibido, e reáetirmos sobre isso, entramos
errado por ser uma palavra prÓxima da lingua- no campo da moral e da ética. No âmbito da ética,
gem dos alunos, pois será com base nessa lin- trata-se de reáetir sobre as normas e valores, ado-
guagem que estabeleceremos uma ponte com tados historicamente, que visam estabelecer
a linguagem àlosÓàca. modos de agir. Como se deve agir diante dos
outros nas mais diferentes situaç×es? A decisão de
Falando em “algo errado”, você pode lembrar como agir, embasando-se nos valores e normas
aos alunos que, quando somos crianças e come- estabelecidos por uma sociedade, nos remete à
çamos a fazer brincadeiras, as pessoas adultas noção de dever – uma noção fundamental para
muitas vezes dizem: “Não faça isso é errado”. a reáexão ética. Segundo Danilo Marcondes,

17
em Textos básicos de ética (200), dever é uma de relaç×es familiares, de religiosidade, e por
das noç×es mais fundamentais da ética. É o meio de relaç×es afetivas, oriundas dos nossos
dever que delimita e restringe as atitudes huma- círculos de amizade. Reáetir sobre esses valo-
nas pautadas apenas na satisfação de instintos res, sobre as normas e princípios que norteiam
e desejos. a nossa vida e as nossas aç×es é um exercício
ético, nem sempre fácil de realizar.
“0 homem vive em sociedade, convive com
outros seres humanos e, portanto, cabe-lhe Eventos de diferentes proporç×es podem
pensar e responder à seguinte pergunta: ‘Como tornar referenciais valores que outrora eram
devo agir perante os outros?’. Trata-se de uma pouco destacados. 0s eventos de violação da
pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de vida humana, em especial aqueles deáagrados
ser respondida”a. pelo nazismo, assim como as transformaç×es
tecnolÓgicas, econômicas e sociais ocorridas no
0 certo e o errado, o que é bom e o que é decorrer dos séculos XIX e XX, tornaram o
mau, permitido ou proibido, pode variar em respeito à dignidade humana um valor a ser
lugares e épocas distintas. Sabemos que as res- lembrado constantemente na nossa sociedade,
postas sobre como agir e sobre o dever não são um fundamento presente em importantes
Ùnicas, não apenas pela pluralidade de culturas documentos nacionais e internacionais e
e sociedades, mas também pela pluralidade de motivo de Cartas de direitos e de conferências
situaç×es. Dessa forma, é importante reconhecer que se realizam periodicamente. A Declaração
que diferentes lugares, culturas e épocas apre- Universal dos Direitos )umanos, em seus arti-
sentam distintas normas e valores e, portanto, gos, procura assegurar o reconhecimento à
diferentes formas de agir mediante situaç×es. dignidade humana em vários sentidos. 0 Bra-
sil, na sua Constituição, referenda esse princí-
No dia a dia, guiamos nossas aç×es de pio fundamental, especialmente nos artigos 1º,
acordo com valores que recebemos por meio 3º e 5º, dos quais destacamos:

Art. 1º A RepÙblica Federativa do Brasil, formada pela união indissolÙvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
[...]
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana
[...]
V - o pluralismo político.
[...]
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da RepÙblica Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária
[...]

a
Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais, ética. Brasília: Ministério da Educação – MEC / Se-
cretaria de Educação Fundamental – SEF, 17. p. 6. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf>.
Acesso em: 4 nov. 2013.

1
Filosofia – 2a série – Volume 1

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação.
[...]
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigaç×es, nos termos desta Constituição
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante

C0NSTITUI¬«0 DA REP¼BLICA FEDERATIVA D0 BRASIL.


Promulgada em 5 de outubro de 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 17 jul. 2013.

A partir desse fundamento, podemos notar essas quest×es se colocam de maneira dife-
no corpo da lei o reconhecimento de que todos rente. Nossa sugestão é que você proponha
os seres humanos devem ter a sua dignidade aos alunos uma discussão a respeito da dife-
reconhecida. Esse reconhecimento nos leva a rença entre moral e ética, mesmo sabendo que
pensar sobre o princípio que deve guiar as nos- não há unanimidade entre os àlÓsofos sobre
sas aç×es: “A ideia segundo a qual todo ser o tema. Para começar, é possível lembrar que
humano, sem distinção, merece tratamento a moral deàne o que é bom e o que é mau,
digno corresponde a um valor moral. Segundo antes das aç×es, e que a ética deàne o que é
esse valor, a pergunta de como agir perante os bom e o que é mau segundo as circunstâncias.
outros recebe resposta precisa: agir sempre de Ambas seguem princípios de ação. 0s princí-
modo a respeitar a dignidade, sem humilhaç×es pios da moral são ideais, ou seja, objetivos a
e discriminaç×es”b. Reáetir sobre o alcance da ser alcançados. 0s princípios da ética são
dignidade humana no momento em que estamos reáexivos, norteiam a reáexão na hora em que
diante do outro, reáetir sobre como essa noção precisamos agir.
de dignidade humana pode ser construída, reco-
nhecida e realizada cotidianamente nas mais Leia com os alunos o quadro a
diferentes situaç×es e como aperfeiçoar os seus seguir, que também está no Caderno
contornos, faz parte da reáexão ética. do Aluno, e discuta com eles outros
exemplos que podem ser incluídos nele. Essas
Diferença entre moral e ética informaç×es servirão de subsídios para que
eles respondam às quatro quest×es subsequen-
Pode parecer estranho perguntar o que é tes no Caderno do Aluno e à proposta de
bom e o que é mau, mas, para a Filosofia, Lição de casa.

b
Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais, ética. Brasília: Ministério da Educação – MEC / Se-
cretaria de Educação Fundamental – SEF, 17. p. 50. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf>.
Acesso em: 17 jul. 2013.

1
Moral Ética

É o que já foi decidido: ela permite tudo, desde Tudo depende: ela permite tudo, desde que não se
que não se desobedeça a princípios. faça mal a ninguém.

Correr nu pela rua não será antiético se ninguém


Correr nu pela rua é imoral, é vergonhoso. for prejudicado ou caso isso seja necessário para
defender uma vida.

Será antiético se prejudicar alguém e se for feito


Não se pode roubar.
sem ter a urgência de salvar uma vida.

Não será antiético mentir, por exemplo, se com


Não se pode mentir.
isso você estiver salvando a vida de um inocente.

São regras da vida. São reáexões sobre como agir.

Para ser moral, é preciso conhecer as regras Para ser ético, é preciso desenvolver a reáexão
morais. crítica.
Quadro 3.

Mas onde se aprendem as regras da moral? de reáex×es, o que também explica o fato de
NÓs aprendemos as regras da moral na cultura, cada àlÓsofo apresentar critérios diferentes
em geral, nas religi×es, nas leis, ouvindo ou para decidir se as coisas são boas ou más, e
conversando com pessoas que tenham mais quais os valores de cada uma dessas coisas em
experiência e conhecimento. determinado contexto. Esses critérios são
decorrentes da reáexão àlosÓàca sobre um
0nde se aprende a reáexão ética? Do ponto determinado contexto histÓrico. 0u seja, são
de vista da ética, saber o que é mau ou o que critérios práticos decorrentes dos valores
é bom depende da situação, mas isso não vigentes numa sociedade, numa época.
pode ser apenas uma interpretação pessoal:
“Eu acho que é bom e pronto”. Afinal, os 0ra, cada àlÓsofo desenvolveu seus crité-
jovens que espancaram a mulher talvez achas- rios éticos com base em sua prÓpria visão de
sem que estavam fazendo uma coisa correta, mundo. Para estudar isso, sugerimos que
por estar satisfazendo apenas seus instintos e você trabalhe com três àlÓsofos: SÓcrates,
desejos. AristÓteles e Epicuro. Como fizemos até
agora, é importante, para iniciar esse estudo,
Isso quer dizer que, para desenvolvermos você pedir aos alunos que apresentem as
a reáexão ética, temos de conhecer e aplicar informaç×es relevantes da pesquisa biográ-
critérios de escolha, que são uma espécie de fica sobre SÓcrates, AristÓteles e Epicuro,
regras do pensamento ético. 0s critérios não sugerida no início dessa Situação de Apren-
dependem do que as pessoas acham na hora dizagem. ApÓs essa breve apresentação, pas-
que têm de decidir sobre o que fazer em deter- semos aos critérios éticos que esses àlÓsofos
minada situação. Ao contrário, eles resultam pensaram.

20
Filosofia – 2a série – Volume 1

Critérios éticos

Filósofo O que é o bem? O que é o mal?

SÓcrates Conhecimento Ignorância

AristÓteles Felicidade Desequilíbrio

Epicuro Prazer Dor

Quadro 4.

Seguem alguns comentários sobre os critérios Quando alguém relata uma situação de
éticos de SÓcrates e AristÓteles. Fragmentos dos conáito, é comum dizer que tal pessoa “partiu
comentários que seguem, assim como o frag- para a ignorância”, não é mesmo? Mas o que
mento da obra de AristÓteles, estão disponíveis signiàca isso? Não daria na mesma dizer que a
no Caderno do Aluno. inteligência da pessoa não foi suàciente para
resolver seus problemas? Aqui, você tem con-
0 conhecimento àlosÓàco é histÓrico e revela diç×es de propor aos alunos que analisem suas
a interpretação singular de uma época, de uma experiências cotidianas e rememorem situaç×es
comunidade ou de um homem. Esse conheci- nas quais não reáetiram o suàciente e tomaram
mento, por sua origem e sua radicalidade, pode decis×es precipitadas.
ser considerado e compreendido fora dos limites
do seu tempo e do seu lugar de origem. Nesse 2. 0s critérios de AristÓteles
sentido, podemos nos dirigir ao pensamento de
SÓcrates, AristÓteles e Epicuro e aos critérios Como SÓcrates, AristÓteles definia o
que esses àlÓsofos estabeleceram para deànir o homem pela sua alma racional. Segundo Aris-
que é preciso considerar para uma boa ação. tÓteles, a alma pode ser dividida em partes e
essa divisão apresenta uma estreita relação
1. 0s critérios de SÓcrates com a classiàcação dos seres vivos, de tal forma
que nutrição e geração são partes da alma con-
Um dos conceitos norteadores da àlosoàa cernentes às plantas. Aos animais inferiores,
de SÓcrates é o de que a essência do homem é além da nutrição e geração, acrescenta-se o
sua alma inteligente e que fazer o bem é conhe- tato. 0s animais superiores, além da nutrição,
cer essa alma inteligente. SÓcrates considera geração e tato, apresentam, como potência da
que o conhecimento é fundamental para alma, a percepção e a locomoção. 0 homem,
podermos escolher e agir e que uma ação ou além de todas as características da alma dos
uma escolha malfeita revela falta de conheci- outros seres vivos, apresenta como faculdade
mento ou ignorância. da alma o intelecto.

Dentre as potências da alma, como dissemos, todas as mencionadas subsistem em alguns seres em
outros, sÓ algumas delas e, em alguns, apenas uma. E mencionamos como potências a nutritiva, a per-
ceptiva, a desiderativa, a locomotiva e a raciocinativa. 0ra, nas plantas subsiste somente a nutritiva,
mas, em outros seres, tanto esta como a perceptiva. E, se subsiste a perceptiva, também subsiste a deside-

21
rativa, pois desejo é apetite, impulso e aspiração e todos os animais têm ao menos um dos sentidos – o
tato – e, naquele em que subsiste percepção sensível, também subsiste prazer e dor, percebendo o praze-
roso e o doloroso e, nos que eles subsistem, também subsiste o apetite, pois este é o desejo do prazeroso.

Além disso, eles têm a percepção do alimento, pois o tato é percepção do alimento, e todos os se-
res vivos se alimentam de coisas secas e Ùmidas, quentes e frias, das quais a percepção é tato, e apenas
acidentalmente a de outras qualidades sensíveis pois o ruído, a cor e o cheiro nada acrescentam ao
alimento, e o sabor não deixa de ser um objeto do tato. Apetite é fome e sede – a fome, o apetite do que é
seco e quente a sede, do que é Ùmido e frio –, enquanto o sabor é como um tempero destas qualidades.
Mas devemos esclarecer posteriormente esse assunto. Por ora, é suàciente dizer isto: que entre os seres
vivos que possuem tato também subsiste desejo. No que se refere à imaginação, não está claro e devemos
examiná-la posteriormente. Em alguns seres vivos, além disso, subsiste também a capacidade de se loco-
mover, e em outros, ainda, a de raciocinar e o intelecto – por exemplo, nos homens e em algum outro, se
houver, de tal qualidade ou mais valioso.

ARISTÓTELES. De anima. Tradução Maria Cecília (omes dos Reis. São Paulo: Editora 34, 2006. p. 77.

Professor, apÓs ler o texto de Aris- proporcionar aos alunos a oportunidade de


tÓteles com os alunos, sugerimos exercitar a elaboração de critérios distintivos.
que preencha com eles o quadro a Neste quadro, também presente no Caderno
seguir. Tanto a leitura do trecho como o pre- do Aluno, assim como os textos que o seguem,
enchimento do quadro têm como ànalidade estão as funç×es das partes da alma:

Faculdade vegetativa Faculdade sensitiva Faculdade intelectiva

Funções de apetites, movimentos


Funções biológicas Função racional
e sensações

Sensaç×es físicas Pensar


Nutrição e geração Fantasias e desejos Raciocinar
Tato Conhecer

Quadro 5.

No que se refere às potências e capacidades política, o ser humano atinge a sua felicidade
da alma, AristÓteles entende que elas devem ser com os outros indivíduos, exercitando e aper-
desenvolvidas tendo em vista uma ànalidade. feiçoando a moral e a organização política. A
Nesse sentido, todos os seres vivos buscam moralidade, assim, seria uma forma de realiza-
passar de um estado de imperfeição para o ção da natureza humana. Trata-se de uma ação
estado de perfeição, situação em que realizam prática que os indivíduos devem efetivar ao
as suas potencialidades e capacidades prÓprias. lado de outros seres humanos.
No caso do ser humano, por sua riqueza de
potencialidades e capacidades, ele se realiza A felicidade completa do homem depende
sendo feliz. Dada a sua natureza racional e da realização de todas essas funç×es da alma.

22
Filosofia – 2a série – Volume 1

Mas, segundo uma ordem de importância, a entre o excesso e a falta. A sabedoria, nesse
faculdade intelectiva, ou seja, a inteligência, sentido, consiste na capacidade de discernir, de
deve governar todas as funç×es. acordo com as circunstâncias, a justa medida.
Para melhor compreender essa relação entre a
A ação adequada, a partir da ética de Aris- ação virtuosa e a justa medida, AristÓteles
tÓteles, deve buscar o equilíbrio, a justa medida traça um paralelo entre as virtudes e a saÙde:

Em primeiro lugar, temos que observar que as qualidades morais são de tal modo constituídas que são
destruídas pelo excesso e pela deàciência, como percebemos ser o caso do vigor e saÙde do corpo (pois para
lograr esclarecimento acerca de coisas invisíveis é preciso utilizar a evidência de coisas visíveis). 0 vigor é
destruído tanto pelo excesso de exercícios quanto pela deàciência destes e, analogamente, a saÙde é destruída
tanto por alimento e bebida em demasia quanto pela deàciência destes, que em quantidades adequadas a
produzem, aumentam e preservam. 0 mesmo, por conseguinte, se revela verdadeiro em relação à temperan-
ça, à coragem e às outras virtudes. Aquele que foge de tudo tomado pelo medo e jamais suporta qualquer
coisa se torna um covarde aquele que não experimenta medo diante de coisa alguma e tudo enfrenta se
torna temerário. De maneira análoga, aquele que cede a todos os prazeres e não se contém diante de ne-
nhum se converte num libertino, enquanto aquele que se afasta de todos os prazeres, como fazem os indiví-
duos rudes, se torna o que pode ser qualiàcado como [um indivíduo] insensível. Assim, a temperança e a
coragem são destruídas pelo excesso e pela deàciência e preservadas pela observância da mediania.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução Edson Bini. 3. ed. Bauru: Edipro, 200.

Exercício

Para melhor compreender os critérios sugerimos que leia com os alunos o quadro a
de AristÓteles em relação à virtude, seguir, que também está no Caderno do Aluno.

Virtudes (atitudes que


Vício por deàciência Vício por excesso
levam à felicidade)
Coragem: saber enfrentar os Temeridade: não ter medo de
Covardia: ter medo de tudo ou
medos e perigos, calculando a nada e se arriscar em todas as
deixar que o medo domine.
hora de agir. situaç×es de perigo.

Insensibilidade: não desejar Temperança: saber usar os Libertinagem: viver somente


nada e ser insensível. prazeres sem se prejudicar. atrás de prazeres.

Avareza: jamais gastar o


Liberalidade: saber gastar o Esbanjamento: nunca
dinheiro e querer guardar
dinheiro, escolhendo onde economizar com nada, gastar
sempre o que tem, além de
gastá-lo. sem pensar.
ganhar mais.

Vileza: nunca usar nada bonito


Magniàcência: saber usar coisas Vulgaridade: exagerar nas
– roupa, por exemplo – e
bonitas. coisas bonitas.
criticar os outros por isso.

23
Virtudes (atitudes que
Vício por deàciência Vício por excesso
levam à felicidade)
Respeito próprio: reconhecer
Modéstia: achar que é menor Vaidade: preocupar-se apenas
seus defeitos e suas qualidades
que os outros, ou mais feio, com sua grandiosidade e jamais
e não deixar as pessoas
ou errado. aceitar seus defeitos.
diminuírem sua autoestima.

Indolência: nunca fazer


Prudência: saber a hora e
nada para si e para os outros, Ambição: ir atrás de suas coisas,
como agir para alcançar seus
procurando sÓ o que é mais sem pensar em nada.
objetivos.
fácil.

Irascibilidade: deixar que as


Indiferença: ignorar as pessoas Gentileza: ser agradável com emoç×es tomem conta, a ponto
completamente. todas as pessoas, conter a raiva. de ser violento com as pessoas,
nas palavras e nas aç×es.

Veracidade: ser verdadeiro


e receber crédito por isso, Orgulho: achar-se melhor que
Descrédito próprio: não se
conhecer seus limites, saber que os outros, nunca aceitar
achar bom em nada.
é bom em alguma coisa e que precisa dos outros.
que não é bom em outras.

Rusticidade: nunca usar a Agudeza de espírito: saber


Zombaria: humilhar quem não
inteligência para viver, agindo usar a inteligência de modo
tem habilidades intelectivas.
sempre por instinto. brilhante.

Condescendência: querer ser


Enfado: ser chato, pesado, Amizade: saber se relacionar
amigo de todos, perdoar tudo
incapaz de dizer uma coisa boa com as pessoas por meio do
de todos, nunca ver maldade
para as pessoas. afeto e da inteligência.
nos outros.

Desavergonhamento: mostrar Timidez: ter medo de mostrar


Comedimento: saber como se
tudo o que tem a ponto de não seus sentimentos e seus
mostrar para os outros.
sobrar nada para si. pensamentos para os outros.

Malevolência: não se importar


Justa indignação: saber quando Inveja: não aceitar que as
com a maldade e usá-la a seu
uma coisa está certa ou errada. pessoas tenham sucesso.
favor.
Quadro 6.

Depois de apresentar o quadro de virtudes, Por que o “meio-termo” pode ser caracterizado
divida seu conjunto entre os grupos, abrindo como um critério de conduta ética?. Você pode
uma discussão sobre as virtudes e os vícios cor- pedir, ainda, que eles apresentem exemplos de
respondentes. ApÓs o debate, você pode pedir virtudes e vícios baseando-se na proposta de
aos alunos que respondam à seguinte questão: exercício que se encontra no Caderno do Aluno.

24
Filosofia – 2a série – Volume 1

Ler ainda que a primeira atividade seja reali-


zada como lição de casa, ou como um tra-
3. 0s critérios de Epicuro balho a ser entregue em folha avulsa. Nesse
caso, você poderá usar a pesquisa como
Professor, sugerimos que leia em avaliação de processo. Sugerimos que con-
sala o texto “Algumas máximas de sulte o Caderno do Aluno e verifique se as
Epicuro”. 0 trecho a seguir encon- quest×es relativas ao tema atendem às suas
tra-se também no Caderno do Aluno. ApÓs expectativas acerca da Situação de Apren-
uma breve discussão, peça aos jovens que dizagem. Lembramos que você pode acres-
respondam às quest×es 2 a 7 do Caderno do centar, adaptar ou mesmo substituí-las por
Aluno, incluídas apÓs o trecho. Sugerimos outras relativas ao tema.

Algumas máximas de Epicuro

I. Aquele que disp×e de plenitude e de imortalidade não tem inquietaç×es, nem perturba os ou-
tros por isso está isento de impulsos de cÓlera ou de benevolência, já que tudo isso é prÓprio
de quem tem fraquezas.
II. A morte nada é para nÓs. Com efeito, aquilo que está decomposto é insensível e a insensibi-
lidade é o nada para nÓs.
III. 0 limite da amplitude dos prazeres é a supressão de tudo que provoca dor. 0nde estiver o
prazer, e durante o tempo em que ele ali permanecer, não haverá lugar para a dor corporal
ou o sofrimento mental, juntos ou separados.
IV. A dor contínua não dura longamente na carne. A que é extrema permanece muito pouco
tempo e a que ultrapassa um pouco o prazer corporal não persiste muitos dias. Quanto às
doenças que se prolongam, elas permitem à carne sentir mais prazer do que dor.
[...]
VIII. Nenhum prazer é em si mesmo um mal, mas aquilo que produz certos prazeres acarreta
sofrimentos bem maiores do que os prazeres.
IX. Se todo prazer pudesse ter se acumulado, não sÓ persistindo no tempo, mas também
percorrendo a inteira composição do nosso corpo, ou pelo menos as principais partes de
nossa natureza, então os prazeres não difeririam entre si.
[...]
XVII. 0 justo desfruta de plena serenidade o injusto, porém, está cheio de maior perturbação.
[...]
XXIII. Se combates todas as tuas sensaç×es, nada disporás de referência nem mesmo para discernir
corretamente aquelas que julgas deverem ser rejeitadas.
[...]
XXVII. De tudo aquilo de que disp×e a sabedoria para a felicidade de toda nossa vida, de longe o
mais importante é a preservação da amizade.

EPICUR0. Máximas principais. Tradução João Carlos K. Quartim de Moraes.


São Paulo: Ediç×es LoZola, 200. (Clássicos da Filosoàa).

25
Para Epicuro, como se pode entender pelos 4. 0 mal dura pouco. 0 mal é a dor e dura
excertos apresentados, o prazer é o princípio pouco o máximo que ela pode fazer é levar
ético da vida seu critério para o que é o bem é à morte, que, no fundo, é nada. Quando a
o prazer, e o seu critério para o que é o mal é a dor termina, começa o prazer.
dor. Segundo o àlÓsofo, todos os prazeres são
bons, embora uns sejam melhores do que 0 trecho que você acabou de ler
outros. sobre as quatro recomendaç×es de
Epicuro também está no Caderno do
Mas como saber qual é o melhor prazer? De Aluno, em Leitura e análise de texto, com ati-
acordo com a ideia de que, ao àm de cada pra- vidades concernentes ao tema. 0 mesmo enca-
zer, existe uma dor, e ao àm de cada dor existe minhamento da atividade de leitura anterior
um prazer, devemos escolher os prazeres que pode ser considerado neste momento.
duram mais, pois estes afastam por mais tempo
as dores. Exercício

Epicuro fez, ainda, recomendaç×es precisas 0 que pode acontecer depois? Sugerimos,
sobre como chegar à felicidade: agora, que você oriente os alunos a analisar as
reáex×es de Epicuro, e, a partir delas, considerar
1. Não tenha medo dos deuses. 0s deuses são a cada desejo duas quest×es: 0 que acontecerá
felizes, e seres felizes não estão preocupa- caso ele se concretize? E se não se concretizar?
dos com a vida dos outros. Em seguida, peça que identiàquem um desejo e
preencham o quadro, no qual apresentamos
2. Não tenha medo da morte. A morte nada alguns exemplos. 0 exercício pode ser feito em
mais é do que a separação dos átomos. sala ou em casa, para discussão na aula seguinte.
No Caderno do Aluno, há esse mesmo quadro
3. 0 prazer está à disposição de todos. Ele é o com espaços para que os alunos desenvolvam
àm das dores e o sossego. as prÓprias reáex×es.

O que vai acontecer depois O que vai acontecer se


Qual é o desejo? Qual é o caminho?
que ele for realizado? ele não for realizado?

Ler os classiàcados,
Ser Vou poder melhorar
estudar as Vou manter o meu
contratado minhas condiç×es
possibilidades poder de compra
por uma ànanceiras, conhecer
e as demandas e diàcilmente terei
empresa ou outras pessoas e
para conseguir ser novas experiências
mudar de enriquecer meu
contratado e atuar signiàcativas.
emprego. repertÓrio de vida.
na função desejada.

26
Filosofia – 2a série – Volume 1

O que vai acontecer depois O que vai acontecer se


Qual é o desejo? Qual é o caminho?
que ele for realizado? ele não for realizado?

Vou àcar com


Vou melhorar minhas notas baixas
notas, ampliarei e perder a
a minha visão oportunidade de
de mundo e terei me desenvolver
Estudar muito. mais segurança ao nos estudos,
Vou ter de adequar argumentar. Dessa meu repertÓrio
a minha rotina forma, poderei argumentativo
Aprender
para me dedicar à ser reconhecido, diàcilmente será
Filosoàa.
leitura dos textos até mesmo ampliado e com
dos àlÓsofos e seus profissionalmente, isso posso perder
comentadores. e, assim, poderei oportunidades de
ampliar as minhas me sair melhor
possibilidades de em redaç×es
evoluir na carreira e entrevistas
escolhida. de emprego,
concursos etc.

Quadro 7.

Avaliação da Situação de 3. Assinale a alternativa correta que indica


Aprendizagem a condição que leva à virtude, segundo
AristÓteles:
Procure observar o progresso da reáexão ética
a partir dos exercícios orais e escritos realizados a) prazer.
pelos alunos. b) dor.

Propostas de questões para avaliação c) equilíbrio.


d) leis.
1. Qual é a diferença entre moral e ética?
É necessário que os alunos percebam que ética é uma refle- e) desejo.
xão sobre o agir, cuja responsabilidade cabe ao indivíduo
pensante, ou seja, ele mesmo. Quanto à moral, o fundamen- ApÓs essa breve abordagem sobre as intrín-
tal é que seja definida em razão de seu aspecto normativo. secas relaç×es entre moral e ética, indique para
os alunos uma releitura do texto “Cinco jovens
2. 0 que são e para que servem os critérios de classe alta agridem doméstica”. Na sequên-
da ética? cia, os alunos devem escrever um artigo, no
Espera-se que o aluno responda que critérios éticos resultam modelo de artigo de jornal, comentando o caso
de reflexões sobre o modo de agir humano, das quais resul- e as reáex×es éticas que ele pode suscitar com
tam indicações para orientar a conduta. base nos àlÓsofos estudados.

