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ConJur ­ Um consolo para o abandonado: usucapião do lar desfeito

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Usucapião do lar serve de consolo para o
abandonado
20 de setembro de 2011, 16h44

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Por Elpídio Donizetti

Nova Lei sobre usucapião ainda
precisa ser regulada por
jurisprudência
ARTIGO NOVO

A Lei 12.424, de 16 de junho de 2011, acrescentou o artigo 1240-A ao Código
Civil, criando nova modalidade de usucapião, a qual os juristas vêm
denominando “usucapião especial por abandono do lar”, “usucapião
familiar” ou, ainda, “usucapião conjugal”.

Perda do Direito de propriedade ao
imóvel que servia como residência
familiar

Em virtude dessa lei, aquele (homem ou mulher) que “exercer, por 2 (dois)
anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade,
sobre imóvel urbano de até 250 m² cuja propriedade divida com ex-cônjuge
ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou
de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja
proprietário de outro imóvel urbano ou rural”.

Quem abandonar o lar corre o risco
de perdê-lo para sempre

Trocando em miúdos, o marido ou a mulher que abandonar o lar conjugal,
perde a sua cota parte do imóvel residencial, desde que se enquadre na
situação descrita na lei; em contrapartida, o que ficou na casa, adquire a
integralidade do bem.

USUCAPIÃO URBANO

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A concretude auxilia na compreensão. Marido e mulher possuem um imóvel
de morada (casa ou apartamento na cidade) de até 250 m², pouco importa se
adquirido com economia de ambos ou se o condomínio se formou em
decorrência de união estável ou do regime de bens do casamento. O marido
se engraçou por uma moçoila e foi viver esse novo amor nas ilhas Maldívias,
ficando mais de dois anos sem querer saber notícias do mundo, muito
menos da ex.
Resultado da aventura: se a mulher continuou a morar na casa e não era
proprietária de outro imóvel urbano ou rural, adquire a totalidade do bem
por usucapião. Para ver o seu direito reconhecido, basta ingressar na justiça
e provar os requisitos legais. O que não vai faltar é testemunha com dor de
cotovelos para dizer que o marido era um crápula. Esse direito, por óbvio,
também pode ser reconhecido ao marido abandonado, cuja mulher se
envolveu com um bombeiro. E, nesses tempos de casamento ou união
estável entre pessoas do mesmo sexo, ao homem abandonado pelo seu
homem e à mulher abandonada pela outra.
Em regra, da análise da lei, extraem-se o seu fundamento e o seu alcance ou
finalidade — é o que, a grosso modo, em hermenêutica, denomina-se ratio
legis. As diversas modalidades de usucapião previstas no Código Civil têm
como fundamento, como justificativa para a perda da propriedade pelo
http://www.conjur.com.br/2011­set­20/consolo­abandonado­usucapiao­lar­desfeito

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com. vai ter que demonstrar que. O requisito nuclear da aquisição da propriedade pelo ex-cônjuge que permanece no imóvel é o abandono do lar pelo outro. tudo no afã de demonstrar que o “meu inferno é o outro”. engrossando a inflação legislativa. resolveu deixar o traste para trás. Nessa linha. Se o intuito do legislador — que a todo custo quer mostrar para a população que algo está sendo feito. cansada de sofrer agressões físicas e psicológicas. É o que. de duas uma: ou o cônjuge.05/02/2015 ConJur ­ Um consolo para o abandonado: usucapião do lar desfeito usucapido e consequente aquisição pelo usucapiente. sem casa. providencia a separação de direito — o que descaracteriza o famigerado abandono —. para refletir sobre a utilidade das inúmeras leis já existentes. no intuito de preservar o seu quinhão no imóvel.conjur. Trata-se de um “Frankestein” que surge no meio de uma lei instituidora do programa “Minha Casa. possivelmente não alcançará o objetivo. Exemplificativamente. por descompromisso do legislador com a realidade sobre a qual atua. no mínimo. para os filhos. a utilidade social da propriedade. No caso da usucapião pelo abandono do lar. tampouco a finalidade que levou o legislador a inserir o artigo 1240-A no Código Civil. continua morando sob o mesmo teto. dará um jeito de vender o imóvel. O fato é que essa esdrúxula modalidade de usucapião vai ensejar o revolvimento de antigas e dolorosas feridas. para não perder parte do imóvel. Mais proveitoso seria que o legislador. mesmo diante da insuportabilidade da vida em comum. A propósito. o qual tem por finalidade a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas e a construção de casas para famílias de baixa renda. a principiologia constitucional. Estamos assistindo ao retorno do ingrediente denominado culpa. acabam apenas provocando o mal de todos. às vezes. tivesse tirado férias — de no mínimo um ano —. colocar os trocados no bolso e sair em busca da felicidade. na qual se assentam as múltiplas possibilidades de uniões afetivas. o qual foi abolido da indigesta receita das separações conjugais pela recente EC 66/2010. o que não se coaduna com qualquer perquirição acerca da culpa. se o intuito foi proteger o abandonado. antes de juntar suas trouxas. se a opção do cônjuge prevenido for se afastar do outro. de imediato cairá no olho da rua. ou. Minha Vida”. sobretudo. que vai atazanar a vida de quem abandona e de quem é abandonado. não se descarta a inconstitucionalidade do novel artigo 1241-A. Atento ao desatino do legislador. As leis.br/2011­set­20/consolo­abandonado­usucapiao­lar­desfeito 2/4 . é informada pelo afeto. por sua vez. De minha parte. o homem vai ter que provar que saiu de casa porque não mais aguentava as ranzinzices da mulher e esta. não se enxerga a razão. http://www. Abandono do lar pressupõe culpa ou. em vez de perder tempo com o acréscimo desse dispositivo ao Código Civil. ainda que com dinheiro público. nem que sejam leis abestalhadas — foi punir quem abandonou o lar. hipótese em que o abandonado. falta de motivo justificado para não mais morar sob o mesmo teto. embora visem ao bem comum. com a consequente divisão do imóvel. só vislumbro malefícios nessa modalidade de usucapião. entretanto. com desastrosas e conhecidas consequências para os conviventes e. Mas essa é uma questão cujo enfrentamento relego para os institutos especializados dos Direitos das Famílias. sejam casamentos ou uniões estáveis. Explico. ocorre com a usucapião por abandono do lar. a meu ver. numa ilha paradisíaca. o tiro sairá pela culatra. Isso porque.

