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CURSO SUPERIOR DE SECRETARIADO

ADMINISTRAÇÃO GERAL
PESQUISA SOBRE ISAIAS RAW

2013

“Como a natureza sabe, sem diversidade não existe evolução.” - Isaias Raw

PERFIL:
A serviço da ciência
Pesquisador contumaz, descobridor de talentos e contestador das regras, Isaías
Raw é conhecido pela dedicação à ciência e por colocá-la a serviço da população
brasileira há mais de meio século.
Raw conviveu com dois tipos de fama: a de empreendedor e a de brigão. Ao unir
os

dois

qualificativos,

ele

se

transformou

num

extraordinário

agitador

educacional, com ideias e projetos dirigidos a professores e alunos que iam do
ensino médio ao curso superior – no caso, medicina.
Ex-presidente da Fundação Butantan, pólo produtor de vacinas para todo o país,
ele é dono de uma trajetória que combina dedicação e genialidade.
O espírito empreendedor surgiu logo no começo da faculdade, em 1945, quando
ainda aluno do segundo ano da Faculdade de Medicina da USP, foi convidado por
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Ainda nessa primeira fase. criou a Fundação Carlos Chagas e o Curso Experimental de Medicina da FMUSP. o liberou para organizar pioneiramente feiras. unificou os exames vestibulares de São Paulo (junto com o professor e sanitarista Walter Leser). em uma única entrevista. Raw também criou e liderou a fabricação dos famosos kits de química. Quando de sua cassação. Nos anos 1980 em diante. casado. Raw foi responsável por grande movimentação nesse setor. Era uma época em que a pesquisa médica ainda engatinhava no Brasil e não dispunha de instrumental para grandes avanços. trabalhou em Israel e em universidades norteamericanas. por meio do Ato Institucional nº 5. treinamento de professores e produção de equipamentos de laboratórios. com 200 milhões de doses anuais – hoje é o presidente da Fundação Instituto Butantan. edição 2004. Aos 78 anos. em 1952. Isaias Raw manteve um ritmo alucinante de atividades. clubes de ciência e museus. entre os anos 1950 e 1969. Mesmo com esse cenário. na categoria Ciência Geral. e três netos. a transformá-lo no maior centro produtor de vacinas do país. Em meio a gestões de programas e fundações. ele ri quando percebe a quantidade de informação que despejou sobre os entrevistadores: “Sei que é impossível enquadrar. A nomeação para o Instituto Brasileiro de Educação. Ciência e Cultura (Ibecc). a ministrar aulas de genética para alunos do primeiro ano do curso. Este ano ganhou o Prêmio Conrado Wessel de Ciência e Cultura. com os três filhos divididos entre os Estados Unidos e Israel. publicando em revistas especializadas no exterior. o cientista foi responsável pela introdução da biofísica no currículo do curso de medicina da USP. a elaborar currículos. uma 3 . caixas repletas de experiências que podiam ser realizadas em casa por estudantes comuns. Raw instalou-se no Instituto Butantan e ajudou de modo decisivo. de volta ao Brasil. eletricidade e biologia. Isaias Até ter seus direitos cassados pelo regime militar. continuou um pesquisador atuante em bioquímica. Fundou a Editora da Universidade de São Paulo e a da Universidade de Brasília.Antonio de Barros Ulhoa Cintra. dirigiu a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (Funbec). além de tópicos modernos de bioquímica que até então eram muito distantes da realidade dos alunos. um dos maiores nomes da medicina brasileira e seu professor.

contrário às burocracias. contando o laboratório na garagem. na década de 1960. em 1984. vai virar um livro”. Foi assim quando a mesma Funbec consolidou a eletrônica médica no Brasil. Sua atuação como cientista questionador foi condenada pela 4 . 70 e 80. Daí surgiu a ideia de criar uma pequena maleta que pudesse ser vendida. “Se eu for contar tudo. Contestador e “subversivo” Raw ficou conhecido também por seu espírito combativo e contestador. tornando monitores. Na origem de todas as contribuições de Isaias à Medicina e à Educação. ele conta apenas uma pequena parte dessa história homenageada pelo Prêmio Fundação Bunge. E foi assim quando. guardados de forma nem sempre organizada. contendo todos os produtos necessários para se trabalhar em casa e ainda os acondicionar. diz Isaias. Ele tinha um pequeno laboratório em seu quintal e comprava ácidos e outros componentes em lojas de ferragens. vai virar livro. eletrocardiógrafos e desfibriladores em equipamentos padrão nos hospitais. O resto. Ele já está escrevendo. Paixão pela pesquisa Curioso e dono de grande talento para a investigação. Foi assim quando ele criou o Curso Experimental de Medicina da Faculdade de Medicina da USP e a Fundação Carlos Chagas. onde me diverti fazendo ciência”. Foi assim quando ele criou a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (Funbec). está o seu ímpeto obstinado de identificar o que precisa ser feito – e fazer. Abaixo. que modernizou o ensino de Ciências nas escolas secundárias. facilitando o transporte e o acesso. Raw achou em sua própria casa a motivação para a criação dos kits de química que foram muito populares nos anos 60. de fato. ele chegou ao Instituto Butantan e o transformou no maior produtor de vacinas da América Latina.vida de 65 anos. de atividades.

