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Vitor Henrique Mafia Nogueira do Pinho

TELEJORNALISMO REGIONAL:
Um estudo de caso do Jornal 53 da TV Betim

Belo Horizonte
2009
Vitor Henrique Mafia Nogueira do Pinho

TELEJORNALISMO REGIONAL:
Um estudo de caso do jornal 53 da TV Betim

Monografia apresentada ao curso de Comunicação


Social, do Departamento de Ciência da Comunicação
do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH,
como requisito parcial para obtenção do título de
bacharel em Jornalismo.
Orientadora: Prof.ª Dra. Nair Prata

Belo Horizonte
2009
Vitor Henrique Mafia Nogueira do Pinho

TELEJORNALISMO REGIONAL:
Um estudo de caso do Jornal 53 da TV Betim

Trabalho apresentado ao curso de Comunicação Social, do Departamento de Ciência da


Comunicação do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH.
Betim, 2008.

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________________
Professora Orientadora: Nair Prata

______________________________________________________________

______________________________________________________________

Belo Horizonte
2009
AGRADECIMENTOS

A Professora Nair Prata , pela orientação deste trabalho, e pelos gestos de carinho
que sempre dirigiu à minha pessoa, não somente como uma professora, mas
como um amiga que, tenho certeza, torce pelo sucesso de seus alunos.

Aos demais mestres do curso de Comunicação Social, do Departamento de Ciência da


Comunicação do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH, pelos ensinamentos
compartilhados fornecidos;

Aos amigos de sala, especialmente Gabiela Ridolfi e Julio Lopes de quem tive a honra e a
felicidade de conviver durante toda a graduação, e pelo laço de amizade criado e que a cada
dia se fortalece, agradeço a todos pela força.

Agradeço a Deus e por sempre me fortalecer nos momentos mais difíceis e me mostrar o
caminho a ser percorrido.

Aos meus pais, fonte de alegria e ânimo para percorrer as etapas da melhor maneira
possível.

Aos meus irmãos, pelo incentivo e pelo exemplo de dignidade e honradez.


Este trabalho é o resultado do empenho de inúmeras
pessoas que, ao longo de sua elaboração, contribuíram
de alguma maneira para que ele fosse finalizado e que
acima de tudo acreditaram em mim. Agradeço a Deus
e aos meus familiares por mais uma etapa vencida em
minha jornada.
RESUMO

Diante de uma necessidade interativa do telejornal com seu público-alvo, perante a


onda globalizadora que cada vez mais tornaria o ser individualista e distante dos
acontecimentos ao seu arredor, surge o desafio das emissoras de televisão em resgatar as
temáticas regionais, e a importância que isto significa frente à relação cidadão x sociedade.
A presente pesquisa tem o objeto de demonstrar o caráter regional do Jornal 53 que se
adéqua a uma televisão envolvida com os complexos fatores sociais e com a cultura.

Palavras-chave: Regionalismo; Globalização; Cultura; Telejornalismo.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................................................................08

CAPÍTULO 1: MÍDIA E GLOBALIZAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE..........09


1.1 Mídia em Modernidade...................................................................................................10
1.2 Globalização da Comunicação........................................................................................12

CAPÍTULO 2: PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TV ..............................................15


2.1 Telejornalismo.................................................................................................................21
2.1.1Exercício da Profissão ..................................................................................................22
2.2 O Global Versus Local e Regional.................................................................................23
2.3 O Regionalismo...............................................................................................................24
2.4 TV Regional ...................................................................................................................26

CAPÍTULO 3: PRODUÇÃO REGIONAL EM TV: TELEJORNAL 53 TV BETIM.29


3.1 Metodologia....................................................................................................................29
3.2 Historia da TV Betim......................................................................................................30
3.3Jornal 53: Historia, equipe e função.................................................................................32
3.4 Coleta de dados...............................................................................................................34
3.5 Análise do material coletado ..........................................................................................60

CONCLUSÃO....................................................................................................................63

REFERÊNCIAS..................................................................................................................65

ANEXOS..............................................................................................................................67
9

INTRODUÇÃO

A globalização tende a diminuir as raízes culturais locais da sociedade e a contribuir


cada vez mais para o individualismo do ser humano. Por isso, reviver o regional e resgatá-
lo de suas raízes constitui uma tarefa que, cada vez mais, ganha destaque entre as emissoras
de televisão, visto que os telejornais regionais, ao reportarem notícias que envolvam uma
realidade próxima aos seus telespectadores, estão contribuindo para o desempenho cultural
local.

Existe efetivamente uma contribuição complementar do homem para o exercício


pleno de cidadania por intermédio da programação da TV Educativa, uma vez que esta
segue o interesse popular regido pela ética do cidadão.
Apesar de no Brasil serem escassos os materiais que tratam a fundo o tema
regionalização, é importante frisar que o maior retorno da regionalização para as emissoras
é a confiabilidade gerada diante dos telespectadores, tornando assim um veículo com
crédibilidade.
O presente trabalho está estruturado em três capítulos, sendo: O Primeiro Capítulo
destinado a uma abordagem referente à mídia e a globalização da comunicação com a sua
conseqüente contextualização. O Segundo Capítulo se define com a compreensão da
produção jornalística, tendo como ponto central a conceituação de global, regional e local
dentro da perspectiva televisiva. O Terceiro Capítulo apresentará as discussões que
envolvem a coleta de dados propriamente dita, com análise da estrutura do Jornal 53 no
período de 28/09/2009 a 02/10/2009. Serão verificados os critérios de noticialidade que
tornam o Jornal 53 um telejornal regional. O momento final será reservado para as
ponderações derradeiras donde se comprovará a hipótese levantada.
A faceta deste trabalho consiste, justamente, em apresentar a problemática e suas
conseqüência para o telejornalismo regional. Através disso, acredito possibilitar condições
de identificar o regionalismo dentro das televisões.
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CAPÍTULO 1: MÍDIA E GLOBALIZAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE

Para discutir o tema Telejornalismo regional: um estudo de caso do Jornal 53 da


TV Betim é preciso traçar um referencial teórico e conceitual da mídia e globalização dentro
da contemporaneidade.
Com o passar dos tempos, e com o fluxo de informações cada vez mais disponível,
as relações sociais tornaram-se mais complexas. O capitalismo, surgido numa base
mercantil, fez do comércio sua primeira razão fundamental. O mercantilismo, por exemplo,
deu mostras da umbilical relação entre o Estado e o Capitalismo.
As liberdades burguesas e a constante luta contra os privilégios absolutistas fizeram
com que a modernidade se ressaltasse, em termos teóricos, os direitos individuais.
A comunicação no mundo moderno acontece numa grandeza cada vez mais global,
em que mensagens são transmitidas através de abissais distâncias com relativa facilidade,
de tal maneira que indivíduos têm acesso à informação e comunicação derivadas de fontes
distantes. Hoje, pode-se se falar em acesso a mensagens provenientes das mais remotas
fontes no espaço de maneira instantânea ou virtualmente instantânea. A afirmativa torna-se
possível pelos processos advindos da globalização, termo utilizado de várias maneiras na
literatura, que se refere de maneira geral à crescente interconexão entre as diversas partes
do mundo.
A globalização é um fenômeno atual que busca um englobamento de vários países em
torno de um único mercado, deixando às margens questões como fronteiras e diferenças
nacionais e locais.

Globalização surge no momento quando (a) atividades acontecem numa arena


que é global ou quase isso (e não apenas regional, por exemplo); (b) atividades
são organizadas planejadas ou coordenadas numa escala global; e (c) atividades
envolvem algum grau de reciprocidade e interdependência, de modo a permitir
que atividades locais situadas em diferentes partes do mundo sejam modeladas
umas pelas outras. Só se pode falar em globalização neste sentido quando a
crescente interconexão de diferentes regiões e lugares se torna sistemática e
recíproca num certo grau, e somente quando o alcance da interconexão é
efetivamente global (THOMPSON, 1998, p. 135).
11

Thompson (1998) afirma ainda que desde as formas mais antigas de comunicação
até os dias de hoje, produção, armazenamento e a circulação de informação são aspectos
fundamentais da vida social e têm passado por significativas transformações. O
desenvolvimento da mídia mudou a natureza da produção. Nesse sentido, a comunicação é
um fenômeno social que é influenciado pela sociedade.
Giddens (2000) salienta que a modernidade do mundo compreende não apenas
determinada característica como tecnologia, instituição ou sistema de crenças, mas dos
riscos e oportunidades aparentemente ilimitados que as sociedades contemporâneas
oferecem.

A modernidade do mundo é precisamente a constituição social da sociedade


contemporânea em um mundo que superou seu passado, e numa sociedade não
mais sujeita às tradições, costumes , hábitos rotinas , expectativas e crenças que
caracterizam tal historia.A modernidade é uma condição histórica da diferença;
de um modo ou de outro, uma substituição de tudo o que vigorava antes
(GIDDENS, 2000, p. 19).

Thompson (1998) afirma que o poder e a comunicação são aliados, e neste caso se
fala em poder simbólico. O meio de comunicação é o canal que liga emissor e receptor.
Com o desenvolvimento dos dispositivos mediáticos, o poder simbólico passou a ter
preponderância sobre os demais.
No próximo tópico será analisada a influência da modernidade na mídia, pois com o
desenvolvimento desta e a sua constante transformação, surgiram novas formas de
publicidade que se diferenciam das tradicionais e de co-presença, passando a existir uma
extensão da disponibilidade, onde ações e eventos se tornam públicos pela gravação e
transmissão para outros fisicamente distantes do tempo e do espaço de sua ocorrência.

1.1 Mídia e Modernidade

A tecnologia da comunicação e da cultura possibilitou a explosão das redes


informáticas e todo um conjunto de ciberculturas associadas à dinâmica de globalização das
redes, que moldam o ambiente contemporâneo.
12

Descartes apud Bornhein(1992) traz uma idéia sobre a modernidade dizendo que
esta se fundou num novo paradigma de desconstrução do saber medieval intitulada uma
nova forma de pensar, proposta sob as bases de um conhecimento racional advindo
essencialmente do sujeito pensante. De acordo com Bornheim(1992), é na defesa desta
concepção que encontramos o filosofo francês Descartes, “e coube a este a tarefa de
estruturar, em seu ponto de partida, o funcionamento da mente humana de modo
profundamente inovador (p.250)”. Inaugurando uma nova contraposição, entre o Sujeito e o
Objeto, e desconsiderando a que propunha a escolástica entre Deus, Sujeito e Objeto,
Descartes funda a modernidade, rompendo com as idéias teocêntricas e demolindo o saber
tradicional. Para tanto propõe um conhecimento científico baseado na razão num
procedimento metódico.
A idéia de modernidade reflexiva é trazida por Giddens (2000), que a define como
sinônimo de sociedade moderna ou civilização industrial, o que detalhadamente esta
associada a um conjunto de atitudes perante o mundo, como a idéia de que o mundo é
passível de transformação pela intervenção humana, economia de mercado e uma gama de
políticas , com o Estado nacional e democracia de massa.
Com isso, percebe-se que tudo aquilo que anteriormente encontrava-se cristalizados
e ossificados, dissolveram-se. Adiante, tudo que era sólido e estável se esfumou, não
escapando disso o sujeito. Depois, o surgimento da impressão teve como consequência o
desenvolvimento da indústria da mídia. O advento da indústria gráfica representou o
surgimento de novos centros e redes de poder simbólicos, que escapavam ao controle da
igreja e do Estado, mas que eles procuravam utilizar em benefício próprio. Esta tentativa de
controle teve fim com o surgimento da utilização da imprensa para fins comerciais. Com o
aumento do comércio e de novas fábricas, novas redes de comunicação foram estabelecidas
dentro da comunidade de negócios e entre os maiores centros comerciais (GIDDENS,
2000).
Ao longo dos séculos XV, XVI e XVII as redes de comunicação se
desenvolveram. A imprensa passou a ser utilizada como meio de produção e disseminação
de notícias. Posteriormente, uma infinidade de folhetos, pôsteres e cartazes começaram a
aparecer. Uma valiosa fonte de informação sobre acontecimentos correntes e distantes
serviu de estímulo para a inexperiente indústria do jornal se desenvolver.
13

