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Mestrado Profissional em Agroecossistemas

A FORMAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA DO TÉCNICO EM
AGROECOLOGIA NA ESCOLA 25 DE MAIO DE
FRAIBURGO/SC.

Mestrando: Paulo Davi Johann

Orientadora: Profª. Drª Marlene Ribeiro - UFRGS
Co-Orientadora: Prof.ª. Drª. Sandra Luciana Dalmagro - UFSC

Florianópolis/SC
Março – 2015

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
AGROECOSSISTEMAS
Mestrado Profissional em Agroecossistemas

A FORMAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA DO TÉCNICO EM
AGROECOLOGIA NA ESCOLA 25 DE MAIO DE
FRAIBURGO/SC.

Mestrando: Paulo Davi Johann

Dissertação apresentada como pré-requisito para a obtenção
do grau de Mestre em Agroecossistemas sob a orientação da
Drª Marlene Ribeiro e a co-orientação da Drª Sandra
Luciana Dalmagro.

Florianópolis/SC
Março - 2015

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RESUMO

Essa pesquisa tem o objetivo de estudar a formação técnica em agroecologia de
nível médio realizada pela Escola 25 de Maio em vista de localizar articulações e
desarticulações entre a formação teórica e prática, e dessa forma contribuir para o avanço
da qualificação destes profissionais/militantes. O referencial teórico que embasa a pesquisa
é

materialismo

histórico

dialético.

Nessa

perspectiva

procuramos

analisar

a

educação/formação humana no processo histórico do desenvolvimento da sociedade
humana. Buscamos compreender a relação teoria e prática na educação a partir do trabalho.
Como procedimento metodológico utilizemos a entrevista com sujeitos envolvidos no
processo de formação dos técnicos em agroecologia oferecida pela Escola 25 de Maio,
assim como a observação dos espaços pedagógicos da referida escola e a leitura
documental. A partir disso procuramos compreender como aparece a relação teoria e
prática na referida Escola. Partimos do pressuposto que o ser humano se forma no e pelo
trabalho na atividade prática-teórica, ou seja, pela práxis enquanto atividade
especificamente humana. Nesse sentido procuramos compreender a agroecologia que se
produz no trabalho agrícola como matriz produtiva e tecnológica, que, além de se
contrapor a matriz produtiva do agronegócio, potencializa unir trabalho manual e trabalho
intelectual que a sociedade de classe dividiu em campos opostos. A partir desse referencial
trilhamos o caminho da análise dos dados fornecidos pelos instrumentos metodológicos
utilizados. Diante dos dados analisados chegamos a algumas conclusões que nos permitam
momentaneamente afirmar que a Escola/Curso estudado, por ser uma escola vinculada ao
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tem possibilidades de avançar na
formação dos educandos no sentido da omnilateralidade. Porém essa Escola/Curso por
ser uma escola pública apresenta limites que precisam ser superadas para atingir o objetivo
pela qual ela foi construída. Os limites encontrados se referem a questões relacionadas a
formação político pedagógica dos professores/educadores no que se refere a compreensão
do trabalho como princípio educativo, trabalho que abre possibilidade para unir teoria e
prática na formação dos sujeitos do processo educativo, pois a compreensão de trabalho

embora a escola/Curso tenha a auto-organização dos estudantes como princípio educativo. principalmente os da área técnica. . Ou seja no fazer para aprender. agroecologia. Palavras chaves: relação teoria e prática. pela falta de professores da área técnica que se possam dedicar exclusivamente a esta escola. aquele trabalho que contribuiu no aprendizado do conteúdo. não se concebe que esta deverá perpassar todos os espaços de vida da escola.4 que a Escola/Curso tem não passa do trabalho como princípio pedagógico. Outro grande limite encontrado é na parte da contratação dos professores/educadores qualificados para trabalhar uma educação emancipatória. Pela constante rotatividade dos professores. trabalho. formação técnica. pois esta fica restrita aos momentos formais instituídos. da forma como esta aparece na escola carece de maior significado. A não compreensão na sua totalidade da auto-organização dos estudantes. ou seja. MST.

Buscamos entender la relación entre la teoría y la práctica en la educación de la obra. En este sentido buscamos entender la agroecología que se produce en el trabajo agrícola como matriz productiva y tecnológica. como la comprensión de la obra que la Escuela / Curso no tiene más trabajo como principio . Antes de que los datos analizados proceden a algunas conclusiones que nos permitan afirmar brevemente que la Escuela / Curso estudió.5 RESUMEN Esta investigación tiene como objetivo estudiar la formación técnica en agroecología de nivel medio en poder de la Escuela 25 de mayo con el fin de localizar las articulaciones y dislocaciones entre la teoría y la práctica. es decir. A partir de este buscamos entender como aparece la relación entre la teoría y la práctica en esa escuela. siendo una escuela vinculada al Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra. El marco teórico que apoya la investigación es el materialismo histórico dialéctico. Los límites de refieren a cuestiones relacionadas con la formación pedagógica política de profesores / educadores en cuanto a la comprensión del trabajo como principio educativo. además de contrarrestar la matriz de producción del agronegocio. En esta perspectiva analizamos la educación / desarrollo humano en el proceso histórico del desarrollo de la sociedad humana. Suponemos que el ser humano se forma en y por medio del trabajo en la práctica y la actividad teórica. y de este modo contribuir a la promoción de la cualificación de estos profesionales / activistas. Pero esta Escuela / Curso para ser una escuela pública tiene unos límites que se deben superar para lograr el objetivo para el que fue construido. mejora unir trabajo manual e intelectual que la sociedad de clases divide en bandos opuestos. el trabajo que se abre la posibilidad de vincular la teoría y la práctica en la formación del proceso educativo. que. así como la observación de los espacios pedagógicos de la escuela y la lectura documental. A partir de esta referencia recorrer el camino de análisis de los datos proporcionados por las herramientas metodológicas utilizadas. la práctica como específicamente la actividad humana. Como un procedimiento metodológico utilizamos la entrevista con los sujetos que intervienen en el proceso de formación de técnicos en agroecología ofrece la Escuela 25 de mayo. es probable que avanzar en la educación de los estudiantes hacia omnilaterality.

Otra limitación importante se encuentra en la contratación de profesores / educadores calificados para trabajar una educación emancipadora. la falta de área técnica de profesores que puedan dedicarse exclusivamente a esta escuela. . para aprender a hacer. aunque la escuela / curso tiene la auto-organización de los estudiantes como principio educativo. que el trabajo que contribuyó a los contenidos de aprendizaje. especialmente el área técnica. la agroecología. Es decir. No entender en su totalidad la auto-organización de los estudiantes. Palabras clave: relación entre la teoría y la práctica. la capacitación técnica. es decir. la forma en que aparece en la escuela necesita una mayor importancia ya que este se limita a los momentos formales establecidos. el trabajo. Por la rotación de maestros constante. es inconcebible que este debe impregnar todas las áreas de la vida escolar.6 pedagógico.

MMC.Tempo Escola. TE. TC.Projeto Político Pedagógico. PPP.Programa Nacional de Educação em Áreas de Reforma Agrária. SED-SC – Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina. ACT. CPT.Associação Brasileira Estudantes de Engenharia Rural.Movimento dos Pequenos Agricultores. INCRA. PRV.Conselho Indigenista Missionário. MSP.Comissão Pastoral da Terra EMATER/RS.Pastoral da Juventude Rural.Grupo Orgânico. MAB. CIMI.Movimento de Mulheres Camponesas.Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.Pastoreio Racional Voizin. MST. MPA.Associação Sulina de Crédito Rural do Rio Grande do Sul. CADCR. NB. PRONERA.Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.Tempo comunidade .Sistema de Criação ao Ar Livre.Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil GO.Admissão por Contrato Temporário.Movimento Atingidos Por Barragens.Núcleo de Base. SISCAL. ATER_ Assistência Técnica e Extensão Rural.Movimentos Sociais Populares.Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul FEAB.Centro de Apoio e Desenvolvimento Comunitário Rural. ASCAR/RS.7 LISTA DE SIGLAS ABEEF. PJR.

...................................................Agroecologia no MST e a formação técnica ... 28 1............................................................ 59 3............................ ..... 2 – Unidade teoria e prática para a educação emancipatória ................................... 1 – O trabalho e a formação humana....... 45 2..................................................................... 32 II CAPÍTULO – A FORMAÇÃO EM AGROECOLOGIA NO MST E A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO TÉCNICO EM AGROECOLOGIA............................. 89 3....................................8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .....................1 – Agroecologia e o processo de formação humana ....................... 43 2........... 9 I CAPÍTULO – A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA EDUCAÇÃO ............................................ 115 Referências ...................................................................... 3 – Unidade teoria e prática na educação escolar .............5 – O desafio da Escola 25 de Maio na formação do Técnico em Agroecologia ......................................................2...............4 – A realidade do Curso Técnico em Agroecologia na Escola 25 de Maio .................................................. 124 ANEXOS ...................3. 22 1...................A relação da teoria e prática na Escola 25 de Maio ..... 21 1...................... 99 3........................................ 110 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS .. 130 .......................................

no estado de Santa Catarina. tem um vínculo orgânico com o MST. de sua prática. na oferta de uma formação que contemple a totalidade do ser humano. trabalho manual e trabalho intelectual. e. 2013. à rede estadual de educação de Santa Catarina. escolhi. de modo que possam se apropriar dos elementos técnicos vinculados aos elementos políticos. Em outras palavras. A formação do Técnico em Agroecologia. como unidade dialética necessária à formação do Técnico em Agroecologia. é muito discutida nesse Movimento. mas. realizar a articulação teórico-prática. A Escola 25 de Maio. que oferece a formação técnica em Agroecologia integrada ao Ensino Médio. A educação ligada ao mundo do trabalho não pode ficar alheia às exigências complexas dos processos produtivos e a ação educativa deve refletir sobre estas questões selecionando conteúdos vinculados ao mundo do trabalho e acompanhando experiências de trabalho educativo. por um lado. como tema. não só no sentido estritamente técnico. em particular nos setores de Educação e Produção. em suas diferentes instâncias. às escolas de formação técnica para avançar. tendo o trabalho como princípio educativo além de instrumento didático pedagógico para auxiliar no aprendizado. no município de Fraiburgo. O trabalho torna-se. Como militante do MST e no sentido de poder colaborar na qualificação desse debate. necessidades de aprendizagem. vinculada ao MST. p. na Escola 25 de Maio. que está localizada no Assentamento Vitória da Conquista. 7-8). vincula-se. a articulação da teoria com a prática. também um recurso pedagógico ao provocar. por outro lado. Esta pesquisa. ou ainda. principalmente. A problemática da formação técnica está presente nas discussões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).9 INTRODUÇÃO A pesquisa aqui apresentada aborda a formação teórico-prática a partir da relação entre trabalho e educação. e. A discussão que o MST está fazendo está relacionada a esta formação de técnicos em Agroecologia. em particular a sua abordagem acima especificada. bem como pela sua condição de construtor das relações de classe (PPP. de modo especial. No seu Projeto Político Pedagógico (PPP) ela incorpora o vínculo da teoria com a prática. ou do trabalho manual com trabalho intelectual. justifica-se pela contribuição que poderá oferecer às escolas do campo de modo geral. através. na formação do Técnico em Agroecologia. a questão é: como a Escola poderá formar .

Nessa concepção. percebia-se. com capacidade técnica e compromisso político para atuar junto aos camponeses e contribuir. Trata-se. no caso de uma formação omnilateral. como na organização dos camponeses. Mas. a partir daí. . no sentido da práxis. Pode-se também perceber no trabalho desses técnicos a dificuldade em relacionar a atividade prática relacionada à assistência técnica com o conhecimento político-organizativo. tem um discurso político sobre agroecologia bastante avançado. podem ser formuladas novas questões como: é possível numa sociedade de classes. moral. Mas. ao mesmo tempo. como um dos seus princípios. a formação técnica pensada pelo MST procura aliar os elementos técnicos aos elementos políticos. ou seja. que separa o trabalho manual do intelectual e que produz uma educação escolar divorciada do processo produtivo. etc. o trabalho deixa de ser uma atividade puramente prática para se converter em atividade teórico-prática. mas por outro lado. Este poderia ser um caminho estratégico em contraposição ao agronegócio. apesar disso. pela convivência como agricultor assentado. prática e teoria que. tanto no aumento da produção de base agroecológica. de uma educação que articula a teoria com a prática. fazer e pensar.10 este Técnico em Agroecologia. assim como de técnicos egressos dessa escola que foram assentados. É esta unidade dialética. enquanto classe. Nesse sentido. no sentido de uma melhor compreensão da unidade do conhecimento prático com o conhecimento teórico. sustenta a ação educativa da escola. como instrumento na luta pela construção de uma sociedade em que a divisão de classes possa ser superada. espiritual. para a construção do paradigma da Agroecologia. muitas vezes acompanhando-os no trabalho junto aos agricultores. que a escola deverá trabalhar a formação omnilateral do ser humano. tanto prático como teórico. e. portanto. e como liderança do MST. É uma atividade em que se articulam o pensar e o fazer como uma unidade dialética. nas reuniões de planejamento das atividades que iriam desenvolver. formação nas dimensões física. A práxis é inerente à formação do ser humano omnilateral. Esta formação segundo Marx (2001) só se torna possível a partir da união da educação com o trabalho. com alguns dos técnicos em agroecologia egressos. aliar a teoria à prática como uma unidade dialética? Ou ainda: formar simultaneamente para o trabalho manual e o trabalho intelectual? E como fazer isso na prática do cotidiano escolar? O MST tem. a existência de um conhecimento superficial a respeito das técnicas agroecológicas. para a luta pela construção do paradigma da agroecologia em contraposição ao paradigma do agronegócio. artística.

mas também com capacidade técnica e política de contribuir na construção de processos de mudança social e cultural do camponês. a Educação do Campo se articula à luta pela Reforma Agrária. mecanização e redução do custo de manejo com a promessa de acabar com a fome no mundo. que lutam pela terra de trabalho no/do campo. A partir da compreensão do trabalho como princípio educativo e da forma pedagógica de estabelecer a relação entre a teoria e prática. mecanização. unificados na Via Campesina1 de forma geral. grandes extensões de terra – conjugado ao difusionismo tecnológico. incidindo sobre a produção agropecuária. organizando-se de forma solidária para definir alternativas de defesa deste trabalho. 685). 2 “A “revolução verde” foi concebida como um pacote tecnológico – insumos químicos. para que a Educação do Campo possa cumprir com esta função é necessário trabalhar a formação do ser humano em todas as suas dimensões.11 O objetivo da Educação do Campo projetada pelos movimentos sociais populares do campo. é que esta pode contribuir no avanço da formação técnica. uma educação omnilateral em oposição à educação unilateral do liberalismo. A escolha do tema – articulação teoria e prática na educação escolar. e da sociedade humana que o exige. irrigação. e por um projeto popular de sociedade. bem como a uma base ideológica de valorização do progresso” (PEREIRA. Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB). com a terra para os que nela trabalham e vivem deste trabalho. segundo Marx e Engels (1978). Movimento das Mulheres Camponesas (MMC). no sentido de formar técnicos. não só comprometidos com os Movimentos Sociais Populares (MSP). Por isso. . Mas. Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e Pescadores e Pescadoras Artesanais. 2012. que penso seja socialista. de modo que possam contribuir com os camponeses para a construção de processos agroecológicos de 1 Via Campesina é uma organização social do campo formado pelo Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). p. E. Em outras palavras: contribuir na construção de processos de conversão da agricultura oriunda da “revolução verde” 2 para a agricultura com base orgânica. tendo o trabalho como mediação na formação do técnico em Agroecologia – se deu em virtude da necessidade da formação de técnicos agrícolas com capacidade teórico-prática. ainda. Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB). é a compreensão articulada à prática da educação como instrumento de emancipação humana. e de modo particular pelo MST. preservando e respeitando a natureza e compreendendo o homem como parte da natureza. Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Este era um amplo programa idealizado pelo capital para aumentar a produção agrícola no mundo por meio da introdução de melhorias genéticas em sementes. Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF). Mônica. sementes de laboratório. Comissão Pastoral da Terra (CPT). Pastoral da Juventude Rural (PJR). trabalho manual e trabalho intelectual na educação escolar. ou seja. uso intensivo de insumos industriais (agrotóxicos).

Esta proposta está fundamentada em documentos do MST. 10) auto-organização dos/das educandos. A definição do Brasil. tratando-se. está associada ao poder. 674). o setor de distribuição e serviços e o setor bancário. pretende contribuir para que as sociedades possam redirecionar o curso alterado da coevolução social e ecológica. 12) atitude e habilidades de pesquisa. as tecnologias associadas a esta produção. Os objetivos que deixam esta afirmação mais clara constam nos princípios filosóficos e organizativos das escolas do MST5. 2009. 6) vínculo orgânico entre processos educativos e processos políticos. no plano econômico nacional e internacional. à importância e fortuna dos empresários do agronegócio. responsável pelo financiamento da produção. Com isso. que decorre de uma formação técnica aliada à formação humanista (GRAMSCI. em contraposição ao paradigma hegemônico do agronegócio. SILVEIRA.). gera pequena quantidade de postos de trabalho. 5 Princípios filosóficos: 1) educação para a transformação social. a formação do técnico deve contribuir na luta pela transformação não só do campo. colheitadeiras. ou seja. a produção agrícola. A formação exigida pelos MSP do campo é no sentido da formação unitária. constitui-se em um campo do conhecimento científico que. ceifadeiras. no sentido de capacitar seus educandos técnica e politicamente para contribuir na construção da Agroecologia como paradigma de desenvolvimento do campo. 11) criação de coletivos pedagógicos e formação permanente dos educadores/das educadoras.12 produção. 5) educação para o trabalho e pelo trabalho. 1999. Em outras palavras. 2) combinação metodológica entre processos de ensino e de capacitação. 4). Princípios pedagógicos: 1) relação entre prática e teoria. p 04). nas suas mais diferentes inter-relações e mútua influência (CAPORAL. p. 4 Consiste o agronegócio numa articulação empresarial voltada à exportação de produtos primários. partindo de um enfoque holístico e de uma abordagem sistêmica. como também. 4) educação com/para valores humanistas e socialistas. explica-se pelo fato de ela estar organicamente vinculada ao MST. 9) gestão democrática. 3) educação voltada para as várias dimensões da pessoa humana. a industrialização dos produtos. etc. mas de toda sociedade. A Escola 25 de Maio tem. 3 Agroecologia. .4). como produtor e exportador de produtos primários. como objeto de minha pesquisa. na construção de uma sociedade sem classes. e 13) combinação entre processos pedagógicos coletivos e individuais (MST. principalmente. em que foram definidas as linhas políticas para a construção da Agroecologia 3 . grandes proprietários de terras que se articulam com o sistema financeiro tanto para financiar a produção quanto para aplicar lucros no mercado de ações (RIBEIRO. em que seja superada a dicotomia trabalho manual e trabalho intelectual. é um agente para as mudanças sociais e ecológicas complexas que necessitam ocorrer no futuro a fim de levar a agricultura para uma base verdadeiramente sustentável (BALEM. Portanto. 8) vínculo orgânico entre educação e cultura. a formação omnilateral do técnico em Agroecologia. 3) a realidade como base da produção do conhecimento. de minérios e gêneros agrícolas que são produzidos em larga escala e comercializados no Brasil e no exterior. ou que agregam pequena parcela de tecnologia. 2013. e 5) educação como um processo permanente de formação/transformação humana. Envolve o setor de máquinas (tratores. 2) educação para o trabalho e a cooperação. a escolha da Escola 25 de Maio. 2002. p. 1982). como paradigma de desenvolvimento do campo em contraposição ao agronegócio4. 4) conteúdos formativos socialmente úteis. por objetivo. 7) vínculo orgânico entre processos educativos e processos econômicos. p. mais do que simplesmente tratar sobre o manejo ecologicamente responsável dos recursos naturais. Agroecologia é o estudo de processos econômicos e de agroecossistemas.

estão presentes os ideais da pedagogia socialista.1999) se forma o ser humano. Na Escola 25 de Maio. Ou seja. Formação esta que possibilite ao estudante compreender não só a Agroecologia. pois no ato de trabalhar. segundo Mohr e Ribas (2010. de forma geral e. pode-se perceber como se faz necessário formar técnicos agrícolas que não só se capacitem. 2). E é na escola que o estudante deve aprender estes conhecimentos técnicos científicos e articulando-os com seus conhecimentos empírico-populares enquanto filho de camponeses. significa a mudança do paradigma de desenvolvimento do campo. e excluindo. é fundamental. em particular pelo MST. Na luta pela mudança do paradigma de desenvolvimento do campo. A articulação entre conhecimento o científico e o conhecimento empírico-popular vai se dando. na obra citada. Penso que apreender este conhecimento é fundamental para o técnico que pretende atuar junto aos camponeses. afetando o clima. mas também politicamente para poderem contribuir na intervenção da complexa realidade do campo. A formação que as escolas vinculadas ao MST pretendem oferecer às pessoas que vivem nos assentamentos é a formação omnilateral. de Makarenko (s/d) e Pistrak (2000). Compreendendo a importância do trabalho como práxis social na vida do ser humano é que as escolas ligadas ao MST incorporam o trabalho nos seus objetivos pedagógicos. mas na práxis social. de renda. A relação dialética entre o ato do fazer. durante milhões de anos. a construção de uma matriz produtiva com tecnologias de base agroecológicas. ou se formem tecnicamente. sejam eles assentados ou não. Pois. mas também a agricultura convencional e como este modelo contribui para o desequilíbrio da natureza. sendo concentrador da terra. Práxis social aqui é entendida como trabalho. como afirmado antes. cada vez mais. foi assim que. É nesse intuito que o MST luta por escolas de forma geral e. empreendida pelos MSP do campo. p. Novo. aqui. é que se mesclam a teoria com a prática. acima de tudo. a flora e a fauna. um número maior de camponeses. o ser humano foi se produzindo a partir do trabalho. a educação. por escolas técnicas para formar os sujeitos que vivem nos assentamentos. a . não na teoria. desde o princípio de sua fundação. formação/capacitação fazem parte desta luta. A compreensão de que o educando no seu processo de formação na escola deva incorporar conhecimentos que possam contribuir na construção do novo.13 Na definição de Agroecologia dada por Balem e Silveira. pedagogia esta que considera a organização coletiva e o trabalho como princípios educativos. quando o trabalho é livre. Esta incorporação se dá porque é através das práxis (Engels. mas. em específico.

em base a estas indagações. me despertaram o interesse em estudar para poder contribuir com a Escola. Assim. a meu ver. Passo. analisar a concepção de educação e de formação técnica associadas à formação política. agora. ou interrogações. o ato de pensar sobre o trabalho. de fato. com a formação dos técnicos em Agroecologia. além de refletir sobre os limites e as possibilidades que a Escola apresenta no que concerne à formação técnica em Agroecologia. A esta questão voltaremos adiante no primeiro capítulo. com capacidade para intervir junto à agricultura camponesa. cujo tema é a formação teórico-prática na formação do técnico em Agroecologia. estudos teóricos e trabalhos manuais? E. Para desenvolver esta Dissertação serão apresentados alguns elementos da relação entre trabalho e educação. articulados aos trabalhos práticos desenvolvidos pelos estudantes da Escola 25 de Maio. com o estudo sistematizado nesta Dissertação pretendo estar contribuindo para a formação do técnico militante. Nesse sentido. como articula teoria e prática. Estas. E a partir das questões suscitadas foram formulados os objetivos de modo a definir os caminhos que foram trilhados nesta pesquisa. na discussão sobre a relação trabalho-educação no processo de formação para a emancipação humana. tenho as seguintes indagações: de que forma a Escola 25 de Maio vincula o trabalho à educação? Ou melhor. a práxis social precisa estar presente na educação escolar. por sua vez. ou seja. formulo a seguinte questão de pesquisa: como a escola 25 de Maio articula estudos teóricos e trabalho prático na formação do Técnico em Agroecologia? Estas questões. foi necessário identificar o lugar do trabalho prático efetuado na e pela Escola 25 de Maio. a partir da teoria marxista. neste meu trabalho de pesquisa. à apresentação do problema que dá origem às questões de pesquisa as quais orientam a escrita desta dissertação. como a referida Escola estabelece o vínculo entre o trabalho e educação escolar? Que lugar a escola dá às atividades de trabalhos manuais realizadas pelos estudantes? Ou ainda. objetivos estes que estão direcionados à emancipação humana. são questões que implicam no alcance ou não dos objetivos da educação à qual o MST discute em suas instâncias organizativas. Assim. Para isso. tentarei trazer uma . e com o MST. orientada pelos princípios e métodos do MST.14 prática do trabalho e. considerando que esta Escola pretende formar técnicos em Agroecologia. através da qual me propus a averiguar se os estudos teóricos estão. visando fortalecer a produção agroecológica.

tendo como sujeitos de pesquisa: professores. considerando as relações que se estabelecem entre o fenômeno particular com o geral-universal. Os dados obtidos através de entrevistas. incluindo a luta pela emancipação. tentando captar o fenômeno e como este se manifesta e por ela é manifestado. ao apontar que a essência desta forma de organização injusta. que oferece. Para isso. leituras de documentos produzidos pela Escola 25 de Maio. Daí emerge a pergunta: como é que a união entre o trabalho e a educação poderá contribuir na formação humana em todas suas dimensões. Nesse sentido. o fenômeno não se se deixa conhecer pela aparência. busquei compreender o fenômeno a ser estudado a partir das informações coletadas pela observação in loco. observações. com turmas de estudantes ingressados nos anos de 2012 e 2013. com o qual a escola tem vínculo orgânico. também. A pesquisa que fundamenta a Dissertação foi desenvolvida na Escola de Educação Básica 25 de Maio. portanto. o que exigiu uma análise capaz de ir além das aparências. durante determinado tempo. ou seja. foram analisados com base no referencial do materialismo histórico-dialético. Segundo Marx (2006) o concreto é concreto por que expressa as múltiplas relações que o determinam. mas pela essência que é ocultada na sua aparência por um invólucro produzido pela divisão do trabalho na sociedade de classes. se mostra como aparência. a sociedade de classes sociais em contradição e que. estudantes. que é histórica. no curso Técnico em Agroecologia. leituras de documentos.15 visão histórica de como esta relação foi se distanciando do mundo da produção. E. partindo do empírico (abstrato) para o concreto (apropriação do concreto em nossa mente). pelas entrevistas. se contrapõem. também. onde o real se apreende a partir da análise do fenômeno. adotou-se uma metodologia de caráter predominantemente qualitativo. integrantes do Conselho Escolar. pais de alunos e lideranças locais do MST. para isso. Kosik (1976) aprofunda esta questão proposta por Marx. com isso. ocultando a real exploração/expropriação da classe trabalhadora e. na obra citada. situada em Fraiburgo/SC. a formação técnica em Agroecologia. dificulta a percepção da sociedade que não é como se mostra. Ou seja. mais especificamente. para chegar à essência do fenômeno torna-se . na medida em que os seres humanos iam organizando a produção de modo a organizar. para penetrar na essência. quando estamos imersos nesta sociedade de classes? Esta é a questão que orientou o estudo aqui desenvolvido sobre a formação do Técnico em Agroecologia efetuado pela Escola 25 de Maio.

e. Além dos estudantes. pais de alunos. Para as entrevistas foi usado um roteiro com perguntas semiestruturadas. através de visitas à Escola. na relação ensino e trabalho Em relação à pesquisa documental procurei ler documentos produzidos pela Escola 25 de Maio tais como: atas do Conselho Escolar desde a criação da Escola 25 de Maio. vem se configurando na educação. Na pesquisa bibliográfica realizei leituras de livros. as perguntas construídas para a entrevista com professores. Assim. ou seja. que sustenta esta abordagem substancialmente qualitativa. em primeiro lugar. concelho escolar e alunos eram diferentes umas das outras. num universo de oito professores. três professores que trabalham disciplinas da área técnica. revistas. ou seja. assim como um representante do Conselho Escolar e uma liderança regional do MST. buscando compreender como que. Para cada categoria de entrevistados foi utilizado diferenciado. Para realização deste estudo foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica. o Projeto Político Pedagógico. A pesquisa de campo foi realizada a partir de entrevistas e observações in loco. A escolha do roteiro de entrevistas foi formulada de forma que pudessem fornecer informações necessárias para responder a questão central da questão de pesquisa. Para que pudesse apreender todos os significados das respostas as entrevistas foram gravadas e transcritas na integra. o planejamento anual de 2013 e 2014 que cada um dos professores elaborou em suas áreas de atuação. Ou seja. em segundo lugar. do trabalho manual e trabalho intelectual. e pesquisa de campo. entrevistei quatro professores. Este método é o materialismo histórico dialético. entrevistei sete. historicamente. três ingressos no ano de 2012 e quatro ingressos no ano de 2013. . só é possível conhecer verdadeiramente os fenômenos sociais.16 necessário. na educação escolar. Já as observações foram feitas em três momentos. assim como pesquisei em sítios da rede mundial de comunicação. artigos. com a forma como a sociedade se organiza para produzir a vida. dissertações de mestrado. o tema da relação teoria e prática. teses de doutorado. em específico. buscar as relações que se estabelecem entre o fenômeno a ser conhecido como totalidade. não se pode analisar o fenômeno em si desconsiderando as relações internas e externas que o fazem ser tal como é. As entrevistas foram assim distribuídas: além do diretor. de forma geral. ou as disciplinas que desenvolvem. que somam quase uma centena. pesquisa documental. sobretudo. quando se utiliza um método e uma abordagem que vão para além das aparências. Num universo de vinte e quatro estudantes. incluindo o diretor. E.

o trabalho aparecia. em sala de aula.  Como que o princípio da Escola.  Como se processava o vínculo das disciplinas técnicas em relação às disciplinas do Ensino Médio. no planejamento do professor.  Como é que o processo de planejamento das atividades da escola. ou eram só algumas disciplinas que trabalhavam esta relação. ou seja.  Se havia ou não a articulação da teoria e prática na escola como um todo. no seu trabalho pedagógico. b) Em relação ao trabalho prático realizado pelos estudantes: conforme os princípios da educação das escolas vinculadas ao MST os estudantes realizam . As visitas aconteceram no mês de agosto de 2013.  Quais os procedimentos didáticos metodológicos que o/a professor/a utilizava nas atividades pedagógicas. era abordado em sala de aula.  Como se dava o processo de interação entre o/a professor/a e os estudantes em sala de aula. de fato.17 perfazendo um total de vinte e sete dias. o trabalho prático realizado pelos estudantes. existia. Nas visitas foram observados os seguintes aspectos: a) Em relação às aulas ministradas pelos professores:  Abordagem dos aspectos pedagógicos dos conteúdos do currículo.  Como que o professor estabelecia o vínculo da teoria com o trabalho concreto. A primeira e a segunda visita foram de dez dias cada uma e a terceira visita foi de sete dias.  Se. seja em sala de aula ou no trabalho de campo. uma relação dos conteúdos teóricos com os trabalhos práticos realizados pelos alunos.  Como aparecia o vínculo entre teoria e prática nas disciplinas técnicas e nas disciplinas teóricas do Ensino Médio.  Como que se mostrava a relação teoria e prática no trabalho escolar. como se processou a articulação entre teoria e prática no trabalho do/a professor/a.  Como que o/a professor/a abordava. abril de 2014 e outubro de 2014. ou seja. enquanto articulação teoria e prática. realizado pelos alunos. além da abordagem didática.

 E como estes coletivos compreendiam esta relação. observado. Este método consiste em compreender o fenômeno a ser estudado a partir das determinações e relações que se estabelecem entre este com o todo do processo.  O Conselho Escolar era ou não parte constitutiva da Escola. se a Escola 25 de Maio aplicava este princípio em relação aos trabalhos práticos:  Estudantes se envolviam na limpeza do ambiente de convivência. sala de aula. ou seja. determinações e relações existentes entre trabalho e educação que ocorrem na escola a ser estudada. cuidar dos animais. Para análise dos dados e informações coletadas buscarei utilizar o método dialético. em relação ao que se estabelece entre trabalho e educação na sociedade burguesa. d) Em relação à organização da Escola 25 de Maio:  Se a forma de organização do trabalho escolar era condizente com o projeto político pedagógico da Escola.  Como que os estudantes percebiam este trabalho..  Como que se mostrava a relação teoria e prática na organização Escola. durante a observação foi anotado tudo o que dizia respeito aos aspectos acima descritos. ou nos encontros destes Núcleos. alojamento.  Como este Conselho era percebido por estudantes e professores/as. Este registro foi efetuado durante o processo de observação. então. assim como eram feitas reflexões em torno do observado. Para registrar os dados coletados através da observação.  Como que os estudantes aplicavam a relação teoria e prática nos espaços de sua auto-organização. refeitório. recolher o lixo. como Núcleos de Base (NB). ou seja.18 trabalhos práticos. do que era observado. etc. c) Em relação ao coletivo de professores e grupo orgânico da Escola:  Como era abordada a relação teoria e prática no coletivo de professores e no grupo orgânico.  Este trabalho expressava vínculo com a formação procurada pela escola. . Ou seja. utilizei um caderno de campo para anotar as percepções dos fatos. Foi.

e emancipação. o fenômeno não se se deixa conhecer pela aparência. onde o real se apreende a partir da análise do fenômeno. o método dialético se caracteriza pela “contextualização do problema a ser pesquisado. Ou seja. totalidade e contradição foram categorias que acompanharam todo processo de análise dos dados. educação. p. foram analisados com base no referencial do materialismo histórico-dialético. Podendo efetivar-se mediante respostas às questões: quem faz pesquisa. também foi possível utilizar categorias simples do conteúdo. alienação. partindo do empírico (abstrato) para o concreto (apropriação do concreto em nossa mente). o método dialético requer que o objeto de pesquisa seja analisado dentro do contexto histórico político-social. Nesse sentido. 01). Segundo Marx (2006) o concreto é concreto por que expressa as múltiplas relações que o determinam. conforme o tema investigado. Kosik (1976) aprofunda esta questão proposta por Marx. onde e para que?” (WACHOWICZ. tentando captar o fenômeno e como este se manifesta e . dificulta a percepção da sociedade que não é como se mostra. Os dados obtidos através de entrevistas. materiais. observações. pois a compreensão do objeto deverá contar com a totalidade do processo. ocultando a real exploração/expropriação da classe trabalhadora e. em que está inserido. quando. (WACHOWICZ. leituras de documentos. Segundo a mesma autora. mas pela essência que é ocultada na sua aparência por um invólucro produzido pela divisão do trabalho na sociedade de classes. na obra citada. Além dessas categorias metodológicas da dialética. considerando as relações que se estabelecem entre o fenômeno particular com o geral-universal. informações coletadas acerca do fenômeno. ao apontar que a essência desta forma de organização injusta. práxis. o que significa encontrar as determinações que o fazem ser o que é. 2001. na linha da intencionalidade do estudo. Nesse sentido. busquei compreender o fenômeno a ser estudado a partir das informações coletadas pela observação in loco. que é histórica. leituras de documentos produzidos pela Escola 25 de Maio. com isso. Tais determinações têm que ser tomadas pelas suas relações. se mostra como aparência. historicismo. Nesse sentido. que é estabelecer as bases teóricas para sua transformação. 2001). Por isso utilizei as categorias trabalho. pelas entrevistas.19 O ponto de partida para o método dialético na pesquisa é a análise crítica do objeto a ser pesquisado.