Butantan Em 1985. na Universidade Hebraica. e. Sua preocupação em fazer uma ciência que não ficasse restrita aos laboratórios sempre chamou a atenção de sua equipe. ainda mantém sua rotina de trabalho no laboratório e não pensa numa aposentadoria. entre eles sete ganhadores de Prêmio Nobel. Nessa época. durante o governo do general Castelo Branco. No exílio. era forte o intercâmbio do professor com os cientistas norteamericanos e europeus. fabricante de soro e de cerca de 90% das vacinas consumidas no País. Raw optar por viver um tempo fora do país. passando por outras instituições como o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. foi para os Estados Unidos. o que fortaleceu a desconfiança por parte da ditadura. mais tarde. são também produzidos pelo instituto o sulfactante. Além das opções contra difteria. substância usada para proteger crianças prematuras e distribuída gratuitamente pelo governo para todas as maternidades públicas do Estado. de volta ao Brasil. Raw tornou-se presidente da Fundação Butantan. É de Raw a responsabilidade pelo Instituto Butantan ter se tornado o grande centro produtor de vacina no país e um modelo para todo o mundo. 5 . que o considerou subversivo e envolvido com o comunismo. instalou-se em Jerusalém. mudou a opinião do governo militar a esse respeito. Em 1964. responsável técnico-científico do Centro de Biotecnologia. também. gripe. Passou a ser. responsável pela administração do Instituto Butantan. Nem um telegrama de 12 grandes nomes da comunidade científica mundial da época. foi detido por 13 dias. Aos 82 anos. Decepcionado.ditadura militar. tétano e coqueluche.

era uma forma de estimular a criançada a fazer e apresentar seus trabalhos. do ensino médio. para se dirigir a uma carreira científica. Ciência e Cultura. que era com pedal. Colocávamos dez ou 20 jovens escolhidos por nós para fazer experiências – construir aparelhos. eletricidade e biologia. criando uma feira de ciências em São Paulo nos anos 1950. Depois inventei de levar dez estudantes selecionados. com um torno que era da Escola Politécnica num tempo em que não tinha motor. O problema é que nossos clubes eram muito modestos em termos de número. em vez de investir na formação de uma elite.Algumas de suas entrevistas: Como o senhor se interessou por educação científica? Comecei estimulando a observação em análise experimental. Era a tradução do nome UNESCO e representava esse organismo no Brasil. Mas rapidamente ficou claro para mim que 20 pessoas não iam mudar o Brasil. naquele tempo. A coisa começou nos anos 1950 também porque existia um organismo chamado Instituto Brasileiro de Educação. da UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]. naquele tempo. pelo bioquímico Leopoldo de Meis. por exemplo. já perdíamos o aluno. ao colégio. e iam fazer a experiência. deveria intervir na escola secundária e partir para a massificação usando os kits e minikits de química. E esse processo era o clube de ciência – que foi redescoberto muitos anos depois. Achei que. 6 . o Ibecc. Tínhamos que achar outro jeito de multiplicar esse processo. para a reunião da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência] e eles se apresentavam como se fossem pesquisadores que mostram seus resultados. A ideia era ocupar um salão da Galeria Prestes Maia com uma exposição a cada três ou quatro meses. A feira de ciências. O objetivo era atrair o jovem para a ciência desde cedo? Se não atraíamos os jovens no equivalente. no Rio de Janeiro. Tem que começar muito cedo.

