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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA POLITÉCNICA DA USP

LACASEMIN – LABORATÓRIO DE CONTROLE
AMBIENTAL, HIGIENE E SEGURANÇA NA
MINERAÇÃO
EAD – ENSINO E APRENDIZADO À DISTÂNCIA
eHO-010
CONTROLE DE RUÍDO
ALUNO
SÃO PAULO, 2015.

EPUSP/LACASEMIN
DIRETOR DA EPUSP
JOSÉ ROBERTO CASTILHO PIQUEIRA
EQUIPE DE TRABALHO
CCD - COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA
SÉRGIO MÉDICI DE ESTON
VICE - COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA
WILSON SHIGUEMASA IRAMINA
PP - PROFESSORES PRESENCIAIS
SYLVIO R. BISTAFA
MARIA LUIZA BELDERRAIN
CPD - CONVERSORES PRESENCIAL PARA DISTÂNCIA
DANIEL UENO DE CASTRO PRADO GARCIA
DANIELLE VALERIE YAMAUTI
FELIPE THADEU BONUCCI
FLÁVIA DE LIMA FERNANDES
SEIJI RENAN MICHISHITA
FILMAGEM E EDIÇÃO
KARLA JULIANE DE CARVALHO
THALITA SANTIAGO DO NASCIMENTO
IMAD - INSTRUTORES MULTIMÍDIA À DISTÂNCIA
DIEGO DIEGUES FRANCISCA
FELIPE BAFFI DE CARVALHO
LUAN LINHARES
MATEUS DELAI RODRIGUES LIMA
PEDRO MARGUTTI DE ALMEIDA
CIMEAD – CONSULTORIA EM INFORMÁTICA, MULTIMÍDIA E EAD
CARLOS CÉSAR TANAKA
JORGE MÉDICI DE ESTON
SHINTARO FURUMOTO
GESTÃO TÉCNICA
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APOIO ADMINISTRATIVO
NEUSA GRASSI DE FRANCESCO
VICENTE TUCCI FILHO

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sobre este documento.”

SUMÁRIO

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SUMÁRIO
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................ 1
1.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 2
1.2. O PROCESSO DE GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E RECEPÇÃO SONORA ............... 2
1.3. CONTROLE DE RUÍDO ................................................................................................. 4
1.4. TESTES .......................................................................................................................... 5
CAPÍTULO 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO SOM .................................................... 6
2.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 7
2.2. RUÍDO E BARULHO ...................................................................................................... 7
2.3. A NATUREZA DO SOM ................................................................................................. 8
2.4. ALGUMAS GRANDEZAS BÁSICAS DO SOM ............................................................. 9
2.5. FAIXA DE VARIAÇÃO DA PRESSÃO SONORA ........................................................ 10
2.6. DECIBEL (DB) .............................................................................................................. 11
2.7. FAIXA DE VARIAÇÃO DO NÍVEL DE PRESSÃO SONORA ..................................... 12
2.8. POTÊNCIA SONORA .................................................................................................. 13
2.9. INTENSIDADE SONORA............................................................................................. 14
2.10. SERVENTIA DOS NÍVEIS DE PRESSÃO, INTENSIDADE E DE POTÊNCIA
SONORA ............................................................................................................................. 16
2.11. TIPOS DE FONTES SONORAS................................................................................ 17
2.12. ADIÇÃO DE DECIBEL ............................................................................................... 17
2.13. SUBTRAÇÃO DE DECIBEL ...................................................................................... 22
2.14. TESTES ...................................................................................................................... 25
CAPÍTULO 3. O ESPECTRO SONORO ............................................................................. 26
3.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 27
3.2. TESTES ........................................................................................................................ 31
CAPÍTULO 4. INSTRUMENTOS E FUNDAMENTOS DE MEDIDAS DO RUÍDO ............. 32
4.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 33
4.2. DETECTOR .................................................................................................................. 34
4.3. FILTRO ......................................................................................................................... 35
4.4. FILTRO PONDERADOR .............................................................................................. 38
4.5. PONDERADOR TEMPORAL....................................................................................... 44
4.6. ANALISADORES FFT .................................................................................................. 45
4.7. ANÁLISE COMPARATIVA DOS DIFERENTES TIPOS DE ANALISADORES .......... 49
4.8. TESTES ........................................................................................................................ 52
CAPÍTULO 5. MECANISMOS DA AUDIÇÃO ..................................................................... 54
5.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 55
5.2. OUVIDO EXTERNO ..................................................................................................... 55
5.3. OUVIDO MÉDIO........................................................................................................... 56
5.4. OUVIDO INTERNO ...................................................................................................... 57
5.5. PERDA DE AUDIÇÃO INDUZIDA POR RUÍDO – PAIR ............................................. 63
5.6. AUDIBILIDADE DOS SONS ........................................................................................ 64
5.7. TESTES ........................................................................................................................ 67
CAPÍTULO 6. CRITÉRIOS E NORMAS PARA AVALIAR O RUÍDO ................................ 69
eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

SUMÁRIO

ii
6.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 70
6.2. RUÍDOS NÃO ESTACIONÁRIOS................................................................................ 70
6.3. NÍVEIS SONOROS ESTATÍSTICOS ........................................................................... 71
6.4. NÍVEL SONORO EQUIVALENTE ............................................................................... 74
6.5. RUÍDO EM COMUNIDADES ....................................................................................... 79
6.6. RUÍDO EM AMBIENTES INTERNOS.......................................................................... 80
6.7. INTERFERÊNCIA NA FALA ........................................................................................ 83
6.8. RUÍDO EM AMBIENTES DO TRABALHO .................................................................. 85
6.9. TESTES ........................................................................................................................ 92
CAPÍTULO 7. FONTES SONORAS .................................................................................... 93
7.2. DIRECIONALIDADE DA FONTE ................................................................................. 94
7.3. RUÍDO DE VENTILADORES ....................................................................................... 97
7.4. RUÍDO DE COMPRESSORES DE AR...................................................................... 100
7.5. RUÍDO DE TORRES DE RESFRIAMENTO.............................................................. 101
7.6. RUÍDO DE BOMBAS ................................................................................................. 103
7.7. RUÍDO DE MOTORES ELÉTRICOS ......................................................................... 104
7.8. RUÍDO DE GERADORES ELÉTRICOS .................................................................... 105
7.9. RUÍDO DE TRANSFORMADORES ELÉTRICOS..................................................... 106
7.10. RUÍDO DE ENGRENAGENS................................................................................... 107
7.11. TESTES .................................................................................................................... 108
CAPÍTULO 8. ACÚSTICA EM AR LIVRE E RUÍDO AMBIENTAL .................................. 110
8.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 111
8.2. ÂNGULO SÓLIDO PARA LIVRE PROPAGAÇÃO, Ω ............................................... 112
8.3. DIRECIONALIDADE DA FONTE ............................................................................... 115
8.4. MECANISMOS MAIS SIGNIFICATIVOS DE ATENUAÇÃO SONORA EM AR LIVRE
........................................................................................................................................... 115
8.5. ATENUAÇÃO DO AR ATMOSFÉRICO ..................................................................... 117
8.6. ATENUAÇÃO DO SOLO............................................................................................ 122
8.7. ATENUAÇÃO DE BARREIRAS ACÚSTICAS ........................................................... 123
8.8. ATENUAÇÃO DE EDIFICAÇÕES ............................................................................. 125
8.9. ATENUAÇÃO DE VEGETAÇÃO DENSA .................................................................. 126
8.10. REVERBERAÇÃO URBANA ................................................................................... 127
8.11. GRADIENTES VERTICAIS DE TEMPERATURA E DE VELOCIDADE DO VENTO
(REFRAÇÃO) .................................................................................................................... 128
8.12. INTERAÇÃO ENTRE OS MECANISMOS DE ATENUAÇÃO ................................. 130
8.13. TESTES .................................................................................................................... 137
CAPÍTULO 9. ACÚSTICA DE SALAS E RUÍDO EM RECINTOS ................................... 139
9.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 140
9.2. ABSORÇÃO SONORA .............................................................................................. 141
9.3. ABSORÇÃO SONORA EM RECINTOS .................................................................... 150
9.4. DISPOSITIVOS ESPECIALIZADOS DE ABSORÇÃO SONORA ............................. 152
9.5. RESSOADORES DE CAVIDADE OU DE HELMHOLTZ .......................................... 153
9.6. CRESCIMENTO E DECAIMENTO SONORO EM RECINTOS. ............................... 155
9.7. NÍVEIS SONOROS EM RECINTOS .......................................................................... 160
9.8. RECINTOS ESPECIAIS - CÂMARA ANECÓICA E CÂMARA REVERBERANTE .. 164
eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

.......................................... 179 9.............. RECOMENDAÇÕES FINAIS PARA UMA INSTALAÇÃO DE VAC ....................................................1 CONTROLE DE RUÍDO EM SISTEMAS DE VAC (VENTILAÇÃO E AR CONDICIONADO) .............4.........4 EXEMPLO DE CÁLCULO ......................................... 200 11...................................................................3.......................... 212 11................ 169 9........................5...........................................................................................6....... A SALA PRÁTICA ............. 196 CAPÍTULO 11..... ENCLAUSURAMENTOS ................3......................................10....................................................11....................................................................................................................................... TESTES ................. ATENUADORES DE RUÍDO DISSIPATIVOS . 216 BIBLIOGRAFIA ...........................2.......... 208 11............................... 210 11..........1.....................SUMÁRIO iii 9............. BARREIRAS .. 168 9......................... 186 10. 182 10....... 4o ciclo de 2015.............................................................................................................................. 183 10... 180 CAPÍTULO 10.................................... ISOLAÇÃO DE PAREDES PARA SONS AÉREOS .........2.................... BARREIRAS E ENCLAUSURAMENTO ACÚSTICO ........................................................................... 214 11................................................ CONTROLE DE RUÍDO EM SISTEMAS VAC .............TESTES .......................... 218 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN... .............. 183 10..............................................9................................................................................... DISTINÇÃO ENTRE ABSORÇÃO E ISOLAÇÃO SONORA ...............12.... INTRODUÇÃO ................. CRITÉRIOS DE CONFORTO ACÚSTICO ............. 199 11..... TESTES ..........

Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Julgar contextos ruidosos. . Introdução CAPÍTULO 1. 4o ciclo de 2015. definir controle de ruído. transmissão e recepção sonora. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Considerar vários aspectos do problema de controle de ruídos. transmissão e recepção sonora.1 Capítulo 1. Separar os processos de geração. e apresentar formas de enfrentamento de problemas de ruído. INTRODUÇÃO OBJETIVOS DO ESTUDO Conceituar ruído e os sistemas de geração. Definir o que é controle de ruído.

stress. Assim. influencia na tomada de decisão do consumidor em dar preferência a um produto mais silencioso do competidor. Quando nos deparamos com um problema de níveis de ruído inaceitáveis. queda do desempenho. FONTE SONORA TRAJETÓRIA DE TRANSMISSÃO eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Ao invés de aplicar uma receita conhecida. etc. A eliminação por completo do ruído é em geral inconveniente. a acústica. Introdução 1. No entanto. Muitas vezes os ruídos geram problemas físicos e sociais com efeitos adversos. poderá ser possível a aplicação de soluções padronizadas que podem ser encontradas na literatura específica de determinada máquina. aumento da pressão arterial (um efeito fisiológico). devemos ser capazes de aplicar os princípios básicos da ciência que trata do som. INTRODUÇÃO O som é a sensação produzida no ouvido e ruído é um som sem harmonia ― em geral de conotação negativa. ou seja. tais como: em níveis suficientemente elevados.2. o objetivo é normalmente o controle do ruído e não a sua eliminação por completo.1. devemos estar aptos a escolher entre as diversas alternativas de redução destes níveis. O PROCESSO DE GERAÇÃO. tensão. interfere com a comunicação oral. 1. O ruído pode ser definido como um som indesejável. equipamento ou processo industrial. podem causar a perda da audição (um efeito físico). incômodos (efeitos psicológicos) ― perturbação do sono. o problema geral de redução de ruído não é tão simples. RECEPTOR . que por sua vez causa perturbação. Em certas circunstâncias. TRANSMISSÃO E RECEPÇÃO SONORA O processo de se estudar qualquer problema de ruído envolve o conhecimento de três sistemas. pode causar danos e falhas estruturais (efeito mecânico). 4o ciclo de 2015. além de ser caro.2 Capítulo 1.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Figura 1. Trajetória de Transmissão: Ar na sala da fonte sonora. Introdução 1. a trajetória de transmissão e o receptor na ilustração acima. Exemplo de situação de geração. SISTEMAS ATUANTES NO PROCESSO DE GERAÇÃO. Resolução: Fonte Sonora: Conversação entre duas pessoas. Nota 1.1 ilustra uma situação doméstica bastante comum envolvendo a privacidade da fala. TRANSMISSÃO E RECEPÇÃO SONORA A Figura 1.1. Receptor: Vizinho.3 Capítulo 1.2. ar na sala de recepção. 4o ciclo de 2015. . parede divisória entre as duas salas. transmissão e recepção sonora envolvendo a privacidade da fala entre dois ambientes domésticos.1: Identificar a fonte sonora.1.

CONTROLE DE RUÍDO Pode-se definir controle de ruído como o processo de se obter um nível de ruído ambiente aceitável para um receptor. equipamentos e processos industriais ruidosos. culturais.4 Capítulo 1. Embora a redução do ruído na fonte seja a forma mais eficaz de combate ao problema. psicológicos e médicos. etc.3. Em certos casos recorre-se a equipamentos de proteção individual (EPI) que visam à proteção direta do receptor. . a grande variedade de máquinas. Introdução 1. 4o ciclo de 2015. atuase na trajetória de transmissão através de enclausuramentos. adição de matérias absorventes. ou quando a redução do ruído na fonte não for suficiente. 1. Eventualmente atua-se simultaneamente nos três sistemas para se conseguir uma solução economicamente balanceada. legais. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Quando não é viável controlar o ruído na fonte. TÉCNICAS DE CONTROLE DE RUÍDOS A redução do ruído na fonte é a forma mais eficaz de enfrentamento do problema.3. consistente com os aspectos econômicos. barreiras. faz com que as técnicas de controle na fonte variem enormemente — o controle do ruído de uma prensa difere daquele que seria empregado em um ventilador.1. operacionais.

A completa eliminação do ruído: a) É desnecessária. c) Deve ser sempre considerada. O ruído é um fenômeno físico que sensibiliza principalmente: a) O corpo todo.3 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.1 4. e) Todas as alternativas estão corretas. Um náufrago que escuta a aproximação de um helicóptero julga este ruído como sendo: a) Perturbador.1 5. e) Na intensidade da fala. c) Fora de hora. Feedback: item 1.4. TESTES 1.2. b) Agradável.3. No controle do ruído industrial. b) É sempre o objetivo almejado. Feedback: item 1. d) Muito alto. d) Pessoas muito sensíveis. a melhor forma de atuação é: a) Na fonte. Feedback: item 1. d) Não é possível. Feedback: item 1. e) É imprescindível. d) Na fonte e no receptor. e) Os ossos. e) Inconveniente. c) No receptor. d) Atender a legislação através de uma solução economicamente balanceada. b) A cabeça.5 Capítulo 1. a boa técnica recomenda: a) Usar o EPI sempre. c) O ouvido.2 3. Feedback: item 1. b) Substituir todas as máquinas ruidosas por mais silenciosas. b) Na trajetória de transmissão. Introdução 1. c) Enclausurar todas as máquinas barulhentas. . 4o ciclo de 2015.1 2. Na situação envolvendo a privacidade da fala em um condomínio residencial.

Somar e subtrair decibéis. cilíndricas e planas. Diferenciar e reconhecer a utilidade dos diversos níveis sonoros — de pressão. Conceitos Fundamentais do Som CAPÍTULO 2. 4o ciclo de 2015. Identificar fontes sonoras esféricas. . Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Utilizar o decibel como medida básica de sons e ruídos. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO SOM OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar as grandezas básicas utilizadas na descrição objetiva de sons e ruídos. de potência e de intensidade. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.6 Capítulo 2.

será mais facilmente tolerado durante o dia do que à noite. . O som poderá também causar danos e destruição. Por exemplo. RUÍDO E BARULHO Muito frequentemente. O ranger do piso. um arranhão em uma gravação. Conceitos Fundamentais do Som 2. o tipo de música apreciado por um grupo de pessoas pode ser encarado por outros como sendo barulho. 2. o canto dos pássaros. No entanto. Ele permite a comunicação oral. o som nos perturba.7 Capítulo 2. especialmente se for alto. Um nível de ruído mais elevado. o nível de perturbação depende não somente da qualidade do som. o caso mais crítico é quando o som danifica o delicado mecanismo destinado a recebê-lo: o ouvido humano. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.1. Porém. O estrondo sônico pode quebrar vidraças e descolar o reboco das paredes. O som também permite avaliação e diagnósticos qualitativos – o bater das válvulas do motor de um veículo. ou o som intermitente de uma torneira pingando pode ser tão perturbador quando som de um trovão. Sons Agradáveis e que Transmitem Informações. Porém o som não precisa ser alto para perturbar. na nossa sociedade moderna. Figura 2. como também da nossa atitude com relação a ele. por exemplo. O som fornece experiências agradáveis.2. um equipamento que esteja rangendo ou as batidas do coração.1. servindo também para nos alertar – por exemplo quando o telefone toca ou quando escutamos o som de uma sirene. etc. tais como escutar música. INTRODUÇÃO O som é uma experiência tão comum no nosso cotidiano que raramente nos damos conta de todas as suas funções. A avaliação subjetiva do volume do som irá também depender do período do dia. Muitos sons são desagradáveis e indesejáveis – estes são denominados de ruído ou barulho. 4o ciclo de 2015.

O estudo do som é chamado de ACÚSTICA. ou seja. quer sejam criados ou recebidos por seres humanos. abrangendo todos os campos de geração. importante que sejam tomadas medidas para redução do ruído. . O desenvolvimento tecnológico tem resultado no aumento dos níveis de ruído causados por máquinas.2. etc. É portanto. é importante estarmos familiarizados com a terminologia e os princípios básicos do som. tráfego. Porém. variando dos sons mais fracos até os níveis de som que possam danificar o sistema auditivo. 4o ciclo de 2015. A NATUREZA DO SOM O som é definido como qualquer variação de pressão que o ouvido possa detectar. A fim de nos capacitarmos para esta luta contra o ruído. Ruídos e Barulhos 2. maquinas ou instrumentos de medição. antes que possamos fazer medidas acústicas. propagação e recepção sonora. de tal forma que ele não seja algo que tenhamos que aceitar. O ruído é uma parte inevitável da nossa vida diária.8 Capítulo 2. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. devemos primeiro ser capazes de avaliá-lo adequadamente. Conceitos Fundamentais do Som Figura 2. fábricas.3. realizarmos medidas confiáveis do som.

4o ciclo de 2015.  T  onde c é a velocidade de propagação da onda no meio. Comportamento Espacial e Temporal da Pressão Sonora. período e frequência: f  1 c (Hertz). Tabela 2. .1.9 Capítulo 2. conhecida como velocidade do som. Conceitos Fundamentais do Som 2.3.4. Velocidade do som em alguns meios materiais Meio Material Velocidade do Som. Relação entre comprimento de onda. c [m/s] Ar 340 Água 1510 Madeira 4100 Aço 5050 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ALGUMAS GRANDEZAS BÁSICAS DO SOM Figura 2.

FAIXA DE VARIAÇÃO DA PRESSÃO SONORA Figura 2. Faixa de Pressão Sonora entre o Limiar da Audibilidade e o Limiar da Dor. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5. Conceitos Fundamentais do Som Quadro 2.1: Qual é o comprimento de onda (  ) no ar de um tom puro (som em uma única frequência) em 1. .4. 4o ciclo de 2015.1: 2.10 Capítulo 2.000 Hz? E na água? Resolução: Da tabela 2.

dB (p0=20  Pa) Onde: log é o logaritmo na base 10. Conceitos Fundamentais do Som Comparada com a pressão atmosférica ambiente. No passado. 2. entre aproximadamente 20 Pa (20 x 10-6 Pa) a 100 Pa. a pressão medida está a certo nível acima do nível de referência. Observar que a palavra nível é agora combinada com a palavra pressão. A pressão sonora de 20 Pa é a mais baixa que pode ser escutada por um adulto jovem. a faixa de variação das pressões sonoras audíveis é muito pequena. em dB é definido como: L p  20  log( p ) p0 .6. A razão entre estes dois valores extremos é da ordem de 1 milhão para 1. Esta razão logarítmica é chamada de decibel. ou abreviadamente dB. DECIBEL (DB) O nível de pressão sonora. para indicar que nesta nova escala. A pressão sonora de aproximadamente 100 Pa é tão elevada que causa dor no ouvido. Tendo em vista que o valor de referência de 20  Pa é aceito mundialmente. Lp. A aplicação direta da escala linear em Pascal para medida da pressão sonora irá acarretar a utilização de números compreendidos dentro de uma ampla faixa de variação. Adicionalmente. p é o valor da pressão sonora medida em Pascal.11 Capítulo 2. sendo portanto chamada de limiar da dor. O nível de pressão sonora é também chamado simplesmente de nível sonoro. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Por estas razões tem-se revelado mais prático expressar a pressão sonora como uma razão logarítmica entre o valor medido e um valor de referência. colocava-se entre parêntesis a pressão sonora de referência adotada. Esta pressão é chamada de limiar da audibilidade. . o ouvido humano não responde linearmente e sim logaritmicamente aos estímulos sonoros. hoje em dia não se costuma mais indicá-lo. e p 0 é um valor de referência padronizado de 20 Pa – o limiar da audibilidade. 4o ciclo de 2015.

7 Pa  31.7 Pa? Resolução: P  p  0 Sendo Lp dado por : Lp  20 log onde P0  20 Pa Temos: para 1 Pa 1   Lp  20 log  20 log50. FAIXA DE VARIAÇÃO DO NÍVEL DE PRESSÃO SONORA Figura 2.7.000 6   20x10  L p = 94 dB b) para 31. a 130 dB no limiar da dor. A escala linear com a sua ampla faixa de variação numérica é convertida em uma escala mais fácil de ser utilizada.12 Capítulo 2. A Tabela 2. Pressões Sonoras em Pa e Níveis de Pressão Sonora em dB Associados A vantagem em se utilizar o decibel poderá ser vista claramente ao comparar-se a escala em dB com a escala linear de pressão.1: Qual é o nível da pressão sonora de 1 Pa e de 31.5.7  Lp  20 log  20 log1.58  106  6   20x10  L p = 124 dB 2. Assim. quando a eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. . Ao lidar com medidas sonoras.2 mostra a relação entre valores de pressões sonoras e os correspondentes valores em dB. é útil saber algumas “regrinhas” simples para conversão de valores lineares em dB e vice-versa. no limiar da audibilidade. Conceitos Fundamentais do Som Nota 2. que vai de 0 dB. 4o ciclo de 2015.

como também da distância entre a fonte e o ponto de medição e da quantidade de energia sonora absorvida pelas paredes e aquela que é transmitida através das paredes. a qual poderá ser medida com um termômetro em ºC. etc. A energia térmica produzida pelo aquecedor aumenta a temperatura da sala. o que caracteriza acusticamente uma fonte sonora é a sua potência sonora. que independe do meio ambiente. É. Tabela 2. Esta é uma medida básica da quantidade de energia sonora que a fonte pode produzir. isto é. 4o ciclo de 2015.2. A energia sonora irá gerar certa pressão sonora na sala (da mesma forma que a energia térmica produziu certa temperatura na sala). uma característica intrínseca da fonte sonora. a pressão sonora não irá depender somente da potência da fonte. isto é. enquanto que um aumento de 10 vezes na pressão sonora equivale a um acréscimo de 20 dB no nível. e a quantidade de calor transferida através das paredes e janelas para o ambiente externo são todos os fatores determinantes da temperatura na sala. Relações entre pressões sonoras e valores em dB Diferença de Níveis em dB Razão entre Pressões Sonoras p1 / p 2 6 2 10 3 12 4 20 10 40 100 2. Um aquecedor elétrico produz certa quantidade de energia por unidade de tempo [Joule/s]. uma fonte sonora produz certa quantidade de energia sonora por unidade de tempo [Joule/s]. janelas. Similarmente.13 Capítulo 2. Similarmente.8. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Esta é uma medida básica de quantidade de calor produzida. A distância até o aquecedor. A potência sonora indica a capacidade de uma fonte sonora em gerar som. . a quantidade de calor absorvida pelas paredes. POTÊNCIA SONORA Para conceituarmos potência sonora. ela possui certa potência sonora em Watts [1W = 1 Joule/s]. haverá um acréscimo de 6 dB no nível de pressão sonora. Conceitos Fundamentais do Som pressão sonora é duplicada. portanto. façamos analogia com uma grandeza física mais conhecida — o calor. Desta forma. a temperatura em um determinado ponto não irá depender somente da potência do aquecedor. No entanto. sendo independente do meio ambiente. e não a pressão sonora produzida pela fonte em determinado ponto do ambiente. ele possui certa potência em Watts [1W = 1 Joule/s].

I. Potência Térmica x Potência Sonora Pode-se também definir o nível de potência sonora em dB. ocorre uma transferência de energia da fonte para as partículas do ar adjacente. dB (W 0=10-12 Watts) Onde: W é a potência sonora gerada pela fonte. L w . Esta energia por sua vez transfere-se para as partículas circunvizinhas.3. Analogia Termo-Acústica: Temperatura x Pressão Sonora. W0 é a potência sonora de referência padronizada de 10 -12 Watts. INTENSIDADE SONORA Quando o som é gerado por uma fonte sonora com potência sonora W. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. a energia sonora afastase de fonte como as ondas em um lago. A potência sonora (energia por unidade de tempo) que flui através de uma determinada área é chamada de intensidade sonora. Potência sonora e os níveis de potência sonora de alguns tipos de fontes sonoras Fonte Sonora Potência Sonora [Watts] Nível de Potência Sonora [dB] cochicho 10-10 20 grito forte 10-5 70 avião na partida 105 170 foguete grande 107 190 2.6.14 Capítulo 2. Conceitos Fundamentais do Som Figura 2. é definido como L w  10  log( W ) W0 . O nível de potência sonora. . Tabela 2. 4o ciclo de 2015.9. Desta forma.

p 2  p1 / 2 . que irradia ondas esféricas.7. I2 será igual à I1 / 4 . a mesma quantidade de potência passará por uma área que é agora quatro vezes maior. Quando a intensidade sonora é reduzida de ¼. Figura 2.7 que intensidade sonora é uma grandeza vetorial – ela possui magnitude assim como direção e sentido. Esta lei pode ser facilmente entendida se observarmos que. potência sonora W e pressão sonora p. A potência sonora é constante (pois é uma característica da fonte. Observar que o termo 4r 2 é a área da superfície esférica com centro na fonte. Indica portanto o fluxo de potência sonora em determinada direção e sentido. Tanto a intensidade sonora como o quadrado da pressão sonora diminuem com o quadrado da distância da fonte. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. para uma fonte de potência sonora W.22 kg / m3 ) e c é a velocidade do som. A unidade de intensidade sonora é Watts/m 2. ao dobrar-se a distância da fonte. sendo chamado de impedância característica e. vale 416 kg/m2s. Este resultado é conhecido como “lei do inverso ao quadrado”. proporcional à intensidade sonora e ao quadrado da pressão sonora. p) estão relacionados através da fórmula: I W 4r 2  p2 c Onde: r é a distância da fonte. e portanto. W. Conceitos Fundamentais do Som A Figura 2. .15 Capítulo 2.  é a densidade do ar (1.7 ilustra o conceito de intensidade sonora e também mostra a relação entre intensidade sonora I. para o ar. O termo  c aparece comumente em acústica. como vimos). a pressão sonora será reduzida pela metade e assim. Observar na Figura 2. Os três parâmetros básicos (I. Fonte Sonora Irradiando Ondas Esféricas. 4o ciclo de 2015.

20 Pa. SERVENTIA DOS NÍVEIS DE PRESSÃO. Resolução: Utilizando a fórmula . O principal uso do nível de potência sonora é na quantificação da capacidade de uma fonte em gerar som. 2. 4o ciclo de 2015. dB (I0=10-12 Watts / m2 .2: Para a pressão sonora de referência. L I . Temos: a) potencia sonora: b) intensidade Sonora: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. obter a potência sonora de referência W 0 e a intensidade sonora de referência I0.16 Capítulo 2.) Onde: I é a intensidade sonora. . Quadro 2. Conceitos Fundamentais do Som Pode-se também definir o nível de intensidade sonora em dB. e I0 é a intensidade sonora de referência padronizada de 10 -12 Watts / m2 .10. INTENSIDADE E DE POTÊNCIA SONORA Tanto o nível de intensidade quanto o nível de pressão sonora podem ser medidos diretamente com o uso de instrumentação adequada. O nível de potência sonora pode ser calculado através de medidas de níveis de pressão sonora ou de intensidade sonora. na superfície esférica com área de 1m2. o nível de pressão sonora é o parâmetro mais adequado. Quando o objetivo é avaliar o perigo e a perturbação causada pelo ruído nas pessoas. da seguinte forma: I LI  10  log( ) I0 . O vetor associado ao nível de intensidade sonora é principalmente utilizado na localização e classificação de fontes de ruído.

17
Capítulo 2. Conceitos Fundamentais do Som

2.11. TIPOS DE FONTES SONORAS
A fonte sonora apresentada anteriormente é chamada de fonte pontual. Para tal
fonte foi dito que a pressão sonora cai pela metade do seu valor ao dobrar-se a distância
da fonte. Isto corresponde a uma queda de 6 dB no nível de pressão sonora.
Um outro tipo de fonte sonora é a linear, que pode ser uma tubulação onde o
escoamento turbulento gera ruído, ou uma via de tráfego intenso. O nível de pressão
sonora de uma fonte linear cai de 3 dB ao dobrar-se a distância da fonte, pois o som
espalha-se a partir da fonte com uma frente de onda cilíndrica.
O tipo de fonte mais raramente encontrado é a fonte plana. Um alto-falante dentro
de um tubo irradia sons na forma de ondas planas, quando o comprimento de onda do
som é maior que o diâmetro do tubo. Assumindo que não haja perda de energia através
da parede, a intensidade sonora é a mesma em qualquer seção do tubo. Neste caso a
pressão sonora não irá cair com aumento da distância do alto-falante.

Figura 2.8. Fontes Sonoras: Pontual, Linear e Plana.
2.12. ADIÇÃO DE DECIBEL
Quando duas fontes irradiam energia sonora, ambas contribuem com o nível de
pressão sonora em distâncias afastadas da fonte. Se elas irradiam a mesma quantidade
de energia e se for considerado um ponto equidistante de ambas, então a intensidade
sonora neste ponto será o dobro daquela que seria obtida se houvesse somente uma
fonte irradiando. Já que a intensidade é proporcional ao quadrado da pressão, uma
duplicação da intensidade resulta num aumento da pressão sonora de 2 ( 3dB).
Observe que o resultado da adição da contribuição de duas (ou mais) fontes sonoras não
é igual à soma algébrica dos seus valores em dB individuais. A razão é que os sons se
somam em bases energéticas. No exemplo, se X for o nível de pressão sonora que cada
eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

18
Capítulo 2. Conceitos Fundamentais do Som

uma das fontes gera no ponto de interesse, então o nível de pressão sonora total será
X + 3 dB.
De fato, a intensidade sonora gerada por cada uma das fontes em determinado
ponto do espaço é dada por:

I1 

p12
p2
, I2  2
c
c

Logo a intensidade sonora total neste ponto é:

Itotal  I1  I2 

p12 p 22 p12  p 22 p 2total



,
c c
c
c

Onde: p 2total  p12  p 22 .
O nível de pressão sonora total neste ponto é:

p
L ptotal  20  log( total ) .
p0
Esta expressão poderá ser reescrita na forma:

L ptotal  10  log(

p 2total
p 02

).

Logo:

L ptotal  10  log(

p12  p 22
p 02

).

Sabemos que:

L p1  10  log(

p12
p 02

) , e que L p2  10  log(

p 22
p 02

).

Logo:

p12
p 02

 10

Lp / 10
1
,

e

p 22
p 02

Lp2 / 10

 10

.

Então:
Lp1 / 10

Lptotal  10  log(10

Lp2 / 10
)

 10

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

19
Capítulo 2. Conceitos Fundamentais do Som

Por extensão, para adicionar-se n níveis de pressões sonoras,
Lp1 / 10

Lptotal  10  log(10

Lp2 / 10

 10

Lpn / 10
).

 ..........  10

No caso das duas fontes da ilustração abaixo, L p1  L p2  X dB,

Lptotal  10  log(10 X / 10  10 X / 10 ) ,
Lptotal  10  log(2  10 X / 10 ) .
Esta última expressão poderá ser re-escrita na forma:

Lptotal  10  log(10 X / 10 )  10  log(2) ,
L ptotal  X  3 dB.

Figura 2.9. Adição de Decibel de Duas Fontes que Geram o Mesmo nível de Pressão
Sonora.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

20
Capítulo 2. Conceitos Fundamentais do Som

Um método muito mais simples (pois evita as operações matemáticas acima
desenvolvidas), faz uso de uma curva de adição de dB.

Figura 2.10. Adição de Decibel.

Para usar a curva, proceder da seguinte forma:
Calcular a diferença L entre dois níveis de pressão sonora,
Usar a curva para encontrar o valor a ser adicionado, L ,
Adicionar o valor obtido na curva, L ,ao maior nível, obtendo o nível de pressão
sonora total.
No exemplo onde L p1 = L p2 = X dB, L = 0 dB. A curva dB + dB fornece

L  3 dB. Logo L ptotal = X + 3 dB.
Quadro 2.3: Determinar o nível de pressão sonora total, gerado por duas fontes
sonoras em determinado ponto, sabendo-se que cada uma delas gera individualmente
neste ponto os níveis de pressão sonora de 64 dB e de 58 dB. Usar o método analítico e
confirmar o resultado assim obtido com o uso da curva de adição de dB.
Resolução:

a) Analiticamente:

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

A curva também pode ser utilizada quando a contribuição de diversas fontes deve ser calculada.2: Qual o nível sonoro de oito carros no grid de largada de uma corrida de F1 sendo os seguintes os seus níveis individuais no ponto de interesse: 3 carros de marca A com 75 dB. Quando a diferença L for maior do que 10 dB. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Nota 2. a contribuição da fonte mais silenciosa é desprezível. 2 carros da marca B com 79 dB e 3 carros da marca C com 85 dB. As diferentes contribuições são então adicionadas conforme mostra o exemplo abaixo.21 Capítulo 2. 4o ciclo de 2015. . Conceitos Fundamentais do Som b) Graficamente (dB + dB): L = 6 dB.

11. Neste caso. já que o ruído de fundo normalmente não pode ser desligado. SUBTRAÇÃO DE DECIBEL Em alguns casos é necessário subtrair-se níveis sonoros. O procedimento para realização deste teste é o seguinte: Medir o efeito combinado do som da máquina mais o ruído de fundo L s  n Desligar a máquina e medir o nível de ruído de fundo. 4o ciclo de 2015.22 Capítulo 2. ou ao efeito combinado. . o caso onde as medidas do nível sonoro de uma máquina são feitas na presença de ruído de fundo. Usar a expressão acima apresentada na forma: L s  10  log(10Ls  n / 10  10Ln / 10 ) Figura 2. L n . por analogia com a expressão desenvolvida anteriormente para adição de decibel. Extração do nível sonoro de uma máquina na presença de ruído de fundo eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Na maioria dos casos é possível desligar-se a máquina que está sendo testada. temos que: Lp / 10 total Lp1  10  log(10 Lp / 10 2 )  10 Este poderá ser. Conceitos Fundamentais do Som 2. Aqui é importante saber se o nível sonoro medido é devido ao ruído de fundo.13. por exemplo. ao som da máquina.

Se L for maior que 10 dB. L s  n Se L for menor que 1 dB. Neste caso. 4o ciclo de 2015. Conceitos Fundamentais do Som Alternativamente.dB para encontrar o nível sonoro da máquina. L  L s  n  L n e usar a curva dB . Subtração de Decibel. o nível sonoro da máquina estará pelo menos 7 dB abaixo do nível total L s  n . o nível sonoro da máquina é praticamente igual ao nível total medido L s  n . .23 Capítulo 2. basta calcular a diferença. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. o método analítico poderá ser substituído pela curva dB – dB. Figura 2.12. O nível sonoro da máquina poderá ser encontrado subtraindo-se L de.

24 Capítulo 2. 4o ciclo de 2015. o nível sonoro cai para 58 dB.dB): L = 6 dB. sabendo-se que o nível total (máquina mais ruído de fundo) é de 64 dB. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Conceitos Fundamentais do Som Quadro 2. e que ao desligar-se a máquina. Usar o método analítico e confirmar o resultado assim obtido com o uso da curva de subtração de dB.4: Determinar o nível sonoro de uma máquina. . Resolução: a) Analiticamente: b) Graficamente (dB .

d) É sempre igual a 88 dB para sons de mesma frequência. d) É igualmente tolerado de dia e de noite. c) A frequência sonora. é igual a: a) 88 dB.12 5. O ruído: a) É sempre um som indesejável. Quanto maior o comprimento de onda: a) Maior é a frequência do som. 85 dB mais 85 dB. e) Não pode ser mensurado. b) A intensidade sonora. c) Depende se é nível de pressão ou de potência sonora.1 2. 4o ciclo de 2015.14. O que caracteriza acusticamente uma fonte sonora é: a) A pressão sonora. d) A potência sonora. Conceitos Fundamentais do Som 2. b) 170 dB.25 Capítulo 2. c) Deve ser totalmente eliminado. e) o comprimento de onda.4 3. e) 85 dB. Feedback: item 2. b) Pode transmitir informações úteis. d) Maior é a pressão sonora. e) Maior é o volume do som Feedback: item 2. . Feedback: item 2. e) O comprimento de onda é inversamente proporcional ao quadrado da distância. c) Menor é a frequência do som. d) A intensidade sonora ao quadrado é inversamente proporcional à distância.9 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. b) Menor é a pressão sonora. b) A pressão sonora é inversamente proporcional à distância. c) A potência sonora aumenta com o quadrado da distância. Feedback: item 2. TESTES 1. Feedback: item 2.8 4. A “lei do inverso ao quadrado” diz que: a) A pressão sonora cai com o quadrado da distância.

O espectro sonoro CAPÍTULO 3. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Identificar as características espectrais de diversos tipos de sons. Reconhecer espectros contínuos e espectros em bandas de frequência. 4o ciclo de 2015. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Identificar a presença de tons puros em espectros de ruído.26 Capítulo 3. . O ESPECTRO SONORO OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar e discutir as características do espectro sonoro de diversos tipos de sons. Obter o nível sonoro total a partir do espectro em bandas de frequência.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 4o ciclo de 2015. Este espectro sonoro apresenta uma peculiaridade. O nível sonoro está associado com a sensação subjetiva de intensidade do som. é aquele som cuja energia sonora está predominantemente contida na frequência de 1. em que a frequência mais baixa (500 Hz) é um divisor comum das frequências mais elevadas (1. e os sobre-tons são denominados harmônicos do fundamental. Existe porém. Outros sons poderão ser compostos de sobre-tons que não se relacionam através de números inteiros com a fundamental. Por exemplo. Figura 3.1. Quando os níveis sonoros dos diversos tons em suas respectivas frequências são lançados em um gráfico. quase sempre escutamos sons que são uma combinação de diversos tons. Trata-se da sensação subjetiva de tom.000 Hz).1. 2. Na realidade.000 Hz. Sons que contém uma única frequência são denominados de tons puros.000 e 4. um outro parâmetro que caracteriza os sons. .1 ilustra o espectro sonoro de nota musical. um tom puro em 1. geramos um som composto de vários tons. Por exemplo. O espectro sonoro dos sons da maioria dos instrumentos de uma orquestra é composto por tons puros relacionados harmonicamente. obtém-se o chamado espectro sonoro do som. que é tão importante quanto o nível sonoro. estas últimas denominadas sobre-tons. O espectro sonoro 3. O tom de um determinado som está associado com uma grandeza já definida anteriormente — a frequência. Sons com estas características são geralmente produzidos por instrumentos de percussão. A Figura 3. quando executamos uma nota musical em um instrumento. Os tons graves são sons de baixa frequência e os agudos são sons de alta frequência. A frequências mais baixa é denominada frequências fundamental ou simplesmente fundamental.000 Hz. ou simplesmente harmônicos. INTRODUÇÃO Até agora a nossa preocupação esteve voltada para o conceito de níveis sonoros. popularmente conhecida como volume sonoro.27 Capítulo 3. Espectro Sonoro de Nota Musical. Estes são denominados de sobre-tons nãoharmônicos. Porém os sons comumente ouvidos no cotidiano são quase nunca tons puros. Os tons podem ser graves ou agudos.000.

onde a energia sonora nele contida está distribuída numa faixa de frequências compreendida entre 100 e 1. Estes instrumentos em geral fornecem o nível sonoro associado a faixas ou bandas de frequências. a largura de cada retângulo representa uma faixa de frequências. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Espectro Sonoro de Ruído. ou mesmo do ruído produzido pela queda d’água nas Cataratas do Iguaçu. ou seja. O espectro sonoro O que chamamos de ruído. Instrumentos de medição acústica que têm a capacidade de fornecer a distribuição de energia sonora em função da frequência. raramente o fazem para cada valor de frequência. .3. Neste espectro. são geralmente sons cuja energia sonora está distribuída em uma faixa ou banda de frequências. Este espectro sonoro é típico do ruído de máquinas.000 Hz. A Figura 3. No espectro do ruído da Figura 3. 4o ciclo de 2015. observa-se que há um determinado nível sonoro associado a cada valor de frequência.28 Capítulo 3. abaixo ilustra o espectro sonoro de ruído. do tráfego de veículos.2.2. instrumentos que medem o espectro sonoro. enquanto que a altura representa o nível sonoro dos sons contidos na respectiva faixa de frequências. Figura 3.

