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Eliana Lucia Ferreira

(organizadora)

ATIVIDADES FÍSICAS
INCLUSIVAS PARA PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA
Volume 4

Mogi das Cruzes
Confederação Brasileira de
Dança em Cadeira de Rodas
2011

© 2011 by Eliana Lucia Ferreira (organizadora).
Direitos desta edição reservados à Confederação Brasileira
de Dança em Cadeira de Rodas.
Capa: Bruno Ferreira
Projeto gráfico, diagramação e editoração: Camilla Pinheiro
Revisão: Hierania Morisoon
Os textos são de responsabilidade total de seus autores.
Dados internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
A872

Atividades físicas inclusivas para pessoas com
deficiência / Eliana Lucia Ferreira (organizadora). - Mogi das Cruzes : Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas, 2011.
122 p. : il. ; 21 cm. ─ (Inclusão e deficiência ; v. 4)
Inclui bibliografias.
ISBN 978-85-89427-09-8
1. Esportes para deficientes físicos. 2. Deficientes físicos – Reabilitação. I. Ferreira,
Eliana Lucia. II. Confederação Brasileira de Dança
em Cadeira de Rodas. III. Título. IV. Série.
CDD 796.109

Apoio: SECADI- Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização, Diversidade e Inclusão
Reitor
Henrique Duque de Miranda
Chaves Filho

Faculdade de Educação Física
Diretora
Edna Ribeiro Hernandez Martim

Vice-Reitor
José Luiz Rezende Pereira

Grupo de Pesquisa em Inclusão,
Movimento e Ensino a Distância (GIME)
Eliana Lucia Ferreira

Pró-Reitor de Pós-graduação
Fernando Salgueiro Perobelli

FAEFID – Faculdade de Educação Física e Desportos Campus Universitário da UFJF
Bairro Martelos – CEP 36036-900 – Juiz de Fora, MG
Distribuição gratuita

SUMÁRIO

PREFÁCIO.......................................................................................

7

APRESENTAÇÃO...........................................................................

11

ATIVIDADE FÍSICA E ESPORTE INCLUSIVO:
COMPARTILHANDO UM OBJETIVO EM COMUM..............

15

Rubén Pérez Nieto
Diana Ruiz Vicente

1
2
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
2.9
2.10

INTRODUÇÃO.................................................................................................
PONTO DE PARTIDA.....................................................................................
MODELOS DE INCLUSÃO..............................................................................
PROPOSTAS PRÁTICAS..................................................................................
GOLBOL..........................................................................................................
BOCHA...............................................................................................................
BASQUETE / BASQUETE SOBRE RODAS....................................................
BADMINTON SENTADO.................................................................................
BADMINTON E BADMINTON EM CADEIRA DE RODAS........................
RUGBY EM CADEIRA DE RODAS.................................................................
SLALOM..........................................................................................................
TÊNIS/ TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS....................................................

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......................1 2... DEFICIÊNCIA E ATIVIDADE FÍSICA: O MOVIMENTO COMO ELEMENTO PRINCIPAL DO PROCESSO INTERATIVO...... EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA.......................................... FISIOPATOLOGIA DAS PRINCIPAIS DEFICIÊNCIAS FÍSICAS................................................................................................ REFERÊNCIAS.......................................................................................... CONCLUSÃO.... A DEFICIÊNCIA FÍSICA: DESCRIÇÃO E ANÁLISE HISTÓRICA.................... 61 63 66 71 75 78 80 ......3 3 4 INTRODUÇÃO................................... CLASSIFICAÇÕES TOPOGRÁFICAS DAS DEFICIÊNCIAS.............................................................................................................................................. 47 Eliana Lucia Ferreira Michelle Aline Barreto 1 2 3 INTRODUÇÃO............ 59 Ivaldo Brandão Vieira 1 2 2........................................ CONCEITO...........12 VÔLEI SENTADO......................................2............................. 38 39 REFERÊNCIAS........................................................... EDUCAÇÃO FÍSICA E A DEFICIÊNCIA FÍSICA............................................................................................... 42 PRÁTICAS CORPORAIS INCLUSIVAS......................................... 49 50 54 57 ATIVIDADES E ESPORTES INCLUSIVOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA......... DESAFIOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA........................11 2...............2 2.........................................................................................................................................

........ ESPORTE ADAPTADO...............................1 5.......................................................3 6....... COBRA GIGANTE....................... MOVIMENTOS PLACENTÁRIOS.... CORDA AMIGA..........................................................................................................................4.............................................................. O JOGO DA BOCHA................................2 MUDANÇAS DE PARADIGMAS E INCLUSÃO............................... HISTÓRICO INTERNACIONAL................1 7.2 5............................... O LÚDICO COMO FACILITADOR DA INCLUSÃO............................. 80 82 84 85 86 87 88 90 91 92 92 95 99 100 103 105 107 108 109 111 112 113 ......................................................................5 5............... 5 5....6 6 6....................................................................... APRESENTAÇÃO.4 5.......................................................................................................................................................4................................2 7........................................ HISTÓRICO NACIONAL..2 ATIVIDADES E JOGOS FACILITADORES DA INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA...................... O POLYBAT...1 4................................................................................. ARREMESSAR BOLAS............................................................................1 6......................................1 7................3 7..................5 7 7........................................................... Objetivos....................................................... BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DO DESPORTO E DA ATIVIDADE FÍSICA PARA PESSOAS QUE APRESENTAM DEFICIÊNCIA FÍSICA.... ATIVIDADES ALTERNATIVAS PARA INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA SEVERA............................. PROGRAMA DE ESPORTES PARAOLÍMPICOS....3 5.................. Benefícios proporcionados pela prática da modalidade...4....................4 7...........................................................2 6...............4 6................................................................................ INTRODUÇÃO À CORRIDA DE RUNNING RACE OU PETRA.................................. EXPERIMENTAR................................... O RUNNING RACE OU PETRA. ESPORTE PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA....................

............................................................... 117 REFERÊNCIAS....................................... 116 7...............................................................................................4...............3 Técnicas de deslocamento...................7......4.............................................................................................. 114 7..4 Indicações de uso.........................4...........5 Acidentes e precauções...... 118 ....

a implantação de salas de recursos multifuncionais e a acessibilidade das escolas da rede pública de ensino. 7 . em todo o território brasileiro.094). na modalidade a distância. a SEESP criou o Programa da Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial. garantindo condições para o acesso e a permanência dos alunos público alvo da educação especial no ensino regular e a oferta do atendimento educacional especializado. com o objetivo de apoiar os sistemas de ensino na implementação da política de formação continuada de professores na educação especial.PREFÁCIO O Ministério da Educação lançou em 2007 o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE (Decreto nº 6. A perspectiva da educação inclusiva. para a construção de projetos pedagógicos que atendam a necessidade de organização das escolas e de desenvolvimento de práticas pedagógicas que respeitem a diversidade humana. Estados. que tem como um dos seus eixos norteadores a formação de professores para a educação especial. Distrito Federal e Municípios. No âmbito do PDE. que contribui no âmbito da União. consolidando uma educação para todos.

Para implementar o Programa da Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial. em 2008. na área da Educação Especial. aperfeiçoamento e de especialização lato sensu). na mo- 8 .Na perspectiva do desenvolvimento inclusivo da escola. que acompanha os avanços do conhecimento acadêmico. a Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial promove a oferta de cursos gratuitos de formação continuada (níveis de extensão. das lutas sociais e da própria legislação/política no que tange aos direitos humanos do cidadão. na modalidade a distância. Sendo assim. Estadual e do Distrito Federal. Dentre outros objetivos desta Política está a formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais professores para as práticas pedagógicas no contexto da inclusão escolar. com o fim de aprofundar as políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos. no âmbito da Universidade Aberta do Brasil – UAB. publica a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva no Brasil. o MEC por meio de sua Secretaria de Educação Especial (SEESP). para os professores da rede pública de educação básica ofertados por Instituições Públicas de Ensino Superior integradas ao apoio efetivo das Secretarias de Educação Municipal.

Ferreira vinculados ao Curso de Aperfeiçoamento em Atividade Física para Pessoas com Deficiência Física do Programa da Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial do MEC/SEESP.dalidade a distância. tendo como título Atividades físicas inclusivas para pessoas com deficiência como um dos resultados do trabalho de qualidade desenvolvido pelo grupo de pesquisadores coordenados pela Profa. E foi na primeira Chamada Pública. Dra. 9 . que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) obteve a aprovação da proposta do Curso de Extensão “Atividade Física para Pessoas com Deficiência Física”. Editais MEC/SEESP no 2 e 6/2007. Eliana L. da Plataforma Freire.Nesse sentido. desde então a UFJF pertence a Rede e tem sido uma das parceiras e agentes na efetivação de uma política pública de educação inclusiva. Estes mecanismos possibilitam que gestores e educadores possam ter acesso a oferta de cursos e que as instituições de educação superior organizem suas turmas. a SEESP/MEC utilizou-se de Editais com chamadas públicas. é com muita satisfação que apresentamos a Série Inclusão e Deficiência. Assim. promovendo cursos de formação continuada na área da educação especial. do Plano de Ações Articuladas – PAR e a partir de 2009.

Claudia Pereira Dutra Secretária de Educação Continuada.Os autores estão de parabéns pela publicação e divulgação dessa Série. de fomento a produção de conhecimentos. desenvolvimento e disseminação de metodologias educacionais inovadoras na área da Educação Física inclusiva. Diversidade e Inclusão (SECADI) Maria Medianeira Padoin Professora da Universidade Federal de Santa Maria 10 . que apresenta os volumes de Atividades físicas inclusivas para pessoas com deficiência. Alfabetização. Este trabalho constitui um referencial importante para a formação inicial e continuada dos professores no que se refere às novas práticas de uma educação especial na perspectiva da educação inclusiva. atendendo aos objetivos da Rede.

assim como das contribuições que a sociedade tende a oferecer. mas de buscar a partir do contraste histórico entre deficiência e as propostas de inclusão. Os estudos têm mostrado que as pessoas com deficiência proclamam uma urgência de experimentar vivências corporais e de sobreviver socialmente. um importante passo para a efetivação dessas conquistas tem ocorrido nas escolas através do desenvolvimento de atividades físicas inclusivas que estão cada vez mais presentes. a publicação desta série Inclusão e Deficiência ora proposta. pela tomada de consciência de seus direitos sociais e também corporais. Sendo assim. destina-se a orientar professores de 11 .APRESENTAÇÃO A obtenção da igualdade de oportunidades das pessoas com deficiência passa. necessariamente. É uma espécie de necessidade. uma identidade mais definida. uma nova forma de organização para o que já existe. entre outros avanços. não apenas de encontrar um modelo de vida diferente. Na área da Educação Física. isto é.

Metodologicamente. O nosso interesse aqui é intensificar as ações de atividades físicas inclusivas que estão ocorrendo no interior das escolas. os autores foram além de buscar o entendimento corporal para a melhora de uma técnica de movimento. mostrando suas especificidades e memórias. Nos momentos seguintes desta série foram construídos tendo como referencial as possibilidades do movimento corporal através de atividades físicas e esportivas. No 12 . a participação das pessoas com deficiência nas aulas de Educação Física. a série está dividida em quatro momentos: nos dois primeiros. sabemos que não podemos delimitar os caminhos que as pessoas com deficiência são capazes de percorrer. Nos textos aqui apresentados. do que é a deficiência. está o alargamento da compreensão do que é o corpo.Educação Física que estão na busca de uma sociedade mais justa e consequentemente mais participativa. Queremos assim. estimular cada vez mais. Comum em todos os textos. mostraram as possibilidades e as capacidades expressivas do corpo. Mas. os autores buscaram discutir sobre a questão da inclusão.

entanto acreditamos. mas de criar tensões que lhe provoquem a necessidade de extravasar o seu corpo real para uma vida social calcada na diversidade corporal/social. pois acreditamos que a partir do momento em que as pessoas com deficiência conseguem enfrentar o processo de deficiência. elas elaborarão os seus próprios movimentos. que é necessário o compromisso de romper com as barreiras corporais e depois dar a oportunidade a estes indivíduos de decidirem sobre o seu próprio corpo. aqui. 13 . não abordam sobre as possibilidades de oportunizar o corpo à realização de movimentos corporais. como um primeiro passo. de atividade física. As propostas.

