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III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV, 18 de outubro de 2007.

A ERGONOMIA NO AMBIENTE DE ESCRITÓRIO
Adriano Giacomin Grazziotti
Arquiteto e Urbanista – derulius@hotmail.com
Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá
Professor Associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV - tibirica@ufv.br

RESUMO
Como ambientes destinados à realização de atividades laborais predominantemente
administrativas, os escritórios devem ser espaços preparados para atender os seus usuários em
condições de conforto ambiental. Nesse sentido, neste trabalho apresentam-se elementos que
devem ser observados para o desenvolvimento de projetos para esses locais de trabalho, de
modo que na sua organização sejam previstas e incorporadas as condições que, ambiental e
ergonomicamente, atendam as exigências dos trabalhadores.
Palavras-chave: Ergonomia; Escritórios; Bem-Estar.
ABSTRACT
As environment destined to the accomplishment of predominantly administrative labor
activities, the offices must be prepared spaces to take care of its users in conditions of ambient
comfort. In this direction, in this work elements are presented that must be observed for the
development of projects for these workstations, in way that in its organization is foreseen and
incorporated the conditions that ambient and ergonomically take care of the requirements of the
workers.
Key-words: Ergonomics; Offices; Welfare.
1. INTRODUÇÃO
Ao se projetar espaços de trabalho nas empresas, devem necessariamente ser levadas
questões referentes às condições de trabalho, de modo que os funcionários possam desenvolver
com conforto e eficiência suas atividades profissionais. Cresce, então, a importância de
incorporar, nos ambientes de trabalho, aspectos ambientais conjugados a fatores organizacionais,
com vistas a promover o bem-estar dos funcionários, a adequar produtividade e a elevar os
padrões de qualidade na empresa.
A ergonomia, segundo Kroemer e Grandjean (2005), vem a ser a adaptação do trabalho
ao ser humano, buscando-se garantir ao trabalhador um meio melhor e mais saudável para a
realização de suas tarefas, considerando-se, principalmente, as características do ambiente físico.
Estas, quando não valorizadas, ou indevidamente compreendidas, combinadas com arranjos
físicos e leiautes aplicados de maneira insatisfatória, resultam na sua má concepção projetual,
comprometendo a funcionalidade destes espaços, uma realidade freqüentemente encontrada nos
escritórios.
O ambiente de escritório, para a maioria das pessoas que nele trabalha, é um local em que
passa grande parte do dia realizando uma variedade de atividades físicas e mentais, que exigem
muita concentração e esforços repetitivos, que podem vir a acarretar sérios danos à saúde, além
de comprometer o rendimento dos funcionários no desenvolvimento dos seus trabalhos.
Diante disso, a importância de realizar um estudo das variáveis ambientais e
organizacionais que possa aumentar a conscientização para se desenvolver e incluir, nos projetos
de escritórios, ações de caráter arquitetônico. Estas, com base em análise e estudos ergonômicos
dos espaços e das pessoas diretamente ligadas a estes ambientes de trabalho, a fim de melhorálos quanto ao seu conforto, funcionalidade e desempenho do trabalho.

mais próximos às fontes de ruído como impressoras. apud Neves (2002). aumentar o isolamento social. não é possível ter uma área que seja dimensionalmente satisfatória a todas as situações. fax e a própria emissão do ruído proveniente das comunicações entre os funcionários. interação com outros postos de trabalho e o ambiente externo. Além disso. segundo Smith. Grandes estações acabam por resultar em distâncias longas para recursos compartilhados podendo. a compreensão dos indivíduos como suas características e limitações físicas. dos pontos de armazenamento e do trabalho manual e intelectual dentro de cada departamento ou seção. habilidades. seções ou escritórios dentro de um conjunto de uma fábrica. as necessidades de iluminação e ventilação.. ▪ o tempo que o funcionário passa na frente do computador e fora do escritório. diante disso.242). por exemplo. ou seja. além da organização dos mesmos nos espaços em que ocuparão.dos departamentos. . idade. como a antropometria dos ocupantes. devem-se escolher os critérios mais relevantes para cada caso específico. Diversos fatores devem ser considerados no dimensionamento e posicionamento do posto de trabalho.Abordagem Ergonômica Aspectos Organizacionais Organização dos Espaços – estações de trabalho Todos os postos de trabalho dentro de uma organização devem apresentar-se como um local apropriado ao bem-estar físico e mental dos funcionários. Destaca .1 .das máquinas. leiaute é: [. REVISÃO DE LITERATURA 2. é necessário que todos os espaços obedeçam aos princípios do leiaute para uma melhor distribuição das estações de trabalho dentro de uma organização.. Para Rocha (1995).] a posição relativa . dentre outros. 18 de outubro de 2007. . oficina ou área de trabalho. 2.dos meios de suprimento e acesso às áreas de armazenamento e de serviço. além de terem menos superfície de trabalho. apud Rocha (1995: p.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. no planejamento dessas áreas devem-se considerar questões como: ▪ o padrão e os objetivos estratégicos da empresa. Leiaute Segundo Machline e Schoeps. ▪ dimensão e tipos de equipamentos que constituem os postos de trabalho. já que esses passam grande parte do tempo realizando variadas tarefas nestes espaços. ainda. Porém. tudo relacionado dentro do fluxo do trabalho. Ao se projetar um espaço de trabalho. é preciso conhecer as exigências funcionais de cada atividade a ser realizada neste local e de conceitos e práticas ergonômicas. estações pequenas fazem com que os usuários desses espaços fiquem. (2004). ▪ planos para implementação de novas e diferentes tecnologias. Segundo Charles et al. ▪ como os funcionários se interagem. o que dificulta diretamente a execução de suas tarefas.