Espectros sonoros com estas características são geralmente produzidos por equipamentos mecânicos que possuem elementos rotativos tais como: ventiladores. O nível sonoro total representa a energia sonora total contida em um som. existirá um nível sonoro que representa a soma dos níveis de cada faixa. etc. turbo-hélices. o valor obtido seria arredondado para 102 dB. Dado que o espectro fornece o nível sonoro em cada faixa de frequências. que quando somados dois a dois fornecem o nível sonoro total de 102. Os tons puros não são revelados quando o espectro sonoro é medido em bandas de frequência. ou seja. .4 apresenta os níveis sonoros das faixas de frequência de um determinado espectro sonoro. Espectro Sonoro em Faixas de Frequência. Para o controle do ruído é importante saber como que se dá a distribuição de energia sonora em frequências. Para se determinar o nível sonoro total associado a um espectro sonoro basta somar os níveis sonoros de cada faixa dois a dois.3. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O espectro sonoro Figura 3.1 dB. é importante conhecer-se o espectro sonoro. conforme o procedimento apresentado anteriormente. a existência de tons puros sobrepostos ao ruído de banda larga. Observa-se neste espectro. A Figura 3. redutores de velocidade. 4o ciclo de 2015. Este nível é o nível sonoro total associado ao espectro.29 Capítulo 3. Tendo em vista que o ouvido humano não distingue frações de dB.

30 Capítulo 3. O espectro sonoro Figura 3.4. Caracterizar o ruído apenas pelo nível sonoro total poderá ser inadequado pois é possível ter-se espectros sonoros distintos que forneçam o mesmo nível de pressão sonora total. confirmando aproximadamente o nível sonoro total acima obtido. . Quadro 3. Resolução: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.1: Determinar o nível sonoro total do espectro acima apresentado adotando outra sequência de adição dos níveis sonoros das bandas de frequência. 4o ciclo de 2015. Obtenção do Nível Sonoro Total de Um Espectro Sonoro.

e) contém sempre energia sonora na faixa de 500 a 4. e) não pode ser obtido nunca. b) contém sempre energia sonora na faixa de 100 a 1. d) contém sempre sobre-tons harmônicos. c) a razão entre as frequências fornece sempre o mesmo número inteiro. b) é o nível sonoro máximo indicado pelo espectro sonoro.2.000 Hz. . c) fornece o nível sonoro associado a faixas de frequência. O espectro sonoro 3.000Hz. b) a energia sonora de um sinal acústico em cada instante. c) não poderá ser obtido se o som for de um tom puro. O nível sonoro total de um som: a) poderá ser obtido do espectro sonoro. e) o somatório dos tons puros por banda de oitava. Feedback: item 3.1 5. Feedback: item 3. TESTES 1. e) possuem a mesma energia sonora qualquer que seja a frequência. c) a energia contida em um sinal acústico em certas frequências. c) contém geralmente energia sonora em ampla faixa de frequências. Feedback: item 3. Feedback: item 3.1 4. d) o nível sonoro dos harmônicos é sempre o mesmo.1 3. d) o nível sonoro associado às frequências contidas em um som. b) contém sobre-tons cujas frequências são múltiplas do fundamental.1 2. d) fornece a amplitude e a frequência do fundamental contidos em um som. e) fornece a amplitude e a frequência dos harmônicos contidos em um som. O espectro do ruído: a) contém sempre tons puros.1 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. b) fornece detalhes do conteúdo de frequências de um som. O espectro sonoro fornece: a) um registro do nível sonoro em função do tempo. Feedback: item 3. d) só poderá ser obtido se o espectro sonoro for fornecido em bandas de frequência.31 Capítulo 3. 4o ciclo de 2015. Espectros de sons harmônicos são aqueles que: a) contém sobre-tons puros. O espectro em bandas de frequência: a) pode revelar tons puros.

4o ciclo de 2015. Reconhecer a necessidade de utilizar equipamentos mais especializados tais como analisadores FFT. INSTRUMENTOS E FUNDAMENTOS DE MEDIDAS DO RUÍDO OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar os instrumentos para a medida do ruído e a relação “custo-benefício” associada aos diversos tipos de medidores disponíveis. Sintetizar espectros de bandas estreitas. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Utilizar medidores de níveis sonoros simples e com filtros. . Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído CAPÍTULO 4.32 Capítulo 4. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Selecionar os filtros espectrais e de ponderação mais adequados para determinada medição.

Pré-amplificador: amplifica o sinal elétrico de baixa magnitude originado no microfone. 4o ciclo de 2015. O diagrama de blocos da Figura 4. e que responde ao som aproximadamente da mesma forma que o ouvido humano. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4. Principais Componentes do Medidor de Nível Sonoro Típico.1.2 contém os principais componentes do medidor de nível sonoro. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. também conhecido como medidor de nível sonoro ou sonômetro. .33 Capítulo 4. Medidor de Nível Sonoro Típico. é popularmente denominado de decibelímetro. INTRODUÇÃO O medidor de nível de pressão sonora.1. 2. 1. Figura 4. Trata-se do instrumento básico para medida do ruído. Figura 4. Microfone: converte as variações da pressão sonora em um sinal elétrico equivalente.2.

Deseja-se extrair deste sinal. 7.2. há necessidade de se conhecer com mais detalhes a função do Detector. DETECTOR A Figura 4. captada pelo microfone em um certo ponto do espaço. O valor RMS de sinais senoidais é aproximadamente igual a 70% do valor de pico.) 5.34 Capítulo 4. Filtro Ponderador: reproduz aproximadamente a resposta do ouvido humano ao som que está sendo medido. Detector: converte o sinal de corrente alternada em corrente contínua. O valor geralmente escolhido para representar a magnitude de sinais acústicos é o valor eficaz. Ponderador Temporal: determina a rapidez com que o medidor responde a variações do nível sonoro. 4o ciclo de 2015. Indicador: digital ou ponteiro indicador. 6. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. A justificativa para esta escolha é que o valor eficaz é diretamente proporcional à energia contida no sinal. O valor médio é utilizado em medições de sinais elétricos em determinadas situações. O valor de pico-a-pico não é normalmente utilizado em medidas de ruído. Entre os principais componentes do medidor de nível sonoro. também conhecido como valor RMS. um valor representativo de sua magnitude. Por ser um tom puro. Figura 4. O valor de pico corresponde à amplitude máxima do sinal e é utilizado como uma medida de sons impulsivos. (Não vem incorporado nos medidores mais simples.3 mostra um registro da pressão sonora de um tom puro em cada instante. o comportamento da pressão sonora é senoidal.3. 4. . dos Filtros e do Ponderador Temporal. Parâmetros que Caracterizam a Magnitude de um Sinal Senoidal. Filtro: “filtra” a energia sonora contida em uma determinada faixa de frequências. 4. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 3.

ou seja.35 Capítulo 4. e convertê-lo em nível de pressão sonora. (dB). passa as componentes espectrais do som com frequências acima da frequência de corte. O filtro passa-alta. O filtro passa-banda. Então quando falamos em nível de pressão sonora.) A função do detector em um medidor de nível sonoro é extrair o valor eficaz da pressão sonora de qualquer sinal (senoidal ou não). deseja-se conhecer o espectro sonoro. Um dos parâmetros que caracterizam os filtros é a frequência de corte. passa as componentes espectrais abaixo da frequência de corte. estamos na realidade nos referindo ao nível do valor RMS da pressão sonora. passabaixa e passa-banda. 4o ciclo de 2015. enquanto que o filtro passa-baixa. (Neste caso o valor RMS não é dado por 70% do valor de pico. Figura 4. onde se indica o valor eficaz da pressão sonora p RMS . (rejeitando as componentes espectrais abaixo da frequência de corte). .4 apresenta o registro de pressão sonora de um ruído em função do tempo. Registro de Ruído com Indicação do Valor Eficaz da Pressão Sonora p RMS . ou seja: p  L p  20  log rms  . tendo em vista que este sinal não é senoidal. FILTRO O medidor de nível sonoro fornece o nível de pressão sonora total de determinado som.  p0  4. Os filtros são comumente descritos como passa-alta.4. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. passa as componentes espectrais do som entre duas frequências de corte. Frequentemente há interesse em se conhecer como que a energia sonora distribuise em frequências. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído A Figura 4. e rejeita as componentes espectrais acima da frequência de corte. o valor eficaz não é 70% do valor de pico. Neste caso. A função do filtro é “deixar passar” a energia sonora em certas frequências — gerando sinais relativamente grandes. e “rejeitar” a energia sonora em outras frequências — gerando sinais relativamente pequenos.3.

Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Figura 4. Filtro com Ganho de 0.  A saída   . 4o ciclo de 2015.1 a seguir apresenta as frequências características normalizadas dos filtros de oitava e de 1/3-oitava. enquanto que nos filtros de 1/3-oitava.5. Passa-Baixa e Passa-Banda. A Tabela 4.6 é portanto – 6 dB. os filtros utilizados são do tipo passa-banda.36 Capítulo 4. Os filtros passa-banda mais comuns são os filtros de oitava e de 1/3-oitava.5. O ganho é o fator pelo qual o filtro multiplica a amplitude do sinal de entrada. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Figura 4. reduz a amplitude do sinal de saída à metade do valor da entrada. Características de Filtros Passa-Alta. Um filtro com ganho de 0. Nos filtros de oitava. . a largura da banda é 23% da frequência central. ele poderá ser expresso em dB.6. com Indicação das Frequências de Corte Um outro parâmetro que caracteriza o filtro é o seu ganho. a largura da banda é 70% da frequência central. O gráfico de ganho em função da frequência é chamado de função de transferência do filtro. Filtros de oitava e 1/3-oitava são classificados como filtros de banda de porcentagem constante. Tais filtros são caracterizados pela frequência central da banda e por duas frequências de corte: a frequência-limite inferior e a frequência-limite superior.  A entrada  Ganho em dB  20  log O ganho do filtro da Figura 4. Nos medidores de nível sonoro.5 Já que o ganho é a razão entre a amplitude na saída e a amplitude na entrada. pois a largura da banda é uma percentagem constante da frequência central.

239 2.122 1.000 4.840 5.548 3.250 1.239 2.300 7.000 8.122 1.000 22.4 22.000 5.8 80 89.000 1.720 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.778 1. Oitava 1/3 Oitava Limite Inferior (Hz) Frequência Central (Hz) Limite Superior (Hz) Limite Inferior (Hz) Frequência Central (Hz) Limite Superior (Hz) 11 16 22 14.1 89.840 5.500 2.623 6.2 31.8 20 22.7 50 56.390 22 44 88 177 355 710 1. .818 2.778 2. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Tabela 4.000 44 88 177 355 710 1.5 40 44.780 20.000 8.150 3.500 14.623 5.680 11.5 63 125 250 500 1.1 16 17. 4o ciclo de 2015.2 28.000 16.600 1.000 4.4 25 28.467 5.37 Capítulo 4.8 70.000 11.420 2.7 44.2 63 70.680 11.780 17.818 3.8 17.548 4.1 100 112 112 125 141 141 160 178 178 200 224 224 250 282 282 315 355 355 400 447 447 500 562 562 630 708 708 800 891 891 1.000 2.467 4.913 8.420 2.130 16.220 11.220 12.079 7.360 22.2 56.5 35.000 17. Frequências Centrais e de Corte de Filtros de Oitava e 1/3-Oitava.413 1.413 1.000 2.913 10.079 8.360 31.1.130 14.5 35.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.7. 4o ciclo de 2015. Figura 4.4. com as seguintes denominações e características:  Aproxima a sensação auditiva aos sons normais do cotidiano (desenfatiza baixas frequências). B. FILTRO PONDERADOR Os filtros ponderadores têm características de filtros passa-alta.  Desenvolvida para avaliação de ruídos de sobrevoos de aeronaves (penaliza altas frequências).  Aproxima a sensação auditiva a sons com níveis sonoros elevados (quase plana). C e D.  Aproxima a sensação auditiva a sons com níveis mais elevados.38 Capítulo 4. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4. Funções de Transferência dos Filtros Ponderadores A. .

2 -8.9 -9.2 -11.4 -34.0 -2.600 2.000 6.0 0. 4o ciclo de 2015.0 -1.6 11. Ganhos em função de frequência dos filtros ponderadores A.1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 -0.4 -3.9 -4.000 1.2 -4. B.4 -17.000 Ganho do Filtro Ganho do Filtro Ganho do Filtro Ganho do Filtro A (dB) B (dB) C (dB) D (dB) -70.2 -3.1 -0.8 -3.3 -0.0 -2.2 a seguir apresenta os ganhos em função da frequência dos filtros ponderadores A. Tabela 4. Frequência Central da Banda (Hz) 10 12.2 1.5 -44.4 -63.5 16 20 25 31.8 -0.6 7.1 -14.  É indicado pela maioria das normas e legislações.0 -1.5 3.6 -4.2 -0.0 -3.2 -12.150 4.0 -7.5 40 50 63 80 100 125 160 200 250 315 400 500 630 800 1.9 7.3 -2.1 9. C e D.4 -0.4 -0.5 -0.6 -0.3 1.9 -2.7 -50. B.500 3.5 -24.000 20.2 1.6 -9.3 -0.2 -26.2.3 -38.1 -14.5 -19.1 -2.6 -1.500 16.4 -5.2 -33.4 -10. O filtro ponderador B aproxima a resposta do sistema auditivo para sons de média intensidade subjetiva.0 -2.5 -11.8 -0.  É facilmente implementado nos medidores de nível sonoro.1 -8.4 O filtro ponderador mais comumente utilizado é o A.5 11.1 -16. C e D.000 2.6 0 2.1 -1.2 -1.4 -56.8 -10.8 0 0.5 -0. pois apresenta uma série de vantagens.8 -0.4 -1.000 5. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.2 -1.5 -4.5 -6.3 -11.250 1.6 -30.1 0 0 0 0 -0.000 10.3 -0. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído A Tabela 4.2 -0.3 -0.4 -11.1 -13.7 -1.0 1. tais como:  Fornece valores que são bem correlacionados com a perda de audição.9 -0.39 Capítulo 4.2 -5.0 -4.2 -20.3 -0.6 1.3 -0.1 -0.6 5.4 -6.000 12. porém é raramente utilizado nas medições.9 10.7 -39.6 -4.6 -6.6 -9.3 -6. .  Fornece como resultado um número único.2 -0.8 -1.5 -0.0 4.3 -7.9 -8.5 -0.5 -4.5 -0.300 8.3 -6.2 -28.2 -8.2 -22.

o nível sonoro obtido com este filtro ponderador é praticamente igual ao obtido numa medição sem filtragem. Um método para se determinar se um ruído tem maior conteúdo em baixas ou altas frequências. o ruído predomina em frequências acima de 600 Hz.). a partir do espectro não ponderado. a A e a C.  L A . há necessidade de recorrer-se então a medidores mais sofisticados. Quase sempre filtros de oitava ou de 1/3-oitava não vem incorporados nos medidores de nível sonoro mais simples. Assim. 4o ciclo de 2015. designado com dB(Lin. O espectro sonoro ponderado poderá ser obtido. Em geral. Em tais medidores. ou simplesmente dB. o ruído predomina abaixo de 600 Hz. se disponível. designado dB(A). os medidores de nível sonoro mais simples. o medidor de nível sonoro básico fornece diretamente:  L p . Por não introduzir quase nenhuma alteração no espectro do som original. aproxima a resposta do sistema auditivo para sons de elevada intensidade subjetiva. .). Se estas medidas forem aproximadamente iguais. nível sonoro total não ponderado. a ponderação A por ser a mais utilizada. Caso a medida C – ponderada seja maior que a medida A – ponderada. designado dB(C). Para a obtenção do espectro sonoro. poderá ser utilizada como aproximação do nível sonoro não ponderado. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. quando o som não contiver muita energia nas baixas frequências. nível sonoro total C – ponderado. Este tipo de indicação poderá não estar disponível nos medidores mais simples. aplicando-se os ganhos da escala de ponderação de interesse. Neste caso. particularmente quando este não contiver muita energia nas baixas frequências.a ponderação C por ser útil na medição de níveis sonoros elevados. nível sonoro total A – ponderado. é o de comparar as medidas A e C ponderadas. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído O filtro ponderador C. o espectro sonoro é geralmente fornecido com os níveis sonoros não ponderados — em dB(Lin.40 Capítulo 4. e por fornecer valores muito próximos do som original não filtrado. a ponderação C.  L C . por apresentar uma função de transferência quase plana. fornecem somente duas opções de filtragem ponderada.

) ..2) Nível da Banda A – ponderado.0 -1.6 -3. Os níveis sonoros totais em dB (lin..).9 dB (A) .2 dB (Lin.1: Os níveis sonoros do ruído de uma fábrica foram medidos em bandas de oitava.2 -16.) 95 93 70 70 70 60 62 60 -26. Plotar os espectros sonoros em dB(Lin.. obtendo-se os valores indicados na linha 2 da tabela. + 1060/10) = 97.000 4.1 -8.2 -0. LPC = 10 log (1094/10 + 1093/10 + .6 dB (C) . e os níveis sonoros totais em dB(Lin.8 -0. dB (C) Resolução: Os ganhos das ponderações A e C estão indicados nas linhas 3 e 5. Calcular os níveis sonoros A e C – ponderados das bandas.000 2 Nível Sonoro da Banda. dB (Lin. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Quadro 4.2 1..8 -3.000 8. respectivamente.8.0 94 93 70 70 70 60 61 57 3 4 5 6 Ponderação A (Tabela 4.). Os espectros sonoros estão na figura 4.2 0 1. dB (A) Ponderação C (Tabela 4.2) Nível de Banda C – ponderado. + 1059/10) = 78. 1 Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 63 125 250 500 1. LPA = 10 log (1069/10 + 1077/10 + . dB(A) e dB(C). respectivamente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. dB (A) e dB (C) serão: Lp = 10 log (1095/10 + 1093/10 + . 4o ciclo de 2015.000 2.41 Capítulo 4. dB(A) e dB(C).2 0 0 0 -0. + 1057/10) = 96.. .1 69 77 61 67 70 61 63 59 -0.. Os níveis A e C – ponderados estão indicados nas linhas 4 e 6.).

4o ciclo de 2015. Espectros sonoros (Quadro 4. Este fato é também revelado pelos diferentes níveis A – ponderados associados a estes espectros. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. É por este motivo que certos medidores de nível sonoro mais simples não disponibilizam dB(Lin.). Por isto. . Os espectros A – ponderados mostram que estes ruídos são subjetivamente percebidos como diferentes. quando se deseja avaliar a sensibilidade do ouvido humano a determinado ruído através de número único. conforme foi dito anteriormente. a medição do nível sonoro total em dB(Lin.42 Capítulo 4.).) poderá ser ambígua para revelar a resposta subjetiva ao ruído. apesar de apresentarem o mesmo nível sonoro total em dB(Lin.9 mostra os espectros de dois ruídos distintos que apresentam o mesmo nível sonoro total em dB(Lin. deve-se utilizar os filtros ponderadores nas medições.8.1) A Figura 4. Assim. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Figura 4.).

.43 Capítulo 4. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Figura 4. 4o ciclo de 2015. Espectros Sonoros de Ruídos Distintos com o Mesmo Nível Sonoro Total em dB(Lin.9.) eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.

10. Por esta razão. quando se utilizam diferentes ponderações temporais. As ponderações temporais mais comumente utilizadas são: Rápida (Fast) R. Como decidir qual o tipo de ponderação temporal utilizar? Frequentemente o ruído deve ser medido em conformidade com uma determinada norma. Os seus nomes indicam a rapidez com que o medidor de nível sonoro irá acompanhar as flutuações do sinal medido. Figura 4.44 Capítulo 4. sendo portanto necessário reduzir-se as flutuações a fim de obter-se leituras que possam ser seguidas e interpretadas pelo olho humano.10 ilustra como o medidor de nível sonoro irá responder a um tom puro interrompido. normas e legislações normalmente especificam a ponderação temporal a ser utilizado em determinada medição. a leitura do medidor de nível sonoro será a mesma para os três tipos de ponderação temporal. Usar Rápida em todas as medições. sendo que neste caso. PONDERADOR TEMPORAL O ruído apresenta variações de nível. Lenta (Slow) L e Impulso (Impulse) I.5. recomenda-se o seguinte procedimento. A Figura 4. No caso de indicadores digitais adotar o mesmo procedimento. Observar que após o tempo de crescimento. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Indicação das Diversas Ponderações Temporais Para um Mesmo Sinal Acústico. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4.  Rápida ou Lenta devem ser usadas quando o sinal sonoro não contiver impulsos. o medidor de nível sonoro possui um ou mais ponderadores temporais com tempos de crescimento e de decaimento padronizados por normas internacionais. a menos que o ponteiro oscile em mais de 4 dB. Se nada for especificado. 4o ciclo de 2015. .

N amostras do sinal na forma de amplitude em instantes consecutivos. O resultado desta conversão é uma tabulação das amplitudes da forma de onda. > US$ 5. pois nestas circunstâncias avalia-se melhor a possibilidade de lesões auditivas. instrumento de precisão para uso em laboratório ou no campo onde as condições ambientais possam ser controladas.  Tipo 2.  1. Analisadores FFT convertem o sinal analógico gerado pelo microfone em um sinal digital. graças a um algoritmo numérico extremamente eficiente.000.00. espaçados de t(s) .5 dB. Os tipos. Figura 4.11 ilustra a transformação. Devido ao espantoso desenvolvimento de sistemas digitais.7 dB. A Transformada Rápida de Fourier FFT. Algumas vezes é de interesse conhecer-se o maior nível sonoro que ocorre durante uma medição. e a redução de preço dos processadores e computadores que tem ocorrido nos últimos anos. ~ US$ 50. os analisadores FFT são cada vez mais utilizados. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ~ US$ 5.00. 4o ciclo de 2015. ~ US$ 500.00. e as aplicações típicas são as seguintes:  Tipo 0. 4.4–1983). que mantém a maior leitura até que o circuito de retenção seja re-ativado. por exemplo.0 dB. A transformada rápida de Fourier utiliza estes valores de amplitude para transformar o sinal para o domínio da frequência. Pode-se dizer então que a FFT determina o conteúdo em frequências do sinal captado pelo microfone.6. A Figura 4.  1.  0.45 Capítulo 4.11. os medidores de nível sonoro são equipados com um mecanismo de Retenção (Hold). na forma de amplitude em intervalos de frequência de largura f (Hz) . para se ter uma ideia aproximada do nível sonoro em determinado ambiente. Aqui. é a informação no domínio do tempo que é transformada pela FFT em espectro sonoro.00. ou Norma ANSI S1.  Tipo 3.  Tipo 1. utilizado.5 dB. os preços aproximados em US$. A precisão é dada pelo tipo de medidor (Norma IEC 651– 1979. . instrumento de avaliação apenas.000.  1. as precisões. instrumento destinado à medições em campo em geral. O medidor de nível sonoro tem preço que varia em função dos recursos que este oferece e de sua precisão. ANALISADORES FFT Os analisadores de ruído que aplicam a chamada transformada rápida de Fourier FFT (“Fast Fourier Transform”) fornecem o espectro sonoro em bandas estreitas de largura constante (a resolução não varia com a frequência). instrumento de referência padrão destinado à calibração de outros medidores de nível sonoro. Neste caso. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído  Impulso deve ser usado quando o som contiver impulsos. Estes analisadores fornecem o espectro sonoro em fração de segundos.

Figura 4. sendo de grande utilidade na identificação de tons puros e harmônicos. 4o ciclo de 2015.13. a análise espectral via FFT pode ser feita através de módulos acoplados a computadores portáteis. Figura 4.12. Espectro Sonoro do Ruído de um Motor Veicular de Quatro Cilindros a 3.13 abaixo ilustra o espectro sonoro do ruído de um motor veicular de quatro cilindros obtido através do analisador FFT. A Figura 4.12 mostra um analisador FFT para uso em laboratório. Analisador FFT para Laboratório e Módulo Portátil FFT Acoplado em Computador Portátil. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído A Figura 4. A análise espectral com largura de banda constante oferece maior discretização do espectro.000 RPM Obtido Via FFT. Atualmente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.46 Capítulo 4. . Observa-se que a resolução do espectro sonoro obtido via FFT é bem maior do que aquele que se obteria com os filtros de bandas de porcentagem constante.

que foram obtidos via FFT. pelo número de pontos N do analisador.000 / 800  6.25 = Hz. Portanto o intervalo de frequências da análise é f  5.14 é do ruído de uma serra circular.47 Capítulo 4. ou outra largura de banda) obtido a partir do espectro em banda estreita é chamado de espectro “sintetizado”. na faixa de frequências de 0 a 5. Figura 4. O espectro da Figura 4. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O número de pontos N é um parâmetro característico do analisador FFT. Muitas vezes é de interesse obter o espectro em bandas de oitava ou de 1/3–oitava. a partir do espectro em bandas estreitas de largura f . O intervalo de frequências f da análise FFT é obtido dividindo-se a faixa de frequências de interesse.000 Hz. e foi obtido com um analisador FFT com N = 800 pontos. O espectro em banda larga (em banda de oitava. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído O analisador FFT fornece os níveis sonoros em intervalos de frequência f igualmente espaçados.1/3–oitava.14. Espectro do Ruído de Serra Circular. 4o ciclo de 2015. .

33 Central 100 Hz (89.178) 162.20 181.75 83.141) 200 Hz (178 .75 57.75 60.25 73.00 55.224) dB Sintetizado 83.48 Capítulo 4.50 70.35 118. 4o ciclo de 2015. coluna para 1/3 oitava. em parênteses.59 137.00 66.95 175.31 193. Frequência Frequência (Hz) L p (dB) 93.68 200.35 (141 .06 212.99 160 Hz 156.1 75.50 54.25 59.24 100.00 55.50 61.14.25 56.79 112.1 .1.81 143.25 56.54 131. Sintetizar o espectro obtido via FFT em bandas de 1/3–oitava normalizadas.78 206.27 150.75 55.29 106.50 62.45 218.25 168.75 64. as bandas de 1/3–oitava mais baixas conterão poucos pontos FFT.00 55. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído Quadro 4.7 Discussão: Já que a FFT fornece dados em intervalos de frequências igualmente espaçados.112) 125 Hz (112 .6 70. foram obtidos da tabela 4.42 125.25 55.75 56.53 187. A tabela apresenta dados parciais do espectro do ruído de serra circular da Figura 4. Os valores de frequência central e seus intervalos.5 62. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.2. Isto degrada a exatidão do nível da banda sintetizada nas baixas frequências. Discutir a exatidão do espectro sintetizado em baixas frequências. .00 71.50 56.

(2) filtro de 1/3 oitava. nível C – ponderado: 55 dB(C). a fim de poder decidir qual tipo deve ser utilizado em determinada medição. O espectro sonoro obtido com filtros de banda de porcentagem constante de 8% fornece o espectro com resolução menor. O espectro sonoro de banda constante de 2 Hz obtido com o analisador FFT é uma representação bem detalhada da distribuição do som em função da frequência. (3) filtro de banda de porcentagem constante de 8% e (4) FFT de 2 Hz. O primeiro exemplo consta nos espectros da Figura 4. e não indica nenhum dos picos existentes no som original.). A melhor maneira de ilustrar as diferenças. . o nível sonoro básico está em torno de 10 dB. (1) Filtro de oitava.15. Figura 4. nível B – ponderado: 52 dB(B).040 Hz. que referem-se a um equipamento mecânico que tem uma periodicidade evidente no ruído produzido. ANÁLISE COMPARATIVA DOS DIFERENTES TIPOS DE ANALISADORES É essencial entender a forma como os diferentes analisadores processam o sinal captado pelo microfone. uma série de tons puros espaçados com certa regularidade. No caso de haver dois picos de igual eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O motivo é que todos os picos dentro de cada banda com largura de 8% são combinados em um único nível sonoro que representa o nível da banda. Espectros sonoros de ruído. A maior preocupação é entender qual o tipo de informação que podemos extrair de cada um deles. Os números únicos obtidos com um simples medidor de nível sonoro estão indicados no canto superior direito. A escala de frequências é linear e o nível sonoro está dado em dB. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4. Nível sem ponderação: 57 dB(Lin. sendo que todas as componentes espectrais dentro desta faixa de frequências são combinadas na obtenção do nível sonoro total da banda.15.000 Hz. Observase neste espectro. obtidos com diferentes analisadores. Cada analisador tem a sua utilidade assim como limitações.7. Para a frequência central de 1. é apresentar comparativamente os resultados que estes analisadores fornecem para um mesmo sinal acústico.49 Capítulo 4. a largura de banda é 80 Hz. 4o ciclo de 2015. de 960 a 1. nível A – ponderado: 48 dB(A).

Alguns medidores fornecem o nível sonoro na escala linear. Caso estes valores estejam próximos. seguida da ponderação B. é comparar os valores obtidos com as três ponderações. a ponderação A apresenta as maiores atenuações para frequências inferiores a 1. Uma forma de se determinar o conteúdo em frequências do som medido. o nível sonoro indicado será 3 dB maior que o de um deles individualmente. estes últimos analisadores ainda são bastante empregados na avaliação e controle de ruído. é prescrita pela grande maioria das normas e legislações relativas ao ruído. o som é composto por frequências acima de 600 Hz. pois as larguras das bandas aumentam com o aumento da frequência central. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído magnitude na banda. Este resultado poderá ser de interesse em trabalhos de laboratório.). a ponderação D é utilizada.000 Hz. O nível sonoro total A-ponderado é útil na avaliação da resposta subjetiva a reduções do nível de ruído. esta ponderação não é utilizada nas medições de ruído ocupacional. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.50 Capítulo 4. adicionando mais componentes espectrais. a diferença entre estes analisadores e os de banda de porcentagem constante de oitava e 1/3–oitava ainda é considerável. aproximadamente. Conforme discutido anteriormente. Assim.420 Hz. Conforme já foi dito. e assim mais componentes espectrais vão sendo incorporadas na determinação do nível sonoro de cada banda. dB (Lin. Observa-se que o nível sonoro é ascendente com a frequência. Analisadores do tipo FFT são comumente utilizados na determinação de detalhes do espectro sonoro que normalmente estão relacionados com as características de operação de determinada máquina ou equipamento. para a frequência central de 1. fornecendo valor ainda maior para o nível sonoro de banda do que o filtro de 1/3 oitava. devido ao sobrevoo de aeronaves. no entanto. Qual tipo de analisador utilizar? Depende da aplicação e dos recursos financeiros disponíveis. Por exemplo. No caso de medidas de níveis de ruído ao ar livre. a largura de banda de 1/3 oitava vai de 891 à 1.000 Hz vai de 710 à 1. este nível sonoro não é muito bem correlacionado com a sensação subjetiva de intensidade do ruído.3 apresenta uma comparação qualitativa entre o medidor de nível sonoro com filtros e o analisador FFT. pois este filtro tem larguras de bandas maiores do que o filtro com largura de banda de 8%. Caso os valores obtidos com as ponderações B e C forem maiores do que com a ponderação A. Os detalhes do espectro sonoro não podem ser revelados com filtros de banda de porcentagem constante. 4o ciclo de 2015. . por se correlacionarem com a sensação auditiva. com a ponderação C apresentando as menores atenuações. Estes números únicos. fornece níveis ainda maiores para o mesmo ruído. Para atividades de laboratório é essencial a utilização de ambos os tipos de analisadores. A tabela 4.000 Hz. Medições de níveis sonoros totais A–. fornecem uma ideia da intensidade subjetiva do ruído medido. Embora o preço dos analisadores FFT esteja caindo. e por ser uma medida simples.122 Hz. B– e C– ponderados fornecem números únicos que representam o nível sonoro total de toda a faixa de frequências coberta pelo medidor de nível sonoro. A largura de banda de filtro de oitava centrada em 1. o ruído apresenta componentes espectrais significativas nas frequências abaixo de 600 Hz. sem qualquer ponderação. Este é o nível de pressão sonora total do ruído na faixa de frequências coberta pelo medidor. O espectro sonoro obtido com filtros de 1/3–oitava.

identificação de fontes sonoras. portátil. vários recursos. US$ 5. para seleção de materiais Complexo.000.) Relativamente barato US$500 – US$ 3. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.7. manejo complicado. sonoras próximas. Medidor de Nível Sonoro (com filtros de oitava) Analisador FFT Produz muitos dados (necessário registro Dados mínimos (número reduzido de dados em disco). Análise espectral grosseira.51 Capítulo 4. etc.1. pesado. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4. para interpretar e manipular). armazenamento de dados. . resistente a intempéries. Útil para outras aplicações (vibrações.000. Adequado acústicos. recursos limitados.3. funções de transferência. Bom para avaliação do atendimento a Permite separar a contribuição de fontes normas e legislações. COMPARAÇÃO ENTRE O MEDIDOR DE NÍVEL SONORO COM FILTROS E O ANALISADOR FFT Tabela 4. Volumoso. Análise espectral detalhada. Comparação Entre o Medidor de Nível Sonoro com Filtros e o Analisador FFT.000 – US$ 15. Fácil de aprender e de usar. Compacto. manipulação de dados. 4o ciclo de 2015.

52 Capítulo 4. d) o nível do valor médio da pressão sonora. b) o nível do valor RMS da pressão sonora. b) na ponderação temporal Lenta. e) a retenção do som. Feedback: item 4.8. e) o nível do somatório da pressão sonora. c) o ganho. Feedback: item 4. d) variar a ponderação temporal.5 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.3 4. e) dB(C). TESTES 1. O nível de pressão sonora é: a) o nível do valor de pico da pressão sonora. Na avaliação de níveis sonoros do cotidiano deve-se utilizar medições em: a) dB(B). b) a frequência de corte. a função do detector é: a) filtrar a energia sonora em bandas de frequência. b) dB(A). c) o nível da pressão sonora instantânea. Feedback: item 4. e) captar o sinal acústico. c) dB(Lin. Neste caso deve-se utilizar um medidor de nível sonoro: a) com filtros de oitava. No medidor de nível sonoro. b) extrair o valor eficaz do sinal acústico. 4o ciclo de 2015. d) a amplitude do sinal na saída. Uma legislação de ruído urbano recomenda que as incertezas nas medições de níveis totais de ruídos contínuos não excedam  1 dB. d) Tipo 1 ou 0.2 2.2 3. c) Tipo 3. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 4. . c) pré-amplificar o sinal acústico. Feedback: item 4.) d) dB. O que caracteriza o filtro é: a) a função de transferência.4 5. Feedback: item 4. e) Tipo 2.

c) Linear. O risco de perda de audição devido a ruídos impulsivos é mais bem avaliado com medições: a) A .ponderadas na ponderação temporal Rápida. d) C -ponderadas na ponderação temporal Rápida.ponderadas na ponderação temporal Impulso. Feedback: item 4.7 7. e) C – ponderadas na ponderação temporal Lenta.7 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. d) não podem ser obtidos. Instrumentos e fundamentos de medidas do ruído 6. 4o ciclo de 2015. b) poderão ser imprecisos em bandas de baixa frequência. b) A . e) são sempre imprecisos independentemente da banda de frequência. Espectros sintetizados em bandas de oitava a partir de medições via FFT em bandas estreitas: a) são precisos em todas as bandas. .53 Capítulo 4. Feedback: item 4.ponderadas na ponderação temporal Impulso. c) poderão ser imprecisos em bandas de alta frequência.

dos mecanismos da audição e do processamento do som pelo sistema auditivo. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Acompanhar o processamento do som desde a orelha até o seu envio ao cérebro. do ouvido médio e do ouvido interno.54 Capítulo 5. MECANISMOS DA AUDIÇÃO OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar os fundamentos da anatomia do ouvido humano. Mecanismos da audição CAPÍTULO 5. Utilizar as curvas isofônicas. Identificar as estruturas que são lesionadas pelo ruído. 4o ciclo de 2015. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Identificar os principais componentes do ouvido externo. . através do sistema auditivo.

000 Hz de ultrassons. são características realmente impressionantes do sistema auditivo. nós podemos localizar a fonte sonora.000 – 4. Sons abaixo de 20 Hz são denominados infrassons. o que justifica a maior sensibilidade auditiva nesta faixa de frequências. OUVIDO EXTERNO Compreende a orelha e o canal auditivo. A extrema sensibilidade. até encontrar o tímpano. Figura 5. 5. proveniente de uma posição em particular. O Ouvido Humano. . que também se destina a manter a flexibilidade deste canal. Mecanismos da audição 5. Esta faixa. Os dois ouvidos nos permitem escutar estereofonicamente. com paredes inicialmente cartilaginosas. denominada de faixa de frequências de áudio.1.1. O canal auditivo tem aproximadamente 8 mm de diâmetro. isto é. 4o ciclo de 2015.000 Hz. tornando-se mais ósseas internamente. secreta cera protetora.000 Hz.55 Capítulo 5. vai de 20 a 20. com aproximadamente 27 mm de comprimento. Existem diversos aspectos da audição que até hoje não são totalmente compreendidos.2. A câmara formada pelo canal auditivo possui frequência natural de ressonância entre 3. O ouvido consiste essencialmente de três partes: o ouvido externo. o ouvido médio e o ouvido interno. e a tolerância a níveis sonoros bastante elevados. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O mecanismo de audição é bastante complexo. e sons acima de 20. INTRODUÇÃO O ouvido humano é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e interpretar sons em uma ampla faixa de frequências. já que os ouvidos distinguem a fase do som que os atinge.

3. Ouvido Externo. OUVIDO MÉDIO Inicia-se no tímpano. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Figura 5. transmite as vibrações sonoras para três ossículos: martelo. 4o ciclo de 2015. 5. .56 Capítulo 5. aumentando a força das vibrações mecânicas com redução de sua amplitude. Os ossículos funcionam como alavanca.2. bigorna e estribo. Ouvido Médio. Mecanismos da audição Figura 5.3. que quando da incidência do som.

pois o ouvido interno é uma estrutura que possui inércia relativamente grande. que apresenta comprimento aproximado de 30 mm (ao ser desenvolvido) e volume de 1 cm 3. tem condições de excitar o ouvido interno. daí o nome de caracol. . 5. ao ser amplificada pelos ossículos. Este controle é feito através de pequenos músculos que posicionam os ossículos em condições de transferirem toda ou apenas parte de energia mecânica recebida no tímpano. a pequena força gerada pelo som no tímpano. assim. Mecanismos da audição Os ossículos também conferem ao ouvido a capacidade de “ouvir mais” ou “ouvir menos”. OUVIDO INTERNO Inicia-se na janela oval. Este processo é chamado de reflexo estapediano. de tal forma que o tímpano permaneça na posição de equilíbrio na ausência de som. O tubo de Eustáquio. Os ossículos promovem o chamado casamento de impedâncias — o casamento da baixa impedância do tímpano com a alta impedância do caracol. instintivamente esperamos pelo barulho da batida. Figura 5.4. Os Ossículos Funcionam Como Alavanca. que recebe a força do estribo. comunica a câmara que contém os ossículos com as fossas nasais. 4o ciclo de 2015. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. É formado por um tubo enrolado. automaticamente os ossículos são posicionados para que ouçamos tal barulho com menor intensidade.57 Capítulo 5. Quando ouvimos uma brecada violenta de automóvel.4. afim de que a pressão externa seja transmitida a essa câmara. Há necessidade de amplificação da força que é gerada no tímpano.

canal timpânico e canal coclear. O tubo caracol é dividido internamente. Estes canais contêm fluidos. responsável por captar as ondas de pressão que viajam pela perilinfa. e o canal coclear contém a endolinfa. Mecanismos da audição Figura 5. Sobre a membrana basilar assenta-se o chamado órgão de Corti. Figura 5. Os canais vestibulares e timpânicos contêm a perilinfa. A principal estrutura do órgão de Corti é um conjunto em torno de 20. Canais do Caracol. em três canais denominados de canal vestibular.000 células ciliadas que respondem seletivamente conforme as frequências do som que o ouvido está recebendo. ao longo do seu comprimento. O Ouvido Interno. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5. 4o ciclo de 2015. .58 Capítulo 5.6.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.8.7. 4o ciclo de 2015. Detalhe do Órgão de Corti. Detalhe dos Canais Internos ao Caracol.59 Capítulo 5. . Mecanismos da audição Figura 5. Figura 5.

