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REFLEXÕES SOBRE O CRESCIMENTO – Número 29 – agosto de 2012

Avançando o Programa de Pré-jovens “numa Diversidade de Cenários e Circunstâncias”
Nas suas mensagens recentes, a Casa Universal de Justiça referiu-se à “rápida expansão” e
“aumento na capacidade” do programa de empoderamento espiritual dos pré-jovens. Não é de
surpreender que o programa tenha sido capaz de engajar o idealismo e o interesse de pré-jovens,
pois a visão bahá’í do potencial de pré-jovens é tão contrária aos conceitos predominantes mantidos
pela sociedade sobre essa faixa etária. Conforme a Casa Universal de Justiça explicou em sua
mensagem do Ridván de 2010, as comunidades bahá’ís veem “altruísmo no pré-jovem, um agudo
senso de justiça, anseio por aprender acerca do universo e um desejo de contribuir para a
construção de um mundo melhor”. Na verdade, a experiência dos amigos num crescente número de
agrupamentos confirma que “somente a capacidade da comunidade bahá’í limita a amplitude de sua
resposta à demanda pelo programa”.
Desde seu início, a implementação do programa foi sistemática como também progressiva, um
processo que promoveu a aprendizagem desde o nível global até o de agrupamento. Numa tentativa
de disseminar a aprendizagem mais amplamente, estamos dedicando duas edições sucessivas
deste boletim para compartilhar a experiência referente a várias dimensões do programa de préjovens, um componente crucial do processo de construção de comunidades.
Nessa questão, os relatos de diferentes partes do mundo destacam a experiência relacionada
a quatro aspectos específicos do programa de pré-jovens: formar grupos de pré-jovens e aumentar
seu número, convidar jovens da sociedade em geral para servirem como monitores, construir
relacionamentos com os pais e a comunidade, e ter benefício do poder transformador do programa.
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Formando Grupos de Pré-Jovens e Aumentando Seu Número: Até mesmo em agrupamentos em que
não há nenhum ou poucos pré-jovens bahá’ís, os grupos de pré-jovens se formam e florescem. Num
crescente número de grupos, a experiência vem mostrando que os pré-jovens participantes de
grupos existentes são alguns dos melhores promotores do programa.
Ilhas Canárias
No seguinte relato, um monitor de grupos de pré-jovens descreveu como o programa de
empoderamento espiritual começou no agrupamento Gran Canária.
Um dia, eu decidi iniciar um grupo de pré-jovens em minha comunidade. Agora estou ciente de
que esta foi uma das decisões mais importantes da minha vida. Não havia sequer um único
pré-jovem na minha comunidade para iniciar o grupo. Assim, decidi mencionar na Festa de
Dezenove Dias que caso houvesse algum amigo interessado ou que conhecesse pré-jovens
que pudessem ter interesse, eu estaria presente no centro juvenil na sexta feira às 18 horas.
Chegou sexta feira e ninguém apareceu. Esperei 45 minutos e voltei para casa. Quando estava
colocando a chave na fechadura, recebi um telefonema; dois pré-jovens haviam chegado ao
centro juvenil e queriam me ver! Voltei correndo e cheguei lá em cinco minutos. Eu não os
conhecia, mas, com eles começou uma nova fase da minha vida, a que eu chamei de “furacões
de confirmação”.
Durante duas semanas eu me encontrei com três pré-jovens – conhecemo-nos uns aos outros,
estudamos e brincamos juntos. Um carinho do outro mundo logo começou a surgir entre nós.
Cada passo que eu dava era confirmado com um grande passo em direção ao serviço. Os
meninos encantaram-se com o grupo, e em pouco tempo começaram a convidar seus amigos.
Logo éramos 10! Comecei também a receber chamadas de suas mães, que estavam
completamente surpresas pelas mudanças positivas que estavam vendo em seus filhos.
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O grupo continuou a crescer. Éramos 15, depois 20; alguns jovens vinham e saíam, mas
permaneceu um grande núcleo de participantes que estavam passando por uma transformação
significativa. O programa estava tendo efeito.
