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POLIS LITORAL RIA DE AVEIRO

Concurso Público de Concepção para a Elaboração do
Projecto de Reordenamento e Qualificação da Frente
Lagunar de Ovar - Azurreira, no Âmbito da Intervenção
do Polis Litoral Ria de Aveiro

GUINCHO COMUM (LARUS RIDIBUNDUS)
Cais do Carregal, Ovar, às 17:39 do dia 17 de Julho de 2011

ENQUADRAMENTO CAIS DO CARREGAL E
AZURREIRA
A área do concurso situa-se na frente lagunar de
Ovar - Azurreira, no extremo norte da Ria de
Aveiro que se estende ao longo do canal de
Ovar até ao cais do Carregal. Este, esteve
fortemente ligado no princípio do século XX ao
comércio de sardinha e a sua paisagem urbana
era dominado pelos palheiros dos antigos
mercantéis.
Estamos então na presença de uma área
topograficamente plana, sendo a sua
composição geológica constituída

maioritariamente por arenitos de formação
recente - figura 1 - que forma o maior segmento
de costa baixa do país ao longo dos 45
quilómetros que separam Ovar de Mira, o limite
a sul desta zona lagunar que se desenvolve
paralelamente ao Atlântico.
A paisagem da região é dominada pela
horizontalidade, pela baixa volumetria e pela
luminosidade. O cais do Carregal, está a meio
do caminho que separa Ovar do Furadouro,
num percurso quase em linha recta que coloca
em contraste estes dois tecidos urbanos. De
passado recente, o Furadouro é desordenado
apesar de definição reticular da sua malha,
denso e descaracterizado, representando bem o

arquétipo da pressão a que o litoral foi sujeito
nas última quatro décadas.
O cais do Carregal, depois de perder o
dinamismo associado ao comércio dos
mercantéis em meados do século passado,
serve actualmente uma pequena comunidade
piscatória local que lamenta recorrentemente a
falta de conservação e consequente
assoreamento do mesmo. Actualmente o
acesso às embarcações faz-se por um terreno
particular, levantando diversos condicionalismos.
Hoje, associamos mais facilmente o nome
Carregal à marina para embarcações de recreio
e à organização de diversas regatas, sendo “O

CANAL DE OVAR A PARTIR DA MARGEM NASCENTE
Carregal, Ovar, às 19:44 do dia 22 de Julho de 2011

Cruzeiro da Ria” a prova mais emblemática a
que anualmente ali se realiza.
Já o parque da Azzureira, em pleno canal de
Ovar e na margem oposta do Areinho, perdeu
definitivamente a praia fluvial que outrora
caracterizava aquele local. Apesar de
recentemente ter sido objecto de uma pequena
intervenção da junta de freguesia local, que
dotou o espaço de duas mesas de piquenique e
plantou um “par” de árvores, continua sem
representar uma alternativa viável de lazer para a
comunidade local.

figura 1
Fases da Formação da Ria de Aveiro:
1.Reconstituição do litoral junto da foz do Vouga na época proto-histórica
2.Desenho da Ria de Aveiro em mapas Antigos
3.Configuração actual da Ria de Aveiro
FONTE: Girão (1941), p104.

ANOS 50(?) Carregal com zona C de intervenção no canto superior direito autor desconhecido .MARINA DO CARREGAL.

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LIMONIO-VULGAR e JUNCO DAS ESTEIRAS Sapal adjacente ao cais do Carregal. Ovar. às 17:59 do dia 17 de Julho de 2011 .

para a divulgação e sensibilização acerca dos habitats e espécies de flora e fauna em presença. Apesar do potencial da área de intervenção. os sapais são ecossistemas frágeis. a presença de estruturas como o cais de embarque e a proximidade à rede de ciclovias. pela construção e impermeabilização de áreas relevantes para a dinâmica e equilíbrio ecológico. Esta área está associada à regeneração da água da ria de Aveiro. observa-se que o espaço carece de percursos pedonais ao longo da ria (pois este encontramse interrompidos devido a privatização de margens) e de equipamento de suporte a actividades de recreio para o pleno usufruto do espaço. O movimento natural de sedimentos – por consequência de pressões urbanísticas. contaminação dos sapais – traz graves consequências sobre o sapal. e constituindo um local importante para diversas espécies faunísticas. observa-se que o sapal se encontra um pouco degradado e fragmentado e alguma parte deste foi já destruída. . Actualmente. possuindo uma vasta gama de espécies de flora que contribuem para o processo de sedimentação. Porém. fazem deste local um espaço com grande potencial para criação de sinergias entre conservação e recuperação de habitats. de um sapal e outros habitats naturais. fortemente ameaçados pela actividade humana e tem-se observado a degradação de habitats por agentes poluentes. recreio e lazer ao ar livre e actividades pedagógicas/educacionais. pela introdução de espécies exóticas. levando à sua degradação e à redução da biodiversidade. A presença de um corpo de água.A ÁREA DE INTERVENÇÃO INTRODUÇÃO A área de intervenção constitui um local de elevado valor ecológico e paisagístico. impermeabilizada e privatizada.

