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ATIVIDADE 6

1.- Para discorrer sobre os princípios do Direito Coletivo do
Trabalho, importante inicialmente abordar sobre o problema
da autonomia. O ínclito Mauricio Godinho Delgado leciona:
“um determinado conjunto de regras, princípios e institutos jurídicos assume
caráter de ramo jurídico específico e próprio quando alcança autonomia
perante os demais ramos do Direito que lhe sejam próximos ou contrapostos.
Um determinado conjunto de proposições, métodos e enfoques de pesquisas
sobre um universo de problemas assume o caráter de ramo de reconhecimento
específico e próprio quando também alcança autonomia perante os demais
ramos de pesquisa e saber que lhe sejam correlatos ou contrapostos”
(DELGADO, 2015, p. 1397)”

Sobre o tema, discorra sobre o princípio da
adequação setorial negociada.
R: Inicialmente cumpre esclarecer que, o princípio da adequação setorial
negociada impõe limites na negociação coletiva visando à harmonia da
norma coletiva com a norma estatal.
Este princípio trata das possibilidades e limites jurídicos da
negociação coletiva. Ou, seja, os critérios de harmonização entre as
normas jurídicas oriundas da negociação coletiva (através da consumação
do princípio de sua criatividade jurídica) e as normas jurídicas
provenientes da legislação heterônoma estatal.
É princípio novo na história jusnaturalista do país
exatamente porque apenas nos últimos anos (a contar da Carta de 1988) é
que surgiu a possibilidade de ocorrência dos problemas por ele
enfrentados. Embora ainda não universalizado na doutrina, deriva ele do
critério geral interpretativo que se tem percebido na prática dos tribunais
do país, quando enfrentando o dilema das relações entre as normas
trabalhistas negociadas e a normatividade heterônoma do Estado.
De fato, um dos pontos centrais da interrelação entre o
Direito Coletivo e o Direito Individual do Trabalho reside na fórmula de
penetração e harmonização das normas juscoletivas negociadas perante o
estuário normativo heterônomo clássico ao Direito Individual do

na pesquisa e aferição sobre os critérios de validade jurídica e extensão de eficácia das normas oriundas de convenção. as normas autônomas elevam o patamar setorial dos direitos trabalhistas. por essa razão. Já no segundo caso (quando as normas autônomas juscoletivas transacionam setorialmente parcelas justrabalhistas de indisponibilidade apenas relativa – e não de indisponibilidade absoluta). em síntese. b) quando as normas autônomas juscoletivas transacionam setorialmente parcelas justrabalhistas de indisponibilidade apenas relativa (e não de indisponibilidade absoluta). em comparação com o padrão geral imperativo existente. que tanto demarca o ramo justrabalhista individual especializado. Assim o fazendo. tipo de jornada . Reside. como o Princípio de Direito Coletivo que mais de perto atua e influencia a dinâmica específica ao Direito Individual do Trabalho. não afrontam sequer o princípio da indisponibilidade de direitos que é inerente ao Direito Individual do Trabalho. Em que medida as normas juscoletivas podem se contrapor às normas jusindividuais imperativas estatais existentes? Desse dilema é que trata o que denominamos princípio da adequação setorial negociada – configurado. Estas sim se qualificam quer pela natureza própria à parcela mesma (ilustrativamente. São dois esses critérios autorizativos: a) quando as normas autônomas juscoletivas implementam um padrão setorial de direitos superior ao padrão geral oriundo da legislação heterônoma aplicável.Trabalho. mas de modo a atingir somente parcelas de indisponibilidade relativa. modalidade de pagamento salarial. o princípio da indisponibilidade de direitos é realmente afrontado. acordo ou contrato coletivo do trabalho em face da legislação estatal imperativa. Pelo princípio da adequação setorial negociada as normas autônomas juscoletivas construídas para incidirem sobre certa comunidade econômico-profissional podem prevalecer sobre o padrão geral heterônomo justrabalhista desde que respeitados certos critérios objetivamente fixados. No primeiro caso especificado (quando as normas autônomas juscoletivas implementam um padrão setorial de direitos superior ao padrão geral oriundo da legislação heterônoma aplicável).

VI. os quais não podem ser transacionados nem mesmo por negociação sindical coletiva. montante salarial: art. por constituírem um patamar civilizatório mínimo que a sociedade democrática não concebe ver reduzido em qualquer segmento econômico-profissional. CF/88). hábil a gerar normas jurídicas. Desse modo. 1º. essencialmente. Também não prevalece a adequação setorial negociada se concernente a direitos revestidos de indisponibilidade absoluta (e não indisponibilidade relativa). São amplas. Cabe-lhe. CF/88. 7º. É que ao processo negocial coletivo falecem poderes de renúncia sobre direitos de terceiros (isto é. etc. Tais parcelas são aquelas imantadas por uma tutela de interesse público. sob pena de se afrontarem a própria dignidade da pessoa humana e a valorização mínima deferível ao trabalho (art. por exemplo). No caso brasileiro. à luz do princípio da adequação setorial negociada. esse patamar civilizatório mínimo está dado. promover transação (ou seja. essas parcelas de indisponibilidade absoluta a anotação de CTPS. CF/88). Expressam. o pagamento de salário mínimo. 7º.). é claro. as ressalvas parciais expressamente feitas pela própria Constituição: art. com reciprocidade entre os agentes envolvidos).pactuada. Há limites objetivos à adequação setorial negociada. despojamento bilateral ou multilateral. ou montante de jornada: art. as possibilidades de validade e eficácia jurídicas das normas autônomas coletivas em face das normas heterônomas imperativas. despojamento unilateral sem contrapartida do agente adverso). portanto. essencialmente. limites jurídicos objetivos a criatividade jurídica da negociação coletiva trabalhista. por três grupos convergentes de normas trabalhistas heterônomas: as normas constitucionais em geral (respeitadas. caput. XIII e XIV. Entretanto. VI. XIII e XIV. quer pela existência de expresso permissivo jurídico heterônomo a seu respeito (por exemplo. ela não prevalece se concretizada mediante ato estrito de renúncia (e não transação). as normas de . III e 170. ilustrativamente. as normas de saúde e segurança no ambiente de trabalho. está também claro que essas possibilidades não são plenas e irrefreáveis. fornecimento ou não de utilidades e suas repercussões no contrato. 7º.

