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CAPÍTULO 11

PROTEÇÃO DE TRANSFORMADORES
Prof. José Wilson Resende
Ph.D em Sistemas de Energia Elétrica (University of Aberdeen-Escócia)
Professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica
Universidade Federal de Uberlândia

11.1 – Introdução
Dentre os elementos das instalações elétricas de um sistema, o
transformador é o que apresenta maior segurança de serviço. Em geral, os
defeitos nos transformadores se resumem a:
• curto-circuitos entre espiras ou entre enrolamentos de alta e baixa,
• sobreaquecimentos e
• circuito aberto.

a) Principais defeitos possíveis de ocorrerem nos transformadores: circuitos
abertos, sobreaquecimentos e curtos nos enrolamentos internos:
• Proteção contra circuitos abertos: não há proteção específica (são raros e não
são graves).
• Proteção contra sobreaquecimentos: é feita através de dispositivos que
normalmente acionam alarmes, bombas de circulação de óleo e ventiladores.
• Proteção contra curtos internos: são os defeitos mais graves. Resultam de
falhas no isolamento devido a:
• sobretensões atmosféricas ou de manobras e/ou
• sobreaquecimento dos enrolamentos e/ou,
• envelhecimento dos enrolamentos) e/ou,
• ao envelhecimento prematuro dos isolantes (devido a sobrecargas
repetitivas).

b) Tipos de proteção usadas:
• Grandes transformadores: relés diferenciais e relés Bucholz (gás).
• Pequenos e médios trafos: relés de sobrecorrente temporizados e/ou
fusíveis.
• Proteção de retaguarda: relés de sobrecorrente e/ou fusíveis.

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11.2 – Diagrama Unifilar da Proteção

Figura 11.1:

Legenda:
49
51
51N
63FP
86
87

Relé de temperatura de enrolamento
relé de sobrecorrente de fase, temporizado
relé de sobrecorrente de neutro temporizado
relé de fás – BUCHOLZ
relé auxiliar, multiplicador de contatos
relé diferencial percentual BO: bobina de operação
BR: bobina de restrição

11.3 – Proteção Contra Curto-Circuito Interno nos Enrolamentos
O relé diferencial é recomendável para todo banco trifásico acima de 1000
KVA e econômico acima de 5000 KVA.
Para transformadores abaixo de 1000 KVA, adota-se a proteção de
sobrecorrente. No entanto, caso este tipo de proteção não dê a necessária
sensibilidade, relés diferenciais devem substituí-los.

11.3.1. Proteção Diferencial Percentual

A forma mais usada de relé diferencial é a do tipo diferencial percentual. A
proteção diferencial é usada em transformadores para protegê-los contra curtocircuitos internos (inclusive entre espiras). Esse tipo de proteção compara as
correntes nos dois lados do transformador, através de transformadores de corrente,
cujas relações e conexões tornam as correntes secundárias iguais ou próximas
entre si. A figura 11.2 mostra a circulação das correntes, quando o transformador
está em funcionamento normal ou mesmo para uma falta externa em F.

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Figura 11.2– Circulação de correntes para funcionamento normal e falta externa.

Para um curto-circuito fora do trecho protegido, as correntes serão elevadas,
porém serão iguais nos secundários dos TC e o relé não irá operar. Entretanto, se
ocorrer um curto-circuito entre os dois TC, teremos a operação do relé diferencial,
como mostra a figura 11.3.

Figura 11.3– Circulação de correntes para falta interna

A corrente diferencial requerida para operar este relé é uma quantidade variável,
devido ao efeito da bobina de restrição. A corrente diferencial, na bobina de
operação, é proporcional a i1 – i2 e a corrente equivalente, na bobina de restrição,
i +i
é proporcional a 1 2 .
2

A característica de operação do relé diferencial percentual eletromecânico é
mostrada na figura 11.5.

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Figura 11.5 – Característica de operação do relé diferencial percentual.

Podemos ver que, exceto para o pequeno efeito de mola de controle em
correntes baixas, a relação entre a corrente diferencial de operação e a corrente
média de restrição representa uma percentagem fixa, o que explica o nome deste
relé.
A vantagem do uso da proteção diferencial percentual é que, no caso de
transformadores, ela compensa diferenças de correntes diferenciais, devido
principalmente a:
a) Características de TC – a presença de componentes DC nas correntes de
curto-circuito externos contribui bastante para a saturação dos TC’s. Uma
vez que o comportamento dessa corrente contínua difere de um lado e do
outro do trafo, pode haver o desequilíbrio e conseqüente operação do relé.
Daí, a sensibilidade da proteção poderá ser afetada pelos seguintes fatores
oriundos dos TC’s:
• o fenômeno da saturação,
• Devido às diferentes tensões dos dois lados dos transformadores, em
geral, os TC’s dos lados de AT e BT são diferentes entre sí,
• As cargas ligadas aos TC’s podem ser diferentes.

1 o 6 3. é vista pelo relé como uma falta interna ao trafo.2 o 5 4.4 .0 o 3 26. de modo que o desequilíbrio máximo possível será de 10%. Componentes harmônicas da corrente de magnetização.5 b) Mudanças de derivação – os transformadores equipados com o Load Tap Changer normalmente têm uma variação permissível de + 10 % da tensão nominal. Os ajustes dos relés diferenciais são feitos baseados no ponto médio. c) Corrente de magnetização (INRUSH) – a corrente inicial de magnetização atinge de 8 a 10 vezes a corrente nominal. Componente % da Harmônica Fundamental o 2 63. rica em harmônicos. A tabela a seguir mostra uma análise de harmônicos de corrente transitória de magnetização típica. (ponto médio de variação do comutador). Essa corrente.7 o 7 2.8 o 4 5.

tal que as correntes nas bobinas sejam NULAS. o sentido do fluxo das correntes nos enrolamentos do TRAFO.6 11. nos enrolamentos de mesmo núcleo). . Conexões do circuito do relé.1. para transformadores de dois enrolamentos Devido às defasagens normais de 30o. não serão nulas. somadas. as diferenças entre as correspondentes correntes nos secundários dos TC’s. A figura abaixo ilustra isso: IMPORTANTE: a) Admitir arbitrariamente. dão zero (não fluem para terra pelo neutro). entre as correntes dos lados primário e secundário dos transformadores Y-∆. mesmo que os módulos das mesmas sejam iguais. em que direção se desejar.3. Para evitar isso. c) Ligar os TC’s conforme a regra empírica. b) As correntes no lado Y.1. observando as marcas de polaridade (correntes fluem em direções opostas. adotase a seguinte técnica: Os TC’s colocados no lado Y do transformador de potência são conectados em ∆ e os TC’s do lado ∆ são ligados em Y. Isso faria com que os relés diferenciais atuassem indevidamente mesmo em condições normais de operação.

