E DEUS CRIOU PORTO ALEGRE –

Coletânea - Paulo Timm (org)
Este trabalho foi Inspirado - e é dedicado, ao Jornalista Web 2010, J.Luiz
Prévidi Não tem qualquer pretensão acadêmica. Foi instigado pela leitura
diária do Blog do Prévidi – www.previdi.com.br – com suas constantes
referências à Porto Alegre e à defesa do retorno do nome da Rua dos
Andradas para Rua da Praia. E pela sua publicação de algumas memórias
minhas da cidade, da qual fiquei 40 anos ausente. Hoje reencontro outra
cidade, tendo-me restado, da que deixei, meras lembranças. No
desenvolvimento deste trabalho fiquei surpreso com a qualidade e
quantidade de artigos, teses e livros sobre PORTO ALEGRE,
principalmente de autoria do Doutor Charles Monteiro, como também um
jovem - James M.- com diversos blogs sobre a cidade na INTERNET. Sou
do tempo em que o pouco que se sabia sobre POA eram as obras de Walter
Spalding, meu professor no Colégio das Dores, artigos da Revista
Provincia de São Pedro e
crônicas do Correio do Povo.
Revi, no
percurso, com grande satisfação, alguns trabalhos de Sandra Jatahy que foi
minha colega no Curso de C. Sociais da UFRGS nos anos 60. E a saudosa
presença de outro colega, L.R.Lopes, também da UFRGS, História, da
mesma época, com quem eu dividia aulas em vários cursos do Supletivo e
Pré Vestibulares naquele período. A todos os que se dedicaram à memória
da cidade, que a cantaram em verso e prosa, minha admiração. Mais do que
isto, minha gratidão, por poder reviver um pouco daquele tempo em que
me descobri, até sair “retórico e despido a caminho de mim” para cá voltar
depois de tantas décadas.
Paulo Timm - 2011

A vida não apenas é bela. Ela vale a pena mesmo sem grande fortuna, sem grande talento,
sem grande carisma, ou sem grande beleza, sem grandes realizações. Basta viver em Porto
Alegre. Paulo Timm- 2010

“Para onde voltamos sempre? Para casa.” (Novallis – Escritor alemão 1772-1801,
inspirou Penelope Fitzgerald em seu romance The Blue Flower (1995).

Mande um cartão virtual com um pôr-do-sol
de Porto Alegre para seus amigos

Blog sobre Porto Alegre e Rio Grande do Sul.
Urbanismo, economia, investimentos, problemas, polêmicas,
desenvolvimento, ecologia. Todos esses assuntos tratados de forma
crítica e sem caráter ideológico ou partidário e, sim, com o propósito
único de querer sempre o melhor para a cidade e o estado.
BLOG PORTO IMAGEM:

http://portoimagem.wordpress.com/2011/04/18/polemica-envolve-a-rua-da-praia/

FOTOS FANTÁSTICAS DE PORTO ALEGRE

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1347229

PORTO ALEGRE - Video promocional
Produção novembro 2008 - Cliente Ministério do Turismo - dr50@terra.com.br - direção Wilson
néglia Filho, fotografia Fernando Vanelli, produção executiva Francisco Ramos milanez,
montagem Rogério… Adicionado em 5/5/2010

http://www.youtube.com/watch?v=pXQ9z8sPcHI

CLIQUE PARA CONHECER MAIS SOBRE P.ALEGRE

1940 - Em uma dessas crônicas, reunidas em 1940, no livro História popular
de Porto Alegre, editado catorze anos após sua morte, Aquiles Porto Alegre
lembrava sob o título "A música das ruas" o tempo recuado de fins do século
XIX, em que "as ruas da cidade eram .. (Tinhorão, JRamos - in “Os sons que
vêm da rua” Ed.34 2ª Edição – 2005).
Mostrar mais

De Os sons que vêm da rua :
http://books.google.com/books?id=jASF4z4Op0gC&pg=PA35&sig=Qi8pbox3QbPTbaXi
T_lm1A7nG-Q&hl=pt-BR# .

PORTO ALEGRE É
DEMAIS: http://www.youtube.com/watch?v=S_MkpVWMBoM

CÉU, SOL, SUL, TERRA E
COR: http://www.youtube.com/watch?v=vCnVgRdvq58

HORIZONTES (com minha querida amiga ANGELA
JOBIM): http://www.youtube.com/watch?v=PyHXbFmJ-9g

DEU PRA TI: http://www.youtube.com/watch?v=KmCl9E085wI

O GAUCHÊS, GAÚCHO TEM SOTAQUE ??? MAS, BEM
CAPAZ: http://www.youtube.com/watch?v=nvdFaA1JhHA E
http://www.youtube.com/watch?v=7ZwCTOY4WqY

HINO RIO-GRANDENSE: http://www.youtube.com/watch?v=vyOicZulVNU

Outono em Porto Alegre
14 de maio de 2011 - WWW.ZEROHORA.COM
Outono, inverno, primavera e verão, são as quatro estações do ano em nosso planeta. Isso
deve-se à diferença de radiação solar que incide sobre a superfície do planeta em determindada
época do ano, fato provocado pelo movimento de deslocamento da Terra em torno do Sol, e
pela inclinação do eixo da Terra em relação ao plano orbital.
Algumas características do Outono são noites mais longas que os dias, mudança na coloração
das folhas das árvores (elas ficam amarelas e caem), mudanças bruscas de temperatura,
diminuição da umidade do ar.
No Hemisfério Sul, o outono começa no dia 20 de março e termina no dia 20 de junho, no
Hemisfério Norte, o outono tem início no dia 23 de setembro e termina no dia 22 de dezembro;
Em imagens de Lauro Alves os detalhes do Outono em Porto Alegre.

Lauro Alves

Lauro Alves

Lauro Alves

Lauro Alves

Lauro Alves

MEMÓRIA E HISTÓRIA
I – HISTÓRIAS

CAFÉ HISTÓRIA
Porto Alegre de outrora: 1889/1910

Postado por Carlos Roberto S.da Costa Leite em 27 maio 2011 às 0:30

Exibir blog de Carlos Roberto S.da Costa Leite

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/porto-alegre-de-outrora

O século XX chegou com expectativas e sonhos de
renovação. A República havia se instalado no Brasil, desde novembro 1889, trazendo consigo
a promessa de “novos ares”, representado no dístico positivista de nossa bandeira: “Ordem
e Progresso”. Modernidade, industrialização e ciência eram palavras da moda. Vivíamos a
esperança de novos tempos... As ruas, que homenageavam figuras ligadas ao Império, foram
renomeadas com personagens, fatos ou datas referentes à República. A Rua do Imperador,
por exemplo, recebeu o nome de República.

No Rio Grande do Sul, a transição da Monarquia para a República gerou sérios conflitos.
Ao término da “Revolução Federalista” ou “Revolução da Degola” (1893-1895), o Partido
Republicano Rio-Grandense (PRR) se tornou hegemônico na, então, Assembleia dos
Representantes. Esse confronto fratricida, que dividiu o Estado em pica-paus (lenço branco)
e maragatos (lenço vermelho), deixou o registro funesto de 10.000 mortes. Julio Prates de
Castilhos (1860-1903), líder do PRR, apeou do poder os maragatos, adeptos do Partido
Federalista, liderados pelo político Gaspar Silveira Martins (1835-1901), passando a
orquestrar, com sua batuta, o destino político do Estado, regido por uma Constituição de
inspiração positivista (1891), escrita por ele, que acirrou a oposição política a seu governo.

A abolição dos escravos ocorreu no Rio Grande do Sul, em 1884, quatro anos antes da
assinatura da Lei Áurea (1888). A imprensa esteve presente na campanha abolicionista,
especialmente, A Federação (1884-1937), Órgão do Partido Republicano (PRR), fundado por
Julio de Castilhos, que fez intensa campanha contra o regime monárquico e defendeu a
causa abolicionista. Infelizmente, a abolição dos escravos trouxe a liberdade, porém, não
houve um projeto socioeconômico de inclusão do negro numa sociedade capitalista e
competitiva, restando-lhe, então, a pobreza, subemprego, além do estigma de ex-escravo.

Após a abolição da Escravatura e a implantação da República, em novembro de 1889,
iniciou-se em Porto Alegre um processo de crescimento, do seu perímetro urbano,
empurrando para a periferia os segmentos mais pobres, principalmente, de etnia negra; daí
se originando espaços como a Colônia Africana (Atual Bairro Rio Branco) Areal da Baronesa
e Mont’Serra que se constituíram em locais de resistência cultural negra, principalmente, na
música (samba) e religiosidade ( culto aos Orixás).

Na Cidade Baixa, na Lopo Gonçalves, morou, a partir de 1901, o Príncipe Negro,
Custódio Joaquim de Almeida (1831? -1935), figura ligada à nobreza africana e babalorixá
(sacerdote no culto africano) respeitado, que criava cavalos árabes e falava inglês e francês,
despertando a curiosidade e causando surpresa ou admiração à sociedade da época, que
estava habituada a ver o negro com o esteriótipo de ex-escravo e pobre. Segundo a tradição
oral, na sua residência, O Príncipe Negro vivia os requintes peculiares à nobreza, recebendo

importantes figuras ligadas à política gaúcha a exemplo de Julio Prates de Castilhos (18601903), Borges de Medeiros (1864-1961), Getúlio Vargas (1883-1954), entre outras
personalidades. Além da tradição oral e registros de seu falecimento em jornais da época, o
único documento oficial, que comprova sua existência envolta de mistério e exotismo, é seu
atestado de óbito, registrado na Santa Casa de Misericórdia, em maio de 1935, quando
faleceu com 104 anos de idade.

Em 1887, Porto Alegre, foi uma das primeiras cidades do Brasil a ter luz elétrica. O
cinema (1896), a criação das Faculdades de engenharia (1897), Medicina (1898), Direito (1900)
e, também, o aparecimento do automóvel (1906) e do bonde elétrico (1908) são novidades
vivenciadas, pelos porto-alegrenses, no final do século XIX e durante o primeiro decênio do
século XX. Na área dos esportes, tradicionalmente, representados àquela época pelo turfe e
pelo remo, o porto-alegrense assistiu, também, ao surgimento de duas grandes potências do
nosso futebol: O Grêmio (1903) e o Internacional (1909), a eterna dupla Gre-Nal.

O viajante alemão Schwartz Bernard que visitou Porto Alegre, no início do século XX,
considerou a cidade progressista, aproximando-se do modelo europeu de urbanidade.
Segundo o jornalista e escritor Roberto Rossi Jung, em seu livro O Príncipe Negro, ao iniciar
o século XX, Porto Alegre tinha uma população de 73.274 “almas”. De acordo com a
historiadora Sandra J. Pesavento (1946-2009), o significativo crescimento econômico e
populacional ocorreu devido ao comércio do seu porto e ao fluxo de imigrantes alemães e
italianos, além de ex-escravos que, após a abolição, se voltaram para a capital em busca de
sobrevivência.