1.2 Globalização da comunicação

A idéia de globalização, segundo Souza (2006, p. 17), trouxe a mercantilização da


cultura e, conseqüentemente, houve a proliferação das mídias e, no seu rastro, das
indústrias culturais, noção agora tomada em sentido bastante diverso. A cultura
contemporânea se vê emergindo de um processo de globalização, conformando produtos
culturais que, fabricados de acordo com padrões simbólicos desterritorializados, buscam se
posicionar em um mercado mundial de grandes dimensões controlado por
megaconglomerados, oriundos de gigantescas fusões de empresas, que associam cultura,
comunicação, entretenimento e lazer.
No mundo moderno a comunicação acontece numa grandeza cada vez mais global,
onde mensagens são transmitidas através de abissais distâncias com relativa facilidade, de
tal maneira que indivíduos têm acesso à informação e comunicação derivadas de fontes
distantes.
A consolidação das indústrias da mídia implicou mudanças substanciais nas
relações sociais. O desenvolvimento dos meios de comunicação gerou novas formas de
ação e interação social, que antes eram limitadas às interações face a face. Expressões
corporais e faciais também são características inerentes e significativas neste tipo de
interação. As interações mediadas são aquelas que necessitam de um meio, papel, fios,
ondas, etc. São cartas, conversas telefônicas que possibilitam a comunicação entre
indivíduos situados em espaço e tempo remotos.
Segundo Ortiz (1996), a globalização é também uma questão de escala, por isto
requer uma estratégia compreensiva distinta. Esta rotação do pensamento se impõe, não
apenas por causa de exigências disciplinares, mas devido às transformações por qual passa
o mundo moderno. Uma cultura mundializada corresponde a mudanças de ordem estrutural.
No que diz respeito ao processo de recepção, Thompson (1998) afirma que este
deve ser visto como uma forma de rotina, do cotidiano dos indivíduos que, ao receberem a
mensagem, assimilam-na e incorporam-na às suas próprias vidas e aos contextos e
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circunstância em que vivem. Apropriam-se da mensagem, ou seja, o indivíduo faz o que


quer com a mensagem que recebeu. Mas, mesmo tendo os receptores poder para controlar a
natureza e a extensão de sua participação e utilizar a quase interação para suas necessidades
próprias, têm pouco poder de intervir no curso do conteúdo da interação quase mediada.
Esse conteúdo fica por conta exclusiva dos produtores que, por sua vez, precisam dos
receptores para existir como tal.
A evolução dos meios de comunicação tem como outra consequência a
transformação da visibilidade. Os indivíduos públicos precisam estar preparados para um
novo tipo de visibilidade que funciona de forma diversificada. Segundo T ompson (1998), a
transformação da visibilidade começou com a distinção do privado e do público, passando
pela transformação da natureza do caráter deste último, a evolução das relações históricas
entre poder e visibilidade e findou com os riscos que as pessoas públicas correm na era da
informação.
De acordo com Thompson (1998), os telespectadores estão acostumados a pensar
que as pessoas que aparecem na TV pertencem a um mundo público aberto a todos. Até
sentimos um certo grau de familiaridade e intimidade com elas. Mas sabemos que não
possuímos exclusividade. Com a criação da mídia eletrônica, os líderes políticos passaram a
falar com um público muito maior, visto que antes da existência da TV e rádio a única
forma de interação era face a face. Apesar da mídia ampliar o tornar público, outras formas
de invisibilidade foram criadas para encobrir, principalmente, as decisões e atitudes do
poder político.
Ortiz (1996) menciona que novas formas de publicidade mediada assumiram um
importante papel na sociedade moderna. Elas começaram a substituir a tradicional forma de
publicidade pelo fato de alcançarem um número infinitamente maior de pessoas e por se
desligarem do tempo, do espaço e do contexto. Contudo, a direção da visão é
essencialmente em sentido único. Somente os emissores podem ser vistos. Assim, muitas
pessoas podem reunir informações sobre poucos, e, ao mesmo tempo, uns poucos podem
aparecer diante de muitos.
Foi a partir das transformações da comunicação que surgiram empresas
especializadas em assessoria de imprensa, que buscam administrar a visibilidade dos
homens públicos e das empresas. É claro que sempre foi preocupação dos líderes políticos a
15

sua imagem pública. Mas agora, com a comunicação mediada, a atenção deve ser
redobrada, pois a visibilidade mediada é uma faca de dois gumes: cria novas oportunidades
de administração da visibilidade, mas que pode ocasionar um efeito contrário. Ortiz (1996)
destaca quatro tipos de ocorrência que podem simplesmente acabar com a carreira
profissional do indivíduo ou, com sua vida privada.
Thompson (1998) aborda a questão da comunicação de massa e mostra várias
facetas da mídia. Apesar dos meios de comunicação de massa provocarem mudanças
substanciais na sociedade, o autor destaca que os receptores não são sujeitos acríticos e
manipulados frente a um poder onipotente. Pelo contrário, parte-se do pressuposto de que a
mídia é parte constitutiva da vida social, portanto sofre influências. Dentro da temática
comunicação de massa, é dado um destaque maior à questão da televisão, por ser
considerado hoje o principal veículo de informação para as pessoas. Há uma polêmica
sobre a comunicação televisiva, se seria um meio de manipulação e alienação ou um poder
onipotente da TV.
Conclui-se, inicialmente, que com no processo de globalização houve a
potencialização da tecnologia da cultura, o que conseqüentemente acarretou na proliferação
das mídias dentro de uma cultura global, de forma que os indivíduos têm um acesso muito
maior a diversos tipos de comunicação e de diferentes locais.
Passado este ponto inicial, onde se discutiu temas relevantes para o andamento deste
trabalho, passa-se a analisar as especificidades da produção jornalística, que é indispensável
para a compreensão do objeto deste trabalho: Telejornalismo regional : um estudo de caso
do Jornal 53 da TV Betim.
16

CAPÍTULO 2: PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TV

Com a inovação tecnológica e o avanço dessas técnicas, várias maneiras de se


registrar os acontecimentos, pensamentos e idéias foram moldando a representação do que
o homem faz de si próprio. O primitivo deixava seus desenhos em cavernas para gerações
futuras verem a impressão sobre aquela época vivida sob a perspectiva dos antepassados. A
comunicação é inerente ao homem e por isso sua evolução interfere por muitas vezes na
maneira de pautar a vida.
O surgimento da televisão, meio de comunicação objeto deste trabalho, segundo
Wolton (1995), se deu por volta de 1940, sendo na Europa. Antes de tal data, muitos foram
os avanços até chegar a ser possível uma transmissão de imagens à distância, sendo que a
TV entrou para a vida de todos os países e se firmou como meio de comunicação de massa
e meio de informação. Até o seu surgimento, o trabalho de técnicos pesquisadores sobrepôs
a atividade comunicacional, sendo tarefa de grandes matemáticos e físicos pertencentes as
ciências exatas, que entregaram para as ciências humanas um grande e poderoso veículo.
Simões (2003) relata que a estréia oficial da TV brasileira ocorreu no dia 18 de
setembro de 1950 em São Paulo, sendo que contempla uma face em que se tornou um meio
de manipulação de quem detinha o poder.

A TV era o meio de comunicação mais suscetível as pressões, até porque tanto


ela como o rádio sempre foram concessões públicas, teoricamente fiscalizadas
pela sociedade (leia-se governo) e, portanto, mais afeitas ao controle político e
policial. Neste contexto, a TV se tornou, no decorrer das décadas de 1970 e
1980, o meio de expressão encarado pela intelectualidade brasileira como o lugar
de genuflexão aos poderosos de plantão, do acatamento acrítico a tudo que o
novo regime tentava impor a população (SIMÕES, 2003, p. 69).

Pensar em televisão no Brasil não é possível sem regressar aos monopólios de


comunicação criados por Assis Chateaubriand, que na trajetória de sua vida passou de
pobre menino nordestino para dono de um império de comunicacional dos mais influentes
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do mundo para a época, tendo sido dono dos Diários Associados, e percussor no sistema
audiovisual trazido dos EUA.
Para discutir o papel da televisão no contexto social brasileiro, é importante remeter
à história do meio televisivo no país. De acordo com Bucci (2003), nos anos
compreendidos entre 1950 a 1964, a história da televisão brasileira tem a primeira fase
denominada elitista, que possui por característica principal uma programação direcionada
para determinada camada da população. No seu início, 200 televisores foram importados
para a inauguração da TV Tupi, canal 03 com sede em São Paulo. Contudo, de 1964 a
1975, ou seja, já na segunda fase, inicia-se a época populista vivida, influenciada contudo
pela ditadura militar, que direcionava as telenovelas para os interesses políticos com intuito
maior de atingir a sociedade.
É em 1975 a 1985 que a televisão brasileira atinge a terceira fase, diante da
evolução da tecnologia e com a retirada da ditadura militar no país, o que possibilitou o
crescimento e o surgimento de emissoras de TV, bem como a propagação de videocassetes.
Sobre o papel da televisão no Brasil, Bucci (2003) aponta como o principal meio de
informação e entretenimento.

A televisão é muito mais do que um aglomerado de produtos descartáveis destinados ao


entretenimento em massa. No Brasil, ela consiste num sistema complexo que fornece o
código pelo qual os brasileiros se reconhecem brasileiros. Ela domina o espaço público
de tal forma que, sem ela, ou sem a representação que ela propõe do país, torna-se
quase impraticável a comunicação – e quase impossível o entendimento nacional
(BUCCI, 2003, p. 9).

Em setembro de 2000, a televisão brasileira completou meio século de


existência, percorrendo um caminho que mostra sua importância como um poderoso meio
de comunicação.
Deve-se destacar também que o jornalismo televisivo, segundo Silveira (2005),
sempre foi alvo fácil dos teóricos da Comunicação. Tornou-se lugar comum apontar a
superficialidade como uma marca do gênero, praticamente condenado a ocupar o espaço
menos nobre entre os diferentes formatos midiáticos.
Jespers (1998) explica que

(...) é evidente na informação diária que se encontram mais jornalistas. [...] pessoas
estão envolvidas todos os dias, por turnos, na realização de uma edição de um
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telejornal: jornalistas, coordenadores, apresentador, realizador, “scripts”, assistentes de


produção, assistentes de realização, documentaristas, secretárias de informação,
“cameramem”, operadores de som, editores de vídeo, sonoplastas, misturador de áudio,
videografistas, etc ( p.49).

Segundo Jespers (1998), deve-se afirmar que o telejornal é uma obra coletiva em
que a responsabilidade própria do jornalista é difícil de circunscrever. Diante da robótica e
da informatização, o telejornalismo não se estagnou, uma vez que o jornalista teve acima de
tudo, que sofrer uma adaptação à nova geração. Segundo os autores, a principal
característica das empresas públicas de comunicação é o comprometimento com interesse
público, considerando o telespectador ou ouvinte um cidadão e não apenas um consumidor
de notícias como outro qualquer. Não se trata de satanizar as emissoras privadas produtoras
de notícias.
Ressalta-se que temos diferenciações entre os tipos de televisão, que se estrutura
pela sua programação, sendo assim temos a TV pública, a TV comercial e a TV educativa,
as quais nos atentaremos nesta pesquisa.
A TV pública é a televisão que objetiva uma comunicação baseada na mudança para
a democracia e a cidadania, o compromisso se dá em relação ao interesse público e não a
exploração comercial.
Ao contrário da TV pública, temos a TV comercial, que se baseia toda sua
programação, ou a maioria, em angariar audiência, pois o que se visa é o lucro, nem sempre
está preocupada com a qualidade da programação, e aliam nas edições boas reportagens,
estas estão sempre fragmentadas para as propagandas.
Ao contrário do rádio, a TV no Brasil nasceu da iniciativa privada e sobre os moldes
comerciais em busca da maior audiência. O anseio em entrar nesse veículo de massa e dar
visibilidade aos atos do Estado deu origem a TV Pública brasileira, que se desenhou ao
longo das décadas no Brasil. A TV Pública surgiu do compromisso ao artigo 223, que visa
a complementaridade entre os sistemas estatal, público e privado. Foi em 2007 sob o
comando da EBC (empresa brasileira de comunicação) que a TV Brasil se formou, através
da junção de 4 canais federais. A programação é trabalhada nas seguintes qualidades:
infantil, jornalismo, documentários, programas culturais e de entretenimento. A TV Pública
brasileira busca fortalecer a produção audiovisual independente para montar uma grade
bem instrutiva, remetendo-se à sua finalidade educativo-cultural. A contribuição das
19

emissoras estaduais do campo público fortalece junto rede pública de televisão as


identidades regionais, retratadas do ponto de vista jornalístico e cultural. Em relação à TV
Pública, a TV Educativa segue os mesmos preceitos, porem é trabalhada pela iniciativa
privada e não tem cunho comercial. Sua sobrevivência é mantida através dos apoios
culturais, diferentes dos comerciais.
Priolli (2003) traz uma reflexão sobre a televisão brasileira, quando diz:

A televisão brasileira, assim como o próprio país, é controlada por uma elite
majoritariamente branca, radicada na região sudeste, mas exógena, voltada para
a Europa e os Estados Unidos, de onde acreditam provirem todo o progresso e a
civilização que a espécie humana pode alvejar. [...] A televisão tem sido um
poderoso instrumento de difusão desse sentimento nacional, que articula
incluídos e excluídos em torno de uma certa idéia básica de Brasil, e existe ao
mesmo tempo como unidade de diversidade (PRIOLLI, 2003, p. 15).

Segundo o autor, as emissoras regionais são mais fracas perante as redes nacionais,
uma vez que estas detém melhor capacidade de produção, uma programação de melhor
qualidade, entre outros pontos abordados. O que se afirma é que a televisão brasileira teve
sua origem local, permanecendo assim por uma década até que a evolução técnica
quebrasse as barreiras municipais.
Um aparelho que chegou no Brasil em 1960 foi o videoteipe, que gravava as
imagens, e posteriormente as enviava por avião e as transmitia. Foi diante desta inovação
que se formaram as primeiras redes nacionais de TV. Priolli (2003) aponta também que, em
1969, surgiu o projeto de integração nacional, inaugurando a Rede Básica de Microondas e
interligando as diversas regiões do país, permitindo a transmissão de programas ao vivo,
em tempo real.
Contudo, Simões (2003) demonstra que, com o endurecimento do regime militar no
final de 1968, a participação do jornalismo, considerado programação secundária, ficou
reduzida. Segundo a autora, os últimos dez anos foram marcados por uma modificação no
perfil da TV brasileira, incorporando contingentes até então à margem do consumo.
Bechelloni, citado por Bassega (2003), sustenta a divisão da mídia em velha e nova
sendo estas

As velhas mídia (livro, periódico, filmes), que custavam aos fruidores tanto
tempo como dinheiro; as novas mídias (o rádio e a televisão que custam aos
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fruidores apenas tempo, pois o acesso a elas é gratuito, e as novíssimas mídias (o


videocassete, a TV a cabo, o pay per view, o computador), que trazem também
para o fruidor um custo em tempo e dinheiro (p. 102).