ATIVIDADE
FÍSICA E ESPORTE
INCLUSIVO:

COMPARTILHANDO
UM OBJETIVO EM
COMUM*
Rubén Pérez Nieto**
Diana Ruiz Vicente***

* Texto traduzido por Flavia Regina Ferreira Alves.
** Secretario técnico de la Federación Española de Deportes de Personas con
Discapacidad Física. Profesor de la Universidad Camilo José Cela (Madrid).
*** Profesora de la Universidad Camilo José Cela (Madrid).

1 INTRODUÇÃO Neste trabalho. propiciando controle voluntário com a prática regular de exercícios. a Assembléia Geral das Nações Unidas declarou os direitos das pessoas com deficiência. 2006). A dimensão 17 . queremos abordar as diferenças na produção no desenvolvimento de atividades físicas e esportivas inclusivas em nossa sociedade respondendo à necessidade de igualdade de tratamento das pessoas com necessidades especiais em todos os âmbitos nos quais vivem. com todas as pessoas. Em 13 de dezembro de 2006. Esse é um caminho natural para a normalização e a realização de atividades físicas para pessoas com deficiencia em sua vida diária. Podemos destacar que a dimensão física evita o sedentarismo e a atrofia músculo-esquelético. É importante recordar os inúmeros benefícios que a prática de atividades físicas e esportiva tem para todas as pessoas. como em esportes em geral e específicos para pessoas com deficiência (NAÇÕES UNIDAS. em atividades recreativas. de lazer e esportivas. especialmente para aquelas com deficiências. O artigo 30.5 do documento diz que as pessoas com deficiência têm o direito de participar em igualdade de condições.

É importante destacar esta última dimensão. porque podem desfrutar de uma atividade adequadamente programada. Os contatos frequentes entre as pessoas com e sem deficiência. sempre dentro das possibilidades de suas capacidades. As melhorias que ocorrem na dimensão social.psíquica melhora a autoestima. Este aspecto contempla. o que lhes permite se identificarem com maior facilidade e igualdade como um membro da sociedade. de forma ativa. graças ao conhecimento da primeira pessoa (do deficiente). O desenvolvimento adequado das atividades físicas e esportivas permitirá que a pessoa com deficiência tenha maior autonomia pessoal para ser independente. caracterizados pelas interações mútuas. e também resulta. facilitando a ocupação de tempo ocioso/livre. sem nenhum obstáculo a superar. podemse conseguir atitudes positivas. alcança objetivos possíveis e progressivos e ajuda a estabelecer limites pessoais mais ambiciosos. porque a atividade física e o esporte inclusivo favorecem a participação de pessoas com deficiência. em contextos diferentes. a confiança e o desejo de “fazer mais”. o estatus de igualdade entre ambos e os esforços cooperativos podem trazer-lhes grandes benefícios. Com essas relações. o que revela 18 . fomenta as relações com outras pessoas com e sem deficiências.

As atividades físicas e os esportes para pessoas com deficiência tiveram uma longa evolução desde meados do século XX. Atualmente. 1996). 1992. sendo um marco para o futuro das pessoas com deficiências que querem realizar atividades desportivas fora de uma perspectiva federativa (GARCÍA SANCHEZ.. existe uma nova forma de entender a atividade física e o esporte inclusivo. LYTE. LINDSTROM. 1967). embora com exceções até o século XXI. 2008. SHERRILL. Esse tem sido o modelo de funcionamento na maioria dos casos. em países combatentes na Segunda Grande Guerra Mundial (GUTTMANN. WILHITE et al. WILLIAMS. As primeiras atividades adaptadas e seus novos participantes eram realizados de forma independente por qualquer outra entidade organizada ou estruturada por órgãos direcionados a pessoas com deficiências. 2005. RODRIGUEZ. OSPINA.um papel muito importante nesse processo. inicialmente formando parte dos programas de reabilitação hospitalar para lesionados medulares. na concepção de um objetivo final e do ponto de vista inclusivo ainda mais (KASSER. 1997). Queremos oferecer aos profissionais de atividade física e esportiva uma nova visão para a execução da prática de 19 . quando podemos estabelecer sua origem.

sem adequações específicas. antes de expor propostas inclusivas de atividades físicas e esportivas para pessoas com deficiências. Há um único currículo utilizado para cada aluno. 2 PONTO DE PARTIDA O primeiro a se fazer. porque os meios entorno satisfazem as suas necessidades graças à formação do professor e de uma equipe multidisciplinares de apoio para todo o alunado.atividades baseada na experiência e no conhecimento das atividades físicas e esportivas. que é adequado para o seu desenvolvimento. Esse conceito parte da diversidade das 20 . As demais atividades se realizam para valorizar deficientes e todos os participantes com limitações em seu desenvolvimento. É um processo pelo qual as pessoas com deficiência compartilham experiências com as pessoas sem deficiência. partindo da definição utilizada no sistema educativo para as populações com necessidades educativas especiais. tanto em suas modalidades adaptadas como em pessoas sem deficiências. A inclusão é um movimento educativo (e social). é ter um ponto em comum na nomenclatura “inclusão”. Vamos descartar esse conceito.

O termo esporte inclusivo responde à introdução 21 . empregatício. Todos os alunos são objeto de um processo de inclusão e não se dirige exclusivamente aos alunos com deficiência. WATKINSON. Como conceito de proporcionar a cada indivíduo com necessidades apropriadas para o desenvolvimento motor ideal. CRAFT. em um mesmo cenário/palco. tendo a mesma consideração por elas e partindo do estatus de igualdade entre elas. sim. ocioso) agrega também a atividade física e o esporte (MORIÑA DIEZ. como faz a integração (ARDANAZ. talvez. DEPAUW. inclusiva e integrada que se desenvolve no âmbito educativo escolar. 2000. 2001).pessoas. independentemente de sua capacidade. Mas será que isso justifica a atividade física ou o esporte inclusivo? Como conceito de oferecer igualdade de oportunidades e direitos para todos os indivíduos da sociedade. 2000. 2004. O conceito de incluir as pessoas com deficiência em todos os âmbitos sociais (educativos. independentemente da educação física adaptada. GOODWIN. 2005. LYTE. STAINBACK. 1994. reconhecendo as necessidades e diferenças de todos. A atividade física e o esporte inclusivo são uma corrente que quer ampliar os cenários de ocorrência de atividades de desenvolvimento entre pessoas com e sem deficiências. 2004). KASSER.

pretende ser a manifestação final da aceitação da diversidade por parte da sociedade. SOSA.do sujeito com suas qualidades e capacidades. KASSER. Os esportes adaptados são em sua maioria (exceto aqueles criados especificamente) originalmente criados para os esportistas sem deficiência e adaptados às características dos seus praticantes.1 MODELOS DE INCLUSÃO Para poder realizar a prática do esporte e da atividade física inclusiva. É uma resposta. 2. Então a questão é: como pode- 22 . LYTE. 2005. devemos adaptar os regulamentos técnicos de diferentes modalidades desportivas para a prática inclusiva. exclusivamente praticado por pessoas com deficiência. É a união de dois mundos que tem caminhado paralelamente até agora e que são um reflexo da realidade. 2009. Essa visão da atividade física e do esporte que escapa das limitações próprias do esporte adaptado. 1992. no processo de extensão. mais do que uma proposta prática que simboliza a necessidade de igualdade para todos. destacando o seu potencial (HERNÁNDEZ. 2009). MENDOZA.

Consideramos que o objetivo final de qualquer prática inclusiva é que todos tenham as mesmas oportunidades de competir em uma atividade e alcançar êxito ou fracassar. para as quais serão necessárias algumas modificações (LIEBERMAN. 2009). ou as de sua versão adaptada. o equilíbrio é o ponto médio. Pode-se conseguir diversidade de opções de atividades físicas ou desportivas sem que se estabeleça um critério único e geral para elas. embora em termos de deficiência o 23 . com a possibilidade de subestimar esportistas deficientes? Como sempre. Vejamos algumas opções de jogos: Opção 1. Opção viável para aqueles atletas cuja deficiência não requer qualquer modificação de regime inicial do esporte para competir. seguindo suas próprias características e de pessoas com deficiência. Utilizam-se as regras do esporte original. Antes de responder a essas perguntas.mos competir com as regras originais do esporte com risco de superestimar as habilidades dos atletas com deficiência. teremos que determinar se o objetivo das atividades físicas inclusivas é a simples participação conjunta em uma série de necessidades.

Também é a escolha certa para pessoas com deficiência física compatível com a atividade física ou o esporte original praticado. Utilizam-se as regras do esporte original com alguma modificação do regulamento. É a opção mais recomendada em geral para pessoas com deficiência auditiva (surdez e perda auditiva). fazendo esqui.rendimento potencial alcançado possa ser inferior ao da pessoa sem deficiência. 24 . Também estão incluídos nessa opção de jogo fazer quaisquer alterações ou adaptações ao meio ambiente. • Uma pessoa com uma perna amputada jogando badminton. sempre que não haja influência no rendimento esportivo (atletas). Opção 2. tênis. Alguns exemplos são cobrir as janelas durante um jogo de futebol para pessoas com deficiência visual ou dar a um atleta surdo um sinal luminoso. na instalação de meios técnicos. basquetebol ou fazendo atletismo etc. tênis de mesa. nadando etc. Exemplos: • Uma pessoa com braço amputado jogando futebol. com deficiência visual (excluindo a cegueira) e deficiência intelectual leve.

Por outro lado. Os jogadores contrários defendem a pessoa com deficiência com algumas limitações que favoreçam a sua participação. como uma paralisia cerebral leve. As modificações no regulamento seriam: Colaboração de equipes esportivas e de oposição. para que seja válido quando realizada a jogada. os companheiros. mas não podendo remover/tirar o objeto (bola) diretamente. Incluem-se regras que aumentam a participação de uma maneira mais ativa do esportista com deficiência. 25 . somente quando realizar um passe em lançamento/movimento. por um lado. entre outros. afetam também os adversários. Algumas das adaptações para a sua realização é que haja um adversário com a mesma capacidade para defender de forma exclusiva. de modo que possa dificultar seu movimento. especialmente em esportes de equipe. Se existe um adversário com a mesma capacidade. É obrigatório passar a bola para um companheiro com deficiência durante a fase de ataque. com deficiência intelectual leve ou deficiência física. As regras afetam.Opção para aumentar a participação e a igualdade de oportunidades da pessoa com deficiência quando suas capacidades estão limitadas e irão criar uma desvantagem moderada durante a competição. de pessoas com deficiência visual. Pode ser o caso. é defendido na sua área.

futebol de 5 (para pessoas cegas). de forma que a pessoa com deficiência inicie com vantagem nas atividades esportivas. Powerlifting. tênis de mesa. A maneira mais fácil é o favorecimento. badminton. Outros exemplos são: voleibol sentado. badminton na modalidade sentado. é mais apropriado que todos os participantes compitam com as regras do esporte adaptado. Utilizam-se as regras do esporte original para as pessoas sem deficiência e as regras do esporte adaptado para as pessoas com deficiência.Esportes individuais.. Opção 4.). esgrima em cadeira de rodas. judô para cegos e deficientes visuais. Opção 3. rugby sobre rodas e outros. Utilizam-se as regras do esporte adaptado. como no goalball e no bocha. natação. slalom.. de modo que satisfaçam a necessidade de igualar a diferença moderada de rendimento. tanto em esportes com oposição (tênis.. Quando as características do esportista com deficiência têm uma grade diferença de rendimento com as regras originais esportivas.. esgrima. como naqueles sem oposição (atletismo. ou quando o esporte que praticam é especificamente criado para pessoas com deficiência.). É mais difícil estabelecer regras em comum para todas as modalidades. 26 .

