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CRISE ECONÔMICA

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FLEXIBILIZAÇÃO E O VALOR
SOCIAL DO TRABALHO

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8 . Pós-graduado lato sensu em Direito Processual Civil.ÁTILA DA ROLD ROESLER Juiz do Trabalho Substituto na 4a Região (RS). Exerceu o cargo de Procurador Federal na Advocacia Geral da União (AGU). CRISE ECONÔMICA. Professor na Pós-Graduação em Direito e Processo do Trabalho e em Direito Previdenciário na UNIVATES — Lajeado-RS. Autor de diversos artigos jurídicos em publicações especializadas. FLEXIBILIZAÇÃO E O VALOR SOCIAL DO TRABALHO 5078. Pós-graduado lato sensu (especialista) em Direito e Processo do Trabalho. Foi Delegado de Polícia Civil no Paraná.indd 3 25/9/2014 15:32:25 . Ex-Juiz do Trabalho Substituto na 23a Região (MT).Crise econômica.

Brasil — Constituição (1988) 2.8 .com. Bibliografia.ISBN 978-85-361-3190-0 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro.br Produção Gráfica e Editoração Eletrônica: Peter Fritz Strotbek Projeto de Capa: Fabio Giglio Impressão: Pimenta Gráfica e Editora Outubro. 2014. Brasil) Roesler. Direitos fundamentais 4. flexibilização e o valor social do trabalho / Átila da Rold Roesler. Átila da Rold Crise econômica. 2014 Versão impressa . Crise econômica 3. © Todos os direitos reservados Rua Jaguaribe. Ordem econômico-social 5. Valor social do trabalho : Direito do trabalho 5078.Crise econômica.LTr 8509. 1.ISBN 978-85-361-3105-4 Versão digital . SP – Brasil Fone: (11) 2167-1101 www.2 . 14-09031 CDU-34:331 Índices para catálogo sistemático: 1.8 .ltr.LTr 5078.indd 4 34:331 34:331 25/9/2014 15:32:25 . 571 CEP 01224-001 São Paulo. SP. Título. — São Paulo : LTr. Trabalho : Valor social : Direito do trabalho 2.R EDITORA LTDA. Trabalho e classes trabalhadoras — Aspectos sociais I.

Para Ana Júlia. filha amada. 5078.8 .Crise econômica.indd 5 25/9/2014 15:32:25 .

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8 .Crise econômica. 5078.indd 7 25/9/2014 15:32:25 .Agradeço: A todos os colegas que fazem parte da Justiça do Trabalho brasileira.

indd 8 25/9/2014 15:32:25 .5078.Crise econômica.8 .

62............................ 3................................. Idade Média ............................ 1........................................ 41 41 46 60 3 — O Valor Social do Trabalho na Constituição Federal de 1988.....1...................... Sobre a globalização ..................................... 1.......... 1........ 1.........7................................1........Sumário Prefácio ...............................................................3...1.......3........1.................. 2.......................................... 2..... I e II................... Corporações de artes e ofício ......................................................... 2.............. da CLT ..............................indd 9 25/9/2014 15:32:25 ..........4.....6.........................2.......................1....................... 13 Apresentação . Da flexibilização das normas trabalhistas .......................1.......3............ 5.... Direitos sociais ............... 95 5 — A Concretização do Valor Social do Trabalho na Interpretação da Legislação Social ............................... 80 80 83 87 4 — A Necessária Reafirmação do Valor Social do Trabalho no Cenário Econômico Contemporâneo.......... A Revolução Comercial e a consolidação do capitalismo .................................................. A ordem econômica na Constituição de 1988 .................... 17 18 20 21 23 27 28 36 2 — A Globalização da Economia e a Flexibilização da Legislação Trabalhista ............ 3................................. Sistema 12 x 36 e suas variações ........................................... 3.................. Críticas ao discurso neoliberal........................................................ Aspectos polêmicos da jornada de trabalho..............1.................. Surgimento e afirmação histórica do Direito do Trabalho .............................. As relações de trabalho e a globalização .....................4..1...........1...................................................................................................... Premissas fundamentais ....... Dano moral por excesso de jornada .... Banco de horas .5................................... 1........................................................ 107 108 109 112 113 119 —9— 5078............. A necessidade de regulamentação da economia liberal ........ 5..................................................................................... 15 1 — A Compreensão do Trabalho Humano Através da História......2.............. 5..................................................2...... Jornada: as exceções do art....... Antiguidade ... 5.2...................................................................3...........................................................................................8 . 1........................ 1........Crise econômica................................................................ 5.............

