Universidade de São Paulo

Projeto

E-Lixo
Integrantes do Grupo
Bruno Croci de Oliveira – SI Fernando Renato - SI Fernando Akio - LZT Francisco Hériton - SI Guilherme Augusto – SI João Paulo – SI

Orientadora
Ana Maria Klein

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Resumo: Este estudo parte da temática proposta de sustentabilidade, tendo como objeto de estudo o lixo eletrônico (e-lixo). E-lixo é o resíduo decorrente do descarte de produtos elétricos e eletrônicos que se tornaram obsoletos, sendo os principais, dentre estes, os computadores e celulares. A obsolescência é causada por fatores relacionados à usabilidade do produto, à economia e ao avanço tecnológico, e o problema do e-lixo, fruto disso, é recente e pouco abordado em relação à sua gravidade. Partindo-se de que este provém do avanço tecnológico, investigamos como um lado da tecnologia enfrenta o problema gerado pelo outro lado desta mesma. A metodologia utilizada para tanto foi pesquisa em artigos científicos e coleta de dados governamentais, de empresas e de organizações nãogovernamentais. Dentre os principais dados encontrados, destacamos o de que o e-lixo é o tipo de lixo que mais cresce atualmente (4% ao ano), mas que cerca de 94% dos componentes de computadores é recuperável. Palavras-chave: E-lixo, sustentabilidade, obsolescência, tecnologia

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Sumário Introdução.................................................................................................................4 Parte I – Apresentando o Problema 1 Sustentabilidade……………………………………………………….........................6 2 Obsolescência………………………………………………………............................7 3 E-lixo………………………………………………………..........................................9 4 Problemas ambientais………………………………………………………..............10 Parte II – Dados e conclusões 5 Os fatores que geram o E-lixo………………………………………………….…….11 5.1 Obsolescência programada………………………………………………...……11 5.2 Obsolescência percebida…………………………………………………..…….14 5.3 Destino do produto……………………………………………………….............15 6 Problemas ambientais causados pelo E-lixo……………………………….………17 6.1 Contaminação atmosférica………………………………………………………17 6.2 Contaminação do solo………………………………………………….....……..17 6.3 Contaminação da água………………………………………………....………..18 6.4 Doenças causadas por elementos presentes no e-lixo……………....………18 6.4.1 Elemento específico: chumbo……………………………….........………19 6.4.2 Elemento específico: cádmio…………………………………..........……19 6.4.3 Elemento específico: mercúrio………………………….....…………….20* 6.4.4 PVC (Policloroeteno) …………………………...................……..………20 7 Medidas que lidam com os problemas ambientais gerados pelo E-lixo............21* 7.1 Iniciativas na economia………………………………………...........................21 7.1.1 Redução do uso de materiais tóxicos e o Take Back……………......…21 7.1.2 Guia de eletrônicos verdes………………………………............………23* 7.1.3 Upgrade………………………………………..........................................23 7.2 Iniciativas na sociedade………………………………………..........................24 7.2.1 Inclusão digital………………………………………................................24 7.2.2 A exportação do lixo eletrônico……………………………......…………25 7.2.3 Convenção de Basiléia…………………………………........……...........26

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8 Novas tecnologias que lidam com os problemas ambientais gerados pelo Elixo………………………………………....................................................................27 8.1 Software Livre……………………………..................................…………...........28 8.2 Projeto StEP…………………………….........................................………......…29 8.3 Design For the Environment – DFE………………………………………............30 8.4 Reciclagem do lixo eletrônico……………………………………….....................31 Conclusão...............................................................................................................33 Anexo A..................................................................................................................35 Anexo B..................................................................................................................37 Anexo C..................................................................................................................38 Anexo D..................................................................................................................39 Bibliografia..............................................................................................................40 Sumário de imagens Figura 1 - 5 Desktop CPUs compared....................................................................13 Figura 2 - VGN-P530A............................................................................................15 Figura 3 - US$1 000 de compras em informática...................................................16 Figura 4 - EcoBook.................................................................................................22 Figura 5 - Guide to greener electronics Greenpeace.............................................23 Figura 6 - Rotas do lixo eletrônico..........................................................................26

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Introdução O presente projeto se insere dentro da temática da sustentabilidade e teve origem durante a aula de Resolução de Problemas da turma 64. Este grupo é composto por alunos dos cursos de Sistemas de Informação e Lazer e Turismo. A tecnologia vem interferindo em diversos aspectos ambientais, favoráveis ou desfavoráveis, gerando conceitos de que esta vai de acordo ou contra os princípios da sustentabilidade. Nesse contexto, o desenvolvimento tecnológico tem nos sido benéfico como nunca fora antes, por exemplo, trazendo mais velocidade e facilidade no fluxo de informações e técnicas que buscam minimizar os problemas no meio-ambiente, como a reciclagem. Em contrapartida, a atual dinâmica da produção do mercado de eletrônicos e o crescente consumismo estimulam a insustentabilidade do ponto de vista ambiental, isto equivale a dizer que estamos produzindo e consumindo de forma exacerbada, sem que haja o compromisso com o retorno dos materiais ao meio ambiente. Eis então a grande motivação deste relatório: Como a tecnologia pode enfrentar os problemas ambientais decorrentes do E-lixo? Através da coleta e análise de dados quantitativos e qualitativos obtidos em empresas, ONGs, relatórios governamentais e trabalhos científicos, sobre os fatores que geram o e-lixo, os impactos que este causa e os processos que têm como objetivo reduzir seus danos no meio ambiente, sustentamos o presente trabalho. Estes fatores que podem passar despercebidos pela sociedade. Entre os resultados obtidos está que a obsolescência é o único fator gerador de elixo tendo em vista que todo produto ao ser substituído ou descartado torna-se obsoleto, pois perde sua função.

