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COPPE/UFRJ

ANÁLISE DE FADIGA DE ESTRUTURAS OCEÂNICAS

Sergio Augusto Alves Fernandes

Dissertação

de

Mestrado

apresentada

ao

Programa de Pós-graduação em Engenharia
Oceânica, COPPE, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Engenharia Oceânica.
Orientador: Julio Cesar Ramalho Cyrino

Rio de Janeiro
Junho de 2009

ANÁLISE DE FADIGA DE ESTRUTURAS OCEÂNICAS

Sergio Augusto Alves Fernandes
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO
LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE)
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA OCEÂNICA.
Aprovada por:
________________________________________________
Prof. Julio Cesar Ramalho Cyrino, D.Sc.
________________________________________________
Prof. Fernando Luiz Bastian, Ph.D.
________________________________________________
Prof. Murilo Augusto Vaz, Ph.D.
________________________________________________
Dr. Marcos Vinícius Rodrigues, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
JUNHO DE 2009

i

Fernandes, Sergio Augusto Alves
Análise de Fadiga de Estruturas Oceânicas/ Sergio
Augusto

Alves

Fernandes.

Rio

de

Janeiro:

UFRJ/COPPE, 2009.
XXI, 174 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Julio Cesar Ramalho Cyrino
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa
de Engenharia Oceânica, 2009.
Referencias Bibliográficas: p. 115-117.
1. Mecânica da Fratura. 2. Elementos Finitos. 3.
Analise de Fadiga. I. Cyrino, Julio Cesar Ramalho. II.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE,
Programa de Engenharia Oceânica. III. Titulo.

aos meus pais. pelo apoio nos meus estudos e orientações prestadas na minha vida. e à minha irmã. Sergio e Sonia. Simone. .ii Dedico este trabalho à minha esposa Shirley.

À Glace Farias da Costa pela atenção e carinho que dedica aos alunos do Programa de Engenharia Oceânica. aos funcionários da COPPE e a todos os colegas de mestrado que contribuíram para que este trabalho fosse realizado. em especial ao CMG (EN) Luiz Carlos Delgado pelo apoio e sugestões durante o desenvolvimento do trabalho. . Aos professores Fernando Luiz Bastian e João Marcos Alcoforado Rebello pelo conhecimento transmitido. Ao Corpo Docente. À Maria Cláudia Galvão pelo apoio e colaboração no desenvolvimento deste trabalho.iii AGRADECIMENTOS Ao professor Julio Cesar Ramalho Cyrino pela orientação dedicada e por todo apoio e incentivo durante a realização deste trabalho. À Marinha do Brasil pelo apoio.

É apresentado um resumo dos conceitos teóricos mais relevantes para o desenvolvimento do trabalho. aplicando-se os conceitos da mecânica da fratura para o cálculo da taxa de propagação de uma trinca. seguido da descrição dos procedimentos adotados pelo método de análise empregado.Sc.iv Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M. São considerados os efeitos de meio corrosivo e do crescimento da trinca nos cálculos de sua taxa de propagação. apresentar um procedimento de análise de fadiga de estruturas oceânicas para aplicação no desenvolvimento de projeto estrutural e no planejamento de inspeções ao longo da vida útil destas estruturas. através do estudo dos diferentes enfoques e tecnologias existentes. .) ANÁLISE DE FADIGA DE ESTRUTURAS OCEÂNICAS Sergio Augusto Alves Fernandes Junho/2009 Orientador: Julio Cesar Ramalho Cyrino Programa: Engenharia Oceânica Este trabalho tem o objetivo de. até que esta atinja um tamanho máximo admissível. Para auxiliar na apresentação do método de análise foi desenvolvido um estudo de caso. em que os procedimentos descritos são exemplificados na análise de uma embarcação.

v Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M. until an admissible length is reached. A practical example of the analysis method application was developed and the method procedures were applied to a ship. The fracture mechanics concepts were applied in the evaluation of a crack propagation rate. followed by the description of the adopted procedures in the fatigue method analysis. The main theoretical concepts applied in this work development are presented. . The environmental effects and crack growth were considered in the propagation rate calculation.) FATIGUE ANALYSIS OF MARINE STRUCTURES Sergio Augusto Alves Fernandes June/2009 Advisor: Julio Cesar Ramalho Cyrino Department: Ocean Engineering This work main objective is to present a procedure to develop a fatigue analysis of ship structures.Sc. in order to give support to the structural design and the development of an inspection plan to be applied during the structure operation life. using the existing knowledge.

..................................................................5 ANÁLISE DE MOVIMENTOS E COMPORTAMENTO NO MAR .......................................... 55 3...................................................................................................................... 69 ESTUDO DE CASO ..................2 MECÂNICA DA FRATURA ............................................4 ANÁLISE DE MOVIMENTOS E CARGAS INDUZIDAS POR ONDAS ........ 78 4................. 48 PROCEDIMENTOS PARA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ANÁLISE ........................... 53 4 5 3......................................................................................... 5 2... 2 1............5 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO .............................................. 114 .......................................................... 113 5..............................2 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........... 1 1.............4 MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS ................................. 113 5.................................................................................................6 ANÁLISE ESTRUTURAL EM ELEMENTOS FINITOS .............4 CONDIÇÕES DE CARREGAMENTO CONSIDERADAS ....................................1 INTRODUÇÃO ..........................................................3 CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS E ESPECTRO DE MAR ADOTADO .............................3 METODOLOGIA DE TRABALHO ......................................................................................................... 49 3...1 INTRODUÇÃO ...............1 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA . 5 2................ 3 1.. 63 3............3 FADIGA.....5 O PROJETO DE NAVIOS E ESTRUTURAS OCEÂNICAS ................. 29 2....5 MODELOS HIDRODINÂMICOS E EM ELEMENTOS FINITOS ................................................................ 43 2........................... 94 4......................................................2 DEFINIÇÃO DA FONTE DE FADIGA E CARREGAMENTO .vi ÍNDICE 1 2 3 INTRODUÇÃO .................3 CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS – DADOS METEOCEANOGRÁFICOS ......4 LIMITAÇÕES DA DISSERTAÇÃO ..... 5 2.......................................... 61 3....... 3 1........................ 79 4....................3 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .................................................2 OBJETIVOS E RELEVÂNCIA DA DISSERTAÇÃO .............................................6 MODELO ESTRUTURAL E ANÁLISE ......2 CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO EMPREGADA NA ANÁLISE .................................................................. 1 1................................................................ 113 5.. 4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.... 78 4.............................. 90 4.................................................... 87 4...................................... 52 3.................................. 107 CONCLUSÕES ............................1 INTRODUÇÃO .................................... 49 3.................................................................. 85 4.......7 CÁLCULO DA VIDA EM FADIGA (DANO) E CRITÉRIOS DE ACEITAÇÃO .........7 CÁLCULO DA VIDA EM FADIGA PELA MECÂNICA DA FRATURA ..........1 CONCLUSÕES OBTIDAS .........................................

......CLASSIFICAÇÃO DOS DETALHES ESTRUTURAIS ..... 116 APÊNDICE A .. 118 APÊNDICE B .............................. 138 ................vii 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....RESULTADOS DO PROGRAMA MAXSURF.............................................................

.........(a) Sólido infinito com trinca vazante submetido à tensão σ .......Modos básicos de carregamento de trincas......................................viii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2........................11 .........................Modelo de cálculo da taxa de liberação de energia elástica.................................................. 13 Figura 2.7.Estados de tensões na frente da trinca em um corpo de prova espesso: tensão plana nas superfícies livres e deformação plana no interior..................(b) Coordenadas polares e tensões em um ponto nas vizinhanças da trinca..........10 Trinca elíptica em um sólido infinito sujeito à tensão uniforme..............2 .................... 7 Figura 2............... 16 Figura 2......................................... 38 Figura 2.......................17 – Taxa de crescimento de trinca por fadiga versus ∆K.... ........ ............................. 32 Figura 2................12 – Bandas de Deslizamento..........13 – Aspectos de superfície após ruptura iniciada por processo de fadiga [3] ..........................6 ....................9 Círculos de Möhr para os estados (a) plano de tensão e (b) plano de deformação plana na ponta da trinca.......................3 Variação de energia com o comprimento da trinca e Variação das taxas de energia com os comprimentos da trica.5 ................................ 23 Figura 2.. 31 Figura 2............ 15 Figura 2....................15 ....Variação de σx e σy em função de h com α=0 .......................................14 .............Laço de histerese......Variação da tensão com o número de ciclos de carregamento e comparação das curvas estáticas e cíclicas para um material em duas condições...................... 7 Figura 2.............. 8 Figura 2.......Seqüência de movimentos de deslizamento [3] ... 41 ...........................................Encruamento e amolecimento cíclico do material....................8 .. .....Sólido elástico contendo uma trinca e submetido a uma tensão uniaxial σ ....... 33 Figura 2............. 21 Figura 2..... ...16 ................... 25 Figura 2......1 – Esquema do Modelo analisado por Griffth....4 ........ ..... 39 Figura 2....... 36 Figura 2....................... 20 Figura 2...........

........ 87 Figura 4....... ........... ............ 44 Figura 3.......4 – Definição da Tensão de Ponto (Hot Spot)........................3 .. 42 Figura 2....................... 79 Figura 4..... 81 Figura 4......5 – (a) Calculo das tensões na solda através da extrapolação das tensões superficiais.................Curva de Pesos...................................Seção sendo introduzida no dique para montagem........ ........................5 .......................Seção acrescentada ao casco (jumborização)... 88 ........................... .....4 .........7 ... 85 Figura 4...... Flutuação......... Momento Fletor e Cortante .....................................19 .ix Figura 2.......................Vista de perfil da embarcação utilizada na análise.............................................Navio com carga máxima em águas tranquilas..... 60 Figura 3......................................................1 – Fluxograma simplificado da aplicação do procedimento de análise de fadiga........... 51 Figura 3.......................1 ........................ 69 Figura 3................ ......... 80 Figura 4........ ...[7]... .......... ................. ...............2 – Componentes vertical e horizontal do carregamento “instantâneo”...........Curva de Pesos.......................... Flutuação............ ................Navio com 50% de carga em águas tranquilas........................................ .......... 84 Figura 4........8 ...........20 – Malha em Elementos Finitos .............Mapa da Bacia de Campos.....................2 ...........................18 – Solicitações que geram fadiga.... 43 Figura 2.................... Momento Fletor e Cortante ............... (c) Equilíbrio de tensões..3 – Componentes normal e tangencial do carregamento “instantâneo” em posição de roll..... 73 Figura 4..............6 – Conceitos do método de acoplamento com chapa perpendicular.. 59 Figura 3.............. 66 Figura 3........7 – Curvas S-N recomendadas pelo DNV [18].............Subdivisão do casco do navio................. . (b) Linearização ao longo da superfície........................ .....................6 – Representação Gráfica do Espectro de Mar Adotado................. 79 Figura 4.. ... 66 Figura 3..............................................Espectro de carga real e simplificado........

......... 100 Figura 4..........................10 – Representação esquemática do método numérico aplicado no programa MAXSURF – Teoria das Faixas.............................................. Momento Fletor e Cortante ........ 103 .............. [24] ....... .. 93 Figura 4...17 – Modelo estrutural em Elementos Finitos – Geometria do Modelo......... [23] .......26 – Detalhe do modelo na região da trinca.................. .......... 99 Figura 4............ 103 Figura 4.................... 89 Figura 4..... ..Vista do fundo do casco do modelo para cálculo de comportamento no mar..... ................... 91 Figura 4..................................5.................13 .......... ...........................23 – Modelo estrutural em Elementos Finitos – Representação das Espessuras do Chapeamento..... ................... ................ 90 Figura 4......................12 ............ ............... ... 95 Figura 4..........Onda com ângulo de fase φ = 0....x Figura 4..................15 ..........................18 – Região da Estrutura selecionada para cálculo de Elementos Finitos 97 Figura 4....... 96 Figura 4...................................Navio em condição de lastro em águas tranquilas............25 – Definição do contorno da trinca. ............................... 92 Figura 4................16 – Região da Estrutura – foco da Análise de Fadiga................ 99 Figura 4.......24 – Detalhe da Estrutura Analisada – Modelo Sólido 3D...... ................................... 93 Figura 4....... 94 Figura 4...................9 ............14 – Onda com ângulo de fase φ = 0............................21 – Cargas concentradas aplicadas ao modelo...........................................................................................11 ...............19 – Região da Estrutura selecionada para cálculo de Elementos Finitos 97 Figura 4....... Flutuação........... ........... ......................... 102 Figura 4.Vista superior do convés do modelo para cálculo de comportamento no mar...22 – Carga Distribuída e Pressão hidrostática aplicada ao casco (N/mm2)..............Curva de Pesos.........20 – Pressão hidrostática aplicada ao casco – N/mm2. 101 Figura 4............Orientação do eixo de coordenadas empregado no modelo..........................

................. 104 Figura B... ............... 142 Figura B.......11 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2................Curva de Pesos. Flutuação............ Flutuação.. 150 Figura B......... Flutuação... Momento Fletor e Cortante – Onda de 0.xi Figura 4.............25.......Curva de Pesos.... 146 Figura B.....12 .............65.. Φ = 0.......................................3 ..75 m de amplitude.........Curva de Pesos.. Flutuação..................... ..............5 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1. 141 Figura B........25 m de amplitude...........25 m de amplitude....75 m de amplitude............. ............................... Flutuação.....................75....... ...................... Momento Fletor e Cortante – Onda de 1.75 m de amplitude................75 m de amplitude...................................... Φ = 0........................25 m de amplitude............... .........................Curva de Pesos......27 –Região da trinca inserida em elemento estrutural.75 m de amplitude..... 142 Figura B. .. 153 Figura B...........Curva de Pesos............. Flutuação.... Momento Fletor e Cortante – Onda de 0................ 149 Figura B... ......... Momento Fletor e Cortante – Onda de 0.10... .. Flutuação.......7 ..... Momento Fletor e Cortante – Onda de 2...................... Φ = 0....................... .Curva de Pesos.... 150 Figura B..................Curva de Pesos......... 145 Figura B.. Momento Fletor e Cortante – Onda de 2.. 154 Figura B........... Φ = 0.........8 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1...25 m de amplitude.....10 ............ Momento Fletor e Cortante – Onda de 1............ Momento Fletor e Cortante – Onda de 1............25 m de amplitude................... ....75 m de amplitude.........1 – Representação gráfica do RAO calculado............... Φ = 0. 154 ...........................2 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 0...................................... Φ = 0....4 ..........9 ................ 138 Figura B............... ...75 m de amplitude........................... Φ = 0.....6 .......... ..................................................... Flutuação....Curva de Pesos...........25. 146 Figura B.............13 ..... Φ = 0............... .......5.................75..

..... 158 Figura B............... Φ = 0..... Momento Fletor e Cortante – Onda de 4.........................Curva de Pesos...............30.....25 m de amplitude............................................ Flutuação................. 170 Figura B....25 m de amplitude................ ............... .Curva de Pesos..23 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4........Curva de Pesos................................... ... Flutuação..... 162 Figura B..33.... 169 Figura B.......25 m de amplitude........... Flutuação..................................83.. Flutuação.75 m de amplitude.................. 157 Figura B......85.. ..Curva de Pesos......75 m de amplitude............... 166 Figura B........35...................... Flutuação. ............ Φ = 0............. 165 Figura B..................... ............................... .. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3... .. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3......................................26 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.................16 ....... 170 Figura B................ Momento Fletor e Cortante – Onda de 3....... ...........75 m de amplitude...........25 m de amplitude..........20 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3...... 162 Figura B.............................95.............21 .75 m de amplitude...... Φ = 0.....................45..........Curva de Pesos............ 158 Figura B....................... 161 Figura B..... 173 ........75 m de amplitude................. Flutuação............. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3... Momento Fletor e Cortante – Onda de 2.............. Momento Fletor e Cortante – Onda de 2..........Curva de Pesos.. Φ = 0..........................................18 ........... Flutuação. Momento Fletor e Cortante – Onda de 4..75 m de amplitude.. Φ = 0.........Curva de Pesos.. ...........14 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2..........Curva de Pesos..15 ..... Φ = 0.... Flutuação.xii Figura B.19 ........ 166 Figura B...22 ..............75 m de amplitude......25 ...80............ . Φ = 0................25 m de amplitude.. Φ = 0.................................25 m de amplitude...................24 ............................ ....17 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.............

Φ = 0................... ... Φ = 0........ Flutuação. 174 Figura B.... Momento Fletor e Cortante – Onda de 4.25..75.......................................... .......................xiii Figura B.............75 m de amplitude. Flutuação.... 174 ...Curva de Pesos........Curva de Pesos....28 ......75 m de amplitude..... Momento Fletor e Cortante – Onda de 4..27 ...........

............ 108 Tabela 4.......................................... ............ 98 Tabela 4...................................1 – Exemplos de influência de meios agressivos na tenacidade à fratura de ligas metálicas.....................m1/2.................................................................................... ....... ...xiv ÍNDICE DE TABELAS Tabela 2.............m1/2..........4 .Espessuras de chapeamento representadas na figura............Valores de K e ∆K para trinca de 10 mm em MPa............. 106 Tabela 4. ........... .................................2 ..........................11 – Propagação da trinca para a0=5 mm em meio agressivo de ambiente marinho..............12 – Propagação da trinca para a0=10 mm em meio agressivo de ambiente marinho.. .. 119 ............1 ..Curvas S-N no Ar como ambiente – DNV-RP-C203 [18]....... 54 Tabela 3.............. ...... 110 Tabela 4.............................................................................. ...... .......13 – Propagação da trinca para a0=15 mm em meio agressivo de ambiente marinho..................... 108 Tabela 4..... 72 Tabela 4........................... 86 Tabela 4......7 .....................................9 – Propagação da trinca para a0=10 mm em ar seco......... ......................10 – Propagação da trinca para a0=15 mm em ar seco...............................Momentos Fletores e Força Cortante nas extremidades de vante e ré do modelo..Valores de K e ∆K para trinca de 15 mm em MPa............................................................................................. 109 Tabela 4.............................8 – Propagação da trinca para a0=5 mm em ar seco. .....3 ...... 84 Tabela 4........ 110 Tabela A....................... 105 Tabela 4...Valores de K e ∆K para trinca de 5 mm em MPa........2 – Conexões rebitadas........ .........Distribuição do Tipo de Operação do Navio no Tempo................................ 107 Tabela 4............ 29 Tabela 3........1 – Diagrama de ocorrência de ondas...........m1/2....... 106 Tabela 4......... 118 Tabela A.......................6 ..........Condições de Mar Consideradas..2 .... ......5 . 101 Tabela 4.......................... ........1 – Detalhes sem solda.........

. . .....75 m de amplitude....75 m de amplitude...................................25 m de amplitude.......6 – Resumo dos resultados para onda de 1................... soldada por apenas um lado....... . 149 Tabela B....xv Tabela A.... 153 Tabela B....... 141 Tabela B.6 – Soldas de topo transversais........75 m de amplitude......7– Juntas soldadas na superfície ou aresta de um componente estrutural tensionado.........5 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1.............................................................. ... 120 Tabela A.................. 147 Tabela B..2 – Resumo dos resultados para onda de 0................................................................ ........ ......................................3 – Solda continua paralela à direção da tensão aplicada.............................. .....25 m de amplitude............ 139 Tabela B..25 m de amplitude... 123 Tabela A.............................. .................. ........ ............................................... 155 ...... 122 Tabela A.. .................. .. 126 Tabela A................................. ..................10 – Detalhes relacionados a componentes tubulares.............8 – Juntas soldadas com carregamento aplicado sobre as soldas...................................... 130 Tabela A......... soldada por ambos os lados...........75 m de amplitude......... ..... ...................4 – Resumo dos resultados para onda de 1......................................................3 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 0..............................7 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1........1 – RAO calculado para velocidade de 4 nós e 0 graus em relação à incidência de ondas.... 127 Tabela A. 138 Tabela B. .10 – Resumo dos resultados para onda de 2.....8 – Resumo dos resultados para onda de 2........................................................................... 143 Tabela B..4 – Soldas intermitentes e em escalopes. 151 Tabela B....9 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2......... 145 Tabela B.9 – Seções vazadas.........25 m de amplitude............. 136 Tabela B..5 – Soldas de topo transversais................... 133 Tabela A...........75 m de amplitude.................. ........... .................

................16 – Resumo dos resultados para onda de 4....................... ............15 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3..............12 – Resumo dos resultados para onda de 3.75 m de amplitude....11 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2..................................... .. ............13 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.......................xvi Tabela B...............................75 m de amplitude........ ..17 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4........................................ ........... 173 .................................. ............................. ......................................25 m de amplitude.................. 157 Tabela B............19 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.......25 m de amplitude............. 167 Tabela B.......................... 161 Tabela B...................14 – Resumo dos resultados para onda de 3.......... .............75 m de amplitude...25 m de amplitude.... 165 Tabela B.............. 169 Tabela B....25 m de amplitude.................... 171 Tabela B....18 – Resumo dos resultados para onda de 4...................... 159 Tabela B..75 m de amplitude.................................. .........75 m de amplitude............................................... 163 Tabela B..........

gz Acelerações gravitacionais longitudinais. az Acelerações longitudinais.xvii LISTA DE SÍMBOLOS Letras Romanas a Comprimento da trinca ao Comprimento inicial da trinca ac Comprimento crítico da trinca aj Coeficientes da Série de Fourier ax. ay. laterais e verticais At Aceleração induzida pelos movimentos B Espessura da chapa de aço B0 Espessura mínima para estado plano de deformações c Profundidade da trinca elíptica C Constante de propagação dependente do material Cv Energia obtida do ensaio Charpy D Dano E Módulo de Elasticidade ff Freqüência final fi Freqüência inicial fn Frequência de onda Fv Força vertical gx. gy. laterais e verticais instantâneas G Taxa de liberação de energia elástica por unidade de espessura Gc Valor crítico para a taxa de liberação de energia elástica por unidade de espessura .

constante dependente do material n Contador numérico .xviii GI Taxa de liberação de energia elástica por unidade de espessura no modo I de carregamento GIc Valor crítico para a taxa de liberação de energia elástica por unidade de espessura no modo I de carregamento h Coordenada polar cilíndrica (distância ao eixo) hg Altura do fundo à superfície da carga hf Distância do ponto considerado à superfície do fluido Hs Altura significativa de onda Hσ(ω|θ) Função de tranferência j Índice da Série de Fourier K Fator de intensidade de tensão KI Fator de intensidade de tensão no modo I de carregamento KIc Fator crítico de intensidade de tensão no modo I de carregamento KII Fator de intensidade de tensão no modo II de carregamento KIII Fator de intensidade de tensão no modo III de carregamento KIEAC Tenacidade à fratura em meio agressivo Kf Fator de concentração de tensões Ksn Parâmetro da curva S-N L Vida mínima desejada m Inclinação negativa da curva S-N plotada em formato log-log mf Expoente de propagação .

xix ni Número de ciclos atuantes para um determinado valor de amplitudes de tensão N Número de ciclos Nf Número de ciclos até a falha Ni Número de ciclos admissíveis para um determinado valor de amplitude de tensão Ns Carga normal NDE Número de subdivisões do espectro p Constante positiva P Pressão total interna no ponto considerado P0 Pressão de marcação da válvula de alívio q Constante positiva rp Raio da zona plástica na ponta da trinca R Vetor t Espessura da chapa Tn Período de onda Ts Carga Tangencial Tz Período de onda característico U Variação total de energia UE Energia de deformação elástica liberada por unidade de espessura US Ganho de energia com a formação da superfície de fratura W Largura da chapa Y (a) Fator geométrico da trinca .

xx YI Fator geométrico da trinca no modo I de carregamento Y2 Fator geométrico da trinca no modo II de carregamento Y3 Fator geométrico da trinca no modo III de carregamento Letras Gregas α Indicação de Ângulo αt Ângulo de talude da carga βa Altura da região livre de tensões γp Energia absorvida no processo de deformação plástica γs Tensão superficial Δε Faixa de deformação total Δεe Componente elástica da faixa de deformação total Δεp Componente plástica da faixa de deformação total ∆f Intervalo de freqüência ∆K Variação do Fator de intensidade de tensão ΔS Amplitude de tensão ε Deformação θ Indicação de Ângulo λn Comprimento de onda ν Coeficiente de Poison ρ Densidade do líquido .