........................... Responsabilidade civil por acidente de trabalho....8 ..............................................1...... 5...................5..................................................................4.... 165 — 10 — 5078..6...... 163 Referências Bibliográficas ........8.........................6.............................. 5.. Consequências do atraso de salários........................2...................................................indd 10 25/9/2014 15:32:25 ............... A fraude perpetuada por meio da terceirização ......... 5................................................... Tratamento adequado no ambiente de trabalho .......10................................... 5.........................................3. Insalubridade e periculosidade: possibilidade de acumulação .. 5........................4..... Abuso do poder diretivo do empregador ..........................Crise econômica........... 159 Anexo ....... 121 124 127 129 133 133 136 141 142 145 149 151 152 Considerações Finais .........5........ 5...... Responsabilidade dos entes públicos na hipótese de licitação ................ 5........... Revista pessoal e de pertences do trabalhador ... Ainda sobre a terceirização ...................... Noção sobre o tema “terceirização”...................... Trabalho degradante e em condições precárias.............6...3........... 5..................................................... 5................................................................7.............9.............................. 5... Da responsabilidade do tomador de serviços na terceirização ... Dumping social – dano moral coletivo ............ 5........6........................ 5..........6.......................2..................

fica muito mais escuro do que se ela jamais houvesse brilhado.8 .” John Steibeck 5078.“Quando uma luz se apaga.Crise econômica.indd 11 25/9/2014 15:32:25 .

indd 12 25/9/2014 15:32:25 .Crise econômica.8 .5078.

Lembremo-nos de que não são poucos os que defendem a inexistência do holocausto simplesmente por não acreditarem na capacidade e na engenhosidade humana necessárias para produzir tamanha barbárie. rememorando. Ao reafirmar o valor social do trabalho. As conquistas alcançadas pelos trabalhadores não foram frutos da astúcia de um único herói (Belerofonte). no futuro. Muito mais do que conclamar os combatentes do neoliberalismo na seara laboral. como a presente. que. Ouso acrescentar às palavras do filósofo romano que o tempo destrói muitas coisas. a qual não poderia ter sido festada não fosse a paixão do seu criador pelos estudos e aprimoramento profissional. orientando os menos incautos dos perigos do rochedo que se aproximam. ressaltando o contexto histórico das conquistas dos trabalhadores e a importância do Direito do Trabalho para o equilíbrio das relações entre o capital e o trabalho. ainda.8 . a toda evidência. a melhoria das condições de trabalho e da vida dos trabalhadores deu-se pela luta incessante de um sem-número de heróis. Cícero indagava: “Quem hoje acredita em quimeras? O tempo destrói as invenções da imaginação. É estimulante vivenciar o nascimento de uma obra jurídica de qualidade.. portanto. o qual. a necessidade dessa harmonia para a manutenção do próprio capitalismo em si. Obras. o autor já acumula vasta experiência acadêmica e profissional. montado em seu cavalo alado. inverossímil. No século I a.C. na sua esmagadora maioria anônimos.indd 13 25/9/2014 15:32:26 . inclusive a memória. — 13 — 5078. O fato de a realidade ter sido tão brutal que possa ser comparada ao monstro de três cabeças da mitologia grega (quimera) não pode servir de artifício para que. No mundo real. veio a lançar chumbo na garganta incandescente da besta. também é sobremaneira extenuante. matando-a de um só golpe. a qual se encontra magistralmente exposta neste trabalho. bem sei por experiência própria. fruto. dos quais muitos deram o próprio sangue e a vida pela conquista de um ideal.Prefácio Sinto-me extremamente honrado pelo convite feito para prefaciar esta obra de autoria do professor e magistrado do Trabalho Átila da Rold Roesler. a reafirmação do valor social do trabalho feita pelo autor serve de alerta para os defensores da flexibilização extrema. de cunho social. mas confirma os julgamentos da natureza e da verdade”. apesar de gratificante. determinado fato histórico seja visto como algo mitológico e.Crise econômica. Embora jovem. são indispensáveis para a reafirmação desses fatos históricos de modo a não serem esquecidos. esta obra é como um farol que acende em noite de penumbra. visto que o autor a produziu sem se afastar da sua função jurisdicional. de um árduo trabalho de pesquisa e reflexão. fatores estes que certamente o influenciaram e moldaram sua formação doutrinária com sólida base principiológica.