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Também ficam aparentes os problemas ambientais gerados pelo descarte indevido do e-lixo, como a contaminação do meio ambiente e varias doenças geradas pela absorção de metais pesados como chumbo, cádmío e mercúrio e a absorção de dioxinas provenientes de plásticos, muito utilizados nos produtos eletrônicos. A pesquisa também apresenta formas de reduzir o e-lixo, como o Take Back e o upgrade. Apresenta também uma preocupação crescente da sociedade com produtos “verdes”, pois, para tanto, muitas empresas vem adequando seus produtos de diversas formas, reciclando ou adotando políticas ambientais para demonstrar ao consumidor sua preocupação com o meio ambiente e alavancar suas vendas.

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Parte I – Apresentando o problema 1. Sustentabilidade Inicialmente é preciso saber o que é, de fato, sustentabilidade e de que forma esta se relaciona com o E-lixo. Segundo o Relatório de Brundtland (1987), pode-se definir sustentabilidade como: “Suprir a necessidade da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras em suprir as suas.” Sendo este um conceito sistêmico e importante em todas as áreas da atividade humana, consideramos relevante a reflexão sobre fatores que dificultam o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. Ao dizer que a sustentabilidade é um conceito sistêmico, dizemos que esta possui várias vertentes e campos específicos que são interrelacionados, Assad e Almeida (2002:64) explicitam isso quando dizem que:
“há uma inequívoca sinalização, para políticos, empresários, profissionais, ativistas e para a população em geral, de que só haverá desenvolvimentos sólidos, permanentes e sustentáveis se os três pilares puderem ser articulados, tornando-se interdependentes. Superar a velha tradição do trabalho isolado, por segmentos, certamente não é tarefa das mais fáceis. Afinal, enquanto proliferam especialistas em meio ambiente formando um campo próprio de interesses, ecologistas de variados matizes esforçaram-se por criar uma não muito nítida onda verde de proteção, economistas continuaram ditando as cartas na política como se tudo dependesse do PIB e da taxa de inflação e defensores do ‘social’ permaneceram restritos a suas especialidades (saúde, educação, nutrição, previdência, etc.). Avançamos bastante nas áreas específicas, mas pouco fizemos para que elas se tornassem mais solidárias. É freqüente ver os especialistas acusando-se mutuamente, quando deveriam

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concentrar seus esforços no encontro e no estímulo de ponto que possam levar a um relacionamento crescente”.

Sachs (1993) define alguns tópicos de sustentabilidade: (1) a sustentabilidade social como o processo de desenvolvimento devendo-se dar de tal maneira que reduza substancialmente as diferenças sociais; (2) a sustentabilidade econômica como a eficiência econômica baseando-se em uma A"alocação e gestão mais eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado"; e (3) a sustentabilidade ecológica como a que compreende a intensificação do uso dos potenciais inerentes aos variados ecossistemas, compatível com sua mínima deterioração, permitindo que a natureza encontre novos equilíbrios, através de processos de utilização que obedeçam a seu ciclo temporal e implica também em preservar as fontes de recursos energéticos e naturais. Assim, o problema de insustentabilidade do e-lixo perceber-se-á quando for analisado o destino que este toma, contudo, a origem deste material está na obsolescência dos aparelhos elétricos e eletrônicos. Baudrillard (1981) faz uma boa alusão à idéia de obsolescência que será aqui abordada:
"vivemos o tempo dos objetos: quero dizer que existimos segundo o seu ritmo e em conformidade com a sua sucessão permanente. Atualmente somos nós que os vemos nascer, produzir-se e morrer, ao passo que em todas as outras civilizações anteriores eram os objetos, instrumentos ou monumentos perenes, que sobreviviam às gerações humanas”

2. Obsolescência A obsolescência de um produto pode se dar por um ou mais entre diversos fatores, por isso, aqui divide-se obsolescência em dois conceitos: obsolescência programada (ou planejada) e obsolescência percebida.

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Obsolescência programada é definida por Bulow (1976) como a produção de bens antieconômicos, com curto tempo de uso, assim os consumidores tendendo a substituir os equipamentos por outros mais modernos*. Para Ripol (2003), “obsolescência programada tem como consequência evitar a saturação do mercado”, ou seja, a produção e consumo de bens com inovações tecnológicas impedem a saturação do mercado na medida em que fazem o consumidor comprar um novo produto, tornando o antigo obsoleto ainda que funcione. Na obsolescência percebida, o que é valorizado é a sensação do novo ou de melhor design. Sennett (2006, apud Andrade e Nicolaci-da-Costa, 2008, p.22) afirma:
“a sociedade contemporânea apresenta como característica principal o desapego às coisas. É em função da valorização do desapego que surgem os movimentos de descartabilidade dos produtos e o curto prazo de durabilidade dos mesmos. Isso quer dizer que essa caracterização da sociedade atual considera elevada a importância que as novidades têm para os consumidores modernos. O conceito de valorização do novo implica automaticamente na desvalorização do antigo. A nossa cultura de hoje incentiva a supervalorização do produto novo. Consequentemente, o produto anterior, mesmo que ainda desempenhe suas funções, perde seu espaço, é excluído. Um bom consumidor atualmente precisa se guiar por esses valores e mais alguns outros".

Baixa durabilidade dos produtos e a infuncionalidade destes pela quebra também são partes dos fatores de obsolescências que geram o problema do E-lixo. Sennett (Ibid., p.23), pela obsolescência programada, percebe que as coisas são feitas para não durar e, “consequentemente, quando as coisas não duram, as pessoas são forçadas a comprar coisas novas".