27
Proposta de situação (0NU). Declaração Universal dos Direitos
de recuperação Humanos, 14.

0s alunos que eventualmente não apresen- BRASIL. Ministério da Educação / Secretaria


tarem resultados correspondentes às expecta- da Educação Básica, Fundo Nacional de
tivas de aprendizagem aqui apontadas deverão Desenvolvimento da Educação. Ética e cidada-
reler, sob sua orientação, os textos de apoio nia: construindo valores na escola e na socie-
indicados e refazer as atividades propostas, as dade. Brasília: MEC/SEB, 2007.
quais poderão ser modiàcadas em função das
diàculdades detectadas. BRASIL. Ministério da Educação / Secretaria
de Educação Fundamental. Parâmetros Curri-
culares Nacionais: apresentação dos temas
Recursos para ampliar a perspectiva transversais, ética. Brasília: MEC/SEF, 17.
do professor e do aluno para
compreensão do tema
Filme
Livros
'ilosoàa um guia para a felicidade. Brasil. TV
MARC0NDES, Danilo. Textos básicos de Escola. (Disponível em: <http://tvescola.mec.
ética: de Platão a Foucault. 4. ed. Rio de gov.br/index.php?item_ d=66&option=com_
Janeiro: Jorge ;ahar, 200. zoo&view=item>. Acesso em: 4 set. 2013.) 0s
vídeos desta série podem servir de apoio às
BRASIL. Constituição da RepÙblica Federa- discuss×es sobre a construção dos critérios
tiva do Brasil, 1. éticos, apresentando, de forma didática, as
ideias de vários àlÓsofos, inclusive daqueles
0R(ANI;A¬«0 DAS NA¬ºES UNIDAS aqui trabalhados.

SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 3
A LIBERDADE
A liberdade é uma questão ética por exce- Para iniciar esta Situação de Aprendizagem,
lência, constituindo tema fundamental para você pode retomar o material de imprensa já
ser trabalhado na faixa etária dos alunos utilizado, novamente tratando o episÓdio em
matriculados no Ensino Médio. Compreen- pauta, mas sempre orientando a discussão de
der o elevado sentido da liberdade, identiàcar modo a evitar o sensacionalismo que, com fre-
seus limites e defender sua necessidade para quência, caracteriza grande parte do noticiário
a plena realização da condição humana cons- escrito e, principalmente, televisivo, quando
tituem passo essencial no caminho da cons- tratam de temas dessa natureza. Sugerimos,
t r u ç ã o d a c i d a d a n i a , e m g e ra l , e n o para sensibilizar os alunos para a temática
desenvolvimento da consciência de cada abordada, uma breve pesquisa sobre a vida e a
aluno, em particular. obra de Jean-Paul Sartre.

2
Filosofia – 2a série – Volume 1

E, para trazer mais subsídios para palavras relativas ao tema, como “Liberdade”,
esta Situação de Aprendizagem, há, “Responsabilidade”, “Convívio” e “Projeto”.
no Caderno do Aluno, a atividade Essa pesquisa pode ser ampliada de acordo
de Pesquisa individual sobre o signiàcado de com o que você, professor, julgar pertinente.

Conteúdos e temas: conceito de liberdade em Jean-Paul Sartre.

Competências e habilidades: o objetivo desta Situação de Aprendizagem é estimular o exercício e o desen-


volvimento de habilidades como a compreensão da dinâmica da liberdade e seu exercício solidário. Com
esta proposta, procura-se incentivar o desenvolvimento de competências relacionadas à sistematização
de ideias e sua diferenciação, por meio da leitura àlosÓàca, de outros tipos de textos, além de valorizar
o exercício da pesquisa investigativa.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas, exercícios de reáexão e leitura, exibição de àlme.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme os Cadernos do Professor e do Aluno, dicionários de
Filosoàa, sites e livros que trazem biograàa de àlÓsofos. Além disso, equipamento para a projeção de àlme.

Sugestão de avaliação: como toda a tarefa é realizada em sala de aula, a observação e as anotaç×es a
respeito da participação oral são fundamentais. A correção dos exercícios e a organização do Caderno
do Aluno são fundamentais para avaliar o processo de ensino-aprendizagem.

Sondagem e sensibilização – é possível fazer e aquilo em que não podemos


diálogo e escrita – a vontade interferir, pois não depende da vontade
humana. ApÓs o debate, sugerimos uma reáe-
Inicialmente, você pode lembrar aos alunos xão sobre determinismo e destino para intro-
que a construção de um mundo melhor neces- duzir a temática da liberdade.
sita do uso da razão, o que nos leva a pergun-
tar: Quais caminhos ainda precisam ser trilhados Para a reáexão
para que as nossas ações sejam pautadas, antes
de tudo e principalmente, pelo respeito e pela 1. Destino e determinismo
solidariedade? É possível intervir sempre para
que fatos e eventos não causem infelicidade e A ideia de destino signiàca que o homem
transtornos? não pode escolher para onde vai, ou até o
que fazer, mesmo que seja contra a sua von-
Com esse questionamento, você pode orga- tade. Algo fora dele decidirá, e não há nada
nizar um debate. Comece, com a classe divi- que ele possa fazer para mudar seu futuro ou
dida em pequenos grupos, elencando as alterar seu presente. Essa ideia foi introdu-
hipÓteses que serão debatidas por todos. zida na Filosoàa pelos estoicos. Para eles,
havia uma causa necessária para tudo, ou
No contexto do debate, você poderá ques- seja, o mundo inteiro segue certas leis, as
tionar os alunos sobre a viabilidade de cada quais obrigam as pessoas a agir e morrer sem
caminho para um mundo melhor, sobre o que poder decidir por si.

2
0 texto a seguir está no Caderno do Aluno e pode ajudar na orientação do debate.

Destino, segundo o dicionário de Filosoàa, é um “poder mais ou menos personiàcado capaz de gover-
nar tudo o que existe no universo e de determinar, de uma vez por todas e irremediavelmente, tanto o curso
geral dos acontecimentos quanto o devir da histÓria humana”1. 0 destino, de acordo com essa deànição,
nos remete à ideia de que a vida e a morte assim como toda a ação humana não dependem apenas da von-
tade. Essa perspectiva encontra adeptos em diferentes épocas, culturas e lugares. Na (récia Antiga, por
exemplo, as Moiras comandavam o início e o àm da vida. Elas eram representadas por uma tríade de mu-
lheres em que a primeira, Láquesis, dava início à “àação da vida”. Cloto torcia o ào, ou seja, manipulava o
enredo da vida, e a Ùltima, ¦tropos, cortava o ào. Se nos reportarmos às narrativas da tragédia, notaremos
que, na condição do herÓi, havia a intervenção dos deuses, ou seja, de um poder que acabava conduzindo
o herÓi, por mais que este procurasse escolher os seus caminhos.
A perspectiva de que há um poder capaz de governar e determinar o mundo e os homens pode ser
observada fora do contexto dos deuses e das tragédias gregas. 0s pensadores estoicos, por exemplo,
concebem que há, na realidade natural, uma força maior que conduz tudo e todos, até mesmo os ho-
mens. 0 destino, nesse caso, assume o aspecto de determinismo em que as causas naturais não podem
ser superadas ou transgredidas. 0s estoicos defendiam também um sistema de vida composto por três
partes: a LÓgica, a Física e a Ética. Nesse sistema, as partes estão intrinsecamente ligadas por um elo
comum, o lógos. A natureza, dessa forma, constituída de razão, pode ser entendida como um elemen-
to divino que tudo reÙne e determina e, assim, inviabiliza qualquer possibilidade de acontecimento
espontâneo. Segundo o estoicismo, os homens não são livres para decidir entre uma alternativa ou
outra a liberdade do homem está ligada à capacidade que ele tem de aperfeiçoar suas reaç×es diante
do mundo exterior e dos acontecimentos que ele não pode mudar.
Por àm, a perspectiva da Ciência que visa explicar, pela relação causa-efeito, o comportamento humano.
No século XIX, o àlÓsofo francês )ippolZte Taine, discípulo de Auguste Comte, aàrmava que não somos li-
vres, mas determinados pelo momento, pelo meio e pela raça2. 0 determinismo, dessa forma, nega o livre-ar-
bítrio e considera a vontade humana uma ilusão, pois as nossas aç×es não são espontâneas, mas necessárias.
1
JAPIASS¼, )ilton MARC0NDES, Danilo. Dicionário básico de 'ilosoàa. 3. ed. rev. e ampl.
Rio de Janeiro: Jorge ;ahar, 16. p. 67. (Verbete “destino”).

2
Fonte: ARAN)A, Maria LÙcia de A. MARTINS, Maria )elena P. Temas de 'ilosoàa. 2. ed. São Paulo: Moderna, 12. p. 131.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Essa ideia de causa necessária, posteriormente de um destino, embora cheguem a concordar


aplicada à Ciência, signiàca que tudo tem uma com a ideia de que as pessoas fazem escolhas
causa e um efeito. condicionadas por determinaç×es histÓricas,
sociais e até por pequenos motivos pessoais.
)á, na histÓria da Filosoàa, pensadores que Tais determinaç×es acabam contribuindo para
não concordam com a perspectiva determinista criar um evento, uma ação ou ocorrência.

30
Filosofia – 2a série – Volume 1

2. Liberdade sobre as condiç×es e possibilidades de ação,


tomando como base uma reflexão sobre a
Pensar sobre o destino pode ser problemati- liberdade, sugerimos um exercício.
zado com perguntas sobre nossa liberdade. Com
base na pesquisa sobre o signiàcado da palavra Com o objetivo de facilitar a ativi-
“liberdade” e o texto apresentado, peça aos dade, organizamos alguns itens que
alunos que respondam à seguinte questão, pro- designam condiç×es de vida. Cada
posta no Caderno do Aluno: A existência de item permite discutir uma situação da vida,
limites signiàca ausência de liberdade? para a qual os alunos terão a necessidade de
pensar os limites e as possibilidades de sua
Reáita com os alunos que, se não houvesse liberdade. 0 quadro que segue também é pro-
liberdade, seríamos incapazes de mudar a prÓpria posto no Caderno do Aluno na seção Leitura
vida e tudo dependeria do que está fora de nÓs. e análise de texto. Contudo, se preferir, você
pode pedir aos alunos que registrem as reáe-
Limites da liberdade x×es em folha avulsa para serem consideradas
como avaliação de processo.
Para termos uma dimensão mais reáetida

Os limites – O que não se As possibilidades – O que se


Condições
consegue fazer? consegue fazer?

Idade

SaÙde

Espaço – lugar onde você


mora, estuda ou trabalha

Sua condição econômica

Seus conhecimentos

Seu convívio com outras


pessoas

Imaginação e projetos

Trabalho

Estudos

Quadro .

31
A seguir, veja alguns comentários a respeito liberdade. No caso da família, por exem-
dos itens do quadro, que podem auxiliá-lo na plo, diferenciar o que se pode ou não fazer
condução da atividade. quando se é menino ou menina: Quem tem
mais direitos (e quais)? Quem tem mais
f Idade: neste item, o critério não é partir do obrigaç×es (e quais)? Como diferenciar as
ponto de vista da lei (maioridade ou meno- normas de namoro para meninos e para
ridade civis), mas em relação ao que se faz meninas? É preciso lembrar, ainda, que
cotidianamente. Por exemplo, há àlmes proi- podemos encontrar amigos que ajudam
bidos para menores de 16 anos, mas muitos nosso desenvolvimento, incentivando-nos
adolescentes de 14 anos conseguem assistir a a crescer e a sermos mais livres.
eles de madrugada, sem que os pais se impor- f Imaginação e projetos: aqui, a liberda-
tem. 0 que um menino de 16 anos consegue de encontra uma valiosa fonte de forças.
fazer é diferente do que um menino de  anos, Mesmo que os nossos sonhos, as coisas
ou do que um homem de 0 anos consegue, que imaginamos e os nossos projetos nos
até mesmo do ponto de vista da força física. obriguem a várias renÙncias, é pela ima-
f Saúde: em relação a este item, o raciocínio é ginação que temos a construção primeira
o mesmo. Por exemplo, se o aluno tem pro- da nossa realização como seres livres. É
blemas nos joelhos, talvez não possa praticar ela que nos permite ir a lugares aos quais
esportes que, na sua prática, exijam grandes ninguém pode nos proibir de ir, ajudando
esforços dessa parte do corpo. Contudo, po- a antecipar os resultados de nossos pro-
demos considerar que esse tipo de limitação jetos e incentivando-nos a desenvolvê-los.
pode despertar outras habilidades. f Trabalho: agora, qual seria a relação do
f Espaço: a relação com o espaço também trabalho com a liberdade? Para tratar da
garante possibilidades e limitaç×es. 0 que questão, é preciso considerar o local de tra-
se pode fazer e o que não se pode fazer nos balho, o cansaço que ele provoca, o tempo
lugares por onde andamos, moramos, estu- que se leva para chegar até ele, os horários
damos ou trabalhamos. a serem cumpridos etc. Além disso, o sa-
f Condição econômica: este é um forte instru- lário que se ganha permite o desenvolvi-
mento analítico para pensar sobre a liber- mento do trabalhador ou sÓ serve para sua
dade de escolha. Isso não quer dizer que sobrevivência?
os alunos mais pobres tenham menos liber- f Estudos: se o conhecimento é o caminho da
dade, mas sim que tenham menos opç×es liberdade, o estudo é a fonte. 0 que você
materiais, por exemplo. vai conseguir fazer com os seus estudos: ler
f Conhecimentos: podem oferecer valiosos re- melhor, escrever melhor, falar melhor, ar-
cursos para a realização da liberdade, pois rumar um emprego? 0 que mais? E quanto
dotam melhor o indivíduo para que ele se às limitaç×es do estudo, o que você deixa
relacione com o mundo. Insista com os alu- de fazer para estudar?
nos que a ignorância aprisiona as pessoas,
ao passo que saber escolher melhor os cami- A partir dessas consideraç×es, pretendemos
nhos, saber tocar um instrumento musical, levar o aluno a entender os condicionantes da
saber escrever uma boa redação, tudo isso, liberdade em relação às opç×es de escolha.
por exemplo, oferece ao indivíduo que tem
conhecimentos mais condiç×es de escolha, Agora, mais uma vez, é importante lembrar
se comparado àquele que sabe pouco. a liberdade que você, professor, tem para acres-
f Convívio com outras pessoas: este também centar outras categorias e modificar as
é um espaço valioso para pensar sobre a sugeridas.

32
Filosofia – 2a série – Volume 1

Ler – A liberdade de fazer-se

Sartre e a compreensão da liberdade


Segundo Jean-Paul Sartre, a existência precede a essência. Esse princípio da àlosoàa existencialista
de Sartre quer dizer que os homens não possuem uma essência anterior que revele a sua verdadeira
natureza. Ao aàrmar que a existência precede a essência, Sartre quis dizer que cada indivíduo está inse-
rido no mundo e o mundo, muito mais do que aspectos naturais, abarca as relaç×es familiares e sociais,
relaç×es afetivas e materiais dentro de um determinado contexto histÓrico. A existência, nesse sentido,
depende da conduta que cada um assume em relação aos diferentes fatores que caracterizam o mundo
em que vivemos. Dessa forma, os homens são o que fazem no decorrer das suas vidas. Assim, para o
existencialismo sartreano, nem a natureza e seus determinismos nem Deus podem explicar de antemão
os homens, suas histÓrias e suas escolhas. Isto porque os homens, pelas suas escolhas, dentro de um
determinado contexto de possibilidades, constroem-se a si mesmos. É por intermédio da liberdade de
escolha que os homens se fazem. A liberdade de fazer-se signiàca que a liberdade não é um conceito
abstrato, mas uma atitude concreta e identiàcável, a liberdade é uma característica básica da existência
humana e, sendo assim, é preciso assumir a liberdade que nos deàne ou aprender a ser livre. Admitir a
liberdade como base da existência humana signiàca que devemos atuar no sentido de realizar o nosso
projeto de vida, signiàca não assumir um papel social determinado de antemão por outros, signiàca,
por àm, assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazemos e, assim, ser responsável pelo que se é.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Comentários sobre o texto para nÓs. Podemos sempre repetir: “Não


importa o que àzeram de mim, o que importa
A mais profunda liberdade é poder escolher é o que eu faço com o que àzeram de mim”.
o que somos e não apenas o que fazemos. NÓs
escolhemos um projeto para nÓs mesmos, o Mas ninguém é livre sozinho. Para nos
que Sartre chama de compromisso. NÓs nos fazermos e refazermos, precisamos de outros
comprometemos com nossos valores, gostos, com as mesmas possibilidades. É a liberdade
sonhos, desejos e projetos. Sobre o que somos dos outros que garante a nossa liberdade. Ima-
e o que seremos, nÓs decidimos. A razão disso gine se ninguém fosse livre a não ser você seria
tudo é a liberdade, que nos permite nos tornar- como um jogo de futebol em que todos os
mos um tipo de pessoa, voltar atrás ou mudar demais jogadores estivessem presos ao chão.
para outra direção. Que gosto teria jogar sozinho, sem ter alguém
para comemorar ou entristecer-se conosco,
A liberdade exige cada vez mais liberdade, partilhando conquistas e derrotas?
liberdade de ser o indivíduo que queremos –
bons, felizes, tristes, inteligentes, cultos, espor- Quanto mais livres são os outros, mais livres
tistas, verdadeiros, fingidos, torcedores nÓs somos. Cada um, com sua liberdade, pode
fanáticos de um time de futebol, mães solteiras inventar a si mesmo e, assim, reinventar o mundo,
etc. Liberdade de escolha – mesmo com limites, as cidades, os grupos, lembrando, sempre, que a
pautando-se por nossa vida, nÓs decidimos se violência entre os homens começa quando alguém
precisamos e queremos a criação de outra vida não respeita a liberdade do outro.

33
Exercício importante, é dar subsídios aos alunos para
uma reáexão sobre as consequências das aç×es
ApÓs a leitura do texto, a atividade do humanas.
Caderno do Aluno, que faz parte da
seção Leitura e análise de texto, pro- 0utra possibilidade é a projeção de um dos
p×e o seguinte questionamento: Você entende àlmes da trilogia De volta para o futuro (dire-
que o existencialismo sartreano promove a valo- ção de Steven Spielberg, 15, 1, 10) ou,
rização do homem? Justiàque a sua resposta. Esse então, de Minority report – A nova lei (do
exercício de reflexão poderá ser entregue em mesmo diretor, 2002).
folha avulsa ou poderá ser um tema de debate,
conforme você julgar mais pertinente. Antes de começar a exibição, peça aos alu-
nos que assistam ao àlme com o caderno e a
Atividades de pesquisa caneta em mãos, anotando dados para respon-
der às seguintes quest×es:
Sugerimos, para melhor entendi-
mento do tema, uma atividade que f Nomear e descrever, sucintamente, as prin-
está proposta como Pesquisa em cipais personagens, com vistas a captar os
grupo no Caderno do Aluno. Para realizar a traços essenciais de sua personalidade
pesquisa, os alunos precisam buscar duas repor- f Nas passagens que mais chamam a atenção
tagens em que a liberdade das pessoas aparece dos alunos, eles devem tentar reter algumas
respeitada e duas em que essa liberdade é repri- frases essenciais (oriente-os a se preocupa-
mida ou ignorada. Peça que recortem as maté- rem mais com o sentido delas do que com
rias e colem numa folha avulsa. Caso algum sua transcrição literal)
aluno selecione reportagens de TV, oriente-o a f Recolher dados para descrever, no caso do
escrever um pequeno resumo sobre elas. 0s personagem principal, qual sua capacidade
alunos precisam ser lembrados sobre a impor- especial e quais as consequências de suas
tância de se indicarem as referências em todos atitudes.
os casos.
Lembramos que, no Caderno do Aluno, há
Em sala, os alunos devem apresentar o uma àcha e quest×es para serem respondidas,
assunto jornalístico, discuti-lo e analisar as caso você opte por projetar um dos filmes
raz×es que os levaram a selecionar aquela sugeridos.
matéria. Ao ànal, peça que emitam um julga-
mento sobre como transformar o respeito à Ao ànal da projeção, você pode pedir
liberdade em prática constante. aos alunos que exercitem a imaginação
e realizem a atividade Lição de casa do
Projeção de àlme Caderno do Aluno, que prop×e a questão: Se você
pudesse voltar no tempo, quais mudanças imprimiria
Você pode, ainda, projetar o àlme Efeito em sua vida?. Esse exercício tem o objetivo de
borboleta (direção de Eric Bress e J. MacLZe ampliar a reáexão sobre o tema e servirá de base
(ruber, 2004), que trata de um jovem dotado para as discuss×es das etapas seguintes.
do poder de voltar ao passado, mas que, ao
tentar modiàcar a sua histÓria, acaba criando Depois disso, sugerimos que os alunos leiam
novas situaç×es no futuro. 0 objetivo da em voz alta o texto sobre sua “viagem ao pas-
apresentação do filme, além de propiciar a sado” e as mudanças que tentariam fazer em
frequência a uma manifestação cultural relação ao futuro. 0 objetivo central é estimulá-

34
Filosofia – 2a série – Volume 1

-los a reáetir sobre as consequências de suas ati- e) Pensar em um projeto para nossa vida.
tudes em relação ao presente e, principalmente,
ao futuro, além de exercitar a oralidade. Professor, além dessas quest×es, há,
na seção Você aprendeu? do
Caderno do Aluno, uma proposta
Avaliação da Situação de de atividade para que eles, com base no que
Aprendizagem aprenderam na Situação de Aprendizagem,
façam uma poesia, uma mÙsica, ou uma histÓria
0 objetivo desta Situação de Aprendizagem foi em quadrinhos que aborde um dos pontos do
levar os alunos a reáetir sobre a liberdade. Quanto tema estudado.
à avaliação do aprendizado, você poderá baseá-la
tanto nas discuss×es em sala quanto na leitura dos
textos escritos. É importante – sempre – veriàcar Proposta de situação
aspectos relacionados às atitudes de cada um no de recuperação
que diz respeito ao trabalho realizado. Como recuperação, você pode reler os tex-
tos com os alunos e refazer os exercícios. 0
Propostas de questões para avaliação objetivo central para a recuperação é a com-
preensão do conceito de liberdade.
1. Existem limites para a liberdade? Exempliàque.
Esta questão trata dos limites da liberdade e o que se espera
como resposta são exemplos, como os do quadro já apresen-
tado neste Caderno.
Recursos para ampliar a perspectiva
do professor e do aluno para a
2. Registre um exemplo de situação cotidiana
compreensão do tema
na qual uma condição de limitação à liber-
Livro
dade individual de um jovem foi superada
por ele, de modo a favorecer uma atitude SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um
que beneàciou não apenas a ele, mas tam- humanismo. Tradução Vergílio Ferreira. 4. ed.
bém os colegas de sua turma na escola. Lisboa: Editorial Presença, s/d. Além da tradu-
Espera-se que seja relatada uma situação que demonstre a com- ção da obra de Sartre, destacamos o relevante
plexidade da cultura escolar no interior da qual os jovens preci- texto introdutÓrio, que aborda a Fenomenologia,
sam aprender a lidar com limites e afirmações de sua identidade. o Existencialismo e o engajamento político
de Sartre.
3. Assinale as atitudes que podem aumentar a
nossa liberdade. Filme
a) Estudar e estimular as faculdades do Ventos da liberdade (The wind that shakes the
nosso intelecto. barley). Direção: Ken Loach. Alemanha/Espa-
nha/França/Itália/Irlanda, 2006. 126 min. 12
b) Criar um plano em que a moral possa anos. 0 àlme trata da histÓria de dois irmãos que
àcar de fora. se unem na luta armada contra a força militar
inglesa, para a libertação da Irlanda. Com a pro-
c) Reáetir sobre nossa vida. posta inglesa de um acordo de paz, os irmãos,
unidos pelo objetivo inicial, passam a divergir,
d) Diminuir a liberdade dos outros. tornando as relaç×es fraternas difíceis.

35
SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 4
AUT0N0MIA
Até o momento, você trabalhou com os você poderá desenvolver nos alunos a capaci-
alunos temas e conteÙdos que podem levá-los dade de pensar a autonomia, entendida como
a desenvolver a capacidade de se perceberem uma espécie de legislação particular do indiví-
como seres que pensam. Em seguida, mostrou- duo, ou seja, as normas de conduta que ele cria
-lhes que há critérios de escolhas para todas as para si mesmo. Já que todos podemos escolher
aç×es humanas e, ànalmente, discutiu a liber- sempre, é importante fazermos a constante
dade como reáexão e prática de vida. reáexão sobre nossas regras pessoais: Como
podemos criá-las e com base em quais
Agora, nesta Situação de Aprendizagem, critérios?

Conteúdos e temas: autonomia heteronomia Kant imperativos hipotéticos imperativo categÓrico.

Competências e habilidades: o objetivo geral desta Situação de Aprendizagem é o desenvolvimento das


habilidades de leitura, pesquisa, escrita e organização de ideias de modo investigativo, relacionadas à
construção da autonomia. 0 que se procura com esta proposta é incentivar o desenvolvimento de com-
petências que possibilitem a construção de normas éticas por meio da reáexão.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas e exercícios de reáexão e leitura.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme os Cadernos do Professor e do Aluno, dicionários de
Filosoàa, sites e livros que trazem biograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: observação da participação e da organização do Caderno do Aluno. Como toda


a tarefa é realizada principalmente em sala de aula, a observação das anotaç×es e da participação oral
dos alunos é fundamental. A correção dos exercícios e a organização do Caderno do Aluno são pontos
importantes para a avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

Sondagem e sensibilização – delas são escritas outras já fazem parte do


diálogo – normas da vida nosso entendimento comum do mundo, ou
seja, fazem parte de uma tradição.
Diálogo – Normas da vida
A escola, por exemplo, está cheia de regras, e
Para iniciar esse tema, você pode pedir você pode aproveitar esse ambiente para discutir
aos alunos que pesquisem a biograàa o tema. São normas que vão do uso do boné ao
de Immanuel Kant e que busquem uso do banheiro, sobre a preservação do silêncio
em diferentes dicionários (de Filosoàa) o signià- quando o professor está falando, que proíbem a
cado das palavras “Autonomia”, “)eteronomia”, “cola” na prova, além de muitas outras. Em casa,
“Imperativo CategÓrico” e “Imperativo )ipoté- também, há muitas regras, como as que discipli-
tico”, conforme proposto em atividade de Pes- nam o uso da TV e do som, as que exigem res-
quisa individual do Caderno do Aluno. peito à limpeza do lar, as que orientam a
distribuição de tarefas e responsabilidade domés-
Em todos os lugares, existem sempre muitas ticas. Até entre os amigos deve haver normas que
normas, disciplinando quase tudo. Algumas possam preservar o respeito mÙtuo e a amizade.