o autor também dedicou-se a contemporizá-las. Édson Bueno de Souza Desembargador Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23a Região. mas também das demais áreas das Ciências Humanas. De Cuiabá para Porto Alegre. outono de 2014. para os operadores de direito e para os estudantes. tenho a convicção de que se trata de obra de grande valia para o mundo acadêmico.Lançadas as bases históricas e axiológicas. — 14 — 5078. Por tudo isso. não só do curso de Direito.8 .Crise econômica.indd 14 25/9/2014 15:32:26 . dando aplicação prática às suas premissas principiológicas tão bem estruturadas no desenvolvimento do seu trabalho.

indd 15 25/9/2014 15:32:26 . criando um corpo de leis que pretendia coibir a ação dos detentores do capital para garantir. Cada vez mais os direitos sociais são atacados e vistos como “entraves” ao desenvolvimento econômico da sociedade. como se a economia. então. Entretanto. É preciso que se interpretem as controvérsias — 15 — 5078. a integridade física do “homem-trabalhador”. a busca pela redução das desigualdades regionais e sociais e a construção de uma sociedade livre. No entanto. acusados de prejudicar a abertura de novos negócios e o progresso do país. A busca pela acumulação de riquezas existe desde tempos imemoriais. do qual faz parte o Direito do Trabalho. Somente após as crescentes reivindicações dos operários e do perigo representado pelo Manifesto Comunista é que o Estado resolveu intervir nas relações de trabalho no início do século XX. remetendo às guerras e conquistas de outros povos da Antiguidade. A sociedade evoluiu numa noção mais fraterna e solidária das relações humanas. Partindo dessa moderna visão constitucional e contemporânea é que o valor social do trabalho se reafirma diante do atual cenário econômico. A globalização da economia passou a justificar a “flexibilização” da legislação social sob o argumento de que o progresso e o desenvolvimento econômico são fundamentais ao desenvolvimento das nações. Surgia. o valor social do trabalho. Após décadas de afirmação e de conquistas históricas. é preciso compreender o valor que o trabalho possui através da história da humanidade. fosse mais importante do que a própria condição humana.Apresentação Este trabalho representa a necessária reafirmação da importância do valor do trabalho humano no atual momento econômico pelo qual passamos. donde surgiu a própria noção de escravatura. de forma a estudar as relações escravocratas e servis. dando ensejo a novos conceitos.8 . a ordem da vez na atualidade é a desregulamentação das normas trabalhistas por conta do discurso de uma suposta evolução da sociedade e da melhoria substancial na condição social dos trabalhadores. É certo que a luz da Constituição Federal irradia-se também no ramo social do direito. A legislação social serve para estabelecer claros limites à acumulação de riquezas em prol de uma condição de vida digna a todos. em si mesmo considerada. é preciso entender o Direito do Trabalho não somente como um conjunto de normas postas pelos detentores do poder econômico. o Direito do Trabalho. mas como direitos fundamentais de segunda geração constitucionalmente garantidos que são. A Constituição brasileira de 1988 resgatou valores até então esquecidos pela cultura moderna. ao menos. justa e solidária. passando pelo iluminismo e pelo surgimento da Revolução Industrial até se chegar às modernas relações de trabalho.Crise econômica. como a elevação da dignidade da pessoa humana. Para bem compreender a exploração do trabalho pelo capital é necessário retornar aos dias passados.

surgidas na relação entre capital e trabalho com o olhar da Constituição de 1988.indd 16 25/9/2014 15:32:26 . O Autor — 16 — 5078. de modo que não se alegue “anacronismo” da legislação trabalhista nos dias de hoje.Crise econômica. Somente assim veremos que não há necessidade de profundas alterações legislativas para que o Direito do Trabalho permaneça sempre atual na sua missão constante de realizar-se como instrumento de efetivação da justiça social.8 .