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3. E-lixo O E-lixo (lixo eletrônico, do inglês e-waste, ou Waste Electrical and Electronic Equipment - WEEE) é definido pela Comunidade Européia (2003) como “equipamento elétrico ou eletrônico que foi abandonado, incluindo todos os seus componentes e peças de montagem que foram partes do produto quando foi descartado” e por Wonga et al. (2006) como “fim da vida de produtos eletrônicos incluindo computadores, impressoras, máquinas de fotocópia, televisores, celulares, e brinquedos, que são feitos de misturas sofisticadas de plásticos, metais, entre outros materiais”. Computadores e celulares são os principais produtos que fazem parte do E-lixo e, por estas definições, é possível notar que este conjunto abrange tanto diferentes tipos de produtos eletrônicos quanto os componentes que os formam. Segundo Puckett et al. (2002) o fato de a indústria de eletrônicos ser a maior e a de mais rápido crescimento e a combinação disto com a rápida obsolescência do produto produzido, faz do E-lixo o fluxo de lixo de mais rápido crescimento no mundo industrializado*, 4% ao ano (UNEP, 2005). Pode-se traçar uma trajetória básica do momento em que os produtos são adquiridos até o momento em que são descartados definitivamente. O início da trajetória se dá com a aquisição do produto, sucedida pela sua utilização e finalizada no momento em que, por algum motivo tenha se tornado obsoleto (por algum dos fatores de obsolescência anteriormente definidos); o produto é estocado pelo dono até que se tenha um destino, sendo os principais a recomercialização (revenda, troca), a doação ou diretamente o descarte ao lixo; os dois passos anteriores são repetidos até que o produto seja definitivamente descartado e não seja mais utilizado para sua função original. Chegando-se ao último descarte, é gerado o E-lixo, contudo, esta trajetória citada pode e toma
*tradução própria.

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proporções mundiais. Há, inclusive, uma trajetória pós-descarte, em que alguns países desenvolvidos “exportam” seu E-lixo para países em desenvolvimento e subdesenvolvidos (Puckett et al., 2002). 4. Problemas ambientais Equipamentos eletrônicos contêm muitas substâncias que são tóxicas. Ao serem depositadas na natureza, estas substâncias entram na cadeia alimentar pela base e seguem por ela toda, atingindo várias espécies de animais, inclusive o ser humano. Desta maneira, os consumidores finais são os que acabam ingerindo a maior quantidade da substância e os que mais sofrem com as consequências, estando entre elas doenças graves, como o câncer. Em uma placa de circuito impresso, componente mais comum em equipamentos eletrônicos, por exemplo, são encontradas várias substâncias tóxicas, estando entre elas chumbo, mercúrio e cádmio. Estima-se que, a cada placa degradada, sejam gerados cerca de 22 mg/litro de cádmio e 133 mg/litro de chumbo, enquanto que o homem pode suportar até 0,5 mg/litro e 5 mg/litro respectivamente destes elementos, que provocam danos ao sistema nervoso, cérebro e rins. Outros elementos, como arsênio e berílio, encontrados em celulares, podem causar câncer de pulmão. BRTs (retardantes de chamas), que são utilizados para evitar incêndio, são encontrados em vários dispositivos eletrônicos. BRTs no organismo podem causar uma série de problemas hormonais, no sistema nervoso e reprodutivo. O depósito de E-lixo não deve ser feito em aterros, pois os elementos tóxicos contidos nele difundem-se no solo com o tempo, o que afeta o ambiente nos arredores, e, conseqüentemente, atinge também lençóis freáticos, contaminando a água. Também não deve ser queimado, pois sua queima libera o chumbo,

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mercúrio e cádmio na atmosfera, entre outras substâncias cancerígenas que podem se espalhar por todo o ar.

Parte II – Dados e conclusões 5. Os fatores que geram o E-lixo 5.1 Obsolescência programada Existem pelo menos dois pontos de ação da obsolescência programada já definidos neste trabalho, sendo o primeiro o lançamento de um grande numero de produtos, cada um ligeiramente mais avançado (tecnologicamente ou funcionalmente) que o anterior, ainda que haja tecnologia mais avançada disponível, e o segundo que estes produtos possuem tempo limitado de uso, ou seja, tornam-se obsoletos técnicos.

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Em ambos os pontos, pode-se perceber que são produtos para estimular o consumo, havendo a necessidade e, ou a possibilidade de serem trocados por novos. Assim sendo, a obsolescência programada tem influência, principalmente, nos investimentos, pois com o fracionamento da tecnologia já descoberta, uma empresa pode lançar vários produtos, cada um com um pequeno avanço tecnológico em relação ao anterior, apenas com o investimento já feito anteriormente em pesquisa, sendo que, sem esse recurso da obsolescência programada, geraria um único produto usando de toda a tecnologia disponível (Figura 1). Ainda por esse recurso da obsolescência, o produtor pode continuar a desenvolver tecnologia, lançando gradualmente seus produtos com novidades tecnológicas e, assim sendo, a tecnologia alcançada disponível vai estar sempre além daquela que se tinha anteriormente e a do produto irá conter uma fração daquela que está disponível. Tem-se aqui então um grande causador do problema do E-lixo, pois uma vez que o produto é substituído, ou tem de ser obrigatoriamente porque tenha se tornado obsoleto (neste caso, trata-se de obsolescência planejada) faz com que esse processo seja mais freqüente do que precisaria ser, estimulando o consumismo, ou a necessidade da troca, tendo-se aqui um exemplo de conflito entre a economia e o meio-ambiente, no que se refere à sustentabilidade (pelas definições desta).

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Figura 1. Comparação entre cinco Computadores. Aqui é possível notar cinco processadores diferentes lançados pela AMD (Advanced Micro Devices) baseados no núcleo de codinome “Deneb”, apesar de todos serem gravados em um mesmo processo litográfico e inicialmente serem iguais para atender a um mercado maior alguns são travados gerando processadores menos eficientes. No caso dos Phenon II X3 é reduzido um núcleo do processador diminuindo sua capacidade de processamentos paralelos. Entre os modelos 910 e 710 foi efetuado uma redução de clock do processador para que

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realizasse menos processamentos por segundo que os modelos 920 e 720 respectivamente. O processador 810 sofreu uma redução da memória cache, forçando uma maior dependência da memória RAM o que diminui sua eficiência em relação ao processador 820 que tem a memória cache completa.