O entusiasmo dos jovens era realmente contagioso. Eles aprenderam o conceito de
confirmação e estavam desenvolvendo grande percepção espiritual. Começaram a relacionarse com os participantes de grupos de pré-jovens do agrupamento e desenvolveu-se uma nova
dinâmica no programa de pré-jovens. A comunidade era vibrante nas reuniões de reflexão, em
que os pré-jovens contribuíam com sua visão, alegria e força.
Já havia quatro grupos de pré-jovens bem fortes, com 28 participantes, quando decidimos
iniciar uma campanha para expandir o programa. Nessa ocasião fomos abençoados com a
visita de um amigo que veio para o agrupamento e começou a servir como coordenador de
grupos de pré-jovens. A campanha foi planejada no primeiro seminário para coordenadores de
grupos de pré-jovens do qual eu pude participar.
Tal era o amor dos amigos do agrupamento aos pré-jovens que era fácil visitar indivíduos e
encorajá-los a se tornarem monitores. Visitamos seis pessoas, e todas aceitaram receber
capacitação. Durante as visitas oramos juntos, lemos trechos da mensagem da Casa Universal
de Justiça e consultamos sobre oportunidades de crescimento dos grupos nas comunidades.
Depois de completar o Livro 5, monitores recém treinados participaram da campanha para
promover novos grupos. Os pré-jovens que estavam realmente participando do programa eram
a chave para o sucesso na abertura de novos grupos. Familiarizados com o discurso do
programa, eles foram a praças, conversaram com pré-jovens, e convidaram-nos a participar.
Em seguida cada monitor marcou a data e a hora das atividades. Isso foi feito durante uma
semana e em consequência disso iniciaram-se seis novos grupos!
Portugal
A pessoa-recurso para o programa de pré-jovens da Península Ibérica visitou Portugal e
relatou as iniciativas bem sucedidas dos amigos na formação de grupos de pré-jovens.
O primeiro agrupamento que visitei foi o Centro Litoral, no qual um bahá’í, que é professor
universitário, estava treinando três de seus alunos no Livro 5, os quais estavam agora ávidos
para começar a servir como monitores. Eles visitaram algumas salas de aula numa escola em
que um dos monitores trabalha e, depois de falar com a diretora da escola, apresentaram o
programa aos alunos. Eu pude participar de uma dessas apresentações e tive a feliz surpresa
de ver como eles explicaram bem os conceitos de serviço e excelência, e interagiram com os
pré-jovens. Davam aos alunos um pedaço de papel sobre o qual eles podiam escrever seus
nomes caso tivessem interesse em participar de um grupo. Embora aquele agrupamento não
tivesse qualquer experiência anterior com o programa, eu achei tão interessante e encorajador
ver esse tutor acompanhando os novos monitores e quão ávidos eles estavam por servir.
O agrupamento é dividido em três setores com cinco comunidades locais principais. O
coordenador de pré-jovens identificou sua própria cidade e uma comunidade próxima como
aquelas nas quais focará sua energia e tempo. Ele está treinando e acompanhando seis jovens
de ambas as localidades, de modo que eles possam iniciar seus próprios grupos em seus
bairros. Alguns dos jovens são de origem bahá’í, mas alguns não são. Ele disse que conheceu
dois deles, que vivem em seu bairro, há apenas um ano, e eles já estão servindo como
monitores! Eu também participei de um grupo de pré-jovens que estava sendo realizado ao
mesmo tempo que outro grupo de pré-jovens, uma aula bahá'í para crianças e dois círculos de
estudo, todos mantidos pelos amigos locais, sendo que apenas um tutor vinha de uma
comunidade próxima para nos ajudar. Ao final do anoitecer, todas as crianças, pré-jovens e
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jovens saíram juntos para coletar lixo como uma atividade de serviço. Foi maravilhoso ver a
alegria e a unidade que isso produziu.
Estados Unidos
O seguinte relato de um Conselheiro analisa algumas das lições aprendidas na região
sudoeste em relação à formação e expansão de grupos de pré-jovens e a importância em
estabelecer reuniões de grupo em um caráter mais formal.
Começando no último verão, nossas reflexões sugeriram que poderia ser proveitoso explorar a
formação de grupos de pré-jovens em espaços mais formais como um meio de aumentar a
participação nos grupos de pré-jovens. A maior parte da experiência durante anos havia sido
adquirida na formação de grupos informais. Em muitos casos, a hora e o local de encontro de
grupos de pré-jovens não eram determinados até que participantes potenciais se
empenhassem, e a ideia era que eles ajudassem a combinar a hora e o local da reunião.