campana-da-praia (Inula crithmoides).habitat 1330. Puccinellia maritima. que contribuem grandemente para a biodiversidade do lugar. altamente produtivos. Festuca rubra subsp. para além de oferecer um cenário esteticamente aprazível. pseudopungens). notandose a presença de espécies como a sarcocórnia (Salicornia fruticosa). São terras alagadiças. Estes são sistemas anfíbios. maritima). littoralis. contribuindo ainda com inúmeros recursos para a vida selvagem. juncoagudo (Juncus acutus). barrilha (Suaeda vera). sem grande presença de infestantes salvo algumas pontuações de acácias (Acacia melanoxylon). uma vez que actuam como filtros que retêm a poluição. armoles-bravos (Atriplex prostrata).LEVANTAMENTO DE SAPAL HABITATS. juncodas-esteiras (Juncus maritimus). No sapal da área de intervenção pode-se identificar imediatamente as seguintes espécies: gramata-branca (Halimione portulacoides). JUNCAL FLORA Os juncais. ICNB). resulta numa paisagem estruturalmente interessante para o refúgio da avifauna. . constituindo zonas privilegiadas para a nidificação. morraça (Spartina maritima). beterraba-marítima (Beta vulgaris subsp. armoles-bravos (Atriplex prostrata) e o espargo-do-mar (Salicornia ramosissima). limónio-vulgar (Limonium vulgare). Têm como função principal a depuração das águas contaminadas (CCDR-N). Segundo COSTA (2001) a vegetação típica deste tipo de habitats pode-se dividir em três grupos segundo o nível de salinidade. cevada-marítima (Hordeum marinum). limónio-vulgar (Limonium vulgare). FLORA E FAUNA Os sapais são sistemas naturais estruturais de elevada importância. junco-das-esteiras (Juncus maritimus). Nas visitas ao local a identificação das espécies vegetais em maior abundância permitiram verificar que o sapal se encontra em bom estado. tal como os sapais são habitats importantes para promover a qualidade da água. A combinação com o sapal. Nas áreas de intervenção B e C estão presentes algumas manchas de juncal predominadas pelo junco-das-esteiras (Juncus maritimus). erva-carneira (Festuca arundinacea). caniço (Phragmites australis).. situadas junto ao mar ou no troço final dos rios que fazem a transição entre a terra e o mar e entre as águas salgadas e doces. limónio (Limoniastrum monopetalum). caniço (Phragmites australis). junco-agudo (Juncus acutus) e plantago-litoral (Plantago maritima) (Rede Natura 2000 . Frankenia sp. A esta espécie encontram-se normalmente associadas outras espécies típicas dos prados salgados tais como: a erva-fina (Agrostis stolonifera var. entre outras.

GRAMATA BRANCA LIMONIO-VULGAR e JUNCO DAS ESTEIRAS .

CHOUPO-BRANCO Margem do cais do Carregal. 17 de Julho de 2011 às 17:29 . Ovar.

espécies características de galeria ripícola como o choupo-branco (Populus alba). Na zona C encontramse ainda. na zona A de: tamargueira (Tamarix gallica).º 140/99 (republicado pelo DL 49/2005).LEVANTAMENTO DE FLORA HABITATS. Na zona B e C encontram-se alguns pinheiros-bravos (Pinus pinaster) jovens e pontualmente algumas acácias (Acacia melanoxylon) oriundas do limite Este da área de intervenção onde estas se encontram em extensos povoamentos. estes dois últimos recém plantados. FLORA E FAUNA Observa-se também a presença. . A vegetação identificada encontra-se referida na lista dos habitats naturais do Anexo B I do Decreto-Lei n. freixo (Fraxinus angustifolia) e amieiro (Alnus glutinosa). pinheiro-bravo (Pinus pinaster).