5.2 Obsolescência percebida Essa técnica de obsolescência tem como foco o forte consumismo gerado na sociedade pela sensação do novo, ou da moda, pois em um meio social onde a aparência possui um peso elevado (status) a obsolescência percebida fica mais forte a medida que as empresas buscam uma ‘releitura’ do produto para que pareça melhor que o anterior. A obsolescência percebida, porém, complementa a função da obsolescência programada em evitar a saturação do mercado, pois não está relacionada diretamente com os avanços tecnológicos, podendo ser executada por produtores para lançar novos produtos mesmo que não haja alguma melhoria técnica a ser feita na nova geração (Figura 2), sendo a diferença entre o antecessor e o sucessor a aparência. Através dessas definições das obsolescências, é possível perceber porque computadores e celulares são tão expressivos na composição do E-lixo, pois ambos inserem-se perfeitamente nesses contextos apresentados.

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Figura 2. Em um caso mais extremo onde a estética é posta em primeiro plano em detrimento a tecnologia, pode-se haver um retrocesso no grau tecnológico de um aparelho em relação a geração anterior causado pela necessidade de certos elementos de uma geração mais antiga para fins estéticos. Um exemplo é este notebook, o Sony Vaio VGN-P530A onde para reduzir o tamanho, foi utilizado um “Stick Pointer” uma tecnologia mais antiga em reação ao sensor eletrostático para substituir o mouse.

5.3 Destino do produto Uma vez que o produto torna-se obsoleto, passa a tomar algum destino. De acordo com Puckett et al. (2002) existem muitos computadores estocados nas casas de pessoas. Sabe-se também que a renegociação do produto ou mesmo a doação são práticas bastante comuns, inclusive fazendo parte da sustentabilidade

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social, pelo fato de quando há um produto novo, o antigo torna-se mais acessível para outrem (Figura 3).

Figura 3. Quanto de processamento (cálculos por segundo), é possível comprar com U$S 1.000. O problema realmente aflora quando o produto é descartado e deixa de exercer sua função, gerando o E-lixo. Ainda que este possa ser reciclado ou de alguma forma reutilizado, o destino mais comum são aterros sanitários e incineradores. No entanto, o trajeto do material chega a ir além dos aterros sanitários e incineradores de seu local de origem. Segundo a UNEP (2005) “Entre 50–80% do E-lixo coletado para reciclagem em países industrializados terminam em centros de reciclagem na China, Índia, Paquistão, Vietnã e Filipinas”.* O tratamento nesses destinos nem sempre é adequado, tendo-se aqui então um conflito entre a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade social, pois até perceber-se que isso era danoso, a exportação de materiais era considerada uma “doação” a esses países, levando a eles a tecnologia dos países desenvolvidos (ver tópico 3.2.2).

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6. Problemas ambientais causados pelo E-lixo 6.1 Contaminação atmosférica A contaminação atmosférica é causada principalmente pela queima do e-lixo, seja por desconhecimento de seu perigo ou por uma forma incompleta de reciclagem, onde placas, cabos e circuitos são queimados para obtenção dos metais que os compõe. Este processo, também denominado incineração, resulta na liberação de compostos nocivos aos seres vivos no ar, tais como dioxinas, metais de baixo ponto de fusão, como cádmio e mercúrio, e elementos particulados. Mesmo em regiões livres de E-lixo pode-se haver contaminação da atmosfera decorrente das correntes e massas de ar que se deslocam de regiões onde tenha ocorrido a queima do material, podendo cada uma dessas deslocações alcançar quilômetros de distância antes de despejar os resíduos. A poluição do ar é altamente nociva para os seres vivos devido à alta absorção dos elementos misturados pelos organismos, um exemplo é o cádmio que, ao ser ingerido, o corpo humano absorve entre 1 a 5% enquanto ao ser inalado é absorvido entre 30 a 50%. 6.2 Contaminação do solo O solo pode ser contaminado diretamente pela deposição do e-lixo no solo como no caso de aterros sanitários que venham a receber este material sem o devido tratamento, bem como por via indireta, decorrente da precipitação de compostos em suspensão no ar, que caem junto às chuvas.

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Os poluentes que causam um maior impacto ao solo são os que persistem na cadeia alimentar, os bioacumuláveis, que se concentram na cadeia alimentar a medida que o nível trófico aumenta. 6.3 Contaminação da água Assim como o solo, a água pode ser contaminada direta ou indiretamente. Ainda no caso da água, as chuvas podem levar os contaminadores até lençóis freáticos, rios e lagos. A contaminação das águas também apresenta um risco à cadeia alimentar, mas no caso da água um agravante é que muitos seres da base da cadeia alimentar se alimentam filtrando grandes volumes de água aumentando a concentração muito mais rapidamente, além de que a água contaminada também pode ser utilizada para irrigar plantações, contaminando o solo de cultivo. Outra forma da água poluída chegar ao ser humano é através de sua ingestão direta, no caso do cádmio 5% é absorvido pelo organismo, podendo ter absorção maior em dietas com deficiência de cálcio, mas seu tempo de meia-vida dentro do organismo é de 10 anos, assim, uma pessoa que é exposta a doses, mesmo pequenas, de cádmio podem ter sintomas a longo prazo, devido ao acúmulo em seu organismo. 6.4 Doenças causadas por elementos presentes no e-lixo Dados sobre a contaminação de pessoas por metais pesados são de difícil coleta e precisão, exceto caso exista uma grande quantidade de pessoas com sintomas de intoxicação e seja feito um estudo das causas. As intoxicações, por não apresentarem sintomas totalmente específicos, podem, em muitos casos, receber tratamentos de forma sintomática e passarem por outras enfermidades.

