2 CONCEITOS ECONÔMICO-FINANCEIROS

2.1 CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO
Os conceitos de Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro incorporam a influência do
tempo nas operações de uma empresa.
O Ciclo Operacional abrange o prazo decorrido entre as compras de matériasprimas (ou mercadorias para revenda) e o recebimento das vendas dos produtos
ou mercadorias.
O Ciclo Financeiro, por sua vez, compreende o período transcorrido entre o
pagamento dos fornecedores e o recebimento dos clientes pelas vendas efetuadas,
ou seja, o prazo decorrido entre as saídas de caixa (pagamentos a fornecedores) e
as entradas de caixa (recebimentos de clientes). Durante este período, a empresa
investe recursos nas operações, basicamente em estoques e concessão de crédito
aos seus clientes. Parte destes recursos é financiada pelos fornecedores, que
concedem prazo para pagamento das compras de mercadorias ou matériasprimas.
Pode-se concluir que a liquidez da empresa será tanto maior quanto melhor for sua
eficiência em completar o ciclo operacional no menor tempo possível. A relação
entre os ciclos operacional e financeiro é demonstrada a seguir.
Compras

Pagamento
das Compras

Vendas

Recebimento

de produtos

das Vendas

|___________________|_____________________|_______________________|
|________________________Ciclo Operacional_________________________|
|_______________ Ciclo Financeiro ________________|
|____________Prazo de Estocagem____________|
|__Prazo de Recebimento___|
|_Prazos de Pagamento_|
O Ciclo Financeiro (CF) pode ser calculado a partir do Ciclo Operacional (CO),
deduzido do Prazo Médio de Pagamento (PMP).
CF = CO - PMP
O Ciclo Financeiro (CF), em número de dias, pode ser calculado pela soma dos
prazos médios de estoques (PME) e recebimento (PMR), deduzidos dos prazos
médios de pagamento de fornecedores (PMP) e de impostos (PMROF).
CF = PME + PMR – PMP
12

2.2 PRAZOS MÉDIOS
Para compreendermos melhor o conceito de prazo médio, imaginemos uma fila
única em uma agência bancária em uma determinada tarde. Nesse exemplo,
suponhamos que entraram 160 pessoas nessa agência e que a fila média era
formada por 10 pessoas.
Se dividirmos o número de pessoas que entrou na agência (fluxo) pelo número
médio de pessoas na fila (estoque), teremos o número de vezes que a fila girou.
Assim, 160 / 10 = 16 (a fila girou 16 vezes nesse período).
O Prazo Médio de permanência na fila foi de:
Prazo Médio = 4 horas (de 12:00 às 16:00 h) / 16 (número de vezes que a fila
girou)
Ou: 240 min / 16 = 15 minutos
Transpondo esse exemplo para as operações de uma empresa, podemos calcular
os seguintes indicadores de prazos médios:

PME =

PMRV =

Estoques
CMV

x 360

Duplicatas a Receber
Vendas

PMP =

Fornecedor es
Compras

x 360

x 360

PMROF =

Impostos a Recolher
Impostos sobre Vendas

x 360

PMPDO =

Contas a Pagar
Despesas Operacionais

x 360

13

2.2.1 PRAZO MÉDIO DE ESTOQUE (PME)
O Prazo Médio de Estoques (PME) pode ser calculado pela relação entre valor dos
estoques e o custo das mercadorias vendidas (CMV).

PME =

Estoques
CMV

x 360

Este prazo indica quantos dias, em média, os produtos da companhia ficam
armazenados até o momento da venda.
2.2.2 PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS (PMRV)
O Prazo Médio de Recebimento (PMRV) é obtido pela divisão dos valores a
receber de clientes e o valor das vendas brutas.

PMRV =

Duplicatas a Receber
Vendas

x 360

Este prazo corresponde ao número de dias decorridos entre as vendas e o seu
recebimento. O volume de Duplicatas a Receber é função do total de vendas e do
prazo concedido aos clientes.
Quanto maior o prazo concedido pela empresa aos seus clientes, maior será o
volume de duplicatas a receber. Para compreendermos esse mecanismo,
suponhamos uma empresa que vende diariamente R$ 20 com prazo de 30 dias
para pagamento pelos seus clientes. Assim, teremos:
Dias
1 2 3 4
Vendas a Prazo
20 20 20 20
Recebimentos
0 0 0 0
Duplicatas a Receber 20 40 60 80

... 29 30
31
32 ... 360
... 20 20
20
20 ...
20
...
0
0 (20) (20) ... (20)
... 580 600 600 600 ... 600

No primeiro dia, ocorre a venda de R$ 20 pelo prazo de 30 dias, não ocorrendo
recebimento. No segundo dia, ela permanece sem receber pelas vendas,
acumulando um saldo de R$ 40 em Duplicatas a Receber.
Esse processo ocorre diariamente, com acúmulo de Duplicatas a Receber até
atingir o saldo de R$ 600 no 30º. dia, momento em que o saldo se estabiliza, pois,
a partir do 31º. dia, há uma geração de R$ 20 de duplicatas a receber,
compensada pela redução dos mesmos R$ 20 em função do recebimento das
vendas de 30 dias passados.
Supondo-se vendas constantes ao longo do ano e prazo médio de recebimento
também constante, teremos um volume de R$ 600 investidos em duplicatas a
receber.
Caso a empresa decida ampliar o prazo de pagamento para seus clientes para, por
exemplo, 40 dias, seu saldo de duplicatas a receber se elevará até atingir o volume
de R$ 800, no 40º. dia, mantendo-se neste patamar daí por diante.
14

2.2.3 PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE FORNECEDORES (PMP)
O Prazo Médio de Pagamento (PMP) é medido pela relação entre as contas de
fornecedores e o valor das compras realizadas no período.

PMP =

Fornecedor es
Compras

x 360

Este indicador fornece o tempo médio entre o recebimento das mercadorias para
revenda, ou das matérias-primas para serem transformadas, e o seu respectivo
pagamento. O volume de Duplicatas a Pagar é função do total de compras e do
prazo concedido pelos fornecedores.
Quanto maior o prazo concedido à empresa pelos seus fornecedores, maior será o
volume de Duplicatas a Pagar. Para compreendermos esse mecanismo,
suponhamos uma empresa que compra diariamente R$ 10 com prazo de 30 dias
para pagamento aos seus fornecedores. Assim, teremos:
Dias
1 2 3 4
Compras a Prazo
10 10 10 10
Pagamentos
0 0 0 0
Duplicatas a Pagar 10 20 30 40

... 29 30
31
32 ... 360
... 10 10
10
10 ...
10
...
0
0 (10) (10) ... (10)
... 290 300 300 300 ... 300

No primeiro dia, ocorre a compra de R$ 10 pelo prazo de 30 dias, não ocorrendo
pagamento. No segundo dia, ela efetua novas aquisições e permanece sem pagar
pelas compras, acumulando um saldo de R$ 20 em Duplicatas a Pagar. Esse
processo ocorre diariamente, com acúmulo de Duplicatas a Pagar até atingir o
saldo de R$ 300 no 30º. dia, momento em que o saldo se estabiliza, pois, a partir
do 31º. dia, há compras diárias de R$ 10, compensadas pela redução dos mesmos
R$ 10 em função do pagamento das compras de 30 dias anteriores. Supondo-se
compras constantes ao longo do ano e prazo médio de pagamento também
constante, teremos um volume de R$ 300 originados de duplicatas a pagar.
Caso a empresa consiga ampliar o prazo de pagamento junto a seus fornecedores
para, por exemplo, 40 dias, seu saldo de duplicatas a pagar se elevará até atingir o
volume de R$ 400, no 40º. dia, mantendo-se neste patamar daí por diante.
Obs: O valor das compras, quando não conhecido, pode ser estimado de acordo
com os seguintes critérios:
Para uma empresa comercial:
o CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final.
o Logo: Compras = CMV – Estoque Inicial + Estoque Final
Para uma empresa industrial:
o CPV = Estoque Inicial + Custos de Produção – Estoque Final.
Logo: Compras = CPV – Estoque Inicial + Estoque Final
o Se Custos de Produção = Custos Fixos (depreciação, manutenção,
energia, etc.) + Custos Variáveis (consumo de matéria-prima,
embalagens, etc.), podemos considerar:
Compras = Custos Variáveis
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2.2.4 PRAZO MÉDIO DE RECOLHIMENTO DE OBRIGAÇÕES FISCAIS (PMROF)
O Prazo Médio de Recolhimento de Obrigações Fiscais (PMROF) é medido pela
relação entre as contas de Impostos a Recolher (Balanço) e o valor dos Impostos
sobre Vendas (DRE).

PMROF =

Impostos a Recolher
Impostos sobre Vendas

x 360

Este indicador fornece o tempo médio entre as Vendas e o recolhimento dos
Impostos incidentes sobre as mesmas. O volume de Impostos sobre Vendas é
função direta do total de Vendas, da alíquota incidente sobre as vendas e do prazo
concedido pelo governo para recolhimento destes impostos.
Quanto maior o prazo concedido pelo governo à empresa, maior será o volume de
Impostos a Recolher. Para compreendermos esse mecanismo, suponhamos uma
empresa que vende diariamente R$ 20 com prazo de 30 dias para recolhimento
dos impostos. Supondo alíquota de 15% de Impostos sobre o valor das Vendas,
teremos:
Dias
1 2 3 4
Vendas
20 20 20 20
Impostos sobre Vendas (15%) 3 3 3 3
Pagamento de Impostos
0 0 0 0
Impostos a Recolher
3 6 9 12

... 29 30 31 32 ... 360
... 20 20 20 20 ... 20
... 3 3
3
3 ...
3
... 0 0 (3) (3) ... (3)
... 87 90 90 90 ... 90

No primeiro dia, ocorrem vendas no valor de R$ 20, gerando R$ 3 de Impostos a
Pagar (R$ 20 x 15%), que somente serão recolhidos em 30 dias. No segundo dia,
ela efetua novas vendas (R$ 20), gerando Impostos a Recolher de R$ 3, que
somente serão pagos após 30 dias, acumulando um saldo de R$ 6 em Impostos a
Recolher. Esse processo se repete diariamente, com acúmulo de Impostos a
Recolher até atingir o saldo de R$ 90 no 30º.dia, momento em que o saldo se
estabiliza, pois, a partir do 31º. dia, continuarão ocorrendo vendas diárias de R$ 20,
gerando Impostos a Recolher de R$ 3 compensados pela redução dos mesmos R$
3 devido ao pagamento dos impostos relativos às vendas de 30 dias atrás.
Supondo-se vendas constantes ao longo do ano, alíquota e prazo médio de
recolhimento de impostos também constantes, teremos um volume constante de
Impostos a Recolher, no valor de R$ 90, a partir do 30º. dia.
Caso o governo decida ampliar o prazo para as empresas recolherem estes
impostos, de 30 para, por exemplo, 40 dias, o saldo de Impostos a Recolher se
elevará até atingir o volume de R$ 120, no 40º. dia, mantendo-se neste patamar
daí por diante.
Obs: A alíquota dos Impostos sobre Vendas, quando não conhecida, pode ser
estimada a partir da Demonstração do Resultado do Exercício, pela relação entre
Impostos sobre Vendas e Vendas Brutas, conforme abaixo:

Aliquota de Impostos =

Impostos sobre Vendas
Vendas Brutas
16

para simplificar: Compras = 70% CMV.954 1.711 (=) Lucro Bruto 986 856 (-) Despesas Operacionais 568 553 (=) Resultado Operacional 418 303 93 91 325 212 94 64 231 148 (-) Deduções da Receita Bruta (impostos e outros) (+/-) Receitas (Despesas) Financeiras (=) Lucro antes do IRPJ e CSSL (-) IRPJ e CSSL (=) Lucro Líquido do Exercício Calcule os indicadores.EXERCÍCIOS 3) Determinada empresa apresentou os seguintes demonstrativos contábeis: Balanço Patrimonial (exercícios findos em 31/12).616 3.020 542 453 (=) Receita Líquida de Vendas 3.023 967 Passivo Circulante Caixa e Bancos 431 339 Duplicatas a Pagar Contas a Receber 503 365 Salários a Pagar Estoques 289 300 Impostos a Recolher Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Imobilizado 0 0 Exigível a Longo Prazo 2.088 1.074 2.820 Demonstrativo do Resultado (exercícios findos em 31/12). considerando.374 2. Indicador 2012 2013 Prazo Médio de Estoques (PME) Prazo Médio de Recebimento (PMR) Prazo Médio de Pagamento (PMP) Ciclo Financeiro (CF) 17 . Descrição (+)Receita Bruta de Vendas 2012 2013 3. Ativo 2012 2013 Ativo Circulante Passivo 2012 2013 382 270 79 99 159 114 1.266 Patrimônio Líquido 1.567 (-) Custo dos Produtos Vendidos 2.

conhecendo-se os prazos médios operados pela empresa. podemos projetar as contas operacionais do Balanço.3 PROJEÇÃO DE CONTAS OPERACIONAIS DO BALANÇO A partir da projeção da Demonstração de Resultados e.2. conforme segue: Seja: PME = Estoques CMV x 360 Duplicatas a Receber Vendas PMRV = PMP = Fornecedor es Compras x 360 x 360 PMROF = Impostos a Recolher Impostos sobre Vendas x 360 PMPDO = Contas a Pagar Despesas Operacionais x 360 Tem-se: Estoques = Duplicatas a Receber = Fornecedores = Impostos a Recolher = Contas a Pagar = PME x CPV 360 PMRV x Vendas Brutas 360 PMP x Custo Variável 360 PMROF x Impostos sobre Vendas 360 PMPDO x Despesas Operacionais 360 18 .

D.M.O. = 20 dias (prazo médio de pagamentos das despesas operacionais) Considere.R.R.O. Ele dispõe de R$ 1. • a alíquota de IRPJ + CSLL é de 34%.M.000 na compra dos primeiros estoques de mercadorias.M.M.4) Um empreendedor decide montar uma pequena distribuidora de alimentos.EI + EF • eventuais sobras de caixa serão direcionadas para aplicações financeiras e. • as compras são estimadas pela equação: Compras = CMV . se houver déficit de caixa.E.000. este será coberto com empréstimos de curto prazo.000 na compra de ativos imobilizados (loja e instalações) e R$ 100. • a empresa retém todo o lucro obtido. ele estima comercializar o equivalente a R$ 700.P. O valor da depreciação já se encontra embutido nos custos e despesas operacionais. • No primeiro ano de operação. 19 . • O custo das mercadorias vendidas foi estimado em 50% da receita bruta.M.P. • As despesas operacionais foram projetadas em R$ 180. = 40 dias • P.000 (receita bruta de vendas). = 85 dias • P. ainda. A empresa pretende trabalhar com os seguintes prazos: • P.F.V. = 20 dias • P. que: • o imobilizado será depreciado à taxa de 10% ao ano.. • Os impostos sobre vendas corresponderão a 20% das vendas brutas. = 20 dias • P.000 por ano.000 para investir no novo negócio e inicialmente aplica R$ 900.

Patrimônio Líquido P.M. P.R.M.R.O.EI + EF 20 .M.V.D.M.P. Contas a Pagar P. Total do Passivo P. projete a Demonstração de Resultado e o Balanço Patrimonial do Ano1.Com base nestas premissas. - Compras = CMV .E.P. Balanço Patrimonial Ano 0 Ativo Demonstração do Resultado Ano 1 Ano 1 Receita de Vendas Disponibilidades (-) Impostos sobre Vendas Contas a Receber (=) Receita Líquida Estoques (-) CMV Imobilizado (=) Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais Total do Ativo (=) Resultado Operacional Passivo Empréstimos (-) IRPJ e CSLL (=) Lucro Líquido Fornecedores Obrigações Fiscais P.F.M.O.

para todas e quaisquer aplicações. a lógica do modelo consiste na idéia de que aplicações em Ativos Circulantes deverão ser financiadas por Passivos Circulantes e. Além disso. Portanto. as fontes de recursos (Passivo). a empresa obtém recursos junto a seus fornecedores. enquanto os Passivos representam Fontes de Recursos.3 ANÁLISE FINANCEIRA DINÂMICA OU O “MODELO FLEURIET” A primeira e mais importante idéia inerente a este modelo refere-se ao entendimento do Balanço Patrimonial como uma balança de dois pratos. em Ativos. ou. na estrutura do Balanço Patrimonial: Ativos = Passivos. empregados. em que um dos pratos representa as aplicações (Ativo) e o outro. contas a receber de clientes e ativos imobilizados. O modelo dinâmico parte da constatação de que os Ativos representam Aplicações de Recursos. são necessárias origens de mesmo valor. ou seja. tem-se que somente se aplicarão recursos (Ativos) se forem obtidas fontes (Passivos) de igual valor. por sua vez. ATIVO Ativo Circulante PASSIVO Passivo Circulante Disponibilidades (caixa. empréstimos junto a bancos. etc (Passivos) e aplica estes recursos em estoques. aplicações financeiras) Duplicatas descontadas Empréstimos e financiamentos (parcelas de curto prazo) Fornecedores Contas a pagar Salários e encargos a pagar Impostos a recolher Contas a receber de clientes Estoques Despesas antecipadas Outros créditos Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Créditos e títulos a receber Empréstimos a receber pessoas ligadas Investimentos Imobilizado Intangível Passivo Não Circulante Exigível a Longo Prazo Títulos a pagar de Empréstimos e financiamentos (parcelas de longo prazo) Fontes de Recursos Aplicações de Recursos BALANÇO PATRIMONIAL Patrimônio Líquido Capital Social Reservas de Capital Reserva de Lucros 21 . bancos. Ou seja. assim como os Ativos representam as aplicações de recursos e os passivos designam as fontes de recursos. Como. temos que Aplicações = Fontes. capital de sócios. Ativos Não Circulantes deverão ser financiados por Passivos Não Circulantes.

que inclui o Exigível a Longo Prazo e o Patrimônio Líquido.O Modelo Fleuriet O Modelo Dinâmico de análise financeira ou Modelo Fleuriet diz respeito a uma metodologia de estudo da posição de equilíbrio de uma empresa baseada na distinção de seus ativos e passivos circulantes em itens operacionais e financeiros. as contas de longo prazo do Passivo. Da mesma forma. duplicatas descontadas e dividendos. sendo influenciados pelo volume de negócios ou por características das fases do ciclo operacional. em cíclicas (operacionais) e financeiras (não operacionais). o Passivo Circulante é reclassificado em Passivo Circulante Financeiro (PCF) e Passivo Circulante Cíclico (PCC). o Ativo Circulante reclassificado em: Ativo Circulante Financeiro (ACF) e Ativo Circulante Cíclico (ACC). o Passivo Circulante Cíclico ou Operacional (PCC) é formado pelas obrigações de curto prazo da empresa. 22 . Imobilizado. entre outros. salários e encargos. Já o Ativo Circulante Cíclico ou Operacional (ACC) é composto pelas contas relacionadas às atividades operacionais da empresa. o Passivo Circulante Financeiro (PCF) é composto por empréstimos e financiamentos bancários. Já as contas de longo prazo permanecem classificadas como Ativo Não Circulante (ANC). como prazos de estocagem ou política de prazos de recebimento de vendas. contas a pagar e impostos a recolher). como caixa. A análise pelo Modelo Fleuriet inicia-se com a reclassificação das contas do Balanço. englobando o Realizável de Longo Prazo. O Ativo Circulante Financeiro (ACF) é constituído por elementos essencialmente financeiros. As contas do grupo circulante (ativos e passivos) são reclassificadas. Por sua vez. bancos. a partir daí. Por outro lado. conforme sua natureza. Por sua vez. diretamente identificáveis com seu ciclo operacional (fornecedores. como estoques e duplicatas a receber. tendo-se. Investimentos e Intangível. denominado Passivo Não Circulante (PNC). aplicações financeiras e em títulos de curto prazo. permanecem tratados como um único grupo.

Patrimônio Líquido . 23 . Empréstimos de longo prazo prazo . Reserva de Lucros . não apenas pela sua afinidade temporal (curto e longo prazo). Outros créditos (operacionais) Passivo Circulante Cíclico (PCC) . Fornecedores . Aplicações financeiras Passivo Circulante Financeiro (PCF) . Impostos a recolher Ativo Não Circulante (ANC) Passivo Não Circulante (PNC) Fontes de Recursos Aplicações de Recursos BALANÇO PATRIMONIAL RECLASSIFICADO . Estoques . Financiamentos de curto prazo . que veremos a seguir. Despesas Antecipadas . Empréstimos de curto prazo . enquanto que as contas financeiras não estão ligadas à sua atividade operacional. Capital Social . Duplicatas Descontadas . Dessa segmentação surgem os conceitos de Necessidade de Capital de Giro (NCG). a proposta dessa reclassificação é relacionar as diversas contas. Dividendos a pagar . Créditos a receber de pessoas ligadas . a seguir: pode ser visualizada no Balanço Patrimonial. Imobilizado . Títulos a pagar . Contas a receber de clientes . Realizável a Longo Prazo . Títulos a receber de longo . Intangível Esta reformulação é estabelecida seguindo as premissas de Fleuriet: as contas cíclicas ou operacionais são as contas relacionadas à atividade operacional da empresa. Provisão para Imposto de Renda Ativo Circulante Cíclico (ACC) . Disponibilidades . ATIVO PASSIVO Ativo Circulante Financeiro (ACF) . Financiamentos de longo prazo . mas também pela sua relação no desenvolvimento das atividades operacionais. Contas a pagar . Portanto.Esta nova classificação reclassificado. Investimentos . Salários e encargos a pagar . Bancos . Caixa . Capital de Giro (CDG) e Saldo de Tesouraria (T). Reservas de Capital . Exigível a Longo Prazo .