36
Filosofia – 2a série – Volume 1

As normas são criadas pela ináuência dos se manifesta quando seguimos leis que nÓs mes-
costumes das sociedades ou por quem detém a mos estabelecemos com base na razão e indepen-
autoridade. Nem sempre, porém, a tradição, as dente de outras motivaç×es além da prÓpria razão.
normas ou a legislação são capazes de nos A heteronomia está atrelada às normas que foram
orientar em nossas escolhas. estabelecidas de acordo com as concepç×es de
consciência e bem-estar. Nesse sentido, com base
Autonomia e heteronomia na àlosoàa Lantiana, os homens, por serem racio-
nais e viverem em sociedade e segundo normas de
Segundo o Dicionário básico de Filosofia, a convivência, pautam as suas aç×es pela autonomia
palavra autonomia signiàca liberdade política, da vontade e/ou por heteronomia.
autodeterminação e capacidade de governar a si
mesmo. De acordo com a àlosoàa Lantiana, auto- Para uma abordagem mais aprofundada
nomia “é o caráter da vontade pura que sÓ se sobre a ética, indicamos a leitura dos
determina em virtude de sua prÓpria lei, que é textos a seguir. 0 texto 1 traz breves
conformar-se ao dever ditado pela razão prática e consideraç×es sobre como o debate ético está ins-
não por interesse externo”a. A heteronomia, ao taurado em nosso cotidiano. 0 texto 2, presente
contrário, signiàca que a lei a que se obedece é de no Caderno do Aluno na seção Leitura e análise
origem externa. “Em Kant, por oposição à auto- de texto, é um fragmento em que Kant explica o
nomia da vontade, a heteronomia compreende Imperativo CategÓrico e o Imperativo )ipotético.
todos os princípios da moralidade aos quais a Enfatizamos, neste caso, que o bom entendimento
vontade deve submeter-se: educação, constituição do tema e a leitura signiàcativa do texto depende-
civil”b etc. Dessa forma, a autonomia da vontade rão do seu apoio e das suas intervenç×es.

Texto 1
Um critério para nossas escolhas

Em geral, trazemos para quest×es éticas os grandes debates, tais como o aborto, a pena de morte
e a utilização de animais para testes cientíàcos. Esses e outros temas de grande magnitude certa-
mente devem ser tocados pelos debates éticos. Contudo, as aç×es corriqueiras do nosso cotidiano
são reveladoras das nossas crenças e dos nossos critérios de escolha e, portanto, devem ter parte
na reáexão ética. A forma de tratar os colegas, os professores, os pais e as pessoas desconhecidas
que cruzam o nosso caminho revela os nossos valores e os nossos critérios de ação. Por exemplo:
Quando nos deparamos com alguma diàculdade, quais são os nossos critérios para decidir o que
fazer? Consideramos critérios individuais ou de solidariedade? Critérios racionais ou emocionais?
Para o àlÓsofo Immanuel Kant, as nossas aç×es devem ter como critério o dever moral. É o
dever moral, fundado na razão, que nos eleva à condição de seres morais, ou seja, que nos permite
abrandar o nosso egoísmo, a nossa ambição e a busca desenfreada pelos prazeres. Kant traz as re-
áex×es éticas para a prática, para as aç×es que demandam escolhas. 0 poder de tomar decis×es no
âmbito da vida humana, Kant chama de “arbítrio”.

“Imaginemos que um homem cometa um crime, um assassinato. De fato, ele pode tentar se eximir
da culpa pelo que fez alegando que foi levado a isso por forças maiores, e que por isso ele ‘não teve

a
JAPIASS¼, )ilton MARC0NDES, Danilo. Dicionário básico de Filosoàa. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Jorge ;ahar, 16. p. 21.
b
Ibidem, p. 126.

37
escolha’. Pode aàrmar, por exemplo, que foi criado num ambiente violento e desumano, ou que foi
tomado por uma ira incontrolável naquele momento determinado, ou ainda que ouviu vozes de ins-
tâncias sobrenaturais ordenando o ato... É bem possível que essas alegaç×es, se conàrmadas, sirvam
eventualmente como atenuantes de sua responsabilidade. Mas ele jamais escapará da acusação de
que, por ser ele um ser humano e tomar decis×es a partir de um arbítrio humano, poderia ter tomado
a decisão de resistir a todas as forças, por maiores que fossem, que o ‘conduziram’ ao crime.”1

1
RE(0, Pedro Costa. Kant, a revolução copernicana na Filosoàa. In: LIM0N(I, Maria Isabel de Magalhães P. et al.
0rganização e prefácio Vinícius de Figueiredo. Seis àlósofos na sala de aula.
São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2006. p. 17-10. (FilÓsofos na Sala de Aula).

Texto 2
Fundamentação da metafísica dos costumes

Na natureza, tudo funciona de acordo com certas leis. Somente um ser racional tem a faculdade de
agir de acordo com a representação das leis, isto é, de acordo com princípios, ou seja, usando sua von-
tade. Uma vez que a dedução de aç×es a partir de princípios demanda razão, a vontade nada mais é do
que a razão prática [...] a vontade é a faculdade de escolher aquilo que somente a razão, independente de
inclinaç×es, reconhece como algo necessário na prática, ou seja, como algo bom. Porém, se a razão por
si sÓ não é suàciente para determinar a vontade, esta estará, por sua vez, sujeita a condiç×es subjetivas
(impulsos individuais), que nem sempre coincidem com as condiç×es objetivas em resumo, se a vontade
não estiver totalmente de acordo com a razão (o que, em realidade, acontece entre os homens), então
as aç×es, objetivamente reconhecidas como necessárias, são subjetivamente contingentes, e a determi-
nação da vontade de acordo com leis objetivas é uma obrigação [...]. A representação de um princípio
objetivo, no sentido de ser obrigatÓrio para uma vontade, é chamada comando (da razão), e a fÓrmula
do comando é chamada imperativo. Todos os imperativos são expressos pelo verbo deve (ou deverá) [...].
Assim, todos os imperativos são ordens hipotéticas ou categÓricas. A forma hipotética representa
a necessidade prática de uma ação possível como meio para chegar-se a algo que é desejado (ou, pelo
menos, algo que pode vir a ser desejado). 0 imperativo categÓrico seria aquele representado por uma
ação necessária em si, sem referência a outros àns, ou seja, como objetivamente necessária.
[w] todos os imperativos são fÓrmulas para determinar uma ação que seja necessária de acordo com
o princípio da boa vontade, sob certos aspectos. Se, portanto, a ação é boa apenas como meio para se
chegar a algo, então o imperativo é hipotético se for concebida como boa em si mesmo e, consequente-
mente, como necessária e dentro do princípio de uma vontade ajustada à razão, então ela é categÓrica.
[w] 0 imperativo categÓrico que declara uma ação como objetivamente necessária em si mesmo,
sem referência a qualquer outro propÓsito, isto é, sem qualquer outro àm, é válido como um princípio
apodítico (prático).

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Disponível em: <http://ia700400.us.archive.org/35/items/


cu312402021546/cu312402021546.pdf>. Acesso em: 4 nov. 2013. Tradução Eloisa Pires.

Professor, o pequeno trecho a seguir tam- entendimento sobre a distinção entre impera-
bém pode auxiliar os alunos para um melhor tivo categÓrico e imperativo hipotético. 0

3
Filosofia – 2a série – Volume 1

texto e o exercício que segue a ele estão no maior apreensão do assunto, destacamos que
Caderno do Aluno, na seção Leitura e análise você pode indicar para os alunos outras leitu-
de texto. Pela complexidade do tema e para ras complementares.

Immanuel Kant é um àlÓsofo que nos ajuda a pensar as quest×es éticas e a problematizar regras morais.
Esse àlÓsofo distinguiu diferentes possibilidades para analisarmos as relaç×es entre vontade, razão e ação.
Kant chamou de imperativos os mandamentos da razão que se relacionam com uma vontade. E
deàniu dois imperativos centrais: imperativo hipotético e imperativo categÓrico.
0 imperativo hipotético representa a necessidade de uma ação como meio de alcançar qualquer
objetivo que se queira.
0 imperativo categÓrico é a ação necessária por si mesma, universal, e, como tal, válida para todos
os homens.
Essa distinção é interessante para questionarmos nossas aç×es e nossos princípios morais, sobretudo
tomando-se por base esta pergunta: 0 que considero válido para mim é válido para todos os homens?

Fonte: KANT, Immanuel. A metafísica dos costumes. Tradução Edson Bini. Bauru: Edipro, 2003.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Exercício pessoas consigam esses objetivos. No exemplo


“passar no vestibular”, eu e todas as pessoas
Este exercício tem por objetivo a prática da devemos estudar muito para atingir o obje-
reflexão crítica a respeito dos imperativos tivo. Por àm, oriente os alunos a escrever uma
hipotéticos. Você pode pedir aos alunos que norma que sirva para eles e para todas as
anotem de dois a cinco objetivos pessoais pessoas – por exemplo, “para passar no ves-
quaisquer, como “passar no vestibular”, “con- tibular, devemos estudar muito”.
seguir um emprego”, “ajudar a manter a
escola limpa” etc. Depois, considere com eles Você pode usar o esquema a seguir para
o que é preciso fazer para que eles e todas as dinamizar o exercício.

Qual é o objetivo? Passar no vestibular.

O que é preciso para você e todas as pessoas


Devemos estudar muito.
conseguirem isso?
Para passar no vestibular, devemos estudar
Imperativo hipotético:
muito.

Qual é o objetivo? Visitar todos os museus da cidade.

Devemos organizar o nosso tempo e nos


O que é preciso para você e todas as pessoas
informar sobre o horário de funcionamento de
conseguirem isso?
cada museu.
Para visitar todos os museus da cidade, devemos
Imperativo hipotético: organizar o nosso tempo e nos informar sobre o
horário de funcionamento dos museus.
Quadro .

3
Como Lição de casa, de acordo cínio com os seus objetivos pessoais. 0utros
c o m e x e r c í c i o p ro p o s t o n o exemplos que podem estimular os alunos
Caderno do Aluno, você pode são conseguir um bom emprego e fazer
solicitar aos alunos que continuem o racio- faculdade.

Objetivo: Conseguir um bom emprego.

Para conseguir um bom emprego, eu e todas as


Fazer um curso técnico ou uma faculdade.
pessoas do mundo devemos:
Para conseguir um bom emprego, devemos fazer
Imperativo hipotético:
um curso técnico ou uma faculdade.
Quadro 10.
No quadro seguinte, o que era condição hipotética torna-se objetivo.

Objetivo: Fazer faculdade.

Para fazer faculdade, eu e todas as pessoas do


Estudar e passar no vestibular.
mundo devemos:
Para fazer faculdade, devemos estudar e passar
Imperativo hipotético:
no vestibular.
Quadro 11.

Esse exercício proporcionará a àxação do rico, você pode explicar que ele não tem
conteÙdo e das habilidades de reáexão crítica conteÙdo especíàco ele é uma norma formal.
e ética, o que é fundamental para a formação Apresente a formulação que segue e peça que
integral do aluno. os alunos se manifestem oralmente sobre o
assunto. 0 trecho e o exercício que seguem a
Reáetir – Imperativo categórico ele fazem parte da atividade de Leitura e
análise de texto do Caderno do Aluno.
Para trabalhar o imperativo categÓ-

“[...] age com base em uma máxima que também possa ter validade como uma lei universal.”

KANT, Immanuel. A metafísica dos costumes. Tradução Edson Bini. Bauru: Edipro, 2003.

Essa frase de Kant pode ser apresentada de forma mais simples:


• “Aja de acordo com uma norma que também possa valer para todos.”
0u ainda:
• “©quilo a que você deve obedecer, os outros também devem obedecer.”
• “©quilo a que você não deve obedecer, os outros também não devem obedecer.”
0bserve a seguinte formulação:
• “Toda vez que eu sentir raiva, darei um soco na pessoa que me irrita.”

40
Filosofia – 2a série – Volume 1

Considere, para o raciocínio, que essa lei deve ser praticada por todos:
• “Todas as vezes que as pessoas sentirem raiva, darão um soco na pessoa que as irrita.”
Considere outro ponto de vista, com base nesse raciocínio:
• “Todas as vezes que eu irritar uma pessoa, ela deve me dar um soco.”
• “Todas as vezes que minha mãe irritar alguém, ela deve levar um soco.”
• “Todas as vezes que a pessoa que eu amo irritar uma pessoa, ela deve levar um soco.”
Contudo, considerando que eu não quero levar socos quando irritar alguém, não devo criar uma
regra que sÓ valha para quem gostamos ou para quem não gostamos. Por isso, podemos refazer a
fÓrmula inicial, como:
• “Todas as vezes que eu sentir raiva, não devo socar quem me irrita.”
Portanto, o raciocínio pode continuar a ser invertido:
• “Todas as vezes que as pessoas sentirem raiva, não devem socar quem as irrita.”
• “Todas as vezes que minha mãe irritar uma pessoa, ela não deve levar um soco.”
• “Todas as vezes que a pessoa que eu amo irritar uma pessoa, ela não deve levar um soco.”
Assim funciona o imperativo categÓrico, como forma que serve para guiar a nossa vontade. 0 bem
surge à medida que nÓs legislamos sobre a nossa conduta em relação à conduta de todas as pessoas.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Exercício Avaliação da Situação de


Aprendizagem
ApÓs essa breve abordagem, os alunos
devem ser convidados a deànir imperativo Professor, a Avaliação da Situação de
categórico e imperativo hipotético. Professor, Aprendizagem deve ter como base a recepção
no Caderno do Aluno há uma proposta para e a qualidade com que os alunos responderam
o exercício dos conceitos trabalhados. Segue aos exercícios indicados por você.
exemplo das sentenças que devem ser com-
pletadas, com base em uma reáexão sobre Propostas de questões para avaliação
máximas que podem ser universalizadas.
Veriàque no Caderno do Aluno as sentenças No Caderno do Aluno, na seção Você
propostas e, se julgar necessário, acrescente aprendeu?, os alunos terão à disposi-
outras. ção as quest×es 1 e 2 de mÙltipla
escolha. Você poderá utilizá-las como parte da
f “Todas as vezes que erro, devo procurar avaliação. Nesse caso, peça aos alunos que entre-
me corrigir, porque quero que as pessoas guem a atividade em folha avulsa, acrescentando
corrijam seus erros.” a necessidade de justiàcar as opç×es assinaladas.
f “Todas as vezes que as pessoas erram, devo Seguem as quest×es mencionadas:
procurar perdoar e compreender, porque,
quando eu erro, quero ser perdoado e 1. Qual das frases a seguir pode ser conside-
compreendido.” rada fruto do imperativo categÓrico?
f “Todas as vezes que falo, devo falar a
verdade, porque quero que as pessoas falem a) Toda vez que uma pessoa cometer um
a verdade para mim.” erro, não devo compreendê-la.

41
b) Quando for ofendido, devo me vingar. Proposta de situação de recuperação
c) Sempre que precisar, agirei com falsidade. Sugerimos que os alunos em situaç×es que
exigem recuperação da aprendizagem ou
d) Darei esmolas sem pensar. reforço refaçam todos os exercícios sobre os
imperativos e conceituem “autonomia”, ofere-
e) Quando eu falar, não devo mentir. cendo exemplos concretos conforme os referi-
dos no Caderno ou outros que você considerar
2. Assinale a frase que contém um imperativo oportunos.
hipotético.

a) Não matarás. Recursos para ampliar a perspectiva


do professor e do aluno para
b) Se eu quiser um bom emprego, devo compreensão do tema
fazer faculdade.

c) Se abrir, feche. Livros

d) 0 homem sábio sabe ouvir. DELEU;E, (illes. Para ler Kant. Tradução
Sônia Dantas P. (uimarães. Rio de Janeiro:
e) A liberdade é o direito de fazer o que se Francisco Alves, 176.
quer.
LIM0N(I, Maria Isabel de Magalhães P.
3. Apresente alguns exemplos de situaç×es et al. 0rganização e prefácio Vinícius de
nas quais você se percebe uma pessoa com Figueiredo. Seis àlósofos na sala de aula: para
autonomia. Justiàque sua resposta. ler Platão, Maquiavel, Descartes, Voltaire,
Espera-se que o aluno responda com situações do seu coti- Kant e Sarte. São Paulo: Berlendis & Vertec-
diano e argumente justificando seu entendimento de que chia, 2006. (FilÓsofos na Sala de Aula).
essas situações são experiências de autonomia.
MARC0NDES, Danilo. Textos básicos de
4. Qual é a importância de um conceito como ética: de Platão a Foucault. 4. ed. Rio de
o imperativo categÓrico? Janeiro: Jorge ;ahar, 200.
O imperativo categórico é uma lei ética formal. Ela afirma
que o nosso agir deve ser pautado por uma lei que possa ser- TERRA, Ricardo. Kant e o direito. Rio de
vir a todas as pessoas. Janeiro: Jorge ;ahar, 2004. (Filosoàa Passo a
Passo).
5. Discuta a frase “As pessoas devem fazer suas
prÓprias normas, por meio da reáexão”, Filme
problematizando sua realização prática.
Espera-se que o aluno reflita sobre a frase, apresentando fato- Videoaula: Kant e o século XXI. I Curso de
res que impedem não apenas a reflexão por parte de algumas Humanidades. A filosofia alemã de Kant a
pessoas, como também a importância, em muitas situações, Nietzsche. Acervo Educacional TV Cultura.
de aceitarmos normas propostas por nossos coletivos justa- São Paulo/Editora Bearare, 200. Disponível
mente para o nosso bem. O pensamento reflexivo deve ser em: <http://www.espacoetica.com.br/videos/44-
valorizado não apenas para elaborarmos nossas normas, mas -videoaula-kant-e-o-seculo-xxi>. Acesso em: 27
também para aceitarmos normas alheias, quando necessário. jun. 2013.

42
Filosofia – 2a série – Volume 1

SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 5
INTR0DU¬«0 © TE0RIA D0 INDIV±DU0

0 objetivo desta Situação de Aprendizagem No início das atividades, serão tratados


é desenvolver com o aluno uma reáexão ética a os seguintes tÓpicos: O que sou? e O indivíduo
respeito da ação e conceituação do indivíduo. na perspectiva de John Locke. Em seguida,
Para isso, apresentaremos o pensamento de prop×e-se uma reáexão sobre o pensamento
John Locke e dos àlÓsofos utilitaristas, em espe- utilitarista com base em um excerto de
cial JeremZ Bentham e John Stuart Mill. JeremZ Bentham.

Conteúdos e temas: John Locke liberdade utilitarismo John Stuart Mill JeremZ Bentham prazer dor.

Competências e habilidades: almeja-se desenvolver nos alunos a capacidade de reáetir criticamente, a


àm de capacitá-los a vivenciar a ação ética, moralmente aceita na sociedade. Para isso, é necessária a
competência do reconhecimento do estatuto ético do indivíduo.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas e atividades de leitura e reáexão.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme o que está sugerido nos Cadernos do Professor e do
Aluno, dicionário de Filosoàa e livros ou sites que fornecem biograàa e bibliograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: deve-se avaliar o comprometimento dos alunos em participar das discuss×es,
resolver os exercícios propostos e em entregar no prazo as atividades exigidas para pesquisa e como lição
de casa, além do desempenho nas provas.

Sondagem e sensibilização – As quest×es que se seguem estão disponíveis


Ouvir e dialogar – O que sou? no Caderno do Aluno e têm o objetivo de pro-
vocar os alunos a reáetir sobre a autoimagem
Professor, nesta Situação de Aprendizagem e os diferentes aspectos que podem assumir a
vamos ampliar as nossas reáex×es acerca do nossa condição sÓcio-histÓrica.
reconhecimento do estatuto ético do indivíduo.
Dessa forma, sugerimos, para sensibilizar os a) 0 que diferencia você de seus colegas de
alunos sobre o tema, uma pesquisa sobre a classe? Você identiàca algumas características
vida e a obra de John Locke, John Stuart Mill que o distinguem de seu grupo de colegas
e JeremZ Bentham. e amigos? Quais são?

Sugerimos também que pesquisem b) 0 que aproxima você de seus colegas? Você
o signiàcado de alguns termos per- identiàca algumas características que são
tinentes ao tema proposto, como comuns a você e seus colegas e amigos?
“Utilitarismo”, “Indivíduo”, “Contratua- Quais são?
lismo” e “Teoria Liberal”, e registrem o resul-
tado dessa pesquisa no Caderno do Aluno.

43
Procure orientar a reáexão dos alunos com jos”. Diante disso, outra proposta interessante
o intuito de fazê-los pensar em sua individua- é fazê-los pensar se existem outras abordagens
lidade e, em certa medida, na individualidade sobre os homens das cavernas. Você, profes-
alheia, além, é claro, de analisarem a relação sor, poderá trazer informaç×es iniciais a res-
entre nossa individualidade e os grupos aos peito para a sala de aula e posteriormente
quais pertencemos. Por meio dessa sondagem, orientar para uma pesquisa aprofundada.
você poderá encaminhar suas aulas sobre os
conceitos de indivíduo, contextualizando as Para John Locke, assim como para outros
respostas dos alunos nas prÓprias discuss×es pensadores como Thomas )obbes e Jean-
e abordagens. Jacques Rousseau, os homens, antes de se
organizarem em sociedade, viviam em uma
Com base em um entendimento comum situação chamada “estado de natureza”. A
da nossa condição de indivíduos, reáita com hipÓtese de um período originário como esse
os alunos sobre a convivência. Cada indiví- tem o sentido de auxiliar a refletir sobre os
duo é Ùnico e tem suas particularidades. motivos que levaram os homens a se organizar
)istoricamente temos ampliado a necessi- e viver em sociedade.
dade de buscar liberdade, autonomia para
realizar sonhos, desejos e fazer valer interes- Locke entendia que, para compreender o
ses. Mas como realizar as necessidades e os poder político, deveríamos refletir sobre as
desejos individuais na convivência com os motivaç×es que teriam levado os homens a sair
outros que trazem consigo os prÓprios desejos do estado de natureza e passar a viver em
e necessidades? Com a valorização da subje- sociedade com a organização de governos e leis
tividade e com a elevação dos valores indivi- para regular suas relaç×es.
duais, tornou-se importante justificar e
argumentar acerca do indivíduo e da convi- Segundo Locke, no estado de natureza os
vência. Afinal, o que leva o indivíduo a se homens eram livres e, dessa forma, não depen-
organizar em sociedade? diam de outros homens para conduzir a prÓpria
vida. Todos eram iguais, pois nenhum possuía
Dialogar – O contrato – John Locke nada a mais que outro, recebendo todos as mes-
mas vantagens da natureza e as mesmas
Para a prÓxima atividade, peça aos alunos faculdades.
que tragam de casa uma pequena biograàa de
John Locke. Você pode anotar na lousa os No estado de natureza, para Locke, os
principais dados pesquisados, completando-os homens vivem situação de paz. Porém, quando
sempre que achar necessário. um homem procura submeter outro à sua von-
tade, instala-se o estado de guerra que sÓ pode
Em seguida, e para aprofundar o tema que ser amenizado e/ou evitado com a adesão de
será trabalhado, você pode fazer um exercício todos os homens a um contrato. Dessa forma,
de reáexão sobre os “homens das cavernas”: os governos são criados pelos homens para que
Que ideia geralmente se tem sobre eles? a vida e a liberdade sejam garantidas. Contudo,
se os governos falham nessa missão, os homens,
Como você sabe, na maioria dos casos, são segundo Locke, podem se revoltar. Na quali-
apenas imagens estereotipadas, que os caracte- dade de livres por natureza, podem contestar
rizam como “violentos e brutos, preocupados um governo injusto e não são obrigados a
apenas em satisfazer, imediatamente, seus dese- acatar as suas decis×es.

44
Filosofia – 2a série – Volume 1

Proposta para debate análise de texto. Em seguida, abra um debate


a partir das quest×es que seguem o texto. )á
Professor, apÓs introduzir o tema, também, no Caderno do Aluno, um breve
sugerimos que leia com os seus alu- texto de “aprofundamento” e um espaço para
nos os fragmentos da obra Segundo registrarem suas opini×es e a dos colegas, que
tratado sobre o governo civil, de Locke, repro- pode, a seu critério, servir de base para uma
duzidos a seguir e que também estão disponí- redação com as principais posiç×es discutidas
veis no Caderno do Aluno na seção Leitura e e assumidas no debate.

Do estado de natureza

Para compreender corretamente o poder político e deduzi-lo a partir de sua origem, devemos con-
siderar em qual estado se encontram naturalmente todos os homens, ou seja, um estado de liberdade
perfeita para ordenar suas aç×es e regular suas posses e pessoas como acharem conveniente, dentro dos
limites da lei da natureza, sem necessidade de pedir permissão ou depender da vontade de outro homem.

Um estado, também, de igualdade, no qual todo poder e justiça são recíprocos, sem que um tenha
mais do que outro evidentemente, seres da mesma espécie e posição, nascidos aleatoriamente para
usufruir de todos os benefícios da natureza e do uso das mesmas faculdades, devem também ser iguais
entre si, sem que haja subordinação ou sujeição, exceto quando o senhor e mestre de todos eles ex-
presse seu desejo por meio da declaração de sua vontade de colocar um acima do outro e conferir ao
primeiro, por meio de uma designação clara e evidente, o direito ao domínio e à soberania.

[...]

Do estado de guerra
[...]

E, portanto, aquele que tentar submeter outro homem ao seu poder absoluto coloca-se, dessa forma,
em estado de guerra com esse homem. Essa atitude deve assim ser entendida como uma declaração de que
visa a controlar sua vida. Pois tenho razão em concluir que aquele que me subjuga em seu poder, sem meu
consentimento, faria uso de mim como desejasse quando me encontrasse sob seu poder e também iria me
destruir quando assim desejasse fazê-lo, pois ninguém pode desejar subjugar-me a seu poder absoluto,
exceto para forçar-me a fazer algo que é contra meu direito de liberdade, isto é, fazer de mim um escravo.

Estar livre de tal força é a Ùnica garantia de minha preservação e a razão faz-me percebê-lo como um
inimigo de minha preservação, alguém que me privaria daquela liberdade que protege tal preservação
logo, aquele que tentar escravizar-me irá colocar-se, dessa forma, em estado de guerra comigo. Aquele
que, no estado de natureza, retirasse a liberdade que pertence a qualquer um em tal estado deve necessa-
riamente ser considerado como possuidor de um desejo de retirar todas as demais coisas, já que a liber-
dade é o alicerce de tudo o que existe. Tal como aquele que no estado de sociedade retirasse a liberdade
pertencente aos membros daquela sociedade ou do bem comum deve ser considerado como alguém que
deseja tirar deles tudo o que resta, e assim ser visto como em estado de guerra.

[...]