mas filósofo. primeiro no 4º andar. Tudo o que ele dizia numa semana desdizia 15 dias depois. que as pessoas pudessem comprar – um pacote de material. a Editora Abril topou fazer isso comercialmente. para conversar. mas quem financiava a fabricação? Fazíamos na Faculdade de Medicina. de 1960 a 1963. com reagentes e o que fosse necessário para trabalhar em casa. O que é um defeito grave. O problema era que o Anísio não era cientista. Quando saí do projeto. Quando o Ulhôa Cintra foi reitor da USP. um educador brilhante. Isso já existia comercialmente na Alemanha nos anos 1930. Inicialmente recebíamos doação da Fundação Rockefeller e. ganhamos um galpão na Cidade Universitária e tudo passou a ser industrializado. Naquele tempo se comprava ácido na esquina. Depois fui ao Ministério da Educação e vendi a ideia para o Anísio Teixeira. Não é não. depois ocupamos a garagem. da Fundação Ford. O senhor bolou os kits. gratuita e universal. Tive a ideia de fazer algo mais organizado. logo após. Chegamos a ter 650 operários. O foco da pesquisa foi 7 . que pudesse ser fechado e guardado. de eletricidade. O senhor geria a fábrica de kits e fazia pesquisa ao mesmo tempo? Ao mesmo tempo. na verdade um caixote de madeira com uma alça. com a mesma tranquilidade. encadeada. na loja de ferragens. Aí surgiram os kits de química. diga-se de passagem. porque era uma conversa lógica. de biologia e até de matemática. Fazia pesquisa em bioquímica. Criei uma mala. A cada 15 dias eu ia lá. O Anísio Teixeira foi o primeiro sujeito que concebeu a escola como deveria ser: pública.Como surgiram os kits de ciência? Eu tinha um laboratório no quintal da minha casa.

Ciências e Letras. laboratórios e permitia fazer pesquisa. Antes da genômica o importante era entender metabolismo e enzima. cujo prédio nem estava completamente construído. pôr no caminhão e levar para o Instituto de Química. com gente de todas as áreas conversando e trocando experiências. as faculdades eram isoladas e ninguém falava com ninguém. e curava a doença. Depois que eu mudei para lá. O Cintra me deu cobertura naquela ocasião. na prática. a Cidade Universitária era um condomínio. que difere da do homem. Meu interesse e vontade de pesquisar surgiram quase por geração espontânea. Naquele tempo a grande promessa era que. Ele mandou construir o Instituto de Química. com o tempo. digamos. ainda no tempo do Ulhôa Cintra. e as outras. 8 . A Faculdade de Medicina era um dos poucos lugares onde havia tempo integral. que eu chefiava. Comecei com o Tripanossoma cruzi quando era aluno. não em ser médico. atendia mil pessoas por mês. Aí veio a ideia. Mas foi essa ação que levou a criação. mudou a Farmácia. se conhecia a diferença entre. Vi que aquela área do conhecimento estava vazia e comecei a trabalhar nisso. Eu tinha um tio que era um médico “de massa”. A Faculdade de Medicina reagiu extremamente mal a isso. Até então a universidade era apenas um condomínio. Mesmo já implantada. O senhor sempre quis ser pesquisador? Eu entrei na faculdade definitivamente interessado em fazer pesquisa. Foi naquele momento que se começou a fazer bioquímica.mudando. de pegarmos o Departamento de Bioquímica. o homem e um parasita. nos anos 1940. Como o senhor foi parar no Instituto de Química? Havia a necessidade de criar massa crítica. você era capaz então de identificar uma droga que ia inibir a enzima do parasita. Ele tinha alguns livros de química farmacêutica que me interessavam. A Faculdade de Medicina era muito fechada e não deixava contratar profissionais não médicos. praticamente inteira. da USP. Houve uma evolução clara da universidade depois dessas mudanças. que era diretamente ligado à Faculdade de Filosofia.

quase por acaso.Mas foi a partir dessas leituras que o seu entusiasmo cresceu. produzir o produto. por mais que ele estudasse aquele maldito caderno. não foi? É. minha sogra estava morrendo e meus três filhos eram pequenos. fazer desenvolvimento. De alguns livros. Seus caminhos como pesquisador não são nada convencionais. que enchiam páginas e páginas. lê um livro sério e aprende mais do que ouvindo um professor às vezes não muito competente. Toda a ciência do século 19 surgiu desse jeito. ninguém tinha descoberto uma porção de coisas na época. um em especial sobre o Louis Pasteur. Meu grande problema era saber que matéria tinha sido dada. que acho que é o modelo que tentei ressuscitar no Butantan. Eu assisti a poucas aulas na Faculdade de Medicina. O Pasteur dizia “vou fazer pesquisa. ganhar dinheiro e financiar minha pesquisa”. Nada mudava. O Pasteur inventou um modelo. E há algo muito sério: como é que você explica para 9 . Vinte e cinco soldados vieram me prender às 11 horas da noite. que foi outro sujeito que surgiu assim. Foi um momento terrível porque. naquela época. sabe por quê? Porque eram sempre as mesmas aulas. Mas era um livro muito bom. para poder estudar para o exame. contava as histórias do Pasteur. Olhando os cadernos dos meus colegas da primeira fila. Vou dizer uma coisa: me diverti muito na minha vida. esse sujeito. E você. que ficou obsoleto. Como foi esse episódio? Fui preso como um sujeito altamente periculoso. também. obviamente. não podia ter uma nota adequada porque não tinha a visão do que foi ensinado. Quer dizer. em metade do tempo. alguém que se interessou por alguma coisa e foi fazer. Em 1964 o senhor foi preso acusado de subversão. quando estava entrando em casa. descobri que não chegava à conclusão sobre qual era o tema da aula.