mão-de-obra: toda força de trabalho. nos mais variados níveis hierárquicos. seja esta natural ou artificial. também os seguintes princípios: Princípio da Economia de Movimento: o leiaute busca diminuir as distâncias entre operador e os recursos materiais que usa. ▪ Princípio da Integração: deve-se utilizar da melhor forma possível os espaços disponíveis. os recursos produtivos consistem em: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ matéria-prima: todo material e componente a serem processados que resultarão em produtos acabados. dentre outros. Aspectos Ambientais Considerações térmicas e de qualidade do ar A qualidade do ar que circula no interior do ambiente de trabalho de escritório é fator de grande importância para se obter um ambiente adequado à presença dos funcionários e ao desenvolvimento satisfatório das atividades. buscando minimizar acidentes. economizando-se assim. Assim. tanto para pessoas quanto para equipamentos. produção racional. eficaz e eficiência na execução de suas atividades. em qualificação e quantidade. máquinas e equipamentos: são todas as estruturas que permitem que o processo de produção transforme a matéria-prima em produtos acabados e serviços. assim como em qualquer organização. energia: apresenta como o recurso indispensável ao processamento dos recursos materiais em produtos e serviços. a ventilação torna-se um aspecto indispensável para promover conforto nos ambientes de trabalho. além de elevados prejuízos financeiros. 18 de outubro de 2007. A primeira favorece não só a renovação . ▪ Princípio do Fluxo Progressivo: o leiaute deve permitir movimento contínuo entre uma operação e a subseqüente. sem paradas. assim como em qualquer organização. Nesse sentido. como descreve Tibiriçá (2003). quando necessária. máquinas. que consiste em decidir sobre o melhor emprego dos recursos de produção. assegurando. entre os diversos funcionários e/ou setores. O emprego adequado dos recursos produtivos na concepção do leiaute de escritório. Todavia. Para facilitar o fluxo de ambos. uma execução promissora dos objetivos traçados pela empresa. deve ser adotada uma distribuição mais racional do mobiliário. voltas ou cruzamentos. como futuras expansões. permitindo áreas de reserva à colocação de novos postos. visando conforto e segurança aos funcionários e garantir integração. informação: recurso que formaliza os procedimentos operacionais e facilita a compreensão de todo processo produtivo e de tomadas de decisão. processamentos mais longos. destinados ao mercado consumidor ou ao próprio trabalho desenvolvido dentro da mesma organização. promove aos usuários destes espaços maior produtividade. falta ou excesso de funcionários. suficiente para atender as necessidades da organização. tempo e energia. assim como distâncias entre postos de trabalho. assim. ▪ No ambiente de escritório. quando mal empregadas resultam em problemas como acúmulo desnecessário de materiais.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. mobiliário. ▪ Princípio da Flexibilidade: o leiaute deve permitir rearranjos econômicos em face de inúmeras situações que as empresas podem enfrentar. é de suma importância deter-se a um planejamento e controle de sua produção. atrasos nas tarefas.

(2004). evitando que tenham contato direto com contaminantes. o que conseqüentemente. Ao contrário. . deve-se conscientizar sobre fatores como a disposição dos postos de trabalho e equipamentos. auxiliam na busca pela qualidade do ar. a altura e abertura das divisórias e janelas. através de computadores e impressoras a laser que emitem gases tóxicos como ozônio [O3]. além de interferir no bom humor dos funcionários. conseqüentemente. Diante disso. nas atividades mentais. constata-se que o aumento da densidade de ocupantes numa mesma estação de trabalho. bom desempenho das atividades. pinturas. Uma das medidas seria manter regularmente o espaço de trabalho limpo. segundo Charles et al. o número de estações e quantidade de pessoas que as ocupam.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. 18 de outubro de 2007. sonolência e irritação nos olhos. impurezas acumuladas no sistema de climatização e. reduz o estado de alerta e a concentração. principalmente. a legislação brasileira estabelece 3 a 6 trocas/hora de renovação de ar ambiente em escritórios. Com isso. Especialista da área. Iluminação Os escritórios constituem espaços que são compartilhados por diversos usuários de idades variadas. devem-se levar em conta todas essas diferenças para que produza o melhor em termos de bem-estar. a fim de promover um ambiente saudável e satisfatório. a segunda permite o controle das taxas de remoção e/ou circulação do ar. sonolência além de reduzir o desempenho físico e aumentar os erros na execução das tarefas. para que não se torne uma fonte de contaminantes (NBR 10080 – Instalações de ar condicionado para salas de computadores).75m/s. provenientes da emissão desses gases e de outras impurezas. Diante disso. além das cargas térmicas próprias a cada ambiente. exigências diferentes quanto às atividades. considerada adequada para proporcionar bem-estar térmico. preferencialmente fazendo a limpeza na ausência dos funcionários que ocupam esses espaços. Esses fatores repercutem diretamente na qualidade do ar e. A manutenção dos ambientes de escritórios como nos recursos de ventilação mecânica. velocidade do ar menor que 0. Um ambiente superaquecido gera cansaço. o resfriamento gera superatividade. na saúde dos funcionários e na qualidade produtiva. A NR-17 estabelece temperaturas no interior de escritórios na faixa de 20° a 23°C (no verão esta variação muda de 23° a 25°C e no inverno de 20° a 22°C). recomenda-se 10 litros/segundo/pessoa (10L/s/p). Também é importante assegurar que os sistemas de ventilação mecânica estejam limpos. uma boa ventilação natural previne sintomas como dor de cabeça. Portanto. como também reduz gastos de energia. tende-se a minimizar as áreas desses espaços. A respeito da qualidade do ar dentro desses recintos. Como na maioria das vezes. faz com que o espaço físico não comporte todo mobiliário e equipamentos. produtos de higiene pessoal e de limpeza. porém acarreta gastos e necessita manutenção constante dos equipamentos. o desconforto térmico no ambiente de trabalho não afeta somente a produtividade. quanto ao projeto luminotécnico. no conforto térmico dos ocupantes dos recintos de trabalho. a distância relativa entre eles. informação visual e segurança por meio da iluminação. ainda. além de possuírem espaços físicos distintos quanto ao posicionamento dos postos de trabalho e seu mobiliário. Ao se projetar ambientes de escritórios. acaba por acarretar o crescimento da carga térmica e de contaminantes (emitido por equipamentos e materiais liberados lentamente por mobiliário. dióxido de enxofre [SO2] e monóxido de carbono [CO]). nariz e garganta. mas também a saúde dos trabalhadores. que repercutem diretamente no rendimento do trabalho. além de UR (umidade relativa) menor que 40% (diferente do verão que pode variar de 40 a 60% e no inverno de 35 a 65%). do ar dentro destes ambientes.