Nestes casos minoritários. como o atletismo. a sua prática. No entanto. tênis sobre rodas. portanto. possibilitando-lhes competir e ganhar. não consideramos que nenhuma opção cumpra seu objetivo. É muito difícil encontrar uma forma de jogo adequada para esportistas com e sem deficiências que lhes dê os mesmos resultados e oportunidades para uma prática inclusiva nessas modalidades. será a melhor escolha. Alguns exemplos são: basquete em cadeira de rodas. 27 .Utiliza-se em casos que as pessoas com deficiência tenham possibilidade de realizar e competir com as regras originais do esporte e as pessoas sem deficiências usarão adaptações. Ocorrem na maioria dos esportes adaptados praticados em cadeira de rodas que contenham uma aprendizagem específica de movimento com as habilidades técnicas e táticas. existe um conjunto de esportes individuais que enfatizam o rendimento físico e técnico. o remo. badminton sobre rodas e tênis de mesa sobre rodas. A pessoa com deficiência não terá o mesmo rendimento na cadeira de rodas que o jogador amputado (coto). a natação e o ciclismo. de maneira adaptada para pessoas sem deficiência. em suas diferentes adaptações. em curto ou médio prazo. para que haja disponibilidade deste material.

um jogador com deficiência visual e um jogador com deficiência auditiva poderem jogar basquetebol com jogadores sem deficiência. Existem várias opções de jogos para a pessoa com deficiência. nos casos de um jogador em cadeira de rodas. teremos opções distintas de desenvolver atividades (opções de jogo) e possibilidades inclusivas muito amplas. como por exemplo.Se somarmos a variedade de atividades físicas e desportivas e os diferentes tipos de deficiência dentro de cada grupo. Este seria o objetivo final de todo 28 . Devemos escolher aquela que cumpra melhor o objetivo de qualquer atividade inclusiva: igualdade de oportunidades para alcançar o êxito de todos os participantes. No segundo nível. para que se torne mais fácil de colocá-las em prática. um jogador com deficiência intelectual. pode participar de um jogo.2 PROPOSTAS PRÁTICAS O primeiro nível de execução das atividades físicas e esportivas inclusivas é direcionado a cada uma delas em um só grupo de deficientes. independentemente de sua capacidade. 2. consideraríamos que qualquer pessoa.

Também é uma excelente atividade de sensibilização para deficientes e para a prática da atividade inclusiva. descobrimos suas características e as considerações que temos para o desenvolvimento inclusivo. 2. marcada com uma fita adesiva de 5 cm de largura e no seu interior há uma “tipóia” de 3 mm.programa desportivo inclusivo: tratar a diversidade a partir da igualdade (DAVIS. A seguir. A bola de borracha é rígida e com orifícios.3 GOLBOL É um esporte especificamente criado para pessoas com cegueira e pessoas com deficiência visual. É jogado em um campo de 18m x 9m dividido em seis áreas transversais iguais de 3 metros. 2002). pelo seu conteúdo de sensibilização e por sua facilidade. elegemos como exemplos uma série de esportes por estarem em nosso contexto social. para que sejam escutados os sinos (guizos) no interior dela. Voltando ao primeiro nível. para que seja sensível ao tato dos jogadores. As traves ficam todas no 29 . Existem outras linhas de orientação dos jogadores.

fundo da quadra, medindo 1m de comprimento e 30 cm de
altura. Todos jogam com vendas para igualar as capacidades dos jogadores deficientes visuais com os jogadores que
tenham cegueira.
A respeito das regras básicas do goalball, podemos dizer
que é um esporte de colaboração-oposição, de ação alternativa em que jogam duas equipes compostas por três integrantes
em cada campo. A bola não pode ser lançada mais de três
vezes pelo mesmo jogador. A bola deve ser jogada/arremessada na área de lançamento (landing area) e na área neutra
(neutral area) ao menos uma em cada área. A equipe atacante
terá 8 segundos para lançar a bola desde que a mesma esteja
em posição de ataque.

2.4 BOCHA
É um esporte especificamente criado para pessoas com
uma grande deficiência física que afeta o movimento de todas as suas extremidades e limita suas funções gradativamente, assim como a sua autonomia. Também é uma excelente atividade de sensibilização para essa deficiência.

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Joga-se em uma quadra/campo de 12,5m x 6m. Os elementos constituintes do jogo são 6 (seis) bolas vermelhas, 6
(seis) bolas azuis e 1 (uma) bola branca, as quais são fabricadas em sua parte interior com um material parecido com uma
esponja e recobertas por couro ou similares. É um esporte
de oposição e participação alternativa que se pode jogar com
disputas individuais, em pares e em equipes (sendo 3 jogadores por equipe). Podem-se lançar as bolas com a mão e com
o pé (mediante uma canaleta), com a ajuda de um auxiliar
nas deficiências mais severas. Todos os jogadores lançam a
bola de uma cadeira de rodas manual ou elétrica, em posição
estática durante o lançamento. Após o primeiro lançamento
de cada jogador, o parceiro ou a equipe deverá lançar para
aquele jogador que esteja com a bola mais distante da bola
branca, até que finalize esta condição ou lance todas as bolas.
Cada partida será jogada sendo a melhor de 5 jogos.

2.5 BASQUETE / BASQUETE SOBRE
RODAS
Os jogadores em cadeira de rodas fazem uma propulsão na cadeira manual. Eles são defendidos individualmente

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por jogadores em cadeira de rodas e os jogadores em pé não
podem defender.
Nessa proposta inclusiva, mantêm-se as regras do esporte original para os jogadores sem deficiência e as regras
do esporte adaptado, para os jogadores com deficiência.
O nível de dificuldade é de médio-alto. Os arremessos
de longa distância são difíceis e a mobilidade com a cadeira
de rodas, coordenada com a posição da bola, requer muita
habilidade.
O material necessário para a prática dessa atividade são
as cadeiras de rodas esportivas.
As regras do jogo são: os passos dos jogadores em cadeira de rodas são contados pelos impulsos na roda (não
se deve parar o jogo). O jogador em cadeira de rodas pode
usar um ou dois impulsos e assim se inicia um novo ciclo
de passos.

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33 . O nível de dificuldade é médio. Não é um esporte para pessoas com lesão medular ou espinha bífida com imobilidade completa de membros inferiores.2. Também há uma zona de serviço e várias zonas de jogo. Podemos definir como regra simplificada o momento do golpe em que uma das nádegas terá que estar em contato com o solo. Os golpes são mais simples.20m.6 BADMINTON SENTADO É um esporte de oposição que se joga em uma quadra regulamentada para badminton com a rede na altura de 1. pois pode causar úlceras de pressão. porque a maioria será realizada acima da cabeça. As regras que são usadas para o esporte inclusivo são as mesmas usadas no esporte adaptado.

34 .40m.7 BADMINTON E BADMINTON EM CADEIRA DE RODAS É um esporte de oposição que se joga em uma quadra regulamentada de badminton com a rede na altura de 1. O nível de dificuldade é médio-alto. fazendo com que a cadeira deslize pela quadra com a raquete na mão do jogador.2. Utilizam-se as regras do esporte original para os jogadores sem deficiência e regras do esporte adaptado para os jogadores com deficiência. A zona de golpe do cabo e a cabeça da raquete são pequenas. o momento do golpe em que uma das nádegas tem que ficar em contato com o assento. As regras simplificadas que podemos usar são. que é estipulada para o badminton em cadeira de rodas. A cadeira de rodas é considerada uma parte a mais do corpo para todos os efeitos.

35 . fitas para marcar as áreas e 4 (quatro) pivôs. Jogase em uma quadra de 28m x 15m. Joga-se obrigatoriamente com cadeiras de rodas de propulsão manual.75m. Seu nível de dificuldade é baixo. Os materiais necessários para realizar essa atividade esportiva são cadeiras de rodas esportivas. Para conseguir um ponto. estando em posse da bola.2. A opção do jogo inclusivo é utilizar as regras do esporte adaptado (específico). eles têm que ultrapassar com as rodas traseiras da cadeira de rodas a linha do gol situada entre dois cones. O objetivo será fazer mais pontos que a equipe adversária. com uma linha central transversal em uma área de fundo de 8m x 1.8 RUGBY EM CADEIRA DE RODAS É um esporte de colaboração-oposição entre duas equipes formadas por 4 (quatro) jogadores na quadra. que delimita a zona de defesa. Todos os jogadores têm que ter uma mobilidade reduzida de suas extremidades superiores.

É importante ter 36 . fitas e rampas). a posse da bola passará para a equipe adversária. Na área defensiva só pode haver 3 (três) jogadores defensores. Podem-se utilizar cadeiras de propulsão manual ou elétrica em função do grau de deficiência da pessoa. As regras utilizadas são as do esporte adaptado (específico) e o nível de dificuldade é médio. em posse da bola. 2.As regras simplificadas que podemos usar para prática inclusiva são que o jogador. bandeirinhas. tem 10 segundos para driblar e passá-la.9 SLALOM O esporte consiste em um circuito composto por diferentes obstáculos (pivôs. priorizando a habilidade no deslocamento/movimento com a cadeira de rodas no circuito em menor tempo possível. no máximo. do contrário. Desenvolve-se em uma superfície lisa que não pode ser menor do que 40m x 20m. e os atacantes não podem ficar nela por mais de 10 segundos. A equipe em posse da bola tem 12 segundos para passar para o campo da equipe adversária e 40 segundos para fazer um ponto.

Utilizar-se-ão as regras do esporte original para os jogadores sem deficiência e as regras do esporte adaptado. considerada uma parte a mais do corpo para todos os efeitos. 37 .consciência das dimensões da cadeira e das diferentes possibilidades de deslocamento com ela para realizar o circuito com rapidez. Os materiais necessários são cadeiras de rodas de uso diário (não esportivas) e uma rampa específica. e por 5 (cinco) segundos. 2.10 TÊNIS/ TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS É um esporte de oposição. quando se derruba um pivô. O jogador com deficiência tem que jogar em cadeira de rodas. As regras simplificadas são a penalização por 3 (três) segundos por cada toque no pivô ou pisar a linha. para jogadores com deficiência.

O material específico necessário é cadeira de rodas específica para Tênis. 2. uma das nadegas do jogador tem que estar em contato com o assento da cadeira de rodas. pois pode produzir úlceras de pressão.11 VÔLEI SENTADO É um esporte de colaboração.O nível de dificuldade é baixo. a primeira necessariamente tem que quicar na quadra. A bola pode quicar duas vezes.05m de altura para mulheres. As regras simplificadas utilizadas na prática inclusiva são que. 38 . se os jogadores praticaram o esporte anteriormente.15m de altura para homens e com 1. Não é um esporte para pessoas com lesão medular ou espinha bífida com imobilidade completa das extremidades inferiores. no momento do golpe. Joga-se em uma quadra de 10m x 6m. com uma rede de 1.

39 . O nível de dificuldade é baixo-médio.12 CONCLUSÃO Os benefícios obtidos graças à prática de atividades física e esportiva pelas pessoas com deficiência têm sido amplamente demonstrados por inúmeras investigações. pois não é habitual o toque de antebraços. uma das nádegas tem que estar em contato com o solo e pode-se bloquear o serviço. A prática dessas atividades pode ser realizada de forma inclusiva.Utilizar-se-ão as regras do esporte adaptado. 2. mas que também devemos dirigir com passos firmes para que no futuro esteja presente. unindo pessoas com e sem deficiências e atingindo também vantagens muito evidentes. frente a outros tipos de atividades esportivas. O material específico necessário é uma fita de 5 cm (cinco) para marcar a quadra do jogo. no momento do golpe. Daí resulta que a inclusão está presente nesse âmbito. As regras simplificadas são que. A coordenação é mais fácil.

em sua expressão mais complexa. temos muito respeito ao fazer viagens por zonas montanhosas com pessoas com deficiência.Essas atividades físicas. regularmente e com o objetivo de ganhar. podem variar da orientação competitiva para a recreativa. • Modificar o material do jogo. Como exemplo. Em numerosas ocasiões. se algum jogador não conseguir chegar à área. frente à atividade física desportiva realizada de um modo inclusivo. priorizando a participação. como montanhismo. como os apresentados abaixo: • Modificar as dimensões das quadras do jogo. O objetivo delas é o desenvolvimento do próprio jogo. em sua forma mais simples. Pode-se introduzir uma bola maior no voleibol sentado ou as bolas de tênis sem pressão para facilitar os golpes. desenvolvidas como o esporte. podemos destacar a redução do campo do bocha. Continuando no desenvolvimento de atividades orientadas de lazer e de recriação. porque pensamos essas atividades mais extremas para pessoas em cadeira de rodas passando por caminhos estreitos. ou caminhada. queremos destacar a importância de se realizar atividades naturais. com falésias altas e rochosas ou de 40 .

pessoas com deficiência intelectual em uma longa marcha. A realidade é que existem infinitos cenários/palcos para encontrar o caminho adequado para nossas necessidades. 41 .