A “Ditadura Científica”, inspirada em Augusto Comte (1798-1857), foi implantada, no Rio
Grande do Sul, por Julio Prates de Castilhos e acalentada pelo seu sucessor Borges de
Medeiros, durante a Primeira República (1889-1930). De acordo com o contexto da doutrina
positivista, a antiga Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre se expandiu, cresceu,
alterando gradativamente sua paisagem urbana de característica açoriana.

Uma característica de Porto Alegre é a influência do positivismo, que se faz presente, na
sua arquitetura e estatuária. Nesse período, surgiram imponentes construções que foram
modificando o visual citadino. Um exemplo, bastante apropriado, é a antiga Prefeitura
Municipal que foi construída sob responsabilidade do engenheiro municipal João Cattani,
sendo o projeto do arquiteto veneziano Luiz Carrara Colfosco. Inaugurado, em 1901, o prédio
simbolizava o poder e a consolidação do Partido Republicano e seu ideário positivista. Nesse
local, despachou por mais de 20 anos, o primeiro Intendente (prefeito) eleito por voto direto
José Montaury de Aguiar Leitão (1858-1939). Nessa época, o voto não era secreto e as
mulheres eram excluídas do processo de eleição. O ideal de modernidade na capital gaúcha
se refletiu, na gestão de José Montaury, através da ampliação da rede elétrica, da rede
hidráulica e das linhas de bonde.

Em 1901, ocorreram dois importantes momentos culturais na capital gaúcha: A fundação
da Academia Rio-Grandense de Letras e a realização de uma Exposição Geral, no Campo da
Redenção, exibindo modernas tecnologias e os produtos que moviam a economia do Rio
Grande do Sul. Em 1903, é criado o Museu Julio de Castilhos: primeiro museu do nosso
Estado.

Em 1908, chegava a Porto Alegre o arquiteto alemão Theo Wiederspahn (1878-1952) num
momento que a economia crescia e nosso Estado era considerado o terceiro mais importante
do Brasil. Com o apoio das classes dominantes, Theo Wiederspahn (1878-1952) foi o
responsável por inúmeras construções que modificaram a urbe, tradicionalmente, de
características açorianas. De 1908 a 1930, o mesmo realizou 554 projetos documentados,
entre os quais o prédio, hoje, ocupado pelo Museu de Arte Ado Malagoli (MARGS), e o prédio
onde se encontra instalada, desde 1983, a Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ). No ano
de 1909, chegava a Porto Alegre, vindo da França, o arquiteto, Maurice Gras, que assinou o
contrato para a construção do Palácio Piratini.

No início do século XX, os operários se organizavam, politicamente, enquanto classe,
buscando melhores condições de vida. O anarquismo e o socialismo, através da pregação
ideológica, disputavam, entre si, adeptos na luta para construir uma sociedade mais justa e
igualitária.

Em 1906, Francisco Xavier da Costa (1871-1934), primeiro negro vereador em Porto
Alegre e introdutor da idéias marxistas entre os operários locais, liderou com Carlos Cavaco
(1878-1961), a primeira Greve Geral no Rio Grande do Sul, reivindicando a jornada de oito
horas de trabalho. De acordo com o pesquisador João Batista Marçal, em 1º/05/1905,
Francisco Xavier da Costa fundou, o Partido Operário Rio-grandense e seu periódico A
Democracia (1905-1908). Durante essa Greve Geral de 1906, conhecida como a “Greve dos 21
dias”, fundou-se a FORGS (Federação Operária do Rio Grande do Sul).

O ideal de modernidade, de acordo com o ideário positivista da elite gaúcha, era refletido
pelo incentivo dado à implantação de indústrias. Nesse contexto surgiram, em Porto Alegre,
nossas primeiras empresas: a Neugebauer (1891), Gerdau (1901) e a Wallig (1904). Ao término
desse primeiro decênio do século XX, o Censo Municipal indicava que Porto Alegre contava
com 2.294 casas de comércio e 154 fábricas.

O modelo burguês europeu do “bem viver” era reproduzido nos espaços de lazer
representados pelas confeitarias, os cafés, hipódromos, associações carnavalescas e o
tradicional “footing” da Rua da Praia, onde os “cidadãos de bem” se exibiam com suas
vestes da moda. Frequentar o Teatro São Pedro, para assistir às companhias líricas, era
sinônimo de status e elegância. O professor e pesquisador, Décio Andriotti, profundo
conhecedor desta temática no Estado, registrou no seu artigo A Música no Rio Grande do
Sul / Uma síntese Crítica: “.. da metade do século XIX até a metade do XX, a ópera foi o
gênero preferido do gaúcho”. Em seus garimpos históricos, ele descobriu, em 1994, na
Biblioteca Pública do Estado, a partitura da Ópera Carmela, apresentada em 1902, da autoria
do compositor gaúcho Araújo Vianna (1871-1916).

Ao final do primeiro decênio do século XX, de acordo com o historiador Moacyr Flores,
no livro RS / Modernidade (1890–1930), a cidade atingia o total de 110.000 habitantes. Em
maio de 1910, o cometa Halley pôde ser observado na sua trajetória, trazendo medo às
mentes mais incautas e ingênuas quanto a um possível “fim do mundo”. No “Ano do
Cometa” (1910), quem governava o Rio Grande do Sul era o médico e político, Carlos
Barbosa Gonçalves (1851-1933), que foi responsável por importantes obras, como por
exemplo, o Palácio Piratini e a Biblioteca Pública do Estado.

O cotidiano de Porto Alegre, seu aspecto socioeconômico e cultural, está impresso nas
páginas de diversos periódicos que fazem parte da história da nossa Imprensa local. No livro
“Tendências do Jornalismo”, do professor Francisco Rüdiger, encontra-se a informação de
que, no início do século XX, havia 142 periódicos (jornais e revistas) no Rio Grande do Sul.
Destacaram àquela época: o Jornal do Comércio, A Federação (1884-1937), A Reforma (18691912), Deutsche Zeitung (1861-1917) Correio do Povo (1895), A Gazetinha (1897-1900) e O
Independente (1900-1923), entre outros periódicos, que registraram o cotidiano da nossa
cidade. O mais antigo jornal em circulação na capital é o Correio do Povo, fundado pelo
sergipano Caldas Júnior em 1º/10/1895, e no interior do Estado é a Gazeta do Alegrete,
fundada por Luiz de Freitas Valle, circulando desde 1º/10/1882.

O Jornal do Comércio (1864 -1911) é considerado o maior periódico que circulou no Rio
Grande do Sul: 49,5 cm x 70 cm. Fundado pelo pernambucano Luiz Francisco Cavalcanti de
Alburquerque, seguia a orientação do Partido Liberal. O mesmo é considerado, pelos
historiadores, um dos mais importantes jornais que circulou àquela época. O periódico
dedicou-se à literatura, comércio e notícias, em geral, e circulou de terças a domingos. Sua
sede se localizava no Largo da Quitanda (hoje Praça da Alfândega). No período de 1891 a
1895, Caldas Júnior (1868 - 1913) foi seu redator-chefe. Aquiles Porto Alegre (1848 - 1926)
dirigiu o periódico de 1884 a 1888. Em 1892, o mesmo se tornou proprietário do jornal. Em
1899, Germano Hasslocher Filho (1862-1911) foi, também, seu redator-chefe. É fundamental
que se registre a valiosa contribuição de Aurélio Veríssimo de Bittencourt (1849-1919), no
período de 1903 a 1911, e do jornalista alemão Carlos Von Koseritz (1834-1890), entre outros
nomes, que ajudaram a construir a história desse importante periódico gaúcho. Segundo o
historiador Sérgio da Costa Franco, no seu livro ”Gente e Espaços em Porto Alegre”, quando
finalizou o século XIX, o Jornal do Comércio disputava, com seu rival o Correio do Povo, o
título de ser o periódico de maior tiragem e circulação no Rio Grande do Sul.
É do consenso dos pesquisadores, acerca da história de Porto Alegre, que os registros
jornalísticos de época são indispensáveis no resgate histórico da cidade nos seus mais
diversos aspectos.

* Coordenador do Setor de Imprensa - Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa

II - Aquiles José Gomes Porto-alegre
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Aquiles José Gomes Porto-alegre
Nascimento

29 de março de 1848
Rio Grande

Morte

21 de março de 1926 (77 anos)
Porto Alegre

Nacionalidade
Ocupação

Brasileiro
Jornalismo

Aquiles José Gomes Porto-alegre[1] (Rio Grande, 29 de março de 1848 — Porto
Alegre, 21 de março de 1926) foi um escritor, jornalista, funcionário público e educador
brasileiro.
Em Porto Alegre estudou no Colégio Gomes e na Escola Militar. Irmão de Apelles e
Apolinário Porto-Alegre, fundou com eles a Sociedade Pártenon Literário e, com o
irmão Apolinário, fundou o Colégio Porto Alegre.
Exerceu diversas funções públicas: foi capitão, telegrafista, funcionário do Tesouro,
inspetor escolar e professor.
Foi um dos precursores da crônica moderna na literatura gaúcha, publicando diversas
obras sobre a cidade de Porto Alegre entre os anos de 1915 e 1925.
Jornalista, fundou e dirigiu o Jornal do Commercio (1884 a 1888), onde assinou
diversas crônicas com o pseudônimo Carnioli, e de onde seu genro, Caldas Júnior, saiu
para fundar o Correio do Povo. Também dirigiu o jornal A Notícia, 1896.
Em 25 de março de 1883 o Jornal do Commercio declarou não mais aceitar anúncios
sobre fuga e negociação de escravos, sendo o primeiro jornal porto-alegrense defensor
da libertação dos escravos.[2]
Foi sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e da
Academia Rio-Grandense de Letras.

[editar] Obras







Homens ilustres do Rio Grande do Sul, 1916
Vultos e fatos do Rio Grande do Sul, 1919
Através do passado (crônica e história), 1920
Flores entre ruínas, 1920
Noutros tempos (crônicas), 1922
Noites de luar, 1923
Palavras ao vento, 1925
História Popular de Porto Alegre, 1940 (póstuma)

Notas e Referências
1. ↑ Pela grafia arcaica, Achylles Joze Gomes Porto-alegre.
2. ↑ Sousa Docca, Emílio Fernandes de, História do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro:
Edição da Organização Simões, 1954. Página 389.

[editar] Bibliografia

Franco, Sérgio da Costa, Guia Histórico de Porto Alegre (4a. ed.). Porto Alegre: Editora
da Universidade (UFRGS), 2006.
Histórias e memórias da cidade nas crônicas de Aquiles Porto Alegre (1920-1940) Charles Monteiro (em português)

I
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II – APRESENTAÇÃO POÉTICA DA CIDADE
O Mapa
Mário Quintana

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,

Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu
____
MÁRIO QUINTANA é, por excelência, o poeta portoalegrense. Eis sua biografia:

Mário Quintana - Biografia
www.releituras.com/mquintana_bio.asp - Em cache
13 jan. 2011 – Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de
internato, no ano de 1919. ... Em 1939, Monteiro Lobato lê doze quartetos de Quintana
na ..... MORGAN, Charles. Sparkenbroke. Porto Alegre: Globo, 1941. ...