xxi σ Tensão normal aplicada σI. σII e σIII Tensões principais σc Tensão de fratura da chapa σx Tensão normal na direção x σy Tensão normal na direção y σYS Tensão limite de escoamento do material σz Tensão normal na direção z τ Tensão cisalhante τmax Tensão cisalhante máxima τxy Tensão cisalhante no plano xy ν Coeficiente de Poison φ Ângulo de fase ϕ j (x) Função de base Φ Integral elíptica ΦR Vetor de movimento rotacional ω Frequência .

grandes diferenças são encontradas nos resultados apresentados através dos cálculos baseados nestas regras (FRICKE et al.1 1 INTRODUÇÃO 1. A análise de fadiga tem como objetivo garantir que todos os componentes estruturais expostos a uma carga dinâmica tenham uma vida à fadiga adequada. Programas de inspeções são utilizados para avaliação da evolução deste processo de degradação. podendo chegar a extrapolar um limite aceitável. Além disso. tais como trincas devidas à fadiga. quando aplicadas a embarcações não convencionais. gerando resultados pouco precisos. com o surgimento de estudos detalhados nos campos . dependendo das medidas adotadas durante a etapa de projeto e durante a operação. em termos de desgaste permissível e medidas de proteção.[1]).1 Apresentação do Problema Os processos de degradação estrutural. as Sociedades Classificadoras apresentam métodos de cálculo de fadiga baseados em formulações empíricas e nas curvas S-N. pré-definidas nas regras destas Sociedades Classificadoras. as formulações propostas visam aplicação em embarcações convencionais. sendo inadequadas. A análise de componentes estruturais sofreu um desenvolvimento bastante acentuado nas últimas décadas. No entanto. estão sempre presentes ao longo da operação de embarcações. A evolução do desgaste da estrutura tende a reduzir o desempenho do sistema. Atualmente. sendo impraticável a aplicação destas em estruturas cujos arranjos diferem de uma padronização.

outros estão ainda em desenvolvimento. . sendo um dos objetivos deste trabalho a concentração e organização desta informação. apresentar um procedimento de análise de fadiga de estruturas oceânicas para emprego no desenvolvimento de projeto estrutural e no planejamento de inspeções ao longo da vida útil destas estruturas. Mecânica da Fratura. podendo ser utilizado na reavaliação de regiões que apresentaram baixos valores de vida à fadiga em outras análises. sendo que o enfoque apresentado procura ser adaptado da melhor forma a uma aplicação prática na Engenharia Naval. 1. Desta forma o procedimento pretende ser aplicável a qualquer tipo de embarcação ou estrutura oceânica. Este procedimento deve se basear em desenvolvimento de cálculo analítico direto e métodos numéricos. tornando difícil uma compreensão da aplicação conjunta em um procedimento de análise. havendo um consenso entre os especialistas da área.2 de Fadiga. Alguns dos métodos apresentados já estão consagrados. Confiabilidade Estrutural e Métodos Numéricos de Análise Estrutural. dispersa em várias publicações. Existe um grande volume de informação sobre a aplicação destes métodos.2 Objetivos e Relevância da Dissertação Este trabalho tem o objetivo de. evitando-se a utilização de formulações empíricas ou experimentais que restringem a abrangência da sua aplicação. abrangendo as regiões que não poderiam ser avaliadas por métodos simplificados devido a suas limitações. O método proposto pretende apresentar alternativas para obtenção de resultados mais precisos que os métodos simplificados. através do estudo dos diferentes enfoques e tecnologias existentes. buscando uma aplicação prática em um procedimento de análise que se apresente como uma alternativa aos métodos convencionais.

o que pode ser reduzido dependendo-se dos programas utilizados para os cálculos. tais como o efeito de splashing. Esta dificuldade tende a se reduzir com a evolução dos equipamentos de informática cada vez mais rápidos e com maior capacidade de memória. seja mercante. Para aplicação do método é necessário o emprego de métodos numéricos que demandam grande esforço computacional. pode ser incorporado ao procedimento aqui descrito.3 Metodologia de Trabalho Caracterização do Trabalho Este trabalho se baseia no estudo exploratório e descritivo dos diversos métodos existentes propostos para análise de fadiga de estruturas.3 1. ou a qualquer estrutura oceânica cuja estrutura é feita de aço ou ligas de alumínio. de slamming e deslocamentos em altas velocidades.4 Dificuldades Encontradas e Limitações da Dissertação As tarefas selecionadas para o projeto aplicam-se a qualquer navio. A maior fonte de incertezas na aplicação do método encontra-se na definição dos carregamentos aplicados à estrutura. 1. No entanto. deduzidos da probabilidade de exposição às condições ambientais ao longo da vida da estrutura. caso a caso. devem ser consideradas separadamente. qualquer método que possa reduzir este tipo de incerteza. seja militar. visando aglutinar a contribuição de cada um deles para a obtenção de um método mais acurado de análise e com menos restrições de aplicação. É necessário o emprego de várias horas de modelagem para representação da estrutura analisada em suas características físicas e geométricas e na aplicação dos carregamentos e condições de contorno. . Não linearidades. Em paralelo buscou-se através de uma revisão bibliográfica o estudo de conceitos importantes para a compreensão dos métodos existentes e com o emprego deste conhecimento o aprimoramento do procedimento de análise proposto.

4 Algumas hipóteses assumidas. podem aumentar a imprecisão dos resultados calculados. Em seguida é apresentado o Procedimento de Análise de Fadiga proposto apresentando-se uma comparação com caminhos alternativos para desenvolvimento da análise. onde são introduzidos conceitos importantes para compreensão e desenvolvimento do método de análise. onde o procedimento é exemplificado na análise de fadiga de uma estrutura. visando simplificar o procedimento de análise proposto. Por fim. . no item Conclusões. como a não consideração do fenômeno de fechamento de trinca. 1. apresentam-se as considerações finais e conclusões deste trabalho e sugere-se uma série de novos estudos a serem realizados. Com base no método de análise proposto é desenvolvido um Estudo de Caso.5 Organização da Dissertação A seqüência de apresentação da dissertação é composta por quatro itens: Revisão Bibliográfica.

mesmo quando estas estruturas são submetidas a tensões inferiores à tensão de projeto. É feita uma descrição do Método de Elementos Finitos ressaltando-se sua importância para o cálculo das tensões na estrutura. Estes defeitos produzem concentração de tensões capazes de levar à fratura. São apresentados conceitos de mecânica da fratura. identificando um mesmo foco para a análise de fadiga destas estruturas. Finalmente são apresentados alguns conceitos adotados sobre o projeto de navios e estruturas oceânicas.1 Introdução Nesta revisão bibliográfica são apresentados alguns conceitos importantes para o estudo do fenômeno de fadiga e o desenvolvimento de um procedimento para análise de fadiga de uma estrutura. que reduzem a tenacidade à fratura do material. para posterior apresentação do método de análise proposto. 2.2 Mecânica da Fratura Os componentes mecânicos e as estruturas normalmente apresentam descontinuidades ou outros defeitos já introduzidos durante a fabricação e inclusões não metálicas. importantes para compreensão do comportamento do material e desenvolvimento do cálculo de fadiga. de modo a se possibilitar uma avaliação de seu comportamento quando submetida a determinado tipo de carregamento. .5 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2. É apresentada uma abordagem do Fenômeno de Fadiga.

baseados no limite de resistência à tração. GRIFFITH formulou uma abordagem para a análise da trinca baseada em balanço energético. que. ao menos. ou à fratura. As tensões na chapa encontram-se no . limite de escoamento e carga crítica de flambagem. Primeiramente uma abordagem por análise de tensões foi apresentada por INGLIS em 1913. Ou seja. busca-se considerar a existência de trincas e defeitos no cálculo da resistência das estruturas. dos materiais sem trincas. igual à energia necessária para criar a superfície da trinca. utilizando-se de uma metodologia da resistência dos materiais. compensando-se a inadequação dos conceitos convencionais de projeto. as forças de coesão interatômicas são as que determinam a resistência à ruptura. Para a formulação de seu modelo. INGLIS e GRIFFTH (apud BASTIAN [2]) foram dois pesquisadores que apresentaram relevantes contribuições para a abordagem do problema. GRIFFITH considerou uma chapa infinita contendo um defeito elíptico vazante. a tensão de coesão efetiva é inferior à de coesão teórica. igual ao aumento de energia superficial resultante do crescimento da trinca. nos experimentos realizados com corpos de prova observa-se que ocorre rompimento antes que tensão de coesão teórica. Em 1920. perpendicular ao plano do eixo maior da elipse. Os critérios convencionais de projeto. são inadequados quando há ocorrência de trincas. Resistência à ruptura dos materiais com trincas O estudo dos fenômenos relacionados à mecânica da fratura são relativamente recentes. carregada em tração com uma tensão σ. seja atingida. Segundo BASTIAN [2]. Como um material apresenta defeitos. ao menos. que corresponde à tensão de ruptura de um material sem defeitos. determinou uma expressão para o cálculo da concentração de tensões provocada por um defeito elíptico contido em uma chapa submetida à tração. No entanto.6 Através da Mecânica da Fratura Linear Elástica. que a propagação da trinca ocorre de modo instável se o decréscimo de energia elástica com a propagação for. No início do século passado. O critério de GRIFFITH afirma que uma trinca se propaga de modo instável se a taxa de liberação de energia elástica armazenada pelo carregamento do material for.

Em relação às dimensões da chapa. é elaborado o cálculo da taxa de liberação de energia elástica. em tensão plana. para um comprimento de trinca a. é dada pela metade do produto da tensão pela deformação e pela área hachurada na Figura 2.1.7 regime elástico e pode ser considerado o estado plano de tensões para chapa fina. conforme a equação (2. Figura 2. a trinca é pequena para assegurar-lhe um carregamento remoto de acordo com a figura 2. então.2.2 . a. a energia de deformação elástica liberada por unidade de espessura. Figura 2. 1 σ U E = − σ βa 2 2 E (2.1 – Esquema do Modelo analisado por Griffth Considerando-se o balanço energético envolvido na propagação da trinca.Modelo de cálculo da taxa de liberação de energia elástica As regiões livres de tensões acima e abaixo da trinca são supostas aproximadamente triangulares e estendem-se a uma altura βa. No modelo considera-se a metade do comprimento da trinca elíptica vazante.2.1) .1). e a chapa submetida a deslocamento constante conforme a figura 2.

1σ2 UE = − π . U S = 2γ s a (2. Figura 2. .a 2 2 E (2.8 Em sua abordagem GRIFFITH concluiu que β tende ao valor de π.3) A variação total de energia é dada pela equação (2. chegando à equação (2. com o comprimento da trinca.3 (a) Variação de energia com o comprimento da trinca. (b) Variação das taxas de energia com os comprimentos da trica.2).3) onde γs representa a energia necessária para a criação das superfícies de fratura.4) Na Figura 2. da energia superficial e da energia total do sistema.2) O ganho de energia com a criação da superfície de fratura de dimensão 2a é dado pela equação (2.a estão representadas as variações da energia de deformação elástica.4). U = UE +US (2.3.

10) .9) Para o tamanho de trincas inferiores ao crítico. Para comprimento de trinca superior ao comprimento crítico. a energia superficial se eleva.3(b).5) Na Figura 2. não há propagação instável da trinca. A variação total de energia do sistema pode ser escrita na forma da equação (2. Pelo critério de GRIFFITH (apud BASTIAN [2]) para a propagação. no ponto cujo comprimento da trinca tem valor ac e ocorre a interseção da reta da taxa de energia potencial com a reta da energia superficial por unidade de comprimento. chamadas de trincas subcríticas.6) ∂U =0 ∂a (2. O valor de a neste ponto é denominado como comprimento crítico. conforme a inequação (2.3(a) pode-se observar que a curva da energia total em função do comprimento da trinca possui um valor máximo.a 2 + 2γ s a 2 E (2. ac.9 UE e US têm sinais contrários. pois enquanto a energia armazenada sob a forma de deformação elástica é cedida ao sistema. de acordo com a inequação (2.9).8) Esta igualdade está representada na Figura 2. no momento em que há crescimento da trinca. U =− 1σ2 π .7) Que resulta na equação (2. σ 2π . pois o módulo da taxa de energia elástica é maior que a energia superficial por unidade de comprimento. ∂U S ∂U E > ∂a ∂a (2. têm-se: ∂U E ∂U S + =0 ∂a ∂a (2.a E = 2γ s (2. existe propagação instável da trinca.8).5).

estas equações são .11) Portanto. É tido como G.12) (2. válido para espessuras finas.14) e (2.15) As equações (2. σC = 2 Eγ S πa (2. G< ∂U S : não há propagação instável da trinca. ∂a G> ∂U S : há propagação instável da trinca. na equação (2. que representa o valor positivo da taxa de energia potencial. assim.14). ∂a (2.14) Para os casos de grandes espessuras. Entretanto. caracterizando.8) pode-se obter a tensão de fratura da chapa para o estado plano de tensão. o que eleva o valor da energia total do sistema (∂U/∂a > 0). tem-se a restrição à deformação ao longo da direção transversal.15). conforme a equação (2. pode-se reescrever as inequações (9) e (10) na forma das inequações (12) e (13) respectivamente.11).10) As trincas subcríticas só se propagam se a tensão aplicada aumentar.13) Da equação (2.10 ∂U S ∂U E < ∂a ∂a (2. permitindo-se ignorar os detalhes do processo de fratura na ponta da trinca.15) obtidas pelo critério de GRIFFITH referem-se às variações de energia associadas à propagação da trinca. G= ∂U E ∂a (2. σC = 2 Eγ S π (1 − ν 2 )a (2. a taxa de liberação de energia elástica por unidade de espessura. a condição de estado plano de deformação cuja tensão de fratura da chapa conforme se observa na equação (2.

e IRWIN define a energia total liberada como fonte de energia para o processo de fratura. utilizando-se da taxa de liberação de energia elástica. IRWIN (apud BASTIAN [2]) definiu o processo através da energia elástica total liberada na propagação da trinca. alterando as equações de GRIFFITH de forma a se considerar a plasticidade envolvida. como sendo a fonte de energia para o processo de fratura. Em 1950. estas se aplicam ao cálculo da tensão de ruptura para os defeitos com raios de curvatura muito pequenos (pontas muito aguçadas).17) A diferença de enfoques entre OROWAN e IRWIN é que o primeiro procura determinar a energia consumida no processo de fratura (γp + γs). a equação (2. γp. A energia para a fratura correspondente à energia absorvida no processo de deformação plástica seria considerada através do termo γp. com um defeito planar de pontas aguçadas. Portanto. G= ∂U E ∂a (2. e seria adicionada à energia necessária para a criação das superfícies de fratura. γs.16). A teoria de GRIFFITH é aplicada satisfatoriamente a materiais completamente frágeis. não envolvendo o raio de curvatura.11 derivadas para um material no regime elástico. G. . A energia elástica liberada na propagação da trinca de uma unidade de comprimento é dada pela equação (2. σC = 2 E (γ S + γ P ) πa (2. OROWAN (apud BASTIAN [2]) procurou resolver esta limitação considerando-se a plasticidade envolvida no caso de materiais dúcteis. Na mesma época (1949).14) para o estado plano de tensão é modificada para a equação (2.16) No entanto. pois os materiais frágeis são incapazes de aliviar as tensões atuantes por meio de deformações plásticas na ponta da trinca e a concentração de tensões se torna mais severa.17). a sugestão de OROWAN encontrou dificuldade na determinação prática da energia absorvida no processo de deformação plástica. Desta maneira.

o valor de Gc por unidade de espessura é dado pela equação (2. onde a energia elástica liberada no processo de propagação da trinca é consumida para a criação das superfícies de fratura sem qualquer deformação plástica. podemos aplicar uma tensão progressiva a um corpo de .22) O valor de G aumenta com o aumento da tensão nominal e com o aumento do tamanho da trinca.20) e (2. A formulação de IRWIN atinge seu objetivo. GC = 2γ s (por unidade de espessura) (2. II ou III).19) O conceito de taxa de liberação de energia elástica não se restringe à fratura de materiais frágeis. permitindo a extensão da teoria de GRIFFITH à fratura de materiais mais tenazes. têm-se as equações (2.19). Para trincas subcríticas.20) podemos escrever: G= σ 2π a E (2. respectivamente. que apresentem pequena deformação plástica associada ao processo de propagação da trinca.12 Assim quando a igualdade da equação (2. da velocidade de carregamento.21) Da equação (2. EG σ= π ⋅a σ = EG π (1 − ν 2 )a (2. para o estado plano de tensões e para o estado plano de deformações. Para um material elástico frágil. do estado de tensões e do modo de carregamento (modos I.18) for atendida.20) (2. Portanto.21). σC = EGC πaC (2. pois a energia elástica liberada pode ser consumida para a criação de superfícies de trinca e para pequena deformação plástica.18) O termo Gc é uma característica do material em função da temperatura. ocorre o momento do início da propagação instável da trinca.

No modo III de carregamento é observado cisalhamento fora do plano. . são caracterizados três modos mais importantes de propagação da trinca em função de carregamentos aplicados ao corpo de prova trincado: tração.13 prova até se chegar a uma situação em que a trinca se propague.4 apresenta estes modos de propagação identificados respectivamente como I. Figura 2. A Figura 2. definindo-se então o valor de Gc. o deslocamento das superfícies da trinca é paralelo a estas. cisalhamento puro e cisalhamento fora do plano. Fatores de intensidade de tensão Através da análise do comportamento mecânico nas vizinhanças da ponta da trinca. No modo I é observado o de carregamento de tração. No modo II de carregamento ocorre cisalhamento puro. o deslocamento das superfícies da trinca é paralelo a estas e perpendicular à frente de propagação. o deslocamento das superfícies da trinca é perpendicular si mesmas. II e III.Modos básicos de carregamento de trincas Os modos básicos de carregamento de trincas podem ser caracterizados pelo comportamento mecânico nas vizinhanças da ponta da trinca. O material pode estar submetido a um modo de carregamento ou a uma combinação destes.4 .

as tensões tendem ao infinito na ponta da trinca. de material elástico linear e de dimensões infinitas.27) τ xy = τ yz = 0 (2. As equações (2. Sendo a chapa de material elástico linear e de dimensões infinitas e a trinca de comprimento 2a e de pontas aguçadas. (2. para o modo I de propagação da trinca. submetida a uma tração σ. WESTERGAARD definiu expressões para determinação das distribuições das tensões nas vizinhanças de uma trinca vazante.23) σy =σ 3α ⎞ a α⎛ α cos ⎜1 + sen sen ⎟ 2h 2⎝ 2 2 ⎠ (2.26) σ z = ν (σ x + σ y ) (2. (2. pois h tende a zero. τxz e τyz. (2.24). σz.27) e (2.28) Observa-se que as tensões são proporcionais à tensão externa σ e à raiz quadrada da metade do tamanho da trinca.24) τ xy = σ a 3α α α cos sen sen 2h 2 2 2 (2. σ é a tensão trativa aplicada à chapa. . contida em uma chapa. perpendicular ao plano da trinca.14 A Figura 2.23). e a é a metade do comprimento da trinca. τxy.28) apresentam as distribuições das tensões σx . Por estas equações. (2.25) σz = 0 (2.5.25).26). onde h e α são as coordenadas polares cilíndricas de um ponto com relação à ponta da trinca. σy .a apresenta o modelo usado por WESTERGAARD (apud BASTIAN [2]) na determinação das distribuições das tensões nas vizinhanças de uma trinca vazante contida em uma chapa submetida a uma tração σ perpendicular ao plano da trinca. de comprimento 2a. σx =σ 3α ⎞ a α⎛ α cos ⎜1 − sen sen ⎟ 2h 2⎝ 2 2 ⎠ (2.

visto que os outros termos são relativamente pequenos.29) IRWIN (apud BASTIAN [2]) verificou que o termo σ a estava presente em todas as equações de distribuições de tensões de WESTERGAARD.(b) Coordenadas polares e tensões em um ponto nas vizinhanças da trinca. entretanto a tensão σy deveria tender ao valor da tensão externa σ. O primeiro termo da série fornece uma descrição aproximada do campo de tensão na ponta da trinca. o campo de tensões na ponta da trinca fica definido. pois o termo 1 2h f ij (α ) é função somente da posição do ponto em que as tensões são consideradas. Isto acontece porque estas equações são válidas somente nas vizinhanças da trinca. Estas equações podem ser escritas de forma generalizada pela equação (2. A tensão σy tende a zero quando o ângulo α é nulo e a coordenada polar h assume valores grandes.5 . . σ ij = σ a f ij (α ) 2h (2. Os outros termos do desenvolvimento em série devem ser considerados para se obter as tensões em pontos afastados da ponta da trinca.29).(a) Sólido infinito com trinca vazante submetido à tensão σ . Quando este termo é conhecido.15 Figura 2.

32) A variação dessas tensões em função da distância representada pela coordenada polar h é representada na Figura 2.30). σ ij = KI 2πh f ij (α ) (2. K I = σ πa (2. ou seja.32). conhecendo o valor do fator de intensidade de tensões KI para uma trinca. As tensões σx e σy apresentam valores máximos no plano da trinca. σx =σy = KI 2πh (2.6 .6.30) Podendo ser escrita de forma generalizada pela equação (2.33) . K I = YI σ πa (2.31) O fator de intensidade de tensão envolve um termo correspondente à tensão aplicada externamente e outro correspondente à dimensão da trinca. para a situação em que o ângulo da coordenada polar α é igual a zero (2. Figura 2. se define todo o campo de tensões na ponta dessa trinca.16 A partir desta constatação. Portanto.Variação de σx e σy em função de h com α=0 Fatores de intensidade de tensão no modo I de carregamento para trincas de diferentes formas. orientações e posições podem ser expressos na forma geral da equação (2. IRWIN. que no modo I de carregamento é dado pela equação (2. K.30).31). definiu o fator de intensidade de tensão.

A expressão analítica do fator de intensidade de tensões. da orientação e da forma da trinca e de restrições na estrutura que a contém. para o caso de uma chapa de largura finita W e de comprimento infinito submetida à tensão σ e contendo uma trinca vazante de comprimento 2a é dada pela equação (2. para diversas situações de configuração de defeitos e de geometria do corpo trincado. os valores de Y1 aumentam. K I = 1. Analogamente ao modo I de carregamento. Portanto. K I = 1.17 Sendo Y1 chamado de fator geométrico no modo I de carregamento. Y1. se o comprimento da trinca a for muito pequeno em relação à largura da chapa.30). Este é um fator adimensional que é determinado em função da distância da trinca aos contornos da chapa. o fator de intensidade de tensões para o modo II de carregamento. o fator geométrico. de tamanho 2a. Sendo esta a expressão do fator de intensidade de tensões definido por IRWIN para o modelo usado por WESTERGAARD.37). ou a outras trincas. Para uma trinca vazante isolada. KI. a equação (2. W << a.12σ πa (2. onde τ é . a equação (2.35).12σ πa sec πa W (2.35) Para o caso anterior.36). é dado pela equação (2.33) se simplifica para a equação (2.35) pode ser simplificada para a equação (2.34). equivale a unidade.34) W A expressão analítica de KI para o caso de uma chapa de largura finita W e de comprimento infinito carregada sob a tensão σ e contendo uma trinca de comprimento a na borda da chapa é dada pela equação (2. KII. K I = σ πa sec πa (2.36) Existem equações para o fator de intensidade de tensões para os três modos de carregamento. em uma chapa sob tensão uniforme σ remota à trinca e aplicada perpendicularmente ao plano da trinca. À medida que o tamanho da trinca se torna relativamente grande em relação às dimensões da chapa.