O que houve é que o programa de ensino de ciência do qual eu estava à frente foi assimilado pela Unesco. Na verdade.Paulo. Uma vez a antiga TV Record noticiou que eu era chefe de uma célula comunista que se reunia em Washington. E eu era o denominador comum. de química. ele foi ao quartel. incluindo sete ganhadores de Prêmio Nobel. Como estava preso.os seus filhos pequenos que a polícia está errada e você certo? Não existe isso. 10 . trabalhava em todas essas áreas. O primeiro deles é que eu iria para um congresso de bioquímica em Nova York e uns 12 professores. O segundo motivo é que o então diretor de ensino de ciências da UNESCO. e isso foi notícia na Folha de S. o marechal Castello Branco. que eu dirigia. O senhor participava de organizações de esquerda? Não. Durante algum tempo houve uma série de reuniões internacionais financiadas pela Opas [Organização Pan-americana de Saúde] para rever o ensino de física. escreveram um telegrama de protesto para o presidente da República. minha prisão ocorreu porque o Exército era ignorante. Albert Baez. Então se criou um caso. Não tem explicação. no fim dos anos 1950. de biologia. estava no Brasil e tinha uma hora marcada para conversar comigo sobre ensino de ciências. algumas delas em Washington.informado e foi enrolado. Na USP tinha professores importantes que formaram uma comissão de extrema direita e envolveram o Exército. que tinha interesse muito grande pelo tema. mal. assim por diante. O que alegaram para o senhor? Que eu era um violento e subversivo comunista. Fiquei 13 dias preso e fui libertado por dois motivos. porque a Funbec [Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências]. Eu era candidato imbatível para professor catedrático da Faculdade de Medicina e essa comissão envolveu meu nome em atividades subversivas para me tirar do páreo. Esses dois fatos ajudaram a me libertar.

para a Universidade Hebraica de Jerusalém. uma fundação muito importante. Eu também estava profundamente envolvido com o vestibular unificado. Só se tirava eletrocardiograma quando o médico tinha importado. Em 1969 fui aposentado pelo o AI-5 [Ato Institucional nº 5]. Eles estavam atrás de mim havia muito tempo por causa do ensino em ciências. No Brasil ninguém tinha equipamento médico. que era feito pela Fundação Carlos Chagas. assumi meu posto e continuei trabalhando. Era um peão que tinha que ser removido do caminho. Isso foi na época que o senhor era presidente da Fundação Carlos Chagas? É. Uma vez cassado o senhor fez o quê? Fui embora do Brasil. No fundo. por conta própria. é muito difícil interferir na educação de outro país.Como foi sua cassação? Em 1969 já foi diferente. não tinha nada disso. Não tem jeito. Quando me soltaram. Mas não funcionou. Primeiro. que não é fácil. em Israel. Monitor. 11 . Independentemente do problema de língua. Fiz o concurso para catedrático. se você é estrangeiro. não só para o ensino de ciência – era a primeira indústria de eletrônica médica. Mas entre 1964 e 1969 surgiu uma porção de coisas. em 1964. O Ibecc tinha virado Funbec. embora tentassem me impedir. minha vida continuou normalmente. um aparelho de eletrocardiograma. Em 1969 eu tinha a soma desse poder todo e não era submisso. desfibrilador. Havia todo um complexo relacionado à educação e ao ensino de ciências que funcionava harmonicamente. isso representava poder.

E para onde o senhor foi? Entrei no MIT [Massachusetts Institute of Technology] primeiro. Esse programa teve grande impacto e me deu a capa do Chemical News. no Departamento de Nutrição. fui convidado para ir para a Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. que chegou a ter um impacto muito grande e era o reverso do que eu fazia no Brasil: como é que você ia ensinar ciência para quem não quer aprender ciência? Então nós inventamos um projeto. tudo. nos Estados Unidos. das inovações do ensino médico e quem ganhou primeiro lugar? Londrina. Recentemente foi feita uma análise das escolas de medicina. E depois passamos meio ano analisando com método o que ele tinha comido naquele dia. Pesquisa não é uma atividade individual. o que naquela época era um brutal prestígio. Nos Estados Unidos se dizia o seguinte: o ensino de ciências é muito sério para se deixar nas mãos de um professor. hambúrguer. que preparava os alunos para o estudo de uma medicina científica. mas de um grupo que trabalha harmonicamente. Quanto tempo o senhor ficou no MIT? Quatro anos. Esse trabalho acabou saindo em livro em 1972. Naquela época havia duas ideias em jogo: trazer o curso de medicina para a Cidade Universitária e inovar. Quando o programa morreu. Pensei. vou fazer aquilo que sei que é trabalhar com ensino em ciências. O que Londrina fez? De certa forma repetiu o Curso Experimental de Medicina que fiz em 1969 na Cidade Universitária. Não era para repetir a mesma coisa. A vida lá foi conturbada porque caí de paraquedas e sem minha equipe de pesquisa. onde éramos pioneiros. 12 . No MIT tinha algo parecido com a Funbec e começamos um projeto. Era um negócio que nós tínhamos começado no Brasil. É a comunidade científica que tem de dizer para onde vai a ciência. Como o americano é louco para saber o que come. Então nós conseguimos aprovar na congregação da faculdade o curso experimental. decidimos que cada estudante juntaria tudo o que comia num dia dentro de um único saco: Coca-cola. Lá fiz um outro negócio que foi muito importante na época e hoje voltou a ter importância.