III – CARTÃO POSTAL : RUA DA PRAIA

Acesse
http://www.facebook.com/home.php?re
f=hp.
Manifesto Rua da Praia
O presente movimento busca um profundo resgate. O da valorização da manifestação popular.
Buscamos, com um movimento criado por cidadãos de Porto Alegre recuperar, agora, de forma oficial, o
nome RUA DA PRAIA para, senão a mais importante e significativa via de nossa cidade, àquela que está
mais presente na mente dos munícipes da Capital dos gaúchos.
Para isso, recuperamos abaixo alguns momentos importantes da história e cultura que, ao longo dos
anos se refere à Rua da Praia. Da mesma forma, com isto, justificamos nosso desejo de termos o
batismo oficializado, a exemplo de tantas outras vias de Porto Alegre.
Em sua obra, após uma descrição da oficial Rua dos Andradas, o historiador Sérgio da Costa Franco,
assim se refere: “Na toponímia antiga, da extremidade ocidental da península até a atual Rua General
Câmara, a Rua dos Andradas denominava-se "da Praia"; daquele ponto para cima, "Rua da Graça". O
cronista Pereira Coruja, em suas Antigualhas, registra que "0 povo não engraçou com o nome de “Rua

da Graça", terminando por generalizar a da Praia, em toda a sua extensão. Nas escrituras dos
tabelionatos e nos papeis da Câmara Municipal, fala-se em Rua da Graça pelo menos ate o final da
Revolução Farroupilha.
Assim, chegamos a uma curiosa conclusão, a de que aquela que é consagrada no imaginário popular que
ultrapassa, certamente, a mais de dois séculos, todos os obstáculos legais para ser soberana na mente e
corações dos porto-alegrenses, na verdade, oficialmente, nunca se chamou Rua da Praia.
E é exatamente por isso, e sem qualquer demérito à família dos Andradas, que emprestou em
determinado momento, no aniversário da independência do Brasil, pelo requerimento dos vereadores
Francisco José Barretto, João Carlos Bordinie Felisberto Antônio de Barcelos, nos idos 1865, que agora,
por justiça à vontade popular, requeremos que a denominação oficial, seja Rua da Praia.
Quem conhece fora de nossa cidade a Rua dos Andradas? Ao contrário, muitos já ouviram falar na Rua
da Praia, local de encontros, diversão, negócios, onde circulam diariamente milhares de pessoas. Quem,
não se utilizou da frase: estou indo ao centro, na Rua da Praia pagar uma conta, ou fazer umas
compras, ou ir à Casa de Cultura Mário Quintana, na Praça da Alfândega, que anualmente abriga a Feira
do Livro.
Em 2011 completam-se 146 anos desde que a denominação de Andradas foi oficializada - e, mesmo
assim, a Rua da Praia sobreviveu incólume, soberana, na mente dos porto-alegrenses e gaúchos, sendo
assim a referência para turistas que aqui chegam. Pois bem, é então contraditória essa situação. Quem
se acorre dos guias de endereços provavelmente não compreende essa ausência. A procura incessante
pode, até, causar confusão.
E para comprovar essa linha de raciocínio, que nos socorremos de muitos intelectuais, escritores,
poetas, jornalistas, artistas. Rafael Guimarães em seu magnifico livro Rua da Praia – Um passeio no
Tempo, Editora Libretos, se refere ao nome dessa forma: “Em 1843, quando as vias recebem suas
primeiras placas, tudo passa a ser Rua da Praia, em 1865, num arroubo patriótico, a Câmara aprova o
novo nome, Rua dos Andradas, em homenagem a José Bonifácio, o “Patriarca da Independência” e seus
irmãos. Para o povo, no entanto, ela será sempre Rua da Praia. E para os críticos ao resgate da Rua da
Praia e defensores da homenagem aos Andradas, respondemos com a existência da já denominada
Avenida José Bonifácio, uma importante via da cidade, no bairro Bom Fim, um dos mais tradicionais da
cidade, que homenageia o “Patriarca da Independência”.
José Cândido Gomes, que, sob o pseudônimo de "O Estudante", publicava crônicas semanais no jornal
Mercantil a partir de 1852, já glosava as particularidades e singularidades da Rua da Praia. Zeferino
Brazil, Aquiles Porto Alegre e quase todos os cronistas da cidade Ihe dedicaram cronicas. Érico Veríssimo
ali situou vários episódios de seus romances. Nilo Ruschellhe dedicou um livro especifico, e Renato
Maciel de Sá Júnior publicou três series de Anedotário da Rua da Praia que se transformaram em bestseller.
Pois é a Rua da Praia cantada em versos. Fonte de inspiração, segundo o compositor carioca Tito Madi
que canta a Rua dessa forma: Rua da Praia, Eu vim para procurar minha saudade, Pra ver se encontro
na verdade, Aquela que vivi........
Já João Palmeiro e Ivaldo Roque em Outubro 18h dizem, Vou pela calçada, Porto Alegre à tarde, Quase
ao anoitecer, Os cinemas chamam para ver, As vitrines vão acender, Gente com pressa, Ora para quê,
Vou atravessando a Rua da Praia despreocupado. E o grande sucesso, porém, foi de Alberto do Canto
em Rua da Praia: Rua da Praia que não tem praia, que não tem rio, Onde as sereias andam de saias e
não de maiô. Rua da Praia do jornaleiro, do camelô, Do Estudante que a aula da tarde gazeou.....
Não menos do que o nosso imortal Moacir Scliar, em histórias de Porto Alegre, Editora LPM, cita alguns
personagens da Rua Praia, e vai adiante quando diz que “A Rua da Praia, sempre foi o coração de Porto
Alegre”. Assim como Luís Fernando Veríssimo, no Traçando Porto Alegre, Editora Arte e Oficio, também
sucesso editorial, refere Porto Alegre, como a Mal entendida, “A rua principal da cidade não existe. Você
rodará toda a cidade à procura da Rua da Praia e não a encontrará”... “Finalmente, desconfiado de que a
Rua Principal só pode ser aquela que concentra a maior parte do tráfego de pedestres no centro, você
consultará a placa e lerá “Rua dos Andradas”. Mas ninguém a chama de Rua dos Andradas, chamam
pelo nome antigo de Rua da Praia”.
Portanto, o nome Rua da Praia, é mais significante para nossa população, já que é a voz do povo,
aqueles que são os legítimos donos dessa cidade, que estão acima de governos, partidos políticos,
famílias tradicionais ou não, está além, até mesmo do sentido poético, pois é parte petrificada no cerne
da nossa cultura popular.
É dessa maneira que propomos, ao comemorarmos os 239 anos de Porto Alegre, que lançamos esse
movimento a fim de corrigir o que entendemos ser uma falha cometida há quase 146 anos, que se
colocou na contramão da vontade dos cidadãos e denominou a principal rua da cidade com um nome
que, na verdade, não a representa até hoje. Devolvamos ao povo aquilo que ele consagrou, a Rua da
Praia.

POA 23 março 2011 - www.previdi.com.br

A Rua da Praia vai voltar!!

WWW.previdi.com.br

-

Quarta, 23 de março de 2011

Em 1987 fiz um jornal, com mais dois amigos, chamado “Rua da Praia – Jornal do
Centro”. Terminou no ano seguinte, mas fizemos uma barulheira danada. A cada edição
uma surpresa. Fizemos a primeira grande entrevista com o então deputado Sérgio
Zambiasi – quatro páginas –, uma série sobre travestis da Farrapos, a cobertura informal
do assassinato do Daudt e muitas outras. Não sei o motivo de pararmos – e não foi falta
de patrocínio, porque tínhamos apenas grandes anunciantes.
Uma das matérias com mais repercussão foi a que defendia a troca da Rua dos Andradas
(Arghh!!) por Rua da Praia. Tinha o apoio de todos os vereadores e inclusive um projeto
foi apresentado. Mas morreu na casca, porque as empresas instaladas na rua alegaram
que teriam que trocar toda a documentação, por exemplo. Fora a correspondência.
Ficou por isso mesmo, e continuamos homenageando esses irmãos metralha, os
Andradas. Os caras entraram para a história como bandidos e os porto-alegrenses
homenageiam essa corja. Dá para entender?
----Já publiquei várias matérias e artigos sobre o movimento que o Machado Filho e o
Paulo Pruss estão liderando para voltar o nome original da nossa primeira rua. Ontem
recebi o longo Manifesto Rua da Praia, do Paulo Pruss. Está no Ferro e Mais Ferro.
E hoje, o Milton Gerson mandou uma matéria mais resumida, que “cabe” bem nesse
espaço.
Leia:
Aproveitando a Semana de Porto Alegre, que comemora os seus 239 anos de fundação,
e o forte discurso em defesa da revitalização do Centro da Capital, um movimento
liderado por intelectuais, jornalistas e cidadãos da cidade quer oficializar o nome de Rua
da Praia na via pública considerada, senão a mais importante, a mais lembrada pelos
porto-alegrenses. A primeira via da cidade.
Os idealizadores, Paulo Pruss e Machado Filho, contam que a iniciativa tomou corpo a
partir da postagem de uma chamada na página criada no facebook (Porto Alegre
Personagens). A partir daí começaram as manifestações de apoio. Agora outros
jornalistas, intelectuais, historiadores e cidadãos em geral estão sendo convidados a
erguer a bandeira em defesa da Rua da Praia.
A Rua da Praia, na verdade é o nome popular que era utilizado por cartórios antes da
primeira metade do século 18. Em 1865, quando a Câmara Municipal ainda não
legislava – as leis municipais só iniciaram após 1892, com a proclamação da República,
em 1889 – vereadores da Capital registraram em ata o requerimento para que a via
passasse a ter a denominação dos Andradas.
Ocorre que, passados mais de 146 anos desse fato a força do desejo popular se
demonstrou maior e o nome Rua da Praia é aquele que permanece presente na mente e
corações dos porto-alegrenses e gaúchos. A Rua da Praia é cantada em verso e prosa,
abriga importantes ícones da cidade, como a Praça da Alfândega, o Clube do Comércio,
a Casa de Cultura Mário Quintana, a Igreja das Dores, entre outros.
Não há quem não faça referência a denominação popular, em detrimento daquela que
consta nas placas indicativas. Isto confunde nossos turistas, que muitas vezes são
induzidos ao erro, já que, por obvio, não a encontram em mapas e guias oficiais.
Assim, por essas e outras razões, um manifesto foi lançado na Internet durante a
Semana de Porto Alegre - que comemora 239 anos no dia 26 de março. O objetivo é
ganhar as ruas para consolidar em lei o que até então era apenas um desejo inconsciente

da população.
Segundo os idealizadores do movimento, esse é apenas o começo. "Queremos debater o
tema em uma audiência pública, envolvendo historiadores, intelectuais, jornalistas e
demais interessados", disse Pruss.
Quer ter uma ideia do debate na rede social?