Que Deus nos livre dos agoureiros. também o foi pelo legislador. O que mais me agrada ao ler os textos e livros do professo Elpidio é a simplicidade com que escreve. querem apenas que o outro perca. que tem os olhos exclusivamente voltados para o fisiologismo e a próxima eleição. É aguardar o tempo dizer qual vai prevalecer. UM CONSOLO PARA O ABANDONADO José Carlos Silva (Advogado Autônomo) 21 de setembro de 2011.  Topo da página Imprimir Enviar por email 24 15 0 Elpídio Donizetti é desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Revista Consultor Jurídico. não importa ganhar. Essa pessoa. se não logrei êxito na procura da ratio legis. 21h40 Excelente artigo. Prova que se pode aliar o rigor. das regras de nossa bela língua. Quanto a "nova" Lei.br/2011­set­20/consolo­abandonado­usucapiao­lar­desfeito 3/4 . não sabe nada direito. que se casou com o Direito. que só estuda Direito e que. professor de Direito Processual Civil do IUNIB. Consegui estabelecer o diagnóstico do mal que aflige o mentor ou mentora desta malsinada usucapião por abandono do lar.com. é apedeuta em relações afetivas. rancorosa e amargurada. Dois pesos e duas medidas. 15h55 Parabéns ao nobre Desembargador. A essas pessoas. é claro. via legislador.conjur. abandonada pela sorte e pelo cônjuge. Por todos os ângulos que esquadrinhei a usucapião por abandono do lar. por isso mesmo.Civil) 21 de setembro de 2011. mas sim de alguma pessoa amargurada. pelo menos ofereço um consolo aos meus atentos leitores. com o bom humor e até uma dose de sarcasmo. toda Lei traz benefícios para uns e malefícios para outros. sem descurar. a qual não tem cara de Senador ou de Deputado — homens e mulheres aquinhoados pela sorte e por isso de bem com a vida —. Gostaria que todos entendessem que escrever bem não é escrever de forma difícil e rebuscada. 20 de setembro de 2011. doutorando em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade Clássica de Lisboa e membro da Comissão designada pelo Senado Federal para elaboração do Novo CPC.05/02/2015 ConJur ­ Um consolo para o abandonado: usucapião do lar desfeito Interessante que o legislador não se preocupou com a sorte de quem foi abandonado num casebre na zona rural. que não se dignou em lhe conferir a prerrogativa de aquisição da pequena área de terras onde mora. SOLUÇÃO ! Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório) http://www. Bem. 16h44 COMENTÁRIOS DE LEITORES 4 comentários PARABÉNS Ilo Igo de Lima Marques (Estudante de Direito . Por certo foi abandonada pelo cônjuge ou companheiro e assim. Ainda que seja parte do imóvel adquirido com o esforço comum. a formalidade e técnica do Direito. buscou um consolo para a ruptura da vida conjugal: a perda da propriedade pelo cônjuge ou companheiro. o que pude divisar é que o autor ou autora da idéia que resultou no acréscimo do artigo 1240-A ao Código Civil é uma pessoa citatina.

A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação. até que resolva voltar.conjur.05/02/2015 ConJur ­ Um consolo para o abandonado: usucapião do lar desfeito 21 de setembro de 2011. sem impedir a invasão (imaterial) da baranga.br/2011­set­20/consolo­abandonado­usucapiao­lar­desfeito 4/4 .br Política de uso Reprodução de notícias http://www. É uma maneira de proteger a propriedade (material).com. Ver todos comentários Comentários encerrados em 28/09/2011. 8h53 Ao 'fujão' do lar cabe-lhe uma opção: deixar o RICARDÃO. em seu lugar e com procuração de amplos poderes.com.conjur. ÁREAS DO DIREITO Administrativo Ambiental Comercial Consumidor Criminal Eleitoral Empresarial Família Financeiro Leis Previdência Propriedade Intelectual Responsabilidade Civil Tecnologia Trabalhista Tributário Imprensa Internacional COMUNIDADES Advocacia Escritórios Judiciário Ministério Público Polícia Política CONJUR SEÇÕES PRODUTOS Quem somos Equipe Fale conosco Notícias Artigos Colunas Entrevistas Blogs Livraria Anuários Boletim Jurídico PUBLICIDADE Anuncie no site Anuncie nos Anuários LINKS Blogs Sites relacionados Facebook Twitter RSS Consultor Jurídico ISSN 1809-2829 www.