Kroemer e Grandjean (2005: p. especialmente no verão. também de adequá-las quanto ao calor radiante. Porém. na maioria das vezes. são necessárias para assegurar boa visibilidade no caso de reflexos. insolação. principalmente. principalmente. pois ao empregá-la no ambiente de trabalho é possível projetar a quantidade. proteções efetivas contra o excesso de luz incidente nas janelas. cobertura. . tetos e mobiliário. na garantia de conforto no interior do ambiente de trabalho. conseqüentemente. além de reduzir a fadiga ocular e os acidentes. aos usuários de estações de trabalho próximas às janelas. no inverno tornam-se superfícies mais frias que. para completar a iluminação natural ou para substituí-la em razão de exigências do processo de trabalho ou da solução arquitetônica utilizada. já que a luz natural alcança maior profundidade no recinto. o vidro da janela deve. de acordo com os tipos de tarefas a serem desenvolvidas e a iluminância disponível para a atividade visual de cada funcionário. em grande parte das situações. dependente das condições climáticas. Além disso. é preferível em relação à luz artificial. entretanto. altura e tipo de fechamento para a penetração de luz na profundidade dos recintos. possibilita-se o controle do seu uso.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. além dos materiais utilizados na concepção dos mesmos. Para isso. geralmente para áreas de trabalho como escritórios. Quando se recorre à iluminação artificial. o tipo e o melhor posicionamento das fontes de luz. Para sua melhor eficiência é relevante considerar questões como escolha das esquadrias. o posicionamento dos equipamentos e dos postos de trabalho e a orientação dos mesmos e de seus usuários em relação às fontes de luz. 18 de outubro de 2007. A melhor qualidade de iluminação. a área da janela deve ser 1/5 da área do piso. a iluminação artificial é um dos recursos indispensáveis para complementar e/ou prover às necessidades lumínicas do ambiente de trabalho. nível de iluminação e ofuscamento ajudam a garantir conforto visual no ambiente de trabalho e aumentar a eficiência operacional. O método mais eficiente é o uso de venezianas ajustáveis no lado externo dos recintos ou de películas instaladas nos vidros das janelas. cores adotadas na pintura de paredes. deve-se levar em conta idade e limitações. seja para suprir o local com iluminação diurna e/ou noturna. transferida da janela e para a janela. pois além de reduzir o consumo desta. com a orientação solar. de certa forma. o peitoril da janela deve ser da altura da mesa que compõe o espaço de trabalho. permitir a passagem de luz. às superfícies a serem iluminadas. de acordo com suas orientações. O controle preciso da luz natural.303-304) apresentam algumas recomendações referentes à iluminação natural no ambiente interno: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ janelas altas são mais eficientes do que as largas. Janelas altas e largas certamente ajudam na distribuição de luz natural dentro dos recintos. a eficiência operacional. em soluções projetuais. estabelece conexão com o mundo exterior. num ambiente de trabalho de escritório. a distância da janela até o posto de trabalho não deve ser maior do que duas vezes a altura da janela. Além do aproveitamento da iluminação natural nos escritórios. facilita a penetração de grande quantidade de calor. pode se prover de duas formas: natural e artificial. A iluminação natural. Se a janela for mais baixa que a mesa é possível gerar ofuscamento. está relacionada. a preocupação em prover luz natural aos ambientes de trabalho pode acarretar problemas que diretamente afetarão a saúde dos funcionários e. A luz do dia. também trazem desconforto. às cores dos objetos e dos ambientes e os contrastes de luminâncias.

evitar o uso de cores e materiais reflexivos em máquinas. entretanto. adequar cada ambiente com nível de iluminância segundo a NBR 5413/82 (Nível de iluminamento de interiores). efeitos negativos ao ambiente de trabalho. posicionar as luminárias de modo a evitar a incidência de luz direta ou refletida sobre os olhos.salas de reuniões (150-250 lux). o uso de computadores passou a ser expressivo. fornecer boa iluminação pode ser teoricamente fácil. deve-se adequar todo seu processo de forma a suprir. que analisados e empregados separadamente podem promover. . . porém pode aumentar a propagação de ruído e reduzir a privacidade. as necessidades referentes não só aos aspectos lumínicos. para não provocar desconforto visual. Nesse sentido. assim como em outros espaços de trabalho. fadiga visual e distrações. Diante disso. proporciona melhor distribuição da iluminação artificial. Cores Segundo Iida (1990: p. além de adequá-la de acordo com a idade dos funcionários. Por exemplo: . . equipamentos. ao invés de conforto. . cresce a importância de se recorrer à tecnologia e usar computadores com recursos modernos de tela plana. quando possível. em uso. tampos de mesas e outras superfícies. Se por um lado grande parte das tarefas era antes executada sobre o papel e hoje em computadores. Por fim.locais para arquivos (100-250 lux). camadas de anti-reflexão que não comprometam. sua aplicação exige comprometimento não só com suas próprias exigências. não se restringindo aos ambientes de escritórios. seja natural ou artificial. divisórias baixas facilitam a penetração de luz do dia. aparelhos. organizacionais e construtivos. usar luminárias com refletores e aletas parabólicas em alumínio anodizado. estudos já comprovados destacam a influência e mostram a repercussão das cores sobre o estado emocional. 18 de outubro de 2007.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. Se possível situar-se acima de 30° em relação à linha de visão e colocar ao lado ou atrás do trabalhador. sendo uma ferramenta de trabalho que necessita de determinadas precauções. é possível projetar um ambiente cujas cores se relacionem com os fatores psicológicos e fisiológicos dos ocupantes desses espaços. a saúde e a produtividade dos funcionários.circulação (40-100 lux). Por exemplo. móveis. Na concepção do melhor arranjo de luminárias e da distribuição geral de luz apropriada a cada ambiente. utilizar iluminação direta nos postos de trabalho de acordo com suas necessidades operacionais. a produtividade e a qualidade do trabalho. contrastes de brilhos que causam ofuscamento.268). mas também as prescritas por outros aspectos ambientais. Nos ambientes de escritórios. é necessário identificar quais serão as tarefas a desenvolver naquele espaço de trabalho e quem as realizarão. visão para o ambiente externo e melhor ventilação. por outro. no que diz respeito à iluminação. Com isso. mas também quanto aos demais aspectos ambientais. estes passaram a proporcionar sérios danos à saúde dos usuários devido a reflexos. recomenda-se: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ posicionar as luminárias de acordo com o leiaute e a disposição de máquinas. dentre outros. organizacionais e construtivos.escritórios e áreas administrativas (250-600 lux). na concepção de um projeto de escritório. principalmente. Antes de iniciar o planejamento das cores em um ambiente de trabalho.