Por último nas considerações finais a partir do estudo realizado. Ainda nesse capitulo caracterizo a Escola 25 de Maio como uma escola que por um lado está vinculada ao MST. com a forma como a sociedade se organiza para produzir a vida. A relação entre a formação humana e a Agroecologia será o tema do segundo capítulo. Para responder a questão central da pesquisa nos levou a organizar a presente dissertação em três capítulos. quando se utiliza um método e uma abordagem que vão para além das aparências. para chegar à essência do fenômeno torna-se necessário. em primeiro lugar. em segundo lugar. abordo a unidade entre teoria e prática na formação do Técnico em Agroecologia que é feita pela Escola acima identificada.20 por ela é manifestado. situada em Fraiburgo. que sustenta esta abordagem substancialmente qualitativa. considerando a unidade teoria e prática na educação emancipatória e como esta unidade pode ser possível ou não. trago a história da luta para a conquista desta Escola. ou seja. das análises feitas tecemos algumas considerações sobre quais questões ainda permanecem que precisam ser aprofundadas e quais as contribuições que ficam para o MST apontamos os limites e as possibilidades dessa escola para avanço na formação do técnico em agroecologia. mais propriamente. o que exigiu uma análise capaz de ir além das aparências. Assim. a formação do Técnico em Agroecologia. Para isso. no qual aprofundarei esta questão ao incluir a educação desenvolvida pela Escola 25 de Maio. e por outro lado a Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina SED-SC. E. não se pode analisar o fenômeno em si desconsiderando as relações internas e externas que o fazem ser tal como é. . como espaço de uma formação de técnicos em Agroecologia demandada pelo MST. Ainda nesse capítulo apresento a análise que vai responder a pergunta inicial da questão da pesquisa. No primeiro capítulo abordo a relação teoria e prática na educação. buscar as relações que se estabelecem entre o fenômeno a ser conhecido como totalidade. tendo por base o processo histórico que aponta o vínculo teórico prático na formação humana. no estado de Santa Catarina. No terceiro capítulo. ao qual estão vinculados os estudantes. Este método é o materialismo histórico dialético. E. para isso. só é possível conhecer verdadeiramente os fenômenos sociais. na educação escolar. para penetrar na essência. ou seja.

Makarenko. buscarei na história da formação da sociedade humana como o trabalho se constitui no elemento central na formação/educação do ser humano.21 I CAPÍTULO – A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA EDUCAÇÃO O objetivo central desse capitulo é compreender a relação da teoria e prática na educação de forma geral e em particular na educação escolar. Moacir Gadotti. Nesse sentido teoria e prática se encontrava em unidade. entre outros. Essa divisão é fruto da divisão da sociedade em classes sociais. Na segunda parte será discutido o trabalho como elemento que possibilita a educação . formador e deformador. Antônio Gramsci. Anton S. Para compreender esta relação buscarei a fundamentação. acrescento: Moisey M. pois ele não estava dividido. porque nele estava a possibilidade de essencialmente formadora. e principalmente sob o modo capitalista o trabalho (Marx 1968) o trabalho aparece dividido sob a forma de trabalho manual e trabalho intelectual. nos possibilita entender que ele pode ser formador e deformador. Friedrich Engels. Nessa abordagem será visto como o trabalho de pura positividade na sociedade sem classe social passa a ter um duplo caráter de positividade e negatividade. Célia Vendramini. sob a sociedade de classes. entre outros. E para compreender a relação entre trabalho agrícola e educação escolar. Gaudêncio Frigotto. Compreender que o trabalho. Se o trabalho foi essencial na formação humana na sociedade sem classes sociais. diga-se sociedade capitalista. assume esse duplo caráter. Marlene Ribeiro. principalmente. Ivo Tonet. As questões apresentadas nesse capitulo se constituem no referencial teórico pelo qual está embasada esta dissertação. Mario Alighiero Manacorda. Já sob a sociedade de classes. Questões que procuram compreender o trabalho como fator fundamental na formação do ser humano no processo histórico de sua existência. nas obras de: Karl Marx. István Mészáros. Nesse sentido este capitulo na primeira parte abordará o trabalho como princípio formativo/educativo do ser humano no processo histórico da formação da sociedade. Para isso. Pistrak. Nessa sociedade o trabalho também assume um duplo caráter de positividade e negatividade. Acácia Kuenzer. Demerval Saviani.

Então. 202) trabalho é: (.) um processo de que participam homem e a natureza. Se o trabalho é uma eterna necessidade humana de produzir coisas para atender as necessidades por ele criadas. O conceito de trabalho. ou seja. produzindo coisas úteis para satisfazer suas necessidades. como o trabalho poderá ser elemento que une teoria e prática na formação/educação no sentido emancipatório do ser humano. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Ou seja. pode-se dizer que existe uma relação de origem entre trabalho e educação. ou trabalho manual e . assim a compreensão do que é o trabalho como princípio educativo e o trabalho como princípio pedagógico e como este aparece na educação escolar será abordado na terceira e última parte. até certo ponto. Nesse sentido. Trabalho este compreendido como a unidade dialética teoria e prática.22 emancipatória. p. é a ação do ser humano sobre a natureza para transformar esta natureza em coisas úteis de modo a satisfazer suas necessidades. Ou ainda. 05): “É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. Processo em que o ser humano com sua própria ação. impulsiona. A questão da unidade da teoria e prática na educação escolar tendo o trabalho como princípio educativo. imprimindo-lhe forma útil à vida humana. Se é possível sob a sociedade de classes onde o trabalho aparece dividido este ser elemento que contribui para a formação/educação que contribua com a emancipação humana. Ou ainda. Nesse sentido dá para dizer que o trabalho cria/recria o próprio homem. braços e pernas. o ser humano foi se educando no processo do trabalho. foi atuando sobre a natureza. foi trabalhando que o homem se educou e se humanizou. segundo a acepção marxista. ao modificar a natureza para a produção de coisas para satisfazer a necessidade do homem. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo. conforme Engels (1999. podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem”. permite ao ser humano se criar/recriar continuamente como humano. 1.. Dito de outra forma. nas palavras de Marx (1968. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. cabeça e mãos. 1 – O trabalho e a formação humana. E em tal grau que. p. regula e controla seu intercambio material com a natureza. Desenvolve as potencialidades nela adormecidas e submete ao seu domínio o jogo das forças naturais.. a fim de apropriar-se dos recursos da natureza. também produz modificações nele próprio. O trabalho.

continua se educando no e pelo trabalho. é preciso pesquisar sobre como a sociedade foi se constituindo. para produzir a sua existência. Isto quer dizer. ou seja. O conhecimento perdido sobre o processo de produção por parte dos trabalhadores parciais se concentra no capital. É um produto da divisão manufatureira do trabalho se opor-lhes as forças intelectuais do processo material de produção como propriedade alheia e poder que os domina. a classe que vive do trabalho. que perpassa desde a sociedade escravista. entre trabalho manual e intelectual. que separa do trabalho a ciência como potência autônoma de produção e a força a servir ao capital (MARX. depois também se expressa numa divisão internacional do trabalho. Para efetivação da divisão do trabalho. entre proprietários dos meios de produção e não proprietários. Esta divisão da sociedade em classes condiciona a divisão do trabalho. ou melhor. criou o próprio homem e no processo histórico da existência humana foi se transformando em algo que levou e leva o ser humano à desumanização. com o qual se confrontam. Neste processo vão se constituindo as classes sociais que. depois. feudal e burguesa. para que a divisão do trabalho pudesse se consumar era preciso separar os homens . na sua forma de organização. ENGELS 1978. os seres humanos se educavam no e pelo trabalho. Em um determinado momento histórico a sociedade se divide em classes sociais. a não proprietária. compreender como os seres humanos foram organizando o processo produtivo e estabelecendo relações entre si e com a natureza. pensar e fazer. dão origem à divisão social do trabalho. na sua origem. até o modo de produção feudal. É nessa compreensão que trabalho e educação nascem juntos. viver sem trabalhar com isso cria para si um espaço próprio para se educar chamada de escola. A divisão da sociedade em classes e a consequente divisão do trabalho é que possibilita aos proprietários dos meios de produção. conceber e aplicar. O processo desenvolve-se na manufatura. A divisão do trabalho que se inicia com a divisão sexual do trabalho. que mutila o trabalhador. Na sociedade primitiva em que não havia divisão de classes e nem divisão social e técnica do trabalho.23 trabalho intelectual. como o trabalho que. Ele se completa na grande indústria. com a geração de excedentes a divisão ocorre entre aqueles que gestam/administram e aqueles que realizam o trabalho manual. Esse processo de dissociação começa na cooperação simples. em que o capitalista representa em face dos trabalhadores individuais a unidade e a vontade do corpo social de trabalho. 283-284). p. Para compreender como o trabalho foi se configurando no processo histórico da existência humana. Por outro lado. convertendo-o em parcial.

83): A divisão do trabalho condiciona a divisão da sociedade em classes e. separar o trabalho intelectual do manual. Ou seja. são essencialmente as do trabalhador manual. o camponês e o artesão em trabalhadores livres – livres sob todos os aspectos. cada uma das quais é unilateral. afirma Manacorda (2010. O modo capitalista de produção revolucionou as relações de produção. a divisão da sociedade em classes. A divisão do trabalho só surge efetivamente a partir do momento em que se opera uma divisão entre o trabalho material e intelectual. com isso. transformando. com ela. condicionada pela divisão do trabalho. e as do intelectual. operário. Nesse sentido. que representa a de fato qualquer coisa sem representar algo de real (MARX. p. primeiro com a manufatura e depois sob a grande indústria.24 entre os que pensam o processo produtivo e os que o fazem acontecer. O aumento da divisão do trabalho propiciou a cooperação no processo de produção. a consciência pode supor-se algo mais do que a consciência da prática existente. Esta nova forma de organização do processo produtivo aumenta a produtividade do trabalho. assim como produz o homem dividido. Isso porque a divisão social do trabalho e a incorporação da mecanização no processo produtivo necessitam da cooperação. a divisão do trabalho em manual e intelectual produz um ser humano parcial que não consegue mais compreender o todo. do pensar e do fazer. Isto quer dizer que este perde o conhecimento sobre o todo do . libertando o servo da terra. em itálico no original). a invenção das máquinas proporcionou um aumento extraordinário de industrialização e isto condicionou a um aumento da divisão do trabalho. e como esta se torna verdadeiramente tal apenas quando se apresenta como divisão entre trabalho manual e trabalho mental. ENGELS. Neste sentido. destruindo as antigas formas de propriedade camponesa. 1978. essa só pode se realizar no momento em que se separa trabalho manual do intelectual. Sendo a divisão da sociedade em classes que condiciona a divisão do trabalho. em última instância. Esta divisão se apresenta como trabalho manual e intelectual. se mostra sob a divisão do trabalho manual e trabalho intelectual transformando o trabalhador em trabalhador parcial. A divisão da sociedade em classes sociais. Ou seja. é produto da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. 16. a divisão do homem. Nesse sentido. assim as duas dimensões do homem dividido. tornando-o unilateral. livres da propriedade e livres para vender sua força de trabalho. assim como provocou a destruição das antigas formas artesanais de produção. p. A partir deste momento. Referindo-se à obra de Marx.

e por outro. um trabalho unilateral. O que os trabalhadores parciais perdem. ao mesmo tempo. o trabalho de uso de capacidades espirituais e físicas é transformado em trabalho puramente mecânico. que mutila o trabalhador. O processo desenvolve-se na manufatura. algo alheio a ele. concentra-se no capital com que se confrontam. a acumulação do capital. Ou seja. convertendo-o em trabalhador parcial. 1996. É um produto da divisão manufatureira do trabalho opor-lhes as forças intelectuais do processo material de produção como propriedade alheia e poder que os domina. . Assim. que aumenta na proporção em que a maquinaria utilizada reparte as tarefas produtivas até ao extremo de fazer do trabalhador apenas um apêndice das máquinas. promove e intensifica. transformando o trabalhador em apêndice da máquina. o corpo ara sua execução. uma tortura. ao não compreender o processo de produção o trabalho torna-se algo estranho a ele. Com a introdução da produção mecanizada e a invenção de técnicas de produção exige uma maior divisão do trabalho e. As potências intelectuais da produção ampliam sua escala por um lado porque desaparecem por muitos lados. produzem uma dependência cada vez maior do trabalhador para com o capital (MARX. que. Ele se completa na grande indústria. O trabalho torna-se mais simples e exige cada vez menos uso das capacidades intelectuais do trabalhador. Em outras palavras. cada vez mais. Com o advento da sociedade burguesa o capital não só se apropria do conhecimento historicamente produzido pela humanidade pelo e no trabalho. Ao efetuar esta dupla exploração do conhecimento e do trabalho. Esse processo de dissociação começa na cooperação simples. uma maior divisão de trabalho. condicionando cada vez mais a simplificação do trabalho. p. o trabalho perante os trabalhadores é um sacrifício. como afirmado no parágrafo anterior. Dessa forma exige cada vez menos uso das capacidades intelectuais do trabalhador.25 processo produtivo. as pernas. fadigoso. Em vez de ser a sua autorrealização torna-se algo penoso. que separa do trabalho a ciência como potência autônoma de produção e a força a servir ao capital. Outro elemento que contribui para o aumento da divisão do trabalho é a incorporação de novas técnicas de produção. 475). mas também expropria do trabalhador o produto do seu trabalho. Ou seja. Nesse sentido. em que o capitalista representa em face dos trabalhadores individuais a unidade e a vontade do corpo social de trabalho. Em outras palavras. em vez de trazer satisfação traz insatisfação. simplifica o trabalho. transformando-o em complemento da máquina. o trabalhador parcial não mais consegue compreender o porquê. Nesse sentido. Todas estas condições impostas aos trabalhadores resultam numa maior acumulação de capital. o capital transforma o trabalho em pura atividade corporal em que só se usam os braços. o aumento da divisão do trabalho por um lado. para que e para quem produz.

por um lado. 2006. 2006. sob o modo de produção capitalista o trabalho. agora deforma o ser humano tornando-o apenas um apêndice da máquina. pois o trabalhador não se realiza pelo trabalho. o homem sob a forma de mercadoria. o salário que lhe é pago pelo empresário capitalista serve apenas para que se reproduza enquanto trabalhador e não enquanto ser humano. A mercadoria humana (MARX. a mercadoria humana. Além disso. o pensar do fazer..26 O acúmulo do capital aumenta a divisão do trabalho e a divisão do trabalho aumenta o número de trabalhadores. pelo contrário. Por este motivo. o modo de produção capitalista transforma o trabalho em algo estranho a si próprio. automático. assim como ele se vê diminuído espiritual e fisicamente à condição de uma máquina e se transforma de ser humano em simples atividade abstrata e em abdômen (MARX. para Marx (2006). demasiadamente unilateral.. Todos estes fatores combinados resultam em uma maior acumulação de capital. O capital não só se apropria do conhecimento historicamente produzido pela humanidade pelo e no trabalho. por outro. Nesse sentido. 1999). Ao efetuar esta dupla exploração do conhecimento e do trabalho. condiciona cada vez a uma maior divisão de trabalho. Mas. Assim. pois se ficar desempregado não tem a garantia de sua reprodução como trabalhador e nem como ser humano. O seu produto é a mercadoria autoconsciente e ativa. Nesse sentido: A produção não produz somente o homem como uma forma mercadoria. a acumulação do capital. cria uma dependência deste trabalhador e de sua família em relação ao capital.. o trabalho se torna algo penoso. a teoria da prática. p. O aumento da divisão do trabalho por um lado. que no processo histórico da constituição do homem o humanizou (Engels. Pois. aniquilando-o como humano. além de separar trabalho intelectual e manual. o número crescente de trabalhadores aumenta a divisão do trabalho e a divisão crescente intensifica a acumulação do capital. p 124). e da acumulação do capital. de acordo com tal situação. Este tipo de trabalho (re)produzido pelo modo de produção capitalista que. produz uma dependência cada vez maior do trabalhador para com o capital. 68).. mas também expropria do trabalhador o produto do trabalho. produz ainda a ele como um ser espiritual e fisicamente desumanizado… Imoralidade e deformidade dos trabalhadores e capitalistas. mutuamente. Como resultado da divisão do trabalho. nega ao trabalhador a apropriação do fruto do seu trabalho. e por outro lado. . uma vez que se torna mercadoria. o trabalhador torna-se mesmo mais inteiramente dependente do trabalho e de um tipo de trabalho particular. nega também o direito de ele se reproduzir enquanto humano pelo trabalho.

o trabalhador passa ao trabalho forçado. Com isso. Esta negação causa ao trabalhador uma estranheza em relação ao produto produzido por ele.. o capital também aliena o trabalhador do produto do seu trabalho. também. o trabalho passa a ser um fardo. De produtor de produtos para sua realização ou do trabalho livre. o trabalhador se sente estranho em relação ao produto do seu trabalho. a sua capacidade de (re)criação da realidade. menos pertence a si próprio (MARX.) o trabalhador se relaciona com o produto do seu trabalho como a um objeto estranho. E é esta realidade da separação do trabalhador do produto do seu trabalho que vai determinar a organização da escola na sociedade capitalista. p 112). que não lhe permite a realização enquanto humano.27 Dessa forma. pois se ficar desempregado não tem a garantia a sua reprodução como trabalhador e nem como ser humano. (. que ele cria diante de si. inibindo. Sob esta forma. em relação aos outros homens e em relação a si mesmo. mais pobre ele fica na sua vida interior. o trabalhador passa ao trabalho forçado que não lhe pertence mais. De produtor de produtos para sua realização ou do trabalho livre. pois o produto não lhe pertence. de produtor da sua humanização passa a (re)produzir a sua própria desumanização. inibindo. que ele não mais reconhece como seu. ou educação e trabalho. é claro que quanto mais o trabalhador se esgota a si mesmo. na qual se produz uma educação dualista separando. Com base nesse pressuposto. ao trabalhador produtor de toda riqueza é negado o direito de se apropriar da riqueza por ele produzida. que não lhe permite a realização enquanto humano. Não só é alienado em relação ao produto por ele produzido. de produtor de coisas para satisfazer as necessidades humanas e de autor da realização do ser humano. além de separar trabalho intelectual e manual.. deixando de ser um instrumento de humanização. Isso porque o salário que a empresa capitalista paga ao trabalhador serve para ele se reproduza enquanto trabalhador e não enquanto ser humano. o direito de ele se reproduzir enquanto humano pelo trabalho. cria uma dependência deste trabalhador e de sua família em relação ao capital. nega. a formação intelectual da formação prática. assim. que não lhe pertence mais. Ao produzir o trabalhador sob a forma mercadoria. nega ao trabalhador a apropriação do fruto do seu trabalho. mas também em relação ao processo de produção e aos demais seres humanos com os quais reparte as condições de vida e de (re)produção. voluntário. portanto. portanto. a sua capacidade de (re)criação da . mais poderoso se torna o mundo dos objetos. Ou seja. Além disso. ao processo de produção. voluntário. 2006. Este tipo de trabalho produzido pelo modo de produção capitalista que.

na sociedade capitalista. Isto quer dizer. Com isso. separa e contrapõe as classes sociais. em que a teoria é separada da prática. A educação. o ser humano foi se educando no processo do trabalho. Ou seja. ao processo de produção. Isto quer dizer que o trabalho segundo Marx (1968) apresenta tanto a positividade quanto a negatividade. que antes da divisão do trabalho acontecia no e pelo trabalho no processo de produção. 2 – Unidade teoria e prática para a educação emancipatória A partir do conceito de trabalho elaborado por Marx. de produtor da sua humanização passa a (re)produzir a sua própria desumanização. em relação aos outros homens e em relação a si mesmo. reproduz a sociedade de classes e a divisão do trabalho que se materializa na sociedade burguesa. Nesse sentido sob o modo capitalista de produção o trabalho assume um duplo caráter. Porém. sendo a escola um produto desta sociedade dividida em classes. se afastou do processo original de produção/formação humana. agora. Dessa forma. gerando o trabalho de forma alienada.28 realidade. divisão do trabalho e divisão entre trabalho e educação tem relação direta. e que se reflete na maioria das escolas. Isso porque. formação omnilateral no sentido da emancipação humana. 1. onde se reproduz a separação do trabalho manual do trabalho intelectual. pode-se dizer que existe uma relação de origem entre trabalho e educação. em contraposição à formação unilateral que se dá nas relações de produção capitalista. Além de produtor de valor de uso que segundo Marx (1968) é uma eterna necessidade do ser humano para produção de coisas necessárias para satisfazer suas necessidades para se produzir e reproduzir como humano. Portanto. trabalho e educação nascem juntos. por outro lado enquanto produtor de valor de troca (mercadoria) este se apresenta como deformador do ser humano. trabalho manual e trabalho intelectual. coloca-se a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. ela também reproduz esta sociedade. produz valor de troca. que aparece na escola sob a forma de divisão entre trabalho e educação. e. o trabalhador se sente estranho em relação ao produto do seu trabalho. Portanto teoria e prática. que divide. Ou seja. E este duplo caráter do trabalho por um lado enquanto produtor de valor de uso que ele se apresenta como formador do ser humano. sob a sociedade de classes e o trabalho dividido. .

Sobre esta problemática já se tem produzido diversas teses. A sociedade burguesa sob o modo capitalista de produção ao produzir o trabalhador parcial. necessita de outro espaço para fazer a educação. Isto quer dizer. foi se educando no processo produtivo. a educação também sofre a separação em relação ao trabalho e a teoria em relação à prática. a teoria da prática. torna-se impossível alcançar a emancipação a qual pressupõe a relação dialética entre trabalho-educação como base da formação humana (MARX. trabalho manual e trabalho intelectual. . teoria e prática como uma unidade dialética. do trabalho. mais especificamente com a sociedade burguesa que divide trabalho manual do intelectual. e. como a atual. a si mesmo. Dessa forma. pensar e fazer estão articulados. Se o trabalho é base da educação do ser humano. olhar o desenvolvimento da instituição escolar no processo do desenvolvimento histórico da sociedade humana. a relação trabalho manual e trabalho intelectual. no seu processo de constituição. dissertações. para compreender a escola e como ela determina a educação é preciso historicizar esta escola e olhar as múltiplas determinações que a configuraram. no e pelo trabalho. 1978). que separa trabalho manual e intelectual. partem do pressuposto marxista de que o ser humano produziu-se como humano. também. Os autores que abordam as questões relacionadas ao trabalho como princípio educativo. cada uma tinha um tipo e um espaço privilegiado para a educação. Nesse sentido. novamente. ou seja. pois. nos diversos modos de produção. O modo como a sociedade se organiza para a produção da vida é que condiciona o tipo de educação e o espaço que ela ocupa como principal. e nela se materializa a separação entre a teoria (conhecimento) e a prática (trabalho). o ser humano foi transformando a natureza e transformando. assim como livros. está sendo estudada por diversos pesquisadores críticos da área da educação e também da sociologia. teoria e prática. nos diversos modos de produção. com o surgimento da sociedade dividida em classes. e perceber como ela foi-se constituindo e se distanciando em relação ao mundo do trabalho. ENGELS. se desde a sociedade primitiva. na ação prática de atuar sobre a natureza produzindo coisas para satisfazer suas necessidades. Esta educação se dá fora do processo de trabalho. Nesse sentido no capitalismo a escola torna-se espaço principal de educação. e. Desta forma. que separa o trabalho manual do trabalho intelectual. artigos científicos. que se chama escola. até um dado momento em que ela se reaproxima. o fazer do pensar. trabalho e educação.29 A prática do cotidiano escolar para a educação voltada à formação omnilateral numa sociedade de classes.

O processo de mudança na organização da escola condicionada pela transformação da base material da produção da vida não acontece de forma linear e continuada. conforme o processo de produção da vida do ser humano vai se transformando. 10). a educação vai se condicionando às mudanças nas formas de organização da produção da vida. ou seja. 127). nessas sociedades a educação dava-se de forma principal no e pelo trabalho. a escola passou por profundas mudanças nas formas de organização. Isto quer dizer que a educação. Ou seja. Nesse sentido. assim como nos métodos de ensino e nos conteúdos a serem trabalhados. nessas sociedades só a classe dominante tinha um espaço especifico para a formação das futuras gerações. Nas sociedades de classes que antecederam a sociedade burguesa. Nesse sentido. Nesse sentido. há uma relação dialética entre educação e forma de organização da base material da vida. à classe que vivia sem trabalhar. tanto é condicionada a ser instrumento de manter a forma de organização social para a produção da vida. Segundo Manacorda (2010. A escola desde o seu surgimento no processo histórico de sua constituição. por volta do quarto milênio A. o aprendiz se educava na oficina do artesão junto ao processo produtivo. tanto modificações como permanências. que vivia do trabalho alheio. a origem da escola como espaço específico de educação dos filhos da classe dominante remonta ao antigo Império Egípcio. Já a classe dominada não conhecia este espaço. segundo o mesmo autor. Ou seja. a educação escolar se dava desvinculada do trabalho.C. A classe que vivia do trabalho se educava do processo produtivo. nesse processo há incorporação de elementos novos com a permanência de elementos antigos. . assim. vai passando por transformações a partir das transformações que ocorrem na base material da produção da vida. pois esta educação era destinada à classe dominante que vivia fora do processo produtivo.30 Segundo Manacorda (1989. a educação também vai se modificando para formar o ser humano que a sociedade necessita e. nas sociedades de classes. anteriores à sociedade burguesa. Nos processos de mudança há continuidades com descontinuidades. Ou seja. Isto se pode perceber ao ler a obra de Mario Alighiero Manacorda: A história da Educação: da Antiguidade aos nossos dias (1989). a oposição de classe. Ou seja. ao mesmo tempo. Era no espaço do trabalho onde a grande maioria das pessoas se educava para poder trabalhar e. desde a sua origem até os nossos dias. sobreviver. o filho do artesão. espaço este que foi chamado de escola. quanto ela poderá condicionar a mudança dessa forma em outra forma superior. p. p.

ou formação para o trabalho intelectual ou formação para o trabalho manual. ou ainda. aprofunda-se o divórcio entre o trabalho manual do trabalho intelectual. a superação do trabalho dividido. diferentemente das sociedades de classes anteriores onde a classe dominante vivia do não trabalho. A separação entre trabalho manual e intelectual cria uma escola também dividida entre educação geral para a classe burguesa e educação profissional para a classe trabalhadora. não é só negatividade. 127). começa a surgir com a revolução industrial quando a escola torna-se acessível “para todos”. Superar este dualismo na educação só é possível se for superado na sua totalidade. Marx discute a questão do trabalho em vários dos seus escritos. na sociedade burguesa. Se nas sociedades pré-capitalistas há um profundo divórcio entre educação escolar e educação pelo trabalho. Porém. pois a sociedade emergente passa a necessitar de trabalhadores que tenham um mínimo de conhecimento para poder operar novas tecnologias em constante desenvolvimento. nessa sociedade. o trabalho torna-se necessidade de toda sociedade.31 quanto à educação. começam a se organizar as escolas para o produtor. 2010. Manuscritos Econômicos e Filosóficos (2006). Na sociedade burguesa. em que ele aparece dividido entre manual e intelectual. e com ela. não se dava em torno da escola do trabalho e escola de formação geral. que o germe da educação do futuro está na união entre o trabalho e a educação. ou trabalho alienado. este vínculo se dá de forma abstrata ou de forma prática. quando superada a sociedade de classes. “A escola se coloca frente ao trabalho como não trabalho e o trabalho se coloca frente à escola como não escola” (MANACORDA. trabalhador. dentre os quais pesquisamos para esta Dissertação: Manifesto do Partido Comunista (s/d). O Capital (1968). o trabalho também apresenta aspectos positivos. Ou seja. tendencialmente ensina-se teoria sem prática. A oposição entre escola do trabalho e escola de formação geral. ou escola desinteressada e escola profissional. ou seja. Isso quer dizer que a escola concentra-se na formação de apenas uma das dimensões do ser humano. pois: . p. com a revolução industrial. a prática sem teoria. porém. Isso porque o trabalho historicamente determinado na sociedade burguesa. Ainda segundo Manacorda (2010). a educação escolar se vincula ao trabalho. a escola educa de uma forma unilateral. unilateral. ou o contrário. desumanizador. mas em torno de escola e não escola. produção de miséria física e espiritual. Nesse sentido. Apesar de significar a desumanização completa do homem.

É inerente a sociedade burguesa. segundo Manacorda (2010. 1. divide o trabalho em sua representação assumindo aspectos negativos enquanto alienação. com isso. Nesse sentido torna-se necessário lutar para construir uma outra sociedade que não seja mais dividida em classes. mas sim na compreensão da classe trabalhadora de como o modo capitalista de produção a partir da divisão da sociedade em classes divide o trabalho entre concepção e execução. Pelo fato de conter no trabalho a possibilidade universal de riqueza no trabalhador está contida a possibilidade universal da humanização. A partir disso pode-se afirmar que mesmo no modo de produção capitalista é possível pensar uma educação para além do Capital que possa unir teoria e prática (Mészáros 2010). 68). E que a divisão do trabalho produz seres humanos unilaterais deformando-os. concepção e execução. e por outro lado. deformando o ser humano. educação do conhecimento teórico científico e educação do conhecimento prático. 3 – Unidade teoria e prática na educação escolar Na sociedade burguesa. p. Esta possibilidade não se torna possível realizar no mundo da produção. como forma de unir trabalho manual e trabalho intelectual. produzindo a miséria para os que produzem com o trabalho prático. Dessa forma o trabalho não mais dividido possa assumir seu papel na formação do ser humano emancipado. onde o trabalho aparece dividido entre trabalho manual e trabalho intelectual. ou manifestação de si. O trabalho sob a forma capitalista de organizar a sociedade para produzir a vida divide não só a sociedade em classes. cria-se uma escola em que a educação também se dá de forma dividida entre educação de formação geral e educação profissional. Nesse sentido. pois isto nos permite dizer que o trabalho apesar de desumanizar também tem a possibilidade de humanizar. Compreender esta dupla face do trabalho é mister. desumanizando-os. e. produzindo por um lado a riqueza para os que concebem a produção. a . uma possibilidade universal de riqueza – no trabalhador também está contida também uma possibilidade humana universal”.32 “sendo a atividade vital humana. mas também divide o trabalho em manual e intelectual. O duplo caráter do trabalho apresentado por Marx negatividade-positividade. teoria e prática. ou melhor. Ou seja. conforme Marx. a educação é produto da forma como a sociedade se organiza para produzir a vida.

que determinam a forma de pensar e de agir. a uma maior divisão do trabalho. Isto quer dizer que. portanto.] Tal como os indivíduos manifestam sua vida. Como vimos anteriormente. O primeiro fato a constatar é. Em outras palavras. assim são eles. dessa forma. a organização corporal destes indivíduos e. Nessa visão. os bens materiais. o modo de produção capitalista. Este processo produz a alienação do trabalhador diante do produto do seu trabalho e do processo de produção.33 educação aparece dividida tal qual como a sociedade também aparece dividida. e a educação escolar em particular.. condiciona. Esta divisão transforma o trabalhador em trabalhador parcial. a união da educação ao trabalho é meramente uma questão do aprendizado das técnicas para aumentar a produtividade do trabalho e. é a realidade social em que o ser humano está inserido. O que eles são coincide. como com o modo como produzem. nas empresas. destina-se aos proprietários dos meios de produção a função de pensar a organização do processo de produção e aos não proprietários as funções de execução das tarefas.. ou seja. cada vez mais. a educação escolar reproduz a sociedade dividida entre os que pensam o processo produtivo e os que fazem o trabalho prático. na escola se divide e separa a educação que fornece o conhecimento geral e a educação que forma o profissional pelo conhecimento prático. os que vivem do seu trabalho (ANTUNES. começando pela manufatura e se complexificando sob a grande indústria. O primeiro pressuposto de toda existência humana é naturalmente a existência de indivíduos humanos vivos. torna-se necessário criar escolas que ultrapassem a visão liberal de articular trabalho e educação. ENGELS. para compreender a educação de forma geral. na sociedade capitalista. possibilitando aumentar a produção de mais valia ao capital. [. sua relação dada com o resto da natureza. Pois. p. tanto com o que produzem. 1986. depende das condições materiais de sua produção (MARX. portanto com sua produção. todos direcionados para a reprodução do capital.27-28). por meio disto. assim como a sociedade burguesa divide o trabalho manual e trabalho intelectual. a forma social da organização do trabalho e do processo de produção. é preciso buscar compreender a forma como se realiza o trabalho sob o modo de produção capitalista. . as máquinas e as tecnologias avançadas aplicadas na produção – e os não proprietários. Esta divisão está ligada à divisão da sociedade entre proprietários dos meios de produção – a terra. o trabalhador se integrar ao mercado de trabalho com melhor qualificação. O que os indivíduos são. Nesse sentido. Em outras palavras. sob a forma de estágios. ou seja. 2003). pois. Admitindo que as condições reais de produção determinem a forma de ser e de pensar do ser humano.

mas também pela criação de um marco em que a alienação da força de trabalho é vista como algo natural. e. Isto quer dizer. Nesse sentido. ao contrário. emancipado. ainda. que dividiu aquilo que unido formou o ser humano. só será possível numa sociedade sem classes sociais antagônicas que se contraponham. Sem a divisão do trabalho e com ele o humano parcial. que foi a sociedade de classes. Nesse sentido. unilateral. Ou seja. fruto da divisão social do trabalho. Esta visão não possibilita uma formação omnilateral. a escola não muda aquilo que é produzido nas relações de produção. mas. com certeza a escola tem uma função importante. no modo de produção capitalista o aparato escolar surge como aparelho ideológico do Estado burguês. sem isso a sociedade de classes não subsiste. permite a este ser humano compreender o processo histórico de sua (de)formação. não só pelas funções temática e explicitamente ideológicas implicadas na organização escolar. ao reproduzir a sociedade dividida em classes. Pois o humano está na união do trabalho manual com o trabalho o intelectual. como é o caso da sociedade forjada pelo capitalismo. foi produzindo um homem parcial. unilateral. por que ela reproduz . pois na sociedade de classes. desumano. para que possam se produzir efetivamente como seres humanos. fruto da divisão do trabalho. deixa claro como que o trabalho que produziu o humano. Portanto reproduz um ser humano unilateral. mantém dividido o homem entre trabalhador manual e trabalhador intelectual. deformado. Nessa perspectiva.34 Portanto. O homem omnilateral. como vimos mostrando até aqui. que é a de formar corpos/sentimentos/consciências dos homens e das mulheres sobre a necessidade de revolucionar as relações de produção. Segundo Marx (1968). E isto só será verdadeiramente possível numa sociedade sem classes. compreender que a divisão do trabalho foi produzindo uma sociedade de classes e esta. sob a sociedade de classes foi se desumanizando pela divisão do trabalho. sob a divisão do trabalho entre trabalho manual e trabalho intelectual. Em outras palavras. a união entre educação e trabalho pode ser funcional ao capital. é essencial. Para se mudar as relações de produção é indispensável a luta revolucionária da classe trabalhadora. o trabalho manual e o trabalho intelectual – o fazer. o pensar e o agir. A visão marxista de união da educação com trabalho na escola é a possibilidade de formar um ser humano que compreenda que foi o trabalho que o produziu. a separação do trabalho manual do intelectual é parte integrante. completo.