KIII. um material elástico fratura para um fator de intensidade de tensões igual a KIC. Isto caracteriza a existência de um fator crítico de intensidade de tensões.38) Portanto. para uma dada geometria de trinca e do corpo trincado. K III = Y3τ πa (2. as equações de distribuições de tensões para os três modos de carregamento podem ser escritas de forma generalizada pela equação (2. K II = Y2τ πa (2.37) E o fator de intensidade de tensões para o modo III de carregamento. II. Ensaiando um material para vários corpos de prova. o aumento da tensão externa ou do comprimento de trinca induz a elevação do fator de intensidade de tensões.38). Portanto.39). observa-se que a trinca ocorre quando o fator de intensidade de tensões atinge um mesmo valor crítico. . que quando atinge um valor determinado dá início à trinca no corpo de prova. Este fator crítico é denominado tenacidade à fratura do material. (para N = I. tais como temperatura. III) (2. De acordo com a equação (2. como uma propriedade intrínseca do material. Quando mantidas as mesmas condições de contorno. enquanto que os modos II e III são mais raros. velocidade de carregamento e características do meio ambiente.39) O modo I de carregamento é encontrado com maior freqüência em aplicações práticas de engenharia. KIC. com diferentes geometrias de trincas.33). σ ij = KN 2πh f ij (α ) . é dado pela equação (2. é observado que o valor do fator de intensidade de tensões para o modo I de carregamento (KI) é proporcional ao valor da tensão externa (σ) e à raiz quadrada do comprimento de trinca (a).18 a tensão de cisalhamento plano e Y2 chamado de fator geométrico no modo II de carregamento. onde τ é a tensão de cisalhamento fora do plano e Y3 chamado de fator geométrico no modo III de carregamento.

observando-se a relação de equivalência entre as duas abordagens.44) .42) A propagação instável da trinca para o estado plano de tensões ocorre quando a equação (2. chega-se na equação (2. G IC = 2 K IC E (2.30) e (2. GI = K I2 E K I2 (1 − ν 2 ) GI = E (2.40) Por outro lado.44) é satisfeita.40) para o estado plano de tensões. A relação de equivalência entre as duas abordagens para o estado plano deformações está apresentada na equação (2.41).19 Equivalência das abordagens do balanço de energia e do fator de intensidade de tensões A abordagem do balanço energético de GRIFFITH (apud BASTIAN) resultou na equação (2.43) G IC = 2 K IC (1 − ν 2 ) E (2. Para o estado plano de deformações.41) (2.42). foi desenvolvido um modelo que resultou na equação (2. considerando-se a mesma geometria de trinca e de chapa e o mesmo modo de carregamento que o modelo analisado por GRIFFITH.30) Através de uma comparação entre as equações (2.40) para a taxa de liberação de energia elástica no modo I de carregamento da trinca.30). a propagação instável da trinca ocorre quando a equação (2. pela abordagem do fator de intensidade de tensões de IRWIN.43) é satisfeita. KI = σ π ⋅ a (2. GI = σ 2π ⋅ a E (2.

20 Princípio da superposição Seja um sólido submetido a uma combinação de carregamentos designados pelos índices i. O princípio da superposição permite calcular o fator de intensidade de tensões equivalente como sendo a soma dos fatores de intensidade de tensões correspondentes aos carregamentos de mesmo modo.Sólido elástico contendo uma trinca e submetido a uma tensão uniaxial σ . Segundo BASTIAN [2]. Figura 2. Estado plano de tensão e deformação em corpos de prova trincados Corpos de prova de pequena espessura submetidos a carregamento de tração apresentam um estado plano de tensão na ponta da trinca.7 apresenta o esquema de um sólido elástico contendo uma trinca vazante sendo submetido a uma tração σ . A Figura 2. O fator de intensidade de tensão equivalente é dado pela equação (2. KI = KI(i) + KI(ii) + KI(iii) (2. Enquanto. . KI(ii) e KI(iii).7 . suposto mantido no regime elástico. que corpos de prova espessos apresentam um estado plano de deformação. entretanto a combinação dos diferentes fatores de intensidade transcende ao regime linear. considera-se que a ação isolada de cada um destes provoque uma propagação da trinca pelo modo I de carregamento e que os fatores de intensidade de tensão correspondentes sejam KI(i).45) O que se aplica a KI pode ser estendido independentemente a KII e KIII.45). ii e iii.

A condição para o estado plano de tensão nas superfícies livres de sólidos espessos e deformação plana no seu interior está representada esquematicamente na Figura 2.Estados de tensões na frente da trinca em um corpo de prova espesso: tensão plana nas superfícies livres e deformação plana no interior. Logo. Em conseqüência do vazio produzido pela trinca. . normalizando-se à medida que se afasta da mesma. no interior dos sólidos espessos desenvolvem-se estados planos de deformação.8. Portanto. crescendo para o interior do sólido. isto é. com o aumento da coordenada polar h. Esta tensão σz decresce com o afastamento da ponta da trinca. A direção z corresponde à direção da espessura. está impedida a deformação elástica segundo a direção z e ocorrendo uma tensão σz. onde ocorrem estados planos de tensões e a segunda no interior do sólido.8 . segundo a direção y. desenvolve-se uma tensão σy. Na proximidade da ponta da trinca. Figura 2. podendo ser abandonada. nestes sólidos ocorrem estados planos de tensão. Sólidos espessos apresentam duas situações de restrição à deformação elástica na direção z: a primeira nas superfícies externas. Sólidos de pequena espessura praticamente não apresentam restrição à deformação elástica nesta direção e a tensão normal correspondente é muito pequena. a tensão σx é nula na ponta da trinca. ocorre concentração de tensões.21 Em conseqüência da aplicação da tensão σ.

os materiais normalmente apresentam um valor de tensão de escoamento acima da qual se deformam plasticamente. Entretanto. os materiais são incapazes de aliviar as tensões atuantes por meio de deformações plásticas na ponta da trinca. Tal fato requer modificações em alguns conceitos da mecânica da fratura linear elástica de modo que os mesmos possam ser aplicados para estes materiais. A dimensão aproximada da zona plástica é dada pela distância da ponta da trinca até um ponto cuja tensão atuante não exceda o limite de escoamento do material. foi considerado que os materiais que se comportam de uma maneira puramente elástica. pois a coordenada polar h tende a zero.47) . enquanto que o estado plano de deformação é dado pela equação (2.46) (2.47). O raio da zona plástica na ponta da trinca para o estado plano de tensão é dado pela equação (2. a tensão máxima na ponta da trinca é limitada pela tensão limite de escoamento do material. Deste modo. sendo rp o raio da zona plástica na ponta da trinca. O modelo de IRWIN (apud BASTIAN) é usado para a estimativa da zona plástica. a maioria dos materiais apresenta alguma deformação plástica na ponta da trinca de forma que a tensão atuante permanece próxima ao limite de escoamento do material. Desta forma. Esta dimensão corresponde a 2rp.22 Plastificação na ponta da trinca Na abordagem da Mecânica da Fratura apresentada até o momento. Analisando as equações (2. Neste modelo. verifica-se que as tensões tendem ao infinito na ponta da trinca. 1 rp = 2π ⎛ KI ⎜⎜ ⎝ σ YS ⎞ ⎟⎟ ⎠ 2 1 rp = 6π ⎛ KI ⎜⎜ ⎝ σ YS ⎞ ⎟⎟ ⎠ 2 (2. σYS.23) a (2. Isto torna a concentração de tensões mais severa.28) de WESTERGAARD. Entretanto.46). em torno da ponta da trinca existe uma região com comportamento elasto-plástico.

9. No estado plano de tensão. Figura 2. constata-se a influência das tensões cisalhantes no processo. tem-se que a tensão na direção z é nula.48). Analisando os círculos de Möhr relacionados com os estados planos de tensão e deformação. admite-se para comparação que a maior tensão seja igual em ambos os estados. Em ambos os casos a maior tensão principal é a tensão na direção y (σy). σIII > 0. A tensão cisalhante provoca esta deformação plástica. Considerando as tensões principais em um ponto σI.9 Círculos de Möhr para os estados (a) plano de tensão e (b) plano de deformação plana na ponta da trinca. de forma que σI > σII > σIII. τ max = σ I − σ III 2 (2.47).46) e (2. tem-se que a tensão na direção z não é nula. restringindo a região do material onde ocorre a plastificação. enquanto no estado plano de deformação. σIII = σz = 0. σII e σIII.23 Observando as equações (2. A máxima tensão cisalhante é calculada pela equação (2. Essas tensões são representadas nos círculos de Möhr da Figura 2. verifica-se que a zona plástica na ponta da trinca é maior em materiais submetidos ao estado plano de tensão do que nos submetidos ao estado plano de deformação onde a tensão normal na direção z inibe o processo de deformação plástica.48) .

Seja uma chapa infinita contendo uma trinca elíptica. Como os sólidos espessos apresentam estados planos de tensão nas superfícies e estados planos de deformação no interior. Estudos empíricos com ligas metálicas mostraram que a espessura mínima do corpo de prova necessária para garantir um estado plano de deformação deve atender à condição da equação (2.24 Portanto. ⎛K B0 ≥ 2. zonas plásticas relativamente grandes. onde são observadas variações bruscas na geometria. em conseqüência. submetida a uma tensão uniforme σ. Estas trincas tendem a crescer penetrando no componente e assumindo a forma semi-elíptica.9 que a máxima tensão cisalhante para o estado plano de tensão é maior que a do estado plano de deformação. confirma-se que o tamanho da zona plástica na ponta da trinca é maior em materiais submetidos ao estado plano de tensão que ao estado plano de deformação.10. são freqüentemente iniciadas em cantos vivos ou arestas. Trincas elípticas As trincas naturais. quando ensaiados até à fratura. Os sólidos finos apresentam estados planos de tensão e. Como a deformação plástica é gerada pela tensão cisalhante e o maior valor de tensão cisalhante ocorre para o estado plano de tensão. e nas bordas das estruturas. a zona plástica na ponta da trinca é maior nas superfícies que no seu interior. conforme a Figura 2.5⎜⎜ IC ⎝ σ YS ⎞ ⎟⎟ ⎠ 2 (2. . também denominadas trincas por fadiga. considerando o mesmo valor da maior tensão principal para ambos os estados. observa-se na Figura 2.49) O valor de KIC é definido como a tenacidade à fratura em deformação plana do material do corpo de prova para o modo I de carregamento de tração. apresentam valores de fatores de intensidade de tensão críticos superiores àqueles dos corpos de prova espessos.49). Uma conseqüência das diferentes dimensões de zonas plásticas em função da espessura do material é que corpos de prova finos.

.52). Φ.53) . 3π π ⋅ a 2 φ≅ + 8 8 ⋅ c2 (2.50) A integral elíptica. Desenvolvendo esta integral em uma série.51) Os valores da integral elíptica. φ=∫ π /2 0 ⎡ ⎛ c2 − a2 ⎢1 − ⎜⎜ 2 ⎣ ⎝ c ⎤ ⎞ ⎟⎟ sen 2 θ ⎥ ⎠ ⎦ 1/ 2 dθ (2.50).51). Sendo a o semi-eixo menor. estão disponíveis em tabelas e em ábacos. Φ. obtém-se a equação (2. ⎞ σ π ⋅a ⎛ 2 a2 ⎜⎜ sen θ + 2 cos 2 θ ⎟⎟ KI = φ c ⎝ ⎠ 1/ 4 (2. θ o ângulo que define um ponto no perímetro e Φ a integral elíptica. tem-se que o fator de intensidade de tensão para qualquer ponto do perímetro da elipse é dado pela equação (2.25 Figura 2.53).10 Trinca elíptica em um sólido infinito sujeito à tensão uniforme. c o semi-eixo maior de uma trinca elíptica..52) A série apresentada na equação (52) pode ser aproximada pela equação (2. é definida pela equação (2.⎥ ⎥⎦ ⎠ (2. π⎡ 1 c2 − a2 3 ⎛ c2 − a2 − ⎜⎜ φ = ⎢1 − 2 ⎢ 4 c2 64 ⎝ c 2 ⎣ 2 ⎤ ⎞ ⎟⎟ − .

Na extremidade do eixo menor (θ = π/2).54) π ⋅ a2 c (2.47). Na extremidade do eixo maior (θ = 0). .57).50) que o fator de intensidade de tensão é variável ao longo do perímetro da elipse. Deve ser observado que as tensões atuantes podem ser tensões residuais. Portanto. Assim. σ π ⋅a φ K I (θ =π / 2) = σ K I (θ =0 ) = (2. σ π ⋅a ⎛ ⎞ a2 ⎜⎜ sen 2 θ + 2 cos 2 θ ⎟⎟ KI = 2 c ⎠ ⎛σ ⎞ ⎝ φ − 0. conforme a equação (2.57) Aplicação da mecânica da fratura ao estudo da fratura em ambientes agressivos O fenômeno de fratura com influência do ambiente é um processo dependente do tempo. poderiam não implicar em qualquer dano.55). tem-se o fator de intensidade de tensão dado pela equação (2.212⎜⎜ ⎟⎟ ⎝σY ⎠ 1/ 4 (2. K I (θ =π / 2 ) > K I (θ =0 ) (2. equação (2. Neste fenômeno o material é susceptível à fratura prematura devido à ação conjugada de esforços mecânicos e de meios agressivos que. adiciona-se o raio da zona plástica para o estado plano de deformação. Desta maneira. resultantes de tratamentos térmicos ou de processos de fabricação. se considera uma trinca virtual cujo tamanho é (a + rp). isoladamente. ou tensões decorrentes de carregamentos externos. substituindo a trinca real a pela trinca virtual em (2. obtém-se a equação (2. ao tamanho real da trinca como uma correção aos cálculos de KI.50). tem-se o fator de intensidade de tensão dado pela equação (2.54). o fator de intensidade de tensão KI é máximo na extremidade do eixo menor.56).56) Como normalmente existe uma deformação plástica nas pontas das trincas.26 Observa-se na equação (2.55) φ Tem-se que a é menor que c e conseqüentemente (a/c<1) e (a²/c<a).

picadas de corrosão. estas apresentam alta suscetibilidade à propagação da trinca quando entalhadas. Considerando que a existência de defeitos é praticamente inevitável em obras de engenharia.27 A caracterização do comportamento mecânico de materiais que venham a trabalhar sob condições ambientais adversas é imprescindível para o desenvolvimento e seleção de materiais. e (b) Existem ligas sem entalhes que resistem bem à corrosão sob tensão. considerando-se a existência de defeitos. A suscetibilidade de uma determinada liga frente a um meio agressivo pode ser associada às condições eletroquímicas. como a fratura assistida pelo . enquanto expostos ao meio agressivo em questão. O ensaio de corpos de prova lisos fornece o tempo total necessário para rompê-los. sendo este a vida à fadiga. Entretanto. com diferentes níveis de carregamento. Isto provavelmente ocorre porque estas ligas não devem ser sensíveis a processos de pites. não existe propagação instável da trinca. Embora estas informações sejam importantes. o uso de corpos de prova polidos apresenta as seguintes desvantagens: (a) O tempo para ruptura inclui ambas as fases de iniciação e de crescimento da trinca. Para aços. principalmente o hidrogênio. a propagação de uma trinca subcrítica pode ocorrer em casos onde há o fornecimento de uma energia adicional ao sistema. Entretanto. A abordagem tradicional para avaliação da suscetibilidade à fratura assistida pelo meio ambiente considera o tempo necessário para produzir a fratura de corpos lisos. não sendo possível distingui-las. maior é sua suscetibilidade a fragilização por hidrogênio. torna-se necessária a avaliação da resistência dos materiais à propagação de trincas nos meios em que serão utilizados. ou diretamente associada à ação de elementos deletérios. é comprovado o fato de que quanto maior é a resistência mecânica. chamada trinca subcrítica. Para uma trinca inferior à dimensão crítica. pois o módulo da taxa de energia potencial é menor que a energia superficial por unidade de comprimento.

fragilidade por hidrogênio e fragilidade por metal líquido. O termo fratura assistida pelo meio ambiente (EAC) envolve qualquer fenômeno de interação do ambiente com uma peça solicitada mecanicamente. Verificase que um corpo de prova aparentemente rompe com um valor de KI inferior ao valor de KIC do material. O índice EAC tem origem do termo em inglês “Environment Assisted Cracking”. pois embora a carga permaneça constante. Na Tabela 2. Na realidade. Este patamar seria o valor de KIEAC do material.1. a aplicação da mecânica da fratura é estendida a estes casos. Este crescimento subcrítico da trinca aumenta o nível de intensidade de tensões efetivo. são analisados sob a mesma metodologia os efeitos de corrosão-tensão. a propagação subcrítica da trinca faz com que haja um aumento de KI com o tempo. Constata-se que não ocorre crescimento subcrítico de trinca para valores iniciais de KI inferiores a um determinado patamar. para um determinado KI inicial. apresentam-se exemplos da influência de determinados meios agressivos na tenacidade à fratura de ligas metálicas e os respectivos valores de KIC e KIEAC. a fadiga e a corrosão-fadiga. . ocorre um crescimento subcrítico da trinca por assistência do meio ambiente a um determinado valor de KI inicial. Em ensaios de corpos de prova submetidos a uma carga constante. Quanto maior for o valor de KI inicial. uma célula de corrosão permite a ação do meio ambiente agressivo na área pré-trincada. menor será o tempo necessário para levar a peça à fratura. O uso do valor crítico do fator de intensidade de tensões KI no meio ambiente de trabalho é uma metodologia indicada para a avaliação da suscetibilidade que um material pode apresentar ao crescimento subcrítico de trinca frente a determinado meio. Portanto. Portanto. KI(EF). A fratura final ocorre quando KI atingir o valor de KIC do material.28 meio ambiente. a seção remanescente diminui gradativamente. Segundo BASTIAN.

designa-se por fadiga o fenômeno de ruptura progressiva de materiais sujeitos a ciclos repetidos de tensão ou de deformação. A fadiga é uma redução gradual da capacidade de carga do componente. O mecanismo da fadiga compreende as seguintes fases sucessivas: nucleação ou iniciação da trinca de fadiga. podendo causar grandes danos. ao menos em alguns pontos. Estas deformações levam o material a uma deterioração progressiva. sendo que em algumas das vezes. A iniciação de uma trinca de fadiga ocorre normalmente na superfície do material. Os fatores que contribuem para isto são os valores máximos das concentrações de tensões. devida ao avanço quase infinitesimal das fissuras que se formam no seu interior. suficiente para a fratura. Segundo DA ROSA [3]. a liberdade para a deformação plástica sob tensão e o contato com um ambiente possivelmente agressivo. as provocadas por fadiga perfazem de 50% a 90%. repentinamente. As cargas variáveis. do número total de falhas. tenhamos deformações plásticas que também variam com o tempo. a qual cresce até atingir um tamanho crítico.29 Tabela 2.1 – Exemplos de influência de meios agressivos na tenacidade à fratura de ligas metálicas Material Aço 4340 1335 Aço 300-M 1735 Tenacidade à fratura KIC ( MPa m ) 79 70 Tenacidade à fratura em meio agressivo KIEAC ( MPa m ) Meio agressivo 9 22 Limite de escoamento σy (MPa) 2. pela ruptura lenta do material. estas falhas ocorrem de forma inesperada.3 Solução de 3. em geral brusca. fazem com que. dando origem à trinca. Este crescimento ocorre para cada flutuação do estado de tensões onde parte da carga é aplicada sob tração. apresentando características macroscópicas de uma fratura frágil. propagação e ruptura final.5% NaCl Fadiga A fadiga do material é a causa mais comum de falha de componentes estruturais de navios e estruturas oceânicas. Segundo BRANCO [4]. sejam cíclicas ou não. .

seja por imperfeição do material ou decorrente do processo de soldagem. com o restante do material tendo ainda uma resposta elástica. de uma maneira elástica. Cabe ressaltar que os métodos de inspeção existentes possuem limitação em sua capacidade de detecção de trincas. quer sejam estas generalizadas. Em um material cristalino a deformação plástica ocorre através dos movimentos de discordâncias. No projeto de estruturas. Nucleação de Trincas O processo de fadiga está normalmente relacionado à ocorrência de deformações plásticas e. pois nestes se desenvolve uma plastificação confinada. Este movimento tem como resultado final o . como um todo. sob a ação de tensões cisalhantes. os procedimentos de inspeção tem se tornado cada vez mais caros. quer sejam confinadas a um pequeno volume de material. Desta forma. Assim.30 Em componentes estruturais formados por materiais isentos de defeitos o processo de nucleação de trincas de fadiga irá se desenvolver. Para que o processo de nucleação se inicie é necessário (ao menos para os materiais dúcteis) que ocorram deformações plásticas. que mesmo não ocorrendo detecção. pois o componente estrutural possui trincas previamente existentes. Nestes pontos com escoamento localizado é que inicia o processo de nucleação das trincas de fadiga. é adotado como requisito que as tensões nominais devidas ao carregamento externo fiquem dentro do regime elástico. deve ser assumida a hipótese. pode haver trincas na estrutura. sendo de grande importância um dimensionamento adequado do intervalo entre inspeções. quer devido a descontinuidades geométricas. No entanto. o que pode levar à falha. associadas com tensões cisalhantes. ou seja. descontinuidades metalúrgicas ou ainda devido a sobrecargas quando em operação. esta não passa pelo período de nucleação. com o acréscimo dos requisitos de operacionalidade das estruturas. A trinca que leva à falha pode já estar presente desde a fabricação da estrutura. o material não estará necessariamente respondendo. estas. a abordagem de uma análise plástica no estudo de fadiga torna-se necessária. Segundo GUANGUEWEI [5]. caso existam pontos com elevado nível de tensões. ao menos para regiões do material próximas aos pontos onde temos concentração de tensão.

a detecção da deformação plástica é bastante difícil. apresentar pequenos pontos de plastificação. Deste modo o conjunto de planos de deslizamento forma uma banda de deslizamento. a deformação plástica inicia nos grãos com orientação mais desfavorável. cujos planos de deslizamento estejam com orientação próxima da orientação da tensão cisalhante máxima. Segundo DA ROSA [3].11 . para um dado carregamento. pode ocorrer que haja um deslizamento em uns poucos grãos apenas. Figura 2. estando o restante do material com comportamento perfeitamente elástico. e mesmo para tensões abaixo da tensão limite de proporcionalidade. a deformação plástica é preponderante na direção da máxima tensão de cisalhamento. Estes planos de deslizamento têm sua origem já nos primeiros ciclos do carregamento. provenientes da deformação plástica no grão mais desfavoravelmente orientado. Para um material policristalino. No caso dos materiais dúcteis. cuja densidade de planos vai gradativamente aumentando.31 deslocamento relativo entre dois planos atômicos. e. Desta forma. pois o material se comporta elasticamente de uma forma global. para acomodar as novas deformações plásticas. Este deslizamento se acentua com o aumento da tensão cisalhante. após um número de ciclos da ordem de 1% da vida de fadiga as bandas de deslizamento já estão plenamente formadas na superfície do material. ou do limite de escoamento. Neste caso. onde os grãos possuem uma orientação aleatória dos planos atômicos. a nucleação de fissuras ocorre pela formação de planos de deslizamento. ou seja.Seqüência de movimentos de deslizamento . e com o prosseguimento da solicitação ocorre a formação de novos planos.

tendo a trinca um . pois em um material altamente solicitado a microtrinca passa para o estágio II com um tamanho menor do que no caso da solicitação ser mais baixa. enquanto que no estágio II as tensões de tração é que controlam o crescimento. ficando o restante da vida para a propagação no estágio II. onde ocorre concentração de tensão. coincidentes com um plano de máxima tensão cisalhante. propagando-se paralelamente aos planos atômicos de deslizamento. mais de 70% da vida é usada para a nucleação e para a propagação no estágio I. A propagação da trinca no estágio I corresponde ao modo microscópico de propagação.12 mostra este deslizamento entra camadas em uma forma mais evoluída. No primeiro estágio de propagação as tensões cisalhantes é que são importantes.32 Os deslizamentos cíclicos que dão origem às bandas de deslizamento ocasionam na superfície da peça reentrâncias na forma de pequenas fendas superficiais.11 mostra a seqüência de movimentos de deslizamento responsáveis pela formação de uma intrusão e de uma extrusão.12 – Bandas de Deslizamento Estas irregularidades formam pontos reentrantes. O tamanho da microtrinca em que ocorre a transição do estágio I para o estágio II de propagação depende do nível de solicitação. e saliências de forma irregular. geralmente as microtrincas são formadas nas intrusões. podendo ser observados na superfície pontos de intrusão e extrusão. A figura 2. que leva à formação de microtrincas. movimentadas alternadamente por esforços de cisalhamento. onde é feita uma analogia dos planos cristalinos com as cartas de um baralho (card slip). chamadas intrusões. chamadas extrusões. O modelo representado na figura 2. sem entalhes. como minúsculas cadeias de montanhas. Segundo DA ROSA [3]. Em componentes lisos. Figura 2. como para corpos de prova. As microtrincas seguem crescendo até que atinjam um tamanho tal que passam a se propagar de forma perpendicular às tensões de tração que agem no material.