às 19:49 do dia 22 de Julho de 2011 . Ovar.REGISTO DO VOO DO GUINCHO COMUM Cais do Carregal.

Ovar às 19:51 do dia 22 de Julho de 2011 . a má gestão dos recursos hídricos. albergando também espécies de importância comunitária. REGISTO DO VOO DA GARÇA VERMELHA Cais do Carregal. aquáticas e migratórias. é uma ave cujo habitat passa essencialmente por zonas húmidas (sapais) com áreas de vegetação densa de caniçais. A drenagem e destruição de caniçais. foi possível registar a presença de uma garçavermelha a sobrevoar o espaço e ainda de um guinho-comum (Larus ridibundus) que pousou numa das estruturas de embarcação. A garça-vermelha (Ardea purpúrea) é a espécie anfitriã da Ria de Aveiro. FLORA E FAUNA Os sapais são importantes locais de alimentação e reprodução para diversas espécies de aves. Numa das incursões à área de intervenção. a perturbação das áreas de nidificação e a poluição da agua são alguns factores de ameaça ao desaparecimento desta espécie.LEVANTAMENTO DE FAUNA HABITATS.

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A realização deste projecto implicou o conhecimento das espécies de aves potenciais de ocorrência no local. maximizando o interesse ambiental e pedagógico do local tornando-o acessível e interessante para a população.. Tem por base o conceito de intervenção mínima e princípios de sustentabilidade compatíveis com os objectivos de conservação da Zona de Protecção Especial (ZPE) da Ria de Aveiro. O projecto consiste na recuperação de uma área de sapal e sua envolvente com objectivo de restabelecer micro habitats favoráveis a um vasto leque de espécies animais. com o intuito de preservação e recuperação dos habitats naturais em presença. bem como dos seus principais factores de atracção (repouso. Paralelamente aos objectivos de conservação. no sentido da recreação e lazer ao ar livre. alimentação ou nidificação). colocando a população em contacto com o meio natural numa perspectiva educacional e de sensibilização para as questões ambientais. o fomento da flora e fauna características desses habitats e o restabelecimento do equilíbrio e dinâmicas do ecossistema.PROPOSTA A proposta de intervenção considera uma visão holística do espaço procurando sinergias sustentáveis entre a conservação da natureza e o recreio da população. Em simultâneo o projecto teve em consideração as presenças de espécies faunísticas e florísticas relevantes na área de intervenção. Com efeito. de forma que a implantação da proposta não colidisse com os habitats presentes. esta proposta teve em consideração a informação sobre espécies e habitats naturais constantes no Plano Sectorial para a Rede Natura 2000. . a proposta procura dotar o espaço de locais de convivência social compatíveis com o ecossistema natural da ria.

foi possível identificar três áreas homogéneas. central e junto à ria. é limitada por uma barreira densa de ciprestes e é onde se localiza a única área de areia que persiste com preia-mar. No entanto. a Sul. A primeira a Norte. criando uma pequena praia. Aquando do trabalho de campo no local. a área encontra-se bastante despida de vegetação e equipamentos de suporte ao recreio. Ao nível da vegetação rasteira esta restringe-se a uma vegetação ruderal. é caracterizada por uma área mais ampla e de vegetação esparsa. uma central e uma a Sul. é caracterizada por uma área com pouca vegetação e alagadiça. . devido às cotas mais baixas formou-se neste local uma pequena enseada. consequência talvez do pisoteio desregulado e circulação automóvel no interior do espaço.PROPOSTA ZONA A . são espécies interessantes bem adaptadas a este habitat. pela natureza da sua envolvente e pelo corrente uso como área de piquenique e de lazer constitui uma boa oportunidade para a formalização de um parque. A terceira área. No geral. tendo como limite Sul uma barreira de tamargueiras já com um porte considerável. das árvores que aí se encontram. uma a Norte. A segunda área. os pinheiros e palmeiras já apresentam um porte considerável e as árvores plantadas recentemente.AZURREIRA A zona A pela sua extensão.

