5.

CURTO CIRCUITO NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Correntes de Curto-Circuito: Valores de grande intensidade
Duração curta (frações de seg.)

Provocam: Queima de alguns componentes da instalação
Solicitações mecânicas (barramentos, chaves,
condutores)
Rompimento dos apoios e deformações na

estrutura dos quadros de distribuição
- Dimensionamento adequado

1

5.2 ANÁLISE DAS CORRENTES DE CURTO-CIRCUITO
- Corrente Simétrica de Curto-Circuito

Características: Correntes de curto circuito permanente
Longa Duração
Utilizada nos cálculos p/ determinar a
capacidade térmica dos equipamentos

2

- Corrente Parcialmente
Assimétrica

- Corrente Totalmente
Assimétrica

- Corrente Inicialmente Assimétrica e
posteriormente Simétrica

3

5.2.2 LOCALIZAÇÃO DAS FONTES DAS
CORRENTES DE CURTO-CIRCUITO
5.2.2.1 Curto-circuito nos terminais dos geradores
Principal fonte das correntes de curto-circuito são os geradores

Comportamento dos geradores quanto às reatâncias limitadoras:
a) Reatância Subtransitória:
Compreende a reatância de dispersão do estator e do rotor
do gerador que limita a Icc no seu instante inicial (t = 0).
Efeito se prolonga durante os primeiros ciclos.
Valor médio igual a 24% na base da potência nominal dos
geradores hidráulicos e de 15% para os turbogeradores.

4

b) Reatância Transitória
Compreende a reatância de dispersão do estator e da
excitação do gerador, limitando a Icc, após cessados os
efeitos da reatância subtransitória com duração de cerca
de 1,5 s.
Valor compreendido entre 36% para geradores
hidráulicos e 23% para turbogeradores
c) Reatância Síncrona
Compreende toda a reatância dos enrolamentos do
gerador, limitando a Icc, após cessados os efeitos da
reatância transitória, iniciando-se aí a parte de um ciclo
completo da corrente de falta. Seu valor é cerca de 150%
para geradores hidráulicos e de 120% para
turbogeradores.
5

Corrente de curto-circuito nos terminais do gerador

6

5.2.2.2 Curto-circuito distante dos terminais dos geradores

Corrente Alternada de curto-circuito simétrica: é o componente alternado da Icc
que mantém em todo período uma posição simétrica em relação ao eixo do
tempo.
Corrente Eficaz de curto-circuito simétrica permanente (Ics): é a Icc simétrica,
que persiste no sistema após decorridos os fenômenos transitórios.
Corrente Eficaz Inicial de curto-circuito simétrica permanente (Icis): é a corrente
eficaz no instatante do defeito. Quando o curto-circuito ocorre longe da fonte de
suprimento o valor de Icis=Ics.
Impulso da corrente de curto-circuito (Icim): é máximo valor da corrente
instantânea de defeito.

7

5.2.3 Formulação matemática das correntes de curto-circuito

I cc(t )  2 * I cs *[senwt     

t
 e Ct

* sen   ]

Icc(t)= valor instantâneo da Icc num determinado instante t
Ics= valor eficaz simétrico da Icc
t = tempo durante o qual ocorre o defeito até o ponto
considerado, em seg.
Ct= constante de tempo

=deslocamento angular, em graus elétricos ou radiano
medido no sentido positivo da variação dv/dt, a partir de V=0,
até o ponto t=0 (ocorrência do defeito).
=ângulo que mede a relação entre a reatância e a resistência
do sistema.
wt = ângulo de tempo

8

X
Ct 
( seg )
2 * * f * R

X
  arctg  
R
R = resistência do circuito desde a fonte geradora até o ponto
do defeito, em ohms ou pu.
X = reatância do circuito desde a fonte geradora até o ponto de
defeito, em ohms ou pu.
f = frequencia do sistema, em Hz.