Detalhe de Conjunto de Células Ciliadas do Órgão de Corti. Figura 5. Caracol Desenvolvido com Mapeamento Localizado da Membrana Basilar por Uma Onda Viajante. gerando ondas de pressão no fluido.10. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O último ossículo. o estribo.9. e mapeiam em movimento vibratório uma determinada região desta membrana. pressiona a janela oval do caracol. que viajam na membrana basilar. . 4o ciclo de 2015. Mecanismos da audição Figura 5.60 Capítulo 5.

excitando as células ciliadas contidas numa outra região da membrana. 4o ciclo de 2015. Onda Viajante Mapeando.61 Capítulo 5. mais sensível aos sons de baixa frequência. Mecanismos da audição Os sons de alta frequência mapeiam regiões próximas à base da membrana basilar.11. em Movimento Vibratório. Assim. . Figura 5. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. excitando as células ciliadas nesta região. Os sons de baixa frequência viajam em direção ao ápice da membrana basilar. estas células geram impulsos elétricos que são enviados ao cérebro através do nervo auditivo a elas conectado. Quando excitadas. Assim o cérebro recebe a informação sonora com a análise de frequência já tendo sido realizada pelo ouvido interno. Determinada Região da Membrana Basilar. cada som excitará um determinado conjunto de células ciliadas contidas na região da membrana basilar mapeada.

Figura 5.13.12. Desde a Base Até o Ápice.62 Capítulo 5. Sensibilidade Espectral da Membrana Basilar. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 4o ciclo de 2015. Mecanismos da audição Figura 5. . Sons de Diferentes Frequências são Mapeados em Diferentes Regiões da Membrana Basilar Pelas Ondas Viajantes.

passado certo tempo depois de cessada a exposição. voltando ao normal.14. é causada por lesões nas células ciliadas.000 Hz. Geralmente o som em uma determinada frequência ocasiona perda de audição em uma frequência superior. Há risco de perda de audição quando o nível de ruído ultrapassa 85 dB(A). quando os níveis sonoros atingem certos valores de forma que a energia acústica recebida pelo ouvido num dado espaço de tempo se torna excessiva. O tempo de recuperação da audição normal depende do nível do ruído e da duração da exposição. ocorre um deslocamento permanente no limiar da audição. Quanto maior o tempo de exposição do ruído. A perda da sensibilidade auditiva pode ser avaliada por meio do audiograma. A exposição prolongada a ruídos acima de 85 dB(A) é um fator inerente de nosso progresso tecnológico e muitas pessoas se veem praticamente obrigadas a exercer suas atividades profissionais em condições acústicas insalubres. Como se pode notar.5. Células Ciliadas Lesadas Por Ruído (direita). Este tipo de perda de audição é chamada de temporária. Ruídos em 2. Por serem células nervosas. Células Ciliadas Sadias (esquerda). maior será o grau de perda de audição. Esta redução independe do conteúdo em eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. abreviada PAIR.000 Hz ocasionam perdas em 4. PERDA DE AUDIÇÃO INDUZIDA POR RUÍDO – PAIR A perda de audição induzida pelo ruído.000 Hz. 4o ciclo de 2015.000 e 2. também maior será o grau de perda de audição. . Figura 5.000 Hz. não existe possibilidade de recuperação. a perda de audição se faz anunciar por redução acentuada em 4.15 mostra como evolui a perda da sensibilidade auditiva causada por exposições prolongadas a níveis de ruído elevados.63 Capítulo 5. uma vez tendo sido lesionadas. A Figura 5. Mecanismos da audição 5. Toda vez que o ouvido humano é exposto a um nível sonoro de certa intensidade. Ruídos em 500 Hz ocasionam perdas em 1. A perda de audição será permanente. o limiar da audição do indivíduo é deslocado temporariamente. que é um teste para determinação do limiar de audibilidade em várias frequências. Das diversas pesquisas realizadas até hoje podem ser feitas as seguintes afirmações: Quanto maior o nível do ruído.

tal que eles o julgassem tão intenso quanto o de um tom puro em 1.A.15.. 5 (1933) 82-108. Estas curvas foram construídas a partir de informações fornecidas por um certo número de ouvintes.000 Hz. A unidade de nível de audibilidade é o fone.6. médio ou agudo pois.000 Hz lhes era apresentado com um determinado nível sonoro conhecido. O nível de audibilidade é função do nível sonoro e da frequência do som. Desta forma. O nível de audibilidade é uma medida psicofísica da sensação subjetiva da intensidade do som. H. AUDIBILIDADE DOS SONS Para se determinar o nível sonoro basta conhecer o valor eficaz da pressão sonora. measurement and calculations. Não importa se estamos determinando o nível sonoro de um som grave. Estes resultados foram apresentados na forma de curvas de mesmo nível de audibilidade. Figura 5. apresenta uma sensação subjetiva de intensidade do som que depende da frequência. a frequência não influi no nível sonoro. Journal of the Acoustical Society of America. 1 Fletcher. and Munson. Loudness its definition. O ouvido humano. O tom puro em 1. Deslocamento Médio Estimado do Limiar da Audibilidade Devido ao Ruído. podendo então ser tomadas providências para evitar que o individuo continue a ter seu limiar de audibilidade reduzido de forma anormal. O nível de audibilidade para tons puros de diversas frequências foi primeiramente medida experimentalmente por Fletcher e Munson1 em 1933. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 Hz serviu como medida do nível de audibilidade. entretanto. um tom puro em 100 Hz será percebido como sendo de menor intensidade subjetiva do que um tom puro em 1000 Hz de mesmo nível de pressão sonora. a realização de audiogramas sucessivos pode chamar a atenção para esse fato. 5. 4o ciclo de 2015. Estes ouvintes eram solicitados a ajustar o nível sonoro de um tom puro em determinada frequência. Por exemplo.64 Capítulo 5. Este nível sonoro em 1. W. Mecanismos da audição frequência do ruído a que o indivíduo está submetido. .

através de sua recomendação R226–1961 apresenta as curvas isofônicas para tons puros. esta variação com a frequência diminui. Para qualquer curva isoaudível. A ISO — “International Organization for Standardization”. Figura 5. Com níveis sonoros mais elevados. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ou seja. . necessita-se de mais energia sonora em baixas frequências para provocar a mesma sensação subjetiva de intensidade sonora em altas frequências. as curvas isofônicas ficam mais planas.65 Capítulo 5. Mecanismos da audição As curvas foram construídas ligando os pontos de mesmo nível de audibilidade. Por exemplo.000 Hz. O limite inferior das curvas isoaudíveis é o limiar da audibilidade. o qual apresenta uma marcante variação de níveis sonoros com a frequência — uma diferença de quase 80 dB entre 20 e 4.000 Hz é julgado subjetivamente tão intenso como um tom puro de aproximadamente 44 dB em 100 Hz. Por isto. a faixa de variação da isofônica 90 fones é 40 dB. Portanto. os menores níveis sonoros requeridos para provocar a mesma sensação subjetiva de intensidade sonora em outras frequências ocorrem na faixa de 3-4 kHz.16. estas curvas são conhecidas como curvas isoaudíveis (de mesmo nível de audibilidade) ou curvas isofônicas (com o mesmo valor de fones). Curvas Isofônicas. Esta faixa de frequências é onde se encontra a primeira frequência de ressonância do conduto auditivo.16 As curvas isofônicas revelam que o ouvido humano é menos sensível em baixas frequências do que em altas frequências. a curva isoaudível que corresponde a 30 fones mostra que um tom puro com nível sonoro de 30 dB em 1. 4o ciclo de 2015. as quais são reproduzidas na Figura 5. Por exemplo.

4o ciclo de 2015. . A ponderação B aproxima a sensação auditiva correspondente à curva isofônica 70 fones. c) O nível sonoro de um tom puro em 60 Hz para que ele gere um nível de audibilidade de 90 fones. 70 dB em 1. Quadro 5. 22 dB. 29 dB.000 Hz.000 Hz e 75 dB em 10. c) 100 dB.16: a) 63 dB. 70 fones.1. aplicando no sinal de entrada funções de transferência baseadas nas curvas isofônicas. 70 fones. Os filtros ponderadores dos medidores de nível sonoro tentam aproximar a sensação subjetiva de intensidade.000 Hz que correspondem ao nível de audibilidade de 30 fones. A ponderação A aproxima a sensação auditiva correspondente à curva isofônica 40 fones.000 Hz. b) Os níveis de audibilidade de tons puros com os seguintes níveis sonoros e frequências: 68 dB em 2. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.66 Capítulo 5. 400 e 4. Determinar: a) Os níveis sonoros em 40. b) 70 fones. Mecanismos da audição O nível de audibilidade se correlaciona melhor com a sensação subjetiva de intensidade do som do que o nível de pressão sonora. Resolução: Segundo a figura 5. A ponderação C aproxima a sensação auditiva correspondente à curva isofônica 100 fones.

b) conjunto de canais semicirculares. canal e tímpano. . Feedback: item 5. c) caracol. O ouvido humano subdivide-se em: a) martelo.000 Hz. b) o tímpano. b) canal coclear. O ouvido interno consiste basicamente do: a) tubo de Eustáquio. Mecanismos da audição 5. ouvido médio e ouvido interno.4 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.67 Capítulo 5. b) orelha. b) 3. d) 100 – 10. TESTES 1.kHz. bigorna e estribo. d) nervo auditivo. 4o ciclo de 2015.7.4 4. Feedback: item 5. d) ouvido externo. conduto auditivo e tímpano. e) o tubo de Eustáquio. c) a membrana basilar. e) orelha. d) o canal coclear. Feedback: item 5.1 3. Feedback: item 5. e) 500 – 4 kHz. c) 1 a 100. A onda viajante mapeia em movimento vibratório: a) o canal auditivo. canal timpânico e canal coclear. e) tímpano. ouvido. e) células ciliadas. c) canal vestibular.000 – 4. Feedback: item 5. c) canal timpânico. d) nervo auditivo.4 5. A faixa de áudio compreende as frequências de: a) 20 Hz – 20 kHz.1 2. As células ciliadas emitem impulsos elétricos que são enviados ao cérebro pelo: a) canal vestibular.000 Hz.

6 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Feedback: item 5. d) fone. Mecanismos da audição 6.68 Capítulo 5. b) dB(A). 4o ciclo de 2015. A unidade do nível de audibilidade é: a) dB. . e) Hz. c) sone.

69 Capítulo 6. Estabelecer os limites de tolerância para o ruído em ambientes para diversas finalidades e para o ruído em comunidades. e particularmente avaliar o risco de perda de audição em ambientes de trabalho ruidosos. . Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Medir ruídos não estacionários utilizando níveis sonoros estatísticos e o nível sonoro equivalente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Considerar os principais parâmetros para avaliar o risco de perda de audição nos ambientes de trabalho ruidosos. CRITÉRIOS E NORMAS PARA AVALIAR O RUÍDO OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar critérios e normas para avaliar o ruído em ambientes diversos e comunidades. Avaliar o ruído nos ambientes do trabalho a partir da legislação aplicável com o auxílio do dosímetro. Critérios e normas para avaliar o ruído CAPÍTULO 6. 4o ciclo de 2015.

este último causado pelo tráfego de veículos nas imediações. próximas ou remotas.1ilustra exemplos de ruído ambiente em função do tempo. o nível de ruído residual ao entardecer está em torno de 44 dB(A). ruído do movimento da vegetação causado pelo vento. o qual é definido como o conjunto de sons e ruídos que ocorrem conjuntamente com o fato sonoro objeto de interesse. RUÍDOS NÃO ESTACIONÁRIOS O ruído ambiental típico de uma comunidade urbana serve de ilustração para caracterizar ruídos não estacionários. A Figura 6. o qual não parece reduzir-se durante um certo intervalo de tempo de medição. Critérios e normas para avaliar o ruído 6. Quase a totalidade das normas e legislações requererem a medição do nível sonoro A–ponderado independente do nível sonoro. em dois períodos distintos.70 Capítulo 6. ou consideração específica. O ruído medido é caracterizado por variações significativas do nível sonoro acima de um nível básico (residual). geram um ruído estacionário básico. medido em um ponto de uma comunidade urbana. 4o ciclo de 2015.2. O ruído ambiente é definido como uma superposição de ruídos. INTRODUÇÃO Níveis sonoros ponderados (totais ou em bandas de frequência) são as medidas mais básicas e elementares para avaliar o grau de perturbação causado por ruídos estacionários nas pessoas. 6. e de madrugada em torno de 40 dB(A). que quando combinadas. O nível de ruído residual não deve ser confundido com o nível de ruído de fundo.1. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O nível de ruído residual é o nível sonoro mínimo. As variações no nível sonoro são devidas a fontes sonoras diversas que estão indicadas na Figura 6. ou outras fontes. dentre os quais nenhum deles é objeto de interesse. Embora a audibilidade de altos níveis sonoros esteja mais correlacionada com medições C– ponderadas. normalmente de naturezas diferentes e origens distintas.1. Na figura. O nível de ruído residual pode ser devido ao tráfego de veículos em vias mais distantes. ou consideração específica. . próximo a uma via de tráfego. considera-se que a perturbação e o risco da perda de audição são melhor avaliados com medições A–ponderadas.

Ou seja. Percebe-se que não é possível caracterizar ruídos não estacionários através do registro de níveis sonoros em função do tempo. 56 e 60 dB(A). . o nível de ruído pode ser lido e classificado em intervalos.2. por exemplo. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. o ruído registrado pode ser considerado como 20 medidas distintas. 4o ciclo de 2015. com duração de 20s.1.1 de uma forma mais simples e concisa. de 5 dB(A). Esta tabela também indica a porcentagem de vezes que o nível de ruído esteve em determinada faixa. A tabela 6. Nível de Ruído em Comunidade em Função do Tempo ao Entardecer e de Madrugada. etc. pois este tipo de registro contém muitos detalhes. Necessita-se então descrever a situação representada na Figura 6. 61 e 65 dB(A). Critérios e normas para avaliar o ruído Figura 6.1 apresenta o resultado desta classificação para o registro de ruído da Figura 6. do nível de ruído da Figura 6.3. A cada segundo.71 Capítulo 6. e classificadas através do número de medições (ou número de vezes) que o nível de ruído esteve entre 50 e 55 dB(A). 6.2. Consideremos o registro. NÍVEIS SONOROS ESTATÍSTICOS O registro do nível sonoro em função do tempo de um ruído não estacionário pode ser caracterizado mais concisamente usando grandezas estatísticas.

1. Critérios e normas para avaliar o ruído Figura 6.72 Capítulo 6. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.2. 4o ciclo de 2015. em um histograma. Intervalo do Nível de Ruído dB(A) 56-60 61-65 66-70 71-75 76-80 81-85 Número de Ocorrências Porcentagem do tempo 2 8 4 2 3 1 10% 40% 20% 10% 15% 5% O resultado desta classificação pode ser apresentado de forma gráfica. o qual mostra a porcentagem do tempo em que o nível sonoro esteve em determinada faixa. . Número de vezes e porcentagem do tempo em que o nível sonoro registrado na figura esteve nas faixas de 5dB (A) indicadas. Registro de Ruído em Comunidade Durante o Intervalo de Tempo de 20 Segundos. Tabela 6.

calcular a área igual à metade da Área do histograma. uma área de 50 unidades é alcançada no nível de 60 dB(A). Aqui. L 50 é o nível de ruído mediano (não necessariamente igual ao nível de ruído médio). O histograma é uma forma de apresentar estatisticamente os níveis sonoros que ocorreram durante um certo intervalo de tempo. onde “unidades” referem-se ao produto entre porcentagem e nível sonoro. ou 250 unidades. Portanto. 50% Área (a partir de 55 dB(A)) = 5 x 10 + 5 x 40 = 250 unidades. Histograma da Porcentagem do Tempo em que os Níveis Sonoros Estiveram em Faixas de 5dB(A). Critérios e normas para avaliar o ruído Figura 6. um critério mais usual e significativo obtido do histograma é o de calcular a porcentagem do tempo que um determinado nível sonoro foi excedido durante o período de medição. Cálculo do L 90 : 10% da área é igual à 50 unidades. Área = 5 (10 + 40 + 20 + 10 + 15 + 5) = 500 unidades. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. e L10 é uma medida dos níveis de ruído de pico (intrusivos) que ocorreram durante o período de medição. Na realidade. O cálculo destes níveis estatísticos poderá ser feito da seguinte forma: Calcular a área da poligonal formada pelo histograma. 4o ciclo de 2015. As notações deste critério estatístico são as seguintes: L 90 = nível sonoro que foi excedido em 90% do tempo L 50 = nível sonoro que foi excedido em 50% do tempo L10 = nível sonoro que foi excedido em 10% do tempo L 90 é um medida do nível de ruído residual. 60 dB(A) é o nível sonoro que é excedido em 90% do tempo. Cálculo do L 50 : a partir do nível sonoro de 55 dB(A) e caminhando para a direita no histograma. A partir do nível sonoro de 55 dB(A) e caminhando para a direita no histograma.73 Capítulo 6. .3.

Geralmente. o nível critério é L10 = 70 dB(A). mais do que 20 níveis sonoros são utilizados nos cálculos. O L eq é uma medida questionável para avaliar a perturbação causada por ruídos impulsivos de curta duração. digamos.  T 0  onde L p ( t ) é o nível de pressão sonora no instante t. pode-se registrar níveis sonoros em intervalos de tempo maiores que 1s. NÍVEL SONORO EQUIVALENTE O nível sonoro equivalente é a energia sonora média recebida pelo observador durante certo intervalo de tempo T. Dependendo da situação. Critérios e normas para avaliar o ruído ou seja. A partir de 55 dB(A). em intervalos de 10s durante um período que pode variar. A energia contida em sons impulsivos “dilui-se” nas partes “silenciosas” do registro quando do cálculo da energia média. o nível de ruído excede 78. A Administração Federal de Rodovias dos EUA (“Federal Highway Administration” FHWA). que poderá ser calculado a partir de um registro como o da Figura 6. de sobrevoos de aeronaves e de linhas ferroviárias. O valor de L10 é. ou 10% da Área se deve a níveis sonoros superiores (à esquerda de) 78.74 Capítulo 6. metade da Área está abaixo e a outra metade está acima de 65 dB(A). devem atender a estes critérios de níveis sonoros.3 dB(A). O nível sonoro equivalente. são obtidas da seguinte forma: (5 x 10) + (5 x 40) + (5 x 20) + (5 x 10) + (y x 15) = 450 unidades. e. Para áreas residenciais. por exemplo. ou simplesmente nível equivalente.4. é uma grandeza de avaliação de ruídos não estacionários que forma a base de diversas normas e legislações relativas à exposição ao ruído. onde y é medido a partir de 75 dB(A). L 50 = 65 dB(A). de 1/4 de hora a 1 hora. . Os projetos de rodovias nos EUA que necessitam de aprovação em nível federal. ou: y = 3. Ou seja. Assim y é tal que: y x 15 = 450 – 400 = 50 unidades. 450 unidades.3 dB(A). tais como aquelas destinadas a atividades de lazer é L10 = 60 dB(A). portanto.2.3 = 78. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O nível critério em áreas onde há necessidade de tranquilidade. 4o ciclo de 2015. o L eq tem sido bem aceito para a avaliação de ruídos não estacionários. portanto.3 dB(A) em 10% do tempo da medição. os níveis estatísticos são obtidos com registros superiores a 20s. Apesar disto.3 dB(A). Portanto. Existem medidores de níveis sonoros comercialmente disponíveis que fornecem uma leitura direta do L eq . Os níveis sonoros estatísticos são critérios geralmente utilizados para avaliar ruídos de sistemas de transporte tais como de tráfego de veículos. 75 + 3. Calculo do L10 : 90% da Área é igual à 450 unidades. com o auxílio da fórmula. adota o L10 como grandeza para avaliar o ruído em lotes de terra destinados à residências. 6. escolas e similares.  1 T L ( t ) / 10  L eq  10 log  10 p dt dB.

e 70 dB(A) durante os 10 minutos seguintes. . de acordo com a equação será dado por L eq  10 log[0.75 Capítulo 6.5  1070 / 10 ] L eq  10 log[0.5  (106  107 )] L eq  67. Histograma de Níveis Sonoros Medidos em Intervalos de Tempo Iguais. Durante Certo Período. Por exemplo. 4o ciclo de 2015.5  1060 / 10  0. Ao dividirse a faixa de níveis sonoros medidos em N intervalos de 1 dB.  i 1  onde fi é a fração do tempo em que o nível sonoro assumiu o valor do i-ésimo intervalo.4 dB(A) O L eq num determinado intervalo de tempo poderá ser facilmente calculado a partir de um histograma. L pi . Critérios e normas para avaliar o ruído Embora em alguns casos seja possível calcular a integral diretamente. digamos que o nível sonoro durante 10 minutos foi de 60 dB(A). muito frequentemente esta integral é avaliada numericamente (cálculo aproximado). No período de 20 minutos o nível sonoro equivalente.4. Figura 6. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. uma fórmula aproximada para o cálculo do nível sonoro equivalente é: N L / 10  L eq  10 log fi  10 pi  dB.

L 50 = 68 dB(A) e L10 = 75 dB(A). aproximações razoáveis para o nível equivalente calculado no Quadro 6. Assim. Assim. .3 68 70 38. etc. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.9 73 39 21. contadas a partir da esquerda no histograma.4.3 dB(A). dB( A ) Número de Medidas no Intervalo Fração do Tempo. caracteriza a faixa de níveis sonoros entre 51 e 55 dB(A).  60 L eq  L 50  (L10  L 50 )2 .1: Calcular o Leq associado ao histograma da Figura 6. Critérios e normas para avaliar o ruído Os dados do histograma da Figura 6.1.6 180 L eq  73.7 78 15 8. através das seguintes fórmulas: L eq  L 50 (L10  L 90 )2 .3 83 1 0. L p1  53 dB(A).2 63 33 18.9 dB(A). obtém-se L eq = 72.4 poderão ser tabelados. 90ª e 162ª medida. Estas medidas estão envoltas em círculos no histograma e correspondem a L 90 = 59 dB(A). respectivamente. L 50 e L 90 . fi (%) 53 9 5 58 13 7.76 Capítulo 6. L 50 e L10 . com o nível central da i-ésima faixa do histograma. 4o ciclo de 2015.9 dB( A ) Número Total de Medidas Foi utilizada a fórmula: Quando o histograma apresenta distribuição gaussiana de níveis sonoros (curva na forma de sino). caracteriza a faixa de níveis sonoros entre 56 e 60 dB(A). o nível sonoro equivalente poderá ser aproximado através dos níveis sonoros estatísticos L10 . L p2  58 dB(A). de 73. L 90 . Quadro 6. caracterizando uma determinada faixa de níveis sonoros. Quando estes valores são levados nas equações acima. L pi . corresponderiam à 18ª.3 dB(A) e L eq = 71. respectivamente. 15 Este histograma é o resultado de 180 medidas de níveis sonoros.

uma área de 25 unidades é obtida da seguinte forma: (2.5 + 2. . Assim temos: L90= 77. Calcular: L 90. A partir do nível sonoro 77.5 dB(A). Portanto y = (25 – 2. associados a este histograma e estimar Leq a partir destes níveis sonoros estatísticos. e foi obtido entre as 14hs15 e as 16hs15. Quadro 6.5 (1 + 12 + 31 + 37 + 14 + 4 + 1) = 250 unidades Cálculo do L90: 10% da área do histograma é igual à 25 unidades.5.5 + 1. Resolução: Área do histograma = 2.9 dB(A).5 x 1) + (y x 12) = 25. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Histograma do ruído de tráfego.9 dB(A).9 = 81.5 refere-se a ruído de tráfego. L10. Critérios e normas para avaliar o ruído Figura 6.2: O histograma da figura 6. 4o ciclo de 2015.5)/12 = 1. L50.77 Capítulo 6.

ou: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5 x 1) + (2. uma área de 125 unidades é obtida da seguinte forma: (2. A partir do nível sonoro de 77. 4o ciclo de 2015.5 + 0.4 = 85.6 = 89. é aproximadamente igual ao nível de ruído mediano aqui calculado de 85.5 dB(A).5)/14 = 1.33 dB(A) .5 dB(A).5 + 2.6 dB(A).5 +1. Portanto y = (225 – 202. 4 dB(A).5 + 2.5 + 2. uma área de 225 unidades é obtida da seguinte forma: (2. Portanto y = (125 – 110)/37 = 0. Assim temos: L50= 77.5 x 31) + (y x 37) = 125.5 + 2.5 x 37) + (y x 14) = 225.5 x 1) + (2. A partir do nível sonoro de 77.1 dB(A).4 dB(A).5 x 31) + (2.5 + 2. Assim temos: L10= 77. Observar que o nível de ruído médio indicado no histograma de 85. Critérios e normas para avaliar o ruído Cálculo do L50: 50% da área do histograma é igual à 125 unidades.5 + 2. Cálculo do L10: 90% da área do histograma é igual à 225 unidades.5 x 12) + (2.5 + 2.5 x 12) + (2.4 dB(A).78 Capítulo 6. .

e com +5 dB(A) caso o ruído tenha componentes tonais. para que a maioria das pessoas não seja severamente perturbada pelo ruído. A Norma Brasileira NBR 10151. Os critérios estabelecidos levam em consideração as perturbações (inclusive a do sono) e a interferência na comunicação oral. O L eq não deve ultrapassar 55 dB(A) em áreas habitadas durante o dia. 70 60 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.2. 65 55 Área predominantemente industrial. 4o ciclo de 2015. requer a medição do L eq A–ponderado.5. com vocação comercial e administrativa. Tabela 6. “Avaliação do ruído em áreas habitadas visando o conforto da comunidade”. 50 45 Área mista predominantemente residencial. 55 50 Área mista. RUÍDO EM COMUNIDADES Em 1993 a Organização Mundial da Saúde (“World Health Organization” WHO) publicou recomendações para a proteção de comunidades contra o ruído. de tal forma que o nível sonoro de 30 dB(A) no interior de dormitórios não seja ultrapassado com as janelas abertas. Os critérios básicos estabelecidos pela WHO são os seguintes: O L eq não deve ultrapassar 50 dB(A) para que a maioria das pessoas não seja moderadamente perturbada pelo ruído. com vocação recreacional. 2000. 40 35 Áreas estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas.2. . Nível critério de avaliação NCA para ambientes externos. O nível sonoro corrigido é então comparado com o nível critério de avaliação NCA. o qual deverá ser corrigido com +5 dB(A) caso o ruído tenha características impulsivas ou de impacto. À noite.79 Capítulo 6. em dB(A) (NBR 10151) Tipos de áreas Diurno Noturno Áreas de sítios e fazendas. conforme Tabela 6. o L eq não deve ultrapassar 45 dB(A) em áreas habitadas. Critérios e normas para avaliar o ruído 6. 60 55 Área mista.

devendo a curva resultante estar abaixo na curva NC recomendada para determinado ambiente.6. Curvas de Avaliação de Ruído NC Conforme NBR 10152. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. estabelece os níveis de ruído compatíveis com o conforto acústico em ambientes diversos. RUÍDO EM AMBIENTES INTERNOS A Norma Brasileira NBR 10152 “Níveis de ruído para conforto acústico”. Critérios e normas para avaliar o ruído 6. 4o ciclo de 2015. A Tabela 6. Os níveis sonoros em bandas de oitava são plotados sobre as curvas NC. . Frequência Central da banda de Oitava (Hz) Figura 6. baseados nas curvas de avaliação de ruído NC.6.3 lista os níveis de pressão sonora em bandas de oitava correspondentes às curvas de avaliação de ruído (NC) da NBR 10152.80 Capítulo 6.

adotando-se no seu lugar a curva NC que é atendida pelo espectro nas faixas de oitava acima de 250 Hz.). eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. quando o ambiente é destinado à comunicação oral (salas de conferências.3. Nesta tabela encontram-se também listados a faixa dos níveis sonoros totais A– ponderados correspondentes à faixa de curvas NC listadas. de reunião. poderá ser indesejável sob o ponto de vista do conforto acústico. etc. . pois esta é a faixa de frequências mais importante para a inteligibilidade da fala. o ruído ambiente poderá ser subjetivamente julgado como “retumbante” (excesso de ruído de baixas frequências) ou “assobiante” (excesso de ruído de altas frequências). Critérios e normas para avaliar o ruído Tabela 6. de aula. contudo. Considera-se que as curvas de avaliação de ruído (NC) não avaliam adequadamente a qualidade sonora em ambientes que são servidos por sistemas de ventilação e ar condicionado. Apesar disso. Uma determinada curva NC recomendada poderá estar sendo atendida em certo local onde a principal contribuição do ruído medido é aquele proveniente do sistema de ar condicionado. a curva NC de um espectro com forte presença de ruído de baixa frequência pode ser ignorada. afetar significativamente a inteligibilidade da fala. Um espectro sonoro com tais características. sem. Por exemplo. Níveis de pressão sonora correspondentes às curvas de avaliação de ruído (NC) conforme NBR 10152. fixa as curvas NC que devem ser atendidas pelo ruído ambiente em diversos locais. devido a uma presença excessiva de baixas frequências. ou ambos. As curvas de avaliação de ruído (NC) devem ser utilizadas com bom senso. foram mais recentemente criados dois critérios de avaliação que levam em consideração as características das bandas extremas do espectro sonoro. A fim de melhor avaliar situações com estas características. 4o ciclo de 2015.81 Capítulo 6. Curva NC 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 63 Hz dB 47 50 54 57 60 64 67 71 74 77 80 83 125 Hz dB 36 41 44 48 52 57 60 64 67 71 75 79 250 Hz dB 29 33 37 41 45 50 54 58 62 67 71 75 500 Hz dB 22 26 31 36 40 45 49 54 58 63 68 72 1 kHz dB 17 22 27 31 36 41 46 51 56 61 66 71 2 kHz dB 14 19 24 29 34 39 44 49 54 59 64 70 4 kHz dB 12 17 22 28 33 38 43 48 53 58 63 69 8kHz dB 11 16 21 27 32 37 42 47 52 57 62 68 A Tabela 6.4.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 35 – 45 40 – 50 30 – 40 35 – 45 Auditórios.4. 30 – 40 35 – 45 25 – 30 30 – 35 Restaurantes. Laboratórios. Recepção. Salas de concertos. Enfermarias. sem necessariamente implicar em risco de dano à saúde. Igrejas e Templos (Cultos meditativos). Salas de uso múltiplo. Locais para esporte. 40 – 50 35 – 45 30 – 40 35 – 45 45 – 65 50 – 60 40 – 50 25 – 35 30 – 40 40 – 60 45 – 55 35 – 45 45 – 60 40 – 50 Escritórios. Salas de gerência. Locais DB (A) NC Hospitais Apartamentos. Laboratórios. Salas de computadores. Salas de conferências. Critérios e normas para avaliar o ruído Tabela 6. Restaurantes. Dormitórios. Salas de reunião. Centros cirúrgicos. b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta tabela são considerados de desconforto. Notas: a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto. 35 – 45 40 – 50 45 – 55 30 – 40 35 – 45 40 – 50 Residências. enquanto que o valor superior significa o nível sonoro aceitável para a finalidade. Berçários. Teatros. Apartamentos. 4o ciclo de 2015. Salas de projetos e de administração. Salas de música.82 Capítulo 6. Salas de aula. Pavilhões fechados para espetáculos e atividades esportivas. Curvas de avaliação de ruído (NC) recomendadas pela NBR 10152 e níveis sonoros A – ponderados correspondentes. Serviços. Circulação. Circulação. Portaria. Áreas para uso do público. Salas de desenho. Salas de estar. Cinemas. 35 – 45 40 – 50 45 – 55 30 – 40 35 – 45 40 – 50 Hotéis. Salas de mecanografia. . 35 – 45 40 – 50 45 – 55 30 – 40 35 – 45 40 – 50 Escolas. Salas de estar. Bibliotecas.

para comunicação face-a-face. O resultado é denominado nível de interferência na fala preferencial (“preferred speech interference level” PSIL).2. As curvas RC tendem a avaliar os ruídos de baixas e altas frequências com mais equilíbrio de que as curvas NC. As curvas RC diferem das NC por possuírem uma inclinação constante de –5 dB/oitava. não escutar o que o professor está dizendo na frente da sala. e por se estenderem até 16 Hz. por meio do gráfico abaixo. com material da fala não familiar ao ouvinte. em ambientes com pouca reverberação. há redução de eficiência. consiste do cálculo da média aritmética dos níveis sonoros não ponderados somente das bandas de oitava de 500. perturbação e irritação. a fim de melhor avaliar ruídos de baixas frequências. Este método é aplicável quando o ruído for estacionário. O resultado é um número único denominado nível de interferência na fala (“speech interference level” SIL). Este gráfico baseia-se numa inteligibilidade “satisfatória” da fala. a partir do qual obtém-se distâncias para comunicação face-a-face. e para voz masculina de média intensidade.000 Hz. é comum para aqueles alunos que se sentam nos locais mais afastados. “retumbante” ou “assobiante”. Estes são alguns exemplos das dificuldades de comunicação oral em ambientes ruidosos. Em uma sala de aula ruidosa.000. 1.000 e 4. INTERFERÊNCIA NA FALA Sabemos da dificuldade de conversar. e similarmente às curvas RC. é o de medir-se o nível sonoro A–ponderado do ruído interferente. Um método simples de prever-se a inteligibilidade da fala a partir de medidas físicas. conforme norma ANSI S12. consiste em calcular-se a média aritmética dos níveis de ruído não ponderados nas bandas de oitava de 500. Um outro procedimento simplificado. 4o ciclo de 2015. Quando a inteligibilidade da fala é reduzida pelo ruído nos ambientes de trabalho.000 Hz. definidas pela norma ANSI S12. com espectro sonoro plano. Estas curvas são particularmente utilizadas para avaliar o ruído provocando por sistemas de condicionamento de ar.2. também se estendem até 16 Hz.000 e 2. Ambos critérios permitem classificar o espectro sonoro como: “neutro”. 6. A interferência do ruído nos sons da fala causa frustração. 2.7. que são similares às curvas de avaliação de ruído NC. e as chances de se cometerem erros aumentam pela falta de comunicação. O outro critério utiliza as curvas de avaliação de ruído balanceadas (“balanced noise criteria curves” BNC). usar o telefone. ou mesmo de escutar avisos em áreas onde o nível de ruído é elevado. Critérios e normas para avaliar o ruído Um dos critérios utiliza as chamadas curvas de avaliação de salas (“room criteria curves” RC).83 Capítulo 6. . Um outro procedimento comumente utilizado. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 1.

Este tipo de interferência na comunicação é conhecido como efeito coquetel (“cocktail party effect”). Por exemplo. O PSIL poderá também ser utilizado para prever-se a possibilidade de conversações telefônicas em ambientes ruidosos. O gráfico também permite determinar as distâncias para comunicação face-a-face a partir dos valores de SIL e de PSIL. Gráfico Para Determinação da Distância Para Comunicação Face-a-Face em Ambientes Ruidosos. Tabela 6. O quadro abaixo caracteriza as condições de uso do telefone para faixas de PSIL. a comunicação será possível com distâncias maiores. Não há ainda um procedimento aceito universalmente para determinar-se a interferência na comunicação verbal sob estas condições. No caso de falar-se pausadamente. que é um valor elevado. Critérios e normas para avaliar o ruído Figura 6. por ocorrer em ambientes onde confraternizações desta natureza são realizadas.Condições de Uso de Telefone Para Faixas de PSIL. 4o ciclo de 2015. selecionando-se as palavras. quando uma dada conversação estará sujeita à interferência das outras conversações.84 Capítulo 6. Nível de Interferência na Fala Uso do Telefone * PSIL < 60 dB Satisfatório 60 dB < PSIL < 75 dB Difícil PSIL > 80 dB Impossível * Telefone modelo F-1 da Western Electric. quando PSIL = 80 dB. o gráfico indica que a distância entre as pessoas não poderá ir além de 30 cm para uma comunicação satisfatória. com nível de voz mais elevado. O gráfico não poderá ser utilizado quando o ruído ambiente for causado pela conversação de outras pessoas. e as reduzindo em número. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5. Este é o caso onde diversos grupos conversam dentro de uma mesma sala. .7.

Estudos epidemiológicos relativos a populações expostas a ruídos em ambientes do trabalho. q = 4 dB.2 . Critérios e normas para avaliar o ruído 6. para n  1. satisfizer a seguinte relação: pn2  Te1 2  p1n  Te1 ou p 2  21 / n  p1 O incremento do nível de pressão sonora do trabalhador 2 em relação ao nível de pressão sonora do trabalhador 1 será então dado por: q  20 log p2  20 log(21 / n ) p1 Onde. q = 6 dB. O chamado “princípio de igual energia” postula que a PAIR é proporcional à energia sonora recebida pela orelha. durante metade do tempo de exposição do trabalhador 1. q = 3 dB. Como a intensidade sonora é proporcional à pressão sonora ao quadrado. a energia sonora por unidade de área será dada pelo produto da intensidade sonora pelo tempo. PAIR. RUÍDO EM AMBIENTES DO TRABALHO A principal preocupação quanto ao ruído em ambientes de trabalho é a perda da audição induzida por ruído. Te é o tempo de exposição à pressão sonora p. O fator de troca fornece então a variação do nível de ruído que provoca a mesma PAIR quando o tempo de exposição é duplicado ou reduz-se pela metade. Há um consenso entre os especialistas que a PAIR se deve à conjugação de dois fatores: nível de ruído e tempo de exposição. indicam que a PAIR segue aproximadamente uma relação de proporcionalidade do tipo. . o “princípio de igual energia” traduz-se matematicamente em. Esta relação mostra que a perda de audição do trabalhador 1 sujeito a pressão sonora p1 durante o tempo de exposição Te1 . será igual à perda de audição do trabalhador 2.8. Já que a intensidade sonora é a energia sonora por unidade de tempo por unidade de área. sujeito à pressão sonora p 2 . quando a pressão sonora p 2 a que está exposta o trabalhador 2.5 . e n é um expoente a ser determinado. q = 5 dB. q (dB) é chamado de fator de troca. para n  1. Para n  1. PAIR  p 2  Te eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Te2  Te1 / 2 .85 Capítulo 6. e para n  2 . 4o ciclo de 2015. PAIR  pn  Te Onde.

O princípio de igual energia é considerado o mais adequado para a estimativa da PAIR.5 100 115 110 0.6. pela “Occupational Safety and Health Administration OSHA” nos EUA. tendo sido adotado pela Norma ISO 1999: 1990 “Determination of occupational noise exposure and estimation of noise-induced hearing impairment”.514 de 22/12/1977. e pela NR-15 da CLT (Lei Nº 6.6. Portaria Nº 3. Tabela 6. A Tabela 6. . Os fatores de troca normalmente adotados pelas legislações relativas ao ruído em ambientes do trabalho de diversos países são q = 5 dB e q = 3 dB. L crit. Critérios e normas para avaliar o ruído Este princípio adota. portanto. denominado de nível critério. um acréscimo de 3 dB no nível de ruído e é equivalente (causa a mesma PAIR) à duplicação do tempo de exposição.25 A Figura 6.86 Capítulo 6.6 fornece os limites de tolerância para ruído ocupacional adotados pela maioria dos países europeus. dos EUA (OSHA) e do Brasil (NR-15 da CLT) Nível de Ruído Tolerado – dB (A) Tempo de Exposição Diário Tolerado (horas) Países da Europa Lcrit = 85 dB (A) q = 3 dB OSHA Lcrit = 90 dB (A) q = 5 dB NR-15 Lcrit = 85 dB (A) q = 5 dB 85 90 85 8 88 95 90 4 91 100 95 2 94 105 100 1 97 110 105 0. . 4o ciclo de 2015. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. n = 2 e q = 3 dB. Legislações relativas ao ruído em ambientes do trabalho estabelecem também o nível de ruído máximo para uma jornada de oito horas de trabalho. Limites de tolerância para ruído ocupacional de acordo com a legislação da maioria dos países europeus.214 de 8/6/1978) no Brasil. ou seja.8 apresenta as curvas associadas aos limites de tolerância da Tabela 6.

