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Acordo de Associação Inter-Regional MERCOSUL – União Europeia

Loriene da Conceição Torres.
1. Introdução
O Mercosul e a União Europeia desde meados da década passada vêm negociando um
acordo de livre comércio. É um acordo único porque é a primeira vez que duas regiões se encontram
numa mesa de negociação para estabelecer um acordo com essas características.
As Em 1995 quando a UE ainda estava sob a influência espanhola, demostrou certo interesse
de estabelecer uma associação inter-regional com o Mercosul, que admitiria dois eixos: um de
cooperação econômica e o de diálogo político além, é claro, do eixo comercial.
Desde as primeiras propostas concretas de liberalização comercial entre os dois blocos, os colóquios
passaram por períodos de grandes avanços e de estagnação completa, de ambos os lados, refletindo
as divergências de interesses das duas partes.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul apresenta naturalmente oportunidades e
ameaças para ambos os blocos. Sendo assim o objetivo deste trabalho é mapear os pontos positivos
e negativos de um acordo de associação Inter-Regional para ambos, além de analisar qual o impacto
de tal acordo para o comercio multilateral mundial.
2. Breve Histórico
Os laços econômicos, diplomáticos e culturais entre as duas regiões são antigos, chegando a
seu ápice em dezembro de 1995, durante a Presidência Espanhola, quando foi assinado o Acordo
Marco de Cooperação Inter-Regional de Cooperação UE - Mercosul. Este Acordo pretendia, após
uma etapa preparatória que iria até 2001, criar uma Área de Livre Comércio UE - Mercosul
aproximadamente em 2005.
Desde a assinatura, em 1995, o projeto já passou por várias fases, de maior ou menor
entusiasmo. A etapa de estudos se prolongou por mais tempo que o previsto, especialmente por falta
de empenho da UE em avançar nas negociações. As conversas foram retomadas em junho de 1999,
com a primeira Cimeira realizada no Rio de Janeiro. A partir de então, o processo ganhou um pouco
mais de consistência, sendo criado o Comitê de Negociações Bi-regionais. No que se refere às
questões comerciais, foram estabelecidas questões aduaneiras, de comércio de serviços, compras
governamentais, concorrência e solução de controvérsias.
Em novembro do mesmo ano, os dois blocos voltaram a se reunir e estabeleceram que as
trocas de informações, necessárias à elaboração de propostas, continuariam até junho de 2000. A
fase seguinte foi a de intercâmbio de textos que durou até 2001, quando a UE apresentou,
unilateralmente, uma lista de produtos para negociação, surpreendendo a todos. Desde então
ocorreram diversas de ofertas dos dois blocos de países, até o ponto em que se apresentam
atualmente.

Outro ganho que se pode obter do acordo é a concreção de um capítulo sobre regras de origem que seja justo e razoável para as duas partes. aves. serviços. encontram barreiras no que tange à criação de uma área de livre comércio entre os blocos. passaram a emperrar as negociações. pois acreditando que seus setores agrícolas. O principal motivo da ameaça representada pelos produtos agropecuários brasileiros está na existência da política agrícola comum (PAC) na União Europeia. O acordo também poderá melhorar as condições relativas que o Mercosul tem em relação a seus competidores comerciais. para o Mercosul é muito importante o apoio e a transmissão de experiências com a UE. bens de capital e informática. e principalmente de carnes. infraestrutura. uma vez que ambos os países tendem a abraçar políticas protecionistas no que diz respeito aos produtos sobre os quais possuem vantagens comparativas. O Mercosul representa uma importante perspectiva de expansão econômica a médio e longo prazo para a UE. liderados pela França. Porém as negociações entre Mercosul e União Europeia. A União Europeia ao mesmo tempo em que excluiu da área de livre comércio produtos como carne. A nível político. Vantagens e Desvantagens de uma ZLC entre Mercosul-EU Para a UE. No plano econômico. No entanto. Particularmente os setores automotivos. Observamos que o Mercosul é de um grande valor a esta região. O Mercosul vê a UE como um meio para conseguir investimentos e transferências de tecnologia. frutas. No aspecto político. pode-se afirmar que o Acordo de Associação Interregional será benéfico para o Mercosul porque conseguirá uma maior liberalização por parte da UE. especialmente por seu reconhecimento político ao processo de integração. representam as áreas de maior interesse para as companhias europeias. Do ponto de vista estritamente econômico.3. a UE representa a primeira fonte de cooperação. Assim mesmo. cereais e laticínios. telecomunicações e bancos. cereais. alguns países europeus. quando o mercado birregional estiver quase totalmente liberalizado. para a UE é importante ressaltar a estabilidade política do Mercosul e sua integridade regional. uma medida protecionista. a UE constitui o mercado mais importante para o Mercosul. inviabilizando a evolução das negociações. O grande impasse está na eliminação das barreiras impostas aos produtos agropecuários brasileiros. que representam a grande maioria das exportações . O Mercosul é importante para a UE nos aspectos econômicos e políticos. com a qual deseja estabelecer laços comerciais e financeiros. o estabelecimento de uma Área de Livre Comércio com o Mercosul traria inúmeras vantagens. como o acesso a um mercado dinâmico. serão prejudicados com a criação de um acordo de livre comércio. a UE considera que o Mercosul é uma zona economicamente emergente com um grande potencial. Em outras palavras. obtendo melhor acesso a seu mercado. O Mercosul sempre pôs seus olhos na UE por considerá-la uma região de grande envergadura no âmbito histórico e cultural. ademais. deve-se esclarecer que o grau de interesse é mutuamente assimétrico. o Mercosul assegurará um mercado onde poderá colocar seus produtos quase sem restrições.

ainda não se mostra apta a oferecer os benefícios pretendidos por ambos os blocos. A plena integração entre a União Europeia e o Mercosul ainda está longe de ser alcançada. A crise europeia atrapalhou ainda mais o andamento das negociações uma vez que. juntas. de criação de diversos polos regionais interdependentes e não-antagônicos. marcado pelo fracasso da agenda unilateral. temendo uma invasão de produtos europeus motivada pela necessidade de escoar a produção e tentar equilibrar a balança comercial. e.brasileiras para a Europa. 2010. alguns países do Mercosul passaram a adotar políticas protecionistas em relação aos produtos industrializados. 2003. isto é. SARAIVA. A União Europeia como ator internacional e os países do Mercosul. Editora Manole Ltda. com isso. VENTURA. Referencias LAZAROU. a tendência será um posicionamento ainda mais protecionista da União Europeia em relação aos produtos sobre os quais possui vantagens comparativas. contribuir de forma significativa para a reestruturação do sistema internacional. p. v. ao passo que os países do Mercosul. 2004. que trabalhem juntos para atingir objetivos em comum. a UE e o MERCOSUL poderão promover sua visão de ordem mundial multilateral com base no regionalismo ou no conceito de inter-regionalismo. Porem Se os dois países em questão conseguirem vencer suas crises individuais internas. nesse contexto. 47. Conclusão A criação de uma área de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Por outro lado. dificultando as importações. Miriam Gomes. As assimetrias entre o Mercosul e a União Europeia: os desafios de uma associação inter-regional. Elena. n. . 1. como no caso do Brasil que aumentou os impostos para os veículos importados. A União Europeia e a América Latina: um panorama da cooperação interregional. Revista brasileira de política internacional. propôs uma lista ambiciosa de bens manufaturados e serviços que gostariam de manter livres de barreiras tarifárias. Deisy de Freitas Lima. procurarão proteger o mercado interno. 84-111. o que em tese estreitaria o relacionamento entre os dois blocos e colaboraria para o desenvolvimento.