9

I cc(t )  2 * I cs *[senwt     
2 * I cs * senwt     

2 * I cs

t
* e Ct

* sen   

t
 e Ct

* sen   ]

Valor simétrico da corrente
alternada da Icc de efeito
permanente

Valor do componente contínuo

10

Assimetria e Simetria das correntes de curto-circuito
em função do valor da tensão para t=0
A) Circuitos altamente indutivos: X>>R

X
o
  arctg      90
R
o
Para t  0    0    90
I cc(t )  2 * I cs *[senwt  0  90
I cc(t )  2 * I cs *[senwt  90

t
 e Ct

t
 e Ct

* sen0  90]

]
11

Assimetria e Simetria das correntes de curto-circuito
em função do valor da tensão para t=0

12

B) Circuitos altamente indutivos: X>>R

X
o
  arctg      90
R
o
Para t  0    90    90
I cc(t )  2 * I cs *[senwt  90  90

t
 e Ct

* sen90  90]

I cc(t )  2 * I cs * senwt 

13

Assimetria e Simetria das correntes de curto-circuito
em função do valor da tensão para t=0

14

5.4 TIPOS DE CURTO CIRCUITO
5.4.1 Curto-circuito trifásico
Geralmente são de maior valor
Fundamental importância devido à larga faixa de aplicação
O seu emprego se faz sentir nos seguintes casos:
-ajustes dos dispositivos de proteção contra sobrecorrentes;

-capacidade de interrupção dos disjuntores;
-capacidade térmica dos cabos e equipamentos;
-capacidade dinâmica dos barramentos coletores.

15

5.4.2 Curto-circuito bifásico

16

5.4.3 Curto-circuito fase-terra
O seu emprego se faz sentir nos seguintes casos:
-ajustes dos valores mínimos dos dispositivos de proteção contra
sobrecorrentes;

-seção mínima do condutor de uma malha de terra;
-limite das tensões de passo e de toque;
-dimensionamento do resistor de aterramento.

17

5.5 DETERMINAÇÃO DAS CORRENTES DE
CURTO CIRCUITO

Ponto de entrega de Energia, cujo valor é normalmente
fornecido pela companhia supridora
18

Barramento do Quadro Geral de Força (QGF), devido à
aplicação dos equipamentos e dispositivos de manobra e
proteção do circuito geral e dos circuitos de distribuição

19

Barramento dos Centros de Controle de Motores (CCM), devido à aplicação dos

equipamentos e dispositivos dos circuitos terminais dos motores

20

Terminais dos Motores, quando os dispositivos
de proteção estão ali instalados

21

Barramento dos Quadros de Distribuição de Luz
(QDL), devido ao dimensionamento dos disjuntores,
normalmente selecionados para esta aplicação

22

5.5.1 Impedância do Sistema

23

5.5.3 Seqüência de cálculo
5.5.3.1 Impedância reduzida do sistema (Zus)
Representa o valor final da impedância entre a fonte supridora
de energia e o ponto de entrega da concessionária local, que
deve ser fornecido ao projetista da instalação industrial. [Ohms
ou p.u.]
a) Resistência (Rus) @ 0

b) Reatância (Xus)
Considerando-se que a concessionária forneça a corrente de
curto-circuito (Icp) no ponto de entrega, tem-se:

Pcc  3 *Vnp * I cp (kVA)
Pcc= potência de curto-circuito no ponto de entrega, em kVA;
Vnp= tensão nominal primária no ponto de entrega, em kV;
Icp= corrente de curto-circuito simétrica, em A.

24

O valor da Reatância (Xus) em p.u. é:

Pb
X us 
Pcc
Logo:

Zus  Rus  jX us ( pu)

25

5.5.3.2 Impedância do(s) transformador(es) da subestação (Zt)

É necessário conhecer:
-

Potência nominal Pnt, dada em kVA;

-

Impedância percentual Zpt;

-

Perdas ôhmicas no cobre Pcu, em W;

-

Tensão nominal Vnt, em kV.

a) Resistência (Rut)

Pcu 

2
Rut * I no min al (Watts )

pcu 

2
rut * I b ( pu)

Qdo. Inominal=Ibase:

pcu  rut ( pu)

26

b) Reatância (Xut)

X ut 

Zut  Z pt   Rut 
2

2

( pu)

