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Days On

Fire

Sinopse: Estávamos perdidos em uma imensidão, onde você optou por me
capturar de mim mesmo.
Autora: Yamí Couto
Outras Obras: Série Sensations (Thirty Seconds To Mars) & Série Meus Dias

Notas: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Nessa história contêm pessoas reais adaptadas a uma ficção.

Stop Crying Your
Heart Out
Oasis

Mia
I can change my mind.

Esse era um dos momentos que eu poderia precisar de um cigarro. Decidi
colocar algumas ideias na pauta para finalmente assumirem alguma
personalidade.
Bruna já tinha ido há uma semana. Não que eu estivesse necessariamente
contando, mas existia quem me lembrasse o suficiente disso.
Algumas vezes me dediquei a pensar sobre isso. Sim, eu sabia que tinha
sido muito dura e até sem coração, mas... Na verdade eu realmente me
achava dentro de uma loucura, onde eu buscava ardentemente achar a
sanidade. Eu mal conseguia dar um passo para respirar sem lembrar que eu
seria vítima de algum pensamento ruim sobre.
Além disso, ela tinha deixado claro que já tinha encontrado alguém com
quem tinha pensamento parecido, mas eu nunca entendi a real necessidade
de pessoas que falassem coisas que ela gostasse de ouvir e não de uma
verdade nua e crua. A realidade a traria uma melhor reflexão.
Eu acreditei que tinha atuado da forma mais sensata, afinal... Muitas coisas
não se encaixavam desde então. Jared e eu quase não nos víamos como um
casal. Pensando bem...
Eu não o via mais como um potencial companheiro.
Segurei meu lápis com a boca, tentando amordaçar as palavras que eram
ditas livremente dentro da minha cabeça e não havia um só motivo que me
faria parar.

Celular vibrando.

Olhei para o visor. Era ele. Dei um sorriso físico e com a alma. Pode ser
completamente estúpido você se dedicar a se apaixonar novamente. Correr
o risco, perder tudo por tantas vezes... Tão pouco.
Porém, diferente das outras vezes, nessa eu me senti... Viva.

E eu gostaria de ter explicado isso a Bruna com mais cuidado, mas não
tivemos tempo.
E eu também não insisti.
Todas as minhas faltas e muitas vezes as vezes que a deixei sem resposta,
não foram propositais. Ok. Talvez algumas.
Eu a considerava uma boa amiga e uma pessoa que ainda tinha muito o que
aprender. A diferença entre eu e ela era que eu reconhecia isso.
Para ser sincera eu me pergunto se isso é uma crise ou se de fato estamos
no começo do fim.
Ainda não reconheço. De qualquer maneira, eu sei quem lê tudo isso.
Eu sei quem lê a minha mente. Foi onde tudo começou.
E digo que foi um prazer tê-la ao meu lado.
O melhor ainda está por vir.

Wake up.
Tudo parecia tão branco. O teto estava embaçado, mas eu sabia reconhecer
que não era o do meu apartamento. Minha cabeça latejava com uma dor
incessante. Mal consegui levantar e tive de apoiar meu peso na cama para
suportar.
Em passos lentos fui ao banheiro, recolhi algumas coisas minhas espalhadas
pelo chão e resolvi dar o fora. Estando onde estivesse, eu não gostaria de
trocar algumas palavras essas manhã.
-Então acordou, han.
Visualizei com apenas um olho aberto.
-O que? Ah, é. –Reconheci que estava em sua casa.
-Está indo embora? Nem vai me dizer o que aconteceu ontem? –Usou tom
baixo. Quase mordaz.
Ontem.
Eu nem lembrava de ontem. Meu cérebro ainda estava dopado pela tequila,
mas tudo foi reavivado de maneira intensa quando me fez recordar.
-E então? Vai falar ou serei obrigado a adivinhar? –Disse-me cruzando os
braços.
-Olha, Vinay... –Pensei um pouco. Sim, eu deveria fazer isso. O cara tinha
deixado eu dormir na casa dele. Dar satisfações seria o mínimo.

Caminhei até a mesa da cozinha e depositei todos os meus itens. Respirei
fundo e comecei. Ele me ouviu com atenção, sem me interromper nenhuma
vez ou para apresentar outra emoção que não fosse a de suas sobrancelhas
franzidas em tensão.
-Então a noite não foi tão boa. –Completei.
Mexi com os braços para tentar contornar meu desconforto. Depois de
alguns segundos, levantou do banco que estava, distanciou um pouco de
mim e me trouxe um capacete.
-Tome isso. Vou te levar para casa.

Se essa tivesse sido minha primeira viagem de moto, talvez tivesse me feito
desistido de ter a minha. Vinay não acelerava o suficiente, mal deu para
sentir o vento rasgando a minha pele como o habitual e não tinha um clima
de descontração entre nós. O apertei sutilmente com as pernas para
ocasionar alguma surpresa, mas foi indiferente. Me rendi ao desânimo e
esperei que chegássemos ao destino final.

Com os pés na porta, ele me deixou sem emitir uma palavra. Nem se deu o
trabalho de olhar para o lado, mas eu vi o quão correu para longe. Eu não
entendia o que aquilo poderia dizer. Eu só sentia que me escondia algo.
Talvez se eu ainda falasse com a Mia, ela poderia me ajudar com isso, mas
ela não estava aqui agora.

Nem nunca ia estar.

Annitsrik C.
Everything has a price.

As minhas pantufas eram lindas. Muitas das peças dentro do meu armário
não me convenciam tanto como essa pantufa.
Sorri, batendo meus pés um contra o outro.
Levantei para um banho. Eu adorava como o meu corpo dizia exatamente o
que eu deveria ser. Como todas essas curvas enlouqueciam qualquer
homem. Como eu conquistava tudo o que eu queria. E que poderia fazer o
que eu quisesse.

Eu já tinha boas histórias para contar. Até para os meus filhos, caso os
tivesse. Então eu lembrei.
Meus olhos pararam. Eu lembrei. Tinha sido um idiota para mim. Eu poderia
ter usado ele como alguma coisa que se move, mas que não assume muita
relevância nos dias cotidianos.
Ainda que não tivesse qualquer ressentimento ou dores, o seu jeito de
ursinho tinha cativado uma parte doce minha. A parte que muitas vezes
forcei parecer ser.
Abaixei meus olhos.
Mas seu irmão tinha que ser um idiota.
Tinha tudo passado, então...

O celular toca.

Riso.

Se eu não acreditasse em destino, eu poderia jurar que ganharia na loteria.

E eu ganhei, ursinho...

Você não poderia deixar quem te cativou tanto.

Eu já tinha você.

S.L.
Eu não sou vítima dos seus erros.

Era apenas uma tentativa. Eu já tinha te dado a chance, mas você insistia
em desperdiçar. Em tantas vielas escuras que eu consegui andar, você
resolveu se meter no meio delas.

Não era a minha moto que iria buscá-la quando quisesse ajuda.

Mas era a dele que seria a primeira em te meter em confusão.

Você fez suas escolhas. Eu fiz as minhas.

-Annitsrik? Está afim de sair em tour comigo?

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