Entretanto, tal abordagem frequentemente levava à formação de pequenos grupos de préjovens sem a definição de um local para reuniões.
Não é de surpreender que fosse difícil manter grupos em tais condições. Além disso, a maioria
dos grupos de pré-jovens havia sido tipicamente formada por uma ampla faixa etária. No
decorrer do último ano, pensou-se sobre a formação de grupos com base em idade ou nível
escolar. Embora a ideia tivesse sido ventilada, os coordenadores e monitores haviam
encontrado dificuldade em imaginar trabalhar com pré-jovens por faixa de idade quando o
grupo contava com apenas cinco participantes ou algo assim. A ideia existia em teoria, porém,
não era possível considerar a formação de grupos de pré-jovens por idade até que os
agrupamentos desenvolvessem a capacidade de trabalhar com grande número de
participantes. E, certamente, é muito difícil imaginar trabalhar com grande número de
participantes quando os monitores esforçam-se até para manter pequenos grupos.
No decorrer dos últimos seis a nove meses, enfatizou-se a exploração de parcerias com
organizações em vizinhanças para oferecer o programa de pré-jovens em escolas e centros
comunitários. À medida em que oportunidades se materializavam e mais grupos começavam a
se encontrar nesses lugares, ajudou os amigos perceberem as possibilidades. Por exemplo,
enquanto para um monitor poderia parecer quase impossível trabalhar com mais de 10 préjovens de modo informal num ambiente de vizinhança, devido às distrações, a ideia de
trabalhar com 15 a 20 pré-jovens numa sala de aula ou num centro comunitário parece bem
mais realística. Com essa percepção, os amigos começaram agora a pensar em formar grupos
maiores de pré-jovens divididos por faixa de idade (12-, 13-, e 14- anos de idade) num único
ambiente amplo.
Explorar essas ideias ajudou os amigos a considerar como trabalhar na prática em prol de
maiores números. Sem mencionar que a mensagem de 12 de dezembro de 2011 da Casa
Universal de Justiça tem tanto possibilitado que as agências de agrupamentos percebam que
estão todos trabalhando para o avanço do mesmo processo, como também as têm ajudado –
especialmente os Comitês de Ensino de Área – a entender a importância de um vigoroso
programa de pré-jovens num agrupamento. Os agrupamentos em que esta consciência já
estava surgindo foram capazes de colocá-lo em ação mais rapidamente. No agrupamento East
Valley, Arizona, por exemplo, os amigos puderam canalizar a energia de suas mais recentes
fases de expansão para ampliar significativamente o programa de pré-jovens em algumas
vizinhanças-chave. O Comitê de Ensino de Área valeu-se de sua experiência, planejando
campanhas efetivas de ensino para sistematicamente registrar um grande número de préjovens. O fato de espaços formais para grupos de pré-jovens terem sido identificados antes da
fase de expansão ajudou o Comitê de Ensino de Área a estruturar uma expansão sistemática
em torno desses locais. Ademais, confiantes de que uma equipe de três a seis monitores
poderiam trabalhar efetivamente, se adequadamente acompanhados, com um grupo de 60 pré3

jovens dividido por idade, num ambiente conducente à aprendizagem, os amigos conseguiram
definir metas audaciosas, porém realísticas, de registrar 60 pré-jovens para cada um dos
contextos mais formais.
No East Valley, na fase de expansão, os esforços foram concentrados em Mesa e Tempe. Os
amigos conseguiram registrar cerca de 120 novos pré-jovens em Mesa e mais de 60 em
Tempe. Esses grupos se reúnem em diversos locais, inclusive em um Clube de Meninos e
Meninas, um Centro Ativo de Aprendizagem, um centro comunitário da vizinhança, e nas áreas
comuns dos apartamentos. Antes da fase de expansão no East Valley, cerca de um terço dos
participantes do programa de pré-jovens concentrava-se nas vizinhanças de Tempe e Mesa,
enquanto os outros dois terços dos participantes pertenciam a grupos espalhados pelo
agrupamento. Embora a participação ainda esteja se estabilizando em muitos dos novos
grupos, está claro que a participação no programa de pré-jovens como um todo agora está
muito mais concentrada em Mesa e Tempe. Consequentemente, cada um dos assistentes de
coordenadores de pré-jovens trabalha com alguns monitores em cada uma dessas áreas
específicas.