RUA DA PRAIA
Marilene Machado IN “ Xirua”, Apresentação de Luiz Coronel, POA, 1984

Bombacha alguma,
aventa tuas crinas,
nenhuma bota,
de garrão de potro,
arranha tuas esquinas,
nem tampouco
algum trote de potranca,
se esfrega nas tuas ancas.

Cancha reta, despilchada,
quando andejo por cima de ti,
às vezes até que gosto,
do entrevero dos bolichos,
mas assisto,
a tantos estrangeirismos
nos costados das calçadas,
estragando o paisagismo,

e a história da gauchada.

Te internacionalizaram,
e até a gurizada
está desgauchizada,
e se maneia e se assusta,
e se maneia e assusta,
ao ver alguma bombacha,
chiripá, chapéu tapeado,
na beira das tuas fuças,
rua gaudéria gaúcha,
tão pequerrucha,
tão povoada,
prostituta,
mal-amada.

Hoje quando te avistei,
e me entreverei em ti,
sem mais te reconhecer,
resolvi, juro por Deus,
te amadrinhar, de ponta-a-ponta,
e depois, te dizer adeus!

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HHIISSTTÓÓRRIIAA U UNNIISSIINNOOSS VVool.l .8 8 NNº º1 100 JUJULL/D/DEEZZ p2. 08014-96

Histórias e memórias da cidade nas crônicas de
Aquiles Porto Alegre (1920-1940)
Charles Monteiro*
http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/stories/sumario_historia/vol10n8/11h
istorian10vol8_artigo05.pdf
Resumo
As crônicas de Aquiles Porto Alegre, escritas entre 1915 e 1925 e selecionadas por Deusino
Varela em 1940, elaboravam a memória de uma “outra” cidade: a velha Porto Alegre. Nessas
crônicas era lembrada a pequena e pacata cidade do século XIX, com aspectos interioranos,
que podia ser percorrida a pé, onde os habitantes se conheciam e os nomes das ruas eram dados
pelos seus moradores.
Entre a história e a literatura, estas crônicas tinham um tom nostálgico e buscavam perpetuar a
memória de uma cidade menor, social e culturalmente menos complexa diante de um presente
instável e em rápido processo de mudança.
Palavras-chave: memória, crônica, Porto Alegre, cultura urbana,memorialistas, Aquiles Porto
Alegre.
Professor do curso de História e no Programa de Pós-Graduação em História da
PUCRS. Mestre em História pela PUCRS e doutor em História pela PUCSP.
E-mail: monteiro@pucrs.br
*

Porto Alegre e suas escritas. Histórias e memórias (1940 e 1972).
Charles Monteiro

Tese de Doutorado em História Social. Programa de Estudos Pós-Graduados em
História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 459 p. 2001

CRÔNICAS AVULSAS
Domingo no Brique - Crônica – 23 04 2006
Por Scyla Bertoja*
Apesar de morar em Porto Alegre há trinta e três anos, eu jamais havia
visitado o famoso Brique da Redenção, o que fiz hoje por sugestão de um
amigo. Solitária em meio à multidão que se acotovelava entre os estandes de
exposição e venda das mais variadas formas de artesanato, comecei a ver
pessoas com caras de domingo, expressões relaxadas, rindo alto entre
comentários com seus acompanhantes. Grupos de mulheres maduras alegres
em seus trajes esportivos colados aos corpos esguios malhados e carentes de
glicídios, lipídios e carboidratos. Pensei: Como elas conseguem nessa idade?
Possivelmente a genética me daria uma resposta satisfatória. E a nutricionista
me daria um programa especial para ficar igual a elas. E, claro, eu morreria poucos dias após
iniciada a dieta.
Encontrei conhecidos que não me reconheceram, e outros que agarrei, literalmente, para que
notassem que eu era eu. Abracei gente querida, almocei com parentes, comprei alguma coisa
antiga e voltei para casa cansada.
Nada como a grande janela do décimo andar para reafirmar convicções relativas à imensa graça
de estar viva. Mas não é tão simples assim.
O sol se pôs. Hoje, de modo especial. Aquarela inimitável e fugaz. Fui rápida. Providenciei o fundo
musical adequado, meu sonho recorrente, trilha sonora de Manhattan (Woody Allen), Gershwin.
Observei todos os detalhes do trabalho da natureza desmontando o cenário da tarde, ao mesmo
tempo em que, não sei de onde, surgia delicada e célere, a noite. A rapsódia azul injetava
encantamento em minhas veias atrofiadas pela rotina de quem vive à espera. Enlouquecida pela
presença das lembranças, dancei pela sala, esquecida do tempo e da minha realidade. Naquele
momento só havia acordes, ritmos, melodia. Lá fora o manto negro se instalara e a lua e as
estrelas pálidas de espanto não conseguiam despregar seus olhos iluminados da cena insólita que
eu lhes oferecia.
Quando a música terminou, caí exausta sobre a poltrona e comecei a chorar. A lâmina brilhava
sobre a mesa, mas não tive forças para alcançá-la. Mariposa estonteada pela profusão de luz, asas
chamuscadas, cansada de dançar, desisti. Quem sabe num próximo pôr de sol, quando a loucura
voltar com as cores do crepúsculo derradeiro.
*SCYLA REGINA BERTOJA BATTISTI é Licenciada em Letras pelo UNIRitter, com Especialização na
FAPA. Nasceu em Júlio de Castilhos (RS), morando em Porto Alegre há mais de trinta anos. Possui
textos publicados em revistas, jornais, coletâneas e antologias. Assina colunas no site VMD, de
Vânia Moreira Diniz, no Jornal ECOS (do Mundo Lusófono), no site da Comunidade MAYTÊ e

colabora com o Informativo ORIUNDI. Lançou o livro Crônicas em outubro/2005.

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pwcidadao/default.php?reg=15&p_secao=155

PORTO ALEGRE : A mal entendida
Luiz Fernando Veríssimo
http://literal.terra.com.br/verissimo/nas_cidades/tracando/tracando_portoalegre_m
alentendida.shtml?ascidades

Porto Alegre vive à beira de alguns mal-entendidos.
Para começar, vive à beira de um rio que não é rio. O Guaíba é um estuário, ou
como quer que se chame essa espécie de ante-sala onde cinco rios se reúnem para
entrar juntos na Lagoa dos Patos.
Mas todos o chamam de Rio
Guaíba.
A rua principal da cidade não
existe. Você rodará toda a cidade
à procura da Rua da Praia e não a
encontrará. Usando a lógica - o
que é sempre arriscado, em Porto
Alegre - procurará uma rua que
margeia o rio (que não é rio), ou
que comece ou termine numa
praia. Se dará mal. Não há praias
no centro da cidade, e nenhuma
rua ao longo do falso rio se chama
"da praia". Finalmente,
desconfiado de que a rua principal
só pode ser aquela que concentra
a maior parte do tráfego de pedestres no centro, você consultará a placa e lerá
"Rua dos Andradas". Mas ninguém a chama de Rua dos
Andradas, chamam pelo nome antigo, Rua da Praia. Por que da praia? Ninguém
sabe. Só se sabe que ela vai da Ponta do Gasômetro, que não é mais Gasômetro,
até a Praça Dom Feliciano, que todos chamam Praça de Santa Casa, passando pela
Praça da Alfândega, que já foi praça Senador Florêncio, mas voltou a ser Praça da
Alfândega porque ficava na frente da Alfândega - que não existe mais.
Confuso, você talvez entre no prédio da prefeitura para pedir satisfações, só para
descobrir que entrou no prédio errado. Existe outra prefeitura, a nova, atrás da
velha, que por sua vez tem na frente uma praça chamada não Porto Alegre mas
Montevidéu.

Na prefeitura certa talvez lhe digam para ir se queixar ao bispo, tendo que, para
isto, subir a Rua da Ladeira até a Praça da Matriz, onde fica a Catedral. Desista.
Você não encontrará a Rua da Ladeira, que hoje se chama (só ela se chama,
porque ninguém mais a chama assim) General Câmara, e a Praça da Matriz na
verdade é a Praça Marechal Deodoro, embora poucos porto-alegrenses saibam
disto.
A única vantagem de toda esta confusão é que você precisará de muito tempo para
ir decifrando Porto Alegre, ao contrário do que acontece em cidades previsíveis e
sem graça como Paris, Roma, etc., onde tudo tem o mesmo nome há séculos - e ir
degustando-a aos poucos. Acho que não se decepcionará.
Vencidos os primeiros mal-entendidos e localizada, por exemplo, a “Praça da
Matriz”, você pode fazer uma visita ao Theatro São Pedro, um dos orgulhos da
cidade com seu prédio em estilo barroco português e sua pequena platéia em forma
de ferradura. Há quem diga que é o teatro mais bonito do Brasil. Certamente é o
mais bem cuidado. Inaugurado em 1858, esteve fechado por uns tempos e foi
magnificamente restaurado para sua reinauguração há poucos anos. Da sacada do
seu primeiro andar, onde ficam o foyer e o café, você pode olhar a Praça de cima.
Se tiver sorte, os jacarandás estarão florindo. Do outro lado da praça estão a
Catedral e o palácio do governo estadual, ou Palácio Piratini, esse no estilo
neoclássico francês. Duas coisas surpreendem alguns visitantes em Porto Alegre
pela quantidade insuspeitada: a arquitetura neoclássica e os jacarandás.
Saindo do Theatro São Pedro você pode aproveitar para dar uma olhada na
Biblioteca Pública (outro exemplo do estilo neoclássico), e principalmente uma
espiada no seu Salão Mourisco, ricamente decorado. Desça a Rua da Ladeira. Está
bem, a General Câmara. Você chegará ao chamado Largo dos Medeiros e a outro
mal-entendido municipal. O largo tem este nome extra-oficial em homenagem a um
café que tinha ali e não tem mais. Não, não se chamava Café Medeiros, os donos é
que se chamavam assim. Não importa, vire à esquerda e siga pela Rua da Praia dos Andradas! dos Andradas! - passando a Praça da Alfândega, onde todas as
primaveras se realiza a famosa Feira do Livro de Porto Alegre.
Depois de uma curta caminhada você chegará ao antigo Hotel Majestic, hoje
belissimamente transformado na Casa de Cultura Mario Quintana, com teatros,
cinemas e salas para cursos e exposições. Vale a pena entrar para ver o que foi
feito do velho hotel e ir até o Café Concerto na sua parte superior, ou então deixar
para voltar lá na hora do pôr-do-sol. Um pouco mais adiante na mesma Rua da
Praia, à sua esquerda, você verá a igreja Nossa Senhora das Dores, com uma
grande escadaria na frente. A fachada e a escadaria são iluminadas à noite, é uma
das bonitas visões da cidade.
Volte pela mesma Rua da Praia em direção ao centro. Ao chegar à Avenida Borges
de Medeiros, pegue a esquerda e desça até o Mercado Público, perto da prefeitura e
da já citada Praça Montevidéu, onde está a graciosa Fonte de Talavera de la Reina,
um presente da comunidade espanhola à cidade. Passeie dentro do mercado e veja
as suas "bancas" especializadas, como a que vende vários tipos diferentes de erva
para o chimarrão. Os morangos com nata batida da Banca 43 são famosos.
O pôr-do-sol não pode ser reivindicado como atração turística de Porto Alegre, já
que tecnicamente ele acontece fora dos limites estritos do município, mas saber se
colocar para assisti-lo é uma das artes da cidade. O novo Café Concerto, na cúpula
do antigo Hotel Majestic, com uma vista desimpedida do “rio” e do poente, já tem
seus adeptos, mas o ponto tradicional dos crepusculistas é o mirante do Morro de
Santa Teresa. Você precisará de transporte para ir do centro até lá e se for de táxi,
para evitar outro mal-entendido, diga ao motorista que quer ir ao “Morro da

