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Curso de Serviço Social

Disciplina: Políticas Especiais
Professoras: Kamila Delfino

ROTEIRO 3

Aula: Discriminação a pessoa com deficiência: iniciando o debate

 Especialistas, pesquisadores, reabilitadores, educadores, gestores e
pessoas com deficiência têm utilizado modelos de estrutura da
deficiência a fim de avançar a implementação dos direitos do segmento
populacional em foco.
 O conceito de estrutura da deficiência reflete o entendimento de que a
deficiência tem sido percebida como uma estrutura constituída por
fatores do corpo humano, tais como: lesão, perda ou ausência de
membros, anomalia, malformação, insuficiência, déficit, disfunção. Por
outro lado, estes fatores, por existirem dentro do corpo, têm sido
frequentemente confundidos como doenças criando a falsa ideia de que
deficiência e doença seriam a mesma coisa.

Surgiu daí a histórica atitude da sociedade no sentido de tratar
pessoas com deficiência como se elas fossem pessoas doentes
pelo simples fato de terem uma deficiência.
Aumentando ainda mais esse tratamento equivocado, a palavra
deficiência tem sido substituída aleatoriamente por termos, tais
como incapacidade, limitação, invalidez, defeito, desvantagem,
como se fossem sinônimos.
Os modelos de estrutura da deficiência são muitos, se
considerarmos a longa história das atitudes da sociedade em
relação às pessoas com deficiência.

MODELOS DE ESTRUTURA DE DEFICIÊNCIA

Na primeira etapa da história das pessoas com deficiência,
chamada EXCLUSÃO (da antiguidade até o século 19),
predominou o modelo de REJEIÇÃO SOCIAL, deixando as
pessoas abandonadas à própria sorte, longe da sociedade que se
considerava valorosa, normal, útil. Em algumas culturas mais
antigas, estas pessoas eram levadas à morte. Este modelo de
estrutura da deficiência era todo constituído de noções negativas
sobre o valor social das pessoas com deficiência; portanto, noções
de inutilidade ou invalidez.

normalização. prestando-lhes alguma atenção básica: abrigo. Na terceira etapa. ao considerá-las merecedoras. algumas conseguiram ser matriculadas em escolas comuns ou admitidas no mercado aberto de trabalho. CONCEITO DE EQUIPARAÇÃO DE OPORTUNIDADES • Defende a necessidade de adaptação e adequação dos sistemas sociais comuns.• • • Na segunda etapa. A quarta etapa. Integração (adaptação ao meio. Participação e Inclusão Social. recreação (estrutura conhecida como MODELO ASSISTENCIALISTA). Estas eram as poucas pessoas com deficiência que conseguiram procurar o governo ou a comunidade que. algumas pessoas com deficiência tiveram a rara oportunidade de receber tais serviços. a sociedade e o governo – por caridade ou conveniência – confinavam as pessoas com deficiência em instituições terminais. Dentre as pessoas reabilitadas. a de maior impacto. treinamento). caridade. ainda com uma abordagem assistencialista e voltadas à sobrevivência dos próprios membros e não de pessoas ou familiares que não pertencessem a tais associações. . do Ano Internacional das Pessoas Deficientes (1981). lhes dava ajuda material suficiente para sobreviverem. a INCLUSÃO (a partir da década de 90 do século 20) teve suas sementes plantadas pelos movimentos de luta das próprias pessoas com deficiência (surgidos no Brasil a partir de 1979). A luta foi fortalecida pelo lema Participação Plena e Igualdade. alimentação. desde que demonstrassem capacidade para estudar ou exercer alguma atividade laboral (condição conhecida como MODELO MÉDICO DA DEFICIÊNCIA). Pessoa com deficiência manifesta-se com relação às suas necessidades. mediante eliminação de barreiras do ambiente. as primeiras associações de pessoas com deficiência ou de familiares destas pessoas. a da SEGREGAÇÃO (a partir de 1910). MUDANÇA DE PARADIGMAS • • • • • • Exclusão (extermínio. foi a que acrescentou à bandeira da reabilitação – que defendia a preparação de pessoas com deficiência como condição para entrarem na sociedade . punição. Sociedade planeja e aplica sistemas de apoio na prestação de serviços que visam a qualidade de vida e inclusão social da pessoa com deficiência. assistencialismo). Surgiram. também. quando surgiram serviços públicos e particulares de reabilitação física e profissional (início dos anos 40) e sob a inspiração da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). a fim de que as pessoas com deficiência possam participar em todos os aspectos da sociedade. conhecida como INTEGRAÇÃO. As demais pessoas com deficiência não tiveram acesso a tais serviços. Uma dessas sementes. vestuário. perseguição) Segregação (Isolamento social.