ele deve ser insensível a uma certa percentagem de corrente diferencial.7A (ajustados nas “BR” do relé diferencial).93.93 e levando este valor até a curva de “0. Tomando na figura acima a abscissa relativa ao “maior múltiplo do TAP de restrição” com o valor de ML=0.30 . a diferença entre essas correntes. conforme já foi visto na proteção de geradores).30 e 0.05A COMO SABER SE OS AJUSTES ACIMA SÃO ADEQUADOS? A diferença entre os valores dessas correntes. pois as correntes do primário e do secundário. = = 0. este relé é disponível com sensibilidade de 0. não deverão mesmo ser iguais em um transformador! Para contornar esse impasse. via de regra. No lado de BT: IRL = 8.7 d) Para que o relé não opere indevidamente para pequenos desequilíbrios. • Admitamos que se tenha ajustado o relé com os seguintes TAPS de restrição: TH = 4.6 Agindo desta forma. elas devem estar referidas a uma mesma referência. APLICAÇÃO: Seja o relé tipo HU da Westinghouse. A este fato dá-se o nome de sensibilidade (ε(%)) ou mismatch. Por outro lado.02.35.18 8. e que as correntes nos secundários do relé sejam: No lado de AT do transformador: IRH = 4. em um mesmo referencial serão: ML – MH = 0. Este valor não serve para nenhuma análise. I I RH 4.87A.91 = M H TL 8.7 TH 4. será de: Io = IRL – IRM = 8. Neste exemplo será adotado o valor de “0.05 – 4. isso é. para se verificar qual é a verdadeira diferença entres essas correntes (o que é necessário para se ajustar um relé diferencial.30”.05 M L = RL = = 0.18A.6A e TL = 8.18 = 3.

5. Mismatch permitido: ε% 1. 8. Tensões = alta (∆): VA.2.. 5.1.3. .Cálculos para o lado de Baixa Tensão (Y) Sn IB = 3.. 3. Exemplo de Cálculo de Ajustes do Relé Diferencial Percentual Sejam dados: Potência: Sn. no mínimo 0. A corrente no relé (cujos TC’s estão conectados em ∆) é IRL = 3 IBS b) Escolha do TAPE do relé. superior. com relações: R’TC1. R’TCx TAPS: TH = TL = 2. o relé NÃO OPERARÁ para a condição estudada. 5 5 Genericamente. para esse relé operar. a corrente de operação deverá ser de.0. IMPORTANTE: Os relés ditos NUMÉRICOS.33.02. Como a diferença existente é de 0. para o lado dos TC’s em ∆: De posse de IRL. Se tivermos RTC’s : e devemos escolher 500/5.8. 3. seja RTC2 a relação escolhida. devemos escolher o TAPE mais próximo. 4.2.9. . . baixa (Y): VB Lado de BT (Y): com relações: RTC1. não necessitam ter seus TC’s conectados da forma acima descrita. do IRL.8 TAP”. Isso porque seus softwares já fazem as compensações devidas às defasagens das correntes dois lados. . Seja TL este tap. RTCx Lado de AT (∆). RTC2..6..VB a) Escolha da RTC dos TC’s em ∆: Deve ser escolhida como sendo a mais próxima SUPERIOR DE IB. 4. Seja 400 500 IB=418A . observa-se que.7. 11. R’TC2.

5.4)= 930 [A] AT: InH= 20.8. 8.000/(√3. para o TC em Y (TH) De posse de IRL. (Por exemplo. _________________________________________________________________ Exemplo numérico: É dado um transformador de 20 MVA. 15%). superior a esta corrente. 4.Cálculo para o lado de Alta Tensão (∆) Sn IA = 3VA a) Escolha da RTC dos TC’s em Y De posse de IA.6. IRH e TL.7A. para um valor imediatamente acima do valor obtido antes). seja R’TC1 a escolhida.69)= 167 [A] b) Escolha da RTC adequada: BT: RTC= 1000/5 AT: RTC= 200/5 . Erro de ajuste (mismatch )=15% Os TC’s possuem RTC’s até: • 1200/5 (no lado Y (BT)) • 600/5 (no lado DELTA (AT)) SOLUÇÃO: a) Correntes nominais do transformador: BT: InL = 20. Dados do relé: Tapes: TH = TL= 2.000/(√3. ε % = 100 S Uma faixa típica para ε é :[ε% < 15%]. da Westinghouse.9. escolhe-se a relação mais próxima. 4. 3.12.0. 3.2.2.4 kV) que deve ser protegido por um relé diferencial percentual tipo HU. deve ser variado o “conjunto” de taps. sendo “S” o menor dos dois termos do gerador. No caso. Se o valor de ε for SUPERIOR ao valor máximo permitido (no exemplo.9 2. o tap TH deverá ser escolhido segundo a proporção : TL/TH = IRL/IRH 3. DELTA (69 kV)/ESTRELA (12. Cálculo do mismatch “ε” ⎛ I RL ⎞ ⎛ TL ⎞ ⎟⎟ − ⎜⎜ ⎟⎟ ⎜⎜ I ⎝ RH ⎠ ⎝ TH ⎠ . 3. 5. IA • A corrente no secundário dos TC’s em Y Será: I AS = R ' TC1 • Corrente no relé: IRH = IAS b) Escolha do tap do relé.