.0 4. e L e é o nível de ruído de exposição. inclusive se o ruído é estacionário ou variável. são para ruído contínuo ou intermitente.5 7.5 1. dB(A) Figura 6. não deverá haver (na média dos trabalhadores) perda de audição induzida pelo ruído.0 1. Esta legislação entende que para fins de aplicação de seus limites de tolerância.0 3. Horas 7.0 Tempo de Exposição Diário Tolerado.5 0. contínuo. Critérios e normas para avaliar o ruído 8. em dB(A). 4o ciclo de 2015. Estas curvas foram geradas utilizando-se a seguinte formula: Tt  8 2(Le  Lcrit. OSHA e CLT. Quando o nível de ruído e o tempo de exposição diário assumirem valores de até aqueles tolerados.5 3. Tt é o tempo de exposição diário tolerado em horas.0 OSHA 5.5 CLT 5. A magnitude da PAIR é função de outros fatores.0 0. ) / q Onde. Os limites de tolerância da NR-15 da CLT. o ruído contínuo ou intermitente é aquele que não eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.0 6.0 80 85 90 95 100 105 110 115 120 Nível de Ruído.5 Europa 6.5 2.0 2. Limites de Tolerância para Ruído Ocupacional: Países da Europa.87 Capítulo 6.5 4. intermitente ou impulsivo.8.

na ponderação temporal “Rápida”. programas de testes audiométricos compulsórios. caso o nível de ruído médio durante a jornada de 8 horas de trabalho (nível equivalente) exceda 90 dB(A). Um critério para avaliação de ruídos de impacto. A legislação brasileira requer que sejam tomadas medidas de controle administrativas ou de engenharia.) máximo admissível para n impactos ou impulsos ocorridos durante a jornada diária de trabalho. em termos do nível equivalente L eq medido durante o tempo de exposição Te é dada por: D Te (Leq Lcrit. Neste caso. ou impulsivos. medido na ponderação temporal “Impacto”. A norma NHO 01 da Fundacentro “Avaliação da exposição ocupacional ao ruído”.). devem ser considerados os seus efeitos combinados. sendo o resultado expresso em porcentagem. a exposição estará acima do limite de tolerância. Pode-se mostrar que a dose de ruído D(%). A NR-15 da CLT requer que se durante a jornada de trabalho ocorrer dois ou mais períodos de exposição a ruídos de diferentes níveis. A NR-15 da CLT estabelece como limite de tolerância para ruído de impacto o valor de 130 dB(Lin. De acordo com a NHO 01. e Ti indica a máxima exposição diária permissível a este nível. Na ausência desta. Nesta equação. ) / q 2  100% 8 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.88 Capítulo 6. Esta mesma norma entende por ruído de impacto aquele que apresenta picos de nível sonoro de duração inferior a um segundo. ou o uso de protetores auriculares. Assim. De acordo com esta Norma. . o limite de exposição diária ao ruído de impacto é determinado pela expressão: Np  160  10 log(n) Onde. o limite de tolerância da dose diária de ruído é 100%. adota o critério de dose diária de ruído D. se a soma das seguintes frações: C1 C 2 C3 C      n T1 T2 T3 Tn Se exceder a unidade. e incluem requisitos tais como: especificação do desempenho acústico de novos equipamentos. a NR-15 da CLT informa que poderá ser medido o nível sonoro C – ponderado. é aquele estabelecido pela Norma NHO 01 da Fundacentro “Avaliação da exposição ocupacional ao ruído”. de forma que. calculada através da equação acima. Estas medidas de controle assumem diversas formas. C i indica o tempo total em que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico. o limite de tolerância será de 120 dB(C). corresponde ao valor de nível de pico de 140 dB(Lin. o limite de tolerância para ruído de impacto. variação de postos de trabalho a fim de reduzir o tempo de exposição. Np é o nível de pico em dB(Lin. a intervalos superiores a um segundo. Critérios e normas para avaliar o ruído é de impacto ou impulsivo.). 4o ciclo de 2015. que leva em consideração o número de eventos desta natureza.

89 Capítulo 6. através da seguinte expressão: L eq  10  q  8 D(%)    L crit. poderá ser obtido a partir da dose de ruído D(%). níveis equivalentes. controlado por microprocessador. Figura 6.9. log  3 T 100  e  O dosímetro de ruído é um aparelho de monitoramento de uso pessoal. Utilização do Dosímetro de Ruído. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. permite que um pequeno microfone seja fixado próximo ao ouvido do usuário (na borda do capacete ou na gola da camisa). o nível equivalente pode ser interpretado como o nível de ruído estacionário que gera a mesma dose que o ruído real. Figura 6. O dosímetro de ruído tem tamanho que possibilita o seu transporte pelo usuário (no bolso ou preso ao cinto). O nível equivalente L eq . .10. além de outras grandezas que caracterizam a exposição do trabalhador ao ruído. etc. tais como níveis de sons impulsivos. 4o ciclo de 2015. e que através de um cabo de extensão. que permite a medição da dose de ruído. Critérios e normas para avaliar o ruído Assim. Dosímetro.

ou seja. 1 . permaneça inalterado até o fim da jornada. na condição de que o nível equivalente calculado até então. .No final da jornada de trabalho de 8 horas.= 85 dB(A) e q = 5 dB. ou seja: Lcrit. Critérios e normas para avaliar o ruído Os dosímetros de ruído geralmente possuem controles que possibilitam selecionar o nível critério. Quadro 6. o fator de troca e o nível limiar de integração. nível sonoro impulsivo. a dose após a jornada diária de trabalho. além de medir a dose em tempo real. pode fornecer a dose projetada. O dosímetro de ruído. assumir que os parâmetros das dosimetrias são aqueles estabelecidos pela NR–15 da CLT. 4o ciclo de 2015.3: Nas questões a seguir. Qual é o nível equivalente? Te = 8 horas D = 300% 2 – Após 4 horas. tempo de coleta de dados e tempo de pausa. permite que as informações armazenadas sejam transferidas para uma impressora externa. a) Qual é o nível equivalente? Te = 4 horas D = 67 b) Qual é a dose projetada para 8 horas? Te = 8 horas eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.90 Capítulo 6. e dependendo do modelo. nível equivalente. todos estes parâmetros escolhidos conforme legislação aplicável. o dosímetro de ruído indica a dose de 67%. o dosímetro de ruído indica a dose de 300%. O dosímetro de ruído fornece informações adicionais tais como: nível sonoro máximo e mínimo.

. O usuário trabalha nestas condições por 6 horas.91 Capítulo 6. 4o ciclo de 2015. Critérios e normas para avaliar o ruído 3 – O dosímetro de ruído forneceu após um período de medição de 2 horas a dose de 45%. a) Qual é a dose projetada para 6 horas? Te = 2 horas D = 45 b) Para quanto deve ser reduzido o tempo de exposição a fim de que o limite de dose diária de 100% não seja ultrapassado? eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.

L50 e L10. e) estacionário.4 3. a) estacionário. b) nível de ruído e tempo de exposição. b) nível sonoro médio. O nível sonoro equivalente poderá ser estimado a partir do(a): a) espectro sonoro. estacionário. não estacionário. c) não estacionário. d) nível de ruído e jornada de trabalho.92 Capítulo 6. Feedback: item 6. A adoção do princípio de igual energia implica em utilizar-se fator de troca igual a: a) 3 dB. d) histograma de porcentagem do tempo versus níveis sonoros. 4o ciclo de 2015. b) 4 dB. c) nível sonoro equivalente. estacionário. d) L99. ruído de tráfego aéreo.4 4. e) nível sonoro e dose diária Feedback: item 6. ruído industrial. . c) L90. c) nível sonoro equivalente e idade do indivíduo. A PAIR se deve basicamente à conjugação de dois fatores: a) nível de ruído e conteúdo espectral.2 2. TESTES 1. d) não estacionário. não-estacionário. Feedback: item 6. não-estacionário. b) estacionário. Feedback: item 6. não estacionário. e) curva de avaliação de ruído NC. Feedback: item 6.8 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. c) 5 dB. e) 7 dB.9. estacionário. b) valor eficaz da pressão sonora.8 5. estacionário.Classificar os seguintes ruídos quanto ao comportamento temporal: transformador de subestação de energia elétrica. não-estacionário. Critérios e normas para avaliar o ruído 6. e) dose de ruído de 100%. d) 6 dB. não estacionário. Os níveis sonoros estatísticos poderão ser obtidos a partir do(a): a) espectro sonoro em bandas de oitava.

Fontes Sonoras CAPÍTULO 7. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Considerar a direcionalidade das fontes em problemas de controle de ruído. Calcular o nível de potência sonora de motores elétricos. 4o ciclo de 2015. . Calcular o nível de potência sonora de compressores.93 Capítulo 7. geradores elétricos e de transformadores elétricos. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Calcular o nível de potência sonora de ventiladores. torres de resfriamento e bombas. FONTES SONORAS OBJETIVOS DO ESTUDO Calcular o nível de potência sonora de algumas máquinas e equipamentos notoriamente ruidosos.

Os tweeters. tweeters devem ser apontados. Assim. Os contornos que envolvem a fonte sonora são de mesmo nível de pressão sonora. 4o ciclo de 2015. Fontes Sonoras 7. assim como a esfera desloca o ar que a circunda ao pulsar. Ocorre que. Este é o caso. ou seja. O escapamento do motor de combustão interna. Esta fonte sonora é claramente direcional. necessita-se conhecer os níveis de potência sonora das fontes em questão. quando se deseja determinar o nível de pressão sonora gerado pelo maquinário que opera em determinado ambiente industrial. O alto-falante gera som através da vibração do seu diafragma. será possível adotar-se medidas preventivas ainda na fase de projeto. que são altofalantes que irradiam som nas altas frequências. Assim. ou do alto-falante em baixas frequências. porém. DIRECIONALIDADE DA FONTE Sons e ruídos são gerados por diversos mecanismos. evitando-se os custos e transtornos para resolver problemas de ruído após a implantação da nova instalação. são altamente direcionais. a fonte apresentará direções preferenciais de radiação sonora. Quando o comprimento de onda é muito maior que a dimensão da fonte. o campo gerado é de ondas esféricas. a radiação sonora da fonte tende a ser direcional. gera som através de um mecanismo que pode ser associado ao da esfera pulsante. a pressão sonora a uma mesma distância da fonte é diferente em direções diferentes. já que os contornos não são circunferências.1. é muito mais eficaz. Em outras palavras.2. observemos o campo sonoro no entorno de um grande transformador de energia elétrica. em campo livre. Isto significa que nas altas frequências (pequenos comprimentos de onda). na direção dos ouvintes. trata-se de uma fonte sonora direcional. Quando uma fonte sonora não apresenta direções preferenciais de radiação sonora. Como exemplo. que a experiência tem demonstrado. enquanto a esfera pulsante gera um campo de ondas esféricas. o escapamento do veículo e o alto-falante gera uma distribuição de pressão sonora no seu entorno que depende do comprimento de onda do som que está sendo irradiado. caso da esfera pulsante. Observa-se que a superfície frontal do transformador irradia mais som que as superfícies laterais e posterior. O escapamento expele certo volume de gases de forma pulsante. diz-se que a fonte sonora é omnidirecional. O resultado é que mais som é irradiado em determinadas direções do que outras. 7. . Caso contrário.94 Capítulo 7. quando o comprimento de onda é da ordem da dimensão da fonte ou menor. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ou porque a amplitude e fase das vibrações de suas diferentes superfícies não são uniformes. Um outro mecanismo de geração de som é o de uma esfera pulsante. Fontes sonoras perdem a omnidirecionalidade por apresentarem forma não esférica. ou ambos. as direções preferenciais de radiação sonora situam-se próximos ao eixo que passa pelo seu centro. por exemplo. INTRODUÇÃO Para estimativas de níveis de pressão sonora.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. de uma fonte sonora em campo livre na posição angular  é dado por: DI  L p  L pEsf Onde. calculado através da média dos valores eficazes de pressão sonora elevados ao quadrado. para uma completa descrição acústica de fontes sonoras direcionais. e L pEsf é o nível de pressão sonora médio espacial. Fontes Sonoras Figura 7. Há necessidade de conhecer-se o índice de direcionalidade em função da frequência. os quais são medidos numa superfície esférica hipotética de raio r envolvendo a fonte sonora. . DI . 4o ciclo de 2015. com relação à fonte sonora. e na posição angular  . O índice de direcionalidade de fontes sonoras é geralmente apresentado em diagramas polares em função da frequência.95 Capítulo 7. Para fontes sonoras direcionais.2 mostra o diagrama polar de índices de direcionalidade de um alto-falante. comparativamente com o da voz humana. Observa-se nestes diagramas. O índice de direcionalidade. Contornos de Mesmo Nível de Pressão Sonora no Entorno de um Grande Transformador de Energia Elétrica. Esta é uma característica comum a muitas fontes sonoras. A Figura 7. a potência sonora não é suficiente para caracterizar acusticamente a fonte. L p é o nível de pressão sonora medido à distância r. em duas frequências.1. que ambas as fontes sonoras apresentam maior direcionalidade em altas do que em baixas frequências.

Normalmente a potência sonora é obtida através de ensaios especializados em laboratório. comumente utilizados em instalações industriais e de serviços. e quando se tolera certa incerteza nos valores obtidos. Não é sem razão que normalmente os fabricantes não disponibilizam este tipo de informação. no entanto. Esta prática é incomum hoje em dia. métodos em geral empíricos. A distância geralmente adotada é 1 m e. para alguns equipamentos.96 Capítulo 7. especificar-se a fonte sonora em termos do nível de pressão sonora a uma certa distância da fonte. níveis de potência sonora e índices de direcionalidade deveriam constar dos dados de placa de equipamentos com potencial de geração de ruído. Por enquanto. . Existem. O objetivo deste capítulo é o de apresentar tais métodos. para estimativa da potência sonora de algumas máquinas e equipamentos. há necessidade de conhecer-se o nível de potência sonora e índices de direcionalidade da máquina ou equipamento. utilizar os dados de desempenho acústico do fabricante. Idealmente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. neste caso. L Wd é o nível de potência sonora da fonte direcional. Recomenda-se. instrumentação e pessoal especializado.2. não existem procedimentos teóricos que permitam quantificar a capacidade de geração de ruído de qualquer máquina. equipamentos e de produtos de consumo em geral. sempre que disponíveis. em Duas Frequências. a relação entre o nível de pressão e de potência sonora de uma fonte direcional em campo livre é: L p  L Wd  DI  11dB Onde. no entanto. 4o ciclo de 2015. equipamento ou processo industrial. e ela somente se tornará uma realidade no futuro se os usuários passarem a exigir a caracterização acústica de máquinas. A caracterização acústica de equipamentos requer ensaios. que geralmente não estão disponíveis. métodos estes que podem ser utilizados quando não se dispõe de informações específicas. O fato é que na abordagem de um grande número de problemas de controle de ruído. É usual. Fontes Sonoras Figura 7. Diagramas Polares de Índices de Direcionalidade da Voz Humana (—) e de um Alto-Falante (■).

4o ciclo de 2015. e  8 dB na banda de 63 Hz. P é o incremento de pressão através do ventilador em Pa. Estas equações fornecem estimativas da potência sonora irradiada para a tubulação que se conecta ao ventilador.3. L Wo é o nível de potência sonora da fonte omnidirecional. 7. RUÍDO DE VENTILADORES A potência sonora irradiada pela descarga e admissão de ar de ventiladores pode ser estimada com razoável precisão.2 para calcular a potência sonora irradiada através da carcaça do ventilador para o ambiente externo onde o ventilador se situa.000 Hz. e E é a eficiência do ventilador em %. No caso de ventiladores do tipo hélice.1 lista valores de CF e de BFI para diversos tipos de ventiladores. Adotar E = 99% no caso de desconhecer-se a eficiência de operação do ventilador.97 Capítulo 7. O método requer a aplicação de uma correção na potência sonora da banda de oitava na qual ocorre a frequência de passagem da pá (“blade passing frequency” BPF). Q é a vazão em volume em m 3/s. As incertezas associadas à estimativa da potência sonora irradiada pelo ventilador com este método são de ordem de  2 dB nas bandas de oitava de 250 a 4. a qual é calculada através de: BPF  n  RPM / 60 . . CF é a chamada potência sonora específica. onde n é o número de pás do ventilador. com diâmetro maior que 3. O BFI é aplicado na banda de oitava que contém a BPF. esta relação é a seguinte: L p  L Wo  11 dB Onde.223 dB Onde. utilizar a seguinte fórmula: L W  CF  70 log D  50 log RPM . A Tabela 7. Esta correção é chamada de incremento de frequência da pá (“blade frequency increment” BFI). através de informações das características de desempenho do ventilador e com o auxilio da seguinte fórmula: L W  CF  10 log Q  20 log P  E/3 .  4 dB na banda de 125 Hz. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.48 dB Onde. Utilizar as correções listadas na Tabela 7.5 m. D é o diâmetro do hélice em m. Fontes Sonoras Para fonte omnidirecional em campo livre. e RPM é a velocidade de rotação do hélice em rotações por minuto.

5m Axial com Aletas Fixas Acima de 1 m Abaixo de 1 m Axial Tubular (s/ Aletas) Acima de 1 m Abaixo de 1m Hélice (Torre de Resfria/. Fontes Sonoras Tabela 7.5 e 1m Radial Abaixo de 0.1: Estimar a potência sonora em bandas de oitava de um ventilador centrífugo do tipo limit load.500 RPM.9 m Abaixo de 0.9 m Sirocco Acima de 1m Entre 0.) Diâmetro do Hélice Abaixo de 3. Adicionar 3 dB aos valores listados.237 m3/s e um incremento de pressão de 125 Pa.2. P = 125 Pa e E = 90% na fórmula: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. que fornece uma vazão de 0.000 63 125 8. O ventilador tem 30 pás.000 2.000 0 0 5 10 15 20 22 25 Quadro 7. Banda de Oitava (Hz) Correções (dB) 63 125 250 500 1.98 Capítulo 7.000 8.000 BFI 32 36 47 45 55 32 38 43 39 48 31 36 39 42 48 29 34 33 39 45 28 33 28 37 45 23 28 25 32 40 15 20 23 30 38 7 12 20 29 37 3 3 2 8 8 63 57 58 50 44 39 38 37 8 39 37 36 39 38 43 39 43 37 43 34 41 32 38 22 32 6 6 41 40 39 41 43 47 41 46 39 44 37 43 34 37 27 35 5 5 48 51 56 57 58 56 55 52 46 44 5 56 55 55 52 48 46 5 Aerofólio e Limit Load Acima de 0. 10-12 Watts) e incremento de frequência da pá BFI para vários tipos de ventiladores. Resolução:  Inserir Q = 0. rotação de 1.(a) Axiai Centrífugo Tipo de Ventilador Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 250 500 1.5 m (a) Os valores listados referem-se à potência sonora específica irradiada pela entrada ou saída do ventilador.000 4. para obter a potência sonora específica total irradiada. para obter a potência sonora em bandas de oitava irradiada pela carcaça do ventilador e tubulação adjacente. Tabela 7. com diâmetro de 0. 4o ciclo de 2015.: Potência sonora específica CF (dB ref.000 4.000 2.5 m.237 m3/s .1.: Correções a serem subtraídas do nível de potência sonora total L W calculado dentro do duto.5 m Acima de 3. . e opera com eficiência de 90%.

para determinar a banda na qual o incremento de frequência da pá.99 Capítulo 7. para calcular a potência sonora em bandas de oitava conforme indica a tabela no final do quadro.000 Hz (tabela 4. 4o ciclo de 2015. Fontes Sonoras  Extrair os valores listados para o ventilador do tipo limit load da Tabela 7.1). portanto o incremento da frequência da pá de 3 dB deve ser adicionado à potência sonora desta banda conforme indica a tabela. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. BPF. BFI (indicado na tabela 7.1.  Calcular a frequência de passagem da pá.1. deve ser aplicado: A frequência de passagem da pá está dentro da banda de oitava de 1. última coluna). .

000 2. Na maioria das situações.5 2a6 7 a 75 82 87 92 81 84 87 81 84 87 80 83 86 83 86 89 86 89 92 86 89 92 84 87 90 81 84 87 No caso de grandes compressores. 4o ciclo de 2015. fornece níveis de pressão sonora a 1 m de compressores pequenos e médios conforme a faixa de potência do compressor. isto é. excluindo ruído irradiado pela carcaça) L W = 10 log kW + 80 dB Os níveis de potência sonora em bandas de oitava de grandes compressores poderão ser obtidos a partir dos níveis totais obtidos com o auxílio das fórmulas acima. subtraindo-se as correções listadas na Tabela 7.5 63 125 250 500 1. em função da potência de compressores de ar pequenos e médios. os valores obtidos a partir desta tabela são conservativos.100 Capítulo 7. Tabela 7.4.000 8.000 Nível de Pressão Sonora a 1 m (dB) Potência do Compressor de Ar (kW) até 1.3.4.000 4. as seguintes fórmulas poderão ser utilizadas na estimativa direta da potência sonora total irradiada externamente.: Níveis de pressão sonora em bandas de oitava a 1m.3. Fontes Sonoras 7. . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. A Tabela 7. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 31. Compressores rotativos e alternativos (inclusive com admissão de ar “parcialmente” silenciada) L W = 10 log kW + 90 dB Compressores centrífugos (ruído irradiado pela carcaça. RUÍDO DE COMPRESSORES DE AR Compressores de ar são fontes comuns de ruído. ligeiramente superestimados. excluindo ruído irradiado pela admissão de ar) L W = 10 log kW + 79 dB Compressores centrífugos (ruído irradiado pela admissão de ar não silenciada.

000 8. Com ventiladores com potência de até 75 kW L W = 8 log kW + 100 dB Com ventiladores de potência acima de 75 kW L W = 10 log kW + 96 dB Subtrair 8 dB quando o ventilador opera com meia rotação nominal.000 2.5 63 125 250 500 1. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 31.000 Compressores Rotativos e Alternativos 11 15 10 11 13 10 5 8 15 Correção (dB) Compressor Centrífugo — Carcaça 10 10 11 13 13 11 7 8 12 Compressor Centrífugo — Admissão de Ar 18 16 14 10 8 6 5 10 16 7. 4o ciclo de 2015. Com ventiladores com potência de até 60 kW L W = 11 log kW + 85 dB Com ventiladores de potência acima de 60 kW L W = 7 log kW + 93 dB eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 4.101 Capítulo 7.5. . Torres de resfriamento do tipo centrífuga. RUÍDO DE TORRES DE RESFRIAMENTO Diversos tipos de torres de resfriamento estão ilustrados na Figura 7. sendo que seus níveis de potência sonora total poderão ser estimados através das seguintes fórmulas: Torres de resfriamento do tipo hélice.: Correções para estimativa dos níveis de potência sonora em bandas de oitava do ruído irradiado por grandes compressores.3. Fontes Sonoras Tabela 7.4.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 4. que levam em consideração efeitos de direcionalidade da fonte.000 8 5 5 8 11 15 18 21 29 6 6 8 10 11 13 12 18 25 A Tabela 7. Tais correções devem ser utilizadas quando do cálculo de níveis de pressão sonora a distâncias maiores que 6 m da torre de resfriamento. Tabela 7.000 8. 4o ciclo de 2015. Os níveis de potência sonora de torres de resfriamento em bandas de oitava poderão ser estimados subtraindo-se as correções listadas na Tabela 7. . Principais Tipos de Torres de Resfriamento.102 Capítulo 7.000 2.3. do nível de potência sonora total calculado com auxílio das fórmulas acima.5. Banda de Oitava (Hz) Tipo Hélice Tipo Centrífuga 31.5 63 125 250 500 1.6 fornece correções aproximadas do nível de pressão sonora médio calculado.: Correções em dB a serem subtraídas do nível total para obter o nível de potência sonora em bandas de oitava do ruído de torres de resfriamento. Fontes Sonoras Figura 7.5.

Potência de Placa do Motor de Acionamento Acima de 75 kW Abaixo de 75 kW 3.000 8. Adicionar estas correções ao nível de pressão sonora médio calculado. que levam em consideração efeitos de direcionalidade de torres de resfriamento.: Correções aproximadas em dB do nível de pressão sonora médio.000 – 3.8.600 – 1. Fontes Sonoras Tabela 7.000 2. RUÍDO DE BOMBAS A Tabela 7. ou superfícies que obstruam a radiação sonora livre da torre de resfriamento.000 4. 7.103 Capítulo 7.500 10 log kW + 70 dB 3 log kW + 84 dB 450 – 900 10 log kW + 68 dB 3 log kW + 82 dB Os níveis de pressão sonora em bandas de oitava poderão ser estimados subtraindo-se as correções listadas na Tabela 7.: Níveis de pressão sonora total a 1 m da bomba. 4o ciclo de 2015.800 10 log kW + 75 dB 3 log kW + 89 dB 1.600 10 log kW + 72 dB 3 log kW + 86 dB 1.6. Tabela 7. do nível de pressão sonora total a 1m.000 – 1.5 63 125 250 500 1.11 -3 Topo -5 -5 -5 -5 -2 0 0 +2 +4 Hélice c/ Fluxo Induzido Frente 0 0 0 +1 +2 +2 +2 +3 +3 Lado -2 -2 -2 -3 -4 -4 -5 -6 -6 Topo +3 +3 +3 +3 +2 +2 +2 +1 +1 Hélice c/ Admissão Inferior e Descarga Forçada Qualquer Lado -1 -1 -1 -2 -2 -3 -3 -4 -4 Topo +2 +2 +2 +3 +3 +4 +4 +5 +5 (a) Estas correções aplicam-se em situações onde não há superfícies refletoras. Faixa de Rotação (RPM) eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.7 apresenta estimativas do nível de pressão sonora total a 1 m. (a) TIPO DE TORRE E LOCAL DE MEDIÇÃO Frequência Central da Banda de Oitava ( Hz ) 31.6.000 Centrífuga c/ Descarga Forçada Frente +3 +3 +2 +3 +4 +3 +3 +4 +4 Lado 0 0 0 -2 -3 -4 -5 -5 -5 Atrás 0 0 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -6 Topo -3 -3 -2 0 +1 +2 +3 +4 +5 Fluxo Axial c/ Descarga Forçada Frente +2 +2 +4 +6 +6 +5 +5 +5 +5 Lado +2 +1 +1 -2 -5 -5 -5 -5 -4 Atrás -3 -3 -4 -7 -7 -7 -8 . . Não aplicar estas correções quando a distância da torre de resfriamento for menor que 6 m.7. em função da potência e rotação da bomba.

7.000 2.7. MOTORES ELÉTRICOS PEQUENOS (ABAIXO DE 300 KW) O nível de pressão sonora total a 1m de pequenos motores elétricos poderá ser estimado.: Correções em dB a serem subtraídas do nível total estimado com as fórmulas da Tabela 7. para obter o nível de pressão sonora em bandas de oitava do ruído da bomba.000 Valor a ser Subtraído do Nível de Pressão Sonora Total (dB) 13 12 11 9 9 6 9 13 19 7. Fontes Sonoras Tabela 7.9. subtraindo-se do nível de pressão sonora total estimado com as fórmulas acima. 4o ciclo de 2015.000 4.9.: Correções em dB a serem subtraídas do nível sonoro total.8.000 8. Os níveis de pressão sonora em bandas de oitava poderão ser obtidos.1.000 8. através das fórmulas que se seguem.5 63 125 250 500 1. as correções da Tabela 7. geram níveis de pressão sonora 5 dB inferiores aos motores com ventoinhas.5 63 125 250 500 1.000 2. Tabela 7. para estimativa dos níveis sonoros em bandas de oitava de pequenos motores elétricos. para motores totalmente enclausurados. para ambos motores.000 4.7. Abaixo de 40 kW L p  17 logkW  15 logRPM  17 dB Acima de 40 kW L p  10 logkW  15 logRPM  28 dB Motores a prova de respingos.000 Correções em (dB) Motor Totalmente Motor a Prova Enclausurado e Motor com de Respingos Ventoinha 14 9 14 9 11 7 9 7 6 6 6 9 7 12 12 18 20 27 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 31. . ou para motores com ventoinhas. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 31. RUÍDO DE MOTORES ELÉTRICOS 7.104 Capítulo 7.

000 95 88 88 83 78 8. Tabela 7. Fontes Sonoras 7.5 63 125 250 500 1.000 kW.000 kW. .000 kW.000 98 93 96 98 98 2.200 900 720 e abaixo (vertical) Oitava (Hz) 31. 4o ciclo de 2015. as correções da Tabela 7.000 8.11. MOTORES ELÉTRICOS GRANDES (ACIMA DE 300 KW) A Tabela 7.: Níveis de potência sonora em bandas de oitava de motores elétricos grandes.6 logRPM  84 dB.800 e 3. subtrair 3 dB dos valores da Tabela 7. para obter-se os níveis de potência sonora em bandas de oitava.105 Capítulo 7.000 98 98 96 92 88 4. Para motores com potência na faixa de 300 a 750 kW.8.10. No caso de motores especiais de baixa rotação. 7.000 Correção a ser Subtraída do Nível de Potência Sonora Total (dB) 11 8 7 7 7 9 11 14 19 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.7.000 4. Inclusive para motores a prova de respingos e motores do tipo P-1 e P-2 enclausurados (sem especificação de desempenho acústico). acrescentar 3 dB aos valores da Tabela 7. Tabela 7. e maiores em até 15 dB para motores de alta rotação. RUÍDO DE GERADORES ELÉTRICOS O nível de potência sonora total irradiado por geradores elétricos (sem o sistema de acionamento) poderá ser estimado através da seguinte fórmula: L W  10 logMW  6. Subtrair do nível de potência sonora total calculado com a fórmula acima.: Correções de bandas de oitava para o ruído de geradores elétricos.10.000 2. estes níveis poderão ser menores em até 5 dB. Frequência Central Da Banda de Oitava (Hz) 31.10 lista os níveis de potência sonora irradiado por motores elétricos com potência na faixa de 750 a 4.(a) Frequência Rotação em RPM Central 250 e 400 1.000 88 81 81 75 68 (a) Se aplicam a motores de indução com potência na faixa de 750 a 4.600 Da Banda de 1.2.10.11.5 94 88 88 88 86 63 96 90 90 90 87 125 98 92 92 92 88 250 98 93 93 93 88 500 98 93 93 93 88 1. Para motores com potência acima de 4.

S é a área da superfície equivalente do transformador (obtida a partir da área do tanque do transformador) em m2.5 -1 -1 63 5 8 125 7 13 250 2 8 500 2 8 1.9.30 m. e baixos para transformadores em ar.11 Para transformadores em óleo.21 (a) Local 3 (d) -1 8 13 12 12 6 1 -4 . Consultar as especificações do fabricante. ou em salas grandes com pequeno número de equipamentos.000 .12 para cada banda de oitava. . Tabela 7. (c) Internamente a salas pequenas. os valores de C são elevados. onde haja problemas quando o transformador gera ruído acima da classificação NEMA após a instalação.TR 1-1993 (R2000) da NEMA (National Electrical Manufacturers Association) quanto à geração de ruído.12. e C é a correção listada na Tabela 7. (b) Ao ar livre. ou internamente a salas grandes com grande número de equipamentos mecânicos. (d) Em qualquer local crítico.14 .14 8. A classificação NR da NEMA. Fontes Sonoras 7. é o nível de pressão sonora A–ponderado médio espacial. N R é geralmente fornecido pelo fabricante do transformador.106 Capítulo 7. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. medido ao redor do transformador à distância de 0.: Valores da correção C do ruído de transformadores (a) Correção C em dB Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) Local 1 (b) Local 2 (c) 31. 4o ciclo de 2015.21 .000 .000 -4 -1 2. RUÍDO DE TRANSFORMADORES ELÉTRICOS O nível de potência sonora em bandas de oitava irradiado por transformadores elétricos poderá ser obtido através da seguinte fórmula: LW = NR + 10 log S + C dB Onde.000 -9 -9 4. NR é a classificação da Norma No.

 Inserir NR = 74 dB(A) . Fontes Sonoras Nota 7. respectivamente. tendo em vista que o transformador operará ao ar livre. S = 80 m2 na fórmula LW = NR + 10 log S + C dB. No caso de caixas com engrenagens helicoidais ou espinha de peixe. Esta fórmula aplica-se a caixas com engrenagens de dentes retos.1: Determinar os níveis de potência sonora em bandas de oitava de um transformador em óleo de subestação de energia elétrica. a partir dos valores de C listados na Tabela 7. O transformador operará ao ar livre. Os níveis das bandas de oitava de 63 e 31. com potência de 40 MVA e tensão de 138 kV.10.12.5 Hz são obtidos subtraindo-se 3 e 6 dB do valor calculado com a fórmula acima. para Local 1.107 Capítulo 7. RUÍDO DE ENGRENAGENS Os níveis de pressão sonora de caixas de engrenagens em bandas de oitava de 125 Hz e acima.000 7 2 2 –4 –9 –14 100 95 95 89 84 79 8. e RPM é o número de rotações por minuto do eixo mais lento. à distância de 1m poderão ser estimados com o auxílio da seguinte fórmula: L p  4 logkW  3 logRPM  78 dB Onde. 80 m 2 de superfície equivalente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 2. e que tem uma classificação NEMA de 74 dB(A). .5 –1 92 63 5 98 Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 125 250 500 1. Grandeza C (dB) L W (dB) 31. obtendo: LW = 74 + 10 log 80 + C dB = 93 + C dB  Construir a tabela abaixo. os níveis estimados poderão ser menores em até 10 dB. 4o ciclo de 2015.000 –21 72 7.000 4. kW é a potência transmitida pela caixa de engrenagens.

.4. d) comprimento de onda do som gerado. e) nível de potencia sonora. d) da eficiência do ventilador. b) rotação em RPM. da: a) potência em kW. Fontes Sonoras 7. se a fonte irradiar ruído. c) Sim. A potência sonora é suficiente para caracterizar acusticamente uma fonte sonora? a) Não. c) espectro de nível de pressão sonora a 1 m.108 Capítulo 7. e) n. d) Não. do incremento de pressão. do incremento de pressão. c) potência em kW e da rotação em RPM. do tipo de ventilador.2 3. TESTES 1. b) do tipo de ventilador e da vazão. da vazão. 4o ciclo de 2015. além do tipo. e) Sim.a. b) espectro de nível de pressão sonora médio. e) da frequência em kHz. Alternativamente à potência sonora. O nível de potência sonora do ruído gerado por compressores e por torres de resfriamento depende. Feedback: item 7.5 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.d. se a fonte for um alto-falante. c) do tipo de ventilador. se a fonte for direcional.11. b) Não. 7. se a fonte for direcional. se a fonte irradiar ruído. Feedback: item 7. O ruído gerado por ventiladores depende: a) do tipo de ventilador. pode-se caracterizar a capacidade que uma fonte omnidirecional tem em irradiar som por meio do: a) índice de direcionalidade.3 4.2 2. d) do local de instalação. da vazão. Feedback: item 7. Feedback: item 7.

motores elétricos. b) rotação em RPM. geradores elétricos e engrenagens depende da: a) potência em kW.6. Fontes Sonoras 5.109 Capítulo 7. 7. 7. 4o ciclo de 2015. d) do local de instalação. 7. e) da frequência em kHz. c) potência em kW e da rotação em RPM. .10 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.7.8. Feedback: item 7. O nível de potência sonora do ruído gerado por bombas.

Acústica em ar livre e ruído ambiental CAPÍTULO 8. Projetar barreiras acústicas. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Resolver problemas simples de poluição sonora ambiental. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ACÚSTICA EM AR LIVRE E RUÍDO AMBIENTAL OBJETIVOS DO ESTUDO Entender os mecanismos da propagação sonora em ar livre. Utilizar métodos simplificados de cálculo da atenuação de diversos mecanismos da propagação sonora em ar livre. . Determinar o nível sonoro no receptor devido a fontes de ruído ambientais. 4o ciclo de 2015. e equacionar os principais fatores de atenuação.110 Capítulo 8.

111
Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental

8.1. INTRODUÇÃO
A Figura 8.1 ilustra os mecanismos mais significativos da propagação sonora em ar
livre. O nível sonoro se reduz com a distância à medida que o som diverge da fonte, a
qual poderá ser direcional. A absorção sonora do ar atmosférico atenua o som ao longo
de sua trajetória. Reflexões no solo interferem com o som direto, causando atenuação ou
(menos frequentemente) amplificação. Áreas densamente arborizadas conferem
atenuação adicional ao som, assim como barreiras naturais e artificiais. O espalhamento
do som na copa de árvores poderá reduzir a eficácia de barreiras artificiais. Gradientes
verticais de vento e de temperatura refratam (“curvam”) as trajetórias sonoras para cima e
para baixo, gerando regiões de “sombra“ sonora, alterando a interferência com o solo, e
modificando a efetividade das barreiras sonoras.

Figura 8.1. Mecanismos da Propagação Sonora em Ar Livre.
A propagação sonora em ar livre é normalmente apresentada em termos de três
componentes: a fonte sonora, a trajetória de transmissão e o receptor. A equação básica
da propagação sonora em ar livre é dada por:

L p r, θ  L W  20 log r  DIθ  10 log


 A combinado  11dB

Onde, L W é o nível de potência sonora da fonte,
r é a distância entre a fonte sonora e o receptor,
DI é o índice de direcionalidade da fonte, e

 é o ângulo sólido que é disponibilizado para livre propagação sonora,
A combinado é a atenuação combinada de todos os mecanismos significativos de
atenuação sonora entre a fonte e o receptor.
eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

112
Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental

A redução do nível sonoro com a distância fonte-receptor, é devido à divergência da
onda. Como sabemos, e conforme indica esta fórmula, a redução do nível sonoro devido
à divergência da onda, para fonte sonora pontual, é dada por  20 logr , e implica numa
queda de 6 dB do nível sonoro para cada duplicação da distância fonte-receptor. Para
fonte sonora em linha, como no caso do ruído gerado pelo tráfego de veículos em uma
rodovia, a redução do nível sonoro devido à divergência da onda é dada por  10 logr , o
que implica numa queda de 3 dB do nível sonoro para cada duplicação da distância
fonte-receptor.
8.2. ÂNGULO SÓLIDO PARA LIVRE PROPAGAÇÃO, Ω
Quando da existência de grandes superfícies próximas à fonte, o termo que leva
em consideração o ângulo sólido, 10 log( / 4) , é uma aproximação de banda larga,
para os efeitos de uma complexa interação entre o som direto e o refletido pelas
superfícies. Esta aproximação, baseia-se essencialmente no fato que as superfícies
impedem a propagação sonora nas direções por elas afetadas e assim, a energia sonora
se concentra nas direções de propagação não obstruídas pelas superfícies. Por exemplo,
quando uma fonte está sobre o solo ou próxima dele, a energia sonora que se propagaria
para baixo é refletida na superfície do solo para cima, sendo o resultado a duplicação da
energia sonora que estaria se propagando para cima, na hipótese de que a fonte sonora
estivesse longe do solo. Neste caso, a energia sonora fica concentrada no ângulo sólido
2 (semi-espaço), que é a metade do ângulo sólido 4 (espaço em torno de um ponto).
Assim, o termo que leva em consideração o ângulo sólido escreve-se 10log(2/4), igual
à – 3 dB. Já, para uma fonte situada próxima ao solo e a uma fachada vertical de
edificação, o termo do ângulo sólido fica 10log(/4), igual à – 6 dB.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

113
Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental

Quadro 8.1. A Figura 8.2. ilustra uma residência vizinha a uma subestação de
transformação de energia elétrica. Esta residência está sujeita ao ruído gerado por dois
grandes transformadores. Um com potência de 40 MVA e tensão de 138 kV, e outro com
potência de 60 MVA e tensão de 88 kV. O nível de potência sonora em bandas de oitava
do transformador de 40 MVA/138 kV foi calculado na Nota 7.1. O nível de potência
sonora do transformador de 60 MVA/88 kV é maior nas bandas de 1, 2 e 4 kHZ, devido
ao sistema de ventilação forçada deste transformador. Nestas bandas, o nível de
potência sonora é respectivamente 4, 3 e 2 dB maior do que o transformador de 40
MVA/138 kV. Considerando apenas os efeitos da divergência da onda e da presença do
solo próximo aos transformadores, determinar o nível de pressão sonora total A–
ponderado na residência.
Resolução:
Considerando apenas os efeitos da divergência da onda, a fórmula para
estimativa da pressão sonora à distância r da fonte escreve-se:

Considerando os transformadores como fontes sonoras omnidirecionais
temos que
Dlθ = 0 dB. Como se trata de radiação hemi-esférica, o ângulo sólido para livre
propagação, Ω = 2π. As distâncias entre os transformadores e a residência são as
mesmas e iguais a 140 m. Assim, temos que:

Os níveis de potência sonora dos transformadores estão listados na Tabela
8.1, bem como os níveis de pressão sonora gerados na residência por cada
transformador, e os respectivos níveis sonoros A–ponderados.
O nível de pressão sonora total gerado na residência pelos dois
transformadores será dado pela adição logarítmica de LPA transf. 1 = 44 dB(A) e LPA
transf. 2 =

46 dB(A), resultando em LPA total = 48 dB(A).