mas não compondo todo o recinto. computadores. deve-se considerar não só a fonte do ruído. os computadores. que podem ser aplicadas nas paredes. alegre. preto: agressividade. aconselha-se incluir algumas áreas de cores excitantes. sendo componentes do próprio ruído interno as áreas de discussões. irritá-los. é ainda na fase projetual que se deve conscientizar sobre a importância de um ambiente de trabalho acusticamente favorável ao bem-estar dos funcionários e à execução de suas atividades. impressoras. assim como a iluminação. irritação. Os escritórios são espaços que durante a jornada de trabalho promovem uma diversidade de situações favoráveis à existência de fontes de barulhos. branco: leveza. para um ambiente de trabalho considerado monótono.eliminação ou substituição de máquinas e equipamentos ruidosos (ar condicionado. amarelo: estimulante. também existem os ruídos perturbadores provenientes de fora da edificação como tráfego de veículos e pessoas e existência de indústrias. vigas. mas também. azul: calmante. sonífero. verde: alivia tensões e equilibra o sistema nervoso. sendo estes considerados como ruídos. segundo a necessidade de busca da solução seja: ▪ Intervenção na fonte emissora . Segundo Matos e Santos (1994: p. Enfim. caracterizados como ruídos provenientes da vizinhança. outros não. Existem algumas técnicas de aplicação de cores que apresentam resultados interessantes. seu tempo de duração e o tempo em que os usuários desses espaços ficarão expostos a ele. acalmá-los e diversos outros estímulos. apenas alguns elementos como pilares. vibrante. repousante. divisórias. Acústica A acústica no ambiente de escritório inclui todas as manifestações sonoras percebidas pelo ser humano durante o período de trabalho. entre outros. as cores despertam várias sensações capazes de transmitir informações. . Ademais. No ser humano. Diante disso. . além da comunicação verbal entre os funcionários. de forma a não chamar muita atenção. os corredores principais de tráfego. Nesse sentido.modificação no ritmo de funcionamento da máquina. Seguem algumas sensações visuais que faixas cromáticas do espectro podem despertar no ser humano: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ vermelho: agressividade. evitando assim distrações e acidentes. e de comunicação verbal. . calma. alegria. fatigante.94-105).aumento da distância e redução da concentração de máquinas. entre outros) por modelos mais silenciosos. laranja: estimulante. tetos e pisos. ventiladores. amigável. o adequado uso das cores é uma recomendação ergonômica fundamental para tornar ambientes de trabalho mais prazerosos e produtivos. Alguns destes sons podem ser agradáveis. copiadoras. em três grupos. Para um trabalho que exige muita concentração. vibrante. as impressoras. aconselha-se usar cores claras. estresse. de maneira sucinta. desenvolvimento de tarefas em ambientes de escritórios exige simultaneamente condições de concentração. às fontes internas. 18 de outubro de 2007. depressivo.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. Por exemplo. as medidas de controle de ruído podem ser resumidas.

silenciadores. .uso de suportes antivibrantes. paredes e esquadrias devem ser projetados com material que possa oferecer absorção adequada para o tipo de ruído que se deseja tratar (Tabelas 1 e 2).barreiras. é importante tomar determinadas medidas na concepção projetual desses espaços. . a propagação do ruído dentro das estações de trabalho. reduzindo a jornada de trabalho. atenção.5m a 1. ▪ Intervenção sobre a propagação . irritabilidade. ou seja. Os equipamentos ruidosos devem ser isolados dos pisos. sua altura deve suprir as necessidades lumínicas e permitir o fluxo de ar dentro dos recintos. Além de causar estresse. caso a edificação possua mais de um pavimento. velocidade. . ou no recinto como um todo.enclausuramento integral. para que bloqueiem. . precisão e nas que requerem interpretação de informação. . tensão. se necessário devem receber um revestimento ou serem preenchidas com propriedades acústicas compatíveis com a ocupação do local. ▪ Intervenção sobre o trabalhador . procurando-se preventivamente dar tratamento acústico aos ruídos que propagam por estruturas. portas dos ambientes e divisórias. influencia diretamente o comportamento das pessoas que ocupam. também.enclausuramento parcial. reorganizando o trabalho e/ou aumentando as pausas durante suas atividades.isolamento de áreas silenciosas quando obrigatórias. por exemplo. telefônicas e de internet. O ruído nos ambientes confinados. Diante de situações de convivência com sons indesejáveis que se propagam no espaço de trabalho. . As divisórias devem apresentar altura de 1. além de permitirem a passagem de cabos de instalações elétricas. . tetos. interfere também no desempenho das tarefas que exigem concentração. mediante o uso de materiais com elevados coeficientes de absorção.8m. por se tratar de fontes de interrupção.redução do tempo de exposição. danos à saúde. ajuda a minimizar a propagação de sons provenientes de movimentação de cadeiras e outros móveis.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV.tratamento fonoabsorvente. O piso elevado é uma boa solução técnica para amenizar os ruídos. como em escritórios. a reverberação e a transmissão de ruído nos e dos recintos vizinhos. de ruídos de máquinas ou emitidos simplesmente pela locomoção dos funcionários. aliviando os pavimentos inferiores dos ruídos oriundos dos níveis superiores. pisos. total ou parcialmente. paredes. evitando-se assim. 18 de outubro de 2007. a produtividade e a continuidade nas operações. alterando assim o estado de alerta. Os tetos. O tratamento acústico nos pisos.