A partir da corrente IrL = 8.100[%] = S (1.7/4. d) Cálculo do erro de ajuste (mismatch) : I rL TL − I rH TH ε [%] = . Caso o mismatch obtido seja MAIOR QUE 15%. será: IrL = √3. oriunda destes TC’S será: IrH = ISh = 4.18 [A]. IsL= √3.TL = (4.6 [%] OBS: Nota-se que “S” é o menor dos dois termos do numerador.4. Os TC’s conectados do lado DELTA do transformador estão conectados em Y. Logo. relativo ao lado de BT. a corrente que vai para o relé. Logo.90).18/8.100[%] = {(8.93 – 1.7 = 4.05 [A].0 e se recalcularia o mesmo.90)/1.7 [A].). será obtido de: TH = (IrL/IrH. TH= 4.100[%] = 1.18) . poderá ser 8.2) Correntes nos relés: Os TC’s do lado Y do transformador estão conectados em DELTA. Transformador com três Enrolamentos O princípio geral é o mesmo: Combina-se um dos enrolamentos com cada um dos outros.6 [A].05 [A].65 [A] IsH= 167/(200/5) = 4.(8.05/4. o TAPE TL.05).10 c) Escolha dos TAPES dos relés: c1) Correntes nos secundários dos TC’s: IsL= 930/(1000/5) = 4.3.18 [A] c. O TAPE TL relativo ao lado de AT.3. 11.8. tentar-se-ia TH = 5.6) / S}. a corrente que vai para o relé.64 [A]. Será adotado o valor de TAPE disponível mais próximo.1. proveniente destes TC’s. .65 [A] = 8.

impedindo o relé de atuar indevidamente. • Dessensibilização: quando surge a grande corrente de magnetização. coloca um resistor em paralelo com a bobina de operação. Um relé de subtensão. . pois o relé também estaria retardado por ocasião de faltas reais. Alguns métodos são usados para impedir isto: • Temporização de relé (retardo de 0. em gera.4– Aberturas intempestivas a) No momento da energização de um transformador. uma análise harmônica de uma onda de corrente de magnetização.1. evidencia que ela é composta principalmente de harmônicos: Uma corrente de falta terá. também retificados. Conforme já mostrado antes.Esse método é o melhor e o mais utilizado. Desvantagem: na remoção de uma falta. ao sentir isso.2 seg. neste caso. de restrição).11 11. a freqüência fundamental predominando.3.): não há vantagem nisto. curto-circuitando-a. ao contrário. A bobina de operação somente recebe a corrente fundamental (essa vem de um filtro PASSA-BAIXA e é retificada antes de chegar a BC). A bobina de restrição recebe as componentes fundamental e harmônicos. e o relé poderá não operar! • Relé diferencial com restrição de harmônicos de corrente: permite alta velocidade de operação.No curto o relé opera (a BR não possui harmônicos). Na energização: o relé é bloqueado (os harmônicos reforçam o conjugado.1 a 0. sub-tensões também podem surgir. a tensão. cai. a corrente de magnetização poderá atingir de 10 a 15 vezes o valor da corrente nominal. Um relé diferencial convencional irá operar indevidamente.

12 Figura 11.10 – Diagrama simplificado da proteção diferencial com restrição de harmônicos. .

• de tempo definido (50) com ação retardada pré-fixada. para tempo igual ou inferior a 2 segundos. por exemplo. ela é muito usada em pequenos transformadores. onde não é viável economicamente. por exemplo. Proteção conta curtos (curto-circuitos trifásicos. de 20 segundos. A importância de se admitir sobrecarga de pequena duração em transformadores de força é evitar que estes sejam desligados durante perturbações. além de sobrecargas. de tal forma que. A figura 11. mas apenas contra curtos. eles não protegemos transformadores contra sobrecargas. Figura 11. Neste sentido. ajustados para iniciarem a contagem de tempo a partir de uma certa sobrecarga (entre 130% e 150%). com ação retardada. Proteção contra sobrecorrentes: Apesar de todas as vantagens dos relés diferenciais. bifásicos e fase-terra) – feita com relés de sobrecorrente de tempo inverso ajustados. entre 200% e 220% da corrente nominal. A proteção de sobrecorrente pode ser feita da seguinte maneira: Proteção contra sobrecarga – feita com relés de sobrecorrente: • de tempo inverso (51). o relé opere num tempo igual ou inferior a 2 segundos. . restringindo-se a extensão destas.4. A proteção de sobrecorrente também pose ser usada para proteção contra curtos.11 mostra um diagrama esquemático simplificado típico dos esquemas de proteção contra sobrecarga elevada de pequena duração (20 segundos) e contra curto-circuitos trifásicos e bifásicos de correntes elevadas. para valores de corrente superiores a 300% e 330%.13 11.11 – Proteção de sobrecorrente em transformadores. a utilização de proteção diferencial.

quando então. nos 20 minutos estipulados. b) Para sobrecargas inferiores a 50%: devem ser utilizados todos os recursos operativos. Os relés de sobrecorrente são ajustados para que estas faltas sejam eliminadas. deverá ocorrer o desligamento do transformador. solicitando-se redução de demanda. se a carga do transformador não for reduzida imediatamente após o alarme de urgência de temperatura de óleo ou enrolamento. caso seja inverno e a temperatura ainda não tenha atingido nível de alarme de advertência. c) A não redução de carga (relativo ao item b) implicará no desligamento automático do transformador em 20 minutos. por algum tempo.1) Critérios para sobrecargas adotados por FURNAS Centrais Elétricas: Os critérios gerais adotados por FURNAS para sobrecargas em transformadores são os seguintes: • Não admitir sobrecarga contínua nos transformadores durante os meses de setembro a abril (considerados meses de verão). esta pode ser tolerada até que opere o alarme de urgência de temperatura do enrolamento ou do óleo. em 20 segundos. no máximo. Os critérios adotados por FURNAS. a carga deverá ser reduzida. A distinção entre sobrecargas programadas e não programadas é que as primeiras permitem a utilização dos valores reais de curva de carga. Na maioria dos transformadores do sistema FURNAS. caso seja necessário programar-se. . podendo-se determinar os valores máximos de sobrecarga e tempo em que são admissíveis. a corrente de curtocircuito trifásico para faltas em seus terminais ultrapassa a 300% da corrente nominal. visando trazer-se o transformador à sua condição nominal ou a 110% do valor nominal.14 11. Então. na ocorrência de uma sobrecarga não programada são os seguintes: a) Para sobrecargas iguais ou superiores a 50%: desligamento automático do transformador. oriundas de anormalidades imprevistas no sistema.4. em 2 segundos por esta proteção. Isso porque a temperatura de enrolamento ou óleo não deve ter decrescido a valores inferiores aos ajustes dos alarmes de urgência. deverá ser feita uma coordenação com os órgãos de estudos. • Admitir uma sobrecarga contínua de até 10% nos transformadores durante os meses de inverno na região sudeste. Caso não se elimine de todo a sobrecarga. uma sobrecarga de mais de 10% em algum transformador. É importante salientar que. Sobrecargas programadas ou não: São consideradas sobrecargas não programadas aquelas provenientes de situações de emergências.