Os esforços para aumentar a participação e formalizar o programa de pré-jovens levaram a
outros acontecimentos positivos. Por exemplo, monitores que trabalham com diversos grupos
num mesmo local agora estão funcionando como equipes, encontrando-se antecipadamente
para preparar cada seção, revendo lições dos textos para pré-jovens e planejando atividades
complementares como projetos de serviço. Os coordenadores de pré-jovens trabalham em
estreita colaboração com as equipes de monitores, auxiliando-os a se preparar para cada
reunião, visitando os grupos regularmente e refletindo após cada seção. Isso evidentemente
ajuda a fortalecer a qualidade do programa de pré-jovens e a aumentar a capacidade tanto dos
coordenadores como dos monitores. Curiosamente, como os esforços que têm sido feitos para
os grupos de pré-jovens se reunirem em ambientes mais formais, está ajudando a focar
atenção na qualidade do trabalho dos monitores. Quando os grupos de pré-jovens se
encontram em ambiente informal, pode-se frequentemente encobrir a habilidade dos monitores
de engajar os pré-jovens em conversas profundas já que grande parte de sua energia se
direciona em minimizar distrações - caminhões de sorvete, amigos passando, jogos no parque,
ou irmãos mais novos.
Convidar Jovens da Sociedade em Geral a Servirem como Monitores: A fim de satisfazer as
demandas para o Programa de Empoderamento Espiritual de Pré-jovens em muitos agrupamentos,
os crentes têm feito contato com indivíduos da sociedade em geral, especialmente jovens, para
serem treinados como monitores. Conforme demonstram os relatos seguintes, não é difícil “encontrar
aquelas almas ansiosas por abandonar a letargia que lhes foi imposta pela sociedade” e “iniciar um
processo de transformação coletiva”.
Austrália
Num relatório sobre o desenvolvimento do programa de pré-jovens no agrupamento Brisbane
Bayside, o Conselheiro descreve como os amigos aprenderam a efetivamente apresentar o
programa à população de uma vizinhança selecionada e de que modo, após uma grande reação
positiva, eles se organizaram para acompanhar aqueles que se ofereceram para serem treinados
como monitores. O relato também ilustra como esse esforço serviu para fortalecer as instituições e
agências da região.
Através do ímpeto do centro de aprendizagem para aprender sobre o desenvolvimento do
programa de pré-jovens em meio a populações receptivas, foram feitos planos em 2011 para
observar alguns dos diferentes bairros. Grande parte do esforço foi feito por coordenadores de
pré-jovens com um grupo de monitores. Durante essa observação o grupo focou seus esforços
no bairro Woodridge, que mostrou alguma receptividade ao programa. Com base nessa
avaliação, durante o seminário de maio realizado no centro de aprendizagem, os participantes,
juntamente com monitores do agrupamento, organizaram uma campanha. O resultado dessa
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campanha foi que 12 indivíduos iniciaram o Livro 1 com o objetivo de se tornarem monitores.
Em junho, quatro jovens saíram como pioneiros em um bairro para ajudar a consolidar esses
12 indivíduos. Nos dois ciclos seguintes, foram feitos planos sistemáticos pelas agências do
agrupamento, em colaboração com os centros de aprendizagem, para engajar ainda mais a
população. Esse esforço resultou na participação de 70 indivíduos no Livro 1, além de
centenas de pessoas mostrando interesse em apoiar o programa.
O desafio imediato que as agências do agrupamento enfrentaram foi a magnitude do trabalho
de consolidação. Oito tutores visitantes além de um pioneiro residente estavam registrados
para apoiar o trabalho de consolidação, que incluía facilitar círculos de estudo e também visitar
os participantes e outros que haviam mostrado interesse durante as campanhas. Ainda outros
quatro pioneiros residentes estarão se mudando para outros bairros em poucos meses. Há
também uma equipe que está sendo formada para coordenar o trabalho de consolidação, ou
seja, ajudar a sistematizar ainda mais as visitas aos lares e apresentação de reuniões
devocionais. Atualmente, há cerca de 60 indivíduos que estão sendo acompanhados através
de círculos de estudo e/ou visitas aos lares. Com a chegada do novo pioneiro residente, o
plano é acompanhar mais 20 a 30 indivíduos.
