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TJDFT. Acórdão: Apelação Cível n. 2010.03.1.006853-2, de Brasília.

RELATÓRIO:
Diante do inadimplemento, os autores postulam:
1. A rescisão do contrato e sua reintegração na posse do bem;
2. A perda, pelos réus, do sinal;
3. Bem como a condenação dos réus ao pagamento de indenização,
equivalente a R$ 500,00 por mês pelo uso do imóvel.
A Juíza a quo julgou parcialmente procedente os pedidos deduzidos na inicial,
reconhecendo direitos dos autores:
1. À retenção do valor a eles conferidos como sinal pela venda do
imóvel.
a) Excluído o pleito de condenação dos réus ao pagamento de
indenização, em razão da existência de arras penitenciais.
2. À reintegração de posse do imóvel.
a) Condicionada, todavia, ao pagamento das benfeitorias
necessárias realizadas pelos réus.
3. Decidiu ainda que, diante da sucumbência recíproca, condenou os
autores ao pagamento de 20% das custas processuais, e os réus ao
restante, além dos honorários advocatícios.
Inconformados, os réus apelam a este TJ. Em suas razões, alegam que:
1. Antes da propositura da demanda, as partes estavam combinando a
rescisão do contrato de compra e venda, por isso:
a) Pedem pela reforma da sentença, para condenar os autores à
devolução integral da quantia dada como sinal.
b) Requerem, alternadamente, a fim de que a retenção do sinal
pelos autores seja reduzida.
2. Sustentam ainda que, ao excluir da condenação as benfeitorias
realizadas posteriormente ao inadimplemento, a sentença incidiu em
erro, uma vez que os réus são possuidores de boa-fé.
c) Pedem que os gastos feitos com outras benfeitorias integrem a
condenação deferida pelo Juízo singular.

Destarte.2 o pagamento de arras está sujeito ao disciplinamento contido nos arts. com a promessa por parte dos promitentes vendedores em restituir aos apelantes o citado valor. proceder-se-á conforme o determinado nos Artigos 417 a 420 do Código Civil. com fulcro no que dispõe o art. EMENTA: ARRAS PENITENCIAIS. antes da propositura da ação.Em sede de contrarrazões. totalmente. 418 do CC. os autores manifestaram-se manutenção do r. no cumprimento das obrigações estabelecidas neste contrato. uma vez que não adimpliram as parcelas subsequentes. o que motivou o ajuizamento da presente demanda. MINORAÇÃO DO VALOR RETIDO. DESCABIMENTO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. a retenção do sinal pelos autores apelados. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. terem as partes negociado a rescisão do contrato. pelos autores. do valor dado a título de sinal. O fato é que nesse sentido não houve composição. cabível. o imóvel objeto da avença tinha pactuado como sinal do negócio. é incabível falar-se em devolução integral fundada somente no fato de. diante do inadimplemento incontroverso dos réus. A pretensão dos apelantes de serem ressarcidos. equivalente a quase 45% de seu . RETENÇÃO. No que se refere ao valor que deve ser retido. decisum por seus próprios fundamentos. da quantia paga como sinal pela compra do imóvel e retida a título de arras. como os apelantes deram causa à inexecução do contrato. Assim.2: havendo arrependimento ou impossibilidade de uma das Partes. Pelo que se depreende da cláusula 5. conforme se verifica no contrato entabulado. 417 a 420 do Código Civil. tenho que também não assiste razão aos apelantes. então. Em outros termos. é medida que se impõe. mostra-se infundada: No contrato. cláusula 5. a retenção. INEXECUÇÃO DO CONTRATO. Dessa forma. pela ACÓRDÃO: DIREITO CIVIL.