em que se trabalha a formação propedêutica. de alguma forma. em itálico no original). . trabalho manual e trabalho intelectual no só no sistema educacional. mas. Na escola atual. para que a educação possa ser instrumento na luta pela emancipação humana. mudar a estrutura organizacional da escola.através da divisão do trabalho torna-se possível aquilo que se verifica efetivamente: que a atividade intelectual e material. predominam sobre a escola formativa. segundo Marx (1968) não é a consciência que determina o ser social. que ultrapasse os limites da emancipação social. desde a questão dos conteúdos até a forma de organização do funcionamento das escolas. imediatamente desinteressada. a democratização anunciada pelo Estado não passa de uma falácia. 16. a desumanização.35 a divisão do trabalho. uma necessidade que advém da divisão da sociedade em classes sociais. Caso contrário. então a possibilidade que esses elementos não entrem em conflito reside unicamente na hipótese de acabar de novo com a divisão do trabalho (MARX. E. pois a forma de organização do trabalho escolar educa. muito mais do que os componentes curriculares. caibam a indivíduos distintos. A formação omnilateral como necessidade para emancipação humana proposta por Marx e Engels (2011) e Gramsci (1982) implica em unir trabalho e educação. superar a sociedade de classes e com ela o homem dividido entre trabalho manual e trabalho intelectual. verifica-se um processo de progressiva degenerescência: as escolas de tipo profissional. nas bases materiais da produção. mas. de modo a superar a educação dual. isto é. Isso porque. reproduzindo a divisão entre trabalho intelectual e manual e. sobretudo. 1968. torna-se necessário. educação profissional para a classe trabalhadora e educação geral para a classe dominante é preciso transformar todo sistema de ensino. p.. é o ser social que determina a consciência. O aspecto mais paradoxal reside . preocupadas em satisfazer interesses práticos imediatos. é fundamental quando se pensa a educação voltada para a formação integral do ser humano. a alienação.. o gozo e o trabalho. pelo contrário. em função da crise profunda da tradição cultural e da concepção da vida e do homem. não basta mudar os conteúdos curriculares. de certo modo. consequentemente. Pois a educação unilateral criticada por Marx (2011) e por Gramsci (1982) contribui para a manutenção do modo de produção capitalista. Neste sentido. Nesse sentido. com isso. Ou seja. O rompimento da escola dual. ou seja. a produção e o consumo. Para a democratização da educação do atual sistema educacional. a formação geral com conhecimentos da cultura universal para a classe dominante e a formação para o trabalho para a classe trabalhadora.

de modo a formar todos os seres humanos como dirigentes ou com a capacidade de serem dirigentes. na época de Gramsci. através da escola. mas também na forma de organização escolar junto à luta pela transformação social. que reproduz no seu interior a sociedade de classes. 1982. 136). p. Nessa crítica.6 92/71. 33) propõe a escola unitária que se contrapõe à escola dual como forma de superação da dicotomia trabalho manual e trabalho intelectual. enquanto separa trabalhadores intelectuais e trabalhadores manuais e exige que se lhes dê distintas formas e quantidades de educação. 13-14): O fato da dualidade estrutural não ter sido resolvido no interior do sistema de ensino. Gramsci (2001. antes de resolver a dicotomia educação/trabalho no seu interior. este não se diferencia muito daquela escola existente na Itália. que é uma das condições de sobrevivência das sociedades capitalistas. ou tem uma finalidade prática. Podemos estender esta crítica ao sistema educacional brasileiro. É caracterizada como desinteressada por não ter uma finalidade prática imediata. p. “Escola (…) de . Sobre isso assim se manifesta Kuenzer (1991. Abrir espaços. pois. apesar da tentativa feita pela Lei nº 5. não deve causar espanto. Na obra de Gramsci (1982) encontra-se uma crítica à escola dual existente na Itália. Para isso. uma vez que determinada pela contradição fundamental entre capital e trabalho. não só na área dos conteúdos escolares. para a elite dirigente (escola desinteressada) e uma escola de formação para o trabalho. não só é destinado a perpetuar as diferenças sociais. problemas que são estruturais nas sociedades capitalistas. essa impossibilidade revela. através do seu caráter seletivo e excludente. para a classe trabalhadora. Neste sentido. O conceito de escola imediatamente interessada é aquela em que os educandos aprendem somente como operar os instrumentos de trabalho para produzir mais valia ao capital. em uma educação que possa ser instrumento da emancipação humana. esta separação. na essência. a escola brasileira. da cultura universal e das ciências humanas e físico-naturais. Esta dualidade é expressa na separação entre uma escola de formação geral. no sentido de propor mudanças no atual sistema de ensino significa transformar a educação escolar. a ingenuidade das propostas que pretendem resolver. quando na realidade. no século passado. Ao mesmo tempo. Para a superação da escola dual existente no modo de produção capitalista é preciso articular a luta pela mudança no sistema de ensino. mais uma vez. o autor usa o conceito de escola imediatamente desinteressada para designar a escola em que os educandos aprendem conteúdos relacionados aos conhecimentos gerais.36 em que este novo tipo de escola aparece e é louvado como democrático. É imediatamente interessada porque serve para o trabalho imediato. referenda. como ainda a cristalizá-las em formas chinesas (GRAMSCI. (escola interessada). a divisão do trabalho e a alienação. p. na medida em que ela apenas expressa a divisão que está posta na sociedade brasileira.

transformando. proposta por Gramsci (2001). A escola única. o trabalho executado deveria ter articulação com os conteúdos estudados. p. onde tanto o trabalho material quanto o trabalho imaterial absorva uma visão crítica da realidade. A luta dos trabalhadores para garantir e aprofundar a cultura e para se apropriar do conhecimento. o trabalho enquanto produto e produtor do ser humano. tem o trabalho como princípio educativo. humanista. O trabalho não seria uma coisa à parte.) o processo de trabalho como princípio educativo é imprescindível na formação de novos intelectuais orgânicos para a classe trabalhadora que.37 cultura geral.. folclórica da realidade. a totalidade e a historicidade das relações sociais. na sociedade burguesa. 289): (. que leve em conta a racionalidade. uma visão coerente e unitária. Nesse sentido. produziu uma ruptura entre a teoria e a prática. traria consigo o esforço e o empenho para assegurar a sua autonomia em relação aos intelectuais da classe dominante e ao seu poder despótico (ROIO. mesmo que o discurso seja que a educação deve formar o ser humano integral. Segundo Tonet (2006). organizada. que equilibre de modo justo o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente. Este divórcio entre trabalho manual e trabalho intelectual. et alii. antagônica àquela da burguesia. Superar a dicotomia trabalho manual e trabalho intelectual. industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual”. no pensamento de Gramsci a construção da escola unitária teria por finalidade a formação da classe trabalhadora para a construção de uma nova cultura se contrapondo à cultura burguesa. formativa. concretize o ideal de uma sociedade emancipadora. 2008. desarticulada. que a sociedade burguesa. 2006. p. em trabalho alienado e no qual este ser humano resta desumanizado. trabalhar a educação integral do ser humano é imprescindível na educação que pensa ser instrumento de emancipação humana. isto não é possível de ser realizado na sua totalidade.. Nessa escola. trabalho e educação. que articulasse ensino técnico-científico ao saber humanista. O desafio era o de pensar uma escola socialista. Nesse sentido para Gramsci (Apud NASCIMENTO. sob o modo de produção capitalista. Mas poderá ser construída uma educação com perspectivas de emancipação humana através da realização de atividades que se movam nessa direção. A educação entendida dessa forma possibilita unir trabalho intelectual e trabalho manual. ou seja. Esta seria uma chave para que os trabalhadores pudessem perseguir a sua autonomia e desenvolver uma nova cultura. 312). . separou. Esta relação entre trabalho produtivo e as ciências possibilitaria a superação de uma visão ingênua. dessa forma.

2005. limitando-se a apontar o dedo acusador para os seus efeitos. solidaria. integral. como é muito mais um sintoma do agudo extravio da consciência. cada vez menos. o pleno desabrochar dessas possibilidades é bloqueado e pervertido pelas relações sociais fundada na propriedade privada. presente no modo de produção capitalista. a divisão social do trabalho é intensificada. onde se pode verificar que. etc. p. os próprios conteúdos são cada vez mais fragmentados e alienados. um instrumento de emancipação humana. que isto se dá ao mesmo tempo em que se torna sempre mais amplo o fosso entre a realidade e o discurso. porém. Vale dizer. torna-se necessário compreender a forma como o capital explora a força de trabalho e. com isso. O resultado é que quanto menos compreendida e atacada a realidade prática desumanizadora. o acesso a todos dos bens produzidos e uma educação para a emancipação humana são impedidos. p. o processo educativo é sempre mais submetido às regras do mercado. travados pelas relações sociais baseadas na propriedade privada. No sentido de se contrapor a uma educação desumanizadora e desenvolver atividades que possam contribuir para que a educação venha a se tornar. Disso tudo resulta uma formação dos indivíduos cada vez mais unilateral. 134) nos auxilia a entender melhor esta questão: Ora. é apenas um discurso. Caso contrário. o acesso a educação é cada vez mais dificultado. de fato. Está a indicar também que admite que o sujeito não tem condições de atacar as bases materiais. ele está a indicar que a consciência não compreende mais a lógica do processo social e por isso onde se encontra a matriz dele. o discurso mostra que. do aumento das desigualdades sociais. cidadã democrática e participativa (TONET. este discurso não só não é uma forma correta de fazer frente aos aspectos desumanizadores do capitalismo atual. o avanço do desenvolvimento das forças produtivas que possibilitam a superação da separação entre trabalho manual e intelectual. Para que a educação possa se constituir como instrumento de emancipação humana necessita que se compreenda que a dissociação entre a base material de produção da vida e a . critico. A nosso ver. tanto mais forte o discurso dito humanista. Destaca-se. de fato. aliena o trabalhador do que este produz. Contudo. da exclusão social. da guerra de todos contra todos. Ivo Tonet (2005. que são o fundamento da sociabilidade. Enquanto aquela vai no sentido da fragmentação. Esta contradição decorre da contradição fundamental entre capital versus trabalho. Ou seja. se compreende a relação da educação com a forma como a sociedade se organiza para produzir sua existência. deformada e empobrecida. este intensifica o apelo por uma educação humanista.134).38 Esta impossibilidade de se ter uma educação voltada para emancipação humana na sua totalidade se dá pelo fato de existir a contradição entre o discurso e a realidade objetiva. da oposição entre os indivíduos.

ser instrumento do capital para a reprodução material e ideológica dessa sociedade.39 educação precisa ser superada. Por isso. em que aparece a divisão do trabalho e. Nesse sentido. vai se separando também trabalho manual e intelectual. à vida. portanto. Como vimos anteriormente. como confirma Ciavatta e Frigotto (2006). com isso. à relação entre o estudo e o mundo natural. no sentido da emancipação humana. esta também propala a integração de trabalho e educação. é instrumento para contribuir na reprodução desta sociedade. um ser humano alienado e desumanizado. é contribuir para manutenção da sociedade desumanizada. ao mesmo tempo. para que haja um processo de humanização e desalienação do trabalho é preciso construir outra sociedade em que não haja a divisão do trabalho. sob a sociedade burguesa. nascem juntos. é fundamental compreender que trabalho e educação. Assim o trabalho como princípio educativo pode ser identificado na afirmação de que a união entre trabalho e ensino servirá de motivação para a formação técnico-cientifico e cultural. Pois. deste modo. e. 54) “A integração entre ensino e trabalho constitui-se na maneira de sair da alienação crescente. é um instrumento que naturaliza a sociedade de classes e a divisão social do trabalho e. p. Mas. como a luta de classes também se expressa no interior da escola. dessa forma. Isso possibilita a compreensão do trabalho sob a sociedade de classes e a divisão do trabalho como alienador e desumanizador. Esta é facilmente identificada na pedagogia burguesa. Esta relação de identidade se rompe com o surgimento da sociedade de classes. que se reproduza como mais humano. . reunificando o homem com a sociedade”. portanto têm uma relação de identidade. Ao romper a identidade entre trabalho e educação na sociedade de classes. abrem-se possibilidades de introduzir atividades que possam unir trabalho manual e intelectual. compreende-se que esta unidade devolve ao ser humano o trabalho como atividade criadora. quando se fala que a unidade entre trabalho e educação é meio de transformação social e instrumento de formação moral e física. Sociedade onde o ser humano possa assumir o trabalho como produtor de coisas úteis para satisfazer suas necessidades e. por outro lado. Ainda segundo Gadotti (1997. mas esta integração fica muito mais numa relação genérica. abstrata. na qual a escola se liga ao ensino. Não compreender que a educação. produz-se. humanizadora. para que a educação possa ser uma ferramenta que venha a contribuir na superação da dissociação entre trabalho manual e intelectual é extremamente necessário compreender que essa educação. numa sociedade de classes. Dessa forma.

o trabalho manual e trabalho intelectual. físicas. 1997. e. como uma unidade dialética. E. com isso. a escola possibilitará trabalhar de forma unida aquilo que a sociedade de classes separou. p. O trabalho constitui valioso instrumento de formação moral e física. possibilitando. Sob a teoria marxiana de educação. O primeiro focaliza o trabalho como princípio educativo e o segundo como princípio pedagógico.53). ao mesmo tempo. Nessa afirmação de Marx interpretada por Gadotti (1997) podemos perceber que a união entre trabalho e educação está colocada em dois sentidos. os estudantes sendo educados de forma a articular trabalho manual e trabalho intelectual. desde uma tenra idade. a compreensão do trabalho sob a sociedade de classes e a divisão do trabalho como expropriador. dessa forma transformando o trabalho. foi se constituindo. de modo a contribuir para articular trabalho e educação. Entretanto. Ou seja. e abstratamente como uma relação entre a escola e a vida. compreender que as formas divididas e separadas de trabalho são frutos do processo histórico da sociedade de classes. desenvolvendo o sentido da responsabilidade social (GADOTTI. E também para se pensar como a formação básica e técnica poderão ser organizadas e funcionar. além de servir de motivação para a formação técnico-científica e cultural. quando se fala que a unidade entre trabalho e educação é meio de transformação social e instrumento de formação moral e física compreende-se que esta unidade devolve ao ser humano o trabalho como atividade criadora. se transformando. portanto. . Como Marx observava (…) “a combinação do trabalho produtivo com o ensino. humanizadora.40 A pedagogia burguesa também havia se preocupado em estabelecer a relação entre a escola e a atividade prática. p. terão elementos para compreender a sociedade de classes. sob o atual estágio de desenvolvimento do capitalismo. fundada na filosofia idealista. é um dos mais poderosos meios de transformação da sociedade atual". como ela. ou seja. Isto é.53). desumanizando-o. e. apontando caminhos para que se possa superar este modelo de desenvolvimento que expropria do produtor o produto do seu trabalho. durante processo histórico. 1997. Este é um elemento fundamental para se compreender a relação entre o trabalho e a educação. Ou seja. Esta escola pode articular trabalho manual e trabalho intelectual como duas faces de um mesmo ser e não como opostos que a sociedade de classes impõe. trará a possibilidade da formação do ser humano nas várias de suas dimensões. espirituais e políticas. alienador e desumanizador. entre estudo e meio natural (GADOTTI. só podia entender essa relação genericamente.

ou. é preciso revolucionar a atual sociedade de classes e construir outra. Esta é facilmente identificada na pedagogia burguesa. abstrata. p. que separa teoria da prática. 1997. mas fica muito mais numa relação genérica. e abstratamente como uma relação entre a escola e a vida. ao mesmo tempo. para que ocorra um processo de devolução do produto do trabalho ao seu autor. ou do desemprego. tentando ligar mais a escola. Isso quer dizer que a relação capital x trabalho também se mantém pela produção/reprodução do não trabalho para todos. esta pedagogia também propala a integração entre trabalho e educação. 54) “A integração entre ensino e trabalho constitui-se na maneira de sair da alienação crescente. O trabalho enquanto unidade dialética entre teoria e prática. ou seja. ao contrário. em que se produza o humano na sua integralidade.41 Assim. O trabalho como princípio pedagógico pode ser identificado na afirmação de que a união entre trabalho e ensino servirá de motivação para a formação técnico-cientifico e cultural. unidade trabalho manual e intelectual. o trabalho como atividade de fazer separado do pensar. com a força da totalidade dos trabalhadores empregados e organizados impediria a sua exploração e expropriação. Até aqui falamos sobre a unidade dialética da teoria e prática na formação onto-histórica do ser humano e como no processo do desenvolvimento histórico da sociedade a teoria foi se separando da prática e o trabalho manual se divorciando do trabalho . e. unidade entre fazer e pensar. só podia entender essa relação genericamente. sendo que. entre estudo e mundo natural. Pois. porque. não há trabalho – sob a forma de emprego – para todos. p. na qual não haja a divisão social do trabalho. o trabalhador. Entretanto. Uma sociedade onde o ser humano possa assumir o trabalho como produtor de coisas úteis para satisfazer suas necessidades e. fundada na filosofia idealista. desta forma. entre estudo e meio natural (GADOTTI.53). sem o qual não teria forças para enfrentar a totalidade dos trabalhadores organizados. no modelo de sociedade capitalista. Para compreender o sentido que se dá ao trabalho enquanto elemento mediador da educação é necessário ter clareza de qual trabalho se está falando. trabalho como atividade criadora. o ensino e a vida. para que se realize a humanização e desalienação do trabalho. trabalho manual e intelectual. o trabalho como atividade alienada. Segundo Gadotti (1997. reunificando o homem com a sociedade”. A pedagogia burguesa também havia se preocupado em estabelecer a relação entre a escola e a atividade prática.

. Assim. Ou seja. para a superação da fratura entre teoria e prática. e como a educação escolar poderá incidir sobre este processo numa tentativa de unir teoria e prática. mas no mundo da ideologia. da separação entre trabalho manual e trabalho intelectual a escola enquanto instituição que trabalha com o subjetivo do ser humano poderá ser uma ferramenta importante. Esta fratura entre teoria e prática que se deu no mundo das relações de produção é apropriada na educação escolar sob o modo capitalista de produção. como a educação escolar – em particular a formação do Técnico em Agroecologia – poderá contribuir no processo de fazer com que teoria e prática se vinculem no processo de apropriação do conhecimento historicamente construído.42 manual. não no mundo da produção. É importante compreender como se deu este processo de separação da teoria da prática na educação escolar.

A agroecologia é um conceito em construção. explicar a compreensão de que a Agroecologia enquanto matriz produtiva e tecnológica necessita articular teoria e prática como unidade dialética voltada à formação do ser humano. Ou seja um tipo de agricultura como: agricultura biodinâmica. como um dos caminhos que possam apontar para a emancipação humana. ou unidade de trabalho manual e trabalho intelectual. Segundo Löwy (2005) existem basicamente duas grandes correntes epistemológicas de compreensão da agroecologia. A corrente tecnocrática compreende a agroecologia como uma forma de produção agrícola que não utiliza tecnologias que agridem o meio ambiente. através da articulação entre a formação Básica e Agrotécnica oferecida pela Escola 25 de Maio. Agricultura é uma palavra composta agro+ culturas. a Agroecologia tem essa possibilidade enquanto compreendida essencialmente como unidade teoria e prática. de tomar conta do Campo. na sociedade capitalista. Para a corrente ecossocialista agroecologia é segundo a origem da palavra. entre tantas outras. Agro como visto acima vem do grego ager significa Campo. permacultura. como vimos no capítulo anterior. como trabalho alienado. pretendo focar na agroecologia como processo de construção onde os sujeitos que a constroem precisam se apropriar do conhecimento teórico prático sobre enquanto ela. Dentro dessa corrente podemos citar aquilo que Caporal (2009) diz não ser agroecologia. Sabendo-se. Corrente ecotecnocrática e corrente ecossocialista. que nas formações históricas da sociedade. Agro vem do grego ager que significa campo. Nesse sentido a agroecologia possibilita trabalhar a unidade dialética de teoria e prática. o trabalho se constitui como formador da essência humana. Assim como agricultura a agroecologia também é uma palavra composta com radicais gregos. tomar conta. Assim. E nesse intuito. cultivar.43 II CAPÍTULO – A FORMAÇÃO EM AGROECOLOGIA NO MST E A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO TÉCNICO EM AGROECOLOGIA. de cultivar. Nesse sentido agricultura poderá ser vista como modo de cuidar. agricultura alternativa. criar. pois existem diversas formas de se compreende-la. de criar. como base da formação omnilateral do ser humano. podemos compreender que este trabalho passa a se constituir. Ou seja. e Culturas que em latim significa cuidar de. . Neste capítulo procurarei compreender como a Agroecologia enquanto matriz produtiva e tecnológica poderá contribuir.

A contraposição está calcada numa nova práxis em que a relação homem natureza é de reencontro. É por isso que no conceito de agroecologia da corrente ecossocialista aparecem outras dimensões além da produtiva tecnológica. Essa forma de produzir está referenciada no agronegócio. mas também a dimensão Cultural. Na origem da palavra aparecem outros elementos como o cuidado. uma forma de agricultura onde o homem poderá se reencontrar novamente com a natureza se sentir parte dessa. Também focarei como o MST assume a Agroecologia como matriz produtiva e tecnológica na produção de alimentos que ocorre nas 6 Aula ministrada no curso pedagogia do Movimento para educadores da reforma agrária no dia 16 de janeiro de 2015 no Escola latino Americana de Agroecologia – ELAA no Assentamento Contestado. aquilo que Marx (1968) chamou de corrigir a falha do metabolismo homem com a natureza que a sociedade de classes e fundamentalmente o modo de produção capitalista produziu. criar. Nesse sentido podemos dizer que agroecologia é um modo de cuidar do campo. Segundo Tardim (2015) 6 em todos os processos revolucionários que a história da humanidade conheceu em nenhuma delas estava presente a preocupação com a agroecologia. social. tomar conta do campo. Logia vem do grego logos que significa saber. ideológica. Ou seja. Nesse capitulo na primeira parte focarei na agroecologia enquanto nova matriz produtiva e tecnológica poderá contribuir na formação humana. do ambiente com conhecimento. A agroecologia vem para se contrapor a este tipo de relação estabelecida entre ele e a natureza. ou de outras correntes de agriculturas alternativa.44 eco que vem do grego oikos que significa ambiente. Na segunda parte discutirei a formação técnico agrícola. pois estas levam em conta somente a questão técnica. Nesse sentido é que Caporal (2009) diz agroecologia não ser sinônimo de produção orgânica. para que e para quem serviria a formação desse técnico. e ética. No atual estágio de desenvolvimento da sociedade humana sob o capitalismo que adota uma forma produzir no campo em que a relação com a natureza é uma relação de destruição. ou cultivar. Lapa PR. lugar. casa. conhecimento. Esse olhar se dará a partir das diversas dimensões da agroecologia acima mencionados como elementos que poderão contribuir nessa formação. política. de contaminação e de expulsão dos camponeses. Percebe-se que o significado de agricultura é muito maior que simplesmente produzir no campo. Ou seja. . o tomar conta que perpassam a produção.

como um poder independente do produtor. que nem sempre está disponível para todos. é a objetivação do trabalho. 1). o ser humano foi-se formando enquanto humano pelo processo do trabalho. a objetivação como perda e servidão do objeto. “No entanto. Nesse sentido. Mas o trabalho sob a sociedade de classes se converte em trabalho alienado. O produto do trabalho é o trabalho que se fixou num objeto. p. que possam contribuir no processo de implantação dessa matriz produtiva. que expressam momentos altos da trajetória humana. e os que trabalham e parte do seu trabalho é apropriado por outrem. A realização do trabalho constitui simultaneamente a sua objetivação. A realização do trabalho aparece na esfera da economia política como desrealização do trabalhador. Com o advento da sociedade de classes começa haver uma dissociação entre os seres humanos que se formam a partir da atividade intelectual. E é nessa perspectiva focarei a preocupação do MST em formar quadros técnicos em agroecologia. ligado à sobrevivência imediata. A partir disso surge no MST a necessidade de criar os cursos para formação de técnicos em Agroecologia. p. 2006. é o trabalho enquanto atividade prático. também podem deixar entrever a unilateralidade com que era vista esta formação humana” (TONET. A formação humana vista na perspectiva da sociedade de classes é unilateral. Isto pode ser verificado principalmente nas sociedades antigas e medievais. Ou seja. 2006).1 – Agroecologia e o processo de formação humana O processo histórico da formação humana tem sua base no trabalho (Engels 1999). 159. Primeiro. que se transformou em coisa física. 2. Semelhante fato implica apenas que o objeto produzido pelo trabalho. nas quais a atividade espiritual era superior à atividade prática. e os que se formam no processo do trabalho manual. palavras em itálico no original). porque os que não trabalham e se apropriam do trabalho de outrem se formam na atividade intelectual. no trabalho manual identificado como emprego. Compreendemos.45 áreas dos assentamentos. Engels (1999) e tantos outros autores que comungam com estes clássicos. o seu produto. estas palavras. se formam na atividade prática.teórica que forma o . se lhe opõe como um ser estranho. a apropriação como alienação (MARX. como Marx (1968. a sociedade de classes desvincula teoria da prática. O dualismo na forma de conceber a formação humana perpassa todos os períodos históricos das sociedades de classes. 2005. espiritual.

E. (1968). que o que determina a formação espiritual. Nesse sentido ao estudarmos a história da formação da sociedade. Estes fatos produzem. assim como a agricultura se subordina à indústria. Esta falha produz um duplo desequilíbrio: um social7 e outro natural8. e da agricultura em particular. segundo Marx (1968). através da expulsão dos camponeses de suas terras tornando-os livres para vender sua força de trabalho ao mercado capitalista. Ou seja. Nas distintas formas dos seres humanos organizarem a produção de suas existências podemos perceber que. conforme Marx. primeiramente na indústria. ou seja. está dialeticamente relacionada à forma como os homens e mulheres se organizam para a produção dos bens necessários à produção e reprodução de suas existências. o campo se separa da cidade. percebe-se que esta se desenvolve em distintos períodos históricos. destruição do solo. Mudanças que se referem a desertificação. poluição. de compreender a realidade. como verdadeiramente humano. 8 Sobre desequilíbrio natural refiro-me segundo Marx (1968) que no modo de produção capitalista as formas de produção estabelecidas produzem a destruição da natureza. Na agricultura este processo de inovação tecnológica acontece. uma falha no metabolismo entre o homem e a natureza.46 ser o humano em todas as suas dimensões. Isto quer dizer. a forma de pensar. vai revolucionando as forças produtivas. principalmente. tem produzido a separação campo e cidade e também a separação da sociedade entre a burguesia e o proletariado. clima. A divisão da sociedade entre os que possuem os meios de produção e que não trabalham e se apropriam do trabalho de outrem e os trabalhadores (proletariado) que trabalham e não ficam com o trabalho materializado. baseado na sociedade de classes. Estes períodos históricos estão relacionados com a forma como os seres humanos organizam a produção para produzir/reproduzir sua vida material. de forma geral. liberando a terra para a produção agrícola em moldes também capitalistas. A construção e a organização do capitalismo. a base da formação do ser humano está condicionada à base material. mas que o entregam aos donos dos meios de produção. Estas mudanças também incidem sobre a saúde e o bem estar do ser humano. A produção da vida material condiciona a produção da vida espiritual. . A partir desse pressuposto é possível dizer que não há formação humana fora ou independente do processo do trabalho. além disso. Esta destruição pode ser percebida a partir do que está ocorrendo no nosso planeta. avançando depois sobre o campo. a partir do 7 Sobre o desequilíbrio social refiro-me segundo (1968) Marx às desigualdades sociais produzidas pelo modo capitalista de produção. em um dado momento histórico. na sua totalidade enquanto homem. introduzindo maquinaria que exige novas técnicas de produção que afetam não só a indústria como também a agricultura que poderá oferecer matéria prima para essa indústria. Nesse processo em que o capitalismo avança.

consequentemente. além de destruir a natureza. foi sendo colocada como oposição.47 descobrimento da química industrial associada ao descobrimento de como os vegetais se desenvolvem e se nutrem. expulsando-o do campo. na monocultura e no uso de adubos químicos de base sintética. portanto. sob a sociedade de classes. Do mesmo modo. 2014. contribuindo essencialmente na expulsão dos camponeses do campo. com o uso de tecnologias que possibilitem produzir mais em menos tempo e espaço e. p. Além disso. e principalmente na sociedade capitalista. O modo capitalista de produção produz uma visão de ser humano em separado da natureza. embasada no plantio em linha. na Alemanha descobre que as plantas também se nutrem através de fertilizantes solúveis. a “revolução verde”9 propiciou a destruição da biodiversidade com a implantação das monoculturas. Com as descobertas científicas relacionadas à agricultura acentua-se a contradição sob uma nova e surpreendente perspectiva da reprodução do capital. Utilizo o termo “revolução” verde para designar o processo de “modernização” da agricultura com a introdução da agricultura embasada na mecanização e no uso de adubos químicos sintéticos de origem industrial assim como das sementes hibridas e dos agrotóxicos. esmaga a cultura camponesa. isso é o que muitos pesquisadores sociais chamam de “modernização conservadora”. 9 . possibilita a produção das sementes hibridas e dos agrotóxicos. oriundo a partir das descobertas realizadas ainda no século XIX. Machado e machado Filho (2014) chama a isso de negação da natureza. no número crescente e incontrolável da criminalidade urbanas. subordinando a produção desse aos interesses do capital. Este avanço tecnológico na agricultura cria as bases para a agricultura moderna. existe uma relação dialética entre natureza e ser humano que. produz também a destruição da natureza e. Maiores esclarecimentos sobre “revolução verde” poderão ser encontrados na nota nº 2. sintéticos” (MACHADO. a destruição do ser humano. No Brasil. MACHADO FILHO. subsidiando. que. nesse sentido. a concepção de que poderá dominá-la. Este descobrimento. Pois. segundo Foster (2014). Trata-se de uma agricultura subordinada a indústria. possibilita uma imensa revolução na agricultura. técnicas de capital intensivo. E o chamado “progresso”. produzidos pela indústria. “Em 1840 Justus von Liebig. segundo este pesquisador. resulta em problemas relacionados ao meio ambiente além de intensificar a expulsão dos camponeses das suas terras acarretando uma maior concentração e centralização da propriedade fundiária. 31). característica intrínseca ao modo capitalista de produção.

contribuiu com a dissociação. fungicidas e inseticidas. conforme explicitado anteriormente. como forma de erradicar a fome no mundo. ao mesmo tempo em que produzia. Mas isto faz parte do processo do desenvolvimento do capitalismo mundial. permitiu um aumento significativo na produção agrícola. conjuntamente. assim como. consequentemente. no trabalho do campo. mais tarde. assim como a destruição da flora e da fauna. produz no agricultor uma separação entre o pensar o processo produtivo e efetuar a produção. Dessa forma. até este momento o agricultor. da terra como meio de produção (MACHADO. que se inicia no Brasil a partir dos anos de 1950-60 e se aprofunda a partir da década de 1990. as sementes transgênicas. as sementes híbridas e. Em outras palavras. inseticidas. passado de pai para filho e denominado saber popular. fungicidas. o agricultor é transformado em simples operador de máquinas para realizar a produção. ainda que utilizasse técnicas rudimentares. o que na verdade está acontecendo no espaço do campo. Era um conhecimento acumulado durante séculos. 2014).48 A agricultura que resulta da mecanização do processo do trabalho no campo. de conhecedor do processo produtivo. o processo da “revolução verde” implantado na agricultura é uma exigência do capitalismo que necessita cada vez mais da concentração e centralização do capital e. da necessidade eterna de aumentar a . ou seja. mas. com o discurso de que essa seria necessária para aumentar a produção agropecuária. com a utilização de sementes hibridas produzidas por empresas especializadas e. Todavia. A implantação da “revolução verde” no Brasil foi apoiada pela comunidade científica e financiada pelo Estado. Segundo este mesmo autor. Este processo chamado de “revolução verde”. produz no campo o mesmo efeito que o uso da mecanização na produção industrial. de certa forma. a partir dos anos de 1950-60 não é uma “revolução e muito menos verde”. Este processo. mesmo que este conhecimento decorrente de sua experiência não fosse considerado científico. entre o pensar e o fazer. Isto quer dizer que o agricultor ia construindo o conhecimento no processo de produção. por outro lado. MACHADO FILHO. ainda dominava a técnica do como e quando produzir. a utilização de agrotóxicos herbicidas. com o passar do tempo. primeiramente. acabou deixando graves problemas ambientais no que se refere à contaminação do meio ambiente por resíduos de agrotóxicos. O processo do avanço do capitalismo que possibilitou também o avanço das ciências e a descoberta da química industrial proporciona a mecanização da agricultura. os agrotóxicos herbicidas. a invenção dos fertilizantes de base química sintética. Ou seja.