Para responder à intensidade da aprendizagem que está sendo adquirida e o
acompanhamento exigido em Woodridge, o coordenador de círculos de estudo, dois membros
do Comitê de Ensino de Área, o coordenador dos pré-jovens, e os membros do Corpo Auxiliar
e seus ajudantes vêm trabalhando em estreita colaboração para apoiar as atividades de
expansão e consolidação. Isso inclui reuniões plenárias regulares coletivas e também reuniões
individuais entre essas diferentes pessoas. O papel dos membros do Corpo Auxiliar em
trabalhar ombro a ombro com pioneiros residentes e agências do agrupamento tem sido
decisivo para o desenvolvimento nesta área.
Com cada campanha de ensino, no decorrer dos ciclos, os amigos vêm aprendendo efetivamente a
manter conversas com a população e ajudá-la a perceber a visão de construir comunidades e
encorajá-la a trilhar um caminho de serviço. As conversas iniciais em Woodridge focavam-se
grandemente em convidar a população para participar de atividades. O sucesso desta abordagem foi
limitado, porém, conforme o conteúdo das conversas evoluiu até incluir alguns dos conceitos-chave
do livro 5 e a visão de construção de comunidades, o interesse e a resposta da população aumentou.
O entendimento dos instrutores e seu comprometimento com ações de longo prazo têm sido
decisivos para transmitir esses conceitos efetivamente e para convidar indivíduos a se tornarem
partes do processo. Ser capaz de comunicar a natureza dos cursos do instituto de capacitação como
sendo a de trilhar o caminho de serviço tem sido valioso para diferenciar este curso de outras
abordagens educacionais com as quais a população pode estar familiarizada.
Vanuatu
Há alguns meses, um casal, que não é bahá’í, envolveu-se com o programa de
empoderamento espiritual de pré-jovens. Ambos completaram os Livros 1 e 5 do Instituto Ruhi, e a
esposa atualmente serve como monitora. Uma pessoa recurso para o programa de pré-jovens teve a
oportunidade de visitá-la e compartilhou a história contada por ela.
Estou tão feliz em poder acompanhar os pré-jovens na minha aldeia. Sou cristã e meu marido
segue as crenças tradicionais de Tanna. Desde que me casei, não tenho tido sucesso em atrair
meu marido a Deus e à religião. Porém, desde que ambos nos envolvemos com o programa de
pré-jovens, o desejo de meu coração foi satisfeito e agora meu marido está atraído a assuntos
espirituais. O programa de pré-jovens foi a causa dessa transformação em meu marido.
Estou tão contente e satisfeita por ser capaz de fazer atos que são importantes e significativos.
Agora estou servindo como monitora e acompanhando diversos pré-jovens na minha aldeia. O
grupo acabou de executar um projeto de serviço. Construíram uma pequena casa no
cruzamento em que se encontram as estradas provenientes do sul, norte e leste. Esta pequena
casa é como um abrigo em que os viajantes que caminharam longas distâncias podem
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descansar um pouco e depois continuar sua viagem. Podem também se refugiar na casa se
estiver chovendo forte, este é um dos projetos de serviço que os meus pré-jovens executaram.
Tenho visitado muitos pais e tenho falado a eles sobre a importância do programa de préjovens para transformar a vida da nossa futura geração. Reuni também um grupo de jovens
adultos para estudar o Livro 1. Depois de completar o Livro 1, eles estudarão o Livro 5, de
modo que também possam servir como monitores.
Desde que me envolvi com o programa, tenho encontrado oposição da parte dos meus
próprios parentes, pois sou cristã. Eles me dizem: “Por que você está fazendo isso? Você não
é bahá’í. Está promovendo um programa que pertence aos bahá’ís”. Mas eu jamais tive dúvida.
Decidi dedicar minha vida a este programa. Não sou muito bem instruída. Só completei a sexta
série, mas a pouca instrução que tenho, estou usando para ajudar os pré-jovens de minha
comunidade e minha ilha.