estando. cobertos pelas proteções citadas. • Devem ser ajustadas com pick-up superior à maior corrente de curtocircuito trifásica na barra L: I PICK −UP > 1.4.25. por serem temporizadas. Nestes casos. os transformadores do Sistema FURNAS são capazes de suportá-los por 20 segundos.I NOM (ladoH ) / RTC . devem também obedecer à condição: I PICK −UP > 8.15 No caso de sobrecargas ou curto-circuitos trifásicos compreendidas entre 150% a 330% da corrente nominal. as proteções das linhas. Desta forma. o relé protege o transformador e provê retaguarda remota para as linhas LF e LG.2 Proteção de sobrecorrente de Fase temporizada (no ASA 51) e instantânea (ASA 50). o relé 51 deve ficar entre a fonte e o transformador. Logo. a) Transformadores em operação radial A figura abaixo ilustra um caso típico de transformador com fonte de um único lado: o lado da fonte (primário) é em delta e o lado do secundário é em Y. jamais atuariam!).I ccTRFI [ Máx ( ptoL )] / RTC • Não devem enxergar as correntes de inrush dos transformadores. 11. a1) Ajustes da unidade instantânea (50): Estas unidades: • Não devem enxergar faltas nos trechos iniciais das linhas LF e LG (se isso ocorresse.

conforme será a seguir mostrado. passando até por um ponto de mínimo (em torno de 7. Vejamos o que acontecerá. esta hipótese pode ser muito irreal. nota-se que. como uma falta fase-fase. causará correntes em duas fases. . Inicialmente. farão com que a corrente de curto fase-terra decresça. ou seja. Em seguida. nota-se que. Curtos que ocorrem muito próximo do neutro. Por outro lado. uma falta faseterra no secundário. a corrente de curto no primário será máxima. a corrente vista no primário. é vista no lado primário. Para faltas fase-terra. pela figura abaixo.serão de alto valor no secundário (por volta de 14 pu) e causarão pequenas correntes no primário. até atingir aproximadamente 11 pu nos terminais do transformador. daí voltando a crescer. as faltas no secundário do transformador são assumidas como ocorrendo imediatamente além da reatância. no primário. após as buchas. Neste local. de valor de apenas 58% daquela.8 pu).16 IMPORTANTE: 1) Considerando-se que a conexão do transformador é triângulo (primário)-estrela (secundário). conforme ilustrado na próxima figura: 2) Em geral. em pu. tem-se que uma falta fase-terra no lado estrela. conforme ilustrado nas figuras a seguir. varia com o ponto (lembrando que a região da falta é o interior do transformador) da falta fase-terra. curtos ao longo do interior do transformador. quando a falta ocorrer dentro do transformador.

conforme será mostrado a seguir. porém agora para um transformador com estrela aterrado. CONCLUSÃO: as unidades instantâneas não enxergam todas as situações acima descritas. são ajustados para correntes de sobrecarga (e não para curtos.17 A figura abaixo ilustra análise semelhante. A solução está no uso dos relés 51 que. . pois elas foram ajustadas para curtos externos aos transformadores. como o relé 50).

tem-se que. um relé de sobrecorrente instalado na linha. do lado delta do transformador. se as correntes devido a um curto fase-fase no lado estrela.5. • AJUSTE DO TAPE: 1.18 a2) Ajustes da unidade temporizada (51): Este relé é destinado a proteção contra faltas internas e externas ao transformador.87 pu (fase 1). verá. o valor será de 0. nestas condições. as correntes ali serão de valores 0. As curvas do relé 51 que protege o transformador devem ser do tipo extremamente inverso: . . nas outras duas fases.0 pu.I NOM (ladoH ) RTC < TAPE < I ccTRIF[ Minimo( ptoF ( ouG ))] RTC IMPORTANTE: este relé 51.5 pu (fase 3). 0.5 pu (fase 2) e 0.87 x ICC Trifásico. bem como a sobrecargas.00 pu (fase 1). no lado estrela.86 pu).5 pu. ajustado para corrente de curto trifásica. Assim. em uma das fases. serão 1. forem de valores 0. uma corrente de 1. enquanto que. no lado delta. também consegue ver os curtos FF que ocorrem no secundário: Efeitos da conexão estrela-delta de transformadores na coordenação da proteção Da teoria de curtos assimétricos. Ou seja.87 pu (fase 2) e 0 pu (fase 3). 0. (e não 0. então as correspondentes correntes. ocorrendo um curto entre as fases 1 e 2.

não haverá riscos das curvas dos relés 51 que protegem o transformador e alguma linha a jusante se cruzarem. cobrindo faltas até F ou G). . o seu tempo de operação poderá ser muito longo e inadequado para proteger o transformador. agora no secundário (veja figura a seguir). Assim. a retaguarda das linhas. o relé 51 do primário poderá ser ajustado com tempos mais curtos. para que este último seja. de fato. conforme ilustrado na próxima figura: MANEIRA ERRADA: Visando tornar o relé 51 do primário (lado H) uma proteção de retaguarda para linhas (por exemplo. porém mais adequados à proteção do transformador. Nestas condições. aconselha-se instalar um outro relé 51.19 Agindo assim.

Nos casos em que faltas no lado B refletirem baixas correntes no lado H. onde um autotransformador interliga dois sistemas (H e M) e seu terciário (em delta) alimenta os serviços auxiliares de uma subestação. Este relé deve ser coordenado com outros relés 51 eventualmente instalados à jusante. o relé 51 instalado neste lado H poderá não ver estas faltas. devem ser de mesma característica. b) Transformadores com 3 enrolamentos ou autransformadores com terciário em delta b1) Ajustes da unidade temporizada (51): Considere o sistema abaixo ilustrado. SOLUÇÃO: Instalar relé 51 no lado B.20 Para que não haja riscos das curvas dos relés se cruzarem. . bem como daquele relé 51 que protege a linha. neste lado. as curvas destes dois relés 51.

visando proteção de retaguarda. deverá ter correntes de curto suficientes para sensibilizar o relé 51 de H. conforme ilustrado abaixo. temporizados). o relé 51N será necessário para detectar faltas FT entre H e até dentro do enrolamento delta do transformador. este relé 51 (de H) deverá ser coordenado com a proteção dessas linhas (sejam essas constituídas de relés de sobrecorrente ou de distância. . Ele deve ser instalado no lado H. 11. por ser o condutor da maior parte da potência oriunda do primário (H). não será necessário instalar outro relé 51 no lado M.21 Em geral. b2) Ajustes da unidade Instantânea (50) Nestes casos não são empregadas unidades instantâneas porque não será possível ajustá-las seletivamente. Caso haja linhas de transmissão no lado H.4. pois este lado. Nestas condições.4 Proteção de sobrecorrente de Terra (no ASA 51N e 50N) a) Transformadores em operação radial a1) Ajustes da unidade temporizada (51N): A proteção contra curtos fase terra em transformadores somente será necessária caso o transformador não possua proteção diferencial.