constitui-se justamente pela disponibilidade do trabalhador às ordens do empreendedor. p. Délio. a capacidade profissional. ed. 2012. 1. foi referido em registros de relevante valor e credibilidade entre os povos na Antiguidade. Desde tempos imemoriais constitui causa de preocupação dos responsáveis pelo destino do homem e. sob múltiplos aspectos e por várias razões. Marcos Neves. Sociedade pós-industrial e os impactos da globalização na sociedade. condicionante do ser humano. destaque nosso. o pensamento. 2003. 105. 105. (2) CAVALCANTI. na medida em que a força (braçal. “o homem sempre trabalhou”.(2) José Soares Filho revela que: O trabalho sempre teve importância fundamental na existência do homem.(6) (1) SÜSSEKIND. Instituições de Direito do Trabalho. o que pode ser notado considerando-se desde o esforço pela conquista da terra e da civilização até a busca constante por melhores condições de vida.(1) Em todas as fases de nossa história está presente a capacidade humana para o trabalho. — 17 — 5078.indd 17 25/9/2014 15:32:26 . TEIXEIRA. Afinal. Lima. o que se pretende fazer a partir desse momento. por alteridade. Curitiba: Juruá. p. sem disponibilizar-se. v. entregar-se ao trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr. Como diz Lygia Maria de Godoy Batista Cavalcanti. 27. (4) FAVA. seja como fator de sua realização pessoal e de sua dignidade. como tal. Dano moral (coletivo) decorrente de descumprimento da legislação trabalhista. o próprio homem. dessa maneira. no trabalho. na economia e no Estado. Seja como meio de subsistência e. não se afasta. 109. p. vende-se parte dele.(4) Ceder a força é ceder-se. à disposição do comando empregatício. a “nossa civilização pode ser entendida como a civilização do trabalho porque nasce e desenvolve-se mediante o trabalho”. In: Contemporaneidade e Trabalho.8 . VIANNA.(3) O trabalho é o homem. (6) Ibidem. 21. como diz Segadas Vianna. Arnaldo. 2008. Não se pode deixar à disposição a força. 23. p. dele faz parte. (5) Ibidem. Segadas. intelectual) cedida no contrato não desintegra o homem. São Paulo: LTr.1 — A Compreensão do Trabalho Humano Através da História A valorização do trabalho humano e seu verdadeiro significado só podem ser compreendidos através de uma análise histórica do trabalho do homem ao longo dos tempos. dele não se dissocia. de igual modo. deixando no fruto da prestação dos serviços partes de si. MARANHÃO.(5) Trabalho subordinado. Lygia Maria de Godoy Batista. p. p. José. São Paulo: LTr.Crise econômica. 2007. (3) SOARES FILHO. A flexibilização do direito do trabalho no Brasil — Desregulação ou Regulação Anética do Mercado? 1.