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a borrazeira-negra (Salix atrocinerea). A intervenção maior na zona A será a criação de uma praia fluvial. alecrim-donorte (Myrica gale). Esta é uma área que se pretende mais naturalizada. Por outro lado as espécies perenifólias são também importantes para o refúgio da fauna e nesse sentido. remetendo-se para a plantação de pequenas árvores e arbustos nos extremos da área. o limónio (Limonium vulgare). As micro-modelações pretendem atribuir ao lugar alguma dinâmica visual e funcional. servindo ainda de refúgio e abrigo para répteis e anfíbios. A área central do espaço. Os arbustos utilizados são ripícolas e ainda adaptados a estas condições de salinidade. o medronheiro (Arbutus unedo) e o loureiro (Laurus nobilis). uma vez que em conjunto com diferentes estratos de vegetação aí colocados. Ao longo da estrada municipal propõe-se.Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior". é uma de contemplação por excelência. o junco-agudo (Juncus acutus). erva-caril (Helychrisum italicum) e sanganho-mouro (Cistus salvifolius) e o amieironegro (Frangula alnus). Com o intuito de quebrar a monotonia. o amieiro (Alnus glutinosa). Festuca arundinacea. as micro-modelações são alternadas com composições de arbustos densos. Assim. Para isso foi criado um talude/enrocamento que mantém a praia e suporta a margem para que esta não seja destruída a longo prazo pelas marés. optou-se pela sua divisão em áreas funcionalmente distintas mantendo a fluidez entre espaços através dos caminhos e locais de repouso. plantaram-se algumas manchas de medronheiros (Arbutus unedo) e loendros (Rhododendron ponticum). a tamargueira (Tamarix gallica). Assim. permitindo também variados usos recreativos. a campana-da-praia (Inula crithmoides). o polígono-marítimo (Polygonum maritimum) e a cevada-marítima (Hourdeum marinum). na área Norte e alongando-se ao longo do limite da estrada para Sul propõese a construção de uma área de piquenique ensombrada equipada com mobiliário urbano de apoio. também nesta área um parque de estacionamento. ambos resistentes à salsugem e adaptados às condições do lugar. o salgueiro-branco (Salix alba). uma vez que será estimulada a regeneração natural do espaço deixando a vegetação em crescimento semi-livre por oposição ás restantes áreas que necessitarão de mais manutenção. luzerna (Medicago sativa) e o trevo-morango (Trifolium fragiferum) por serem resistentes à salsugem. é vantajosa a utilização de variedades da região uma vez que garante o bom desenvolvimento e adaptação das mesmas ao local. . Assim. Ao nível arbóreo a escolha de espécies caducifólias pretende que nas estações frias o sol seja melhor aproveitado. o amieiro negro (Frangula alnus). O recurso a esta solução construtiva permite a manutenção da permeabilidade e a instalação de vegetação ruderal. referidas por exemplo na ficha da Rede Natura 2000 "91E0 . No entanto propõe-se a instalação de um prado de Festuca rubra var. Optou-se por colocar. A área Sul. como é o caso do Salix repens. de forma a manter o espaço ordenado e funcional para quem o visita.5m de diâmetro e as espécies escolhidas refletem as típicas dos habitats ripícolas. tojo-manso (Stauracanthus genistoides). criam-se ritmos e padrões diversos. o choupo-branco (Populus alba) e o ulmeiro (Ulmus minor). No entanto a obtenção de sementes destas espécies não se encontram facilmente para venda. ao longo da linha de costa modelou-se o terreno de forma a que haja presença de areia mesmo em preiamar.Como resposta a esta tripartição do espaço. sendo que esta vegetação se instala naturalmente no espaço se este for deixado incólume. como por exemplo o pilriteiro (Crataegus monogyna). a morraça (Spartina maritima). littoralis. também algumas micro-modelações que pretendem funcionar como dissuasores da entrada de veículos motorizados e do estacionamento abusivo. As espécies que se propõe que sejam recolhidas são: o junco-das-esteiras (Juncus maritimus). por ser a que oferece os horizontes mais amplos e ainda pela sua lisura ao nível de vegetação e terreno. Esta estrutura pretende ser o menos intrusiva possível e para esse efeito este foi rodeado de micro modelações até 1m de altura plantados com arbustos de pequeno e médio porte de forma a que a estrutura não seja visível do interior do parque. propõe-se a criação de um espaço de recolha e propagação de sementes para que se possam usar posteriormente neste e noutros espaços que necessitem de reintrodução de espécies. inspirada na pequena praia existente na área Norte. mais ampla. Assim neste espaço a intervenção é mínima. será alvo de intervenções ao nível da plantação de manchas arbustivas e instalação de micro-modelações. São disso exemplo o: freixo-comum (Fraxinus angustifolia). As árvores estão em caldeiras com 1. Nesse sentido. Em toda a zona A propõe-se a instalação de um prado composto por espécies que se encontram no local e outras que vêm listadas nas fichas da Rede Natura 2000 como pertencendo a este habitat. Esta área é desenhada no espaço criando zonas amplas de solo compactado arborizadas.

