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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CURSO DE DOUTORADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
DISCIPLINA DE SEMINÁRIO TEMÁTICO I
DOCENTE: PROFª. LORE FORTES
DISCENTE: RUAN FERNANDES DA SILVA
TRABALHO SOBRE O LIVRO A MISÉRIA DO MUNDO: uma análise metodológica
do texto A violência na instituição

1. A ENTREVISTA
Quanto à formulação das questões o pesquisador deve ter cuidado para não
elaborar perguntas absurdas, arbitrárias, ambíguas, deslocadas ou tendenciosas. As
perguntas devem ser feitas levando em conta a sequência do pensamento do pesquisado,
ou seja, procurando dar continuidade na conversação, conduzindo a entrevista com um
certo sentido lógico para o entrevistado. Para se obter uma narrativa natural muitas
vezes não é interessante fazer uma pergunta direta, mas sim fazer com que o pesquisado
relembre parte de sua vida. Para tanto o pesquisador pode muito bem ir suscitando a
memória do pesquisado (BOURDIEU, 1999).
Ao seguir as orientações de Bourdieu os pesquisadores desenvolveram:
o A aplicação das questões acompanha um roteiro narrativo desenvolvido pelo
próprio entrevistado em seu relato;
o As questões procuram pontuar temáticas abordadas no decorrer do relato;
o O entrevistador tenta guiar o entrevistado para a identificação dos esteriótipos da
violência caracterizada nos jovens e alunos do colégio
o O entrevistado repetiu várias vezes a expressão no final de algumas declarações:
“... mas eu não estou me queixando, mas sim apenas contando para vocês”. Uma
preocupação no mínimo estranha diante de suas confidências.
o Questionário apresentado como um instrumento metodológico de HISTÓRIA
DA VIDA;
 O entrevistador chega a questionar o entrevistado com uma afirmação
contundente: “Duvido que se encontre uma solução precisamente de
ordem social...”.

2. A ESCOLHA DO MÉTODO

3. A ESCOLHA DAS PESSOAS PARA A PESQUISA Para se obter uma boa pesquisa é necessário escolher as pessoas que serão investigadas. o pesquisador não necessita seguir um método só com rigidez. O pesquisador deve fazer tudo para diminuir a violência simbólica que é exercida através dele mesmo.Em primeiro lugar Bourdieu (1999) indica que a escolha do método não deve ser rígida mas sim rigorosa. Bourdieu (1999) cita que os pesquisados mais carentes geralmente aproveitam essa situação para se fazer ouvir. na medida do possível. acenos de cabeça. o pesquisador deve descer do pedestal cultural e deixar de lado momentaneamente seu capital cultural para que ambos. FALAR A MESMA LÍNGUA DO ENTREVISTADO O autor aconselha. mas qualquer método ou conjunto de métodos que forem utilizados devem ser aplicados com rigor. ou seja. essa relação. levar para os outros sua . sendo que. A LINGUAGEM DOS SINAIS Durante a entrevista o pesquisador precisa estar sempre pronto a enviar sinais de entendimento e de estímulo. ou seja. 4. pesquisador e pesquisado possam se entender. olhares e também sinais verbais como de agradecimento. Se isso não acontecer provavelmente o pesquisado se sentirá constrangido e a relação entre ambos se tornará difícil. quando existe uma certa familiaridade ou proximidade social entre pesquisador e pesquisado as pessoas ficam mais à vontade e se sentem mais seguras para colaborar. na medida do possível estas pessoas sejam já conhecidas pelo pesquisador ou apresentadas a ele por outras pessoas da relação da investigada. 5. com gestos. O pesquisado deve notar que o pesquisador está atento escutando a sua narrativa e ele deve procurar intervir o mínimo possível para não quebrar a seqüência de pensamento do entrevistado. falar a mesma língua do pesquisado. Dessa forma. A entrevista deve proporcionar ao pesquisado bem-estar para que ele possa falar sem constrangimento de sua vida e de seus problemas e quando isso ocorre surgem discursos extraordinários. Isto irá facilitar muito essa troca. de incentivo.