p. 2015. a teoria da unicidade. Luciano.tratados e convenções internacionais vigorantes no plano interno brasileiro (referidas pelo art.O Eminente Jurista Luciano Martinez. uma consciência comunitária capaz de justificar o fenômeno da coletivização” (MARTINEZ. já expressando um patamar civilizatório no próprio mundo ocidental em que se integra o Brasil). normas concernentes a bases salariais mínimas. etc. representativo da categorias econômica ou profissional. que a teoria da unicidade adota uma forma de organização que . 815. Reiterando o pensamento do Professor Mancuso. Se o grupo não é 1 MANCUSO apud MARTINEZ. um ponto de diferenciação importante entre os sistemas sindicais reside na disjuntiva unicidade versus pluralidade de sindicatos. não podem se aglutinar de forma coesa e eficaz no seio de um grupo determinado” 1 . 5º. que é equivalente a área do Município. os interesses não podem se ‘coletivizar’. identificável como tal. onde é vedado a existir de mais de um sindicato. in verbis: “a mínima organização entre os sujeitos agrupados é elemento indispensável à caracterização de um interesse coletivo. Explique e diferencie cada sistema. sem dúvida. “sem o mínimo de organização. na mesma base territorial. R: O sindicato é a associação entre trabalhadores e empregadores que exercem uma mesma atividade econômica ou profissional. levando em consideração os anseios dos associados. Curso de Direito do Trabalho. já que se encontram oprimidos pelo poder do Estado. 815)” Sobre o tema Sindicato. Concluemse. as normas legais infraconstitucionais que asseguram patamares de cidadania ao indivíduo que labora (preceitos relativos à saúde e segurança no trabalho. 6ª ed. 2015. §2º. CF/88. nem mesmo sobre o plano sociológico. leciona. falta-lhe. O sistema brasileiro adotou na Constituição da Republica. p. Serão representados por um líder sindical que vai ter como função principal resolver os interesses em relação as condições sociais. e se o liame entre seus integrantes é incerto ou ocasional.). normas de identificação profissional. em qualquer grau. 2 . São Paulo: Saraiva. dispositivos antidiscriminatórios.

ratificaram a Convenção. Necessitando de uma reforma urgente. 8.desprestigia a autonomia sindical. para a transição de um novo modelo o pluralismo sindical. porém deverá evitar mudanças bruscas. 11. um Projeto de Emenda Constitucional nº 369/05. A unidade decorre da livre manifestação dos interessados. No caso Brasil é necessário uma reforma sindical. sendo dessa forma compatível com a liberdade sindical e com a contribuição acessória. que trás a reforma dos art. trás a teoria da pluralidade. prevendo a possibilidade de exclusividade de representação. implementando no sistema nacional de cada país a teoria da pluralidade. atendendo dessa forma unilateralmente ao capital internacional. . O pluralismo sindical não é capaz de enfraquecer as organizações sindicais. O sindicato bom será aquele que prestar os melhores serviços e não recebendo contribuição préestabelecida pelo Estado. modificando a Constituição Federal para o reconhecimento da pluralidade sindical. para não ocorrer o barateamento da mão de obra e a desorganização dos interesses nacional. 37 e 114 da Constituição Federal. Os doutrinadores diferenciam a teoria da unicidade e a teoria da unidade. Porém a PEC teve críticas em relação em não ter adotado o regime da plena liberdade sindical. já que os sindicatos que prestarem melhores serviços serão os que terão mais associados. portanto não ratificou a Convenção n. obedecendo a liberdade sindical e também gerando proteção à sindicalização. A Convenção nº 87 da OIT. 87 da OIT. porque é estabelecido por categoria. conclui que a imposição do Estado pelo sistema de unicidade não pode ser mais tolerada. Pensando dessa forma em março de 2005 foi apresentado ao Congresso Nacional. A teoria da pluralidade resulta na livre filiação das categorias de se organizarem em sindicatos em qualquer ponto do território nacional. Esta por sua vez foi adotada antigamente na República da Alemanha. Essa determinação impede a ratificação da Convenção nº 87 da OIT. A maioria dos países da Europa e da América do Norte e do Sul. perfeitamente se harmoniza com a liberdade sindical. A corrente majoritária e a tendência mundial.

682.cit. Op.. 66 MARTINS. Curso de Direito do Trabalho – 5ª Ed.2006.cit. 2003.385 . – São Paulo: LTr.319. p. Júlio Maximiano. RODRIGUEZ. José Augusto. Arnaldo. Apud.cit. NASCIMENTO. Sérgio Pinto..p.REFERÊNCIA Delgado. Op. p.. p. SÜSSEKIND. Amauri Mascaro. Apud. Op. 1. SCUDELER NETO. Mauricio Godinho.