45
Da propriedade
[...]

Apesar de a terra e todas as demais criaturas serem comuns a todos os homens, cada homem possui
uma propriedade sobre sua prÓpria pessoa. A ela, ninguém tem direito, exceto ele prÓprio. 0 trabalho
de seu corpo e a criação de suas mãos, podemos dizer, são apropriadamente seus. Qualquer coisa que ele
retire do estado em que a natureza a tenha criado e dessa forma deixado revela a mescla de seu esforço
a tal coisa, transformando-a em algo que agora lhe pertence, tornando-a assim sua propriedade. Por ter
sido retirada do estado comum no qual a natureza a colocou e porque algo foi adicionado a tal coisa
por meio do trabalho, isso exclui o direito comum de outros homens. Por ser tal esforço de propriedade
inquestionável de seu executor, nenhum homem além dele pode ter direito ao que ele criou, ao menos en-
quanto houver o bastante e enquanto boas condiç×es forem deixadas em comum para outros homens.
L0CKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Disponível em: <http://goo.gl/1EphIA>. Acesso em: 16 out. 2013.
Tradução Eloisa Pires..

f Se cada um é livre, tem o direito à proprie- sitivas – no sentido de inventá-las – para


dade e à defesa da prÓpria vida, como nÓs manutenção desses mesmos direitos natu-
não acabamos em uma situação de guerra rais. Assim, com base no direito natural
de todos contra todos? de cada um, cria-se o direito positivo a
f Caso uma pessoa não tenha o que precisa, que todos têm de obedecer.
o que a impede de tomar de outro o que
lhe falta?
f Por que tenho de respeitar a liberdade do 0 mais importante para esta etapa é deixar
outro? claro que, na filosofia de John Locke, há a
valorização do indivíduo como agente histÓ-
rico e jurídico.

Aprofundando Por isso, toda ação depende necessariamente


do indivíduo. 0 tipo de governo que ele deixa
Para aprofundarmos ainda mais o tema é existir, o tipo de relaç×es sociais sob as quais viverá,
importante diferenciar o direito natural do di- o conhecimento que deverá produzir enàm, sua
reito positivo. Esses dois conceitos são funda- felicidade ou tristeza não competem mais ao rei ou
mentais para a sua formação cidadã. 0 direito ao senhor feudal, mas somente ao indivíduo.
natural seria uma derivação da razão correta
– assim como a natureza tem suas leis, o ho- Exercício
mem também teria, por natureza, as suas. Já
o direito positivo seria o conjunto de leis que Professor, para reáetir acerca da necessidade
os homens criam para conviver em sociedade. de regras e acordos para o convívio em sociedade,
Em Locke, a liberdade, a propriedade propomos uma atividade que também consta no
e a vida são constitutivos do direito natu- Caderno do Aluno na seção Desaào!
ral de cada indivíduo. No entanto, para
mantê-lo, o homem precisa conviver com Peça aos jovens que se imaginem partici-
outros que têm o mesmo direito natural pando de uma excursão alguns anos antes. 0
então, para que o convívio seja possível, avião em que viajavam teve de fazer pouso
os homens necessitam produzir leis po- forçado em uma ilha deserta e eles sobrevive-

46
Filosofia – 2a série – Volume 1

ram apenas com a roupa do corpo. Durante fragmentos e nas explanaç×es sobre os princípios
anos, brigaram por alimentos, água e relacio- àlosÓàcos de Locke. Na apresentação dos alunos,
namentos amorosos. Enàm, depois de perde- deve ser destacada a importância da participação
rem a esperança de ser resgatados, resolveram dos indivíduos na discussão e na elaboração das
viver em paz, em busca da felicidade comum. normas que devem servir para todos.

Mas e agora? Como conviver pacifica- Ao ànal da apresentação, os grupos deve-


mente? Todos precisam fazer acordos e regras. rão submeter as suas propostas de leis para
Peça que resolvam com os colegas os desaàos votação relativa a cada item discutido. 0s alu-
propostos a seguir: nos poderão registrar no Caderno do Aluno,
no espaço destinado a essa atividade, as leis
f partilha do alimento, da água, da terra para com maior índice de aprovação.
plantio, da pesca e da caça (lembrando que
não há muitos desses recursos na ilha)
f casas, madeiras para construção, folhas de Ler – o indivíduo utilitarista
árvores e cipÓs para amarração
f família, educação dos àlhos, casamento e Para esta etapa, é importante ter em mãos
separação pequenas biografias de JeremZ Bentham e
f crimes, roubos, homicídios, mentiras, cons- John Stuart Mill. Aqui, você pode optar por
tituição do tribunal de julgamento pedir aos alunos que as pesquisem em casa.
f trabalho, comércio, sistemas de trocas e
de valor (por exemplo, como determinar o Neste momento, trataremos do indi-
valor de cinco peixes grandes em relação à víduo concebido pelo utilitarismo,
construção de uma cabana). que se diferencia do indivíduo pensado
por Locke. Para isso, vamos ler um excerto de
Em seguida, peça a um representante de cada Bentham que pode ser acompanhado pelos
grupo que apresente, em voz alta, as leis criadas, alunos, pois também está disponível no Caderno
discutindo-as com a classe, com base nos do Aluno.

I. [...] Prazeres e dores são instrumentos com os quais o legislador tem de trabalhar: é necessário,
assim, que ele compreenda sua força, o que signiàca, novamente, conhecer seu valor.

II. Para um indivíduo considerando a si mesmo, o valor do prazer ou da dor considerados em si


mesmos será maior ou menor, de acordo com as seguintes quatro circunstâncias:
1. Sua intensidade.
2. Sua duração.
3. Sua certeza ou incerteza.
4. Sua proximidade ou distanciamento.
III. Essas são as circunstâncias que devem ser levadas em conta quando se estima prazer ou dor
considerados em si mesmos separadamente.

Mas quando o valor de um prazer ou uma dor é considerado com o propÓsito de estimar a tendência
de qualquer ato pelo qual é produzido, existem duas outras circunstâncias que devem ser observadas.

47
São elas:
5. Sua fecundidade, ou a possibilidade de ser seguida por sensaç×es do mesmo tipo, ou seja,
prazeres, no caso de um prazer, dores, no caso de uma dor.
6. Sua pureza, ou a possibilidade de não ser seguida por sensaç×es do tipo oposto, ou seja,
dores no caso de um prazer, prazeres, no caso de uma dor.
BENT)AM, JeremZ. Uma introdução aos princípios da moral e da legislação.
Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/Detalhe0braForm.do?select_action=&co_obra=232>.
Acesso em: 2 maio 2013. Tradução Eloisa Pires.

Para o utilitarismo, o homem é um ser que vivenciar o prazer, o àm Ùltimo de todos os


sÓ é livre quando se desenvolve intelectual- seres vivos. Ele é um ser passional, não apenas
mente e é capaz de fazer escolhas morais, racional ou natural. Para ajudar o homem, os
diferentemente dos preceitos de Locke, que utilitaristas pensaram em criar uma ciência
aàrmava a liberdade do homem com base na moral tão exata quanto a Matemática, até
natureza. mesmo para dar conta de um de seus proble-
mas fundamentais, qual seja: Como alcançar o
Bentham não via coerência entre a teoria prazer, sem produzir dor?
empirista de Locke e a doutrina do direito
natural, pois, por não se tratar de um dado De fato, quando se considera o prazer
histÓrico, mostra-se insatisfatÓria. A existên- como ànalidade ética, temos aquilo que se
cia de tal contrato, fundado por meio de uma chama hedonismo. No entanto, o hedonismo
reconstituição hipotética e não tendo validade utilitarista está fundamentalmente preocu-
histÓrica, não poderia dar fundamento ao pado com a vida em sociedade. Portanto, a
direito natural. noção de prazer e dor deve ser comparti-
lhada, surgindo dessa partilha a verdadeira
Bentham considerava ainda que, mesmo moral.
que o direito natural, reconhecido pelo con-
trato, tivesse fundamento histÓrico, não há Reáetir – aprofundando a leitura
qualquer garantia de que os homens agiriam
segundo o direito natural e segundo o con- Discuta com a classe o texto de Bentham,
trato que o reconhece. Segundo Bentham, a enfatizando que, para o utilitarismo, prazer e
Ùnica garantia de compromisso entre homens utilidade são compatíveis, sendo que a utili-
ou que um contrato social poderia ter é de dade depende da relação social.
apresentar as vantagens da vida em sociedade.
Essa perspectiva leva ao entendimento de que Peça aos alunos que sublinhem no
a obediência às leis passa pela satisfação que texto as palavras que desconhecem,
pode ser proporcionada por ela. Assim, Ben- façam uma pesquisa sobre cada uma
tham acreditava que, em vez de apelarem ao delas e transcrevam seus signiàcados na seção
direito natural e à àcção que promove a sua Meu vocabulário filosÓfico, no final do
existência, os homens deveriam apelar para a Caderno do Aluno.
utilidade de uma ação ou de uma norma.
Depois disso, você pode pedir que selecio-
Para o utilitarismo, o homem é um ser que nem dois de seus desejos cotidianos e comple-
necessita vivenciar seus desejos e, com isso, tem o quadro no Caderno do Aluno a partir

4
Filosofia – 2a série – Volume 1

do modelo que segue, que visa promover um Segue exemplo de preenchimento do quadro
melhor entendimento da proposta utilitarista. com um prazer mais Ùtil para a vida.
Incentive a liberdade de expressão, mas impeça
a manifestação de preconceitos do tipo “eu Lembre-se de sempre explorar, ao máximo, a
queria que o povo X fosse varrido da Terra”, especiàcidade do desejo e sua relação com a socie-
“minha vontade é que os torcedores do time Y dade. Quanto mais especíàco e justiàcado, melhor
morressem” etc. será o desenvolvimento desse exercício.

Qual é o desejo? Passar no vestibular

Intensidade: Imensa.

Duração: Vários meses.

Certeza ou incerteza? Incerto (depende de meus estudos e da concorrência).

Proximidade ou distanciamento no tempo: Será ao final do próximo ano.

Sua fecundidade? Pode causar outros prazeres.

Sua pureza? Esse prazer não traz dor.

Minha família, meus amigos. Ficarão orgulhosos e terão certeza de


Pessoas que serão beneàciadas e por quê? um futuro melhor para mim.

Meu namorado (ou namorada).


Pessoas que serão prejudicadas e por quê? Vamos morar longe um do outro.

Quadro 12.

Vejamos, agora, um exemplo de prazer menos Ùtil para a vida.

Qual é o desejo? Embriagar-me na próxima festa.

Intensidade: Forte.

Duração: Algumas horas.

Certeza ou incerteza? Incerto (posso passar mal).

Proximidade ou distanciamento no tempo: Será na próxima festa.

Sua fecundidade? Pode causar outros prazeres, mas não sei se terei consciência deles.
Pode causar muita dor, afinal, posso ser repreendido, posso ter má
Sua pureza? fama, posso passar mal, terei ressaca, posso fazer coisas que, cons-
cientemente, não faria e isso poderá me prejudicar.

Pessoas que serão beneàciadas e por quê? Alguns colegas de festa, porque provavelmente será divertido.

Meus pais, pois ficarão preocupados.


Eu mesmo, porque poderei sofrer um acidente e terei ressaca.
Pessoas que serão prejudicadas e por quê? Os amigos, que ficarão preocupados comigo.
Estranhos que poderei ferir ou com quem posso brigar.
Quadro 13.

4
Agora, apresentaremos o àlÓsofo britânico felicidade é necessária para afastar-se da dor é
John Stuart Mill. Da mesma forma como foi saber como a felicidade é construída.
feito com o texto de Bentham, reáita com os
alunos sobre suas ideias, incentivando-os a se Professor, leia com os alunos o trecho
manifestar livremente sobre as principais ques- da obra Sobre a liberdade, disponível
t×es que elas envolvem. Esse trecho está no no Caderno do Aluno. Esse trecho
Caderno do Aluno na seção Leitura e análise apresenta aspectos interessantes para se pensar
de texto. o utilitarismo de Mill. Nesse trecho, o àlÓsofo
traz uma importante reáexão sobre o indivíduo
John Stuart Mill, defensor da causa da e a sua liberdade de opinião. ApÓs a leitura do
liberdade, teve como mestre JeremZ Bentham. texto, convide-os a pesquisar o artigo 220 da
0u seja, sua defesa da liberdade passava pelos Constituição brasileira. Essas duas fontes
princípios utilitaristas. Contudo, a sua adesão deverão subsidiar a redação de um texto com
ao utilitarismo não agregava todos os princí- o tema: liberdade de opinião e responsabilidade,
pios pronunciados por seu mestre. Para Mill, de acordo com a proposta da seção Leitura e
mais importante do que calcular quanto de análise de texto do Caderno do Aluno.

Sendo essas raz×es que tornam imperativo que os seres humanos devam ser livres para formar opini×es,
e para expressá-las sem reservas e sendo essas as danosas consequências para a natureza moral do homem, a
menos que esta liberdade seja concedida, ou restaurada a despeito da proibição, vamos agora examinar se as
mesmas raz×es não requerem que os homens devam ser livres para agir de acordo com suas opini×es – para
mantê-las em suas vidas, sem impedimentos físicos ou morais, causados pelos seus companheiros, desde que
o risco seja por sua prÓpria conta. Essa Ùltima cláusula é evidentemente indispensável. Ninguém acha que
as aç×es devam ser tão livres quanto as opini×es. Ao contrário, mesmo as opini×es perdem suas imunidades
quando as condiç×es em que são expressas são tais que exprimi-las leva a uma instigação de algum ato ma-
léàco. [...] Atos que de uma maneira qualquer e sem causa justiàcável causam danos a outras pessoas podem
ser – e nos casos mais importantes é imperativo que o sejam – controlados por sentimentos que lhes são des-
favoráveis e, quando tal for necessário, pela interferência ativa da humanidade. A liberdade do indivíduo deve
ser limitada dessa maneira ele não deve tornar a si mesmo um problema para as outras pessoas.
MILL, J. Stuart. Sobre a liberdade. Tradução Ari R. Tank. São Paulo: )edra, 2010.

Avaliação da Situação sempre o exercício da linguagem escrita e a


de Aprendizagem construção de argumentos bem fundamenta-
dos além de procurar o desenvolvimento ético
Esta Situação de Aprendizagem pode ser e solidário, considerando a alteridade.
avaliada observando a criação da autoimagem
dos alunos, o trabalho em grupo sobre a criação Propostas de questões para avaliação
de leis ou a reáexão sobre os prazeres a partir
do fragmento do texto de Bentham. Professor, a questão 1 encontra-se no
Caderno do Aluno na seção Você
Lembre-se de que esta Situação de Apren- aprendeu?. Você poderá indicar essa
dizagem tenta envolver as competências e questão como uma atividade extra para avalia-
habilidades que, de forma resumida, exigem ção. Se àzer essa opção, sugerimos que peça aos

50
Filosofia – 2a série – Volume 1

alunos que justiàquem a escolha das alternativas gem, seja por não demonstrarem aquisição de
assinaladas. Essa justiàcativa deverá ter como conteÙdo, seja pelo baixo desempenho nos
base os textos e os “apontamentos” das aulas. exercícios de reáexão, comprometendo o desen-
volvimento das competências e habilidades
1. Assinale as ideias de John Locke. almejadas, você pode propor algumas aç×es,
visando a sua recuperação. Lembre que essas
a) As pessoas não precisam fazer acordos, o atividades procuram fortalecer nos alunos as
importante é cada um cuidar do que é seu. bases para o exercício da reáexão crítica, com o
que estarão capacitados a vivenciar a ação ética,
b) 0 Estado deve promover a paz e a moralmente aceita na sociedade, para a qual é
propriedade. necessária a competência do reconhecimento do
estatuto ético do indivíduo.
c) As pessoas precisam deixar de usar a
força e pedir a intervenção do Estado Por isso, é muito importante que seja reto-
para resolver os seus conáitos. mada a concepção de indivíduo, segundo os
àlÓsofos discutidos (Locke, Bentham e Stuart
d) É preciso fazer uma revolução para que Mill). Dessa forma, sugerimos que os alunos
todos tenham a igualdade no socialismo. escrevam uma carta argumentando favoravel-
mente ou contra-argumentando sobre a posição
e) 0 importante mesmo é criar leis para de um dos pensadores considerados nesta Situa-
beneàciar os mais pobres. ção de Aprendizagem.

2. Considerando a perspectiva de Locke, expli-


que qual é a importância das leis positivas. Recursos para ampliar a perspectiva
Cabe às leis positivas assegurar os direitos naturais e regular do professor e do aluno para a
a sua aplicação em sociedades concretas com problemas compreensão do tema
específicos. Sem as leis positivas, o direito natural não tem
validade, permanece uma abstração. É interessante incitar Livros
os alunos a refletir sobre essa relação no caso da sociedade
brasileira, lembrando que se trata de uma relação concei- BENT)AM, JeremZ. Uma introdução aos prin-
tual e não de uma relação direta a respeito do arcabouço cípios da moral e da legislação. São Paulo:
jurídico do Estado Brasileiro. Abril Cultural, 1.

3. A partir do que foi exposto no primeiro L0CKE, John. Segundo tratado sobre o
exercício sugerido nesta Situação de governo. PetrÓpolis: Vozes, 2006
Aprendizagem, os alunos deverão respon-
der, a partir dos textos e das anotaç×es de MILL, John Stuart. Sobre a liberdade. Tradu-
aula, a seguinte questão: Como eu e meus ção Ari Ricardo Tank Brito. São Paulo: )edra,
colegas podemos conviver em um ambiente 2010.
comum, apesar das nossas diferenças?
PELUS0, Luís Alberto. Ética e utilitarismo.
Campinas: Alínea, 1.
Proposta de situação de recuperação
Todos esses livros são indicados para aprofun-
Para os alunos que não conseguirem alcan- dar seus argumentos sobre liberdade, igualdade
çar os objetivos desta Situação de Aprendiza- e poder.

51
SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 6
T0RNAR-SE INDIV±DU0
As três etapas aqui propostas estarão divi- pequeno artigo de Ricoeur sobre a individua-
didas em dois eixos temáticos fundamentados lidade e, na segunda, desenvolveremos uma
por dois importantes àlÓsofos franceses con- reáexão, com base na leitura de um poema de
temporâneos: Paul Ricoeur e Michel Foucault. Fernando Pessoa, associado a uma narrativa
Com isso, pretendemos trabalhar a constitui- sobre si mesmo. Na terceira etapa, o àlÓsofo a
ção da subjetividade ou da individualidade por ser trabalhado será Michel Foucault. Nesta
meio das relaç×es socioculturais. etapa, os alunos serão orientados a realizar
uma pesquisa reflexiva sobre as instituiç×es
Na primeira etapa, dialogaremos com um sociais.

Conteúdos e temas: Paul Ricoeur Michel Foucault linguagem narrativa histÓria o outro si mesmo
subjetivação disciplina poder.

Competências e habilidades: almeja-se levar os alunos ao exercício da reáexão crítica, voltada à análise
da construção social das subjetividades pensar a ética com base no contato com o outro.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas exercícios de leitura e reáexão.

Sugestão de recursos: texto para leitura conforme o que está sugerido nos Cadernos do Professor e do
Aluno, dicionário de Filosoàa e livros ou sites que fornecem biograàa e bibliograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: como toda a tarefa é realizada em sala de aula, a observação e as anotaç×es a
respeito da participação oral são fundamentais. A correção dos exercícios e a organização do Caderno
do Aluno são essenciais para a avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

Sondagem e sensibilização – a pesquisa sobre o signiàcado de palavras rela-


como me torno eu? tivas ao tema: “Alteridade”, “Ipseidade”, “Lin-
g u ag e m ” , “ S u b j e tiv i d a d e ” , “ Ra z ã o ” ,
Para o bom desenvolvimento desta Situação “Existência”, “Percepção” e “Juízo”.
de Aprendizagem, será importante pesquisar a
biografia de Paul Ricoeur e Michel Foucault. ApÓs essa introdução, reáita com os alunos
Decida sobre a atribuição de pesquisa extraclasse sobre a seguinte questão: O que você é agora é
para que os alunos a realizem, mas lembre-se de consequência da natureza, da sua educação ou
acrescentar dados relevantes, com base em seu das suas escolhas?
conhecimento sobre os àlÓsofos citados.
ApÓs o debate, você poderá discutir com
Posteriormente, com o objetivo de os alunos as principais ideias contidas
sensibilizar e tornar mais prÓximo o no artigo de Paul Ricoeur “Indivíduo e
tema da Situação de Aprendizagem, identidade pessoal”, inserido na coletânea Indiví-
você pode propor a atividade do Caderno do duo e poder, organizada por Paul Ricoeur, Paul
Aluno, da seção Pesquisa individual, que indica VeZne e Jean-Pierre Vernant (1), conforme

52
Filosofia – 2a série – Volume 1

síntese a seguir, reproduzida no Caderno do Aluno nos referimos àquela que sempre compra cho-
para promover um melhor entendimento do tema. colate. De todos os seres que compram choco-
Lembramos que as suas intervenç×es são indis- late, nÓs nos referimos à menina. Portanto, ao
pensáveis para enriquecer o texto-síntese apresen- descrevermos, nÓs cruzamos categorias para
tado. A síntese que se segue é longa e complexa e, designar um indivíduo.
por isso, exigirá mais tempo para a leitura e com-
preensão do exposto. 0s nomes próprios referem-se a uma desig-
nação especíàca e permanente. A função lÓgica
Como nós pensamos o indivíduo? é simples: designar a singularidade do indiví-
duo. Por exemplo, Marcelo. 0bviamente, se
Em geral, podemos dizer que o indivíduo pronuncio a palavra Marcelo, eu me reàro ao
tem duas dimens×es: ser membro de uma Marcelo. No entanto, resta-me especiàcar suas
sociedade qualquer (como uma formiga em propriedades, como: Marcelo, o aluno educado
um formigueiro) e, em sentido moral, um ser ou Marcelo, o aluno alto da 3a série.
independente e autônomo. Portanto, quando
falamos de indivíduo, pensamos em um ser da Mas há outra maneira de dizer o indivíduo
espécie humana com autonomia e que, para Ricoeur, é a mais importante, a saber,
independência. por meio de indicadores, que podem ser pronomes
pessoais, eu e tu pronomes demonstrativos, isto e
A primeira preocupação de Ricoeur é como, aquilo advérbios de lugar, aqui, acolá e além
de modo geral, nos individualizamos. Como advérbios de tempo, agora, ontem, amanhã advér-
dizemos, por exemplo, que determinado ser é bios de modo, assim e diversamente além de todos
uma amostra indivisível de uma espécie? Como os outros dessas categorias gramaticais.
podemos aàrmar que uma abelha, por exem-
plo, é um indivíduo da espécie das abelhas? 0 0s indicadores se diferenciam dos nomes
que faz que ela represente sua espécie? Igual- prÓprios porque podem designar seres diferentes.
mente, como um homem pode dizer que faz Por exemplo, quando dizemos Aristóteles, nos
parte da espécie humana, mesmo considerando referimos a um importante àlÓsofo da (récia
as diferenças? clássica quando dizemos você, podemos dizer
essa palavra para referir a vários interlocutores.
0 ponto de partida de Ricoeur é a lingua-
gem, pois é por meio dela que nÓs pensamos e Esses indicadores envolvem completamente
dizemos o mundo. Esse ato de dizer o mundo o locutor, o ser que pronuncia a linguagem e que
sÓ é possível pela interpretação, sendo a lingua- narra, interpretando o mundo. 0bserve que,
gem a manifestação da interpretação do quando o locutor diz agora, ele se posiciona no
mundo. E ela é capaz de dizer o indivíduo por tempo. 0 mesmo ocorre quando ele diz aqui,
meio de três formas: por descrições deànidas, quando se posiciona no espaço. Quando ele diz
por nomes próprios e por indicadores. você, ele se posiciona em relação a outro.

As descrições deànidas podem ser: a menina Eu digo


que sempre compra chocolate. Nas descriç×es,
há um entrecruzamento de categorias para Em um diálogo, temos, necessariamente,
designar um indivíduo. No caso do exemplo a dois interlocutores. No instante em que apenas
menina que sempre compra chocolate, há a cate- um fala, nÓs temos o locutor. A locução exige
goria menina e a dos seres que sempre compram alguém que ouça portanto, falar é dirigir-
chocolate. De todas as meninas do mundo, nÓs -se a. Uma interlocução exige o envolvimento

53
de, pelo menos, dois seres – quem fala e quem linguagem nos proporciona o que somos e o
ouve, ou ouvirá. No entanto, quando falamos, que o mundo é. Mas será que a linguagem é
não apenas dizemos as coisas como são, mas capaz de não apenas dizer o que somos, mas
criamos outras. Por exemplo, uma promessa. quem somos?
A promessa sÓ existe a partir do ato da fala
ela é uma criação ética da prÓpria linguagem, Essa problemática do quem é fundamental,
em meio a uma interlocução. Em geral, o “eu” à medida que a resposta a essa questão traz a
aparece completamente imbricado em nossa possibilidade da instituição do “eu” como si
fala, encaixado em tudo o que falamos. Por mesmo – idêntico somente a si, diferente de
exemplo, quando alguém diz o gato está limpo, todos da sua espécie.
seria fácil acrescer uma fala que remeta ao
locutor: eu declaro que o gato está limpo. Para sabermos quem é este “eu”, o passo
Mesmo sem perceber, cada vez que falamos, seguinte é narrá-lo. Ao narrar, somos obrigados
podemos nos remeter a nÓs mesmos, na condi- a dizer a ação desse sujeito. Narrativa supondo,
ção de locutores. minimamente, o “eu”, algum verbo, em algum
lugar, em algum tempo, sobre algo, como em
Este “eu” que somos está ancorado na his- “Eu nasci em Sorocaba” “Eu sei ler” “Eu sinto
tÓria e no tempo vivido – o agora –, porque esse saudade de Maria” etc. Até o ponto de criar-
“eu” tem um nome prÓprio e uma data de nas- mos “intrigas” ou entrelaçamento de vivências,
cimento, àxada no tempo e no espaço. Ao dizer ao máximo que nossa linguagem pode suportar.
o prÓprio nome, nÓs fazemos uma correlação Somos mais densos conforme se aprofunda
do agora com aquilo que já vivemos sob esse nossa linguagem e conforme nossas narrativas
nome, quer seja a nossa família, quer sejam de nÓs mesmos melhoram.
nossos documentos. É a correlação do presente
vivo (dizer o nome) com algum outro ponto no Além disso, torna-se fundamental pensarmos
tempo. que nossa narrativa não diz apenas de um ser
imutável ela é uma histÓria de um ser em contí-
Do mesmo modo, podemos dizer isso do nua mudança, pois esse ser se dá pela ação nar-
espaço, o lugar vivo agora, como a sala de aula, rada, e cada ação é diferente, até mesmo a mais
que pode ser correlato a outro espaço: pelo fato recente delas. Portanto, nÓs somos a nossa histÓ-
de dizermos eu estou na sala de aula, dizemos ria contada e somos leitores de nÓs mesmos.
que não estamos em outro lugar, no qual já
estivemos ou queríamos estar, por exemplo. A linguagem do “eu” e o outro

Ipseidade – do que sou para quem sou De fato, o uso da linguagem produz a cons-
tituição do “eu”. Nossas palavras e sentidos
A ipseidade é a fala que usamos para dizer estão recheados das mais diversas ideologias.
o que pertence apenas ao indivíduo, à sua sin- Nessa fusão quase sempre imperceptível, essas
gularidade. Aquilo que, entre vários de uma ideologias também nos instituem e nos conàgu-
espécie, diferencia um sÓ. ram, atuando em nossa prÓpria narrativa.