10 0. Reboco liso Superfície de concreto Tapetes de borracha Taco colado Tapete de veludo 125 0. 18 de outubro de 2007.54 0.10 0.60 Chapa leve de lã de madeira.24 2000 0.03 0.Emissões de ruídos aproximadas de máquinas de escritórios.03 0.62 0.10 0.12 0. coberta de papelão denso. Tabela 1 .02 0.61 0.06 0.01 0.07 0. acompanhados com a faixa de decibéis desejáveis ao conforto acústico. 73-75 80-82 61-62 57-59 60-62 30-60 70 60 55-70 Tabela 2 .06 0. GRANDJEAN (2005).17 0.85 0. de acordo com a finalidade dos espaços.03 0.23 0. cal.04 0.09 0. 0.07 0.Valores médios de coeficientes de absorção acústica Reboco áspero.05 FREQUÊNCIAS (Hertz) 250 500 1000 0. 0.12 0. os níveis de ruído dentro dos escritórios devem variar de 30-65 dB. forrada de lã na frente 40-50mm de espaço vazio. O valor . 50mm da parede.43 0.30 0.03 0.04 0.16 0. 0.42 4000 0.08 0.01 0.10 0.11 0.10 0.02 0.18 0.03 0.04 0.06 Lã mineral de50mm.04 0.03 0.34 0.72 Feltro de fibra natural de 5mm.10 0.13 0. SANTOS (1994).59 Madeira compensada de 3mm. diretamente na parede.01 0.32 0. NB-101 (Tratamento de Ambientes Acústicos). em parede rígida.09 0.02 0. De acordo com a normalização da ABNT.30 0. Fonte: MATOS.03 0.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV.55 0.04 0.74 0.86 0. A Tabela 3 apresenta alguns postos de trabalho existentes nos ambientes de escritórios.17 0.03 0.52 0.12 0.36 0. de 25cm.04 0.05 0.30 0.04 0.17 Vidro plano de 3-4mm com 50mm de espaço e amortecimento nas bordas 0.20 MATERIAIS Chapa perfurada.61 0.18 0. Medição feita no nível da cabeça dos operadores EMISSÃO de RUÍDO em dB (A) MÁQUINA Impressoras matriciais e de esfera Ruído básico Ruído de pico Impressora matricial com cobertura Níveis de pico Impressora jato de tinta Ruído básico Ruído de pico Ventilador de resfriamento de monitores Antiga máquina de escrever Máquinas de escrever eletrônicas modernas Máquinas copiadoras Fonte: KROEMER.75 0.25 0.03 0.03 0. 0.02 0.02 0. espaço vazio.03 Caixões de chapa perfurada com chapas de feltro de lã de vidro de 30mm suspensos a 180mm 0.

GRANDJEAN (2005).2 .Níveis de ruídos usuais em escritórios TIPOS DE ESCRITÓRIOS NÍVEIS de RUÍDO Leq em dB (A) Escritórios pequenos muito silenciosos Escritórios grandes silenciosos Escritórios grandes barulhentos Fonte: KROEMER. enquanto que o valor superior significa o nível sonoro aceitável para a finalidade daquele espaço de trabalho. fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento” (Ergonomics Research Society. porém. administração. Inglaterra. projetos. inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto. Circulação. Mascarando o som. 40-45 46-52 53-60 As reduções de ruídos também podem ser alcançadas introduzindo-se uma política de etiqueta no escritório.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV.Níveis de ruído para conforto acústico ESCRITÓRIOS EMISSÃO de RUÍDO [dB (A)] Recepção. usarem fones para músicas e rádios e estarem atentos a barulhos que eles possam gerar. sendo isto chamado por Kroemer e Grandjean (2005: p. a importância durante a concepção de projetos de escritórios. equipamento e ambiente. é possível suavizar os barulhos que os incomodam. é possível deixar o ambiente de trabalho satisfatório acusticamente. 2. atrapalhando no seu rendimento de trabalho. de “condicionador de som” ou “ruído branco”. para outras pode representar algo desconfortável aos seus ouvidos. Tabela 3 . 18 de outubro de 2007. aceleração da freqüência cardíaca. distrações. aumento da pressão sanguínea. apud Iida. 45-55 30-40 35-45 45-65 50-60 Considerando-se então. Os sons que se propagam podem ser uma fonte de informação e até de prazer para algumas pessoas. dentre outros. aumento da tensão muscular. para que não comprometa a produtividade dos funcionários e não acarrete distúrbios psicofisiológicos nos mesmos como estresse.Ergonomia no ambiente de escritório – Trabalho sentado Uma definição concisa de ergonomia é: “Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho. que os funcionários nos ambientes de escritórios estão expostos a diversas fontes de ruídos. Nos ambientes de escritórios é preciso que o sistema homem-máquina esteja em perfeita harmonia. além de ser uma ameaça à saúde. 1990: p. A Tabela 4 apresenta os níveis usuais em escritório. sejam internas ou externas. e que venham a incomodar os demais usuários desses espaços e comprometer o desenvolvimento de suas atividades. Com isso.1). que mascare os barulhos estressantes. Sala de reuniões Salas de gerência. instalando aparelhos que produzem um som de fundo regular e constante. Trata-se de conscientizar os trabalhadores a falarem mais baixo. Tabela 4 . e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia. aumento do metabolismo. além de reduzir distrações e evitar conseqüências mais graves quanto à saúde dos funcionários.266). onde a aplicação dos conceitos ergonômicos possa proporcionar um espaço de . em projetar um ambiente que seja satisfatório às condições acústicas. Sala de computadores Salas de mecanografia Fonte: AZEVEDO (1994).