Inclusion: Physical Education for all. 319-322. Journal of Physical Education. 65. El deporte y la parálisis cerebral. ARDANAZ. n. 99-129. Barcelona: Generalitat de Catalunya. p. R. 54-55. E. 1992. H. 42 . 69. D. Perceptual and motor skills. Departament de Benestar Social. p. p. Recreation and Dance.REFERÊNCIAS ALEDO MARTÍNEZ-ILLESCAS. [Estados Unidos].. 1. F. C. 2003. Madri. 1989. 9. no. La escuela inclusiva: prácticas y reflexiones. L. 2004. [Estados Unidos]. CRAFT. Attitudes toward handicapped peers of mainstreamed and nonmainstreamed children in physical education. v. MARTÍNEZ ABELLÁN.. SHERRILL. J. BOTELLA AMENGUAL. La educación física y deportiva en personas con discapacidades motóricas. V. Revista Iberoamericana de Psicomotricidad y Técnicas Corporales. v. 1994. Barcelona: Graó. ARCHIE.

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.PRÁTICAS CORPORAIS INCLUSIVAS Eliana Lucia Ferreira* Michelle Aline Barreto** * Doutora em Educação Física – Professora da UFJF. ** Mestre em Educação Física – Professora da UFJF – Professora da FAGAMMON.

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diferentes vivências corporais têm sido requisitadas a fim de se constituir uma educação física inclusiva. A Educação Física já não mais se sustenta como hegemônica. 49 . Logo. por exemplo. políticas. educacionais. Há também uma nova compreensão do que é o corpo e o seu significado. passaram a ser apreciadas e os indivíduos a se sentirem respeitados e incluídos. socioculturais e. invertendo. desse modo. as práticas corporais. consequentemente. outra forma de subjetividade. são as mais diversas possibilidades corporais levando-se em consideração um novo tipo de homem. o mundo está passando por diversas transformações econômicas. Assim.1 INTRODUÇÃO Na contemporaneidade. uma situação histórica anterior em que os mesmos eram ignorados. O esporte competitivo tradicional. ao priorizar as diferenças. nesse momento. O que tem importância. mais especificamente. tem dividido espaço com as práticas voltadas para o lazer e a saúde a fim de atingir uma população diversificada.

à aprendizagem e ao conhecimento de práticas corporais que buscam intensificar valores culturais. Prevalece. Nessa perspectiva. 2 EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA A Educação Física inclusiva tem preconizado outro significado de corpo. A proposta de Educação Física inclusiva passa necessariamente por práticas/vivências corporais que supõem uma colaboração estreita entre professores e alunos. o corpo deixa de ser compreendido somente em sua dimensão social. então. por exemplo. 50 . os objetivos pedagógicos estão sendo estabelecidos a partir das possibilidades de cada aluno e é importante que.A Educação Física inclusiva. em suas atividades. a busca do individual em prol de uma educação física mais coletiva. sociais e de qualidade de vida. a mesma seja demonstrada. antes de iniciar uma atividade prática. Por isso. está apontando para uma abordagem e procedimentos pedagógicos diferentes que levam à vivência.

tipo de deficiência e grau de comprometimento. Para os alunos. 51 . Assim. devem se abrir à análise crítica para recolocar em questão a formação prática das vivências corporais e desenvolver novas leituras do corpo e dos modelos de formação. as práticas corporais propostas na Educação Física inclusiva são de caráter esportivo. As práticas regulares são uma oportunidade de conhecer os limites e potencialidades dos alunos. além de se prevenir enfermidades secundárias à deficiência e ser um mecanismo que provoca a inclusão social em ambientes menos restritivos. independente da sua capacidade motora. consequentemente. Atualmente. que não podem ser mais limitados. O professor precisa buscar soluções pedagógicas para que a participação dos alunos com diferenciados seja efetiva. artístico ou recreativo. é necessário permitir um horário com flexibilidade e variar a duração de uma aula de acordo com os objetivos. as práticas corporais enriquecem as suas experiências. de cada atividade proposta. além de sempre se rever os princípios que estão por trás do movimento.Os professores.

Cabe ressaltar. a Educação Física inclusiva é um desafio que pode/deve ser plenamente cumprido. porém. São inúmeras as possibilidades. é necessário quebrar/desestabilizar práticas cristalizadas e atuar com práticas corporais que respeitem as diferenças de cada um. A seguir. Mas. que o sucesso depende da experimentação contínua.Enfim. algumas possibilidades de práticas corporais para as pessoas com deficiência: 52 . para isso.

quebrar/desestabilizar práticas cristalizadas e atuar com práticas corporais que respeitem as diferenças de cada um. slalom gigante. ATIVIDADES FÍSICAS ATIVIDADES FÍSICAS MODALIDADES PARAOLÍMPICAS DE VERÃO  Tiro com arco  Basquete em cadeira de rodas  Boccia  Ciclismo  Hipismo  Esgrima em cadeira de rodas  Futebol de sete PC  Goalball para deficiente visual  Judô  Halterofilismo  Remo  Vela  Tiro  Natação  Tênis de mesa. downhill e super G) MODALIDADES NÃO PARAOLÍMPICAS  Dança esportiva em cadeira de rodas  Polybat  Running Race ou Petra 53 .  Tênis na cadeira de Roda  Voleibol sentado  Futebol de cinco para deficientes visuais  Rúgbi em cadeira de rodas ATIVIDADES ARTÍSTICAS  Dança artística em cadeira de rodas  Atividades recreativas (vide exemplos nas outras páginas destes livros) MODALIDADES PARAOLÍMPICAS DE INVERNO  Esqui cross-country  Esqui Nórdico  Biathlon  Hóquei patins de gelo  Esqui alpino (slalom.

por isso. já que. que a inclusão social é o processo pelo qual a sociedade se adapta às necessidades da pessoa com deficiência para incluí‐la e prepará-la para participar ativamente da vida na sociedade (SASSAKI. é direito das pessoas com deficiência desfrutarem das atividades de recreação. mas não mais separadamente da população geral. E. se prioriza práticas corporais junto com pessoas sem deficiência. hoje. o “como” se faz deve substituir o “que” se faz: 54 . 2002). As atividades se constroem a partir das experiências de cada indivíduo. desse modo.É fundamental entender. 3 DESAFIOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA A Educação Física inclusiva é uma proposta de desestruturação das aulas técnicas tradicionalmente centradas no professor e no ensino diretivo e autoritário. em período de aprendizagem. mas é necessário também que todos aprendam a valorizar o processo tanto quanto o produto. artísticas e esportivas como parte do seu desenvolvimento e bem-estar. Feldenkrais (1985) afirma que.

aprecie a sensação de prazer. Os professores de Educação Física que trabalham nessa perspectiva já reconhecem que suas práticas estão à frente em relação à teoria da educação inclusiva. as práticas corporais inclusivas vêm sendo desenvolvidas por grupos independentes.faça cada movimento bem lentamente. sem uma tomada de consciência do que se produz no curso da ação. mas pela compreensão das possibilidades corporais e. não se concentre. consequentemente. que são elaboradas a cada dia. não se pergunte no começo como isso será no fim. A repetição de um movimento tem certamente sua utilidade dentro da manutenção da mobilidade articular e da elasticidade muscular. p. mas. que são vincula- 55 . não se preocupe em ser eficaz. a leveza. o “produto” esperado da educação inclusiva não é somente caracterizado por uma competência motora específica melhorada e mensurável. 1985. e faça um pouco menos do que você é capaz de fazer (FELDENKRAIS. Sendo assim. não tente fazer bem. não é adicionado à atividade motora o prazer de poder fazer um novo gesto corporal. sociais. No Brasil. insista sobre o conforto. 7). não tente fazer harmoniosamente.

advindos e adaptados de outros corpos sociais. 56 . no entanto. está criando e propagando gestos corporais. isto é. educacionais e esportivos está permitindo experimentos que alarguem a compreensão de como é cada corpo. como. O trabalho de fundo como reabilitação e ação social é importante. Centros de Reabilitações. Associações de Deficientes. o resultado como inclusão social é questionável. ou melhor. Também estão sendo amplamente preconizadas pelas escolas de ensino em todas as suas esferas. Prefeituras Municipais. com especificidades inéditas. os movimentos da dança em cadeira de rodas. por exemplo.dos às Universidades. Verifica-se. sem transferência de modelo. que estão sendo popularizados. Além disso. no entanto. A disseminação destas práticas em diversos setores sociais. a importação de modelos advindos de outras modalidades.

SASSAKI. 2002.REFERÊNCIAS FELDENKRAIS. 1985. ed. R. 4. K. Autoconciencia por el movimiento: ejercicios para el desarollo personal. M. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Barcelona: Paidos. 57 . Traducion de Luis Justo. Rio de Janeiro: WVA.

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ATIVIDADES E ESPORTES INCLUSIVOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA Ivaldo Brandão Vieira* * Mestre em Educação Física — Professor do Centro Universitário Celso Lisboa. .

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de recreação. através de práticas de atividades físicas alternativas (sejam elas de reabilitação. a finalidade deste trabalho é apresentar conceitos. atualmente. Dessa forma. por diversos anos. teorias e práticas de jogos e atividades físicas alternativas aos profissionais que buscam oportunizar às pessoas com déficits motores significativos as reais condições de inclusão nas aulas de Educação Física. tem sido. no meio acadêmico. Isso porque a desigualdade de oportunidades tem sido observada em todas as áreas. a inserção de pessoas com deficiência em ambientes escolares. Integrar e incluir estas pessoas. esportivos e de lazer tem sido motivo de acirrados debates. de lazer ou desportiva). que nem todas as escolas estejam preparadas para receber alunos com necessi- 61 . mas se apresenta de forma mais acintosa no contexto educacional em que há pessoas que apresentam necessidades especiais.1 INTRODUÇÃO Dentre as diversas ações globalizadas. objetivo principal de muitos profissionais de Educação Física ou de áreas afins. É corrente.