Pois. Ao introduzir novas tecnologias para a produção agrícola. Se o modelo tecnológico da agricultura capitalista separa trabalho manual e trabalho intelectual. segundo Marx (1968) o conhecimento agora não está mais no trabalhador. com a mecanização. torna-se essencial para a compreensão da Agroecologia enquanto nova matriz produtiva e tecnológica que vai se opondo à produção agrícola capitalista. mas sim do capital. trata-se do conhecimento adquirido no processo produtivo. inseticidas. sementes hibridas e transgênicas. o pensar do fazer. Abrindo mão deste saber.49 extração de mais valia e. mas embutido nas técnicas. sob a agricultura capitalista tirara-se do agricultor a necessidades de pensar sobre o como produzir e o quando produzir. Esta dependência condiciona o agricultor à perda daquilo que é especificamente humano. agora não mais do domínio do agricultor. retira deste agricultor a possibilidade de continuar produzindo a partir do conhecimento produzido/reproduzido durante centenas ou até. determinado de fora. Conceber e compreender este fenômeno como parte do desenvolvimento da sociedade de classes e. pensar e fazer. máquinas e técnicas determinadas pelo capital. do lucro (MARX. quem sabe. de forma mais avançada. no modo de produção capitalista. O conhecimento que estava no trabalho é transferido ao capital pela tecnologia. Tudo isso produz no camponês uma diminuição na sua capacidade de pensar sobre o fazer o que vai separando o trabalho intelectual do trabalho manual. destina-se à exportação. os agricultores tornam-se dependentes do capital. o aumento da produção está intimamente relacionado ao aumento do lucro e nada tem a ver com as necessidades humanas de manutenção da vida. 1968). porque envolve desde a produção em escala. organizada sob a forma do agronegócio. Ou seja. . esta chamada “revolução verde” produz no agricultor uma maior dissociação entre o pensar e fazer. fungicidas. que impõem. uma maior divisão do trabalho. para se submeter à aplicação de produtos. nas tecnologias e no conhecimento incrustado nas mesmas. cada vez mais. homem e natureza. Com a introdução do pacote tecnológico na agricultura. pois isto já estava/está embutido na tecnologia produzida pelo capital. sobre o pensar resultante da experiência refletida. Assim. milhares de anos. herbicidas. a unidade entre o pensar como fazer e o fazer pela introdução de novas tecnologias. ou seja. o uso adubos de origem sintética. identificado como saber acumulado pela experiência ou saber popular. Para o capitalista. produz-se no homem do campo uma sobreposição da capacidade de fazer. na agricultura. Isto quer dizer. por via de consequência. de modo geral. à industrialização até o financiamento desta produção que.

este processo é uma necessidade para a reprodução destas sociedades. produz também a destruição da natureza pelas tecnologias inventadas para um tipo de produção que não leva em conta a vida do ser humano e do Planeta Terra. Isto também é válido para a formação do técnico da extensão rural não necessita saber. separam homem e natureza. Luiz Carlos Pinheiro. enquanto matriz produtiva propiciadora de novas relações socioprodutivas que possibilitam aproximar trabalho intelectual e trabalho manual. 2014). e. basta ter a receita produzida pela classe social que tem em suas mãos os meios de produção11. que atua junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER/RS). pois segundo Gramsci (1982) não é possível separar o homo sapiens do homo faber. MCHADO FILHO. ou seja. seja ao se apropriar do conhecimento colocando-o sobre o seu controle. 10 Ver a obra: MACHADO. o pensar e o fazer. também separa o trabalho manual e o trabalho intelectual. o pensar do fazer. São Paulo: Expressão Popular. portanto: ASCAR-EMATER/RS.50 então a Agroecologia. Dissocia aquilo que é inseparável na vida cotidiana do ser humano. pode ser uma estratégia criadora de um espaço de formação humana (CAPORAL. De acordo com Foster (2014). Ainda segundo os autores acima citados (2014). os técnicos de extensão rural. 1ª ed. precisa saber operar. enquanto um instrumento para a superação da negação da natureza10 (MACHADO. na forma de produção implementada pela “revolução verde”. como vimos afirmando. simplesmente. produzido pelo modo de produção capitalista. Dialética da agroecologia: contribuição para um mundo com alimento sem veneno. o que interessa é o lucro. seja ao produzir uma ideologia que obscurece o verdadeiro sentido da tecnologia. estão vinculados à Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (ASCAR). Nessa tecnologia é separada a concepção da execução. 2014. o rompimento da unidade dialética homem e natureza. 11 De modo geral. para o capital. pois. no estado do Rio Grande do Sul. em consequência disso. O modo capitalista de produção ao dissociar natureza e homem como dois polos distintos e opostos rompem com unidade dialética do metabolismo homem com a natureza. opondo-os. principalmente no modo de produção capitalista. esta forma de produzir separa a concepção da execução. 2009). Segundo Marx e Engels (1998). Nesse sentido. embasado no pensamento de Marx. o agricultor não necessita mais de conhecimento técnico enquanto concepção da técnica. saber fazer. mas. Isto permite compreender a Agroecologia. . de como as sociedades constituídas de classes sociais. a classe que detém a dominação material também tem a dominação espiritual.

e. a Agroecologia parte de uma visão holística da agricultura e sociedade. quero primeiro trazer presente sobre o que não é Agroecologia. a sociedade cindida em classes sociais. de modo que este modelo de sociedade possa ser superado. homem. É construir uma agricultura no território expresso por um campo em que a fragmentação do conhecimento produzido com a introdução da agricultura moderna. enquanto um novo paradigma científico. é também uma ciência que rompe com a ciência convencional. ou que é uma tecnologia que a natureza mostra o caminho. é preciso superar a compreensão de que Agroecologia é um modo de produção. como nova matriz produtiva para o campo e um novo paradigma científico para uma agricultura sustentável. unir o que a sociedade de classes se separou. em particular. A ciência agroecológica parte do princípio da indissociabilidade entre os diversos elementos que compõem a sociedade humana. Segundo Caporal (2009). Isto quer dizer que reduziu a agricultura a uma mercadoria e o próprio agricultor como um mero produtor desta mercadoria. Ter esta visão remete-nos à reflexão a respeito da Agroecologia como a possibilidade de ser um espaço para articular teoria e prática. que imprimiu a simplificação e o reducionismo da agricultura. . que produz para alguns nichos de mercado para uma população com poder aquisitivo mais elevado. ou um tipo de agricultura que não se utiliza de agrotóxicos. acima de tudo. para que a Agroecologia. possa ser implementada na sua totalidade. Machado e machado Filho (2014) sintetiza a Agroecologia como: “tudo está ligado ao todo”. os agricultores. ou se retira o essencial da Agroecologia. para além de ser uma nova matriz produtiva. baseada na divisão do trabalho sob a sociedade de classes. sociedade/indivíduo/natureza/ economia/cultura/política. torna-se necessário que seja superada a contradição capital e trabalho. segundo Caporal (2009).51 A Agroecologia. mas. Porém. Esta compreensão possibilita aos seres humanos. natureza e ciência. Nesse sentido buscarei trazer presente o conceito de Agroecologia com base nas pesquisas realizadas por: Caporal e Costabeber (1994 Caporal (2009) e Machado (2014). não só enquanto técnica de produção. para conceituar o que vem a ser a Agroecologia. com isso. que é preciso trabalhar em sintonia com a natureza entre tantas outras expressões que reduzem o conceito de Agroecologia. fazer e pensar. Mas. Nesse sentido. Nessa compreensão de Agroecologia não se configura. dissociando pensar do fazer. trabalho manual e trabalho intelectual.

não é uma agricultura alternativa. a transmutação de elementos a baixa energia13 e a teoria da trofobiose14. não é pertinente confundir Agroecologia com um tipo de agricultura alternativa. a Agroecologia deve ser compreendida como um novo paradigma científico que enfatiza a relação homem/natureza. tendo por base. entre outras (CAPORAL. Nesse sentido. para não incorrer no erro de que a agroecologia é simplesmente uma questão de uso de técnicas sobre como produzir. o ciclo do etileno12 no solo. é preciso estar claro que. entre outras. tendo como elemento central a construção de uma sociedade sustentável a partir de tecnologias produtivas que não agridam o meio ambiente e que se utilizem de insumos endógenos. a Agroecologia precisa ser compreendida como um novo enfoque paradigmático científico e não só como uma nova forma de se produzir na agricultura respeitando-se a natureza. Filosofia. 2009). 13 . consultar a obra de Machado e Machado Filho(2014). É fundamental superar esta visão reducionista questionada no escrito de Caporal (2009). consultar a obra de Machado e Machado Filho (2014). embora incorpore elementos desses conceitos. Assim. “o continuar tirando alimentos da terra sem esgotar os recursos naturais”. consultar a obra de Machado e Machado Filho (2014). Também não é suficientemente explicativo o vínculo. A Agroecologia. “uma agricultura que não exclui ninguém”. Agroecologia se contrapõe à ideia do desenvolvimento sustentável propalado pelos ecologistas da chamada corrente ecotecnocrática (CAPORAL. Para saber sobre a transmutação de elementos a baixa energia. preservando-o”. considerando como elemento central a energia solar que é de graça. Economia Política e Antropologia. Sendo assim. 3). “o equilíbrio entre nutrientes.52 Ainda que a palavra Agroecologia nos faça lembrar de estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente. solo. os quais defendem o desenvolvimento da agricultura 12 Para saber sobre ciclo do etileno no solo. planta. muito comum da ciência agroecológica com “uma produção agrícola dentro de uma lógica em que a natureza mostra o caminho”. p. necessita romper com a lógica da monocultura porque ela se fundamenta no policultivo e na interação solo-animal-vegetal. 2009. no seu conceito. não é um modo de produção. Ou seja. “uma agricultura sem destruição do meio ambiente”. “o ato de trabalhar dentro do meio ambiente. 14 Para saber sobre a teoria da trofobiose. Agroecologia não é produção orgânica. Nesse sentido. conforme o autor. “uma agricultura socialmente justa”. ao pensar sobre Agroecologia precisamos levar em conta elementos das diversas áreas do conhecimento como afirma o mesmo autor. conhecimentos das áreas de Agronomia. na obra citada. Ecologia. segundo o autor. água e animais”. segundo Machado e machado Filho (2014). a Agroecologia incorpora.

a partir do período que se segue ao término da II guerra mundial que se estendeu de 1939 a 1945. é intrinsicamente contraditória à racionalidade ecológica que respeita os ciclos da natureza os quais. naturalmente. quando foi introduzido um modelo de agricultura com a utilização de insumos agroquímicos de natureza tóxica. Ou seja. que busca realizar a mais valia em tempos cada vez mais curtos. 2005). 15 . Essa corrente agroecológica tem uma visão unilateral da agricultura. é preciso olhar para além das formas de produção. seja na indústria ou na agricultura. para se contrapor a esta corrente surge a corrente chamada ecossocialista que. Nesse sentido a mudança nos padrões produtivos e de consumo seria uma necessidade humanista (Löwy. inclusive. acelerando. O conceito de Agroecologia que busco nesse trabalho está voltado a compreendê-la como sendo a mudança da matriz produtiva na qual se devem incorporar aspectos da agronomia. pois não é possível expandir o padrão de produção e de consumo de energia dos Estados Unidos da América (EUA) a todos os países. não incorporando a noção de que. da Economia Política. Isto não quer dizer que a resposta seja apenas contrapor os bons produtores capitalistas aos maus produtores capitalistas. escapa ao ser humano fazer qualquer previsão sobre a os desequilíbrios ambientais que possam se aprofundar e.53 com o uso de tecnologias mais sustentáveis sem romper com o pacote tecnológico da revolução verde15. para construir a sustentabilidade. pelo fato de respeitar os ciclos naturais da produção agrícola. da Antropologia. do uso de sementes hibridas e da mecanização da agricultura. entre países mais industrializados e países menos industrializados. necessariamente precisa encurtar os ciclos produtivos. Segundo este mesmo autor. Se isso acontecesse. da monocultura. da Educação. da Ecologia Política. E. Primeiro: os modos de produção e de consumo atual dos países mais industrializados. ou das técnicas de produção. uma agricultura altamente tecnificada. a racionalidade ligada à lógica do mercado capitalista. são mais longos. mesmo nessa relação de desigualdade existente entre o norte e sul. de acordo com Löwy (2005) se sustenta em dois argumentos essenciais. para conseguir reproduzir o capital. embasados na lógica do lucro e no retorno cada vez mais rápido dos lucros. O que precisa ficar claro é que a ecologia. não é compatível com a sociedade burguesa que. desta forma. da Uso o termo “revolução verde” significando o pacote tecnológico introduzido na agricultura. Nesse sentido. o processo produtivo. é insustentável. sobre a possibilidade da sobrevivência da espécie humana. segundo: a continuação do progresso e a continuação da civilização fundados na economia de mercado. a reserva da energia fóssil se esgotaria em dezenove dias.

segundo na dimensão cultural dos saberes populares. Isto quer dizer que a Agroecologia situa-se numa perspectiva sistêmica. mas sobre o conhecimento holístico que tem por objeto de análise as unidades de agroecossistemas. segundo Machado (2014). Nesse sentido. Essa unidade das três dimensões pode . de novas relações com a natureza incluindo o ser humano como integrante desta natureza. Trazendo para o campo e os camponeses. em última instância. Nas unidades de análises são considerados todos os aspectos sendo os sociais. na dimensão tecnológica. a Agroecologia é o que permite ao camponês voltar a pensar. as quais. da Biologia. onde o todo é maior do que as somas das partes. fazendo dos camponeses meros produtores de matéria prima associados aos interesses da indústria e. ao procurar desenvolver processos produtivos em que sejam respeitados os ciclos naturais do desenvolvimento dos vegetais e animais. a Agroecologia devolve ao camponês a capacidade de pensar sobre o fazer e de planejar como. da Física. o sentir e o fazer. pode-se pensar em aproximar um conceito de Agroecologia como sendo a construção de um novo paradigma científico. coisa que o modo de produção capitalista impede. A Agroecologia precisa ser vista em três dimensões. incorporam técnicas e tecnologias produtivas para aumentar a produtividade do trabalho e. com sua organização tendo por base os conhecimentos fragmentados.54 Filosofia. Dessa forma. diminuir a sua penosidade. O todo são as partes nas suas relações que se imbricam na relação do homem/natureza/sociedade/cultura (CAPORAL. Primeiro. culturais nas suas multideterminações. não mais alicerçado sobre a ciência cartesiana que fragmenta e separa o conhecimento. unindo o pensar. ao sobrepor a indústria à agricultura. aos interesses relacionados à reprodução do capital. a Agroecologia une a Agronomia à Ecologia. ambientais. econômicos. na dimensão sociopolítica. por último. Compreender esta relação é de fundamental importância para construirmos a Agroecologia enquanto espaço de construção de novas relações de produção. Segundo Guhur e Toná (2012). que a ciência cartesiana. ao mesmo tempo. enfim incorporar os conhecimentos das Ciências Naturais e das Ciências Sociais sem menosprezar a tecnologia de produção. separou. ou como técnica de produção. quando e o que produzir. 2009). devolve ao humano aquilo que lhe é essencial. e. Assim. da Química. a Agroecologia propõe-se à construção de um novo paradigma científico com uma visão holística em que o todo não pode ser compreendido como a soma das partes. Dessa forma. planejar o processo produtivo.

cloreto de potássio e tantos outros-. negando esses procedimentos custosos e destrutivos. a custa de energia solar que. a pesquisa que pretenda ser comprometida com os objetivos e dimensões da Agroecologia precisa estar abrindo e apontando os caminhos. que se fundamenta na produção de mercadorias a partir da monocultura e do uso de insumos que deixam rastros de destruição. portanto. todos para criar a dependência e. repetimos em termos humanos é infinita. Para isso. mas necessariamente pela prática do fazer agricultura. p. para gerar novas fontes de reprodução do capital. custos para o produtor. Nesse sentido o mesmo autor escreve: A agroecologia. o capital financeiro internacional. como que solo/vegetal/animal se inter-relacionam em um agroecossistema. 61-62). os biomas. portanto. consequentemente. Na matriz produtiva agroecológica que se aliam o jeito e a forma de produzir na agricultura com a utilização de técnicas e tecnologias apropriadas à produção em escala sem contaminar e sem destruir o meio ambiente se contrapondo ao paradigma do agronegócio. que é. 66). finalmente. Nesse intuito. sem rotulá-lo. por meio da transmutação dos elementos à baixa energia. e.ureia. pois todos esses processos são realizados. soluciona os problemas criados pela “revolução verde” através de condutas e processos simples e eficientes como a própria essência da natureza: desintoxicação do solo. 2014. fertilizantes de síntese química. Esse processo de conhecimento não se dá puramente na teoria. em última análise. segundo Machado e Machado Filho (2014. o agricultor necessita de ter conhecimentos teóricos acerca do que é o solo. superfosfatos. mão tem dono e não pode ser vendida! (MACHADO. p. a pesquisa precisa dialogar com os agricultores que fazem a Agroecologia na prática. gerando uma dependência dos agricultores em relação ao capital Segundo Machado e Machado Filho (2014. ao se contrapor ao agronegócio. Tudo isso com proteção ambiental e sem custo financeiro ao produtor.55 ser compreendida como um novo paradigma científico que vai muito além de mera forma de produzir. o objetivo dos detentores do controle dessas indústrias. nutrição das plantas através do ciclo do etileno no solo e das substancias complexas de alto peso molecular e dispensa dos fertilizantes externos pela ação dos micro-organismos do solo. como a planta se alimenta. podendo se transformar em instrumento que possibilite se contrapor à matriz produtiva do capital. Ou seja. Ainda segundo este mesmo autor. . MACHADO FILHO. controle dos parasitas (e dos agrotóxicos) pela trofobiose. 61): O paradigma da “revolução verde” e a respectiva agricultura industrial se poia em três “princípios”. venenos contaminantes da vida humana e da vida do ambiente (agrotóxicos) e as monoculturas que destroem a biodiversidade e.

Como vimos no primeiro capítulo. Vale destacar que agricultor ao aplicar a Agroecologia pela prática do produzir não o faz sem conhecimento teórico. certamente. Em todos os níveis em todas as latitudes. seja do ambiente e da natureza. ensino e extensão. orientado pelo pesquisador. as relações sociais e de produção que o ser humano contrai ao trabalhar vão moldando a sua forma de pensar e de compreender as coisas.56 Há que dispensar um extraordinário esforço de pesquisa. é preciso que o conhecimento científico dialogue com o conhecimento popular para se construir um novo paradigma científico que rompa com a racionalidade econômica capitalista. tendo como sujeito o produtor. mas também do porquê fazer. compreendendo que a Agroecologia se faz a partir da prática (Machado e Machado Filho 2014). mas é o ser social que determina a consciência. com a participação dialética dos produtores. (Março 2013) “é preciso aprender a plantar o tomate. afinal são eles os sujeitos do processo. a agricultura. seja do ser humano. mas . Assim. que produz a destruição. a teoria. cultura. Essa relação do como e do porquê fazer vai formando este agricultor do sentido da formação omnilateral humana. Nesse sentido. possibilitando colocar em prática as ciências produzidas no diálogo entre pesquisador e agricultor. da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A partir dessa concepção que é a vida real. a Agroecologia se coloca como força social atuando como contraponto à racionalidade econômica produzida pelo modo de produção capitalista. continuadamente. desenvolvida por milênios pelo ser humano. enquanto atividade prática. com a natureza. como este mesmo pesquisador falava para os mestrandos do Mestrado Profissional em Agroecossistema. considera inferiores ou inválidos. produziu uma infinidade de conhecimentos que a racionalidade econômica própria do modo de produção capitalista através da ciência e da tecnologia. pois. este vai se apropriando do conhecimento das técnicas não só do como fazer. mas não basta saber como se planta”. pois foi por essa atividade que ele desenvolveu a linguagem. (2006) Gomes (2006) e Leff (2004). segundo Caporal at al. Nesse sentido. Romper com essa racionalidade significa construir uma nova forma de se relacionar com a terra. Marx (1998) dizia que não é a consciência determina o ser. enquanto matriz produtiva e paradigma científico em construção. aqueles que vão pôr em prática as conquistas das ciências. (Engels 1999). Nesse processo de interação entre pesquisador e agricultor. Isto quer dizer que Agroecologia não se faz apenas com teorias. Considerando a prática como produtora de saberes (teoria). o ser humano se forma na atividade prática.

através da relação produção animal e vegetal possam produzir e alimentar a fertilidade de solo. Pensar a Agroecologia sem levar em consideração o princípio do policultivo e da não remoção do solo é desconfigurá-la. os seres humanos que dela fazem parte. “a prática é critério da verdade”. o que compreendemos como Agroecologia. incorporando técnicas produtivas as quais têm por base o policultivo e a não remoção do solo. deixa de ter valor. além de ser um modelo de produção que não se utiliza de agrotóxicos e ou fertilizantes de origem sintética. Nessa matriz produtiva é preciso buscar técnicas e tecnologias produtivas que possibilitem produzir em escala. desta forma. que respeitem o ciclo da natureza e que sejam aliadas à preservação do meio ambiente. Nesse processo de construção da Agroecologia. a Agroecologia pode vir a ser um espaço de formação do ser humano na conquista da sua emancipação. Dessa forma. segundo Machado e Machado . A Agroecologia vista como prática agrícola. uma vez que o ser humano se forma e se educa na atividade prática. Este processo de aprendizado que começa pela prática social pode devolver ao trabalhador do campo a capacidade de pensar como. Deste modo. ser produtora de alimentos saudáveis. e. mas se ela não estiver ligada à prática ela fica incompleta e. onde o agricultor procura desenvolver técnicas de produção que possam aumentar a produtividade do trabalho sem produzir danos à natureza. nesta. é esta que procura desenvolver a produção agrícola a partir da produção de alimentos saudáveis.57 com práticas. Agroecologia vem sendo construída como uma matriz produtiva de modo que possa se contrapor ao agronegócio. conforme Marx (1998). pelos danos que este pode significar para a natureza e. também. porque e para quem fazer o processo de produção. sobre o que produzir e como produzir. pois. A teoria é importante. Esta relação precisa estar fundamentada em princípios que respeitem o meio ambiente. a própria natureza vai auto produzindo a fertilidade do solo sem precisar usar produtos exógenos. Deste modo. desenvolver práticas que possam incidir em novas relações com a natureza e entre os seres humanos. no âmbito do fazer agricultura. abrem-se as possibilidades para o agricultor se apropriar do processo de produção. Pois. precisa. portanto. de modo a produzir alimentos saudáveis pela introdução de técnicas em que a energia solar e o próprio solo. Na Agroecologia o agricultor vai se formando e tomando consciência da necessidade de construir uma outra relação com a natureza e com os demais seres humanos. enquanto teoria articulada indissociavelmente à prática. segundo Machado e machado Filho (2014).

pela teoria da trofobiose e pela transmutação de elementos a baixa energia. pois o que determina. Ela passa a ser para além da técnica um processo de apropriação de conhecimento técnico e político-social e ético para se contrapor ao agronegócio. ou o como fazer sem compreender o . MACHADO FILHO. Antropologia e várias outras ciências. além do aproveitamento dos excrementos dos animais cuja criação articula-se à produção agrícola. Mas ela não é só isso.58 Filho (2014). a comercialização e a financiamento e que. na sua maior parte. o sol e o manejo dos agroecossistemas pelo agricultor são os grandes responsáveis pela produção. pelo manejo exercido pelo agricultor. e quem produz a fertilidade do solo é a própria natureza. diferentemente do pacote da agricultura da “revolução verde”. Estes são os três elementos constitutivos da Agroecologia. Trata-se mais de uma forma de organização dos grandes proprietários de terras com empresários da indústria e do comércio. principalmente pela energia solar. portanto. está também muito além de ser técnica de produção. sendo a produção decorrente do agronegócio. Nessa modalidade de produção. como pilares que necessitam da interação animal e vegetal para proporcionar uma gradativa melhora na fertilidade do solo e uma melhor estruturação física e química do solo. em última instância. e que se articula com as diversas áreas do conhecimento como acima mencionado. Parte-se do princípio de que a matriz produtiva agroecológica incorpora elementos da Agronomia. porque a própria natureza. pecuária ou na criação de aves e porcos. em que o técnico repassa o pacote tecnológico ao agricultor. que incorpora a produção. as relações de produção é a forma como a sociedade se organiza para a produção/reprodução de sua existência (MACHADO. As técnicas de produção. o que torna possível construir uma certa autonomia frente ao modo de produção capitalista. Nesse sentido a agroecologia também é uma técnica de produção. são os próprios agricultores. 2014). produz uma constante melhora da fertilidade do solo. a industrialização. mas sem deixar de secundarizar as técnicas de produção necessárias para o desenvolvimento da produção agrícola. Nessa matriz produtiva é possível construir uma autonomia frente ao processo produtivo. Diante dos princípios da agroecologia acima citados. além dos banqueiros que respondem pelo financiamento. a Agroecologia é uma matriz produtiva que não necessita de fertilizantes exógenos para a produção agrícola. destinada à exportação. os princípios da Agroecologia orientam-se pelo ciclo do etileno. Sociologia. seja na agricultura. porque quem produz as sementes.

Ou seja. pois não se faz Agroecologia sem conhecimento teórico/prático. A partir disso ele vai poder identificar o que fazer e como fazer para procurar equilibrar o solo. ao contrário. socais e políticas. das técnicas de produção articuladas a estes elementos de modo a aumentar a produtividade do trabalho sem destruição do meio ambiente. porque. mas. Ao compreender isso ele vai percebendo de como que a própria natureza produz a fertilidade do solo. que o agricultor possa desenvolver uma autonomia no processo produtivo em relação ao capital.2. as chamadas ervam daninhas são plantas que indicam o estado físico e químico do solo. não é possível fazer Agroecologia se o produtor não tiver um conhecimento do solo. também. por outro lado. se não se apropriar. A apropriação das técnicas de produção agroecológica permite. precisam ser apropriadas pelos agricultores. na Agroecologia é necessário que o agricultor que faz a produção necessita de aprendizados que vão além do como fazer. 2. no modo de produção capitalista segundo Marx (1968) o campo foi subordinado à cidade. no processo produtivo relacionado às técnicas produtivas da Agroecologia o agricultor poderá ir se libertando do domínio das grandes corporações para fazer. conhecimento este que é adquirido na sua experiência enquanto agricultor. mas. Esse processo de apropriação das técnicas de produção de como a natureza se comporta ao escolher determinada técnica é o que vai influenciar no processo produtivo tanto nas questões ambientais. Mas. na Agroecologia existe um processo de interação solo/vegetal/animal que o agricultor necessita de se apropriar. Segundo Machado e Machado Filho (2014). Nesse sentido. também.59 porquê do utilizar esta ou outra técnica. mas também do porquê fazer. Ao compreender isso o agricultor vai percebendo que não existem ervas daninhas. assim como a vida das pessoas e o trabalho que as sustenta passaram ao domínio do capital. embora esta autonomia seja relativa. e ao mesmo tempo compreende que e em solos equilibrados não há ataques de pragas e doenças. assim como nas questões econômica.Agroecologia no MST e a formação técnica Antes de entrar no estudo de como o MST começa a discussão acerca da agroecologia como nova matriz produtiva tecnológica para as áreas conquistadas e a consequente necessidade da formação de seus quadros técnicos para contribuir no processo . da vegetação e da fauna existente na área de terra onde trabalha.

pois à época era necessário que o setor agrícola acompanhasse o processo de modernização da economia. discutir qual o papel que a formação técnica em agropecuária assume no processo de desenvolvimento da agricultura brasileira. da introdução dos adubos de base sintética. assim como a introdução do uso dos agrotóxicos. Modelo conhecido como desenvolvimentista. na construção da modernização da agricultura os técnicos agrícolas desempenharam papel importante atuando na extensão rural para o aumento da produtividade do setor agrícola. é necessário localizar a formação técnica em agropecuária. Só a partir a da segunda metade da década de 1960 que o estado assume a educação profissional para o meio rural implementando ações concretas. quando e para que ela surgiu. do melhoramento genético das sementes na base da hibridação. Segundo Massuquetti e Silva apud Sobral (2005): “identificam ações concretas do Governo Federal (1967-1973) que buscavam estimular o processo de modernização da base técnica da agricultura brasileira. o processo da formação dos técnicos em agropecuária veio a se consolidar a partir da segunda metade da década de 1960. desencadeado nas décadas de 1960 e 1970. seguindo as diretrizes do pacote tecnológico que tinha por princípio o uso da mecanização. Segundo Sobral (2005. Ou seja. esse aumento de produtividade só foi possível graças à atuação de um profissional que. Segundo Sobral (2005) até a década de 1960 a educação rural e a formação técnica para a agricultura era uma educação marginal. também influenciou a maior produtividade dos agricultores integrados com as agroindústrias. p. estendendo-se até os anos de 1970 na direção da implementação da agricultura tecnificada.60 de implantação dessa matriz. A expansão da formação técnica para agricultura estava relacionada ao modelo de desenvolvimento econômico assumido pelo Estado brasileiro. A partir desse momento houve uma enorme expansão do ensino agrícola em especial a formação técnica profissional. como. no entanto. Este modelo tinha por base a revolução das bases técnicas de produção da indústria e também da agricultura. O papel dessas escolas agrícolas era de formar técnicos agrícolas que .” Nesse sentido. Ao estudar a formação técnica em agropecuária de nível médio no Brasil pode-se perceber que ela foi implementada tardiamente. Ou seja. Estas ações visavam estimular o processo da modernização da base técnica da agricultura brasileira. de certa forma deu conta de levar a tecnologia ao campo através da extensão rural. 4): O processo de modernização da agricultura e da pecuária. Nesse sentido para ajudar a difundir a nova base técnica da agricultura criam-se a grande maioria das escolas agrícolas existentes até hoje.

A grande indústria capitalista passa agora a dominar. é o processo de destruição da flora e fauna. analisava a integração agricultura-indústria. A direção da evolução industrial serve de regra à evolução agrícola” (2005. seja pela natureza mesma das tecnologias introduzidas. Com efeito. a incorporação de tais tecnologias ocorreu de forma inadequada à realidade do meio rural. Esta nova matriz produtiva e tecnológica na agricultura denominada de “Revolução Verde” levara a subordinação da agricultura à indústria. revelaram na verdade problemas de relação homem-meio físico com consequências ambientais e sociais (êxodo rural acentuado). Segundo. permitiu a incorporação de um conjunto de tecnologias “avançadas” ou “modernas” que. levando a consequências relacionadas ao meio ambiente tanto das questões bióticas como abióticas produzindo a contaminação do solo. p. Para essa formação adota a pedagogia . adaptar-se às suas exigências. 2005. Contudo. das águas e da vida. Segundo Sobral (2005) esta subordinação faz parte do desenvolvimento do capitalismo. do ponto de vista econômico. Além da expulsão do homem do campo a “Revolução Verde” pelo uso intensivo de agrotóxico e pela mecanização produz outra consequência. que vale lembrar aqui. a par de alterações havidas nas relações sociais no campo. Paulus (1999) citado por Sobral (2005. de forma geral. p. aumentaram a produção e a produtividade das atividades. Decresce o número de trabalhadores permanentes com a tratorização da lavoura (SOBRAL. nela incluído a do ser humano. A agricultura deve obedecer às suas ordens. A nova base técnica para a agricultura ficou conhecida como modernização da agricultura pela conhecida “Revolução Verde”. sobretudo a partir de 1950. 66): O desenvolvimento tecnológico da agricultura no Brasil. 27). Segundo este mesmo autor: Kautski já em sua época. a “Revolução Verde” vem provocar mudanças significativas nos arranjos de emprego no campo. p. ao mesmo tempo em que apontava a dependência da agricultura: “se na agricultura campesina primitiva a agricultura era. As inovações científicas e tecnológicas são introduzidas e incorporadas em máquinas e insumos agrícolas importados. O processo de modernização da agricultura através da “Revolução Verde” levou ao desaparecimento de um enorme contingente de pequenos proprietários através da migração desses agricultores para as cidades. o elemento decisivo e dirigente. Para que todo esse processo de modernização da agricultura pudesse se desenvolver o Estado brasileiro investe na formação técnica. seja pela maneira como se deu sua implantação.61 assumissem a função social de contribuir na implementação dessa nova base técnica para a produção agrícola. A prevalência de práticas e métodos que se tornaram convencionais à época. servindo de força de trabalho para a indústria em pleno desenvolvimento. 70). esta relação agora se subverte.

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tecnicista que se sustenta na teoria do capital humano. Essa teoria tem por base que uma
determinada quantidade de educação, qualificação que indica determinada quantia de
conhecimentos, habilidades, atitudes podem potencializar o trabalho a produção. Nesse
sentido Frigotto (1996, p. 41) ao analisar a formação técnica profissional:
A ideia-chave é a de que a um acréscimo marginal de instrução,
treinamento e educação, corresponde um acréscimo marginal de
capacidade de produção. Ou seja, a idéia do capital humano é uma
“quantidade” ou um grau de educação e de qualificação, tomado como
indicativo de um determinado volume de conhecimentos, habilidades e
atitudes adquiridas, que funcionem como potencializadoras da capacidade
de trabalho e de produção.

A formação técnica nas Escolas Agrotécnicas se dava através das chamadas escolas
fazendas16. O processo de formação técnica na escola Fazenda se dava pelo método aprender
a fazer e fazer para aprender. Nesse método o trabalho aparece como princípio pedagógico.
Segundo Sobral (2005, p. 41):
Conhecendo alguns pormenores do ensino agrícola, podemos perceber
também certas especificidades e, com isso, temos condições de analisar
possíveis conseqüências, pois a adoção acrítica das novas tecnologias
provoca uma verdadeira revolução na vida econômica e cultural do
pequeno produtor

A função das escolas profissionalizantes do período da implantação das novas bases
técnicas para agricultura era de formar a força de trabalho para o mercado. Esta força de
trabalho na sua grande maioria era absorvida no mercado das instituições públicas que forma
criados nesse mesmo período. Ou seja entre 1960 e 1970. Nesse e período que são criadas no
Brasil as empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) em praticamente
em todas as unidades federativas. Assim como a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA). Essas empresas recém criadas necessitam de força de trabalho
profissional para difundirem as novas técnicas de produção. Para isso necessitava-se de
profissionais formados com certas habilidades e capacidades técnicas. Foram estas as
empresas os responsáveis para introduzir na agricultura a implantação das tecnologias da
“Revolução Verde”.

16

A metodologia do ensino agrícola está calcada no sistema escola-fazenda, que tem por objetivo proporcionar
condições para a efetividade do processo ensino/produção, bem como a vivência da realidade social e
econômica da comunidade rural. Assim, o aluno participa de todo o processo produtivo, tendo condições de
aliar a teoria com a prática (Sobral 2005, p. 40).

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A partir da década de 1990 com a adoção do modelo neoliberal pelo governo
brasileiro, abrindo ainda mais a economia ao capital internacional, privatizando as empresas
públicas que contribuíram no processo de industrialização, assim como sucateando as
empresas públicas de assistências técnica e extensão rural, a formação técnica assume outro
papel. Se antes a função da formação técnica era formar profissionais para atuarem no
mercado de trabalho das empresas públicas (sobral 2005), agora a função dessas escolas é
para formar para o mercado privado, ou para voltarem para suas comunidades de origem e
desenvolver atividades em suas propriedades para o desenvolvimento dos novos padrões
tecnológicos que estão em pleno desenvolvimento.
Os novos padrões tecnológicos que começam a se desenvolver a partir da década de
1990 são conhecidos como agronegócio. Este padrão técnico está sustentado na produção
em grande escala sob o monocultivo em grandes propriedades a partir da utilização de
adubos sintéticos de base química em altas doses, utilização de agrotóxicos, sementes
transgênicas, máquinas de grande porte. Esta produção é totalmente dependente das
empresas transnacionais produtoras de sementes, adubos, agrotóxicos aliados ao capital
financeiro internacional.
Para se contrapor a matriz produtiva e tecnológica vista acima o MST começa a buscar
formar os quadros técnicos para uma outra matriz produtiva e tecnológica chamada de
agroecologia. Esta formação primeiramente se dá nos cursos de formação de técnicos em
agroecologia via Programa nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA. Mas
com a luta empreendida pelo MST conquistam-se escolas públicas que se localizam em
áreas de conquistadas por esse Movimento. Portanto, são escolas públicas que tem vínculo
com o MST. Para se compreender os limites e as possibilidades dessas escolas e a formação
técnica pensada pelo MST é preciso que se busque compreender qual a função da escola na
sociedade de classes.
Segundo Freitas (2015) a escola enquanto instituição educativa foi criada para formar
o ser humano as necessidades exigidas da sociedade pela qual foi criada. Isto quer dizer que
essa é uma instituição histórica. Ou seja, em cada período histórico se tem uma escola que
cumpre com uma função específica de formar o ser humano as suas necessidades. Nesse
sentido, sob a forma capitalista de organizar a produção da vida, a escola tem a função de
formar para as exigências dessa sociedade. As exigências da sociedade burguesa é um ser
humano submisso, alienado, que aceita cumprir ordens, que necessita de alguns

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conhecimentos necessários para poder operar instrumentos de trabalho. Segundo Enguita
(1989), Freitas (2015) a forma da organização escolar educa muito mais que os conteúdos
ensinados. Isto quer dizer, que na sociedade capitalista onde se organiza a escola sob o
comando do diretor, do professor, onde os estudantes são retirados do meio da vida,
separando teoria da prática no ensino, e se utiliza da avaliação como meio de verificar os
aprendizados, produz um ser humano submisso, obediente, alienado, unilateral, ou seja, um
ser humano adaptado as exigências do capital. Mas, por outro lado, como a sociedade
capitalista é contraditória, as contradições entre classe burguesa e classe trabalhadora
permeiam a educação escolar.
Segundo Enguita (1989), a educação escolar reflete as lutas de classes que se
estabelecem no mundo do trabalho. Ou seja, a escola não é só aparelho ideológico da
sociedade burguesa, mas também poderá ser instrumento que poderá contribuir no processo
de conquista da emancipação humana.
Perceber e compreender as contradições que se apresentam no interior da sociedade
capitalista, no mundo do trabalho concreto, nas relações de produção, tanto no trabalho
industrial, quanto no trabalho agrícola e como estas aparecem no interior da educação
escolar, é fundamental. Assim como também se torna necessário compreender que a escola,
nas diferentes épocas históricas, foi se moldando para contribuir na reprodução de
determinada forma da sociedade se organizar para produzir sua existência. Por outro lado,
conforme o mesmo autor, a escola que está inserida na sociedade em que se estabelece a luta
de classes, essa também permeia o espaço escolar, assim a escola poderá se tornar
instrumento para transformar a sociedade.
Segundo Mariano Enguita, na obra citada, a função da escola, em qualquer sociedade,
é a de educar os alunos para se adaptarem à sociedade existente. Mas, como a sociedade é
atravessada por contradições decorrentes dos interesses das classes que a constituem, estas
contradições também estão presentes na escola.
Freitas ao discutir a relação entre formação geral e formação técnica no MST assim
fala:
Sabemos que a escola capitalista - apesar de contraditória – está a serviço
da classe dominante. Foi formatada para atender aos seus objetivos ao
longo de séculos. Suas funções sociais estão baseadas na exclusão da
classe trabalhadora e na sua subordinação – quando não em uma
combinação de ambas. Essa exclusão da escola hoje já não é [...] física. Foi

onde além do pessoal pedagógico. e para que fazer. 2010) que não podem ser só formais. é preciso ter a compreensão da necessidade de construir mudanças (Mészáros. pais e estudantes possam efetivamente participar a partir de sua organização. do como. O MST compreende que a formação do técnico agrícola deve estar fundamentada na apropriação das técnicas. mas sobre tudo. A educação/formação técnica buscada pelo MST para fortalecer a discussão e implementação da agroecologia como matriz produtiva e tecnológica dá-se em virtude desse movimento introduzir nas suas discussões essa matriz como forma de viabilizar a autonomia produtiva frente ao agronegócio assim como forma de produzir sem degradar a natureza. (2015. a eles cabe obedecer. a forma organizativa e na gestão. Por isso. mas fundamentalmente mudanças na estrutura organizativa da escola. na escola pública. . p 228) A partir da afirmação de Enguita e de Freitas de compreender a educação escolar no atual estágio de desenvolvimento do capital é preciso articular lutas para que possam ser efetuadas mudanças não só em relação aos conteúdos escolares. O MST ao introduzir em sua organização a agroecologia como matriz produtiva percebe a importância de formar quadros técnicos em agroecologia para contribuir na implantação dessa matriz produtiva em seus assentamentos.65 substituída pela “exclusão por dentro” – uma forma de se manter a classe trabalhadora na escola sem aprender. Esta formação sustenta-se na relação teoria e prática para a formação omnilateral do ser humano. mas essenciais. na formação política ideológica a partir de uma pedagogia que tenha o trabalho como princípio educativo. Segundo Shulgin citado por Freitas (2015) a gestão da escola está centrada no pessoal pedagógico e os estudantes só são mero detalhe. Mudanças que se referem ao conteúdo. tanto o que diz respeito a forma avaliativa. ela não poderá ser feita com a mesma pedagogia daquela que foi utilizada para a formação dos técnicos que viriam a implementar a “revolução verde”. Nesse sentido para se pensar a educação profissional em que o estudante se aproprie do conhecimento historicamente produzido e das técnicas não só no sentido de saber fazer. Para atender essa demanda começa a luta por escolas para proporcionar esta formação. como na gestão escolar. pedagogia esta que buscava a formação de habilidades no sentido do treinamento. Esta afirmativa de Mészáros pode ser compreendida como necessidade de efetuar mudanças profundas na educação escolar para que essa atenda os interesses da classe trabalhadora.