Logo:

Zut  Rut  jX ut ( pu)

27

5.5.3.3 Impedância do circuito que conecta o transformador ao QGF

a) Resistência (Ruc1)

Rc1

Ru * Lc1

()
1000 * N c1



P
b
 ( pu )
Ruc1  Rc1 * 

Z
base
 1000 *V 2

b


Ru= resistência do condutor de seqüência positiva, em m/m
(tab.2.28)

Lc1= comprimento do circuito, medido entre os terminais do
transformador e o ponto de conexão com o barramento, dado
em metro;
Nc1= número de condutores por fase do circuito mencionado

28

b) Reatância (Xuc1)

X c1

X u * Lc1

()
1000 * N c1



P
b
 ( pu )
X uc1  X c1 * 

Z
base
 1000 *V 2

b


Logo:

Zuc1  Ruc1  jX uc1( pu)
29

5.5.3.4 Impedância do barramento ao QGF (Zub1)

a) Resistência (Rub1)

Rb1

Ru * Lb1

()
1000 * Nb1



P
b
 ( pu )
Rub1  Rb1 * 

Z
base
 1000 *V 2

b


Ru= resistência ôhmica da barra, em m/m (tab.2.24 e 2.25)

Lc1= comprimento da barra, dado em metro;
Nc1= número de barras em paralelo

30

b) Reatância (Xub1)

X b1

X u * Lb1

()
1000 * Nb1



P
b
 ( pu )
X ub1  X b1 * 

Z
base
 1000 *V 2

b


Logo:

Zub1  Rub1  jX ub1( pu)
31

5.5.3.5 Impedância do circuito que conecta o QGF ao CCM
Os valores da resistência e reatância, em pu,
respectivamente iguais a Ruc2 e Xuc2, são calculados à

semelhança de Ruc1 e Xuc1, na seção 5.5.3.3.

32

5.5.3.6 Impedância do circuito que conecta o CCM aos terminais do
motor
Os valores da resistência e reatância, em pu,
respectivamente iguais a Ruc3 e Xuc3, são calculados à

semelhança de Ruc1 e Xuc1, na seção 5.5.3.3.
Foi omitida no próprio diagrama de bloco a impedância do
barramento ao CCM1. Sendo normalmente de pequena dimensão, a
sua influência sobre a impedância total é de pouca importância e,
por isso desprezada.

33

5.5.3.7 Corrente Simétrica de curto-circuito trifásico (Ics)

Ib
I cs 
(kA)
1000 * Z utot

Pb
Ib 
( A)
3 *V b

i n

Zutot   Rui  jX ui  ( pu )
i 1

Quando se pretende obter simplificadamente a corrente de
curto-circuito nos terminais do transformador, basta aplicar:

I cst 

I no min al do trafo
Z pt %

*100 ( A)
34

5.5.3.8 Corrente Assimétrica de curto-circuito trifásico (Ica)

I ca  Fa * I cs (kA)
Fa =

fator de assimetria, determinado segundo
relação dada na tabela 5.1.

35

5.5.3.9 Impulso da corrente de curto-circuito trifásico (Icim)

I cim  2 * I ca (kA)
5.5.3.10 Corrente bifásica de curto-circuito trifásico (Icb)

3
I cb 
* I cs (kA)
2

36

5.5.3.11.1 Impedância de contato (Rct)
É caracterizada normalmente pela (Rct) resistência
existente entre o condutor defeituoso e o ponto de contato, em
geral o solo.

Tem-se atribuído geralmente o valor conservativo de 40.

5.5.3.11.2 Impedância de malha de terra (Rmt)
O valor máximo admitido por norma de diversas
concessionárias de energia elétrica é de 10 , nos
sistemas de 15 a 25 kV, e é caracterizado pelo seu
componente resistivo.

37

5.5.3.11.3 Impedância de aterramento (Rat)
Quando a corrente de curto-circuito fase-terra é muito
elevada, costuma-se introduzir entre o neutro do transformador e a
malha de terra uma determinada impedância que pode ser um
reator ou um resistor, sendo mais frequente este último.

38