13). presença de partículas de segunda fase. mudanças de direção dos planos cristalográficos. Figura 2. etc. as linhas de repouso praticamente não aparecem. Muitas vezes as linhas de repouso ficam mais evidenciadas pela ação da corrosão sobre as superfícies já rompidas. Propagação A propagação no estágio II é caracterizada através da formação de estrias microscópicas. dando origem às chamadas linhas de praia ou linhas de repouso (Figura 2. sendo muito sensível a diferenças locais de microestrutura. que marcam o crescimento da fissura a cada ciclo de carregamento. Já a propagação no estágio II corresponde ao modo macroscópico de propagação. ou então por uma sobrecarga que imobiliza a trinca por algum tempo. seja por uma redução da carga ou por uma parada da solicitação cíclica da estrutura.33 comprimento da ordem do tamanho de grão. contornos de grão. Quando a carga que provoca a falha por fadiga possui amplitude constante. Muitas vezes a propagação no estágio II produz uma superfície que fica marcada macroscopicamente pelas sucessivas posições da frente da trinca. o que pode ser observado no caso da falha em corpos de prova de fadiga. sendo relevantes as propriedades médias do material.. Para a propagação no estágio II é necessário que existam tensões de tração no extremo da trinca. em que o material pode ser considerado homogêneo. e as diferenças a nível metalúrgico são de menor importância. que venha a possibilitar a ruptura do material.13 – Aspectos de superfície após ruptura iniciada por processo de fadiga . Estas são formadas devido a paradas no crescimento da trinca.

quando o corrugamento superficial for excessivo. estágio II. Este processo é referido como de nucleação múltipla. algumas de pequeno tamanho são absorvidas pelas maiores. uma vez que a matriz não chega a sofrer deformação plástica. como inclusões e outros defeitos ou impurezas. como a topografia da superfície. devido ao elevado grau de deformação plástica. .34 Em estudos mais atuais. e a nucleação tem origem mais no interior do material. As microtrincas podem ser nucleadas a partir das bandas de deslizamento. os quais se propagam inicialmente de modo cristalográfico. o que resulta normalmente no surgimento de uma superfície corrugada. ao longo dos contornos de grão. a nucleação das trincas é iniciada na interface entre a matriz e as inclusões existentes. Grande parte da vida de fadiga é despedida na etapa do crescimento da trinca. Em materiais mais duros. as bandas de deslizamento na superfície livre não ocorrem. conforme a frente da trinca penetra dentro do material. a nucleação e a propagação da trinca de fadiga ocorrem acompanhadas por um escoamento generalizado na superfície do elemento estrutural. as ligas de alta resistência de alumínio e os aços tratados para uma alta dureza. devido aos obstáculos que encontra ao seu avanço. a existência de tensões residuais. sendo afetada por diversos fatores. é extremamente sensível a diferenças locais de microestrutura. Havendo o desenvolvimento da propagação das trincas. Neste caso são formados degraus na superfície. estágio I. Neste caso. ou mesmo a partir dos contornos de grão. umas poucas trincas surgem de defeitos microestruturais. e após. podendo passar a transgranular com o crescimento. com a formação das bandas de deslizamento. ou seja. é indicado que as trincas tenham sua origem já nos primeiros ciclos de carregamento. sendo as microtrincas intergranulares logo na sua formação. como por exemplo. até que reste no material um pequeno número de trincas remanescentes. Esta propagação se desenvolve com velocidade decrescente. No caso dos materiais frágeis ou duros. e depois se propagando no estágio I para dentro do grão. em função de um escorregamento intergranular. quanto à formação e propagação de trincas de fadiga. na escala metalúrgica. Podem ser observados vários pontos de formação de microtrincas. normalmente à direção das tensões de tração aplicadas. A propagação da trinca no modo microscópico. dependendo do material e do modo como ocorrem os planos de deslizamento. No processo de fadiga onde ocorre um baixo número de ciclos para a falha. a agressividade do meio ambiente.

varia de modo bastante aleatório no interior do corpo pelas diferenças locais da microestrutura. . Com a aplicação de tensões. representando uma pequena parcela da vida de fadiga. Em qualquer dos processos de nucleação as microtrincas surgem logo no início do carregamento. ocorrem pequenas deformações plásticas. Este fato apresenta indícios de que não existe limite elástico verdadeiro. podendo o material ser tratado como um contínuo. principalmente na fase de propagação da trinca. este regime de alto ciclo é mais bem representado pelas deformações elásticas cíclicas. as alterações microestruturais no extremo da fissura são irrelevantes. desde que haja instrumentos bastante sensíveis para registrar mínimos desvios do comportamento elástico. logo difícil de ser medida com precisão. No processo de fadiga em que ocorre um elevado número de ciclos até que a estrutura seja levada à falha. Assim. poderia ser solicitado ciclicamente sem que a sua rede cristalina apresente alterações. Este modo de nucleação é dito homogêneo. No processo de fadiga a alto ciclo. retardando ou acelerando a propagação da trinca. usando propriedades médias. mesmo quando solicitados abaixo do limite elástico. etc. que são quase imperceptíveis. pelas tensões cíclicas. sendo que a propagação de apenas uma delas é suficiente para provocar a ruptura. apresentam alterações permanentes em sua estrutura cristalina. perfeitamente elástico. sendo a nucleação de trincas um fenômeno mais raro. Mesmo bastante reduzidas. as diferenças de orientação de grãos. Além de ser bastante pequena e inferior à deformação elástica. Após esta adquirir um tamanho maior. Enquanto a trinca é pequena. formando em geral uma frente única de propagação. pode-se deduzir que a Mecânica da Fratura Linear Elástica (MFLE) pode se apresentar como uma ferramenta útil na representação do processo de fadiga de alto ciclo. a deformação plástica cíclica não é uma variável relevante para se correlacionar com a falha. qualquer que seja o número de ciclos de carregamento aplicados. o que é equivalente. Curva Tensão-Deformação Cíclica Assumindo-se por hipótese um sólido. microestrutura. a deformação elástica é predominante. são importantes. os materiais reais. No entanto.. ou. Desta forma. ocorrendo em regiões localizadas.35 bastante comuns na forma de inclusões. A maior parte da superfície permanece sem alteração. ocorrendo a formação de poucas microtrincas. ou deformações cíclicas.

59) Em um ensaio medimos diretamente Δε e Δσ e. ou seja. mais sensível e imediato será este efeito de reorganização da estrutura cristalina.36 com o carregamento sucessivo elas levam a um rearranjo da estrutura cristalina e a conseqüentes alterações nas propriedades mecânicas. é formada pelas componentes elástica e plástica. podemos calcular a faixa de variação da deformação plástica como: . apresentado na figura 2. Δεp. sendo que a altura do laço é Δσ = 2σa. onde σa é a amplitude da tensão cíclica aplicada. Durante a deformação cíclica desenvolve-se um laço de histerese provocado pela deformação plástica cíclica.58) Δεe = Δσ / E (2. em vez de se aplicar tensões repetidas. Figura 2. Δε.Laço de histerese A faixa de deformação total. Δε = Δεe + Δεp (2.14. é a largura do laço de histerese. é a tensão alternante. que se refletem no diagrama “tensão X deformação”. O teste mais adequado para o estudo destes aspectos é o de se aplicar ao corpo de prova um carregamento cíclico. onde também são mostrados os parâmetros usados para sua caracterização. Quanto maior for a deformação plástica. entre valores fixos de deformação. A componente plástica. assim.14 .

devido às deformações plásticas cíclicas. apresenta uma alta densidade de discordâncias. Deste ponto em diante. aumentando sua tensão de escoamento. dependendo das condições de carregamento. etc.Δεe (2. Este encruamento cíclico ocorre até que o material atinja uma condição de equilíbrio. enquanto que materiais trabalhados a frio tendem a amolecer. então ele amolece. a deformação plástica cíclica gera um aumento no número de discordâncias. dependendo dos tratamentos termomecânicos a que foi submetido. está associado com a movimentação de discordâncias. por exemplo. da ordem de 105 discordâncias por cm2. ou amolecer.60) Durante a aplicação do carregamento cíclico o material pode encruar. ou seja. se agora o material está em um estado recozido. o material passa a amolecer ciclicamente. Por outro lado. As deformações plásticas cíclicas provocam o movimento das discordâncias ocorrendo o fenômeno de aniquilamento de discordâncias de sinais contrários. Um estado intermediário parece ser a situação de equilíbrio para o metal. encruando. apresenta uma baixa densidade de discordância. fazendo com que a densidade de discordâncias se reduza significativamente. conseqüência da diminuição do número de discordâncias. ganhando resistência à deformação plástica. devido a um processo de trefilação ou laminação. Nesta condição a resposta do material atinge a estabilidade e assim temos definida a curva tensão-deformação cíclica. A velocidade . Estes efeitos sugerem que cada metal ou liga possui uma faixa de resistência em potencial que pode ser atingida por um trabalho a frio. quando passa a responder de uma forma estável. resultado de um elevado trabalho a frio. dependendo da deformação e do número de ciclos. inicialmente encruam e após amolecem. está no extremo superior. Esta redução tem como conseqüência uma diminuição da tensão limite de escoamento do material. Quando o material está altamente encruado. tendo o seu limite elástico reduzido. ou seja. É amplamente aceito que os materiais recozidos encruam no ensaio. por outro lado. algo da ordem de 108 discordâncias por cm2.37 Δεp = Δε . O mesmo ocorre quando o material sofre um processo de amolecimento cíclico. Se o metal está inicialmente no extremo inferior desta faixa. Os materiais que se situam em um grau intermediário de trabalho a frio. O mecanismo básico de alteração da curva tensão-deformação. até atingir também uma condição de equilíbrio quanto à quantidade de discordâncias que são geradas e as que são aniquiladas. recozimento. ele encrua ciclicamente e se.

O valor estabilizado de tensão. sendo Nf o número de ciclos para falha. ficando em regime permanente até ocorrer a fratura do corpo de prova. e outra fortemente encruado. função do número de ciclos. A figura 2.38 com que ocorrem as alterações nas propriedades mecânicas do material depende basicamente da faixa de deformação que é aplicada ciclicamente. uma recozido. fornece um ponto da curva tensão-deformação cíclica. ocorrendo a estabilização mais . O primeiro ocorre com maior velocidade. Para os materiais que endurecem ciclicamente a curva tensão-deformação cíclica situa-se acima da estática. condição B. a tensão sofre pouca alteração.5 Nf.16 mostra a curva de variação da tensão nos extremos do laço de histerese. um que encrua e outro que amolece ciclicamente. Com diferentes De outros pontos são obtidos.Encruamento e amolecimento cíclico do material A figura 2. atingindo o material sua condição estável rapidamente. condição A. a variação máxima ocorre nos primeiros 10% a 20% da vida de fadiga. Segundo DA ROSA [3]. Figura 2. pois a tensão se estabiliza com valores geralmente inferiores a 0. Este valor estável de tensão. respectivamente. é normalmente tomado no ponto médio da vida de fadiga do corpo de prova ensaiado. Δε. usado para definir a curva tensão-deformação cíclica. O material apresenta-se em duas condições. quando plotado contra Δε/2 correspondente ao ensaio. Após o período transitório.15 ilustra o comportamento de dois metais. em que temos um encruamento cíclico e um amolecimento cíclico.15 .

que consiste no crescimento a 45° relativamente à direção da solicitação.39 rapidamente do que quando o material amolece. se um corpo de prova recozido é submetido a uma série de ciclos de amplitude crescente. recozido. o efeito de encruamento pode elevar o limite elástico a um valor até cinco vezes superior ao original. o período transitório consome aproximadamente 5% da vida e para os materiais que amolecem consome algo da ordem de 20%. . a propagação da trinca de fadiga ocorre em três estágios. é necessário um maior número de ciclos para o material amolecer ciclicamente até o regime permanente. Para os materiais que encruam. poucos ciclos são necessários para o material endurecer até o estado de equilíbrio. a primeira fase é a fase de iniciação. No caso do cobre. Figura 2. devido ao amolecimento cíclico. o que corresponde à propagação do defeito inicial em planos sujeitos as tensões cisalhantes máximas. Conforme descrito anteriormente. Se o material estiver inicialmente bastante encruado. Em um metal puro. Cálculos de Fadiga Uma vez iniciada. a redução no limite elástico pode ser de um fator dois.16 .Variação da tensão com o número de ciclos de carregamento e comparação das curvas estáticas e cíclicas para um material em duas condições. mas se for usada uma série de amplitudes decrescentes.

a partir de determinada dimensão a seção resistente pode ser insuficiente. Nesta fase. associada à fase de crescimento estável da trinca. associada à fase de crescimento instável da trinca. Segundo BRANCO [4]. ocasionando sobrecarga nesta região. Esta direção corresponde a uma direção principal do círculo de Möhr atuante. .40 Na segunda etapa. Nesta figura podem ser observadas as regiões I. e • falha em outra parte do elemento. A velocidade de propagação da trinca na segunda etapa é função da amplitude do fator de intensidade de tensão.17 apresenta graficamente. II e III. principalmente em materiais dúcteis. Após a trinca ter se desenvolvido até uma determina dimensão. A falha da estrutura pode ocorrer por uma das três formas MACHADO [6]: • falha por escoamento. o material apresenta normalmente estrias perpendiculares à direção de propagação. devida à modificação da rigidez da estrutura com o desenvolvimento de trincas. A diminuição na resistência à fadiga é proporcional ao fator de concentração de tensões da descontinuidade. a relação da taxa de crescimento da trinca em função dos ciclos de carregamento (da/dN). Deve-se ressaltar que a falha da estrutura pode ocorrer também na fase de propagação. podendo resultar na falha da estrutura. através de uma curva sigmoidal. A figura 2. propagação e propagação instável de uma trinca. a trinca propaga-se perpendicularmente à solicitação externa. citadas anteriormente e associadas respectivamente às fases de iniciação. a resistência à fadiga em uma peça com concentração de tensões é inferior à da mesma peça lisa. A terceira etapa é caracterizada pelo crescimento instável da trinca. podendo ocorrer em alguns casos ainda em estágio inicial dependendo das características do material e nível de tensões atuantes na estrutura. A transição entre as duas primeiras etapas é geralmente atribuída à redução da razão entre as tensões cisalhantes por tensões normais na vizinhança da extremidade da trinca. a rigidez da estrutura é modificada e as tensões são redistribuídas. com a amplitude de variação do fator de intensidade de tensões (∆K). • falha por ruptura.

das tensões residuais e das condições de solicitação. ou pela zona termicamente afetada. estas regiões serão plastificadas e os mecanismos microscópicos de nucleação e iniciação de trincas de fadiga se tornam mais operantes. do estado metalúrgico do material. a fase de propagação da trinca tem grande importância. No caso da análise do comportamento à fadiga. como uma junta soldada. pelo metal depositado. constituindo-se a Mecânica da Fratura em importante ferramenta para caracterizar as tensões e as deformações na vizinhança de uma trinca submetida a solicitações dinâmicas. Esta propagação se faz pelo metal base. Se as tensões localizadas atingirem o valor da tensão de escoamento. A propagação da trinca depende da geometria da junta.17 – Taxa de crescimento de trinca por fadiga versus ∆K A trinca de fadiga inicia-se geralmente em uma zona onde a concentração de tensões seja mais elevada. Desta forma. a fase de iniciação de uma trinca será mais curta e a fase de propagação torna-se mais importante. A existência de uma descontinuidade geométrica. ou em um local onde haja defeito do material ou de soldagem ÁVILA [7]. . em estrutura sujeita à fadiga provoca concentração das tensões na sua proximidade.41 Figura 2.

Solicitações que geram fadiga As solicitações capazes de produzir fadiga são denominadas alternadas pura. A Figura 2.42 Segundo BRANCO [4]. que ocorre quando cargas maiores se alternam com cargas menores.18 apresenta um esquema destas solicitações. . A Figura 2. conforme os seus valores médios. Figura 2. entretanto. é desprezado. alternadas. repetidas ou onduladas. o fenômeno de fechamento de trinca. podendo. A propagação de uma trinca está relacionada com propriedades limites do fator de intensidade de tensões. introduzir erros na análise se for desconsiderada a interação entre os ciclos de tensões em um espectro real. os espectros de cargas podem ser distintos de qualquer um desses casos e apresentar distribuições aleatórias. São tratados agrupando-se em blocos as solicitações semelhantes.19 ilustra a diferença que pode existir entre os esquemas de um espectro de carga real e o mesmo espectro simplificado. Neste caso.18 – Solicitações que geram fadiga Em casos práticos como os de navios e estruturas oceânicas. a iniciação de uma trinca não significa necessariamente que esta se propagará. Este procedimento facilita o estudo de um caso prático.

Espectro de carga real e simplificado Neste caso.19 . ele pode ser desenvolvido através de um programa de computador. uma vez que o tempo de propagação calculado é menor que o tempo de propagação real. . Para isto deve-se elaborar a escolha adequada dos princípios físicos e das variáveis que podem representar o problema. que ocorre quando cargas maiores se alternam com cargas menores. o que proporcionou uma maior abrangência de sua aplicação nos últimos 40 anos. dando resultado a um modelo matemático constituído por um conjunto de equações diferenciais. O Método dos Elementos Finitos (MEF) foi desenvolvido em meados da década de 1940. Devido à sua flexibilidade e estabilidade numérica. onde é de grande relevância a aplicação de métodos numéricos.4 Método dos Elementos Finitos A primeira etapa no processo de modelagem de um fenômeno físico é composta pelo desenvolvimento da identificação dos fatores que influenciam o problema de forma relevante. graças aos avanços tecnológicos ocorridos na área de informática. Este erro cometido é a favor da segurança. com o desenvolvimento de computadores mais eficientes e acessíveis. 2.43 Figura 2. o fenômeno de fechamento de trinca. é desprezado. A etapa seguinte é a obtenção dos resultados do modelo matemático.

etc. Equação de Helmholtz.44 Dentre as equações diferenciais parciais que podem ser resolvidas através do método dos elementos finitos estão a Equação de Poisson. Equação de Laplace. as quais não poderiam ser analisadas e projetadas de forma segura usando-se apenas técnicas tradicionais de análise. sendo utilizado para o projeto e análise de estruturas complexas de aeronaves.20 – Malha de elementos finitos Um grande impulso para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento foi dado pela indústria aeroespacial. com adaptações para que seja aplicado como um método numérico.20). Em lugar de se adotar funções aproximadoras com parâmetros indeterminados que valem para todo o domínio de integração do problema. denominadas elementos finitos (Figura 2. Esses elementos são descritos por equações diferenciais e resolvidos por modelos matemáticos. Navier-Stokes. como por exemplo. estabelecido em 1909. O Método dos Elementos Finitos é um procedimento numérico que pode ser usado para se obter soluções para uma abrangente variedade de problemas de . Este método se baseia na aplicação de métodos de aproximação conhecidos já no início do século passado. para que sejam obtidos os resultados desejados. este domínio é subdividido em um número finito de regiões. A aplicação do Método dos Elementos Finitos (MEF) consiste na discretização de um meio contínuo em pequenos elementos. o Método de Ritz. Figura 2.

.70).71) Na equação (2. Em muitos casos práticos.45 engenharia envolvendo análise de tensões. no entanto. − d ⎛ du ⎞ ⎜ p ⋅ ⎟ + q ⋅ u = f (x) dx ⎝ dx ⎠ u (0) = 0 u (1) = 0 0 < x <1 (2. quando ocorreu a falha em uma antepara causando embarque de água superior à capacidade de esgotamento das bombas. As condições de contorno (2. A solução proposta terá a forma da equação (2.70) (2. ainda que sob o ponto de vista matemático a solução seja considerada como uma aproximação obtida por um método numérico. Uma vez que a equação (2.70) p e q são constantes positivas e f(x) é uma função dada e conhecida. transferência de calor. o desconhecimento dos seus fundamentos pode conduzir a resultados desastrosos na sua aplicação. etc.70) é do tipo linear com coeficientes constantes e não homogênea (lado direito diferente de zero). eletromagnetismo. O problema consiste em determinar a função que satisfaz a uma determinada equação diferencial em um dado domínio. comportamento de fluidos. o Método dos Elementos Finitos é capaz de fornecer uma solução aceitável para problemas que não poderiam ser resolvidos de outra forma. em agosto de 1991. como sucedeu no caso da perda da plataforma petrolífera Sleipner A. O emprego do Método dos Elementos Finitos para solução de problemas de engenharia é cada vez mais generalizado. no entanto. será considerada uma solução utilizando Séries de Fourier contendo n termos.72). para ilustração do método. Para exemplificar os conceitos envolvidos na aplicação do método dos elementos finitos pode ser apresentado um problema de valor de contorno em uma dimensão. pode-se encontrar uma solução analítica para a mesma. denominado de problema de valor de contorno com dois pontos.71) são típicas condições de contorno homogêneas. como por exemplo a equação diferencial (2. na Noruega. conhecendo-se os valores que a função e/ou suas derivadas assumem no contorno do domínio.

70).75) para os coeficiente aj : 1 ∫sen⋅(k ⋅π ⋅ x)⋅ sen⋅( j ⋅π ⋅ x)⋅ dx = {½ se k=j e 0 se k ≠ j} (2. é elaborada uma solução aproximada para a equação (2.75) A solução aproximada da equação (2. O procedimento pode ser aplicado para funções genéricas. n (2.72) j =1 Os termos em coseno da Série de Fourier foram descartados.73) 1 ∫ f (x)⋅ sen⋅ (k ⋅π ⋅ x)⋅ dx 0 Considerando-se a igualdade da equação (2.. obtendo-se: n 1 n 0 j=1 1 ∑a ⋅ p( jπ) ∫sen⋅(k ⋅π ⋅ x)⋅ sen⋅ ( j ⋅π ⋅ x)⋅ dx+∑a ⋅ q∫sen⋅ (k ⋅π ⋅ x)⋅sen⋅ ( j ⋅π ⋅ x)⋅ dx= 2 j=1 j j 0 (2. a fim de que a solução atenda às condições de contorno (2. Para a obtenção dos coeficientes aj substitui-se a solução (2.71).72) na equação (2.72)..70) é obtida substituindo-se a equação (2.70) em termos de uma combinação linear das funções de base escolhidas.76) Para obtenção da solução.46 n u n ( x) = ∑ a j ⋅ sen( j ⋅ π ⋅ x) (2. multiplica-se ambos os lados da equação por sen(k ⋅ π ⋅ x) e integra-se no intervalo entre 0 e 1. Inicialmente escolhe-se um conjunto de funções linearmente independentes que serão as funções de base: ϕ j (x) j = 1.74) obtemos a expressão (2.74) 0 1 2 aj = f ( x) ⋅ sen ⋅ ( j ⋅ π ⋅ x) ⋅ dx 2 ( jπ ) p + q ∫0 (2. . 3.77). .75) na equação (2. 2. conforme (2.