Televisão”. Do mesmo mirante você terá a melhor vista da cidade, cuja topografia
já foi comparada à de São Francisco na Califórnia. E verá, lá embaixo, o imponente
estádio do grande Sport Club Internacional.
Outro bom lugar para se olhar a cidade e o pôr-do-sol é o Morro do Turista. Para
chegar lá você precisa pedir para ser levado ao Morro da Polícia. É o mesmo morro.
Aos domingos pela manhã, boa parte da população de Porto Alegre vai ao “Brique
da Redenção”, assim chamado porque fica no Parque Farroupilha. Calma. O Parque
Farroupilha, um dos maiores parques urbanos do mundo, é conhecido pelos portoalegrenses como Parque da Redenção. Ou, sucintamente, “a Redenção”. “Brique”,
na língua gaúcha, é o encurtamento de “briqueabraque” e é uma feira de
antigüidades em que tudo, até revista da semana passada, é considerado
antigüidade. Mas em meio às porcarias assumidas, há louças e pratarias, livros
valiosos, selos e moedas e principalmente muita gente vendendo, comprando ou só
passeando.
O parque se chama Farroupilha em homenagem à revolução do mesmo nome que
os gaúchos fizeram em 1835 contra o império, proclamando a República Riograndense. Mas, embora todo mundo aqui hoje comemore a insurreição, Porto
Alegre manteve-se fiel ao governo central e por isto mereceu o título de “leal e
valorosa cidade” conferido pelo imperador Pedro II, e que está no seu brasão.
Outro mal-entendido.

Acesse
http://www.facebook.com/home.php?re
f=hp.

IV – CRÔNICA E MEMÓRIA

CRONICAS DO LIVRO ‘SOBRE PORTO
ALEGRE’ –
Coletânea – Coord. De Carlos Augusto Bissón
Ed. da Universidade (UFRGS) – Secretaria de Cultura do RS
POA - 1993

Os mistérios de Porto Alegre
Moacyr Scliar

Porto-alegrense de nascimento (figura rara; como em outras cidades
brasileiras, a população de Porto Alegre é formada principalmente por gente
vinda do interior) e um apaixonado pela capital gaúcha, sempre fiz dela temas
de artigos e crônicas — além de cenário para ficção. Há alguns anos, a RBS
pediu-me uma coletânea de meus textos sobre o tema. A organização não deu
muito trabalho; a escolha do título, sim. Acabei optando por Os mistérios de
Porto Alegre. No começo, nem sabia bem o porquê, mas ao longo dos anos fui
concluindo que a escolha até podia ser fruto de uma súbita, e bem-vinda,
intuição.
Porto Alegre é uma cidade misteriosa. Não no sentido gótico, sinistro, do
termo. Os mistérios de Porto Alegre são, bem, mistérios porto-alegrenses:
pequenos, encantadores mistérios. São historinhas, são lugares, é o jeito de ser
de uma cidade fundada por sessenta casais açorianos — quando? Bem, aí está
o primeiro mistério. Durante décadas, discutiu-se o ano da fundação de Porto
Alegre, Falava-se em 1744, falava-se em 1772. Essa última data acabou
prevalecendo, acho que mais por exaustão do que por qualquer outro motivo.
Os açorianos inspiraram o primeiro nome da cidade, Porto dos Casais.
Porto, porque a cidade fica às margens do Guaíba (outra discussão: o Guaíba
é um rio? É um lago, formado pela confluência dos cinco rios que nele
desembocam? E um estuário?). O rio condiciona muito a vida porto-alegrense.
Pelo rio chegavam os pequenos navios, trazendo os emigrantes (esta é uma
cidade de alemães, italianos, de eslavos) ou as frutas do vale do Taquari. O rio
substitui o mar que está longe; e, finalmente, o rio é responsável pelo panorama
que se avista dos numerosos morros sobre os quais se derrama a cidade,
panorama que é particularmente bonito ao crepúsculo, quando o sol incendeia
as águas e o céu — fazendo com que Mario Quintana escrevesse, extasiado:
"Céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o céu?".
A beleza misteriosa de Porto Alegre. Esta não é uma idade que se desvenda
de súbito ao visitante, que se revela numa pujante beleza natural, como o Rio
ou Salvador. Porto Alegre a gente tem de descobrir aos poucos; é uma
metrópole, sim, mas uma metrópole provinciana, tímida. Começa-se pelo

centro, pela Rua da Praia, naturalmente. Depois caminha-se pela Praça da
Alfândega e os estranhos, fascinantes prédios que a guarnecem. O art-noveau
porto-alegrense foi obra de construtores alemães e resultou de um insólito
sincretismo, uma combinação de elementos europeus e brasileiros. Aliás, essa
combinação pode ser vista em outros lugares. Na Biblioteca Pública, há
esfinges e arabescos, símbolos positivistas e ferro trabalhado. No Parque
Farroupilha, inaugurado em 1935 para comemorar o centenário da Guerra dos
Farrapos, há um templo japonês em miniatura, um pseudo vulcão, um minizôo.
Essa mistura chega às raias do kitsch, mas fala muito de Porto Alegre. Como
falam seus bairros: o Alto da Bronze, com seus casarões antigos; Moinhos de
Vento, com suas residências aristocráticas; Petrópolis, o bairro da classe
média; e o Bom Fim, onde nasci e me criei, e que era, em minha infância, uma
aldeia judaica da Europa Oriental perdida, como uma espécie de Chinatown, no
meio da cidade: as ruas cheias de gente, os vendedores ambulantes
apregoando suas mercadorias, as gordas matronas falando mal da vida alheia
ou correndo atrás de seus magros rebentos com um prato de comida.
E grande parte dos mistérios de Porto Alegre está no seu imaginário, nas
histórias que fizeram o encanto da minha meninice, embora muitas delas façam
parte deste inconsciente coletivo que parece ser comum a muitas cidades.
Assim, por exemplo, a lenda do cabaré das normalistas. Diziam que as
comportadas moças, saindo da escola onde estudavam, não iam para casa,
mas seguiam para um misterioso cabaré onde mudavam de roupa e, muito
maquiadas, entregavam-se por inteiro à sua lascívia. O endereço desse
excitante estabelecimento era um segredo ao alcance apenas de uns poucos
eleitos. Falava-se de um ou dois choferes de praça que, por muito dinheiro,
conduziriam até lá os seus passageiros. Confesso que nem tentei, mesmo
porque bordéis não faltavam à cidade; num estado povoado (ao menos no
início de sua história) por homens que conquistaram a terra aos espanhóis,
havia falta de mulheres, uma necessidade suprida pelos cabarés e pelas casas
de tolerância.
Descobrir os mistérios de Porto Alegre: eis a tarefa que me propus, desde a
infância, e que não concluí — e nem vou concluir. Diferente de Teseu, e à
semelhança de Walter Benjamin, gosto de me perder nos labirintos da

memória e da fantasia, que, em minha imaginação, se confundem com as ruas
de Porto Alegre. E, sem pressa de chegar, eu os percorro quase que
diariamente. Guia-me não o fio de Ariadne que socorreu o herói grego, mas o
fio da emoção, que nunca se desfaz.

Nós, os porto-alegrenses
Carlos Augusto Bíssón

Já é lugar-comum. Porto Alegre não tem as belezas naturais do Rio e de
Salvador. Muito menos a grandiosidade e o variadíssimo leque de serviços de
São Paulo. E como a ausência de referenciais nítidos faz com que só
consigamos avaliar a capital do Rio Grande do Sul por comparação, pode-se
dizer que, como espaço urbano, Porto Alegre não tem sequer o charme e a
organização impecável de Curitiba. Até exageram nossa falta de atrativos. A
atriz cinematográfica italiana Valéria Golino (Rain Man, Top Gang I e II), que
esteve aqui, disse à revista SET que tinha conhecido "a cidade mais feia do
Brasil”...
A falta de um perfil definido que tome a cidade chamativa chega a criar
situações curiosas. Há quem diga, por exemplo, que a capital gaúcha tem
potencialidades turísticas inexploradas. Cidade à beira das águas, Porto Alegre
preferiu isolá-las através de um muro em vez de criar uma estrutura de lazer
que aproveitasse essa paisagem privilegiada. A maioria de nossos conjuntos
arquitetônicos de valor histórico e estético foram postos abaixo pela febre
modernizadora dos anos 50, 60 e 70. O que restou (Theatro São Pedro, prédio
da Tumelero em frente à rodoviária, etc.) é muito bonito, mas não em número
suficiente para atrair visitantes. O mesmo se pode dizer do tão decantado pôrdo-sol nas águas do Guaíba, fenômeno rotineiro num país onde as grandes
cidades ficam no litoral. O que fazer, então, para entreter os que nos visitam?