Fazer propriamente a pesquisa não é mais uma atividade permanente de ninguém. Deixou de ter uma estrutura mais ou menos permanente para ter uns tantos líderes geniais que fazem pesquisa e um exército de escravos.Qual era o conceito do Curso de Medicina Experimental? Acabar com a separação das disciplinas e tentar integrar ciência básica. O problema é que há uma estrutura em que se tem de trabalhar muito. As matérias do curso médico são totalmente artificiais. um ordenado mais decente. por que voltou para o Brasil? Porque o sistema americano de pesquisa foi pervertido. que trabalham sete dias por semana. 40% do curso médico eram de anatomia descritiva. Nossa ideia era misturar a medicina logo no primeiro ano com as outras coisas de ciência básica. durou mais um ano e a faculdade acabou com o curso. ser muito bom e correr à beça para ficar no mesmo lugar. Nós. Mas. tem de ir embora. Agora. se o pesquisador quiser ter família. O pesquisador é temporário. porque cresceram além dos limites delas. a liberdade é total. Depois das experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos. os professores que davam o curso. 18 horas por dia. naturalmente. assim que eu saí. no primeiro ano. “Hoje eu tenho que ensinar citologia do fígado. ninguém interfere na pesquisa. a não ser de 1% que está no topo. horários menos ruins. porém: naquele tempo. Isso ocorre por causa da máquina poderosa que eles têm montada lá. você fala sobre mitocôndria…” Funcionou tão bem que. 13 . totalmente impessoal. O resto é um exército de escravos. Quando acaba a bolsa. da quantidade de dinheiro existente. clínica e medicina social desde o primeiro dia do curso. E é impessoal. quando abriu. Hoje isso mudou. do mesmo jeito que se ensinava no século 18. os 80 melhores alunos escolheram Experimental. Também tinha um segundo. nos reuniam uma vez por semana para decidir o que ensinar.

era de perdoar. Mas não pode todo mundo fazer ciência básica. O que motivou o Senhor a batalhar pela renovação do Instituto Butantan? A ciência básica é útil e necessária. O primeiro era que a condição da Anistia. mas também lá o processo havia se pervertido. Depois vieram as vacinas contra hepatite. Qual a importância do Butantan hoje para o País? Nós temos de ser autossuficientes e estamos conseguindo isso. Na época. Alguém tem que traduzir o que foi descoberto em um produto de que a sociedade precisa. Eu já estava aposentado e não havia voltado para o Instituto de Química por dois motivos. A indústria de vacinas está concentrada em seis empresas no mundo. Todo mundo que nasceu de 1984 para cá foi vacinado. diretor do Instituto Ludwig de Pesquisa contra o Câncer e diretor presidente da FAPESP. contra raiva. Então. num outro sentido. começo dos anos 1980. Nesse momento. mais ou menos como a 14 . Foi o que eu resolvi fazer no Butantan. Os mais conhecidos são o Walter Colli. que toda criança recebe. O segundo motivo era que eu tinha deixado cinco ótimos professores lá que não precisavam mais de mim – eles eram melhores do que eu. a primeira coisa era produzir a vacina chamada tríplice DTP [contra difteria. dos militares. Não tinha vacina no Butantan. Depois de uns dois anos surgir a oportunidade de ir para o Instituto Butantan e começar do zero. tétano e pertússis.Na volta para o Brasil o senhor fez o que da vida? Tentei voltar para a Funbec. não de reintegrar. o Willi Beçak era o diretor da instituição e pediu a contratação de dez professores da universidade. Eles estavam sem uma boa administração e haviam perdido a inovação. Fizemos um quarto de bilhão de doses. ou coqueluche]. contra influenza. Tinha de assinar um documento dizendo que você aceitou o perdão e eu não aceitei o perdão de ninguém. e o Ricardo Brentani. hoje também assessor adjunto da diretoria científica da FAPESP. difteria e coqueluche praticamente desapareceram no Brasil. Tétano. não havia permeabilidade entre o Butantan e a USP e o instituto não tinha pesquisa nem aluno.

