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27/02/2015

RevistaVirtualPartes­Educação­Refletindosobreaobra“ProfissãoProfessor”:contribuiçõesdeAntônioNóvoa.

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últimaatualizaçãoem:quinta­feira,06desetembrode201220:46:45

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EDUCAÇÃO

Refletindosobreaobra“ProfissãoProfessor”:

contribuiçõesdeAntônioNóvoa. [1]

JamilyCharãoVargas

publicadoem01/10/2008

Quando pensamos a profissão docente, não

conseguimosomitirarealizaçãode

vários

assuntos,diversosconceitoseuma complexidade de concepções do “serprofessor”quecarregamosao longo de nosso ofício docente. Assim, muitas questões permeiam a nossa profissão, sendo importanterefletirsobreaimagem e a função do professor ao longo do tempo, e como elas se estabelecem hoje. Na obra “Profissão Professor” de Antônio Nóvoa, encontramos pontos de vistas de autores, oportunizando­nos uma reflexão sobre a situação atual da profissão docente. Segundo Nóvoa (1999, p.10) “É verdade que os professoresestãopresentesemtodososdiscursossobrea educação. Por uma ou por outra razão, fala­se sempre deles.Masmuitasvezesestá­lhesreservadoo“lugardo

morto [2] ””.Percebemos,assim,queserprofessorrequer uma busca constante da identidade profissional, não aceitandopassivamenteospapéisqueanósestáinstituído pelosistemaeducativo.Dessemodo,destacoarelevância da leitura desta obra de Nóvoa (1999) para compreendermos a situação atual da profissão docente, analisandoerefletindofrenteàhistóriadaeducaçãoeao lugar ocupado pela nossa profissão ao longo do tempo.

lugar ocupado pela nossa profissão ao longo do tempo. uma reflexão sobre No primeiro capítulo intitulado

uma

reflexão sobre

No primeiro capítulo intitulado “O passado e o presentedosprofessores”,opróprioNóvoasalienteque nasegundametadedoséculoXVIII,naEuropa,ocorreua estatizaçãodoensinoeoprofessorpassouaserlaicoe nãomaisreligioso.Assim,buscou­seesboçarummodelo para oprofessor, oqual tinha um perfil próximoaodo

padre.Osprofessorespassaramaterpresençamaisativa eintensanaeducação,produzindoum“corpodesaberese

detécnicas [3] ”eum“conjuntodenormasevalores [4] ”.O Estado instituiu os professores como um corpo profissional, provocando a hierarquização, homogeneizaçãoe unificaçãodos profissionais docentes, tornando­nos funcionários com ações de forte intenção política,valorizando­nosdevidoànossarelevânciasocial. Dessaforma,ocorreuaprofissionalizaçãodoprofessoreo

::sobreoautor::

::sobreoautor:: JamilyCharãoVargas é lLicenciadaemPedagogia pelaUFSM;Mestrandaem EducaçãopelaUFSM.–

JamilyCharãoVargas é lLicenciadaemPedagogia pelaUFSM;Mestrandaem EducaçãopelaUFSM.– vargas_mily@yahoo.com.br

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VâniaWarwarArchanjo

publicadoem13/08/2008

27/02/2015

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trabalhodocentepassouaserassuntodeespecialista,não mais sendo uma atividade secundária. Nesse momento, tambémocorreutransformaçãonaescola, que passoua serainstituiçãodeascensãosocial.

NoséculoXIX, segundoNóvoa (1999), ocorreua expansão da escola pela grande procura da sociedade devido à crença na superioridade social por meio desta instituição. Juntamente a este acontecimento, ocorreu a institucionalizaçãodaformaçãoespecíficaeespecializada paraoprofessor:asescolasnormais,queconsolidarama imagem e o estatuto do professor, mas também oportunizaram um maior controle estatal. A partir da segunda metade do século XIX, a profissão docente passou a ser marcada por ambigüidades, pois os professores não são burgueses, não são do povo, não devemserintelectuais,devemterinstruçãoerelacionar­ se com todos os grupos sociais. Todas estas questões reforçam a feminização, o isolamento social e a indefiniçãodoestatutodanossaprofissão,masporoutro lado também avigoram a solidariedade interna entre os profissionaiseaformaçãodeumaidentidadedecente.No começo do século XX iniciou­se um maior prestígio do professordevidoàsaçõesdasAssociaçõesProfissionaisde Professores e à adesão a um conjunto de normas e valores.