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6.4.1 Elemento específico: chumbo A doença causada pela alta concentração de chumbo, o metal de mais relevância no E-lixo, no organismo é chamada de Saturnismo, que tem como sintomas dores abdominais severas e úlceras orais com sensação de gosto metálico. Um exame clínico pode demonstrar uma linha de depósito de chumbo na boca do paciente e anemia, pois o chumbo inibe a formação de glóbulos na medula óssea e problemas no sistema nervoso periférico. A principal forma de contaminação por chumbo é por ingestão de alimentos e água contaminados com o metal, mas a mais perigosa é a inalação. O tempo de meia-vida do chumbo no organismo pode chegar a 20 anos dependendo do tecido em que se encontra, mostrando que, em casos de exposição constante, ocorrerá a concentração do metal no organismo. 6.4.2 Elemento específico: cádmio A intoxicação por cádmio tem sido pouco estudada, apesar deste estar presente, inclusive, no cigarro e, portanto, ser absorvido duas vezes mais por fumantes do que por não fumantes. Contudo, a principal forma de contaminação por cádmio é a ingestão de alimentos e água contaminados com o metal, mas a mais grave é novamente a já citada inalação. O tempo de meia-vida do chumbo no organismo varia de 13 a 30 anos concentrando-se em proteínas de baixo peso molecular, presentes principalmente nos rins e fígado.

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6.4.3 Elemento específico: mercúrio Geralmente a contaminação pelo mercúrio apresenta sintomas como dores abdominais, diarréia, gosto de metal e sangramento na boca, falhas de memória, fraqueza muscular, insônia e destruição das células do sistema nervosos, que pode resultar em óbito. A contaminação do mercúrio ocorre por via alimentar, com a ingestão de água e alimentos contaminados, e por via respiratória com a inalação de vapor de mercúrio. Por ter um baixo ponto de ebulição o mercúrio se vaporiza muito facilmente, tornando sua inalação mais fácil, sendo uma perigosa fonte de contaminação. Seu tempo de meia-vida é superior a três anos. 6.4.4 PVC (Policloroeteno) A queima de PVC gera resíduos altamente tóxicos ao organismo, como dioxinas, elementos particulados e fuligem, rapidamente carregados pelo ar e depositados no solo e água. As principais causadoras de problemas são as dioxinas. Não há dados sobre seus efeitos a longo prazo em seres humanos, mas testes em laboratório mostram efeitos no sistema imunológico, formação de câncer e problemas no sistema reprodutivo de cobaias. A dioxina é persistente no meio, sendo não sendo degradável por agentes decompositores presentes. Também é bioacumulavel, sendo reciclada várias vezes pelo meio.

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7. Medidas que lidam com os problemas ambientais gerados pelo E-lixo Definidos os conceitos essenciais à compreensão desse contexto, são expostas aqui iniciativas tomadas no plano social e econômico, sempre com o subsídio da tecnologia. Embora destaquemos anteriormente os impactos causados pelo lixo eletrônico e o papel paradoxal que a tecnologia protagoniza nos sendo benéfica e, quando mau utilizada, sendo maléfica, há uma crescente preocupação e abordagem do assunto. No entanto, o crescimento do comprometimento com o meio ambiente no que concerne à tecnologia é relativamente recente, passando a existir somente após os impactos gerados pelo lixo tecnológico se tornarem uma ameaça fora do escopo do engajamento ambiental. 7.1 Iniciativas na economia Na economia está havendo uma gradativa mudança de costumes. O comprometimento ambiental já citado faz com que, aos poucos, seja dada preferência a produtos “ecologicamente corretos”, o que, conseqüentemente, faz com que os fabricantes se adequem ao novo perfil de consumidor que está se formando. Listamos aqui, no plano econômico, exemplos de iniciativas que amenizam o descarte de lixo eletrônico. 7.1.1 Redução do uso de materiais tóxicos e o Take Back É do conhecimento de todos que computadores e celulares possuem componentes tóxicos *ao meio ambiente e ao ser humano, como: mercúrio, cádmio, chumbo etc. A partir do avanço tecnológico, fabricantes vêm reduzindo o

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percentual de certos materiais em seus produtos, a fim de atender a padrões e normas vigentes. De acordo com Macohin (2007) , “com a vinda do monitor LCD fabricado pela Apple a redução do uso de chumbo foi de quase 100% e foi retirado o arsênico do vidro dos monitores LCD também”. Outro exemplo que temos é o EcoBook (Figura 4), que é somente um conceito, por enquanto. Seu fabricante, a Asus, declara que “conseguiu com sucesso fabricar um case de laptop com bambu, que substitui os plásticos e produtos químicos de difícil reciclagem. A empresa alega ainda que oferece programas de reciclagem gratuitos para seus produtos”.

Figura 4. EcoBook. Outra iniciativa interessante é o Take Back, que consiste nas empresas “pegarem de volta” (tradução para o português de Take Back), recolherem os equipamentos eletrônicos com o fim de reutilizar ou reciclar. Trata-se de uma taxa embutida no preço do produto, que inclui os gastos com reciclagem e devolução do mesmo.

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7.1.2 Guia de eletrônicos verdes Lançado em Agosto de 2006 pelo Greenpeace, este guia traz os principais fabricantes de computadores, celulares e outros eletro-eletrônicos. A seguir, temos o ranking de sua 11ª edição (Figura 5). Segundo a instituição, nessa edição foi considerada a liderança climática como critério principal, dentro das diretrizes gerais, que, ainda segundo o Greenpeace são “políticas e práticas em relação ao uso de substâncias químicas, reciclagem e energia.”