1998): a formação inadequada dos professores. Os motivos que fortalecem essa afirmativa são os argumentos a respeito dos obstáculos à inclusão (RODRIGUES.dades especiais. Por fim. em que serão abordados os principais conceitos teóricos sobre deficiência. a falta de material didático que atenda às reais perspectivas do segmento. de acordo com o grau e as características. Coadunando com isso. já que é escassa a bibliografia sobre atividade física e desporto adaptado. se chegará à 62 . a ausência de recursos e a falta de mudanças estruturais nas escolas para suprirem as necessidades de um processo educacional inclusivo. o interesse em apresentar este texto sobre atividades físicas ou desportivas se dá no sentido de desenvolver programas educativos orientados para a inclusão das pessoas que apresentam necessidades educativas especiais. tem sido um problema enfrentado pelos profissionais. principalmente na área da Educação Física. bem como uma alternativa para aquelas que querem se informar. No sentido de facilitar a compreensão do leitor. Assim. além das principais implicações nas aulas de Educação Física. o conteúdo foi dividido em cinco partes.

segundo Silva (1987). independente de suas condições e/ou restrições. acompanha desde tempos remotos a espécie humana. durante muito tempo. dois tipos de comportamento para 63 . são observados. 2 A DEFICIÊNCIA FÍSICA: DESCRIÇÃO E ANÁLISE HISTÓRICA A deficiência. Entende-se que somente quando os programas de Educação Física estiverem relacionados. ou seja. Estigmatizados socialmente. comumente. seja ela de que etiologia for. poderão revelar que o fato mais importante e valoroso da natureza humana é a “unidade do ser” e a sua “exclusividade”. com o respeito e a compreensão do valor da diversidade. é que eles ocuparão seu lugar no complexo educacional.descrição das atividades físicas alternativas para as diversas áreas da deficiência física como proposta de incluir e garantir a participação de todos os alunos. fosse considerada como castigo divino. O desconhecimento e a ignorância sobre suas origens fizeram com que. na essência e na prática. com os valores humanos.

doentes e pessoas com deficiência: atitude de tolerância. onde se acalentou a ideia de atri- 64 . 1995). Os gregos e os romanos.C e 400 d.C. WINNINK. os deficientes passaram a ser “guardados” em casa.C. sob a proteção dos padres. o cristianismo atuou de forma efetiva na busca da compreensão de pessoas com deficiência. no período de 50 a. vales. galpões ou em monastérios. assimilação ou de eliminação e desprezo. Apesar de persistir o misticismo e as práticas de exorcismo.com os idosos. 1994. No período compreendido de 400 a 1500 d. quem era diferente colocava em risco a grande maioria. durante esse período. Inúmeros estudiosos buscam explicar este comportamento estigmatizado (ROSADAS. apoio. sempre tiveram suas atenções voltadas para a saúde física de seus soldados. Inicialmente. é observado. Freitas e Cidade (1997) observam que. A preocupação era sempre produzir corpos perfeitos para o combate. houve uma radical mudança causada pelos ensinamentos religiosos. que imbuídos do espírito da preservação das espécies e do estilo nômade de viver. Por acreditarem que superstições espirituais pudessem produzir corpos físicos imperfeitos. estes eram sumariamente assinados. nas primeiras tribos.

um instituto para crianças cegas. Teve como aluno Louis Braille. nota-se a aceitação e o início da inclusão de pessoas com deficiência em algumas áreas. Ações pontuais com as do frade Ponce de Leon (1509-1584). Em 1784. com a criação de centros e instituições especializadas. não foram observadas mudanças significativas no trato das pessoas que apresentassem distúrbios físicos ou psíquicos. em Paris. de Juan Pablo Bonet (1579-1633) e de Charles Michel de L´Epée (1712-1789). de forma empírica. da Medicina. criaria o sistema de escrita Braille. A deficiência começa a ser encarada e pensada de forma diferenciada. aprimoradas no século XX. Nessa perspectiva. demonstram sinais de mudanças de paradigmas nas áreas da Sociologia.buir causas místicas e sobrenaturais às anormalidades. ao final do século XVIII/início de século XIX. das ativida- 65 . Por muito tempo. Valentin Haüy criou. da Psicologia e da Educação. merecem ser referenciadas. no entanto. com crianças surdas. Apesar do aparente desenvolvimento ocorrido durante os séculos XVI. se acreditou que pessoas com deficiência eram possuidoras de espíritos maléficos e demoníacos. XVII e XVIII. que. incentivando-as a participar. segundo Jimenez (1997). que. mais tarde.

Estas ações promoveram. Atualmente. a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam 700 milhões de indivíduos inseridos nesse contexto. o que têm suscitado muitas discussões no círculo acadêmico quanto ao uso correto da palavra. na sociedade global. pensamentos.1 CONCEITO Desde a primeira definição promulgada pela ONU. da reabilitação ou da recreação. em diferentes níveis. mudanças significativas sobre o valor e a importância das práticas de atividades físicas voltadas para o desenvolvimento humano integral das pessoas que apresentam déficits motores. em 1975. pontos de vista e pessoas diferentes. existem grupos. ainda sob a égide da finalidade terapêutica.des físicas. 2. 66 . o conceito de deficiência vem sofrendo modificações. Um amplo segmento é composto de pessoas com deficiência física que serão objeto de aprofundamento das reflexões a seguir. Nesse sentido. motivações. Muitos deles referendados por profissionais da Educação Física adaptada.

em nível comunitário. Em 1976. Observa-se. Com este protocolo. em cuidados pessoais de saúde ou como forma de avaliar pacientes em reabilitação. relacionadas ao modelo médico e ao modelo social. estabelecendo uma escala hierárquica com os respectivos níveis de dependência sobre a causa e 67 . o “problema decorrente do uso de termos incorretos reside no fato de os conceitos obsoletos. a OMS propõe que a CIDIH seja uma classificação de conceituação de deficiência que possa ser aplicada como um referencial unificado para a área da saúde e da doença. and handicaps (ICIDH) – abordando um conceito mais aprofundado sobre deficiência. concessões e benefícios e. O ICIDH é largamente utilizado em diversos países. na prática. foi apresentado um novo manual – Internacional Classification of Impairments disabilities. as ideias equivocadas e as informações inexatas serem inadvertidamente reforçados e perpetuados”. durante a IX Assembleia da OMS. Somente foi publicado em 1980.Para Sassaki (2003). que dificultam a aplicação e utilização do conhecimento produzido. que existem imprecisões. aplicado à área de seguro social. saúde ocupacional.

tecido ou qualquer outra estrutura do corpo. inclusive das funções mentais. inclusive das funções mentais. resultante de uma deficiência da mica. fisiológica ou anatômica. temporária ou permanente. os princípios do conceito são: psicológica. física ou sensorial. Deficiência — perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica. resultante de uma deficiência da habilidade para desempenhar uma 95 . Fonte – Organização Mundial de Saúde (1980). Representatecido ou qualquer outra a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa estrutura do corpo. entre cada estágio (Fluxograma 1). defeito ou a perda para o ser humano. entre cada estágio (Fluxograma 1). Incluem-se a ocorrência de uma anomalia. temporária ou permanente. Dessa forma. órgão. em longo prazo. Fluxograma 1: Modelo Conceitual do ICIDH DOENÇA OU DISFUNÇÃO (situação intrínseca) DEFICIÊNCIA (exteriorizado) INCAPACIDADE DIFICULDADE (determinado) (socializado) Fonte: Organização Mundial de Saúde (1980). Incluem-se a habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal ocorrência de uma anomalia. indivíduo a uma deficiência psicológica. os princípios do conceito são: } DEFICIÊNCIA — perda ou anormalidade de estrutura ou função Dessa forma. Surge como consequência direta ou é resposta do de um membro. em longoFluxograma prazo.o efeito da deficiência. respectivos níveis de dependência sobre a causa e o efeito da 1 – Conceitual do ICIDH deficiência. } nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária. órgão. • 68 Incapacidade — restrição. fisiológica ou anatôINCAPACIDADE — restrição. defeito ou a perda de • um membro.

através do Decreto nº 3. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. • Desvantagem — prejuízo para o indivíduo. física ou sensorial. sexo.298. institui que para alguém ser inserido na categoria de “deficiente físico” deve apresentar: 69 . fatores sociais e culturais. 1980).atividade considerada normal para o ser humano. de 20 de dezembro de 1999. que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária. Embora haja diversas definições para designar uma pessoa com deficiência física. resultante de uma deficiência ou uma incapacidade. o Estado brasileiro.

hemiparesia. hemiplegia. amputação ou ausência de membro. paraparesia. 70 . tetraparesia. é difícil encontrar uma que satisfaça o conceito em sua integridade. triparesia. triplegia. resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade. 2000). tetraplegia.Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano. atualmente. monoparesia. Por isso. sob a forma de paraplegia. monoplegia. membros com deformidade congênita ou adquirida. Dentre as diversas definições sobre pessoa com deficiência física que são utilizadas. 1999). exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (BRASIL. recorreuse a uma sucinta: “A deficiência física é definida. paralisia cerebral. acarretando o comprometimento da função física. que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa” (MACIEL. como uma desvantagem.

os tumores e agentes infecciosos. Entre as diversas patologias que podem desencadear uma deficiência física. As más formações congênitas. os sistemas osteoarticular. causando comprometimento significativo na sua forma e função. as deficiências físicas englobam quaisquer alterações que comprometem o aparelho locomotor. As etiologias e manifestações clínicas da deficiência motora são várias e serão destacadas aqui as principais. em sua grande maioria. tais como: traumatismos. independente da intervenção humana. poderiam ser evitadas. os agentes externos são responsáveis por serem sua principal causa. ferimentos com armas. isto é. 71 . são responsáveis também por um significativo número de deficiências.2. acidentes de carro. agentes químicos ou físicos e as agressões. Em um processo de saúde preventiva. muscular e nervoso.2 FISIOPATOLOGIA DAS PRINCIPAIS DEFICIÊNCIAS FÍSICAS Baseado nos conceitos já abordados.

em sua maioria por acidentes de carro. algumas patologias que aparecem com mais frequência: • 72 Lesão medular — causada. por acidentes de carro. armas de fogo ou quedas. tumores e anoxias causadoras das sequelas da paralisia cerebral. . miopatias e neuropatias de origem hereditária. No Grupo 2. se destacam as deficiências causadas por má formação congênita. os deficientes físicos foram divididos em dois grupos: • Grupo 1 — Deficiências Físicas Adquiridas. • Grupo 2 — Deficiências Físicas Congênitas. as amputações. os acidentes vasculares cerebral-AVC (derrame).Para melhor entendimento. quedas. doenças genéticas. As deficiências físicas encontradas no Grupo 1 podem ter sua origem provocada por traumatismo crânioencefálico (TCE). violência urbana com ferimentos por arma de fogo ou objeto perfurante. as infecções cerebrais. em sua maioria. A seguir.

Também podem ocorrer amputações de membros em função de queimaduras. que causam alterações nos movimentos do corpo e na coordenação motora. 1994). conhecida como Encefalopatia Crônica não progressiva da infância (UMPHRED. as doenças vasculares e os tumores. manifestando-se de diferentes formas dependendo do comprometimento da área cerebral afetada. Suas causas podem ocorrer nos períodos pré-natais. em 5% dos casos. os traumatismos por acidentes. podendo afetar. a diabetes. A paralisia cerebral atetósica é responsável por 10% dos casos e a paralisia cerebral atáxica. Outras 73 . de forma significativa. em 75% dos casos. perinatais e pós-natais. segundo Gomendio (2000).• Amputações — como causas principais. As manifestações apresentadas são de caráter permanente e não progressivo. várias partes do corpo. Este comprometimento pode ser apresentado na forma de paralisia cerebral espástica presente. • Paralisia cerebral — o termo Paralisia Cerebral (PC) é utilizado para descrever sequelas de patologias do sistema nervoso central em formação.

Conhecida como Spina Bífida. a poliomielite é muito conhecida em sua forma vulgar de “paralisia infantil”. comprometendo a autonomia motora. • • • 74 Sequela da poliomielite — Há um número não expressivo de indivíduos com sequela da poliomielite. Os dois tipos comprometem o sistema motor do paciente de forma significativa. . um indivíduo infectado poderá desenvolver uma paralisia de membros.manifestações da PC são encontradas como coreia ou mistas e responsáveis pelo percentual restante. causando sérias dificuldades para a sua mobilidade. o poliovírus. Causado por um agente externo. pode ser diagnosticada como Spina Bífida Oculta e Spina Bífida Aberta ou Cística. Mielomeningocele — É uma lesão congênita que causa malformação da coluna cervical durante o seu desenvolvimento. Assim sendo. Distrofia muscular progressiva — É um termo usado para diagnosticar diversas doenças genéticas que causam degeneração de forma progressiva nos músculos esqueléticos dos indivíduos.

50 m. que gera indivíduos de baixa estatura e com corpo proporcional e a Acondroplasia. sendo característicos os membros curtos e um grande perímetro cefálico. Para que se tenha uma assimilação da classificação de forma mais simples. ao cérebro. agressões ao sistema nervoso central. provocado pelo crescimento esquelético anormal. apresenta-se de duas formas. deve-se ficar atento à terminação 75 . malformação ou agressões físicas. que gera indivíduos com estatura sempre abaixo de 1. 2.3 CLASSIFICAÇÕES TOPOGRÁFICAS DAS DEFICIÊNCIAS Os diversos tipos de deficiências físicas são causados por trauma. Esses danos podem ser produzidos por herança genética. ao cerebelo e ao encéfalo. O nanismo. O “nanismo pituitário”.• Nanismo pituitário e acondroplasia — Disfunções genéticas que podem ser observadas em anões. acidentes e se apresentam de forma permanente ou transitória. além da medula espinhal.