000 Financiamento Longo prazo = $ 27.500 Salários a pagar = $ 63.800 Duplicatas descontadas = 75.000 Aplicações financeiras = $ 25.000 Estoques = $ 108.000 Clientes = $ 669.500 Capital Social = $ 631.000 Despesas antecipadas = $ 12.000 ACF PCF ACC PCC ANC PNC e calcule: a) o montante das fontes cíclicas (PCC) b) o valor total das aplicações cíclicas (ACC) 24 .300 Veículos = 180.000 Fornecedores = 120.EXERCÍCIOS 5) Classifique as contas conforme a padronização da Análise Dinâmica ACF – Ativo Circulante Financeiro PCF – Passivo Circulante Financeiro ACC – Ativo Circulante Cíclico PCC – Passivo Circulante Cíclico ANC – Ativo Não Circulante PNC – Passivo Não Circulante Caixa = $ 22.000 7.000 IRPJ e CSLL = $ 42.000 Títulos a Receber longo prazo = $ Impostos a pagar = $ 48.500 Empréstimo Curto Prazo = $ 18.

303 Financiamentos 77.166 Imobilizado 210.313 Salários e Encargos 31.003 Estoques 55.776 Outros Valores a Receber 3.398 Empréstimos 102.917 Duplicatas Descontadas 29.6) Determinada empresa apresentou o seguinte Balanço Patrimonial (exercício findo em 31/12).601 Reclassifique as contas e levante novo Balanço Patrimonial de acordo com o Modelo Dinâmico. Ativo 2013 Ativo Circulante Passivo 2013 Passivo Circulante Caixa e Bancos 178. ATIVO PASSIVO ACF PCF ACC PCC ANC PNC 25 .069 Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Passivo Não Circulante 82.161 Dividendos a Pagar 16.743 Total do Ativo 628.144 Contas a Receber 96.200 Impostos 14.539 Despesas Antecipadas 1.848 Fornecedores 30.601 Total do Passivo 628.622 Patrimônio Líquido 327.

00 = $ 100.00 = $ 200. ao proporcionar-lhes prazos para pagamento. tal qual uma firma industrial. Ocorre. novos produtos são adquiridos para recomposição do estoque. Consideremos. em seguida. estocagem e venda. uma situação em que a empresa tenha um saldo inicial de estoques de $ 3. conforme demonstrado abaixo: Seja: Preço de Venda: $ 200. um ciclo.00 (valor de aquisição) e que as vendas diárias sejam de $ 200.3. No caso de empresas comerciais. para venda. temos: Preço de Compra = $ 200. À medida que estes produtos são vendidos.00 100% +1 1+1 26 . uma empresa industrial estará constantemente adquirindo matérias-primas. processando e mantendo estoques (de matérias-primas.00. Para tanto. por exemplo. a empresa adquire novas mercadorias para repor seu estoque. Supondo que a empresa revenda suas mercadorias com margem de 100% (desconsiderando a influência dos impostos). quais sejam: compra. a empresa aplica recursos em estoques (de matérias-primas. • Aplicações de recursos Em outras palavras. $ 100. Estoques No caso dos estoques. produtos em elaboração e produtos acabados). financiando continuamente seus clientes.000.00 em mercadorias de seus estoques. entre outros.1 NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO (NCG) As operações de uma empresa envolvem as atividades relacionadas ao seu ciclo operacional. ela estará permanentemente adquirindo mercadorias para revenda e. produtos em elaboração e produtos acabados). financiamento a clientes (através de prazos concedidos aos clientes para efetuar o pagamento). em que mercadorias são retiradas do estoque para venda e. isso significa que todos os dias a empresa retira.00 Margem = 100% = 1 Logo: Margem = Preço de Venda – Preço de Compra Preço de Compra Preço de Compra x Margem = Preço de Venda – Preço de Compra Preço de Compra x Margem + Preço de Compra = Preço de Venda Preço de Compra x (Margem + 1) = Preço de Venda Preço de Compra = Preço de Venda Margem + 1 Substituindo os valores na equação anterior. uma empresa comercial mantém um determinado volume de mercadorias para revenda. bem como financiando continuamente seus clientes. portanto. produção.

00. temos: Dias 0 1 2 3 Estoque inicial 3.. 3.000 3. (100) 100 100 100 ..00.000.000.. com retirada de $ 100.000 ...00. 3..000 (100) (100) (100) (-) Baixa nos Estoques pelas Vendas 100 100 100 (+) Compras de Estoques (=) Estoque final 3.000 .000 . permanecendo com o saldo de estoques no valor de $ 3.. No mesmo dia. de forma que a empresa manterá diariamente estoques no valor constante de $ 3.Logo.. permanentemente.000 3.000. 3.00 aplicados em Estoques. 29 30 .. a qualquer momento em que levantarmos o Balanço Patrimonial da empresa.00 em estoques de mercadorias para revenda..000 3. teremos $ 3.00 dos estoques. 360 ..000 3. 27 . 3.00 e uma venda diária de $ 200. $ 3.000.. Esse processo se repete diariamente. a empresa adquire mais $ 100.000 No primeiro dia.. a empresa estará aplicando.000.000 .000 3. Neste caso.00.000 3... Ou seja. ocorre a venda de R$ 200.. o que significa que a manutenção de estoques representa uma aplicação permanente de recursos realizada pela empresa. (100) (100) . ao custo de $ 100. percebemos que o valor investido pela empresa em seus estoques tende a manter-se constante ao longo do tempo.000 3. Acompanhando esse raciocínio.00 (preço de compra dos estoques). para um valor de estoque inicial de $ 3.00 para repor seus estoques.

teremos: Vendas Diárias = $ 200.000.Duplicatas a Receber de Clientes O mesmo acontece com as duplicatas a receber de clientes. . que deverá ser financiada por alguma fonte de recursos. . dia. a empresa manterá diariamente saldo de Contas a Receber de Clientes (Duplicatas a Receber) no valor constante de $ 6. se renovem continuamente. ou seja. a partir do 30º. a empresa estará sempre aplicando recursos.00 0 6. .00). teremos $ 6.. .00. dia) em que levantarmos o Balanço Patrimonial da empresa. Podemos.00). supondo que as vendas mantenham-se constantes todos os dias e que a empresa conceda prazo de 30 dias para todos os seus clientes. semelhante ao que ocorre com os Estoques. 29 30 31 32 200 200 200 200 0 0 (200) (200) 5.00 0 Verifica-se que.000. Portanto.. podemos concluir que a empresa estará aplicando recursos em ativos cíclicos. concluir que. 360 200 (200) 6. Seguindo o exemplo anterior e.00 0 ... A cada venda a prazo realizada pela empresa. . . gerando uma necessidade permanente de recursos.00 (no exemplo.000. como Estoques e Contas a Receber de Clientes. no valor de $ 9. . $ 6.000.. Ou seja.000. assim. .000. de forma permanente. a qualquer momento (a partir do 30º... embora sejam cíclicos.00 0 6.00 + $ 6. de forma permanente. em ativos cíclicos.. verificamos que o valor investido pela empresa em seus Clientes (Duplicatas a Receber) representa uma aplicação permanente de recursos realizada pela empresa.80 0 6. Neste exemplo. . $ 3. ela emite uma duplicata que deverá ser paga por seu cliente em um determinado prazo. . esta aplicação é de $ 6.00) aos valores permanentemente aplicados em Contas a Receber de Clientes (no exemplo.00 Prazo de Recebimento das Vendas = 30 dias Logo: Dias 1 2 3 4 Vendas a Prazo Recebimento s Duplicatas a Receber 20 0 0 20 0 0 20 0 0 20 0 0 20 0 40 0 60 0 80 0 .000. $ 3. 28 .000. .00. acompanhando o ritmo de suas operações. Somando-se os valores permanentemente aplicados pela empresa em Estoques (no exemplo. . . .00 aplicados em Duplicatas a Receber.

dia). a qualquer momento em que levantarmos o Balanço Patrimonial da empresa (a partir do 40º... Fornecedores Da mesma forma que a empresa concede prazo aos seus clientes para pagamento das vendas realizadas.000 . por meio de prazos para pagamento de compras de matérias-primas ou mercadorias (fornecedores). 3.00 e.. junto aos seus fornecedores. 0 0 (100) (100) . obtendo crédito junto a estes.. semelhante ao que ocorre com os valores de Contas a Receber de Clientes. 360 100 . Seguindo a mesma lógica do exemplo anterior e.• Fontes de recursos Por outro lado. que a mesma consiga prazo de pagamento de 40 dias.00.. Neste exemplo...900 4. o fornecedor emitirá uma duplicata que deverá ser paga pela empresa em determinado prazo. a cada compra realizada. esta fonte de recursos é de $ 4. 29 . empregados e governo.00 de recursos originados de (financiados por) Fornecedores..00 Prazo de Pagamento das Compras = 40 dias Logo: Dias 1 2 3 4 Compras a 100 100 100 100 Prazo Pagamentos 0 0 0 0 Duplicatas a 100 200 300 400 Pagar . . Portanto. ela negociará. supondo que a empresa realize compras diárias de matérias-primas ou mercadorias para revenda no valor de $ 100.000. 4.00. teremos: Compras Diárias = $ 100. para financiar estas aplicações permanentes em Estoques e Contas a Receber de Clientes.. verificamos que o valor financiado à empresa por seus Fornecedores (ou Duplicatas a Pagar) representa uma fonte permanente de recursos obtida pela empresa. (100) . teremos $ 4.. 100 . Ou seja..000.000 Verifica-se que a empresa manterá diariamente saldo de Contas a Pagar a Fornecedores no valor constante de $ 4. a empresa buscará fontes de recursos (também de forma permanente) junto aos seus fornecedores. 39 100 40 100 41 100 42 ... salários (empregados) e impostos (governo)..000. um prazo para pagamento das matérias-primas ou mercadorias adquiridas destes.. Assim.000 4..000 4.

200) . os empregados representam uma fonte permanente de recursos obtida pela empresa.. a cada ciclo de 30 dias..00 e que o pagamento ocorre a cada 30 dias. 360 40 0 40 80 .. é de 30 dias.200..Empregados (Salários e Encargos) Da mesma forma que a empresa obtém prazo para pagamento de suas compras de mercadorias ou matérias-primas junto aos seus fornecedores.. 0 (1.. 1..00 (ou seja.200... ela também paga o trabalho de seus empregados (fornecedores de mão-de-obra) após um determinado prazo.200. $ 1. . teremos: Mão-de-obra diária = $ 40. normalmente..00 / 30 dias) Prazo de Pagamento de Salários (e encargos) = 30 dias Logo: Dias 1 2 3 4 40 40 40 40 Mão-de-obra diária 0 0 Pagamento de 0 0 Salários Salários a Pagar 40 80 120 160 . 29 40 .200 Portanto. conforme se pode averiguar pelo quadro a seguir. Como a frequência do pagamento dos empregados (bem como dos encargos sociais – INSS.. esta fonte permanente de recursos é de $ 1. dos empregados. podese dizer que a empresa obtém....00. Em outras palavras. 0 30 40 31 32 . etc) ocorre a cada 30 dias. os empregados financiam a empresa por um prazo médio de 30 dias. Neste exemplo.200.. assim como os fornecedores de matérias-primas ou mercadorias. FGTS. que. um prazo de 30 dias para pagamento do fornecimento de mão-de-obra. a empresa estará sendo financiada por seus empregados no valor de $ 1.00. 30 . Assim.160 1.200 0 . seus empregados trabalham durante todo o mês e somente recebem o pagamento no mês seguinte. 40 40 . 1.. Supondo que o total de salários e encargos mensais pagos pela empresa seja da ordem de $ 1. Em outras palavras.