Figura 5. Guia Greenpeace, principais fabricantes de eletro-eletrônicos, classificados de acordo com suas políticas de preservação ao meio-ambiente. 7.1.3 Upgrade Uma alternativa considerável é o upgrade, “melhorar” o que se tem. Antes de tudo, é importante saber que o upgrade ocasiona o descarte de e-lixo, porém, em menores quantidades. Essa é uma medida que visa minimizar impactos. Basicamente consiste em trocar peças ou periféricos a fim de que se tenha melhor desempenho, e não é aplicável a telefones celulares, visto que o upgrade de um celular seria a troca de aparelho.

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Dessa forma, seria evitada a obtenção de um novo microcomputador desnecessariamente e ainda sim haveria circulação de capital no mercado de eletrônicos. Vale lembrar que o termo upgrade não se insere somente a hardware, em software, por exemplo, o upgrade é feito trocando-se versões dos programas por outras mais recentes a fim de se melhorar os recursos oferecidos por ele. Veremos a frente que um caso particular de upgrade de software pode ser viável para evitar futuros impactos causados pelo E-lixo. 7.2 Iniciativas na sociedade No que se refere ao ponto de vista social, também temos formas de enfrentamento com o intuito de amenizar tal situação. Diferentemente do aspecto econômico, nos tópicos a seguir predominam as formas de organização que envolvem sociedades complexas, definimos a seguir quais são essas formas de conter os problemas gerados pelo lixo tecnológico. 7.2.1 Inclusão digital Embora aparentemente distantes, há casos em que o acesso ao mundo digital e o crescente acúmulo de lixo eletrônico estão intrinsecamente ligados. Tudo isso porque as obsolescências técnica e programada são relativas, isto é, dependem do referencial. Assim sendo um equipamento em bom estado, porém obsoleto para seu proprietário, pode ser de grande utilidade a outros usuários, evitando assim que estes tenham que adquirir equipamentos novos. Este é um dos princípios que sustenta a Inclusão digital, a doação de aparelhos eletrônicos à centro comunitários, ONGs e outros tipos de instituições. Esta medida, assim como o upgrade visa apenas e tão somente amenizar o quadro atual, visto que estes aparelhos inevitavelmente se tornarão inutilizáveis.

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Ainda acerca disso, “Ações de inclusão digital como a realocação de equipamentos de utilização individual em domicílios e estabelecimentos em prol de escolas e centros comunitários de baixa renda, além de socializar os custos de obsolescência tecnológica dos equipamentos pelo potencial aumento da taxa de utilização dos mesmos, representam um canal privilegiado para criação de oportunidades de geração de renda e cidadania em plena era do conhecimento”. 7.2.2 A exportação do lixo eletrônico Ocorre, no entanto, que a doação de aparelhos eletrônicos para fins de inclusão digital pode ser deturpada e feita por aqueles que enviam apenas para se livrar de materiais inutilizáveis, ou até mesmo sendo feito o envio direto de lixo eletrônico, ainda mais, o fazem sob a forma de responsabilidade social. O relatório do U.S. Government Accountability Office (GAO) afirma que os Estados Unidos estão enviando eletrônicos com substâncias tóxicas a outros países (Figura 6), sem preocupação em seguir regras e proteger pessoas e o meio ambiente. Um outro exemplo é o da China, que recentemente flagrou australianos jogando lixo eletrônico em seu território, Segundo reportagem do Sydney Morning Herald. Um panorama geral, pra não citar outros exemplos é o de que países desenvolvidos estão a “exportar” o lixo eletrônico para países subdesenvolvidos, livrando-se assim do oneroso tratamento de sua sucata eletrônica.

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Figura 6. Exportação de E-lixo pelo mundo, podendo-se ver que além dos EUA, outros países também enviam seu lixo eletrônico para países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. 7.2.3 Convenção de Basiléia Em resposta ao trânsito de materiais com periculosidade ambiental, foi criada, no ano de 1981 (entrando em vigor apenas em 1992), a Convenção de Basiléia sobre o controle de movimentos transfronteiriços de resíduos perigosos e seu depósito. Para Ziglio (2002:1), “A Convenção de Basiléia é um acordo que define a organização e o movimento de resíduos sólidos e líquidos perigosos. Ela permite a concessão prévia e explícita de importação e exportação dos resíduos autorizados entre os países de modo a evitar o tráfico ilícito”.

Os objetivos da Convenção da Basiléia são: • Minimizar a geração de resíduos perigosos (quantidade e periculosidade);?

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• • •

Controlar e reduzir movimentos transfronteiriços de resíduos perigosos; Dispor os resíduos o mais próximo possível da fonte geradora; Proibir o transporte de resíduos perigosos para países sem capacitação técnica, administrativa e legal para tratar os resíduos de forma ambientalmente adequada;

• •

Auxiliar os países em desenvolvimento e com economias em transição na gestão dos resíduos perigosos por eles gerados; Trocar informações e tecnologias relacionadas ao gerenciamento ambientalmente adequado de resíduos perigosos.

Durante a COP-5 (V Conferência das Partes), realizada em dezembro de 1999, dois objetivos adicionais foram incorporados à Convenção: • • Promoção das metodologias de produção limpa e de tecnologias industriais mais limpas; Prevenção e monitoramento do tráfego ilegal de resíduos perigosos.

8 Novas tecnologias que lidam com os problemas ambientais gerados pelo E-lixo Como já sabemos, existem, hoje em dia, formas de combate ao acúmulo de lixo eletrônico. Este capítulo visa definir brevemente conceitos e tendências para o enfrentamento dos problemas causados pelo lixo eletrônico em um futuro breve, dando ênfase aos impactos ambientais. Entendemos por tecnologia o conjunto de conhecimento técnico, científico e os processos e ferramentas utilizados ou criados a partir deste conhecimento. Assim, como visto nos capítulos anteriores, a tecnologia se tem participação nos mais diversos âmbitos: econômico, social, ambiental, entre outros. Destacamos, a seguir, alternativas que podem ser viáveis para o enfrentamento aos problemas decorrentes do E-lixo.