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

114
Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental

Figura 8.2. Poluição Sonora Causada por Transformadores em Subestação de Energia
Elétrica.
Tabela 8.1. Níveis de potência sonora dos transformadores.
Frequência Central da Banda de Oitava (Hz)

Transformador
40MVA/138 kV

Grandeza

LW

(dB)

31,5

63

125

250

500

1.000

2.000

4.000

8.000

92

98

100

95

95

89

84

79

72

41

47

49

44

44

38

33

28

21

-39,4

-26,2

-16,1

-8,6

-3,2

0

1,2

1,0

-1,1

1,6

20,8

32,9

35,4

40,8

38

34,2

29

19,9

= 44

dB(A)

(Calculado na Nota. 7.1)

L p (r  140m)

(dB)

Ganho do Filtro A (dB)

L pA

(dBA)

Transformador
60MVA/88 kV

L pA

LW

(dB)

L p (r  140m)

(dB)

Ganho do Filtro A
(dB)

L pA

(dBA)

transf.1

92

98

100

95

95

93

87

81

72

41

47

49

44

44

42

36

30

21

39,4

-26,2

-16,1

-8,6

-3,2

0

1,2

1,0

-1,1

1,6

20,8

32,9

35,4

40,8

42

37,2

31

19,9

L pA

transf.2

= 46

dB(A)

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

4o ciclo de 2015. . a Serem Aplicados ao Nível Sonoro Total A–Ponderado.000 4. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. Figura 8. 8.4. aproximados.3. a redução do nível total A–ponderado depende da composição do espectro sonoro. O ruído gerado por estes equipamentos pode perturbar a comunidade vizinha. Para Fontes na Cobertura e na Fachada de Edificações. apresentam certa direcionalidade no ruído irradiado. DI. fornece Índices de direcionalidade. DI.3. a serem aplicados ao nível sonoro total A– ponderado. Tabela 8. MECANISMOS MAIS SIGNIFICATIVOS DE ATENUAÇÃO SONORA EM AR LIVRE A atenuação à medida que o som se propaga a partir da fonte depende da frequência. Assim. ou para o som que emana de aberturas na cobertura/fachada de edificações.3. Hz L p (oitava) menos L p A (total). DIRECIONALIDADE DA FONTE É comum a instalação de equipamentos tais como torres de resfriamento. dB 63 125 250 500 1. Índices de Direcionalidade. A Figura 8.000 2.000 –2 +1 –1 –3 –5 –8 – 12 – 23 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.3. Observar que tais valores não levam em consideração os efeitos de superfícies próximas em termos de . Instalações deste tipo.000 8. Frequência Central da Banda de Oitava. os índices de direcionalidade indicados poderão ser utilizados na equação básica da propagação sonora em ar livre. Aproximados.115 Capítulo 8. para fontes sonoras na cobertura e na fachada de edificações. As fórmulas apresentadas neste capítulo para o cálculo da atenuação dos níveis sonoros A–ponderados se aplicam a fontes cujo espectro seja similar (em torno de  5 dB) ao da Tabela 8. Espectro de Fonte Típica.2. bombas e ventiladores na cobertura. e aparelhos de ar condicionado na fachada de edificações. Para fontes localizadas nas áreas hachuradas da Figura 8.2.

umidade relativa.2 m Não há em 63 e 2. sumariza os mecanismos de atenuação mais significativos da propagação sonora em ar livre.116 Capítulo 8. ou criação de sombras acústicas causadas por gradientes verticais de temperatura e de ventos. sons impulsivos como os de arma de fogo.2 m. Principais Mecanismos de Atenuação Sonora da Propagação em Ar Livre. ferroviário e aéreo. Vegetação Densa Reverberação Urbana Vento e Temperatura Atenuação provocada por vegetação densa entre a fonte e o receptor. precipitação e turbulência atmosférica por serem geralmente desprezíveis. combinada com provocada pela Todas — uma atenuação adicional barreira. Neste capítulo. Áreas com muitas árvores e vegetação densa no solo.3. e de muitas fontes externas de ruído industrial. Omitem-se atenuações causadas pela neblina. Tabulações indicadas com A referem-se a níveis sonoros A – ponderados para espectro de fonte típica. Hz Atenuação provocada Quando o receptor Barreira por uma barreira encontra-se na acústica entre a fonte e o sombra acústica receptor. Com edificações de no mínimo 10 m de altura em ambos os lados da rua. em de solo acusticamente temperaturas “macio”. . para alturas da fonte e receptor da ordem de 1. 30 m A 100 m em 500 Hz 50 m em 4. A Tabela 8. este espectro sonoro é chamado de espectro de fonte típica. Amplificação sonora devida a múltiplas reflexões em desfiladeiros urbanos. 25% de abertura. Em dias ensolarados. Edificações Com uma fileira de Atenuação provocada edificações com por edificações entre a Todas — aproximadamente fonte e o receptor. Atenuação Aproximada de 5 dB Sob Estas Mecanismo Descrição Sucinta Nesta Distância Condições Absorção do Ar 800 m A Absorção sonora do ar A 10ºC e 70% de 1.000 o som diretor e o fonte e do receptor Hz Oitava refletido sobre solo da ordem de 1. Alteração da atenuação do solo e/ou da barreira. Oitava 250 m em 4 kHz 85 m A Interferência (quase 10 m em 250 e 500 Hz Solo Macio sempre destrutiva) entre Para alturas da 50 m em 125 e 1.500 m em 500 Hz atmosférico. Acústica em ar livre e ruído ambiental Este espectro é típico de motores diesel com silenciador. tráfego rodoviário.000 Hz Oitava Todas — 150 m A 150 m em 500 Hz 50 m em 4.3.000 Hz Oitava eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Tabela 8. normais sem vento. 4o ciclo de 2015.000 “macio”.

as distâncias para atenuações adicionais de 3 dB são maiores do que as indicadas neste gráfico. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. O jato de alta pressão. Distância Fonte-Receptor Para os Primeiros 3 dB de Redução do Nível Sonoro A – Ponderado. Figura 8. Exemplo 8. Após os primeiros 3 dB de absorção atmosférica. .4. Tal atenuação é para o espectro de fonte típica. ATENUAÇÃO DO AR ATMOSFÉRICO O gráfico (Figura 8. a uma altura de 30 m . causada pela absorção do ar atmosférico. θ   L W  20 log r  DI θ  10 log   A combinado  11 dB 4π eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. poderá perturbar a comunidade que habita o seu entorno. (a) A Figura 8.4. Discutir o resultado em face da NBR 10151. o nível sonoro A – ponderado reduz-se menos com a distância. gera níveis de potência sonora em bandas de oitava conforme Tabela 8. Causada Pela Atenuação do Ar Atmosférico. sabendo-se que a atmosfera encontra-se quiescente.5 ilustra um possível problema de poluição sonora ambiental. que dista 700 m da extremidade da tabulação de descarga.1. Resolução: Lp r. onde a descarga de vapor de uma planta petroquímica na atmosfera. pois a energia sonora de alta frequência foi parcialmente removida do espectro. Assim. e umidade relativa de 50 %. Determinar o nível sonoro A–ponderado no receptor. 4o ciclo de 2015.117 Capítulo 8.4) fornece a distância entre fonte-receptor necessária para uma atenuação de 3 dB nos níveis sonoros A – ponderados.5. à temperatura de 25º C.

Acombinado da fórmula acima.   L W b  DI   A combinado  68 dB O diagrama polar de direcionalidade é para o ruído total gerado pelo jato. r = 700 m.   L W b  20log 700  DI   10log  Lpb r  700 m. . inicialmente. resultando em:  Lpb r  700 m  L W b  68 dB eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. considerando apenas o efeito de divergência da onda. Acombinado se deve exclusivamente à atenuação do ar atmosférico. para em seguida determinarmos o nível sonoro total A– ponderado. o nível sonoro para cada banda de oitava será dado por: 4  A combinado  11 dB 4  Lpb r  700 m. Determinemos então. o nível sonoro em bandas de oitava.118 Capítulo 8.   L W b  57  DI   0  A combinado  11 dB  Lpb r  700 m. omitindo portanto Dlθ . Aqui. a qual é fornecida para o nível sonoro total A–ponderado. 4o ciclo de 2015. Acústica em ar livre e ruído ambiental Aqui. Ω = 4π (fonte sonora longe do solo a 30 m de altura). assim.

5: Poluição Sonora Causada Pela Descarga de Vapor na Atmosfera. . Frequência Central da Banda de Oitava LW b (Hz) 31. Níveis de Potência Sonora do Ruído Gerado Pela Descarga do Jato de Vapor na Atmosfera.000 98 101 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5 (dB) 63 116 125 118 250 114 500 116 1.4.119 Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental Figura 8.000 111 4. 4o ciclo de 2015.000 113 2. Tabela 8.000 103 8.

Banda de Oitava.000 Lp (dB) (dB) Ganho do Filtro A (dB) 101 116 118 114 116 113 111 103 33 48 50 46 48 45 43 35 -39. Níveis de Potência Sonora e Ganho de Filtro. Níveis de Potência Sonora (Ruído do Jato e Fonte Típica).120 Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental Tabela 8.000 L p (oitava)– L p A (total).000 4.000 2.2 36 98 30 -1. dB –2 – (–2)= 0 +1 – (0)= 1 –1 – (–4)= 3 –3 – (–2)= –1 –5 – (–5)= 0 –8 – (–7)= –1 –12 – (–15)= 3 –23 – (–20)= –3 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 4o ciclo de 2015.8 33.000 8.000 8.000 2.5 63 125 250 500 1. Hz 63 125 250 500 1.1 28.6 -3.5. .2 1.8 45 44.9 37. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) 31.0 — 21.4 -26. Para: Fonte Típica – (Ruído do Jato).1 -8.9 LW b L p (r=700 m) b Nível Sonoro A–Ponderado bA (dBA) 50 dB(A) Tabela 8.2 0 1.000 4.4 44.2 -16.6.

Para θ = 125º. o diagrama polar de índices de direcionalidade (figura 8. de 70 e 60 dB(A) para o período diurno e noturno. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Portanto o nível de ruído gerado pela descarga de vapor na atmosfera está dentro dos limites tolerados.1. e para a temperatura e umidade relativa fornecidas. A NBR 10151 estabelece o nível critério de avaliação. Esta similaridade é necessária para validade da atenuação do ar atmosférico aqui utilizada. Acombinado = Atenuação do Ar Atmosférico. NCA. conforme gráfico de atenuação do ar atmosférico. valores entre parênteses referem-se ao espectro do ruído do jato. respectivamente. que o espectro sonoro do ruído do jato é similar (até  5 dB) ao espectro de fonte típica.121 Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental Exemplo 8. Aqui. a distância para os primeiros 3 dB de redução do nível sonoro A–ponderado está em torno de 700m. e aqueles sem parêntesis referem-se aos valores do espectro de fonte típica. Para espectro de fonte típica. A diferença entre estes valores é inferior à  5 dB. 4o ciclo de 2015. Logo o nível sonoro total A–ponderado no receptor será: 50 – 12 – 3 = 35 dB(A). (b) Resolução: Observar na tabela 8. Nesta tabela. .6. em área predominantemente industrial.5) fornece: Dlθ = -12 dB.

122 Capítulo 8. etc. relativamente ao referencial de + 3 dB do solo duro. devem ser reproduzidos no modelo plano. resultando em atenuação ou amplificação do nível sonoro. exceto em frequências muito baixas.). O resultado é uma amplificação média de aproximadamente 3 dB relativamente ao som direto. A fórmula apresentada abaixo para o cálculo da atenuação sonora de solos. neve ou outros solos “fissurados”). eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. estes devem ser modelados como planos. e amplificações de até 6 dB (duplicação da pressão sonora em frequências para as quais os raios estão em fases coincidentes). onde os ângulos dos raios sonoros envolvidos na situação real. terra batida. como do nível sonoro total A – ponderado.6. a reflexão no solo produz um segundo raio sonoro entre a fonte e o receptor. Por outro lado. Esta correção de + 3 dB. água. 4o ciclo de 2015. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. a atenuação dos níveis sonoros A–ponderados de solo recoberto com grama. . Este raio refletido no solo interfere com o raio direto. Para o som gerado por veículos isolados em rodovias (fonte pontual). dependendo das fases das duas ondas. é para propagação próxima da rasteira. sobre solos acusticamente “duros” (asfalto. podendo gerar reduções de 20 – 30 dB (interferência destrutiva em frequências para as quais os dois raios estão defasados de 180º). no caso do solo duro. Esta interferência entre as ondas é função da frequência do som.6. ATENUAÇÃO DO SOLO Conforme indica a ilustração superior da Figura 8.66 .5 m  h ef 1  2 h S  h R  .  15 m  h ef     0. terra arada ou aerada. são observadas diversas regiões no espectro sonoro com interferências destrutivas e construtivas. geram inversões de fase da onda refletida. é computada no termo que leva em consideração o ângulo sólido – 10log(2/4) = + 3 dB na equação básica. Onde. O resultado é significativa atenuação de banda larga do espectro sonoro. sem barreira interveniente   1 h  h   h . Propagações em solos cobertos com neve e outros solos fissurados não serão aqui abordados. propagações próximas da rasteira. sobre solos acusticamente “macios” (com vegetação rasteira. sobre solos macios (principalmente solo coberto com vegetação rasteira e terra arada). e hef é a altura efetiva dada por. Para propagações não rasteiras.751   12. 0  G  0. com barreira interveniente R B  2 S Observe-se que no caso de terrenos desnivelados. tanto dos níveis das bandas de oitava. relativamente ao solo duro ( = 2 na equação básica) à distância r é dada por:  r  A grama  10 G log   0. solo inundado.

o som que o atinge é aquele que a partir da fonte. ocorrendo também (frequentemente) uma redução da trajetória do raio que atinge o receptor diretamente do topo da barreira. Somente computar-se-á a atenuação do solo para distâncias r superiores a 15 m. O som que penetra na zona de sombra tem seu nível reduzido por difração. gerando a zona de sombra acústica atrás da barreira.5 m. A presença da barreira deteriora parcialmente a atenuação de solos macios. Parâmetros Utilizados no Cálculo da Atenuação do Solo Coberto com Vegetação Rasteira. deve ser substituída por 8. Ilustração Inferior: Com Barreira Acústica.7. a partir da chamada zona de Fresnel. no caso de fontes pontuais. ATENUAÇÃO DE BARREIRAS ACÚSTICAS Uma barreira acústica é qualquer estrutura ou obstáculo que impede a visão da fonte pelo receptor — inclusive o próprio solo quando este se eleva interferindo com a linha de visão. ocorre um aumento da altura efetiva h ef. onde a difração sonora nas bordas laterais da barreira não contribui com o nível sonoro no receptor. gera um valor constante da atenuação do solo para alturas efetivas hef entre 0 e 1. Fisicamente. Esta redução de atenuação do solo será mais bem discutida no próximo item. Quando as fontes sonoras distribuem-se em linha. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.123 Capítulo 8. é denominada de perda por inserção (“insertion loss” IL) da barreira.66. 4o ciclo de 2015. e com hef menor que 12. na frente da barreira. onde ela será incorporada na atenuação da barreira. Adicionalmente. e é curvado por difração para baixo. alcança o topo desta.8 m. como é o caso do tráfego de veículos em uma rodovia.6. localizada sobre o topo da barreira. com consequente redução da atenuação do solo.5 m. Observe-se que quando da existência de uma barreira acústica entre a fonte e o receptor. a barreira destrói parte de atenuação do solo macio pois há um aumento do ângulo de incidência no solo. o limite superior de G de 0. a distância de normalização de 15 m na fórmula acima. combinada com a redução parcial da atenuação do solo macio. No caso de barreiras longas. O resultado da difração sonora. 8. . Ilustração Superior: Sem Barreira Acústica. conforme discutido no item anterior. Acústica em ar livre e ruído ambiental Figura 8. Esta redução é chamada de atenuação da barreira A barreira.

. 4o ciclo de 2015.000 Hz.e  é o comprimento de onda. Esta raiz quadrada. com a utilização de uma frequência “efetiva” da fonte. e dentro da sombra quando a sua visão da fonte é obstruída pela barreira.ef.7. Normalmente. Em outras palavras. e as constantes C1 e C2 . A atenuação da barreira encontra-se plotada na Figura 8. é aproximadamente proporcional à altura efetiva da barreira h b.. Verificou-se que a atenuação do nível total A–ponderado do espectro de fonte típica. encontram-se definidos na Figura 8. As constantes C1 e C2 diferem para fonte pontual/linha e opcionalmente para estimativas normais/conservadoras.67 m.124 Capítulo 8. é igual à atenuação de tons puros em 500 – 1. utilizar as curvas tracejadas no lugar das curvas sólidas. O número de Fresnel N é adimensional. esta fórmula poderá ser utilizada para o cálculo da atenuação dos níveis sonoros A–ponderados.7 que a atenuação da barreira aumenta à medida que: (1) a altura efetiva da barreira aumenta e (2) a barreira aproxima-se da fonte ou do receptor. inclusive o número de Fresnel N. Observe-se na Figura 8. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O inserte superior define os parâmetros geométricos associados à barreira/fonte/receptor. Nesta figura. o nível sonoro total A–ponderado do espectro de fonte típica é reduzido do valor de atenuação obtido com o número de Fresnel calculado com valores de  na faixa de 0. a fórmula acima apresentada é aplicada no cálculo da atenuação de tons puros No entanto. Observe-se que a barreira não necessita estar perpendicular ao segmento que une a fonte ao receptor para validade desta fórmula. a atenuação da barreira encontra-se plotada em função da raiz quadrada do número de Fresnel N. que é a altura da barreira acima da linha de visão. com diferentes valores para os parâmetros C1 e C2. quando calculada banda por banda. Os parâmetros que aparecem nesta equação.7. Para estimativas mais conservadoras (menor atenuação). O inserte inferior apresenta a atenuação adicional para algumas características físicas específicas de barreiras. Acústica em ar livre e ruído ambiental ILbarreira  Abarreira  (redução da atenuação do solo macio)  Abarreira  A solo s/barreira  A solo c/barreira A atenuação da barreira poderá ser calculada através da seguinte fórmula: A barreira  2π N  5  0 fora da sombra 20 log tan 2π N   2π N 20 C  log  5  0 dentro da sombra 1  tanh(C 2π N ) 2  O receptor está fora da sombra quando ele é capaz de visualizar a fonte.34 – 0.

calculada através de  li /L .minFL . min ( FL .8.8. . Acústica em ar livre e ruído ambiental Figura 8. F  é a fração angular bloqueada pelas edificações. é difratado no topo das edificações. 4o ciclo de 2015. e que se transmite através das aberturas entre elas. Nesta fórmula. O som que atinge o receptor é aquele que. 8. A atenuação aproximada conferida por uma única fileira de edificações interveniente é dada por A 1 f ileira  10 log[1. a partir da fonte. O valor de atenuação máxima de 10 dB indicado. F) é o valor mínimo entre FL e F. Atenuação de Barreira Acústica para Fonte Pontual e em Linha (Tráfego em Rodovia). onde l e L i estão indicados na Figura 8. F   10 ILbarreira/10 ]  10 dB Nesta fórmula. baseia-se na experiência adquirida em campo. Aqui FL é a fração do comprimento linear bloqueada pelas edificações. Desta forma. ATENUAÇÃO DE EDIFICAÇÕES Edificações atenuam os níveis sonoros quando elas se interpõem entre a fonte e o receptor. uma fileira de edificações confere menos atenuação que uma barreira contínua de mesma altura.8. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. calculada através de θ i /θ . Similarmente. ILbarreira é a perda por inserção considerando que a fileira de edificações se trata de uma barreira contínua (sem aberturas).125 Capítulo 8. onde i e  estão também indicados na Figura  8.7.

a atenuação aproximada é dada por (0.05 dB/m) redificações . 8. . onde redificações é o comprimento em metros do segmento que une a fonte ao receptor através das edificações. Acústica em ar livre e ruído ambiental Figura 8. a perda da folhagem durante o inverno.8.126 Capítulo 8. para outros tipos de árvores. A atenuação é causada pelo espalhamento sonoro nos troncos e galhos das árvores (médias frequências) e nas folhas (altas frequências). Fileiras subsequentes conferem atenuação menor. A absorção sonora das folhas não é geralmente significativa. A atenuação sonora conferida por áreas com vegetação densa poderá ser estimada através de:  f  A v egetação  6. que se interpõem entre a fonte e o receptor..9. Uma atenuação adicional em baixas frequências é conferida pelo solo da área ocupada com vegetação densa.10    1 kHz  densa rv egetação  1/3   densa     10 dB  100 m    eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. onde raízes e arbustos conferem ao solo uma característica acústica macia. isto não ocorre. No caso de propagação sonora através de áreas com edificações industriais. Para certos tipos de árvores. atenuam os níveis sonoros gerados pela fonte. Parâmetros a Serem Utilizados no Cálculo da Atenuação Conferida por Uma Única Fileira de Edificações Interveniente Entre a Fonte e o Receptor. reduz um pouco a atenuação sonora em áreas de vegetação densa.5 dB de atenuação para cada fileira adicional. consistindo essencialmente de árvores. porém. ATENUAÇÃO DE VEGETAÇÃO DENSA Áreas ocupadas com vegetação densa. até o limite de 10 – 15 dB de atenuação total. A atenuação sonora neste caso se deve principalmente ao espalhamento sonoro provocado pelas edificações da zona industrial. A fórmula para o cálculo da atenuação de edificações se aplica em situações onde há apenas uma fileira de edificações interveniente entre a fonte e o receptor. 4o ciclo de 2015. onde os prédios não estão enfileirados. Uma estimativa conservadora é de 1..

portanto. contudo ter havido redução do nível sonoro A– ponderado. talvez a sensibilidade auditiva possa perceber nuanças que os medidores de nível sonoro não conseguem captar. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Acústica em ar livre e ruído ambiental Onde. e. Antes de utilizar esta fórmula.127 Capítulo 8. e (2) as árvores se elevem a pelo menos 5 m acima da linha de visão. sem. causando reverberação urbana. sem. Adicionalmente. as fachadas das edificações restringem a divergência da onda sonora. A amplificação sonora em desfiladeiros urbanos AMPreverb poderá ser estimada para uma via de tráfego de sentido único através da seguinte fórmula 2     r  (1   )  R AMP rev erb  10 log1     r  2d f achada     onde R é dado por  hedif icação  3 R  4  w v ia   Nesta fórmula. muitas pessoas afirmam que a vegetação torna o meio ambiente mais silencioso. contudo alterar o nível sonoro A–ponderado. 4o ciclo de 2015. devido às múltiplas reflexões nas fachadas das edificações que margeiam as vias de tráfego. e que possua arbustos que impeçam a visão da fonte pelo receptor. o que amplifica os níveis sonoros. rv egetação é o comprimento do trecho do segmento que une a fonte ao receptor densa dentro da área de vegetação densa. Talvez a razão seja puramente psicológica: as pessoas gostam de árvores. r é a distância entre o receptor e a via perpendicularmente a esta. Mesmo quando medições objetivas indicam que não há atenuação significativa causada pela vegetação.  é o coeficiente de absorção (a ser visto mais adiante neste capítulo) da fachada da edificação. hedificação é a altura da edificação. mascarando as asperezas e sons impulsivos que tendem a ser perturbadores.10. REVERBERAÇÃO URBANA Desfiladeiros urbanos podem amplificar o ruído de tráfego. o movimento das folhagens pela ação de ventos. As folhagens de árvores espalham significativamente os sons de alta frequência. produz sons agradáveis. 8. tendem a reduzir esta sensação auditiva negativa. dfachada é a distância entre o receptor e a fachada da edificação mais próxima. Adicionalmente. O espalhamento sonoro provocado pelas árvores gera uma reverberação na área coberta com vegetação. e wvia é a largura da via. que transmitem a ideia de “aspereza mecânica”. . as árvores tornam o ambiente menos inóspito. que mascaram parcialmente os sons mais perturbadores. certificar-se de que: (1) a área com vegetação seja densamente ocupada com árvores. De fato. Ambos os mecanismos alteram para melhor a “qualidade” do som percebido.

11. pois os raios sonoros se concentram no solo ao invés de serem desviados para cima. quando a significativa insolação do solo durante o dia. Nos dois quadros à direita da Figura 8.9. Este último fenômeno explicaria “melhor” a propagação sonora durante a noite. causa elevadas temperaturas do solo ao entardecer. ou quando o vento sopra da fonte ao receptor. GRADIENTES VERTICAIS DE TEMPERATURA E DE VELOCIDADE DO VENTO (REFRAÇÃO) Gradientes verticais de temperatura e de velocidade do vento. ocorre aumento da atenuação. a refração altera a altura aparente da barreira. à medida que o calor é absorvido pelo solo. Esta situação é chamada de lapso negativo. enquanto quando há inversão.9. a frente da onda se inclina para o solo e o raio sonoro passa a incidir sobre ele. Efeitos dos Gradientes Verticais de Velocidade do Vento e de Temperatura. ilustra situações onde a refração devida a gradientes verticais de temperatura e de velocidade do vento altera a trajetória dos raios sonoros. Quadros Superiores: Vento. a frente da onda se inclina para cima e o raio sonoro se afasta do solo.128 Capítulo 8. quando é comum a ocorrência de gradientes positivos de temperatura (a temperatura cresce com a altitude). Quando a propagação sonora se dá a favor do vento. a refração produz regiões de sombra e de concentração de raios sonoros. Uma situação atmosférica comum é a que provoca um gradiente negativo de temperatura (a temperatura decresce com a altitude). A Figura 8. Tais gradientes provocam a curvatura dos raios sonoros num fenômeno conhecido como refração. Quando a propagação sonora se dá contra o vento. Isto se deve ao resfriamento rápido do ar na superfície do solo. quando o lapso de temperatura é positivo. A situação inversa ocorre à noite. Com (Linha Sólida) e Sem (Linha Tracejada) Barreira Acústica. pois as camadas de ar próximas ao solo tendem a ser freadas por atrito. Aqui. 4o ciclo de 2015. ou inversão. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. da atenuação de solos macios e de áreas cobertas com vegetação. respectivamente. Em geral. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. são variações verticais de temperatura e de velocidade do vento. . como lapso positivo. com os raios sonoros se desviando para baixo. os raios sonoros são desviados para cima. em termos meteorológicos. e significativa transferência de calor do solo para o ar adjacente. Figura 8. Esta ocorrência é conhecida. ou quando o vento sopra do receptor a fonte. poderá ocorrer redução da perda por inserção da barreira. Quadros Inferiores: Temperatura.9. Esta situação é típica do entardecer de um dia ensolarado. formando uma região de sombra acústica próxima ao solo. Com e Sem Barreira Acústica. Nos dois quadros à esquerda. A velocidade do vento aumenta verticalmente para cima (gradiente positivo).

através de A média  10 3 5  m /r 2  1. estando neutro o outro mecanismo. Acústica em ar livre e ruído ambiental A refração devido aos gradientes de temperatura e de velocidade do vento afeta a atenuação de solos macios e de barreiras. a atenuação dos níveis sonoros A– ponderados. A atenuação média causada por ventos e temperatura. A média. caso 1 aplica-se quando um mecanismo (vento ou temperatura) provoca o desvio de raios sonoros para cima. Assim. onde ocorre redução de perda por inserção da barreira.2 h  0. da atenuação de solos macios e de áreas cobertas com vegetação. para receptores com alturas de pelo menos 4 m. Em estimativas conservadoras. Ventos de maior velocidade produzem efeitos mais severos. caso esta direção varie de menos de  45º. causada por gradientes de vento e de temperatura poderá ser estimada através de: r   30 log 15 m dB  0 dB  2 A v ento/temp  10  6. Caso 3 aplica-se quando um mecanismo desvia os raios sonoros para baixo e o outro mecanismo está neutro.6 2 . recomenda-se utilizar o módulo do vetor velocidade no lugar do módulo de sua componente na direção de interesse. em condições de propagação variável contra e a favor do vento.129 Capítulo 8. requerem que as estimativas sejam feitas sob condições de propagação sonora a favor do vento. poderá ser estimada à distância r entre fonte-receptor. Finalmente. medida a 3 m acima do solo. Caso 2 aplica-se quando ambos os mecanismos estão neutros ou quando um deles desvia os raios para cima e o outro para baixo. O efeito do vento é proporcional à sua velocidade.3 h 2   r   log   0 dB 14  1m 1 m 2   15 m   caso 1 caso 2 caso 3 caso 4 Nestas fórmulas. Alguns métodos de predição de impacto ambiental devido ao ruído.9 h 0. a atenuação dos níveis sonoros A– ponderados causada por gradientes de temperatura e de velocidade do vento poderá ser estimada através de:  3  A v ento/temp   0 c/barreira  3  caso1 caso 2 caso 3 Estas fórmulas são aplicáveis quando o vento sopra no sentido da fonte ao receptor a uma velocidade em torno de 5 m/s. quando o som se propaga a uma distância r sobre solo macio. à altura acima do solo. é arriscado contar com atenuações permanentes geradas por gradientes negativos. . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. caso 4 aplica-se quando ambos os mecanismos desviam os raios sonoros para baixo. Quando há uma barreira interveniente. Na ausência de barreira.03 h log r   0 dB s/barreira  1m 1m2   15 m    7. 4o ciclo de 2015. Os efeitos dos gradientes de temperatura e de velocidade do vento são altamente variáveis com o tempo devido à turbulência atmosférica.

Somar efeitos. soma. . remanescente. Computar IL da barreira. Usar o Usar o maior no maior no lugar da lugar da soma. somar efeitos áreas igual a somar efeitos na distância urbanas.130 Capítulo 8. Somar efeitos. pois a interação é inerentemente complexa. (2) entre os gradientes de temperatura/velocidade do vento e o solo. urbanas. Os efeitos combinados são difíceis de serem estimados. e Barreira não somente a atenuação da barreira. vegetação em macio em 10 dB áreas áreas em áreas urbanas.12.7. Calcular Somar efeitos. Limitar IL Ignorar da Desconsiderar Reverberação atenuação Urbana barreira atenuação da do solo em 5 – Somar efeitos. Vegetação Usar o Usar o Usar o maior Densa maior no maior no no lugar da lugar da lugar da soma. Desconsiderar Desconsiderar A barreira gradientes em gradientes em Desconsiderar áreas com Somar edificações. Somar efeitos. Tabela 8. efeitos. Somar efeitos. 4o ciclo de 2015. Sumário das principais interações entre os mecanismos de atenuação mais significativos da propagação sonora em ar livre. INTERAÇÃO ENTRE OS MECANISMOS DE ATENUAÇÃO A Tabela 8. urbanas. Vento/ Temp. e (3) entre os gradientes de temperatura/velocidade do vento e a barreira. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. soma. gradientes em com C2 vegetação. 1. soma.7 sumariza as principais interações entre os mecanismos de atenuação mais significativos da propagação sonora em ar livre. As interações que provocam maior impacto nos resultados numéricos são: (1) entre a barreira e o solo macio. Somar efeitos. 2. Solo Macio Edificações Absorção Atmosférica eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.77 ou na distância remanescente.15.

000 114 –3 2. . Esquema da Instalação de Trituração de Pedras. 4o ciclo de 2015.000 99 –1 b eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Níveis de Potência Sonora e Índices de Direcionalidade a 110º do Ruído Gerado Pela Instalação de Trituração de Pedras Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) L W (dB) DI à 110º 63 114 –2 125 116 –3 250 118 –1 500 116 –3 1. Acústica em ar livre e ruído ambiental Planta Corte Figura 8.000 113 –3 4. Tabela 8.10.131 Capítulo 8.8.000 109 –3 8.

Determinemos então.10. o nível sonoro para cada banda de oitava será dado por: L pb  r  200 m. omitindo portanto Acombinado da fórmula acima. com níveis de potência sonora conforme Tabela 8. mais atenuação da barreira (caso b).5 m de altura. e umidade relativa de 50 %. para em seguida determinarmos o nível sonoro total A–ponderado.   110   L W b  DI 110º  A combinado  54 dB Aqui. com centro de emissão sonora conforme indica o esquema da Figura 8. Dlθ = Dl110°. A principal fonte de ruído da instalação é o triturador.10. (a): Uma mineradora possui uma instalação de trituração de pedras com dimensões de 50 x 5 x 7. gerando ruído estacionário. Encontram-se também indicados nesta tabela. Pede-se determinar: a) o nível de pressão sonora no receptor. O triturador normalmente opera ininterruptamente. Acústica em ar livre e ruído ambiental Exemplo 8. r = 200 m.8.   110   L W b  20 log 200  DI 110 º  10 log 2  A combinado  11 dB 4 Lpb  r  200 m. o nível sonoro em bandas de oitava.5 m.132 Capítulo 8. resultando em: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. .   110   L W b  46  DI 110º  3  A combinado  11 dB Lpb  r  200 m. Acombinado se deve à atenuação do ar atmosférico e à atenuação de solo macio (caso a). θ   LW  20 log r  DIθ  10 log   A combinado  11dB 4π Aqui. o qual poderá ser considerado como uma fonte sonora pontual. considerando apenas o efeito de divergência da onda e direcionalidade da fonte. que é a direção onde se situa o receptor. Ω = 2π (centro de emissão sonora próximo ao solo). b) o nível de pressão sonora no receptor após a inserção de uma barreira com 8. Estas atenuações serão calculadas em termos do nível sonoro total A–ponderado. RESOLUÇÃO: Lp r. 4o ciclo de 2015. Considerar a atmosfera quiescente.2. os índices de direcionalidade a 110º com relação ao eixo que passa pelo centro da instalação. à temperatura de 25º C. na posição indicada no esquema da Figura 8. Assim. inicialmente.

b Lp Ganho do Filtro A (dB) (dBA) -26.2 31.0 53 8.9 250 118 –1 63 -8.9. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 114 –3 57 0 57 2.000 99 –1 44 -1. por exemplo para 63Hz = 58 dB – 63dB = -5 Para calcular os intervalos da terceira linha da tabela 8. 4o ciclo de 2015. Níveis de Potência Sonora e Ganho de Filtro.8 bA (dB) DI à 110º 63 114 –2 θ =110º) (dB) 58 125 116 –3 59 -16. .10.   110   L W b  DI 110º  54 dB Observar na Tabela 8. basta retirar os valores da tabela 8.2 57. valores entre da segunda linha referem-se ao espectro do ruído do triturador.9.2 4.9 b Nível Sonoro A–Ponderado (Lpa) 63 dB(A) Para achar os valores da segunda linha da tabela 8.6 54.8 1. encontrados na tabela 8.000 109 –3 52 1.000 113 –3 56 1. Nesta tabela.10. Acústica em ar livre e ruído ambiental Lpb  r  200 m. calcula-se: L p (oitava)– b L p A (total).1 42.133 Capítulo 8. Tabela 8.2 55.4 500 116 –3 59 -3.1 42.10 que o espectro sonoro do ruído do triturador é similar (até  5 dB) ao espectro de fonte típica. e os da terceira linha referem-se aos intervalos de valores para uma fonte ser similar a uma fonte típica. A condição de similaridade é necessária para validade das atenuações a serem aqui calculadas.2 e subtrair 5 para obter o limite inferior e somar 5 para obter o limite superior. Frequência Central da Banda de Oitava (Hz) LW L p (r=200 m.

-18] Exemplo 8. Portanto para a distância fonte-receptor de 200m. Banda de Oitava.000 8.134 Capítulo 8. Acústica em ar livre e ruído ambiental Tabela 8. Hz L p (oitava)– b 63 125 250 500 1. hef  hS hR 2  52  3. +4] [-8. e para o ar atmosférico à temperatura de 25º C e 50% de umidade relativa.000 4. .2) [-17. -7] [-28. +3] [-4. Aar: Para espectro de fonte típica. 4o ciclo de 2015. Asolo: A distância entre fonte-receptor é de 200 m. Intervalo tolerável (tabela 8.5 m    eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Níveis de Potência Sonora (Ruído do Triturador e Fonte Típica). conforme gráfico de atenuação do ar atmosférico.5 m  12. a distância para os primeiros 3 dB de redução do nível sonoro A–ponderado está em torno de 700 m. +2] [-10. (b) Resolução: Caso a: A combinado  A ar  A solo Atenuação do Ar.2.10. 0] [-13.000 2.000 -5 -4 0 -4 -6 –7 -11 -19 [-7.75 1    0.75 1    0. +6] [-6. Portanto o solo é macio a uma distância r = 125 m.66 12.5    G  0.5 m 2 hef  3.54  0. -3] L p A (total). O solo é duro até 75 m da fonte e macio a partir desta distância. A ar  (200 / 700)  3dB  1 dB Atenuação do Solo.

Caso b: Lpc / barreira  Lps / barreira  IL barreira.135 Capítulo 8. Logo: N  2(rSB  rBR  dSB  dBR ) /   2(23. . verifica-se que o receptor está na zona eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Na tabela 8.54 log   5 dB  15 m   15 m  A atenuação de 5 dB é relativamente ao solo duro ( = 2 na equação básica). que corresponde a λ = 0. verifica-se que o nível sonoro A–ponderado da banda de 1.5 2  177. Acústica em ar livre e ruído ambiental  r   125  A grama  10 G log   10  0.34m. o nível sonoro da banda de 1.000 Hz é maior que aquele da banda de 500 Hz.34  1.08  23  177) / 0. 4o ciclo de 2015.000 Hz.08 m Para o cálculo da barreira vamos escolher uma frequência “efetiva” da fonte entre 500 e 1. Como entre estas duas bandas. IL barreira  A barreira  (redução da atenuação do solo macio)    A barreira  A solo s/barreira  A solo c/barreira Do esquema fornecido na figura 8.26 m rBR  1772  5.10 tem-se que: dSB  23 m dBR  177 m rSB  232  3..26  177. onde . escolhamos então a frequência efetiva igual a 1. Logo o nível sonoro total A–ponderado no receptor no Caso a será: 63 – 1 – 5 = 57 dB(A).000 Hz é o mais crítico.414 No esquema em corte da instalação.000 Hz.5 2  23.10.

Acústica em ar livre e ruído ambiental de sombra da barreira.03 log   0.3 dB Logo o nível sonoro total A–ponderado no receptor no Caso b será: 57 – 11. (A solo )c / barreira  0.5 m  12.5  12 m 2 hef  12    G  0. 4o ciclo de 2015. .5 m     r   125  A grama  10 G log   10  0.3 = 45.03 12.3)  11. (A solo ) s / barreira  5 dB calculado no caso A Cálculo de (Asolo)c/ barreira: hef  hs  hR 2  hB  52  8.3 dB IL barreira  Abarreira  [A solo s/barreira  A solo c/barreira]  16  (5  0.3 dB  15 m   15 m  Portanto.75 1    0.7 dB(A).136 Capítulo 8. Para receptor dentro da zona de sombra da barreira. a atenuação da barreira é dada por: A barreira  (20C1 ) log 2N tanh(C2 2N )  5  (20  1) log 2 2 tanh(1. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.77 22 )  5  16 dB valor este que é confirmado no gráfico de Atenuação da Barreira versus N para fonte pontual.75 1    0.

respectivamente. 4o ciclo de 2015. c) da frequência do som. respectivamente. Acústica em ar livre e ruído ambiental 8. Feedback: item 8. TESTES 1. c) 0 e 3 dB. b) 3 e 6 dB. respectivamente. Quando uma fonte sonora está sobre solo duro reflexivo. e) 0 e 6 dB.6 4. . d) dos ventos. e)  / 4 .137 Capítulo 8. d)  / 2 . Feedback: item 8. b) 0 dB. o ângulo sólido para livre propagação é: a) 0. c) –5 dB. e) do meio de propagação. b) da temperatura e umidade relativa. respectivamente. d) –5 dB no plano horizontal da cobertura.12 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.1 2. e) 2 R2 3. b) 2 . respectivamente. d) 6 e 0 dB. A divergência da onda provoca para fontes pontuais e para fontes em linha uma redução do nível de pressão sonora para cada duplicação da distância fontereceptor de: a) 6 e 3 dB. c) 4 . Feedback: item 8.13. O índice de direcionalidade de uma torre de resfriamento na cobertura de um edifício vale: a) 2 . A absorção atmosférica depende: a) do nível sonoro.

d) apenas da altura efetiva da barreira e do comprimento de onda. O número de Fresnel N depende: a) da frequência do som. b) do comprimento de onda. .138 Capítulo 8. c) da geometria da barreira.7 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. da altura efetiva da barreira e das distâncias entre fontebarreira e receptor-barreira. Acústica em ar livre e ruído ambiental 5. e) Apenas da frequência da onda sonora Feedback: item 8. 4o ciclo de 2015.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Acústica de salas e ruído em recintos 139 CAPÍTULO 9.Capítulo 9. Ao terminar o capítulo você estará apto a:     Aplicar conhecimentos de acústica em diversos ambientes. 4o ciclo de 2015. Distinguir absorção e isolação sonora. Obter os coeficientes de absorção sonora. Determinar tempos de reverberação. ACÚSTICA DE SALAS E RUÍDO EM RECINTOS OBJETIVOS DO ESTUDO Obter coeficientes de absorção tendo o conhecimento dos materiais que revestem uma superfície. Entender os fatores que influenciam na absorção sonora. .