O vetor da exclusão/inclusão não está. mas no valor a ela atribuído. mas respeitá-la como constitutiva do humano. INCLUSÇAO SOCIAL • • • • • Falar em Inclusão Social implica falar em democratização dos espaços sociais. a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência . e que estabelece como Princípios Gerais. 3: a) O respeito pela dignidade inerente. portanto. Assistencialista e Médico). e. em crença na diversidade como valor. letra e. e) A igualdade de oportunidades. em 2008.) e resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas” (Preâmbulo. o Modelo Social da Deficiência diz que o tal problema está na sociedade em forma de barreiras atitudinais e barreiras ambientais O Brasil ratificou. d) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade. adotada pela ONU em 13/12/2006.. Pessoas com Deficiência (Artigo 1 . a qual foi promulgada com equivalência de Emenda Constitucional pelo Decreto 6. que – como ponto em comum – sugeriram estar nas pessoas com deficiência o problema que as tornava incapazes de fazer parte da sociedade. na sociedade para todos. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência). na diferença em si. g) A igualdade entre o homem e a mulher. Diferentemente dos modelos anteriores (Rejeição Social.949 da Presidência da República. inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas. da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência).• • Este conceito veio a ser chamado MODELO SOCIAL DE DEFICIÊNCIA.. não é negar a diferença. h) O respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência e pelo direito das crianças com deficiência de preservar sua identidade. e a independência das pessoas. CONCEITO • • Deficiência “é um conceito em evolução (. em seu Art. A Inclusão é uma proposta de construção de cidadania. principalmente. O valor – positivo ou negativo – que se atribui à diferença é algo construído nas relações humanas. . Incluir não é apenas colocar junto. b) A não discriminação. a autonomia individual. c) A plena e efetiva participação e inclusão na sociedade.Propósito. f) A acessibilidade.

Ligia Assumpção. Família e escola: parceria Família é o núcleo que promove a inclusão da criança no primeiro nível de organização social. Rio de Janeiro: WVA. jul. São Paulo: Robe.TERMINOLOGIA • Ao longo dos anos. Tecnologia assistiva É todo arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e. consequentemente. impedimento. PARA PENSAR!!!! • Refletir sobre a questão dos direitos das pessoas com deficiência significa hoje discutir cidadania e democracia. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. s/ano. acarretando limitações físicas de grau e gravidades variáveis para o desempenho de funções. o termo correto a ser utilizado é: Pessoa com Deficiência. São Paulo. promover vida independente e inclusão. os termos que definem a deficiência foram adequando-se à evolução da ciência e da sociedade. Atualmente. aprovado pela Assembleia Geral da ONU.  Mental: Designação que caracteriza os problemas que ocorrem no cérebro e levam a um baixo rendimento. Pensar a mesma questão no contexto brasileiro nos obriga a uma série de análises que envolvem justiça social e direitos humanos e nos levam a considerar as muitas e incontáveis imposições econômicas e sociais que fazem dessa população um radical exemplo de exclusão social em nosso país. Conhecendo a deficiência (em companhia de Hércules). o qual envolve o sistema ósteo-articular. Por falar em classisficação em deficiências. deficiência e incapacidade. em 2006 e ratificada no Brasil em julho de 2008. Romeu Kazumi. 2010./ago. Esta diminuição da resposta visual pode variar de leve a severa ou até a ausência total da resposta visual. Revista Reação. Causa. _____. 8. o sistema muscular e o sistema nervoso. . Revista Brasileira de Tradução Visual – RBTV. ano XIV.  Visual: refere-se à diminuição da resposta visual. 2012. 1995. que faz parte do texto aprovado pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência. 87. p. Bibliografia • • • • SASSAKI. O papel da família e da escola poderá ser definido em conjunto. Alguns tipos de deficiência  Física: é toda alteração que compromete o aparelho locomotor. 14-16. mas que não afetam outras regiões ou áreas cerebrais. em virtudes de causas congênitas ou adquiridas.ed. n. AMARAL. igualdade social e respeito às diferenças. segundo a inclusão. _____.