Ainda de acordo com o autor, o conhecimento não exclui a informação, de tal


maneira a escola, ao desvelar os processos de produção da notícia e de edição do mundo,
pode ajudar a transformar a informação veiculada pelos meios de comunicação em
conhecimento. Bucci (2003, p.124), por sua vez, argumenta que “a televisão entre nós não é
apenas show, mas englobou também o campo cidadania, quer dizer, engendrou e delimitou
o que se entende por espaço público no Brasil. [...] a televisão exerce o papel de integrar as
sociedades nacionais”.
O Estado tenta, ao longo da história da TV, interferir na programação, gerando
batalhas jurídicas. De tal maneira, Leal Filho (2003) explica que o governo federal
transferiu a gestão da TV Educativa para a nova organização social sendo esta a TV Brasil
e firmou com ela um contrato de gestão. Isso possibilitou que as emissoras sejam operadas
como se fossem entidades privadas. Ao completar 59 ano,s a TV começa a descobrir seu
lado público.
Wolton (1996) afirma que a TV no Brasil teve um papel de amortecedor dos efeitos
da ditadura militar. Para o autor, duas teses são possíveis em relação a essa situação.

A primeira, clássica, faz da televisão um instrumento suplementar de controle


político e ideológico. A segunda, partindo da hipótese de uma capacidade crítica
real do país em relação a essa vontade de manipular, insiste, ao contrário, sobre
uma espécie de influência muito mais ambígua e, às vezes, muito positiva da
televisão (p.156).

Wolton (1996) possui uma visão otimista em relação ao meio televisivo, inclusive
no Brasil, contrariando a opinião de muitos técnicos brasileiros, como Sodré (1984), entre
outros, que instituem a televisão como uma forma de controle e alienação do público. A TV
brasileira assistida por todos os meios sociais, e em função da diversidade de seus
programas, constitui um poderoso fator de integração social. Ela contribui também para
valorizar a identidade nacional, o que constitui uma das funções de integração social. Uma
das diferenças apontadas em relação às televisões européias é que se trata, nesse caso, de
uma televisão privada. Mas a partir da sua importância social, cultural e política, essa
21

grande televisão privada obedece, afinal, às limitações dos serviços públicos. O autor ainda
menciona que apesar das condições históricas, quanto às escolhas políticas e comerciais,
serem diferentes no Brasil e na Europa, encontramos pontos comuns fundamentais que
ilustram a constatação evidente, muitas vezes negada, de que a televisão geralista
desempenha um papel central nas sociedades democráticas. Encontramos, principalmente, a
inteligência e o senso crítico do público, sem os quais a qualidade dos programas não seria
aquela que faz a tradição das grandes redes.
Ao contrário de Wolton (1996), que tem visão otimista sobre a inserção da TV no
meio social, Bucci (1997), tem uma opinião bem crítica. Segundo o autor, o espaço público
no Brasil começa e termina nos limites postos pela televisão. O autor afirma que é dentro
dos limites da TV que o país se informa sobre si mesmo, situa-se dentro do mundo e se
reconhece como unidade. A televisão é a vitrine idealizada para boa parte da sociedade. E
assim, esses indivíduos, desde as crianças até os idosos, tendem a moldar suas vidas e visão
de mundo de acordo com o que é exposto na novela, evidenciado no noticiário e nos pontos
de vistas dos talk shows. O que está na telinha é a verdade e o que não está deixa de existir.
Porém, Bucci (1997) afirma que a TV não impõe nenhuma regra, ela apenas se apresenta
com mecanismos necessários para integrar expectativas diversas e dispersas, os desejos e as
insatisfações difusas, consegue incorporar novidades que se apresentem como
originalmente fora do espaço que ela ocupa e, em sua dinâmica, vai dando os contornos do
grande conjunto, com um tratamento universalizante das tensões.
Na opinião de Bucci (1997), a televisão é, então, o hábito mais cultivado, uma
referência mais constante que acaba transformando esse meio de comunicação de massa no
veículo incomparavelmente superior. A integração social se dá através da TV, e a nação se
torna unificada não enquanto povo e sim enquanto público. Este autor chega a dizer que a
importância da TV em uma sociedade é diretamente proporcional ao seu nível de
subdesenvolvimento e de analfabetismo. Com a cultivação da TV, não é mais preciso
buscar informações e entretenimento em outros lugares. Assim, a televisão torna-se a fonte
de tudo, mesmo que deixando, muitas vezes, a realidade de fora. A auto-imagem do
brasileiro foi gerada a partir da televisão, nos anos 70. Graças ao militarismo, o território
brasileiro foi interligado por antenas e integrado via Embratel.
22

2. 1 Telejornalismo

O telejornalismo tem a função de informar a população de modo geral sobre os


acontecimentos mais importantes do dia a dia. Para atingir o público, que é muito amplo, a
linguagem utilizada deve ser objetiva e simples. Tendo em vista que os telejornais
acompanham a fragmentação social, criam-se também analises editoriais além da
imparcialidade do explicito nas matérias jornalísticas de cunho específicos como economia,
política, esportes, dentre outros.
Para o estudo do Telejornalismo será dado o enfoque em linguagem, produção,
estrutura de produção, e um enfoque maior em caráter regional versus nacional.
Inicialmente, o telejornal é uma obra coletiva onde a responsabilidade própria do jornalista
é difícil de circunscrever.
Uma vantagem existente nos meios de comunicação é a possibilidade de
noticiar o fato quase ou simultaneamente quando estes ocorrem, tendo a
possibilidade de eliminar o intervalo que separa o acontecimento de sua divulgação pela
mídia impressa, por exemplo. Rezende (2000) afirma que a perda do privilégio de
transmitir uma notícia em primeira mão possibilita que jornais e revistas exerçam
aprimoradamente sua potencialidade mais significativa: aprofundar-se na divulgação e
análise dos acontecimentos, mostrando os fatos em seus múltiplos aspectos, como causas,
conseqüências, acontecimentos paralelos e outros.
Na TV a construção da notícia se baseia no entrosamento entre a imagem e a
palavra. Ao mostrar um fato direto da realidade, a televisão opera, com uma intensidade
maior do que qualquer outro veículo, uma relação direta e imediata com o vivenciado.
Dessa maneira, a TV realiza sua obra jornalística. Permite ao telespectador testemunhar um
caso como se estivesse no local. Giacomantonio, citado por Rezende (2000), ressalta que o
que caracteriza a televisão é justamente sua capacidade de retransmissão da mensagem ao
mesmo tempo em que ela se cria.
23

Como o telejornalismno tem um público amplo, a linguagem deve ser objetiva e


simples, portanto a seleção das palavras é condição básica para que se obtenha sucesso na
transmissão de uma notícia. Segundo Sodré e Ferrari, citados por Rezende (2000), os
critérios para a seleção vocabular variam de acordo com a época da produção de texto, com
o meio utilizado, com a intenção pedagógica que se possa ter e com um possível efeito
crítico, estético e humorístico que se pretenda obter.
Por ser destinado à audição, diz Rezende (2000), o texto de TV deve possuir uma
outra virtude, a sonoridade das palavras. Em depoimento a Carlos Tramontina, Joelmir
Beting conta que, ao longo de sua vida profissional, passou a perceber que um texto que
soasse como música poderia agradar mais facilmente (BETING apud TRAMONTINA,
1996, p.89).
Para Rezende (2000), quanto mais coloquial for o tom que o jornalista vier a
imprimir na mensagem que elabora, maior será o grau de comunicação afetiva com o
telespectador. Baseado no Television News, o Manual de Telejornalismo da Rede Globo dá
uma idéia bem clara de como deve ser a junção da palavra com outros elementos
expressivos.

[...] é como se a gente abrisse a janela e contasse para o vizinho a novidade do


dia. Se a gente fizer assim certamente começará o papo com uma expressão do
gênero: Ei, João, sabe o que aconteceu? – esse é um truque que você deve usar na
hora de escrever uma notícia. Imagine que você está contando alguma coisa para
alguém. Sempre que escrever, imagine uma pessoa – é com ela que você vai
conversar, é pra ela que você vai transmitir sua informação. Não esqueça que é
importante motivar a pessoa para que ela receba o seu recado (Rede Globo de
Televisão, 1984, p.9).

2.1.1 Exercício da Profissão

Diante da globalização da comunicação, posturas novas são introduzidas no


cotidiano dos comunicadores, que contam agora com muita tecnologia e com informações
disponibilizadas mais facilmente, o que ajuda na complementação de reportagens de um
telejornal. Nesse sentido, existe efetivamente uma contribuição complementar do homem
24

para o exercício pleno de cidadania por intermédio da programação da TV pública, uma vez
que esta segue o interesse público regido pela ética do cidadão.
Barbeiro e Lima (2006) ressaltam a importância da ética e da moral no campo
jornalístico, explicando que a primeira constitui na dissipação o principal balizador de
desenvolvimento histórico da humanidade, e na ausência desta a civilização não chegaria
com a atual face.

Os jornalistas, como outros profissionais, necessitam de um código de ética, um


acordo explícito entre todos com o compromisso de realizar sua função social de
um modo compatível com os princípios universais da ética. Tal código é
articulado por meio de uma deontologia, pela qual fica claro o desejo de cumprir
seus deveres. É um instrumento frágil de regulação dos comportamentos de seus
membros, e não pode coercitivamente, obrigá-los a cumprir os preceitos do
código; a pressão é somente de ordem moral (p. 24).

No campo jornalístico é possível o choque entre a ética e a moral, uma vez que
“transgredir regras morais para se atingir um jornalismo de relevância pode ser ético. Então
no campo jornalístico os choques entre a ética e a moral são perfeitamente possíveis”
(BARBEIRO e LIMA, 2006, p. 24).
De tal maneira, os autores citam e caracterizam toda a parte funcional das
atribuições de cada um da equipe de jornalismo, começando pelo diretor de jornalismo,
editor chefe, o pessoal da planície, o coordenador de rede, a reportagem, o vídeorepórter, e
seus passos básicos como a apresentação de programa jornalístico, a entrevista, a pauta, e
produção.
Existem normas para editores e repórteres, que apresentam o texto, a edição, o
esporte, a central informativa, a prestação de serviços, a redação. Dessa forma, a liberdade
de expressão e de imprensa fica restrita diante ao respeito que deve haver aos direitos
humanos, conforme nos ensina BARBEIRO E LIMA (2006). Estes garantem a integridade
do jornalista e todas as pessoas que desejam expor livremente suas idéias.
Para o exercício da profissão de jornalista a ética deve ser o elemento a ser buscado
fazendo com que o telejornalismo seja conduzido de maneira positiva.

2.2 O Global versus Regional


25

O paradoxo global versus local no Brasil é evidente uma preocupação maior com o
regionalismo, principalmente por parte dos meios de comunicação de massa. Apesar da
ausência de leis ordinárias para a regulamentação da implantação da regionalização das
emissoras de televisão, a Constituição Federal, em seu artigo nº 221, inciso III preceitua o
processo de regionalização.

Art. 221 - A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos
seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que
objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais
estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
(BRASIL, 1988, grifo do autor deste trabalho).

O que denota o valor de princípio, para a produção e programação das emissoras de


rádio e televisão é promover a cultura regional, bem como a regionalização artística e
jornalística. De tal modo, frente a este fenômeno regionalista, surgem, num contexto global,
telejornalismos que apostam na importância de informação regional e local, como o Jornal
53 da TV Betim, objeto deste trabalho.

2.3 O regionalismo

O processo de comunicação está a cada dia sendo realizado de forma mais


personalizada, pois mesmo estando inseridas dentro de um processo de globalização, as
pessoas se interessam em sentirem informadas daquilo que acontece na sua proximidade e
para consequentemente interligarem ao que é notícia no resto do mundo.
Assim, Simões (2006), ao discutir a questão do regionalismo, afirma que se trata de
um processo político que transcende as fronteiras nacionais. Segundo o autor, é um
processo pelo qual se organizam os Estados em busca da criação de comunidades regionais
de desenvolvimento bem como na criação de zonas de livre comércio entre os países. Em
26

ambos os casos, segundo Simões (2006), o que está em jogo é o fator nacional e geográfico
operando novas configurações econômicas em âmbito global.
Os seres humanos, em qualquer sociedade, ocupam-se da produção e da permuta de
informações e de conteúdo simbólico. Assim, de acordo com Thompson (1998):

Desde as mais antigas formas de comunicação gestual e de uso da linguagem até


os mais recentes desenvolvimentos na tecnologia computacional, a produção, o
armazenamento e a circulação de informação e conteúdo simbólico têm sido
aspectos centrais da vida social. Mas com o desenvolvimento de uma variedade
de instituições de comunicação a partir do século XV até os nossos dias, os
processos de produção, armazenamento e circulação tem passado por uma série
de desenvolvimentos institucionais que são característicos da era moderna
(p.19).