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publicarartigos– RevistaVirtual Partes ::apoiadores:: ©copyrightRevista P@rtes2000­2008 Editor:GilbertodaSilva

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(Mtb16.278)

SãoPaulo­Brasil

Apesar do prestígio da profissão docente permanecer intacto e das sociedades modernas perceberem a importância de investir na educação

atualmente,Novoa(1999)salientaqueosprofessoresnão

sãovalorizadosdeformaíntegraedigna:nossosalário, muitas vezes, não serve nem para o sustento; nossa função é múltipla; as regras para entrada no curso de formação de professores são inadequadas; a formação inicial e continuada são, muitas vezes, ineficazes. Para Nóvoa (1999) os professores, há muito tempo, vêm sofrendodeumasituaçãodemal­estarnaprofissão,que causa desmotivação pessoal com a docência, abandono, insatisfação,indisposição,desinvestimentoeausênciade reflexão crítica, entre outros sintomas que demonstram umaautodepreciaçãodoprofessor.Estasituaçãoabarcaa crise da profissão docente, que vem sendo bastante analisadaediscutidapelosteóricoscontemporâneos.

Torna­seimportantepensarmosaprofissãodocente em relação às ações educativas do professor e do seu trabalhopedagógico.NocapítuloII,“Oeducadoreaacção sensata”,DanielHamelinedestacaqueagiréumprocesso querequerum“desvendamentode nós”. Para Hameline (1999), não precisamos nem devemos tentar fazer o máximo na educação, pois excelência é diferente de maximização.Eleressaltaqueosprofessores“práticos”, queproduzemtesesapartirdaanálisedassuasescolas, suas práticas ouseus alunos, são questionados sobre a validade deste trabalho. Porém, na maioria das vezes estes docentes são os que mais se preocupam com a

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qualidadedaeducaçãodeseusalunos.Háprofessoresque

buscam “modelizar [5] ” suas práticas, o que empobrece suas ações, pois as padronizam de forma sistemática e metódica. Oideal, segundo o autor, não é “modelizar”,

mas sim “modalizar [6] ” as práticas, pois assim enriquecem as suas ações através de várias “modalidades”, ou várias maneiras de realizar o processo.

Éimportante todo o profissional da educação ter consciênciasobreassuaspráticasparaagirfrenteaelas. Issopermiteaformaçãodeumconjuntodecaracterísticas específicas do ser professor, que devem ser contextualizadas,abrangendoopedagógico,oprofissional eosócio­cultural.Assim,nãoéfácildefiniroconceitode “serprofessor”,vistoqueapráticadocenteabrangeessas diferentes dimensões e é determinada por várias instâncias:ocoletivosocial dos professores;oprestígio relativo da profissão; a posição social do professor. No Capítulo III desta obra, intitulado “Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores”, Gimeno Sacristán considera a definição cultural da função do professor, determinada pelas necessidadessociaisqueaeducaçãodeve dar resposta. Dessaforma,oautordestacaqueodebatesocialsobrea educação constrói diferentes exigências em relação à funçãodocente,poisaevoluçãoemqueasociedadese encontra acarreta cada vez mais atividades e responsabilidadesaseremcumpridaspelaescolaemais aspirações educativas a serem assumidas pelos professores.

Tudoissoocasionaaindefiniçãodarealfunçãodo professor,poisasexigênciasfrenteàprofissãoabrangem aspectosdeensino­aprendizagem,decuidadosàinfância, de higiene, de saúde, de administração escolar, de respeitoe trabalhocom os diferentes contextos sociais, econômicos e culturais, bem como com as diferentes estruturasfamiliaresdehoje.Podemosconsiderarqueos professores,emcertosmomentos,assumemopapel de psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, e mesmodepaiemãe.Assumiraprofissãodocentehojeé umdesafio,poisalémdestaindefiniçãoemsuasfunções, Sacristán (1999) destaca que o professor não detém a exclusividade na responsabilidade de suas ações educativas, devido às influências políticas, econômicas, culturaiseàdesprofissionalizaçãodoprofessorado.

ConformeSacristán(1999,p.68)“Osprofessores

não produzem os conhecimentos que são chamados a reproduzir nem determinam as estratégias práticas de ação.Porisso,émuitoimportanteanalisarodignificado dapráticaeducativa ”Oautorprosseguecolocandoquea práticaeducativanãoselimitaapenasàsatividadesdos professores, pois está interligada e depende dos vários contextosemquenosencontramos:hápráticasdecaráter

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antropológico, práticas institucionalizadas e práticas concorrentes (que são os mecanismos de supervisão). Estadiversidadedefunçõesprovocaasuperabundânciade saberes docentes, pois cada tarefa exige conhecimentos específicos,sendonecessáriaumaconsciênciaprogressiva daprática,semadesvalorizaçãodateoria.