3. A fim de se definir o conjunto de funções.77) j =1 A fim de que as condições de contorno (2.79) Repetindo-se o procedimento.80) por partes e considerando-se as condições de contorno. que pode ser visualizado como uma modificação do Método de Galerkin. multiplicando-se ambos os lados de (2. obtém-se: 1 ⎫ 1 ⎧ 1 dϕ k ( x) dϕ j ( x) aj ⋅⎨p⋅ ∫ ⋅ ⋅ dx + q ⋅ ∫ ϕ k ( x) ⋅ϕ j ( x) ⋅ dx ⎬ = ∫ f ( x)ϕ k ( x) ⋅dx k=1.. os coeficientes aj serão obtidos através da substituição de (2.47 n u n ( x) = ∑ a jϕ j ( x) (2..80) Integrando-se o primeiro termo de (2.70).71) sejam atendidas. No MEF são utilizadas funções de base com valores diferentes de zero em apenas uma pequena parte do domínio. n (2..n ∑ dx j =1 0 ⎭ 0 ⎩ 0 dx n (2.78) As condições apresentadas (2.2. . 2. é necessário se dividir o intervalo em um conjunto de n subintervalos. Estas garantem as condições de contorno e são atendidas pela solução aproximada: u n (0) = 0 u n (1) = 0 (2..81) O método exposto para a obtenção da solução aproximada a partir de uma extensão do método das Séries de Fourier é chamado de Método de Galerkin.77) em (2. as funções de base devem satisfazer às seguintes condições: ϕ j (0) = 0 ϕ j (1) = 0 j = 1. Este conjunto de intervalos é denominado genericamente de malha.. Este método constitui a base da formulação do método dos elementos finitos.78) são restrições impostas às funções que compõem o espaço. ..3.70) por ϕ k (x) e integrando-se entre 0 e 1: n 1 j =1 0 − ∑ a j p ⋅ ∫ ϕ k ( x) ⋅ d 2ϕ j ( x ) dx 2 n 1 1 j =1 0 0 ⋅ dx + ∑ a j q ⋅∫ ϕ k ( x) ⋅ϕ j ( x) ⋅ dx = ∫ f ( x)ϕ k ( x) ⋅dx (2.

mesmo que estes sejam inéditos. Esta dissertação focaliza o processo de fadiga. chega-se a um sistema de equações lineares. Cada estrutura é projetada com um objetivo próprio. os submarinos. O procedimento abordado nesta dissertação buscará definir processos que são comuns a todos os navios. seja em uma fase de projeto onde é necessário se relacionar as informações dos vários subsistemas presentes. o que por sua vez cria uma interdependência. cuja solução determina os valores dos coeficientes aj. ou as plataformas de petróleo.48 Considerando-se todas as funções de base dentro do intervalo. Como exemplo. cujos requisitos sejam muito diferentes dos utilizados em projetos anteriores. como os navios mercantes onde requisitos de capacidade de carga e velocidade são importantes. tornando o Projeto um processo iterativo. possuindo requisitos diferentes. é necessário se dispor de ferramentas de cálculo cujos procedimentos não estejam vinculados a sistemas pré existentes. dependendo de sua aplicação. que de acordo com os parâmetros de medida de sua eficiência atendam aos requisitos préestabelecidos. podemos citar meios completamente distintos em sua finalidade. buscando apresentar uma ferramenta útil para a análise deste processo. 2. que se subdividem em vários tipos. quando a estrutura oceânica e os demais subsistemas que se interagem estejam definidos detalhadamente. Um dos maiores desafios de um projeto de navio é o balanceamento de tais subsistemas de forma a gerar um resultado ótimo. permitindo uma maior flexibilidade na consideração de novos parâmetros. sejam militares ou mercantes. cuja avaliação é importante a toda estrutura oceânica sujeita a carregamentos cíclicos. No projeto de estruturas novas. os quais por sua vez determinam a solução aproximada.5 O Projeto de Navios e Estruturas Oceânicas O navio é um sistema complexo em que ocorre uma estreita relação entre seus subsistemas. . ou em uma fase posterior. em que o nível de ruído e a resistência estrutural às cotas de profundidade são fundamentais. tendo em vista que há uma série de requisitos que são comuns a todos.

O procedimento aqui descrito propõe um elevado grau de refinamento. tenham uma vida à fadiga adequada. A vida em fadiga calculada fornece uma base para o projeto estrutural (seleção do tipo de aço. dimensionamento dos escantilhões e detalhes locais).1 Introdução O objetivo da análise de fadiga é garantir que todas as partes da estrutura do casco.49 3 PROCEDIMENTOS PARA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ANÁLISE 3. avaliar a resistência e prover um critério de avaliação. buscando se utilizar de métodos analíticos e numéricos para o cálculo em lugar de formulações empíricas. Para o cálculo da vida em fadiga. ou outra geometria que gere concentração de tensões. restritas a estruturas já conhecidas e pré-avaliadas. Para garantir que a estrutura irá preencher suas funções de projeto. Posteriormente. submetidas a carregamento dinâmico. uma avaliação de fadiga deve ser conduzida para cada tipo de detalhe estrutural que estiver exposto a carregamento dinâmico extensivo. Desta forma pretende-se descrever um método que reduza as restrições para aplicação às . é uma fonte em potencial para o surgimento e propagação de uma trinca de fadiga. os procedimentos de análise existentes propõem métodos diversos para o desenvolvimento destas etapas para verificação de estruturas. Deve ser ressaltado que cada solda ou entalhe estrutural. Os princípios básicos de uma análise estrutural compreendem três componentes fundamentais: estabelecer as cargas de projeto. pode formar a base do planejamento de um programa de inspeções durante a construção e a vida de operação da estrutura.

. baseada em uma análise de resposta de freqüência ao longo do tempo (long-term frequency response analysis) em lugar de aproximações dadas por Regras de Sociedades Classificadoras. onde pode ser assumido um valor detectado em inspeções ou caso contrário.1. por exemplo. quanto pela Regra de Paris. onde curvas S-N principais são definidas para detalhes soldados e sem solda em meios corrosivos ou não corrosivos. para geometrias suaves. Quando se utiliza a Regra de Paris o cálculo das tensões na região da trinca é feito com uma malha refinada em elementos finitos. em lugar de procedimentos mais simples que variam desde formulações empíricas específicas para determinados tipos de embarcações a modelos simplificados como os modelos de viga. Para a resposta de tensões da estrutura é utilizado o Método de Elementos Finitos com malha refinada. considerando-se inclusive a geometria da solda. onde a velocidade de propagação da trinca é calculada a partir das condições locais de tensões e deformações em torno da trinca. No caso do cálculo pelas curvas S-N.50 estruturas de geometrias inéditas ou tipos de conexões diferentes dos já praticados e exaustivamente avaliados. O cálculo de fadiga pode ser obtido tanto por aproximações dadas pelas curvas S-N. Os procedimentos descritos estão esquematizados de forma simplificada em um fluxograma que é apresentado na figura 3. o valor limite dos métodos de inspeção empregados. com detalhamento da região de análise com elementos sólidos. Neste caso pretende-se realizar o cálculo destas tensões através de modelos em elementos finitos. as tensões a serem consideradas são as tensões nodais. utilizando-se a Regra de Miner para acúmulo linear do dano. O cálculo da velocidade de propagação da trinca é feito a partir das tensões calculadas e um valor de tamanho inicial de trinca. O estabelecimento das cargas de projeto e a definição do carregamento podem ser obtidos a partir de uma aproximação direta.

51 Figura 3.1 – Fluxograma simplificado da aplicação do procedimento de análise de fadiga .

52

3.2

Definição da Fonte de Fadiga e Carregamento
É assumida como hipótese que as ondas do oceano são a fonte da oscilação

de tensões que causa fadiga na estrutura a ser analisada.
A distribuição das amplitudes de tensão de longo prazo atuantes na estrutura
pode ser obtida através de análise espectral ou por decomposição deste espectro.
Com as ondas do oceano sendo consideradas a principal fonte de fadiga, um
dos objetivos principais de uma análise espectral de fadiga é a determinação da
função de transferência da faixa de tensões, Hσ(ω|θ), a qual expressa a relação entre
as tensões em determinado local da estrutura e a freqüência de onda (ω) e ângulo de
incidência (θ). Esta análise pode ser dividida em duas etapas, sendo a primeira
visando o cálculo da resposta do navio em relação ao espectro de mar a que é
submetido e a segunda o cálculo de tensões propriamente.
Deve-se avaliar diretamente o comportamento da unidade em ondas, sendo
realizada uma análise de curto prazo, em uma primeira etapa, onde o mar é
considerado estatisticamente estacionário, correspondendo a um estado de mar.
É desejável que seja realizada uma análise estrutural em cada freqüência,
ângulo de incidência e Condição de Carregamento Típica da embarcação, sendo os
resultados obtidos para as tensões sejam utilizados para geração direta da função de
transferência.
Neste caso pode ser estipulada uma faixa de freqüências (como por exemplo,
entre 0,1 e 2,0 rad/s) e um incremento (0,1 rad/s, por exemplo). No entanto,
dependendo das características da resposta pode ser necessário se utilizar outra faixa
ou um incremento mais refinado. A faixa de incidência de onda deve ser entre 0 (zero)
e 360 graus podendo ser utilizados incrementos não maiores que 30 graus. Caso haja
simetria em relação à linha de centro, ou ao plano diametral da estrutura analisada,
pode-se explorar apenas a faixa de 0 a 180 graus.
A análise estrutural deve ser desenvolvida para cada condição de
carregamento típica da embarcação. As condições de carregamento típicas são as
mais prováveis de ocorrer durante a vida de operação da estrutura. Os principais
parâmetros que definem estas condições são: carregamentos de porões ou de
tanques, arranjos de lastro, cargas sólidas, calados e trim. Estes parâmetros têm uma

53

influência direta nos componentes estáticos de tensão de resposta do casco, mas
também induzem a resposta da faixa de tensões variáveis induzidas por onda em
determinada posição da estrutura. Esta influência ocorre de duas formas a serem
consideradas. Primeiro devido aos valores e distribuições de massas e forças de
restauração na determinação de acelerações globais e locais e movimentos de corpo
rígido, que afetam os efeitos da carga induzida por onda na análise estrutural.
Segundo pelo fato da variação dos calados afetar as áreas que estão sujeitas à
pressão externa, os valores e distribuição destas pressões.
Por causa da variação nas condições de carregamento e seus efeitos no
cálculo da vida em fadiga da estrutura, é necessário se considerar mais que uma
condição na análise de fadiga. No mínimo dois casos devem ser considerados. Estes
seriam os maiores e menores calados em que a embarcação deve operar ao longo de
sua vida. No entanto, a maior precisão no cálculo da vida em fadiga dos componentes
estruturais depende de uma melhor reprodução da vida operativa do meio.
Em algumas formulações de cálculo da demanda de fadiga, a fração do tempo
total para cada Condição de Carregamento é usada diretamente. Neste caso a
informação do dano de fadiga correspondente a cada condição não é obtida. Portanto,
se sugere que o dano de fadiga de cada condição de carregamento seja calculado
separadamente. A vida combinada de fadiga é então calculada como uma média
ponderada das vidas em fadiga de cada condição calculada separadamente. Uma
vantagem de se proceder desta forma é que a combinação para cada tipo de
carregamento efetuado na embarcação pode ser feita posteriormente, com
aproveitamento dos cálculos anteriores.
Desta forma não se considera a seqüência de carregamento, desprezando-se o
fenômeno de fechamento de trinca que ocorre ao se induzir um aumento da
plasticidade na ponta da trinca. Segundo ALIZADEH, et al. [8], este é um mecanismo
importante na redução da amplitude do fator de intensidade de tensões. Portanto, a
desconsideração deste efeito nos cálculos está a favor da segurança.

3.3

Caracterização
das
meteoceanográficos

Condições

Ambientais

Dados

Uma quantidade muito maior de dados meteoceanográficos é necessária para
execução de uma análise baseada em Resposta quando comparada com o caso de

54

análises tradicionais. Estes dados ambientais podem ser obtidos de duas maneiras,
através de séries temporais de longo prazo ou distribuições probabilísticas. Séries
temporais estão disponíveis para vários lugares do planeta, baseadas em medições de
campo ou baseadas em modelos ambientais de simulação reversa (hindcast),
normalmente desenvolvidos para fornecerem séries temporais de condições extremas
de onda, corrente e vento, por longos períodos, sendo muito mais detalhados que
qualquer banco de dados contendo dados medidos [9].
As informações da ocorrência de ondas podem ser disponibilizadas em um
diagrama que consiste de células que representam a probabilidade de ocorrência de
determinado estado de mar.
Na tabela 3.1 é apresentado um exemplo deste diagrama onde as seguintes
grandezas estão representadas:
i.

Altura significativa de onda Hs (em metros)

ii.

Período de onda característico Tz (em segundos)

iii.

Probabilidade de ocorrência do estado de mar

Tabela 3.1 – Diagrama de ocorrência de ondas
Período da Onda (segundos)
3,50

4,50

5,50

6,50

7,50

8,50

9,50

10,50

11,50

12,50

13,50

8

260

1344

2149

1349

413

76

10

1

1,5

55

1233

5349

7569

4788

1698

397

69

9

1

21158

2,5

9

406

3245

7844

7977

4305

1458

3,5

2

113

1332

4599

6488

4716

2092

351

65

10

25670

642

149

28

4,5

30

469

2101

3779

3439

20161

1876

696

192

43

5,5

8

156

858

1867

12625

2030

1307

564

180

46

6,5

2

52

336

7016

856

1077

795

390

140

40

7,5

1

18

3688

132

383

545

452

247

98

30

8,5

1906

6

53

172

272

250

150

65

22

990

9,5

2

22

78

136

137

90

42

15

522

10,5

1

9

37

70

76

53

26

10

282

11,5

4

18

36

42

32

17

7

156

12,5

2

9

19

24

19

11

4

88

13,5

1

4

10

14

12

7

3

51

>14,5

1

5

13

19

19

13

7

77

24880

26874

18442

8949

3335

1014

266

100000

0,5

Alturas das Ondas (metros)

Soma das
Ocorrências
dos Períodos

5610

Soma das
Ocorrências
das Alturas

8

326

3127

12779

55

3.4

Análise de Movimentos e Cargas Induzidas por Ondas
O principal objetivo da análise de movimentos e cargas é a obtenção dos

operadores de amplitude de resposta (RAOs), que são representações matemáticas
das respostas do navio e efeitos de carregamento em ondas senoidais de amplitude
unitária. Os RAOs devem se calculados para as faixas de freqüência e incidência de
ondas.
Além dos movimentos do navio/estrutura oceânica, os outros efeitos de
carregamento induzidos por onda que devem ser considerados são:
- pressões externas de onda;
- pressões internas de tanques e porões devido às acelerações (forças
inerciais); e
- forças inerciais dos componentes estruturais e equipamentos ou itens de
massa relevante.
Adicionalmente, pode haver situações em que modelos parciais da estrutura
podem ser usados. Neste caso, os esforços da viga navio (momento fletor e cortante)
devem ser apropriadamente representados nas extremidades do modelo parcial.
Para navios que operam somente ocasionalmente com tanques parcialmente
cheios, o efeito de sloshing pode ser desprezado nos cálculos de fadiga.

Verificação Inicial de Equilíbrio
Os cálculos de movimento e carregamento devem ser desenvolvidos em
referência a uma condição estática inicial, representando a geometria da embarcação,
e carregamentos. Com a entrada do carregamento, a distribuição do momento fletor e
esforço cortante em águas tranqüilas pode ser calculada para um número de seções
transversais ao longo do comprimento, de modo a se levar em conta as
descontinuidades da distribuição de peso (curva de pesos). Alguns programas de
análise hidrostática podem ser utilizados para este cálculo.

56

Componentes do Carregamento Induzido por Onda
Cargas induzidas por onda em uma estrutura flutuante são complicadas porque
em adição às forças diretas (pressões de onda na face externa do casco) existem
componentes indiretos produzidos pelo movimento de corpo rígido do navio. Os
movimentos resultam em forças inerciais e componentes rotacionais das cargas.
O tratamento dos vários efeitos de carregamento e movimento é feito
tipicamente através da consideração de diferentes ângulos de fase empregados
separadamente na análise estrutural. Em um conceito físico, é como se o componente
real e imaginário dos efeitos de carregamento e movimento correspondessem a dois
sistemas de onda defasados 90 graus.
Em seguida são relacionados os principais componentes de carregamento
induzido por ondas que devem ser considerados na análise de fadiga. Usando os
métodos e ferramentas de cálculo que são mencionados acima, os operadores de
amplitude de resposta (RAOs) devem ser obtidos.
As condições de mar e as resultantes das pressões externas na superfície do
casco geram movimentos da embarcação os quais por sua vez geram as forças
inerciais através das acelerações na estrutura e nas massas internas, incluindo o
lastro e a carga.
As componentes de carga aqui se referem às pressões externas da onda, às
pressões internas nos tanques, às cargas inerciais devidas às acelerações e aos
momentos fletores e esforços cortantes de viga-navio. Os valores instantâneos das
componentes de carga são calculados para cada instante de tempo quando o
parâmetro de carregamento dominante atingiu o valor máximo para cada condição de
onda em cada uma das condições de carregamento.
Componente de Pressão Externa
Pressões Hidrodinâmicas Totais
A pressão hidrodinâmica total deve incluir os componentes diretos de pressão
devidos às ondas e os componentes devidos ao movimento do casco. Os
componentes de pressão hidrodinâmica devem ser calculados de acordo com a
condição de carregamento do navio e o ângulo de fase da onda considerada.

57

Molhamento Intermitente
A análise de movimento do navio (ship motion analysis), baseada em teoria
linear, não irá prever os efeitos não lineares próximos à linha d’água média devido ao
molhamento intermitente (splashing).
Segundo o ABS [10], atualmente é notada uma redução no número de trincas
encontradas na região de linha d’água média quando comparada com a região de 4
(quatro) ou 5 (cinco) espaçamentos de perfis secundários abaixo.
Para se levar em conta a não linearidade provocada pela redução de pressão
na região próxima à linha d’água média o ABS [10] recomendada um fator de redução:
FR = 0,5[1+tanh(0,35d)], onde d é a distância em metros, do ponto considerado
à linha d’água em águas tranqüilas.
Para se aplicar corretamente o efeito de molhamento intermitente, o tamanho
do painel hidrodinâmico a ser considerado na modelação deve levar em conta o
espaçamento entre longitudinais. É recomendável que o painel não seja maior que
dois espaçamentos na direção vertical.
Distribuição de Pressão nos Modelos de Elementos Finitos
A distribuição de pressão sobre um painel de um modelo hidrodinâmico pode
ser muito grosseira para ser usada diretamente em um modelo de elementos finitos
para análise estrutural. Portanto, caso necessário, a distribuição de pressões deve ser
interpolada (interpolação linear tridimensional) ao longo da malha estrutural mais
refinada.

Componentes de Carregamento Interno
Pressões de Tanques
As pressões internas de tanques possuem componentes “inerciais” e
“instantâneas”. A componente “instantânea” resulta do roll e pitch instantâneos do
navio. A componente “inercial” é devida à aceleração do fluido causada pelos seis
graus de liberdade do movimento da embarcação. Os movimentos da embarcação
devem ser obtidos de acordo com os procedimentos descritos no item 3.4.

ay. Como apropriado. O componente “inercial” é devido à aceleração da carga causada pelo movimento do navio nos seus seis graus de liberdade.1) Onde: P = pressão total interna no ponto considerado P0= pressão de marcação da válvula de alívio ρ = densidade do líquido hf = distância do ponto considerado à superfície do fluido ax. e não há movimento relativo entre o porão e a carga que ele contém. laterais e verticais. Ambos os componentes “inercial” e “instantâneo” devem ser incluídos na análise. gy. a carga interna de granel sólido é composta pelos componentes de pressão “inercial” e “instantâneo”.5 (3.58 A pressão interna total para cada região de contorno do tanque é dada por: P = P0 +ρhf{[(gx+ax)2 + (gy+ay)2 + (gz+az)2]}0. induzidas pelo movimento do navio em relação ao sistema de coordenadas do navio. em um ponto da superfície interna do tanque. pode se assumir que o porão está totalmente ou parcialmente carregado. laterais e verticais instantâneas. az = acelerações longitudinais. gx. Componentes de Pressão Assim como nos tanques de carga líquida. considerando-se os deslocamentos instantâneos de roll e pitch da embarcação. O componente “instantâneo” resulta da força da gravidade. . A pressão interna nos pontos de contorno pode ser interpolada e aplicada a toda superfície interna do tanque. em relação ao sistema de coordenadas do navio. Cargas de Granel Sólido As cargas de granel sólido em porões devem ser determinadas e aplicadas ao modelo estrutural de análise. gz = acelerações gravitacionais longitudinais. em um ponto da superfície interna do tanque.

2). A carga horizontal em um painel de área unitária é dada por: Fh = ρghg (1-senαt)senα Onde: αt é o ângulo de talude da carga considerada. Componente “Instantânea” O carregamento do granel devido à gravidade pode ser decomposto em componentes verticais e horizontais.2 – Componentes vertical e horizontal do carregamento “instantâneo” (3. a pressão “instantânea”. e g é a aceleração gravitacional. α é o ângulo do fundo com a horizontal. A carga vertical em um painel de área unitária é dada por: Fv = ρghg cosα Onde: (3. resultando em uma mudança na superfície de referência para o cálculo de pressão. hg é a altura média do trecho considerado (figura 3. na região do trecho considerado.59 A inclinação do porão devido ao roll e pitch do navio deve ser considerada no cálculo da pressão do granel.2) ρ é a densidade da carga.3) . A direção da força gravitacional no sistema fixo de coordenadas do navio varia com o roll e o pitch. Figura 3.

Desta forma.5) Onde: hg é a distância à superfície da carga na direção da gravidade. transversal e horizontal devido ao movimento do navio são definidas no sistema de coordenadas do navio. deve ser calculada a carga total.4) Carga Tangencial: Ts = ρghg [senαt sen(α – θ) cos(α .3: Carga Normal: Ns = ρghg [cos2(α . longitudinais e laterais. atuante nas anteparas dos porões. Neste procedimento as acelerações vertical.θ)+ (1-senαt)sen2(α .θ)] (3. gerada pela soma das cargas devidas a acelerações verticais.60 O carregamento “instantâneo” é então decomposto em componentes normal e tangencial relativas às superfícies de contorno do porão de carga. Portanto.3 – Componentes normal e tangencial do carregamento “instantâneo” em posição de roll Componente “Inercial” A componente inercial ocorre devido à aceleração da superfície interna dos porões. As fórmulas seguintes podem ser utilizadas para o cálculo das pressões nas superfícies representadas na figura 3. a .θ)] (3. Figura 3. e θ é o ângulo de roll.

A aceleração induzida pelos movimentos. Existem componentes “inercial” e “instantâneo” que podem ser obtidos da seguinte forma. é determinada para cada massa discreta pela fórmula: At = (R × ΦR) ω² + v (3. Cargas Devido ao Movimento de Massas Discretas Os movimentos da embarcação produzem cargas que atuam na estrutura e equipamentos. a carga induzida pelo movimento é calculada por: F = m (At).6) Onde: R = vetor de distância do centro de gravidade do casco ao ponto de interesse ΦR = vetor de movimento rotacional × = produto vetorial entre os vetores v = vetor da aceleração de translação ω = freqüência relevante (predominante) Usando as acelerações complexas calculadas acima. onde m é a massa discreta sob consideração. formulações de software de análise derivadas de idealizações . para cada massa discreta nas três direções.61 transformação das acelerações para o sistema de coordenadas do navio (devido aos ângulos de roll e pitch) não é necessária. As cargas induzidas pelo movimento. Para os tipos de componente de carregamento e respostas estruturais de primeiro interesse. At. são calculadas e aplicadas no modelo estrutural.5 Modelos Hidrodinâmicos e em Elementos Finitos Considerações Gerais de Modelação Deve haver compatibilidade suficiente entre o modelo hidrodinâmico e o modelo estrutural para que o mapeamento das pressões no modelo em elementos finitos da estrutura possa ser feito apropriadamente. 3.

dois casos de carregamento. ao logo da superfície molhada onde as pressões hidrodinâmicas são calculadas. por exemplo) é desejável.62 lineares são suficientes. Carregamento para o Modelo Global em Elementos Finitos Para cada ângulo de incidência e freqüência de onda para a qual a análise estrutural é desenvolvida. fazem uso do método de elementos de contorno com painéis de fonte-sumidouro constantes ou de ordem elevada. devem ser linearizados. No entanto.1 rad/s ) e 12 direções de incidência (entre 0 e 360 graus com incrementos de 30 graus).80 rad/s com incrementos de 0. Deve ser dada preferência a códigos de análise de comportamento no mar (seakeeping analysis) que se utilizem da teoria de difraçãoradiação para escoamento potencial. Segundo CRAMER [11]. a função de transferência da faixa de tensões. Então para cada freqüência de onda de ângulo de incidência. Hσ(ω|θ). o número total de casos de carregamento é 1224. Métodos de Difração-Radiação O cálculo dos movimentos induzidos por onda deve ser desenvolvido usandose métodos comprovados. Se houver três (3) condições típicas de carregamento da embarcação. o maior objetivo da aplicação de um modelo em elementos finitos na análise de fadiga é a obtenção mais acurada da resposta de tensões na estrutura do casco. baseados em hipótese de ondas e movimentos lineares. o uso de bases evoluídas para análise. especialmente para consideração de cargas não lineares (como slamming. o número de condições de carregamento combinadas é de 408 (considerando-se em separado as partes defasadas por ângulo de fase). Estes códigos. O número de casos de carregamento combinados para cada condição de carregamento típica pode ser muito grande. é obtida para cada condição de carregamento típica da embarcação ou estrutura oceânica. .2 e 1. Quando a análise estrutural é feita para 33 freqüências (entre 0. Todos os seis graus de liberdade de movimento de corpo rígido da embarcação devem ser levados em consideração.