ele não vê faltas no lado L. esta unidade não precisa ser coordenada com o lado L. Para se detectar faltas no lado Y do transformador. devido à conexão delta. a2) Ajustes da unidade instantânea (50N): Junto do relé 51N poderá ser instalada uma unidade instantânea (50N). pois está instalada no neutro.22 Este relé 51N não necessita ser coordenado com a proteção fase-terra das linhas. no neutro do transformador: . Esta unidade 50N também não vê a corrente de inrush do transformador. pois. será necessário usar outro relé 51N. Tal como para a unidade 51N.

devido à conexão delta do terciário. . no diagrama trifilar abaixo. ligados em delta aberto: Ocorrendo um curto FT. Normalmente este rele 59 é usado apenas para dar alarme. a tensão Vr . será diferente de zero.23 b) Transformadores com 3 enrolamentos ou autotransformadores com terciário em delta: b1) Ajustes da unidade temporizada (51N): I)Faltas FT no terciário (lado B): Pela figura abaixo nota-se que. SOLUÇÃO: Instalar um relé de sobretensão de grande sensibilidade. uma falta FT no terciário não seria vista para um relé 51N instalado no lado H.

poderá ser necessário instalar um relé 51N junto com o 51 já instalado: . Caso a corrente de neutro seja pequena para curtos no lado de alta tensão (H). Seus ajustes dever assegurar coordenação com as proteções de terra das linhas porventura existentes a partir das barras M e H.24 II) Faltas FT no secundário (lado M) ou primário (lado H): instalar um relé 51N de característica extremamente inversa no neutro do autrotransformador.

.25 b2 )Ajustes da unidade instantânea (50N): Nestes arranjos não é aconselhável instalar unidades instantâneas. devido às prováveis altas correntes de inrush.

TAP 2.5 4. conforme a tabela.0 6.0 5. com as seguintes relações: 50/5-100/5-200/5-250/5-300/5 400/5500/5-600/5 local: Poços de Caldas – MG Relé usado: CO-8 (tempo inverso).0 CAPACIDADE CONTÍNUA (A) 8 8.4 11.5 Exemplo de Cálculo de Ajuste do Relé 51. TC’s de bucha no lado de ALTA.12 – Curvas típicas de tempo x corrente para o relé C)-8 .0 2. em um Auto-Transformador Dados: Potência: 150 MVA.7 CAPACIDADE EM 1 SEG.5 13. Tensão nominal: 330/138 KV.8 9. (A) 230 230 230 230 230 230 230 Figura 11.26 11.7 10.2 12.5 3.0 3.

com características de tempo inverso.5 seg. I sobrecarga = 1. Linha L3: linha 2 • Na barra de AT (345 KV) também existem linhas com proteção “falhas fase-distância”. 150.4 seg. do lado AT. • Dados dos sistema que interessam para a seletividade: • Na barra de BT (138 KV) há 3 linhas com proteção “Falhas fase-distância” cujos tempos de operação dos relés temporizados.4 seg. de tempo definido são: Linha L1: só possue zona 2 – tempo Tz2 = 0.10 3 . com temporização do tempo definido. colocados nas fases A e C dos TC’s de buchas.13 • Descrição da proteção de sobrecorrente de fases: É constituída por dois relés de sobrecorrente. Cálculo do ajuste: Devemos ajustar o relé para operar e retirar o autotrafo.10 6 I nom = = 263A. zona 3 – tempo Tz3 = 1. mas cujos tempos não interessam à determinação da seletividade.330. O relé 51 atua no relé auxiliar 86. com 130 a 150% de sobrecarga. que abrirá os disjuntores A e B dos lados AT e BT. para as zonas 2 e 3. Linha L2: zona 2 – tempo Tz2 = 0.27 Diagrama unifilar e fluxo de correntes de sobrecarga e de curto: Figura 11.3 I nom = 342A 3.

6 A maior que 3. Entretanto. A correspondente corrente de sobrecarga será: 342A/120 = 2. o autotrafo será retirado do sistema com a sobrecarga de 120 3. Adota-se o TAPE mais próximo → 3.0A x = 360A .28 Adotando RTC = 600/5 = 120/1.6A 120 Sendo 14. Curtos trifásicos nas linhas também sensibilizarão o CO-8. a corrente a plena carga. Com este TAPE. Por outro lado.17 A 120 Como o relé está no tape de 3 A. poderão sensibilizar o relé CO-8 (51) e fazê-lo operar indevidamente. Deve ser feita uma seletividade. retirando-o. no relé será: 263/120 = 2. sendo os relés da barra de 138 kV. 1 OBS: Em seguida deve ser verificado se o TAPE escolhido é compatível com a sobrecarga permitida ao trafo: 263A → 100% 360A → x → x = 137% → segundo o fabricante. Logo. pois a sua proteção diferencial deverá operar antes do CO-8. • Para um curto trifásico na barra da BAIXA TENSÃO.19A. haverá sensibilização indevida do relé CO-8 que protegem as linhas L1.0 A. • Para um curto trifásico na barra de alta. para se evitar casos inconvenientes. não haverá necessidade de se fazer seletividade com esta barra (a qual será protegida pelos seus relés diferenciais instantâneos) nem com as linhas ligadas a esta barra. Seletividade: Curtos trifásicos nas barras onde o AUTO-TRAFO encontra-se ligado.L2 e L3. deixará de existir seletividade em relação à barra. diferenciais instantâneos. não será necessário a coordenação de seletividade com eles. é admissível. a corrente de curto não o sensibiliza. • Supondo um curto trifásico em F1 (na saída da linha): Devemos coordenar o tempo de operação (TO) do CO-8 com os tempos das zonas 2 e 3 das linhas de tal forma que: .85A.0A. Se isto ocorrer. no relé tem-se: 1753 I= = 14. pelo relé CO-8 passará: 140A I= = 1. os relés de distância das linhas devem operar e retirá-las antes de CO-8.