2004). em parceria com institutos federais de educação profissional assim como universidades públicas. só financiava cursos de alfabetização. . Os assentamentos e comunidades rurais devem produzir prioritariamente alimentos sem agrotóxicos para o mercado interno”17. para isso. o MST implementa nesses cursos seu método pedagógico. foi o de construir a agroecologia produzindo alimentos limpos. Torna-se necessário. desta forma. a partir do V Congresso Nacional desse Movimento. o de Técnico em Agroecologia. deve-se ao fato de precisar formar seus integrantes para proporcionar a apreensão das técnicas de produção agroecológica que. Segundo a autora.br. é a partir deste Congresso que o MST rompe com a matriz produtiva do modelo hegemônico provindo da revolução verde. a partir da segunda metade da década de 1990. já existem e precisam chegar aos camponeses para que a matriz produtiva e tecnológica da Agroecologia possa. incorporando os cursos de formação de professores para atuarem nas escolas do campo entre eles Pedagogia e Licenciatura em Educação do Campo. tornando-se referência no MST.66 Segundo Silva (2011) a introdução da agroecologia nas discussões no MST começa a aparecer com mais força. fala que a Agroecologia ganha força no MST. cursos de graduação em Agronomia com ênfase em Agroecologia. dentre estes.mst. que a compreensão de que a educação. Segundo Rego (2011). numa 17 Disponível em www. de fato.org. É na perspectiva do fortalecimento da matriz produtiva da Agroecologia que o MST se movimenta e empreende lutas para que se amplie o financiamento da educação feita pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agraria (PRONERA) que. a formação/educação pode ser um instrumento que contribua na superação da sociedade de classes e a dissociação entre trabalho manual e intelectual. mais tarde. também. segundo Machado e machado Filho (2014). A luta empreendida pelo MST. E. como visto anteriormente. bem como os cursos de técnicos ligadas à Agricultura e. Nesse processo de articulação teoria e prática. Este método articula teoria com a prática (MST. Nessa luta conquista-se a ampliação dos financiamentos do PRONERA. comprometeram-se a: “Difundir as práticas de agroecologia e técnicas agrícolas em equilíbrio com o meio ambiente. deslocando. Acessado em 30 dezembro de 2014. a referência do cooperativismo produtivista que era dominante até então. na ocasião. pois um dos compromissos assumidos pelos delegados participantes. e. inicialmente. Nesse sentido. chegar às áreas conquistadas. assim como programas de pós-graduação na área da Agroecologia. nesse sentido.

como instrumento de manutenção da sociedade de classes. no próximo capítulo buscamos compreender. o trabalho que produz o ser humano ao se incorporar na escola. é necessário que ela incorpore à sua pedagogia o trabalho como princípio educativo.67 sociedade de classes. . abrem-se possibilidades de a partir do trabalho (Freitas. sob a divisão social do trabalho. Nessa perspectiva pretendo analisar a educação objetivada na formação profissional do Técnico em Agropecuária. como a sociedade de classes é contraditória e está imersa na luta de classes. como princípio educativo. expropriou deste humano. É nessa perspectiva que o trabalho na educação escolar poderá ser princípio educativo. como instrumento de contribuição para superação da sociedade de classes. do mesmo modo. Todavia. Confirmo. cumpre com a função da reprodução desta mesma sociedade. na qual compreendo a educação tendo um caráter contraditório. e. que possam contribuir no processo de construção de processos agroecológicos. Para isso. mas que no trabalho também está presente o germe de sua emancipação. esta também se expressa no interior da escola. então. Assim. poderá devolver a capacidade criadora que a sociedade de classes. por outro lado. assim. se esta unidade se expressa e quais os limites e possibilidades que podem ser observados nesse sentido. na Escola 25 de Maio. Neste sentido. a análise feita até aqui. com o auxílio dos instrumentos teóricos do materialismo histórico-dialético como a unidade teoria e prática se expressa na formação do técnico em Agroecologia da Escola 25 de Maio. ou seja. Esta devolução é necessária quando se pensa na formação direcionada à emancipação humana. Mas.) possa se introduzir atividades que possam compreender que o trabalho sob a forma assalariada no modo de produção capitalista desumaniza. a devolução só será possível se unirmos trabalho e educação. com ênfase em Agroecologia. Esta escola de formação profissional visa a formar técnicos em Agroecologia. se contrapondo à agricultora do agronegócio.

Nesse item iremos apresentar o histórico e a caracterização da Escola de Educação Básica 25 de maio de modo geral e em específico o curso técnico em agroecologia. Para compreender a formação do técnico em agroecologia na Escola 25 de Maio e como encontram-se articulados a teoria e prática nessa formação esse capítulo é dividido em quatro partes. A caracterização do Curso Técnico em agroecologia enfatizando a forma como se organiza é a segunda parte. A Escola de Educação Básica 25 de Maio. município de Fraiburgo SC. qualificação dos professores. município de Fraiburgo SC é uma escola fruto da luta pela terra que vem acontecendo há três décadas. Essa escola por estar organicamente vinculado ao MST traz em Projeto Político Pedagógico (PPP) a proposta de educação do MST. A análise dos dados a partir do referencial teórico da pesquisa e de categorias que identifiquei no processo da análise. 1 . leitura de documentos da escola e das entrevistas com os sujeitos da pesquisa. As categorias identificadas são trabalho. . localizada no assentamento Vitória da Conquista. traz em seu bojo a possibilidade de unidade teoria e prática na formação do técnico em Agroecologia. Neste Capítulo vamos trazer os resultados da pesquisa buscando analisar a educação proporcionada pela Escola 25 de Maio no curso técnico em agroecologia. por integrantes do Movimento Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no estado de Santa Catarina. 3. Esta educação por ter o trabalho como princípio educativo. relação TC e TE faz parte da quarta parte. relação teoria e prática.68 III CAPÍTULO –A FORMAÇÃO DO TÉCNICO EM AGROECOLGIA NA 25 DE MAIO.Histórico e caracterização da Escola 25 de Maio. localizada no assentamento Vitória da Conquista. Na primeira parte farei um histórico de como se deu a conquista da Escola 25 de Maio e o Curso Técnico em Agroecologia e como se dá o vínculo com o MST. Na terceira parte trarei presente os dados empíricos obtidos pela observação.

Ainda de acordo com Mohr (2014) e Mohr e Ribas (2012). primordialmente. 2012. esporte. O Ensino Médio integrado à educação de formação Técnica em Agroecologia foi criado no ano de 2004. Associativismo e Sociologia Rural. profissionalização. tendo continuidade na jornada de lutas de abril de 2002. fez parte da pauta de reinvindicações apresentada junto ao governo de Estado. Zootecnia Geral. Fruticultura. quando da realização da jornada de lutas do MST. A luta por escola não para por aí. era o de desenvolver 18 19 Assentamento União da Vitória e Assentamento Vitória da Conquista. no estado de Santa Catarina. estes assentamentos conquistam duas escolas municipais dos anos iniciais do ensino fundamental. “Este Centro visava. no ano de 1987. em Abelardo Luz. pois as famílias assentadas. a luta para a criação do curso de Ensino Médio integrado ao Técnico em Agroecologia. em Santa Catarina. a Escola é fruto da organização e da luta pela terra empreendida por um grupo de famílias camponesas que hoje se encontram assentadas no município de Fraiburgo. em 1987 são criadas duas escolas nos assentamentos existentes na época. cultura. uma em cada Assentamento existente na época. Projeto de ampliação do espaço físico do projeto rural de Fraiburgo. fala que o Setor de Educação do MST de Santa Catarina. bem como o MST. que visava à educação em tempo integral. no ano de 1988 os assentamentos acima citados conquistam escolas a partir das suas lutas fortalecidas pelo Centro de Apoio e Desenvolvimento Comunitário Rural (CADCR). 1). Só em 1988 que é criado o Centro de Apoio e Desenvolvimento Comunitário Rural (CADCR). acreditam que o acesso ao conhecimento historicamente produzido pela humanidade é uma ferramenta importante para a emancipação da classe trabalhadora. Os assentamentos 18 são criados em 1986 e. RIBAS. p. Além do núcleo comum. recreação e apoio à família e à comunidade rural” (MOHR. Segundo Roesler Mohr (2006). ocorrida do dia 25 de Maio de 1985. Estas famílias são oriundas de expressiva ocupação de terras. . primordialmente.69 Segundo Mohr e Ribas (2012). oferecia as disciplinas de Agricultura Geral. Assim que as famílias chegam aos assentamentos começam uma luta pela educação escolar até que. este projeto deu origem à construção da Escola 25 de Maio começa por atender os anos finais do Ensino Fundamental. O objetivo inicial do CADCR. em abril de 1999. o desenvolvimento de ações de escolaridade. 19 Segundo estes mesmos autores. na Escola 25 de Maio.

2012. Zootecnia Geral. Desde o princípio das discussões. esporte. p. Nesse sentido: Em 1999 se iniciam as negociações com a SED. realizadas entre os anos de 1999 a 2005. cultura. Além destas. por intermédio da Secretaria Estadual de Educação SED/SC. (MOHR. mas que. um apêndice de uma escola urbana. As famílias assentadas. 63): Esta turma. . junto com esta Escola 25 de Maio e os moradores dos assentamentos de Fraiburgo. a Escola de Educação Básica Gonçalves Dias. o Setor de Educação do MST. que a partir de 2003 assumiu as escolas estaduais do município de Fraiburgo. No entanto. o que era contrário à vontade das famílias assentadas.70 “ações de escolaridade. em Florianópolis. de fato. recreação e apoio à família e à comunidade rural” (MOHR. com o passar do primeiro ano. No ano de 2002. esta escola oferecia as disciplinas de Agricultura Geral. em vista da construção de uma escola agrícola de nível médio. Associativismo e Sociologia Rural. Analisando o Livro de Atas do Conselho Comunitário Escolar. Fruticultura. dirigindo-se ao Governo do estado/SC. Esta foi a primeira experiência de ensino profissional que atendia os filhos dos assentados dos dois assentamentos acima citados. Além dessas lutas. diante da pressão das famílias assentadas. apresentou expressivo número de desistências. o Setor de Educação do MST mobilizou-se para a criação de uma Escola Técnica de Ensino Médio. tendo em vista as dificuldades relacionadas à distância entre as casas dos estudantes e a escola. esta turma funcionaria à noite. p. seja na Coordenadoria Regional de Caçador. outras 8 reuniões foram realizadas na SED. Segundo os mesmos autores este projeto deu origem à construção da escola dos anos finais do ensino fundamental. profissionalização. Conforme Mohr (2014. por intermédio da extensão de uma escola urbana. seja na Gerência Regional de Educação no Município de Videira. segundo o mesmo pesquisador. por mais que isto representasse um avanço em relação aos níveis de ensino existentes. fosse do Assentamento e do MST. pleiteava-se a criação de um curso em outros moldes e não a mera adaptação. realizaram 20 Para melhor compreensão do que era o Centro de Apoio e Desenvolvimento Comunitário Rural consultar Mohr (2014) e Mohr e Ribas (2012). Como resposta esta oferece a possibilidade de abertura de uma turma de Ensino Médio. 2014. RIBAS. que visava à educação em período integral. o MST e a Escola continuaram a luta para ter uma escola de Ensino Médio e Técnico que não só estivesse localizada no Assentamento. 63). p. Além do núcleo comum. 1)20. visando uma ampliação dos níveis de ensino. num total de dezenove. podemos encontrar informações sobre o número de audiências. da qual a escola fazia parte.

contando com recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). que oferecesse o Ensino Médio integrado ao Técnico em Agroecologia. já que a UFSC vinha executando projetos de alfabetização de jovens e adultos em áreas de assentamentos. Mas. em março desse mesmo ano a Secretaria Estadual de Educação informou que o curso não seria aprovado. entre as quais. a Escola junto com o Setor de Educação do MST de Santa Catarina procurou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para elaborar um projeto de formação técnica em Agroecologia. ou seja. os recursos só foram liberados em janeiro de 2005. além disso. através deste mesmo Programa. mas as condições de alojamento e alimentação impediram os demais de participarem. é realizado uma etapa anterior ao início das etapas do curso para uniformizar os conhecimentos acerca da organização e o funcionamento da escola que é chamado de etapa preparatória. divididos em períodos em que os educandos ficam na escola para estudar os conteúdos do currículo escolar e períodos que ficam na comunidade desenvolvendo atividades junto com a família ou organização a qual participam. Até que numa das audiências. no ano de 2003. nos assentamentos e acampamentos. o MST. Porém. o Setor de Educação e a própria Escola começaram a discutir. a formação da primeira turma. a turma foi dividida em duas para frequentar as disciplinas do Ensino Médio. em março de 2005 são incorporados mais vinte e cinco estudantes para completar a turma. Diante disso. Para que não houvesse prejuízo aos educandos que começaram os estudos no ano anterior. o PRONERA estabelecia algumas exigências. mas. Para a aprovação do projeto de criação de um curso. . 21 Em todos os cursos formais organizados por escolas vinculados ao MST que se realizam em períodos de alternância.71 outras audiências com o governo do Estado e a Secretaria Estadual de Educação. com a etapa Preparatória21. O projeto foi aprovado em agosto de 2004. a Escola 25 de Maio elaborou o projeto e o encaminhou para a Secretaria Estadual de Educação. A partir da formação da turma o início do curso Técnico em Agroecologia se deu no início do ano de 2004. Aberta esta possibilidade. Diante do compromisso assumido pelo governo do Estado em criar a escola. Diante desta resposta negativa. mesmo com curso já em andamento com vinte e cinco estudantes. havia muito mais jovens interessados em estudar. a de que a turma deveria ter cinquenta estudantes. Já as disciplinas do curso profissionalizante são frequentadas em uma única turma. apresentando e justificando a necessidade da formação técnica para as famílias assentadas. iniciando com vinte e cinco estudantes. o governador do Estado sinalizou com o compromisso de criar a escola de Ensino Médio integrado ao Técnico em Agroecologia.

poderia ser modificada a sua formatação e até duração. continuaram as lutas e negociações para que o governo do estado de Santa Catarina. O ensino integrado à educação profissional com o curso Técnico em Agroecologia foi criado no ano de 2004. Do ano de 2004 a 2008. envolvendo a UFSC. com inúmeras audiências. mesmo que o PRONERA estivesse garantindo a formação técnica até então. Segundo Roesler Mohr (2006). de forma geral e. Nesse período de 2004 a 2008. a Escola 25 de Maio firmou dois projetos com o PRONERA para formação de duas turmas. no caso. Já o curso profissionalizante é vinculado ao PRONERA. do ano de 2004 a 2008. através da Secretaria de Educação. o MST e a escola entendiam que era necessário continuar a luta e as negociações junto ao governo do Estado para que ele assumisse o curso Técnico em Agroecologia como um curso regular da rede estadual de ensino. O segundo Projeto foi realizado em 2007 e certificado pelo Instituto Federal de Rio do Sul/SC. Durante este período. finalmente em 2008 a Secretaria de Educação incorpora o curso técnico em Agroecologia ao ensino regular Nesse sentido. de Fraiburgo/SC. É uma escola organicamente ligado ao MST. O primeiro Projeto foi feito em 2004 e a certificação se deu pelo Instituto Federal de Araquari/SC. assumisse o curso técnico como um curso regular. A Escola 25 de maio é uma escola que oferece os anos finais do Ensino Fundamental e o Curso Técnico em Agroecologia integrado ao Ensino Médio. Portanto. o Ensino Médio continua vinculado à rede estadual de ensino na forma de extensão da Escola de Educação Básica Gonçalves Dias. as famílias assentadas no município de Fraiburgo. ou seja. pelo PRONERA. sob a forma de educação integrada Ensino Médio e formação profissional. pois. conforme afirmado acima. Assim. a conquista do curso técnico em agroecologia da Escola 25 de Maio se deu a partir de muitas lutas empreendidas pelo MST. que. antes da vinculação do curso técnico à Secretaria Estadual de Educação passaram duas turmas pela Escola 25 de Maio.72 Ensino Médio foi introduzido nessa Escola no ano de 2002 via extensão da Escola de Educação Básica Gonçalves Dias. o curso Técnico em Agroecologia. o INCRA e o MST. Após muita mobilização e luta. no caso de uma mudança no governo federal. em particular pelos assentamentos de Fraiburgo. a partir de 2009 o curso técnico passa também a integrar a rede estadual de educação. não havia a certeza da continuidade pelo fato de ser um Programa e não uma política de Estado. por outro lado está ligado ao Sistema estadual de Educação do estado de . sob a forma de um Projeto em parceria.

por cinco ou seis estudantes que se reúnem semanalmente para discutir as questões pertinentes à sua participação na Escola e no trabalho associado à sua formação. Para essa mesma liderança a Escola tem uma identidade com o MST e teve e continua tendo uma importância muito grande para o Movimento Sem Terra. Ou seja. ou seja. que ela deveria partir da prática da agricultura para ensinar e ela deveria fazer na prática. A forma que a Escola se organiza para poder garantir a participação de todos os segmentos envolvidos é da seguinte: a) Coletivo de estudantes: O coletivo de estudantes é organizado em Núcleos de Base (NB)23 espaço que possibilita a sua participação na escola. a escola construída pelas famílias assentadas e pelo MST. deveria cumprir com a função social de contribuir com os assentados no desenvolvimento da produção agrícola dos sujeitos envolvidos nessa construção. Nesse sentido a escola foi pensada para ser um espaço que pudesse ensinar questões ligadas ao trabalho do campo e as técnicas agrícolas. A forma de organização da escola se fundamenta nos princípios de Educação do MST. Pelo fato da Escola 25 de Maio ser fruto da luta do MST. As famílias assentadas desde o início da luta pela escola pensaram uma escola que fosse diferente. ela se organiza com a participação dos diversos segmentos que formam a comunidade escolar. Uma escola que ensina-se aos assentados e seus filhos não só os conteúdos escolares abstratos. esta escola se fundamenta nos princípios filosóficos e nos princípios pedagógicos da educação do MST (PPP 2013). Cada segmento da escola. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. os estudantes dos anos finais do ensino fundamental estão divididos em NB distintos dos estudantes do Curso Técnico em Agroecologia integrado ao Ensino Médio. . mas que ensinasse a partir da realidade do assentamento e da agricultura. 23 O Núcleo de Base é formado. Para que a escola 25 de Maio pudesse cumprir com a função acima mencionado. A educação da Escola 25 de Maio desde o início foi pensada. segundo Pereira22 (2014). Nesse sentido cada segmento escolar tem sua própria coordenação de estudantes.73 Santa Catarina pela SED-SC. geralmente. Esta coordenação é formada pelos coordenadores e coordenadoras dos NB que são escolhidos no início de 22 Membro do conselho escolar e dirigente do MST da Região onde se localiza a Escola 25 de Maio no final da década de 1980 e início da década de 1990.

em momentos específicos marcados pela Escola. a articulação com a comunidade. tanto na questão pedagógica. as questões relativas à (in)disciplina destes segmentos e encaminhar as penalidades no sentido da construção de mudanças de comportamentos. através dos Setores de Produção e Educação. Esta é a forma que os estudantes se auto-organizam para exercer sua participação na vida da escola. e) Participação do MST: O MST participa da Escola 25 de Maio através da sua representação no Conselho Escolar. no seu PPP. e uma representação da comunidade assentada e do MST e representantes de estudantes do curso técnico em agroecologia. d) Associação de Pais e Professores (APP): Essa associação é formada por pais e professores que contribuem voluntariamente com alguns trabalhos na escola. Sendo assim. A coordenação de cada segmento escolar escolhe um coordenador e uma coordenadora que participarão do concelho de classe. além de serem a representação legal da escola responsável para receber recursos do estado para investir na escola. ou ainda. Nessa escola nem todos os professores tem vínculo com o MST. c) Conselho deliberativo escolar: O Conselho deliberativo é formado por uma representação da direção da escola e dos professores. 28) está registrado que: “O trabalho e a organização dos alunos na Escola deverão ter uma ampla . Eles se reúnem a cada trinta dias onde discutem sobre questões pedagógicas relacionadas ao ensino aprendizagem. que é constituída pelas famílias assentadas.74 cada ano letivo. fazem parte desse Conselho todos os segmentos envolvidos na Escola 25 de Maio. Ela existe porque o estado não reconhece o conselho deliberativo como uma instituição legal para receber os recursos financeiros que a escola tem direito. A sua função é discutir junto aos estudantes. Nesse sentido quem discute os projetos de ampliação da estrutura física é este Conselho. como no que diz respeito à estrutura física da Escola. uma vez que ela prevê. p. Além desse coletivo tem um grupo chamado de grupo orgânico (GO) formados por professores que tem vínculo orgânico com o MST. com a participação da representação dos pais e do MST. assim como os rumos da proposta pedagógica da Escola. é discutir os rumos político-pedagógicos desta Escola. através da participação do Setor de Educação e do Setor de Produção. No seu PPP (2013. O número de professores que tem certo vínculo com o MST é em torno de dez professores. O papel fundamental do MST. Além dessa função. professores e funcionários da Escola. o Conselho Escolar também assume a tarefa de propor melhorias. b) Coletivo de educadores/professores: Os professores estão organizados num coletivo onde todos participam.

no mesmo sentido a comunidade deverá discutir os rumos da escola e se organizar junto a ela. O parecer é elaborado pela Escola a partir da avaliação vinda da organização dos alunos e dos professores. Isto significa que cada etapa equivale um bimestre. Ou seja. expressa em notas. onde os educandos realizam atividades de pesquisa de sua realidade. que a Escola precisa seguir por estar vinculado ao sistema estadual de educação. o calendário escolar é organizado em 200 dias letivos separado em quatro bimestres com avaliação dos alunos por bimestre. em cada bimestre é elaborado um parecer descritivo em que são apontados os avanços e os limites do aluno no aprendizado.75 ligação com a vida da comunidade. existe o Tempo Comunidade (TC). Outra questão que mostra o vínculo dessa escola com o Movimento é que o assentamento ocupou a escola. Nesse parecer consta não só os aprendizados e os limites do aluno. Se o Ensino Fundamental se dá no calendário normal das escolas vinculados a SED. sua participação nos diversos espaços educativos. mas também questões sobre a participação do aluno na organização do seu coletivo. pois é essa forma adotada pela SED. sobre o desenvolvimento do trabalho. A organização do ano letivo para o Ensino Fundamental acontece conforme determinação da SED. sobre o comportamento. . ver também: Ribeiro (2008). avaliam e planejam as atividades. acompanhados por pessoas de sua localidade (acampamento. participam de inúmeros aprendizados. Sendo assim o ano letivo é organizado em quatro etapas de aproximadamente cinquenta dias cada etapa. all. assentamento ou comunidade). Como acima 24 Dá-se a denominação de “Método da Alternância” às experiências que consideram dois momentos educativos: o Tempo Escola (TE. o Curso Técnico em Agroecologia se dá pelo Método de alternância. onde os educandos têm aulas teóricas e práticas. se auto-organizam. ou dos outros aspectos trabalhados pela Escola. 2013). sejam dos conteúdos escolares. Princípios em que o trabalho assume papel central na prática educativa. ou seja. Ou seja. É nesse sentido que a comunidade ocupa a escola. Sobre o tema. Além deste.” A escola 25 de Maio assume no plano da teoria os princípios organizativos filosóficos e pedagógicos do MST. Mas por outro a Escola usa também a avaliação qualitativa. O assentamento via conselho deliberativo participava/participa ativamente das atividades da escola. (CALDART at. o trabalho é visto como princípio organizativo ao lado da organização coletiva. A Escola optou em fazer duas formas de avalição. Uma das formas de avaliação é a quantitativa. de práticas que permitam a troca de conhecimentos.) realizado presencialmente na escola. de registro desta experiência. ou seja. 24 Nesse Método o calendário escolar é organizado em etapas com estudo concentrado. aulas manhã tarde e noite.

alojamento feminino para quarenta lugares. uma casa para moradia de professores e uma pocilga. Em relação a estrutura física conquistada pelos assentados e o MST são: oito salas de aula. uma bibliotecária. sala dos professores. um galpão. deve ser professor do quadro profissional efetivo da escola. Relacionadas a matemática e ciências da natureza. A escola incorporou no seu Método pedagógico o trabalho como princípio educativo. anfiteatro. porque segundo a normativa da SED. alojamento masculino para quarenta lugares. uma secretária. Até o ano de 2012 eram sete as unidades didáticas. um trator com alguns implementos. assim como no Ensino Fundamental. também no Curso Técnico em Agroecologia é feito avaliação qualitativa através da emissão de parecer. A produção do leite é realizada a base de pasto utilizando a tecnologia do Pastoreio Racional Voizin. se deu em virtude a diminuição do número de estudantes. na qual ela produz leite. lavanderia. Nesse sentido organizou o trabalho em unidades didáticas 25 . um campo de futebol.Siscal. A área destinada ao PRV é de oito hectares. A escola possui uma área de trinta e dois hectares de terra. um laboratório de informática. Essas unidades didáticas foram introduzidas no ano de 2005.PRV.76 citado a avaliação por exigência do SED precisa ser feita de forma quantitativa. a partir de 2013 reduziram-se a três. Para garantir os princípios pedagógicos da Educação do MST. salas de jogos. um laboratório de análises químicas e biológicas de solo. Esta redução segundo diretor da escola26. As unidades didáticas que ainda estão em funcionamento são: Pastoreio Racional Voizin (PRV). Horta e Sistema de Criação de Suínos ao ar Livre. sala da direção. Dos oito hectares quatro hectares estavam com o PRV em funcionamento até o mês de agosto de 2014. sendo sete professores para a área técnica do curso técnico em agroecologia e dezessete para as outras disciplinas do Ensino fundamental e Ensino Médio. Nesse mês o PRV foi desativado por estar em condições precárias e precisar 25 São chamadas unidades didáticas unidades de produção onde os estudantes trabalham e realizam algumas experiências práticas relacionadas a algumas disciplinas. uma coordenadora pedagógica e vinte e quatro professores. sala da secretária. A escola tem sessenta e oito alunos matriculados no Ensino Fundamental e quarenta alunos matriculados no Curso Técnico em Agroecologia. A escola conta com vinte e oito profissionais contratados. suíno e horta e algumas ovelhas. sendo um diretor indicado pelo conselho deliberativo dentre os professores efetivos da Escola. refeitório. 26 Informação obtida com conversa informal durante as minhas observações nessa escola .

Tempo NB. A escola tem o planejamento para a partir do início de 2015 o PRV de oito hectares estivesse em funcionamento. No decorrer desse item pode-se perceber que toda organização do Curso Técnico em Agroecologia está fundamentada nos princípios organizativos da educação do MST.SISCAL. A área destinada a produção de suínos é de três hectares. Esta forma de organização escolar que o PPP sinaliza 27 É chamado professor de convivência este que acompanha os alunos durante o TE nos diversos espaços educativos como: Tempo trabalho. No período em que o PRV ficar desativado.77 de uma reforma. Segundo professor orientador de convivência27 A organização e planejamento dos oito hectares de PRV que estão em construção foram feitos pelos técnicos da Assistência Técnica e extensão Rural. A escola tem um projeto para investir no pomar de frutas de em torno de dois hectares. as quatro vacas e duas novilhas que a escola tem foram entregues para duas famílias de assentados para cuidarem até que volta-se a funcionar o PRV. O objetivo central desse curso é formar técnicos em agroecologia com capacidade técnica e conhecimento político para contribuir com os camponeses na mudança da matriz tecnológica do agronegócio para a matriz tecnológica da agroecologia. Junto com a reforma do PRV existente também se projetou construir mais quatro hectares em PRV. em Santa Catarina. A área destinada a horta é de um hectare com o sistema de horta mandala. Ou a Pedagogia do Movimento Sem Terra. A mudança de matriz tecnológica significa produzir alimentos saudáveis. 3. etc. . a Escola em seu PPP traz a forma em que precisa organizar as atividades pedagógicas. 28 Conforme entrevista cedida a Paulo Davi Johann em abril de 2014. Para alcançar seu objetivo central a formação técnica e política dos seus estudantes.ATER que fornecem assistência técnica aos assentamentos e a participação dos alunos do Curso Técnico em Agroecologia28. Os suínos são criados no sistema de criação ao ar livre.2 – Caracterização do Curso Técnico em Agroecologia na Escola 25 de Maio Neste item vamos apresentar o processo de organização do curso Técnico em Agroecologia oferecido pela Escola 25 de Maio aos estudantes vinculados aos assentamentos do MST existentes no município de Fraiburgo.

conforme registram os estudantes entrevistados. pode ser equiparado a Escola Fazenda29. do jardim. preparar o café e as refeições em dias que não têm aula. agrofloresta. A estes se soma o trabalho da horta. levar o lixo para o local destinado. calda sulfocálcica. p. onde os estudantes do Curso Técnico em Agroecologia moram durante o Tempo Escola (TE). um masculino e outro feminino. Tem só as práticas do Tempo Trabalho que são duas vezes por semana. Tal fato colabora para que o aluno assimile um sentido de coletividade que. limpar o alojamento. qual sua estrutura física. organizar e fazer a mística. caldas como a calda bordalesa. Seguimos agora com a descrição de como o Curso Técnico em Agroecologia está organizado. tais como: limpar a sala de aula e os alojamentos. um vai roçar os piquetes. além de participar das aulas dos componentes curriculares. O internato além de ser necessário para o próprio funcionamento do sistema escola-fazenda. conseguiria ter numa escola urbana. 30 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. como já foi dito anteriormente. ovinos. do cuidado dos animais como: suínos. Esta Escola como acima citado. mochamento de novilhas entre outras. No período em que os estudantes permanecem na escola. dificilmente. assim como a organização da grade curricular e quando que acontecem as aulas da área técnica do referido Curso. conta com dois alojamentos. além dos trabalhos da produção de alimentos saudáveis. gado leiteiro e ovelhas. como é a formatação do quadro de profissionais que trabalham nesse curso. eles também desenvolvem outras atividades. Para atender a demanda de trabalho nas atividades de produção de horta. castração. outros vai arrumar a horta. Aulas de campo todas as quartas os alunos são divididos e cada Nb faz uma prática. lavar a louça. faz com que o aluno viva a escola. Eu que sou do bovino nós tem que arrumar as cercas ir atrás das vacas 29 Escola Fazenda se caracteriza por ter o regime de internato para todos os alunos.78 é para dar conta de formar o técnico em agroecologia que possa contribuir politicamente e tecnicamente na produção de alimentos saudáveis. outros vai arrumar as cercas. Antes de ir fazer as práticas é discutido é citado o nome das pessoas do que vai fazer. O Curso Técnico em Agroecologia da Escola 25 de Maio. Sobre o trabalho realizado não volta para sala de aula fica por isso (Estudante 3º ano)30. . Dentre as oficinas podemos citar a produção de biofertilizantes. gado leiteiro. (SOBRAL. pelo seu formato. 122-123). que apresenta inúmeras atividades fora do horário convencional de aulas. suíno. Este é o desafio posto para o Curso pelo MST ao lutar por pelo Curso Técnico em Agroecologia. a Escola organiza as turmas para que sempre uma turma esteja no tempo escola -TE. do Pastoreio Rotativo Voizin (PRV) e de algumas oficinas relacionadas à produção animal e vegetal. outro vai capinar. 2005.

Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. agora em diante será denominado por Curso. seriam discutidas as práticas desenvolvidas no TC. O Curso Técnico em Agroecologia. Além dos professores que trabalham as disciplinas do currículo comum do Ensino Médio. que é o período conhecido por Tempo Escola (TE). para desenvolver atividades designadas pelo Curso e contribuir no processo de produção e de organização desta produção junto com a família. é difícil de entrar para sala de aula (Estudante 2º ano)31. Este acompanhamento ficaria sob a responsabilidade das lideranças locais do MST e ou de organizações sociais das comunidades em que os estudantes residem e isso nem sempre acontece. o 31 32 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. arrumar a cerca. estas ficam impossibilitadas por falta de profissionais e falta de recursos financeiros para deslocar e manter estes profissionais nas comunidades onde residem os alunos. Essa integração visaria proporcionar ao educando a possibilidade de desenvolver a prática sobre a teoria discutida no TE. Segundo o PPP (2013) da Escola. Este tempo é chamado de Tempo Comunidade (TC). o curso Técnico em Agroecologia se orienta pelo “Sistema de Alternância”. roçar os piquetes. mas que se relacionam e interagem entre eles.. No retorno ao TE. . plantar a horta. Um momento/tempo em que os educandos permanecem por um período na escola para estudo dos componentes curriculares previstos no Programa do curso. a comunidade ou a organização à qual pertence. Mas também existe um outro tempo/período em que educandos permanecem na sua comunidade ou na propriedade dos pais. segundo o PPP.79 arrumar o piquete para as vacas. segundo professores e o Conselho Escolar. além de trabalharem nessa Escola. Os professores são da rede estadual do ensino e. Esse sistema se define por dois momentos.. As atividades do TC. seriam acompanhadas pela Escola. além das disciplinas do Ensino Técnico em Agroecologia. se organiza em torno do currículo comum do Ensino Médio. a maioria deles leciona também em outras instituições escolares. ou tempos distintos. Mas. quando estes realizam o TC. como forma de fazer acontecer a integração entre TC e TE. No recesso escolar de final de ano quem assume os trabalhos de manutenção da escola no que se refere ao cuido dos animais são pessoas do assentamento ligadas a Escola. (Estudante 2º ano)32 . Só o trabalho feito duas vezes por semana e não relacionado a nenhuma disciplina específica que é o trabalho de tirar leite.

mas é também o momento de avaliação. é o tempo destinado aos estudantes para exercer seu direito à organização.80 Curso da Escola 25 de Maio conta com sete professores que estão ligados à formação técnica. direção da escola. ou seja.33 falam que não tem nada que diz no edital qual a formação que o professor precisaria ter para trabalhar as disciplinas nas áreas técnicas. por exemplo. licenciado em história. O Curso destina um tempo semanal de duas horas para atividades de auto-organização dos estudantes. O que conta é o currículo do concorrente. das oito horas da manhã as dez horas. tanto os aspectos pedagógicos. como. como dos trabalhos que garantem o funcionamento da Escola. por exemplo. como a avaliação do trabalho realizado durante a semana. Outro aspecto importante de salientar é que as reuniões dos NBs s acontecem momentos em que são feitas algumas reflexões sobre o trabalho. como. Todas as segundas feiras. Nesse edital. Segundo informações obtidas junto ao diretor da escola e do conselho deliberativo da Escola. 34 Isto pode-se perceber quando olharmos a formação dos professores contratos para atuarem na área técnica. parte dos professores que trabalham as disciplinas da área técnica não tem formação qualificada. Essas informações foram obtidas pela entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril de 2014. Este tempo é dividido em dois momentos. No tempo dos NBs são discutidos os problemas da convivência do cotidiano na Escola. discutem-se sobre a importância do 33 34 Informações recebidas na entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril de 2014. Isto quer dizer. As avaliações são tanto do aspecto coletivo quanto do aspecto individual. falta formação para trabalharem as disciplinas pelo qual foram contratados. de cada um dos estudantes. . licenciado em pedagogia. administração. assim como é o momento em que se faz o planejamento dos trabalhos a serem desenvolvidos durante a semana.ACT. Os professores contratados para trabalhar as disciplinas do ensino técnico têm a seguinte formação: tecnólogo em agroecologia. Há o momento das reuniões dos NBs e outro momento que é o do encontro de todos os NBs para a socialização das discussões. ciências biológicas e Matemática. São professores contratados pelo SED-SC pela forma de admissão por contrato temporário. Por ser dessa forma todo ano normalmente parte deles mudam. a avaliação dos professores. ou. segundo membro do Conselho Escolar. Normalmente o tempo de profissão. que todo ano é lançado um edital para contratação de professores. gestão ambiental.

Já o estágio do terceiro ano é realizado no último TC. O estágio curricular está dividido em 120 horas no primeiro ano. para o momento da socialização. e do currículo das disciplinas da área técnica num total de 864 horas sem considerar o estágio curricular obrigatório que é de 600 horas. abre-se espaço para esclarecimentos e para o debate sobre algumas questões que se apresentam mais polêmicas. Nesse mesmo momento os professores reúnem o grupo orgânico (GO) para discutir questões relacionadas ao trabalho de campo e questões pedagógicas que incidem sobre o trabalho realizados pelos alunos. O estágio no primeiro e segundo ano é realizado no final de cada ano. Após a apresentação. se alguém não fizer sua parte acabará prejudicando todo coletivo. também se reúnem todos os estudantes com a participação de alguns representantes do GO. Após as reuniões dos NBs e do Grupo Orgânico (GO) dos professores. Nesse tempo são apresentadas as sínteses das discussões e o planejamento da semana. O Curso Técnico em agroecologia integrado ao Ensino Médio organiza-se em torno do currículo comum do Ensino Médio com uma carga horária de 2.81 trabalho na Escola apontando que.400 horas. Após este momento encaminham-se as propostas para serem executadas. assim como levantam elementos para contribuir com a reflexão sobre o trabalho realizado pelos alunos. Após a realização do estágio o aluno precisa fazer o relatório de estágio que será apresentado na última etapa do TE. Disciplinas no núcleo comum do Ensino Médio: 1ª série aulas semanais 2ª série aulas semanais 3° série aulas semanais Carga horária total Língua Portuguesa 3 3 3 288 Arte 2 2 1 160 Língua Estrangeira Moderna Espanhol 2 2 2 192 Educação Física 3 2 1 192 Subtotal 10 9 7 832 Matemática 3 4 2 288 Subtotal 3 4 2 288 Química 3 2 1 192 Física 2 3 1 192 Áreas Linguagens Matemática Ciências Disciplinas . 120 horas no segundo ano e 360 horas no terceiro ano conforme quadro abaixo.

.82 da Natureza Ciências Humanas Biologia 2 3 1 192 Subtotal 7 8 4 576 Historia 2 2 2 192 Geografia 2 2 2 192 Filosofia 2 2 1 160 Sociologia 2 2 1 160 Subtotal 8 8 6 704 Disciplinas das áreas Técnicas da formação do técnico em agroecologia: Disciplinas Recursos Naturais 1º Ano 2ºAno 3º Ano Carga Horária Total Técnicas Agroecológicas 3 - - 96 Solos 2 - - 64 Agroecologia e Agrofloresta - 2 - 64 Fruticultura - 2 - 64 Plantas Medicinais e Homeopatia - 2 2 128 Fundamento e Manejo de Pastagens 2 - - 64 Agroindústria - 2 - 64 Zootecnia e criações alternativas 2 2 - 128 Topografia 2 - - 64 na - - 2 64 e - - 2 64 11 10 6 864 Total Sem Estagio - - - 3264 Estágio Curricular Obrigatório - - - - Total Estágio horas 120 120 360 600 Total Geral 42 42 34 3864 Administração agroecologia Culturas Anuais Olericultura Subtotal Grade Curricular Curso Técnico em Agroecologia Integrado ao Ensino Médio. Fonte: Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola 25 de Maio.

professores.83 Das 864 horas das disciplinas da área técnica podemos perceber que 352 horas são destinadas ao primeiro ano. direção da Escola. Nesse sentido voltarei sobre a organização curricular quando analisar como se dá a formação do técnico em agroecologia proporcionada pela Escola 25 de Maio. Plantas Medicinais e Homeopatia com sessenta e quatro horas. Solos com sessenta e quatro horas. Zootecnia e criações alternativas com sessenta e quatro horas. segundo informações recebidas de diversos sujeitos da pesquisa. a Pedagogia do Movimento. Administração na agroecologia com sessenta e quatro horas e Culturas Anuais e Olericultura com sessenta e quatro horas. ou seja das dez disciplinas cinco acontecem no primeiro ano que são: Técnicas Agroecológicas com noventa e seis horas. Fruticultura com sessenta e quatro horas. No segundo ano as disciplinas técnicas são assim distribuídas: Agroecologia e Agrofloresta com sessenta e quatro horas. Cada hora aula equivale a 48 minutos quando realizada de dia e trinta e cinco minutos quando realizadas à noite. introduzem na reorganização da escola na União Soviética para formar um novo ser humano para a nova realidade que estava em processo de construção com a revolução socialista. Nesse sentido os pedagogos Russos Pistrak. Apresentei aqui a grade curricular do Curso Técnico em agroecologia que faz parte da caracterização do curso que servirá de elemento para discutir a formação técnica em agroecologia desse curso que é o foco da pesquisa. a partir das leituras de Marx e Engels. que engendra em seu interior o trabalho como princípio educativo. 320 horas são do segundo ano e 192 horas são do terceiro ano. Coordenador do Curso. O Curso Técnico em Agroecologia oferecido nessa Escola 25 de Maio toma. orientador de convivência todos falaram que das aulas técnicas principalmente no segundo e terceiro ano as aulas técnicas acontecem a noite. como referencial pedagógico. Estas são matrizes formativas do ser humano. assim como a organização coletiva. Topografia com sessenta e quatro horas. Shulgin e Makarenko. Ainda em relação a organização da grade do currículo técnico a maioria das aulas técnicas acontecem no primeiro ano. Segundo observação das dez disciplinas da área técnica sete acontecem a noite e três durante o dia. Como o objetivo do MST é transformar a sociedade capitalista e construir uma sociedade de . Para o terceiro ano é que tem a menor número de disciplinas e a menor carga horária que encontra-se distribuída dessa forma: Plantas Medicinais e Homeopatia com sessenta e quatro horas. Fundamento e Manejo de Pastagens com sessenta e quatro horas. Se olharmos. que na história da humanidade formaram o ser humano.

autônomos. seu aspecto social. deve estar ligado ao trabalho social. o trabalho na escola integrado ao ensino como elemento central na formação do ser humano possibilita a formação de sujeitos não só críticos. 2013) O Curso Técnico em Agroecologia da Escola 25 de Maio cujo objetivo é formar não só o técnico em agroecologia. que é socialmente útil.84 seres humanos emancipados. mas acima de tudo seres humanos que tenham capacidade técnica e política de intervir na realidade concreta para transformá-la. ou trabalho concreto produtor de valor de uso. É aquele ligado a produção real. formar seres humanos mais humanizados que compreendam a realidade do campo. 2000. Essa pedagogia que tem no trabalho o princípio educativo porque o trabalho é que pode fornecer os elementos que ligam a escola a vida (Shulgin. p. mas também o ser humano em todas as suas dimensões. em que o trabalho seja atividade criadora e não alienante. possibilitando que este possa contribuir junto aos camponeses na . de um lado. Nesse sentido a formação a partir da união do trabalho com o ensino proporcione a formação em todas as dimensões do ser humano. para esse Movimento a Educação escolar ´poderá ser instrumento que contribua nessa emancipação dos seres humanos. O trabalho como princípio educativo é o trabalho social. a uma atividade concreta socialmente útil. 38) A partir do trabalho socialmente útil como elemento formador do ser humano possibilita ao educando compreender as relações sociais que se estabelecem no ato da produção. mas não de qualquer trabalho. reduzindo-se. Portanto. Estas relações devem fazer parte das discussões teóricas que se concretizam em sala de aula. enquanto base da educação. E no caso da escola de formação de técnicos em agroecologia. É nessa compreensão que a matriz pedagógica da pedagogia socialista dos autores acima citados fornece elementos fundamentais para implementar a educação escolar que o MST pretende. de outros procedimentos metodológicos capazes de ilustrar este ou aquele detalhe de um curso sistemático. através da superação da sociedade de classes. de como a sociedade de classes sob a divisão do trabalho roubou do camponês a capacidade criadora e o alienou ao agronegócio dessa forma o desumanizou. busca orientar-se pela matriz pedagógica do trabalho como elemento central nessa formação. (PISTRAK. sem o que perderia seu valor essencial. Para isso buscou nesses autores elementos que pudessem contribuir na formação do aluno na perspectiva da formação omnilateral que também é o objetivo do MST. e. a produção real. à aquisição de algumas normas técnicas. O trabalho na escola. Por matriz pedagógica do trabalho entende-se que a formação deve partir do trabalho.

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construção de processos de produção agroecológica que venham a se contrapor ao atual
paradigma de produção do capital no campo.
Esta pedagogia está presente desde o começo do funcionamento da escola (MOHR;
RIBAS, 2012 p. 2). Para isso, o Curso Técnico em Agroecologia, foco desta pesquisa, prevê
no seu PPP a articulação com a comunidade como segue: “O trabalho e a organização dos
alunos na Escola deverão ter uma ampla ligação com a vida da comunidade, no mesmo
sentido a comunidade deverá discutir os rumos da escola e se organizar junto a ela” (PPP,
2013, p. 28). O curso técnico se organiza em tempos educativos, a saber:
a) Tempo Aula: é destinado ao estudo dos componentes curriculares;
b) Tempo Trabalho Educativo: é destinado ao trabalho na Escola, como
limpar a sala, lavar a louça, limpar refeitório e alojamento, recolher o lixo, assim como
o trabalho na produção. “Estas atividades têm por finalidade garantir que os educandos
valorizem o trabalho prático sem distinção de sexo, deixando claros a importância da
divisão de tarefas e o trabalho coletivo” (PPP, 2013, p.14).
c) Tempo Oficina: é destinado a fazer oficinas para aprender alguns ofícios
importantes na vida material e cultural.
d) Tempo Leitura: é destinado semanalmente para leitura individual ou
coletiva sob a orientação do educador responsável pela atividade.
e) Tempo Atividades Culturais: é destinado à apresentação das místicas ou de
outras atividades culturais como: capoeira, dança, etc.
f) Tempo Seminário: tempo destinado para preparação e apresentação de
debates, seminários, ou de outras atividades de interesse da coletividade.
g) Tempo Núcleo de Base: é destinado para auto-organização dos educandos.
Nesse Tempo NB os educandos podem fazer avaliações sobre os encaminhamentos da
Escola, como a participação individual e coletiva de cada educando e núcleo nas
tarefas, no trabalho, e ainda sobre os demais assuntos do cotidiano da Escola.
h) Tempo Comunidade: é o Tempo de uma etapa para outra em que os
educandos estarão diretamente envolvidos nas atividades produtivas e ou
organizativas na sua família, na comunidade ou na organização a qual pertencem. “Sua
vivência social deve ser vista como um processo contínuo de formação do ser
humano” (PPP, 2013 p. 14).

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i) Tempo Práticas Agroecológicas: é destinado a atividades de práticas de
campo em experimentos, tendo em vista a pesquisa e a produção de alimentos para o
sustento da Escola.
Sobre a organização do trabalho: a Escola 25 de Maio organiza o trabalho das
práticas de campo a serem realizadas pelos estudantes nas unidades didáticas. Eram sete as
unidades didáticas até o ano de 2012, a saber: horticultura, bovinocultura, jardinagem,
culturas35, agroflorestal, Siscal36 e ovo móvel37. Dessas sete unidades, atualmente, são três
as que estão em funcionamento devido a diminuição do número de estudantes como acima
afirmado, segundo as informações prestadas pelo Diretor e pelo Professor de convivência,
da Escola.
As unidades didáticas foram concebidas pela Escola como espaço educativo que onde
estaria a possibilidade de proporcionar aos educandos a relação da teoria com a prática. Ou
seja, este espaço estaria aberto para relacionar os conteúdos estudados em sala de aula,
visando colocá-los em prática e, desta forma, contribuir para o aprendizado dos educandos,
principalmente quanto ao conteúdo técnico. É preciso reconhecer a importância deste espaço
educativo, oportunizado pela Escola, no que poderá contribuir para viabilizar a unidade entre
trabalho e ensino, articular teoria com a prática, conforme está proposto no PPP (2013),
assim como nos princípios pedagógicos das escolas do MST.
Segundo informações da direção da Escola, para que todos os alunos possam se
apropriar das técnicas de produção agroecológicas, a partir da relação do trabalho prático
com a teoria estudada em sala de aula, é necessário que cada um dos alunos passe por todas
as unidades didáticas durante o curso. Nesse sentido, a concepção da Escola é a de fazer o
rodizio com os estudantes pelas unidades didáticas.
A Escola se organiza para trabalhar o processo pedagógico de acordo com as
estratégias de formação dos educandos que é concebida pelo MST. Esta organização da
Escola é entendida pelos estudantes, pais, professores e Conselho Escolar como um espaço
importante na formação agroecológica para filhos e filhas de camponeses assentados da
Reforma Agrária ou outros das comunidades tradicionais. “Para nós é um orgulho de ter uma

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Culturas é o nome dado a tudo o que se refere à produção de cereais.
É o nome dado à produção de suínos ao ar livre, com uso de cabanas para a matriz abrigar os leitões quando
nascem e durante o processo de aleitamento para se proteger do frio e da chuva.
37
Ovo móvel é o nome dado à produção de galinhas poedeiras (produção de ovos) em sistema de piquetes, a
partir de um galinheiro móvel que pode ser transportado ao lugar onde tenha pastagem.
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escola dessas. Porque foi uma conquista nossa e como estava dizendo tem uma estrutura ali
que muitas outras escolas não têm e nós temos”. (Liderança MST)38.
Sobre a auto-organização dos estudantes: – a Escola 25 de Maio – que tem por
objetivo a formação humana no sentido de todas as suas dimensões, ou seja, a formação
integral do ser humano, (PPP, 2013, p, 10). A participação dos estudantes na vida desta
Escola é uma prática que foi buscada desde a sua criação. Para que a participação seja mais
efetiva os estudantes se organizam em coletivos. Ou seja, se auto-organizam. A forma pela
qual os estudantes se organizam são os Núcleos de Base (NBs), que se constituem como
alicerce da organização. A função dos NBs é discutir a convivência entre os educandos,
avaliar e propor sobre as atividades práticas e teóricas da Escola, ou seja, é um espaço em
que os estudantes podem contribuir com a melhoria da escola.
Sobre a formação do coletivo de professores: a Escola 25 de Maio que oferece o
Curso Técnico em Agroecologia segundo o PPP os professore deverão se organizar num
coletivo como forma de possibilitar a formação e a autoformação continuada destes
professores, nas distintas áreas de sua atuação. Os coletivos pedagógicos seriam formados
para funcionar como espaços de autoformação permanente, através da reflexão sobre a
prática do estudo, das discussões e da própria preparação para outras atividades de formação,
de fazer o planejamento das atividades referentes às práticas. (PPP, 2013, p, 9). Por essa
razão, compreender que a formação dos professores acontece em diferentes espaços da
prática pedagógica é fundamental numa escola.
Este coletivo de professores que deveria se reunir conforme o PPP da Escola uma vez
por semana, devido ao trabalho da maioria dos professores em várias instituições de ensino
nem sempre consegue se reunir. Isto pode ser confirmado na fala do coordenador do Curso
Técnico em agroecologia.
[…] gente está tentando fazer com alguns educadores e nem sempre a
gente consegue todos porque alguns trabalham em outras escolas e nos
sábados tem dificuldades para virem por dificuldades de transporte mas
com estes educadores que a gente conseguiu atingir achei muito proveitosa
esta reunião (coordenador do Curso).39

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Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014.
Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Novembro 2014.

tanto na área técnica quanto política. com o Setor de Educação deste Movimento. principalmente no que se refere à contratação de professores com qualificação adequada para trabalhar nas áreas técnicas. como acima registrado. . tanto no que diz respeito aos professores que respondem pelas disciplinas técnicas quanto aos que acompanham o trabalho de campo. Esta dupla vinculação não se dá. técnica e politicamente capacitados para contribuir junto à agricultura camponesa de forma geral e. com os assentados da Reforma Agrária. assim como professores/técnicos para acompanhar os estudantes nos trabalhos de campo na própria escola como acompanhar o trabalho dos estudantes no Tempo-Comunidade (TC). principalmente no Curso técnico. não atende a demanda que existe no sentido de contratar profissionais qualificados e específicos para a escola e o curso técnico em agroecologia. tem forte vínculo com o MST. Nesses objetivos é proposta a formação de técnicos em agroecologia. em harmonia. está vinculada à Secretaria Estadual de Educação (SED/SC) e. para trabalhar a formação técnica. Sobre o conflito gerado pela dupla vinculação da Escola 25 de Maio: O conflito existente no interior da Escola 25 de Maio explica-se porque esta é uma Escola que. No caso da Escola 25 de Maio esta contradição é percebida quando se olha para esta Escola e se vê a falta de profissionais qualificados. porém. A pergunta é: será que a ausência de qualificação técnica dos educadores contratados poderá interferir na qualidade da formação do Técnico em Agroecologia com capacidades técnico-políticas referidas nos objetivos propostos no Projeto Político Pedagógico? (PPP. Estes conflitos e contradições entre SED/SC e Escola/MST podem ser compreendidos na ótica da luta de classes que se estabelece no âmbito das relações sociais de produção e perpassam a educação escolar. assim como profissionais preparados para acompanhar os estudantes no Tempo-Escola (TE). por um lado. são constantes. 2013). para lecionar as disciplinas do curso técnico em agroecologia. Digo principalmente porque a forma de contratação dos professores realizados pela SED-SC não é feita conforme capacitação e muito menos exclusivos para Escola ou curso conforme veremos a seguir. em particular. por outro lado. mais propriamente. Além disso. Os conflitos gerados entre a SED/SC e o MST.88 Esta é a realidade da Escola 25 de Maio em relação ao que o PPP diz e a dificuldade em efetivar o PPP no cotidiano da Escola.

a partir da leitura de documentos da Escola 25 Maio do Curso Técnico em Agroecologia. a participação da comunidade escolar na gestão da escola como princípios que orientam a ação pedagógica da Escola e do Curso. conselho escolar. em que medida encontram-se articuladas ou desarticuladas teoria e prática na formação desse técnico? Estas categorias podem ser identificadas como sendo o trabalho como princípio educativo. Como se dá a formação do técnico em agroecologia no Curso Técnico em Agroecologia proporcionada pela escola 25 de Maio.89 3. Conforme informações contidas nas atas do conselho escolar. Estes princípios pedagógicos estão na base da Educação do MST. pois a escola e o MST compartilham com a concepção de educação que compreende que o trabalho é que possibilita a união entre teoria e prática. relação professor aluno. e de informações coletadas através de entrevistas dos sujeitos da pesquisa. competência técnica em agroecologia. a auto-organização dos estudantes e do corpo docente. os vinte e três anos de existência da Escola 25 de Maio. direção da escola.A relação da teoria e prática na Escola 25 de Maio Nesse item. e nesses princípios o trabalho e no caso do curso o trabalho agroecológico é o elemento central. auto-organização dos estudantes. e os 10 anos de Curso técnico em agroecologia. Os dados que passarei a registrar são referentes a algumas categorias que se referem à questão central da pesquisa. e mais especificamente os seis anos de Curso técnico em agroecologia integrado ao ensino médio vinculado a SED-SC. e. demonstra existir problemas relacionados principalmente no que se refere ao trabalho pedagógico em unir teoria e prática na formação do técnico militante exigido pelos Movimentos Sociais do Campo de Forma geral e em específico pelo MST. e o MST através de sua liderança local percebem. de observações feitas pelo pesquisador in loco. compreensão da agroecologia. relação com o Estado. compreendem o trabalho como princípio . onde encontram-se registros que a Escola 25 de Maio nasce com o objetivo de formar os educandos aliando teoria e prática a partir da formação pelo e no trabalho ligado a agricultura e a produção de alimentos saudáveis. relação teoria e prática. pais. método pedagógico utilizado pelos professores. professores. Nesse sentido o trabalho na produção feito pelos próprios educandos tem na base a agroecologia.3. irei tentar buscar dados relacionados à formação do técnico em agroecologia. Para apreender como alunos. Portanto.

Os três beberam água e voltaram ao trabalho. observação e leitura de documentos da escola onde aparecem estas questões e se de fato o que está escrito nos documentos condizem com o que está acontecendo na prática pedagógica da escola e no Curso em agroecologia. O trabalho realizado pelos educandos na produção. PRV. Passarei agora ao registro das informações coletadas. Para deixar mais claro esta questão vou me referir a um tempo de trabalho de campo em que o técnico da ATER43 que trabalha 40 Estudante do segundo ano. ficaram mais ou menos vinte minutos sentados. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril 2014. carpir. as treze horas e trinta minutos e chegaram no local do trabalho cinco minutos depois. A primeira atividade foi de um grupo de três educandos que neste dia ficaram responsável para limpar e reformar a cerca da encerra dos porcos. trabalhavam pouco. 42 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em novembro de 2014. 43 O curso técnico em agroecologia pelas dificuldades encontradas de contratar um técnico qualificado para acompanhar o trabalho de campo dos estudantes conseguiu negociar com a equipe técnica da ATER que presta 41 . “O trabalho que a gente faz aqui é tudo que a gente faz em casa. Os alunos saíram da Escola no horário determinado. Isto fica clara na resposta dado por um entrevistado do segundo ano quando perguntado sobre o que ele menos gosta na escola ele assim respondeu: “menos gosto é que tem dias que não é muito bom de trabalhar”.90 educativo e a união entre teoria e prática e como isto acontece na prática da escola busquei estas informações pela entrevista. para posterior análise. quando um se levantou e foi até a Escola pegar água para beber.40 Outro estudante entrevistado assim respondeu.41 Segundo professor42 o que se desenvolve de atividades nas unidades didáticas são muito mais atividades de sobrevivência do que atividades de aprendizado. horta. pois segundo eles estavam com sede. Para deixar mais claro vou descrever duas atividades que acompanhei com educandos do segundo ano. Esta mesma questão percebi durante a minha visita de observação. Começaremos em primeiro lugar pela categoria trabalho como princípio educativo. enfim todo trabalho realizado pelos educandos para que a escola possa ter produção precisa sempre ser acompanhado pelo orientador de convivência. Enquanto isso os dois ficaram sentados aguardando aquele que foi buscar água. tratar os porcos. Demorou em torno de quinze minutos quando este que foi buscar água e voltou. Percebeu-se que quando não tinha ninguém acompanhava o trabalho os educandos. Quando chegaram trabalharam em torno de vinte minutos e já sentaram. roçar”. ordenha das vacas. Estudante segundo ano entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril 2014.

O momento essencial de explicar como deveria ser feito esta medição seria o momento da prática e uma posterior retomada em sala aula. Percebeu-se nessa situação que o trabalho de conceber a forma de realizar a medição foi feito pelo técnico sem a contribuição efetiva dos alunos. . Aí demonstra também outro problema que aparece nas observações feitas pelo pesquisador. pois ele não poderia vir contribuir por outros compromissos assumidos junto aos assentados onde ele presta o serviço de assistência técnica.91 na assistência técnica junto aos assentados veio contribuir com a escola. A resposta dos alunos foi de não continuar. que tem relação com o horário das aulas. que a maioria acontece a noite. Nesse sentido faltou didática ao técnico ensinar a partir da prática demonstrando a falta de formação pedagógica. Os alunos não faziam nada sem o técnico pedir e dizer o que eram para fazer. pois não haviam compreendido a forma de medição. conforme veremos mais adiante A partir dos estudos feitos sobre o papel do trabalho na formação humana enquanto atividade criadora (Marx. e que a divisão dos quadros que comporia cada piquete ficasse de forma uniforme. A contribuição desse técnico foi no planejamento e execução do PRV com a ajuda dos alunos. Nessas duas horas de trabalho não terminaram de marcar o lugar onde seriam fincados os palanques. Quando chegaram no local onde iria ser começado a construção do PRV o técnico falou o que cada aluno deveria fazer para tirar o esquadro para que a cerca ficasse bem reta. perguntado aos serviço aos assentados da região de Fraiburgo. o técnico pediu aos alunos se eles quisessem continuar no próximo tempo trabalho de campo com este trabalho. que algum desses técnicos contribuísse esporadicamente com o trabalho de campo realizado por esses estudantes do curso técnico em agroecologia. Nesse sentido coube aos alunos realizarem um trabalho manual sem compreender o processo de conceber esse trabalho. Antes de encerrar o tempo disponível. pela falta de disponibilidade dos professores contratados na área técnica de trabalhar a prática e a partir disso voltar a teoria para ter uma compreensão melhor do feito. Começaram a realizar o trabalho de fazer as medidas para posteriormente fincar os palanques que iriam servir para fazer a cerca dos piquetes. Nesse dia o técnico veio e conversou com os alunos dizendo quais as ferramentas que necessitava para dar início da construção do PRV. A partir dessa conversa encaminhou que os alunos arrumassem as ferramentas. 1968) sintetizados no primeiro capítulo. Tão logo os alunos arrumaram as ferramentas saíram do pátio da escola o técnico junto com os alunos. Durante as duas horas de trabalho destinado a este fim o tempo todo os alunos só faziam sob a voz de comando do técnico.

queira ou não queira. no caso no curso técnico em agroecologia por exemplo. Esta participação é fundamental no sentido de que possibilita ao estudante se apropriar do conhecimento sobre o trabalho. devido às questões culturais dos estudantes. que é uma atividade prática de um trabalho. ou seja. Estes limites. alguns estudantes ainda apresentam dificuldades em pensar sobre o trabalho. eles vão acabar tendo mais certeza daquilo que estão fazendo do que só simplesmente explicar em sala de aula como é feito o mochamento. com o acompanhamento do Setor de Educação do MST procura romper com esta separação teoria e prática. Outro professor assim se expressou: Trabalho pra mim é uma ação que você faz a partir de tua força. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em agosto 2013. para executar uma tarefa. devido à divisão do trabalho. O trabalho ele veria mais para uma questão de fortalecer aquilo que eles têm da teoria né. É o trabalho visto como práxis. oferecidas às camadas populares. se este era sinônimo de prática assim se reportou: “tudo o que faço. questões que.92 professores o que seria o trabalho. Se eles for lá exercitar um mochamento de um animal né. planejamento e execução dos trabalhos é um elemento fundamental na educação que quer formar sujeitos com capacidade técnica e política. podem ser oriundos da influência 44 45 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em novembro 2014. Então a prática vai ajudando. ou o conhecimento teórico dele distanciado porque não há garantias de que os estudantes sairão empregados ao fim dos cursos que frequentam. portanto é apresentado e apropriado de forma unilateral. foi disseminada uma forma de pensar no ser humano que limita a participação efetiva no planejamento e avaliação do trabalho. o trabalho intelectual e manual tudo é prática” 44 (professor). Na busca de uma formação omnilateral. ou o conhecimento prático que se refere ao desempenho profissional. planejá-lo e executá-lo. porque nestas o conhecimento está completamente dissociado do trabalho. a Escola 25 de Maio. de certa forma. e tudo o que eu faço também é trabalho. é prática. sem dissociá-lo do conhecimento teórico. em que se articulem os conhecimentos práticos e os teóricos. Por outro lado. Trabalho é uma força que uma pessoa faz para exercer uma atividade (professor)45. Para mim toda atividade é trabalho. há uma profunda diferença em relação às escolas regulares. A participação dos estudantes no processo de organização. Nesse caso. No âmbito da escola seria um pouco diferente. . ou o que compreendia sobre o trabalho como princípio educativo. de forma unificada em que se articulam teoria e prática.

Sendo assim. tendo em vista a pesquisa e a produção de alimentos para o sustento da Escola”. os quais não são específicos da escola e trabalham em outros espaços. o rodízio é essencial. pela direção da Escola quanto pelo coordenador do Curso. Mas muitas vezes pela falta de qualificação dos professores. Além disso a Escola perdeu a autonomia em indicar professores para serem contratados como na época que tinha o Curso Financiado pelo Programa Nacional de Educação em áreas de Reforma Agrária-PRONERA. a saber: Tempo Aula: que diz respeito ao tempo destinado ao estudo dos componentes curriculares. 2013. e Tempo práticas agroecológicas: “é destinado a atividades de práticas de campo em experimentos. p.93 que recebem de uma cultura em que se afirma a divisão do trabalho no interior da sociedade burguesa. isso não permite que as aulas possam ser dadas durante o dia. gerando uma incompreensão do que é o trabalho por parte dos professores e dos que conduzem pedagogicamente a escola. ou as aulas acontecerem no período da noite. Isto pode ser constatado nessa fala: “[…] dentro das unidades didáticas os alunos desenvolvem muitas vezes atividades de sobrevivência da escola do que desenvolver aprendizados” (Professor). as unidades didáticas se transformam em trabalho de sobrevivência. 46 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. a partir da relação do trabalho prático com a teoria estudada em sala de aula. Isto é decorre da contratação dos professores. para que os estudantes possam se apropriar dos conhecimentos técnicos pela experiência prática a partir dos conteúdos trabalhados pela escola. Esta dificuldade é apontada tanto pelo conselho da Escola. Ainda segundo este PPP (2013) o curso de formação do Técnico em Agroecologia se organiza em tempos educativos.14). Como já vimos 70% das aulas técnicas acontecem à noite. . Para que todos possam se apropriar das técnicas de produção agroecológicas. que é a duração do curso. 46 Em relação ao trabalho nas unidades didáticas se transformarem em atividades de sobrevivência também pode ser relacionado ao período que acontecem a maioria das aulas técnicas. Para isso é feito o rodízio. no período de três anos. cada estudante passará por todas as unidades durante o curso. Para a realização dessas atividades conforme falado anteriormente a Escola organizou as unidades didáticas. (PPP. para que cada estudante possa participar de todas as unidades didáticas. alguns como professores e outros como profissionais em outras áreas.