Somos seres que nos caracterizamos por Se aprendermos desde criança palavras de
instituir o mundo pela linguagem. Ademais, ela discriminação, de categorização de pessoas, algo
nos proporciona o que somos: seres que fazem comum em universos sociais racistas, nossa
uso dessa mesma linguagem para se expressar, leitura de nÓs mesmos pode estar profunda-
interpretar e ouvir. Isso signiàca dizer que a mente constituída por esses preconceitos. Com

54
Filosofia – 2a série – Volume 1

a exclusão do outro, por exemplo, insti- dos outros, somos agentes éticos capazes de
tuímo-nos de maneira vil como racistas. moldar a sociedade. Ao contrário, quando
fazemos a promessa de sermos melhores, ins-
No entanto, pode haver uma promessa que tituímos quem faz e quem ouve a promessa.
fazemos para sermos melhores dentro da socie- Conàguraram-se o eu e o outro de mim, que
dade, com aç×es cuja narrativa se expressa por um agora é o tu-você. Depois, este que ouviu tem
ato generosamente bonito. Por isso, podemos o direito de cobrar a promessa feita. Ao man-
partir de uma situação de narrativa de nÓs mes- termos nossa promessa, estabelecemos um
mos para outra, na tentativa ética de superarmos laço de confiança e de cooperação. Nossa
as injustiças e a exclusão do outro. Podemos, narrativa nos conàgura, mas não o faz sem
sempre, perguntar a nÓs mesmos, o que dizer da conàgurar o outro. 0 dever ético não se dá
sua histÓria? Ela é honestamente bonita? apenas sobre o indivíduo, mas sobre a relação
com o outro.
Não se pode pressupor que a ética dependa
exclusivamente do indivíduo por si mesmo,
uma vez que esse indivíduo é conàgurado pela Ler e escrever – dizendo quem somos
sua ação no mundo, principalmente em relação
ao outro, por meio de cooperação com base na Nesta etapa, apresente o poema, que
linguagem. pode ser acompanhado pelo Caderno
do Aluno, inicialmente oferecendo-
Para Ricoeur, a ideologia individualista -lhes alguns dados biográàcos do autor, Fer-
prop×e pensarmos que, independentemente nando Pessoa.

Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saÙde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,


0 que fui de coração e parentesco.
0 que fui de ser×es de meia-província,
0 que fui de amarem-me e eu ser menino,
0 que fui – ai, meu Deus! –, o que sÓ hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
0 tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

55
0 que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
0 que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
0 que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fÓsforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos,
0 aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Para, meu coração!


Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
)oje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

0 tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


PESS0A, Fernando. Poemas de Álvaro de Campos. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/
pesquisa/Detalhe0braForm.do?select_action=&co_obra=165>. Acesso em: 2 maio 2013.

Com base na leitura e na ponderação sobre o Ler – a sujeição


poema, os alunos devem responder às quest×es
presentes na seção Leitura e análise de texto do Apresentamos a seguir um pequeno
Caderno do Aluno, que têm por ànalidade apro- texto elaborado com base na obra
fundar e promover um pensamento reáexivo e, Vigiar e punir de Michel Foucault. 0
ao ànal, compor uma reáexão sobre si mesmos, texto é parte da atividade de Leitura e análise
levando em consideração o cruzamento de tem- de texto do Caderno do Aluno. ApÓs a leitura,
poralidades e espacialidades. Estimule-os a escre- os alunos devem pensar em exercícios de
ver sobre quem são em relação a acontecimentos “domesticação” dos corpos e responder às
passados, lugares que visitaram, situaç×es que quest×es propostas.
vivenciaram, lugares aos quais desejam ir ou não,
sonhos que desejam vivenciar.

56
Filosofia – 2a série – Volume 1

Podemos afirmar que o corpo, as formas de cuidar e se mostrar sempre foram alvo de obser-
vação e preocupação. A partir da Era Moderna, a atenção com o corpo, de certa forma, foi
ampliada pelo desenvolvimento da Medicina e das Ciências Sociais, que promoveram um novo
olhar sobre o corpo e sobre suas técnicas de disciplinarização.

Foram produzidas teorias sobre a anatomia e a “metafísica” do corpo. Investigavam as funç×es


do corpo, cada Órgão, cada detalhe, e se procurava entendê-lo em um conjunto moral – todas as
quest×es orbitavam as funç×es. Por exemplo: 0lho, o que é? Para que serve? Como funciona? Qual
é a sua função biolÓgica e moral?

Por outro lado, a investigação anatômica apresentava a perspectiva de promoção de valores


de ação e produção com o objetivo de moldar os corpos para adaptá-los a um ideal de sociedade.
Por isso, essas técnicas informavam como fazer uma pessoa ser capaz de produzir algo, por exem-
plo, como um trabalhador pode conseguir mais de seu trabalho e em menos tempo, como acalmar
uma pessoa considerada louca, como impedir que as crianças utilizassem indevidamente os Órgãos
genitais, como impedir que os soldados ficassem “molengas”, e muitos outros.

Esses conhecimentos sobre o corpo faziam que cada vez mais as pessoas procurassem viver de
forma a corresponder a eles. Assim, logo se descobriu que o que se faz com o corpo, se faz com
a subjetividade das pessoas. Se alguém é treinado para ser soldado, logo ele pensará com os ideais
de um soldado, terá emoç×es de soldado, ou seja, estará moldado por dentro e por fora para ser
um soldado. 0 que se diria então dos esportistas, dos religiosos, dos alunos, dos trabalhadores?
A modernidade baseada no corpo aprendeu a moldar as pessoas por completo, não apenas por
teoria, mas, sobretudo, por meio de técnicas.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Comentário Mas de quais práticas estaria falando o


àlÓsofo? De onde elas vieram? Foucault fala
Esse excerto traz uma das ideias centrais de das práticas disciplinares que vieram das ins-
Foucault, a qual diz respeito à invenção do sujeito tituiç×es modernas, principalmente a partir do
moderno, do indivíduo moderno. Para esse àlÓ- século XVIII, como as pris×es, os hospitais,
sofo, a maneira como nos vemos não procede de os quartéis, as fábricas e as escolas.
nossa natureza, nem de uma essência pessoal ela
vem de fora, de práticas que criam sujeitos pela A distribuição
sujeição dos corpos. NÓs nos constituímos não
apenas por palavras, mas por aç×es fundidas a A primeira atividade que as autoridades
palavras, que, de modo geral, vêm ditadas pela modernas deram ao corpo para discipliná-lo foi
sociedade, ou melhor, pelas instituiç×es. a distribuição. Para controlar um indivíduo, é
importante colocá-lo em um lugar escolhido por
Para Foucault, nÓs não somos fruto de teo- nÓs. Mas como seria possível distribuir pessoas
rias, somos fruto de práticas, ainda que algu- de uma cidade ou de uma sociedade inteira?
mas teorias nos ináuenciem. Por exemplo, seria
possível existir um dançarino que nunca dan- f Primeiro, construindo cercas ou muros,
çou ou um pintor que nada pinta? A resposta como nos quartéis e nas escolas. Dessa ma-
seria que são nossas práticas que nos consti- neira, os soldados e os alunos àcam separa-
tuem, e não a natureza. dos das pessoas, não causando problemas.

57
f A segunda prática de distribuição consiste ciplinar as pernas e controlar os gestos, para
em separar os grupos e fazer que cada um que elas conseguissem executar as tarefas.
encontre um lugar no espaço. Por exemplo,
cada trabalhador no seu setor, cada doente Enfim, utilizar bem o tempo, até a
no seu quarto, cada aluno em sua carteira exaustão.
etc.
f A terceira prática de distribuição conàgura- O controle das gêneses
-se em dar aos indivíduos um lugar funcio-
nal: não basta separar, é preciso que este- Para conseguir criar o indivíduo desejado,
jam em um lugar em que possam ser vigia- também foi preciso controlar a forma de sua
dos, evitando comunicaç×es indevidas ou subordinação à disciplina. Para isso:
reunindo forças contra quem os controla.
f Enàm, toda separação tem o ideal da àla, f Separaram-se os aprendizes dos veteranos
o que quer dizer que as pessoas são separa- f Segundo as necessidades de exercícios,
das segundo uma hierarquia. Por exemplo, foram separados aqueles que precisavam
as séries e as classes na escola são separa- melhorar o desempenho nesta ou naque-
das por idade. la ação ou atividade, exercitando-os até
que alcançassem o máximo rendimento.
0s trechos a seguir, que se referem Como em uma academia de musculação,
ao controle do tempo e ao controle aquele que precisa trabalhar os braços,
das gêneses, foram adaptados para por exemplo, foi direcionado a isso, as-
o Caderno do Aluno e são parte da atividade sim como no Exército, em que aquele que
de Leitura e análise de texto. Assim, você precisa melhorar a pontaria é separado e
poderá fazer uma leitura compartilhada e exercitado para isso.
explicar os termos e os trechos que considerar f Criaram-se testes para medir a habilidade
mais relevantes. de cada indivíduo e encerrar o processo.
f Para cada um é dada uma série de ativida-
O controle do tempo des, conforme sua idade, conhecimento e
habilidade, até alcançar o objetivo ànal.
0utra forma de transformar os indivíduos
por meio dos corpos consiste em controlar o Recursos de um bom adestramento
seu tempo.
Para conseguir um bom adestramento, foi
f Primeiro: pelos horários por exemplo, hora preciso lançar mão de alguns recursos e
para chegar, descansar, sair, trabalhar, dor- procedimentos:
mir, acordar, tomar o remédio.
f Segundo: marcando o tempo de sua ação f Vigilância – é preciso que alguém àque obser-
por exemplo, a marcha dos soldados, a ve- vando a atividade, o corpo, o uso do tempo.
locidade para apertar um parafuso na fá- Dessa maneira, será possível corrigir ou punir.
brica, para atender um telefone ou realizar f A sanção normalizadora – em cada insti-
outra atividade. tuição, há maneiras de punir as pessoas que
f Terceiro: disciplinando o corpo inteiro, para não cumprem seus deveres, o que ocorre na
sempre fazer tudo bem-feito. família, na escola, na fábrica ou no Exérci-
f Quarto: adaptando o corpo aos objetos que se to. Essa punição pode vir dos prÓprios in-
manipulam por exemplo, caso fosse preciso tegrantes da instituição (os familiares, por
àcar muito tempo em pé, seria necessário dis- exemplo) ou das autoridades.

5
Filosofia – 2a série – Volume 1

f 0 exame – ao saber que vão ser submetidos 0 trabalhador é vigiado pelo gerente, desde
a um teste, prova ou observação de uma au- o lugar onde está até o que está fazendo e em
toridade, os indivíduos se autovigiam e se quanto tempo. Conforme o tempo passa, o
autopunem, colocando os objetivos das insti- trabalhador vai assumindo, mesmo sem perce-
tuiç×es dentro de si. Como? Vejamos o exem- ber, ideias da ação do prÓprio corpo. Até che-
plo das provas na escola. Para se sair bem na gar a hora em que vai acabar acreditando que
prova de Filosoàa, o aluno terá de estudar. aquele tipo de vida é ideal. Desse modo, como
Estudar é uma atividade nem sempre agradá- a fábrica é pensada racionalmente, o trabalha-
vel. Para realizar essa atividade nem sempre dor vai levar para sua vida pessoal essa racio-
agradável, o aluno terá de se vigiar, dizendo nalidade, tanto na ordenação do espaço como
a si mesmo: Será que estou estudando o suà- na ocupação do tempo.
ciente? Caso não esteja estudando, ele pode
submeter-se a uma autopunição, por exem- A partir desse exemplo, os alunos deve-
plo, já que não estudou durante a tarde, não rão pesquisar algumas práticas, como a
assistirá ao àlme da noite para poder fazê-lo. religiosa, a esportiva, a escolar, aquelas prÓ-
f 0s exames escolares produzem uma docu- prias das Forças Armadas e a familiar. Peça
mentação que, ao ànal, comp×e um histÓrico que observem atentamente o que se espera
de cada pessoa. Por exemplo, tanto na escola dos indivíduos sujeitos a essas práticas, as
como no hospital ou na fábrica, cada indiví- posturas e as formas de adaptação. É impor-
duo tem uma àcha em que são registrados tante que a descrição esteja associada ao
seus dados e sua documentação é guardada. espaço, ao projeto arquitetônico que distri-
Dessa maneira, é possível saber quantas vezes bui e controla pessoas, delimitando lugares
o aluno foi reprovado, se é ou não discipli- específicos para determinadas funç×es. Essa
nado, em quais matérias apresenta maior ou pesquisa auxiliará o aluno a refletir e res-
menor diàculdade, se foi punido e as raz×es de ponder às quest×es que seguem e outros
sua punição etc. Do mesmo modo, na fábri- exercícios propostos que já estão formulados
ca, quantas vezes o operário chegou atrasado, no Caderno do Aluno. Como fontes da pes-
quantas faltas já teve, quais suas condiç×es de quisa, o aluno poderá considerar jornais,
saÙde, quantos e quais foram os acidentes so- noticiários e programas de TV, revistas e
fridos etc. Enàm, cada um se torna um caso depoimentos pessoais. Espera-se que o aluno
que requer determinado tratamento. considere observaç×es do cotidiano e, caso
não conte em seu repertÓrio com elementos
Para Foucault, os indivíduos não nascem para pensar algumas das práticas indicadas,
prontos, não têm essência ou natureza eles são elabore hipÓteses a respeito.
criados pelas atividades que desenvolvem com
o seu corpo. Para esse àlÓsofo, somos corpo e a) Como a prática religiosa forma os indivíduos?
nada mais. 0 que fazemos com o corpo é o que Aqui, pensamos a prática religiosa como uma prática física: por
nos define, e não apenas o que é dito sobre exemplo, o ato de sair de casa e ir a uma reunião de culto, fazer
nÓs mesmos. certos gestos, dizer determinadas palavras, ouvir certas ideias.

Reáetir e pesquisar b) Como a prática esportiva forma os indivíduos?


Aqui, pensamos o esporte não como ideal, mas como ativi-
0 aluno deverá ser convidado a reáetir sobre dade que requer que o atleta controle o tempo e o espaço
as práticas que moldam os indivíduos. Nesse em relação a suas atividades: alimentação, esforço, rotinas.
sentido, sugerimos que observem, por exemplo,
a condição do trabalhador. c) Como a prática escolar forma os indivíduos?

5
Considerar não apenas os conteúdos das matérias, mas as Sugerimos ainda a redação de um
formas de disciplinarização, o espaço onde se sentam os texto como Lição de casa, conforme
alunos, quem os vigia, as punições que recebem ou podem o Caderno do Aluno. A redação tem
receber, os períodos em que se distribuem as atividades, como proposta a resposta à seguinte questão:
como os professores são vigiados e vigiam etc. É possível viver sem domesticar os corpos e sem
julgá-los?
d) Como as Forças Armadas formam os
indivíduos?
Levar em conta posturas diante da sociedade, uniformes, dis- Avaliação da Situação de
ciplina, hierarquia, maneiras de se expressar. Aprendizagem
e) Como as famílias formam os indivíduos? Professor, a avaliação desta Situação de
Quem vigia, organização do espaço doméstico, punições, Aprendizagem pode ser realizada por meio da
divisão de trabalho, quem lava a louça, quem tira o lixo, quem produção escrita dos alunos. Lembramos que
cuida da casa, quem não o faz. é importante dar retorno sobre o que
foi produzido, sobre a qualidade dos textos
Professor, para aprofundar a compreensão e o q u e p o d e s e r ap r i m o ra d o, t a n t o
do tema, incluímos no Caderno do Aluno na redação formal como no que se refere
outros exercícios sobre o controle do tempo e à reáexão.
o controle das gêneses em relação às prá-
ticas religiosas, esportivas, escolares, militares Proposta de questões para avaliação
e familiares.
Professor, as quest×es 1, 2 e 3 de
No exercício sobre as gêneses, os alunos mÙltipla escolha que seguem estão
deverão preencher um quadro para cada um formuladas no Caderno do Aluno
dos itens mencionados com as quest×es: Como na seção Você Aprendeu?. Caso julgue perti-
se separam os que precisam aprender? Como nente, você poderá solicitar aos alunos que
são os testes de aprendizagem? Como se esco- entreguem as quest×es em folha avulsa e, assim,
lhem as atividades para alcançar o objetivo considerá-las parte da avaliação. Nesse caso,
ànal? você pode pedir que justifiquem a resposta
escolhida.
ApÓs o preenchimento da tabela e com base
nos exercícios anteriores, há o complemento da 1. Para Paul Ricoeur, como nÓs nos conàgu-
atividade com a proposta das seguintes ques- ramos como indivíduos?
t×es no Caderno do Aluno:
a) Pela nossa liberdade natural.
a) Nos grupos representados nas diferentes
práticas, quais são os indivíduos que mais b) Pelo contrato social.
f i c a m e x c l u í d o s, s o f r e n d o m u i t o s
preconceitos? c) Pelas práticas corporais.

b) Como atenuar essas situaç×es de exclusão? d) Pela narrativa de nÓs mesmos.

Veriàque se as atividades propostas atendem e) Pela nossa essência.


às necessidades de cada turma.

60
Filosofia – 2a série – Volume 1

2. Para Michel Foucault, a criação da subje- nos que não conseguiram alcançar os objetivos
tividade moderna se dá pelo controle dos desta Situação de Aprendizagem, demons-
corpos. Assinale quais das aç×es a seguir trando baixo desempenho nos exercícios de
favoreceram esse controle. leitura, reflexão e escrita, assim como nos
debates em sala.
a) Vigiar.
Lembre-se de que esta Situação de Apren-
b) Recompensar. dizagem visa proporcionar aos alunos o
exercício da reáexão crítica para pensar a
c) Ignorar. construção social das subjetividades e, desse
modo, assumir um posicionamento ético
d) Explicar. com base no contato com o outro direta-
mente ou pela mediação de instituiç×es
e) Punir. sociais ou políticas.

3. Segundo Michel Foucault, a sanção, a vigi- Por isso, é muito importante que seja reto-
lância e o exame são recursos para: mada, em forma de explicação, a concepção de
si mesmo e do outro, conforme Paul Ricoeur,
a) a linguagem. e das práticas de constituição da subjetividade
moderna, de acordo com Michel Foucault.
b) termos boas notas. Como sugestão, você pode pedir aos alunos em
situação de recuperação que escrevam um
c) a liberdade natural. texto contando quem são eles de acordo com
as práticas sociais que os constituíram. Nessa
d) descobrirmos a nossa essência. redação – além de avaliar o texto –, é preciso
considerar o uso dos conteÙdos expressos por
e) o adestramento do corpo. Ricoeur e Foucault.

4. Explique como a linguagem nos conàgura


como indivíduos. Recursos para ampliar a perspectiva
Para esta questão, espera-se que o aluno apresente conhe- do professor e do aluno para a
cimentos sobre o ato único e existencial da linguagem, por compreensão do tema
meio da hermenêutica, conforme nos aponta Paul Ricoeur.
Além disso, o aluno deve demonstrar domínio da norma- Livros
-padrão da Língua Portuguesa.
CÉSAR, Constança Marcondes ALMEIDA,
5. Para Michel Foucault, como as práticas Danilo Di Manno DARTI(UES, André. Paul
formam os indivíduos? Ricoeur: ensaios. São Paulo: Paulus, 1.
Na resposta, o aluno deve considerar os argumentos filosóficos (Ensaios FilosÓàcos). 0 livro apresenta boa
e históricos de Michel Foucault, referindo-se à sociedade disci- síntese do pensamento de Paul Ricoeur, reali-
plinar e seu controle sobre o corpo, no tempo e no espaço. zada por pesquisadora especialista na obra
deste àlÓsofo.

Proposta de situação de recuperação F0UCAULT, Michel. Resumo dos cursos do


Collège de France (1970-1982). Tradução
As atividades a seguir destinam-se aos alu- Andréa Daher. Rio de Janeiro: ;ahar, 200.

61
VIEIRA, Priscila Piazentini. Michel Foucault Site
e a história genealógica em Vigiar e Punir.
Campinas: IFC)/Unicamp, 2006. Além de ser Dossiê Foucault. Disponível em: <http://www.
uma monograàa de conclusão de curso pre- unicamp.br/~aulas/numero3.htm>. Acesso em:
miada, oferece bons argumentos para utilizar 2 maio 2013. Site que oferece signiàcativa cole-
em sala de aula. tânea de artigos e vídeos sobre a obra de Michel
Foucault. 0 acesso é livre.

SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 7
C0NDUTAS MASSIFICADAS
Nesta Situação de Aprendizagem, procura- breve consideração sobre o indivíduo diante da
mos tratar da formação do indivíduo para além razão instrumental e da indÙstria cultural. A par-
do contexto da moral normativa. Procuramos tir dessas abordagens, objetiva-se fazer com que
chamar a atenção para a perspectiva da forma- os alunos pensem em função de suas relaç×es
ção do indivíduo a partir dos interesses indivi- sociais de desejo e de identidade, com o intuito
duais partindo da perspectiva de Max Stirner. de que possa emergir a individualidade, aten-
Em um segundo momento, passamos para uma tando para evitar as condutas massiàcadas.

Conteúdos e temas: Stirner Freud Adorno )orkheimer indivíduo egoísmo psicanálise cultura de
massa.

Competências e habilidades: almeja-se dar aos alunos elementos que permitam o exercício da reáexão
crítica, capacitação para a vivência da ação ética, com base em uma crítica das relaç×es sociais e nos
impulsos dos desejos.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas exercícios de leitura e reáexão.

Sugestão de recursos: texto para leitura conforme o que está sugerido nos Cadernos do Professor e do
Aluno, dicionário de Filosoàa e livros ou sites que fornecem biograàa e bibliograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: como toda a tarefa é realizada principalmente em sala de aula, a observação e as
anotaç×es a respeito da participação oral são fundamentais. A correção dos exercícios e a organização
do Caderno do Aluno são essenciais para a avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

Theodor Adorno e Max )orkheimer. Você


Sondagem e sensibilização – pode ainda pedir aos alunos que façam a
ouvir e dialogar – o único pesquisa e apresentem em dia programado.
e a sua propriedade 0utra proposta de pesquisa refere-se a ter-
mos pertinentes ao tema desta Situação de
Para o bom desenvolvimento Aprendizagem. Selecionamos duas expres-
dessa Situação de Aprendizagem, s×es de acordo com a atividade da seção
consideramos importante trazer Pesquisa individual do Caderno do Aluno:
alguns aspectos da biograàa de Max Stirner, “Egoísmo” e “IndÙstria Cultural”. Essa rela-

62
Filosofia – 2a série – Volume 1

ção, porém, pode ser alterada ou ampliada Segundo Stirner, a sociedade cristã e
caso julgue necessário. moderna procura criar um indivíduo com
aparência de livre, mas que, no fundo, é
Sugerimos que comece a etapa escrevendo escravo da razão, da fé ou do Estado. Todas
na lousa as seguintes quest×es: Todos nós essas instâncias e entidades prometem a liber-
somos um pouco egoístas? O que fazer com dade, desde que renunciemos de alguma forma
nosso egoísmo? Devemos assumi-lo ou lutar a nÓs mesmos, pois não existe liberdade inte-
contra ele? Para encaminhar a discussão, rior, havendo somente aquela que é vivida
você pode apresentar à classe algumas das longe de qualquer forma de servidão.
ideias que caracterizam o pensamento de
Max Stirner. Então, quem somos nós? Stirner responde à
pergunta, afirmando que somos um poço de
Para Stirner, o homem é um ser egoísta, desejos e não devemos ouvir as vozes da cons-
embora não saiba o que fazer com seu ego- ciência, nem da sociedade e muito menos de
ísmo. Assim, o pensador prop×e que cada um Deus, pois elas escondem egoístas que lucram
deve assumir seu egoísmo, tornando-se dono com isso. Desse modo, o egoísmo é a chave para
de si mesmo. vivenciarmos deànitivamente nossos desejos,
pois – se for para sermos escravos de alguém –,
Quando as pessoas procuram se libertar do então que o sejamos de nÓs mesmos.
egoísmo servindo a Deus, na verdade acabam
servindo aos líderes religiosos e a si mesmas, Como seria a sociedade?
de maneira parcial. Deus é uma ideia para o
indivíduo, independentemente de existir ou Se cada um assumisse seu egoísmo,
não. 0 homem sÓ serve a ele por pensar que fazendo o bem aos outros por interesse (eu
Deus existe, e será feliz assim. Quando as pes- faço você feliz para você me fazer feliz), não
soas procuram servir à sociedade, elas acabam haveria intrigas nem lutas, pois cada um seria
servindo a líderes políticos, pois a sociedade ou tão diferente do outro, a ponto de não pode-
a nação também são ideias. Quando as pessoas rem sequer discordar. 0 problema das intrigas
procuram trabalhar, cada vez mais e melhor, e das lutas é que nÓs nos imaginamos pareci-
para servir à honestidade, na verdade estão dos com os outros e agimos por egoísmo
servindo aos empregadores, com a perspectiva disfarçado, adormecido. Julgamos, ainda, os
de que eles reconheçam o esforço. outros como falsos, quando nÓs também
somos. Por isso, nem realizamos nossos dese-
Portanto, as ideias de Deus e de nação são jos, nem alcançamos nossos ideais.
afastamentos parciais de nÓs mesmos. Quando
acreditamos que somos seres espirituais, feitos Essa é uma pequena introdução ao pen-
por e para as ideias, achamos que devemos samento de Max Stirner. Esperamos que
segui-las. Desse modo, pensamos egoistica- você possa ampliá-la e aprofundá-la para
mente: vou servir a Deus, porque lucrarei com que os estudantes possam entender melhor
isso indo para o céu, ou vou servir à sociedade, os argumentos desse filÓsofo. 0 texto, assim
porque terei prestígio e serei considerado bom. como o fragmento a seguir, estão disponí-
No entanto, se chegássemos à conclusão de veis no Caderno do Aluno. 0 texto, o frag-
que somos corpo, então serviríamos a nÓs mes- mento e as suas intervenç×es são necessárias
mos em totalidade. para que os alunos possam entender o tema
e responder as quest×es propostas.

63
Dialogar – O indivíduo e a Cultura jugados por outras forças. Para fugir da
imprevisibilidade, do acaso, e aumentar as
Segundo Max Stirner, na tentativa de supe- condiç×es de manutenção da vida, os homens
rarem as adversidades do meio, os homens produziram a Cultura. Por meio da Cultura,
criaram, ao longo da histÓria, modos e instru- inverteram a sua posição em relação à natu-
mentos para superar e dominar a natureza reza e, de dominados, passaram a dominar e,
(interna e externa). Contudo, nessa incessante assim, conseguiram minimizar a ináuência do
busca de sair dos domínios da natureza, os determinismo natural, mas tornaram-se víti-
homens acabaram sendo dominados e ser- mas do determinismo cultural. 0u seja, não
vindo a outro senhor. 0u seja, ao buscar deixaram de ser submissos, apenas trocaram
libertar-se da natureza, acabaram sendo sub- de senhor.