Todasasmudançassociaisocorridasnosúltimos tempostambéminfluenciamavidapessoaleprofissional dos professores, colocando­os novos desafios. Estes são explorados no Capítulo IV, “Mudanças sociais e função docente”,porJoséEsteve,ressaltandoqueasmudanças justificamatentativadereformadoensino,poisemboraa sociedade tenha sofrido tantas transformações, nosso sistemaeducacionalpermaneceigual.Háumdesgasteda imagem social do ensino e dos professores; com a passagemdosistemadeensinodeeliteparaosistemade ensino de massa, aumentou­se a quantidade de alunos, heterogeneizando as turmas; ensinar não é mais fácil comoantigamente.Assim,encontramo­nosnumceticismo em relação à educação, pois a sociedade não acredita mais que esta pode ser melhorada oupode melhorar o nossofuturo.

Asituaçãodosprofessoresperante

a mudança social é comparável à

de um grupo de actores, vestidos

comtrajesdedeterminadaépoca,

aquemsemprévioavisodemuda

o cenário, em metade do palco,

desenrolando um novo pano de fundo, no cenário anterior. Uma nova encenação pós­moderna, colorida e fluorescente, oculta a anterior, clássica e severa.

(Esteve,1999,p.97)

Osprofessoressentem­seperdidosfrenteaonovo cenáriodaeducaçãoe,asreaçõesperanteestedesajuste, é o que conhecemos por “mal­estar docente”, que vem sendo muito discutido por grandes teóricos da contemporaneidade, pois pode ocasionar uma crise de identidadenosprofessores.Nessemal­estardocente,há diferentesreaçõesdosprofessores,apontadasporEsteve (1999), como:desajustamentoe insatisfaçãoperante os problemasreaisdaprática;pedidosdetransferênciapara fugir das situações problemas;inibição de envolvimento pessoal; desejo de abandono da profissão; absentismo laboral; esgotamento; estresse; ansiedade; autodepreciação;reaçõesneuróticas;depressões.Noque serefereàformaçãodosprofessoresperantetodasestas transformações e os problemas ocasionados por elas, é preciso identificarmos erros e incorporarmos novos modelos na formação inicial para evitar o aumento de profissionais da educação desajustados às demandas sociais, bem comoarticularmos estruturas de apoioaos professores.

NocapítuloV,“Aspectossociaisdacriatividadedo professor”, Peter Woods ressalta que cada situação de

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ensinoéúnica,devidoaousodacriatividade,quepode ser produto de uma experimentação ou inesperada e repentina.Masque,emambasasmaneiras,acriatividade proporciona a capacidade de o professor elaborar seu próprio trabalho e ter satisfação e realização pessoal e profissional. Acriatividadedocentepodeser umaforma muitoeficazparaalibertaçãodoprofissionaldocentena contemporaneidade, pois uma vez desenvolvida nos professorespodetrazerinovações,alargandofronteirasdo convencional, introduzindo ou combinando novos fatores napráticadocente.

Acreditamosqueénecessáriorefletirmossobreo ofíciodocente,colocandoempautanestareflexãootempo de mudanças em que estamos, ressaltando a fase da carreiraemqueoprofessorseencontra,asrelaçõesentre osprofissionaisdocenteseopercursoprofissionaldecada professor.IssoéressaltadoporMariaHelenaCavaco,no últimocapítulodestaobra,intitulado“Ofíciodoprofessor:

otempoeasmudanças”

Se a escola se organizar para acolherosnovosdocentes,abrindo ocaminhoparaquepossamrefletir eultrapassardeformapertinentee ajustada as suas dificuldades, se assumir colectivamente a responsabilidade do seu encaminhamento através de projetos de formação profissional, talvezcontribuaparainverter,por essavia,aactualtendênciaparaa descrença generalizada que se associa à desvalorizaçãosocial da imagem do professor. (Cavaco,

1999,p.168)

Asescolas, juntamentecomasinstituiçõesde formação de professores, têm grande poder para a transformação desta realidade em que se encontra a profissãodocente,poisaparceriadestasduasinstâncias pode, sem dúvida, qualificar a formação do profissional para uma educação mais adequada e pertinente à sociedadecontemporânea.

ResenhadaObra:

NÓVOA, Antonio. Profissão professor. NÓVOA, A. (org.).

Profissãoprofessor.2ed.Porto:PortoEditora,1999.

[1] JamilyCharãoVargas,LicenciadaemPedagogia,Mestrandaem EducaçãopelaUFSM.

[2] O autor recorre à imagem de bridge, explicando que esta expressãorefere­seaoserquenãopodeinterferirnojogo,masé obrigada a expor suas cartas em cima da mesa, onde nenhuma jogadaéfeitasematendersuascartas.

[3] Organizaçãodeprincípioseestratégiasdeensino,quasesempre produzidosnoexteriordomundodosprofessores.

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[4] Influenciadosporcrençaseatitudesmoraisereligiosas.

[5] Expressão utilizada por Hameline (1999) para falar da padronizaçãoaumtipodeprática.

[6] Expressão que Hameline (1999) utiliza para falar da diversas maneirasdeprocederemnossaspráticas.

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