.00. 200 200 200 200 . 31 . vendas diárias de $ 200. 0 .00. a empresa estará sendo financiada pelo governo no valor de $ 900. que. 200 ... ou seja.. a cada ciclo de 30 dias. a empresa efetua vendas que geram impostos que serão pagos após 30 dias (por exemplo).. Em outras palavras. em média... Considerando que os impostos incidentes são da ordem de 15% sobre o valor das vendas e... 870 900 30 60 ..Governo (Impostos) Da mesma forma que a empresa obtém prazo para pagamento junto aos seus fornecedores e empregados. 900 Portanto.... esta fonte permanente de recursos é de $ 900.. Neste exemplo. Assim.00.00 (15% de $ 200.. 870 900 30 60 . 0 0 (90 0 0) . 29 30 31 32 . 360 . é de 30 dias após as vendas. a cada dia.00).. temos um valor diário de Impostos a Pagar de $ 30. ela também paga os impostos após um determinado prazo.. os impostos representam uma fonte permanente de recursos obtida pela empresa. adotando o mesmo valor utilizado no exemplo atual.. conforme detalhado abaixo: Dias Vendas Impostos a Pagar Impostos recolhidos Impostos a Recolher 1 2 3 200 200 200 30 60 90 0 0 0 30 60 90 .. 900 ..

podemos concluir que a empresa estará sempre aplicando recursos em ativos circulantes cíclicos (operacionais). dificilmente os valores aplicados em ativos cíclicos (estoques e contas a receber de clientes) coincidirão exatamente com os valores obtidos junto às fontes cíclicas (fornecedores. resultando em um saldo a favor das aplicações ou das fontes cíclicas de curto prazo.00 + $ 1. de forma permanente.Necessidade de Capital de Giro (NCG) = Aplicações (-) Fontes de recursos Somando-se os valores permanentemente aplicados pela empresa em Estoques (no exemplo. acompanhando o ritmo de suas operações. se renovem continuamente. Empregados ($ 1. que deverá ser financiada pelos recursos oriundos de suas fontes cíclicas (fornecedores.100. impostos. em ativos cíclicos. $ 3. Portanto. como ocorreu no exemplo acima. junto aos seus Fornecedores. salários e impostos). Por outro lado. $ 4.200) e Governo ($ 900). oriundos de seus passivos circulantes cíclicos (operacionais). como estoques e contas a receber de clientes. também de forma permanente (no exemplo. de forma permanente (no exemplo. ela financia suas operações. a empresa estará obtendo fontes permanentes de recursos junto aos seus Fornecedores (no exemplo. Contudo. Empregados e Governo. embora sejam cíclicos.000).000. a diferença entre os recursos investidos em Ativos Circulantes Cíclicos (ACC) e os obtidos nos Passivos Circulantes Cíclicos (PCC) é o que representa a Necessidade de Capital de Giro de uma empresa (NCG).000. Por outro lado.000) aos valores permanentemente aplicados em Contas a Receber de Clientes (no exemplo. salários a pagar.200. a empresa estará sempre aplicando recursos.000. qual seja. a Necessidade de Capital de Giro (NCG) de uma empresa é calculada pela diferença entre o total dos Ativos Circulantes Cíclicos e dos Passivos Circulantes Cíclicos: NCG = ACC (-) PCC 32 . contas a pagar).00).00). $ 4.00 + $ 6. recursos em Estoques e Contas a Receber de Clientes. Assim.000. Portanto.00). $ 3.000. em suas operações. também de forma permanente.00 + $ 900. a empresa aplica. ou seja. O resultado desta operação.00 = $ 6.00 = $ 9. gerando uma necessidade permanente de recursos. de forma permanente. $ 6.

000 + 5. a empresa está aplicando $ 65.000 NCG = ACC . contas a pagar. a empresa está aplicando recursos em ativos operacionais de curto prazo (estoques.000 + 40. significa que o total de ativos circulantes cíclicos apresenta valor superior ao dos passivos circulantes cíclicos (ACC > PCC). clientes. Neste caso.000 de fontes oriundas do Passivo Circulante Cíclico (PCC).000) representa a Necessidade de Capital de Giro (NCG).Necessidade de Capital de Giro (NCG) Positiva Quando a Necessidade de Capital de Giro (NCG) for positiva. ou seja.000) = 30. o Exigível a Longo Prazo e/ou o Patrimônio Líquido. impostos a recolher. a NCG é positiva ($ 30. etc).000 Neste caso.PCC NCG = (25.) em valor superior àquele obtido junto às suas fontes de recursos operacionais de curto prazo (fornecedores. Exemplo: Contas a Receber: 25. etc.000 em Ativos Circulantes Cíclicos (ACC) e obtendo apenas $ 35. ACC > PCC NCG Positiva NCG como aplicação de recursos 33 .000 Fornecedores: 30. ou seja.000) – (30.000) e representa uma aplicação de recursos que deverá ser financiada com recursos financeiros de curto prazo (empréstimos e financiamentos de curto prazo – PCF) ou com recursos das fontes não cíclicas do passivo (PNC). salários a pagar.000 Estoques: 40. que a empresa deverá financiar com recursos de outras fontes. Esta diferença ($ 30.000 Impostos a Pagar: 5.

000 Fornecedores: 50.PCC NCG = (25. a empresa tem fontes de recursos ($ 60. Neste caso.000 Impostos a Pagar: 10. quando a Necessidade de Capital de Giro (NCG) for negativa. ou seja.000 + 10.PCC NCG = (15.$ 15.000 Estoques: 30.000) – (50.000 NCG = ACC . ou seja. a empresa não possuirá necessidade de financiamento para o giro. A NCG constitui-se em fonte de recursos para a empresa. o total de passivos circulantes cíclicos apresenta valor superior à soma dos ativos circulantes cíclicos (PCC > ACC). neste caso. PCC > ACC NCG Negativa NCG como fonte de recursos Necessidade de Capital de Giro (NCG) Nula Quando a NCG for igual a zero.000) = -15.000 + 30. o total de aplicações em ativos cíclicos encontra-se plenamente financiado por passivos circulantes cíclicos e.000 de fontes oriundas de Passivos Circulantes Cíclicos (PCC).000 em Ativos Circulantes Cíclicos (ACC) e obtendo $ 60.000 NCG = ACC .000 Fornecedores: 40. resultando. portanto. ou seja.000 + 10.000) – (40. Exemplo: Contas a Receber: 15.000 + 25. a Necessidade de Capital de Giro é nula. há sobra de recursos oriundos das operações que poderão ser utilizadas pela empresa para financiar aplicações de curto prazo no mercado financeiro ou aplicações de longo prazo (ativos não circulantes).000 Neste caso. Ou seja.000 Estoques: 25. há um equilíbrio entre as aplicações operacionais de curto prazo (ACC) e as fontes operacionais de curto prazo (PCC): ACC = PCC NCG Nula NCG não representa nem aplicação nem fonte de recursos 34 .000) = 0 Neste caso. a empresa está aplicando $ 45.000 Impostos a Pagar: 10. em uma Necessidade de Capital de Giro (NCG) negativa (. significa que a empresa tem mais financiamentos do que investimentos operacionais.Necessidade de Capital de Giro (NCG) Negativa Ao contrário.000) em valor superior às aplicações de recursos ($ 45.000).000). Exemplo: Contas a Receber: 25. evidenciando sobra de recursos para aplicação no mercado financeiro (aplicações financeiras de curto prazo) ou em ativos de longo prazo (Ativo Não Circulante).

Os prazos médios podem ser calculados da seguinte forma: Prazo Médio de Estoques: PME = Estoques CMV x 360 Prazo Médio de Recebimento de Vendas: PMRV = Duplicatas a Receber Vendas x 360 Prazo Médio de Pagamento de Fornecedores: PMP = Fornecedor es Compras x 360 Prazo Médio de Recolhimento de Obrigações Fiscais: PMROF = Impostos a Recolher Impostos sobre Vendas x 360 Prazo Médio de Pagamento de Despesas Operacionais: PMPDO = Contas a Pagar Despesas Operacionais x 360 35 .3. faremos uso dos indicadores de prazos médios dos ativos circulantes cíclicos (estoques e contas a receber de clientes) e dos passivos circulantes cíclicos (fornecedores. contas a pagar e obrigações fiscais).1.1 CÁLCULO DA NCG A PARTIR DOS DEMONSTRATIVOS FINANCEIROS A Necessidade de Capital de Giro (NCG) pode ser obtida a partir das informações encontradas no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Para calcularmos a Necessidade de Capital de Giro (NCG).

podemos extrair as seguintes relações: Estoques = Duplicatas a Receber = Fornecedores = Impostos a Recolher = Contas a Pagar = PME x CPV 360 PMRV x Vendas Brutas 360 PMP x Custo Variável 360 PMROF x Impostos sobre Vendas 360 PMPDO x Despesas Operacionais 360 Seja: NCG = ACC . .A partir dessas informações.PCC Logo: NCG = Estoques + Duplic. Rec. .Impostos 36 .Contas a Pagar .Fornec.

Prazos de pagamento de impostos: a NCG será tanto maior quanto menores forem os prazos de pagamento de impostos. cabendo à empresa obter fontes para financiá-la. A natureza dos negócios determina seu ciclo financeiro. Por outro lado. tornando-se ainda mais negativa. Quando a NCG é negativa. Conclusão A NCG depende basicamente da natureza e do nível de atividades dos negócios da empresa. representa fonte de recursos que a empresa poderá aplicar em ativos circulantes financeiros (ACF) ou permanentes (ANC). Em resumo. ela aumenta em função do aumento das vendas. reduzindo em condições de queda nas vendas. enquanto o nível de atividade é função das vendas. tem-se: NCG (+) Aplicação de Recursos NCG (-) Fonte de Recursos 37 . representa aplicação de recursos. a situação se inverte. ocorrendo redução da NCG em situações de aumento das vendas. quando positiva. A Necessidade de Capital de Giro. se negativa. a NCG.De onde se extrai que a Necessidade de Capital de Giro (NCG) é influenciada pelos seguintes fatores: Política de Estoques: quanto maior o volume de estoques mantidos pela empresa. sendo sensível às modificações na economia. Volume de Vendas: quando a NCG é positiva. maior será sua Necessidade de Capital de Giro. Prazos concedidos aos clientes: a NCG será tanto maior quanto maiores forem os prazos concedidos aos clientes. Prazos recebidos de fornecedores: a NCG será tanto maior quanto menores forem os prazos de pagamento concedidos pelos fornecedores.