A cultura [...], a religiosidade dos homens, tornou-os livres, mas livres apenas de um senhor, para
logo os entregar a outro. A religião ensinou-me a dominar os meus desejos, a astÙcia permite-me que-
brar a resistência do mundo, e é-me dada pela ciência nem já a um outro homem sirvo [...].
Do mesmo modo, libertei-me da determinação irracional pelos meus sentidos, mas continuei àel à
dominadora chamada... razão. (anhei a “liberdade espiritual”, a “liberdade do espírito”. Com isso,
eu tornei-me sÙdito do espírito. 0 espírito dá-me ordens, a razão orienta-me, são ambos meus guias e
senhores. [...] A liberdade de espírito signiàca a minha servidão.
STIRNER, Max. O único e a sua propriedade. Tradução João Barrento. Lisboa: Antígona, 2004. p. 260.

Atividade 0s pensadores da Escola de Frankfurt, diante


do fenômeno do totalitarismo, buscaram uma
Professor, sugerimos algumas ques- justiàcativa, uma explicação que possibilitasse
t×es para melhor entendimento e entender que a racionalidade estava por trás do
aprofundamento do tema. 0s exercí- horror totalitário. Nessa busca, reconheceram as
cios que seguem estão disponíveis no Caderno demandas de uma sociedade tecnocrática fun-
do Aluno. dada em uma razão instrumental. Nessa perspec-
tiva, a sociedade totalitária, baseada na já referida
1. Por que, para Max Stirner, temos de assu- razão instrumental, imp×e a todos os seus mem-
mir o nosso egoísmo? bros um padrão, uma dinâmica, uma medida, que
2. Por que, segundo Max Stirner, apesar de visa unicamente à produção e à eàciência.
nos livrarmos das amarras da natureza,
ainda continuamos servos? A razão instrumental estaria preocupada
3. Para Max Stirner, como seria a sociedade se com os àns que também caracterizam o sistema
todos assumissem o egoísmo e seguissem o de exploração capitalista. Por isso, diante das
lema: eu te faço feliz para você me fazer feliz? forças econômicas, os indivíduos acabariam
reduzidos a uma massa indistinta e indiferente
ao que acontece ao seu redor.
Ler e reáetir – a razão instrumental
Para que esse sistema histÓrico-social – que
Inicialmente, proponha à classe a seguinte produz cotidianamente essa massa indistinta,
questão: Quem nós copiamos? porém Ùtil para alavancar a produção e o con-

64
Filosofia – 2a série – Volume 1

sumo – possa continuar intacto, isto é, fortale- a cultura de massa, que é a industrialização e
cido, inventou-se uma maneira muito poderosa produção em série de mercadorias culturais,
de fazer que as pessoas não usem sua razão que produzem, por sua vez, individualidades
crítica para criar sua individualidade, tornando- falsas ou pseudoindividualidades.
-se verdadeiras cópias de outras pessoas igual-
mente artiàciais. Vejamos o excerto a seguir, que pode
ser acompanhado no Caderno do
Assim, a razão instrumental acabou gerando Aluno:

Na indÙstria, o indivíduo é ilusÓrio não apenas por causa da padronização do modo de produção. Ele
sÓ é tolerado na medida em que sua identidade incondicional com o universal está fora de questão. Da
improvisação padronizada do jazz até os tipos originais do cinema, que têm de deixar a franja cair sobre os
olhos para serem reconhecidos como tais, o que domina é a pseudoindividualidade. 0 individual reduz-se
à capacidade do universal de marcar tão integralmente o contingente que ele possa ser conservado como
o mesmo. Assim, por exemplo, o ar de obstinada reserva ou a postura elegante do indivíduo exibido numa
cena determinada é algo que se produz em série exatamente como as fechaduras Yale, que sÓ por fraç×es
de milímetros se distinguem umas das outras. As particularidades do eu são mercadorias monopolizadas
e socialmente condicionadas, que se fazem passar por algo natural. Elas se reduzem ao bigode, ao sotaque
francês, à voz grave de mulher de vida livre [...]: são como impress×es digitais em cédulas de identidade que,
não fosse por elas, seriam rigorosamente iguais e nas quais a vida e a àsionomia de todos os indivíduos – da
estrela do cinema ao encarcerado – se transformam, em face ao poderio do universal. A pseudoindividualidade
é um processo para compreender e tirar da tragédia sua virulência: é sÓ porque os indivíduos não são mais
indivíduos, mas sim meras encruzilhadas das tendências do universal, que é possível reintegrá-los totalmen-
te na universalidade. A cultura de massas revela assim seu caráter àctício que a forma do indivíduo sempre
exibiu na era da burguesia, e seu Ùnico erro é vangloriar-se por essa duvidosa harmonia do universal e do
particular.
AD0RN0, Theodor )0RK)EIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos àlosÓàcos. Tradução (uido Antonio
de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge ;ahar, 15. p. 144-5.

Comentário Como você bem sabe, esse tema é crucial


para trabalhar com alunos dessa faixa etária,
Nesse importante texto da Escola de tantas vezes confundidos ou manipulados pela
Frankfurt, Adorno e )orkheimer apresenta- propaganda de valores inatingíveis para a
ram a cultura de massa ou a indÙstria cultural, maioria deles. Por isso, é importante que você
que submetem a arte e as manifestaç×es cultu- insista na avaliação das atitudes de mera cÓpia,
rais às leis de mercado. A beleza que fazia que tão frequentes em nossa sociedade.
o homem compreendesse a profundidade de
sua existência há dois séculos revelou-se efê- Mas onde se encontra a cultura de massa? No
mera e superàcial, esvaindo-se com a moda. rádio e na televisão, nos jornais e revistas, no
Em resumo, mostraram os filÓsofos, o mais cinema, nos shows e na propaganda, em geral,
importante não é construir a si mesmo, mas isto é, nos meios de comunicação de massa.
copiar quem está na propaganda, o persona-
gem do cinema, da novela ou a mais recente Qual é a estratégia dessas empresas? Con-
atração do mundo “pop”. vencer as pessoas de que elas são livres para

65
escolher o que é melhor, mas insistindo que o mosaico, construído com pedrinhas das ideo-
melhor é sempre o prÓprio produto. Além logias vinculadas aos sistemas de mass media.
disso, tentam transformar tudo em entreteni- Renunciando à construção de si, funcionam
mento, por exemplo: como cÓpias de máscaras, vendo-se apenas
montagens, não realidades. Com isso, assumem
f Todas as rádios tocam as melhores mÙsi- como seus os desejos criados pela propaganda:
cas. 0 ritmo da juventude, o som do amor. compre isto para ser assim; seja interessante
)á aquelas que aàrmam tocar as melhores sendo assim ou – mais sinceramente – você é
mÙsicas da semana, mas ocultam quanto aquilo que você pode pagar você não se adapta
pode ter sido pago para que estas fossem ao modelo, não serve etc.
consideradas as melhores.
f 0s jornais e revistas sempre afirmam No entanto, as pessoas acabam sofrendo
seu compromisso com a verdade. Como por não ter as falsas maravilhas que veem nos
sabemos, a verdade jornalística ven- meios de comunicação ou por ser diferentes
de, principalmente quando se faz uma do modelo de homem ou mulher anunciado
“grande denÙncia”. Passado o impacto pela propaganda. E isso também inclui de
– e esgotadas as ediç×es – a “grande de- modo decisivo a criança, fazendo que a sen-
nÙncia” acaba esquecida. sação de sofrimento e frustração comece na
f No cinema e nas telenovelas, tudo tem um infância, com os brinquedos caros que não
ànal quase sempre previsível e os melhores pode comprar, terminando na velhice esque-
efeitos especiais ajudam os pseudoartistas, cida, pois é da juventude que a televisão gosta
que apresentam sempre corpos masculi- e ensina os telespectadores a gostar.
nos fortes e corpos femininos sensuais. Na
maioria das vezes, pessoas seminuas, viven- Quase todas as mercadorias que estão à
do uma histÓria pronta, com começo, meio venda – mÙsica, dança, imagens, cheiros,
e ànal feliz, como se a vida fosse assim. sabores, roupas – trazem consigo a ideia de
f Nos shows, a eletrônica, os dançarinos e um estilo, que deve ser comprado ou
a iluminação ajudam a disfarçar os limi- imitado.
tes das vozes dos cantores. 0 gelo-seco
produz uma emoção que a canção não Com a indÙstria cultural, além das artes,
é capaz de criar. 0 volume alto do som a religião e o esporte também viraram pro-
empurra todo mundo para o balanço de dutos. As pessoas deixam de praticar a reli-
mÙsicas sem sentido e, muitas vezes, mal- gião e o esporte para assistir a eles pela
feitas, mas se trata do cantor ou cantora televisão. Para encontrar o sagrado, não é
que todos escutam. mais necessário estar com os demais àéis e
f Na televisão, o artista que, em um progra- fazer oraç×es com eles, basta ligar a televisão
ma, se confessa engajado, acaba vendendo ou o rádio no horário marcado e será possí-
ilus×es nas propagandas do intervalo, vam- vel ter o sagrado em domicílio. Com o
pirizando aposentados e pensionistas, pro- esporte, é mais fácil comer pipoca na frente
metendo empréstimos a juros baixíssimos, da TV do que ir ao estádio ou jogar aquela
“os menores do mercado”. “pelada” com os amigos. Como se vê, todas
as emoç×es estão à venda, mas duram pouco,
Dessa maneira, ao trocar o pensar pelo de modo que voltemos rapidamente a com-
sentir, os indivíduos passam a compor um prar outras.

66
Filosofia – 2a série – Volume 1

Pesquisar e reáetir – análise dos ao que se mostra na propaganda? Por quê?


meios de comunicação de massa
Agora, é hora de avaliar se aquilo que foi
Para esta etapa, sugerimos algumas ques- prometido acontecerá realmente. Por exemplo,
t×es que estão formuladas em Leitura e aná- o ato de comprar uma margarina fará a família
lise de texto no Caderno do Aluno. Para feliz, a ponto de esquecer seus problemas?
iniciar a atividade, peça aos alunos que, em
casa, colem em espaço reservado no Caderno
algum panáeto publicitário ou recortem uma Avaliação da Situação de
propaganda de algum jornal ou revista. Aprendizagem
Insista para que eles considerem as discus-
s×es sobre indÙstria cultural desenvolvidas Nesta Situação de Aprendizagem, o tra-
até aqui, e comente que esse deve ser o crité- balho dos alunos pode ser avaliado por meio
rio para orientar a escolha. da participação nos debates, pelas pesquisas
biográficas solicitadas e pela análise dos
Estimule-os com base nas perguntas a seguir. meios de comunicação de massa, por inter-
Entendemos, entretanto, que as quest×es médio da propaganda, como foi feito na
propostas não esgotam o tema, dessa forma, a Ùltima etapa.
seu critério, poderá ampliar as quest×es e assim
a reflexão acerca da razão instrumental, da Propostas de questões para avaliação
indÙstria cultural e da cultura de massa.
Professor, a questão 1 de mÙltipla
a) Qual é o tipo de produto oferecido? escolha consta no Caderno do
Aluno na seção Você aprendeu?. 0
b) Escreva qual é a mercadoria cultural ofere- exercício pode ser entregue em folha avulsa
cida, por exemplo: um cantor, um ator, um para compor uma das avaliaç×es escritas.
CD, uma rádio, um àlme, um alimento, um
apartamento, um automÓvel. 1. Assinale exemplos de mercadorias cultu-
rais. Justiàque sua escolha.
c) Qual é o estilo de vida vinculado ao pro-
duto oferecido à venda? a) CD de mÙsica.

d) Como todos os estilos de vida são rotula- b) Folia de Reis.


dos, selecione um rÓtulo (hip-hop, fashion,
esportivo, executivo, clássico etc.) para c) Megashow de rock.
identiàcar o pÙblico-alvo da propaganda.
d) Artesanato vinculado a comunidades
e) Qual é a promessa de realização pessoal, indígenas.
felicidade, liberdade ou poder vinculada ao
produto? e) (rupos de amigos.

f) Que imagem de pessoas está associada a 2. Qual a relação entre a indÙstria cultural e o
essa ideia? indivíduo?
Espera-se que o aluno entenda como definir indústria cul-
g) 0 que se promete com a compra? Para o tural e suas relações com o fenômeno da massificação e de
comprador, a sensação será realmente igual produção da pseudoindividualidade.

67
Propostas de situações apresentada pela propaganda inserida em qual-
de recuperação quer revista ou jornal, a partir do texto de
Adorno e )orkheimer. 0s alunos poderão
Esta Situação de Aprendizagem almejou levar fazer uma exposição sobre o tema.
os alunos ao exercício da reáexão crítica, visando
capacitá-los para vivenciar a ação ética com base
em uma crítica das relaç×es sociais e dos impul- Recursos para ampliar a perspectiva
sos dos desejos. do professor e do aluno para a
compreensão do tema
No entanto, é comum haver alunos que, por
motivos variados, não alcançaram a compreen- Livros
são adequada dos conteÙdos trabalhados.
AD0RN0, Theodor )0RK)EIMER, Max.
Proposta 1 Dialética do esclarecimento: fragmentos àlosÓ-
àcos. Tradução (uido Antonio de Almeida.
Propomos que os alunos respondam a Rio de Janeiro: Jorge ;ahar, 15. Neste livro,
duas quest×es, entre as três apresentadas a você encontra o texto clássico sobre a indÙstria
seguir: cultural.

1. Pesquise e responda com as suas pala- C0EL)0, Teixeira. O que é indústria cultural.
vras: 0 que podemos entender por “razão 21. reimp. São Paulo: Brasiliense, 2006. (Pri-
instrumental”? meiros Passos).
2. Comente a seguinte passagem do texto Dia-
lética do esclarecimento: fragmentos àlosÓà- STIRNER, Max. O único e a sua propriedade.
cos, de Adorno e )orkheimer (147) “0 ar Tradução João Barrento. São Paulo: Martins
de obstinada reserva ou a postura elegante Fontes, 200. (Didática). 0 principal texto
do indivíduo exibido numa cena determi- sobre o tema do egoísmo está neste livro.
nada é algo que se produz em série exata-
mente como as fechaduras Yale, que sÓ por S0U;A, José CrisÓstomo de. A questão da
fraç×es de milímetros se distinguem umas individualidade: a crítica do humano e do social
das outras”. na polêmica Stirner-Marx. Campinas: Uni-
3. Deàna com suas palavras a cultura de massa. camp, 13.

Proposta 2 Música

Uma segunda possibilidade de retomar o ;É RAMAL)0. Admirável gado novo. EMI


tema a fim de melhorar o desempenho dos Songs do Brasil. Ediç×es musicais
alunos poderá ser desenvolvida com base na limitadas.
identiàcação da proposta de individualidade,

6
Filosofia – 2a série – Volume 1

SITUA¬«0 DE APRENDI;A(EM 
ALIENA¬«0 M0RAL

Por meio desta Situação de Aprendizagem, Caderno do Aluno uma pesquisa sobre o
almeja-se dialogar com os alunos a respeito da signiàcado das palavras como “Alienação”,
preocupação com as outras pessoas. É impor- “Moral”, “)istÓria” e “Metafísica”. São
tante levá-los a considerar o outro como neces- apenas quatro palavras, mas de signiàcados
sário para a nossa constituição como complexos. Contudo, você poderá ampliar a
indivíduos. Para tanto, procuraremos entender proposta, adicionando outras pertinentes ao
a construção da imagem do sujeito ético, con- tema, caso julgue necessário. Sugerimos,
tando com os aportes do pensamento de ainda, que os alunos pesquisem a biograàa
Emmanuel Lévinas e de Jean-Paul Sartre. de Lévinas e de Sartre. É importante que
você também realize essa pesquisa para
Para sensibilizar e introduzir o poder subsidiar os alunos com informaç×es
aluno ao tema, indicamos na complementares para esta Situação de
seção Pesquisa individual do Aprendizagem.

Conteúdo e temas: Lévinas Sartre alteridade alienação moral linguagem.

Competências e habilidades: almeja-se levar os alunos ao exercício da reáexão crítica capacitação


para combater a alienação moral e reconhecimento do outro.

Sugestão de estratégias: aulas expositivas e exercícios de reáexão.

Sugestão de recursos: textos para leitura conforme o que está sugerido nos Cadernos do Professor e
do Aluno, dicionário de Filosoàa e livros ou sites que fornecem biograàa e bibliograàa de àlÓsofos.

Sugestão de avaliação: como quase toda a tarefa é realizada em sala de aula, a observação e as anota-
ç×es a respeito da participação oral são fundamentais. A correção dos exercícios e a organização do
Caderno do Aluno são essenciais para a avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

Divida a turma em grupos e atribua-lhes


Sondagem e sensibilização – ouvir (por indicação ou sorteio) os seguintes temas:

Nesta etapa, você pode propor aos alunos a f em família


construção da imagem de uma pessoa ética. f entre amigos
f em relação ao lazer
Para isso, você pode desenvolver a ativi- f em relação ao trabalho
dade que inicia com as quest×es: Como agem f em relação a outras pessoas.
as pessoas, de modo geral, e como elas deveriam
agir? No Caderno do Aluno, há quadros para Procure não permitir que eles incorram na
os alunos registrarem informaç×es dos peràs idealidade, mas realizem uma reáexão ética em
das pessoas de sua convivência. que se considere a contingência histÓrica.

6
Proponha um debate sobre cada um dos Em relação às pessoas mais pobres, o que
temas atribuído aos grupos, ampliando a discus- fazer? Como lidar com quem é diferente?
são inicial. Evite quest×es como violência domés- Como eliminar os preconceitos? Como
tica, sexualidade, drogas, alcoolismo e acolher as pessoas? É importante ajudar
semelhantes – sempre que forem usadas como gratuitamente? Como vencer a crueldade?
revelaç×es de caráter pessoal –, pois, embora elas
possam estar presentes no cotidiano dos alunos,
sua menção ou discussão poderá criar situaç×es Dialogar – viver para o outro
de constrangimento, que devem ser evitadas.
Em geral, quando nos vemos como indivíduos,
Questões de apoio temos uma certeza: somos nÓs e o mundo. 0 “eu”
percebe o mundo e os entes do mundo como
f Por exemplo, com os amigos: Um ajuda coisas. Dividimos o mundo em entes importan-
o outro? Quem julga quem? Quais são os tes para nÓs e entes que não nos são importan-
limites de cada um? Quando se sabe que tes entes que amamos e entes que não amamos
temos um amigo de verdade? Quando um entes que fazem parte da nossa vida e entes que
pode puxar o outro para uma situação pe- ignoramos por completo.
rigosa? Quando um quer ajudar o outro?
A conàança é algo que se conquista? Exis- Dessa maneira, categorizamos o mundo e
te possibilidade de perdão? Quem é perfei- damos sentidos a tudo. Por exemplo, no livro
to? Como se lida com a questão do afeto? A menina que roubava livros, de Markus
Que segredos devemos guardar? Como li- ;usak (2006), a personagem principal guarda
dar com a inveja? alguns livros, mesmo sem saber ler, pois eles
f Em relação à cultura: Ler para quê? Que signiàcam a presença do irmão e da mãe, isto
mÙsica é importante ouvir? Que conheci- é, o sentido dos livros não foi atribuído pelo
mentos podem fazer alguém feliz? Qual é texto, mas pela analogia que a menina fez
a importância de reáex×es críticas? Como entre esses objetos e pessoas que amava.
andam os estudos? Que tal ser artista, es-
portista, ou ambas as coisas? )á maneiras A linguagem como acesso ao outro
signiàcativas de traduzir os sentimentos?
Como conquistar a liberdade plena? Qual A seguir, uma reáexão que se refere
é a relação entre ser e saber? 0 que na TV ao pensamento àlosÓàco de Lévinas,
ajuda a reáetir e o que já está pronto e não que procuramos enriquecer com tre-
exige imaginação? chos de entrevista em que o àlÓsofo exp×e seus
f Com o trabalho: Ser honesto, para quê? pontos de vista. A reflexão e os trechos da
Qual a sua ambição proàssional? Viver entrevista estão disponíveis no Caderno do
para trabalhar ou trabalhar para viver? Aluno.
Como descansar? Como tratar os colegas
de trabalho? Como lidar com um emprego A linguagem nos precede, nÓs recebemos o
ruim? E o cuidado com a saÙde? Como en- que somos não por nÓs mesmos, mas a partir
contrar um trabalho melhor? Como sei que do local onde fomos criados. Somos fruto do
o salário é bom? 0 que fazer em relação mundo que nos cerca. Somos parte dele, quei-
à competitividade e à fofoca? Estudar ou ramos ou não, justamente porque até a maneira
trabalhar? Como arrumar tempo para si? de vermos o mundo está constituída pelas for-
f Em relação às outras pessoas: Como uma mas de linguagem que aprendemos de outras
pessoa educada conversa com os outros? pessoas, como os nossos pais e professores.

70
Filosofia – 2a série – Volume 1

como rosto, em que a obrigação em relação


O senhor escreve que a relação do mesmo a outrem se imp×e antes de toda e qualquer
e do outro, ou seja, por excelência, do eu e de obrigação: respeitar outrem é dar-se conta de
outrem, é a linguagem. outrem, é fazê-lo passar antes de si prÓprio.
Deve a linguagem ser pensada unica- E a cortesia! Ah, mas é muito bom: o fazer
mente como a comunicação de uma ideia passar antes de mim, esse pequeno impulso
ou de uma informação, e não também e, de cortesia é um acesso ao rosto também. Por
talvez, acima de tudo, como o fato de ela que você deve passar antes de mim? É bem
abordar outrem como outrem, isto é, já res- difícil porque você também abordou meu ros-
ponder por ele? to. Mas a cortesia ou a ética consiste em não
A primeira palavra não é bom-dia?! Sim- pensar nessa reciprocidade.
ples como um bom-dia!... Bom dia como
bênção e como minha disponibilidade para P0IRIÉ, François. Emmanuel Lévinas: ensaio e en-
com o outro homem? trevistas. Tradução J. (uinsburg, Márcio )onÓrio de
Isto não quer dizer ainda: que belo dia. (odoZ e Thiago Blumenthal. São Paulo: Perspectiva,
Isto exprime: eu te desejo paz, eu te desejo um 2007. p. 6. (Debates 30).
bom dia, a expressão de quem se preocupa
com o outro. Ela porta todo o resto da comu-
nicação, ela carrega todo o discurso. [...] Por isso, é preciso viver para o outro, pois
assim o desenvolvimento do nosso “eu” será
P0IRIÉ, François. Emmanuel Lévinas: ensaio e en- cada vez maior. Viver para o outro é a melhor
trevistas. Tradução J. (uinsburg, Márcio )onÓrio de maneira de viver para si, pois os outros são
(odoZ e Thiago Blumenthal. São Paulo: Perspectiva, a maior parte de nÓs mesmos. 0s outros são
2007. p. 3. (Debates 30). as pessoas de quem gostamos ou de quem
não gostamos. Estranhos ou conhecidos.
Podemos compreender e sermos compreen-
A troca de sentidos é o que nos faz humanos. didos por todos. Nossa atitude ética, então,
Ao reconhecer que outras pessoas são capazes é viver para o outro, e cada vez que nos apro-
de dar sentido, elas deixam de ser apenas coisas ximamos dos outros nÓs nos completamos,
e tornam-se o outro, parte do nosso “eu”, assim nos instituímos. 0s outros nos dão mais
como nÓs nos tornamos parte deles. No entanto, expressividade, mais linguagem. Portanto,
o outro é para nÓs um profundo e inànito mis- devemos viver por quem nos dá mais, que é
tério, e cada pessoa do mundo pode nos levar a a maneira de vivermos por nÓs mesmos, ou
lugares jamais pensados. seja, viver para o outro.

Escrever

Pois é a ética antes de tudo? Nesta mesma etapa, peça aos alunos
A palavra ética é grega. Eu penso mui- que produzam um pequeno texto, de
to mais, sobretudo agora, na santidade, na acordo com a proposta de Lição de
santidade do rosto de outrem ou na santi- casa do Caderno do Aluno, a respeito do que
dade de minha obrigação como tal. Tanto uma das seguintes pessoas deve esperar de si:
faz! )á uma santidade no rosto, mas sobretu-
do há santidade ou ética para consigo mesmo f de um estranho que anda na rua
em um comportamento que aborda o rosto f de uma pessoa da família dele
f de alguém que foi magoado por ele

71
f de alguém que o magoou mos nossa existência por meio do signiàcado
f de alguém de quem ele não gosta que o outro nos atribui. Se me sinto envergo-
f de alguém que ele ama. nhado e acho que o que está acontecendo
comigo é algo feio, é o outro que me revela nesse
Depois que terminarem, peça que invertam signiàcado. Do mesmo modo, ao estar apaixo-
a proposição e escrevam o que eles esperam nado, egoisticamente precisando ser amado, o
dessa pessoa. outro me revela nessa necessidade.

Aceite voluntários ou indique alguns alunos Diferentemente do amor, que quer manter o
para ler na sala os textos preparados, refor- outro ao nosso lado, o Ódio também revela quem
çando a importância de se reconhecer como somos. 0 Ódio revela minha maldade, meu ser
cidadão ético. cruel, que despreza a liberdade do outro. Por isso,
mesmo quem ri de nÓs nos institui. Enàm, cada
um de nÓs experimenta a prÓpria existência sob
Dialogar – alienação moral e o o olhar alheio.
ser-para-outros em Sartre
Isso faz que nossa relação com os outros seja
A exemplo de outras Situaç×es de Aprendiza- tão íntima que precisamos assumir uma vida
gem, peça aos alunos que tragam de casa uma ética. Por mais que eu me considere de determi-
pequena biograàa de Sartre. nada maneira, sempre haverá quem me mostre
de modo diferente. Podemos até disfarçar, mas
Comece a etapa lembrando que muitas pes- o ato de disfarçar já é colocar-se no mundo com
soas sonham ou têm pesadelos em que aparecem base no outro. Por isso, Sartre chegou a dizer
sem roupa na rua, na frente de estranhos. Ficam que o inferno são os outros. Não há como esca-
aáitas e envergonhadas e sÓ sentem alívio ao des- par disso: é preciso ser ético.
pertar e perceber que tudo não passou de um
sonho. Com base nisso, podemos pensar, àlosoà- Professor, com base nessas considera-
camente, por que sentimos vergonha? Por que um ç×es, sugerimos que leia com os alunos
bebê não sente vergonha de estar sem roupa? o texto “Alienação moral”, disponível
no Caderno do Aluno.
Para Sartre, a vergonha vem do fato de que
nÓs somos o que os outros nos revelam. Assim, 0 assunto abordado é fundamental para
no caso da vergonha, somos instituídos pela um bom entendimento do que consideramos
presença julgadora dos outros. NÓs reconhece- ação ética.