As forças desbalanceadas nas três direções globais para cada caso de carregamento devem ser verificadas de modo que sua ordem de grandeza não seja relevante quando comparadas ao deslocamento do navio. para uma região onde se quer calcular a resistência à fadiga deve ser determinada através de uma análise estrutural com modelo em elementos finitos (FEM). é necessária a modelação detalhada da geometria na região da trinca. havendo um forte refinamento da malha na ponta da trinca. quando é feita a análise baseada nas Regras de Miner (curvas S-N). Para análise da resistência à fadiga da estrutura local deve ser desenvolvido um modelo com malha refinada. De acordo com MAHMOUD e DEXTER [12] a aplicação do Método de Elementos Finitos apresenta bons resultados no cálculo de fadiga através da determinação da amplitude de fatores de intensidade de tensões. Para aplicação da Regra de Paris. Estas forças de desbalanceamento podem ser balanceadas através da adição de forças inerciais distribuídas. usando-se uma condição de carregamento obtida da análise do modelo global (item 3. sendo necessário se aplicar uma análise de malha refinada nas regiões locais.63 A pressão hidrodinâmica externa deve estar em equilíbrio com outras cargas aplicadas. Esta análise pode produzir resultados acurados.6 Modelo Estrutural e Análise A função de transferência de faixa de tensões.5). Os resultados dos deslocamentos nodais ou forças obtidas do modelo global podem ser utilizados como condições de contorno para o modelo com malha refinada. Hσ(ω|θ). estando em acordo com os resultados obtidos analiticamente. . 3. usando-se um modelo tridimensional (3-D) representando toda estrutura do casco ou um trecho capaz de receber os esforços provenientes de um modelo global. Este modelo com malha refinada é necessário para a determinação dos fatores de concentração de tensões associados com os procedimentos de cálculo da resistência à fadiga (hot-spot).

64 Modelo Global 3-D O modelo global da estrutura e carregamento deve ser tão detalhado e completo o quanto for possível. . como a diluição dos perfis enrijecedores em espessura equivalente de chapeamento. deve se ter cuidado em se representar com acurácia a rigidez e a geometria dos componentes da estrutura. elementos e graus de liberdade para representação da rigidez e propriedades de inércia do casco. não apresentando prejuízo da precisão dos resultados calculados. Os deslocamentos obtidos do modelo global podem ser utilizados como condições de contorno. Alguns recursos. podem ser empregados. iii) Sólidos: regiões com maior refinamento. Representação da Estrutura Local Uma distribuição de tensões locais mais refinada deve ser determinada pela análise na região do componente estrutural analisado. principalmente se afastadas do elemento estrutural tido como foco da análise de fadiga. ii) Casca: chapeamento e elementos primários. Em adição às condições de contorno as cargas locais devem ser reaplicadas ao modelo local de malha refinada. Na construção do modelo deve ser feita uma seleção criteriosa de nós. Algumas aproximações são aceitas. Caso sejam utilizados modelos da estrutura local. Nas regiões de malha refinada. Os elementos finitos que são utilizados na representação da estrutura são de três tipos: i) Vigas: elementos secundários. estes devem se utilizar de elementos de casca e elementos sólidos próximo à região de interesse de cálculo de resistência à fadiga.

A tensão ou deformação determinada desta forma depende. o que levou nos anos 70 ao desenvolvimento da aproximação por hot-spot. por exemplo. a aproximação por tensões hot spot apresenta resultados conservadores quando comparada a resultados experimentais. . Isto permite que os fatores de concentração das tensões hot-spot sejam derivados em relação a parâmetros geométricos adimensionais. com pontos de referência para o cálculo e extrapolação das tensões. para determinação da resistência a fadiga em uma margem de uma solda de filete). Esta aproximação foi aplicada com sucesso ao cálculo de fadiga de juntas de estruturas cilíndricas em plataformas offshore – conexões entre contraventamentos (bracings) e colunas-contraventamentos [13]. e b) a definição de uma malha refinada em elementos finitos. As duas principais partes do procedimento são: a) a seleção de uma curva S-N que se aplique à situação.65 Concentração de Tensões Hot Spot A iniciação e propagação de trincas em juntas soldadas sob carregamento de fadiga são determinadas primariamente pela distribuição de tensões locais. que são localizadas a distâncias da margem da solda (hot-spot) que dependem da espessura da chapa. do tamanho do componente ou espessura da chapa. Segundo FRICKE e KAHL [13]. é necessário se estabelecer um procedimento. Para isto devem ser calculadas as tensões nos pontos t/2 e 3t/2 da margem da solda. que relaciona a resistência à fadiga com a tensão ou deformação local. no entanto. Quando se emprega a aproximação por tensões hot spot (por exemplo. junto ao detalhe da margem da solda e como a distribuição de tensões calculada é extrapolada para a localização da margem da solda Na figura 3. onde t é a espessura da chapa. Algumas variações do método foram desenvolvidas em anos mais recentes. medida em determinado ponto próximo à margem da solda.4 é apresentado um procedimento que pode ser empregado para se calcular as tensões na região da margem da solda através de extrapolação linear. a uma distância de 2 mm. a ser seguido para caracterização da vida a fadiga esperada.

como pode ser observada na figura 3. Uma alternativa é a linearização ao longo da espessura (figura 3. No caso de modelos sólidos. Deve se ter cuidado na modelação em elementos finitos. e quando refinada apresenta resultados mais precisos. . Segundo FRICKE e KAHL [13]. Figura 3. a malha recomendada por algumas Sociedades Classificadoras é grosseira. A extrapolação de tensões superficiais apresentada na figura 3.5a. para não se superestimar os valores das tensões calculadas. (b) Linearização ao longo da superfície.5b). uma malha com pelo menos três (3) elementos ao longo da espessura é desejável.4 pode ser aplicada com o método de elementos finitos (MEF). no que diz respeito a geração da malha.66 Figura 3.4 – Definição da Tensão de Ponto (Hot Spot) A reta traçada de acordo com a figura define por extrapolação linear o valor da tensão hot spot.5 – (a) Calculo das tensões na solda através da extrapolação das tensões superficiais.

e recomendações sobre a determinação das tensões para essas aproximações tem sido apresentadas. e o campo de tensões na vizinhança pode ser investigado com alto grau de precisão. é desejável se usar elementos sólidos para o modelo local de Elementos Finitos. É necessário se estender o escopo de aplicação da análise sólida em Elementos Finitos para se fazer aproximações locais mais avançadas. modelos globais de Elementos Finitos são feitos com elementos de casca (SHELL) por simplicidade e menor custo computacional.. Nestes casos é difícil se estabelecer as condições de contorno para o modelo local de Elementos Finitos. A tensão nodal necessita ser calculada por análise sólida para o caso em que a deformação próxima ao ponto crítico de análise não pode ser aproximada por um estado plano de tensões. se as extremidades do modelo estão próximas à junta soldada. . Quando um modelo sólido em Elementos Finitos é empregado. tais como a hot-spot stress (HSS) e a tensão nodal (notch stress). Para a aproximação HSS. Estas condições de contorno podem ser calculadas pelo modelo global em Elementos Finitos de casca. como por exemplo quando há um desnível entre as superfícies das chapas. Como a estrutura dos navios é formada por chapas. atuam nela simultaneamente com diferenças de fase. Como foi discutido. etc. onde vários carregamentos. atingiram o estágio de aplicação prática. a partir da tensão nominal. Os cascos de navios são estruturas redundantes. FRICKE [14] mostrou que os detalhes devem ser modelados para os casos em que os resultados são afetados por flexão local. Na aproximação local a modelagem da solda ou detalhes como trincas é um problema para o modelo global feito com elementos finitos de casca.67 Acoplamento Casca Sólido Em adição à aproximação convencional. aproximações locais. carregamento interno devido à carga. tais como a pressão externa da água do mar. a modelagem de detalhes é feita com maior facilidade.

[15]. O cálculo de fadiga da estrutura de um navio requer um grande número de simulação de carregamentos. É possível se reduzir drasticamente o tempo de análise para o cálculo baseado em modelo sólido para a aproximação local através do emprego do acoplamento casca-sólido no Modelo em Elementos Finitos.68 É necessário transferir as rotações angulares ou momentos fletores do modelo global com elementos de casca para os deslocamentos ou forças dos elementos sólidos locais. et al. É assumido que as propriedades elásticas desta chapa. A necessidade destas conversões é eliminada pelo uso de acoplamento cascasólido nos modelos locais de Elementos Finitos. Os procedimentos de submodelagem são desnecessários quando o modelo sólido local está integrado no modelo global de casca. o melhor modo de se gerar este acoplamento é através de uma chapa fictícia perpendicular à chapa original. A espessura. pois o cálculo de tensões é feito para vários ângulos de direção. Existem alguns estudos com aproximação local baseada em modelo sólido. . LOTSBERG I. Este método é denominado “Método de Acoplamento por Chapa Perpendicular (MACP)” A maior dificuldade na aplicação deste método está na definição da espessura da chapa de acoplamento. A técnica de submodelagem é geralmente empregada nestes estudos. gerada para transmissão dos esforços. denominada ts controla a rigidez da chapa de acoplamento e depende das condições de contorno aplicadas. comprimentos de onda e condições de carregamento. considerando-se o tempo necessário para execução. considerando-se o efeito do carregamento do modelo global. [16]. De acordo com OSAWA et al. são as mesmas que da chapa original. Estas conversões manuais citadas se tornam inviáveis. As conversões de momentos e rotações para forças e deslocamentos são feitas manualmente nesta técnica. Módulo de Elasticidade e Coeficiente de Poisson.

que são usados para se descrever probabilisticamente a magnitude e freqüência da ocorrência das faixas de tensão local nos locais de interesse do cálculo de fadiga. Os danos resultantes de estados de mar individuais são considerados de curto período (short-term). Os dados de onda são representados por diagrama de ocorrência de onda e espectro de energia de onda. . ou estimativa do dano. O cálculo da resistência à fadiga.69 Figura 3. pode ser feito através das Regras de Miner baseada nas curvas S-N ou pelas Regras de Paris baseadas na Mecânica da Fratura. Um método apropriado é utilizado para se estabelecer o dano de fadiga resultante de cada estado de mar considerado. O diagrama de ocorrência de onda consiste de estados de mar. Dados de onda (espectro de mar) são então incorporados para produzir o espectro de resposta de faixa de tensões. que são descrições do mar de curto período (short-term) em termos da probabilidade de ocorrência conjunta de uma determinada altura de onda (Hs) e um período característico.7 Cálculo da Vida em Fadiga (Dano) e Critérios de Aceitação Matematicamente a análise de fadiga (espectral) se inicia após a determinação da função de transferência.6 – Conceitos do método de acoplamento com chapa perpendicular 3.

70

Estimativa do Dano de Fadiga pela Regra de Miner
A previsão do dano de fadiga pela Regra de Miner é caracterizada pelo uso das
curvas S-N, obtidas a partir de ensaios experimentais, realizados em laboratórios de
estruturas, para diversos tipos de material e detalhe estrutural (junta soldada) e
carregamento.
Estas curvas relacionam a amplitude da variação das tensões com o número
de ciclos que leva ao colapso
Usando-se a aproximação pelas curvas S-N a resistência à fadiga é
determinada geralmente por uma das seguintes maneiras.
Aproximação pela tensão nominal – nesta aproximação a faixa de tensões
variáveis atuantes (demanda) é considerada ser obtida adequadamente a partir da
distribuição de tensão nominal (que pode incluir os efeitos geométricos de
concentração de tensões) na área ao redor de uma localização particular para a qual a
resistência à fadiga deve ser calculada.
Aproximação Hot Spot – a aproximação Hot Spot é necessária para regiões
onde a geometria é complicada ou que uma variação brusca no gradiente de tensões
pode levar a crer que o uso da aproximação por tensão nominal seja inapropriado.
A

aproximação

por

tensão

nominal

se

utiliza

de

uma

curva

feita

especificamente para um determinado tipo de junta, onde o fator de concentração de
tensões está implícito. A aproximação hot-spot calcula a tensão no ponto de interesse
se utilizando de curvas mais genéricas.
Existem vários ajustes (redução na capacidade) que podem ser levados em
conta para os fatores, tais como falta de proteção à corrosão do aço estrutural e
chapas de espessura relativamente larga.
Existem ajustes que podem ser considerados para se aumentar a resistência à
fadiga acima daquela apresentada nas curvas S-N. Estes incluem efeitos de tensão
média compressiva (fechamento da trinca), uma grande porção compressiva da
tensão variável atuante, e o uso de técnicas de soldagem aprimoradas. Técnicas de
soldagem aprimoradas podem incluir grinding e peening da margem da solda para
alívio de tensões residuais, o que pode elevar significativamente a resistência à fadiga.

71

No entanto, não deve ser dado crédito a tais aprimoramentos na fase de projeto da
estrutura. Considerações para garantir os benefícios de técnicas aprimoradas de
soldagem devem ser reservadas para a fase de construção, operação ou
recondicionamento da estrutura.
Os dados das curvas S-N podem ser apresentados de três formas: gráfica,
tabular e através de equações.
As curvas S-N são apresentadas exponencialmente da seguinte forma:

⎛K
ΔS = ⎜ sn
⎜N
⎝ f

1/ m




ou ΔS m N f = K sn

(3.7)

E na forma logarítmica:
log Nf = log Ksn – m.logΔS,

(3.8)

onde:
N é o número de ciclos necessários para a falha por fadiga para um valor
constante de amplitudes de tensão ΔS;
m é a inclinação negativa da curva S-N plotada em formato log-log;
ΔS é o valor constante da amplitude de tensão; e
Ksn é o parâmetro da curva S-N, para certo intervalo de confiança.
As curvas básicas S-N foram estabelecidas baseadas em extensivos dados
experimentais e dados teóricos de conexões tubulares e entre chapas soldadas sob
cargas de tração e flexão. Estes dados são aplicáveis para aços estruturais com
tensão de escoamento inferior a 400 N/mm². As tensões usadas para as curvas S-N
são as chamadas tensões nominais, as quais são calculadas pela “carga aplicada”
/“área seccional da amostra”. Portanto, quando as curvas S-N são aplicadas, a tensão
usada deverá estar consistente com a tensão nominal.
Gurney [17] apresentou em 1976 diversas classes de curvas S-N, definidas
para as juntas soldadas de acordo com a configuração da conexão dos membros e os
detalhes da junta. Outros tipos de juntas, como entre chapas e de tubo com chapa,

72

pertencem a uma das diversas classes. O arranjo geométrico, a direção da flutuação
da tensão relativa ao detalhe e o método de fabricação e inspeção do detalhe, também
determinam a classe da junta.
O DNV, através de uma recomendação prática de abril de 2008 [18], se utiliza
deste conceito e apresenta curvas para o cálculo de fadiga. Cada curva representa
uma classe de detalhes de solda; a classificação dos detalhes típicos para navios
pode ser encontrada no Apêndice A. A classificação do detalhe estrutural é baseada
na geometria da junta e na direção dominante do carregamento. Quando o
carregamento ou a geometria forem muito complexos para uma classificação simples,
então se deverá determinar o fator de concentração de tensão (SCF) através de uma
análise de elementos finitos.
Como em qualquer junta soldada, as trincas por fadiga podem se desenvolver
em vários lugares, como no pé da solda, em uma das duas partes conectadas, no final
das soldas e na solda em si; cada parte então deverá ser classificada separadamente.
Portanto, todas as possibilidades deverão ser definidas e poderão ser verificadas pela
definição da apropriada classe e correspondente variação de tensão.
Tabela 3.2 - Curvas S-N no Ar como ambiente – DNV-RP-C203 [18]
7

Curva
S-N

N≤10 ciclos
m1

B1
B2
C
C1
C2
D
E
F
F1
F3
G
W1
W2
W3
T

4,0
4,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0
3,0

15,117
14,885
12,592
12,449
12,301
12,164
12,010
11,855
11,699
11,546
11,398
11,261
11,107
10,970
12,164

7

Expoente de
espessura k

m2=5,0

Limite de
7
Fadiga em 10
ciclos

17,146
16,856
16,320
16,081
15,835
15,606
15,350
15,091
14,832
14,576
14,330
14,101
13,845
13,617
15,606

106,97
93,59
73,10
65,50
58,48
52,63
46,78
41,52
36,84
32,75
29,24
26,32
23,39
21,05
52,63

0
0
0,15
0,15
0,15
0,20
0,20
0,25
0,25
0,25
0,25
0,25
0,25
0,25
0,25 para SCF≤10,0
0,25 para SCF>10,0

N>10 ciclos

Concentração de
Tensões Associada ao
Detalhe Estrutural (classe
S-N)

1,00
1,13
1,27
1,43
1,61
1,80
2,00
2,25
2,50
1,00

As curvas S-N representam diversas classes de detalhes de solda, isto é, B (1
e 2), C, C(1 e 2), D, E, F, F(1 e 3), F2, G e W (1, 2 e 3), principalmente baseadas no
arranjo geométrico, nas cargas (tensões flutuantes) assim como nos métodos de
fabricação.

a regra de Palmgren-Miner é utilizada. Para aplicação desta hipótese. Esta regra estabelece que a vida total a fadiga em uma variedade de amplitudes duplas de tensão correspondem à soma ponderada das vidas calculadas para cada amplitude de tensão (∆S). A resistência à fadiga é expressa em termos do dano D (adimensional): j D=∑ i =1 ni .7 – Curvas S-N recomendadas pelo DNV [18] Para a quantificação da resistência à fadiga através das curvas S-N. A figura 3. Figura 3. a distribuição de amplitudes de tensão é substituída por um histograma composto por um número conveniente de blocos de amplitudes de tensões ∆Si e número de ciclos ni. curvas S-N recomendadas pelo DNV [18] para análise de fadiga. em função do tempo de exposição fracionária de cada ∆S. .73 Todas as curvas exibem uma variação da inclinação no ponto de N igual a 107 ciclos. Os valores relevantes dos vários parâmetros da Equação 3.8 para ambos os segmentos são dadas na Tabela 3. e Ni é o número de ciclos admissíveis para um determinado valor de amplitude de tensão.9) ni é o número de ciclos atuantes para um determinado valor de amplitudes de tensão. de acordo com as curvas S-N.2. onde: Ni (3.7 apresenta como exemplo.

74 Estimativa do Dano de Fadiga pela Regra de Paris O método tradicional de análise de fadiga. certas áreas podem ter variações de tensões elevadas devidas às transferências externas de cargas. portanto a soma do número de ciclos de nucleação. desde uma dimensão inicial a0 até uma dimensão crítica ac. O processo por fadiga pode ser considerado dividido em quatro fases. Segundo BRANCO [4]. no caso da mecânica da fratura. O número de ciclos de ruptura será. onde as curvas S-N são empregadas. a estrutura é projetada de acordo com seu desempenho. a duração da estrutura é definida pelo número de ciclos de propagação de um dado defeito. mais o de iniciação com o da propagação da trinca. A ruptura por fadiga é provocada pela nucleação e propagação de uma ou mais trincas que aparecem numa peça submetida a tensões dinâmicas. . ciclos de tensões aplicados e propriedades dos materiais para previsão do crescimento de trincas. tensões residuais. No caso de estruturas soldadas. o processo de iniciação até a ruptura final se verifica durante um período de tempo de uso. O processo de fadiga se dá de forma progressiva. indicadas a seguir: a) Nucleação da fenda b) Crescimento microscópico da trinca c) Propagação da trinca d) Ruptura Final A duração de uma peça à fadiga define-se geralmente pelo número de ciclos de aplicação da carga até a ruptura. estipula uma tensão admissível para um determinado tempo de vida a fadiga. A fadiga também é um fenômeno localizado. ou seja. com um fator de segurança. diferenciais de temperatura e imperfeições do material. variações bruscas de geometria (concentração de tensões). A Mecânica da Fratura procura definir relações quantificadas entre dimensões de defeitos.

12) Como: N ∑ (ΔS i =1 mf i ) mf = N S E (ΔS mf ) mf (3. onde Kf é o fator de concentração de tensões devido à geometria da solda e ΔS é a tensão nominal. O estudo da propagação de trincas de fadiga faz-se geralmente utilizando a relação entre a taxa de crescimento da trinca da/dN e a variação do fator de intensidades de tensão correspondente ao ciclo de carga.13) Temos: ∫ a (t ) a0 da = C N S E (ΔS mf ) mf . Y(a) é um fator geométrico do entalhe. O modelo se baseia na Lei de Paris-Erdogan. ΔSmf é o valor da amplitude de tensão que corresponde a tensão de ponto (hotspot). onde: (3.Kf. onde a taxa de crescimento da trinca por ciclo de tensão da/dN é descrita como: da = C ⋅ (ΔK ) mf . onde: mf (Y (a ) πa ) (3. Integrando-se a equação (3.10) mf e C são constantes do material e ΔK o fator de intensidade de tensões dado por: ΔK = Y (a) ⋅ ΔS mf πa . em função da dimensão a do entalhe.10) em ambos os lados temos: ∫ a (t ) a0 N da = C (ΔS mf i ) mf ∑ mf (Y (a ) πa ) i =1 (3. ΔK.14) . ΔSmf = ΔS. onde: dN (3.11) a é a dimensão da trinca.75 A mecânica da fratura linear elástica constitui a metodologia mais adequada para descrever quantitativamente a fase da propagação da trinca.

A equação (3. O Dano tolerável ou a vida mínima desejada devem estar de acordo com os requisitos de projeto da estrutura. a resistência mínima a fadiga é definida em termos do Dano (D) ou vida mínima desejada (L). e Ns – número total de ciclos esperados durante a operação da estrutura. pode ser considerada a aproximação dada por UEG/CIRIA (apud LOPES [19]): ⎛t ⎞ Y (a) = 0. onde já está embutido o fator Y(a).15) Este método permite adequação às condições ambientais e ao material através de ajustes nas constantes C e mef. muito antes de uma falha por ruptura do material (como por exemplo uma redução na rigidez do componente pode gerar níveis de deflexão inaceitáveis em critérios de projeto). onde ts é a espessura da chapa.10). pode ser aplicada diretamente a equação (3. onde terão influência o seu nível de redundância estrutural e as tensões . Para aproximação com base espectral.14) pode ser resolvida considerando-se um modelo de crescimento de trinca unidimensional. No caso do Dano tolerável. este será associado ao componente estrutural analisado. a(t) – dimensão da trinca em função do tempo. sendo necessária a consideração do efeito de propagação da trinca na variação de K. 35 . dependendo primariamente do método de avaliação empregado. Critérios de Aceitação A resistência a fadiga requerida pode ser especificada de várias formas. O fator Y(a) deve ser ajustado de acordo com a geometria da junta. (3. de modo que em determinados casos a estrutura deixa de cumprir com sua finalidade. Para Y(a). No caso do cálculo por elementos finitos.76 ao – dimensão inicial da trinca. para o cálculo da taxa de propagação. Neste caso. o valor de K (fator de intensidade de tensões) pode ser calculado diretamente.35⎜ s ⎟ ⎝a⎠ 0 .

de acordo com coeficientes de segurança adotados e demais critérios de aceitação. . ao longo da vida operativa da estrutura. A vida mínima desejada também pode variar. entre outros. Sendo que no primeiro caso é avaliada a velocidade (taxa) de propagação da trinca e o tempo. admitindo-se ou não reparos na estrutura avariada e a dificuldade envolvida na execução destes. Estes conceitos são válidos tanto para uma análise feita através das Regras de Paris quanto pelas Regras de Miner. antes que seja atingido um valor crítico ac. inaceitável segundo critérios de projeto.77 máximas que ocorrem no elemento.

elaborado para o cálculo dos fatores de intensidade de tensões. até que esta atinja um valor admissível.1 Introdução Como estudo de caso é apresentada a aplicação do método de análise a uma embarcação. Em seguida são apresentadas as características da região de operação e o espectro de mar considerado na análise. Será feito o cálculo do tempo de propagação de uma trinca existente em um dos componentes estruturais do navio. . É elaborado um modelo para análise de comportamento no mar de onde serão extraídos os dados calculados de esforços e acelerações atuantes na estrutura e regiões específicas do navio. considerado como 20 mm neste estudo. Estes dados são utilizados para a definição dos carregamentos e das condições de contorno aplicados ao modelo de elementos finitos. Primeiramente a embarcação é apresentada com suas características principais e um breve histórico para caracterização do tipo operação.78 4 ESTUDO DE CASO 4. A trinca inicial considerada (a0) é uma trinca superficial planar de 5 mm de comprimento. O cálculo do tempo de propagação é feito através dos conceitos da mecânica da fratura e da Regra de Paris. São também definidas as condições de carregamento consideradas.