Granada
Um jovem pioneiro era amigo do diretor de um colégio comunitário que mantinha um conteúdo
de serviço à comunidade para seus alunos. Ele apresentou o programa de empoderamento espiritual
de pré-jovens como uma possibilidade de serviço, e foi aceito. Esperava-se que os alunos que se
inscreveram para este “serviço à comunidade” estudassem os Livros 1 e 5. Ao final de seu estudo do
Livro 1, o colégio pediu-lhes que compartilhassem seus comentários sobre o curso. Eis alguns
desses relatos:
Durante meu período de serviço à comunidade, a cada dia aprendi algo novo. Além de
“Reflexões sobre a Vida do Espírito”, deram-nos “Orações Bahá’ís” e “Palavras Ocultas”. No
meu serviço à comunidade, senti-me como um novo eu. Via tudo ao meu redor de um modo
diferente. Sentia-me mais calmo e quando era provocado, não me aborrecia. Depois de algum
tempo, comecei a compartilhar minha experiência com minha família e amigos. Agora, quando
vejo um amigo ou parente se debatendo, lembro-me do que aprendi e corro para socorrê-los.
Compartilho com eles “Ó Filho do Ser! Não te ocupes com esse mundo, pois com o fogo
experimentamos o ouro e com o ouro pomos à prova os Nossos servos.” Depois do meu
serviço à comunidade, posso concluir que descobri a maior dádiva que Deus nos deu, a
oração. Conforme disse ‘Abdu’l-Bahá, “Nada há mais doce no mundo da existência do que a
oração”.
A capacitação no programa de empoderamento espiritual de pré-jovens foi uma experiência de
transformação da vida para mim. Todos os aspectos da palavra “serviço” mudaram para mim.
Este programa me ensinou a servir de modo abnegado, considerar a opinião dos outros e ser
grato pela situação da minha vida. Aprendi a tratar as pessoas de modo apropriado, com
“língua bondosa”, sem desprezo e sarcasmo, e ser sincero. É assim que Deus quer que
tratemos uns aos outros, e vivamos nossa vida, em paz e sem dissensão.
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Nos livros “Reflexões sobre a Vida do Espírito” e “Orações Bahá’ís” aprendi muitas coisas que
preciso colocar em prática. Essas incluem orar regularmente para que no dia a dia se tenha
uma relação com Deus; perdoar as pessoas que me tenham tratado injustamente; mostrar
bondade, amor e consideração às pessoas; remover todos os atos de pecado da minha vida; e
também compartilhar o que aprendi com outras pessoas, de modo que elas também possam
estar conectadas a Deus. Este serviço à comunidade foi muito benéfico para mim, ajudandome a desenvolver características espirituais.
Construir Relacionamentos com os Pais e a Comunidade: Uma característica essencial do programa
de pré-jovens é trabalhar com os pais dos participantes no contexto da participação de seus filhos no
programa. Os pais prezam grandemente o fato de o programa procurar moldar a capacidade dos préjovens para o serviço à humanidade, liberando suas energias para uma vida significativa e
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construtiva. Os dois relatos desta seção são exemplos do impacto que o programa pode ter sobre os
pais e uma vizinhança.
Índia
Tivemos uma campanha para o Livro 5 num povoado no agrupamento Cuddalore, Tamil Nadu,
e nove grupos de pré-jovens foram estabelecidos em consequência da campanha. Sunita era
uma das monitoras e seu grupo começou há uma semana. Seu pai ingere bebida alcoólica
regularmente e nosso coordenador observa isso frequentemente. Um dia, quando os préjovens estavam do lado de fora da casa de Sunita, discutindo a personagem Musonda e lendo
a segunda lição do “Brisas de Confirmação”, o pai de Sunita (que naquele dia específico não
havia bebido e estava sóbrio) ouviu toda a conversa entre os pré-jovens.