envolvendo as seguintes questões: Quanto às tarefas. turnos. 18 de outubro de 2007. conversas com colegas de trabalho. Hoje nos escritórios. que interferem no processo de trabalho. operador: que tipo de pessoa trabalhará no posto. ou até o dia inteiro. Primeiramente. tipos de dispositivos. antes de tudo. se é de homens ou de mulheres. conseqüentemente. atendimento a pessoas. habilidades. A introdução da ergonomia nos escritórios O ambiente de escritório exige do funcionário uma variedade de tarefas físicas e mentais. cujas conseqüências garantem aos ocupantes de cada posto. segundo Kroemer e Grandjean (2005: p. procurando a melhor adaptação às necessidades das tarefas e dos operadores. Além destas exigências específicas do trabalho. sinais. as estações de trabalho têm como ferramenta principal o computador. e procurar selecionar e adequar os elementos que ali serão dispostos com acessórios. dentre outros). . condições organizacionais: horários. a estação de trabalho de computador tornouse o veículo introdutor da ergonomia no mundo do escritório”. alcances manuais. grau de instrução. sem interrupções. conferir produtividade à empresa. é preciso analisar as tarefas a serem executadas no posto de trabalho em questão. mobília. mesas. características dos elementos (acessório. bem-estar. saúde. faixa etária e dados antropométricos.151). e também.69): “[. permite que o funcionário fique mais vulnerável a problemas físicos e psíquicos. redigir notas. material. analisar: ▪ ▪ informações: qual meio de comunicação será envolvido. assim como as ações. Tudo isso. o que será executado. Análise do trabalho Aplicar conceitos de ergonomia no projeto de um posto de trabalho. além de cumprir diversas funções simultâneas como falar ao telefone. as medidas antropométricas devem ser levadas em consideração para o melhor dimensionamento dos locais de trabalho. principalmente. grupos. verificar arquivos. diante de um computador. qual é o predomínio. com a atenção fixa ao monitor e mãos sobre o teclado e mouse. conforto. decorrentes nestes espaços. tarefas mais diversas possíveis que acarretam. em que quantidade e com que qualidade. a forma de execução do trabalho sofreu alterações significativas. permanecendo com o corpo quase estático. equipamentos.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. analisar: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ objetivo: para quê servirá as tarefas. antes de analisar qualquer tarefa é necessário descrevê-la. condições ambientais: como será o ambiente físico em torno do posto de trabalho. realizando operações altamente repetitivas.. dentre outros. e suas relações com os demais compartimentos que os compõem. em variadas mudanças de posturas. características técnicas e aplicações: quais serão os elementos integrados ao posto de trabalho e como serão utilizados. atividades e ações que envolvem todo processo de trabalho. cadeiras. Diante disso. controle: tipo de movimento corporal mais exigido. Estes. trabalho.. experiência. Quanto às ações. entre outros mais apropriados a serem inseridos nesse espaço. devido à má concepção ergonômica dos elementos significativos empregados nos postos de trabalho. conferindo um sistema homemmáquina mais integrado e eficiente. já que as pessoas passam horas. Segundo Iida (1990: p. é preciso compreender as tarefas.] foram as razões pela qual o escritório recorreu à ergonomia.

sendo estas áreas de menor ou de maior uso durante o processo de trabalho. estas que estão diretamente integradas ao sistema homem-máquina. Fonte: MINETTE. que atendem as necessidades do funcionário no desenvolvimento de suas tarefas. Utiliza-se de réguas. SOUZA (2005). podem exigir. a fim de garantir o dimensionamento mais apropriado ao espaço de trabalho. utilizam-se dados antropométricos.Método de medida direta. Um posto de trabalho limpo e organizado depende. fitas métricas. uma mesa organizada não significa necessariamente uma superfície totalmente funcional e recomendável. Figura 1 . principalmente. do ponto de vista ergonômico. alcançar um objeto. e as mínimas pelo percentil 5% das mulheres. podem ser posicionadas em locais com alcances diferentes que . paquímetros. que. envolvem fotos do corpo ou partes dele contra uma malha quadriculada. atender um telefonema. A mesa possui áreas de alcances máximos e ótimos. Figura 2 . 18 de outubro de 2007. As mesas e bancadas são as principais delas. certa precisão. Entretanto. junto à acomodação e à disposição dos objetos de trabalho. balanças e outros instrumentos (Figuras 1 e 2). Entretanto. trenas. Das superfícies de trabalho dentro do escritório. As medidas máximas são representadas pelo percentil 95% dos homens. do seu ocupante. e envolve leituras de instrumentos que entram em contato físico com o ser humano. permite com que tenhamos as medidas mais apropriadas. Método de MORAND.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. as superfícies horizontais constituem a maiorias. No dimensionamento do espaço de trabalho. monta-se um quadro com as medidas mínimas e máximas dessa amostra. onde grande parte das tarefas é realizada. Este espaço varia em distâncias horizontais e verticais sem dar importância maior a uma delas. as medidas ideais para os locais de trabalho. Paquímetro de MARTIN. além disso. na pretensão de alcançar ao máximo. ou simplesmente escrever ou digitar um documento. esquadros. ou não. e o outro seria o método direto. Existe o método das medidas indiretas. SOUZA (2005). antes é preciso determinar qual será o método de medida a ser aplicado. São levantadas as medidas corporais de determinada população (amostra com homens e mulheres). Fonte: MINETTE. de acordo com os princípios ergonômicos.Método de medida indireta. necessário para o organismo realizar os movimentos requeridos por um trabalho”. Este último é o mais comum. As tarefas são variadas. Obtendo-se todas as medidas desejadas. Espaços de trabalho – Uma abordagem antropométrica Segundo Kroemer e Grandjean (2005: p. Para se obter os dados antropométricos de uma determinada amostra.134) “Espaço de trabalho é um espaço imaginário. geralmente.