As deficiências físicas (motoras) apresentam suas sequelas que. utiliza-se o termo para indicar uma perda parcial das funções motoras dos membros inferiores.da palavra. . diagnósticas. São paralisias sensitivas. de acordo com a sua topografia. Paresia — significa perda parcial da função muscular dos membros inferiores. com a presença de sensibilidade na região afetada. de forma mais comum em indivíduos com lesão medular incompleta ou com sequelas de pólio. é diagnosticada em traumas de lesão medular. Geralmente. Paraparesia — do mesmo modo. pois leva a ter cuidados diferenciados quanto à abordagem ao paciente ou ao atleta: • • Plegia — significa perda total da função muscular e da sensibilidade. receberão as seguintes denominações: • • 76 Paraplegia — utiliza-se o termo “paraplegia” para indivíduos que tiveram perda total de todas as funções motoras dos membros inferiores.

Hemiplegia — perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo).• • • • • • • Monoplegia — perda parcial das funções motoras de um só membro (podendo ser superior ou inferior). Tetraplegia — perda total das funções motoras dos membros superiores e inferiores. Tem sua origem em lesões produzidas nas áreas do cérebro e é muito comum ser observada em indivíduos que apresentam sequelas de acidentes vasculares cerebral. Triplegia — perda total das funções motoras em três membros. Tetraparesia — perda parcial das funções motoras dos membros superiores e inferiores. Monoparesia — perda parcial das funções motoras de um só membro (podendo ser superior ou inferior). 77 . Triparesia — perda parcial das funções motoras em 3 membros.

segundo Dantas (1997). 78 . 3 DEFICIÊNCIA E ATIVIDADE FÍSICA: O MOVIMENTO COMO ELEMENTO PRINCIPAL DO PROCESSO INTERATIVO Desde os primórdios da civilização. que. De forma idêntica. garantiu sua subsistência. observa-se uma relação entre saúde e atividade física. É observada em indivíduos que apresentam sequelas de Paralisia Cerebral. Embora de forma empírica. as hemiparesias têm sua origem em lesões produzidas nas áreas cérebro. mesmo nas mais primitivas.000 anos. presente nas sociedades.• Hemiparesia — perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). a atividade física foi praticada na perspectiva de atender às necessidades fisiológicas básicas e de segurança do homem. A prática de atividade física para pessoas com mobilidade reduzida ou com deficiência tem sua existência comprovada há mais de 3.

na maioria dos casos. 79 . o esporte. estas pessoas estarem expostas ao sedentarismo natural imposto pelas restrições das sequelas. são. ferramentas que contribuem para o desenvolvimento da motricidade das pessoas com mobilidade reduzida. A prática de atividades físicas. Suas relações estão intrinsecamente ligadas às atividades motriz ou sensório-motoras. Campeão (2009) também observa que estes benefícios se apresentam. o lazer. na redução das condições secundárias pelo fato de. a ginástica. as tarefas da vida diária. atualmente.São diversos os benefícios e a importância da prática da atividade física. de forma geral. corroboram que a prática de atividades físicas para pessoas com deficiência se apresenta como um importante meio de reabilitação e de promoção de saúde. dentre eles Shephard (2003) e Strapasson (2005). com todas as coisas. dentre outras. O meio em que vivem as pessoas com deficiência e com quem elas se relacionam têm um papel importante para o desenvolvimento. Através destas se relacionam com o mundo e. Diversos autores. principalmente.

1 MUDANÇAS DE PARADIGMAS E INCLUSÃO Historicamente. o que será visto a seguir. Nessa perspectiva. 4.O conceito de atividade física é defendido por Bouchart e Shephard (1994) como sendo qualquer movimento corporal produzido pelos músculos que resulte em gastos de reservas energéticas. 4 EDUCAÇÃO FÍSICA E A DEFICIÊNCIA FÍSICA A Educação Física. Com suas práticas ori- 80 . ao longo das últimas décadas. a prática da atividade física tem como objetivo estimular condutas motoras que contribuam para a formação de um indivíduo com deficiência para exercer suas atividades cotidianas como ser social. tem se modificado visivelmente. a Educação Física sempre esteve ligada ao conceito do homem perfeito.

segregando-os para os centros de atendimentos específicos. 81 . neste grupo. e permitindo um pensamento baseado em atividades possíveis para todos. não permitia acesso às práticas de atividades físicas ou às aulas de Educação Física por aqueles que apresentassem estereótipos tais como: “gordinhos”. O culto ao corpo perfeito perpetuado. dançar. A mudança de paradigmas começou a ser observada a partir dos anos 1950 nas diversas linhas de pensamento da Educação Física. tão utilizado durante centenas de anos. psíquica ou psíquica.ginárias nas necessidades básicas da espécie de caçar. foi utilizada para formar guerreiros das mais diversas etnias. a Educação Física incluía. dentre tantos outros. “baixinhos”. durante séculos. fugir e sobreviver. aceitando mudanças no enfoque do rendimento. pessoas que apresentassem qualquer tipo de anormalidade física. Nessa linha de pensamento excludente. lutar. “desengonçados”. durante milhares de anos.

o seu arcabouço motor independentemente da sua capacidade motora. Além de ser um componente importante no processo de aprendizagem. Está comprovado que o jogo é fundamental na formação do ser humano. dos alunos com deficiência física. enriquecendo. Encontram-se. induz a fantasia e exercita a autonomia. tipo de deficiência e grau de comprometimento. Friedmam (1996) evidencia que 82 . de modo geral. nos jogos e nas atividades lúdicas.4. dessa forma. na inclusão e na aprendizagem. buscam-se alternativas para enriquecer a capacidade motora. O acolhimento de pessoas com deficiência em programas de atividades físicas tem como objetivo transformar o mundo da exclusão em um espaço para todos. Nessa linha. 2005).2 O LÚDICO COMO FACILITADOR DA INCLUSÃO A inclusão escolar é uma tendência mundial (SOLER. Nesse sentido. melhorando a sua autoestima e a sua qualidade de vida. os elementos-chave como os meios mais utilizados pela Educação Física para interferir no desenvolvimento.

é necessário que o profissional de Educação Física desenvolva a sua imaginação na adaptação e experimentação contínua. do físicomotor e da moral. Um dos objetivos é fazer com que as atividades sejam planejadas e vividas de forma lúdica. assim. É sabido que existe um universo indefinido de atividades e jogos que poderão ser indicados para pessoas com deficiência física. um possível temor ao fracasso. É necessário encontrar soluções pedagógicas para que a participação não seja facilitada ou cômoda. do afetivo. da motivação e momento. Para isso.o jogo aprimora algumas dimensões como o de desenvolvimento da linguagem. de acordo com a personalidade dos participantes. que poderão sofrer mudanças. do cognitivo. mas sim avançar para tarefas com mais dificuldades evitando. As atividades que serão propostas a seguir são de caráter espontâneo. Isso permitiria que as pessoas com deficiência física participassem das atividades e se divertissem ao seu modo para que sentissem prazer. 83 .

e não ser discriminado em função de suas condições particulares. as pessoas com deficiência física encontram diversas barreiras que devem ser eliminadas para que se possa construir sua competência motora e que proporcione a sua inclusão na sala de aula. nessa ótica. Embora muitos avanços na Educação Física tenham ocorridos. como qualquer outra pessoa. 84 . É. que serão apresentadas algumas sugestões de atividade e jogos no sentido de facilitar a participação do aluno com deficiência física nas aulas de Educação Física.5 ATIVIDADES E JOGOS FACILITADORES DA INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA Incluir é uma palavra de ordem para a Educação Física. é o grande desafio para os educadores. Exercer o direito de receber ensino de qualidade.

Desenvolvimento E Regra — cada aluno se desloca no espaço pré-determinado para a atividade. apresentação aos companheiros. em qualquer direção. se necessário. conhecimento do nome de cada participante.} • Número de participantes — aproximadamente 15.lento/médio/ rápido.1 APRESENTAÇÃO • Descrição da atividade — movimentos locomotores de caminhar e correr. • • • Situação Inicial — deslocamento . Sempre que cruzar de frente com um companheiro. • Espaço — qualquer espaço.5. • MATERIAL — cadeiras. Variantes — os alunos poderão deslocar-se no mesmo espaço na direção que quiserem. dirá o seu nome para o outro. Ao che- 85 .

ser empurrado pelo facilitador ou por um participante da atividade. • Adaptação — o aluno em cadeira de rodas poderá.2 MOVIMENTOS PLACENTÁRIOS • • Espaço — qualquer espaço. • 86 Descrição da atividade — “movimentos placentários” e movimentos locomotores.gar às linhas que limitam o espaço. Situação inicial — todos deverão posicionar-se nos espaços da sala. saltar. 5. deverão “buzinar” e mudar de direção. • Material — colchonete ou esteiras. rodar. • Número de participantes — aproximadamente 10. . através de atividades de se arrastar. Ir reduzindo o espaço do jogo torna a atividade mais motivante e dinâmica. se necessário. caminhar e quadrupejar.

• Desenvolvimento e regra — para os alunos com grande dificuldade de locomoção. Os alunos com deficiência motora leve deverão ser motivados a fazer saltos e deslocamentos sobre os diversos obstáculos que poderão ser criados no local da prática. ao máximo. golpear. arrastar e engatinhar. Material — garrafas de plástico. bolas de tênis. soltar. 5. rodar. Deverão aproveitar. os deslocamentos no solo. Agarrar.3 ARREMESSAR BOLAS • • • Descrição da atividade — “arremessar bolas”. Espaço — quadra. favorecendo o respeito ao companheiro e transferindo a agressividade para o objeto. deverão ser retirados da cadeira de roda e colocados em colchonetes. 87 . tacos e cadeiras (se necessário).

Se houver dificuldade. os objetos poderão ser colocados mais perto. o companheiro troca de lugar. soltar. Realizar atividades. • • Desenvolvimento e regra — com a ajuda do companheiro. 5 m 7 m e 10 m. golpear a bola com a mão objetivando derrubar as garrafas que estarão em distâncias que variam de 3 m. Ao final do arremesso. • Situação inicial — em duplas. .4 EXPERIMENTAR • 88 Descrição da atividade — “experimentar”. agarrar. 5.• Número de participantes — aproximadamente 20. puxar os objetos utilizando a preensão e a habilidade manual. um aluno poderá utilizar um taco e o outro lançar as bolas para que possam derrubar as garrafas dispostas nas distâncias pré-determinadas. visando a sua utilização na vida diária. Variantes — em dupla.

• Material — cordas e colchonetes. trocam-se as funções.• Espaço — quadra ou sala com piso liso. Ao final do percurso. • • • Situação inicial — dispostos em duplas ao final da quadra. Desenvolvimento e regra — a dupla deverá utilizar uma ou mais cordas de nylon e realizar diversos movimentos de forma individual e em direções variadas. fazendo deslocamentos para o lado direito ou esquerdo. deve ser utilizado o colchonete. um aluno deitado agarrará a ponta da corda para que o outro a puxe. colocando o aluno sobre ele enquanto o outro o puxa para a outra extremidade da quadra. 89 . Variantes — se a sua limitação não permitir. Em duplas. • Número de participantes — aproximadamente 20.

“direita” e esquerda”. “acima”. assim. segurando da forma que puder a corda elástica.5 CORDA AMIGA • • Espaço — quadra ou sala com piso liso. Realizar movimentos dinâmicos e atividades visando ao reconhecimento das diversas partes do corpo utilizando uma corda elástica. “fora”. • Material — corda elástica. Também deverá conduzir os diversos . • Número de participantes — todos. o conceito de conhecimento do corpo. fortalecendo. • • 90 Descrição da atividade — “corda amiga”.5. “abaixo”. Desenvolvimento e regra — o professor orientará que o aluno deverá tocar parte do corpo com a corda sem soltá-la. Situação inicial — em círculo. Ainda segurando a corda. o professor poderá fortalecer os conceitos de “dentro”.