EXERCÍCIOS 7) A empresa Alfa. encargos e de recolhimento de impostos. . Passivo Circulante Cíclico: R$ 40. aumento das vendas a prazo ou dos prazos concedidos aos clientes. Ativo Circulante Cíclico: R$ 80.00. Fatores que reduzem a NCG: ..00. como elevação dos níveis de estoques. antecipação de despesas. 38 .A combinação dos fatores listados acima. Fatores que não afetam a NCG: .. Assinale a alternativa correta: A) Não há necessidade de capital de giro. adiantamentos recebidos de clientes.Fatores que aumentam a NCG: . adiantamentos concedidos a fornecedores. aumento dos prazos de pagamento de salários.Aumento dos Passivos Circulantes Cíclicos (PCC).00.000.Quaisquer modificações ocorridas em itens relacionados aos ativos e passivos não circulantes. aquisição de ativos imobilizados com recursos de financiamentos de longo prazo.00 e Passivo Circulante Financeiro: R$ 70. .000. . redução das vendas a prazo ou dos prazos concedidos aos clientes. diminuição dos prazos de pagamento de salários.00.00. em 31/12/2013.000. apresentou os seguintes dados: Ativo Circulante Financeiro: R$ 30.000.Redução dos Ativos Circulantes Cíclicos (ACC). etc. dentre outros. pois os ativos são iguais aos passivos. como diminuição dos níveis de estoques.000.000. dentre outros. como aumento dos prazos concedidos pelos fornecedores.A combinação dos fatores listados acima. B) Sobram capitais de terceiros não onerosos de R$ 50. como redução dos prazos concedidos pelos fornecedores. C) A necessidade de capital de giro é de R$ 10. .Aumento dos Ativos Circulantes Cíclicos (ACC).Redução dos Passivos Circulantes Cíclicos (PCC). etc.00.000. como. encargos e de recolhimento de impostos. D) A necessidade de capital de giro é de R$ 40. por exemplo.

I e III. III e IV. apenas. sendo tributada à alíquota de 15% de impostos sobre suas vendas. prazo de recebimento de vendas de 47 dias. Considerando que a empresa trabalha com prazo médio de estoques de 91 dias. 39 . II. IV.8) A Cia. apenas. paga seus fornecedores com 62 dias e impostos com 30 dias. 9) Uma indústria fatura R$ 35 milhões por ano. apenas. Beta. sendo que suas compras anuais (custos variáveis) são da ordem de R$ 16. visando reduzir sua Necessidade de Capital de Giro (NCG). I. apenas. II e IV.8 milhões. calcule a Necessidade de Capital de Giro desta indústria. estrategicamente decidiu: I) aumentar a taxa de crescimento das vendas II) diminuir o volume e valor de seus estoques III) substituir dívidas de curto prazo por dívidas de longo prazo IV) negociar maiores prazos de pagamento junto a seus fornecedores Do ponto de vista dos objetivos previstos pela empresa. III. estão INCORRETAS as decisões: A) B) C) D) E) I e IV. II. Seus custos totais (CPV) representam 80% do valor das vendas.

a empresa dispõe de fontes de recursos de longo prazo (PNC) no valor de $ 670.000) = 70. O CDG se apresenta razoavelmente estável ao longo do tempo em função da natureza permanente (não cíclica) dos ativos e passivos de longo prazo.000 + 500.000. Capital de Giro (CDG) Positivo O Capital de Giro positivo significa que os passivos não circulantes (PNC) têm valor superior ao dos ativos não circulantes (ANC).000) para financiar a Necessidade de Capital de Giro (NCG) da empresa. Assim. Além de permanente.000 Patrimônio Líquido: 500.000 CDG = PNC . O CDG é calculado pela diferença entre passivos não circulantes (PNC) e ativos não circulantes (ANC).3. CDG = PNC – ANC O motivo pelo qual se calcula o Capital de Giro (CDG) pela diferença entre as fontes de longo prazo (passivos não circulantes) e as aplicações de longo prazo (ativos não circulantes) deve-se ao objetivo de demonstrar que o CDG representa uma fonte de recursos para a empresa. sendo que este saldo positivo é utilizado pela empresa pra financiar suas necessidades operacionais de curto prazo (NCG).ANC CDG = (170. PNC > ANC CDG Positivo 40 . O Capital de Giro é. uma fonte permanente de recursos constituída com a finalidade de financiar as necessidades de capital de giro da empresa.000 Ativo Imobilizado: 560.000 e aplicações de longo prazo (ANC) no valor de $ 500.000 + 560. por essência. é a principal fonte de financiamento da NCG.000 Exigível de Longo Prazo: 170.2 CAPITAL DE GIRO (CDG) O Capital de Giro (CDG) representa uma fonte permanente de recursos de longo prazo que a empresa utiliza para financiar sua Necessidade de Capital de Giro (NCG).000) – (40. Exemplo: Realizável a Longo Prazo: 40. as fontes de longo prazo (PNC) financiam completamente as aplicações de longo prazo (ANC) e ainda sobram recursos ($ 70.000 Neste exemplo.

resultando em um Capital de Giro negativo (.$ 60.000 + 700.000) = . Assim.000 + 600.000) = 0 Neste exemplo.ANC CDG = (150.000. PNC < ANC CDG Negativo Capital de Giro (CDG) Nulo O Capital de Giro será nulo caso os ativos e passivos não circulantes apresentem valores idênticos. se os ativos não circulantes (ANC) apresentarem valores superiores aos dos passivos não circulantes (PNC).000. Assim. as fontes de longo prazo (PNC) são suficiente apenas para financiar as aplicações de longo prazo (ANC).000) .000 Exigível de Longo Prazo: 120.000 Exigível de Longo Prazo: 150. terá de ser financiado com recursos financeiros de curto prazo (Passivo Circulante Financeiro).000 + 450. a empresa dispõe de fontes de recursos de longo prazo (PNC) no valor de $ 720. PNC = ANC CDG Nulo Em resumo. as fontes de longo prazo (PNC) não são suficientes para financiar as aplicações de longo prazo (ANC).000 e aplicações de longo prazo (ANC) no valor de $ 780.000 e aplicações de longo prazo (ANC) também no valor de $ 500.000 CDG = PNC .Capital de Giro (CDG) Negativo Ao contrário.60.000 Neste exemplo. a empresa dispõe de fontes de recursos de longo prazo (PNC) no valor de $ 500. que deverá ser financiado com recursos de curto prazo (PCC ou PCF).(80. junto com a NCG. não sobrando recursos para financiar a Necessidade de Capital de Giro (NCG) da empresa.000 Ativo Imobilizado: 700. Exemplo: Realizável a Longo Prazo: 50. o Capital de Giro será negativo e.ANC CDG = (120.000 Patrimônio Líquido: 350.000).000 + 350. tem-se: CDG (-) Aplicação de Recursos CDG (+) Fonte de Recursos 41 . Exemplo: Realizável a Longo Prazo: 80.000 Patrimônio Líquido: 600.000) – (50.000 CDG = PNC . como será visto em tópico adiante.000 Ativo Imobilizado: 450.

como transferência de passivos de longo para curto prazo.Fatores que aumentam o CDG: . dentre outros. incorporação de lucros.A combinação dos fatores listados acima. como aquisição de bens para o ativo imobilizado com recursos de curto prazo.. aquisição de participação em outras empresas (Investimento Permanente).Aumento dos Ativos Não Circulantes (ANC). .Redução dos Passivos Não Circulantes (PNC). etc. alterações nos volumes de estoques. etc. distribuição de lucros. modificações nos prazos concedidos aos clientes. Fatores que não afetam o CDG: .Quaisquer modificações ocorridas em itens relacionados aos ativos e passivos circulantes (tanto cíclicos quanto financeiros).. . empréstimos de curto prazo.A combinação dos fatores listados acima. por exemplo. Fatores que reduzem o CDG: . obtenção de financiamentos de longo prazo. 42 . como. como venda de bens do ativo permanente (investimentos e imobilizado). etc. . . incorporação de prejuízos. como aumento de capital.Aumento dos Passivos Não Circulantes (PNC). dentre outros. depreciação.Redução dos Ativos Não Circulantes (ANC).

43 . é INCORRETO afirmar que: ( ) é igual ao Patrimônio Líquido mais o Exigível a Longo Prazo menos o Ativo Permanente menos o Realizável a Longo Prazo. ( ) Aumento do Passivo Exigível a Longo Prazo e Permanente. Diminui quando a empresa realiza novos investimentos em bens do ativo permanente (aumento do ativo permanente). ( ) constitui-se na principal fonte de financiamento das necessidades para o giro dos negócios da empresa. ( ) A aquisição de bens para o imobilizado com recursos de curto prazo aumenta o capital de giro. 11) Em relação ao Capital de Giro. ( ) apresenta-se razoavelmente estável ao longo do tempo. ( ) Os aumentos do Passivo Circulante e do Imobilizado. ( ) é igual ao Ativo Não Circulante menos o Passivo Não Circulante. 12) Marque Verdadeiro (V) ou Falso (F) para as afirmativas abaixo: ( ) A redução dos estoques aumenta o capital de giro da empresa. ( ) pode ser negativo. redução do Ativo ( ) Os aumentos do Ativo Circulante e do Passivo Circulante.EXERCÍCIOS 10) Aumenta(m) o Capital de Giro: ( ) Redução do Passivo Exigível a Longo Prazo e aumento do Ativo Realizável a Longo Prazo.

aplicações financeiras.(ACC – PCC) + (PNC – ANC) ACF – PCF = . dividendos a pagar. O PCF abrange os empréstimos bancários de curto prazo. a empresa fará uso de recursos onerosos de curto prazo (PCF) para cobrir o saldo remanescente. dentre outros. Relação entre Tesouraria.3.NCG 44 . Assim. caso o Capital de Giro (CDG) seja negativo.3 SALDO DE TESOURARIA (T) O Saldo de Tesouraria ou simplesmente Tesouraria (T) identifica o grau de utilização de recursos financeiros de curto prazo para financiar as Necessidades de Capital de Giro (NCG). caso o Capital de Giro (CDG) não seja suficiente para financiar as Necessidades de Capital de Giro (NCG).NCG + CDG T = CDG . Capital de Giro e Necessidade de Capital de Giro O Saldo de Tesouraria (T) deve ser entendido como a diferença entre o Capital de Giro (CDG) e a Necessidade de Capital de Giro (NCG). dentre outros. O saldo de Tesouraria é definido como a diferença entre o Ativo Circulante Financeiro (ACF) e o Passivo Circulante Financeiro (PCF): T = ACF – PCF O ACF é constituído por elementos essencialmente financeiros como caixas e bancos. A Tesouraria (T) também poderá ser utilizada para financiar aplicações de longo prazo (ANC). ou seja: T = CDG – NCG Esta identidade pode ser comprovada de acordo com a demonstração abaixo: Ativo = Passivo ACF + ACC + ANC = PCF + PCC + PNC ACF – PCF = . duplicatas descontadas (reclassificadas do ativo circulante para o passivo circulante).