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8.1 Software Livre O uso de softwares livres pode ser uma alternativa interessante a determinados usuários, a opção por este tipo de software, muitas vezes, pode decorrer de um processo de upgrade. Basicamente, software livre, segundo a definição criada pela Free Software Foundation “é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído com algumas restrições.” Segundo Hexsel (2003:12), algumas vantagens do software livre são: “• Custo social é baixo; • Não se fica refém de tecnologia proprietária; • Independência de fornecedor único; • Desembolso inicial próximo de zero; • Não obsolescência do hardware; • Robustez e segurança; • Possibilidade de adequar aplicativos e redistribuir versão alterada; • Suporte abundante e gratuito; • Sistemas e aplicativos geralmente muito configuráveis”. De modo que, pelo fato serem modificáveis, programas de código aberto podem ser adaptados a máquinas “menos potentes”, ao contrário do software proprietário,

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que se atualiza frequentemente, exigindo mais capacidade de memória e processamento das máquinas. Diante do que foi exposto, a alternativa pelo software livre, embora considerável e viável para usuários e organizações, não é definitiva, pois apenas torna o processo de obsolescência do hardware mais lento. No entanto, esta tecnologia se apresenta como uma grande ferramenta que, alheia a outros recursos, pode diminuir o impacto ambiental causado pelo lixo eletrônico. 8.2 Projeto StEP

Lançado pelas Nações Unidas, este projeto tenta reunir esforços em todo mundo no sentido de viabilizar a reciclagem de lixo eletrônico. O projeto StEP ("Solving the E-Waste Problem") conta com o apoio de grandes empresas do ramo de telecomunicações e informática. Basicamente, seus objetivos são: • Criar padrões mundiais de processos de reciclagem de sucata eletrônica; 3

• Aumentar a vida útil dos produtos eletrônicos; • Desenvolver mercados para sua reutilização; Ainda sobre o projeto StEP, temos que: “As Nações Unidas pretendem ainda dar aos países elementos que permitam a harmonização das legislações nacionais quanto ao tratamento das sucatas eletrônicas e a coordenação de esforços públicos e privados no sentido de re-transformar o lixo eletrônico em riqueza”. Portanto, projetos como este são deveras do interesse de todos. Nesse caso específico, com o incentivo e a conscientização por parte dos fabricantes, pode-se resultar em uma maior adesão e, consequentemente em um maior aproveitamento e melhor tratamento da sucata eletrônica gerada. 8.3 Design For the Environment – DFE De maneira geral, a sigla, que significa “projetar para o ambiente”, representa uma série de práticas, aonde são feitas considerações sobre impactos que um produto pode causar,ou que já está causando. Buscam-se inovações, técnicas, aperfeiçoamentos que reduzam o descarte de resíduos danosos ao meio ambiente em qualquer estágio de vida do produto, com o objetivo também de manter o preço economicamente competitivo. De acordo com EPA “O programa trabalha em parceria com um vasto leque de partes interessadas para reduzir o risco para as pessoas e para o ambiente, através da prevenção da poluição”. * Entre as várias técnicas usadas em DFE, destacam-se as técnicas de análise e de melhoria. A primeira consiste em verificar os impactos ambientais durante todo ciclo de vida do produto, desde sua confecção até seu descarte. A segunda visa

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melhorar a performance ambiental do produto, isto é, diminuir os impactos que este causa. Vemos no DFE uma tendência para o futuro, a de considerar todo e qualquer impacto ambiental de um produto antes mesmo de produzi-lo. Isso demonstra certo amadurecimento por parte de fabricantes, e estimula o consumo de produtos ecologicamente corretos, ou seja, aquece a economia e desestabiliza menos o meio ambiente. O WBCSD** realizou uma pesquisa com 20 importantes fabricantes e a maioria delas vê o DFE como um fator importante no futuro. 8.4 Reciclagem do lixo eletrônico Não se trata de uma iniciativa inovadora, no entanto, é tida como uma importante iniciativa contra o crescente acúmulo de e-lixo. Nesse caso, o que se necessita é o estímulo a empresas do setor de reciclagem e o fomento à pesquisas na área. Uma boa motivação para tanto é a presença de materiais metálicos valiosos, como ouro e cobre. Um grande obstáculo à implementação de sistemas de reciclagem eficientes em grande escala é estabelecer mercado para esses materiais, que, justamente, é um objetivo do Projeto StEP. Acerca disso, de acordo com Veit (2005:3):
“O principal fator para o sucesso ou fracasso de programas de reciclagem é a viabilidade de um mercado para os materiais separados. Um programa de reciclagem inclui, portanto, por necessidade um mercado consumidor para os matérias coletados , senão os matérias separados terão como destino os aterros junto aos materiais não separados”

Considerando a existência de um mercado estável para os materiais separados,
* tradução própria ** World Bussines Council for Sustainable Development

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relacionamos a seguir alguns tipos de reciclagem e métodos utilizados: Reciclagem Química Este tipo de reciclagem reaproveita plásticos,

transformando-os em petroquímicos básicos, que podem servir de matéria-prima em centrais petroquímicas ou refinarias. Seu objetivo é recuperar componentes químicos individuais para ser reutilizados como tais, ou até mesmo para a produção de novos plásticos. Os processos mais avançados de reciclagem química permitem a reciclagem de misturas de diversos plásticos. Reciclagem Mecânica - A reciclagem mecânica trata de converter materiais descartados, como plásticos pós-industriais ou pós-consumo em grânulos reutilizáveis, passando por etapas como: separação, moagem, lavagem, aglutinação e extrusão. Estes grânulos podem ser utilizados na produção de: sacos de lixo, solados, pisos, conduítes, mangueiras, componentes de automóveis, fibras, embalagens nãoalimentícias e outros. Reciclagem Energética - Consiste na recuperação da energia contida em certos materiais por meio de processos térmicos. Não pode ser aplicada a materiais pesados volatilizáveis, como mercúrio, cádmio, tálio e outros ,isto é, acaba sendo uma técnica um pouco mais restrita. O processo de reciclagem se dá na queima do material, porém, ao contrário da incineração, na reciclagem energética a energia do resíduo é aproveitada. Acerca disso, Campos e Da Silva (2007:42) dizem: “A energia contida em 1 kg de plástico é equivalente à contida em 1 kg de óleo combustível. Além da economia gerada pela recuperação de energia, com a reciclagem