Como diz Cavalcanti. os vencedores matavam os (7) GEMIGNANI.8 .(7) 1. p.(10) A execução do trabalho para a satisfação do interesse alheio se dá. sempre fora considerado uma espécie de castigo divino. em si. tarefa menos nobre e que pesava apenas sobre a classe desfavorecida da sociedade. significa fadiga e.. Op. assim considerados os produtos dos saques realizados em território inimigo e a escravidão dos povos conquistados.1. A proximidade de interesses opostos converte o contrato de trabalho em palco de conflitos constantes. p. Lygia Maria de Godoy Batista. (8) CAVALCANTI. Revista Eletrônica do TRT da 4a Região. Op. Battaglia informa que “o trabalho no mundo clássico grego e romano é uma atividade vil. Tereza Aparecida Asta Gemignani nos conta que no Brasil Colonial “era um demérito ter de trabalhar para sobreviver. que se refere a uma espécie de instrumento de tortura ou canga que pesava sobre os animais. aviltando a essência do homem livre”. pouco importava o esforço individual e a capacidade para o trabalho. nos combates que se travavam entre tribos ou grupos rivais. Tereza Aparecida Asta. De algodão entre os cristais a protagonista na formação da nacionalidade brasileira. No Brasil primitivo. cit. 26.Crise econômica. por isso..indd 18 25/9/2014 15:32:26 . religiosos ou dedicava-se às artes e à guerra. e muitos dos povos conquistados foram chacinados de imediato por seus conquistadores.Assim é que as relações entre capital e trabalho e os conflitos daí decorrentes são temas da mais profunda relevância na sociedade.(9) O trabalho. (10) Apud CAVALCANTI. — 18 — 5078.(8) O trabalho. por meio da escravização advinda das guerras travadas entre os povos antigos. de atividade digna ao cidadão. é indigno. inicialmente. cit. que remete à expressão latina tripalium. “na Antiguidade clássica. a qual dedicava à contemplação sua mais alta relevância”. 27. É justamente essa disputa entre capital e trabalho que tem caracterizado a Era de Extremos que vivenciamos nos últimos séculos de História recente ou. via-se o trabalho com negatividade pela própria concepção grega de vida. Como destaca Segadas Vianna. A origem da palavra “escravo” remete ao termo sclavus em latim medieval que fazia referência aos povos eslavos conquistados pelo Império Romano na Antiguidade. os trabalhos pesados ficavam por conta de uma subclasse de pessoas consideradas escravas. Enquanto a classe dominante exercia encargos intelectuais. (9) GEMIGNANI. 141. Nos combates que se travavam naqueles tempos. de colonização portuguesa. à época. um dos trunfos dos vencedores era justamente o de angariar os espólios de guerra. portanto. Inclusive a autora relata que muitos se gabavam de que em suas famílias não se trabalhava há várias gerações”. Antiguidade Falar do trabalho humano na Antiguidade significa falar também em escravidão. a Justiça do Trabalho acaba funcionando como “algodão entre cristais”. Lygia Maria de Godoy Batista. Mas essa noção não veio de imediato. na história da humanidade. n. na expressão de Tereza Aparecida Asta Gemignani. não era sinônimo. 2a quinzena de junho de 2012. pois significava falta de engenho e arte. Op. Tereza Aparecida Asta. cit. ano VIII. Somente retornando ao passado é que se consegue perceber o verdadeiro significado por trás da expressão “trabalho”.

“os escravos nascem ou se fazem”. Jorge Luiz Souto. (12) MAIOR. 45. iniciou a fabricação de armas e outros instrumentos de defesa.vencidos. I – Parte I. p. Como explica Manoel Alonso Olea. os escravos começaram a ser vendidos ou emprestados para outros que necessitassem de seus serviços em verdadeira prática de locação de trabalho. o homem primitivo. Logo depois. sem qualquer participação do trabalhador que sequer possuía o direito de ser ouvido na relação existente entre as partes. Arnaldo. 27. Foi dessa maneira que muitas obras suntuosas da Antiguidade foram construídas. embora sem que lhes fossem assegurados quaisquer direitos mínimos. consideradas uma das maravilhas da humanidade. Depois. seja permanecendo este no solo conquistado como agricultor. Muitos sofriam com o tratamento aviltante que lhes era dispensado. além de permanecem laborando indefinidamente e sem qualquer pausa para descanso. o excesso de escravos começou a se tornar um problema. almejando defender-se de animais ferozes e inimigos. pelo nascimento de pais escravos ou mãe escrava. percebeu-se que “em vez que liquidar os prisioneiros. citado por Souto Maior: Basicamente se chegava à condição de escravo. Os “contratos de locação” se realizavam diretamente entre o locatário e o proprietário do escravo. Por outro lado. v. cit. Curso de Direito do Trabalho. sendo comum ocorrerem mortes de escravos por não disporem de condições básicas de alimentação e saúde. em primeiro lugar. visando à obtenção de alimentos. nascendo nas eras primitivas e tendo seu apogeu durante todo o período da Antiguidade. era mais útil escravizá-los para gozar de seu trabalho”. esgotadas as fontes externas. Como se sabe.8 . em algum momento. nos primórdios.indd 19 25/9/2014 15:32:26 . p. já que o labor era considerado função menos nobre e da qual os sábios e pensadores não deveriam se ocupar. ao custo de muitas mortes e sofrimento alheio. por várias situações de endividamento ou por outras causas.Crise econômica. TEIXEIRA. como as pirâmides do Egito. São Paulo: LTr. Segadas. laborava. Délio. pelo subjugamento em razão de conquista ou pela catividade do prisioneiro não sacrificado. Em razão disso. Em segundo lugar. Em razão disso. 2011. sendo estas as duas espécies aludidas no texto romano tardio. também. a escravatura era levada a extremos pelos senhores que obrigavam seus escravos a trabalhar até caírem mortos. não faltavam escravos naquela época. já que acabava onerando o custo da propriedade onde estavam alocados. Op..(11) Assim foi que em dado momento histórico se percebeu que os prisioneiros de guerra poderiam ser transformados em escravos cujo trabalho seria bem aproveitado na sociedade da época.(12) Diante da farta provisão de povos a serem conquistados. Lima. Fábio Goulart Villela acrescenta que: Podemos considerar a escravidão como a primeira forma de exploração do trabalho humano. basicamente. — 19 — 5078. MARANHÃO. não deixando de (11) SÜSSEKIND. seja desterrando-o para transportá-lo a outras explorações agrícolas ou utilizá-lo como escravo industrial ou doméstico. Com frequência. VIANNA.