Já em recintos. a dificuldade de concentração numa biblioteca. um grande galpão industrial. define-se o coeficiente de transmissão sonora. verifica-se então que:   1   . Acústica de salas e ruído em recintos 140 9. a energia sonora incidente é parcialmente refletida. um auditório. etc. O coeficiente de reflexão sonora. a perturbação do sono num dormitório. Quando o som incide nestas superfícies. e por unidade de área de área da superfície (Potência Sonora/Área = Intensidade Sonora). ou seja. da seguinte forma:  Itransmitida . .Capítulo 9.  . Esta parcela re-irradiada é a intensidade sonora transmitida. quer este seja uma sala propriamente dita. Uma medida da capacidade de absorção de energia sonora de superfícies é dada pelo coeficiente de absorção sonora. a propagação sonora sofre interferência das superfícies que delimitam o recinto — paredes. Assim. Iincidente eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. o qual é definido da seguinte forma:  Iabsorv ida Iincidente  Iref letida I   1  ref letida .   1 e   0 para uma superfície totalmente absorvente ( Iref letida  0 ). é definido da seguinte forma:  Iref letida . como indica o próprio nome. Associado à intensidade sonora transmitida. ou uma pequena oficina. teto e piso.  . a propagação sonora se dá de forma livre.  . sendo a parcela remanescente absorvida pela superfície. Iref letido é a intensidade sonora do som refletido. e Iincidente é a intensidade sonora do som incidente. INTRODUÇÃO A acústica aplicada a ambientes fechados é chamada de Acústica de Salas. Esta denominação tem na realidade sentido mais amplo.   0 e   1 para uma superfície totalmente reflexiva ( Iref letida  Iincidente ).1. Iincidente Iincidente Iincidente Onde: Iabsorv ida é a intensidade sonora absorvida. um estúdio de gravação. Parte da intensidade sonora absorvida degrada-se em calor no meio material do qual a superfície é constituída. 4o ciclo de 2015. Em campo livre. energia sonora absorvida por unidade de tempo (Energia Sonora/Tempo = Potência Sonora). sem obstrução. Iincidente Das duas fórmulas de definição acima. Itransmitida . a dificuldade de comunicação numa sala de estar. pois trata da acústica em qualquer recinto fechado. e a outra parte é re-irradiada pela face da superfície oposta àquela do som incidente. a redução da inteligibilidade da fala numa sala de aula. Os problemas causados pelo ruído em recintos incluem o risco da perda de audição numa indústria.

encerados de algodão) são ineficazes. ou seja. Acústica de salas e ruído em recintos 141 O ambiente no qual a intensidade sonora transmitida se propaga poderá ser ao ar livre. Figura 9. 4o ciclo de 2015.). A absorção se dá essencialmente pela dissipação da energia sonora por atrito. Assim percebe-se que a propriedade fundamental dos materiais absorventes é a “resistência ao escoamento” — a maximização da absorção sonora requer uma resistência ótima ao escoamento de ar através do material. o material que permite que as partículas do ar penetrem e se movimentem em seu interior.e. ou porosos (espumas de poliuretano. ou um recinto. gaze) que apresentam trama muito esparsa.2. . 9. assim como aqueles (p. devido ao movimento das partículas do ar no interior destes materiais. quando da passagem da onda sonora.Capítulo 9. Tecidos com trama muito estreita que não permitem que o ar os atravesse (p.1. Som Incidindo Numa Superfície Absorvente. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Um bom absorvente de som é o material que “respira”. etc. que é possível enxergar através deles. lã de rocha. ABSORÇÃO SONORA Materiais tipicamente utilizados para absorver som são fibrosos (lã de vidro.e. do tipo das esponjas utilizadas em limpeza doméstica).

4o ciclo de 2015. O coeficiente de absorção sonora aqui utilizado.2. O coeficiente de absorção sonora de materiais absorventes de som fibrosos e porosos tipicamente varia com a frequência do som incidente conforme ilustra a figura.é. . O coeficiente de absorção sonora. O coeficiente de absorção sonora normalmente utilizado nas aplicações é aquele obtido experimentalmente em uma câmara de testes especial denominada de câmara reverberante (maiores detalhes mais adiante no capítulo). Acústica de salas e ruído em recintos 142 Figura 9. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. sempre o de Sabine. assim obtido é denominado de Sabine. Materiais Porosos e Fibrosos. Existem diferentes métodos experimentais para determinação do coeficiente de absorção sonora de materiais.Capítulo 9.

3. Observa-se geralmente que  aumenta com a espessura e com a densidade de materiais fibrosos e porosos. . 4o ciclo de 2015. dependendo das características físicas e construtivas dos materiais absorventes de som. A curva do coeficiente de absorção sonora versus frequência desloca-se tanto vertical como horizontalmente. Acústica de salas e ruído em recintos 143 Figura 9.Capítulo 9. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. A figura abaixo ilustra os efeitos de alguns fatores na curva de absorção sonora. Variação Típica do Coeficiente de Absorção Sonora com a Frequência de Materiais Absorventes de Som Fibrosos e Porosos. Esta figura o efeito da aplicação de tintas nestes materiais.

é maior quando localizados em regiões onde a velocidade do movimento acústico das partículas é maior. ou estar suficientemente afastado da superfície. enquanto que a velocidade da partícula é zero — as partículas do ar não se movimentam junto a uma parede rígida. Isto ocorre a uma distância da parede igual a 1/4 do comprimento de onda do som incidente. Acústica de salas e ruído em recintos 144 Figura 9. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. a pressão sonora é máxima. tende a aumentar a absorção sonora. A velocidade das partículas é máxima onde a pressão sonora é mínima. a eficácia dos materiais fibrosos e porosos. Fatores que Influenciam a Absorção Sonora de Materiais Fibrosos e Porosos.Capítulo 9.4. A figura abaixo ilustra o comportamento da pressão sonora e da velocidade das partículas do ar entre duas paredes de um recinto. 4o ciclo de 2015. De fato. principalmente nas baixas frequências. Observa-se ainda que o afastamento do material da superfície de uma parede/teto. Assim. para interagir com as partículas de ar na região onde a velocidade é máxima. . o material absorvente deve ser espesso. Observa-se que junto à parede.

Capítulo 9. é instalar o material afastado de  / 4 da superfície. . que é caro. uma alternativa ao aumento da espessura. e que é útil numa primeira análise comparativa de diferentes materiais. Distâncias desta ordem de grandeza são mais facilmente viabilizadas no teto de recintos. Define-se coeficiente de redução sonora (“Noise Reduction Coefficient” NRC) como a média aritmética dos coeficientes de absorção sonora das bandas de oitava de 250 a 2. a distância da superfície deverá ser de  / 4  c / 4f  340 /( 4  125)  0. NRC  1 [(250Hz)  (500Hz)  (1. Acústica de salas e ruído em recintos 145 Figura 9. 4o ciclo de 2015. para aumentar a absorção sonora na banda de oitava de 125 Hz. Como geralmente os materiais fibrosos e porosos apresentam baixos coeficientes de absorção sonora nas baixas frequências.68 m = 68 cm (c = velocidade do som em m/s). A Absorção Sonora de Materiais Fibrosos e Porosos é Maior Onde A Velocidade das Partículas é Máxima. Esta distância é muito grande para aplicação do material absorvente em paredes. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000Hz)] 4 O NRC é um número único.5.000Hz)  (2. Por exemplo. A tabela fornece coeficientes de absorção sonora em bandas de oitava de alguns materiais fibrosos e porosos e os seus respectivos NRCs.000 Hz. que sumariza a capacidade de absorção sonora do material.

Na Tabela 9.88 0.39 Espessura.15 1.07 1.12 0.04 0.85 35 0.05 0. Este efeito se deve à difração sonora nas bordas da amostra.87 0.RockFibras Manta de Lã de Rocha Basáltica. Uma das justificativas deste fato é que o teste em câmara reverberante para determinação de  . o efeito da difração em 4 kHz é desprezível.44 0.90 1.74 0.75 0. kg/m³ ISOVER – Santa Marina Placa de Lã de Vidro Aglomerada.23 1. devendo o projetista ter conhecimento destes valores aumentados.10 1.00 1.04 0.96 1.12 1. não reproduz as condições idealizadas para aplicabilidade da sua fórmula de definição. que devem ser multiplicadas pelo coeficiente de absorção sonora obtido em câmara reverberante. N R C .50 0.08 0.50 0.05 0.2. aumentando o coeficiente de absorção em torno de 10 % em 1 kHz.35 0.47 0. Os laboratórios no entanto. Isto é fisicamente impossível.96 0.87 1.98 1.89 0. observam-se em algumas bandas de frequência.90 1.13 0.19 0. mm 32 60 2k 50 0.72 75 0.00 0.48 0. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. quando o material é empregado em áreas muito maiores e extensas do que a da amostra que foi testada.73 50 0.15 0. Utilizar sempre coeficientes de absorção sonora fornecidos pelo fabricante.60 0.96 0.99 1. são recomendados a não aplicá-las nos valores obtidos nos seus testes. e duplicando-o em 125 Hz.59 0.08 1. 4o ciclo de 2015.07 0.97 0.95 0.10 0. Coeficientes de absorção sonora de materiais fibrosos e porosos * Frequência Central da Banda de Oitava. mm 64 4k 25 0.03 0.27 0.7 m. diminuindo com o aumento da frequência.91 100 0. Em baixas frequências este efeito é mais pronunciado.Acústica São Luiz Espuma Flexível de Poliuretano Poliéster Incombustível.42 0.49 0. mm Densidade.01 0.68 0.73 0.91 1.85 0.82 0.65 0. kg/m³ THERMAX . pois de acordo com a definição deste coeficiente.00 0. Acústica de salas e ruído em recintos 146 Tabela 9.05 1.66 0.06 0.03 1.1.71 0. tipicamente utilizadas nos testes em câmara reverberante.62 0.27 0. de acordo com o tamanho da amostra.75 50 0. mm Poroso Fibroso 125 250 500 20 0.90 0.72 0.48 0.06 0.13 0.06 0.50 0.17 0.06 1. afim de corrigi-los nas aplicações.95 0.11 1. SONEX .52 0. coeficientes de absorção sonora maiores que a unidade. Espessura.91 0.1.28 0.36 60 0.92 25 0. A Tabela 9.18 1.64 75 0.98 1.32 0.58 50 0.. Ocorre também que a amostra do material sob teste se comporta como que se suas dimensões lineares fossem maiores em até meio comprimento de onda na frequência de interesse. 30 1k 40 0.4 X 2.89 * Valores indicativos.45 0. implica em energia absorvida maior que a incidente.90 100 0.88 0. Hz MATERIAL ESPUMEX .97 1.Illbruck Espuma Flexível de Poliuretano Poliéster (com retardadores de chama) Densidade: 32 kg / m3 .88 0.15 0. Densidade.20 0.07 0.53 0.74 0.07 1.44 70 0.66 Espessura.28 0.07 50 0.10 1.38 0.53 0. Em amostras com dimensões de 2.17 Espessura.09 1.75 0. fornece correções para dois tamanhos de amostra.Capítulo 9.94 1.19 1.

em 1 kHz. piso ou teto. 0.92 0. Nas últimas linhas da tabela. pois estes materiais não permitem que as partículas do ar interajam com a sua estrutura. ele fica livre para vibrar quando da incidência das ondas sonoras. 0.86 0.02. o concreto aparente de 0. 4o ciclo de 2015.04. Uma análise dos dados experimentais revela que o coeficiente de absorção sonora de materiais sólidos depende basicamente da frequência do som incidente e da rugosidade superficial.4 0.66 0.04.60 0. A tabela abaixo fornece coeficientes de absorção sonora de materiais e de revestimentos de superfícies normalmente empregados em construções. Quando um painel de revestimento é montado numa parede.75 0. divisórias. Hz 125 250 500 1k 2k 4k 2. com amostras de tamanho limitado. respectivamente. 0. lambris em paredes. os coeficientes de absorção sonora da alvenaria de tijolos aparentes não pintados são de 0. Observa-se também. Dependendo da frequência do som incidente. Por exemplo. etc.49 0. Poderá ocorrer então. que para uma dada rugosidade superficial.94 0.79 0.88 0. o mármore apresenta coeficiente de absorção sonora de apenas 0. 0. janelas. TAMANHO DA AMOSTRA. M Frequência Central da Banda de Oitava.05. e passa então a depender das características superficiais do material. assoalhos. Por exemplo. Observa-se que para uma dada frequência. o painel ressoa e passa a absorver som nesta frequência (maiores detalhes mais adiante no capítulo). indicam-se em negrito.7 0.01.8 X 2. provavelmente devido ao efeito “painel ressonante” das superfícies indicadas. A absorção sonora é drasticamente reduzida. o coeficiente de absorção sonora tende a aumentar com a frequência. Acústica de salas e ruído em recintos 147 Tabela 9.Capítulo 9. o coeficiente de absorção sonora diminui quanto menos rugosa for à superfície. em tábuas de madeira. dissipação de energia sonora devido à flexão do painel. Este é outro mecanismo de absorção sonora que normalmente se manifesta nas baixas frequências em painéis de forro.97 1.4 X 2.02.03. portas. nas bandas de oitava que vão de 125 Hz a 4 kHz.2. 0.01. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ou mesmo quando um painel divide dois recintos. coeficientes de absorção sonora aumentados nas baixas frequências. Correções a serem aplicadas nos coeficientes de absorção sonora obtidos em câmara reverberante. para aplicações em áreas muito maiores e extensas do que a da amostra.96 Os mecanismos de absorção sonora são eliminados nos materiais sólidos. e a alvenaria não pintada de 0. .43 0.07.

40 Tacos de madeira colados sobre contra-piso.03 Reboque liso sobre alvenaria de tijolos ou blocos.03 0.01 0. 0.03 0.05 0. Carpete tipo forração alto-tráfego.70 0.04 0.05 0.05 0.31 0.30 0.02 0.05 Mármore.24 0.05 0.) Vidro fixo.30 0.20 0. com grande superfície. 0.02 0.10 0.40 0.02 0. drapeada em 50 % da área.02 0.06 0.05 0.Capítulo 9.03 0.01 0.01 0.02 0.55 0. Acústica de salas e ruído em recintos 148 Tabela 9.04 0.40 0.50 0.06 0.04 0.30 0.03 0.02 alvenarias.75 0.01 0. Cortina de tecido leve.72 0.65 0. 0.05 0. temperado ou laminado.05 0. cerâmica ou granito polido.02 0.04 0. 0. Cortina de tecido pesado.02 0.05 0.30 0.02 0.04 0. 0.04 0.30 0.01 0.17 0.07 0.18 0.02 0. 0.03 0. 0.10 0.11 0.05 0. Reboque ou gesso desempenado sobre quaisquer 0.04 0.35 0.01 0.14 0.07 Carpete tipo forração simples colado sobre contra0.01 0.01 0.12 0.04 0. 0.10 0.02 0.02 Concreto aparente tratado e polido.03 0.02 Azulejos ou pastilhas.01 0.06 0.05 0.04 Carpete tipo forração simples colado sobre contrapiso. Vidro comum montado em caixilho.02 0.40 o contra-piso.10 0.01 0.40 0. 0. etc.01 0.70 0.04 0.02 0. 0.07 0.35 0.09 0.17 0.05 0.03 0.03 0. Cortina de tecido médio.10 0.15 0.13 Assoalho em tábuas corridas com espaço livre até 0.08 0. em contacto com a parede.10 0.06 0.04 0.60 0. 0.08 0.15 0.01 0.01 0. Hz MATERIAL 125 250 500 1k 2k 4k Alvenaria de tijolos aparentes não pintados.07 0.02 alvenarias.03 Reboque ou gesso rústico sobre quaisquer 0.07 0.02 0.50 0. 0.3.01 0.02 0.15 0. Superfície de água (piscinas.49 0.03 0.07 Alvenaria de tijolos aparentes pintados. 0.30 0.04 0.02 0.04 0.03 0.05 0.18ª 0.25 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.02 0.02 Painel de cortiça sobre quaisquer alvenarias. esticada.20 0.02 0. 0. espelhos d’água.01 0.03 0.05 piso.01 0. drapeada em 50 % da área.10 0.04 0. 4o ciclo de 2015.02 0. 0.35 0.50 Carpete de nylon de 10 mm sobre manta de feltro. Coeficientes de absorção sonora de materiais e de revestimentos de superfícies * Frequência Central da Banda de Oitava.05 0.55 Carpete de nylon de 6 mm sobre manta de feltro.04 Alvenaria de blocos aparentes pintados. . Paviflex ou plurigoma colado sobre contra-piso desempenado.01 0.02 0.20 0.60 0.03 0. Concreto ou cimentado liso desempenado.03 0.

0.58 0. como indicativo de que se trata de área de absorção.rec int o .07 Porta de madeira comum. 0.07 0.11 0.10 0. ponderada pelo coeficiente de absorção  .08 0.11 0. Utilizar sempre coeficientes de absorção sonora fornecidos pelo fabricante. Esta designação se deu em homenagem a Wallace Clement Sabine (1868–1919). 0.07 Lambris tipo macho-fêmea contra parede. Nesta fórmula.03 0. As superfícies que delimitam um recinto. cada um deles com diferentes coeficientes de absorção sonora.22 0. A sup .13 0.15 envernizadas.05 0. A sup .03 0. Define-se coeficiente de absorção sonora médio.    S .07 0. A sup . S é a área da superfície em m 2 . 0. m 2 . pintada ou envernizada.10 Forro de gesso acartonado com ou sem enchimento. . 4o ciclo de 2015. além do coeficiente de absorção sonora.24 0. Acústica de salas e ruído em recintos 149 Divisória de gesso tipo dry-wall com ou sem enchimento.08 0. m 2 (Sabine) Onde.10 Porta acústica.13 0. da seguinte forma N  A sup . A absorção sonora de uma superfície. poderão constituir-se de diferentes materiais. como  é adimensional. pintadas ou 0. da área da superfície.10 0.15 0. tem unidades de S. 0.10 0.rec int o    i  Si i 1 Onde.03 0. A absorção sonora das superfícies do recinto. inclui-se Sabine entre parêntesis após m 2 .24 0.05 0. .08 0.14 0. N = 6 para recintos em forma de paralelepípedo (4 paredes. considerado o Pai da Acústica Arquitetônica moderna. 0.19 0. é calculada da seguinte forma N A sup .Capítulo 9.04 0. teto e piso). com faces de madeira. é calculada por meio da seguinte fórmula: A sup .06 0. Nota: valores em negrito se devem provavelmente à absorção sonora de “painel ressonante”.03 0. A capacidade de absorção sonora de uma superfície depende.08 0. ou seja.06 0. é a área S.03 Assoalho em tábuas corridas sobre contra-piso.  .14 0. 0.03 0.  i é o coeficiente de absorção sonora da i-ésima superfície com área S i .07 0. A fim de diferenciar unidades de área de unidades de absorção.rec int o S total    i  Si i 1 N  Si i 1 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.07 * Valores indicativos.10 0.19 0. Vê-se então que A sup .03 Divisória de lambris de madeira compensada.

vazia.40 1. além daquela conferida pelas paredes.05 Cadeira de palhinha. em Hz 125 250 500 1k 2k 4k Pessoa de pé. A tabela abaixo fornece a absorção sonora em m2 (Sabine) de pessoas e de mobiliário usado em ambientes destinados à reunião de pessoas.03 0.15 1.02 0. . 4o ciclo de 2015.4.38 0.06 0.02 0.37 Músico de orquestra com instrumento. 0. 0.04 0.rec int o é a absorção sonora das superfícies do recinto (paredes.85 1. A sup .38 0.03 0.01 0.38 0.28 0.39 Poltrona de auditório.32 0.02 0.47 0. Absorção sonora de pessoas e de mobiliário.19 0.30 1.39 0.02 Carteira escolar.02 0.46 Adulto sentado.04 0. teto e piso.37 0.04 0.01 0. incluindo a cadeira. 0.02 0. Tabela 9.53 0. de madeira.3.08 0. com assento móvel levantado. ocupada. vazia ou pequena mesa.17 0. em m2 (Sabine) Pessoas e Mobiliário Absorção sonora.04 0. A absorção sonora de pessoas e do mobiliário é normalmente dada diretamente em termos de unidades de absorção.02 0.24 0.17 0.28 0.01 0.37 Pessoa sentada no chão (uma pessoa por metro quadrado). 0.02 0.06 0.24 0.16 0. ocupada. em m 2 (Sabine).22 0.rec int o  A div ersos  A ar Onde.05 0.03 0.24 0. 0. 0. A div ersos é a absorção sonora de pessoas e mobiliário presentes no recinto. A absorção sonora total de um recinto.Capítulo 9. Poltrona de auditório. simples.02 0. e A ar é a absorção sonora do ar ambiente. pois é difícil definir-se uma área equivalente nestes casos. 0.33 0.01 0.18 0. Poltrona de auditório.26 0.44 0.02 0.30 0.01 0. incluindo a cadeira.20 Cadeira de madeira. 0.36 0.02 0.42 0.42 Poltrona de auditório.08 Carteira escolar. 0. estofada.20 0. 0. ABSORÇÃO SONORA EM RECINTOS Existem outros tipos de absorção sonora em recintos. Arecinto é dada por: A rec int o  A sup. estofada.41 0.37 0.02 0.33 0.40 0.21 0.33 0.01 0.44 Criança sentada. Acústica de salas e ruído em recintos 150 9.23 0.42 0. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.46 0. com assento móvel levantado.52 0. para as bandas de oitava indicadas. teto e piso). de madeira.

Capítulo 9. galpões industriais e ginásio de esportes. Acústica de salas e ruído em recintos 151 Normalmente somente considera-se a absorção sonora de pessoas em recintos destinados a reunir uma grande assembleia. A tabela lista valores de m em bandas de oitava. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Despreza-se a absorção sonora do mobiliário em recintos com mobílias simples. salas de aula e de conferência. Tabela 9. que depende da temperatura e da umidade relativa. e em número relativamente pequeno quando comparado com o volume do recinto. bem como de máquinas. a absorção sonora de um recinto. Normalmente somente considera-se a absorção do ar em recintos com grandes volumes tais como igrejas. a não ser que o recinto tenha grande volume. e para diversas umidades relativas. A absorção sonora do ar ambiente á calculada através da seguinte fórmula A ar  4  V  m Onde: V é o volume do recinto em m 3. . é dada pela absorção sonora das superfícies que o delimitam. para o ar a 25ºC. Constante de absorção sonora do ar a 25ºC. e de estruturas metálicas presentes em galpões industriais e oficinas. Em resumo pode-se dizer que. tais como igrejas. deve-se acrescentar a absorção sonora do ar ambiente nas bandas de oitava de 1 kHz e acima. equipamentos. 4o ciclo de 2015. auditórios. Normalmente não se computa a absorção sonora de pessoas. auditórios. como primeira aproximação.5. pois frequentemente esta contribuição é de segunda ordem. Neste caso. e m é a constante de absorção sonora do ar em m 1 .

Dispositivos Especializados de Absorção Sonora. e visam dar uma ideia do comportamento destes dispositivos quanto às suas características de absorção sonora.6. Nestes casos. necessitamos aumentar a absorção em baixas frequências. juntamente com suas curvas de absorção sonora. . Figura 9.Capítulo 9. Observar que tais curvas são qualitativas. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 4o ciclo de 2015. pode-se recorrer a dispositivos especializados de absorção sonora. DISPOSITIVOS ESPECIALIZADOS DE ABSORÇÃO SONORA A característica comum dos materiais destinados a absorver som. A figura ilustra alguns destes dispositivos.4. Acústica de salas e ruído em recintos 152 9. é a baixa absorção nas baixas frequências. Ocorre que em certas situações. tais como os fibrosos e porosos. ou de mais absorção numa faixa específica de frequências.

4a (para boca não flangeada) Onde. Nas aplicações. Figura 9.Capítulo 9. L é o comprimento S a área da seção transversal do pescoço. RESSOADORES DE CAVIDADE OU DE HELMHOLTZ Conforme ilustra a figura. esta faixa é normalmente de baixas frequências. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Acústica de salas e ruído em recintos 153 9.5. maior será o fator de qualidade do ressoador. 4o ciclo de 2015. Quanto mais pontiaguda for a curva de ressonância. A forma da curva de ressonância do ressoador é caracterizada pelo fator de qualidade. O ar contido na garrafa se comporta como uma mola sendo pressionada pela pressão sonora. é possível sintonizar a absorção máxima numa faixa estreita de frequências conforme ilustra a figura. respectivamente.7. Ressoadores de Helmholtz são caracterizados por um alto fator de qualidade. a é o raio da seção transversal do pescoço. este tipo de absorvedor de som utiliza uma pequena cavidade conectada a uma maior. e L' é o comprimento efetivo do pescoço dado por L'  L  1. . A frequência de máxima absorção sonora coincide com a frequência de ressonância da garrafa e é dada por f0  c S 2 L' V Onde.7a (para boca flangeada) L'  L  1. O atrito junto às paredes internas é o mecanismo responsável pela absorção sonora. Ressoador de Cavidade ou de Helmholtz. formando uma geometria similar à de uma garrafa vazia. Com este tipo de ressoador. onde geralmente os materiais fibrosos e porosos não atuam. V é o volume.

Ressoadores de Helmholtz Apresentam um Alto Fator de Qualidade. comercialmente disponível nos EUA. Conforme indica a figura abaixo. Assim. a presença de material absorvente dentro do SoundBlox® Tipo RSC. Existe um tipo de ressoador de cavidade. Este ressoador é comercializado com a cavidade vazia. e com a cavidade preenchida com material absorvente fibroso.9.8. construído a partir de blocos de concreto. consegue-se valores mais expressivos do coeficiente de absorção numa faixa de frequências mais ampla na presença do material absorvente na cavidade. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. conferindo ao ressoador um alto fator de qualidade. Figura 9. Acústica de salas e ruído em recintos 154 Figura 9. 4o ciclo de 2015. torna a curva de absorção versus frequência menos pontiaguda quando comparada com a curva do SoundBlox® Tipo A-1. .Capítulo 9. e conhecido como SoundBlox®. conferindo ao ressoador um baixo fator de qualidade. Ressoadores de Helmholtz em Bloco de Concreto SoundBlox®.

4 0. Uma analogia do crescimento sonoro em um recinto é aquela de um tanque sendo preenchido com água. representa a energia sonora absorvida pelas superfícies do recinto — uma maior vazão de escape. corresponde a uma maior absorção sonora. situação esta representada por um nível sonoro estacionário.2 0 125 250 500 1k 2k 4k Frequência Central da Banda de Oitava. Eventualmente. o nível d’água no tanque ficará estável.Capítulo 9. o nível d’água no tanque representa o nível sonoro do recinto. CRESCIMENTO E DECAIMENTO SONORO EM RECINTOS. . Ao ligar-se uma fonte sonora em um recinto. Coeficientes de Absorção Sonora do SoundBlox® Tipo A-1 e Tipo RSC. enquanto que o escape d’água através da torneira.2 Tipo A-1 1 Tipo RSC 0. O nível d’água crescente no tanque representa o crescimento sonoro no recinto. quando a vazão de alimentação é igual à de escape. 4o ciclo de 2015. O nível de água crescente no tanque aumenta a pressão na torneira aumentando a vazão de escape.6 0. 9. Nestas condições.10. Hz Figura 9. a energia sonora do recinto se eleva até atingir uma condição de equilíbrio. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. a energia sonora injetada pela fonte no recinto é exatamente equilibrada pela energia sonora absorvida no recinto. com escape simultâneo através de uma torneira conectada no fundo do tanque. Esta situação corresponderia ao nível sonoro estacionário que seria atingido no recinto.6.8 0. Acústica de salas e ruído em recintos 155 Coeficiente de Absorção Sonora 1. A alimentação d’água representa a energia sonora injetada pela fonte no recinto.

o nível d’água no tanque cai com o tempo.12. . Crescimento e Decaimento Sonoro em Recintos. O tempo de reverberação será longo em recintos com pouca absorção sonora. T60 . Ao desligar-se a fonte sonora. como o tempo necessário para que o nível sonoro do recinto decaia de 60 dB após a fonte sonora ter sido desligada. o nível sonoro do recinto decai com o tempo. Analogia do Nível d’Água no Tanque com o Nível Sonoro em Recinto. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Figura 9. define-se tempo de reverberação. com Indicação do Tempo de Reverberação.Capítulo 9. Da mesma forma. a queda do nível sonoro no recinto é tanto mais rápida quanto maior for a absorção sonora das superfícies do recinto. da mesma forma que ao interromper-se a vazão de alimentação. e curto em recintos com muita absorção sonora.11. T60 . Acústica de salas e ruído em recintos 156 Figura 9. 4o ciclo de 2015. Associado ao decaimento sonoro no recinto. A queda do nível d’água no tanque é tanto mais rápida quanto mais aberta estiver a torneira do fundo.

tais como salas de concerto. o tempo de reverberação tende a ser curto. Um tempo de reverberação longo é inadequado para recintos destinados à palavra falada.161 V   S total Onde. Geralmente o tempo de reverberação é mais longo em baixas frequências. o tempo de reverberação tende a também variar com a frequência. É importante que o tempo de reverberação seja compatível com o tipo de uso de determinado recinto. uma relação entre tempo de reverberação e absorção sonora. Por outro lado. Nestes recintos. Estes tempos de reverberação são dados em função do volume do recinto para a frequência de 500 Hz. o coeficiente de absorção sonora varia com a frequência. Como vimos. poderão ser obtidos do gráfico associado. Acústica de salas e ruído em recintos 157 Uma das grandes contribuições de W. Num recinto com superfícies pouco absorventes. pois sons de baixas frequências são menos absorvidos do que os sons de altas frequências. 4o ciclo de 2015. A figura fornece tempos reverberação recomendados para recintos destinados a vários usos.   S total em m 2 (Sabine) . e consequentemente. em salas destinadas à música. salas de conferência e teatros para drama. que interfere na informação emitida mais recentemente contida no som direto. Assim deve-se projetar salas destinadas à comunicação através da fala com tempos de reverberação relativamente curtos. Os tempos de reverberação recomendados nas outras frequências. Nesta fórmula. tais como salas de aula. dada por: T60  0. em 1896. como porcentagem daquele em 500 Hz. a inteligibilidade da fala é reduzida quando o tempo de reverberação é longo. o tempo de reverberação é relativamente longo. . enquanto que num recinto com as superfícies das paredes e do teto revestidas com material absorvente. A fórmula de Sabine não é dimensionalmente homogênea. V é o volume do recinto. Nestas salas recomenda-se então tempos de reverberação mais longos. O som refletido contém uma informação atrasada da fala. a superposição do som direto com o som refletido é avaliada favoravelmente pelos ouvintes. reduzindo a inteligibilidade. V é dado em m 3 . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.Capítulo 9. e T60 em segundos. pois o som refletido permanece por longo período no recinto se sobrepondo ao som direto. Esta fórmula é conhecida como fórmula de Sabine. C. Sabine foi a de estabelecer.

.14. Tempos de Reverberação Recomendados em 500 Hz. para Recintos Destinados a Vários Usos. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.Capítulo 9. 4o ciclo de 2015.13. Acústica de salas e ruído em recintos 158 Figura 9. como Porcentagem do Tempo de Reverberação em 500 Hz Obtido da Figura Acima. Tempos de Reverberação Recomendados em Função da Frequência. Figura 9.

Verifica-se portanto que o tempo de reverberação em 2 kHz está adequado ao uso da sala. Existe uma porta de acesso de madeira de 2.5 m2 Área da porta : 2. o que dá 0. o tempo de reverberação recomendado é aproximadamente 150 % daquele em 500 Hz. 95 % daquele em 500 Hz.9 m2 Volume da sala: 7 x 7 x 2.5 s.Capítulo 9. quais as recomendações que você faria para colocar o tempo de reverberação dentro do recomendado para o uso destinado a esta sala? Resolução:      Área do piso: 7 X 7 = 49 m2 Área do teto: 7 X 7 = 49 m2 Área das paredes: 4x (7 X 2. Se for o caso. o que dá 0. sintonizados para aumentar a absorção sonora nas bandas de 125 Hz e de 500 Hz. O teto será revestido com SONEX – Illbruck de 25 mm de espessura e densidade de 32 kg/m 3. painéis ressonantes ou painéis perfurados sobre material absorvente poroso/fibroso.4 x 2. o que é inconveniente pois este tempo de reverberação está adequado. Porém há necessidade de introduzir mais absorção na sala para reduzir o tempo de reverberação de 3. e de 1.8) – (2. e serão revestidas com gesso desempenado e pintadas.0 x 7.9 m em uma das paredes. cujos coeficientes de absorção sonora foram obtidos com amostras de 2. 4o ciclo de 2015. 500 e 2.48 s.75 s em 125 Hz.0 m. Determinar os tempos de reverberação nas bandas de oitava de 125. o tempo de reverberação recomendado em 500 Hz está em torno de 0. As paredes são de alvenaria.8 = 137 m3  Para uma sala de conferências. Provavelmente haverá pouco impacto na redução dos tempos de reverberação nas frequências mais baixas.8 m.5 s em 500 Hz.1 x 0.   A recomendação é que se introduzam dispositivos especializados de absorção sonora.000 Hz. A opção de aumentar a quantidade do material absorvente que foi colocado no forro.9 = = 1. irá reduzir o tempo de reverberação em 2 kHz. pois o material é pouco absorvente nas baixas frequências. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. por exemplo.1. Acústica de salas e ruído em recintos 159 Quadro 9. e em 2 kHz.7 m. . Por exemplo.1 x 0.9)= 76.75 s.15 s para 0. de uma sala retangular destinada a seminários. Em 125 Hz.06 para 0. e pé direito de 2. com piso e teto de 7. instalando nas paredes da sala. O piso será revestido com carpete tipo forração alto-tráfego. adicionando-o às paredes.1 x 0. ocupada com 8 pessoas sentadas em cadeira de madeira.

0. Hz 125 500 2. m 2 (Sabine) .45 4. Coeficiente de absorção sonora das paredes revestidas em gesso. De fato. . 0.80 27. 0.40 0.79 0.Capítulo 9.04 0. m 2 (Sabine) .04 Absorção sonora das paredes.53 2. Frequência Central da Grandeza Banda de Oitava.56 3.69 Tempo de Reverberação.14 0.45 0. Absorção sonora de 8 pessoas sentadas em cadeiras simples.000 Coeficiente de absorção sonora da forração do piso.70 0. 1.10 0.60 0.15 1.6.06 Coeficiente de absorção sonora da porta em madeira.06 0. 2.28 Absorção sonora total da sala. há a contribuição adicional do som refletido. 4o ciclo de 2015.29 3.94 Coeficiente de absorção sonora corrigido do teto. NÍVEIS SONOROS EM RECINTOS O campo acústico no interior de recintos é uma combinação do som que provem diretamente da fonte com o som que é refletido pelas superfícies que delimitam o recinto. m 2 (Sabine) . m 2 (Sabine) .49 0. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Absorção sonora de pessoa sentada em cadeira simples. em campo livre.41 1.4 x 2.56 Absorção sonora do teto.98 10.20 0. 0. m 2 (Sabine) . 7 m.30 Absorção sonora do piso.28 0.26 0. Já no interior de recintos. o observador está sujeito somente ao som direto. m 2 (Sabine) . Correção do coeficiente de absorção para amostra de 2. 9. s.90 14. Acústica de salas e ruído em recintos 160 Tabela 9. 0.05 0.22 0.45 Coeficiente de absorção sonora do material absorvente do teto.02 0.03 0.81 48.02 0. Tempo de Reverberação.25 0.24 0.13 Absorção sonora da porta. 7.01 20. m 2 (Sabine) . 3.60 2.7.32 0.

Para fontes sonoras direcionais. Similarmente ao som direto. a relação entre a potência sonora de fontes esféricas omnidirecionais e a pressão sonora à distância r da fonte é dada por: p 2d  c W 4r 2 Onde. tendo sido as demais grandezas já definidas anteriormente. L p  20 log(p  / p 0 ) L pEsf  20 log(pEsf / p0 ) . Acústica de salas e ruído em recintos 161 Já vimos no Capítulo 2. pEsf é a pressão sonora média espacial. esta expressão é modificada por um fator que leva em conta a direcionalidade da fonte. sendo re-escrita da seguinte forma: p 2d  c W 4r 2 Q Onde. O fator de direcionalidade se relaciona com o índice de direcionalidade definido anteriormente através de: (Lp  LpEsf ) / 10 Q   10DI / 10  10 Onde. p d é a pressão sonora do som direto. 4o ciclo de 2015. que em campo livre. p  é a pressão sonora gerada á distância r na direção angular  . . existe uma relação entre pressão e potência sonora para o som refletido que é dada por: pr2  4c W A rec int o Onde. Q  é o fator de direcionalidade da fonte dado por: Q  p 2 2 pEsf Onde. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. grandezas estas já apresentadas quando da definição do índice de direcionalidade no Capítulo 7.Capítulo 9. os quais são medidos numa superfície esférica hipotética de mesmo raio r envolvendo a fonte sonora. p r é a pressão sonora do som refletido pelas superfícies do recinto. calculado através da média dos valores eficazes de pressão sonora elevados ao quadrado.

Por outro lado. pois r é pequeno. Acústica de salas e ruído em recintos 162 Observa-se nesta expressão que a pressão do som refletido é inversamente proporcional à absorção sonora do recinto. Finalmente. . pois 4 / Arecinto tende a predominar sobre Q  / 4r 2 . uma vez conhecidos os parâmetros que caracterizam a fonte sonora ( L W e Q  ). e independente da distância entre a fontereceptor. com fator de direcionalidade Q  . assim materiais absorventes nas superfícies reduzirão o som refletido. Neste caso a absorção do recinto não irá influenciar no nível sonoro na posição do trabalhador. a absorção sonora do recinto. Caso esteja próximo a uma máquina ruidosa. ou seja. e o parâmetro que caracteriza acusticamente o recinto. O gráfico apresenta curvas que foram geradas com a fórmula de estimativa de níveis sonoros em recintos acima apresentada. então a absorção sonora do recinto torna-se determinante no valor de L p no ponto de interesse. num recinto com absorção sonora A rec int o . beneficiando estes trabalhadores. o quadrado da pressão sonora total a que está sujeito um receptor à distância r de uma fonte sonora de potência W. tendo Arecinto como parâmetro. será dado por:  Q  4  p 2  p 2d  pr2  cW  2  A 4  r rec int o   Em termos de nível de pressão sonora está expressão escreve-se  Q  4  L p  L W  10 log 2  A rec int o   4r Esta equação permite obter a pressão sonora em qualquer ponto do recinto. Um exemplo prático é a situação de um trabalhador num recinto industrial. em muitas situações grosseira. a pressão sonora do som refletido é uniforme em todo o volume do recinto.Capítulo 9. então o nível de pressão sonora é em grande parte devido à radiação direta da fonte. 4o ciclo de 2015. Quando 4 / Arecinto for grande quando comparado com Q  / 4r 2 . pois r é grande neste caso. Esta condição do campo sonoro refletido é característica do chamado campo difuso. Quando a primeira predomina. Campo difuso é uma aproximação. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Arecinto. ele será mais afetado pelo som direto. e a quantidade Q  / 4r 2 tende a predominar com relação a 4 / A recinto. do campo sonoro gerado pelo som refletido. A importância relativa do som direto e do som refletido poderá ser avaliada comparando as magnitudes das quantidades Q  / 4r 2 e 4 / Arecinto. em termos de L p  L W versus r / Q  . para uma dada distância fonte-receptor r. estarão mais sujeitos ao som refletido. ou seja. trabalhadores afastados desta máquina.