littoralis ‣Hordeum marinum .‣Salix alba ‣Fraxinus angustifolia ‣Alnus glutinosa ‣Ulmus minor ‣Populus alba ‣Salix atrocinerea ‣Frangula alnus ‣Rhododendron ponticum ‣Tamarix gallica ‣Arbutus unedo ‣Salix repens ‣Stauracanthus genistoides ‣Helychrisum italicum ‣Cistus salvifolius ‣Myrica gale ‣Spartina maritima ‣Juncus maritimus ‣Limonium vulgare ‣Festuca rubra var.

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cais flutuante localizado em zona .PROPOSTA ZONA B A integração do cais e do estacionamento fazse com um alinhamento de borrazeiras-negras (Salix atrocinerea). rampa e doca seca para acesso com as embarcações à ria. A proposta apresenta um desenho “pobre” mas garante boas condições de trabalho para os pescadores: estacionamento automóvel. uma espécie característica das galerias ripícolas e resistente à salsugem.

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passa pela delimitação e interdição de passagem através do sapal. ou seja numa primeira fase instala-se um prado resistente à salinidade e numa segunda fase introduzem-se sementes das espécies locais recolhidas. A formalização e proteção do cais do assoreamento provocado pela destruição das margens é feita através da recuperação dos seus muros utilizando uma solução construtiva que garante uma alta permeabilidade. diminui-se o risco da introdução de variedades genéticas estranhas ao meio e tem-se a garantia de que as utilizadas estão bem adaptadas às particularidades edáficas (solo) e microclimáticas do local e ainda às variações que aí costumam ocorrer.CAIS DO CARREGAL A zona C compreende o cais do Carregal e a sua envolvente. É aqui que se localiza a maior área de sapal da área de intervenção. nomeadamente. Assim. São objectivos específicos para o sapal: conservação de habitats naturais e das espécies da flora e da fauna. na área onde actualmente existe um caminho de terra batida. As sementes recolhidas podem ser de ambas. Nesta zona criaram-se ainda alguns pontos de ensombramento que complementam o deck proposto. O sapal deverá manter o seu carácter. que é o recurso ao gavião. e pelo fomento e requalificação do coberto vegetal. promover e fomentar a vegetação característica desta zona e consequentemente atrair as espécies de fauna associadas. A sua reabilitação comporta várias etapas de operações e trabalhos. Este prado será algo semelhante a um prado salgado atlântico (Rede Natura 2000 .ficha 1330) de modo a recuperar. sendo que a intervenção passa pela limpeza de margens. prende-se com recuperação do material vegetal. e depuração da água de circulação e amortecimento do impacte das marés e ondas. espécies pioneiras e ou vivazes e perenes. sendo colocadas em alguns pontos placas informativas acerca dos valores naturais em presença. Do lado Oeste da zona C. o que acarreta inúmeras vantagens. que são a recuperação do sapal e a recuperação da estrutura do cais. na área de maior extensão de sapal (a Este) o limite com a estrada municipal será marcado com uma barreira de toros de madeira. erradicação e contenção de flora exótica. A instalação segue o mesmo procedimento do descrito para a zona A. Esta barreira sem ser demasiado intrusiva formaliza um espaço que se pretende cuidado e transmite a ideia de fragilidade do ecossistema procurando dessa forma o seu reconhecimento como área natural a conservar. Esta solução permite o suporte da área de sapal e simultaneamente garante o fluxo contínuo de água necessário ao bom funcionamento e estabilidade deste habitat. nomeadamente o choupobranco (Populus alba). Neste sentido a proposta encontra um compromisso que respeita dois dos objectivos primordiais. Escolheram-se espécies da galeria ripícola à imagem das espécies que já se encontram na zona. A primeira passa pela estabilização das margens do cais. visando a implantação de um coberto vegetal natural com plantas de formações halófilas. A segunda etapa. propõe-se a sua conversão para um prado. as áreas de sapal serão objecto de repovoamento e consolidação (plantações e sementeiras). numa perspectiva de recuperação das fito-associações de sapal. manutenção do equilíbrio e da dinâmica flúvio-marinha. Ao utilizar espécies do local. da flora nativa desse habitat. As sementes para propagação devem ser oriundas do próprio local. A terceira etapa. . para que este possa regenerar naturalmente não estando exposto ao pisoteio e outras agressões.PROPOSTA ZONA C . Assim. nesta zona. Neste sentido propõe-se a criação de um viveiro com espécies características do habitat.