000 Fornecedores: 30. Exemplo: Contas a Receber: 25. significa que a empresa conta com uma folga financeira. se o Capital de Giro (CDG) for superior à Necessidade de Capital de Giro (NCG). que esta situação denota sobra de recursos. 45 . a empresa apresenta Capital de Giro (CDG) em valor superior às suas Necessidades de Capital de Giro (NCG). que será aplicado no mercado financeiro (aplicações financeiras de curto prazo). a empresa apresenta um Capital de Giro (CDG) no valor de $ 70. portanto. significando que a empresa encontra-se em situação de folga financeira. Assim.PCC NCG = (25.000 + 500.Saldo de Tesouraria (T) Positivo Se o Saldo de Tesouraria for positivo. uma condição desejável.000 Impostos a Pagar: 5.000 Neste exemplo.000). Contudo. haverá sobra de recursos e. caso em que o Saldo de Tesouraria “engorda” por falta de uma estratégia adequada de investimentos.000 e CDG = PNC .000 Ativo Imobilizado: 560. que é suficiente para financiar sua Necessidade de Capital de Giro (NCG) e ainda sobram recursos ($ 40.000) – (30. temos: NCG = ACC . Em outras palavras.000 = 40. podendo significar que a empresa não está aproveitando as oportunidades de investimento propiciadas por sua estrutura financeira.000 – 30. portanto. resultando em fontes de recursos que ficarão à disposição da empresa para aplicações financeiras.000 + 560. ou seja.000 Realizável a Longo Prazo: 40. um Saldo de Tesouraria (T) positivo e elevado não constitui. necessariamente.000 Patrimônio Líquido: 500. a Tesouraria apresentará saldo positivo.000 + 5.000) = 30.000 Exigível de Longo Prazo: 170.000 Neste caso.000 Estoques: 40.000) = 70.000 Logo: T = CDG .000. com recursos financeiros aplicados no curto prazo.ANC CDG = (170. Verifica-se.NCG T = 70.000) para aplicação (Tesouraria positiva em $ 40.000) – (40.000 + 40.

NCG T = 70.000 Neste exemplo. a empresa incorrerá em altos custos de juros bancários. a empresa apresenta Capital de Giro (CDG) no valor de $ 70.000 Ativo Imobilizado: 290. poderá levá-la à uma situação de insolvência. com o tempo. que não é suficiente para financiar completamente sua Necessidade de Capital de Giro (NCG = $ 90. isso significa que a empresa apresenta Capital de Giro (CDG) em valor inferior às suas Necessidades de Capital de Giro (NCG). o Saldo de Tesouraria (T) será negativo.000 Logo: T = CDG . temos: NCG = ACC .000 Fornecedores: 40.000) para financiar uma parcela de sua Necessidade de Capital de Giro (NCG).20. com recursos onerosos de curto prazo – PCF (empréstimos e financiamentos de curto prazo. Neste caso.ANC CDG = (80. o que equivale a dizer que parte dos Estoques ou das Contas a Receber de Clientes está sendo financiada com recursos caros (empréstimos bancários de curto prazo).000) – (40.000 + 80.000 Impostos a Pagar: 10.000 Patrimônio Líquido: 300.000 Estoques: 80.000 Realizável a Longo Prazo: 20. o que. faltando recursos ($ 20.000). Ao financiar parte ou toda sua Necessidade de Capital de Giro (NCG) e/ou o próprio Capital de Giro (CDG) com recursos onerosos (como empréstimos e financiamentos) de curto prazo.000 e CDG = PNC .000) = 90. por exemplo).000. Exemplo: Contas a Receber: 60.000 + 10. 46 .000 Neste caso.000 + 300.000) que deverão ser obtidos mediante empréstimos de curto prazo (Tesouraria negativa em $ 20.000 – 90.PCC NCG = (60.000) – (20. com o Passivo Circulante Financeiro (PCF) maior do que o Ativo Circulante Financeiro (ACF). a empresa está tomando empréstimos de curto prazo ($ 20.000) = 70. Essa condição indica que a empresa está financiando suas aplicações operacionais (ACC) ou mesmo os investimentos de longo prazo (ANC). Ou seja.000 Exigível de Longo Prazo: 80.000).Saldo de Tesouraria (T) Negativo Se a Tesouraria apresentar saldo negativo.000 = .000 + 290.

000) = 80.ANC CDG = (80.000 = 0 Neste exemplo.000).000 + 320.000) – (20.000.000 Impostos a Pagar: 20. tem-se: T (+) Aplicação de Recursos T (-) Fonte de Recursos 47 .000 Realizável a Longo Prazo: 20.000 e CDG = PNC .000 + 90.000) – (60.000 Patrimônio Líquido: 320.000 Ativo Imobilizado: 300.000 – 80.000 Logo: T = CDG .NCG T = 80. Exemplo: Contas a Receber: 70.PCC NCG = (70. Essa condição indica que a empresa consegue financiar suas aplicações operacionais (ACC) e seus investimentos de longo prazo (ANC). os saldos do Passivo Circulante Financeiro (PCF) e do Ativo Circulante Financeiro (ACF) serão idênticos.000 Fornecedores: 60. o suficiente para financiar sua Necessidade de Capital de Giro (NCG = $ 80. temos: NCG = ACC . com os recursos de fontes operacionais (PCC) e de longo prazo (PNC).Saldo de Tesouraria (T) Nulo Se a Tesouraria apresentar saldo nulo.000 Neste caos. sem sobra ou falta de recursos (Tesouraria = 0).000 Exigível de Longo Prazo: 80.000 + 20.000 Estoques: 90. Em resumo.000) = 80. isso significa que a empresa apresenta Capital de Giro (CDG) no valor exato de suas Necessidades de Capital de Giro (NCG). Neste caso.000 + 300. a empresa apresenta um Capital de Giro (CDG) no valor de $ 80.

000 Financiamento Longo prazo = $ 20.000 Imobilizado = 220.000 Capital Social = $ 180.000 Realizável a longo prazo = $ 20. 14) A Cia.000 Capital Social = $ 180.000 Imobilizado = 220.000 Estoques = $ 100.000 Aplicações financeiras = $ 30.000 Realizável a longo prazo = $ 20.000 Empréstimo Curto Prazo = $ 90.EXERCÍCIOS 13) A Cia. calcule: a necessidade de capital de giro (NCG) o capital de giro (CDG) o saldo de tesouraria (T) B) Analise a situação financeira da empresa com base nos resultados encontrados.000 Empréstimo Curto Prazo = $ 180. Delta apresenta os seguintes saldos em suas contas: Caixa = $ 20.000 Clientes = $ 80.000 Financiamento Longo prazo = $ 20.000 Fornecedores = 180.000 A) Com base nestas informações. Gama apresenta os seguintes saldos em suas contas: Caixa = $ 20.000 Clientes = $ 80.000 Aplicações financeiras = $ 30.000 Estoques = $ 100. 48 .000 A) Com base nestas informações. calcule: a necessidade de capital de giro (NCG) o capital de giro (CDG) o saldo de tesouraria (T) B) Analise a situação financeira da empresa com base nos resultados encontrados.000 Fornecedores = 90.

000 Passivo Empréstimos Curto Prazo Fornecedores Contas a Pagar Salários a Pagar Patrimônio Líquido Total do Passivo 150 200 50 50 550 1.15) Responda às questões seguintes de acordo com o Balanço abaixo: Ativo Caixa / Bancos Aplicações Financeiras Estoques Contas a Receber Imobilizado Total do Ativo 40 60 250 220 430 1. ( ) Situação comum em empresas brasileiras. CDG e T B) Identifique. 16) Responda às questões seguintes de acordo com o Balanço abaixo: Ativo Caixa / Bancos Aplicações Financeiras Estoques Contas a Receber Imobilizado Total do Ativo 50 200 350 150 250 1.000 A) Calcule NCG. ( ) Situação bastante confortável. pois as necessidades de curto prazo não são financiadas pelo capital de giro e sim por empréstimos de curto prazo. em que é necessário recorrer a empréstimos de curto prazo para cobrir parte dos recursos necessários à operação. com as necessidades de recursos operacionais de curto prazo sendo cobertas tanto por recursos de longo prazo como por saldos positivos de aplicações financeiras. pois as necessidades de curto prazo não são financiadas pelo capital de giro e sim por empréstimos de curto prazo.000 A) Calcule NCG. CDG e T B) Marque a descrição que melhor identifica a situação em que a empresa se encontra: ( ) Situação financeira delicada.000 Passivo Empréstimos Curto Prazo Fornecedores Contas a Pagar Salários a Pagar Patrimônio Líquido Total do Passivo 150 200 50 50 550 1. 49 . ( ) Situação bastante confortável. a descrição que melhor identifica a situação em que a empresa se encontra: ( ) Situação financeira delicada. ( ) Situação muito comum em empresas brasileiras. abaixo. em que os recursos necessários à operação são cobertos tanto por recursos de longo prazo quanto por recursos financeiros de curto prazo. com as necessidades de recursos operacionais de curto prazo sendo cobertas tanto por recursos de longo prazo como por saldos positivos de aplicações financeiras.

tornará o Saldo de Tesouraria (T) cada vez menor. Esta operação tem efeito duplo na redução do Saldo de Tesouraria. não é suficiente para caracterizar o Efeito Tesoura. visto que. levará à uma redução do Saldo de Tesouraria. ao tornar-se crescentemente negativo. é comum observar a ocorrência do Efeito Tesoura causado por uma inadequada decisão de investir em ativos de longo prazo (imobilizações) com recursos de curto prazo (ACC). faz-se necessário o cálculo de um indicador chamado “Termômetro do Efeito Tesoura”. a Necessidade de Capital de Giro (NCG) aumentará continuamente. até mesmo. face ao maior risco que ela passa a representar para o credor. as despesas financeiras crescerão além do suportável. levando-a à falência. por créditos junto a fornecedores. tais como crescimento elevado do nível de atividade empresarial. Isto acontece quando o crescimento da Necessidade de Capital de Giro (NCG) é superior ao crescimento do Capital de Giro (CDG). por si só. Para a adequada caracterização do Efeito Tesoura. Em se tratando de pequenas e médias empresas. período após período. O Efeito Tesoura pode ocorrer por várias outras razões. Nesta situação. tornando o Saldo de Tesouraria (T) cada vez menor a cada exercício. Isto ocorre porque o aumento das vendas gera um crescimento do Ativo Circulante Cíclico (ACC) em níveis superiores ao do Passivo Circulante Cíclico (PCC). que. Este se caracterizará a partir do momento em que a Tesouraria apresentar saldo crescentemente negativo. por exemplo. o aumento da NCG. ao mesmo tempo em que aumenta a Necessidade de Capital de Giro (NCG). prejuízos recorrentes. para aumentar suas vendas. visto que. se não adequadamente sustentado por igual aumento do Capital de Giro. o motivo pelo qual uma empresa em fase de rápido crescimento pode vir a ter dificuldades financeiras e. A redução do Saldo de Tesouraria. obrigará a empresa a cada vez mais financiar suas operações com recursos onerosos de curto prazo (por exemplo. principalmente. que avalia a evolução do Saldo de Tesouraria (T) em comparação à evolução da Necessidade de Capital de Giro (NCG).4 EFEITO TESOURA O Efeito Tesoura é um indicador que demonstra o descontrole no crescimento das fontes onerosas de recursos de curto-prazo (PCF). Sendo T = CDG – NCG. Com o Ativo Circulante Cíclico (ACC) crescendo em níveis superiores ao Passivo Circulante Cíclico (PCC). Este aumento da NCG. empréstimos bancários de curto prazo). levando a empresa a tomar cada vez mais recursos a curto prazo no sistema financeiro. em proporções maiores do que o aumento do CDG. distribuição excessiva de dividendos e dependência sistemática de empréstimos de curto prazo. 50 . O Efeito Tesoura explica. reduz o Capital de Giro (CDG). com taxas de juros cada vez mais elevadas. com pagamento de altas taxas de juros. constituídas. entrar em situação de insolvência (overtrade). a empresa incorrerá em aumento de aplicações em estoques e contas a receber de clientes (ACC) superior ao aumento que obterá em suas fontes cíclicas de curto prazo (PCC).