Ele saiu de casa e perguntou à Sunita o que ela estava fazendo. Ela falou-lhe sobre Musonda e
juntos eles estudaram a lição. O pai de Sunita ficou muito impressionado com a lição. Sentiu-se
mal quanto à sua vida, pensando como uma menina como Musonda estava tendo
pensamentos mais profundos que ele. Ele prometeu à sua filha que pararia de beber a partir
daquele dia e pediu-lhe que estudasse as lições junto com ele. Também pediu à Sunita para
fazer orações por ele. Sunita respondeu que em vez de fazer orações somente para seu pai,
achava que eles deveriam fazer orações por toda a humanidade. Ao ouvir isso, o pai de Sunita
expressou sua alegria devido aos cursos Ruhi terem transformado sua filha numa pessoa
responsável que se preocupa com a sociedade. Expressou também seu desejo de fazer os
cursos Ruhi.
Austrália
Em dois bairros do agrupamento Sydney Metro (Bidwill and Westmead), alguns pioneiros e
outros jovens estão engajados no processo da construção de comunidades. Ambos os bairros
possuem populações receptivas, o primeiro habitantes das Ilhas do Pacífico, e o segundo de
indígenas. Em Westmead, como um ato de serviço, um dos grupos de pré-jovens organizou um
piquenique no parque local para reunir as crianças que participam de aulas para crianças na
vizinhança e suas famílias. Os pré-jovens (todos da comunidade mais ampla) conduziram os
procedimentos e facilitaram um debate sobre o impacto das aulas nas crianças da vizinhança.
Os pais foram muito positivos em seus comentários. Os pré-jovens serviram lanche, ajudaram
a organizar brincadeiras, e auxiliaram na limpeza.
As crianças e pré-jovens, todos falam avidamente em procurar as oportunidades de servir
como monitores, e seus pais dão muito apoio a essas aspirações. O piquenique mostrou-se um
simples ato de serviço, mas teve implicações mais profundas para a vizinhança. Reuniu pais
que não conheciam uns aos outros e, para a alegria de várias mães, fez os pais manterem
contato uns com os outros e com as aulas. A qualidade das interações dos pioneiros com os
pais foi admirável, inclusive seu amor genuíno pela população em todas as suas conversas e
atos. Os amigos indígenas parecem ter os pioneiros em alta estima e falam deles com grande
afeto.
O Poder Transformador do Programa de Pré-Jovens: Há uma abundância de histórias que ilustram
como o programa de pré-jovens está “estimulando sua percepção espiritual, aumentando seu poder
de expressão, e reforçando a estrutura moral que os servirá durante suas vidas”.

Itália
A pessoa recurso para o programa de pré-jovens na Itália compartilhou uma história de como o
material de pré-jovens pôde exercer uma profunda influência na vida de um grupo de meninas que
participam do programa no agrupamento de Mantova.
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O grupo é composto de uma turma bem sólida de amigas, 10 meninas que estiveram juntas
desde o jardim da infância. Elas são muito unidas, inteligentes e dedicadas, mas, com o tempo
tornaram-se conhecidas, em sua escola, como um grupo “fechado” que não deixava mais
ninguém “entrar no clube”. Elas eram realmente admiradas pelas meninas e meninos da
escola, mas sua atitude era exclusivista, e os outros frequentemente se sentiam inferiorizados.
Os monitores, no entanto, perceberam que as meninas do grupo eram sinceras e dispostas a
melhorar o mundo em volta delas. Elas acreditavam nas qualidades espirituais e não olhavam
para o seu atual comportamento, mas nos seus atributos concedidos por Deus.
Uma mudança na atitude e comportamento das meninas ficou clara quando estudaram “Brisas
de Confirmação”. Elas começaram a falar sobre o significado de observação da aparência,
sobre conceitos de atenção às necessidades das pessoas que nos cercam, e também do amor
às pessoas que não pertencem à nossa família ou a um grupo de amigos íntimos, como
Chishimba e Godwin haviam feito, ajudando a mulher com o peso sobre os ombros.
As meninas desse grupo estavam frustradas por causa de outra menina, que denominaremos
Maria. Elas não se conformavam com a timidez dela e o fato de sempre estar sozinha, usando
roupas escuras e demostrando pouco cuidado com sua aparência física. Por terem sido
tocadas pela história no “Brisas”, elas decidiram aprender a fazer o mesmo em suas vidas.
Imediatamente se lembraram de Maria. Perceberam quão imaturas haviam sido em seu
comportamento e que Maria certamente tinha qualidades positivas. Levantaram-se para uma
missão de uma semana: fazer amizade com Maria.
