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COERÊNCIA TEXTUAL

A coerência textual resulta da relação harmoniosa entre as idéias apresentadas num texto. Refere-se,
dessa forma, ao conteúdo, ou seja, à sequência ordenada das opiniões ou fatos expostos de forma coerente,
sem contradições ao que se afirma para os interlocutores.
Há, abaixo, uma proposta de redação que tem como base uma crônica de Luís Fernando Veríssimo e
dois textos produzidos por alunos como elaboração da proposta dada.
Leia a proposta e os textos atentamente e responda às questões 1 e 2.

O homem que desapareceu no Prado
A notícia saiu nos jornais, com algum destaque, durante uma semana. Depois não se falou mais no
assunto. Não havia mais o que falar. Um turista brasileiro que excursionava pela Europa com um grupo
simplesmente desapareceu dentro do museu do Prado, em Madri. Ficara para trás enquanto o grupo percorria
os salões do museu em marcha acelerada, pois naquela mesma tarde tomariam o ônibus para Barcelona, e
nunca mais fora visto. Sua mulher, que o acompanhava na excursão, ficou em Madri. Procurou o consulado
brasileiro, foi à polícia, houve investigação, busca, consultas diplomáticas, perplexidade – seria sequestro? –
e, finalmente, nada. O homem sumira. Onde, exatamente, tinha sido visto pela última vez? A mulher não
sabia bem. Na sala que tinha aquelas pinturas de gente comprida e magra, muito feias. El Greco? Acho que
é. Seu marido tinha alguma razão para hmmm, querer abandoná-la, senhora? Nunca! Éramos bem casados.
Se o senhor fosse brasileiro saberia muito bem quem nós somos. Gente muito importante.
De volta ao Brasil, a mulher contou à imprensa que aquela tinha sido a terceira viagem do casal à
Europa. Na primeira, tinham ido a espetáculos e restaurantes. Na segunda, tinham liquidado os principais
monumentos e paisagens, fotografando tudo para mostrar em casa e dar inveja aos amigos. Nesta viagem,
iam dar uma passada pelos museus. Vocês sabem, cultura também é importante. Prado, Louvre, o museu
Picasso, em Barcelona. Ela fazia questão de dizer “Picassô”, com acento no “o”. Tinha alguma esperança de
rever o marido? Sim. Tinha certeza que o mistério seria esclarecido, um dia. Pobre do Oscar. [...]

Redação 1
A fuga
Como era bonito aquele quadro! Eu não sei explicar por que, mas ele me cativou. Tantas cores, cores
fortes, só podia mesmo ser espanhol. Minha mulher não iria gostar, eu tenho certeza. Está sempre com a
cabeça no mundo da lua, não sei nem por que ela se anima em visitar tanto museu se tudo que aquele
cerebrozinho de feijão dela consegue pensar é em festas, restaurantes, badalação.
E esse negócio de excursão também é dose, uma “encheção de saco”. Em plenas férias, oito horas,
levanta da cama, oito-e-meia, café da manhã no hotel, corre pro quarto, se arruma num instante que nove em
ponto o ônibus está saindo com quem estiver dentro. Não tem tempo pra nada. È por isso que eu estou aqui
agora. Não há homem moderno que agüenta tamanha escravidão, já não bastasse a minha mulher...
Saí mesmo, me mandei. Afinal o que um homem com um cartão de crédito na mão não é capaz de
fazer? Ainda mais com esse espanhol à brasileira que eu falo. Olhei pros lados, nenhum sinal de brasileiro,
maravilha! Alguns passos para sair da sala, viro um corredor com cuidado para minha mulher não me ver, a
escadaria, a luz forte e quente do sol madrilenho, a cidade à minha frente, estou livre!
“Como estás, amigo?”, treinava meu portunhol com a única frase que o Zé Carlos, da bocha, lá em
São Paulo, me ensinou. Um café numa esquina cheia de árvores, o sol era forte, mas o vento era mais,
naquele onze da manhã de um dia de inverno europeu, então, eu fechei meu sobretudo. O largo de uma
igreja, cheio de pombos. Minha mulher não teria a paciência de ficar dois minutos aqui, diz que não tem
nada. Não tem mesmo, ora bolas, pois isso é o largo de uma igreja.
Eu só fico pensando, minha mulher pode ter ficado um tanto preocupada com a minha sumida, mas,
pensando bem, com ela não há nada que um bom presentinho não resolva.
(texto de aluno)

diário. escondida no porão do museu? Foi tudo muito fácil. por aquela pintura do pobre Picasso. Pensando melhor. triste. mas na hora em que vi aqueles 5 milhões de dólares na minha frente não resisti. pois sinto muita saudade de minha mulher. Mas apesar de tudo eu. Querido diário. Sei que eu não deveria largá-la por dinheiro. comente o desempenho de cada um deles em relação à construção do sentido (coerência). A última lembrança que tenho dela foi no dia em que desapareci no museu do Prado. qual dos dois textos se mostrou mais adequado? Por quê? 2-Ainda considerando a proposta. pois ainda sou procurado por todos. hoje. muito rico. quando aquele homem ligou para mim e me ofereceu aquele dinheirão todo. final e título. até amanhã. sinto falta de minha mulher e de minha liberdade. desenvolvimento da trama. quanto aos seguintes pontos: caracterização das personagens. (texto de aluno) 1-Considerando a proposta dada – esclarecimento de um sumiço . .Redação 2 Diário secreto Em 10 de julho de 1975. acho que prefiro essa vida de rico do que ser um daqueles pobretões metidos. construção do ambiente (cenário). depois foi só eu receber os 5 milhões de dólares.. Tchau. Sinto muita saudade de minha mulher e de meus amigos. hoje estou aqui. foi só eu inventar a desculpa de querer ir passear em Madri e quando chegamos ao museu do Prado peguei o quadro e o coloquei naquela caixinha. Você lembra. diário.