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ao mesmo tempo que os afastamos entre si. . bem como o valor simbólico de estarmos na presença do braço mais a norte da ria de Aveiro. sem um grande esforço reduzimos um dos três cruzamentos. que aqui termina no cais do Carregal. A infra-estrutura de apoio à ciclovia pretende ser o menos intrusiva possível apesar de se afirmar formalmente como um objecto quase escultórico pousado sobre a praça. aumentando ainda a qualidade dessa infra-estrutura. Integrar este espaço na rede de ciclovias local .projecto CICLORIA .PROPOSTA PRAÇA E INFRAESTRUTURA DE APOIO À UTILIZAÇÃO DAS VIAS CICLÁVEIS (ZONA C) O conflito da circulação automóvel na confluência de três cruzamentos num curto espaço. ao aproveitarmos um troço de asfalto já existente."a marca". fez-nos ultrapassar o limite físico da área de intervenção. Esta atitude pretende deixar uma marca no território ao mesmo tempo que atenua e disciplina a circulação rodoviária.parece-nos ser mais um factor capaz de contribuir para a dinamização do uso da bicicleta. sem invadir o sapal: a praça sobre o topo norte do canal do Carregal cria espaço de contemplação e assinala que estamos perante um dos limites da ria de Aveiro .

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In Albergaria Moreira.. J. Universidade do Minho. M. Casal Moura. Noronha (ed.M.) Homenagem (in honorio) Professor Doutor Soares de Carvalho: 283-299. (2001) – Tipos de vegetação e adaptações das plantas do litoral de Portugal continental.º 140 / 99 de 24 de Abril Decreto-lei n.E.BIBLIOGRAFIA COSTA.pt/ .º 49 / 2005 de 24 de Fevereiro Directiva 92 / 43 / CEE Resolução de Concelho de Ministros Sites www. H. Legislação Decreto-lei n. A.pt http://www.ccdr-n. Granja & F.C. Braga.icnb.

ESTIMATIVA ORÇAMENTAL DA OBRA .