Segundo o autor, o termo massa presente na comunicação em massa é enganoso,


uma vez que denota a figura de uma enorme audiência de milhares de indivíduos, o que
pode vir a calhar para determinados produtos da mídia, tais como os modernos. Assim,
tem-se os jornais populares, programas de televisão, entre outros. Contudo, arduamente
concebe as circunstâncias de muitos produtos presentes na mídia no passado, ou mesmo
atualmente. Assim, no início das fases de desenvolvimento da imprensa escrita periódica e
certos setores de mídia atual, a audiência permanece relativamente pequena e de forma
especializada. Este termo deve ser utilizado, sem, todavia, reduzi-lo a somente uma questão
que envolva quantidade. Assim, o que realmente importa neste termo é o fato de que estes
produtos estão disponíveis em princípio para uma determinada pluralidade de destinatários.

Eu usarei a expressão “comunicação em massa” para me referir à produção


institucionalizada e difusão generalizada de bens simbólicos através da fixação e
transmissão de informação ou conteúdo simbólico. Desdobro esta definição em
cinco características: os meios técnicos e institucionais de produção e difusão; a
mercantilização das formas simbólicas; a dissociação estruturada entre a
produção e a recepção; o prolongamento da disponibilidade dos produtos da
mídia no tempo e no espaço; e a circulação pública das formas simbólicas
medidas (THOMPSON, 1998, p. 32).

Com o desenvolvimento da mídia, foram criadas novas formas de publicidade que


se diferenciam das tradicionais e de co-presença. Assim, existe uma extensão da
disponibilidade oferecida pela mídia, onde ações e eventos se tornam públicos pela
27

gravação e transmissão para outros fisicamente distantes do tempo e do espaço de sua


ocorrência. Este desenvolver da mídia originou novas formas de “publicidade mediada”.
A televisão possui uma riqueza visual e estabelece uma nova e distinta relação entre
publicidade e visibilidade, uma vez que enfatiza o sentido da visão, permitindo aos
receptores o contato com pessoas, ações e eventos, bem como a audição de palavras faladas
e outros sons.

O campo televisivo é obviamente, muito mais extenso em seu alcance,


permitindo aos indivíduos assistirem a fenômenos que acontecem em contextos
muito distantes. É também um campo que foge completamente ao controle de
seus receptores, O espectador não está livre para escolher o ângulo de visão, e
tem relativamente pouco controle sobre a seleção do material visível. [...] O
desenvolvimento da televisão criou assim uma nova forma de publicidade,
implicando um tipo distinto de visibilidade, muito diferente daquele tradicional
de co-presença (THOMPSON, 1998, p. 118).

As formas de conflito social são extremantes complexos e implicam diversos


fatores. Assim, seria prudente sustentar que a apropriação localizada dos produtos
globalizados da mídia foi o maior fator de estímulos. Na ausência da televisão, seria pouco
provável que os acontecimentos tivessem os desdobramentos que tiveram. Portanto, os
contornos da globalização da comunicação constituem um fenômeno que alterou a natureza
do intercâmbio simbólico e transformaram em determinadas características as condições de
vida de indivíduos em todo o mundo.

2.4 TV regional

No mundo televisivo percebe-se a necessidade de criar uma identidade com o


público, sendo a regionalização um novo caminho, pois mesmo tendo informações a nível
global, as pessoas necessitam de informações sobre sua localidade. Porém, o grande desafio
para as emissoras e para os jornalistas é o alto custo deste tipo de programação.
A TV regional minimiza a padronização de informações e alcança as necessidades
reais da população daquela região onde concentra sua transmissão.
28

Quanto ao problema dos custos elevados Cruz, (1996), afirma que, com a produção
de programas regionais, existe a chance de alcançar publicidade local, pois o valor é bem
mais em conta. As empresas pequenas e médias além do comércio varejista possuem
condição financeira para anunciar na TV e assim financiá-la. No entanto, a regionalização
das emissoras de TV dependem do poder de consumo e os meios técnicos viáveis.
Os valores e a participação de uma simultaneidade dinâmica econômica são os
mesmos para todos os membros de uma sociedade, mas pode-se afirmar que o mundo passa
por um fenômeno de globalização, em que informações de diversos locais geram influência
em todo o mundo e, diante disto, verifica-se a tendência de revitalizar as mídias locais e
regionais. Guedes (1998, p.1000) afirma que “devemos pensar globalmente e agir
localmente, e colocar alguma energia em desenvolver conceitos e textos que irão explicar
as ligações entre as comunidades locais e os sistemas mais amplos”.
A mídia passa por mudanças, todavia ela é fabricante de significados e de
representações da realidade, e têm capacidade de intrometer-se nas relações sociais,
podendo proporcionar no teor de suas mensagens, informações que remetam à constituição
de uma identidade social em determinada região específica.
Assim, Fadul (2007) argumenta:

Ao mesmo tempo em que se observa uma intensificação do processo de globalização da


mídia, observa-se também um crescente interesse pela mídia regional. Esse fenômeno tem
sido observado não somente no Brasil, como também em muitos países europeus. No
Brasil entretanto, os estudos sobre a mídia têm privilegiado mais sua dimensão nacional
do que a regional, que ainda é vista a partir da mídia do eixo Rio-São Paulo, traduzindo
assim uma ótica etnocêntrica. (p.3)

Lima (2005) expõe que a regionalização ocupa um lugar de destaque na mídia


globalizada. Segundo a autora, os anos 80 foram marcados pelo maior avanço da história no
setor de telecomunicações.

Assistimos a um aumento singular do número de emissoras de televisão, o lançamento de


satélites domésticos, o enlace mundial de satélite, a implantação e inserção na rede
mundial de transmissão de dados, a introdução de TV a cabo, da TV por assinatura, a
abertura de emissoras em UHF, a formação de redes regionais de televisão, a introdução
de parabólicas em todos os países, e a entrada indiscriminada de equipamentos de
telecomunicações e de radiodifusão por intermédio das corporações internacionais, com
beneplácito da maioria dos governos e apesar das leis e protecionismos (p. 75).
29

Para um melhor entendimento do que venha a ser regionalismo, faz-se necessário


compreender o que é região. Sobre a etimologia da palavra região, Corrêa (1990) explica
que vem do latim régio, que, por sua vez, deriva do verbo regere, isto é, governar, reinar.
Peruzzo (1998), enfatiza que o crescimento dos meios comunitários foi possível
graças à importância dada à regionalização: a tendência à regionalização das comunicações,
principalmente da televisão, aumenta o potencial do desenvolvimento da comunicação
comunitária.
De tal modo, o aumento das TVs regionais está diretamente ligado a identidade dos
telespectadores que se encontram envolvidos com demandas relacionadas ao local que
residem. “Através da TV regional é que o público possui a oportunidade de se ver retratado
na tela da televisão” (BAZI, 2001, p. 87).
Apesar de no Brasil serem escassos os materiais que tratam a fundo o tema
regionalização, é importante frisar que o maior acrescentamento que traz para as emissoras
é a confiabilidade gerada diante dos telespectadores, tornando assim um veículo com
crédito e consequentemente com audiência.
Os empresários, comunicadores e executivos se preocupam com o futuro da
televisão aberta, após a instalação da televisão paga no país e afirmam que a regionalização
da programação da televisão é o principal fator de sobrevivência das emissoras do país.
Assim, Bazi (2001) explica que:

Especialistas das maiores redes de televisão do Brasil confirmaram que a regionalização


é o novo caminho para as emissoras, assim como a TV digital.[...] Não foram só os
empresários do meio televisivo, porém, que indicaram que a regionalização da televisão
é um fenômeno atual (p.12).

Neste capítulo, houve a demonstração de que o regionalismo amplia os poderes


locais como um meio de disseminar a cultura sem perder a essência de sua identidade
cultural.
Conclui-se que os jornalistas e as emissoras devem começar a repensar em uma
programação voltada para o local e a adequar dentro dos programas já existentes algo a este
respeito e, dentro destas mudanças, incentivar uma TV mais democrática.
30

A partir dessa reflexão, inicia-se um maior aprofundamento sobre o Telejornalismo


Regional: Um estudo de caso do Jornal 53 da TV Betim, que busca pela programação
educativa cultural.

CAPÍTULO 3: PRODUÇÃO REGIONAL EM TV: TELEJORNAL 53


TV BETIM

Neste ponto da pesquisa será demonstrada a análise que é referente a gravação do


telejornal sendo analisadas aleatóriamente cinco edições do Jornal 53, no período de
28/09/2009 a 02/10/2009, para ver se a noticialidade dele o caracteriza como regional.

3.1 Metodologia

A pesquisa deste trabalho é de cunho qualitativo e seguirá os seguintes passos:

a) o levantamento bibliográfico constituído de todo o acervo relacionado com a pesquisa:


monografia, pesquisas, livros, artigos, jornais e outros. (LAKATOS e MARCONI, 1983).
Para os autores, as soluções dos problemas devem ser verificadas por meio de um material
já elaborado, ou seja, a partir de pesquisa bibliográfica.

b) a pesquisa documental, que, para Lakatos e Marconi (1983) é caracterizada por


apresentar como fonte uma coleta de dados restrita a documentos, escritos ou não,
constituindo o que denomina de fontes primárias. Nesta pesquisa, foram feitas gravações do
telejornal, sendo analisadas cinco edições do Jornal 53, no período de 28/09/2009 a
02/10/2009.
A pesquisa será feita a partir das seguintes categorias:
1. Numero de matérias regionais;
2.Estrutura das matérias regionais;
31

3.Número de matérias não regionais;


4. Estrutura das matérias não regionais;
5.Número de notas secas regionais;
6.Estrutura das notas secas regionais;
7.Número de notas secas não regionais;
8. Estrutura das notas secas não regionais;
9. Número de notas cobertas;
10. Estrutura das notas cobertas;
11. Número de Stand Up;
12. Estrutura do Stand Up;
13. Número de entrevista de estúdio;
14. Estrutura da entrevista de estúdio;

3.2 História da TV Betim

A TV Betim foi criada em 2003, através da Fundação Cultural Mangabeiras. O


então Presidente da Fundação Wilson Pingo de Oliveira Antunes1 disse, “naquela época o
interesse era unir a comunidade em torno de uma identidade”. Ainda ressaltou a
importância das pessoas se verem na TV e começarem a identificar os atores sociais da
cidade.
Antunes diz que o canal 53 UHF é importante para o fortalecimento da identidade
cultural, que modificou todos os critérios de noticiabilidade de quando e como eram vistos
em mídia televisiva.
O slogan do canal sempre foi : “A TV que é a sua cara”, o que explica o espírito e o
compromisso com a regionalização. No dia primeiro de julho de 2003, a TV Betim foi ao ar
com a primeira produção local, com o Jornal 53, exibido inédito às 19h30. Antunes explica
que no início o programa reprisava três vezes, às 23h, às 7h30 do dia seguinte e às 12h30,
sob o argumento de que eram oportunidades de quem não assistiu num certo horário poder

1
Antunes foi o presidente da Fundação Cultural Mangabeiras no período de 2003 a 2006 e de 2006 a junho
de 2009. Atualmente ocupa o cargo de diretor-financeiro.
32

ver em outro. A sede da emissora fica localizada na Rua Tapajós, 995, no bairro Brasiléia,
em Betim. Em sua estrutura possui um estúdio de 10m X 5m, três câmeras de estúdio, três
câmeras de externa, dois teleprompter, uma sala de controle mestre para exibição, dois
carros, um almoxarifado, um setor administrativo-comercial, duas salas de redação, 4 ilhas
de edição e uma cozinha.
Sua evolução foi vista, segundo Antunes, a partir do investimento feito, em
contratações e planejamento para ampliar a programação, como no caso da atração
esportiva, exibida diariamente a partir do terceiro mês da abertura da emissora até
dezembro de 2008. „‟O programa era ao vivo, no horário do almoço, começando às 12h30 e
terminando às 14h. O ponto de partida do programa era trazer pessoas ligadas ao esporte
local, privilegiar quem contribuía e havia contribuído para a cidade seja sendo atleta ou
torcedor‟‟, explica o ex- presidente.
Matérias de esporte dos telejornais da Rede Minas eram exibidas no programa
também como forma de fortalecê-lo. Eram três emissoras das quais a TV Betim era
afiliada: a Rede Minas, a antiga TVE (atualmente TV Brasil) e a TV Cultura. Esta última
não mais faz parte da parceria. “A variação na grade de programação foi grande devido ao
contrato não renovado com a emissora paulista, a TV Cultura. A mescla de programas
deixava a grade extremamente competitiva e supria a demanda por programas de qualidade
produzidos e de cunho educativo cultural”, avalia Antunes.
A naturalidade que as pessoas de comunicação da cidade foram se interessando e
pleiteando programas na grade de programação foi tremenda, que não se concretizou
segundo Antunes pelos requisitos básicos profissionais e estruturais exigidos pelos órgãos
fiscalizadores. A partir daí surgiram alguns programas. Foi o caso do Léia Nogueira e
Você, que foi o primeiro programa semanal de entrevistas da TV Betim, que foca em fatos
do interesse público nas áreas de saúde, política, entretenimento e social. Ligado em você
foi um programa semanal com apresentação do radialista Márcio Freitas. Com quadros
interativos e com a participação dos telespectadores ele conseguiu mostrar show de
calouros e movimentar a região. O programa durou um ano e seis meses. O programa
Mistureba também compôs a programação da TV Betim. O apresentador Pedro Henrique
informava o que estava acontecendo no mundo da música, dava dicas de livros, filmes e
ainda passava videoclipes musicais. O Fala Betim era um “povo fala” sobre assuntos que
33