Curvas de níveis sonoros L p  L W versus r / Q  . Quando a fonte sonora está afastada das superfícies do recinto. 4o ciclo de 2015. e quando a fonte está sobre o piso e num dos cantos da sala.15. Assim.   2 . o ângulo sólido para livre propagação é   4 . A equação para estimativa do nível sonoro em recintos que leva em consideração o ângulo sólido para livre propagação escreve-se: Q  4  L p  L W  10 log 2  A rec int o   r eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. porém. A situação mais comum. o ângulo sólido reduz-se pela metade. é a fonte estar sobre o piso da sala.    . Acústica de salas e ruído em recintos 163 Figura 9. quando a fonte está instalada sobre o piso e próxima a uma das paredes da sala. Neste caso.    / 2 . .Capítulo 9. Observa-se então que quando um plano restringe a livre propagação sonora.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.16. Câmaras anecóicas simulam portanto. onde as superfícies são construídas de tal forma a maximizar o som refletido. Estes recintos são utilizados para ensaios em laboratórios que desenvolvem trabalhos especializados em acústica. temos as câmaras reverberantes. Ângulos Sólidos Disponibilizados Pelas Superfícies de Recintos Para Livre Irradiação da Fonte Sonora. 4o ciclo de 2015. conhecidos como câmara anecóica e câmara reverberante. muito particulares do ponto de vista acústico. Acústica de salas e ruído em recintos 164 Figura 9. No extremo oposto. . gerando condições de campo difuso.Capítulo 9. As superfícies de uma câmara anecóica são construídas de tal forma a absorver toda a energia sonora incidente — não há som refletido. RECINTOS ESPECIAIS .8. condições de campo livre.CÂMARA ANECÓICA E CÂMARA REVERBERANTE Existem recintos. 9.

medindo-se o tempo de reverberação ' da câmara sem a amostra. 4o ciclo de 2015. Recintos Especiais . Consiste em colocar uma amostra do material no piso da câmara reverberante. Em seguida. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Acústica de salas e ruído em recintos 165 Figura 9.8. Através de ensaio normalizado pela norma ISO/R 354: 2003 “Measurement of sound absorption in a reverberation room”. e S’ é a área da amostra em m 2 . . T60 . medindo-se o tempo de reverberação da câmara com a amostra. V é o volume da câmara em m 3 .17. 9. Ensaios para determinação de índices de direcionalidade são realizados em câmaras anecóicas.1. são realizados em câmaras reverberantes.161   '  S  T60 T60  Onde. divisória.Câmara Anecóica e Câmara Reverberante. Existem métodos normalizados para determinação da potência sonora em câmaras anecóicas e reverberantes. A origem desta fórmula é a aplicação da fórmula de Sabine duas vezes — com e sem a amostra no interior da câmara. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE ABSORÇÃO SONORA DE SABINE EM CÂMARA REVERBERANTE.Capítulo 9. Ensaios para determinação de coeficientes de absorção sonora de Sabine e de isolação sonora de paredes. a amostra é removida. T60 . portas e janelas. O coeficiente de absorção sonora de Sabine da amostra é então calculado através de V 1 1   Sab  0.

acionado por motor elétrico. O procedimento para determinação da potência sonora em câmara reverberante ' consiste em medir a média espacial da pressão sonora da fonte de referência. Fonte Sonora de Referência Tipo 4204 da B&K. L p . A figura apresenta a fonte sonora de referência B&K 4204. Uma fonte sonora de referência é utilizada para comparação com a fonte sob teste.8. Acústica de salas e ruído em recintos 166 9.18. L'W é o nível de potência sonora da fonte de referência na respectiva banda. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.Capítulo 9. 4o ciclo de 2015. DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA SONORA EM CÂMARA REVERBERANTE — MÉTODO COMPARATIVO. Existem diversos fabricantes de fontes sonoras de referência. O espectro de potência sonora em bandas de 1/3-oitava é apresentado na figura abaixo para duas tensões e frequências de alimentação elétrica. Normalmente estas fontes consistem basicamente de um ventilador centrífugo especialmente projetado. Figura 9. L p . L W . ' L W  L'W  (L p  L p ) Onde.2. numa dada banda de frequência é então obtido através de. O nível de potência sonora da fonte sob teste. e a média espacial do nível de pressão sonora da fonte sob teste. .

. 4o ciclo de 2015. Quadro 9. Num ensaio para determinação da potência sonora de um motor elétrico utilizando o método comparativo em câmara reverberante.2. e o nível de pressão sonora médio espacial de 100 dB para o motor elétrico. operando com 115 V e 60 Hz. obteve-se na banda de 1/3-oitava de 1 kHz o nível de pressão sonora médio espacial de 70 dB para a fonte de referência B&K Tipo 4204 operando com 110 V e 60 Hz. obtém-se L’w = 85 dB em 1 kHz. Espectro de Potência Sonora em Bandas de 1/3Oitava da Fonte de Referência Tipo 4204 da B&K. Logo o nível de potência sonora do motor elétrico será de: eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.19. Acústica de salas e ruído em recintos 167 Figura 9. Qual é o nível de potência sonora do motor elétrico? Resolução: Do espectro de potência sonora da fonte de referência B&K 4204.Capítulo 9.

D: Campo Reverberante. Como indica o próprio nome. A SALA PRÁTICA Recintos ocupados pelo homem para as mais diversas finalidades não são anecóicos nem reverberantes.20. Deve-se evitar medições de níveis sonoros nesta região.9. as múltiplas reflexões das paredes e objetos poderão ser da mesma ordem de grandeza do som direto. 4o ciclo de 2015. Estes recintos são denominados na área de acústica de sala prática. O campo próximo é caracterizado por uma região próxima à fonte sonora onde o nível sonoro poderá variar significativamente com uma pequena mudança na posição do microfone. Este efeito á maior para tons puros do que para bandas de ruído. prevalecendo à distância que for maior. Acústica de salas e ruído em recintos 168 9. Figura 9. ou do dobro da dimensão característica da máquina. O campo afastado subdivide-se no campo livre e no campo reverberante. B: Campo Afastado. Já no campo reverberante. ocorrendo uma queda de 6 dB para cada duplicação da distância fonte-receptor. embora salas vazias com superfícies duras e reflexivas. apresentem condições próximas daquelas que se verificam nas câmaras reverberantes. A figura ilustra o comportamento do nível sonoro em função da distância na sala prática. no campo livre não há contribuição do som refletido pelas superfícies do recinto. Nível Sonoro em Função da Distância na Sala Prática É comum subdividir-se o campo sonoro no entorno da fonte sonora na sala prática em quatro campos: A: Campo Próximo. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. . C: Campo Livre.Capítulo 9. Esta região estende-se a uma distância da ordem da metade do comprimento de onda da menor frequência emitida pela máquina.

Conforme já visto anteriormente. que quanto menor for  . PT. mais isolante será a parede. menor será a intensidade sonora transmitida.  . encontra um meio material com propriedades bastante distintas do ar no recinto.  . mais isolante será a parede. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. o parâmetro que é normalmente utilizado para caracterizar a isolação sonora de uma parede.10. portanto. não é o coeficiente de transmissão sonora. ou seja. há uma redução na intensidade sonora transmitida para o meio seguinte. maior será a sua Perda por Transmissão. Diferentemente da absorção sonora da parede. chamada de Perda por Transmissão Sonora. encontrando do outro lado da parede o ar do recinto contíguo. PT é inversamente proporcional a  . . cujo parâmetro característico é o coeficiente de absorção sonora. e que é dada por: PT  10 log 1  Observa-se nesta expressão.Capítulo 9. Assim. Portanto uma parede reduz a intensidade sonora transmitida entre recintos. percorrendo a espessura da parede. A perda por transmissão de paredes é fortemente dependente da frequência do som incidente. reduz a transmissão sonora entre eles. PT. uma frente de onda em um dos recintos. e. ISOLAÇÃO DE PAREDES PARA SONS AÉREOS Uma parede entre dois recintos. Esta curva pode ser subdividida em diversas regiões que revelam a propriedade da parede que mais influencia no seu comportamento quanto à isolação sonora. de paredes sólidas e homogêneas. A figura abaixo ilustra a curva do comportamento da Perda por Transmissão em função da frequência. pois ocorrem duas mudanças do meio material de propagação sonora de um recinto para o outro: ar-parede e parede-ar.  . Toda vez que ocorre uma mudança das características do meio de propagação. mas sim uma grandeza dele derivada. Quanto menor for o valor de  . Acústica de salas e ruído em recintos 169 9. o parâmetro que caracteriza a capacidade de uma parede transmitir (ou isolar) som é o coeficiente de transmissão sonora. A frente de onda deve então propagar-se através do material sólido. ao incidir sobre uma parede sólida que os divide. De fato. 4o ciclo de 2015.

e nas altas frequências. Esta fórmula é conhecida como “lei da massa”. a região controlada pela rigidez e pela ressonância da parede. Esta curva mostra que quanto menor a frequência. Acústica de salas e ruído em recintos 170 Figura 9. devido a maior perda dos sons de alta frequência na transmissão sonora através da parede. nas baixas frequências.Capítulo 9. Por isso é que quando ouvimos conversação em um recinto vizinho. já definida anteriormente como o produto da espessura da parede. . nas médias frequências. Nesta curva observa-se.10. em Hz. notamos um som “abafado”. 4o ciclo de 2015. f é a frequência do som incidente.1. REGIÃO CONTROLADA PELA MASSA Nesta região a perda por transmissão é dada por PT  20 log(f  M)  47 dB Onde. em kg / m3 . menor também será a isolação sonora da parede. O som que é transmitido para o recinto receptor apresentará um espectro diferente do som original. 9. pela densidade do material da parede. M é a densidade superficial da parede. em m. pois as altas frequências serão mais atenuadas que as baixas. a região controlada pela massa da parede. Curva Teórica de Perda por Transmissão em Função da Frequência do Som Incidente.21. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. a região controlada pelo fenômeno de coincidência. em kg / m 2 .

4o ciclo de 2015. . De fato. na frequência correspondente. uma espécie de “inverso da lei da massa”. para uma dada densidade superficial.5 m. de aproximadamente 6 dB por oitava (para cada redução da frequência pela metade).10. é igual ao comprimento da onda de flexão que viaja pela parede. a Perda por Transmissão aumenta com a redução da frequência. daí o nome de “coincidência”.2.5 cm. Em frequências acima da menor frequência de ressonância. 9. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. pela região controlada pela ressonância. a amplificação do movimento de flexão da parede.10. REGIÃO CONTROLADA PELA COINCIDÊNCIA O fenômeno de coincidência ocorre quando a projeção do comprimento de onda do som proveniente de uma dada direção. Estas frequências se devem à combinação construtiva de ondas de flexão que viajam pela parede e que são refletidas nas suas bordas. ou para cada duplicação da densidade superficial numa dada frequência. nas baixas frequências. sendo o som incidente eficazmente transmitido pela parede. e nas altas frequências. pela região controlada pela coincidência. conforme visto anteriormente quando do estudo de painéis ressonantes. Na maioria das situações práticas de controle de ruído.10. esta frequência é da ordem de 5 Hz. 9. a menor frequência de ressonância está bem abaixo da menor frequência de interesse. com espessura de 1 cm.Capítulo 9. O resultado é. A figura indica que esta região é delimitada.4. a menor frequência de ressonância é da ordem de 10 Hz.3. Observar que o efeito da ressonância é a absorção da energia sonora pela parede. REGIÃO CONTROLADA PELA RIGIDEZ Nesta região. 9. PT aumenta de 6 dB por oitava (para cada duplicação da frequência). e para uma divisória de chapa de aço de mesmas dimensões e com espessura de 0. REGIÃO CONTROLADA PELA RESSONÂNCIA Deve-se à ressonância mecânica da parede. Acústica de salas e ruído em recintos 171 Nesta região. ocorrem ressonâncias adicionais devido à flexão da parede. para uma divisória de vidro de 4 x 2.

a qual. A menor frequência do som incidente para a qual o fenômeno de coincidência ocorre.. Acústica de salas e ruído em recintos 172 Figura 9. prejudicando a privacidade. Por exemplo. a coincidência ocorrerá numa faixa de frequências conhecida como “vale de coincidência”. O fenômeno de coincidência se dá na frequência crítica e acima dela. toda vez que a projeção do comprimento de onda do som proveniente de uma dada direção. é igual ao comprimento da onda de flexão. infelizmente. Assim sempre haverá um ângulo para as ondas incidentes no qual há coincidência para frequências maiores que a frequência crítica. 4o ciclo de 2015. Na prática. . encontra-se no centro da faixa de frequências da fala. O gráfico abaixo poderá ser utilizado para determinação da frequência crítica em função do material e da espessura da parede. uma divisória de compensado com 3 cm de espessura tem uma frequência crítica em torno de 700 Hz. Esta frequência é chamada de frequência crítica.22. O Fenômeno de Coincidência. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. é para a onda sonora que viaja paralelamente à parede.Capítulo 9.

9. A diferença entre os níveis sonoros na sala da fonte e na sala de recepção é chamada de Redução de Ruído. sendo então dada por: NR  L p1  L p2 .23.5.recepção é a absorção sonora na sala de recepção em m 2 (Sabine). L p1 . A Perda por Transmissão da parede será dada por:   S  dB PT  L p1  L p2  10 log  A s. Acústica de salas e ruído em recintos 173 Figura 9.recepção    Onde. Gráfico Para Determinação da Frequência Crítica de Paredes. S é a área da parede em m 2 . . 4o ciclo de 2015. (“Noise Reduction” NR).Capítulo 9. DETERMINAÇÃO DA PERDA POR TRANSMISSÃO PARA SONS AÉREOS EM CÂMARA REVERBERANTE Através de ensaio normalizado pela norma ISO 140-3: 1995 “Measurement of sound insulation in buildings and of buildings elements – Part 3: Laboratory measurements of airborne sound insulation of building elements” Consiste em instalar a parede sob teste como parede divisória entre duas câmaras reverberantes — a sala da fonte e a sala de recepção. e A s. A Perda por Transmissão da parede é obtida medindo-se o nível de pressão sonora na sala da fonte. dB eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.10. e na sala de recepção. L p2 .

4 0. Ensaio de laboratório (chumbo). fc .8 62. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Hz 125 250 500 1k 2k 4k 22 24 29 33 40 43 15 21 27 33 39 45 19 20 24 27 33 39 9 15 21 27 33 39 Comentários: as células sombreadas indicam a boa concordância (~3 dB) da estimativa de PT por meio da lei da massa. . bem como a frequência crítica de cada estrutura.7. o coeficiente de transmissão sonora. Acústica de salas e ruído em recintos 174 Figura 9. não comprometendo a isolação. Hz Chumbo Espessura mm Estrutura M. poderá ser então obtido através de:   10  PT 10  ou 1 10 PT 10 Apresentam-se a seguir valores de Perda por Transmissão obtidos em ensaios de laboratório.5 k 10. para estruturas utilizadas como elementos de isolação sonora de sons aéreos entre dois recintos. dB Laboratório Lei da Massa Laboratório Lei da Massa Frequência.2 PT. Arranjo em Câmara Reverberante para Ensaio de Isolação Sonora. Uma vez determinada a Perda por Transmissão da parede no ensaio em laboratório. A frequência crítica está bem acima da faixa de frequências de interesse. Tabela 9.Capítulo 9. kg / m 2 0.4 125 k 5.  .24. São também apresentados os valores de Perda por Transmissão estimados por meio da “lei da massa”. 4o ciclo de 2015.

Capítulo 9. Acústica de salas e ruído em recintos

175

Tabela 9.8. Ensaio de laboratório (compensado)

fc , Hz

Compensado

Espessura
mm

Estrutura
19

6

1.100

3.500

M,
kg / m 2

10,4

3,7

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k
24 22 27 28 25

4k
27

15

21

27

33

39

45

17

15

20

24

28

27

6

12

18

24

30

36

Comentários: as células sombreadas indicam a boa concordância (~3 dB) da
estimativa de PT por meio da lei da massa. Para o compensado de 19 mm, o vale de
coincidência deteriora a isolação nas bandas de 1, 2 e 4 kHz. Para o compensado de 6
mm, isto ocorre na banda de 4 kHz.

Tabela 9.9. Ensaio de laboratório (Aço).

Espessura
mm

Aço

M,

fc , Hz

kg / m

1,3

9.800

10,4

1,6

8.000

13,1

Estrutura

2

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k

4k

15

19

31

32

35

48

15

21

27

33

39

45

21

30

34

37

40

47

17

23

29

35

41

47

Comentários: as células sombreadas indicam a boa concordância (~3 dB) da
estimativa de PT por meio da lei da massa. A frequência crítica está bem acima da faixa
de frequências de interesse, não comprometendo a isolação da estrutura.

Tabela 9.10. Ensaio de laboratório (Acrílico)

Espessura
mm

Acrílico

M,

fc , Hz

kg / m

6

5.100

7,6

12

2.600

15,2

Estrutura

24

1.300

2

30,4

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa
Laboratório
Lei da
Massa
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k
16 17 22 28 33

4k
35

13

19

25

31

37

43

21

23

26

32

32

37

19

25

31

37

43

49

25

28

32

32

34

46

25

31

37

43

49

55

Comentários: as células sombreadas indicam a boa concordância (~3 dB) da
estimativa de PT por meio da lei da massa. Para o acrílico de 6 mm, o vale de

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 9. Acústica de salas e ruído em recintos

176

coincidência deteriora a isolação na banda de 4 kHz. Para o acrílico de 12 mm, isto
ocorre nas bandas de 2 e 4 kHz. Para o acrílico de 24 mm nas bandas de 1, 2 e 4 kHz.

Tabela 9.11. Ensaio de laboratório (Vidro).

fc , Hz

Vidro

Espessura
mm

Estrutura

M,
kg / m

3

5.000

8

6

2.500

16

2

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k
11 17 23 25 26

4k
27

13

19

25

31

37

43

17

23

25

27

28

29

19

25

31

37

43

49

Comentários: as células sombreadas indicam a boa concordância (~3 dB) da
estimativa de PT por meio da lei da massa. Para o vidro de 3 mm, o vale de coincidência
deteriora a isolação nas bandas de 2 e 4 kHz. Para o vidro de 6 mm, isto ocorre nas
bandas de 1, 2 e 4 kHz.

Tabela 9.12. Ensaio de laboratório (Concreto)
M,

Estrutura

fc , Hz

kg / m 2

Concreto com 10 cm de
espessura.

200

250

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k

4k

29

35

37

43

44

50

43

49

55

61

67

73

Comentários: apesar do concreto apresentar valores de Perda por Transmissão
bem acima do que aqueles obtidos com as outras estruturas, a frequência crítica de 200
Hz gera um vale de coincidência que cobre uma importante faixa de frequências, o que
torna imprecisa a estimativa da Perda por Transmissão por meio da lei da massa.

Tabela 9.13. Ensaio de laboratório (Bloco de cimento)
M,

Estrutura

fc , Hz

kg / m 2

Bloco de cimento com
15 cm de espessura.

180

190

PT, dB
Laboratório
Lei da
Massa

Frequência, Hz
125 250 500 1k 2k

4k

33

34

35

38

46

52

40

46

52

58

64

70

Comentários: assim como o concreto, o bloco de cimento, apesar de apresentar
valores de Perda por Transmissão bem acima do que aqueles obtidos com as outras
estruturas, a frequência crítica de 180 Hz gera um vale de coincidência que cobre uma
importante faixa de frequências, o que torna imprecisa a estimativa da Perda por
Transmissão por meio da lei da massa.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 9. Acústica de salas e ruído em recintos

177

9.13.6. ISOLAÇÃO SONORA PARA PRIVACIDADE.
Apresentam-se a seguir, as condições de privacidade em função de PT Médio,
calculado através da média aritmética das Perdas por Transmissão das bandas de oitava
entre 125 Hz e 4 kHz.
Tabela 9.14. Condições de Privacidade em Função de PT Médio.
PT Médio, dB

Condições de Privacidade

Classificação

< 30

voz normal facilmente
inteligível

fraca

30 -35

voz elevada razoavelmente
inteligível;
voz normal pouco inteligível

razoável

35 - 40

voz elevada pouco
inteligível; voz normal não
inteligível

boa

40 - 45

voz elevada não inteligível;
não se escuta voz normal

muito boa

> 45

não se escuta voz elevada

excelente

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 9. Acústica de salas e ruído em recintos

178

Quadro 9.3. Deseja-se criar uma sala de descanso adjacente a uma oficina. Os
níveis de ruído em bandas de oitava na oficina encontram-se tabelados abaixo. A
parede divisória entre a sala de descanso e a oficina tem comprimento de 20 m e altura
de 4 m. As absorções totais em bandas de oitava da sala de descanso também se
encontram tabeladas abaixo. Determinar a Perda por Transmissão em bandas de oitava
da parede divisória a fim de atender a curva de avaliação de ruído NC-45 na sala de
descanso.

Dados

Frequência, Hz
125

250

500

1k

2k

4k

Nível de Ruído na Oficina, dB

92

85

85

80

78

75

Absorção Sonora Total na Sala de Descanso,
m2 (Sabine)

250

350

430

570

600

510

Resolução:

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

o que fornece PT = 10 log ( 1/  ) = 10 log (1/0.0005. Apesar disto. No primeiro. A isolação sonora (PT) é desejável para evitar que o ruído de determinado recinto se propague para um recinto contíguo.0005) = 33 dB. normalmente esta redução é de apenas uns poucos dBs.1. Acústica de salas e ruído em recintos 179 9. Embora a absorção implique também numa redução do ruído.1) = 10 dB.Capítulo 9.9 e  = 0. um isolador ineficiente. um bom absorvente sonoro é. e normalmente oferece propriedades estruturais. com  = 0. . é principalmente utilizada para controle do tempo de reverberação de determinado recinto. DISTINÇÃO ENTRE ABSORÇÃO E ISOLAÇÃO SONORA A capacidade de determinado material ou estrutura em absorver e isolar o ruído são as principais medidas de seu desempenho acústico. temos um material absorvente poroso ou fibroso. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. por suas próprias características físicas. ( S ). A absorção sonora. Trata-se portanto de um isolante razoável porém um pobre absorvente.03 e  = 0. Conforme foi visto. um material absorvente deverá ter uma estrutura fibrosa ou porosa. Neste caso: PT = 10 log ( 1/  ) = 10 log (1/0. na qual as ondas sonoras possam propagar e perder parte de sua energia. Vejamos dois exemplos. o PT é muito baixo para a maioria das aplicações. No segundo exemplo. não deve ser usada como a principal solução para reduzir o ruído em determinado recinto. 4o ciclo de 2015. Frequentemente as funções da absorção e da isolação sonora são confundidas. e. pode-se conseguir boas características de isolação e de absorção sonora numa mesma estrutura. Embora o coeficiente de absorção sonora seja alto por ser um material absorvente. temos um material denso e reflexivo. Logo.11. Logicamente. Um material com características isoladoras. Vejamos então como utilizar estas principais características acústicas de materiais nas aplicações. Tais materiais são geralmente de peso relativamente pequeno e normalmente não oferecem propriedades estruturais. com  = 0. Por exemplo. o conforto acústico gerado dá a impressão subjetiva de que os níveis sonoros foram reduzidos mais do que as medições objetivas revelam. é geralmente denso e reflexivo. através da combinação de materiais. revestindo-se uma parede densa e reflexiva com material absorvente fibroso ou poroso. portanto.

c) depende do coeficiente de absorção sonora dos revestimentos internos do recinto. d) para absorver energia sonora nas altas frequências.1 2. c) decrescente com a frequência. TESTES 1. . b) para obter uma curva de absorção sonora versus frequência específica. Feedback: item 9.4 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O tempo de reverberação: a) é diretamente proporcional ao volume e à absorção do recinto.4 3. d) independente da frequência. e) para obter o tempo de reverberação.Capítulo 9.6 4. d) dá origem à região controlada pela rigidez da parede. Feedback: item 9. O comportamento do coeficiente de absorção sonora em função da frequência de materiais fibrosos e porosos é tipicamente: a) uniforme com a frequência. b) crescente com a frequência. d) independe do volume do recinto. Dispositivos especializados de absorção sonora são utilizados: a) em substituição aos materiais fibrosos e porosos. Feedback: item 9. b) reduz o valor de PT estimado com a “lei da massa”. c) dá origem à região controlada pela ressonância da parede. 4o ciclo de 2015. e) é diretamente proporcional à absorção e inversamente proporcional ao volume do recinto. e) constante em baixas frequências e variada em altas frequências.10. e) não está associada a PT.12. b) é diretamente proporcional ao volume e inversamente proporcional à absorção do recinto. Feedback: item 9. c) para absorver energia sonora abaixo de 125 Hz. A frequência de coincidência: a) não reduz o valor de PT estimado com a “lei da massa” entre 125 Hz e 4 kHz. Acústica de salas e ruído em recintos 180 9.

é classificada quanto às condições de privacidade como: a) fraca. Uma parede com PT Médio entre 40 e 45 dB. b) razoável. Feedback: item 9.13. . d) muito boa. 4o ciclo de 2015.6 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.Capítulo 9. Acústica de salas e ruído em recintos 181 5. c) boa. e) ótima.

Ao terminar o capítulo você estará apto a entender os seguintes conceitos:           Definição de barreira acústica. BARREIRAS E ENCLAUSURAMENTO ACÚSTICO OBJETIVOS DO ESTUDO Reconhecer as alternativas de tratamento acústico entre fonte – receptor. Aplicação. 4o ciclo de 2015. Exemplo real de inserção de enclausuramento. ábacos. Efeito de materiais pouco isolantes no conjunto total. Conceituar os enclausuramentos acústicos -Teoria e prática. Barreiras e enclausuramento acústico 182 CAPÍTULO 10.Teoria e prática. Exemplo real de inserção de barreira. Cálculo do coeficiente de transmiss Cálculo da perda na transmissão de um material único. Definições de perda na transmissão TL e redução sonora NR. Conceituar as Barreiras acústicas . Método de cálculo – teoria de Fresnel. Efeito de frestas na perda na transmissão total do conjunto. . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Cálculo da perda na transmissão de um sistema composto (vários materiais). Aplicação.Capítulo 10.

Inserção de biombos acústicos entre bancadas de trabalho. ou mesmo quando a redução obtida com modificações no próprio equipamento não é suficiente. O mesmo.2.2. A redução de ruído depende. . A atenuação é devida principalmente à difração das ondas sonoras ao redor da barreira. 4o ciclo de 2015. Barreiras e enclausuramento acústico 183 10.1. como mostra a Figura 10. deve-se recorrer a atenuação no meio transmissor. É preciso. (em função dos grandes comprimentos de onda das baixas frequências). do comprimento de onda e do ângulo de deflexão do som. Inserção de enclausuramentos parciais ou totais ao redor da fonte. Figura 10. As barreiras são mais efetivas no controle de médias e altas frequências. que a barreira possua densidade mínima de 20 kg/m 2 e altura tal que o receptor não visualize a fonte sonora. Barreira de ruído.Capítulo 10. ou seja. entretanto.1. de sua altura efetiva. entre fonte e receptor. ao redor do operador. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 10. BARREIRAS Barreiras são utilizadas para controlar a propagação de ruído. INTRODUÇÃO Quando o controle na fonte é impraticável ou muito oneroso. portanto. As alternativas clássicas de controle de ruído na trajetória são: Inserção de barreiras entre fonte e receptor.

c = caminho direto do som. A atenuação sonora promovida pela barreira segue a teoria de Fresnel (estudioso da difração ótica). 4o ciclo de 2015.= significa zona de brilho da barreira. recomenda-se a utilização de forro absorvente. m. O posicionamento relativo entre fonte. m. Quando a barreira for posicionada em ambientes fechados. O resultado acústico após a inserção da barreira será melhor quanto mais próxima à fonte ela estiver. Para minimizar esse efeito. . O número de Fresnel (N) é calculado por: N = +/. a + b = caminho difratado do som. . principalmente em casos de pé-direito baixo. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.  = comprimento de onda do som. Barreiras e enclausuramento acústico 184 Figura 10. (a + b – c) /  Onde N = número de Fresnel. deve-se prever a maior reflexão de som no teto. devido a sua presença. barreira e receptor define os caminhos do som direto e difratado (por sobre a barreira).Capítulo 10.2. m + = significa zona de sombra da barreira. e desde que sua capacidade de isolamento seja compatível com o projeto. Redução de ruído.2.

4o ciclo de 2015.00 m]. respectivamente comprimento x altura. A energia sonora concentra-se nas médias e altas frequências – de 250 Hz a 4. com 40% de área aberta – face interna. A medição inicial mostrou que os componentes principais do espectro ocorriam nas médias e altas frequências.5 57 70 84 84 87 87 87 78 93. dois fixos e um central de correr ( para manutenção dos equipamentos).000 Hz. suficiente para proporcionar o bloqueio sonoro através do corpo da barreira.5 3 9 10 11 10 5 4 9. situada a cerca de 100 m de distância. condição ideal para a aplicação de barreira acústica. Os painéis foram confeccionados em: Chapa lisa de aço galvanizada # 14 – face externa 50 mm de manta absorvente ( lã-de-vidro.1 apresenta o resultado das medições realizadas antes e após a implantação do tratamento acústico (barreira linear). Barreiras e enclausuramento acústico 185 10. a saber profundidade x largura x altura. Tabela 10. O ruído emitido pelas bombas (Leq = 102. Podemos comentar: Os espectros são contínuos. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. de faixa larga e sem picos. A Tabela 10.0 Difer. na dimensão total de [8. localizadas no piso térreo de uma fábrica de suco de laranja. As bombas em questão são equipamentos grandes. Um painel acústico assim constituído perfaz uma densidade superficial total de 22 kg/m2.60 kg/m3). .5 A figura 10.1. A barreira representou um ganho (ou redução) global equivalente a 9. densidade 40 .Capítulo 10.5 73 93 94 98 97 92 82 102. Chapa perfurada de aço # 18.3 apresenta os dois espectros medidos junto às bombas de álcool. com dimensão [1. - 4. A barreira projetada consistiu de 3 painéis acústicos.5 Após 44.2.5 dBA . protegida por filme de polietileno transparente ao som.50 m].70 m x 1.1 CASO PRÁTICO – USO DE BARREIRA AO REDOR DE UMA INSTALAÇÃO DE BOMBAS VISANDO A REDUÇÃO DE RUÍDO OCUPACIONAL E AMBIENTAL Este é um caso real de uma instalação a céu aberto de quatro bombas de álcool. Considerando que a cada 3 dBA de diminuição a energia sonora é reduzida à metade (em função da escala logarítmica).50 m x 0.5 dBA) propagava-se ao restante da fábrica e também à vizinhança. 9 dBA significam um abatimento de mais de 80% do nível de ruído original.95 m x 2. Níveis de Ruído Bombas de Álcool (dBA): Antes e após o tratamento acústico Frequência (Hz) Ponto 31 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k A Antes 44 61.

ENCLAUSURAMENTOS Para se projetar enclausuramentos acústicos eficientes é preciso conhecer e diferenciar dois termos: redução de ruído (NR = noise reduction) e perda na transmissão (PT. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.5 dBA a 1. O NR é dependente do ambiente acústico. 4o ciclo de 2015.2 CONCLUSÕES As medições realizadas antes e após as intervenções de controle de ruído comprovam que a implantação de uma barreira acústica junto ao conjunto de quatro bombas de álcool promoveu uma redução sonora de 9. 10. em inglês TL = transmission loss). Os valores de TL. a perda na transmissão (TL) é independente do ambiente acústico. Por definição. Barreiras e enclausuramento acústico Nível de pressão sonora (dBA) 186 100 90 80 70 60 50 40 31 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k Frequência (Hz) 1.bombas de álcool dentro e fora da barreira. NR é a redução em dB. em dB. Por outro lado. em função da energia sonora incidente sobre a mesma.Capítulo 10.3.5 dBA 1. Níveis de ruído .0 m da barreira (zona de sombra acústica). . Deve-se observar que a face interna da barreira – voltada para os equipamentos – é absorvente para não permitir a reflexão sonora do ruído emitido pelas bombas. através da relação: TL = 10 log ( 1 / ) onde  = coeficiente de transmissão da parede. podem ser calculados em função do coeficiente de transmissão dos materiais.5 m da barreira = 93 dBA Figura 10. dentro e fora do enclausuramento. antes e após a instalação de um enclausuramento.5 m das bombas = 102. 10.3. É definida como a fração de energia transmitida por uma partição. avaliada pela diferença entre medições do nível de pressão sonora em determinado ponto. o que prejudicaria os operadores que circulam por esse lado da instalação.2.

como também da constante da sala do enclausuramento. em m2. e 2 R é a constante da sala (enclausuramento). a fração de energia transmitida por uma partição é dada por:  S... caso o enclausuramento não contemple revestimento absorvente interno o nível de pressão sonora (Lp) aumentará.10 log [ ( 1 / 4 ) + ( S w / R ) ] onde NR é a diferença em Lp antes e após o enclausuramento.. TL é a perda na transmissão do enclausuramento. esta fração é dada por: c S =   i S i = 1 S1 + 2 S2 +. onde c é o coef. depende não só do TL de seus painéis. m .. 10. ainda que a densidade superficial dos fechamentos seja limitada (em função de sobrecarga estrutural.. por unidade de área. Para partições compostas. É preferível garantir a vedação acústica das portas e janelas. o nível de pressão sonora Lp dentro da cabine é dado por: Lp = Lw + 10 log [ ( Q / 4  r2 )+ ( 4 / R ) ] onde Lw é nível de potência sonora da fonte. m 2. ENCLAUSURAMENTOS EM AMBIENTES RUIDOSOS A redução de ruído (NR) proporcionada por um enclausuramento numa área ruidosa. tendendo a alcançar o valor do nível de potência sonora (Lw). num enclausuramento todos os componentes são importantes: não adianta utilizar paredes muito pesadas / isolantes e esquecer das portas e janelas. Podemos adotar a seguinte relação: NR = TL . onde S é a área. m. Por esse motivo. Q é o fator de diretividade. 10.2. e R é a constante da sala ( enclausuramento ). dB. dB. NÍVEIS ACÚSTICOS Quando um equipamento é enclausurado. Portanto... custos. 4o ciclo de 2015... ou c =   i S i / S = 1 S1/ S + 2 S2 / S +. e i são os componentes individuais da partição. etc).3. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. dB. S é a área total da partição.3.. Barreiras e enclausuramento acústico 187 O coeficiente  é definido como a razão entre a potência sonora transmitida. 2 Sw é a área exposta do enclausuramento. de transmissão efetivo da partição composta. m . por unidade de área. A equação anterior também se aplica na determinação do NR de uma parede que separa uma sala ruidosa de uma sala relativamente quieta. Na prática. que representa a energia acústica total produzida pela fonte. e a potência sonora incidente. r é a distância ao centro acústico da fonte. que o resultado será pobre.1. ...Capítulo 10.

fornecido por faixas de oitava de frequência.000 Hz = TL em 4. Calcule a perda na transmissão (TL) por faixas de oitava de frequência do som. de um fechamento cuja massa superficial é 20 kg/m 2. . Conhecendo o espectro sonoro da fonte e admitindo que a cabine acústica é revestida internamente nas paredes e teto. teto e piso com material absorvente. PT = perda por transmissão = TL (transmission loss) = 20 log (f . que depende do ambiente interno do enclausuramento (revestimento): vivo = superfícies lisas (refletoras).NR Solução: * admite-se um fator de segurança de 3dBA ** convém adotar valores conservativos obs. calcule o nível sonoro obtido após a inserção da cabine.1.47 dB eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.000 Hz Suponha que as vedações de portas e janelas são bem feitas. NR = TL – C Lpe = Lpi . médio = paredes e teto com material absorvente. Considerar o índice TL em 8. 4o ciclo de 2015. morto = paredes. M) . Barreiras e enclausuramento acústico 188 Quadro 10.: C é um fator de correção tabelado.Capítulo 10.

É frequente a exigência de visores e dutos de ventilação. Necessidade de ventilação forçada. combinando TL's individuais.4. bem como condição para retirada do equipamento. Figura 10. Perda na transmissão de paredes com portas. é preciso que se considere o TL de todas as partes da cabine. O isolamento final de um enclausuramento com diferentes TL's pode ser determinado utilizando a Figura 10.Capítulo 10. Além disso. Desacoplamento entre a cabine / equipamento e cabine / piso.3. CONDIÇÕES DE PROJETO Ao projetar um enclausuramento. A aplicação interna de revestimento absorvente.4. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Vedação adequada. . janelas e aberturas. caso a máquina libere calor e silenciosos para os dutos de entrada e saída de ar. Acessos para entrada e saída de materiais. dois a dois.3. os quais possuem TL menor do que o das paredes da cabine. alguns fatores devem ser considerados: A densidade dos painéis acústicos. 4o ciclo de 2015. Necessidade de visores. Barreiras e enclausuramento acústico 189 10.

Capítulo 10. Barreiras e enclausuramento acústico

190

Da figura percebe-se que uma pequena área com TL reduzido, pode comprometer
bastante a perda na transmissão (TL) total do enclausuramento. Ainda que seja possível
aumentar a massa (e consequentemente o TL) das paredes da cabine, é mais econômico
providenciar vedação e fixação adequados aos visores, portas, dutos, etc. A Figura 10.5
mostra o efeito de vazamentos no TL do enclausuramento.

Figura 10.5. Efeito de vazamentos (Enclausuramento).

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 10. Barreiras e enclausuramento acústico

191

Quadro 10.2. Com relação ao Quadro 10.1., explique as razões do bom
resultado acústico dessa cabine / enclausuramento.
Resolução:
O espectro sonoro da fonte apresenta os componentes principais em

altas frequências, mais fáceis de atenuar; a massa superficial dos painéis é

alta; a cabine é revestida com material absorvente acústico.

10.3.4. ENCLAUSURAMENTOS PARCIAIS
Quando os fluxos de material ou acessos para manutenção / operação não
permitem o fechamento completo da máquina, é possível controlar o ruído através de
fechamentos parciais. Tais enclausuramentos devem ser revestidos com material
absorvente para alcançar sua eficiência máxima, e quanto mais completo ele for, tanto
melhor será o resultado acústico.
Enclausuramentos parciais são muito indicados para proporcionar zona de sombra
a trabalhadores que podem estar sujeitos a campos sonoros diretos de alta intensidade.
Este efeito de sombra está limitado a atenuação de altas frequências, em que as
dimensões do fechamento são muitas vezes o comprimento de onda do som.
Outros fatores que influenciam a sua eficiência são a configuração do
enclausuramento e a absorção das superfícies da sala e da máquina. De acordo com a
Figura 10.6, as reduções acústicas no som direto de alta frequência podem variar entre 3
dB até 15 dB. É claro que, quanto maior a superfície do fechamento, maior será a
atenuação obtida.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 10. Barreiras e enclausuramento acústico

192

Figura 10.6. Exemplos de enclausuramento parcial.

10.3.5. CASO PRÁTICO: INSTALAÇÃO DE ENCLAUSURAMENTO ACÚSTICO
NUM EQUIPAMENTO
Este caso real foi executado numa fábrica de filmes fotográficos, na área de
Fotoquímicos. O equipamento em questão é uma “tamponadeira”: máquina cilíndrica que
coloca tampas em frascos plásticos, enfileirados numa esteira rolante.
Os níveis de ruído medidos a 1,0 m da máquina, na posição do operador,
produziam valores acima de 85 dBA e junto à fonte o nível global de pressão sonora
alcançava 95 dBA. O ruído emitido é função do atrito entre as tampinhas no recipiente
que as leva para a esteira rolante. Como tal recipiente era aberto na parte superior, o
ruído propagava-se com facilidade.
O projeto acústico previu a construção de uma “caixa” ao redor da parte cilíndrica
da máquina, porém com tampa superior e fixação na própria base existente. Essa caixa
foi revestida com materiais de amortecimento e absorção acústicos, de modo a reduzir a
vibração superficial e a reflexão sonora da chapa metálica, respectivamente.
Para facilitar a manutenção do equipamento, a tampa da nova caixa acústica foi
feita bi - partida e recortada na parte de borracha, possibilitando assim sua remoção.
Toda a caixa foi construída em painéis acústicos constituídos por:
eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

Capítulo 10. Barreiras e enclausuramento acústico

193



Chapa lisa de aço inox # 14 (externa);
Revestimento em manta asfáltica espessura 4 mm;
Mais manta de lã – de - rocha com espessura de 50 mm e densidade
volumétrica de 64 kg/m 3 ensacada em filme de polietileno;
 Proteção em tela de aço inox malha fina, com 60 % ªa (interna).
Os painéis acústicos assim constituídos possuem densidade superficial de
25kg/m2. A perda na transmissão (TL) dos painéis da tamponadeira pode ser calculada a
partir dos parâmetros: massa superficial (kg/m2), frequência crítica (Hz), amortecimento,
para cada oitava de frequência do espectro sonoro, através da expressão:
TL = 17 log (f . m) – 48
onde TL é a perda na transmissão, dB,
f é a frequência do som, Hz, e
m é a densidade superficial painel, kg/m 2.
A Tabela 10.2 apresenta uma estimativa da redução sonora ofertada pelo
enclausuramento acústico, a partir dos parâmetros acima. O cálculo considerou a
medição de ruído mais desfavorável, que foi obtida junto à fonte - próximo do bocal de
alimentação das tampinhas - e não da medição realizada na posição do operador.
Tabela 10.2. Estimativa redução sonora enclausuramento acústico: tamponadeira.
Frequência (Hz)
Parâmetro

63

125

250

500

1k

2k

4k

8k

A

1. Lpi med

73,5

69

75,5

79

84

89,5

91

80

95

2. TL (dB)

6

11

16

21

26

31

25

27

3. C tab

13

11

9

7

5

4

3

3

4. NR=TL-C

-

-

7

14

21

27

22

24

Lpe calc.