91 . estimulando o trabalho em equipe e a cooperação visando a sua utilização na vida diária. sempre com os alunos segurando a corda. puxar. agarrar. • Espaço — quadra ou sala com piso liso. utilizando a preensão e a habilidade manual. deve-se utilizar o círculo da corda com todos os alunos sentados. • Variantes — se a limitação de alguns alunos não permitir. soltar.tipos de movimentos dinâmicos. 5. • Material — nenhum. • Situação inicial — dispostos em duplas na quadra. Realizar atividades.6 COBRA GIGANTE • Descrição da atividade — “cobra gigante”. • Número de participantes — aproximadamente 20.

ao se tocarem. O objetivo dos pares é arrastar-se evitando ser engolido pela cobra (dupla) pegadora.1 HISTÓRICO INTERNACIONAL Muitos esportes competitivos disponíveis para pessoas com deficiência têm suas raízes na primeira e segunda 92 . Ao ser tocado pela cobra pegadora. 6 ESPORTE PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA A Educação Física adaptada sofreu influências de esportes internacionais e nacionais como será visto a seguir. vai se formando uma cobra gigante com as duplas que forem sendo pegas. • Variantes — todas as duplas são cobras pegadoras e. 6.• Desenvolvimento e regra — as duplas deverão estar dispostas nos diversos locais da quadra. vão se formando pequenas cobras gigantes até acabar o jogo.

foram fatores preponderantes para o surgimento da prática desportiva das pessoas com deficiência. b) necessidade de reabilitar e de melhorar a qualidade de vida para os milhares de militares e civis que ficaram com incapacidades físicas permanentes. com sequelas da guerra. Um dos responsáveis pelo fomento das práticas de atividades desportivas foi o Professor Dr. Sir Ludwig Guttman. em Stoke Mandeville Hospital. Com a inauguração do Centro Spinallnjuries. na Inglaterra.Guerras Mundiais. se reúnem para praticar esportes. em Aylesbury. tais como: a) a disponibilização dos rápidos avanços na tecnologia médica de atendimento. em 1944. Mas a necessidade de inclusão do grande contingente de indivíduos. Diversos fatores influenciaram significativamente para a inclusão e o desenvolvimento do desporto para pessoas com deficiência. em atividades para preencherem as horas de ócio. 93 . vítimas das mazelas da Segunda Guerra. o que resultou em melhores oportunidades para sobrevivência de uma lesão ou doença. quando exsoldados alemães. Seu início se dá em 1918.

Ainda. Estas experiências são consideradas o marco do desenvolvimento sistemático do desporto de competição para pessoas com lesões na medula espinhal. Uma das primeiras modalidades introduzidas por Guttman foi o polo em cadeira para paraplégicos. badminton.Guttman propõe mudanças radicais nos métodos de tratamento de pessoas com lesões na medula espinhal. foram organizados os pri- 94 . o valor de recreação e do esporte como um catalisador para a terapia de reabilitação. tiro com arco e tênis de mesa. Em 1945. dessa forma. As primeiras competições de pessoas com deficiência física na cadeira de rodas foram incentivadas pela realização dos Jogos Olímpicos de Verão. em 1948. Sir Guttman introduz práticas e atividades esportivas como elemento fundamental no tratamento médico objetivando a recuperação e a melhoria das incapacidades das lesões da guerra. nesse ano. Reconhece. em 28 de julho. E possibilitaram fomentar novos caminhos para o processo de reabilitação médica e reintegração social das pessoas com deficiência física. os esportes fomentados utilizando a cadeira de rodas foram basquete. ocorridos na Inglaterra.

6. diversas outras entidades. uma de Stoke Mandeville e outra da casa — Estrela — para militares deficientes. foi o único esporte impugnado. como hospitais e lares. os Jogos Stoke Mandeville se tornam internacional. Dos esportes eleitos para a competição. com um jogo his- 95 . o tiro com arco. sempre na cidade de Aylesbury.2 HISTÓRICO NACIONAL O movimento desportivo das pessoas com deficiência no Brasil tem seu marco inicial em 1959. Um ano mais tarde. Os Jogos foram realizados. na Inglaterra.meiros jogos no Hospital de Stoke Mandeville. No ano de 1952. participaram apenas duas equipes. modalidade tradicional da região. durante muitos anos. Nesse primeiro evento. Guttman convidou uma pequena equipe de holandeses veteranos de guerra para competir contra os seus colegas britânicos e criou uma entidade internacional chamada de Intermacional Stoke Mandeville Games Federation (ISMGF). com exceção dos anos Paraolímpicos. e equipes foram inscritas para os jogos de Stoke Mandeville.

Com o crescimento e a introdução de outras modalidades paraolímpicas. nesse mesmo ano. em 1958. na 96 . e Serafim Sérgio Del Grande que cria. em Heidelberg. Voltando ao Brasil. no Rio de Janeiro. que funda o Clube do Otimismo. surgiu a necessidade da criação de uma entidade. A participação de atletas brasileiros em Jogos Paraolímpicos acontece no ano de 1972. Vítimas de lesões graves na medula e membros inferiores. o Clube dos Paraplégicos. Este evento foi resultado do fomento realizado por duas lendas do esporte paraolímpico brasileiro. Em 1975. funda a Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE). juntamente com outros companheiros. fomentam sua prática e elegem o basquete em cadeira de rodas como o primeiro esporte paraolímpico disputado por aqui. em São Paulo. e reabilitados nos Estados Unidos. seguiram a filosofia de Guttman e vislumbraram que o esporte é um importante instrumento de inserção social. Robson Sampaio de Almeida. o Professor Aldo Micollis.tórico de basquete em cadeira de rodas. que marca a já tradicional rivalidade esportiva entre paulistas e cariocas.

Viajando de forma organizada rumo ao Canadá. os atletas brasileiros disputaram os jogos com outros 2. Terminou a competição sem medalhas. O Brasil não teve uma participação expressiva e não colheu grandes resultados. em 1980. 97 .560 competidores de 42 países. Nos jogos de New York. aproximadamente. conquistou a prata na bocha de grama. há a conquista de seis medalhas na modalidade atletismo. Robson Sampaio de Almeida. sendo o ouro conquistado nos 200 m pela atleta com paralisia cerebral Marcia dos Santos Malsar. A segunda participação do Brasil em jogos internacionais aconteceu no ano seguinte à fundação da ANDE. Nos Jogos Paraolímpicos de Arnhem. junto com Luís Carlos Curtinho. colocando o Brasil na 31ª colocação geral no quadro de medalhas. Participaram deste evento.550 competidores de 42 países. em Toronto. na cidade de Etobicoke. onde competiram 1. 1. na Holanda.Alemanha.000 atletas de 44 países. no Canadá. conquistaram as primeiras medalhas. em 1976. O país foi representado apenas pela seleção masculina de basquete e um nadador.

em 9 de fevereiro de 1995. fruto da organização e 98 . Com a criação do Comitê Paraolímpico Brasileiro. a criação da Lei AGNELO/ PIVA.264/2001. Como toda instituição necessita de recursos para o seu desenvolvimento.Com a criação em 11 de agosto de 1988. observa-se a criação das organizações dirigentes de desportos das pessoas com deficiência no Brasil. inicia-se um novo ciclo de desenvolvimento. o esporte paraolímpico brasileiro faz parte das dez maiores potências mundiais.Diversas medalhas foram conquistadas nos Jogos Paraolímpicos de Barcelona e Atlanta. como ABDC. ABDA. como é conhecida a Lei nº 10. solucionando uma lacuna importante no financiamento das ações das entidades que organizam o Desporto Paraolímpico Brasileiro. da Comissão Paraolímpica Brasileira para organizar a participação de delegações brasileiras em jogos Internacionais e Paraolímpicos. ABDEM. Atualmente. Nos anos seguintes. representou o grande diferencial da história paraolímpica brasileira. ABRADECAR. inicia-se uma grande arrancada para o desenvolvimento e fomento das práticas de atividades físicas e desportivas em todos os segmentos da sociedade brasileira.

atrela novos significados para a sua prática. esporte de rendimento. esporte espetáculo e esporte adaptado. obtido através da credibilidade dos resultados alcançados em diversas competições.do aporte financeiro e de patrocínio. buscar proporcionar aos praticantes uma melhor convivência com este importante fenômeno de inclusão social. é seguramente um dos mais importantes fenômenos ocorridos nos últimos tempos. torna-se um instrumento importante no auxílio da inclusão social. Deve-se. apresenta uma pluralidade que. analisado em sua forma de inserção sociocultural. faz-se necessário dar ao esporte adaptado um tra- 99 . observa-se hoje que a adesão ao esporte adaptado cresce de forma nunca antes verificada. Apresentado em diversas dimensões e possibilidades com esporte educacional. Para isso. 6.3 ESPORTE ADAPTADO O esporte. Em seus múltiplos aspectos. dessa forma. a cada dia. principalmente. Com os resultados obtidos nos últimos jogos paraolímpicos. nos segmentos mais carentes da sociedade.

O esporte adaptado vive hoje um momento muito rico de aceitação social. além de oportunizar a inclusão social do indivíduo em ambientes menos restritivos. da Biomecânica. dentre todos os benefícios da prática regular de atividade física largamente conhecida. A prática da atividade esportiva por pessoas com deficiência. prevenir as enfermidades secundárias à sua deficiência. utilizando-se com maior intimidade das ciências do Esporte. da Fisiologia. a oportunidade de testar seus limites e potencialidades. pode proporcionar. melhorar a qualidade de vida. têm citado os benefícios que as práticas regu- 100 . auditiva. sendo esta visual. como Freitas e Cidade (1997) e Campeão (2009). mental ou física. da Psicologia e da Sociologia. respeitando sempre a individualidade. 6.4 BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DO DESPORTO E DA ATIVIDADE FÍSICA PARA PESSOAS QUE APRESENTAM DEFICIÊNCIA FÍSICA Diversos autores.tamento pedagógico.

da velocidade. da flexibilidade). g) Estimular a independência e autonomia.lares de atividades físicas ou esportivas proporcionam ao indivíduo contribuindo para: a) O desenvolvimento da condição física (aumento da força. no equilíbrio. no conhecimento do corpo e das suas reais potencialidades quer psicomotoras. e) Potencializar um aumento do auto-conceito e autoimagem. quer físicas). 101 . da resistência. na coordenação motora. b) O psicomotor (melhoria no controle postural. f) Potencializar um aumento da comunicação. d) Potencializar o desenvolvimento cognitivo. que poderá acelerar o processo terapêutico. c) A estimulação de centros nervosos e de estruturas anatômicas lesadas.

o nível de participação varia de acordo com a capacidade do indivíduo e da gravidade de sua lesão respeitando. m) Contribuir também para o desenvolvimento social. k) Ajudar no desenvolvimento intelectual. Há algumas deficiências ou condições médicas limitantes que excluem completamente a possibilidade de participação em esportes. j) A produção de uma sensação de bem-estar e equilíbrio. o princípio da individualidade. Este é o princípio que rege o processo da classificação 102 . n) Possibilitar melhor interação entre deficientes e não deficientes. i) Potencializar a redução da irritabilidade e da agressividade.h) Potencializar a prevenção de estados depressivos e de ansiedade. No entanto. assim. l) Potencializar a inclusão social e a qualidade de vida.

6. já é tradição que modalidades sejam apresentadas num ciclo e incluídas no outro.5 PROGRAMA DE ESPORTES PARAOLÍMPICOS A competição máxima das pessoas com deficiência são os jogos paraolímpicos.funcional em que se determina que todos os indivíduos são diferentes. Os jogos acontecem em duas versões: os Jogos Paraolímpicos de Verão e os Jogos Paraolímpicos de Inverno. permitindo que estes se sintam mais integrados e participativos na sociedade. quebra de barreiras e limites para outros elementos com deficiência. No entanto. onde o Brasil participou de 17 e conquistou 16 medalhas de ouros. 14 de prata e 17 de bronze. foram disponibilizadas 20 modalidades esportivas. Os esportes que compõem o programa podem ser avaliados a cada quatro anos para inclusão de novas modalidades. ocorridos em Pequim. Nos últimos Jogos Paraolímpicos de Verão. É sabido que os desportistas com deficiência funcionam como modelo de superação. Nas modalidades ofere- 103 .