aconteciam na comunidade e passava durante a programação da TV, fazendo parte dos


intervalos. A gravação de vinhetas com músicos da região fortalecia o intervalo, salienta
Antunes. O lançamento de novos programas foram substituindo outros que não deram
certo, nem conseguiram se manter através dos apoios culturais. Atualmente na grade de
programação estão os programas Arena 53 –Esporte e Cultura, Balada Country, Conexão
53, Diz ai, Jornal 53, K53, Opinião Pública, Palavra de Fé, Rancho Arte da Pesca e
Resumo do Jornal 53. A descrição dos programas está detalhada nos anexos deste trabalho.
O ex-presidente da Fundação, que exerceu por dois triênios o cargo da instituição sem fins
lucrativos citou que no ano de 2008 um importante passo foi dado pela emissora, devido a
aquisição de um transmissor mais potente e bem localizado. “Com isso a TV Betim
alcançou um número expressivo de cidades vizinhas que acompanham e interagem com
nossa programação. Dessa maneira a intenção é crescer nas áreas onde o sinal tem
abrangência”, nesta perspectiva, explicitou Antunes, atual diretor financeiro da Fundação.
Atualmente a emissora possui um total de 29 funcionários, cinco estagiários e um
menor aprendiz, que dividem suas funções e são aparados pelos seguintes sindicatos: dos
radialistas, dos jornalistas e dos motoristas.
A atual presidente da Fundação Cultural Mangabeiras, Dulce Mello Rosa2, salienta
que manter uma televisão comunitária é como uma missão e a ela cabe seguir com esse
projeto de vida. Tia Dulce, como é conhecida dos programas de TV infantis já apresentados
nas décadas de 70 e 80, diz que os desafios em manter a grade de programação regional são
enormes, e ressalva que a cultura atrativa para os apoios culturais é ainda não tão valorizada
pelas grandes empresas no âmbito regional. A ex-apresentadora de televisão acredita que a
TV Betim foi um divisor de águas para o município, valorizando e colocando em evidência
a cultura local, sendo fonte de informação diária para quem mora na região.
A programação da TV Betim encontra-se nos anexos deste trabalho.

3.3 Jornal 53: História, equipe e função

2
Dulce Maria de Mello Rosa é atual presidente da Fundação Cultural Mangabeiras. Foi apresentadora e
trabalhou como radialista em emissoras de TV como apresentadora de programas infantis desde 1956.
34

O Jornal 53 foi o primeiro programa da TV Betim de produção própria. Foi ao ar


pela primeira vez no dia primeiro de julho de 2003. As edições diárias tinham em média 16
minutos de matérias, totalizando 25 minutos com intervalos.
Do início da TV para os dias atuais, pouco foi modificado na estrutura do jornal. De
início, não eram inseridas matérias da Rede Minas, TV estatal da qual a TV Betim é
afiliada. A produção do jornal sempre foi estruturada da seguinte maneira: produção,
reportagem, edição e apresentação. Na rotina dos profissionais, uma produtora foi
incumbida de produzir pautas para os repórteres cobrirem. “A produtora era acompanhada
de duas estagiárias que ajudam a fazer as rondas nos diversos órgãos prestadores de
serviço, seja ele uma delegacia ou até mesmo um banco de leite”, informa a Editora-Chefe
do Jornal 53.
Karina Castro3 conta com uma equipe de reportagem na parte da manhã.
Geralmente são feitas três pautas por dia pela equipe de reportagem, formada por uma
repórter, um operador de câmera de unidade portátil externa e um motorista. Entre um turno
e outro, uma produtora encontra-se com outra. Nesse meio tempo em que as equipes se
revezam, uma reunião de pauta é feita às 13h50 com toda equipe. Na parte da tarde, a
equipe muda completamente, e outros profissionais ficam encarregados de concluírem a
edição do dia ou programar a do dia seguinte. Uma produtora e um estagiário trabalham
com marcações de pautas e auxiliam, sempre que necessário, a equipe de reportagem do
turno da tarde. Duas editoras de vídeo começam a capturar o que foi feito na parte da
manhã e o que é possível adiantar que foi feito na parte da tarde, inclusive quando é factual.
Para auxiliá-las, uma editora de texto que faz os cortes das sonoras e das imagens, seleciona
tudo pertinente do texto do repórter e monta a sequência da matéria. Todo esse trabalho é
monitorado pela editora-chefe, conta Karina, que assumiu o cargo em julho de 2009. A
apresentação é feita pela editora de texto, que acompanha e fica atenta ao que aconteceu
durante a matéria. A carga horária diária é de seis horas de segunda a sexta-feira, sendo
diferente apenas para o repórter que trabalha 5 horas e 30 minutos, e para o restante de
equipe de reportagem, devido à cobertura de um dia no final de semana intercalado.
Atualmente, são feitas matérias das cidades em que a TV tem cobertura, como por
exemplo : Brumadinho, Contagem, Esmeraldas, Ibirité, Igarapé, Juatuba, , Mário Campos,
3
Karina Castro, jornalista, editora-chefe, desde julho de 2009, sendo que ocupou o cargo de produtora do
Jornal 53 desde novembro de 2007.
35

Matheus Leme, São Joaquim de Bicas e Sarzedo. Os critérios que regem a noticiabilidade
dessas matérias seguem uma lógica simples segundo Castro: a interação do telespectador
com o jornal.
“As matérias ainda experimentais acabaram atraindo os telespectadores dessas
cidades e hoje, apesar da TV focalizar o nome de Betim, o Jornal faz coberturas
esporádicas para que ainda com essa estrutura possa atender as demandas‟‟, reafirma
Karina sobre a construção de uma identidade regional criado pelo telespectador com o
veículo de comunicação, se referindo ao Jornal 53. A equipe é composta por 15
funcionários, sendo que seis deles são jornalistas formados, quatro técnicos e dois
motoristas. Três estagiários fazem a redação jornalística e podem apenas trabalhar como
produtores, uma vez que não é permitido contato com máquinas nem mesmo com sua
exposição perante as câmeras.

3.4 Coleta de dados

Neste ponto será feito a demonstração da coleta dos dados, que são dos cinco
programas objeto de estudo, para analisá-los conforme os critérios de noticialidade para se
constatar se o Jornal 53 da TV Betim, possui característica de regional, mantendo
identificação com o público e interação comunitária.

Programa 1

1. Numero de matérias regionais: 2


2. Estrutura das matérias regionais:

Matéria Projeto ambiental de estudante


Tempo 2‟49‟‟
Sonora Educador ambiental, Ramon Palhares
36

Passagem X
O que faltou Sonora com especialistas da área e um povo
fala sobre o assunto
O que caracterizou como regional Parque ecológico Vale Verde- Ponto
turístico de Betim
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

Matéria Projeto EVE


Tempo 03‟40‟‟
Sonora 4 mães, coordenadora de atividades físicas
adaptadas, professora e um atleta
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Atividades em escolas de Betim para
portadores de necessidades especiais
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

3. Número de matérias não regionais: 1


4. Estrutura das matérias com foco não regional:

Matéria – REDE MINAS Padronização de roupas


Tempo 03‟04‟‟
Sonora 3 personagens, costureira e 1 estilista
Passagem Sim
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou É um tema de interesse global, mas não foi
37

regionalizado
Repórter Carol Delmazo

5. Número de notas secas regionais: 2


6. Estrutura das notas secas regionais:

Nota Seca Curso para catadores de papel


Tempo 0‟49‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Identificou Betim como uma das 16 cidades
contempladas do projeto Usina do trabalho
do governo de Minas.
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Nota Seca Acidente de carro


Tempo 0‟23‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Foi citado o bairro onde aconteceu o
acidente- Jardim das alterosas
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

7. Número de notas secas não regionais: 2


8. Estrutura das notas secas não regionais:
38

Nota Seca Crescimento do Brasil para 2010


Tempo 0‟38‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Não cruzou informações do âmbito nacional
com o municipal
Repórter Apresentadora

Nota Seca Inscrições abertas para concurso público da


Receita Federal
Tempo 0‟39‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Informação de interesse público nacional.
Não explicou quantas vagas para a
localidade.
Repórter Apresentadora

9. Número de notas cobertas: 2


10. Estrutura das notas cobertas:

Nota coberta Previsão do tempo


Tempo 26‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou X
39

O que caracterizou como regional Colocar a cidade de Betim em evidência.


O que desqualificou X
Repórter Locução

Nota Coberta Vagas no Sine


Tempo 0‟57‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou Telefone e endereço na arte. Só se transmite
a informação na nota pé.
O que caracterizou como regional As vagas são ofertadas por empresas de
Betim.
O que desqualificou X
Repórter Locução

11. Número de Stand Up: 1


12. Estrutura do Stand Up:

Stand up Faça uma criança feliz


Tempo 1‟57‟‟
Sonora Representante de uma indústria de
componentes plásticos localizado em Betim,
Fabrícia Pena
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Pedido de doação de brinquedos para
crianças carentes da comunidade
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

13. Número de entrevista de Estúdio: 1


40

14. Estrutura da entrevista de estúdio

Entrevista de Estúdio Estréia do programa Betim é mais saúde


Tempo 5‟05‟‟
Sonora Secretária Municipal de Saúde, Conceição
Resende
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional A entrevista foi direcionada ao foco que
será dado no programa sobre a saúde em
Betim, programa da Prefeitura que será
veiculada na TV Betim.
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Programa 2

1. Numero de matérias regionais: 4


2.Estrutura das matérias regionais:

Matéria Construção de nova escola no bairro Dom


Bosco
Tempo 3‟04‟‟
Sonora Bibliotecária, Diretora, Professora,
Secretária adjunta de educação e dois
alunos
Passagem Sim
O que faltou X
O que caracterizou como regional Atender a demanda dos moradores daquela
região
O que desqualificou X
41

Repórter Célio Rocha

Matéria – REDE MINAS Interurbanos mais baratos


Tempo 2‟07‟‟
Sonora Moradores de Esmeraldas, Prefeito de
Esmeraldas
Passagem Sim
O que faltou X
O que caracterizou como regional Tratar a realidade dos telespectadores da
região
O que desqualificou X
Repórter Aline Resende

Matéria Novas galerias de arte em Inhotim


Tempo 3‟39‟‟
Sonora Mediadora de arte, assitente curatorial
Passagem Sim
O que faltou X
O que caracterizou como regional Ser um espaço turístico da região, sendo
reconhecido inclusive internacionalmente
O que desqualificou X
Repórter Samara Costa

Matéria ENEM 2009


Tempo 3‟04‟‟
Sonora Alunos e coordenadora do ensino médio
Passagem Sim
O que faltou X
O que caracterizou como regional Ser uma escola da região e os alunos
participarem e opinarem sobre o exame
42

nacional
O que desqualificou X
Repórter Samara Costa

3.Número de matérias não regionais: 0


4. Estrutura das matérias não reginais:
5.Número de notas secas regionais: 2
6.Estrutura das notas secas regionais:

Nota Seca Mais segurança em Betim


Tempo 0‟36‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Dados sobre o investimento do Ministério
da Justiça em cinco regionais de Betim
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Nota Seca Notas policiais


Tempo 0‟30‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Perseguição policial que aconteceu no
bairro cruzeiro do sul em Betim
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

7. Número de notas secas não regionais: 2


43

8. Estrutura das notas secas não regionais:

Nota Seca Fim da greve dos correios


Tempo 0‟46‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Retratar a situação da RMBH
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Apesar de atingir o cotidiano de quem
utiliza os serviços, não fez um panorama da
falta de sua prestação na região. Ficaria bem
mais completo e sob uma perspectiva mais
real
Repórter Apresentadora

Nota Seca Viagem Aécio Neves


Tempo 0‟44‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou A nota retratou o governante estadual que se
ausentou do cargo, mas não mudou em
nada, muito menos sugeriu alguma bem
feitoria para a região
Repórter Apresentadora

9. Número de notas cobertas: 2


10. Estrutura das notas cobertas:
44

Nota coberta Previsão do tempo


Tempo 26‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou X
O que caracterizou como regional Colocar a cidade de Betim em evidência.
O que desqualificou X
Repórter Locução

Nota Coberta Vagas no Sine


Tempo 0‟57‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou Telefone e endereço na arte. Só se transmite
a informação na nota pé.
O que caracterizou como regional As vagas são ofertadas por empresas de
Betim.
O que desqualificou X
Repórter Locução

11. Número de Stand Up: 2


12. Estrutura do Stand Up:
Stand Up Fórum de defesa das crianças e adolescentes
Tempo 3‟14‟‟
Sonora Coordenadora do Fórum, Rosália Alves
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Realização do evento com participação da
comunidade de Betim
45