produzimos 95% das vacinas que são fabricadas no País. Isso começou a abrir os caminhos e fui reconstruindo instalações e comprando máquinas com a ajuda do governo federal. mas não quero”. O mundo desabou em 1985 quando o pouco soro antiofídico que o Butantan fazia foi testado em um laboratório central de controle de qualidade. com poder para isso. individuais.do petróleo. E elas vivem batendo em minha porta. no Rio de Janeiro. A essa altura. O governo do estado não financia conscientemente a produção de vacina. O pesquisador 15 . porque eu já tinha conseguido que a FINEP [Financiadora de Estudos e Projetos] me desse um pouquinho de dinheiro para fazer biotecnologia na Funbec. Mas como o instituto se tornou um grande centro de produção de vacinas? O orçamento para fazer vacinas imunobiológicas no Butantan era zero. o produto é brasileiro. eu já estava tentando resolver o problema dentro do Butantan. de onde veio esse dinheiro? Tivemos que criar uma estrutura onde esse dinheiro se retroalimentasse. Se antes era zero e agora produzimos 200 milhões de doses de vacina. Produzimos as vacinas do zero até o produto final. Hoje temos um parque tecnológico de primeira linha. o País quer ser independente. não sou eu que quero. e atendemos o Ministério da Saúde por um preço que ele pode pagar. para vacinar todo mundo. O Butantan começou a ser recomposto com esses dez professores? Sim. progredir. Da FAPESP nós conseguimos muita ajuda com auxílios pontuais. e descobriu-se que era inativo. ser independente. Entrei em uma área diferente dos outros. o Brasil não tinha soro. eu vou responder: “Muito obrigado. Mas enquanto eu estiver sentado lá [no Butantan]. Essa era uma parte do problema. para os pesquisadores. de fato. Quando vim para cá a coisa mudou. O Butantan me deu essa oportunidade. Eu quero desenvolver. A tecnologia é brasileira. A outra era desenvolver tecnologia. Só que lá não havia mais condições. Aliás. Então.

não se realizou nada. Frequentemente tenho de comprar matéria-prima previamente. Isso não é verdade? Pode até ser. ele desenvolve uma ideia de bancada. O negócio é que. 16 . aceitouse a ideia americana de que se o cientista tem uma participação nos lucros ele tem mais interesse em criar tecnologia. se em uma instituição pública esse produto não é da sociedade como um todo. Na área de medicamento e vacina leva dez anos depois de o produto estar estabelecido para se chegar ao mercado. Por quê? Houve uma evolução considerável da tecnologia. O pesquisador está sempre sonhando com uma coisa que mesmo no Primeiro Mundo leva muitos anos. muito menos a discussão interna. Não dá para imaginar que a solução de todos os problemas passa pela empresa lucrativa. para fazer um produto como vacina. Acredito que o Brasil está. o governo compra sem questionamento. Se não tem um produto. No momento. ninguém vai fazer nada que não tenha perspectiva de lucro. Você mata a pesquisa. Esse programa derivou para um monopólio estatal. Quando a instituição pública faz a vacina.da universidade imagina que desenvolve tecnologia. Quer dizer. do controle da qualidade. Para fazer saúde pública tem que ter um custo que o país comporte. Outro conceito fundamental é que. na área de saúde. antes da encomenda do governo para dar tempo de produzir a vacina. Há outro problema: no Brasil. não entra em licitação. você pouco fez do ponto de vista industrial. se for assim. ainda por cima. E. Na verdade. estou devendo US$ 30 milhões usados para fabricar a vacina da gripe. Claro que ele paga o preço mais baixo possível e atrasado. você não fez saúde pública. na contramão dessas ideias. Quando descobriram que não tinha soro bom aqui e não dava para importar porque não era produzido usando veneno extraído das cobras brasileiras criou-se um programa de autossuficiência de vacinas. se você não faz o produto aparecer. a medida de tecnologia não é o trabalho publicado.