73,5

69

68,5

65

63

62,5

69

56

75*

* admite-se um fator de segurança de 3Dba.

obs.: C é um fator de correção tabelado, fornecido por faixas de oitava de
frequência, que depende do ambiente interno do enclausuramento:
vivo = superfícies lisas (refletoras);
médio = paredes e teto com material absorvente;
morto = paredes, teto e piso com material absorvente.
Neste exemplo real adotamos os valores de “C” equivalentes à classificação médio,
a qual corresponde à maioria dos enclausuramentos acústicos.
Pelos cálculos, estimou-se um resultado em torno de 75 dBA +/- 2 ao redor da
máquina, nas posições do operador.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN, 4o ciclo de 2015.

5.1.5 86 pt.5 67 64.5 58 72** diferença - - 4. Níveis de ruído tamponadeira Serac antes e pós-tratamento acústico.5 84 pt.5 13 Nível de pressão sonora (dB) A figura 10.5 70.5 16. antes e depois da implantação do enclausuramento acústico ao redor da tamponadeira.5 54 71** diferença - - 4 16 4.5 14 pt.5 69 69 68 67. Podemos comentar: 90 80 70 60 50 31 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k Frequência (Hz) antes do trat.5 5 6 13 14.acústico pós tratamento acústico Figura 10. A pós 80 70 66. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Tabela 10.5 75 79 80 69.5 12 15.3.7. . Níveis antes e depois do fechamento acústico tamponadeira: posições operador.3.3 apresenta uma comparação dos espectros sonoros medidos nos pontos A e B (operador). Barreiras e enclausuramento acústico 194 10. A antes 74 70 71 74 75 81 82 74. antes e depois da instalação do fechamento acústico. NÍVEIS SONOROS APÓS A IMPLANTAÇÃO DO TRATAMENTO ACÚSTICO A Tabela 10.7 apresenta uma envoltória de máximos dos espectros sonoros da tamponadeira. 4o ciclo de 2015.Capítulo 10. Frequência (Hz) Condição 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k A pt.5 15. B antes 73 70 72 74. B pós 80 70 68 68.

A maior redução sonora ocorreu nas altas frequências (2 kHz – 8 kHz) e nas médias frequências (250 Hz – 1 kHz). o pequeno acréscimo nas baixas frequências é usual e esperado.2. Barreiras e enclausuramento acústico 195       A atenuação sonora prevista com o tratamento indicava um nível de ruído equivalente a Leq = 75 dBA +/.0 dBA / 82.0 dBA / 86. externos ao enclausuramento. ** os valores medidos nas posições A e B do operador tiveram a contribuição de níveis de ruído específicos.0 dBC Próximo tamponadeira 8 bicos – localizada ao lado da tamponadeira em questão – Leq = 80.0 dBA / 83. a saber: Junto à queda de tampinhas – Leq = 80. 4o ciclo de 2015. o que foi alcançado plenamente.0 dBC Próximo separador (rotuladeira) – Leq = 85.0 dBC. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. .Capítulo 10.

providenciar vedação e fixação adequados do que aumentar a massa dos painéis... IV – D b) I – D........ O índice NR (redução sonora) é .. III – B.. III.TESTES 1....... Dependente Assinale a alternativa mais adequada: a) I – A.. 4o ciclo de 2015.. o nível de pressão sonora irá .. a) Verdadeiro b) Falso eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.. Para melhorar o resultado acústico de um enclausuramento é . IV. III – A....... o receptor visualiza a fonte. II – A...... As barreiras acústicas podem ser muito leves. vem da teoria da difração ótica = mudança na direção da luz.. do ambiente acústico.. IV – C e) I – D.....Capítulo 10.. o nível de potência sonora da fonte. ou seja.4..... a TL (perda na transmissão) ..... Melhor D. II – C... Considere as seguintes afirmações: I. IV – C Considere as afirmativas a seguir e assinale verdadeiro ou falso: 2... Aumenta B.. dentro e fora do enclausuramento. A.. II.. II – B. A cada dobro da frequência do som ou da massa superficial do material. A zona de brilho de uma barreira acústica significa que a mesma não produz atenuação. IV – B c) I – A..... III – C.... Igualar C. Barreiras e enclausuramento acústico 196 10. não precisam ter uma densidade mínima superficial. II – A. . a) Verdadeiro b) Falso 4.... III – C...... nas paredes e teto.. A teoria de Fresnel. II – B. III – B. a) Verdadeiro b) Falso 3.... Caso o enclausuramento acústico não tenha absorção interna.. IV – D d) I – D. usada no cálculo de barreiras. 5 dB.

... A... pois transmitiria a vibração do equipamento. III – D... não é recomendado o uso de .. III – A. 4o ciclo de 2015. ser conectado à mesma... Barreiras e enclausuramento acústico 197 5.. Numa sala com diversas fontes ruidosas de mesma magnitude. ... V – D d) I – B... de portas e visores..... particularmente em áreas abertas.. em geral o valor NR (redução sonora) + 20 dB.. Perda na transmissão (TL) C..... IV – D... Para aumentar sua eficiência. mas também do . Não deve B....... V – E c) I – B. II. III. II – C..... IV – E. elétrica..... em ganho significativo........... V. III – B. o enclausuramento acústico . É possível fazer um enclausuramento acústico sem revestimento absorvente interno....... V – E b) I – A.. das paredes do enclausuramento deverá ser maior...... Quando um equipamento ruidoso possui várias interferências (tubulações..... só que nesse caso a . No caso de uma barreira leve... etc).. V – C e) I – A.. III – C....... A qualidade de um enclausuramento acústico depende não só da massa superficial dos painéis.....Capítulo 10... Cabines acústicas D... como “L”.... II – C....... IV – D. o enclausuramento de apenas uma delas . II – A.. “U”..... II – B.. a) Verdadeiro b) Falso 7.. IV.. acessos. II – C... Cuidado na vedação e fixação Assinale a alternativa mais adequada: a) I – A.......... III – E.. a) Verdadeiro b) Falso 6.. Caso uma fonte de ruído esteja rigidamente fixada à sua base........ etc... a energia sonora não é transmitida pelo material (corpo) da barreira..... Não resultará E. V – E eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.... em função das muitas aberturas necessárias.... IV – D. as barreiras podem ser posicionadas em outras configurações além da linear... Considere as seguintes afirmações: I.. IV – B......

Para se projetar enclausuramento acústicos eficientes é preciso conhecer basicamente dois fatores: redução de ruído (NR) e perda de transmissão (TL). 4o ciclo de 2015.Capítulo 10. a) Verdadeiro b) Falso 10. a) Verdadeiro b) Falso 9. a) Verdadeiro b) Falso eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. aplicação interna de revestimento absorvente e a vedação são exemplos de fatores a serem considerados ao se projetar um enclausuramento. A densidade dos painéis acústicos. . Enclausuramentos totais são muito indicados para proporcionar zona de sombra a trabalhadores que podem estar sujeitos a campos sonoros diretos de baixa intensidade. Barreiras e enclausuramento acústico 198 8.

Controle de ruído em sistemas VAC CAPÍTULO 11. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. O Método de cálculo da potência sonora do ventilador. Curvas NC (Noise Criteria). 4o ciclo de 2015. Cuidados gerais na instalação de VAC. O método de cálculo da potência sonora do ventilador e as atenuações sonoras no trajeto entre casa de máquinas – sala servida.m) – grelha (sala). Critério de conforto acústico.199 Capítulo 11. . CONTROLE DE RUÍDO EM SISTEMAS VAC OBJETIVOS DO ESTUDO Entender as medidas de controle de ruído em sistemas de ar condicionado. Atenuações sonoras ao longo do trajeto ventilador (c. segundo ASHRAE Systems Volume. Ao terminar o capítulo você estará apto a compreender:      A geração de ruído num sistema de ar condicionado.

dB Kw é o nível específico de potência sonora.54 Fator correção 0 3 6 9 12 15 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 11. dada por: Bf = (rpm x no pás) / 60 Onde: rpm = rotações por minuto A expressão que permite estimar o nível de potência sonora dos ventiladores é a seguinte: Lw = Kw + 10 log (Q / Q1) + 20 log (P / P1) + C onde Lw é o nível de potência sonora do ventilador. Controle de ruído em sistemas VAC 11. Fator de Correção "C" para Ponto Real de Operação % do pico 90 – 100 85 – 89 75 – 84 65 – 74 55 – 64 50 . Na falta desses dados é possível se estimar os níveis de potência sonora do ventilador através de procedimento descrito na ASHRAE Systems Volume chapter 35. É preciso analisar todo o sistema para identificar os problemas de instalação ou dimensionamento de projeto. l / s Q1 = 0. Introduz ainda correção para o ponto de operação do ventilador em relação ao ponto de eficiência máxima e acréscimo na frequência de passagem das pás (ou bfi = blade frequency increment). dB* Tabela 11. . que demandam nível de ruído de fundo baixo. dB. por faixas de oitava de frequência.472 P = pressão estática do ventilador.1. salas de aula. como escritórios. POTÊNCIA SONORA DO VENTILADOR A potência sonora do ventilador. Tal procedimento reúne duas características operacionais do equipamento.1. in H2O P1 = 1 C é a correção para o ponto de operação do ventilador . 4o ciclo de 2015. residências.1 CONTROLE DE RUÍDO EM SISTEMAS DE VAC (VENTILAÇÃO E AR CONDICIONADO) O controle de ruído em sistemas de ventilação e ar condicionado está presente tanto na área industrial quanto na área ambiental.200 Capítulo 11. à valores específicos de níveis de potência sonora tabelados para diversos tipos e diâmetros de ventilador. deveria ser um dado fornecido pelo fabricante. vazão de ar e pressão estática. etc. auditórios.1. tabelado Q é a vazão de ar do ventilador. Vamos focar mais especificamente os sistemas de ar condicionado de ambientes ocupados. A emissão de ruído tem origem no ventilador (equipamento rotativo) e se propaga através do sistema de dutos até os difusores de ar das salas servidas.

9 m 36 38 36 34 33 28 20 curvado p/ frente todos 47 43 39 33 28 25 23 pás radiais > 1. Tabela 11. Rotor 3 2 8 soprador pressão < 0. curvado p/ trás. Valores Específicos de kW (ref.2 apresenta os níveis específicos de potência sonora (kW). inclinado p/ trás Centrífugo Diâm. ASHRAE) Frequência (Hz) Tipo do Ventilador 63 125 250 500* 1k 2k 4k BFI* > 0. 4o ciclo de 2015.5 m 63 57 58 50 44 39 38 > 1. deve-se adicionar 3 dB aos valores acima.: Estes valores são os níveis de potência sonora específicos irradiados tanto pela entrada quanto pela saída do ventilador. .0 m 41 39 43 41 39 37 34 < 1.9 m 32 32 31 29 28 23 15 < 0.2.0 m 45 39 42 39 37 32 30 0. por faixas de oitava de frequência para os diversos tipos de ventiladores.0 m 63 57 58 50 44 39 38 > 1.0 m 55 48 48 45 45 40 38 airfoil.201 Capítulo 11.5 / 1.0 m 40 41 47 46 44 43 37 5 todos 48 51 58 56 55 52 46 5 Vaneaxial 6 Tubeaxial Propeller torre resfriamento Obs.0 m 39 36 38 39 37 34 32 < 1. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. Controle de ruído em sistemas VAC A Tabela 11. Caso se deseje o nível de potência sonora total radiado.

As conexões de entrada e saída do ventilador devem ser projetadas para fornecer fluxo de ar uniforme e direto. A intensidade desses tons depende de ressonâncias dentro do sistema de dutos. O nível de potência sonora do ventilador é o ponto de partida para o cálculo do nível de pressão sonora numa sala servida por ar condicionado. ramificações. o nível de potência sonora do ventilador. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. em função da propagação da energia acústica pelo sistema de dutos. 4o ciclo de 2015. Em sistemas de volume variável deve-se dar atenção ao efeito de mudanças de volume na potência sonora do ventilador: reduzir o fluxo de volume alterando as posições das aletas de entrada pode aumentar. Ventiladores com poucas pás (até 15) tendem a produzir tons puros que dominam o espectro sonoro (na frequência de passagem das pás e seus harmônicos). como também em curvas. São elas: O sistema de distribuição do ar deve ser projetado para resistência mínima. conforme explicado nos itens a seguir. o que significa espectros sonoros diversos. Ao longo do trajeto. . no sentido de minimizar a atenuação sonora nos dutos. etc. Controle de ruído em sistemas VAC Algumas considerações técnicas devem ser feitas sobre a seleção e a instalação dos ventiladores. etc. e muito. independente do tipo de ventilador. o engenheiro deve selecionar o ventilador que produza o menor nível de ruído possível. Considerando que os níveis de ruído específicos dos ventiladores (Kw) variam de acordo com seu tipo e modelo. aliado a outros parâmetros de projeto. grelhas.202 Capítulo 11. difusores. dampers. uma vez que o ruído gerado nos ventiladores aumenta com a pressão estática. variações no lay-out de projeto podem degradar severamente a performance acústica e aerodinâmica de qualquer tipo de ventilador. do projeto do ventilador. esta energia sofre perdas e/ou acréscimos seja nos dutos propriamente ditos.

1. .472) + 20 log (1.58 = 38. 4o ciclo de 2015. Controle de ruído em sistemas VAC Quadro 11. Calcule a vazão de ar admissível a um ventilador centrífugo.58 Q = 10 4. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.019 l / s para que o nível de potência sonora Lw = Kw + 55 dB.0 in H2O. cujos dados são: pressão estática P = 1.9 log (Q) = 4.472) = 4. nível de potência sonora máximo (Lw) = Kw + 55 dB.472) = 55 – 6 = 49 log (Q) – log (0.0 / 1) + 6 Então: 10 log (Q / 0.019 l / s A máxima vazão de ar do ventilador será Q = 38.203 Capítulo 11. ponto de eficiência de operação = 80%. Resolução: Lw = Kw + 10 log (Q / 0.

1.2.3 introduz as atenuações sonoras em dB / metro linear esperadas para dutos retangulares.000 acima de 12 0 0. .1 abaixo de 5 0. A Tabela 11.1 0.1 0.4. para ter a atenuação sonora respectiva. os dutos de um projeto estão na 2a categoria (relação P / A entre 12 e 5).1 entre 12 e 5 0. basta multiplicar os valores apresentados na Tabela 11. haverá uma perda natural da energia sonora devido à vibração das paredes dos dutos e reflexões da onda sonora em curvas e difusores de ar. Tabela 11. TRATADOS OU NÃO Ainda que o sistema de ar condicionado não contemple nenhum tratamento acústico. por exemplo. 4o ciclo de 2015.3 0. Frequência (Hz) Razão P / A (m/m2) 63 125 250 a 4. em função da relação perímetro / seção transversal. ATENUAÇÕES EM DUTOS. Controle de ruído em sistemas VAC 11.1 0.3 0. Atenuação natural em dutos retang. deve-se aplicar a Tabela 11. (dB / m).3 pela metragem total dos dutos.1 Se.204 Capítulo 11. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.3. Caso esses dutos sejam revestidos com 1" (25 mm) de material absorvente.

deve-se considerar também o efeito de curvas.5 1.7 1.6 1.3.0 1.0 2. deve-se esperar um incremento sonoro bastante acentuado.4 14.7 1.4 15.0* 300 x 600 - 1.7 18.5 16. (mm x mm) 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k 150 x 150 - 4. Dados de literatura sobre curvas não tratadas indicam que a atenuação é maior em curvas quadradas sem "veias" do que com "veias" e nestas é maior do que em curvas redondas.3 5.0* 300 x 300 - 2.2 7.0* 600 x 900 0. nesse caso.6 3. dampers e difusores.8 16. O fluxo de ar turbulento pode ser reduzido usando-se curvas circulares ao invés de quadradas.5 4.0 2. TRATADAS OU NÃO Curvas em ângulo reto refletem parte da energia sonora de volta à fonte.3 0.0 8.0 2.0 11.2 6.205 Capítulo 11.7 1. as atenuações variam entre 3 a 6 dB para o primeiro caso.2 4.9 15.1 10. 2 a 4 dB no segundo e 1 a 3 dB no terceiro.6 Além da atenuação sonora proporcionada pelos dutos.3 5.4 11. Atenuação em dutos retangulares tratados (dB / m) Frequência (Hz) Dutos circulares () Dutos retangulares Seção transv.0 1.6 3. 4o ciclo de 2015.3 5. ao longo de no mínimo duas larguras do duto em cada lado da curva.9 7.5 apresenta as atenuações sonoras aproximadas para curvas quadradas revestidas com 25 mm de material absorvente.0 150 0.2 8.6 3. .6 3. ATENUAÇÃO EM CURVAS.3 2. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.3 4. Enquanto o revestimento aumenta a atenuação proporcionada pela curva o uso de veias direcionais.9 3.6 1200 - 0.7 17.9 2.6 3.6 1.9 4. 11.8 12.5 5.9 300 0.1.0 1.3 0.8 6.6 3.0* 150 x 300 - 3.3 7.6 1.5* 600 x 600 - 1. resultando em atenuação acústica no duto.0 3. ou introduzindo-se "veias" direcionais nas curvas.9 15.6 1.3 600 x 1200 0.9 10.0 6.4 18. Controle de ruído em sistemas VAC Tabela 11.5 3. ramificações.3 1.0 2. As curvas podem ser uma fonte de ruído devido ao fluxo de ar turbulento gerado na mudança de direção: em velocidades acima de 10 m/s.0 600 0.4.6 3.6 4.9 4.6 5. não é recomendado.9 7.0 15.3 1.8 7.3 2. De qualquer modo.0 2.6 7.2 7. A Tabela 11.

5.40 0. Na prática. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. ATENUAÇÕES EM RAMIFICAÇÕES Quando um duto ramal deixa um duto principal. Tabela 11. RUÍDO GERADO EM DAMPERS. De acordo com as especificações de projeto e informações de catálogo do fabricante. se dimensionados incorretamente.6 apresenta valores em dB que devem ser subtraídos da potência sonora do duto principal para se obter a potência sonora no ramal.1.206 Capítulo 11. . alterando-se o posicionamento das aletas das grelhas altera-se também a vazão de ar e.5. tanto a escolha do tamanho dos difusores de ar quanto o posicionamento das aletas das grelhas devem ser feitos com critério.1. Redução acústica de ramificações Relação ramal / total 0. sem veias direcionais (dB). correspondem a níveis de ruído aceitáveis para os ambientes em questão. a potência sonora que é transmitida através do duto principal é dividida entre eles na razão aproximada de suas áreas.20 0. em função das relações de área entre ramal / tronco.30 0. os níveis de ruído aí gerados.4. podemos verificar se os tamanhos selecionados para esses elementos.05 Redução sonora (dB) 1 2 3 4 5 7 10 13 11. um sinal de que grelhas ou difusores de ar estão "mal" dimensionados é a presença de chiado ou assobio (devido à passagem das altas frequências do som). 4o ciclo de 2015.60 0.10 0.80 0. metade do ruído é distribuída para cada um dos dutos. Controle de ruído em sistemas VAC Tabela 11. de acordo com os parâmetros velocidade do fluxo e vazão de ar.6. Sendo assim. Frequência (Hz) Largura* duto (mm) 63 125 250 500 1k 2k 4k 8k 150 - - - 1 7 12 14 16 300 - - 1 7 12 14 16 18 600 - 1 7 12 14 16 18 18 1200 1 7 13 15 16 18 18 18 11. se o ramal é igual em seção transversal ao duto-tronco. A redução de ruído pode ser calculada através de: Redução sonora (dB) = 10 log (fluxo ar ramal) / (fluxo ar total) A Tabela 11. Atenuação em curvas quadradas tratadas. É claro que.50 0. ou seja. em consequência. GRELHAS E DIFUSORES As grelhas e difusores para distribuição de ar e os dampers corta-fogo ou reguladores de vazão podem gerar ruído excessivo.

como uma sala. dB. f é a frequência do som. magnitude da fonte sonora e distância da fonte ao receptor. EFEITOS DE REFLEXÃO FINAL Quando as ondas sonoras sofrem a transição de um espaço pequeno.10 log r + 12 onde Lp é o nível de pressão sonora no receptor. em determinado ponto.7 introduz a atenuação sonora proporcionada por "reflexão final". certa quantidade de energia sonora é refletida de volta para o duto. Pesquisas recentes. Frequência (Hz) Seção duto quadrado / diâmetro duto circular (mm) 63 125 250 500 1k > 2k 150 17 12 6 3 1 0 300 12 6 3 1 0 0 600 6 3 1 0 0 0 1200 3 1 0 0 0 0 11. para um espaço grande. indicam que tal fenômeno ocorre apenas quando a terminação do ramal é precedida por um trecho reto de duto equivalente a [3 .1. mobília. Hz.1. 4o ciclo de 2015.3 log f . m 3. Qualquer dispositivo de saída de ar diretamente conectado ao duto reduz as perdas sonoras devidas à reflexão final. e r é a distância entre fonte e receptor. Estudos recentes indicam que. A Tabela 11. entretanto. m. Atenuação devida à reflexão final (dB).7. . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. A seguinte equação empírica pode ser utilizada: Lp = Lw . observando-se as premissas apresentadas anteriormente. depende basicamente dos seguintes fatores: volume da sala.5] diâmetros do duto. apesar da quantidade de elementos absortivos e refletores de som variar em função do tipo de ambiente. no geral esta condição não altera significativamente a relação entre L w e Lp. Controle de ruído em sistemas VAC 11. Tabela 11. reduzindo marcadamente os sons de baixa frequência.6.5 log V .7. como um duto.207 Capítulo 11. dB. V é o volume da sala. Lw é o nível de potência sonora da fonte. sem difusor ou grelha. EFEITOS DA SALA Já a relação entre o nível de potência sonora (Lw) emitido por um terminal de ar e o nível de pressão sonora (Lp) na sala.

as curvas de referência adotadas estabelecem níveis de pressão sonora com decaimento constante em função da frequência. para que o mesmo não seja incômodo. Controle de ruído em sistemas VAC A equação acima é aplicável para apenas uma fonte sonora na sala ao alcance do receptor. Para que o funcionamento do sistema de VAC não seja notado auditivamente. No Brasil. hospitais. 4o ciclo de 2015. cansaço e implica na diminuição da produtividade. auditórios. criadas em 1957 por Leo Beranek. etc).2. residências. salas de escritórios normalmente adotam a curva NC-35 como objetivo de projeto: assim. a qual recomenda a utilização das curvas NC (Noise Criteria) como critério de projeto para ambientes não industriais. que além do nível global dB(A). 11. a ocorrência de ruído de fundo perceptível a nível subjetivo acarreta distração. portanto.1.Níveis de Ruído para Conforto Acústico. definem os limites aceitáveis para um determinado espectro de ruído em oitavas de frequência. o ruído de fundo ambiente não pode ultrapassar a curva NC-35 em nenhuma faixa do espectro. e devem ser adotadas em projetos que visam ajustar o nível de ruído do ar condicionado aos ambientes servidos. Tais critérios baseiam-se no fato de que sistemas de ar condicionado bem projetados e com manutenção periódica irradiam som de caráter tipicamente estacionário e com espectro amplo.208 Capítulo 11. Fica definido. as curvas NC procuram representar espectros de ruído balanceados e agradáveis. caso haja mais de uma. A exposição ao ruído em locais administrativos / residenciais é regida por critérios de conforto acústico: não se trata de resguardar a saúde auditiva das pessoas mas sim de proporcionar um ambiente agradável acusticamente. é preciso que tanto os parâmetros de projeto quanto os equipamentos sejam bem dimensionados. escritórios.2. . para diversos tipos de ambiente (hotéis. CURVAS NC (NOISE CRITERIA) As curvas Noise Criteria (NC). 11. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. incômodo. é também importante a forma do espectro do ruído. Resumindo. Por exemplo. Por isso. deve-se computar o efeito de cada fonte através da soma logarítmica dos níveis sonoros. o instrumento normativo que faz menção a esse problema é a NBR 10152 . CRITÉRIOS DE CONFORTO ACÚSTICO Em ambientes de trabalho que demandam concentração intelectual para a realização das tarefas e ambientes destinados ao lazer e/ou repouso.

Controle de ruído em sistemas VAC Figura 11.209 Capítulo 11. . eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 4o ciclo de 2015.1. Curvas NC.

4 (De / S) onde:  = coeficiente de absorção do material poroso (%) De = perímetro de revestimento interno do duto (m) S = área da seção interna aberta do revestimento (m 2) Observamos que a fórmula acima para a obtenção da atenuação em dB/m nos silenciadores dissipativos. sempre protegido mecanicamente por tecido e/ou chapa perfurada.  a velocidade do fluxo de ar deve ser menor do que 15 m / s. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. em decibel / metro. A equação possui algumas restrições. Outros fatores que contribuem para melhorar a "performance" do atenuador dissipativo são:  características acústicas do material de revestimento. segundo Sabin é: AT = 1. a saber:  a menor largura (espaçamento ou lamelas) deve estar entre 10 e 50 cm. localiza-se em todo o perímetro interno do duto ou num cone central ou ainda em células divisoras paralelas. Esse material.  espessura e comprimento das camadas de material poroso. . o que aumenta a eficiência do silenciador. fibra cerâmica. a atenuação proporcionada pelo atenuador dissipativo.210 Capítulo 11.  a razão entre altura / largura deve ficar entre 1 e 2. principalmente. Tais atenuadores promovem a redução de ruído através da dissipação da energia sonora em uma ou mais camadas de material poroso (absorvente): no processo de dissipação há transformação da energia acústica em energia calorífica.05 1. refletidas e transversais no duto. para todos os valores  do espectro. Os atenuadores dissipativos são posicionados na entrada ou saída dos ventiladores. ou seja. Controle de ruído em sistemas VAC 11. A presença das lamelas tem por objetivo aumentar a área de material absorvente em contato com o fluxo de ar / energia sonora. deve ser aplicada em todas as faixas de frequência do som. chamadas "lamelas". Considerando-se a existência de ondas acústicas planas incidentes. Os silenciadores dissipativos são normalmente constituídos por um duto circular ou retangular metálico. de sua fixação e de sua proteção. para redução de médias e altas frequências. lã-de-rocha.3.  formas e dimensões das passagens de ar (seção livre do atenuador). e que são transmitidos pela dutagem através do fluxo de ar. etc). revestido internamente com material absorvente acústico (lã-devidro. ATENUADORES DE RUÍDO DISSIPATIVOS Os sistemas de ventilação industrial e os sistemas de condicionamento de ar geralmente empregam atenuadores dissipativos para minimizar os níveis sonoros produzidos nos ventiladores. 4o ciclo de 2015.

3. como revestimento absorvente para o atenuador é função dos altos coeficientes de absorção sonora apresentados por esses materiais (conforme testes realizados pelo IPT .97 0. o uso de células absorventes aumenta esse fator e.0 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Fibra cerâmica 50mm 0.SP).82 0.43 1. 11.0 1. Como o espectro de potência sonora gerado pelos ventiladores (sejam centrífugos ou axiais) apresenta fortes componentes em baixa frequência.0 1.07 0. é preciso que os silenciadores acústicos tenham comprimento mínimo de 1. para os materiais porosos mais utilizados no revestimento de dutos acústicos.69 0.32 0. .95 0. sendo a mais utilizada a de lamelas paralelas (coincidentes ou alternadas).bem menor do que 1/4 do comprimento de onda dos sons graves.211 Capítulo 11. consequentemente. fibra cerâmica. Controle de ruído em sistemas VAC Como a atenuação é diretamente proporcional à razão (D e / S).98 1. Tabela A – Absorção sonora de materiais porosos ( Frequência (Hz) 125 250 500 1k 2k 4k -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Lã de rocha 50mm 0.97 0.50 0. etc.13 0.0 1.0 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Observa-se da Tabela que a capacidade absortiva dos materiais porosos. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.0 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Lã de vidro 50mm 0. o resultado acústico obtido com o silenciador.0 1.00 m para se alcançar atenuação perceptível nessa faixa de frequências.entre 50 e 100 mm . lã-de-rocha.88 0.0 1.0 1.97 1.1 ESCOLHA DO MATERIAL ABSORVENTE A especificação de lã-de-vidro. 4o ciclo de 2015. Existem várias configurações de células absorventes em dutos. em geral é mais baixa nas frequências inferiores a 250 Hz: isto se deve à espessura do material poroso . A Tabela A mostra os coeficientes  por faixas de oitava de frequência em Hz.72 0.50m a 2.93 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Espuma polieter 50mm 0.

000 (pressão de referência) c = correção função do rendimento ventilador (ponto eficiência máxima) = +9 Substituindo-se os valores na expressão (1. fornecida pela firma CARRIER .500 m3 / h = 2.ventilador centrífugo duplo . diâmetro do rotor e tipo de pás) Q = vazão total de ar = 10.212 Capítulo 11. 80 79 79 71 70 65 60 75 -------------------------------------------------------------------------------------------------------obs.920 l / s Qo = 0.0) temos: Lw = Kw + 10 log (6186) + 20 log (0.0 m: Tabela B .vazão de ar do ventilador (40o C) . Controle de ruído em sistemas VAC 11.Systems Volume .3) + 6 = Kw + 38 + (-10) + 9 = Kw + 37 Considerando-se o ventilador centrífugo duplo com diâmetro < que 1.: bfi = blade passage frequency = frequência de passagem das pás (250 Hz) eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.3 inH2O Po = 1.500 m3/h = 23. .Níveis de Potência Sonora ventilador -------------------------------------------------------------------------------------------------------Freq. -4 -1 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Lp result. 4o ciclo de 2015. em dB (função do tipo de ventilador.9 m3/s 850 rpm 7 mmca Cálculo da Potência Sonora Produzida pelo Ventilador Segundo método normativo constante da ASHRAE .Chapter 32: "Sound and Vibration Control" temos: Lw = Kw + 10 log (Q / Qo) + 20 log (P / Po) + c onde: Lw = nível de potência sonora em dB Kw = nível de potência sonora específico.rotação .472 (vazão de referência) P = pressão estática disponível = 7 mmca = 0.restrição máxima entrada do ar 10.4 EXEMPLO DE CÁLCULO Condensadora de 15 TR .(Hz) 63 125 250* 500 1k 2k 4k bfi A -------------------------------------------------------------------------------------------------------Kw (dB) 47 43 42 34 33 28 23 3 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Lw: + 37 84 80 79 71 70 65 60 75 -------------------------------------------------------------------------------------------------------reflexão f.

4 -------------------------------------------------------------------------------------------------------eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.0 m S = área seção interna aberta revestimento.35 m3 / s Área do atenuador = 1. Controle de ruído em sistemas VAC Cálculo da Atenuação Necessária ao ventilador Critério de Nível de Ruído: Nível de Pressão Sonora (Lp) Requerido a 1.5 = 4.5.60 m 2.20 m2 Área livre = 0.(Hz) 63* 125 250 500 1k 2k 4k A -------------------------------------------------------------------------------------------------------Lp result.0 m/s Sendo: vazão = velocidade x área temos que a área livre deverá ser: Q = 10.75 = 6. 48 kg/m 3 De = perímetro revestimento interno.20 x 0. 4o ciclo de 2015.(dB) 8 10 14 12 8 13 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Como a vazão de ar é pequena. m2 = 4 x 0. poroso lã-de-rocha 100 mm dens. 80 79 79 71 70 65 60 75 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Lp dBA 54 63 70 68 70 66 61 75 -------------------------------------------------------------------------------------------------------NC-55 72 66 62 58 56 54 53 62 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Aten*.213 Capítulo 11. . vamos adotar a velocidade de fluxo = 7.4 (De / S) Onde: = coef.75 m A distribuição das lamelas e espaços é a seguinte: 100 lam 200 esp.05  1. absorção do mat. 200 Lam 200 esp 200 lam 200 esp 200 lam 200 esp 100 lam a qual fornece uma área livre de 0.500 m3 / h = 2.60 m x 0.5 m sala = 60 dBA ou curva NC-55 TABELA C: COMPARAÇÃO ENTRE LP RADIADOR X CRITÉRIO NC-55 -------------------------------------------------------------------------------------------------------Freq.  1.60 m2 duto = 1. A redução acústica do atenuador em dB / metro linear duto pode ser estimada: AT (dB / m) = 1.60 m 2 De / S = 10 AT = 10.75 = 0.92 m3 / s x 1. m = 8 x 0.

eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. pois muitos silenciadores ou revestimentos internos são ineficientes nessa região de frequências (< 250 Hz).50 0. sem alterar o nível de ruído propagado pela rede de dutos. para a propagação desse ruído ser minimizada. Controle de ruído em sistemas VAC Freq.4). quando balanceado e regulado. Ronco: a falta de tratamento acústico (plenum) após a descarga do ventilador também influi na propagação do ruído do ventilador pelo sistema. Problemas de ronco são difíceis de tratar acústicamente. tanto é que o ventilador dentro do gabinete em geral não possui apoios anti-vibratórios. o equipamento não gera vibração.0 1.0 --------------------------------------------------------------------------------------------------------AT (1. Projeto: na concepção de projeto em que uma máquina de grande capacidade serve áreas também grandes.5 m) -5 -12 -15 -15 -15 -15 -15 --------------------------------------------------------------------------------------------------------A perda de carga proporcionada pelo atenuador será cerca de 5. também é bom lembrar a importância do forro (de preferência acústico) nas salas servidas. Entretanto.84 0. uma das primeiras recomendações é verificar junto ao fabricante se não está ocorrendo algum tipo de desbalanceamento. .0 1. a adição de revestimento interno acarreta diminuição da seção do duto e consequente aumento da perda de carga. Vibração: elevados níveis de vibração encontrados na carcaça dos condicionadores de ar são indício de que os equipamentos não estão operando em condições normais. Entretanto. o melhor é prever um trecho longo de duto (no mínimo 1. uma vez que a atenuação se dá em dB / m.214 Capítulo 11.5 vez a maior dimensão do duto de descarga) antes das ramificações. Os fornecedores confirmam que.5. evitando a transmissão de baixas frequências.(Hz) 63 125 250 500 1k 2k 4k A -------------------------------------------------------------------------------------------------------a (sabins) 0. pois tal fechamento cria uma "barreira" contra o ruído que pode ser transmitido via parede do duto. em função da reflexão múltipla do som nas paredes. RECOMENDAÇÕES FINAIS PARA UMA INSTALAÇÃO DE VAC Em toda instalação de ar condicionado deve-se atentar principalmente para os seguintes detalhes: A potência sonora produzida pelo ventilador pode ser reduzida caso a relação entre: vazão de ar.98 1. problema comum em equipamentos rotativos.0 1. Portanto. 11. o sistema de dutos deve receber tratamento acústico interno. eventual tratamento acústico na casa de máquinas reduz os níveis de som na própria sala e proximidades. pressão estática e rotação do equipamento implique em condições operacionais próximas ao ponto de eficiência máxima. para que o fluxo de ar fique estável. Reverberação: a ausência de revestimento absorvente na casa de máquinas contribui para o aumento da energia sonora no local. 4o ciclo de 2015. geralmente de materiais lisos e duros. o ruído na fonte é elevado. A transmissão sonora através dos dutos pode ser reduzida se os mesmos forem tratados internamente com material absorvente (veja Tabela 11. o que deve ser considerado no dimensionamento do projeto. piso e teto.0 mmca.

já que os materiais acústicos possuem fraco desempenho nessa região. . para não produzirem chiado . 4o ciclo de 2015. elimina-se o efeito de reflexão final que é muito importante para a diminuição do ruído nas baixas frequências. Controle de ruído em sistemas VAC Posicionamento das grelhas: quando as grelhas estão alocadas diretamente no duto principal.215 Capítulo 11. Por esse motivo recomenda-se sempre inserir as grelhas em dutos ramais e dimensioná-las de acordo com a velocidade do ar. eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN.ruído em altas frequências.

.. Controle de ruído em sistemas VAC 11. além da aplicação de . desacoplando a base dos equipamentos do piso existente........... II – D... Amortecedores C.. V. IV. IV – E... Atenuadores de ruído E......... II – C.. Não permite Assinale a alternativa mais adequada: a) I – A. Baixas B. Considere as seguintes frases: I. No caso de uma sala servida por sistema VAC próxima da casa de máquinas....... Propagação de vibrações B.. Considere as seguintes frases: I....... Para minimizar a ... No problema anterior.. IV – D c) I – C... II – D.. III – D.... II – C. V – B eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. a eficiência de operação.. V – A e) I – E........... III – D...... A casa de máquinas deve receber revestimento acústico .... A.. II – A...216 Capítulo 11.... II.. A..6........ II – D..... IV – B......... II.. V – A c) I – C.. IV..... III – C... sem amortecedores de vibração....... aumentar D... III – C. .. IV – B.. é necessário instalar os ventiladores / exaustores sobre . ao longo dos dutos................ Diminuir...... III – B.. III – C... após a descarga dos ventiladores....... Altas Assinale a alternativa mais adequada: a) I – B. pode gerar .. IV – A d) I – B. para minimizar a reverberação sonora... Absorvente. Um bom projeto acústico de sistema VAC ....... A instalação errada de ventiladores.. Deve-se tomar cuidado com o isolamento acústico da casa de máquinas (incluindo portas e janelas).. 4o ciclo de 2015.. V – E d) I – E... ambientes sensíveis ao lado da casa de máquinas. As grelhas de insuflamento de ar podem causar assobio ou chiado caso sejam dimensionadas para .... Revestimento absorvente D... ... III – C.... IV – A.......... II – A........... III – C.. para . velocidades do fluxo de ar. II – B.... para diminuir o nível de ruído do ventilador podemos .......... frequências e problemas de “ronco”... II – A. utilizam-se juntas flexíveis e conexões elásticas...... entre a descarga do ventilador / duto principal... III – D.. a vazão de ar e . diminuir C.. III – B.... a solução mais indicada é a inserção de .. . IV – D. III....... TESTES 1.. IV – A e) I – B....... a reverberação sonora...... IV – A 2. V – E b) I – B.. II – D. Para evitar a transmissão de vibrações ao longo da estrutura... III.. IV – D b) I – C.

217 Capítulo 11. a) Verdadeiro b) Falso eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. As curvas NC representam espectros de ruído balanceados e agradáveis e devem ser adotados em projetos regularmente. Sistemas de VAC bem balanceados e dimensionados implicam em ambientes agradáveis. chiados ou roncos não provocam irritação ou stress. ele não provocará perda auditiva. a) Verdadeiro b) Falso 6. Controle de ruído em sistemas VAC Considere as afirmativas a seguir e assinale verdadeiro ou falso: 3. Ainda que o nível de ruído do sistema de ar condicionado numa sala seja elevado. As grelhas e os difusores responsáveis pela regulação da vazão de ar são os principais geradores de ruído excessivo. ao contrario dos dampers que raramente geram ruído. conforme a energia sonora é propagada através do fluxo de ar. Atenuadores de ruído do tipo dissipativos promovem a redução sonora por metro linear de duto. a) Verdadeiro b) Falso 5. a) Verdadeiro b) Falso 4. 4o ciclo de 2015. a) Verdadeiro b) Falso 8. acusticamente. a) Verdadeiro b) Falso 9. a) Verdadeiro b) Falso 7. . Ruído de fundo (devido ao sistema VAC) com tons puros. Locais servidos por sistema de VAC não precisam ter ruído de fundo controlado.

Industrial Noise Manual. McGraw-Hill – 1971 eHO – 010 Controle de Ruído / LACASEMIN. 10. GERGES. edição. 1a. Architectural Acoustics. 4o ciclo de 2015. 1996. edição. BERANEK. Ruído. L. BIES AND HANSEN. 1978. SAMIR. 2a. Acústica Aplicada ao Controle do Ruído. Bruel & Kjaer. 4. edição. Controle de ruído em sistemas VAC 218 BIBLIOGRAFIA 1. 5. 2ª edição revista.1982. McGraw-Hill 1971. Fundamentos e Controle. Manual de Hygiene Industrial. 1991. Handbook of Noise Control.ed. M. Blucher 2011. C. 8. 2. 3a. 9. BISTAFA. Noise and Vibration Control. L. ASHRAE Systems Volume chapter 35 – Sound and Vibration – 1984 11. 7. edição. . American Industrial Hygiene Association (AIHA). Engineering Noise Control. L. Bruel & Kjaer. Fundación MAPFRE. 3. R. BERANEK. 1979. L. 2a. HARRIS. Noise and Vibration Control. S.1a.Capítulo 11. 2a. 1975. 6. 1992. ed. Noise Control: Principles and Practice.