O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

Stand Up Prorrogação do prazo de vacinação anti-


rábica
Tempo 1‟36‟‟
Sonora Coordenadora do setor de zoonose e
endemias, Maria Imaculada
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Campanha de vacinação prorrogada a
disposição dos moradores de Betim
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

13. Número de entrevista de Estúdio: 0


14. Estrutura da entrevista de estúdio: 0

Programa 3

1. Numero de matérias regionais: 3


2.Estrutura das matérias regionais:
Matéria Criança carbonizada
Tempo 2‟43‟‟
Sonora Delegado de Homicídios de Betim, Avó da
criança carbonizada, mãe da amiga da mãe
do bebê carbonizado
Passagem Sim
46

O que faltou X
O que caracterizou como regional Ter acontecido e abordado como suposto
crime em Betim
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

Matéria Obras na avenida Edméia


Tempo 1‟45‟‟
Sonora Engenheiro fiscal da obra e chefe da
divisão de trânsito de Betim
Passagem X
O que faltou Opinião de quem trafega pela avenida,
motorista e pedestres
O que caracterizou como regional Referiu a uma avenida no centro da cidade
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

Matéria Reunião na Camara Municipal de Betim-


Projetos em votação
Tempo 2‟30‟‟
Sonora Vereadores
Passagem X
O que faltou Entrevistas com representantes de classe e
com a população sobre tais projetos.
O que caracterizou como regional Projetos em votação do legislativo
municipal betinense
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

3.Número de matérias não regionais: 1


47

4. Estrutura das matérias não regionais:

Matéria – REDE MINAS Música para bebês


Tempo 03‟01‟‟
Sonora Uma mãe, psiquiatra infantil e uma
pedagoga
Passagem Abertura – Teve arte
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Não mostrou nem identificou as pessoas
envolvidas na reportagem. As matérias vão
para o Estado de Minas Gerais e também
são veiculadas pela TV Brasil em âmbito
nacional. É considerado uma matéria fria
Repórter Aline Resende

5.Número de notas secas regionais: 2


6.Estrutura das notas secas regionais:

Nota Seca Notas policiais


Tempo 1‟20‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Crimes cometidos em Betim
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Nota Seca Homenagem 50 anos Missão Ramacrisna


Tempo 0‟56‟‟
48

Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Entidade filantrópica tem seu serviço
prestado em Betim
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

7. Número de notas secas não regionais: 4


8. Estrutura das notas secas não regionais:

Nota Seca Orçamento para 2010


Tempo 0‟35‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Envolver o orçamento de Minas Gerais para
o estado todo
Repórter Apresentadora

Nota Seca FGTS no consórcio


Tempo 0‟33‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Poderia ter sido produzido uma matéria com
personagens e fontes pertinentes
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Apesar de ser de interesse público não traz
para uma perspectiva regional
49

Repórter Apresentadora

Nota Seca Taxa de desemprego na RMBH


Tempo 0‟49‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Não faz comparativo da RMBH com o
município de Betim. São 34 cidades na
região com realidades distintas.
Repórter Apresentadora

Nota Seca Queda do dólar


Tempo 0‟20‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou É interesse de apenas uma parcela da
população, que pouco entende sobre a
influência monetária externa no país.
Repórter Apresentadora

9. Número de notas cobertas: 2


10. Estrutura das notas cobertas:

Nota coberta Previsão do tempo


Tempo 25‟‟
50

Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou X
O que caracterizou como regional Colocar a cidade de Betim em evidência.
O que desqualificou X
Repórter Locução

Nota Coberta Vagas no Sine


Tempo 0‟57‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou Telefone e endereço na arte. Só se transmite
a informação na nota pé.
O que caracterizou como regional As vagas são ofertadas por empresas de
Betim.
O que desqualificou X
Repórter Locução

11. Número de Stand Up: 0


12. Estrutura do Stand Up: 0
13. Número de entrevista de estúdio: 0
14. Estrutura da entrevista de estúdio: 0

Programa 4

1. Numero de matérias regionais: 4


2. Estrutura das matérias regionais:

Matéria Aniversário Museu Paulo Araújo Gontijo


51

Tempo 2‟59‟‟
Sonora Coordenador do Museu, Presidente da
FUNARBE (Fundação Artístico Cultural de
Betim), Diretor de uma escola e 2 visitantes
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional O museu é tombado como patrimônio
histórico da cidade
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

Matéria Dia do idoso


Tempo 4‟01‟‟
Sonora 6 idosos diferentes e uma médica geriatra
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Pontos filmados de entrevista. Pista de
caminhada pública e praça São Cristovão
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

Matéria Dia do Vereador


Tempo 2‟49‟‟
Sonora Três vereadores e povo fala
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional O direcionamento das perguntas para os
representantes do legislativo e para a
população sobre o papel de um vereador
O que desqualificou X
52

Repórter Célio Rocha

Matéria Integração Metrô Betim- Contagem


Tempo 2‟28‟‟
Sonora Prefeita de Betim e Contagem;
Superintendente da CBTU
Passagem X
O que faltou Povo fala e opinião de pessoas que utilizam
as vias de acesso para o deslocamento entre
Betim e Belo Horizonte
O que caracterizou como regional Envolve diretamente milhares de pessoas
que enfrentam o trânsito entre Betim e Belo
Horizonte
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

3. Número de matérias não regionais: 0


4. Estrutura das matérias não regionais: 0
5. Número de notas secas regionais: 3
6. Estrutura das notas secas regionais:

Nota Seca Balanço da gripe em Minas Gerais


Tempo 0‟53‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Inclui caso de Betinense infectado pela
nova gripe
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora
53

Nota Seca Adolescente preso com arma de fogo em


Contagem
Tempo 0‟38‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Preso adolescente de Contagem, uma das
cidades que assiste o canal 53 UHF
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Nota Seca Betinense preso com drogas


Tempo 0‟30‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Morador da região preso com drogas
ilícitas
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

7. Número de notas secas não regionais: 2


8. Estrutura das notas secas não regionais:

Nota Seca ENEM cancelado


Tempo 0‟57‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Uma matéria bem produzida sobre o
prejuízo e danos para os estudantes
54

O que caracterizou como regional X


O que desqualificou Apesar de ser de interesse público, não
retratou em números os prejuízos na
comunidade
Repórter Apresentadora

Nota Seca Minas lidera combate as fichas sujas


Tempo 0‟49‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Não associou o que acontece em Minas com
a realidade regional
Repórter Apresentadora

9. Número de notas cobertas: 2


10. Estrutura das notas cobertas:
Nota coberta Previsão do tempo
Tempo 26‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou X
O que caracterizou como regional Colocar a cidade de Betim em evidência.
O que desqualificou X
Repórter Locução

Nota Coberta Vagas no Sine


Tempo 0‟57‟‟
55

Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou Telefone e endereço na arte. Só se transmite
a informação na nota pé.
O que caracterizou como regional As vagas são ofertadas por empresas de
Betim.
O que desqualificou X
Repórter Locução

11. Número de Stand Up: 0


12. Estrutura do Stand Up: 0
13. Número de entrevista de estúdio: 1
14. Estrutura da entrevista de estúdio:

Entrevista de Estúdio Programa Betim é mais educação


Tempo 05‟01‟‟
Sonora Entrevista com Secretário Municipal de
Educação, Carlos Roberto de Souza
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Trata-se de um programa a ser exibido na
TV Betim sobre educação pelo governo
municipal.
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Programa 5

1. Numero de matérias regionais: 3


2. Estrutura das matérias regionais:
56

Matéria Betiquim-Festival gastronômico


Tempo 2‟27
Sonoras 2 donos de bares, organizador do evento e
freqüentadores
Passagem X
O que faltou Boa do ponto de vista jornalístico, poderia ter
registrado apresentações culturais como foi
ressaltado pelo organizador do evento
O que caracterizou como regional Festividade gastronômica acontecer em local público
na cidade, sob a perspectiva de freqüentadores e
donos de bares da comunidade
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

Matéria Inauguração do centro administrativo de


São Joaquim de Bicas
Tempo 3‟18‟‟
Sonoras Prefeito, secretários, 3 deputados, 2
moradores
Passagem X
O que faltou Aprofundar no tema centralização
administrativa pública
O que caracterizou como regional Abrange uma parcela significativa dos
telespectadores
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

Matéria Entra e sai na câmera de vereadores


Tempo 3‟19‟‟
57

Sonoras Presidente do legislativo municipal


betinense, Beto do Depósito, vereador
cassado, Léo do Pinduca e vereador
suplente, Welliton Abreu
Passagem X
O que faltou Cortar sonora grande do presidente da
câmara e o reporter fazer uma passagem
com informações adicionais. Faltou também
um povo fala sobre o tema.
O que caracterizou como regional Mostrou o que aconteceu no legislativo
Betinense
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

3. Número de matérias não regionais: 1


4. Estrutura das matérias não regionais:

Matéria Central Exporta Minas


Tempo 3‟12‟‟
Sonoras Diretor da central minas, artesã
Passagem X
O que faltou Outras sonoras com personagens
O que caracterizou como regional A matéria é da SECOM- Secretaria de
Comunicação de Minas Gerais
O que desqualificou Não é regional devido a sua amplitude de serviço. É
para qualquer mineiro o trabalho da exporta minas.
Pode incentivar inclusive moradores da região, mas
é amplo
Réporter Renatta Abritta
58

5. Número de notas secas regionais: 2


6. Estrutura das notas secas regionais:

Nota Seca Acidente em trilha


Tempo 45‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Uma matéria com a reconstituição do
acidente, com uma arte em 3D.
O que caracterizou como regional Acidente registrado em Sarzado.
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

Nota Seca Falta de água


Tempo 0‟41‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Uma matéria com depoimentos de
moradores da região
O que caracterizou como regional Falta de água em algumas cidades que o
sinal da TV Betim alcança.
O que desqualificou X
Repórter Apresentadora

7. Número de notas secas não regionais: 2


8. Estrutura das notas secas não regionais:

Nota Seca Olimpíadas Rio 2016


Tempo 0‟35‟‟
Sonora X
59

Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou como regional Nada.
O que desqualificou Ter impacto e ser de interesse global, mas
não teve perspectiva local.
Repórter Apresentador

Nota Seca Inscrições Cefet- MG


Tempo 0‟38‟‟
Sonora X
Passagem X
O que faltou Uma matéria produzida a ponto de arrumar
personagens que se inscreveram para as
vagas.
O que caracterizou como regional X
O que desqualificou Cefet não tem sede em Betim, apesar de
vários moradores serem interessados para
pleitearem as vagas
Repórter Apresentadora

9. Número de notas cobertas: 2


10. Estrutura das notas cobertas:

Nota coberta Previsão do tempo


Tempo 27‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou X
O que caracterizou como regional Colocar a cidade de Betim em evidência.
O que desqualificou X
60

Repórter Locução

Nota Coberta Vagas no Sine


Tempo 0‟57‟‟
Sonora X
Passagem Vinheta e Arte
O que faltou Telefone e endereço na arte. Só se transmite
a informação na nota pé.
O que caracterizou como regional As vagas são ofertadas por empresas de
Betim.
O que desqualificou X
Repórter Locução

11. Número de Stand Up: 2


12. Estrutura do Stand Up:

Stand Up Chamada para show de Marcos Paulo e


Gabriel
Tempo 2‟24‟‟
Sonora Entrevista com os cantores
Passagem Participação da repórter
O que faltou X
O que caracterizou como regional Show da dupla sertaneja ser realizada em
Betim
O que desqualificou X
Repórter Célio Rocha

Stand Up Processo seletivo censo 2010 IBGE


Tempo 1‟46‟‟
61

Sonora Welligton Ribeiro- coordenador da área


censitária de Betim
Passagem X
O que faltou X
O que caracterizou com regional Trouxe o processo seletivo nacional para
uma perspectiva local, com número de
vagas destinados para Betim
O que desqualificou X
Repórter Patrícia Aguiar

13. Número de entrevista de estúdio: 0


14. Estrutura da entrevista de estúdio: 0

Com a coleta de dados, um passo importante será dado para a análise desse material,
que evidencia a presença regional no telejornalismo praticado pelo Jornal 53 da TV Betim.

