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D.C.S.H. Filosofia da Linguagem. 2013/2014.

Saul Kripke: Da
Crítica à Teoria Descritivista da Referência à proposta da “cadeia causal”
in O Nomear e a Necessidade, 1970.
Tema de O Nomear e a Necesidade – Rejeição da teoria descritivista tradicional (i.e,
Frege e Russell) enquanto explicação do significado ou teoria de nomeação.
Conceitos-chave: teoria descritivista; referência; nomes; descrições definidas;
designação rígida; designação acidental; necessidade («identidade ao longo dos
mundos possíveis»); situações contrafactuais; cadeia causal (cadeia de comunicação
efectiva/ o modo como o nome é transmitido de elo em elo, a partir de um
«baptismo inicial»); a priori; epistemologia; metafísica;
Objectivo da Kripke em NN:
“Questionar se a teoria descritivista fornecia uma explicação correcta mesmo do modo
como eram fixadas as referências dos nomes” (p.44), a fim de demonstrar que “a
concepção de conjunto que esta teoria nos dá sobre como se determina a referência
parece estar errada desde as suas bases”. (p. 154).
Questões-Guia: “Qual é, então, a relação entre nomes e descrições?” (p.72) / Como
podemos determinar qual é o referente de um nome, tal como este é usado por um certo
falante? (p. 74) / Como fixamos a referência? Como é que os nomes adequirem a sua
referência?
1. John Stauat Mill (A System of Logic, 184...): “os nomes têm denotação
(referência), mas não têm conotação (significado/sentido).
2. Gottlob Frege (Sentido e Referência, 1892): os nomes têm um sentido e
denotam uma referência, através de uma descrição. É a partir do sentido (um
certo modo de referir ou apresentar um objecto), que acedemos à referência.
“Frege disse especificamente que uma tal descrição (p.ex., «o filósofo grego
que bebeu a cicuta») dava o sentido do nome (Sócrates)” (p.73).
3. Betrand Russell (On Denoting, 1905): os nomes são abreviaturas disfarçadas de
descrições definidas que são, na verdade, termos quantificacionais. Os nomes só
se referem quando nós nos encontramos em «contacto» com os sense data.
4. John Searle (Proper Names, 1958) / Peter Strawson : “o referente um de um
nome não é determinado por uma só descrição, mas por um feixe ou família de
descrições” (p.78). A referência de um nome é fixada através de um «feixe de
descrições» (p.114) ou «feixe de conceitos» (p.132).
5. Peter Strawson (On Referring, 1950): “na tentativa de conciliar a cadeia de
comunicação com a teoria descritivista [Strawson] confia naquilo que o falante
julga que foi a fonte da sua referência” (p.153). Para Strawson, o que nos
permite fixar a referência é o modo como o falante julga que obteve a referência.
Argumentos de Kripke:

] “É neste sentido que digo quen um designador rígido tem a mesma referência em todos os mundos possíveis (. quando o aprende.. porque apesar de o homem (Nixon) poder não ter sido presidente.153). (p.) ou simplesmente como uma teoria da referência”.. julgo que o receptor do nome tem de ter a intenção. ele representa essa coisa. pode ser entendida como uma teoria do significado dos nomes (. que o nome se refere regidamente essa coisa”. (pp.). 3. E qual é a perspectiva kripkeana acerca da questão. o objecto pode ser nomeado por ostensão.1. (p. que identifica o objecto de modo único) como teoria do significado e da referência: “Disse antes que a perspectiva de Frege-Russell. tal como é usado na nossa linguagem. Aí. ou. 169). 2..134). (p. de maneira intuitiva. quero dizer que. (p. por certas propriedades que são satisfeitas unicamente pelo referente e que o falante sabe ou acredita que são verdadeiras desse referente”. como é que os nomes adquirem a sua referência? “Na nossa perspectiva. de o usar com a mesma referência que o homem a quem o ouviu”.106).135). o que é relevante não é a maneira como o falante julga que obteve a referência. epistémicos e semânticos. “A referência de um nome não é geralmente determinada por certas marcas que identificam o objecto de modo único. que os nomes próprios são desinadores rígidos.. então. [.. não se dá o caso de que ele pudesse não ter sido Nixon (embora pudesse não ter sido chamado «Nixon»). mas a cadeia de comunicação efectiva”. (p. A teoria um descritivista de Frege-Russell (a referência e o significado de um nome são dados por meio de uma descrição definida.) quando digo que um designador é rígido e que designa a mesma coisa em todos os mundos possíveis. quando nós falamos sobre situações contrafactuais”. “Poderíamos enunciar assim o esboço de uma teoria: Há um «baptismo» inicial. segundo a qual os nomes são introduzidos por descrição. Argumentos de Kripke contra o descritivismo agrupam-se em modais. a referência do nome pode ser fixada por uma descrição. O que são os nomes próprios? .“Nestas palestras defenderei.100).. Quando o nome é «transmitido de elo em elo». ... 157158). O que significa dizer que um nome próprio é um designador rígido? “(. (p.