resolveu esse problema. volta para o Tesouro e desaparece. se vem dinheiro. A fundação opera como uma empresa privada. esse parece ser o caminho certo… É o que acho. É uma questão de legislação. O orçamento é imaginado pelo menos um ano antes. Criamos uma estrutura que é pública. criada em 1985. porque se for pública. então. Se enxergar o dinheiro. Qual o país que dá remédio para AIDS gratuitamente? O Brasil criou uma estrutura que permite fabricar o produto que precisa para a saúde pública a um 17 . se não dois anos antes. Apesar de andar na contramão. Dentro do modelo econômico atual nós estamos na contramão. O instituto pode ter esse dinheiro. a Fundação Instituto Butantan. não. se ele está financiando o instituto. A Secretaria Estadual da Saúde e o Butantan nunca receberam nada. As outras nós também fazemos. Até os primeiros auxílios grandes que o Ministério da Saúde nos deu desapareceram no Tesouro. no dia seguinte ele é recolhido ao Tesouro.Isso vale para todas as vacinas? Não. Precisa ser muito burro para inventar uma lei desse tipo. stricto sensu. O drama é que aí o dinheiro desaparece. É completamente esquizofrênico. Então. se houver lucro. é como se o governo dissesse: “Não tenho nada previsto no meu orçamento. mas desde que o governo não o enxergue. quando o dinheiro volta. mas de modo muito mais flexível. mas não pode ser pública. mas sempre tem que ter dinheiro. não é reinvestido no instituto. portanto não aceito o dinheiro”. é natural que vá para o Tesouro. O governo pensa – por causa da regulamentação e não por causa de vacina em especial – que. O dinheiro nunca fica no Butantan? Não.

o governo inglês. A inovação torna-se. o francês e assim por diante. Isso porque conseguimos tecnologia para fabricar a um preço muito baixo. então.preço que pode pagar. Não diria que o modelo do velho Pasteur seja um bom modelo. Hoje vacinamos de 60 para cima. Ele acaba descobrindo que faz tão boa pesquisa trabalhando nas prioridades do Butantan como nas ideias dele. essencial dentro desse processo? Sem dúvida. não privado. Tenho 25 doutores aqui na fundação e eles têm o direito de fazer a pesquisa que querem desde que façam em uma parte do tempo. A convivência entre pesquisa básica e pesquisa aplicada é fundamental. E para ter inovação é preciso ter pesquisador que faz pesquisa básica. O governo vai distribuir para todas as maternidades públicas de graça. com a ajuda da FAPESP. O grande financiamento para desenvolvimento de medicamento é público. A indústria faz de conta que inventa tudo. o surfactante para proteger crianças prematuras. Nós estamos testando uma forma de usar um quinto da dose da vacina da gripe para o ano que vem. Precisamos de um novo modelo? Eu acho que sim. Ora. Também desenvolvemos. vou fazer um museu também”. O Brasil é o único país da América Latina que produz vacina publicamente. que a indústria privada não tem. fiz uma estrada de ferro. mas funciona. mas precisa ser socialmente responsável de algum jeito. 18 . O mundo não vai ser mais social ou socialista. baixar a vacinação para 50 anos para cima. o que permitirá. Aqui na Fundação Instituto Butantan eu cuido mais do preço do que o Ministério da Saúde. quem inventa é o governo americano. o que foi definido como prioridade. com o mesmo dinheiro. E para se receber dinheiro público é preciso uma estrutura que funcione para fazer a pesquisa. A relevância social foi trocada pela filantropia – uma concepção americana do tipo “eu fiquei rico.

E esse não é um problema de opinião pública.Como defensor dos alimentos geneticamente modificados. se não há informação não se consegue fazer as coisas nem se entender o mundo. o ensaio clínico tem de ser registrado – o que não é o caso dos transgênicos. nos Estados Unidos. O que está acontecendo é que agora. Até nos Estados Unidos. o que o senhor pensou quando viu a notícia. Por que isso ocorre? Eu fiz um esforço muito grande na minha vida a favor de uma educação científica. não está o presidente Bush tentando enfiar na cabeça dos americanos o que ele pensa do ponto de vista da religião dele? É muito complicado. racional. entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra ela? Difícil saber. Obviamente. um país teoricamente mais racional. Aprender não é adquirir informação. estupidamente obeso. Acredita que há algum risco de se voltar atrás na Lei de Biossegurança depois que o procurador-geral da República. não pode esconder. Nos Estados Unidos é uma catástrofe porque a importância da ciência não é entendida. Depois. se não der certo. Claudio Fontelles. sobre estudo da Monsanto relativo a anormalidades nos rins e no sangue de ratos alimentados com milho transgênico? Quanta gente deixou de morrer de fome por causa do milho transgênico? Quanta gente agora pode obter comida para ficar obeso. Hoje o ensino de ciência é um faz de conta. porque comida deixou de ser importante? O que não é correto é esconder os resultados. Esse conceito de pesquisar na internet não é o de descobrir alguma coisa. se você não tem a capacidade de analisar 19 . em maio. mas apenas de acreditar que o que está na tela é verdadeiro. Mas. Tem até a mistura do conceito da palavra “pesquisa” com “procura no computador”.