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energética ocorre ainda uma redução de 70 a 90% da massa do material, restando apenas um resíduo inerte a ser disposto em aterros industriais (para materiais perigosos classe segundo a norma NBR 10.004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT)”

Foram definidas, portanto, algumas técnicas de reciclagem de materiais que constituem nosso lixo eletrônico. Estudos mostram avanços das mais diversas técnicas de reciclagem, no entanto, como dito, há de se considerar fatores externos, como viabilidade financeira e implementação de mercados consumidores. Neste quesito, infelizmente, ainda caminhamos a passos curtos. Considerações Finais Diante do que foi exposto, é possível que sejam feitas as seguintes inferências: O lixo eletrônico é uma conseqüência direta da obsolescência tecnológica, isto é, não foi observado nenhum outro fator que não tenha relação alguma com as obsolescências. Dessa forma, os esforços em prol do meio ambiente que envolvam a tecnologia devem considerar essa causa. No escopo da questão ambiental, nota-se que indubitavelmente o e-lixo, sem qualquer tratamento adequado, é uma grande ameaça que põe em risco toda a biosfera. A generalização como ameaça para toda a terra pode ser deduzida através de efeitos que encadeiam outros. Tendo em vista os aspectos do problema em questão, a tecnologia tenta, nos dias de hoje, amenizar algo que decorre de seu desenvolvimento. É verificável que atualmente este problema tem sido abordado e combatido, no entanto, ainda há falta de esforços conjuntos, que considerem o planeta como um todo. Visto ainda

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que o e-lixo tende a permanecer como um problema sem solução imediata, faz-se necessário, ao menos, maior eficácia no combate aos impactos que este causa. Também é perceptível que os fabricantes não são os únicos e grandes responsáveis pelo crescente descarte de eletrônicos. Melhorias nesse sentido devem sim, partir dos fabricantes, mas também com participação ativa dos governos locais e do usuário final. O futuro talvez pode reservar algo melhor, haja visto que iniciativas promissoras e mais eficientes possam ser implementadas, seja por uma maior conscientização ou por condições tecnológicas mais favoráveis. Tanto a tecnologia enfrentando os problemas resultantes de seu desenvolvimento diretamente (software livre, processos de reciclagem) como indiretamente (projeto StEP, DFE) são alternativas consideráveis, mas o mais adequado e conveniente em todos os sentidos é a realização e/ou implementação simultânea dessas ações. Portanto, reabilitar o meio ambiente, que foi e está sendo vítima da atividade antrópica, requer iniciativas imediatas nos dias de hoje e, claro, também futuramente. A tecnologia, diante de tantos fatores internos e externos, deve ser vista única e exclusivamente como ferramenta intrínseca à atividade humana, sendo isentada de todo e qualquer impacto que possa causar, dessa forma não a temos como solução ou causa de nossos problemas e sim como algo útil que depende do uso que lhe é feito.

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Anexo A – Dicas para o Descarte de Eletrônicos Celular: vários fabricantes têm programas de reciclagem de baterias e aparelhos. A maioria das operadoras também tem programas de reciclagem de baterias e algumas instituições de caridade aceitam doações. Além do chumbo, os aparelhos podem conter arsênico, uma substância que pode afetar o sistema digestivo e causar doenças nos pulmões, coração, fígado, entre outros. Computador: Também podem ser doados para instituições, assim como monitores, teclados e mouses. Podem ainda ser vendidos em lojas de usados, via internet ou devolvidos ao fabricantes, dependendo do caso, para que esta faça o melhor descarte. Um computador comum contém cerca de dois quilos de chumbo, que pode causar danos ao sistema nervoso e sanguíneo, além de mercúrio, que podem afetar gravemente o cérebro e cádmio, que causa envenenamento. Hardware (depois do Upgrade): Várias instituições em todo país aceitam placas mãe, pentes de memória, drives de CD-ROM e outras peças. Periféricos: A maioria das instituições de caridade aceita todos os tipos de equipamentos e, se não tiverem conserto, são enviados para cooperativas de coleta seletiva. Cartucho e Toners de impressora: Podem ser vendidos para as empresas que fazem recondicionamento. Segundo a Associação brasileira de Recondicionadores de Cartuchos para impressora (Abreci), as empresas costumam pagar R$ 5,00 por cartucho e R$ 10,00 por toner. Baterias e Pilhas: Uma resolução do Conama¹ obriga fabricantes a recolher e reciclar baterias e pilhas que possuem alta incidência de materiais tóxicos. A orientação de descarte deve vir na embalagem do produto. Várias lojas de operadoras de telefonia móvel têm recipientes onde as baterias podem ser descartadas. Eletrônicos:Várias instituições aceitam doações de televisões, aparelhos de DVD, câmeras digitais, entre outros. Alguns fabricantes possuem programa de reciclagem. Também é possível vendê-los em sites de leilão ou em lojas especializadas. Um televisor contém 8 quilos de chumbo. Além do mercúrio, comum em aparelhos de LCD.

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Recomendações: Antes de doar aparelhos à instituições de caridade, é bom verificar o histórico da entidade a ser ajudada, e checar se a instituição irá dar um destino correto aos aparelhos doados.

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Anexo B – Impactos Ambientais e Ocupacionais na Ásia

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Anexo C – Selo Verde da USP

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Anexo D – Lixo eletrônico: Iniciativa no CCE da USP

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