Fonte: IIDA (1990). para que somado a altura do cotovelo. já que estas podem usar de um apoio para os pés e ajustar o assento. pode acarretar certo desconforto para as pernas. e deixar a altura da mesa fixa. podendo cruzá-las sem dificuldades. São basicamente duas questões fundamentais para definir a altura de uma mesa de trabalho: a altura do cotovelo do usuário. colocar o assento mais baixo. Figura 3 . ou do percentil mais coerente da amostra. Arco a (35-45): medidas para o trabalho rotineiro. em detrimento das mais baixas. A preocupação com o dimensionamento e organização da superfície de trabalho não é a única consideração a se deter quanto às questões ergonômicas. Estas áreas são as mais apropriadas na disposição de materiais e equipamentos com uso freqüente e que exige certa precisão (Figura 3). É preciso estar atento à altura da mesa nas atividades desenvolvidas sentadas. Ou seja. Diante de tudo isso. já o primeiro caso. Arco b (55-65): quando se tem que buscar algum objeto. definir a altura do assento (utilizando a altura poplítea). e quais atividades serão desenvolvidas neste espaço. Quando o trabalho é sentado. A área de alcance máximo é obtida ao girar os braços estendidos em torno do ombro. Concepção dos assentos em escritórios A concepção de assentos para escritórios exige estudos profundos. é preciso. propícia a pessoas mais altas. o que acaba por ser a melhor solução para determinar a altura da mesa é partir do princípio que: é mais fácil ajustar a altura da cadeira. Já as áreas de alcances ótimos podem ser definidas girando-se os antebraços em torno dos cotovelos com os braços caídos. estabelece-se a compreensão das principais exigências . que podem facilitar o trabalho. Amostra levantada por Iida. proporcionar mais conforto e bem-estar ao usuário do posto. Por esse motivo. quando se trata de posto de trabalho com alta rotatividade de funcionários ocupantes deste mesmo posto.Arcos para o posto de trabalho em mesa ou bancada.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. que se enquadram nos princípios ergonômicos. 18 de outubro de 2007. É fundamental que sob a mesa para escritório haja espaço suficiente para a movimentação das pernas. evita-se pôr gavetas ou prateleiras no espaço onde se movimentarão as pernas. em princípio. como na maioria das estações em escritórios. obtenha-se a altura do tampo da mesa. essencial para ser ocupada por objetos cuja freqüência de uso é pequena. exigem movimentos variados do corpo humano.

fisiológico e clínico dos movimentos de postura sentados. As dimensões dos assentos devem ser adequadas às medidas antropométricas do usuário. apoio para os braços. O revestimento. além do seu posicionamento inadequado. ou ter a medida requerida pela amostra feita para a ocupação de determinado posto de trabalho. GRANDJEAN. proveniente das variadas posturas decorrentes de atividades em computadores. Seria um estofado antiderrapante. a cadeira de escritório deve preencher todos os requisitos de um assento moderno e ergonômico: altura ajustável. a fim de permitir o relaxamento da coluna. pés. e funcionar como suporte à coluna entre a terceira vértebra e o sacro. cotovelos. pés. É preciso ser almofadado na parte lombar. de forma a permitir maior liberdade de movimento do tronco. Quanto à postura. dentre outros. pois provoca dores e fadiga. com o propósito de aliviar as pressões sobre os discos vertebrais e as tensões dos músculos dorsais de sustentação. Em princípio é preciso determinar qual será a função do assento. faixa de 104° a 120° (KROEMER. Enfim. O encosto da cadeira deve ter uma inclinação ajustável. para qualquer ângulo desejado. reduzindo assim. 2005). apresentaram as principais reclamações de funcionários. ajude a distribuir a pressão e proporcionar maior estabilidade ao corpo. tanto do assento como do encosto. dos olhos. As cadeiras de escritórios devem ser adaptadas para o trabalho com equipamentos modernos de tecnologia de informações.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. inclinada para frente e reclinada para trás. A cadeira deve permitir variações de postura. Deve ter uma altura de no mínimo 50 cm acima do plano do assento. O ideal é uma situação intermediária que não prejudique a postura. para os trabalhos com computadores. a uma altura de 10 a 20 cm acima do ponto mais baixo da superfície do assento. a fadiga e o desconforto. ombros. mas sim aquele mais adequado para cada tipo de tarefa. ruído). não deve ser duro nem muito macio. cotovelos. especialmente. Estas são derivadas principalmente: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ baixa altura do teclado em relação ao piso. com capacidade de dissipar calor e umidade gerados pelo corpo. ausência de apoio para os antebraços. pois não existe um assento padrão para todas as situações. atribuídas aos assentos. falta ou insuficiência de espaço lateral e debaixo da mesa para a movimentação das pernas e da cadeira. deficiências nas cadeiras. nos ambiente de escritórios. do ponto de vista anatômico. ou de ambos. bordas arredondadas. que não se afunde com o peso do corpo. mas alta em relação à mesa. inadequada inclinação de monitores. permitindo excessivas inclinações da cabeça. assento giratório. colocado sobre uma base rígida. punhos. são muito comuns em escritórios os funcionários trabalharem na . rodízios em uma base de cinco pés reguláveis. dentre outros. pouco espesso. As dores musculares são mesmo as principais conseqüências na má concepção ergonômica de um posto de trabalho de escritórios com computadores. braços e fadiga muscular. má concepção do espaço de trabalho devido à inadequada compreensão dos aspectos organizacionais e ambientais (iluminação. 18 de outubro de 2007. climatização. As principais queixas foram dores no pescoço. reduzindo-se a fadiga. Estações com computadores Estudos realizados por Grandjean (1987).