depreende-se que as arras em apreço são da espécie penitenciais. estipulado direito de arrependimento. É preciso salientar. já que o valor das arras serviu. uma vez que as confirmatórias são com ele incompatíveis. nos termos do art. pois. servindo elas mesmas como a indenização. INDENIZAÇÃO PELO USO DO IMÓVEL INADIMPLENTES. em se tratando de possuidor de má-fé. as arras foram fixadas com o fito de prefixar as perdas e danos. também. prefixando as indenizações. Desta feita. PELOS COMPRADORES Por serem as arras penitenciais. com o inadimplemento contratual. de forma que. não devem ser reduzidas. para indenizar os autores pela ocupação do imóvel desde a imissão dos réus em sua posse. contudo. sua perda integral somente se mostraria injustificável se desproporcional ao montante financeiro em apreço e desarrazoável para a finalidade a que se destina. o Código Civil não prevê a possibilidade de pagamento de indenização complementar. não poderiam os réus serem isentos de seu pagamento. não há direito a indenização complementar. Entretanto. configurou-se a má-fé. quantia que alce a monta de 45% do valor do imóvel. em negócio da natureza do avençado pelas partes.valor. 420. em caso de inexecução da avença por parte de quem deu arras. a sua retenção integral mostrar-se-ia exarcebada e os apelados incorreriam em enriquecimento sem causa. As arras penitenciais garantem o direito ao arrependimento. como sinal. Nos termos do artigo 1. as arras têm a sua natureza modificada. apenas serão ressarcidas as benfeitorias necessárias. logo. . que. Considerou a Juíza que a partir do vencimento da primeira prestação. prefixando a indenização por perdas e danos. no presente caso. Além disso. PRESUNÇÃO DE MÁ-FÉ. IMPOSSIBILIDADE. visto que a ocupação de imóvel possui valor econômico.220. a princípio. E é exatamente em razão disso que. IMPOSSIBILIDADE. pois tal isenção acarretaria em enriquecimento ilícito. inexiste óbice a que se pactue. visto que a ocupação do imóvel possui valor econômico. O valor das arras serviu para indenizar os autores pela ocupação do imóvel pelos réus desde a imissão destes em sua posse.

portanto. Narra a contestação que as partes envidaram esforços de toda sorte com o fim de dar integral cumprimento ao negócio jurídico. eis que lhes assiste razão. 2. quando o puder fazer sem detrimento da coisa (CC. São. Em razão da pequena alteração da r. conheço do apelo e DOU PARCIAL PROVIMENTO para reformar a r. para majorar o valor da indenização pelos gastos feitos com as benfeitorias. A má-fé não se presume. têm os possuidores compradores o direito a serem indenizados pelas benfeitorias úteis e necessárias realizadas. 1. presume-se a boa-fé. Desse modo. DECISÃO: CONHECER E DAR PARCIAL PROVIMENTO. art. e determinar: 1. VOTO: Por todo o exposto. a quem assiste.Tal fato. BENFEITORIAS ÚTEIS E NECESSÁRIAS. sentença. tal fato evidencia a boa-fé dos réus que. a despeito de inadimplentes. imperiosa a reforma da sentença nesse ponto. melhor sorte socorre aos réus apelantes quanto ao pleito de majoração do valor da indenização pelas benfeitorias realizadas no imóvel. por si só. contudo. corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de mora na forma estabelecida na sentença. bem como o de levantar as voluptuárias. Assiste ao possuidor de boa-fé o direito à indenização pelas benfeitorias que realizou no imóvel. UNÂNIME. . possuidores da boa-fé. mantenho a fixação das verbas de sucumbência dela constante. o direito de indenização pelas benfeitorias realizadas. buscaram a solução do impasse. portanto. não caracteriza a má-fé dos apelantes. CABIMENTO. A majoração da verba indenizatória pelas benfeitorias realizadas no imóvel. Assim. sentença objurgada. INDENIZAÇÃO. não havendo elementos nos autos a autorizar tal conclusão.219). Caracterizando-se a posse como de boa-fé. Ora. sejam essas necessárias e úteis.