66) Graficamente.200 400 (800) (0.Redução da Necessidade de Capital de Giro (NCG). dentre outras medidas. via obtenção de financiamentos de longo prazo. 51 . aumento das margens de lucro. Se o resultado deste indicador mostrar-se crescentemente negativo. aporte de capital social pelos sócios / acionistas.1 TERMÔMETRO DO EFEITO TESOURA (TEF) Este indicador é calculado pela relação entre o Saldo de Tesouraria (T) e o módulo do valor da Necessidade de Capital de Giro ( NCG ). conforme indicado abaixo: TEF = T NCG Deve-se observar o comportamento deste indicador por um período mínimo de três exercícios. conforme exemplo abaixo: Indicador NCG CDG T T | NCG | Período 1 250 200 (50) Período 2 600 300 (300) Período 3 1. o Efeito Tesoura pode ser assim representado: $ NCG T3 T2 CDG T1 Tempo Diretrizes básicas para salvar uma empresa do Efeito Tesoura: .50) (0. através de obtenção de maiores prazos de pagamento junto a fornecedores e/ou redução dos estoques e do prazo de recebimento de clientes.20) (0. estará caracterizado o Efeito Tesoura.Aumento do Capital de Giro (CDG). redução do ativo não circulante (venda de investimentos e imobilizados ociosos). . reduzindo custos e despesas.4.

avalie qual(is) dela(s) apresenta(m) o Efeito Tesoura. tendo sido calculados os valores de NCG e CDG.400 CDG 400 600 800 Empresa B Período 1 Período 2 Período 3 NCG 250 600 1.EXERCÍCIOS 17) Quatro empresas tiveram seus últimos três Balanços reclassificados de acordo com o Modelo Fleuriet. calcule o Saldo de Tesouraria (T) e o Termômetro do Efeito Tesoura. Para cada uma.980 T T | NCG | T T | NCG | T T | NCG | T T | NCG | 52 .520 CDG 10.200 CDG 200 480 960 Empresa C Período 1 Período 2 Período 3 NCG 200 350 500 CDG 100 200 300 Empresa D Período 1 Período 2 Período 3 NCG 8. Para cada uma delas.000 10.400 13.200 2. Empresa A Período 1 Período 2 Período 3 NCG 500 1.600 15.000 12.

ATIVO 2010 2011 2012 2013 Ativo Circulante Financeiro 2.370 2010 2011 2012 2013 Indicadores NCG CDG T T / |NCG| Efeito Tesoura? ( ) Sim ( ) Não Comentários sobre a situação financeira (liquidez) da empresa: 53 .510 10.050 5. com foco na evolução de sua liquidez.370 5.810 13. nos próximos três anos.020 3.180 6.030 540 350 Ativo Circulante Cíclico 3. De acordo com o Modelo Dinâmico.040 16. identifique a existência ou não do “Efeito Tesoura” e emita uma opinião sobre a situação financeira da empresa.940 Ativo Não Circulante PASSIVO 2010 2011 2012 2013 Passivo Circulante Financeiro 1. será necessária a ampliação da fábrica com a implantação de um nova linha de produção.400 Passivo Não Circulante 11.090 2.130 4.310 18.550 13.110 1. Descreva quais seriam as ações que deveriam ser adotadas por esta empresa como forma de evitar o desenvolvimento do Efeito Tesoura. 19) O Balanço Patrimonial abaixo contém dados de quatro exercícios sociais da empresa Gama.18) Uma empresa planeja aumentar suas vendas em 40% ao ano. Para tanto.180 7.020 8.640 5.050 16.030 Passivo Circulante Cíclico 3.180 15.

permitindo que o saldo de tesouraria permaneça positivo. visto que o CDG é inferior à NCG. pois o CDG negativo sinaliza que fontes de curto prazo estão financiando investimentos de longo prazo. A estrutura do tipo IV revela uma situação financeira de alto risco.5 TIPOS DE ESTRUTURAS FINANCEIRAS Existem seis combinações possíveis do CDG. A folga financeira para honrar as exigibilidades de curto prazo advém dos recursos permanentes aplicados no ativo circulante (CDG +). invertendo o sinal da NCG e de T. Como há Necessidade de Capital de Giro (NCG +) e não se conta com Capital de Giro (CDG) para seu financiamento. A estrutura do tipo III representa a posição mais usual encontrada no mercado e evidencia uma situação financeira insatisfatória. ao mesmo tempo em que os Passivos Circulantes Cíclicos (PCC) são maiores que os Ativos Circulantes Cíclicos (ACC). sendo seu valor superior ao do primeiro. pois uma queda nas vendas esgotaria rapidamente a parcela excedente do Passivo Circulante Cíclico (PCC). O aumento da vulnerabilidade financeira ocorre à medida que cresce a diferença entre a NCG e o CDG e. pois o CDG e a NCG apresentam saldos negativos. pois. NCG negativa. porém o valor da NCG é inferior ao do CDG. ou seja. conforme o quadro abaixo. o Saldo de Tesouraria negativo passa a cobrir essa insuficiência. consequentemente. A combinação dessas variáveis determina a estrutura financeira da empresa. Tipo I II III IV V VI CDG + + + - NCG + + + T + + + - Situação Excelente Sólida Insatisfatória Alto risco Muito Ruim Péssima Empresas com estrutura do tipo I encontram-se em excelente situação financeira (alto nível de liquidez). contudo. o que resulta em Saldo de Tesouraria negativo. Empresas com esse tipo de estrutura são bastante dependentes de empréstimos bancários de curto prazo para financiar suas operações. 54 . Esta situação é considerada de alto risco. Essa estrutura indica que a empresa estaria desviando sobras de recursos de curto prazo (NCG -) para financiar ativos não circulantes (CDG -). NCG e T. A estrutura financeira do tipo VI revela péssima situação financeira. o Saldo de Tesouraria torna-se cada vez mais negativo. além de CDG negativo. Os recursos de longo prazo investidos no CDG garantirão a continuidade de um Saldo de Tesouraria favorável. devido ao fato da NCG negativa ser superior ao CDG negativo. desde que o nível de atividade operacional seja mantido. o que permite que o T seja positivo. o que resulta em Saldo de Tesouraria negativo. o que resulta em saldo positivo de Tesouraria A estrutura do tipo II caracteriza uma empresa com situação financeira sólida. A estrutura do tipo V retrata uma situação financeira muito ruim. representa uma situação menos grave do que a estrutura do tipo V. a NCG também é negativa. Esta estrutura.

Se seu CDG é da ordem de R$ 10 milhões. em quanto aumentará sua NCG em termos de valor? 55 . sendo tributada à alíquota de 18% de ICMS sobre suas vendas. As despesas operacionais montam a R$ 2 milhões. despesas operacionais e impostos com 30 dias. prazo de recebimento de vendas de 45 dias. Seus custos totais (CPV) representam 65% do valor das vendas. sendo que as compras anuais (custos variáveis) correspondem a 70% dos custos. a empresa apresenta saldo de Tesouraria positivo ou negativo? Em que valor? Caso a empresa amplie suas vendas em 20%. Calcule a Necessidade de Capital de Giro desta indústria. paga seus fornecedores com 60 dias.EXERCÍCIOS 20) Uma indústria apresenta faturamento anual de R$ 60 milhões. Considerando que a empresa trabalha com prazo médio de estoques de 60 dias.

A empresa prevê trabalhar com prazo médio de estoques de 45 dias. Inicialmente. para 2015: A empresa é tributada à alíquota de IRPJ + CSLL de 34%. ainda. para 2015. Com base nas informações acima: a) Calcule a Necessidade de Capital de Giro da empresa para 2015 Cálculo da NCG 2015 (+) Duplicatas a Receber (+) Estoques (-) Fornecedores (-) Obrigações Fiscais (-) Contas a Pagar (=) Necessidade de Capital de Giro 56 . despesas operacionais e impostos de 30 dias. O imobilizado será depreciado à taxa de 10% ao ano e não haverá novos investimentos em ativos. utilize o conceito de Tesouraria (T = CDG . A empresa projeta.000. R$ 500. que. O valor da depreciação já se encontra embutido nos custos e despesas operacionais. déficits de caixa serão cobertos com empréstimos de curto prazo.000.. Para cálculo das Disponibilidades ou Empréstimos de curto prazo.500. Eventuais sobras de caixa serão direcionadas para aplicações financeiras e. A empresa reterá todo o lucro obtido.000 milhão na aquisição de instalações.NCG). As despesas operacionais anuais foram estimadas em R$ 3.000 milhões. máquinas.000.000. sendo que as compras anuais (custos variáveis) deverão corresponder a 60% dos custos (CPV). Seus custos totais (CPV) foram estimados em 72% do valor das vendas. Sabe-se que sua atividade é tributada à alíquota de 17% de impostos sobre as vendas.ESTUDO DE CASO I Uma indústria pretende se instalar em São João Del Rei para produzir colchões. Considere. a empresa dispõe de capital social de R$ 2. prazo de recebimento de vendas de 60 dias e prazos de pagamento de fornecedores. faturamento anual de R$ 30. que serão aplicados da seguinte forma: R$ 1.000.000 em caixa. equipamentos e mobiliário e.

30 2.M.D.000 P.R.O.500.000 Duplicatas a Receber (=) Receita Líquida Estoques (-) CPV Imobilizado Total do Ativo 1. 60 Contas a Pagar P.M.M.P.M.P.O.R. 45 2.000.M.000 P.V.E.F.000 (=) Lucro Bruto 2.000. 30 P.000 (-) Despesas Operacionais (=) Resultado Operacional (-) IRPJ e CSLL Passivo Empréstimos (=) Lucro Líquido Fornecedores Obrigações Fiscais P. Balanço Patrimonial 2014 Demonstração do Resultado 2015 2015 Receita de Vendas Ativo Disponibilidades (-) Impostos sobre Vendas 500.b) Projete a Demonstração de Resultado e o Balanço Patrimonial de 2015.000. 30 Patrimônio Líquido Total do Passivo - Compras = 60% CPV Quadro auxiliar para cálculo do Saldo de Tesouraria em 2015 Cálculo da Tesouraria 2015 (+) CDG (-) NCG (=) T 57 .