Com o objetivo de contribuir para a resolução do impasse provocado pela
ausência do que mostrar em Porto Alegre, o vereador Airto Ferronato (PMDB)
apresentou projeto de lei, que obriga a inclusão dos cemitérios no roteiro das
agências que trazem turistas a Porto Alegre.
Foi, corno já disse, uma proposição curiosa, mas não desprovida de mérito — o
cemitério de Pére Lachaise (Paris) é muito visitado por nele estarem
sepultados Chopin, Balzac e Proust, entre outros.Os cemitérios de Porto Alegre
são um verdadeiro museu a céu aberto graças à beleza dos túmulos —
sobretudo os da Santa Casa, que abrigam personalidades de relevo na história
gaúcha, como Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado e Maurício Cardoso. Sem
dúvida, neles estão e estarão enterrados o que de melhor a cidade tem a
oferecer: os próprios porto-alegrenses, seja por nascimento ou adoção.
Excentricidades à parte, quando se diz que a capital tem mistérios que não se
desvendam na superficialidade do primeiro olhar, quando se mencionam as
milhares de histórias vividas no Centro, no Bom Fim ou na Azenha, não se está
falando de concretude gélida dos monumentos e prédios de Porto Alegre. É o
fator humano que está sendo sugerido nessas divagações. A partir disso, o que
entra em cena aí é o impalpável, o imponderável e o invisível "cosido pela
agulha da imaginação", conforme Machado de Assis em outro contexto, e que
não pode ser fotografado e mumificado em estatísticas. É o jeito da cidade
expresso em sua gente, na qualidade dos que nela habitam.
E o que é ser porto-alegrense? Alguns já formularam conceitos, outros negam
a existência de tal tipo. Como gosto de arriscar opiniões, vou me filiar aos
primeiros. Talvez a essência da gente de Porto Alegre esteja num misto de
timidez e leve ironia, que cumpre o papel de filtrar a acidez do espírito crítico e
a belicosidade do gosto pela polêmica. Um pouco como os textos de Luis
Fernando Veríssimo e a poesia de Mario Quintana, não por acaso as duas
personalidades mais representativas e festejadas da cidade.
Esse comportamento indubitavelmente contido pode ser a forma de Porto
Alegre se diferenciar tanto da propalada (no centro do País) arrogância dos
gaúchos — notadamente os da fronteira — quanto dos modelos culturais
descarregados por Rio e São Paulo via televisão. Ou, então, é resultado do fato

de que em cada três porto-alegrenses que trabalham pelo menos um é
funcionário

público

municipal,

estadual

ou

federal.

Daí

esse

jeito

aparentemente acanhado que faz com que pareçamos panacas diante da
extroversão dos que nasceram em metrópoles maiores. Na verdade, essa
conduta cautelosa é a manha do funcionário público no trato com o poder
político, transplantada para o conjunto das relações sociais. Ouvir e parecer
submisso traz lá seus rendimentos e ficar calado não diminui o senso de
humor. Escolher o que se vai dizer é fundamental, pois pode enterrar ou
alavancar possibilidades de ascenção social. O que, nesta cidade de 1.300.000
habitantes, se materializa também através da política partidária.
E como gostamos de política! Como não apreciá-la se em razão dos motivos
expostos parecemos tão talhados para ela? Certamente, aqui estão as bases
mais aguerridas e ideologicamente posicionadas dos grandes partidos
nacionais (PT, PMDB, PPR). Temos um arcabouço cultural invejável se
comparado às demais capitais brasileiras, fruto da excelência do nosso sistema
educacional do passado. Isto, somado à nossa proximidade geográfica e
intelectual com os países do Prata, nos permite enxergar o Brasil com um
distanciamento ímpar, ideal para quem tem a ambição de formular projetos
para o País. Lembram de Getúlio e o pessoal que fez a Revolução de 30?
Nós, porto-alegrenses, somos tão cordiais quanto os mineiros e bem mais
hospitaleiros do que os agressivos cariocas de hoje — a quem antes
invejávamos, pois já vimos o Rio como nossa segunda casa. Mas que ninguém
se engane com nossa polidez e a presteza com que oferecemos o chimarrão e
convidamos o visitante para um bate-papo em nossa casa. Como disse certa
vez o cruz-altense Justino Martins, quando um gaúcho (e porto-alegrense)
respira fundo por não gostar do que ouviu e pronuncia aquelas palavras — "Pra
te falar com toda a franqueza..." — podem ter certeza que vem patada. E de
precisão mortífera.
Queixamo-nos da falta de opções de lazer em Porto Alegre buscando refúgio
nos prazeres da mesa e na fantasia. No primeiro caso, lotamos a cidade de
churrascarias, pizzarias, lanchonetes e — mais um mistério — restaurantes
chineses. Deve haver uns 20 em Porto Alegre, sem nenhuma explicação

imigratória do porte da alemã e da italiana que os justifique. No segundo, podese mencionar os 38 cinemas da capital, média altíssima de um para cada
35.000 habitantes, o que nem São Paulo conseguiu atingir. Aja mencionada
Curitiba tem apenas 15 cinemas, embora sua população seja equivalente à
nossa. Copiamos humilhantemente as inovações urbanas propostas pelos
paranaenses — corredores de ônibus, calçadão, rua das flores — mas nos
vingamos deles pelo peso de nossa tradição cultural. Contudo, se já estamos
nos medindo com uma cidade que há vinte anos sequer considerávamos, tal a
nossa liderança no sul do País, é porque alguma coisa não está funcionando
direito por aqui, apesar do valor de nossa gente.
Será que Porto Alegre não está excessivamente orgulhosa de sua condição de
pequena grande metrópole? Hoje, somos apenas a décima primeira cidade
brasileira. Temos 250.000 favelados que, ao contrário do que acontece na exCidade Maravilhosa, não estão suficientemente próximos dos bairros de elite
para causar indignação e temor, mas prometem se tornar uma realidade
socialmente explosiva nos próximos anos. E um quarto de nossa mão-de-obra
está desempregada, gerando o curioso fenômeno dos "mordedores" —
pessoas que gentilmente se oferecem para cuidar de nossos carros nas portas
dos bares, cinemas e restaurantes, quando poderiam estar nos assaltando.
Talvez, nós, porto-alegrenses, precisamos dar um puxão de orelhas em nós
mesmos. Esquecer o Grêmio, o Internacional, as churrasqueadas, cervejadas e
os fins-de-semana no sítio (que nos remetem ao nosso irremediavelmente
perdido passado rural) e passar a nos perguntar o que pretendemos desta
cidade.
E é aqui que retorno ao ponto inicial deste artigo — as dificuldades que a
cidade têm em se estabelecer como pólo turístico e cultural no País. Não tenho
a pretensão da originalidade ao afirmar que um dos problemas mais instigantes
de Porto Alegre é a sua incapacidade de criar um discurso que a justifique
como cidade e, a partir daí, definir metas políticas que reforcem este discurso.
Lembro-me de minha infância no Rio, passada na ainda não-degradada
Copacabana, e a surpresa com que travei contato com a Ipanema de Tom
Jobim, Vinícius de Morais e do pessoal do Pasquim. Á mim, criança, me

pareceu desértica e destituída de interesse, se comparada ao fervilhar do
bairro onde vivia. A Ipanema construída pela chama daqueles artistas era
ficcional e é possível que, exatamente por ser inicialmente imaginária, tenha
entrado no mapa cultural brasileiro. Evidentemente, as razões para que não
sejamos a cidade que pretendemos não passam exclusivamente por aí, mas
acredito que já seria um bom começo estabelecermos qual deve ser o caminho
trilhado pela capital.
Para onde vamos? Porto Alegre tem quadros de alto nível em todas as
atividades profissionais, muitos deles exportados para os mais distantes
confins do Brasil. A cidade é uma fonte inesgotável de talentos, mal
aproveitados em sua maioria. O Mercosul já está chegando e ainda não
definimos o nosso papel na realidade da integração. Talvez caiba à capital dos
gaúchos, sobretudo, abrir-se para o País e o exterior, ser mais ambiciosa,
como São Paulo, e tão organizada como Curitiba. O que precisamos é de
determinação política e vontade de romper com a estagnação. Só assim
teremos uma cidade com a qualidade de vida condizente com o padrão de
excelência de seus habitantes.

Confissões de um adolescente interiorano
Sergius Gonzaga

RITUAIS
Indiferente ao ruído metálico dos bondes, aos pregões que inundam as ruas, à
algaravia nunca imaginada, à multidão que vai e vem, ao cheiro de frutas da
estação, ao sol reverberante de março, aperto a maleta de papelão e marcho
rumo ao Sonho Maior, o que se apodera de toda a alma interiorana feito uma
febre explícita, uma volúpia perpétua. Sim, nós os que chegamos de fora,
ansiamos por este momento que toma tudo insignificante, a paixão, o pecado,
a dor e a morte, o momento supremo de subir na geringonça que sempre
atormentou o imaginário caipira: a escada rolante das Lojas Americanas.

Ela se move — grito, cheio de terror e júbilo — ela se move.
Primeira foto: Ali estou, calça de "nycron", camisa de "banlon" e óculos escuros
"a Ia" Ronaldo Cúri, na Galeria Chaves. Tudo é meio excessivo, desde o
sapato Clark, herdado de meu avô, até o sorriso de empáfia provinciana.
Estarei fingindo formidável cinismo? Me julgarei, por acaso, um Rastignac
pronto a exclamar: "A Porto Alegre, agora"?
O ridículos instantâneos do passado!
Segunda foto: Desta vez com meu irmão, Régis. Local: Praça da Matriz. Por
motivos inexplicáveis, ambos estamos agarrados aos cachorros. Seria um
modismo da época? Um símbolo de posse da cidade? Nostalgia dos muitos
cães taquarenses? Atrás da foto, há uma data, 9 de outubro, absurda, solta no
tempo, imemorial, como se de outro mundo.
Terceira foto: Na tarde em que iria ao Laçador, choveu. Acho que a História me
absolverá.

Laury Maciel, meio matuto e meio cosmopolita, tenta ensinar a arte de andar
nos bondes: "Deves colocar um pé para frente e outro para trás, tanto no
arranque quanto na parada". Dura é nossa vida nos bondes: o impulso
fortíssimo nos faz desabar no colo de freiras e senhoras gordas. Com o tempo
até soltamos as mãos e magistral prova de técnica e precisão — conseguimos
saltar do veículo em movimento. Verdade que não somos completamente
elegantes: Laury, meio míope, tem dificuldades em perceber árvores e postes,
eu, pesado e duro, não posso me permitir a nenhuma ousadia, como a de uma
velha senhora italiana que, em plena 24 de Outubro, logo após a Lucas de
Oliveira, numa curva perigosa, nos humilha, dia após dia, com um salto tão
arriscado quanto perfeito, ela, a Isadora Duncan dos trilhos da Auxiliadora.
Nos bondes, temos lições de vida. Na hora do pique, um ônibus da Empresa
Ayub raspou a mão de um rapaz que viajava no estribo. Como um monstro
barulhento, o bonde pára e atrás dele um velho automóvel pára também.
Desce então o Dr. Maríno R. dos Santos, médico e comunista. E o primeiro

comunista que vejo em minha existência e não fosse o cavanhaque branco
seria um homem normal. Tira um lenço do bolso, rasga-o como nos filmes e faz
um curativo improvisado no rapaz. Todos esperamos sem pressa, que importa
o fluxo das horas nesta Porto Alegre diante da solidariedade de seus
habitantes? Quando o médico volta a seu carro, nós o aplaudimos.
Nos bondes temos lições de amor e sexo. Aí, o inolvidável calor de um corpo
feminino junto ao nosso corpo adolescente! Aí, o aperto, o contato, o desejo
que tento controlar pensando em banalidades, por exemplo, no comandante
Fidel Castro: "Lá Revolución desea que sus hijos tengan integridad moral", mas
que integridade moral resiste a esta coxa, a esta nádega, a este seio
perceptível, apesar do sutiã de látex? "Comandante-en-jefe", perdoai-me.
Havia horários propícios para tais bolinas e havia moças que pareciam gostar e
havia rapazes impúberes e mesmo senhores respeitáveis lá atrás, à espera,
libidinosos escorpiões.
Numa manhã de outubro de 1963, certa normalista do Bom Conselho ficou tão
próxima de mim, que pude sentir seu cheiro de Trio maravilhoso Regina (talco,
sabonete, colônia). Tentei disfarçar a emoção, porém ela sorriu, deixando
entrever os dentes fúlgidos. Parecia dizer: "Vem,-vem comigo, vem ser feliz".
Nada fiz para apanhá-la, para colhê-la no turbilhão do dia. Envergonhava-me
das espinhas (inútil a pomada Minâncora) e da tosse de tísico (não tomava o
Rum Creosotado), permiti que se perdesse na es.quina da Ramiro Barcelos e
nunca mais a vi, por mais que circulasse pelas imediações do colégio, matuto
solitário e faminto de amor.
(Acho que não suportaria reencontrá-la trinta anos depois. Que reste pelo
menos a poesia da nossa adolescência!)
Muitas vezes nos meses e anos seguintes, acordei de madrugada com o
estrondo daquelas máquinas rugidoras e feéricas que varavam a noite portoalegrense. Eram dragões noturnos, aparentemente suspensos na neblina, com
sua luminosidade fantasmagórica, suas faíscas, seus noctívagos dormitando
nos bancos de madeira. Abria as janelas às quatro e meia da manhã para
saudá-los, aspirar seu cheiro, cegar com seu brilho que renasce agora,

emergindo das cinzas do esquecimento a que tudo está condenado, ponto
rutilante na memória.