Boccia.cidas. Tênis de mesa. Goalball para deficiente visual. Remo. Rúgbi em cadeira de rodas. Basquete em cadeira de rodas. Judô. Futebol de sete PC. Vela. . Halterofilismo. Ciclismo. Voleibol sentado. o Brasil só não levou representantes em Rúgbi em cadeira de rodas. Hipismo. Tiro. Tênis na cadeira de rodas. Atletismo. Modalidades Paraolímpicas • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 104 Tiro com arco. esgrima em cadeira de rodas e tiro com arco. Natação. Esgrima em cadeira de rodas. Futebol de cinco para deficientes visuais.

Esqui Nórdico. Hóquei patins de gelo. segundo diversos autores. não participa das modalidades esportivas disputadas nos Jogos Paraolímpicos de Inverno que incluem: • • • • • Esqui cross-country.O Brasil. Esqui alpino (slalom. downhill e super G). foi o fenômeno que mais contribuiu para a sedimentação do exercício da cidadania e da inclusão social da pessoa com deficiência em todas as esferas da sociedade. Biathlon. na última década. slalom gigante. 105 . até o momento. que a prática desportiva. 7 ATIVIDADES ALTERNATIVAS PARA INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA SEVERA Está mais que evidenciado.

que minimizam as possíveis desvantagens provocadas pelas deficiências. em geral.A prática do esporte paraolímpico vem despertando grande interesse da comunidade científica para o estudo das deficiências. nesse sentido. principalmente. Não aceitando a exclusão deste grupo como algo normal. as esportivas. o Professor Ivaldo Brandão Vieira buscou introduzir. Esse fomento de acesso às práticas esportivas promove o desenvolvimento de soluções técnicas e de materiais cada vez mais adaptados. principalmente no que diz respeito às áreas em que se encontra maior grau de comprometimento. que foram adaptadas. buscando equalizar sua prática de acordo com o grau da deficiência. como as pessoas com paralisia cerebral e os tetraplégicos. Estas ações vão da biomecânica do movimento ao estudo de comportamento e da forma como as atitudes positivas desenvolvidas durante as práticas esportivas podem acrescentar sobre a qualidade de vida diária dos seus praticantes. Cabe destacar que as deficiências que apresentam graus severos. É. são excluídas da prática de atividade física. que serão apresentadas algumas atividades. 106 .

distrofia muscular. a princípio. espinha bífida. foi criado em meados dos anos 80. bocha e petra ou Race Running. Surgiu como alternativa recreativa para aqueles que não possuíam o perfil funcional da bocha adaptada e não conseguiam praticar o tênis de mesa convencional. segundo Strapasson (2005). que.no Brasil. Inglaterra. com uma proposta.1 O POLYBAT O jogo chamado de Polybat ou tênis de mesa lateral é originário da Universidade de Nottingann. aquelas que tiveram acidente vascular encefálico. movimento de membros superiores. 107 . lesão medular. basta que o praticante tenha a possibilidade de segurar a raquete e possua o Fonte – O autor (2009). paralisados cerebrais. 7. recreativa e de lazer. Enfim. paralisia infantil. algumas atividades já conhecidas e praticadas no exterior como Polybat. não se restringe quanto ao comprometimento motor. por exemplo. Fotografia 1 –Mesa de Polybat O jogo permite que qualquer pessoa pratique esta atividade como.

7. Esta modalidade requer planejamento. foi introduzido o jogo da bocha que. estratégia na tentativa de colocar o maior número de bolas próximo da bola alvo. de diferentes tipos de deficiência. a capacidade viso-motora. ou como atividade de Educação Física nos programas escolares. O jogo pode ser facilmente adaptado para permitir que jogadores com limitação funcional usem dispositivos auxiliares tais como rampas ou calhas e capacetes com ponteira. A habilidade e a inteligência tornam-se fundamentais no desenvolvimento das jogadas. É uma atividade na qual indivíduos com grau de deficiência motora severa podem participar e desenvolver um elevado nível de habilidade. como esporte competitivo. Pode ser jogado de forma recreativa. é uma atividade que pode ser praticada por pessoas de todas as idades. segundo Campeão (2009).2 O JOGO DA BOCHA Nessa mesma perspectiva. dentre outras funções. através da aplicação de técnicas e táticas adequadas a cada circunstância. 108 . desenvolvendo e aumentando. assistindo-se muitas vezes a um verdadeiro espetáculo de alternância da vantagem.

principalmente. em seu equilíbrio. Fotografia 2 –Atleta tetra – Bocha Fonte – O autor (2009). Fotografia 3 –Atleta e sua técnica Fonte – O autor (2009).7. nome dado a um triciclo para ser utilizado por pessoas com deficiências físicas severas. 109 .3 O RUNNING RACE OU PETRA A mais recente atividade de inclusão fomentada foi a RACE RUNNING ou PETRA.

Quando se fala de pessoas com paralisia severa. assim. foca-se naquelas cujos movimentos não são coordenados e sua comunicação. se faz por sinais de piscar de olhos. resistência cardiorrespiratória e muita força. o fazem por meio de uma flexão ou extensão do pescoço. a 110 . em especial. No Brasil. acessibilizar e. principalmente. tem disponibilizado para as pessoas com deficiência física severa. àquelas com paralisia cerebral. uma prática que exige questões de estratégia e movimentação precisa.A modalidade Race Running ou PETRA é uma oportunidade para melhorar a locomoção e incentivar a participação de pessoas com paralisia severa em uma atividade física que possibilita diversos ganhos físicos e psíquicos. disponibilizar. seguindo o proposto em seu programa de fomento aos clubes filiados através dessa prática cotidiana. Já a nova modalidade exige. ou seja. Com a prática. ou quando movimentam sua cabeça. o atleta atinge um nível de independência junto à bicicleta muito significativa. a utilização da explosão de movimento. na maioria das vezes. a opção de atividades para pessoas que apresentassem este perfil era unicamente o jogo da bocha. Incluir significa normalizar. além de lhe proporcionar a sensação de liberdade ao correr. a ANDE.

Pode ser identificado como Running Race. 111 . 7.4 INTRODUÇÃO À CORRIDA DE RUNNING RACE OU PETRA Fotografia 4 –Modelos da petra Fotografia 5 –Modelos da petra Fonte – O autor (2009). e é usado por pessoas de todas as idades com a finalidade de recreação. Running Bike ou Petra. Diversos são os nomes utilizados para identificar este novo equipamento. Fonte – O autor (2009). os resultados se materializam em medalhas que são compensadoras para qualquer atleta. Por conseguinte.verdadeira inclusão social. de mobilidade quotidiana e para o desporto em todos os níveis.

é uma moldura em execução na qual não há pedais. musculares ou esqueléticos. por Connie Hansen. na Dinamarca. 200 m. O atleta tem o apoio de uma sela e uma placa de suporte do corpo enquanto pilota o guidão da bicicleta. A condução das competições segue as regras da IAAF e as do Departamento de Atletismo do IPC.1 Objetivos Running Race é uma disciplina atlética. que pode ser causada por uma combinação de problemas neurológicos. em que o indivíduo corre com os pés enquanto usa uma moldura de três rodas. correndo para o apoio de seu corpo. Até o momento.Fotografias 6. As distâncias são de 100 m. 7 e 8 –Atletas em atividades na petra Running Race foi iniciada em meados da década de 1990. 400 m e 800 m. as competições foram apenas para CP 1 e CP 2. Fonte – O autor (2009). 112 . Muitos têm paralisia cerebral como o principal problema. um atleta paraolímpico em cadeira de rodas. Os corredores são pessoas com deficiência.4. 7. A CP-ISRA organiza campeonatos internacionais na corrida de execução. Apesar de parecer com uma bicicleta.

tônus muscular e força. Muitos daqueles que utilizam o Running Race afirmam ter encontrado uma nova dimensão para a vida. pernas e costas. em uma Running Bike.2 Benefícios proporcionados pela prática da modalidade Running ou a Petra é uma maneira muito eficaz de melhorar a aptidão global. o uso da força trabalha os grandes grupos musculares. Proporciona também o uso dos músculos do pescoço. Alguns. Em alguns países. que foram limitados a cadeiras de rodas. atletas com um diagnóstico CP não podem competir localmente dentro ou em classes separadas. 113 . a maioria dos usuários é capaz de usar o Petra por um longo tempo para melhorar o seu equilíbrio e suas reações motoras.4. em função da severidade de sua lesão.7. afirmam ter encontrado uma forma de se propulsionar. Mas podem correr distâncias mais longas em provas de ruas utilizando este equipamento.Também beneficia os sistemas nervosos e metabólicos. principalmente. a partir de seu esforço. Apesar de o usuário poder optar por correr ou caminhar com a Petra. Apesar dos consideráveis desafios físicos.

7. apesar de ser uma atividade prazerosa e divertida.4. Cada técnica exige uma configuração pouco diferente de deslocamento. é difícil sua iniciação. 3 Corrida Clássica e Corrida atetósica Clássica. Há diversos obstáculos práticos e técnicos a serem superados. como também truques para aprender. 2 Galope e Galope Hemiplégico.3 Técnicas de deslocamento A técnica de deslocamento está muito relacionada à forma como a espasticidade se apresenta nas partes atingidas do corpo.Para muitos. . As técnicas de execução podem ser divididas em três estilos principais e há variações em cada um deles. São chamadas de: 114 1 Borboleta. tais como aprender a ajustar a bicicleta e encontrar a melhor técnica de execução para proceder a um bom deslocamento.

Fotografia 9 –Modelos da petra

Fonte – O autor (2009).

O estilo a ser utilizado não depende apenas da função
de pernas, mas também da função de outra parte do corpo,
tais como braços, tronco e quadril. O estilo de execução utilizado por um corredor não é necessariamente colocá-lo em
uma classe específica quando competindo.
Pode-se demorar muitos anos para desenvolver força e
boa coordenação de qualquer estilo. Com a prática e o desenvolvimento dos treinos, rapidamente será capaz de obter
um melhor controle da respiração da capacidade aeróbia, assim como a resistência do estômago e dos músculos glúteos.

115

7.4.4 Indicações de uso
A Running Race ou Petra pode ser praticada por crianças
de 3-4 anos até a idade adulta. É predominantemente adequada àquelas com paralisia cerebral, embora o seu uso possa
ser indicado para pessoas com distrofia muscular, doença de
Parkinson e outras deficiências que afetam a mobilidade e o
equilíbrio.
Com o centro de gravidade baixo e desenho do quadro,
é uma prática que oferece boa estabilidade e equilíbrio, correndo ou andando. O indivíduo controla atos de oscilação
lateral ou sela, quando em repouso. Pode ser também usado
como um banco.
Existe uma infinidade de acessórios que fornecem suporte, para aqueles que necessitam dele, às mãos, aos braços
e ao corpo.

116

7.4.5 Acidentes e precauções
Pessoas com severas dificuldades de movimentos observados nas classes CP1 e CP2 estão propensas a sofrer acidentes tanto na vida diária quanto na prática esportiva. São
particularmente suscetíveis e podem apresentar quadro de
desidratação, exaustão ou epilepsia em função de sua pobre
eficiência motora e alto gasto energético para a sua locomoção em função do quadro que a disfunção se apresenta.
Dessa forma, trabalhando sempre na perspectiva da
prevenção, o profissional responsável pela atividade pode
cercar-se dos cuidados necessários, tais como a reposição
de líquidos, a intensidade da atividade, as condições individuais, o check de equipamentos, a temperatura no horário
dos treinamentos, dentre outras, que são inerentes ao conhecimento dos profissionais de Educação Física.

117

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