o que fazia que seus interesses se rivalizassem com os senhores feudais da época. Rio de Janeiro: Elsevier. com a fixação de salários e o reconhecimento de sua responsabilidade profissional. mais tarde. Introdução do Direito do Trabalho. a utilidade da escravidão dos prisioneiros de guerra. dessa forma. 1. cuja atividade começa a ser regulamentada pelo Estado. Rômulo Augusto. tendo respaldo por parte do Estado.Crise econômica. iniciando. 2008. a situação dos servos em muito se assemelhava à dos escravos. Nesse aspecto. Verificou-se. em troca de salário. Com o passar do tempo.indd 20 25/9/2014 15:32:26 . p. Os religiosos detinham quase todo o conhecimento da época. trocá-los ou alugá-los.8 . E.(13) O fato é que a escravidão constituiu a principal característica das relações humanas no que tange ao trabalho no período histórico conhecido como Antiguidade. O período caracteriza-se pelo feudalismo. Esse período é marcado por mudanças nas relações de trabalho influenciadas pela criação do dinheiro. para que pudessem gozar de seu trabalho. Quase todos os trabalhos eram realizados por eles. os primeiros passos do processo de escravidão de seres humanos. a partir de então. Apesar disso. 3. Fábio Goulart.2. aqueles que possuíam um número de escravos superior à satisfação de suas necessidades pessoais passaram a vendê-los. geraria as principais estruturas do sistema feudal que vigorou durante o período da história que ficou conhecido como Idade Média. pois a sua liberdade era apenas aparente. Durante os conflitos. pela escassez de escravos e também pela ruralização tida como fenômeno social e econômico da época. no ano de 476. O poder político e econômico da época passava também pela Igreja. Os camponeses utilizavam para seu sustento um pedaço de terra arrendado e. tinham a obrigação de trabalhar alguns dias por semana na terra do proprietário. estradas e represas que circundavam a propriedade. aplicando as leis e fazendo justiça com as próprias mãos. (13) VILLELA. que. os vencedores matavam ou devoravam seus inimigos. social e cultural baseado essencialmente na posse da terra com o poder político nas mãos dos senhores feudais. que era tida como grande proprietária de terras. a escassez de escravos faz surgir um novo fenômeno nas cidades daquela época: a ruralização. Já a partir do século III. desse modo. é possível encontrar nessa época certo número de trabalhadores livres. Idade Média Com a queda do último Imperador Romano. que eram os donos das terras e que exerciam o controle sobre os servos que trabalhavam em suas propriedades. que se estenderia até 1453 com a tomada de Constantinopla pelos turcos. política. — 20 — 5078. iniciou-se a Idade Média. em dias festivos ou quando da morte de seus senhores proprietários) e que continuaram a prestar seus ofícios habituais. O feudalismo foi um modo de organização econômica.consistir em uma atividade industrial primitiva. em troca. os primeiros trabalhadores assalariados foram aqueles escravos libertados (por gratidão. Os senhores feudais tinham o poder total nas terras sob seu domínio. Os servos eram obrigados também a realizar trabalhos na construção e reparos de pontes.