87 e DT = 3.6 M= = = 4. os inversores.87 TAP 3 Nas curvas típicas do relé. para M =4.0A Com estes valores devemos verificar a capacidade térmica do relé e de curto circuito dos enrolamentos do autotrafo. • Tempo de operação dos disjuntores das linhas. 2o) Tz3 > TO > Tz2 No caso analisado: Para Tz2=0.4s O múltiplo M da corrente de tape será: corrente C circuito no relé 14. → intervalo de tempo de coordenação. as faltas devem ser retiradas o mais breve possível (não devendo. valor este satisfatório (pois está entre 1. não conseguem alimentar suas cargas durante certos afundamentos de tensão.5 s: 1.4s) Resumo do ajuste: TAPE: 3.2 seg.0 a curva do relé fornecida mostra que TO será 1.5s > TO > 0. Certos equipamentos. com este valor de M devemos escolher um tempo TO adequado. por exemplo. Este intervalo de tempo tem sido considerado muito longo e.0A DT : 3. No caso. • Erros de TC’s. Motivos deste intervalo de 0. vem sendo muito questionado pelos engenheiros eletricistas que operam com equipamentos sensíveis a afundamentos temporários de tensão.29 1o) TO = Tz2 + 0.4 seg.5 s e 0. • Erros devido aos cálculos das correntes de curto.4 segundos existir. no entanto. .4 s e Tz3= 1.. a proteção atuar para transitórios que não caracterizam a presença de um curto verdadeiro). Para contornar este tipo de problema. nos últimos anos. • Andamento do disco do relé CO-8 no intuito de fechar seus contatos para atuar.

2 seg.2 seg. (A) 230 230 230 230 230 230 230 I1 = 230 A e t1 = 1. Como neste tempo a corrente que nele circulará será de 14.2 Ou seja.0 seg. sem danificá-los. Para tempos diferentes de 1 seg. Pela tabela acima.5 13. • Verificação da capacidade do curto dos enrolamentos do autotrafo.0 I2 = = 210A 1. o ajuste está correto também quanto a este aspecto.0 3. sem se danificar.0 2. Norma Americana (ASA) Corrente Simétrica em Tempo em Segundos Qualquer Enrolamento 25 IB 2 20 IB 3 16. Dos ajustes: t2 = TO = 1. (1.3 IB ou menos 5 No caso. e I2 = ? 230 2. essa corrente pode • Icorrente simétrica = 263 circular nos enrolamentos.4 11. o relé suporta 210 A sem danificar.1.2 seg. → Logo. Pelos cálculos: a corrente terá a duração de apenas 1. no tempo de 1.7 CAPACIDADE EM 1 SEG. no caso): I 2 = I1 t1 t2 Da tabela dada: TAP 2.2 seg.2 12.5 3.6 A. por mais de 5 segundos.0 6.30 • Verificação da capacidade térmica do relé: CAPACIDADE TÉRMICA: corrente que a bobina do relé suporta pelo tempo de 1 seg.0 CAPACIDADE CONTÍNUA (A) 8 8. o relé suportará bem.0 5.67 I B → . IB = 263 A e Ifalta = 1753 A 1753 = 6.5 4. ..8 9.7 10.6 IB 4 14.

• Essa proteção funciona como retaguarda para a barra e as LT de 138 KV. taps e alavancas. novas tentativas deveriam ser feitas através de outras escolhas de RTC’s. Dados do sistema que interessam à seletividade: Linhas de 138 KV Linha L1: é protegida contra falhas à terra com um relé do tipo IRD-9 (67G). 11. Dados do autotrafo: são os mesmos anteriores. Unidade I: Instantânea. que possui as seguintes unidades: Unidade D: fornece a característica direcional do relé. 3. Proteção de Sobre Corrente de Neutro – no 51N O relé 51N protege os transformadores para falhas externas fase-terra. É ligado ao TC do neutro.5. RTC do TC do neutro= 800/5. Não possui ajustes para a seletividade. permitindo aberturas dos disjuntores para correntes de curto no sentido de (2) para (4). direcional de sobrecorrente. não direcional. Este relé (51N) atua no relé auxiliar HEA (T86) o qual abre os disjuntores A e B conforme a figura: Figura 11. Correntes de curto: fornecidas na figura acima.3. 2. .14 1.31 NOTAS: • Caso não tivéssemos conseguido coordenar todas essas variáveis.

26 A . é tomada como referência. Por isso. vamos coordenar a seletividade com o lado de 138 KV. de tempo muito inverso. RTC: 500/5 A. então. (tempo suficiente para fazer com que os relés primários eliminem a falha). A proteção secundária é constituída por relés IRD-9 (67-G2) iguais ao da linha L1.5 0. com as curvas em cópias anexas. Logo. alavanca: 4. Seu ajuste é importante na seletividade. devido à sua importância. teremos no relé: I = 361/160 = 2. alavanca: 6.5 2.4 4. Ajustada em tap: 0. Características do relé CO-8 (51-N) Tapes 0. A primária é constituída por um relé tipo KRD-4 (67G1). O relé 51N deverá retirá-la do sistema somente após 3.0 2.0. Linha L2 = Linha L3: Possuem proteção primária (Carrier) a secundária.5 Capacidade contínua (A) 2 2. é a (3).6 0.4 Capacidade em 1 segundo (A) 88 88 88 88 88 88 88 Cálculo do ajuste: O relé CO-8 (51-N) será ajustado para que sirva de retaguarda para curtos na barra 3.0 1.8 3.6A.0 4.8 1. com os seguintes ajustes da unidade CO-9: Tap = 0.2 2. Linhas de 345 KV: Suas proteções são mais são mais seguras. Considerando que a RTC do TC de neutro é 800/5.5 2. eficientes e confiáveis que as das LT de 138 KV. Não é necessário conhecer seu ajuste pois a seletividade é feita em função dos relés temporizados e este é instantâneo.2 seg. RTC: 500/5A. Barra chave: É a barra que.0.32 Unidade CO-9: de sobrecorrente. No caso. Barras de 138 e 345 KV: São protegidas por relés diferenciais instantâneos.5 A. não será necessário fazer a seletividade com estas barras. para um curto fase-terra na barra (3).