3.5 Análise do Material Coletado

Na análise destas edições a presença de noticias locais que retratam a realidade de


uma comunidade delimitada ficou clara. O material coletado prevaleceu de cunho local ao
mostrar fatos da cidade e o cotidiano de quem mora em Betim e região. Neste estudo de
caso, regional ficou apresentado e especificado pela abrangência do sinal do canal 53UHF.
Elas foram predominantes no jornal já na sua escalada quando a apresentadora Renata
Abritta introduziu as notícias de destaque do Jornal 53. Ao começar o noticiário, a
apresentadora cumprimenta os telespectadores e fala sobre os acontecimentos do dia que
referem às notícias locais. Nesta perspectiva, está mais próxima o acontecimento do
cotidiano da razão da TV, que em seu nome sugere a cidade de Betim. A escalada é
formada por offs- textos narrados sobre imagens pertinentes ao que se verá.
62

Tais matérias, notas secas, notas cobertas, stand ups, entrevistas de estúdio
representaram o universo da noticiabilidade local, pois retrataram o cotidiano de quem vive
mais próximo da geradora de imagens.
Certamente, através da análise dos acontecimentos noticiados e veiculadas entre os
dias mencionados anteriormente pode–se dizer que o elo entre emissora e telespectador
atende a uma demanda local. O festival gastronômico, por exemplo, noticiado na edição do
Jornal do dia 02/10/2009, atendeu ao caráter local dos fatos mais importantes culturais da
região.
Além disso, o fortalecimento de um evento local, como foi proposto na matéria, sob
a premissa da visibilidade midiática, promove o entretenimento cultural, aguça o interesse e
curiosidade de quem assiste à reportagem no âmbito regional.
Ainda na edição de 02 de outubro de 2009, uma matéria sobre a construção de
escolas novas também atendeu o caráter local de noticias ao ilustrar a realidade de uma
comunidade que iria ganhar um espaço educacional novo dos órgãos públicos. A prestação
de serviços desenvolvidos pelo poder público se torna constante na mídia da comunidade
local, pois ela ganha mídia espontânea com bem feitorias e críticas através da falha nos
atendimento básico do que é dever do estado através dos poderes legislativo, executivo e
judiciário.
A previsão do tempo foi totalmente direcionada a cidade de Betim, que acoplou as
cidades vizinhas com o nome de “Betim e região” em todas as edições analisadas. Outra
temperatura prevista foi de Belo Horizonte que é de interesse local, por ser uma cidade
voltada para o ramo industrial. Por estar próxima a Capital mineira, as pessoas se
interessam pela informação climática por consumirem suas dependências ao trabalhar,
passear e adquirir facilidades.
Em outras palavras, o caráter regional sobrepôs a identidade local da emissora com
seus telespectadores. A incidência de notícias das localidades que anteriormente foram
citadas como regiões que o sinal da TV alcança tem aumentado. A preocupação em
aumentar a presença e tornar noticiável os fatos dessas regiões fazem provar que a
integração dessas comunidades são relatadas a exemplo na edição do jornal dia 02/10/2009
na reportagem sobre a inauguração do novo centro administrativo de São Joaquim de Bicas,
cidade vizinha a Betim. A nota seca sobre um concurso da Receita Federal (dia 28/09/2009)
63

seria tema regional a partir do momento que as inscrições puderam ser feitas por qualquer
telespectador que preenchesse os requisitos necessários para a vaga, tornando-se de
utilidade pública por promover ações de possível melhoria social. A falha nas notas secas
consideradas não regionais estão no desfecho do texto. Ao mostrar algum assunto de
interesse público os redatores e produtores do Jornal 53, poderiam ficar mais atentos em
atender o anseio por informações contextualizadas à região. Afinal, as pessoas que
passarem no concurso estarão empregadas e ajudarão a circular mais dinheiro nos serviços
requeridos na sociedade. Deveria constar nessas notas secas um entrosamento sobre a
perspectiva mais global dos fatos com o impacto na localidade. Conforme citado ao longo
da análise, assuntos de interesses locais e regionais compõem o noticiário de
aproximadamente 25 minutos da TV Betim, que assim como na edições estudadas,
propõem tais informações na sua função social.
Observa-se que as notas cobertas estão em todas as edições do telejornal analisadas, através
do SINE- Betim e da previsão do tempo. O posto de empregos e a previsão do tempo tem
sua vinheta e arte personalizadas para o Jornal 53, nada de muito evoluído graficamente.
Pela estrutura deste canal de televisão, constata-se que as matérias são gravadas e o
link ao vivo não se tem. Este passa a ser simulado através do stand up, que é uma
entrevista rápida sobre o tema, sempre na conjuntura regional com quem participa ou
promove as ações neste âmbito. Quanto à qualidade das noticiado, estas são feitas de forma
a realizar o que se propuseram, ou seja, levam com clareza a informação dos principais
acontecimentos. Algumas matérias poderiam ter sido melhores elaboradas a partir de
sonoras de outros fontes e personagens No caso das notas, observa-se que a restrição da
equipe de trabalho propicia recorrer a este meio de comunicação.

O caráter regional não se limita a eventos e acontecimentos na cidade de Betim.


Algumas cidades vizinhas que o sinal do canal 53 UHF alcança têm os seus eventos
noticiados e reportados pelo telejornal, numa perspectiva mais atuante do que quando
mostradas pelas grandes redes de TV, antes apenas conhecidas pelas catástrofes, acidentes
dentre outros critérios de noticiabilidade que regem o telejornalismo.
64

CONCLUSÃO

A mídia está em constante transformação, sendo ela a responsável pela fabricação


de representações da realidade, tendo capacidade de intrometer-se nas relações sociais,
podendo proporcionar no teor de suas mensagens, informações que remetam à constituição
de uma identidade social em determinada região específica.
A compreensão do regionalismo, ou melhor de uma televisão regional perpassa pela
autonomia à grade de programação da rede a quem se afilia, que no caso da TV Betim é a
Rede Minas e TV Brasil. O alto custo das produções às vezes prende o crescimento de um
veículo de imprensa. Saber diferenciar o regional do global consiste em compreender a
infra-estrutura dos meios de produção, que são mais escassos no primeiro. Para angariar
apoiadores e poder contribuir com produções o mais próximo da excelência é necessário
investir em pessoal, equipamentos e em organização.
Esta pesquisa teve como objeto de análise o Jornal 53, programa exibido pela TV
Betim. Foram analisados cinco programas de 28/09/2009 à 02/10/2009, para constatar
como o programa aborda o regionalismo a partir de critérios estipulados.
Percebe-se mediante as analises realizadas que as matérias buscam uma
identificação com o público, uma vez que traz a realidade do mesmo. Portanto, enfatiza o
regionalismo, reestruturando a mídia em comunicação voltada para o local e não mais pra
uma cultura de massa.
Dentro desta nova perspectiva, onde o regionalismo se fortalece, é necessário que a
televisão seja democrática e cidadã, para que o público se interaja com a programação
oferecida acarretando credibilidade nos telespectadores, que se projetam nas noticias, por
estarem dentro de sua realidade.
Percebe-se do material coletado que o conteúdo informativo teve o intuito de
fortalecer o regionalismo, uma vez que o Jornal 53 em suas matérias destacou mais aquelas
de cunho contextualizado na cidade de Betim e na região em que a amplitude do sinal do
canal 53 UHF alcança.
65

Quanto à qualidade do noticiado, estas são feitas de forma a realizar o que se


propuseram, ou seja, levar com clareza as informações dos principais acontecimentos.
Algumas matérias poderiam ter sido melhores elaboradas a partir de sonoras de outros
fontes e personagens.
Conclui-se que o Jornal 53, exibido pela TV Betim pode ser considerado um Jornal
regional uma vez que transmite seu sinal para uma região com conteúdo e produção
predominantemente local.
66

REFERÊNCIAS

ARQUIVO TV BETIM. Press Kit TV Betim. 2008. TV BETIM, Canal 53 UHF – Jornal
53. Disponível em: < http://www.tvbetim.com.br/Jornal53/default.aspx> Acesso em:
13/04/2008.

BARBERO, Jésus Mártin Dos meios às mediações: comunicação cultura e hegemonia.Rio


de Janeiro: Editora UFRJ. 1997.

BAZI, Rogério Eduardo Rodrigues. TV Regional – Trajetória e Perspectivas.Campinas:


Alínea. 2001.

BRANT, João; POMPÉIA, Rosário de. Regionalização da programação: o Brasil não


conhece o Brasil. Revista do Terceiro Setor, 2006. Disponível em: <
http://arruda.rits.org.br/rets/servlet/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeSecao?codigoD
aSecao=11&dataDoJornal=atual> Acesso em: 13/04/2008.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível


em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 22
de maio de 2008.

BORNHEIM, Gerd. O Sujeito e a Norma.Ética. Org. Adauto Novaes .Ed. Companhia das
letras. São Paulo.1992.

FADUL, Anamaria; SENDRA, Cláudia; QUINDERÉ Mário; MOREIRA, Sonia Virgínia.


Globalização e regionalização: desafios e estratégias para a comunicação internacional no
Brasil. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Santos – 29 de agosto a 2 de
setembro de 2007. P:01-07.

GARCIA Clanclini N. A Globalização Imaginária. São Paulo: Editora Ilominuras, 2003.


GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. Tradução Raul Fiker. São Paulo:
Ed. Unesp, 1991
67

LIMA, Maria Érica de Oliveira. RTP. Global ao Local. 2005. Disponível em: <
http://www.bocc.ubi.pt/pag/lima-erica-rtp-local-global.pdf> Acesso em: 22 de maio de
2008.

ORTIZ, Renato. Mundialização e Cultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994.

PATERNOSTRO, Vera Íris. Manual de Telejornalismo. Rio de Janeiro: Globo, 1999.

PERUZZO, Cicilia M.Krohling. 1998. TV Comunitária no Brasil: Aspectos Históricos.


Disponível em: < http://www.geac.es/bocc/pag/peruzzo-cicilia-tv-comunitaria.pdf> Acesso
em: 22 de maio de 2008.

SILVEIRA, Mauro César. A Favor do Melhor Telejornalismo. 2005. Disponível em: <
http://www.intexto.ufrgs.br/n14/a-n14a10.htm> Acesso em: 22 de maio de 2008.

SOUZA, Cidoval Morais de (org.) Televisão Regional, Globalização e Cidadania. Rio de


Janeiro: Sotese, 2006.

THOMPSON, John B. A Mídia e a Modernidade – Uma Teoria Social da Mídia. 8ª ed.


Petrópolis: Ed Vozes. 1998.
68

Anexos
69

1. Programação da TV Betim

Grade de Programação TV Betim Canal 53UHF

OUTUBRO 2009
Segunda-feira

00:00 TV BRASIL
06:45 Telecurso 2000 – TV BRASIL
07:15 Rancho Arte da Pesca – Programa Independente exibido pela emissora sobre pesca
e prosa. Programa regional, foca estórias e educa através de seus quadros com especialistas.
08:00 Repórter Brasil – Programa exibido em rede com a TV BRASIL. Noticiário
nacional que faz um balanço das principais notícias do Brasil e acontecimentos que
repercutem no mundo.
08:45 Cocoricó- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL.
09:00 Angelina- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL
09:15 Thomas- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL
09:30 Um Menino Muito Maluquinho- Desenho animado exibido em rede com a TV
BRASIL
10:00 A Tuma do Perere- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL
10:30 Poko- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL
11:00 Clipe Livre- Videoclipes sem intervalos e sem apresentação.
11:45 Arvores da Vida – Programa do projeto social patrocinado pela FIAT em parceria
com a PUC Minas.
12:00 Jornal Minas 1 Edição –Noticiário exibido em rede com a Rede Minas
12:30 Cidadania em Foco- Programa semanal da Câmara Municipal de Betim
12:35 Meio de Campo – Reapresentação do programa de esportes da Rede Minas de
Domingo, que faz um balanço do esporte mineiro passado o fim de semana.
13:30 Castelo Ra-tim-bum – Seriado exibido em rede com a TV Brasil.
14:00 K53 - Reapresentação do programa de clipes exibido pela TV Betim em parceria
com M1 Station, com apresentação de Renata Zacaroni.
15:00 Telecurso – Reapresentação do Telecurso.
16:00 Sem Censura – Programa de Debates exibido em rede com TV BRASIL e Rede
Minas.
17:30 Rede Jovem de Cidadania –Programa exibido em rede com TV BRASIL.
18:00 Os Heróis da Praia -
18:30 Clube 700 – Programa Evangélico produzido nos Estados Unidos através de
depoimentos.
19:00 Cidadania em Foco (Câmara Municipal de Betim) – Programa semanal da Câmara
Municipal de Betim
70

19:10 Jornal 53 – Noticiário diário produzido pela TV Betim –Edição inédita.


19:45 Betim É + Saúde –Programa semanal da Prefeitura Municipal de Betim
20:05 Arena 53 – Programa de esporte e cultura da TV Betim, que fomenta as duas áreas
citadas na cidade.
21:00 Samba na Gamboa – Programa gravado da TV Brasil de entretenimento, entrevistas
e samba de roda.
22:00 K53- Programa Inédito de clipes produzido pela TV Betim em parceria com a M1
Station, com apresentação de Renata Zacaroni.
23:00 Jornal 53 (Reprise)- Reapresentação do noticiário da TV Betim.
23:30 Mundo Político – Programa de cunho político exibido da TV Assembleia.

Grade de Programação TV Betim Canal 53UHF


OUTUBRO
Terça Feira

00:00 Arena 53- Reapresentação do programa da TV Betim esportivo Cultural.