foram identificadas algumas questões fundamentais no projeto de estações computadorizadas: o mobiliário deve ser o mais flexível possível (ajustável e adaptável a diferentes posições). devem ser fáceis de operar. mais relaxada sobre a cadeira. posição inclinada. Com o método direto. ajudará na etapa de definições de ferramentas de trabalho. Com o indivíduo sentado. ▪ os controles das dimensões. mesas e cadeiras devem ser reguláveis para evitar situações como. para ajustes de mesas e cadeiras. entretanto. se em pé ou sentado. porém para usuários que executam tarefas na posição de pé. dimensões de mobiliários. dentre outros. É bom lembrar que a posição relaxada sobre a cadeira também não é adequada quanto adotada constantemente. Já na posição em pé a altura do cotovelo determina também a altura do tampo da mesa. reavaliados por Luerder e Noro (1995). hoje. Em trabalhos desenvolvidos em pé. tem-se a altura do tampo da mesa de trabalho em estações para computadores na posição sentada. a ferramenta de trabalho do homem mais importante dentro do escritório. ▪ em estações com computadores. de material com excelente qualidade. através da altura poplítea determina-se a altura do assento. sem que houvesse antes um estudo preparatório para o seu uso e adequação. Pelos estudos de Grandjean (1987). em pé ou sentado. 18 de outubro de 2007. braço e mão. que tais ajustes de medidas são determinados pela variação das medidas antropométricas de cada pessoa. com a altura dos olhos nessa posição. comandos como botão para ligar ar condicionado. prateleiras. por isso a importância de um encosto regulável. a largura do quadril ajuda a definir a largura do assento de uma cadeira. um posto com uma mesa de tampo baixo em conflito com a altura mínima para os joelhos sob a mesa. é possível conseguir com mais precisão as medidas necessárias e o comprimento conciso das principais articulações. Com o indivíduo em pé. ou guardar algo nos fundos de uma prateleira. ou seja. Enfim. Ainda nesta posição. Na posição sentada. porém distante. independentemente da posição do indivíduo. Todos estes dados antropométricos são fundamentais no dimensionamento dos postos de trabalho e dos objetos e equipamentos que configuram seu ambiente. as estações de trabalho com computadores devem facilitar a movimentação do corpo. ▪ Evidente. evitando que este fique praticamente estático. por exemplo. somada ao comprimento do antebraço. além das características do próprio computador. de acordo com a posição do indivíduo. Com a altura do cotovelo. e não em uma postura ereta. gavetas. já que este vem evoluindo tecnologicamente de maneira muito rápida. ou de cada amostra. Com o comprimento dos três últimos. e para diferentes tarefas como pegar um objeto sobre a sua mesa. O computador é. é possível determinar o comprimento do assento de uma cadeira. Os problemas de saúde em usuários de computadores Os computadores invadiram os ambientes de escritórios de forma muito repentina. Enfim. principalmente. pode-se dispor adequadamente o monitor para pessoas que executam atividades em computadores. a medida do ombro em relação ao piso. Cada medida antropométrica levantada na amostra. acionar alavancas de basculantes. é possível determinar os alcances máximos em diferentes superfícies (mesas. principalmente. durabilidade e não toxidade.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. é possível dimensionar a altura de mobiliários como armários. quando se trata de um usuário alto. a partir da dimensão da fossa poplítea nádega. prateleiras. que permita variação e movimentação do tronco. cada medida do seu corpo terá uma relação direta com o espaço em que ele está inserido. movimentos excessivos também devem ser evitados. por exemplo. alcances de objetos e o dimensionamento da estação de trabalho como um todo. dentre outros). de forma a não só .

enquanto ao mesmo tempo. 18 de outubro de 2007. Problemas nos assentos e a má postura são os principais causadores de sobrecarga na coluna e pressões nos discos intervertebrais. os pesquisadores concluíram que o estresse pode ser controlado à medida que a pausa seja contrabalançada..168). dores lombares e câimbras que. Outro problema comum no trabalho com computadores é o estresse. observaram: “(. A inadequação dos mobiliários também facilita a ocorrência de dores no corpo.) quando ocorria uma parada temporária do sistema de computação. estas podem causar fadiga. de forma a reduzir.. com 95 empregados ocupantes de estações de trabalho com computadores. os suíços Johanson e Aronson apud Kroemer e Grandjean (2005: p. Uma sugestão seria descansar 10 minutos a cada hora de trabalho. O processo degenerativo interfere na mecânica da coluna vertebral. dores nas costas são caracterizadas. na maioria das vezes. dores nos joelhos e pés são comuns em funcionários de estatura pequena que trabalham em mobiliários sem apoio para as pés. se não forem corrigidas. Por exemplo: ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ dores na nuca e nos ombros são comuns em funcionários que ocupam estações onde a mesa de trabalho é muito alta. pela duração do tempo de exposição do funcionário ao computador. apressados e entediados”. pela redução da duração e freqüência de paradas. além da inadequada postura do operador. Com isso. sem poder executar suas atividades. na má concepção dos encostos das cadeiras. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho procurou-se destacar questões essenciais para o desenvolvimento de projetos e o arranjo de ambientes de escritórios. fazendo com que tecidos e nervos sejam comprimidos. podem provocar anormalidades permanentes na coluna. lumínicos. entretanto. cansados. a adrenalina. a pressão sanguínea e a freqüência cardíaca aumentaram. os sujeitos se sentiam mais irritados. Além do desgaste pela idade e pelo uso. A coluna vertebral e os músculos das costas são os locais do corpo mais vulneráveis a problemas durante o trabalho sentado com computadores. estresse e tédio. Quanto à má postura dos funcionários nos postos de trabalho. dores nas pernas são identificadas em funcionários de estatura alta e que trabalham sobre uma cadeira baixa e/ou não regulável.III Workshop de Análise Ergonômica do Trabalho na UFV. acústicos e ergonômicos. que foi percebida pelo fato de que parados. levando a vários problemas como lombalgia (dores musculares) e problemas ciáticos (no quadril). Todos os benefícios dele são bem-vindos em qualquer organização. tinham a sensação que o trabalho estava acumulando. 3. seja no revestimento quanto no dimensionamento. e conseqüentemente. causavam certa ansiedade nos funcionários. . os discos intervertebrais podem perder sua força. total ou parcialmente. A conclusão foi que as paradas de computadores (panes). mas também por fazer crescer a produtividade dentro da empresa. dores nos braços e cotovelos devem-se a ausência ou à má concepção de apoio. o computador vem sendo a causa de várias queixas de dores músculo-esqueléticas. dando-se destaque ao conforto ambiental: aspectos térmicos. Em estudos realizados em 1977. teriam mais obrigações a cumprir no dia seguinte. o estresse diante das atividades operadas com computadores em ambientes de escritórios. ou até a paralisia das pernas. aumentar a qualidade de trabalho.

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