2 seg. pois as correntes de curto são fornecidas. o próximo passo é o cálculo do tempo de operação dessas unidades CO-9. (tempo de proteção de retaguarda): TO > 3. Este ajuste é necessário para que os relés das linhas possam operar antes de CO-8 (51-N).7seg. ao tempo de operação das unidades CO-9 dos relés IRD-9 (67-G) das linhas L2 e L3: TO > 0.2 seg. • A corrente de curto nos relés será: 100 4. escolhe-se uma alavanca que forneça um tempo de operação. . • Superior a 3. 2. com o sistema na sua carga máxima e todo interligado.09 • Isso fornecerá o múltiplo de TAPE: M = = 6. podem ocorrer curtos em que essas situações não estejam vigorando. da figura abaixo tira-se que. Entretanto.0 A. pelos computadores.: 0. M = 1 Seletividade: Obtido “M”. o tempo de operação das unidades CO-9 será TO=0.4 + TO(CO-9). que seja: • Superior em pelo menos 0.82.4 seg.26 Assim. as correntes de curto serão menores e o relé poderá não operar.82 (OBS. vamos escolher o TAPE de 1. para curtos na barra 3: 409 = 4.09A . Isto é. TO. Logo.26 = 2.6 fornecido para a unidade CO-9) • Tendo sido dado também que a alavanca de 4.6 é o tape 0.33 Devemos escolher um tape inferior a este valor. Assim.0. para M=6. para curtos em (3).

1 seg. o ajuste para o relé 51N será TAPE=1. devemos ter: • TO > 0. podemos agora determinar o tempo de operação do CO-8 do relé 51N.4seg + TO(CO-9) → TO > 0.45 seg. Assim. 2 seg.34 Figura 11. e > 1. o qual satisfaz às nossas condições acima (> 3. .26) nas curva do relé CO-8.1 seg. observar-se-á que.2 seg. Levando o valor de M já calculado (igual a 2. • TO > 3. teremos TO = 4.15: Curvas típicas relé CO-9 Com este tempo obtido.4seg + 0. com a ALAVANCA = 3.. • Conforme as condições estipuladas na “seletividade”.7seg → TO > 1. ALAVANCA= 3.).

35 11. É empregado em transformadores que possuem tanque de expansão de óleo e tem a finalidade de proteger o transformador contra defeitos internos.16. Estas falhas dão origem à formação de arcos voltaicos. a produção de gases pode ser lenta ou brusca. há a formação de gases que através de um tubo. tais como avarias no isolamento com formação de arco. como mostra a figura 11. hidrocarbonetos e monóxidos de carbono). deslocamento esse que o ponteiro do mostrador acompanha. é acionado um alarme. isto é. devido a arcos ocasionados por falha interna. Para um determinado valor de pressão. Quando da existência de faltas incipientes. havendo. por exemplo. O relé de pressão opera quando da existência de aumento anormal na pressão do óleo do transformador. antes que a deterioração do isolamento provoque danos maiores. com isto. o deslocamento de uma bóia. . perdas de isolamento entre as chapas do núcleo e alta resistência nas ligações. todos os defeitos que produzam gases ou movimento violento do óleo. sobem até o relé. O relé ainda atua quando o nível do óleo baixa além do ponto em que está situado. por sobrecargas. Por exemplo. O relé Buchholz é colocado entre o tanque do transformador e o tanque de expansão.6) Proteção com relés de pressão e/ou gás As principais causas das falhas nos transformadores com enrolamentos imersos em óleo são: • Má conexão entre condutores • Curto entre espiras (de mesma φ ou entre φ) • Falha no isolamento para terra. há decomposição do óleo isolante e conseqüente produção de gases (hidrogênio. com elevações de temperatura acima do permissível pelas normas. à temperatura de 350oC. Dependendo do tipo de defeito. Relé BUCHOLZ (no ASA: 63) O relé Buchholz é uma combinação do relé de pressão com o relé detetor de gás. Esse relé não percebe lentas variações ocasionadas. O gás acumulado força o óleo para baixo.

um alarme é soado (ver também figura 11. que retirará o transformador do circuito (ver também figura 11. . Atuando esse contato. Ele atuará no relé 86. um curto entre espiras.18c). conforme a seguir descrito: Contato F: É atuado quando apenas um pequeno volume de gás é deslocado. uma vez formado. que provocam expansão do óleo entre o torque e o conservador. Neste caminho. Este gás. este contato é acionado. ocorrendo.17: esquema básico do relé Bucholz Nesta figura. haverá o surgimento de gás nas proximidades do local do curto. por exemplo. que é o “conservador”.36 Figura 11.16: Relé Bucholz A figura abaixo mostra o princípio básico de operação deste relé. Figura 11. o que é típico de pequenas faltas. Contato V: No caso da ocorrência de faltas maiores. procurará se deslocar para a parte superior do transformador. ele deslocará um ou dois dos contatos mostrados na figura.18b).

As possibilidades de danos e fogo. Desta forma.37 (a): situação normal. em alguns milésimos de segundo o tanque do transformador se romperá. Transformadores pequenos possuem apenas indicação visual do nível do óleo através de vasos comunicantes.18: Os três estágios da operação do relé Bucholz: 11.7. Uma outra função do óleo em transformadores. (c): falta maior causa abertura de disjuntor Figura 11. pode-se diminuir as distâncias entre a carcaça e as partes energizadas. antes de soar o alarme. para as paredes do tanque e radiadores. Daí.conforme ilustrado na figura a seguir. espalhando óleo chamejante sobre uma área ampla. (b): pequeno volume de gás faz soar alarme. Se essa pressão não é aliviada adequadamente.8) Dispositivo de Alívio de Pressão Na ocorrência de um curto-circuito. o nível de óleo baixa por causa de vazamento nas juntas ou em válvulas. o pessoal de manutenção já tomou providências. causando uma formação muito rápida de pressão gasosa. em conseqüência. Esses vazamentos acarretam um abaixamento lento do nível e. acionam um alarme. como função principal. Em geral. são óbvias e é imperativo que se tome medidas para evitá-las. o arco instantaneamente vaporiza o líquido. pois ele facilitará o transporte do calor desenvolvido no interior do transformador. é a de refrigeração. por exemplo) deverá então soar o alarme. No caso de um vazamento série (umas das torneirinhas do relé de gás que se abre. Proteção contra falta de óleo Como se sabe. 11. a necessidade do uso de uma válvula de alívio de pressão. Já os transformadores de maior porte utilizam indicadores que. o óleo existente em um transformador tem. ser isolante. além de permitirem a fiscalização visual. .