Alienação moral
Alienação moral é preocupar-se de maneira distorcida com o outro. Não é ignorá-lo, visto que é
impossível, pois ele nos mostra, em si, como somos, mas traduzi-lo de uma forma que não permita
essa revelação. No processo de alienação moral, uma pessoa trata as demais sem reáexão que permita
o questionamento sobre diferenças, semelhanças, justiça, igualdade sem repensar em si mesmo.
Sobre isso, Sartre aàrmou que não podemos viver com morais alienantes, fora da histÓria. A ética
deve ser entendida como ação no mundo, sob o contingenciamento da histÓria – histÓria e ética se
confundem. A alienação moral procura fazer que a ação do passado seja repetida no presente o que
é bom é a cÓpia do que foi bom, ignorando as transformaç×es que a histÓria de cada um e das socie-

72
Filosofia – 2a série – Volume 1

dades imputa a todos. Não podemos dizer, sem pensar, que o que era errado há cem anos continuará
sendo errado, que não deve haver mudanças.
NÓs, seres humanos, precisamos de princípios morais e reáexão ética. A falta desses princípios
pode signiàcar a morte ou uma falsa vida, falsa individualidade e pseudoexistência.
Deve haver, portanto, no presente, a preocupação de como devemos agir em relação ao outro. As
mudanças de nosso tempo exigem uma reáexão a respeito de nossa convivência ética, com os desaàos
do mundo atual, para a construção da solidariedade entre os seres humanos.
Cabe a cada um de nÓs assumirmos a reáexão pura e sermos autênticos na perspectiva da solida-
riedade. Devemos nos reconciliar conosco e assumir a ação ética no mundo, mesmo sem apoio.
Portanto, sermos éticos é assumirmos a responsabilidade com o outro, com aquele que não somos.
Com base nisso, teremos a autenticidade da nossa prÓpria vida e não a vileza de uma vida baseada em
sistemas não histÓricos. Aànal, é o outro que nos revela o que somos.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

ApÓs a leitura, peça aos alunos que escrevam ação histÓrica do presente, e não em valores
um texto reáetindo sobre a seguinte questão: Por metafísicos ou do passado. Assinale exem-
que devo ser ético? A discussão deve levar em plos em que essa ideia aparece.
consideração os conteÙdos das aulas dadas em
que foram aplicadas as Situaç×es de Aprendiza- a) As mulheres devem obedecer aos homens.
gem aqui propostas, discutidos exaustivamente
em todas as Situaç×es de Aprendizagem. b) NÓs temos de nos preocupar mais com
nossas necessidades do que com as
tradiç×es.
Avaliação da Situação de
Aprendizagem c) 0s homens não devem chorar.

Esta avaliação poderá levar em conta o d) Minha família nunca perdoou um erro
Ùltimo texto produzido pelos alunos. Será fun- grave eu também não.
damental que eles consigam fazer uma síntese
dos conteÙdos sobre ética e alteridade, relacio- e) Não importa o que àzeram com o
nando-os com as prÓprias ideias. homem importa o que ele fará com o
que àzeram dele.
Propostas de questões para avaliação
2. Segundo Sartre, como nÓs nos constituí-
Professor, as quest×es 1 e 2 de mÙl- mos diante dos outros?
tipla escolha que seguem estão no
Caderno do Aluno na seção Você a) Pela vergonha, o olhar dos outros nos
aprendeu?. Você poderá, a seu critério, pedir aos apresenta existindo de maneira não
alunos que entreguem as quest×es respondidas adequada.
em folha avulsa e que justifiquem as opç×es
assinaladas. A entrega dessa atividade pode ser b) Pelo amor, o desejo de possuir o outro e de
considerada como parte da avaliação. aprisioná-lo, fazendo que o outro nos ame.

1. Para Sartre, a ética deve ser baseada na c) Pelo Ódio da liberdade dos outros.

73
d) 0s outros não nos revelam, nÓs os Recursos para ampliar a perspectiva
revelamos. do professor e do aluno para
a compreensão do tema
e) Pela liberdade natural que temos.
Os alunos que notarem a relação íntima entre a consciên- Livros
cia de sua existência em si, em razão da existência dos
outros, demonstraram competência para refletir, ética e BUEN0, Isaque José. Liberdade e ética em Jean-
politicamente, o que requer a compreensão de fenôme- Paul Sartre. Dissertação (Mestrado em Filosoàa).
nos históricos, sociais, culturais e artísticos e a organização Porto Alegre: PUC-RS, 2007. Disponível em:
e interpretação de conhecimentos diferentes para enfrentar <http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.
situações-problema. php?codArquivo=32>. Acesso em: 21 out. 2013.

3. Qual é o sentido da linguagem para FARIAS, André BraZner de. Para além da
Lévinas? essência: racionalidade ética e subjetividade no
Espera-se que os alunos apresentem a ideia da constituição de si, pensamento de Emmanuel Lévinas. PUC-RS,
com base na significação do mundo e sua relação com o outro. 2006. Tese de Doutorado em Filosoàa, sobre
Lévinas. Disponível em: <http://tede.pucrs.br/
4. Segundo Sartre, por que os outros são fun- tde_busca/arquivo.php?codArquivo=21>.
damentais para nossa individualidade? Acesso em: 21 out. 2013.
Será fundamental que, na resposta, o aluno considere a consti-
tuição histórica de si em relação ao outro; ser em si, em razão LÉVINAS, Emmanuel. Descobrindo a existên-
do olhar do outro – o que requer o domínio da norma-padrão cia com Husserl e Heidegger. Tradução Fer-
da Língua Portuguesa e a capacidade de refletir filosoficamente. nanda 0liveira. Lisboa: Instituto Piaget,
1. (Pensamento e Filosoàa).

Proposta de situação de recuperação SARTRE. Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de


ontologia fenomenolÓgica. Tradução e notas
Esta Situação de Aprendizagem almejou Paulo Perdigão. 17. ed. PetrÓpolis: Vozes, 200.
dar aos alunos a possibilidade de praticar a (Textos FilosÓàcos).
reáexão crítica, visando capacitá-los para com-
bater a alienação moral e, ao mesmo tempo, Filmes
valorizar o reconhecimento do outro.
À procura da felicidade (The pursuit of happy-
Para os alunos que não conseguiram ter ness). Direção: (abriele Muccino. EUA , 2006.
bom desempenho de acordo com esses objeti- 127 min. Livre. 0 àlme fala de atitudes que
vos, recomendamos as seguintes atividades de devem ser tomadas em relação aos sonhos e a
recuperação: quem amamos.

Peça que, apÓs revisarem todo o conteÙdo de Os Simpsons (The Simpsons movie). Direção:
que disp×em no Caderno e textos que lhes foram David Silverman. EUA , 2007. 7 min. 12 anos.
entregues, produzam uma redação que responda, 0 àlme aborda quest×es de ética e sociedade.
com os argumentos discutidos em aula, à seguinte 0 que pensar das atitudes de )omer e de Lisa?
questão: Quem sou eu, e por que este “eu” deve Como a população de Springàeld reage aos
fazer o bem? Como essa questão é bastante sub- problemas que enfrenta? Não seria um mundo
jetiva, ajude os alunos, deànindo a ideia de bem sem ética? Aànal, como seria a cidade se todos
que deve orientar a sua redação. fossem cidadãos de verdade?

74
Filosofia – 2a série – Volume 1

QUADRO DE CONTEÚDOS DO ENSINO MÉDIO


1ª série 2ª série 3ª série

Descobrindo a Filosoàa Ética e o utilitarismo ético Para que Filosoàa?


– Por que estudar Filosoàa? – Introdução à ética. – 0 que é Filosoàa?
– As áreas da Filosoàa. – 0 eu racional. – Superação de preconceitos em
relação à Filosoàa e deànição e
– A Filosoàa e outras formas de – Autonomia e liberdade.
importância para a cidadania.
conhecimento: Mito, Religião,
– Introdução à Teoria do
Volume 1

Arte, Ciência. – 0 homem como ser de natureza e de


Indivíduo: John Locke, JeremZ
linguagem.
Bentham e Stuart Mill.
– Características do discurso àlosÓàco.
– Tornar-se indivíduo: Paul
Ricoeur e Michel Foucault. – Comparação com o discurso
religioso.
– Condutas massiàcadas.
– 0 homem como ser político.
– Alienação moral.
– A desigualdade entre os homens
como desaào da política.

Filosoàa Política Filosoàa Política e Ética O discurso àlosóàco


– Introdução à Filosoàa Política. – Filosoàa Política e Ética: – Características do discurso àlosÓàco.
humilhação, velhice e racismo.
– Teoria do Estado: Socialismo, – Comparação com o discurso
Anarquismo e Liberalismo. – )omens e mulheres. cientíàco.
– Democracia e cidadania: origens, – Filosoàa e educação. – Três concepç×es de liberdade:
Volume 2

conceitos e dilemas. Liberalismo, Determinismo e


– Desaàos éticos contemporâneos:
Dialética.
– Desigualdade social e ideologia. a Ciência e a condição humana.
– Comparação com o discurso da
– Democracia e justiça social. – Introdução à Bioética.
literatura.
– 0s Direitos )umanos.
– Valores contemporâneos que cercam
– Participação política. o tema da felicidade e das dimens×es
pessoais da felicidade.

75
GABARITO c) Quando dormimos, nosso sonho parece ser real. Do mesmo
modo, quando estamos em estado de vigília, por vezes, temos
as mesmas ideias de quando dormimos. No sonho e na reali-
dade sentimos e pensamos ideias semelhantes. Por exemplo,
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1 ideia de mãe, de cachorro e de escola. Como essas ideias
O eu racional que aparecem no sonho e na realidade geram dúvida, Des-
Desafio (CA, p. 5-6) cartes as rejeitou.
1. O objetivo principal do primeiro quadro é provocar o debate d) Mesmo duvidando de tudo, Descartes percebeu algo
entre os alunos a respeito do problema filosófico da funda- de que tinha certeza: ele estava duvidando. Duvidar é
mentação teórica da existência. É preciso que os alunos pro- uma função do pensamento. Duvidar é pensar. Portanto,
curem perceber que algo dado como natural nem sempre se Descartes duvidava, então ele pensava. Pensar era a
envolve respostas simples. única certeza.
Para o segundo quadro, o dilema entre sonho e realidade Ao distinguir sonho de vigília, sentidos, raciocínios, Des-
perante a razão é mais um fomento para o debate iniciado na cartes constata que em qualquer situação o pensamento
primeira questão. É necessário encontrar a realidade sem que permanece como única realidade inquestionável.
ela se confunda com o sonho. e) Descartes pensou que na relação entre pensar e existir
O terceiro quadro segue, ainda, com o debate e alguns argu- nada existe de garantia de verdade, exceto ver com clareza
mentos do filósofo René Descartes. Os alunos deverão usar que, para pensar, é preciso existir. Daí concluiu que poderia
a imaginação para perceber o problema da fundamenta- tomar como regra geral que as coisas concebidas com cla-
ção teórica da existência por meio de outro ponto de vista. reza e distinção são todas verdadeiras.
É necessário encontrar a realidade sem que ela se confunda
com a memória. Ressalte a importância de anotar as respostas Pesquisa individual (CA, p. 9-10)
como forma objetiva de participação. Para cada resposta, será necessário pesquisar em fontes espe-
2. Esta atividade requer que os alunos se aproximem da conclu- cializadas em Filosofia.
são do cogito cartesiano. Peça aos alunos que evitem respostas de dicionário ou voca-
À medida que ele ingressou no debate a respeito da fun- bulário comum da língua ou de outras ciências. Uma palavra
damentação teórica do real, ele poderá perceber, no texto pode ter vários sentidos, mas o que queremos é como ela é
filosófico que vem a seguir, no Caderno do Aluno, a resposta classicamente problematizada pela Filosofia. Outro ponto impor-
moderna a esse problema filosófico. tante consiste em evitar debates que levem o aluno a um ceti-
cismo prévio, fazendo que ele rejeite o próprio debate filosófico.
Leitura e análise de texto (CA, p. 7-9) • Razão: espera-se que os alunos respondam que razão é a
1. Esta resposta depende das palavras desconhecidas ou faculdade ou capacidade que orienta os homens e as mulhe-
consideradas difíceis pelos alunos. O interessante é que eles res em todos os campos da sua vida; por ela, consegue-se
sejam motivados a pesquisar em dicionários de Filosofia e fazer investigação e análise da própria consciência.
que registrem os resultados. • Percepção: espera-se que os alunos respondam que percep-
2. Considere que os alunos deverão compor sua resposta com ção consiste na atividade de conhecer um objeto e determi-
elementos do texto explicados em sua linguagem. O importante nar a sua relação com o mundo. Pode-se conhecer um objeto
é fazer que os alunos leiam e entendam o texto de Descartes. apenas sob o ponto de vista estritamente biológico ou fisio-
a) Como podemos nos enganar baseando-nos nas informa- lógico, quando se recorre, por exemplo, aos órgãos dos sen-
ções obtidas pelos sentidos como o olfato, o paladar, a visão, tidos. O objeto é visto, é tocado, é cheirado etc. A percepção
o tato e a audição, Descartes rejeitou todas essas sensações. pode envolver outros fenômenos mais complexos, como a
Afinal, quem nunca confundiu uma imagem, som ou sabor? memória, por exemplo, que pode influenciar a interpretação
b) Quando procuramos raciocinar, podemos nos enganar. do que o órgão dos sentidos nos mostrou.
O raciocínio nem sempre é perfeito e, por isso, foi rejei- • Juízo: espera-se que os alunos respondam que juízo é a capa-
tado por Descartes. Afinal, mesmo sabendo fazer contas é cidade de avaliar, escolher e atribuir valores a alguém ou a
comum errarmos. alguma coisa.

76
Filosofia – 2a série – Volume 1

• Imaginação: espera-se que os alunos respondam que a facul- aluno a um ceticismo prévio, fazendo que ele rejeite o próprio
dade da imaginação serve à criação de imagens que ampliam debate filosófico.
e aprofundam a nossa relação com o mundo em que vivemos. • Ética: espera-se que os alunos respondam que ética é o
Nesse sentido, a imaginação traz possibilidades de entender e conhecimento e a investigação a respeito da ação humana.
orientar além dos procedimentos comuns. Procura-se saber quais são os melhores meios para os melho-
• Memória: espera-se que os alunos respondam que a facul- res fins, com base na compreensão da existência humana.
dade da memória, mais armazenamento de informação, pos- • Moral: espera-se que os alunos respondam que moral con-
sibilita retomar experiências vividas, reviver os sentimentos, siste nas normas e nos valores para ação do ser humano, com
refletir e reavaliar os percursos de vida. base em uma doutrina ou concepção ética.
• Virtude: espera-se que os alunos respondam que virtude
Leitura e análise de texto (CA, p. 11-14) consiste na capacidade moral ou força moral para ação que
1. Resposta pessoal, mas que precisa ser metódica. O aluno conduza ao bem.
necessita, para responder, compreender a diversidade das • Vício: espera-se que os alunos respondam que vício constitui
funções intelectuais, entender que o intelecto pode ser a incapacidade moral, a tendência de deixar de fazer algo que
desenvolvido e que, dessa forma, o potencial e as habilidades poderia ser julgado como bom.
intelectuais podem ser melhoradas. Como o espaço é redu- • Prazer: espera-se que os alunos respondam que prazer é uma
zido, ele certamente poderá responder no caderno. sensação de satisfação que, em geral, é curta. Quando é
2. a) Resposta pessoal, mas que precisa ser metódica. A autoava- muito prolongada, é considerada felicidade.
liação é o aspecto básico da reflexão – da teoria para pensar • Dor: espera-se que os alunos respondam que dor é uma emo-
sobre si mesmo. Observar até agora os limites das funções ção ou sensação de negação ou sofrimento, pode ser física
intelectuais, por meio das dificuldades, sugere um debate ou emocional.
para melhorar essas funções. Eis o aspecto da reflexão. • Conhecimento: espera-se que os alunos respondam que
b) e c) Resposta pessoal, mas que precisa considerar, por meio conhecimento é a condição de entender, descrever, fazer ou
da reflexão, sua realidade pessoal e o desenvolvimento das calcular um objeto, um fato, uma característica, uma organi-
funções intelectuais. zação, uma previsão ou um sentido.
d) Resposta pessoal, que deve ser propositiva. Uma vez encon- • Alma: espera-se que os alunos respondam que alma é um con-
trada a maior dificuldade, é preciso pensar na superação junto de operações psíquicas, considerada substância separada
dessa dificuldade. Assim, esta atividade poderá conduzir à do corpo, principalmente para a Filosofia Antiga e Medieval.
reflexão ética constante.
Leitura e análise de texto (CA, p. 16-17)
Você aprendeu? (CA, p. 14) 1. Provocar um debate teórico a respeito das ações humanas é
O objetivo desta atividade é propiciar entre os alunos um o objetivo deste exercício. Para isso, é preciso avaliar de forma
exercício de retomar o vivido e avaliar as escolhas realizadas. Ou racional a ação dos jovens agressores.
seja, um exercício que leve o aluno a considerar a memória como 2. A segunda questão leva o aluno a observar a ação ética do
uma faculdade que permite refletir e avaliar as nossas escolhas. taxista, como oposição ao crime anterior. A compreensão e a
reflexão necessitam ser claras e objetivas, evitando respostas
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 emocionais ou de fundo meramente religioso.
Introdução à Ética
Pesquisa individual (CA, p. 15-16) Leitura e análise de texto (CA, p. 17-18)
Para cada resposta, será necessário pesquisar em fontes espe- Os alunos precisam compreender a base cultural dos sistemas
cializadas em Filosofia. morais, que nem sempre significam uma justa normatização. Eis
Peça aos alunos que evitem respostas de dicionário ou voca- o motivo da tentativa de diferenciação. A seguir são apresentadas
bulário comum da língua ou de outras ciências. Uma palavra sugestões de respostas; no entanto, os alunos precisam aprofun-
pode ter vários sentidos, mas o que queremos consiste em como dar tais questões, pois estamos tratando da formação individual
ela é classicamente problematizada pela Filosofia. Outro ponto da autonomia, e não apenas de adaptação social.
importante refere-se a evitar na pesquisa debates que levem o 1. Moral são as regras e as normas de conduta de uma sociedade.

77
2. Não matarás; não deves mentir; a nudez em público é palavras que considerem de difícil compreensão e possam
proibida. buscar em dicionários os significados correspondentes. Este
3. Ética é a reflexão sobre o agir e sobre a conduta. exercício favorece o hábito de pesquisar significados.
4. Preciso pensar antes de aceitar; se eu não fizer isso, posso ter 2. Além de compreenderem o texto, os alunos serão levados a
problemas maiores depois; conforme a situação, isso pode ser pensar sobre temas metafísicos e características humanas que
muito ruim. são atribuídas às divindades. Sugestão de resposta: os seres
imortais, ou os deuses, não agem por impulso, raiva ou bon-
Lição de casa (CA, p. 19-20) dade, pois são os seres perfeitos, e quem age assim são os seres
1. Resposta pessoal, que deve ser metódica. Os alunos deverão imperfeitos, ou seja, os mortais. Além disso, para Epicuro, a raiva
refletir sobre como pensam para tomar decisões. O que é e a bondade podem acarretar sofrimento e seres perfeitos não
levado em consideração: sua vontade, seus desejos, os valores sofrem, pois eles vivem na mais profunda tranquilidade.
sociais? O que está em jogo para alcançar o melhor caminho? 3. Como se sabe, as doenças geram sofrimento. No entanto,
Essa autoavaliação é importante, uma vez que muitos perce- quando a doença termina, surge o prazer, que é o fim do sofri-
berão que, ao pensar sobre sua forma de elaborar as ações, mento. Quanto mais dura a dor, maior será o prazer, para Epicuro.
passam por preconceitos ou pela alienação moral. Por isso, para o filósofo, após uma longa doença, virá um grande
2. Resposta pessoal, que deve ser metódica. Quais são as fontes prazer. Essa é outra forma de ver a dor, e, também, o prazer.
de verdade? De onde vem a sua justiça ou injustiça pessoal? A 4. Segue-se, nesta questão, o aprofundamento teórico ini-
reflexão procura fazer que os alunos percebam seus valores e ciado na questão anterior.
contravalores pessoais. Sugestão de resposta: a relação entre prazer e dor consiste em
3. Resposta pessoal. Com base nessas avaliações, os alunos deverão que, ao final de uma delas, surge a outra. Ou seja, ao final do prazer
compreender que a ação moral requer um crescimento cons- surge a dor e ao final da dor surge o prazer. Precisamos escolher os
tante e que há elementos concretos que viabilizam essa ação. Na prazeres que acarretem menos dor quando eles acabarem.
primeira Situação de Aprendizagem, o intelecto estava em pauta, 5. Esta questão visa à compreensão de critérios epistemológi-
nesta, a pauta consiste em utilizá-lo para o crescimento ético. A cos para elaboração de reflexão ética. Sugestão de resposta:
ordenação das atividades sugere o uso da razão na elaboração quando se evitam todas as sensações, perde-se o critério para
de uma vida mais ética. Compreendendo seus limites, pode-se distinguir uma de outra. Logo, um indivíduo que procura não
elaborar um plano pessoal de desenvolvimento. sentir nada não conseguirá saber o que é melhor para ele.
6. Ao retornarem ao texto para discutir a amizade, os alunos
Leitura e análise de texto (CA, p. 21-24) poderão refletir sobre esse tema na vida contemporânea.
Respostas de acordo com reflexão de cada aluno. Com base Sugestão de resposta: a amizade é importante porque dela se
nos conceitos apresentados, eles precisam imaginar situações origina toda a felicidade. A amizade é um prazer duradouro.
reais desses vícios. Por exemplo: Quando se é covarde? Quando 7. A questão final deve ser o resumo da ideia central da ética
se tem coragem? Quando se é temeroso? A ideia de situações epicurista. Sugestão de resposta: todos os prazeres são impor-
deve sobrepor-se à possibilidade de criação de estereótipos, tantes, no entanto, quando um prazer acaba inicia-se a dor. É
como “o covarde”. Tendo em vista o espaço muito limitado para a preciso, então, escolher prazeres que acarretem menos dor
realização da atividade proposta, ela poderá ser feita no caderno. ao final. Por exemplo, há muito prazer em correr com o carro,
mas pode ser que ele bata e nos cause dores inimagináveis.
Leitura e análise de texto (CA, p. 24-26)
Todas as questões são baseadas na necessidade de o aluno Leitura e análise de texto (CA, p. 26-27)
ler e compreender um texto filosófico. Essa experiência é fun- As reflexões de Epicuro nos ajudam a pensar em uma proposta
damental à medida que exige um desenvolvimento intelectual secular para a ética. Por isso, toda a análise deve auxiliar os alunos
de alto nível. O objetivo geral é escrever em linguagem comum a compreender a reflexão ética e sua operacionalidade no coti-
o que querem dizer as máximas filosóficas indicadas. A seguir, há diano. Os quatro conselhos epicuristas podem ser vivenciados
sugestões de respostas (para apoio didático) que envolvem o ou compreendidos mesmo no cotidiano dos alunos. A seguir há
texto e o contexto filosófico epicurista. respostas de apoio para os temas, mas lembre-se de que a possi-
1. O importante é que os alunos identifiquem e destaquem bilidade de aprofundá-las é o objetivo principal.