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00!" 14 un 18.diâm. 100-150cm 12 un 62.00!" Choupo-branco (Populus alba).00!" 9 un 15.00!" 468. 80/120 cm Alecrim-do-norte (Myrica gale). alt. diâm. alt.00 m2 4. vaso 7.: 200-300cm Salgueiro-branco (Salix alba).00!" 300. alt. pap 10-12cm 20 un 15.00!" Salix (Salix repens) .: 100-200cm Ulmeiro (Ulmus minor).00!" 102.00!" 225.00!" 7!300.00!" 216. do tufo 30cm Recolha de sementes e posterior sementeira das mesmas.alt. 100-200cm 14 un 3. pap 8-10.00!" 15 un 10.: 200-300cm 15 un 15.00!" 228.00!" 3 un 12.00!" 50.00!" 28!000. diâm.5L . diâm. do tufo 20cm 76 un 3. pap 8-10.00!" Fornecimento e plantação de árvores Amieiro (Alnus glutinosa). do tufo 30cm 34 un 3.00!" 7!000. alt.00!" 756.00!" 5 un 10.00!" Estevinha (Cistus salvifolius).: 100-200cm Fornecimento de arbustos e sub-arbustos Amieiro-negro (Frangula alnus).00!" 156 un 3.00!" 135. alt. alt.00!" 42. littoralis Total/Zona 87!744. alt. alt. diâm.00!" 32. 100-200cm 27 un 8. pap 8-10. plantadas à razão de 30gr/m2: Festuca rubra var. vaso 1L – alt: 25/30 cm Medronheiro (Arbutus unedo). plantadas à razão de 30gr/m2: Junco-das-esteiras (Juncus maritimus) Junco-agudo (Juncus acutus) Morraça (Spartina maritima) Limónio (Limonium vulgare) Caniço (Phragmites australis) Campana-da-praia (Inula crithmoides) Polígono-marítimo (Polygonum maritimum) Cevada-marítima (Hourdeum marinum) Fornecimento e sementeira de gramíneas e herbáceas. vaso 1L – alt: 25/30 cm.00!" Loureiro (Laurus nobilis).00!" 36.00!" 504.00!" Freixo-comum (Fraxinus angustifolia). 100-200cm 4 un 8.00!" Tamargueira (Tamarix gallica).00!" 150. diâm.00!" Loendro (Rhododendron ponticum).Zona A Artigo Vegetação (1) Descrição Limpeza de margens Quantidade Preço Unitário Valor 7!300.00!" 252.50!" 10!950. pap 8-10.36!" .00 m2 2.00 m2 1.00!" Sargaço-Branco (Teucrium fruticans).00!" 120. do tufo 20cm 104 un 3.00!" Pilriteiro (Crataegus monogyna). 10 un 12.00!" Erva-do-caril (Helychrysum italicum).50!" 364.00!" 744. do tufo 30cm 252 un 3.00!" Tojo-manso (Stauracanthus genistoides).00!" 14!600.00!" Borrazeira-negra (Salix atrocinerea). do tufo 20cm 168 un 3.

50!" 400.00!" 90.00!" Rampa de doca seca 110. corrimão de ambos os lados.00!" 723.5m de altura 55!152.00 m2 14.Zona Artigo Descrição Quantidade Preço Unitário Valor Total/Zona Erva-carneira (Festuca arundinacea) Luzerna (Medicago sativa) Trevo-morango (Trifolium fragiferum) Fornecimento e aplicação de tutores e cintas de borracha Mobiliário Papeleira LARUS® modelo TOM. cunhos de 2T a centros de 3m 2 un 13!642.00 m2 42.73!" 187. modelo RUA.50!" Solo estabilizado (acesso ao cais de pequenas embarcações) 367.35!" 4!658. com 8x1m.50!" 637. flutuadores em polietileno cheios de polistireno expandido. corpo e balde em plástico rotomoldado (conjunto de 3+1 unidades para reciclagem + resíduos sólidos) 1 un 468.50!" 5!919.00!" Movimento de terras Faixa de protecção da zona balnear com colocação de talude em pedra B 9.00!" Betuminoso mistura a frio e colorido. corpo e balde em plástico rotomoldado (conjunto de 3+1 unidades para reciclagem + resíduos sólidos) Mesa de piquenique BRINCANTEL (**) Pavimentos Solo estabilizado A (percurso e piquenique) Vegetação (1) 576.25!" 9!006. 100-200cm Fornecimento e aplicação de tutores e cintas de borracha Mobiliário Cais sistema de amarração por correntes de 16mm e poita de 2. modelo RUA 4 un 82.00!" 9!490.47!" Banco LARUS®.00 ml 8.00!" 2!397.00 m2 2. modelo RUA. 420 1 un 187.015m de camada de desgaste sobre camada de tout-venant de 0.04!" Banco LARUS®.16!" 6 un 225.73!" Estacionamento Bicicletas LARUS®.00!" ponte de acesso.00 ml 239.00!" 4 un 468. 1.47!" 749.00!" Solo estabilizado B (anfiteatro) 255.50!" Construção de muro de gabiões.40!" 329.00!" Papeleira LARUS® modelo TOM. 1800 1 un 749.00!" 10 un 9. 12x2m. auxiliar de flutuação do lado água.04!" 1!872.5T Muros Pavimentos 6 un 986.28!" 2!657. charneiras biaxiais do lado água e do lado terra 1 un 2!397.00!" 80.00!" 8!676. alt. pap 8-10.20!" 203.50!" 1!725.50!" 600.50!" 2!970.00 m2 2.00!" 11!472.00!" 48.04!" 468.84!" .50!" 632. com 0.00!" 1!350!" 1!188.00 m2 0.00!" 27!284.00 ml 12.00 m2 1.50!" 917.3m (estacionamento e acesso pedonal) Guia em barra chata de aço 80x8mm.00 m2 2. chumbada em lintel de betão (percursos e caldeiras) Modelação 64 un Limpeza de margens Fornecimento de arbustos e sub-arbustos Borrazeira-negra (Salix atrocinerea).60!" Passadiço Flutuante FARO.00!" 10 8.