SEXO, APENAS SEXO
O tormento do jovem interiorano na capital é a viciosa solicitação da carne. O
noviço Luiz Osvaldo Leite discorre sobre os súcubos, diabos que adotam
formas femininas para tentar homens pios e, inclusive, santos, quanto mais
incautos adolescentes. Por isso, no velho Colégio Anchieta mulheres não
entram, podem ser demônios camuflados. Mesmo nossas mães são recebidas
numa capela contígua e ali nos aguardam.
O resultado é que aprendemos instintivamente a sentir o cheiro dos seres
luciferinos. Numa manhã tediosa, às 10 e 45, duas normalistas penetram no
pátio do colégio. Os uniformes do Sévigné são recursos teatrais dos súcubos.
Corremos todos, isto é, todos os rapazes de todas as turmas para as janelas.
Os padres, freis e fâmulos da escola inutilmente tentam-nos deter. Fomos
possuídos: arfamos, gememos, gritamos, grunhimos feito porcos selvagens,
reviramos os olhos e deixamos escorrer do canto de nossas bocas uma
pegajosa baba, a louca baba verde do desejo.
Munido de um crucifixo e expressões de culto latim, Luiz Osvaldo Leite põe os
súcubos a correr.
"A masturbação é um tenebroso vício da imaginação. Leva os jovens à
impotência e à loucura."
Meu Deus, auxiliai-me. Não permitais, Senhor, que eu morra louco.
Carlos Zéfiro, Adelaide Carraro, Cassandra Rios. Esta última nos seus
romances proibidos designa o órgão sexual masculino como "arma do desejo"
e o feminino como "gruta úmida do prazer".
Vou ao Cine Rex com uma colega da Aliança Francesa assistir ao Hiroxima,
rnon arnour, de Resnais e Duras. Como penetrar no intrincado jogo temporal,

nas frases literárias, como decifrar o obscuro significado, a "mensagem fílmica"
se, desavisadamente, a saia de A. M. sobe, quando ela cruza as pernas e eu
posso aspirar as emanações que procedem daquelas coxas que antevejo na
escuridão do cinema? Trêmulo, pressinto seus lábios próximos do meu ouvido
direito (e imagino sua língua enroscando-se dentro da boca) e escuto o que ela
me diz: "Que densidade metafísica! Um Resnais soberbo!" Nunca mais ouvi
estas duas palavras— densidade.e metafísica — sem um leve arrepio na pele,
um sobressalto, uma sensação de algo que poderia ter sido e não foi.
São longos e assombrosos os ventos de outubro em Porto Alegre. Por causa
deles devo um pedido formal de perdão: normalistas do Instituto de Educação,
eu não tive culpa: eram os ventos que faziam vossas saias esvoaçar,
descortinando joelhos e coxas, estas especialmente sublimes!
Por ter descerrado vossa intimidade, desculpai. Pelo meu olho lúbrico, pela
exaltação de meu sangue, pelos pensamentos mais obscenos, desculpai.
Porém a verdade é que outros companheiros de espreita também deveriam
proceder um "mea culpa". Com óculos verdes de playboy para disfarçar a
miopia, pele cravejada de espinhas, atravessando lépido o corredor dos
bondes, lá estava ele, expressão concupiscente, ríctus doentio na boca,
Voltaire Schilling, o futuro historiador.
Estávamos em cima do viaduto da Borges, hipnotizados pelas luzes da cidade
noturna. Ronaldo Caparelli, Fernando Trindade, José Falleiro e eu, quando
Marco Aurélio Barcellos aproximou-se e revelou o drama de sua existência:
"Me apaixonei por uma puta, estou amando uma puta".
PUTA — Substantivo feminino onipresente em febris insônias de corpos que
sofrem na madrugada, causadora de convulsões sórdidas que com certeza nos
arrastariam para o inferno e das quais não conseguíamos fugir, puta, a puta de
cada um, síntese de mil mulheres, bocas excessivas, combinações roxas,
cintas-ligas, rendas, cetim, seios, bundas, pernas, pêlos púbicos e o perfume,
barato perfume das putas, perfume do sexo, do ignominioso pecado, da sujeira
a que aspiramos e que, amanhã de manhã, na missa tentaremos apagar com
orações, súplicas, penitências, amém.

Fomos golpeados por aquela revelação que abafava os rugidores bondes que
passavam lá embaixo. Marco Aurélio olhava com ímpetos suicidas a Avenida
Borges. (Aqui no viaduto suicidavam-se os desesperados do amor e os que
pecavam contra a castidade.) Abraçamos o réprobo para consolá-lo. Sabíamos
que mergulhara na Luxúria, que se infelicitara no Gozo, se acercara da Lepra e
por isso o cheirávamos à cata dos odores da puta, porém ele fedia simplesmente a círios, a velas, a incenso da capela do Anchieta, onde há três dias
rezava, implorando a infinita misericórdia divina. Que Nosso Senhor o livrasse
da grandessíssima puta!
Naquela noite nenhum de nós dormiu direito.
Havia em Taquara uma moça que dava, Esmeralda. E ela deu para meu amigo
Percival, que se apaixonou vulcanicamente e exigiu fidelidade. Mas Esmeralda
gostava de dar e o traiu muitas vezes. Humilhado, Percival decidiu suicidar-se.
Quis morrer em Porto Alegre para que seu gesto tivesse uma dimensão mais
gloriosa e saísse na página policial do Correio do Povo. Em vão procurei
demovê-lo, estava obcecado pela idéia da própria morte.
Levei-o ao viaduto da Borges, onde se matam os interioranos, contudo ficou
com medo de ser estraçalhado pelas rodas de ferro dos bondes. Seu sonho era
morrer afogado, os órgãos devorados por traíras e carás. Fomos juntos até a
praia de Vila Assunção. Tomamos algumas cervejas com sanduíches de
mortadela, ele me presenteou com seu canivete de estimação, me abraçou
forte, como só os suicidas sabem fazer, olhou pesaroso em direção ao
noroeste, onde deviam ficar Taquara e Esmeralda, e entrou no rio, sem saber
nadar.
A água era clara, doce. Ele foi entrando e sentindo o rio passar pela roupa e
tocar a sua pele, feito delicadas agulhas. Sentiu mesmo em suas pernas um
movimento estranho, o dos peixes em cardume.
Não se matou. E como poderia fazê-lo, se naquela água, tépida e límpida,
acontecia o milagre dos peixes?
Haverá mesmo um cabaré de normalistas? Quem serão os privilegiados que
apanharão, com suas mãos frementes, estas adolescentes com o uniforme das

mais prestigiadas escolas normais e tão cheias de vícios que se entregam a
estranhos não apenas por dinheiro, mas também por gozo e volúpia.
Carlos Alberto Negreiros, Manoel Lourenço da Silva, Rivo Emílio e outros
rosarienses de escol reviram a cidade a cata de tal prostíbulo sem nunca
encontrá-lo.
Muitos anos depois, interrogado a respeito, o escritor Moacyr Scliar emite um
sorriso cheio de significados intraduzíveis e fecha os olhos como se tomado por
lembranças memoráveis.
Subi as escadas sombrias da casa de cômodos na 7 de Setembro. No quarto
havia um abajur recoberto de papel celofane lilás, uma pia, a cama e o rolo de
papel higiênico. Enfim, eu conseguia pecar. Talvez não tenha sido lá essas
coisas, mesmo assim me apaixonei pela jovem puta que passou a me receber,
de quinze em quinze dias com indulgência e desconto de 50%. Apenas nunca
se deixava beijar na boca. Era o seu espaço de pureza. Declarou-me com
solenidade afetada que só permitiria o beijo proibido quando largasse da
prostituição. Então resolvi tirá-la daquele inundo sofrido. Jogava parte da
mesada no bicho e na loteria. Com um pouco de sorte, a resgataria e casarme-ia com ela.

Nessa ocasião, Luis Fernando Ehlers me garantiu que no socialismo o
meretrício seria abolido de vez. E que, como ocorrera na União Soviética, na
China e em Cuba, as putas se regenerariam alegremente, trabalhando com
ardor revolucionário nas fábricas ou fazendas coletivas. Eu (secretamente)
preferia que minha amada ficasse comigo, porém, em todo o caso, era melhor
uma operária na indústria que uma mulher-dama nas ruas. Passei a esperar
pelo socialismo e pelo beijo na boca que só a revolução social asseguraria.
Estávamos no início de 1964 e, de alguma maneira, já assumíamos o poder. O
beijo parecia muito próximo.