01:00 TV Brasil -
06:45 TV Brasil –Telecurso 2000
07:15 Jornal 53 -Reapresentação do noticiário da TV Betim.
07:45 Jornal Visual –Exibição simultanea do Jornal para surdos produzido pela Rede
Minas.
08:00 Repórter Brasil -Programa exibido em rede com a TV BRASIL. Noticiário nacional
que faz um balanço das principais notícias do Brasil e acontecimentos que repercutem no
mundo.
08:45 Cocoricó - Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL.
09:00 Thomas- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL.
09:15 Angelina- Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL.
09:30 Um Menino Muito Maluquinho- Desenho animado exibido em rede com a TV
BRASIL.
10:00 A Tuma do Perere - Desenho animado exibido em rede com a TV BRASIL.
10:30 Os Pezinhos Mágicos de Franny- Desenho animado exibido em rede com a TV
BRASIL.
11:00 Clipe Livre- Videoclipes sem intervalos e sem apresentação.
12:00 Jornal Minas 1 Edição - Noticiário exibido em rede com a Rede Minas
12:30 Stadium (Reapresentação) – Programa esportivo gravado da TV BRASIL de
Domingo.
13:30 Castelo Ra-tim-bum – Seriado exibido em rede com a TV Brasil.
14:00 K53 - Reapresentação do programa de clipes exibido pela TV Betim em parceria
com M1 Station, com apresentação de Renata Zacaroni.
15:00 Telecurso- Reapresentação do Telecurso.
71

16:00 Sem Censura - Programa de Debates exibido em rede com TV BRASIL e Rede
Minas.
17:30 Papo de Mãe – Programa Semanal produzido pela TV BRASIL sobre a vida em
família.
18:30 Clube 700-CBN
19:00 Telecurso
19:15 Jornal 53
19:50 Cidadania em Foco (Câmara Municipal de Betim)
20:00 Arena 53
21:00 Léia Nogueira e Você – Programa Inédito de entrevistas da TV BETIM.
22:00 K53
23:00 Jornal 53 (Reprise)
23:30 Mundo Político

Quarta-feira

00:00 Arena 53 (Reapresentação)


01:00 TV Brasil
07:15 Jornal 53 (Reprise)
07:45 Jornal Visual (Rede Minas)
08:00 Reporter Brasil (TV Brasil)
08:45 Cocoricó
09:00 Angelina
09:15 Thomas
09:30 Um Menino Muito Maluquinho
10:00 A Tuma do Perere
10:30 Poko
11:00 Clipe Livre
12:00 Jornal Minas 1 Edição
12:30 Léia Nogueira e Você (Reapresentação)
13:30 Castelo Rá-tim-bum
14:00 Jornal Visual (Gravar Mais Ação- Rede Minas)
14:15 K53 (Reprise)
15:00 Telecurso
16:00 Sem Censura
17:30 Alto Falante – Programa exibido simultaneamente com a Rede Minas. É uma
revista eletrônica semanal sobre a música pop e suas ramificações.
18:30 Clube 700-CBN
18:55 Betim É + Saúde
19:15 Jornal 53
72

19:50 Cidadania em Foco (Câmara Municipal de Betim)


20:00 Arena 53
21:00 Balada Country – Programa semanal produzido pela TV Betim sobre os bastidores e
tudo que acontece nas melhores festas e casas de show do mundo sertanejo, com
apresentação de César Resende.
22:00 K53
22:45 Arvores da Vida
23:00 Jornal 53 (Reprise)
23:30 Mundo Político

Quinta-feira

00:00 Arena 53
01:00 TV BRASIL
06:45 TV BRASIL- Novo Telecurso- Ensino Fundamental
07:15 Jornal 53(Reprise)
07:50 Jornal Visual
08:00 Repórter Brasil
08:45 Cocoricó
09:00 Thomas
09:15 Angelina
09:30 Um Menino Muito Maluquinho
10:00 A Tuma do Perere
10:30 Os Pezinhos Mágicos de Franny
11:00 Clipe Livre
12:00 Jornal Minas 1 Edição
12:30 Cidadania em Foco
12:30 Balada Country (Reapresentação)
13:30 Castelo Ra-tim-bum
14:00 Jornal Visual
14:15 K53 (Reapresentação)
15:00 Telecurso
16:00 Sem Censura
17:30 Papo de Mãe
18:30 Clube 700-CBN
19:55 Árvores da Vida
19:00 Cidadania em Foco (Câmara Municipal de Betim)
19:10 Jornal 53
19:45 Betim É + Educação
20:05 Arena 53
21:00 Conexão 53- Programa Semanal produzido pela TV Betim sobre festas,
inaugurações, lançamentos de produtos e confraternizações.
73

22:00 K53
23:00 Jornal 53 (Reprise)
23:30 Mundo Político

Sexta-feira

00:00 Arena 53
01:00 TV BRASIL
06:45 TV BRASIL- Novo Telecurso- Ensino Fundamental
07:00 Telecurso- Ensino Médio
07:15 Jornal 53 (Reprise)
07:50 Jornal Visual (Rede Minas)
08:00 Repórter Brasil
08:45 Cocoricó
09:00 Angelina
09:15 Thomas
09:30 Um Menino Muito Maluquinho
10:00 A Tuma do Perere
10:30 Poko
11:00 Clipe Livre
12:00 Jornal Minas 1 Edição
12:30 Conexão 53 (Reapresentação)
13:30 Castelo Ra-tim-bum
14:00 Jornal Visual
14:15 K53 (Reprise)
15:00 Telecurso
16:00 Sem Censura
17:30 Diverso
18:00 Programa Especial
18:30 Clube 700- CBN
19:00 Telecurso
19:15 Jornal 53
19:50 Cidadania em Foco (Câmara Municipal de Betim)
20:00 Arena 53
21:00 Rancho Arte da Pesca - Programa Independente exibido Inédito pela emissora sobre
pesca e prosa. Programa regional, foca estórias e histórias dos telespectadores e
convidados. Educa através de seus quadros com especialistas.
22:00 Betim É + Educação
22:20 K53
23:00 Jornal 53 (Reprise)
23:30 Mundo Político
74

Sábado

00:00 Arena 53 (Reapresentação)


01:00 K53
02:00 K53
03:00 K53
04:00 K53
05:00 TV Criança-
06:00 TV Criança-
06:45 Telecurso 2000
07:30 Rancho Arte da Pesca (Reapresentação)
08:30 Universo Pesquisa *
09:00 Léia Nogueira e Você
10:00 Betim É + Saúde
11:00 Arena 53 (Reapresentação)
12:00 Jornal 53 (Reapresentação)
12:30 Cozinha Brasil – TV BRASIL – COLOCAR em REDE
13:00 Programa Especial
13:30 Saúde Brasil
14:00 Expedições
14:30 100% Brasil
15:00 A grande Música
16:00 Alto Falante
17:00 Palavra de Fé – Programa evangélico com mensagem de fé do Pastor Rodiney.
17:15 ÀRVORES DA VIDA
17:30 K53
18:00 PRO VIVER – Programa de um projeto social chamado Pró Viver que atua em
comunidade carente de Betim. A ONG oferece oficinas e tem profissionais que auxiliam as
crianças em todo o processo produtivo. É desenvolvido em parceria com a Petrobras.
18:30 Diverso
19:30 Resumo do Jornal 53 – É um resumo das principais noticias da semana veiculadas
no jornal 53.
20:00 Balada Country (Reapresentação)
21:00 Conexão 53 (Reapresentação)
22:00 Resumo do Jornal 53 (Reapresentação)
22:30 Léia Nogueira e Você
23:30 K53

Domingo

00:00 K53
75

03:00 K53
05:00 TV Criança
06:00 TV Criança
07:00 TV Criança
07:30 TV Criança
08:00 Santa Missa- Missa exibida em rede com a TV BRASIL.
09:00 Léia Nogueira e Você (Reapresentação)
10:00 Conexão 53 (Reapresentação)
11:00 Rancho Arte da Pesca (Reapresentação)
12:00 Resumo do Jornal 53 (Reapresentação)
12:30 PROVIVER
12:45 Arvores da Vida
13:00 Natureza Sabe Tudo * - COLOCAR EM REDE
13:30 Papo de Mãe
14:30 Cultura Ponto a Ponto
15:00 Stadium
16:00 Assim que Funciona
16:30 Expedições
17:00 Palavra de Fé-
17:15 Arvores da Vida
17:30 K53
18:00 Balada Country
19:00 Betim É + Educação
19:30 Comentário Geral
20:00 Léia Nogueira e Você
21:00 Esportivisão –Programa esportivo exibido em rede com a TV BRASIL.
22:30 Curta Brasil – TV BRASIL.
76

2. PROJETO DE LEI Nº. 256 DE 1991

Regulamenta o disposto no inciso III do artigo 221 da Constituição Federal, referente à


regionalização da programação cultural, artística e jornalística e à produção independente
nas emissoras de rádio e TV e dá outras providências.

Autora: Deputada Jandira Feghali

Relator: Deputado Marcelo Barbieri

O Congresso Nacional decreta:

“Art 1º As emissoras de televisão ficam obrigadas a veicular, no horário de 5h a 24h,


programas culturais, artísticos e jornalísticos totalmente produzidos e emitidos nos estados
onde estão localizadas as sedes das emissoras e/ou suas afiliadas, nas seguintes condições:

I – vinte e duas horas semanais, no caso de emissoras que atendem


áreas geográficas com mais de um milhão e quinhentos mil
domicílios com televisores;

II – dezessete horas semanais, no caso de emissoras que atendem


áreas geográficas com menos de um milhão e quinhentos mil
domicílios com televisores;

III – dez horas semanais, no caso de emissoras que atendem


localidades com menos de quinhentos mil domicílios com
televisores.

...

Art 2º No caso das emissoras de televisão, pelo menos quarenta por cento das horas
semanais estabelecidas no artigo 1º deverão ser obrigatoriamente cumpridos com a
veiculação de produção independente.

Parágrafo Único. Do total reservado à produção independente, pelo


menos quarenta por cento deverão ser destinados à apresentação de
documentários, de obras audiovisuais de ficção e de animação,
incluindo teledramaturgia, e até cinco por cento à apresentação de
obras audiovisuais de publicidade comercial.
77

Art 3º Para os efeitos desta lei, considera-se:

I – Produção Regional: a produção cultural, artística e jornalística


totalmente produzida e emitida nos estados onde estão localizadas
as sedes das emissoras de radiodifusão ou televisão e suas afiliadas
e realizada por produtor local, seja pessoa física ou jurídica;

II – Produção Independente: aquela realizada por produtor ou


produtora independente que não tenha qualquer relação econômica
ou de parentesco próximo com os proprietários, cotistas ou
acionistas da emissora exibidora, seja pessoa física ou jurídica;

III – Programas culturais, artísticos e jornalísticos: programações e


apresentações musicais, espetáculos de teatro, ópera, circo, dança,
teledramaturgia, obras audiovisuais de ficção, documentários e
animação, programação jornalística e religiosa, sendo que esta
última no limite de dez por cento do total;

IV – Teledramaturgia: novelas, seriados, séries, minisséries e


outras obras audiovisuais;

V – Programação Jornalística: telejornais, debates, mesas-


redondas, entrevistas, documentários, reportagens e assemelhados,
e eventos esportivos.

Art 4º As emissoras de televisão deverão exibir em sua programação, pelo menos, uma obra
cinematográfica ou videofonográfica nacional por semana, sendo, no mínimo, cinqüenta
por cento de longa metragem.

Art 5º As operadoras de serviços de televisão por assinatura deverão destinar, em sua grade,
canal inteiramente dedicado à veiculação de produção cultural e educativa brasileira, sendo
que, no mínimo, sessenta por cento da respectiva programação deverá ser fornecida,
mediante contrato, por produtores independentes para exibição pela operadora.

Art 6º As emissoras de rádio são obrigadas a destinar, diariamente, pelo menos vinte por
cento do seu tempo de transmissão para a veiculação de programação musical ou
jornalística de caráter nacional e dez por cento para a de caráter regional.

Art 7º O não cumprimento dos percentuais mínimos fixados nesta lei por parte das
emissoras de rádio e televisão implicará na aplicação das seguintes penalidades:

I – advertência;
78

II – multa;

III – suspensão da concessão por até 24 horas, no caso da primeira


reincidência;

IV – suspensão da concessão por até 30 dias, no caso de nova


reincidência.

Art 8º As emissoras de rádio e televisão terão um prazo de 2 (dois) anos para adaptar suas
programações aos percentuais definidos nesta lei.

Art 9º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação”.

Sala da Comissão, 10 de dezembro de 2002. – Deputado Marcelo Barbieri, Relator.

Proposição: PL-256/1991
Autor: Jandira Feghali - PCDOB /RJ

Data de Apresentação: 12/03/1991


Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões - Art. 24 II
Regime de tramitação: Ordinária
Situação: MESA: Aguardando Retorno .

Ementa: Regulamenta o disposto no inciso III do artigo 221 da Constituição Federal,


referente à regionalização da programação artística, cultural e jornalística das emissoras de
rádio e TV e dá outras providências NOVA EMENTA: Regulamenta o disposto no inciso
III do artigo 221 da Constituição Federal, referente à regionalização da programação
cultural, artística, e jornalística e à produção independente nas emissoras de rádio e TV e dá
outras providências.

Explicação da Ementa: Regulamenta dispositivos da Constituição Federal de 1988.

Indexação: Regulamentação, Constituição Federal, Comunicação Social, obrigatoriedade,


emissora, rádio, televisão, exibição, percentual, programa cultural, jornalismo, produção
independente, artista, técnico, jornalista, filme nacional, regionalização, programação,
cultura.
79

Despacho:
9/6/1992 - DESPACHO A CCTCI, CECD E CCJR (ARTIGO 54 DO RI).
REDISTRIBUIDO RESOLUÇÃO 10/91.

Última Ação:
27/8/2003 - Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA) - Remessa ao Senado
Federal, através do Of PS-GSE/1761/03.