7
Filosofia – 2a série – Volume 1

1. Esta questão deve colocar a adesão como um debate público, • Liberdade: espera-se que os alunos respondam que é a capa-
já que as ações religiosas interferem neste espaço. Sugestão cidade de autodeterminação, ainda que, por vezes, limitada.
de resposta: não assumir uma fé por medo de castigo, mas por • Responsabilidade: espera-se que os alunos respondam que é
alegria de participar de um grupo religioso. a capacidade de prever as consequências das ações e de res-
2. Esta questão deve colocar a ciência no contexto da ética pessoal. ponder por elas.
Como agir com base em conhecimentos científicos? Suges- • Convívio: espera-se que o aluno responda que é a vivência
tão de resposta: no contexto atual, as pessoas procuram evitar a entre indivíduos necessária para o desenvolvimento humano.
morte de todas as maneiras, deixando de viver a vida, com medo • Projeto: espera-se que os alunos respondam que é a anteci-
do que virá depois. Para Epicuro, a morte é a separação de áto- pação, a previsão, o planejamento e a organização de tudo o
mos, sem dor. E, por isso, não podemos deixar de viver a vida por que pode acontecer e ser feito.
medo da morte.
3. O objetivo aqui é pensar e retomar os critérios de Epicuro, Leitura e análise de texto (CA, p. 30-32)
exercitando, assim, o conhecimento e a prática da reflexão Resposta pessoal, conforme comentários no Caderno do Pro-
ética. A tranquilidade é o maior prazer do pensamento epi- fessor. Nesta questão, os alunos deverão refletir sobre os limites
curista, enquanto os tormentos do medo são a dor maior. Essa da própria liberdade. Esta autoconsciência é um dos principais
relação entre os extremos é que dá o sentido mais estrito a pilares da autonomia.
esse pensamento. O prazer e a dor fazem parte da existência.
Quando um acaba outro começa. Como eles fazem parte da Leitura e análise de texto (CA, p. 32-33)
existência, todos os seres vivos podem experimentar o prazer; O objetivo da questão é provocar nos alunos uma reflexão
os maiores e os melhores prazeres procedem do sossego. sobre o homem e o seu papel no mundo. Espera-se que os alu-
4. Compreender a própria finitude em meio à reflexão ética é nos, após refletir sobre o tema, reconheçam que o existencia-
um exercício que os alunos poderão desenvolver nesta ques- lismo, a partir do que foi exposto por Sartre, valoriza o homem
tão. Sugestão de resposta: não precisamos ficar com medo da conferindo a ele liberdade e responsabilidade.
dor. Podemos sentir a dor com sossego, por dois motivos: pri-
meiro, que toda a dor acaba e logo vem o prazer; e, segundo, Pesquisa em grupo (CA, p. 33)
que quando a dor é muito forte, ela leva à morte. Mas para O objetivo principal desta atividade é criar, com base em tex-
Epicuro a morte é algo de que não se precisa ter medo, deve tos dos meios de comunicação, a compreensão ética da realidade.
ser encarada em paz, ela é apenas a separação de átomos. 1. Os alunos devem ser orientados a buscar notícias nas quais
liberdades individuais são respeitadas e outras em que as
Exercício (CA, p. 28-29) liberdades individuais ou de determinados coletivos não
Nesta atividade, os alunos deverão pensar sobre a ética epi- sejam respeitadas. A imprensa escrita ou televisiva está
curista com base em elementos afetivos, que estão ligados aos repleta de notícias dessa natureza. A internet, quando houver
seus desejos. condições de acesso, pode ser um veículo importante e ágil
para o destaque de tais notícias.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 2. O processo de justificativa e debate sobre as matérias jornalís-
A liberdade ticas selecionadas é fundamental para a reflexão sobre o tema,
Pesquisa individual (CA, p. 30) além de favorecer o exercício da argumentação.
Para cada resposta, será necessário pesquisar em fontes espe-
cializadas em Filosofia. Exercícios (CA, p. 33-34)
Peça aos alunos que evitem respostas de dicionário ou voca- 1. O filme em sala de aula não deve ser apenas uma história
bulário comum da língua ou de outras ciências. Uma palavra emocionante, ou exemplo de alguma teoria, ele é um texto
pode ter vários sentidos, mas o que queremos consiste em como a ser lido. Algumas questões podem ser colocadas para que
ela é classicamente problematizada pela Filosofia. Outro ponto os alunos melhorem sua leitura. Ajude-os a assistir a um filme
importante refere-se a evitar na pesquisa debates que levem o com o caderno de anotações em mãos. A ficha técnica deve
aluno a um ceticismo prévio, fazendo que ele rejeite o próprio ser preenchida com os dados do filme.
debate filosófico. 2. a) A personalidade das personagens centrais fará que os alu-

7
nos pensem nos limites individuais e os orientará melhor na mento ou dever prático. Por exemplo: devem-se obedecer às
leitura da narrativa. É importante descrever as personagens. leis de trânsito; devem-se seguir as recomendações médicas.
b) O pequeno resumo deve apresentar a própria narrativa.
c) A parte de que mais gostou deve gerar uma parcela da nar- Leitura e análise de texto (CA, p. 37-39)
rativa centrada no detalhe. Aqui, o fundamental é dizer o Nestas atividades, o que deve ser praticado é a reflexão ética
motivo de ter gostado. com base no pensamento kantiano. Os alunos devem perceber
d) Falas interessantes do filme são maneiras de prender a aten- que há mecanismos para pensarmos a ação no mundo com base
ção no texto interpretado. Procure fazer que os alunos con- em elementos concretos.
textualizem as falas.
e) Aborde a questão pedagógica do filme. Diferentemente Lição de casa (CA, p. 40-41)
das questões anteriores, os alunos deverão agora interpre- Importante neste exercício é que os alunos reflitam e desta-
tar o filme com base na discussão em curso. quem um objetivo para pensar as condições necessárias para sua
realização.
Lição de casa (CA, p. 35)
É fundamental para a avaliação: vocabulário filosófico, coe- Leitura e análise de texto (CA, p. 41-43)
rência argumentativa e clareza nas ideias. Na medida do possível, Nesta atividade, a prática da criatividade deve levar em con-
oriente sobre questões gramaticais e ortográficas. sideração a relação ética que temos conosco, mas também com
todos. A metodologia kantiana é um bom exemplo para praticar.
Você aprendeu? (CA, p. 35) A seguir, há respostas possíveis, mas que não retiram a necessi-
Resposta pessoal. Nessa produção, os alunos devem enfatizar dade de criar outras, utilizando o imperativo categórico.
aspectos da Situação de Aprendizagem que foram mais significa- a) ser fiel – sejam fiéis a mim
tivos para eles individualmente. b) prestar atenção – prestem atenção em mim
c) ajudar – me ajudem quando me fizerem mal
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4 d) consolar – me consolem quando eu chorar
Autonomia e) alertar – me alertem quando eu atrapalhar
Pesquisa individual ( CA, p. 36-37) f) brincar junto – brinquem comigo quando eu rir de alguém
Para cada resposta, será necessário pesquisar em fontes espe- g) pedir desculpas – peçam desculpas quando falharem comigo
cializadas em Filosofia. Peça aos alunos que evitem respostas de h) perdoar – me perdoem quando se decepcionarem comigo!
dicionário ou vocabulário comum da língua ou de outras ciên- i) tentar novamente – tentem novamente comigo as coisas
cias. Uma palavra pode ter vários sentidos, mas o que queremos boas
consiste em como ela é classicamente problematizada pela j) ajudar – me ajudem
Filosofia. Outro ponto importante refere-se a evitar na pesquisa
debates que levem o aluno a um ceticismo prévio, fazendo que SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
ele rejeite o próprio debate filosófico. Introdução à Teoria do Indivíduo
• Autonomia: espera-se que os alunos respondam que autono- Pesquisa individual (CA, p. 44)
mia é a capacidade ou condição do sujeito ético de criar as Deve-se estimular a pesquisa entre os alunos. Essa pesquisa
próprias regras e procedimentos para sua vida. poderá ser realizada a partir de fontes variadas, tais como dicio-
• Heteronomia: espera-se que os alunos respondam que hete- nários de Língua Portuguesa e, principalmente, de Filosofia.
ronomia é condição moral de viver sob regras produzidas por Vale ainda a pesquisa em sites da internet, que oferecem muitos
outros indivíduos. dados, mas que devem ser analisados criticamente.
• Imperativo categórico: espera-se que os alunos respondam • Utilitarismo: corrente do pensamento ético, político e econô-
que imperativo categórico consiste em uma ordenação, mico dos séculos XVIII e XIX na Inglaterra. A palavra “utilitarista”
mandamento ou dever racional que é bom em si mesmo. Por foi usada por Jeremy Bentham pela primeira vez em 1781. Os
exemplo: temos que ser pacientes. utilitaristas preocupam-se em criar uma doutrina para refor-
• Imperativo hipotético: espera-se que os alunos respondam que mas com o objetivo de ampliar o bem-estar e a felicidade dos
imperativo hipotético consiste em uma ordenação, manda- homens.

0
Filosofia – 2a série – Volume 1

• Indivíduo: ao longo da história da Filosofia, temos diferentes Leitura e análise de texto (CA, p. 51-55)
concepções sobre indivíduo. Nesta pesquisa é importante que 1. O importante é estimular o uso do dicionário, em casa, na
se faça um breve resumo de diferentes concepções. escola ou em bibliotecas do bairro. Se possível, a internet
• Contratualismo: doutrina que reconhece como fundamento poderá ser consultada também.
do Estado uma convenção entre seus membros. Aparece já na 2. Resposta aberta que depende do desejo eleito pelos alunos.
Grécia Antiga e atravessa a história política. A pesquisa deve O importante é orientá-los a seguir os critérios do autor.
recuperar brevemente esse panorama.
• Teoria Liberal: doutrina política e econômica que surgiu na Leitura e análise de texto (CA, p. 56)
Idade Moderna, criticando o absolutismo do poder real nas Os alunos devem demonstrar autonomia para realizar a pes-
nações mercantilistas, mas se desenvolveu até a contempo- quisa e capacidade de mobilizar competências e habilidades
raneidade defendendo liberdade no campo político e livre relacionadas à leitura e à escrita. Na redação, os alunos devem
concorrência em termos de mercado. demonstrar entendimento sobre a responsabilidade de se pronun-
Para cada resposta, será necessário pesquisar em fontes espe- ciar publicamente.
cializadas em Filosofia. Procure evitar respostas de dicionário ou
vocabulário comum da língua ou de outras ciências. Uma pala- SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6
vra pode ter vários sentidos, mas o que queremos é como ela é Tornar-se indivíduo
classicamente problematizada pela Filosofia. Outro ponto impor- Pesquisa individual (CA, p. 57-58)
tante consiste em evitar debates que levem os alunos a um ceti- Deve-se estimular a pesquisa entre os alunos. Essa pesquisa
cismo prévio, fazendo que rejeitem o próprio debate filosófico. poderá ser realizada com base em fontes variadas, tais como
dicionários de Língua Portuguesa e, principalmente, de Filosofia.
Exercícios (CA, p. 45-49) Vale ainda a pesquisa em sites da internet, que oferecem muitos
1. a) Resposta aberta que deve ser orientada para evitar compa- dados, mas que devem ser analisados criticamente.
rações pejorativas; ao contrário, ela deve ajudar na obser- • Alteridade: ser outro, colocar-se ou constituir-se como outro.
vação e identificação de diferenças e semelhanças que • Ipseidade: termo usado por Duns Scotus para indicar a singu-
possam servir de base para cooperações, complementari- laridade da coisa individual.
dades e solidariedade. • Linguagem: conjunto de signos que possibilitam a comuni-
b) Resposta aberta que exige os mesmos cuidados e perspec- cação, mas a pesquisa deve trazer diferentes abordagens ao
tivas da anterior. longo da história.
2. Resposta aberta. Professor, atente para que todos tenham • Subjetividade: noção que, na Filosofia, indica a consideração
direito a resposta e para que os argumentos explicitem refe- do sujeito como polo das ações e do conhecimento.
rências e justifiquem as opções. • Razão: argumentos em defesa de ideias; faculdade orienta-
dora geral do homem no mundo e nos processos de conhe-
Desafio! (CA, p. 49-51) cimento. Na pesquisa, é importante situar razão na teoria de
1. • A lei deve garantir mecanismos de controle sobre a partilha alguns filósofos, pelo menos Descartes e Kant.
para todos. E sobre a não depredação da ilha; • Existência: em geral, qualquer delimitação ou definição do
• a lei deve garantir mecanismos de controle sobre a partilha ser. A pesquisa pode trazer definições específicas de cada teo-
para todos; ria filosófica, como o existencialismo, por exemplo.
• a lei deve garantir mecanismos de controle sobre a boa • Percepção: processo que relaciona o homem ao mundo; pro-
convivência; cesso pelo qual o ser humano recebe e conhece o mundo.
• a lei deve garantir mecanismos para educação que evitem a • Juízo: faculdade de distinguir e avaliar; uma parte da ló-
criminalidade e estabelecer punições exemplares e justas; gica; operação intelectual de síntese que é expressa em
• a lei deve garantir mecanismos para que os valores sejam uma proposição.
estipulados coletivamente.
2. Resposta em grupo. Todas as leis anteriores deverão pautar-se Leitura e análise de texto (CA, p. 58-63)
por decisão coletiva e mecanismos de garantia de uma convi- 1. Deve-se estimular a pesquisa entre os alunos. Essa pesquisa
vência solidária. poderá ser realizada por meio de fontes variadas, tais como

1
dicionários de Língua Portuguesa e, principalmente, de Filo- informações. Oriente as pesquisas feitas pelos alunos para a
sofia. Vale ainda a pesquisa em sites da internet, que oferecem busca dessas informações. Se achar interessante, você pode
muitos dados, mas que devem ser analisados criticamente. também solicitar que entrevistem militares, religiosos, atletas.
2. Ele perdeu a relação que tinha com a família (ou sua comuni- 3. a) Em cada um dos grupos, temos pessoas que podem ser
dade de outrora), as expectativas que as pessoas tinham sobre excluídas. Em geral, isso ocorre com aqueles que não conse-
ele, a alegria de ser o centro de uma comunidade. guem se enquadrar totalmente, seja por desvantagem física
3. Para responder a esta questão, os alunos poderão retomar ou intelectual, e, no caso de famílias, até por problemas de
imagens e expressões de sentimentos no texto, por exemplo, natureza psicológica, como os dependentes químicos ou
“O que fui de amarem-me e eu ser menino”. O importante aqueles que apresentam algum problema emocional.
é notar que somos diversos entre outros e em nós mesmos, b) Com questionamentos sobre valores que discriminam pes-
tanto no tempo como no espaço e nas experiências, e que soas e culturas e sobre práticas que silenciam e impedem
podemos manifestar essa diferença e sermos compreendidos manifestações de diferentes pontos de vista e modos de ser.
usando a linguagem. Favorecer a manifestação dos excluídos ou dos que estão em
4. As imagens da casa úmida e do tremor das lágrimas mostram processos de marginalização social, uma vez que eles podem
que agora ele está sozinho, pois venderam a casa da infância, falar sobre suas experiências e sugerir alternativas para supe-
morreram os parentes e ele tem de sobreviver na solidão. Ele ração dessa mesma exclusão.
se tornou só e sem alegria.
5. Procure demonstrar que os detalhes das imagens revelam a Lição de casa (CA, p. 71)
profundidade da narrativa de si. A ordenação dos pensamen- A redação deve seguir os critérios da língua portuguesa e
tos não deve ser considerada na objetividade mecânica, mas conter uma reflexão realizada com base nesta Situação de
na poética (ontológica), nos limites da linguagem, que nos Aprendizagem, criando hipóteses sobre novas formas de orga-
leva e leva os leitores a partilhar experiências. Dessa forma, nização, tendo em vista a solidariedade.
oriente os alunos a evitar destacar informações, como nome,
primeira escola, data de nascimento, nome dos pais, religião. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7
O que se objetiva é chamar a atenção para a relação da lin- Condutas massiàcadas
guagem com o que somos e nos fazemos ser. Pesquisa individual (CA, p. 73)
6. A reflexão sobre as mudanças pessoais baseada na relação Deve-se estimular a pesquisa entre os alunos. Essa pesquisa
com a memória e com o mundo é a pauta desta questão. poderá ser realizada por meio de fontes variadas, tais como
7. Visa-se entender que todos somos capazes de mudanças em nós dicionários de Língua Portuguesa e, principalmente, de Filosofia.
mesmos. Isso será fundamental para aprofundar reflexões éticas. Vale ainda a pesquisa em sites da internet, que oferecem muitos
8. Espera-se que os alunos na redação considerem o que já dados, mas que devem ser analisados criticamente.
foi posto nas respostas anteriores e apresentem um olhar • Egoísmo: termo criado no século XVIII para indicar a atitude
retrospectivo e reflexivo acerca dos espaços como os da de quem dá importância predominantemente a si mesmo
casa, da escola, de entretenimento em diferentes épocas ou às suas ideias.
das suas vidas. • Indústria cultural: expressão criada pelos filósofos da Escola de
Frankfurt para designar o processo de transformação da cul-
Leitura e análise de texto (CA, p. 66-71) tura em produção em série e em mercadoria.
1. Para cada uma das situações ou práticas, é importante a des-
crição associada ao espaço, ao projeto arquitetônico que Exercícios (CA, p. 74-75)
distribui e controla pessoas, delimitando lugares específicos 1. Para termos consciência de quem somos e não nos submeter-
para determinadas funções. Espera-se que o aluno considere mos de forma ingênua a líderes religiosos, a empregadores
observações do cotidiano e, caso não conte em seu repertó- ou a políticos.
rio com elementos para pensar algumas das práticas indica- Devemos ser livres e servir a nós mesmos.
das, elabore, junto aos alunos, hipóteses a esse respeito. 2. Os alunos devem demonstrar certo entendimento sobre a
2. Esta é uma pesquisa que pode ser compartilhada entre os cole- reflexão empreendida por Max Stirner e, dessa forma, con-
gas, pois a descrição de cada grupo de pessoas requer mais siderar que, ao se livrar das amarras da natureza, os homens

2
Filosofia – 2a série – Volume 1

acabaram sendo aprisionados dentro da esfera da cultura. Ou fundamento a todas as ciências particulares. No kantismo, o
seja, deixamos de temer os eventos da natureza e, em contra- estudo das formas ou leis constitutivas da razão pura, funda-
partida, submetemos nossos desejos, opiniões e vontades aos mento de toda especulação a respeito de realidades supras-
processos da cultura. sensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e
3. Para este autor, se cada um assumisse o seu egoísmo fazendo fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico. No
o bem ao outro por interesse, não haveria intrigas nem lutas, positivismo ou materialismo contemporâneo, qualquer teoria
pois cada um seria tão diferente do outro a ponto de não destituída de sentido, verificabilidade, operacionalidade prag-
poderem sequer discordar. Segundo ele, o problema das lutas mática ou concretude, apresentando, consequentemente,
é que nos imaginamos parecidos com os outros e agimos por tendências dogmáticas, irrealistas ou ideológicas.
egoísmo disfarçado, adormecido.
Exercício (CA, p. 79-81)
Leitura e análise de texto (CA, p. 75-78) Resposta pessoal. Contudo, deve-se valorizar as respostas
1. Com base no texto, os alunos podem ser orientados a esco- que demonstram ter agregado reflexão com base nos filósofos
lher uma propaganda para analisar. estudados.
2. A análise conta com um roteiro de perguntas de a a g que
facilitam a observação da propaganda selecionada e a refle- Lição de casa (CA, p. 83)
xão sobre ela. O importante é exercitar a observação de um Resposta aberta. O importante é orientar os alunos para
gênero bastante popular e presente no cotidiano com o auxí- que respondam tendo como referência o cotidiano, as pes-
lio das perguntas, cujas respostas dependem exclusivamente soas que conhecem, e que manifestem hipóteses pessoais
das propagandas escolhidas. sobre como gostariam que elas agissem, caso assim não o
façam. O enunciado já traz um roteiro para o texto. É impor-
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8 tante orientá-los a seguir esse roteiro e, caso desejem mudá-
Alienação moral -lo, que explicitem e justifiquem a opção. Há também a pro-
Pesquisa individual (CA, p. 79) posta inversa: O que as pessoas esperam do aluno? Reflexão
Deve-se estimular a pesquisa entre os alunos. Essa pesquisa valiosa para que se exercite a percepção sobre expectativas do
poderá ser realizada com base em fontes variadas, tais como outro com relação a nós mesmos.
dicionários de Língua Portuguesa e, principalmente, de Filosofia.
Vale ainda a pesquisa em sites da internet, que oferecem muitos Leitura e análise de texto (CA, p. 84-85)
dados, mas que devem ser analisados criticamente. Resposta aberta que pode ser orientada com o intuito de
• Alienação: termo já empregado na filosofia medieval para recuperar as reflexões sobre ética e a importância de agir
indicar grau de elevação a Deus; com Hegel e Marx ganhou de forma que favoreça a si mesmo e ao próximo.
ressignificação, indicando o processo pelo qual o homem se
torna alheio a si mesmo. Biografia dos filósofos (CA, p. 87-93)
• Moral: preceito estabelecido pela sociedade ou por um determi- As respostas dos alunos devem estar organizadas pelos itens
nado grupo social que denota o conjunto de regras de conduta. “vida”, “principais ideias” e “principais escritos”. A página de Filo-
• História: pesquisa e informação ou narração sobre fatos rela- sofia do site Info Escola (disponível em: <http://www.infoescola.
tivos ao passado da humanidade, segundo o lugar, a época, o com/filosofia>, acesso em: 19 ago. 2013) e a página de biografias
ponto de vista escolhidos. do site UOL Educação (disponível em: <http://educacao.uol.com.
• Metafísica: no aristotelismo, investigação das realidades que br/biografias>, acesso em: 19 ago. 2013) são exemplos de fontes
transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um de pesquisa que o aluno pode utilizar.

3
CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL Química: Ana Joaquina Simões S. de Matos Rosângela Teodoro Gonçalves, Roseli Soares
NOVA EDIÇÃO 2014-2017 Carvalho, Jeronimo da Silva Barbosa Filho, João Jacomini, Silvia Ignês Peruquetti Bortolatto e Zilda
Batista Santos Junior e Natalina de Fátima Mateus. Meira de Aguiar Gomes.
COORDENADORIA DE GESTÃO DA
EDUCAÇÃO BÁSICA – CGEB Área de Ciências Humanas Área de Ciências da Natureza
Filosofia: Emerson Costa, Tânia Gonçalves e Biologia: Aureli Martins Sartori de Toledo, Evandro
Coordenadora
Teônia de Abreu Ferreira.
Maria Elizabete da Costa Rodrigues Vargas Silvério, Fernanda Rezende
Geografia: Andréia Cristina Barroso Cardoso, Pedroza, Regiani Braguim Chioderoli e Rosimara
Diretor do Departamento de Desenvolvimento Santana da Silva Alves.
Débora Regina Aversan e Sérgio Luiz Damiati.
Curricular de Gestão da Educação Básica
João Freitas da Silva História: Cynthia Moreira Marcucci, Maria Ciências: Davi Andrade Pacheco, Franklin Julio
Margarete dos Santos e Walter Nicolas Otheguy de Melo, Liamara P. Rocha da Silva, Marceline
Diretora do Centro de Ensino Fundamental Fernandez. de Lima, Paulo Garcez Fernandes, Paulo Roberto
dos Anos Finais, Ensino Médio e Educação
Orlandi Valdastri, Rosimeire da Cunha e Wilson
Profissional – CEFAF Sociologia: Alan Vitor Corrêa, Carlos Fernando de
Luís Prati.
Valéria Tarantello de Georgel Almeida e Tony Shigueki Nakatani.

Coordenadora Geral do Programa São Paulo PROFESSORES COORDENADORES DO NÚCLEO Física: Ana Claudia Cossini Martins, Ana Paula
faz escola PEDAGÓGICO Vieira Costa, André Henrique GhelÅ RuÅno,
Valéria Tarantello de Georgel Cristiane Gislene Bezerra, Fabiana Hernandes
Área de Linguagens
M. Garcia, Leandro dos Reis Marques, Marcio
Coordenação Técnica Educação Física: Ana Lucia Steidle, Eliana Cristine
Bortoletto Fessel, Marta Ferreira Mafra, Rafael
Roberto Canossa Budisk de Lima, Fabiana Oliveira da Silva, Isabel
Plana Simões e Rui Buosi.
Roberto Liberato Cristina Albergoni, Karina Xavier, Katia Mendes
Smelq Cristina de 9lbmimerime :oeÅe e Silva, Liliane Renata Tank Gullo, Marcia Magali
Química: Armenak Bolean, Cátia Lunardi, Cirila
Rodrigues dos Santos, Mônica Antonia Cucatto da
EQUIPES CURRICULARES Tacconi, Daniel B. Nascimento, Elizandra C. S.
Silva, Patrícia Pinto Santiago, Regina Maria Lopes,
Lopes, Gerson N. Silva, Idma A. C. Ferreira, Laura
Área de Linguagens Sandra Pereira Mendes, Sebastiana Gonçalves
C. A. Xavier, Marcos Antônio Gimenes, Massuko
Arte: Ana Cristina dos Santos Siqueira, Carlos Ferreira Viscardi, Silvana Alves Muniz.
S. Warigoda, Roza K. Morikawa, Sílvia H. M.
Eduardo Povinha, Kátia Lucila Bueno e Roseli Língua Estrangeira Moderna (Inglês): Célia Fernandes, Valdir P. Berti e Willian G. Jesus.
Ventrela. Regina Teixeira da Costa, Cleide Antunes Silva,
Ednéa Boso, Edney Couto de Souza, Elana Área de Ciências Humanas
Educação Física: Marcelo Ortega Amorim, Maria
Simone Schiavo Caramano, Eliane Graciela Filosofia: Álex Roberto Genelhu Soares, Anderson
Elisa Kobs Zacarias, Mirna Leia Violin Brandt,
dos Santos Santana, Elisabeth Pacheco Lomba Gomes de Paiva, Anderson Luiz Pereira, Claudio
Rosângela Aparecida de Paiva e Sergio Roberto
Kozokoski, Fabiola Maciel Saldão, Isabel Cristina Nitsch Medeiros e José Aparecido Vidal.
Silveira.
dos Santos Dias, Juliana Munhoz dos Santos,
Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Kátia Vitorian Gellers, Lídia Maria Batista Geografia: Ana Helena Veneziani Vitor, Célio
Espanhol): Ana Paula de Oliveira Lopes, Jucimeire BomÅm, Lindomar Alves de Oliveira, Lúcia Batista da Silva, Edison Luiz Barbosa de Souza,
de Souza Bispo, Marina Tsunokawa Shimabukuro, Aparecida Arantes, Mauro Celso de Souza, Edivaldo Bezerra Viana, Elizete Buranello Perez,
Neide Ferreira Gaspar e Sílvia Cristina Gomes Neusa A. Abrunhosa Tápias, Patrícia Helena Márcio Luiz Verni, Milton Paulo dos Santos,
Nogueira. Passos, Renata Motta Chicoli Belchior, Renato Mônica Estevan, Regina Célia Batista, Rita de
José de Souza, Sandra Regina Teixeira Batista de Cássia Araujo, Rosinei Aparecida Ribeiro Libório,
Língua Portuguesa e Literatura: Angela Maria
Campos e Silmara Santade Masiero. Sandra Raquel Scassola Dias, Selma Marli Trivellato
Baltieri Souza, Claricia Akemi Eguti, Idê Moraes dos
e Sonia Maria M. Romano.
Santos, João Mário Santana, Kátia Regina Pessoa, Língua Portuguesa: Andrea Righeto, Edilene
Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Roseli Bachega R. Viveiros, Eliane Cristina Gonçalves
Ramos, Graciana B. Ignacio Cunha, Letícia M. História: Aparecida de Fátima dos Santos
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de Barros L. Viviani, Luciana de Paula Diniz, Pereira, Carla Flaitt Valentini, Claudia Elisabete
Área de Matemática Márcia Regina Xavier Gardenal, Maria Cristina Silva, Cristiane Gonçalves de Campos, Cristina
Matemática: Carlos Tadeu da Graça Barros, Cunha Riondet Costa, Maria José de Miranda de Lima Cardoso Leme, Ellen Claudia Cardoso
Ivan Castilho, João dos Santos, Otavio Yoshio Nascimento, Maria Márcia Zamprônio Pedroso, Doretto, Ester Galesi Gryga, Karin Sant’Ana
Yamanaka, Rodrigo Soares de Sá, Rosana Jorge Patrícia Fernanda Morande Roveri, Ronaldo Cesar Kossling, Marcia Aparecida Ferrari Salgado de
Monteiro, Sandra Maira Zen Zacarias e Vanderley Alexandre Formici, Selma Rodrigues e Barros, Mercia Albertina de Lima Camargo,
Aparecido Cornatione. Sílvia Regina Peres. Priscila Lourenço, Rogerio Sicchieri, Sandra Maria
Fodra e Walter Garcia de Carvalho Vilas Boas.
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Rodrigo Ponce. Edinei Pereira de Sousa, Eduardo Granado Garcia, Tânia Fetchir.
Ciências: Eleuza Vania Maria Lagos Guazzelli, Evaristo Glória, Everaldo José Machado de Lima,
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Maria da Graça de Jesus Mendes. Castilho, José Maria Sales Júnior, Luciana Moraes Fundação para o Desenvolvimento da Educação
Funada, Luciana Vanessa de Almeida Buranello, - FDE
Física: Carolina dos Santos Batista, Fábio Mário José Pagotto, Paula Pereira Guanais, Regina
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EDITORIAL 2014-2017 CONTEÚDOS ORIGINAIS Martins e Renê José Trentin Silveira.

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Caderno do Gestor
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indicados sites para o aprofundamento de conhecimen-
tos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados S239m Material de apoio ao currículo do Estado de São Paulo: caderno do professor3 ÅlosoÅa, ensino
e como referências bibliográficas. Todos esses endereços médio, 2a série / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Adilton Luís
eletrônicos foram checados. No entanto, como a internet é Martins, Luiza Chirstov, Paulo Miceli. - São Paulo : SE, 2014.
um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria da v. 1, 88 p.
Educação do Estado de São Paulo não garante que os sites
indicados permaneçam acessíveis ou inalterados. Edição atualizada pela equipe curricular do Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais,
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* Os mapas reproduzidos no material são de autoria de CGEB.
terceiros e mantêm as características dos originais, no que
diz respeito à grafia adotada e à inclusão e composição dos ISBN 978-85-7849-589-3
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1. Ensino médio 2. FilosoÅa 3. Atividade pedagógica I. Fini, Maria Inês. II. Martins, Adilton Luís.
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Caderno do Professor para apoiar na identificação das
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