Figura 4.Seção acrescentada ao casco (jumborização) . Figura 4.1 .2 .79 4.3 mostram a seção inserida para jumborização. para jumborização e inclusão de apêndices laterais (blisters).2 e 4. já com os apêndices laterais. As figuras 4.Vista de perfil da embarcação utilizada na análise O navio foi construído em na década de 1980 passando posteriormente por duas conversões. empregada como exemplo de aplicação do procedimento de análise. e o navio no dique para execução das alterações. é um navio utilizado para lançamento e recuperação de linhas flexíveis submarinas e construção submarina em campos petrolíferos offshore (Pipe Layer Vessel – PLV).2 Características da Embarcação Empregada na Análise A embarcação.

17 m Comprimento entre perpendiculares: 100.90 m Porte bruto: 3400 t Deslocamento leve: 5770 t Arqueação bruta: 7730 Arqueação líquida: 2320 Tripulação: 15 pessoas Pessoal industrial: 55 pessoas Velocidade: 10 nós .00 m Pontal moldado: 10.3 .80 Figura 4.00 m Calado máximo (moldado): 4.Seção sendo introduzida no dique para montagem Após as alterações executadas o navio ficou com as seguintes características principais: Comprimento total: 120.00 m Boca moldada: 21.

- Compartimentos das cestas de armazenamento de linhas e umbilicais. a embarcação sofreu jumborização através da introdução de uma nova seção de corpo paralelo.4.Subdivisão do casco do navio . - Compartimentos do propulsor e do impelidor de proa e tanques de água potável e industrial. A embarcação recebeu também acréscimos laterais (blisters) em ambos os bordos. para permitir um aumento da boca da mesma. - Tanques de lastro. - Compartimentos dos propulsores azimutais de ré. além de uma seção nova na popa para alojar o propulsor azimutal central de ré.81 Compartimentagem e Anteparas De acordo com o projeto de conversão.4 . - Praças de máquinas e tanques de óleo diesel. possui proa bulbosa e está subdividido através de anteparas de aço estanques nos seguintes compartimentos principais: - Tanque de colisão de vante. Figura 4. A subdivisão do casco e suas anteparas estanques estão indicadas na Figura 4. O casco da embarcação é inteiramente construído em aço soldado.

quando operam juntamente com os propulsores de ré. Para propulsão a embarcação utiliza somente os propulsores azimutais de ré. Deve ser ressaltado que na maior parte da vida operativa do navio. - 1 (um) propulsor azimutal retrátil a vante. sendo que os demais equipamentos são utilizados apenas para a manutenção da embarcação em posicionamento dinâmico (DP). Sistema de Propulsão A embarcação está equipada com propulsão do tipo diesel-elétrica e possui os seguintes propulsores azimutais e bow thrusters para propulsão e governo: - 1 (um) propulsor azimutal a ré com tubo Kort. Os propulsores são acionados cada um por um motor elétrico com 1400 kW de potência através de acoplamentos do tipo MCD. com tubo Kort. - Água potável: 100 m3 em 2 (dois) tanques. com hélice de quatro pás e passo fixo. O propulsor é acionado por um motor elétrico com 1500 kW de potência através de um acoplamento do tipo MCD. com hélices de quatro pás e passo fixo. . com hélices de quatro pás e passo controlável. Os impelidores são acionados cada um por um motor elétrico com 1000 kW de potência. - Lastro: 2400 m3 em 16 (dezesseis) tanques. - 2 (dois) impelidores de proa (bow thrusters). O propulsor é acionado por um motor elétrico com 800 kW de potência através de um acoplamento do tipo MCD. - 2 (dois) propulsores azimutais a ré com tubo Kort. Sistema de Governo Os propulsores azimutais e os impelidores de proa (bow thrusters) estão interligados ao sistema de posicionamento dinâmico (DP) existente a bordo. com hélice de quatro pás e passo fixo. - Água industrial: 350 m3 em 5 (cinco) tanques. ele opera em condição de posicionamento dinâmico (DP).82 A embarcação possui as seguintes capacidades em seus tanques: - Óleo diesel: 920 m3 em 10 (dez) tanques.

Máquinas Auxiliares A embarcação possui ainda as seguintes máquinas auxiliares: - 2 (dois) geradores de água doce.. sistemas hidróforos de água doce quente e fria. Região e Tipo de Operação Este navio opera atualmente na região da Bacia de Campos. com capacidade para 30 m3/dia. trocadores de calor.83 O sistema de DP utiliza os seguintes sistemas de referência: - Sistema a laser. - 2 (duas) caldeiras para uso da hotelaria. Estão também instalados a bordo compressores de ar com respectivas garrafas.Aguardando: momento em que a embarcação encontra-se aguardando instruções para movimentação. filtros.Navegando: operação onde é feito o deslocamento entre o porto e os campos de exploração ou entre campos de exploração. . . incluindo transponders portáteis para os ROVs. onde fica localizado o porto de operação e a região dos campos de exploração de petróleo.Carregando: quando o navio se encontra no porto recebendo a carga. bombas de óleo diesel e de óleo lubrificante. e . - agulhas giroscópicas. etc. - Sistema taut wire. bombas de lastro e esgoto. As condições de operação da embarcação podem ser resumidas em: . Na Figura 4. - Sistema hidroacústico HPR. - 1 (um) separador de água e óleo.5 bar. etc. e - sistemas DGPS (differential global positioning system). mantimentos e demais consumíveis. combustível. .Posicionamento Dinâmico: situação onde é feito o lançamento de linhas flexíveis e demais atividades relacionadas. nos litorais dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. como operação com ROV. com capacidade para 10 m3/dia. - 1 (um) sistema de tratamento de esgoto sanitário fabricado com capacidade para 10 m3/dia. purificadores de óleo diesel. aguada. bombas de água salgada e de circulação de água doce.5 pode ser observada a indicação da Cidade de Macaé. com pressão de trabalho de 3.

os 46% restantes.0 Posicionamento Dinâmico (DP) 77.Distribuição do Tipo de Operação do Navio no Tempo Condição de Operação Tempo Total em Velocidade Média na Operação (%) Condição (nós) Navegando 5. . fica subdividida de acordo com a Tabela 4. sendo rara esta condição. ao longo da vida operativa do meio.0 Carregando 9.51 0 A velocidade considerada não é a velocidade real.84 Na condição “Navegando”. entre campos. As ações ambientais devidas às cargas de ondas foram simuladas através da aplicação de seqüências de ondas que caracterizam o mar adotado.1 . em 54% do tempo a navegação é feita entre o porto e os campos. mas a relativa em relação ao mar.99 10.43 4.07 0 Aguardando (standby) 7.1. Tabela 4. Figura 4.Mapa da Bacia de Campos Nesta região o tipo de operação deste navio relacionada seu com o percentual de tempo.5 . considerando-se que este tempo está embutido na condição “Aguardando”. O tempo que o navio opera fundeado é desprezível. devido aos efeitos de onda e correnteza.

o espectro ISSC.4) . e • TZ = período de cruzamento zero. período e comprimento de onda.6 – Representação Gráfica do Espectro de Mar Adotado A cada instante de tempo é feita a divisão do espectro e os parâmetros relativos à altura.85 4.1107 (Hs) ⎜⎜ 5 ⎝f n 2 4 ⎛ f ⎞ ⎞⎟ ⎞ ⎛⎜ ⎟⎟e − 0.6. que é o mais utilizado para representar um estado de mar da costa brasileira. o espectro de Pierson Moskowitz modificado. H N = 2 2S n ( f n )Δ f Δf = f f + fi NDE f n = f n −1 + Δ n (4.3) (4. Em CHAKRABARTI [21].1) onde: f = 1.2) a (4. Figura 4. equações (4. dado por: ⎛ f4 S(fi) = 0.2) (4. onde havia maior concentração de energia. foram calculados ao longo da faixa do espectro selecionada.4427⎜⎜ ⎟⎟ ⎠ ⎜⎝ ⎝ f n ⎠ ⎟⎠ (4. mostrado na Figura 4. é apresentado como sendo derivado do espectro de Bretshneider.6).3 Características Ambientais e Espectro de Mar Adotado Segundo PINHO [20]. o ISSC.f0 f0 = 1/Tz O espectro utilizado está baseado nos parâmetros: • Hs = altura significativa.296.

86

Tn = 1 / f n

λn =

(4.5)

⎛ 2πd ⎞
gTn2
⎟⎟
tgh⎜⎜

⎝ λn ⎠

(4.6)

onde:
ff = freqüência final;
fi = freqüência inicial;
NDE = número de subdivisões do espectro, (neste cálculo igual a 50); e
∆f = intervalo de freqüência.
A tabela 4.2 apresenta a definição das condições de mar adotadas, cujos
dados de onda para fadiga, segundo uma abordagem estocástica, foram coletados na
Bacia de Campos dos Goytacazes, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, no período
de junho de 1985 a junho de 1986 [20].
Tabela 4.2 - Condições de Mar Consideradas

Condição
de Mar

Altura
Significativa
Hs (m)

Período de
cruzamento
em zero Tz (s)

1
2
3
4
5
6
7
8
9

0,75
1,25
1,75
2,25
2,75
3,25
3,75
4,25
4,75

5,24
5,27
5,77
6,26
6,89
7,72
7,89
8,20
9,00
Total

Número de
registros no
período de 3
horas
66
747
1137
572
256
95
23
19
5
2.920

Ocorrência
em um ano
medida em
segundos
712.800
8.067.600
12.279.600
6.177.600
2.764.800
1.026.000
248.400
205.200
54.000
31.536.000

% de
ocorrência
em um ano
2,26%
25,58%
38,94%
19,59%
8,77%
3,25%
0,79%
0,65%
0,17%
100%

Cabe ressaltar que uma representação correta do estado de mar onde o navio
opera é imprescindível para a obtenção de bons resultados na análise. Segundo,
ELZBIETA et al. [22], as maiores incertezas do carregamento na análise de fadiga são
provenientes da definição do estado de mar considerado.

87

4.4

Condições de Carregamento Consideradas
Podemos considerar que esta embarcação possui três condições de

carregamento que melhor caracterizam suas condições típicas de operação:
1 – Condição com carga máxima: todas as cestas carregadas, tanques
carregados e condição de partida (tanques de aguada, óleo diesel, óleo lubrificante
cheios, gêneros 100%)
Nesta condição o navio apresenta as seguintes características de flutuabilidade:
Deslocamento: 9175 t
Posição Longitudinal do Centro de Gravidade: 47,02 m da PR
Calado AV: 4,9 m
Calado AR: 4,9 m
Banda: 0 graus
Curva de Pesos e Empuxo em águas tranqüilas:

Figura 4.7 - Curva de Pesos, Flutuação, Momento Fletor e Cortante - Navio com carga máxima em águas
tranquilas

88

2 – Condição de operação em DP (dynamic positioning): cestas com 50% de
carga, tanques à 50%, exceto aqueles necessários para prover a estabilidade da
embarcação
Nesta condição o navio apresenta as seguintes características de flutuabilidade:
Deslocamento: 7700 t
Posição Longitudinal do Centro de Gravidade: 46,67 m da PR
Calado AV: 3,877 m
Calado AR: 4,411 m
Banda: 0 graus
Curva de Pesos e Empuxo em águas tranqüilas:

Figura 4.8 - Curva de Pesos, Flutuação, Momento Fletor e Cortante - Navio com 50% de carga em águas
tranquilas

89 3 – Condição de Navegação em Lastro: navio sem carga. exceto aqueles necessários para prover a estabilidade da embarcação Nesta condição o navio apresenta as seguintes características de flutuabilidade: Deslocamento: 6450 t Posição Longitudinal do Centro de Gravidade: 45. Momento Fletor e Cortante .122 m Banda: 0 graus Curva de Pesos e Empuxo em águas tranqüilas: Figura 4. pois esta condição melhor representa a situação do navio em maior parte do tempo de sua operação.814 m Calado AR: 4.45 m da PR Calado AV: 2.9 .Curva de Pesos. . tanques à 10%. Flutuação.Navio em condição de lastro em águas tranquilas Para este estudo será considerada a condição de carregamento 2. dentre as diversas condições típicas de carregamento da embarcação.

Tuck e Faltinsen. A velocidade de operação considerada na análise foi de 4 nós. a superfície do casco foi modelada e os dados relativos às condições de carregamento analisadas. foram inseridos no programa. tais como a distribuição de pesos. o navio opera próximo a esta velocidade em maior parte de sua vida operativa.5 Análise de Movimentos e Comportamento no Mar A análise de movimentos e comportamento no mar foi desenvolvida com o Programa MAXSURF [23]. Os valores hidrodinâmicos globais. Os princípios básicos desta teoria consistem em representar o navio por finitas fatias transversais para as quais as propriedades hidrodinâmicas são calculadas (Figura 4. A teoria linear das faixas (Linear Strip Theory) assume que os movimentos do navio são lineares e harmônicos e que a resposta do navio de heave e pitch.90 4. Para o cálculo dos movimentos e obtenção dos coeficientes hidrodinâmicos. Figura 4. inicialmente desenvolvida por Korvin-Kroukovsky e Jacobs e posteriormente modificada por Salvesen.10 – Representação esquemática do método numérico aplicado no programa MAXSURF – Teoria das Faixas A Teoria das Faixas também asssume as seguintes hipóteses: - O fluido não possui viscosidade – o amortecimento viscoso é desprezado. conforme exposto no item 4. são então calculados a partir da integração dos valores bi-dimensionais das fatias ao longo do navio. .10). para uma dada freqüência e velocidade. será proporcional à amplitude de onda. o Programa MAXSURF [23] utiliza a teoria das faixas (Strip Theory).1. Para tal. pois.

gerado no Programa MAXSURF [23]. para os cálculos de comportamento no mar. - O casco é perfeitamente rígido. Figura 4. de modo que as aproximações para águas profundas possam ser adotadas. - A profundidade é bem superior ao comprimento de onda.11 .Vista do fundo do casco do modelo para cálculo de comportamento no mar .11 e 4. aumento da importância do efeito de difração e a falta de continuidade do casco na linha d’água.91 - O navio é esbelto – comprimento bem superior que boca e calado.12 mostram a superfície do casco do modelo. e - A presença do casco não afeta as ondas (hipótese de Froude-Kriloff). Efeitos que provoquem não linearidades podem introduzir erros nos cálculos feitos através da Teoria das Faixas. efeitos tridimensionais de fluxo (velocidades altas). - Os movimentos são pequenos (ao menos lineares com a amplitude da onda). Para a resposta em mar irregular é assumido o princípio da superposição. - A velocidade é moderada não ocorrendo planeio. sendo a resposta composta pela contribuição das ondas regulares que compõem o espectro. tais como emersão ou imersão da proa e popa. As Figuras 4.

é desenvolvida uma análise estatística para se mapear as possíveis combinações de condições de carregamento. Os resultados desta análise foram calculados para ondas com amplitude entre 0.2.92 Figura 4. estado de mar e aproamento em relação às ondas.75 m e 4. assim como a freqüência e amplitude destas.12 . Através de um levantamento das informações sobre a operação do navio. Será considerada a situação de operação em Posicionamento Dinâmico (Tabela 4. para a condição de carregamento estudada será feita a análise do comportamento do navio em uma dada faixa de freqüências e amplitudes de onda. variando-se o ângulo de aproamento da embarcação com as ondas. para o ângulo de 0 graus de aproamento. O sistema de coordenadas utilizado no modelo respeita a orientação da figura 4.1) onde a embarcação navega a uma velocidade de 4 nós.13. Neste caso. ou de uma estimativa de como o navio deve atuar ao longo de sua vida operativa.75 m.Vista superior do convés do modelo para cálculo de comportamento no mar Conforme descrito no procedimento de análise. para exemplificarmos o procedimento. de acordo com as condições de mar apresentadas na Tabela 4. . para cada condição de carregamento deve ser desenvolvida uma análise de comportamento em ondas.

13 . As acelerações obtidas nesta análise serão utilizadas na definição dos carregamentos aplicados ao modelo de elementos finitos.Orientação do eixo de coordenadas empregado no modelo Os resultados calculados para o RAO. φ = 0 e φ = 0.14 – Onda com ângulo de fase φ = 0 . elaborado para o cálculo de tensões. os movimentos do navio e esforços calculados estão listados no Apêndice B.93 Figura 4.15 ilustram as situação de fase de onda. O momento fletor e esforço cortante também foram calculados para diferentes ângulos de fase quando o navio encontra-se exposto à ação da onda considerada.14 e 4. A figura 4. respectivamente. Figura 4.5. considerando-se uma variação de fase entre 0 e 1.

15 .94 Figura 4. é a borboleta de conexão entre o perfil longitudinal do convés superior e o prumo da antepara transversal entre os porões de ré e intermediário.Onda com ângulo de fase φ = 0. como exemplo de elemento tido como foco da análise de fadiga. Em um modelo completo de uma embarcação estes esforços podem ser obtidos diretamente a partir das reações resultantes das massas e cargas representadas no modelo e o empuxo gerado pela pressão aplicada ao chapeamento do casco. são aplicadas condições de contorno em suas extremidades que representem o momento fletor e cortante atuando nestas seções.6 Análise Estrutural em Elementos Finitos O componente estrutural empregado na análise. havendo registros de surgimento e propagação de trincas. 4.16 apresenta a posição deste elemento no arranjo estrutural do navio. para um modelo que represente um trecho da estrutura.5 Os esforços calculados podem ser utilizados para gerar as condições de contorno aplicadas ao modelo de elementos finitos. e foi escolhido por estar em uma região de atuação de grandes esforços. A figura 4. . No entanto.

sendo que o nível de detalhamento dos componentes estruturais é maior nas regiões que se apresentam como foco da análise.16 – Região da Estrutura – foco da Análise de Fadiga Para desenvolvimento desta análise foi elaborado um modelo em elementos finitos da estrutura do casco da embarcação.95 Figura 4. O modelo elaborado representa toda a estrutura do navio.17 representa a geometria do modelo do casco. A figura 4. . Para o cálculo de tensões e determinação dos valores dos fatores de intensidade de tensões (K) foi utilizado o programa ANSYS versão 11 [24].

Às extremidades de vante e ré desta seção do modelo. Neste modelo não foram consideradas condições de contorno de simetria. . Apesar de existir uma simetria geométrica da estrutura não há simetria em relação ao carregamento aplicado. representada nas figuras 4. na análise desta região será selecionada a região do modelo que representa os compartimentos a vante e a ré da antepara transversal apresentada na figura acima. foram aplicadas as condições de contorno obtidas a partir da análise de esforços do modelo global.18 e 4.17 – Modelo estrutural em Elementos Finitos – Geometria do Modelo Para redução do esforço computacional.19.96 Figura 4.

19 – Região da Estrutura selecionada para cálculo de Elementos Finitos .97 Figura 4.18 – Região da Estrutura selecionada para cálculo de Elementos Finitos Figura 4.

848E+02 2.83 -7.886E+03 1.35 4.158E+03 6.158E+03 7.158E+03 8.25 M.3 .668E+03 2. Flet.25 4.1 4.829E+10 4.25 2.207E+11 4.358E+02 2.45 4.472E+03 5.434E+10 0.060E+10 0.316E+10 0.377E+03 1.95 -7.867E+02 2.829E+02 2.924E+10 -1.867E+10 0.668E+11 4.131E+03 1.85 -6.101E+10 Cort.158E+03 6.226E+03 6.120E+10 0.924E+10 0.187E+11 3.25 1.98 A tabela a seguir apresenta os valores de momento fletor e cortante calculados: Tabela 4.33 4.316E+10 0.75 1.65 -5.218E+10 -1.668E+03 6.25 3.158E+03 6.965E+10 0.5 -8.030E+11 7.75 -5.226E+03 5.358E+10 0.131E+03 1.962E+03 -8.75 2.867E+02 1.139E+10 -1.75 3.131E+03 1. (N.167E+11 3.218E+10 -1. Flet.848E+09 1.131E+03 1.905E+10 -1.101E+10 0.226E+03 3.128E+11 4.75 -2.766E+03 Vante M.mm) 2.829E+10 0.630E+10 -1.063E+10 0.75 Fase 0-1 Ré 0.Momentos Fletores e Força Cortante nas extremidades de vante e ré do modelo Extremidade Onda H (m) 0.728E+10 0.867E+10 1.905E+03 1.622E+03 1.75 -3.25 3.226E+03 6.717E+03 6.25 3. (kN) (N.649E+10 0.139E+10 1.943E+02 .226E+03 6.177E+03 -6.8 -6.3 4.867E+02 2.mm) 7.275E+11 3.275E+03 6.867E+02 2.709E+10 0.924E+10 0.0 3. (kN) 4. Cort.158E+03 6.75 4.837E+03 1.218E+10 -1.120E+10 0.

assim como longitudinalmente. . A figura 4.99 As condições de carregamento aplicadas são provenientes do carregamento considerado na análise de comportamento no mar para cada amplitude e freqüência de onda considerada. excitadas pelas acelerações calculadas no centro de massa de cada carga (aproximado pelo centro geométrico da mesma). no ângulo de fase considerado. Pode ser observado o gradiente de pressões na direção vertical identificado em cores.20 mostra como exemplo a pressão hidrostática aplicada para uma onda de 3.cargas concentradas: resultantes de massas dos equipamentos e carga das bobinas de dutos flexíveis.21 apresenta em vermelho as resultantes deste carregamento. A figura 4. São elas: .pressão hidrostática: dimensionada para cada amplitude de onda.20 – Pressão hidrostática aplicada ao casco – N/mm2 .25 m de amplitude e o ângulo de fase 0. Figura 4.

75 m de amplitude.22 apresenta a carga distribuída sobre o convés de trabalho e a pressão hidrostática aplicada para uma onda de 0. Figura 4.22 – Carga Distribuída e Pressão hidrostática aplicada ao casco – N/mm2 .100 Figura 4. A figura a 4.cargas distribuídas: resultantes de massas de carga distribuída sobre o convés de trabalho a 12650 mm da linha de base.21 – Cargas concentradas aplicadas ao modelo .

). conveses. hastilhas. Os elementos de casca (SHELL63) foram empregados na modelagem de chapeamentos (casco.23 mostra elementos de chapeamento cujas espessuras são representadas por cores diferentes e elementos de viga. que se encontram afastados da região onde está o foco da análise. etc. perfis secundários. Tabela 4. A figura 4. de casca e elementos sólidos tridimensionais. apresentados na tabela 4.) e elementos primários da estrutura (cavernas gigantes.4 .101 - aceleração do casco: aceleração gravitacional somada à calculada devido aos movimentos do navio A malha de elementos finitos foi elaborada com elementos de viga. anteparas. Também foram utilizados elementos de viga (BEAM4) para a transmissão de carregamento de componentes considerados rígidos. sicordas.4. tais como os guinchos e as bobinas de dutos flexíveis. longarinas. etc.Espessuras de chapeamento representadas na figura Azul claro: 8 mm Verde: 14 mm Lilás: 9 mm Amarelo: 20 mm Vermelho: 10 mm Azul marinho: 30 mm Azul escuro: 11 mm Rosa: 40 mm . A estes elementos é associada à informação da espessura de cada região do chapeamento. Os elementos de vigas (BEAM188) foram utilizados para representar componentes estruturais secundários.

A Figura 4.24 apresenta a geometria dos elementos estruturais desta região modelados.23 – Modelo estrutural em Elementos Finitos – Representação das Espessuras do Chapeamento Os elementos sólidos (SOLID186) foram empregados nas regiões em que se deseja um maior detalhamento da geometria.102 Figura 4. . no elemento estrutural que está sendo verificado e estruturas adjacentes. até onde é possível se fazer a transição para o elemento de casca.

cuja malha é gerada com o elemento BEAM188.103 Figura 4. Estes elementos são conectados aos elementos de casca (SHELL63). através de nós coincidentes. Desta forma. cuja seqüência deve estar de acordo com a Figura 4.6. posicionados no meio da espessura das chapas representadas.24 – Detalhe da Estrutura Analisada – Modelo Sólido 3D Os elementos de viga. A trinca considerada na análise também é modelada.25. que representam o chapeamento. O programa ANSYS [24] desenvolve uma análise linear elástica e são consideradas as hipóteses de material homogêneo e isotrópico na região da trinca. são representados a partir das características geométricas dos perfis longitudinais do navio. A linha neutra do elemento deve estar adequadamente posicionada. A conexão dos elementos sólidos com os elementos de casca é feita através dos nós. Para o cálculo de K (fator de intensidade de tensões) devem ser fornecidos ao programa os nós dos elementos que definem o contorno da trinca. de modo a representar com precisão as propriedades de rigidez do painel composto pelas vigas e chapas. apresentado no item 3. pode ser utilizado um artifício de acoplamento casca-sólido. . para redução da concentração de tensões nestes nós.