Figura 11.19 – Válvula de alívio de pressão. escalas e contatos de sinalização. Proteção contra sobretemperatura do óleo No ASA 26 O indicador da evidência da sobretemperatura é o termômetro de óleo. Óleo (cuja temperatura sofrerá variação).9.20 O termômetro possui vários pares de contatos: Por exemplo: Seja um trafo que suporte elevação de temperatura do enrolamento. Tubo capilar (transmissor de pressões). geralmente composto de: • • • • • Elemento termométrico (latão de fina espessura).9. Compartimento com ponteiros. até 55oC: .38 Figura 11.1. 11. Proteção de sobretemperatura 11. Tubo de proteção (bulbo cilíndrico).

2. faz soar um alarme. o mercúrio se expande no interior do bulbo e empurra o mercúrio existente no tubo capilar. O mercúrio termina por distender uma mola.20 – Indicador de temperatura de óleo (GE). Sensores de Sobretemperatura do Óleo -No ASA 26 Os tipos de indicadores de temperatura variam com o fabricante. 11. Esses fatores. em geral. permitem avaliar os nível de temperatura a serem alcançados e os índices de perda de vida para estas condições. Figura 11. indicando a temperatura. bem como ajustar os sensores de temperatura. Quando a temperatura do óleo aumenta. do ciclo de carga submetido e das condições de temperatura ambiente. . A figura 11. Se a temperatura continua a subir. Geralmente. Esses sensores de sobretemperatura são ajustados em função das condições anteriores de carga. A 85oC – o trafo sai fora de serviço. o ponteiro ocasiona o fechamento de contatos que. A 65oC – um contato liga as bombas de circulação de óleo. aciona o alarme.39 A 60oC – um contato liga os ventiladores. ao operarem. os transformadores possuem relés térmicos ou indicadores de temperatura que. que move um ponteiro no mostrador. Os modelos mais usados utilizam o princípio da pressão hidrostática de um líquido num recipiente fechado.9.20 mostra um indicador de temperatura do óleo para transformadores GE. A 80oC – ídem. indicam que foram atingidos os limites de temperatura pré-determinados para o óleo ou para os enrolamentos. convenientemente relacionados com a classe de elevação de temperatura dos transformadores.

9. a temperatura do óleo modifica-se bem mais lentamente do que a temperatura do enrolamento: A constante térmica de tempo para os enrolamentos pode ser expressa em segundos. para o óleo.40 Devido à diversificação da quantidade de níveis de temperatura disponível nos sensores. ao passo que. Neste tipo de proteção. é expressa até em horas. o conhecimento da temperatura pode ser obtido. a fim de reproduzir a imagem térmica do enrolamento cuja temperatura se quer medir. Com as variações de carga. O método usual para se conhecer a temperatura dos enrolamentos de um transformador é usar uma resistência (o resistor é uma bobina não indutiva de cobre) alimentada por um TC. com o termômetro do óleo tendo dois níveis de temperatura: Dispositivo de Sobretemperatura o 1 Nível 2o Nível Termômetro do Óleo Alarme de advertência Alarme de urgência e desligamento após 20 minutos (se for o caso) Classe de Elevação de Temperatura 55oC 65oC 85oC 85oC 95oC 95oC 11. um exemplo de ajuste para transformadores de FURNAS.3. apontaremos na tabela a seguir.21 . conforme ilustrado na figura abaixo: Figura 11. Sensores de Sobretemperatura de Enrolamento No ASA 49 O indicador de temperatura do enrolamento deve medir a temperatura do ponto mais quente do enrolamento. por exemplo.

Acontecendo uma sobretemperatura no interior do transformador.22 As resistências detectoras da elevação de temperatura (RTD) são partes constituíntes de uma Ponte de Wheatstone. cujo esquema básico está abaixo ilustrado: Figura 11. a qual alimenta o relé 49 e é calibrada para a temperatura normal. Um outra forma de proteção de sobre temperatura é através do Relé de Imagem Térmica. A figura 11. .41 O elemento aquecedor é um resistor de cobre. Figura 11. cuja constante térmica é próxima daquela do enrolamento do transformador.23 mostra um medidor de temperatura de enrolamento para transformadores ACEC. desequilibrando a ponte. o relé 49. as RTDs se sobreaquecem. O resistor é alimentado por um TC. assim. que atuará a proteção.23 – Medidor de temperatura do enrolamento. alimentando.

ele não está colocado entre os enrolamentos do transformador. Figura 11.24 mostra o diagrama operativo e detalhes de instalação do medidor de temperatura de enrolamento para trafos ACEC. Porém. uma vez que haverá grande dificuldade de isolamento entre o bulbo e a alta tensão dos enrolamentos. Para transformadores de FURNAS. não deverão desligá-los . A figura 11.42 Este equipamento é semelhante ao de temperatura do óleo.24 – Instalação do medidor de temperatura. com termômetro de enrolamento tendo 4 níveis de temperatura e sem relé externo. os ajustes seriam os seguintes: Dispositivo de Sobretemperatura Termômetro do Enrolamento Partida dos ventiladores 1o Nível Partida das bombas de 2o Nível óleo Alarme de advertência 3o Nível Alarme de urgência e 4o Nível desligamento em 30 minutos (se for o caso) Classe de Elevação de Temperatura 55oC 65oC 80oC 80oC 85oC 85oC 95oC 105oC 110oC 120oC Para os transformadores das unidades geradoras. por exemplo. em geral. os sensores de sobretemperatura de óleo e de enrolamento.

Sugerese que a relação mínima entre a corrente de curto (Icc) e a corrente de fuga (via isolamento) seja de 10. para caracterizar a proteção Howard). O arranjo é ilustrado na figura abaixo.25 – Esquema para alarme e disparo por sobretemperatura. Figura 11. Uma conexão do tanque à malha de terra permitirá que uma eventual corrente de falta FaseTerra circule aí e possa sensibilizar o relé de sobrecorrente instantâneo (este relé está associado ao No.10. A figura 11.25 mostra o esquema de alarme e disparo por sobretemperatura dos transformadores. Proteção do tanque de um transformador No ASA 64 Esta proteção é usualmente denominada de Howard. no momento em que são atingidos os níveis de alarme de urgência. 11. Para maior eficiência deste arranjo. . é necessário que o tanque do transformador seja bem isolado da terra (usualmente Rterra>10 OHMS). em homenagem ao pesquisador que a instituiu. Isso porque esses transformadores normalmente não estão sujeitos a sobrecarga.43 automaticamente. ASA 64.