precisa-se estar atento e atencioso com o informante. Além disso. Neste caso pode-se até dizer que seja uma auto-análise provocada e acompanhada. sua condição social e quais os condicionamentos dos quais o pesquisado é o produto. ou seja. ele pode incorporar o personagem que ele acha que o pesquisador quer . ao realizar o relatório da pesquisa é dever do pesquisador se esforçar ao máximo para situar o leitor de que lugar o entrevistado fala. constrangimento. isto é. construírem seu próprio ponto de vista sobre eles mesmos e sobre o mundo. 7. O pesquisador não pode esquecer que cada um dos pesquisados faz parte de uma singularidade. Em outros casos o pesquisado poderá assumir um papel que não é o seu. cada um deles têm uma história de vida diferente. em alguns casos pode causar inibição. Por vezes esses discursos são densos. assumir um personagem que nada tem a ver com ele. O RECONHECIMENTO DAS ESTRUTURAS INVISÍVEIS Durante todo o processo da pesquisa o pesquisador terá que ler nas entrelinhas. Dessa forma. Portanto nada de distração durante a entrevista. aos entrevistados. Alívio por falar e ao mesmo tempo refletir sobre um assunto que talvez os reprimam. o pesquisado pode tentar impor sua definição de situação de forma consciente ou inconsciente.experiência e muitas vezes é até uma ocasião para eles se explicarem. ele tem que ser capaz de reconhecer as estruturas invisíveis que organizam o discurso do entrevistado. por isso todo respeito à pessoa pesquisada. Ele também poderá tentar passar uma imagem diferente dele mesmo. fragilidades. O pesquisador deve levar em conta que no momento da entrevista ele estará convivendo com sentimentos. como instrumento de pesquisa. intensos e dolorosos e dão um certo alívio ao pesquisado. Tem que ficar claro para o leitor a tomada de posição do pesquisado. 6. qual o seu espaço social. ou seja. durante a entrevista o pesquisador precisa estar alerta pois. ADAPTABILIDADE AO PERSONAGEM IDEAL DE ENTREVISTADOR PERANTE O ENTREVISTADO A presença do gravador. têm uma existência singular. afetos pessoais.

bom. Esses “sentimentos” que não passam pela fita do gravador são muito importantes na hora da análise. O conhecimento ou familiaridade com o tema evitará confusões e atrapalhos por parte do entrevistador. A LEGIBILIDADE DAS FRASES TRANSCRITAS PARA O TEXTO FINAL O autor também considera como dever do pesquisador a legibilidade. perguntas claras favorecem respostas também claras e que respondem aos objetivos da investigação. a fim de que não se sinta constrangido e possa falar livremente. de alguma forma o pesquisador tem que apresentar os silêncios. 8. aliviar o texto de certas frases confusas de redundâncias verbais ou tiques de linguagem (né. além disso. os gestos. os risos.1. Na visão de Bourdieu (1999). Sendo assim. deixar o pesquisado se . nem demasiadamente tímido. Em relação à atuação ou postura do entrevistador no momento da entrevista este não deve ser nem muito austero nem muito efusivo. 8.ouvir. O ideal é deixar o informante à vontade. ter fidelidade quando transcrever tudo o que o pesquisado falou e sentiu durante a entrevista. eles mostram muita coisa do informante. nem mesmo mudar a ordem das perguntas. consciente ou inconscientemente o pesquisado estará tentando enganar o pesquisador. ou seja. nem falante demais. Portanto considera-se ideal que o próprio pesquisador faça a transcrição da entrevista. Uma transcrição de entrevista não é só aquele ato mecânico de passar para o papel o discurso gravado do informante pois. na maneira como ele ajuda o pesquisado a dar o seu depoimento. O pesquisador tem o dever de ser fiel. Uma entrevista bem sucedida depende muito do domínio do entrevistador sobre as questões previstas no roteiro. pois é. etc). o sociólogo deve fazer às vezes do parteiro. Este autor também considera como um dever do pesquisador tomar o cuidado de nunca trocar uma palavra por outra. a entonação de voz do informante durante a entrevista. A TRANSCRIÇÃO DAS ENTREVISTAS Bourdieu (1999) também aponta algumas sugestões para com a transcrição da entrevista que é parte integrante da metodologia do trabalho de pesquisa.

10. Miguel. PESQUISADORES OCASIONAIS Em algumas pesquisas são utilizados os pesquisadores ocasionais. MONTAGNER. Portanto. A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes. Esta estratégia pode ser utilizada. a confiança passada ao entrevistado é fundamental para o êxito no trabalho de campo. 9. Referências Bibliográficas BOURDIEU. “Trajetórias e biografias: notas para uma análise bourdieusiana”. 240-264. É olhar o outro e se colocar no lugar do outro. Tradução de Mateus S. Este autor considera que a entrevista é um exercício espiritual. que não deixa de ser um ponto de vista de um outro ponto de vista. afinal. Pierre. na medida do possível. existe um código de ética do sociólogo que deve ser respeitado. não discordar das opiniões do entrevistado. Além disso. 3a edição.livrar da sua verdade. Goldenberg (1997) assinala que para se realizar uma entrevista bem sucedida é necessário criar uma atmosfera amistosa e de confiança. ano 9. essas pessoas devem ter uma certa familiaridade com o grupo. é uma forma do pesquisador acolher os problemas do pesquisado como se fossem seus. 1999. o próprio pesquisador deve fazer a entrevista. Soares. n. é ele que melhor sabe o que está procurando. Sociologias./jun . Portanto o sociólogo deve ser rigoroso quanto ao seu ponto de vista. mas com cuidado pois. pp. os pesquisadores ocasionais podem deixar de fornecer instrumentos mais precisos para posterior análise. o do entrevistado. jan. São pessoas instruídas com técnicas de pesquisa e que têm acesso a certo grupo que se deseja pesquisar. 17. tentar ser o mais neutro possível. (2007). Acima de tudo.