No dia seguinte, na escola, elas a circundaram (e Maria ficou um pouco assustada) e
começaram a lhe fazer muitas perguntas. Começaram a passar mais tempo com ela e mostrarlhe mais e mais atenção. Vendo apenas as suas qualidades, elas aprenderam a amá-la ainda
mais do que esperavam. Na hora do intervalo a convidaram a dar uma volta pela escola. Isso
encheu Maria de alegria por ter novas amigas, ela nunca havia se sentido tão enturmada. O
grupo percebeu que não queria mais ser um “clube”. Sim, elas queriam manter sua unidade,
mas também desejavam abrir-se a outras pessoas, construindo unidade com todos. Em uma
semana elas passaram mais tempo com muitas amigas e essa mudança foi percebida pelas
outras alunas da escola, que começaram a lhes perguntar o que havia acontecido! Como
consequência, Maria também decidiu participar do grupo de pré-jovens. Ela está feliz por
contribuir para a mesma transformação pela qual ela passou e ser causa de amizade com
outros.
Ilhas Canárias
O monitor, cuja experiência em formar um grupo é descrito na página 1, escreveu também:
“Muitos milagres e transformações ocorreram durante esse processo que nos inspirou e nos deu
força para continuar. Sem dúvida, as transformações que vimos nos próprios pré-jovens foi a maior
inspiração”. Ele compartilha pequenas histórias sobre o impacto que o programa teve sobre préjovens, dos quais outros haviam desistido algumas vezes.
Carlos era uma criança-problema, ou assim era chamado. Na verdade, tal percepção a seu
respeito não havia ajudado de forma alguma para melhorar sua situação. Carlos usava
linguagem imprópria e não conseguia falar a respeito de seus sentimentos. Ele tinha tido certos
problemas com a lei e havia sido expulso de diversas escolas. Seu relacionamento com o
programa de pré-jovens o transformou de um modo que pôde ser visto por todos. A primeira
mudança significativa ocorreu durante o projeto. Um dia, involuntariamente ele interrompeu a
conversa de dois adultos e disse: “Desculpem por interrompê-los”. Então ele gelou e exclamou:
“Eu acabei de pedir desculpas? Será que estou ficando louco?” Ele estava percebendo sua
própria transformação inevitável. Desde então, ele vem mostrando seu zelo em melhorar e sua
natureza extremamente solidária. Ele tem sido uma fonte de inspiração para todos nós. Carlos
tem dito: “Vocês são minha segunda família”.

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Elena é uma menina com muitos problemas de relacionamento porque seus colegas estavam
constantemente debochando dela. Na primeira vez que chegou ao grupo, não ousou olhar
diretamente nos olhos de ninguém e não pronunciou uma única palavra. Lentamente começou
a adquirir autoconfiança até o ponto de aceitar o papel principal numa apresentação teatral na
reunião de reflexão.
No dia da apresentação, uma mulher apresentou-se, pedindo para encontrar o monitor de préjovens. Fiquei com medo, pois pensei que estivesse aborrecida. Ela olhou diretamente nos
meus olhos, e pude ver uma expressão de profunda emoção em sua face. Ela disse: “Eu lhe
agradeço imensamente. Não sei o que está fazendo com minha filha, mas agradeço por tudo”.
Para essa mãe, foi um milagre ver sua filha tão bem integrada com outros jovens de sua idade
e estar pronta para se apresentar diante do público.
Jorge é um jovem muito gentil que desde o início, imediatamente se entrosou com os valores e
ideias do grupo de pré-jovens. Ele sempre está disposto a melhorar, enfrentar desafios, e
tentar fazer o melhor que pode. Ele costumava gaguejar quando lia ou falava em público, mas
estabeleceu a meta de entrar numa competição de recitação de poemas em seu colégio. No
grupo, nós o encorajamos e apoiamos inteiramente. Jorge melhorou tanto a sua fala que
ganhou o primeiro lugar!
Preparado sob os auspícios do Centro Internacional de Ensino para a Instituição dos Conselheiros.
Os extratos de relatórios citados podem ter sido alterados em termos de gramática, claridade e
extensão. Esta publicação pode ser integral ou parcialmente reproduzida ou distribuída dentro da
comunidade bahá’í sem permissão prévia do Centro Internacional de Ensino.

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