Mas a qualificação técnica para assumir esta disciplina. nós temos dois profissionais da área técnica cada um com dez horas aula.. Segundo membro do Conselho Escolar o que está acontecendo com o Curso Técnico de Agroecologia da Escola 25 de Maio mostra claramente isto. mas uma realidade no estado. Quando nós tínhamos o curso técnico via Pronera. a falta de profissionais qualificados 47 48 49 50 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann no mês de abril de 2014. nos tinha a direção da escola na mão. e professores organicamente vinculados ao MST que o Estado não tem uma política educacional para com as escolas de formação técnica em agroecologia. São profissionais de outras áreas do conhecimento que aproveitaram a oportunidade para ganhar uns recursos para dar sustentabilidade as famílias que eu acho que não é errado também. vem alguns por aptidão pelo projeto. a forma de contratação dos professores. E a partir de uns anos pra cá ela cresceu e a gente ficou à margem da lei. Os outros profissionais não têm nenhum vínculo com esta questão mais da agroecologia. E a margem da lei nós não conseguimos mas trazer os educadores que nos queria. ele deixa muito a desejar no sentido da qualificação técnica por conta de que quem contrata é o Estado e o Estado no seu processo de contratação ele faz mais ou menos como se fosse um leilão dessas aulas técnicas como não existe uma prova. era uma outra realidade aonde nóis direcionava os profissionais que iriam trabalhar como educador nesse curso técnico (coordenador do Curso)49 Nos tinha até poucos anos atrás nós coordenava a escola. Quer dizer a Direção no sentido que a comunidade ainda bancava. vem quem tem melhor colocado lá.] o processo da escolha do quadro técnico da escola ele não perpassa pela comunidade pelo conselho. metodologia e tudo. Mas o Estado tem. as pessoas pegam para garantir o seu pagamento no final do mês. não temos mais o domínio completo da escola. Segundo ele. e daí acaba por exemplo vindo professores que não simpatiza (Membro do conselho da Escola) 50 A partir dessas falas fica evidente ser praticamente unanime entre coordenador do Curso. conselho escolar. direção da Escola. mas a grande maioria vem e está pensando no vencimento no final do mês. professores. um edital para profissionais específicos para esta área qualquer um pode pegar. além da falta de qualificação na área da produção ela tem ensinado.94 O nosso quadro hoje falando do quadro de educadores na área profissional ele é muito. . Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril de 2015. mas como nós não temos autonomia para definir acaba ficando nesta angustia que a gente não consegue qualificar o curso (Professor)47. Então isso tem dado “N” problemas por que. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril de 2015. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. infelizmente do quadro técnico que temos hoje.. As aulas das turmas do regime em alternância as aulas do ensino técnico a sua grande maioria acontecem a noite (diretor)48 [. Este qualquer um que pode pegar Muitas vezes não é só uma realidade de nossa escola.

como vai ser dar aula prática e o projeto de produção. [. Alguns professores trabalham com métodos de ensino de certa forma não tradicionais. O Estado fala em fazer Educação do Campo. buscam associar o trabalho prático que os estudantes realizam na escola.. ele tem uma parte boa de você construir. Por exemplo o que vai fazer as aulas junto com os alunos não é qualificado na área. . E não tem um agrônomo. Ela tem uma função interessante que é a política de você estar fazendo a coisa a relação campo e a sala né. recurso para fazer o projeto campo. não tem funcionário de campo pra ir lá ir ajudar a fazer.)51 Em relação a união entre teoria e prática. mostram claramente que o Estado não faz Educação do campo. Mas escola técnica do campo não faz. ou seja.. para você poder produzir as saladas e legumes e tudo pra você pode produzir. a falta de projetos que possam serem começados e terminados. O método de ensino utilizado pelos professores é bastante variado. mas implementar ela. Tem recurso para tudo que é coisa. Então você imagina o tamanho. a conversa com os alunos. alguns professores buscam a tentativa de fazer a relação a partir de diálogos com os estudantes.] (Membro do Conselho da Escola. não tem pessoas qualificadas[. Mas por outro lado ela deixa muito a desejar pelo pequeno tempo que tem para fazer estas aulas práticas. procurando partir do conhecimento que os alunos possuem. por exemplo ver a biodiversidade de você fazer controle natural de tudo com uma pessoa que tem filosofia fazer de exemplo. um técnico de fazer isso produzir. mas menos para você fazer uma horta. utilizam bastante o diálogo. mas também tem o lado que só se fala em escola do campo. Porque não tem recursos não tem nada porque para escola do campo não tem nada Hoje.. Então ele existe.. Por outro lado existem aqueles professores que também ficam nas aulas puramente teóricas e que raramente buscam relacionar às atividades pedagógicas desenvolvidas com o trabalho que os estudantes realizam seja no TE ou no TC.95 para o trabalho de campo. o Estado não faz Escola do Campo. mas a forma utilizada fica muito no abstrato. tempo para as pessoas fazer o projeto do campo. a falta de estrutura para o trabalho de campo e assim por diante.] nós não tem projeto que os alunos consigam começar e concluir. mas para a prática de campo ele não é qualificado para isso. a partir das observações realizadas pelo pesquisador. Tanto recurso financeiro como humano. Segundo problema: nós com o Estado. Exemplo disso é uma 51 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. Porque nós temos várias qualificações para sala de aula. acompanhamento.

ou se já aprendeu. professores. dos conhecimentos deles no sentido de dar aprimorando o conhecimento que ele já tem para avançar num conhecimento mais elaborado. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril 2014. Desses professores eu gosto. A explicação ficou na forma teórica. a desenvolver atividades que sejam motivadoras aos educandos. gosto de quem pergunta se já fez isto ou aquilo. pereiras.96 aula de fruticultura onde o professor tentou explicar a poda de árvores frutíferas em que conversava com os estudantes sobre as diversas formas que pode se realizar a poda de frutas de caroço como pessegueiros..] (direção da escola). mas devido as serem a noite. Cada educador muitas vezes ele tira um método que vai desde o tradicional e aquele que se desafia a construir projetos. que parte da realidade deles. já fez aquilo em casa. macieiras. na técnica as vezes nós saímos para fazer. assim como existem professores que utilizam metodologias bem tradicionais da explicação puramente abstrata distante da vida dos 52 53 54 55 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. Esta diversificação de métodos utilizados pelos professores aparece na fala dos professores e alunos. Os professores usam o quadro. caquizeiros. vai nessa direção como as falas acimam apontam. em fim tem um leque de métodos utilizados na escola [.. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril 2014. se já sabe fazer. ameixeiras.53 Tem alguns professore que tão mais aulas na teoria não tem como eles sair para fora para eles explicar na técnica de noite as aulas são na teoria. Os que ficam só falando falando e só perguntam se estão entendo destes não gosto (aluno 3º ano). usam o equipamento data show. Se o aluno tem problema de entender chamam na frente e explicam bem (aluno 3º ano)54 Os professores explicam o conteúdo que dão na aula e interagem com os alunos. O professor estava ciente de que a prática é fundamental para o aprendizado.52 Impossibilita realizar este trabalho prático. Entrevistas concedida a Paulo Davi Johann em abril 2014.55 A quase totalidade das falas entre alunos. Não existe uma única metodologia de ensino. Como já apontado existem metodologias que buscam dialogar com os estudantes no sentido de trazer para a teoria a ser ensinada o trabalho realizado pelos alunos. Segundo o professor o ideal seria mostrar na prática como fazer. Usam o teatro. nectarinas. . já viu isto.

aplicação de conhecimentos sustentáveis” (Estudante do 2º ano). Portanto pode-se dizer que a formação prática é frágil. Isto também pode-se perceber na fala de alunos. outros avançam um pouco no sentido. Todos os professore utilizam do método expositivo/explicativo no desenvolvimento das atividades pedagógicas para socializar os conhecimentos dos conteúdos curriculares. do uso do diálogo com os alunos. uma utilidade sustentável sem uso de agrotóxico. entre outros.. Isto se percebe na produção de verduras com pouco uso de cobertura e uma constante remoção do solo que vai na contramão dos princípios/pilares da agroecologia vistas no segundo capítulo. o saber fazer agroecológico está deficitário na Outra percepção que tive no processo da observação é que as atividades agroecológicas desenvolvidas pela escola estão demonstrando quase que sinônimos agroecologia e produção sem uso de agrotóxicos. o meu assentamento não o meu terreno de usar o ensinamento que estou recebendo ali de plantar orgânico sem usar veneno nenhum ( estudante 3º ano). Nessas aulas são trabalhadas somente os princípios da agroecologia.]Agroecologia que eu quero aplicar quando tiver o “meu assentamento”.. Nesse sentido o observado é que estas questões do prático raramente entram em discussão nas aulas teóricas.56 “Agroecologia é uma produção. estes produtos são utilizados na produção de verduras. porém sem conseguir vincular a teoria com a prática que o aluno realiza. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014 tecnológicos . biofertilizantes. Uns utilizam somente este método de forma bem tradicional. Em relação ao ensino das técnicas em agroecologia fica muito restrito as oficinas realizadas na Escola no tempo chamado trabalho em experiências agroecológicas. compostagem. Mas estas oficinas não são trabalhadas nas aulas da área técnica. como exposto acima. Estas oficinas são trabalhos práticos onde o aluno aprende a fazer caldas. Eu entendo que é viver bem com a natureza com o meio ambiente né sem destruir.97 estudantes. e tem um que avança no sentido de trabalhar a teoria do conteúdo curricular a partir do diálogo do que supostamente os alunos realizam nos trabalhos práticos na produção de alimentos.57 56 57 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. Produzir sem colocar veneno estas coisaradas [. mas também existem professores que utilizam metodologias em que aparece o diálogo..

cozinha e refeitório no final de semana. O planejamento nesse sentido muitas vezes é posto a partir da escola e o aluno só executa.60 58 59 60 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014 . Mas. o trabalho necessário para poder viver bem no espaço que estavam utilizando para isso. Uma educanda do 2º ano59 assim falou a respeito do trabalho de campo. sala de aula. a produção de alimentos. em relação ao trabalho produtivo. arrumar o piquete para as vacas”. pois se alguém não realiza-se esse trabalho todo coletivo perceberia o trabalho não realizado. a discussão era menor.98 “Pra mim agroecologia é quando você planta a coisa assim sem agrotóxico e também quando cuida do meio ambiente não desmatar não fazer nada assim” (estudante 2º ano)58 O que deu para observar em relação à organização coletiva. concepção e execução do trabalho podemos perceber como isto acontece na escola a partir da fala dos sujeitos do processo educativo. a participação dos estudantes era de ver quem iria fazer. ou a auto-organização dos estudantes que o PPP e as atas do conselho escolar enfatizam como uma necessidade importante na formação do técnico militante pode-se perceber é o que de melhor existe nessa escola. ir atrás das vacas. “Pontos fracos da escola acho que é a estrutura que não está sendo muito bem organizada conforme seria ou deveria” (estudante 2º ano). neste trabalho os estudantes têm pouca participação no planejamento do que fazer e como fazer. Digo isto porque consegui participar em dois momentos na reunião dos NBs onde os estudantes realizavam discussões sobre o trabalho. Limpar e deixar organizado o alojamento. Ainda em relação ao planejamento. ou quase não apareceria. nós temos que arrumar as cercas. embora que o trabalho mais discutido era esse de sobrevivência. ou seja. “Eu que sou do setor dos bovinos junto com os outros que também são desse setor. Este trabalho já vinha direcionado pela escola.

Buscarei embasar a análise no Método o materialismo histórico dialético. Quer dizer. mas por outro lado como que é um Curso que também tem vínculo com a SED-SC. Esta dupla vinculação segundo Mohr (2005) pode ser compreendida como o motor que impulsiona a luta para que ao SED-SC assuma sua responsabilidade em atender as necessidades que o Curso necessita para qualificar a formação dos técnicos que os camponeses de forma geral necessitam e em Particular o MST. as entrevistas com os sujeitos envolvidos no processo educativo/formativo do Curso Técnico em agroecologia oferecido pela Escola 25 de Maio e da leitura de documentos da referida Escola.99 3. Técnicos/militantes com capacidade técnica e compromisso político que de fato possam contribuir na mudança da matriz produtiva e tecnológica já exposto nos anteriores. passo agora a fazer a análise para compreender como que no Curso Técnico em Agroecologia é trabalhada a relação teoria e prática. ou do teórico se distanciando do prático. é vinculado a este Movimento. totalidade e nas categorias analíticas que esse método me proporciona. Nesse sentido a contradição capital trabalho perpassa a educação escolar. que aconteceram em três momentos perfazendo um total de vinte e um dias. Ao levar em consideração que o Curso em foco é uma conquista da luta do MST. Pode-se perceber que em alguns espaços como nos NBs existe uma maior discussão acerca do ensino prático e dessa vez se distanciando do teórico. Ao olhar de forma mais atenta a questão central da pesquisa. do como fazer. organização coletiva. Mas por outro lado poder ser um limite no sentido de que só se garante as mudanças pela organização dos trabalhadores. como trabalho. a compreensão do fenômeno na sua essência que é obscurecido pela aparência. e portanto. Visto que o Estado moderno segundo Marx (1999) é o representante da classe burguesa na sociedade. . do que. e tentar compreender como que as ações pedagógicas desenvolvidas pelo Curso técnico contribuem em aproximar a relação teoria e prática como unidade dialética. e nas categorias desse método como contradição. Percebe-se que nesse espaço a discussão parte mais sobre o prático. relação teoria e prática.4 – A realidade do Curso Técnico em Agroecologia na Escola 25 de Maio A partir dos dados empíricos expostos no item anterior obtido pela observação realizada in loco. por fazer parte Sistema estadual de Educação. nos NBs discute-se o planejamento das atividades práticas que os estudantes precisam executar.

Mas. entre as normas está limpar o alojamento todos os dias. Não se abre espaço onde os alunos possam discutir sobre a prioridade do que poderá ser feito primeiro e com que tecnologia irão fazer. Por outro lado. é aquele de sobrevivência. momentos em que se discutem sobre o trabalho. os estudantes acabam aceitando aquilo que vem da Escola. Nesse sentido. Tipo assim quando eles dizem vamos fazer uma cerca ou vamos castrar um porco . se o professor orientador de convivência não ficar acompanhando de forma direta estes trabalhos não são feitos. entre outros ligados à produção. fazem pela metade. Na Escola/curso da qual estamos falando pode-se perceber que existe momentos formais em que se oportuniza a auto-organização dos estudantes. a não ser quando são cobrados. pois. com outros trabalhos simples como o caso de arrumar a cama ao levantar. a discussão paira sobre quem vai fazer e quando que vão fazer. Não gosto de perder tempo. observou-se que uma boa parte dos estudantes não arruma a cama. há uma aproximação da teoria com a prática. Um trabalho necessário e simples de se fazer. há uma necessidade maior de se pensar o prático. Já foi dito antes que. mesmo tendo autonomia em propor coisas diferentes daquilo que vem sendo encaminhado pelo grupo orgânico. O trabalho produtivo aquele relacionado a produção de alimentos.100 propriamente. Isto aparece nas falas dos estudantes: O que menos gosto é quando nos enrolam muito. quando o fazem. como acima assinalado. Por que eu sou tipo assim que gosto das coisas meio na hora. mas o trabalho que é discutido. Para os estudantes poderem cumprir com o regimento interno do alojamento há sempre necessidade de alguém cobrar. apesar disso. A partir da minha convivência durante quase quatro semanas junto com os estudantes percebi que estes têm dificuldades para enxergar o trabalho que precisa ser feito. arrumar a cerca. no momento que discutem o planejamento. Mesmo assim. como alimentar os suínos. roçar os piquetes do PRV. Isto está presente quando os estudantes discutem o planejamento. é de forma rápida e sem muito zelo. sobre o embasamento teórico. a limpeza do alojamento. mas que acaba se tornando o ponto de chegada. Isto acontece. também. Penso que isto deveria ser um ponto de partida da discussão. como por exemplo. percebe-se certa falta de iniciativa por parte dos estudantes. segundo o regimento interno do uso coletivo do alojamento. Isto também acontece com os trabalhos que aparentemente não necessitam de muito esforço físico e que não traz aprendizados novos.

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mostrar como se castra um porco este tipo e só dizem e demoram para fazer
porque a gente quer aprender e demorar fica ruim (estudante do 3º ano)61

Conversando com alguns estudantes de maneira informal – isto também apareceu na
entrevista com um estudante – observei que eles têm a visão de que o trabalho bom é aquele
que traz retorno financeiro, ou que possibilita novos aprendizados práticos. Aquele trabalho
que não tem remuneração e não possibilita novos aprendizados é um trabalho não muito bom
de fazer; além de não possibilitar novos conhecimentos ele só traz canseira. Para melhorar o
trabalho deveria que incorporar novas tecnologias para diminuir a penosidade do trabalho e
aumentar a produtividade do trabalho e isto que escola não tem isto fica clara na fala desse
estudante: “deveria ter mais práticas e máquinas trator, plantadeira e outras, porque mexer
com enxada hoje em dia porque precisa uma maior capacidade de força. Porque ele tendo
uma máquina vai render mais e ele trabalha mais contente e vai aumentando o lucro”
(Estudante 3 º ano).62
O trabalho manual que os alunos se referem, pode ser considerado um trabalho penoso
que provoca canseira, mas enquanto não se tem a possibilidade de adquirir tecnologias
apropriadas a pequena produção que sejam ambientalmente e economicamente viáveis, e
que possam ser utilizadas na produção agroecológica, este tipo de trabalho é necessário que
seja feito. Marx quando em O Capital (1968) discute a maquinaria e a indústria moderna, que
com a invenção da máquina ferramenta que amplia em várias vezes a produtividade do
trabalho, é uma invenção importante no sentido de revolucionar as forças produtivas, que
abre a possibilidade de tornar o trabalho menos penoso e encurtar a jornada de trabalho. Mas,
que sob o modo capitalista de produção em vez de reduzir a jornada de trabalho se tornou em
máquina de produzir mais valia. Isto quer dizer, que a tecnologia na sociedade burguesa foi e
está sendo apropriada pelo capital não para reduzir a penosidade do trabalho e reduzir as
horas necessárias de trabalho para a produção dos bens necessários para a reprodução da
vida. Mas o contrário a tecnologia sob a égide do capital está para diminuir o tempo
necessário para o trabalhador reproduzir sua força de trabalho.
Na escola se tivessem as condições objetivas de introduzir tecnologias para aumentar a
produtividade do trabalho, também se introduziria segundo Shulgin (2013) novas

61
62

Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em agosto de 2013.
Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril 2014

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possibilidades de aprendizados de conhecimentos historicamente produzidos pela
humanidade. Nesse sentido volto afirmar, a partir do exposto, que o trabalho manual
executado pela Escola/Curso estudada não traz muitas possibilidades de conhecimentos,
mas é um trabalho que precisa ser feito. Porém, vale salientar que ao lado da máquina que
poupa trabalho a natureza também insere conhecimentos que o técnico em agroecologia
precisa se apropriar. Este conhecimento da natureza que estava com a agricultura camponesa
antes da revolução verde foi sendo aos poucos perdido em favor do conhecimento unilateral
do agronegócio. Nesse sentido, não é fazer apologia ao conhecimento dos ancestrais
camponeses, mas é reconhecer que nessa agricultura tinha algum conhecimento que é útil ao
desenvolvimento da matriz produtiva e tecnológica da agroecologia. Este conhecimento só
pode ser recuperado pela observação prática da natureza. Por outro lado, este conhecimento
só, não será suficiente para a produção da vida do camponês, se não se incorporar o
conhecimento cientifico que está na tecnologia, que permite aumentar a produtividade do
trabalho, e dessa forma, diminuir a penosidade do trabalho e a jornada de trabalho,
possibilitando maior tempo ao camponês para se dedicar as outras dimensões do ser
humano.
O processo de observação a partir da segunda ida a campo, se ateve mais às questões
do ensino técnico. Os aspectos observados eram em relação ao método de ensino utilizado
pelos professores, como eles abordaram as questões relacionadas à articulação da teoria com
a prática, se os mesmos realizavam práticas durante as aulas e, ainda, se os alunos aceitavam
e/ou incorporavam o que era ensinado ou reagiam durante as aulas ministradas. Além disso,
observei os trabalhos de campo, como estes eram realizados, se tinham acompanhamento ou
não por profissionais qualificados, e se estes trabalhos apareciam na sala de aula, articulados
às disciplinas de conteúdo técnico. Ou ainda, se são desenvolvidas oficinas na área técnica
para aprendizado de técnicas agroecológicas. Estas questões, juntamente com os dados
fornecidos pelos sujeitos envolvidos nessa pesquisa, através das entrevistas, poderão mostrar
ao pesquisador a real situação do fenômeno aqui focalizado.
Nesse sentido, observou-se que a maioria dos professores realiza uma ou duas práticas
durante cada etapa, conforme Plano de Ensino, visto que a maioria das aulas acontece no
período da noite. Em relação à metodologia de ensino utilizada pelos professores, percebe-se

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que a maioria emprega o método tradicional63, com exceção de um professor. Este, em suas
aulas, utiliza o método de diálogo, de conversação junto com os educandos, proporcionando
a interação entre os participantes. Ainda em relação ao professor que utiliza o método
participativo, ele questiona, interroga, tenta relacionar a teoria com a prática, buscando
exemplos da vida dos educandos, tanto no que realizam durante o TC assim como no que
realizam nas atividades práticas e nos trabalhos de campo na Escola. Mas, observa-se um
limite pelo fato de o professor não acompanhar o trabalho dos educandos, ao qual se refere
nas suas aulas.
Em relação ao trabalho de campo percebeu-se que o acompanhamento é realizado por
um único educador, que ainda não tem a formação técnica, pois se trata de um pedagogo.
Portanto, falta qualificação técnica para atuar no acompanhamento dos trabalhos de campo.
Percebeu-se que, muitas vezes, os estudantes ficam sozinhos, realizando seu trabalho, sem o
acompanhamento de um professor. Isto se deve ao fato de os alunos realizarem os trabalhos
por unidade didática, que são várias. Esta dificuldade encontrada pela Escola, como já
havíamos observado anteriormente, ocorre desde a forma como se dá a contratação dos
profissionais e de sua qualificação para trabalhar na área técnica, assim como na quantidade
necessária de professores para a Escola poder qualificar a formação, pois atualmente a
quantidade e a qualidade de profissionais contratados são insuficientes para desenvolver
uma formação que possa atender os objetivos propostos do PPP e esperados pelo MST.
Nas entrevistas realizadas com os professores da área técnica pode-se perceber que o
trabalho é visto muito mais como instrumento didático de comprovação do aprendizado, ou
de aprender melhor, como um instrumento pedagógico, do que uma atividade
teórico-prática, voltada para a formação humana. Vou transcrever parte da entrevista de um
professor, em que, ao ser perguntado sobre o que seria o trabalho na Escola, assim
respondeu:
O trabalho ele veria mais para uma questão de fortalecer aquilo que
eles têm da teoria né. Então a prática vai ajudando, no caso no
curso técnico em agroecologia por exemplo. Se eles for lá exercitar
um mochamento de um animal né, que é uma atividade prática de
um trabalho, eles vão acabar tendo mais certeza daquilo que estão
fazendo do que só simplesmente explicar em sala de aula como é
63

Por método tradicional compreende-se o uso de slides, quadro, ditado, ou seja, aulas expositivas com
explicação, de vez em quando interagindo com os alunos. Nesse método não se percebe, ou se percebe pouca
relação da teoria com a prática.

ou seja. torna-se importante compreender a prática nas atividades pedagógicas e na sua relação com a teoria. ao se incorporar na escola como princípio educativo. Trabalho é uma força que uma pessoa faz para exercer uma atividade (professor). ou não é aceito. é útil na verificação da teoria na prática. ou. . como instrumento de manutenção da sociedade de classes. Mas. no mesmo processo. onde o trabalho é compreendido como unidade dialética entre o pensar e fazer. que é feita pela Escola 25 de maio. Se analisarmos a resposta do professor sobre o que ele compreende ser o trabalho na escola. unidade do trabalho manual e trabalho intelectual. Mas esta devolução só será possível se unirmos trabalho e educação. pode-se se perguntar: será que a visão desse professor é de um trabalho utilitarista e um elemento para comprovar a teoria na prática? Utilitarista em dois sentidos. Transparece um limite no sentido da compreensão do todo. é prática dialogando com a teoria e teoria dialogando com a prática. o trabalho que produziu o ser humano. muitas vezes este acompanhamento não é feito porque o método da escola não é compreendido. sob a divisão social do trabalho. a relação da prática com a teoria.104 feito o mochamento. Ou seja. Com base nos elementos teóricos anteriormente apresentados e com estas informações me proponho analisar a educação na formação profissional do Técnico em Agropecuária. e. Esta devolução é necessária quando se pensa na formação para emancipação humana. poderá devolver a capacidade criadora que a sociedade de classes. Neste sentido. ou ainda. Ou seja. ou seja. se contrapondo à agricultora do agronegócio. que possam contribuir para a construção de processos agroecológicos. Para isso antecipo que compreendo a educação como tendo caráter contraditório. sob a luz da pedagogia socialista. pode-se perguntar: será que existe uma incompreensão do trabalho prático como algo que pode fecundar a teoria? Ou seja. compreender o trabalho na relação teoria e prática e vice versa. A escola de formação profissional que pretenda formar técnicos em Agroecologia. Parece-me que esta compreensão sobre o trabalho aponta para uma concepção unilateral. com ênfase em Agroecologia. é fundamental que ela incorpore à sua pedagogia o trabalho como princípio educativo. Em outras palavras. segundo. primeiro no sentido de ser útil para produzir algo. É nessa relação dialética entre teoria e prática que se produz o novo. ver a prática como instrumento de produzir novas teorias. ainda. ele é feito sem qualidade. Nesse sentido. expropriou do ser humano. como instrumento de contribuição para superação desta sociedade de classes.

Agora temos “N” problemas nesses últimos anos. A escola acompanha de longe através das lideranças locais. Nesse período. perde em qualidade. Então isto tem dado um prejuízo grande. a Escola disponibilizava um profissional para acompanhar o TC. Ainda em relação ao TC. na época do Pronera nóis fazia porque nos acompanhava. conforme Mohr (2014). Quando o aluno está no TC e nós se deslocar daqui para ir até lá. Isto é um problema que nós estamos tendo agora porque a escola não acompanha. além de ter profissionais mais qualificados para trabalhar as disciplinas técnicas. eu como coordenador do curso ou o orientador de estágio. 64 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. Por que ele teve que trabalhar ele se sentia que estava de férias. Através destes técnicos de campo era possível articular os trabalhos feitos no TC com as disciplinas técnicas feitas no TE. assim como previa recursos para contratação de técnicos de campo.105 A gente tem muitas dificuldades no acompanhamento. Do aluno ir pro tempo comunidade e voltar sem os trabalhos feitos. Mas não vai in loco verificar se realmente os educandos estão fazendo que seria o ideal de ter a relação ao mesmo tempo com o educando e coma família. 66 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. com mais efetividade. assume a o curso Técnico em Agroecologia. para acompanhar os trabalhos dos estudantes no Tempo Trabalho 67 na escola. não tem como. de Santa Catarina. duas turmas do curso Técnico em Agroecologia eram financiadas pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (PRONERA-INCRA). (Direção da Escola)65. de certa forma. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em Abril de 2014. ao mesmo tempo em que dá uma garantia maior da continuidade do curso. Outra turma foi realizada em parceria com a Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul. A Escola disponibilizava recursos através do projeto do PRONERA para a contratação de profissionais que fariam o acompanhamento dos estudantes no TC. a formação ofertada por este curso. porque não necessita mais de projetos nem de ficar à espera da aprovação e da liberação dos recursos. (Coordenador do curso Técnico em Agroecologia)64. 67 Tempo Trabalho é chamado o tempo que os estudantes têm de desenvolver trabalhos produtivos. Este tempo acontece em dois períodos de quatro horas por semana. sem ter a tarefa feita. A partir do momento que o Estado. no período que vai de 2005 a 2009. Pois é nós fazia desde o início. Hoje não como a gente. através da SED/SC. 65 . com recursos do PRONERA em duas turmas e noutra com recursos da Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul/SC. (Representante do Conselho Escolar)66.

Conforme um membro da direção da escola acima citado o estado não abre edital específico para contratação de professores na área técnica. da Direção e do Conselho Escolar a desqualificação. Isto tanto pode implicar na desqualificação da formação no sentido técnico quanto na desqualificação no sentido sociopolítico. Por exemplo. Entrevista concedida a Paulo Davi Johann no mês de abril de 2014. e também profissionais para acompanhar e contribuir nos trabalhos dos estudantes no Tempo Trabalho. A luta do MST e das comunidades dos assentamentos e a própria Escola foi no sentido do Estado através da SED/SC assumisse o curso técnico em agroecologia. como vai ser dar aula prática e o projeto de produção. . que Tinha IFSC-Rio do Sul. um técnico de fazer isso produzir (membro do conselho da escola)69. Mas escola técnica do campo não faz. é proveniente da falta de recursos para contratação. hoje a gente tem essas dificuldades. o que vai fazer as aulas junto com os alunos não é qualificado na área. O Estado fala em fazer Educação do Campo.106 Segundo avaliação de alguns professores. os alunos saiam para conhecer outras experiências isto foi muito importante no histórico do curso técnico. Então você imagina o tamanho. Nesse sentido se inscreve quem quer e “conforme norma da SED ganha quem tiver mais tempo de serviço” (informação dada por membro da direção da escola). por exemplo ver a biodiversidade de você fazer controle natural de tudo com uma pessoa que tem filosofia fazer de exemplo. Mas ao assumir o curso começa outros problemas que é o da manutenção da qualidade do curso. Pois a 68 69 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann no mês de abril de 2014. Porque nós temos várias qualificações para sala de aula. acompanhamento. Se antes com o PRONERA-INCRA a escola tinha certa autonomia na indicação dos professores. Isto pode ser percebido nas falas: Grande parte dos educandos saíram bem preparados. Nesse sentido a Escola perde o controle sobre seu quadro de profissionais. mas para a prática de campo ele não é qualificado para isso. nós tínhamos professores específicos das áreas. agora com a SED/SC deixa de existir esta autonomia. E não tem um agrônomo. mas na época que tinha UFSC que tinha PRONERA. em parte. então a gente vê muitos educandos atuando na área técnica que se formaram aqui na escola (membro da direção)68. O Estado não faz Escola do Campo. segundo a mesma pessoa que foi entrevistada. o Estado faz uma “espécie de leilão” para com os cargos vagas nas disciplinas técnicas. Pois. assim como da falta de profissionais formados nas áreas específicas dos componentes curriculares em que atuam. tanto do profissional para acompanhar o TC.

b) Coletivo de educadores/professores. de certa forma. o conflito é visto como o motor que impulsiona o avanço da educação escolar como formação de caráter omnilateral. segundo Freitas (2012). Pois segundo Frigotto (2010) a escola não está localizada na base material por onde se dá a luta de classes. d) Associação de Pais e Professores (APP). perpassa pelo trabalho da organização do trabalho escolar e a formação dos educadores e pela luta para a conquista. Mas esta qualificação técnica. faz parte do projeto de educação do capital. assim como da grade curricular que a mesma adotará na formação dos técnicos em agroecologia. ao mesmo tempo em que educação escolar é funcional ao capital. Nessa luta estará presente. de acordo o PPP proclama a “participação” dos diversos segmentos que formam a comunidade escolar. Em relação à organização da escola. pois isto garante que o todo possa funcionar como unidade do diverso. ela também poderá se tornar instrumento de superação da sociedade de classes. a questão da autonomia relativa em relação ao quadro de profissionais que vão atuar nessa Escola. Nesse sentido desqualificação do ensino técnico parte pela não contratação de profissionais técnicos para acompanhar o trabalho de campo. Esta relação entre as partes é vista pela Escola como fundamental. c) Conselho Deliberativo Escolar. o que deixa claro que a educação escolar é atravessada pela luta de classes. tanto das condições objetivas quanto das condições subjetivas da escola. Ou seja. Nesse sentido. Nesse sentido. independentes. Ao olhar para o que está escrito no PPP da Escola percebe-se que cada uma dessas partes que compõem o todo da organização escolar tem sua função específica na Escola. de certa forma. e) Participação do MST. porém esta unidade das partes não se dá sem conflito. Dessa forma. além do mais da contratação de profissionais professores não habilitados para trabalhar nas disciplinas das áreas técnicas. A partir dessa compreensão é preciso ter claro que se existe possibilidade de buscar a qualificação na formação dos técnicos em agroecologia. cada parte que compõe o todo da organização escolar usa . assim como de profissionais para acompanhar os estudantes no TC. mas ela media as relações sociais.107 escola segundo Frigotto (2010) ela é funcional ao capital. A escola organiza-se da seguinte forma: a) Coletivo de estudantes. mas interligadas umas às outras.

Para que a participação seja mais efetiva. mais especificamente no Curso técnico em agroecologia foco desta pesquisa é uma prática que faz parte do método pedagógico das escolas do MST70. se auto organizam. ou seja. A organização dos professores em coletivos é em função de possibilitar a formação e autoformação continuada dos professores nas distintas áreas de atuação. ou seja. Este tempo é dividido em dois momentos: o momento das reuniões dos NBs e o momento do encontro de todos os NBs. junto com o Coordenador do curso e a representação 70 O Núcleo de Base é formado. p 10). os quais são considerados como espaço prioritário da organização dos estudantes. “Os coletivos pedagógicos serão espaços de autoformação permanente. Neste sentido. A participação dos estudantes na vida da Escola 25 de maio. por cinco ou seis estudantes que se reúnem periodicamente para discutir as questões pertinentes à sua participação na Escola e no trabalho associado à sua formação. 2013. através da reflexão sobre a prática do estudo. avaliar. Conforme o PPP e as informações obtidas dos próprios estudantes. a função dos NBs é discutir a convivência entre os educandos. A forma que a Escola utiliza na auto-organização dos estudantes é através dos Núcleos de Base (NBs)71. compreender que é possível ocorrer a formação dos professores nos diferentes espaços da prática pedagógica é fundamental numa escola que tem por objetivo a formação humana no sentido de todas as suas dimensões. não de forma fragmentada como acontece na sociedade e na escola burguesas. Segundo o PPP desta Escola. ela se torna um espaço em que os estudantes podem exercitar a prática da democracia e. das discussões e da própria preparação para outras atividades de formação e de fazer o planejamento das atividades referentes às práticas” (PPP. propor e planejar as atividades práticas e teóricas a serem realizadas. contribuir para a sua formação e para a melhoria da escola. 9). dessa forma. . os estudantes se organizam em coletivos. geralmente. Todas as segundas feiras das oito às dez horas é o tempo destinado aos estudantes para exercitar sua organização. e que existe nessa Escola desde sua criação. a formação integral do ser humano (PPP 2013. p. quando na minha visita a escola para observação e tomada das entrevistas.108 espaços e funções diversos. Ou seja. a Escola destina um tempo formal de duas horas semanais para atividades de auto-organização dos estudantes.

Como. se alguém não fizer sua parte. o que acontece é mais uma distribuição de tarefas de atividades previamente definidas pela direção da Escola junto com o professor de convivência. por outro lado. acrescentando que. tanto no que respeito aos conteúdos. mas importantes sobre o trabalho. Em relação à avaliação do planejamento e à realização do novo planejamento semanal das atividades a serem executadas na semana são abordadas questões sobre o que deu certo e o que não deu certo e o porquê não certo. como momento. em nenhum outro momento se percebe estar presente espaço que os educandos possam exercitar a sua auto-organização como elemento central junto com o trabalho que permita a formação omnilateral que o PPP da Escola declara assim como a Pedagogia do Movimento Sem Terra que está presente nos princípios pedagógicos que a Escola 25 de Maio assume teoricamente. Nesse mesmo período. assim como no acompanhamento nas atividades práticas de trabalho de campo. a realização de avaliação dos aspectos pedagógicos e dos aspectos da convivência dos estudantes. Em relação ao tempo de auto-organização dos estudantes pelo que deu para observar não passa desse tempo formal destinado para esse fim. por exemplo. Na avaliação da convivência dos estudantes são abordados aspectos sobre sua inserção no coletivo e aspectos individuais como a participação no estudo e no trabalho. Uma questão a ressaltar a partir das observações é que no planejamento das atividades semanais do trabalho. assim como o trabalho realizado enquanto prática das atividades diárias e das atividades do trabalho produtivo e dos conteúdos curriculares ou das outras atividades realizadas. a Coordenação da Escola e mais o grupo orgânico dos professores se reúnem para fazer avaliação do processo pedagógico e para debater as questões relacionadas ao conjunto de atividades da Escola olhando mais para as questões pedagógicas. A partir disso. quanto ao método utilizado. Mas. de avaliar o planejamento e fazer um novo planejamento semanal das atividades práticas da Escola. No tempo destinado aos NBs pretende-se que os alunos discutam os problemas da convivência do cotidiano. Esta é a percepção que o pesquisador teve quando no acompanhamento das reuniões dos NBs e a posterior socialização. é formulado um novo planejamento das atividades práticas que serão realizadas na semana. . discute-se a importância do trabalho na Escola. acabará prejudicando todo coletivo. nos NBs são feitas algumas reflexões.109 do coletivo de professores para a socialização das discussões. embora pequenas. também. Nos aspectos pedagógicos é feita a avaliação dos professores.