99!" . fixação oculta. 30mm de espessura (margem direita) Total/Zona 253!065.5m de altura Construção de muro de gabiões.00 m2 2.00!" 19 9.00!" 380.20 ml 12.00!" 25!850.: 200-300cm 4 un 15.00!" Freixo-comum (Fraxinus angustifolia).00!" Fornecimento e plantação de árvores Choupo-branco (Populus alba).00!" 60.00!" 338.00 m2 26. alt. 1.40!" 470.00!" 11!570. 10cm 445. chumbada em lintel de betão (seis caldeiras) Percurso Construção de passadiço em madeira de pinho nórdico tratado em câmara de vácuo. alt.5m de altura Praça 240. 1800 9 un 749.Zona C Artigo Vegetação (1) Descrição Limpeza de margens Quantidade Preço Unitário 780 1.00!" 75.50!" Valor 1!170.04!" Banco LARUS®. 420 9 un 187. littoralis Erva-carneira (Festuca arundinacea) Luzerna (Medicago sativa) Trevo-morango (Trifolium fragiferum) Fornecimento e aplicação de tutores e cintas de borracha Mobiliário Estacionamento Bicicletas LARUS®.00!" 28.00!" 760.00!" Guia em barra chata de aço 80x8mm. plantadas à razão de 30gr/m2: Festuca rubra var.40!" 2!472.00!" Papeleira LARUS® modelo TOM.25!" 99!531. pap 10-12cm Amieiro (Alnus glutinosa).00!" 171.00!" Fornecimento e assentamento de cubo de granito azul.57!" 30 un 82.00!" 380. corpo e balde em plástico rotomoldado (conjunto de 3+1 unidades para reciclagem + resíduos sólidos) 1 un 468.: 200-300cm Recolha de sementes e posterior sementeira das mesmas.00!" 245.00 m2 55.00!" 5 un 15.00!" Execução de betonilha armada sobre camada de brita 445.47!" 6!745. 2.25!" 57!360. modelo RUA.23!" Banco LARUS®.00!" 150. modelo RUA Muros Construção de muro de gabiões.73!" 1!689. modelo RUA.04!" 468.00 ml 239.00 m2 4.00 m2 9.00!" 10 un 15.00!" 1!520. plantadas à razão de 30gr/m2: Junco-das-esteiras (Juncus maritimus) Junco-agudo (Juncus acutus) Morraça (Spartina maritima) Limónio (Limonium vulgare) Caniço (Phragmites australis) Campana-da-praia (Inula crithmoides) Polígono-marítimo (Polygonum maritimum) Cevada-marítima (Hourdeum marinum) Fornecimento e sementeira de gramíneas e herbáceas.00!" 4!005.00 ml 406.

00!" 4!658.Zona Artigo Observatório Descrição Construção de passadiço em madeira de pinho nórdico tratado em câmara de vácuo. fixação oculta. TOTAL 395!963. sobre pequenos pórticos de madeira de apoio central.50!" 2!671. revestida a chapa de ferro para serviço de informação à rede local de ciclovias Quantidade Preço Unitário Valor 117.00 ml 19.50!" 1 un 21!856.00!" 1 un 4!658. O VA . 30mm de espessura.19" (trezentos e noventa e cinco mil. em madeira de pinho nórdico tratado em câmara de vácuo Guarda de protecção do sapal adjacente à Rua Daniel Constant Posto de Informação Fornecimento e montagem de estrutura pré-fabricada.00!" Total/Zona * Limpeza de margens e requalificação do coberto vegetal.00!" 137. ** Prevê a reutilização das duas mesas existentes no local do mesmo fornecedor. novecentos e sessenta e três euros e dezanove cêntimos + IVA à taxa legal em vigor.19!" O valor global da obra é de 395 963. criando novas zonas de vegetação.00!" 21!856.00 m2 85.00m Cabina de observação de aves.00!" 9!945. afastados 6. valorizando a galeria ripícola e vegetação autóctone e criando zonas de ensombramento. perfazendo um total de 8 mesas de piquenique.