criticamente o que é falso e verdadeiro..” Rapidamente o governo americano deu um dinheiro ao País. O Brasil tem hoje mais poder de negociação internacional? Na época da gripe aviária (H1N1).. Eu não esperei o Ministério da Saúde para andar. complica brutalmente as coisas. Presidente da Fundação Butantan. Primeiro porque desapareceu rapidamente. questionou o representante de uma grande empresa privada do setor. e começamos a produzir vacinas contra a gripe aviária. eu já estava entrosado com a Organização Mundial de Saúde e pude participar de uma discussão sobre os riscos da doença se espalhar pelo mundo. devolveu a ironia. décadas antes. perguntara por que o Japão pretendia produzir automóveis. Como todas as grandes fábricas de vacina estão no Hemisfério Norte.. os governos de lá disseram: “Primeiro os meus. naquele mesmo local. a gripe não causou tanto problema para nós. por ser muito agressiva.“Por que um país de Terceiro Mundo deveria se preocupar em produzir vacinas?”. Ironia . demora para eles chegarem aqui. mas vocês não vão ter comida. mas se nós morrermos de gripe vocês morrem junto. há dez anos. não vão ter óleo.. 20 . não quem está sambando lá no Brasil. Não de gripe. lembrando que. Primeiro o meu. quando a indústria norte-americana poderia fornecê-los melhores e mais baratos. Enquanto não atendermos os Estados Unidos. Mas eu fui único que berrou. uma parte veio para o Butantan. matou 50% das pessoas infectadas – e quando você tem um vírus tão violento. não vendemos lá fora”. ele morre sozinho. E a grande maioria das pessoas não tem. É natural. o Secretário de Estado americano. Eu disse: “Ok. O professor Isaias Raw. não vão ter com quem negociar. numa reunião. E depois porque aqui no Brasil nós estamos no final da migração dos passarinhos. Foster Dulles. Mas não podíamos esperar. No final. em Kyoto.

Quando isso não acontece essa criança morre sufocada. isso se torna uma prioridade. de graça – o que já é um fator que torna a solução mais barata. temos de desenvolver tecnologia. sua história é marcada por esforços bem-sucedidos. Esse alguém tem de chegar lá no governo e dizer o que pode fazer. o pulmão abre e ela passa a respirar. eu faço isso aqui”. “Temos de ser autossuficientes. anunciado recentemente. Acontece que você não faz essas coisas por decreto. você dá uma palmada.. Ela poderia ter sido salva se existisse um produto chamado surfactante na sala de parto. Esse produto é retirado do pulmão de porcos.” Todo dia alguém fala que temos de inovar. O governo tem grandes ideias genéricas: “Todo mundo tem de comer. E esse produto tem de ser barato. mas não é o único. porque a tecnologia que desenvolvemos também é barata. ter assistência médica. 21 . temos de inovar. Deve acontecer ano que vem. Conte-nos um pouco sobre a perspectiva. Alguém tem de chegar lá e ser específico: “Se me derem o dinheiro. de o Butantan produzir surfactantes pulmonares em larga escala. Se você tem consciência disso.Aliás.” Isso é genérico. É muito fácil sentar em Brasília e sonhar.. O que é este produto e qual a sua importância? A cada ano. E ela já foi resolvida pelo Butantan. Quando a criança nasce. ela chora. e a uma empresa brasileira me deu a chance de recolher todos os pulmões de porcos dos seus matadouros. Tem de haver alguém que execute. 150 mil bebês prematuros morrem na hora em que nascem por incapacidade pulmonar.

Faculdade de Medicina. 2004 Medalha do Instituto Butantan. 1969: Por sua oposição a ditadura. 1982 1975 22 . tem o registro cassado e exila-se em Israel e nos EUA. professor emerito. O que você pode fazer que é útil? “ LINHAS DO TEMPO DO ISAIAS RAW: 1945: Entra na faculdade de medicina da USP. 2000 Ordem Nacional do Merito Cientifico. Academia Brasileira de Ciências. 1995 Academico. Fundação Conrado Wessel. Governo Federal. Ciência e Cultura. 1985: Vira Presidente da Fundação Butantan. USP. Prêmios e títulos Conrado Wessel de Arte.“ A mensagem que eu dou para o jovem de hoje: olhe em volta. 1979: Assume a direção do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantan.Paulo. Governo do Estado de S. 1954: Passa a Chefiar o grupo de pesquisa do Departamento de Química Fisiológica da faculdade de medicina da USP.

br/2005/07/01/cientista-bom-de-briga/ http://buscatextual. 1964 BIBLIOGRAFIA: http://revistapesquisa.br/buscatextual/visualizacv.br/entrevistas/entrevista.php? id=6229&/isaias_raw 23 .fapesp.fundacaobunge.Professor catedratico.org. USP.cnpq.do? metodo=apresentar&id=K4780236J5 http://www.