5 mm. azul marinho e verde. encontrando-se no ponto de propagação da trinca (crack tip). onde são identificados. As superfícies nesta região estão desunidas.25 – Definição do contorno da trinca O modelo desenvolvido representa toda a trinca. O tamanho médio da aresta do elemento sólido nesta região é inferior a 0. é mais fácil a definição dos nós que identificam a trinca.26 apresenta esta célula. os trechos de trinca com os tamanhos de 5. não se utilizando de condições de contorno de simetria. O tamanho da aresta dos elementos junto à região da trinca foi alterado.26 – Detalhe do modelo na região da trinca . Para a região da trinca foi elaborada uma célula contendo a trinca.104 Figura 4. Figura 4. até que os resultados não apresentassem variação significativa (inferior a 1%). 10 e 15 mm respectivamente. A figura 4. Desta forma. nas cores vermelha.

necessário para o cálculo de K pelo programa ANSYS [24]. em Joules. Assumindo-se 20J para Cv e 9 mm de espessura de chapa temos: KIC= 63. De acordo com a norma BS 7910 [25].27 pode-se observar a célula que contém a trinca inserida no modelo. 25 ]+ 20 .105 Na figura 4. o valor de KIC pode ser aproximado pela seguinte expressão: [( ) K IC = 12 Cv − 20 (25 / B ) 0 . Figura 4.5 MPa. e Cv = energia obtida do ensaio Charpy V-notch. assumindo-se um estado plano de tensões para o cálculo de K. Este recurso de modelagem também foi útil para o alinhamento da trinca com o eixo X do sistema de coordenadas. onde B = espessura da chapa em milímetros.m1/2 .27 –Região da trinca inserida em elemento estrutural Nesta análise foi considerada a hipótese de chapa fina.

m1/2 7.268 9. Com estes valores.689 9.6 e 4.657 1.693 8. para cada ângulo de fase.490 .664 1. são calculados os respectivos valores de ΔKI. 10 mm e 15 mm. utilizados para o cálculo de fadiga apresentado no item seguinte.5 .919 1.741 9.214 9.710 9. Os valores de K foram calculados para a condição de carregamento adotada nas condições de mar representativas do espectro na região de operação do navio.186 9. de cada freqüência e amplitude de onda analisada.106 A partir deste valor de Kic e assumindo-se 235 MPa como a tensão de escoamento do aço desta estrutura. a hipótese de estado plano de tensões é válida. Variando-se o ângulo de fase pretende-se obter o valor máximo e mínimo do fator de intensidade de tensões (KImax e KImin).7 apresentam os valores de KI e ΔKI calculados para trincas com comprimento inicial de 5 mm.Valores de K e ∆K para trinca de 5 mm em Condição de Mar 1 KI (min) 2 3 4 5 6 7 8 9 MPa. Tabela 4. obtendo-se que até uma espessura de 182 mm.707 1.493 8. respectivamente.355 1. podemos aplicar a equação (2.224 9.479 KI (max) 8.393 7.49).773 ∆K 1.471 8. As tabelas 4. 4.179 1.226 9.439 7. Os resultados obtidos a partir da análise por elementos finitos são os valores de KI.494 8.294 7.103 1.762 1.614 8.5.

393 5 11.Valores de K e ∆K para trinca de 10 mm em MPa.630 13.842 7 14.733 2.222 Tabela 4.857 3 14.127 2.581 2.173 3 11.810 9 14. o tamanho da trinca inferior a 10% da largura da chapa é um requisito para que seja valida a hipótese de chapa infinita.7 Condição de Mar 1 KI (min) 13.Valores de K e ∆K para trinca de 15 mm em MPa.056 5 14.7 .762 2.292 13.707 13. O limite para ac de 20 mm corresponde à menos de 10% da seção da peça analisada.079 18.615 ∆K 1.135 3.838 2.739 17.294 7 11.883 2.154 8 11. a vida em fadiga calculada será o tempo que a trinca leva se propagando do tamanho inicial considerado de 5 mm até o tamanho de 20 mm.m1/2 4.588 13.766 14.776 2.642 13.089 9 10.698 KI (max) 12.916 2 10.730 2. Segundo BASTIAN.876 13.395 2 13.047 16.828 6 14.995 13.325 KI (max) 15.586 2. .920 16.6 .783 2.776 17. Portanto.107 Tabela 4.265 17.905 17.098 2.m1/2 Condição de Mar 1 KI (min) 10.862 4 15.942 8 14.160 2.791 Cálculo da Vida em Fadiga pela Mecânica da Fratura O critério de aceitação da estrutura será um dano admissível de 20 mm para o tamanho máximo da trinca na estrutura analisada.168 2.820 17.236 4 11.274 6 11.981 2.528 2.720 ∆K 2.

A partir dos valores de ΔK obtidos da análise por elementos finitos.0092 3.108 Conforme descrito no item anterior.25 8.0007 8 4.493 0.25 5.26% 2 1.00% 0.89 23 249134 0.494 0.8.27 747 8066909 3 1.25 6.0029 7 3.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.471 0. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) 1 0. Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano Cond.26 5 2.59% 986885 1. a taxa (velocidade) de propagação da trinca é calculada para cada faixa considerada e em seguida.75 5. 4.75 7.77% 401409 1.10 apresentam a velocidade de propagação calculada para cada trecho considerado desta forma.0617 572 6177902 19.79% 31576 1.24 66 712714 2. sob as condições de mar e carregamento consideradas. a trinca foi modelada em diversos tamanhos.0331 6. Primeiramente foi considerado um ambiente não agressivo para aços ferríticoperlíticos.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 1.58% 1530723 1.9 e 4. sendo que os valores de C e mf considerados nos cálculos foram 6.9E-12 (m/ciclo) e 3 respectivamente [2].0285 12280118 38.393 0.94% 2128270 1.0020 25. os valores de K e ΔK foram recalculados ao longo da propagação da trinca.17% 2920 31536000 100. Ou seja.77 1137 4 2.439 0.65% 24998 1.75 5. Para os cálculos da velocidade de propagação foi aplicada a equação (3.0001 0.89 256 2765707 8. até atingir o limite máximo admissível. Tabela 4.614 0.294 0.1389 .490 Total a0 = 5 mm C= 6.75 9 5957 1.693 0.72 95 1024920 3.8 – Propagação da trinca para a0=5 mm em ar seco.25% 132762 1.25 7.0005 9 4. As tabelas 4.2 19 204984 0. o tempo que levaria para que esta atinja o seu tamanho crítico.90E-12 m/ciclo mf = 3 5 53611 0.10).

75 5. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) 1 0.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.27 747 8066909 3 1.10 – Propagação da trinca para a0=15 mm em ar seco.25 6.0022 9 4.334 0.75 5.25% 132762 2.25 5.24 66 712714 2.056 0.393 0.75 9 5 53611 0.75 9 5957 2.8916 .791 Total a0 = 15 mm C= 6.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.65% 24998 2.77 1137 4 2.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 2.26 5 2.77% 401409 2.00% 0.828 0.0009 0.810 0.00% Total a0 = 10 mm C= 6.65% 24998 2.17% 2920 31536000 100.94% 2128270 2.59% 986885 3.75 5.27 747 8066909 3 1.59% 986885 2.2462 12280118 38.942 0.0117 7 3.3442 572 6177902 19.857 0.25 7.26% 2 1.89 23 249134 0.58% 1530723 2.0934 6.354 0.0028 8 4.0129 25.2 19 204984 0.395 0.77 1137 4 2.17% 5957 2.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 1. Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano Cond.173 0.25 8.0055 8 4. Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano Cond.0066 25.24 66 712714 2.79% 31576 2.1642 572 6177902 19.0210 7 3.319 0.25 6.26% 2 1.89 256 2765707 8.77% 401409 2.75 7.0627 3.222 0.0370 3.90E-12 m/ciclo mf = 3 5 53611 0.9E-12 m/ciclo mf = 3 0.1084 12280118 38.2 19 204984 0.89 23 249134 0.862 0.25 7.72 95 1024920 3.26 5 2.58% 1530723 2.4267 Tabela 4.25% 132762 2.0038 9 4.109 Tabela 4.842 0.25 8.9 – Propagação da trinca para a0=10 mm em ar seco. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) 1 0.236 0.94% 2128270 2.25 5.72 95 1024920 3.1944 6.75 7.89 256 2765707 8.0005 2920 31536000 100.916 0.374 0.79% 31576 2.75 5.

dada por: .494 0.24 66 712714 2.490 0.13 apresentam a velocidade de propagação calculada para cada trecho considerado em ambiente marinho.12 e 4.26% 2 1. A norma BS 7910 [25] recomenda os seguintes valores de C e mf para ambientes marinhos: C = 2.11 – Propagação da trinca para a0=5 mm em meio agressivo de ambiente marinho.tempo de 15 mm a 20 mm: 5/0.001 2920 31536000 100.89 256 2765707 8.tempo de 5 mm a 10 mm: 5/0.4639 .tempo de 10 mm a 15 mm: 5/0.493 0.349 6.0 anos .301 12280118 38.25 5.25 6. e mf = 3.25% 132762 1.79% 31576 1.393 0.021 25.4267 = 11.3 anos.6 anos Tempo total de 5 a 20 mm = 53.471 0.59% 986885 1.17% 5957 1. Cond.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 1.77 1137 4 2.58% 1530723 1.00% Total a0 = 5 mm C= 2. As tabelas 4.1389 = 36.89 23 249134 0.75 7.3E-12. Tabela 4.94% 2128270 1.614 0. com a presença de umidade e sal (NaCl).005 9 4.7 anos .25 8. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano 1 0.097 3.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.8916 = 5.2 19 204984 0.294 0.75 5.008 8 4. 4.110 O tempo para que a trinca atinja 20 mm será equivalente à soma do tempo de propagação em cada trecho. Aproximadamente 53 anos e 3 meses.26 5 2.3E-12 para K em N/mm mf = 3 1/2 1.25 7. para K em N/mm1/2.11.75 9 5 53611 0.650 572 6177902 19.75 5. Pode ser observado um aumento na taxa de propagação em relação à propagação no ar seco.72 95 1024920 3.439 0.27 747 8066909 3 1.65% 24998 1.693 0.031 7 3.77% 401409 1. Em seguida foi considerado o meio agressivo de ambientes marinhos.

72 95 1024920 3.58% 1530723 2.27 747 8066909 3 1.049 6.94% 2128270 2.75 9 5 53611 0.65% 24998 2.26% 2 1.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 1.59% 986885 2.25 8.75 5.595 12280118 38.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.173 1.12 – Propagação da trinca para a0=10 mm em meio agressivo de ambiente marinho.26% 2 1.391 3.77% 401409 2.26 5 2.25 7.810 0.3E-12 mf = 3 Total 4.862 3.374 0.25 6.75 7.123 7 3.79% 31576 2.842 0.94% 2128270 2.791 0.25% 132762 2.25 5.89 23 249134 0.17% 5957 2.26 5 2.72 95 1024920 3.75 5.89 256 2765707 8.143 12280118 38. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) 1 0.942 0.77% 401409 2.58% 1530723 2.056 2.393 0.040 9 4.628 572 6177902 19.111 Tabela 4.3E-12 mf = 3 mm para K em N/mm 1/2 9.319 0.058 8 4.4981 mm para K em N/mm 1/2 Tabela 4. Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano Cond.75 5.731 572 6177902 19.13 – Propagação da trinca para a0=15 mm em meio agressivo de ambiente marinho.79% 31576 2.00% a0 = 10 C= 2.75 5.222 0.236 1.00% Total a0 = 15 C= 2.395 0.857 2.25 5.89 23 249134 0.2 19 204984 0.75 6 ∆K Calculado em Cada Condição 1/2 (MPa.27 747 8066909 3 1.661 3.24 66 712714 2.89 256 2765707 8.984 6.222 7 3.75 7.17% 5957 2.25 6.25 7.77 1137 4 2.030 8 4.77 1137 4 2.828 0.023 9 4.009 2920 31536000 100.65% 24998 2.59% 986885 3.m ) Contribuiçã o para o cresciment o da trinca (mm/ano) 136014 2.25% 132762 2. de Mar Altura Signific ativa Hs (m) Período de cruzamen to em zero Tz (s) 1 0.2 19 204984 0.3980 . Número de registros no período de 3 horas Ocorrênci a em um ano medida em segundos % de ocorrênci a em um ano Número de Ciclos na Condiçã o por Ano Cond.354 0.136 25.25 8.005 2920 31536000 100.916 0.75 9 5 53611 0.070 25.334 0.24 66 712714 2.

tempo de 10 mm a 15 mm: 5/4. Aproximadamente 5 anos e 18 dias.46 = 3. o ar está carregado de umidade e salinidade. será de: . As demais condições de carregamento e formas de operação da embarcação devem ser consideradas para a obtenção de um resultado mais preciso em relação à taxa de propagação da trinca calculada.11 anos .98 = 1.39 = 0. enquanto que para meio agressivo em ambiente marinho este valor é considerado como zero.05 anos. Neste caso.m1/2. O tempo calculado de 5 anos e 18 dias se refere ao tempo obtido quando considerada a taxa de propagação da trinca nas condições de carregamento e operação adotadas para exemplificar o procedimento de análise.tempo de 15 mm a 20 mm: 5/9. Deve se ressaltar que segundo a norma BS 7910 [25]. o valor de ∆K mínimo para que haja propagação em ambiente não agressivo é de 2 MPa.tempo de 5 mm a 10 mm: 5/1. pois mesmo que a estrutura não se encontre diretamente em contato com a água do mar. . devemos considerar os resultados em meio agressivo.53 anos Tempo total de 5 a 20 mm = 5.112 O tempo para que a trinca atinja 20 mm.41 anos .

5. item 5. Estes pontos estão ressaltados nas sugestões para trabalhos futuros. Esta informação serve como subsídio para o planejamento do intervalo entre inspeções ou para identificação de regiões da estrutura vulneráveis ao fenômeno de fadiga.2 Considerações Finais O procedimento de análise aqui descrito possui como uma de suas principais características a flexibilidade para absorção de métodos que venham a aprimorá-lo. podendo-se avaliar a criticidade do defeito. Através dos resultados obtidos a partir do método de análise empregado é possível calcular-se a velocidade de propagação de uma trinca. O método aplicado da forma apresentada possui pontos a serem aperfeiçoados. principalmente no que diz respeito às incertezas e às aproximações envolvidas em sua aplicação.3. possibilitando uma otimização da estrutura em uma fase de projeto. O estudo de caso desenvolvido demonstra a exequibilidade do método proposto.1 Conclusões obtidas O trabalho cumpre com seu objetivo inicial de apresentar um procedimento de análise de fadiga para estruturas oceânicas. .113 5 CONCLUSÕES 5. demonstrando a aplicação das principais etapas do procedimento de análise. cuja demanda de fadiga tem sua origem nas excitações provocadas pelas ondas do mar. ou adequá-lo à aplicação a casos específicos.

realizada através de inspeções e ensaios não destrutivos. .Estudo experimental. de acordo com a situação de operação da estrutura ou componente estrutural em foco. através do acompanhamento de trincas detectadas em estruturas em operação. que constituem uma fonte de incerteza do método de análise. A comparação dos resultados obtidos desta forma contribuiria para identificação da influência destes aspectos. com várias inspeções realizadas em intervalos capazes de mapear o crescimento das trincas e registrar o tipo de operação realizada pela embarcação: velocidade. procurando-se generalizar a qualidade dos resultados obtidos. tais como.Aplicação do procedimento de análise a outros componentes típicos de estruturas oceânicas.3 Sugestões para Trabalhos Futuros Como sugestão para trabalhos futuros pode-se citar: . o fenômeno de fechamento de trinca. deve ser assumido um valor para a trinca inicial (a0). tipo de carregamento. estado de mar. de acordo com os métodos de inspeção empregados. possuindo maior ou menor relevância. buscando uma correlação com o procedimento de análise. etc. Este estudo requer uma programação elaborada. Uma consideração precisa da influência do meio é importante para a qualidade dos resultados obtidos.114 O procedimento de cálculo de vida a fadiga é altamente dependente da avaliação das dimensões da trinca. 5. Alguns aspectos da análise de fadiga de estruturas não foram aplicados no estudo de caso apresentado. uma vez que o tempo de acompanhamento deve ser longo (meses ou anos). Para se desenvolver uma análise através da mecânica da fratura. . sem que tenha sido detectada uma trinca. quando considerados. A consideração destes contribui para o refinamento da análise. A partir da observação dos resultados obtidos fica evidenciada a influência do meio agressivo no fenômeno de propagação de trincas.

.115 . e consideração do efeito de plastificação na ponta da trinca no crescimento da mesma. .Estudo para consideração da hipótese de fadiga de baixo ciclo.Estudos para consideração da influência nos resultados obtidos do fenômeno de fechamento de trinca e da alteração da seqüência de carregamentos aplicados à estrutura. em estruturas que apresentem regiões com valores de tensão elevada.

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119 APÊNDICE A TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS DETALHES ESTRUTURAIS – DNV 2008 [18] Tabela A. .1 – Detalhes sem solda.

2 – Conexões rebitadas .120 Tabela A.

3 – Solda continua paralela à direção da tensão aplicada .121 Tabela A.

3 – Solda continua paralela à direção da tensão aplicada (continuação) .122 Tabela A.

.123 Tabela A.4 – Soldas intermitentes e em escalopes.

124 Tabela A. soldada por ambos os lados .5– Soldas de topo transversais.

125 Tabela A.5– Soldas de topo transversais. soldada por ambos os lados (continuação) .

5– Soldas de topo transversais. soldada por ambos os lados (continuação) .126 Tabela A.

127 Tabela A. soldada por apenas um lado .6– Soldas de topo transversais.

128 Tabela A.7– Juntas soldadas na superfície ou aresta de um componente estrutural tensionado .

) .129 Tabela A.7– Juntas soldadas na superfície ou aresta de um componente estrutural tensionado (cont.

130 Tabela A.) .7– Juntas soldadas na superfície ou aresta de um componente estrutural tensionado (cont.

131 Tabela A.8 – Juntas soldadas com carregamento aplicado sobre as soldas .

8– Juntas soldadas com carregamento aplicado sobre as soldas (continuação) .132 Tabela A.

8– Juntas soldadas com carregamento aplicado sobre as soldas (continuação) .133 Tabela A.

134 Tabela A.9– Seções vazadas .

135 Tabela A.9– Seções vazadas (continuação) .

9– Seções vazadas (continuação) .136 Tabela A.

137 Tabela A.10– Detalhes relacionados a componentes tubulares .

138 Tabela A.10– Detalhes relacionados a componentes tubulares (continuação) .

Figura B.1 – RAO calculado para velocidade de 4 nós e 0 graus em relação à incidência de ondas.1 – Representação gráfica do RAO calculado .139 APÊNDICE B RESULTADOS DO PROGRAMA MAXSURF [23] RAO – Response Amplitude Operator Tabela B.

140 ONDA DE AMPLITUDE DE 0.2 – Resumo dos resultados para onda de 0.75 m de amplitude .75 m Tabela B.

141 .

3 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 0.142 Tabela B.75 m de amplitude Figura B.2 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 0.75 m de amplitude .

Curva de Pesos.25 Figura B. Φ = 0.3 . Momento Fletor e Cortante – Onda de 0.Curva de Pesos. Flutuação.75 m de amplitude.4 . Flutuação.143 Esforços Longitudinais Figura B. Φ = 0.75 m de amplitude.75 . Momento Fletor e Cortante – Onda de 0.

4 – Resumo dos resultados para onda de 1.25 m Tabela B.144 ONDA DE AMPLITUDE DE 1.25 m de amplitude .

145 .

146 Tabela B.5 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1.25 m de amplitude Figura B.5 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1.25 m de amplitude .

7 .Curva de Pesos. Flutuação. Momento Fletor e Cortante – Onda de 0. Φ = 0.25 m de amplitude.Curva de Pesos.6 .25 Figura B. Momento Fletor e Cortante – Onda de 1.75 . Flutuação.147 Esforços Longitudinais Figura B. Φ = 0.75 m de amplitude.

6 – Resumo dos resultados para onda de 1.75 m Tabela B.75 m de amplitude .148 ONDA DE AMPLITUDE DE 1.

149 .

8 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1.7 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 1.75 m de amplitude .75 m de amplitude Figura B.150 Tabela B.

65 .Curva de Pesos. Momento Fletor e Cortante – Onda de 1.151 Esforços Longitudinais Figura B. Φ = 0.Curva de Pesos.10 .10 Figura B.9 . Φ = 0. Flutuação. Flutuação.75 m de amplitude. Momento Fletor e Cortante – Onda de 1.75 m de amplitude.

8 – Resumo dos resultados para onda de 2.152 ONDA DE AMPLITUDE DE 2.25 m Tabela B.25 m de amplitude .

153 .

9 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2.154 Tabela B.25 m de amplitude .25 m de amplitude Figura B.11 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2.

12 .Curva de Pesos.25 m de amplitude. Φ = 0.25 m de amplitude. Flutuação.5 .Curva de Pesos. Flutuação.155 Esforços Longitudinais Figura B. Momento Fletor e Cortante – Onda de 2. Momento Fletor e Cortante – Onda de 2. Φ=0 Figura B.13 .

75 m de amplitude .10 – Resumo dos resultados para onda de 2.156 ONDA DE AMPLITUDE DE 2.75 m Tabela B.

157 .

75 m de amplitude .14 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2.158 Tabela B.75 m de amplitude Figura B.11 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 2.

Momento Fletor e Cortante – Onda de 2. Φ = 0. Flutuação. Flutuação.45 Figura B.Curva de Pesos.159 Esforços Longitudinais Figura B.Curva de Pesos. Momento Fletor e Cortante – Onda de 2.15 .95 .75 m de amplitude. Φ = 0.16 .75 m de amplitude.

25 m de amplitude .12 – Resumo dos resultados para onda de 3.160 ONDA DE AMPLITUDE DE 3.25 m Tabela B.

161 .

13 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.25 m de amplitude Figura B.25 m de amplitude .17 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.162 Tabela B.

25 m de amplitude. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3.Curva de Pesos. Φ = 0.25 m de amplitude. Flutuação. Φ = 0.19 .85 . Flutuação.Curva de Pesos.163 Esforços Longitudinais Figura B.35 Figura B.18 . Momento Fletor e Cortante – Onda de 3.

14 – Resumo dos resultados para onda de 3.75 m de amplitude .75 m Tabela B.164 ONDA DE AMPLITUDE DE 3.

165 .

75 m de amplitude Figura B.166 Tabela B.15 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.75 m de amplitude .20 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 3.

Curva de Pesos. Flutuação.75 m de amplitude. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3.21 . Φ = 0.75 m de amplitude.83 .Curva de Pesos. Φ = 0.167 Esforços Longitudinais Figura B.33 Figura B.22 . Flutuação. Momento Fletor e Cortante – Onda de 3.

25 m Tabela B.25 m de amplitude .16 – Resumo dos resultados para onda de 4.168 ONDA DE AMPLITUDE DE 4.

169 .

170 Tabela B.23 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.25 m de amplitude Figura B.25 m de amplitude .17 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.

30 Figura B.Curva de Pesos. Momento Fletor e Cortante – Onda de 4.25 m de amplitude.25 .Curva de Pesos. Momento Fletor e Cortante – Onda de 4.80 .25 m de amplitude. Φ = 0.24 .171 Esforços Longitudinais Figura B. Flutuação. Flutuação. Φ = 0.

75 m Tabela B.18 – Resumo dos resultados para onda de 4.172 ONDA DE AMPLITUDE DE 4.75 m de amplitude .

173 .

75 m de amplitude .75 m de amplitude Figura B.26 – Representação gráfica do espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.19 – Espectro do centro de gravidade (CG) para onda de 4.174 Tabela B.

27 .Curva de Pesos. Flutuação.75 m de amplitude. Φ = 0. Flutuação.25 Figura B.75 m de amplitude. Momento Fletor e Cortante – Onda de 4.75 .175 Esforços Longitudinais Figura B.28 .Curva de Pesos. Momento Fletor e Cortante – Onda de 4. Φ = 0.