6 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA A partir das políticas de estoques. previsões de vendas. compras. conforme demonstrado abaixo: FLUXO DE CAIXA – MÉTODO INDIRETO (+) Lucro Líquido (+) Depreciação e Amortização (+) Despesas sem Efeito Caixa (-) Receitas sem Efeito Caixa (-) Variação da Necessidade de Capital de Giro ( NCG) (-) Pagamento de Financiamentos de Longo Prazo (+) Obtenção de novos Financiamentos de Longo Prazo (-) Pagamento de Financiamentos de Curto Prazo (+) Novas captações de Financiamentos de Curto Prazo (+) Integralização de Capital (-) Aquisições de Imobilizado (+) Vendas de Imobilizado (-) Pagamentos de Dividendos (=) Fluxo de Caixa Gerado (+) Baixas de Aplicações Financeiras (+) Novos Empréstimos de Curto Prazo (=) Fluxo de Caixa Final 58 .1 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – MÉTODO INDIRETO Pelo Método Indireto. a empresa deverá projetar seu Fluxo de Caixa. despesas. investimentos e distribuição de lucros. prazos de pagamento e recebimento. 6. custos. dentre outros. podemos projetar o Fluxo de Caixa de uma empresa a partir da projeção de resultado (Lucro Líquido).

distribuição de dividendos. • houve aumento da NCG. seu valor deve ser deduzido no cálculo do Fluxo de Caixa. seu valor deve ser adicionado no cálculo do Fluxo de Caixa. esses valores deverão ser deduzidos no cálculo do Fluxo de Caixa. devendo este valor ser Se NCGAno2 > NCGAno1 deduzido do Fluxo de Caixa. Portanto. mas que não envolvem desembolso (pagamento). 59 . Portanto. pelo Método Indireto. NOVOS FINANCIAMENTOS DE LONGO PRAZO: representam a obtenção de novos recursos que entrarão no caixa da empresa. não é considerado na Demonstração de Resultado. seu valor deve ser adicionado no cálculo do Fluxo de Caixa. esses valores deverão ser deduzidos no cálculo do Fluxo de Caixa. DESPESAS SEM EFEITO CAIXA: são despesas que reduzem o lucro líquido. Exemplo: despesas de juros de empréstimos e financiamentos. etc.). Por este motivo. esses valores deverão ser adicionados ao Fluxo de Caixa. PAGAMENTO DE FINANCIAMENTOS DE CURTO PRAZO (Principal): representa um desembolso efetivo por parte da empresa que. Portanto. sem transitar pela Demonstração do Resultado. PAGAMENTO DE FINANCIAMENTOS DE LONGO PRAZO (Principal): representa um desembolso efetivo por parte da empresa que. mas que não envolvem desembolso (pagamento). Exemplo: receitas de equivalência patrimonial. não é considerado na Demonstração de Resultado. Deve-se considerar o valor do lucro líquido do exercício. durante o período de carência. contudo. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO: são despesas que reduzem o lucro líquido. devendo este valor ser Se NCGAno1 > NCGAno2 adicionado ao Fluxo de Caixa. RECEITAS SEM EFEITO CAIXA: são receitas que aumentam o lucro líquido.LUCRO LÍQUIDO: é o ponto de partida da Demonstração do Fluxo de Caixa. mas que não envolvem recebimento (entrada de caixa). contudo. Por este motivo. VARIAÇÃO DA NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO ( NCG): alterações na Necessidade de Capital de Giro devem ser consideradas da seguinte forma: • houve redução da NCG. antes das participações e distribuições (participações nos lucros. Por este motivo.

AQUISIÇÕES DE IMOBILIZADO: representam desembolsos (saídas de caixa da empresa). junto aos sócios / acionistas. e seu Fluxo de Caixa esteja negativo. esses valores deverão ser adicionados ao Fluxo de Caixa. sem transitar pela Demonstração de Resultado. caso seu valor não seja suficiente para cobrir o saldo negativo de seu Fluxo de Caixa. sem transitar pela Demonstração de Resultado. FLUXO DE CAIXA GERADO: representa o saldo das entradas e saídas de caixa da empresa em determinado período. sem transitar pela Demonstração de Resultado. sem transitar pela Demonstração de Resultado. 60 . decorrentes de suas operações. Portanto. sem transitar pela Demonstração de Resultado. Caso a empresa não tenha aplicações financeiras ou. BAIXAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS: representam entradas de caixa da empresa visando cobrir saldo negativo do Fluxo de Caixa. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL: representam a obtenção de novos recursos.NOVOS FINANCIAMENTOS DE CURTO PRAZO: representam a obtenção de novos recursos que entrarão no caixa da empresa. VENDAS DE IMOBILIZADO: representam recebimentos (entradas de caixa na empresa). Portanto. ela everá recorrer a empréstimos de curto prazo para cobrir os desembolsos previstos. esses valores deverão ser deduzidos no Fluxo de Caixa. FLUXO DE CAIXA FINAL: é a última linha da Demonstração do Fluxo de Caixa e representa o saldo de recursos em caixa da empresa ao final de determinado período. que entrarão no caixa da empresa. Portanto. Portanto. Portanto. esses valores deverão ser acrescidos ao Fluxo de Caixa. NOVOS EMPRÉSTIMOS DE CURTO PRAZO: representam entradas de caixa da empresa visando cobrir saldo negativo do Fluxo de Caixa. esses valores deverão ser deduzidos do Fluxo de Caixa. Caso a empresa tenha aplicações financeiras. PAGAMENTOS DE DIVIDENDOS: representam desembolsos (saídas de caixa da empresa). a primeira providência é resgatar os saldos de aplicações financeiras para cobrir os desembolsos previstos. esses valores deverão ser adicionados ao Fluxo de Caixa.

600.000) (=) Lucro Bruto 1.000 (-) Impostos sobre Vendas (2.000) Custos variáveis (2.810.190.000.000.000) 389.000) (=) Lucro antes do IRPJ e CSLL (-) Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social (CSLL) (=) Lucro do Exercício 590.000) (=) Resultado Operacional 1.000 (-) Despesas Operacionais Comerciais (500.000 (-) Custo dos Produtos Vendidos Depreciação (600.000 (201. XYZ.000) (=) Receita Líquida de Vendas 8.000 61 .000 (-) Despesas Financeiras (600.000) Administrativas (300. com base nas demonstrações do ano de 2014 e nas informações e premissas apresentadas: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 31/12/2014 (+) Receita Bruta de Vendas 10. o Fluxo de Caixa e o Balanço Patrimonial de 2015 da Cia.ESTUDO DE CASO II Projete a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).000) Custos Fixos (2.000.990.

000 Fornecedores Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante Realizável a Longo Prazo 0 Imobilizado Custo 1.000 Estoques 1.5% ao ano e toda depreciação do ano está considerada no CPV.000.000) (=) Imobilizado Líquido 6. Acumulada (1.000 Informações complementares: A taxa de depreciação é de 7.000 (-) Deprec.600.000 5.500.220.000 8.000. O financiamento de longo prazo deverá ser amortizado em uma parcela única ao final de 2018. Seu custo é de 10% ao ano. Taxa de juros para aplicações financeiras (se houver): 10% ao ano.000 Total do Passivo 10.000 Financiamento longo prazo Patrimônio Líquido 2.400.120.000.000 Contas a Receber 2. 62 .000 Obrigações Fiscais 80.040.000 Total do Ativo 10.903. Taxa de juros para empréstimos de curto prazo: 30% ao ano.000 Dividendos a pagar 97.120.BALANÇO PATRIMONIAL Ativo 2014 Passivo Ativo Circulante 2014 Passivo Circulante Caixa e Bancos 0 Empréstimos de curto prazo 1.

000 em Ativo Imobilizado. resgatar aplicações financeiras e tomar novos empréstimos de curto prazo. com o objetivo de eliminar um gargalo existente em uma das etapas do processo de produção.Premissas a serem adotadas para projeção das demonstrações de 2015: As vendas crescerão à taxa de 20% em 2015. 144 dias para pagamento de fornecedores e 14 dias para recolhimento das obrigações fiscais. mediante aporte de capital no mesmo valor. 90 dias entre a compra de matéria-prima e a venda de produtos acabados. A empresa é tributada com base no Lucro Real e recolhe 34% de alíquota total de Imposto de Renda e Contribuição Social. O valor desses impostos deverá ser pago no próprio ano. no início do ano. A empresa leva.000. que são pagos no ano seguinte ao de sua apuração. Os percentuais de Impostos sobre Vendas. Custos Variáveis sobre Receita Operacional Bruta e Despesas Comerciais sobre Receita Operacional Bruta permanecerão constantes. Se o fluxo de caixa gerado resultar negativo. A empresa distribui 25% do Lucro Líquido a título de dividendos. ela deverá fazer aplicação financeira. Se o fluxo de caixa for positivo. 63 . Utilize os quadros a seguir para elaborar sua projeção. 80 dias para recebimento das vendas. a empresa irá investir. Este investimento será financiado com recursos dos sócios. A empresa deverá pagar os juros da dívida de longo prazo. em média. nesta ordem. a empresa deverá. o valor de $ 2. Os empréstimos de curto prazo (principal + juros) deverão ser pagos ao final do ano. Para tanto.

000) 389.000) (=) Receita Líquida de Vendas 31/12/2015 8.000 (-) Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social (CSLL) (=) Lucro do Exercício (201.600.990.000) (=) Lucro Bruto 1.000) (=) Resultado Operacional 1.000 (-) Custo dos Produtos Vendidos Depreciação (600.000 (-) Impostos sobre Vendas (2.000 (-) Despesas Financeiras (600.Projeção da Demonstração do Resultado de 2015 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 31/12/2014 (+) Receita Bruta de Vendas 10.000.000.000 Cálculo da variação da Necessidade de Capital de Giro Cálculo da NCG / Ano 2014 2015 (+) Duplicatas a Receber (+) Estoques (-) Fornecedores (-) Obrigações Fiscais (=) Necessidade de Capital de Giro Variação da NCG 64 .000) (=) Lucro antes do IRPJ e CSLL 590.000) Custos variáveis (2.000.000) Custos Fixos (2.000 (-) Despesas Operacionais Comerciais (500.000) Administrativas (300.190.810.

FLUXO DE CAIXA – MÉTODO INDIRETO Descrição 2015 (+) Lucro Líquido (+) Depreciação e Amortização (+) Despesas sem Efeito Caixa (-) Receitas sem Efeito Caixa (-) Variação da Necessidade de Capital de Giro ( NCG) (-) Pagamento de Financiamentos de Longo Prazo (+) Obtenção de novos Financiamentos de Longo Prazo (-) Pagamento de Financiamentos de Curto Prazo (+) Novas captações de Financiamentos de Curto Prazo (+) Integralização de Capital (-) Aquisições de Imobilizado (+) Vendas de Imobilizado (-) Pagamentos de Dividendos (=) Fluxo de Caixa Gerado (+) Baixas de Aplicações Financeiras (+) Novos Empréstimos de Curto Prazo (=) Fluxo de Caixa Final 65 .

000 0 1.000 2014 Contas a Receber de Clientes Caixa e Bancos Ativo Circulante Ativo 2015 Passivo Total do Passivo Patrimônio Líquido Financiamento de longo prazo Passivo Não Circulante Fornecedores Obrigações Fiscais Dividendos a pagar Empréstimos de curto prazo Passivo Circulante BALANÇO PATRIMONIAL 10.000 6.120.000 97.600.120.220.000 80.000.040.000 2.Total do Ativo (=) Imobilizado Líquido (-) Depreciação Acumulada Custo Imobilizado Realizável a Longo Prazo Ativo Não Circulante 10.000 5.000 1.500.903.000 (1.000.000.000 1.000) 8.000 Estoques 0 2.400.000 2014 2015 66 .