. e contribuir na construção de processos de produção agroecológicos. p. pretende formar jovens. Porque foi uma conquista nossa e como estava dizendo tem uma estrutura ali que muitas outras escolas não têm e nós temos”. o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) busca implementar. (Liderança do MST)72. uma pedagogia em que a educação deverá estar ligada à vida do sujeito. Esta organização da Escola é entendida pelos estudantes. “Para nós é um orgulho de ter uma escola dessas. através da luta dos trabalhadores e de sua organização. a organização coletiva e tendo como fundamento as relações sociais do trabalho.110 A Escola se organiza para trabalhar o processo pedagógico de acordo com as estratégias de formação dos educandos que é concebida pelo MST. através da apropriação/produção de conhecimento que se articula à reflexão sobre as vivências dos sujeitos nos diferentes processos sociais formadores”. com o curso de Técnico em Agroecologia. 9). E. a formação do sujeito se dá mediante a relação do homem com a natureza.5 – O desafio da Escola 25 de Maio na formação do Técnico em Agroecologia Para contrapor-se à formação técnica pensada pelo capital para se apropriar da terra e implementar substâncias e máquinas que gerassem a dependência dos trabalhadores. pais. A Escola 25 de Maio. 2006. como uma nova matriz produtiva e tecnológica para se contrapor à matriz produtiva do agronegócio. professores e Conselho Escolar como um espaço importante na formação agroecológica para filhos e filhas de camponeses assentados da Reforma Agrária ou outros das comunidades tradicionais. 3. (MST. em suas escolas de formação técnica. no mesmo documento pode ser lido que: Os princípios pedagógicos da educação do MST expressam como o MST compreende a educação e o processo formativo do ser humano. filhos de camponeses. Ou seja. para adquirir conhecimento técnico e capacidade política 72 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. esta escola tem a função de educar para a transformação social. incluindo a cultura. Este pressuposto teórico é exposto nos documentos do MST. A Escola 25 de Maio por estar vinculado ao MST e ser uma escola de formação de técnicos em agroecologia e seus objetivos formativos estão ligados aos objetivos do MST. “A escola é um lugar próprio ao aprendizado de juntar teoria e prática.

poder orientar os camponeses para construir agroecossistemas em que o balanço energético seja positivo. no Brasil. A formação técnica em Agroecologia da Escola 25 de Maio está inserida nesse contexto. conforme estudos de Pinheiro Machado (2014). poderá contribuir é com o desenvolvimento e a socialização de técnicas entre os estudantes. Com isso. também. como da administração de cooperativas. de sete bilhões de seres humanos e. a Escola propõe-se a desenvolver no estudante a capacidade de analisar agroecossistemas locais. relacionando-os com agroecossistemas mais globais. a diversidade biótica. a demanda por Ensino Técnico para as áreas de Reforma Agrária. está contribuindo. Como acima citado. E. assim como a construção de relações socioambientais e sociopolíticas com o intuito de modificar a relação homem natureza. o funcionamento do curso Técnico em Agroecologia. de um bilhão destes seres que passam fome no mundo. . mais especificamente. Segundo o documento Caminhos da Educação Básica de Nível Médio para a Juventude das Áreas de Reforma Agrária73 (2006). Ou melhor. 73 Documento final do 1º Seminário Nacional sobre Educação Básica de Nível Médio nas Áreas de Reforma Agrária. mas também em outras áreas. com a luta para a superação da sociedade do capital. Ou seja. com esses elementos é possível se contrapor à matriz produtiva e tecnológica do agronegócio que. ao mesmo tempo. esta Escola precisa difundir estas bases porque. Esta demanda não é exclusivamente na área da formação de técnicos agrícolas com ênfase em Agroecologia ou de técnicos em Agroecologia. realizado pelo MST em Luziânia/GO em setembro de 2006. produtora de alimentos em escala. Outra questão importante que a Escola 25 de Maio. professores e a comunidade que possibilitam compreender que a agroecologia pode ser. também. Isso porque já se têm elaboradas as bases técnicas para a produção de alimentos saudáveis em escala.111 organizativa para contribuir junto aos camponeses na implantação da matriz produtiva e tecnológica que respeite o meio ambiente. é uma preocupação do MST desde o início da década de 1990. no que concerne à entrada e saída de energia e. mas produz mercadorias com o fim único de acumulação de capital. no sentido de atender a demanda por alimentos. da saúde e do magistério. enquanto espaço de formação. contribuir junto a esses sujeitos com a organização da produção e o desenvolvimento de atividades formativas relacionadas com agroecologia e a luta pela superação da sociedade de classes. segundo este mesmo autor. só destrói o meio ambiente e não produz alimento. dessa forma.

assim como. Quer dizer a Direção no sentido que a comunidade ainda bancava professores. de certa forma. Então acho que precisa juntar um monte de coisas que para nos poder ver que temos um bom técnico (membro conselho da escola)74 Há poucos anos atrás. No Pronera tinha recurso até para o educador que acompanhava no TC. enfim deixava de fazer os trabalhos isto prejudicava na formação técnica no final. metodologia e tudo. vem quem tem melhor colocado lá. em muito. isto até 2008. Ele desenvolver na própria escola projetos de experimentos e fazer dar resultado no final. ele cobrava. mas a grande maioria vem e está pensando no vencimento do final do mês. não por ele porque ele tem que trabalhar. A partir do momento que a SED/SC assume o curso. transformando-o em curso regular do Sistema Estadual de Educação. Ele acompanhava. E a margem da lei nós não conseguimos mais trazer os educadores que nos queria. Ele fazia debate com o aluno. Em 2009 o curso passa a ser integrado à secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina (SED-SC). Além do mais. a formação técnica perde. além de serem da área. o que ele fazia: ele fazia debate com os pais. para a contratação de um responsável para acompanhar as atividades dos estudantes no Tempo Comunidade (TC). (Membro concelho da escola)75 74 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. esta Escola. nos tinha a direção da escola na mão. Para tanto. durante a existência do curso sustentado com os recursos do PRONERA. havia condições econômicas para a contratação de técnicos de campo. começa em 2004. 75 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014. eram procurados profissionais que. Isso fica confirmado nos depoimentos colhidos nas entrevistas. ou seja. ambos podiam interferir na indicação dos profissionais da área técnica para trabalharem na formação dos estudantes. ele fazia de tudo. eu acho que deveria que ter no mínimo o dobro de conhecimento técnico na agroecologia ele tinha que ter. Então o aluno vinha com o trabalho pronto e hoje não tem. a sua qualidade. . junto com Setor de Educação do MST.112 integrado ao Ensino Médio. a Escola 25 de Maio tinha interferência na contratação dos professores. tinha que ter profissionais ali pra com qualificação. se identificassem com o projeto pedagógico da Escola e do MST. nós coordenávamos a Escola. não precisa só que os outros venham dizer pra nós ok. avaliar. Então o conhecimento. E a partir de uns anos pra cá ela cresceu e a gente ficou à margem da lei. vem alguns por aptidão pelo projeto. Então o TC nosso ele é um tempo de férias para o aluno entendido por ele e pelo pai. Isso porque. teria que ter recursos pra poder desenvolver projetos de experimentos. mas pra isso aquilo que falei antes. primeiramente como curso realizado em parceria UFSC/ PRONERA e MST. Avaliar os erros que teve.

Este trabalho forma pessoas aptas a operar alguns instrumentos de trabalho sem saber como que funcionam.113 O problema da (des)qualificação dos professores e da perda do poder de escolha destes professores não só é observado pelo Conselho Escolar. o trabalho agrícola. de que forma é possível. O desafio da Escola 25 de Maio em desenvolver uma formação que seja orientada pela qualificação técnico-científica do curso Técnico em Agroecologia pode ser compreendido no contexto da educação brasileira e da luta de classes que permeia a educação. o aprender fazendo. Pistrak (2000) afirmam como sendo o trabalho socialmente útil. ou se isto é possível. para compreender esta educação/formação técnica torna-se necessário ter clareza de como. na sociedade de classes. do trabalho concreto. separam-se a educação. Isso pode ser confirmado nesta fala: […] porque o processo da escolha do quadro técnico da escola ele não perpassa pela comunidade pelo conselho. O trabalho como princípio educativo que a pedagogia do Movimento traz em uma das suas matrizes pedagógicas é o trabalho. mas o trabalho que estas escolas introduzem é visto como instrumento pedagógico. realizar a união entre educação e trabalho na sociedade de classes. ou prática sem teoria é funcional ao modo de produção capitalista. Para se contrapor a formação unilateral proporcionada pela educação das escolas burguesas que também incorporam o trabalho na atividade pedagógica. E ainda. Nesse sentido. Quando nós tínhamos o curso técnico via Pronera era uma outra realidade aonde nós direcionávamos os profissionais que iriam trabalhar como educador nesse curso técnico (membro da direção da escola)76. Assim. no caso. É este trabalho que possibilita unir teoria e prática ou prática e teoria possibilitando a formação omnilateral dos sujeitos envolvidos no processo educativo/formativo. segundo Shulgin (2013). ou o aprender a aprender. Esta forma de ver o trabalho na escola que ensina teoria sem prática. e para que servem na sua essência. . sob a forma escolar. mas também pela direção da Escola. vale salientar que a educação e a formação pretendidas pelo MST e pelas escolas vinculadas a este Movimento inseridas no sistema educação formal do Estado são atravessadas pela contradição capital trabalho. e no caso da escola 25 de maio e o Curso técnico em agroecologia por ela oferecido a possibilidade da formação do técnico com capacidade técnica e compromisso político na contribuição na implantação da matriz 76 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann abril de 2014.

114 produtiva e tecnológica da agroecologia. o MST através do Setor de Educação trabalhe a formação político pedagógica dos professores educadores para que eles também possam avançar na compreensão sobre a pedagogia do Movimento. ainda permanece uma relação de certa forma centralizada no professor. de companheirismo entre educador educando como afirma o coordenador do Curso77. Pois percebeu-se que esse processo de relacionamento embora seja de amizade. na qual a centralidade do processo formativo passa do professor para o processo educativo/formativo. Nesse sentido estes desafios também são limites que apresentarei a seguir e que precisam serem superados. Nesse sentido é preciso que a escola. pois isto incide diretamente na qualidade da formação do técnico militante esperado pelo MST e do conjunto da agricultura familiar/camponesa. O desafio é de fato a escola assumir a pedagogia do Movimento. . Nesse sentido fica o desafio da Escola e ao MST ao qual a escola está organicamente vinculada de superar a visão do trabalho somente como instrumento pedagógico e avançar na compreensão do trabalho como princípio educativo. pois estes são desafios que precisam ser assumidas pelo conjunto do MST do qual a escola 25 de Maio e o Curso técnico em agroecologia é parte. Outra questão que me merece bastante atenção é a auto-organização dos estudantes para que esta possa avançar e superar a visão que aparece no senso comum da Escola que esta se restringe ao momento formal instituído. Outro desafio que é preciso que MST e Escola assumam como necessidade para avançar no processo formativo dos educandos que estudam nessa escola. principalmente no Setor de Educação e Setor de Produção desse Movimento. “o professor utiliza acho que principalmente uma relação de amizade com o aluno pelo que vi todos os professores se dão muito bem com os alunos”. É importante salientar que estes desafios que consegui identificar no processo da pesquisa precisam ser discutidas no interior da Escola e do MST. 77 Entrevista concedida a Paulo Davi Johann em abril de 2014. mas que possa de fato ser um processo que perpasse a vida do educando na escola. sobretudo ao Curso técnico em agroecologia é a relação pedagógica entre professor e aluno.

como matriz produtiva e tecnológica. assim como de leituras de autores que já estudaram sobre temas semelhantes. focalizada nesta pesquisa. ao fato de que a sociedade. buscou-se obter informações a partir da observação. Ou seja. também produz uma educação dividida. por sua vez. É um tipo de educação para os que concebem a produção e um outro tipo de educação aos que fazem a produção. Daí para frente procurou-se compreender como que acontece a formação do Técnico em Agroecologia. para perceber como no processo histórico da formação humana se o trabalho é parte central desse processo. ao se dividir em classes sociais. que separa o trabalhador do produto do seu trabalho. na relação teoria e prática. a partir do método proposto nesse estudo.115 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS O foco central desse estudo foi de compreender como a teoria se articula à prática. de leituras de documentos da Escola analisada. Essa divisão da sociedade em classes. no processo de construção da agroecologia tem-se a oportunidade de aproximar aquilo que a sociedade de classes separou – trabalho manual e trabalho intelectual. Nesse intuito. Isto quer dizer que a Agroecologia. a Agroecologia possibilita unir na agricultura camponesa o que a matriz produtiva e tecnológica do agronegócio cindiu. A partir dessa compreensão buscou-se conceituar a Agroecologia como sendo uma matriz produtiva e tecnológica que tem. Essa busca incessante por dados para analisá-los. a sua essência. ou seja. na Escola 25 de Maio. o camponês – quando aí consegue um emprego – precisa somente saber fazer. pelo duplo caráter desta sociedade. de entrevistas. Esse mesmo trabalho sob a sociedade cindida em classes sociais assume um duplo caráter. buscou-se a partir do referencial teórico do materialismo histórico dialético analisar a trajetória da educação. precisa ser apreendida pelo camponês teórica e praticamente. pois. cinde o trabalho em trabalho intelectual e trabalho manual e separa (aliena) o produtor do produto do seu trabalho e que. por isso mesmo. Nesse sentido. nele não se reconhece. teoria e prática. ou em que sentido a teoria se aproxima ou se distancia da prática na formação do Técnico em Agroecologia. e da educação escolar em particular. Nesse sentido. motivado. de forma geral. proporcionada pela Escola 25 de Maio. explica-se pela necessidade de que os mesmos . nessa matriz.

e contribuir na construção de processos de produção agroecológicos. 9). também atravessam a escola e. 1976). assim com a sociedade do capital é. também atravessada pelas contradições próprias das relações de antagonismo das classes sociais que a constituem. Esta forma de produzir. a formação do sujeito se dá mediante a relação do homem com a natureza tendo como fundamento as relações do trabalho. 2006. A formação técnica que a referida Escola tem por objetivo realizar está relacionada aos objetivos do MST. analisada. A questão de que a formação do ser humano se dá na relação homem natureza está registrada nos princípios pedagógicos do MST. de organizar o campo brasileiro produz a destruição do meio ambiente. portanto a Escola 25 de Maio. Este pressuposto teórico é exposto nos documentos do MST. p. Neste sentido. Esta escola tem a função de formar técnicos em agroecologia. além das sementes híbridas e da transgenia. no uso de agrotóxicos. se utilizando do monocultivo. Ou seja. Esta matriz consiste na produção em escala. ocultando a sua essência (KOSIK. produz o processo de expulsão do homem do campo e a subordinação do camponês ao capital. Os princípios pedagógicos da educação expressam como o MST compreende a educação e o processo formativo do ser humano. os quais já foram indicados acima. como uma nova matriz tecnológica visando contrapor-se à matriz tecnológica do agronegócio. Nesse sentido A Escola de formação técnica agropecuária 25 de Maio é uma Escola vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ou seja. bem como a formação dos sujeitos dessa Escola. sob o modo de produção capitalista. “A escola é um lugar próprio ao aprendizado de juntar teoria e prática. a escola deverá cumprir com a função de educar para a transformação social. na adubação sintética. através da apropriação/produção de conhecimento que se articula à reflexão sobre as vivências dos sujeitos nos diferentes processos sociais formadores” (MST. E estas contradições próprias da sociedade de classes.116 pudessem permitir conhecer o fenômeno na sua essência. . A Escola 25 de Maio produto da luta do MST fundamenta-se numa educação/formação que deverá estar ligada à vida do sujeito e ao trabalho que este desenvolve para manter a vida. conhecer o fenômeno tal qual ele é e não como aparenta ser. Nessa busca pela essência percebeu-se que a formação técnica proporcionada pela Escola 25 de Maio é prenhe de contradições.

deve estar ligado ao trabalho social. de como a sociedade de classes sob a divisão do trabalho roubou do camponês a capacidade criadora e o alienou ao agronegócio dessa forma o desumanizou. Por matriz pedagógica do trabalho entende-se que a formação deve partir do trabalho. E no caso da escola de formação de técnicos em agroecologia. A escola cujo objetivo é formar seres humanos em todas as suas dimensões. de um lado. e. autônomos. p. Nesse sentido a formação a partir da união do trabalho com o ensino proporcione a formação em todas as dimensões do ser humano. de outros procedimentos metodológicos capazes de ilustrar este ou aquele detalhe de um curso sistemático. a uma atividade concreta socialmente útil. Estas relações devem fazer parte das discussões teóricas que se concretizam em sala de aula. mas não de qualquer trabalho. enquanto base da educação. (PISTRAK. O trabalho na escola. seu aspecto social. foi fazendo e aprendendo. O trabalho como princípio educativo é o trabalho social. Isto quer dizer que a formação do técnico deve ser um técnico de “novo tipo”. Portanto. busca orientar-se pela matriz pedagógica do trabalho como elemento central nessa formação. reduzindo-se. e a Escola de modo particular devem ter um olhar holístico sobre aqueles e aquelas que se estão formando. ou seja. formar seres humanos mais humanizados que compreendam a realidade do campo. o trabalho na escola integrado ao ensino como elemento central na formação do ser humano possibilita a formação de sujeitos não só críticos. sem o que perderia seu valor essencial. Na formação do técnico de novo tipo torna-se necessário compreender a existência da relação educação. a produção real. É aquele ligado a produção real. a educação de modo geral. possibilitando que este possa contribuir junto aos camponeses na . Isto quer dizer que o aprendizado é fruto do trabalho. em que o trabalho seja atividade criadora e não alienante. 2000. pois foi através do trabalho ao longo do processo histórico que o ser humano foi aprendendo a construir as coisas e ao mesmo tempo se fazendo homem.117 Na formação de técnicos para contribuir no desenvolvimento da matriz tecnológica da Agroecologia. que é socialmente útil. ou trabalho concreto produtor de valor de uso. 38) A partir do trabalho socialmente útil como elemento formador do ser humano possibilita ao educando compreender as relações sociais que se estabelecem no ato da produção. à aquisição de algumas normas técnicas. mas acima de tudo seres humanos que tenham capacidade técnica e política de intervir na realidade concreta para transformá-la. Neste sentido existe uma relação ontológica entre educação e trabalho. formação e trabalho.

é necessário que o conhecimento teórico ao conhecimento prático para esta realização. Espera-se formar um técnico com capacidade técnica e política que possa contribuir na construção da matriz produtiva e tecnológica da Agroecologia e. A esta qualificação deficiente na área técnica alia-se a falta de formação correspondente ao método pedagógico do MST. Em parte. Trata-se da relação teoria e prática. bem como a falta de profissionais tecnicamente capacitados para acompanhar os educandos nos trabalhos de campo e no TC.118 construção de processos de produção agroecológica que venham a se contrapor ao atual paradigma de produção do capital no campo. que. embora sendo relativos e transitórios. que se constitui em dois pilares fundamentais: na auto-organização dos estudantes . Existe. uma fissura no que se refere ao trabalho como unidade dialética de teoria e prática. que incluiu a formação técnica. Na Escola 25 de Maio existe. trabalho manual e trabalho intelectual. de certa forma. A partir da análise de como se dá a educação/formação na sociedade de classes em que a Escola 25 de Maio está inserida e como esta é permeada pela luta de classes que se estabelece no mundo da produção onde os homens produzem sua vida passo agora a apresentar alguns resultados desta pesquisa. Esta contradição aparece no que é essencial à formação humana. assim como. pois a realidade está em constante movimento. esta dificuldade está relacionada à própria organização do calendário escolar. uma contradição entre o que o PPP da Escola propaga e o que de fato acontece na Escola estudada. ou ainda conhecimento teórico e conhecimento prático. me parecem fundamentais para a qualificação na formação do Técnico em Agroecologia que a Escola 25 de Maio se propõe a realizar. Esta realidade está relacionada ao tempo disponível dos profissionais contratados. Percebe-se isto no distanciamento entre o que se espera com a formação dos técnicos em Agroecologia e as práticas que realmente ocorrem para esta formação. no que diz respeito aos horários da realização das aulas. de certa forma. Constata-se a pouca qualificação na área técnica dos profissionais contratados para atuarem na formação técnica. Por outro lado constata-se também que os profissionais envolvidos no processo educativo/formativo não têm clareza do que seja o trabalho como princípio educativo. A partir do que vimos esses profissionais acreditam que qualquer trabalho seja educativo. em virtude da grande maioria das aulas do ensino técnico acontecer no período da noite. não compreendem que o trabalho educativo como vimos é este ligado ao mundo real da produção. para que isso aconteça. à formação exigida para atuarem no ensino técnico.

mas também torna-se necessário mudar o método e a organização escolar.119 e no trabalho como princípio educativo.. Afirma este autor que não basta mudar a didática. concentra-se muito mais na forma organizativa do que nos conteúdos. A partir dessa compreensão. quando este autor afirma que não basta mudar o conteúdo.) não se realiza na sua totalidade na prática. Nesse sentido. percebe-se que o discurso (textos. Estes podem ser elementos que contribuem para que a formação técnica não aconteça com a qualidade esperada pelo MST. ou seja. analisa Freitas (2012). dos professores. segundo Enguita (1989). quer dizer trabalho manual (prática) separado do trabalho intelectual (teoria). tomando como exemplo o trabalho como princípio educativo. as mudanças não podem apenas ser formais.. no que se refere à prática educativa. Outra questão que se apresenta na referida Escola está relacionado ao que é apontado por Mészáros (2008). entre teoria e prática. ou como elemento que ajuda entender a teoria e não como elemento central da formação humana. o trabalho é visto de forma dual. à aproximação entre teoria e prática. percebe-se uma lacuna entre o pretendido e o executado. . mas se analisada esta organização com mais profundidade. pode-se dizer que a Escola 25 de Maio se aproxima da educação emancipatória ao propor uma organização dos estudantes. documentos. Ou seja. quando deveria ser visto como unidade dialética.. quando analisa a escola no modo de produção capitalista. na essência. na aparência existe uma organização diferente das outras escolas. mas precisam ser fundamentalmente essenciais quando se propõe educar para a emancipação humana. Isto quer dizer que se torna necessário compreender como as contradições entre capital x trabalho se apresentam no interior da escola. incluindo-se nessa a formação técnica de compreender o porquê fazer e o saber fazer. por outro lado. mas torna-se necessário mudar a estrutura organizativa da escola. Tomando-se como referência que a escola. esta se distancia do que pode ser chamado de educação emancipatória. ou seja. Nesse sentido. na Escola 25 de Maio. programações. Nessa mudança é fundamental ter presente a unificação entre trabalho manual e trabalho intelectual. Nesse mesmo sentido. aparece como algo para comprovar a teoria. Mas. etc. dos pais dos educandos e da comunidade dos camponeses assentados. Este aparece muito mais como princípio pedagógico do que como alicerce da formação do Técnico em Agroecologia. permitindo que se discutam os problemas educacionais da Escola em seu conjunto.

Ou seja. Ou seja. Entende-se escola professores. Nesse sentido a auto-organização dos estudantes existente na Escola 25 de Maio é muito parecida ao que Pistrak (2000) chama de auto-organização forçada. O que aparece também como elemento importante na análise no contexto da educação/formação na Escola 25 de Maio é o que se relaciona com o método de ensino utilizado pela maioria dos professores do Curso técnico em Agroecologia. Esse método está de certa forma divorciado do referencial teórico assumido pela escola. Passaremos agora a identificar os limites que se apresentam na instituição escolar . introduzida de para baixo. busca formar seus educandos. pois esta só aparece nos momentos formais. pela Escola. o método muitas vezes se distancia da Pedagogia do Movimento assumida teoricamente e que encontra-se proposta no PPP da Escola. Nessa direção o estudo aponta alguns limites que precisam ser assumidos pelo conjunto do MST. Para isso. A superação desses limites permitirá a Escola 25 de Maio e ocurso técnico em agroecologia oferecida por esta escola a dar largos passos na qualificação técnica e política dos estudantes que se formam nessa Escola. É preciso avançar na visão do que seja auto-organização dos estudantes e compreendê-la para todos os espaços da vida da Escola. se dispõe a implementar uma educação/formação diferente da escola burguesa. dessa forma essa auto-organização fica estranha ao educando. A escola/Curso analisada nesse estudo que é fruto da luta dos Trabalhadores Rurais Sem Terra organizados no MST. sujeitos com habilidades técnicas e compromisso político para contribuir junto aos camponeses na construção de uma outra matriz produtiva e tecnológica diferente da matriz produtiva e tecnológica hegemônica a do agronegócio. e no caso do curso técnico em agroecologia. e dos espaços em que vivem. essa Escola/Curso assume no seu PPP a formação integral do ser humano. e conselho escolar. Os limites encontrados nessa Escola são relacionados a (im)possibilidade de se realizar atividade pedagógicas que possam unir prática e teoria enquanto condição de qualificar a formação político-técnica dos educandos que estudam no Curso técnico em agroecologia. o Setor de Educação e o Setor de produção. serve muito mais para introdução da disciplina escolar estabelecida pela Escola. aquelas duas horas semanais em que os educandos têm um tempo formal para se reunir e exercer sua organização. as comunidades assentadas.120 Ainda em relação a auto-organização dos estudantes aparece uma visão limitada por parte da Escola analisada sobre esta questão. tendo no trabalho e na auto-organização dos estudantes como princípios educativos.

a partir dessas experiências. e. por parte do Estado. Ainda em relação à qualificação. os educadores sentem dificuldades em compreender o trabalho como unidade dialética entre a concepção e a execução. ampliar as atividades e mesmo teorizar sobre esta prática.  A não contratação. no que se refere à possibilidade de melhorar a qualificação técnica e política dos estudantes. ainda. mas sim ao capital. Dessa forma. Esta qualificação se refere tanto à parte técnica quanto em relação à formação político-pedagógica de compreender e distinguir o trabalho como princípio educativo e o trabalho como princípio pedagógico. o educando poderá trazer questões ainda não compreendidas ou não abordadas para serem debatidas durante o TE.  A questão das aulas técnicas no período noturno impossibilita trabalhar de forma real a unidade dialética entre trabalho manual e trabalho intelectual.121 estudada.  O problema da falta de profissionais qualificados para atuarem na formação técnica. para que se faz. se apossar do conhecimento técnico teórico-prático significa saber por que se faz. este conhecimento encontra-se dissociado. fazendo observações e. de modo que o educando possa se apropriar dos conhecimentos teórico-práticos e perceber a forma como. . na sociedade de classes.  A falta de uma melhor compreensão da auto-organização dos estudantes como processo de participação efetiva dos estudantes dos processos educativos. saber fazer. As atividades do TC fazem parte do curso. Ou seja. de educadores qualificados para acompanhar as atividades dos educandos no TC. Dessa forma. este é o momento em que o educando poderá realizar experiências agroecológicas em sua Comunidade. fomentar nos estudantes interesses que tem a ver com a vida deles conforme nos aponta Pistrak (2000). Compreender que a auto-organização dos estudantes é construir. é outro limite. de profissionais. junto com sua família. teoria e prática. ou seja. ainda. podemos perceber que não existe uma compreensão o que seja o trabalho. compreende-la como parte de toda vida escolar. como nesta sociedade o conhecimento pertence não ao trabalhador. e não só deixar esta questão em momentos formais estabelecidos pela Escola/Curso. e.

O método assumido pela maioria dos professores não compactua com a Pedagogia do MST assumida pela Escola. Primeiro se estuda na teoria e depois se põe em prática para verificar se a teoria está certa. pelo fato de a Escola 25 de Maio estar vinculado ao sistema estadual de educação. mas também depende do Estado. através da SED/SC. Pelo fato. Nessa perspectiva não dá para esperar do estado . a sociedade burguesa estar cindida em classes sociais antagônicas e essas classes estão em constante luta por seus interesses. assim como de colocar em prática e verificar a teoria. método em que o diálogo. Para muitos professores isto já seria o suficiente para fazer uma educação libertadora. essa instituiu a educação escolar para reproduzir a sociedade de classes e formar o ser humano necessário a essa sociedade. tanto no que diz respeito a disciplinar o educando. Ou ainda que a prática serve para verificação da teoria. aquele trabalho repetitivo que cansa o ser humano. Ou seja. a luta de classes que se estabelece no mundo da produção onde se produz a vida do ser humano perpassa também a educação escolar. Nesse sentido o trabalho é visto de forma utilitarista. A superação dos limites apresentados não depende só da Escola e do conjunto do MST. Pois o que se percebe nessa escola é uma confusão total o que seja trabalho como principio pedagógico e trabalho como princípio educativo. isto quer dizer que a forma escolar deve estar ligada ao método que corresponde a ela. É preciso compreender que método e forma devem andar juntos.122  Em relação ao método do ensino utilizado pela maioria dos professores que não ultrapassa o método pedagógico da escola nova. mesmo que este fica na pura oralidade e fica no mundo abstrato sem concretude. contribuir no auto sustento de cada um e da escola.  A não compreensão do significado do princípio educativo do trabalho. Mas. a amizade com os educandos é considerada algo inovador. Ainda a compreensão de que qualquer trabalho seja educativo. Este limite está relacionado ao da formação política pedagógica dos trabalhadores da educação nessa Escola/Curso. mesmo aquele trabalho que ´não é bom de realizar. A compreensão do trabalho é vista muito mais como elemento de disciplinar o educando e contribuir na produção do auto sustento. como visto no decorrer deste estudo. ou a fixação da teoria. O que se existe nessa escola e esta é a compreensão do conjunto de educadores é ainda uma visão em que teoria e prática são duas coisas opostas.

conceber e fazer. é quando superarmos a sociedade de classes. .123 burguês as condições necessárias para a realizar uma educação que vai na direção da superação dessa sociedade que a Escola/Curso se propõe a realizar que consta no PPP desta Escola. pedagogia que incluiu o trabalho como unidade dialética. Por isso afirmo que para avançar na formação do técnico pretendido os professores necessitam se apropriar do conceito do que é o trabalho como princípio educativo. a Escola e conjunto do MST precisam trabalhar na formação político pedagógico dos professores dessa Escola para que consigam se apropriar da pedagogia do Movimento que tem na sua base uma das matrizes formativas do ser humano que é o trabalho. uma educação omnilateral que se contrapõe à educação unilateral proporcionada pela escola burguesa. fazer e saber porque faz. Em síntese. também um papel fundamental a cumprir que é de lutar para pressionar o Estado para obter conquistas que vão na direção do que o PPP aponta. Ou seja. prática e teoria. Ter clareza desse conceito implica na formação do Técnico em Agroecologia que os camponeses necessitam nesse momento histórico para a mudança da matriz produtiva e tecnológica hegemônica do agronegócio para uma matriz produtiva e tecnológica de base agroecológica. isto que vimos no decorrer dessa dissertação. Daí a Escola e o conjunto do MST têm. como nos aponta o referencial teórico desse estudo. a Escola/Curso que tem no trabalho princípio educativo quer formar o ser humano em todas as suas dimensões como nos aponta Marx. A minha compreensão é que a matriz formativa do trabalho é a central de todas as matrizes que configuram essa pedagogia por que é a base da produção da vida. desde que consiga superar os limites apontados. Foi nesse sentido que a Escola assume em seu PPP a pedagogia do Movimento. Essa superação só será possível se avançarmos na compreensão do que é o trabalho enquanto unidade dialética prática e teoria que se expressa no trabalho enquanto princípio educativo. Além do papel da luta social necessárias para conquistar as condições necessárias para a implementação da educação/formação concebidas pelo MST e presentes no PPP na Escola 25 de Maio. Caldart (2015) aponta que as Escolas vinculadas ao MST precisam se apropriar da Pedagogia do Movimento e colocar em movimento as matrizes formativas dessa pedagogia. a Escola 25 de Maio em geral e em particular o Curso técnico em agroecologia pelo seu formato permite avançar na educação/formação dos educandos na perspectiva do técnico que tenha capacidade técnica-saber fazer e compromisso político-saber porque fazer na perspectiva de unir trabalho manual e trabalho intelectual. sabendo-se que estas só se tornarão realidade na sua totalidade.

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aprende mais? E qual aprende menos? Que sugestões faria? 16) Como tem sido a aplicação/relação entre seus aprendizados na escola e a propriedade dos pais (ou propriedade em que se encontra – TC)? . 1) Você gosta de estudar nesta escola? Do que mais gosta e do que menos gosta? 2) Em que/onde pretende trabalhar quando se formar? 3) O que entende por agroecologia? 4) Em que consiste a formação de um bom técnico em agroecologia? 5) Que limites identifica para a produção agroecológica nos assentamentos? E possibilidades? 6) Como avalia a formação proporcionada pela escola? Quais seriam os pontos fortes e os pontos fracos na formação agroecológica na escola? 7) Você se sente preparado (ou sendo preparado) para atuar como técnico em agroecologia? Que aspectos da agroecologia você entende que domina melhor e o que tem mais dificuldade? 8) Como você avalia sua formação téorica em agroecologia proporcionada pela escola? 9) Como você avalia sua formação prática em agroecologia proporcionada pela escola? 10) Você avalia que teoria e prática em agroecologia encontram-se bem trabalhadas na escola? 11) Você identifica articulação entre os estudos teóricos e práticos na escola? Algum tema mais espaço? 12) Que sugestões você faria para a escola para melhorar a formação na escola? 13) Descreva as aulas do curso: que tipos de atividades. metodologia são usadas nelas? 14) Como você avalia a metodologia de ensino dos professores? 15) Quais você gosta mais.130 ANEXOS Roteiro de entrevistas: Para estudantes.

vespertino. Como que são encaminhadas as tarefas para o TC.131 Para professores: 1) Em que consiste a formação de um bom técnico em agroecologia? 2) O que entende por agroecologia? 3) Como avalia a formação proporcionada pela escola? Quais seriam os pontos fortes e os pontos fracos na formação agroecológica proporcionada pela escola? 4) Que limites identifica para a produção agroecológica nos assentamentos? E possibilidades? 5) Quais necessidades que a escola tem que se sanadas qualificariam a formação agroecológica? 6) Como você avalia a formação teórica em agroecologia proporcionada pela escola? 7) Como você avalia a formação prática em agroecologia proporcionada pela escola? 8) Você avalia que teoria e prática em agroecologia encontram-se bem trabalhadas/articuladas na escola? 9) Que sugestões você faria para a escola para melhorar a formação na escola? 10) Quais as metodologias de ensino você utiliza em suas aulas? 11) Como vê o interesse e aprendizagem dos alunos nas suas aulas? 12) Quais as metodologias utilizadas por outros professores no curso técnico? 13) Como tem sido a aplicação/relação entre seus aprendizados na escola e a propriedade dos pais (ou propriedade em que se encontra – TC)? 14) Como avaliação a qualificação dos estudantes para atuarem como técnicos em agroecologia? Quais são os pontos fortes da formação proporcionada? E os fracos? 15) Qual a importância das atividades/trabalhos de campo e experimentos desenvolvidos na escola para a formação do técnico? 16) Como é feito o planejamento de aula das disciplinas técnicas? Individual ou de forma conjunta? Porque? 17) - Em que períodos acontecem as aulas das disciplinas técnicas? Matutino. 18) O trabalho e prática são sinônimos? Ou são duas coisas distintas? Porque? 19) Em relação ao trabalho prático no Tempo comunidade (TC). cada professor encaminha o sua tarefa . noturno.

Em que consiste a formação de um bom técnico em agroecologia? 2.Qual contribuição e limites dos cultivos e criações existentes na escola? 12.Como que vês a relação da teoria com trabalho prático feito na escola? 5- O estudante desenvolve atividades práticas no TC relacionadas com as disciplinas técnicas estudas no Tempo Escola (TE)? 6- Como tu vês o aprendizado dos alunos em relação as técnicas em agroecologia? 7- Na tua opinião a prática é importante no aprendizado das técnicas em agroecologia? 8.Como avalia a formação do curso técnico em agroecologia proporcionada pela escola 25 de maio? 3.Como avalia a formação dos estudantes técnicos egressos da escola? 11. 1.Na tua opinião qual deve ser o espaço da teoria e qual deve ser o espaço da prática na formação do técnico em agroecologia? 9. pais de estudantes e Conselho Escolar.Qual a importância da Escola 25 de Maio para o MST de SC? .132 relacionada com sua disciplina.O que entende que é necessário na escola para avançar na formação? Que sugestões tem? 10.Quais os pontos fortes da escola na formação do técnico em agroecologia? E fracos? 4. ou as as tarefas são encaminhadas de forma articulada entre as diversas disciplinas? 20) Como a escola acompanha os trabalhos práticos que os estudantes realizam no Tempo Comunidade? 21) De que forma os trabalhos práticos executados pelos estudantes no TC se articulam com as aulas teóricas? Para membros da comunidade.