CIDADE DOS LIVROS E DOS FILMES

E como se mergulhássemos num conto de Jorge L. Borges. Um soturno hall de
entrada onde se deixava a pasta ou o arquivo e depois a biblioteca, mais
escura que o devido, com suas mesas lustradas e suas velhas cadeiras
estofadas. Os fichados eram antigos e um elevadorzinho, meio belle époque,
trazia os livros pedidos. Tudo era assim, fantástico, mágico, inclusive um
funcionário pálido, cadavérico — saído de alguma página de Põe — e que nos
vigiava pelo salão.
Havia uma atmosfera pesada e triste por um lado, o quase imperceptível cheiro
de mofo, os retratos pintados de escritores mortos, o pé-direito altíssimo, o
conjunto vetusto dos móveis. Contudo, por outro lado, havia ricos de
adolescentes, logo admoestados pelo personagem cadavérico, um buliço
irreprimível, uma vocação para a algaravia e, é claro, a vida regorgitava na
paixão de alguns rapazes e moças pelos livros, uma paixão que se
realimentava a cada descida do bizarro elevador que despejava diante de nós
os frêmitos mais perenes da existência.
Quando se saía da Biblioteca Pública geralmente anoitecera em Porto Alegre e
meninos já berravam as manchetes da Folha da Tarde.
P. F. Gastai e Flávio Loureiro Chaves andam com rolos de filmes escondidos
nos casacões. Flávio parece ter roubado o capote de Gogol. Jefferson de
Barros, Enéas de Souza, Hélio Nascimento e Goida desvelam os mistérios de
Godard e Antonioni. O grande público morre de tédio ou não vai a esses filmes,
mas os diretores — sabíamos todos — eram da "ponta da orelha" e as
explicações dos críticos mais geniais ainda. Num curso, no Foto Cine Clube
Gaúcho, Sérgio Silva me diz que os filmes de Bergman são ao mesmo tempo
dialéticos e sartrianos. Embasbacado, como três cartuchos de amendoim
torrado. Finjo gostar, fingimos todos. O futuro escritor Emanuel Medeiros Vieira
costuma soprar caroços de pipoca nas mocinhas intelectuais que, por sua vez,
sempre exclamam no fim da sessão: "Que densidade metafísica".
À noite, em frente à Livraria Coletânea, diante do Ópera ou do Guarany, nos
reunimos e discutimos a cultura que vem da Europa, os grandes temas da
humanidade, os problemas fundamentais da existência. Às vezes, vamos
debatendo até o Abrigo, onde esperamos os últimos bondes, os bondes da

madrugada.
Na capital provinciana, os postes de luz filtram as brumas e os passos solitários
de jovens que sonham com Paris e Nova Iorque.
Frei Lauro Dick pergunta na aula de Literatura sobre nossos hábitos de leitura.
Exceção feita a José Ronaldo Falleiro, lemos pouco. O mestre nos chama de
idiotas. Nossas orelhas ficam vermelhas, sim, de fato, somos relapsos e como
o idiota de Nelson Rodrigues, babamos na gravata. Há que escapar do epíteto:
começamos a ler com fúria juvenil.
Na livraria Lima, compro os meus dois primeiros livros: O encontro marcado e
Gabriela, cravo e canela. Deslumbramentos. Erico, José Lins, Campos de
Carvalho, Sartre, Martin du Gard, etc. No fim daquele ano, com a
surpreendente colaboração de meu pai, famoso pela avareza, compro num
sebo, o Nossa Senhora das Dores, a coleção completa de Dostoievski. Em
seguida descubro a Coletânea, de Arnaldo Campos, a livraria que amávamos
tanto quanto a Revolução. Ali, se lê, debate, questiona. Paulo César Timm,
meu guru de então, revela-me os segredos do Imperialismo, da mais-valia, da
grandeza do proletariado, futuro coveiro da burguesia, dos sonhos que se
constroem no Leste europeu.
As vezes saíamos dali para um cafezinho no Rian ou uma média com pão e
manteiga no Matheus. Só decepcionei-me um pouco com o Timm, quando
pediu para que eu o acompanhasse ao Stoduto, queria comprar um temo de
casimira. Estes desvios pequeno-burgueses eram deveras reprováveis. "Na
sordidez do capitalismo — explica-se ele — somos obrigados a certas
concessões/'
Eles construíram Porto Alegre. Com palavras, sons, cores. Os outonos de
Eduardo Guimarães, os crepúsculos de Mario Quintana, os locais sagrados de
Athos Damasceno. Pelo Centro, passearam personagens do Erico, do
Dyonélio, do Scliar. Na Azenha perambula Camilo Mortágua. A fisionomia da
cidade permeia os textos de Arnaldo Campos, João Gilberto Noll, Assis Brasil,
Caio Fernando de Abreu. Não esquecendo as crônicas do Luis Fernando, do
Sérgio da Costa Franco e do Sérgio Jockymann. E a noite porto-alegrense?

Sem as referências do Carlos Nobre, do Danilo Ucha e de tantos outros, seria
possível entendê-la?
Uma cidade reinventada por escritores. E pelos músicos: Lupi-cínio, Túlio Piva,
Nelson Coelho, Nei Lisboa, Vítor Ramil.
Uma cidade de grupos teatrais e de pintores.Invejo a todos, tenho ciúmes
deles. Na Feira do Livro, piso humilhado nas flores roxas dos jacarandás por
ser incapaz de expressar com palavras as contradições de Porto Alegre.
Entro no Theatro São Pedro ou no Renascença com amargura por não saber
representar. Ressentido por não ter aprendido a tocar qualquer instrumento,
vou assistir ao show de Plauto Cruz com sua flauta encantatória.
Invejo a todos, cheio de despeito, de rancor mesquinho; mas quando os livros
"deles" se abrem, as peças iniciam, Plauto arranca sons de sua flauta, quando
a arte "deles" flui, aí então eu sinto um aperto no peito e me comovo com os
artistas desta cidade — os que fazem da alegria e da tristeza motivos de
criação — e estendo silenciosamente em sua direção um longo afago.
CONSCIÊNCIA POLÍTICA

Ele apareceu na sacada da Prefeitura Velha.
Pensei: fomos derrotados.
As janelas e os balcões do prédio municipal que, pela manhã, ainda estavam
cheios de oficiais da Brigada e civis armados, agora estavam vazios. Na
amplidão neoclássica do velho edifício, o prefeito parecia muito só, muito
pequeno. Sua voz veio pausada: "Companheiros, a resistência acabou. O
presidente João Goulart acaba de sair do país".
Perdemos. Eu vejo as pombas, dezenas delas, voando do chafariz espanhol
para as escadarias da Prefeitura e depois, revoando para o Mercado Público,
assustadas com os gritos da massa humana que não aceita a rendição e se
desespera na praça. Nós estamos desesperados e eu vejo também um
absurdo céu azul projetando-se por sobre as construções de concreto. O que

me chocava era a indiferença da natureza, a limpidez do dia, o calor ameno de
abril. O que chocava era a distância estúpida entre a tragédia histórica e a
serenidade dos elementos.
Imerso na multidão raivosa, posso até adivinhar as águas do Guaíba,
encobertas pelos armazéns do cais, enquanto ouço um choro (esse choro me
perseguirá nos meses seguintes) e o prefeito, como um autômato, pedindo que
nos rendêssemos, que voltássemos para casa e enterrássemos as nossas
ilusões e evitássemos o derramamento inútil de sangue e imaginássemos para
o futuro outras tardes, mais felizes do que aquela. Mas como poderia eu
dissolver na memória aquela tarde de abril com seus pronunciamentos, seu
céu azul, suas pombas, como negá-la, desintegrá-la, se ela porejava em meu
corpo, grudando-se ao meu suor? Como, depois de ter oferecido a vida para a
defesa da ordem legal, poderia eu retornar para um universo de objetos
pessoais, prosaicos, familiares, como voltar para a casa de minha avó se,
naquele momento, eu acreditava na Revolução e no povo?
Mas voltei. Um amigo meu para suportar a derrota tomou um porre. Eu
regressei para casa lúcido. Como no poema de Bandeira, melhor fora que
voltasse bêbado.
Fixa-te memória.
Estamos no bar Alaska: André Forster acaba de ser eleito presidente do centro
acadêmico da Filosofia da UFRGS. Comemoramos a sua vitória. Na mesa,
representantes de todas as facções da esquerda do movimento estudantil.
Apesar dos desvios ideológicos de algumas tendências, nos julgamos a
vanguarda indiscutível da luta popular contra a ditadura.
Afasto a poeira dos anos e enxergo claro: comemos os pratos baratos do
Alaska, servidos pelo Isaac: "Burguês", "Robertão", "Vietcong". Bebemos chope
ou cuba-libre ou ainda gin-fizz e acreditamos em nosso triunfo iminente.
Em seguida, haverá passeatas, protestos apaixonados, repressão, violência,
AI-5, cassações, sombras, tortura, exílio, diáspora, mas agora comemos e
bebemos e saudamos André Forster e nos preparamos para derrotar a "Besta".
Lá estão Flávio Koutzii, Geraldo Müller, Zeca Keniger, José Maraschin, Haidée

Porto, Clóvis Gri-vot, as irmãs Metralha, Pilla Vares, Carlos Alberto Vieira e
tantos outros. A poeira do tempo ainda não corrompeu nossos cabelos, nossa
pele, nem colocou essa névoa em nossos olhos. Somos jovens, apenas e tãosomente jovens, e alimentamos grandes esperanças.
Grito com a minha memória: fixa-te, suspenda o tempo... e lá estamos nós, no
Alaska, paralisados, rígidos, esmaecidos...
Fixa-te, memória.
Por favor, fixa-te.
Pedro nos oferece o revólver, um 38 pesado e sedutor. Quer que o tomemos
nas mãos, que sintamos a frieza do aço, seu peso, sua palpabilidade. Embaixo
do modesto apartamento, funciona o Urbano's. E noite quente de verão e nas
mesas da rua há gritos e gargalhadas. Enquanto os boêmios da madrugada
decidem qual será o destino de uma galinha que é a mascote do bar, o cheiro
dos sanduíches abertos e das batatas fritas turba o nosso raciocínio. Meu
irmão segura a arma e eu examino o material mimeografado que fala das
possibilidades de uma vitoriosa guerrilha no Araguaia. Pelas frestas das
venezianas, observamos os que se divertem, os que empilham bolachas nos
cantos das mesas, os que se beijam, os que pela manhã mergulharão no sono
dos inocentes.
Não dormiremos esta noite. Uma sirene nos despertará, um grito mais forte,
uma pancada aleatória na porta. O revólver está ali, ao alcance dos dedos,
porém uma força qualquer nos deterá: o medo da tortura e da morte? o bomsenso colono que vislumbra o aventureirismo e o fracasso? ou o simples
chamado vital que procede dos odores do Urbano's?
Pedro partiu ao amanhecer com seu revólver, seus panfletos, seu fervor.
Olhando para os lados, atravessou a Nova Iorque em direção à Coronel
Bordini. Virou-se então para nós, que o acompanhávamos da janela do
apartamento, sorriu e acenou, como se pela última vez.

PERDAS

O último capítulo é de perdas, já dizia o velho Machado.
Os bondes deixaram de circular, os cafés do Centro cederam lugar aos bancos,
fecharam cinemas e outros locais tradicionais. Não há mais normalistas e
ninguém voltará a experimentar a vertigem daquele cabaré, se é que um dia
ele existiu. A Rua da Praia virou uma mescla de pátio de milagres, bazar persa
e pungente galeria de tipos lombrosianos.
A Revolução também acabou e, num certo sentido, foi melhor que tivéssemos
perdido, pois se na dimensão subjetiva éramos os mais generosos, os mais
altruístas, numa dimensão objetiva tínhamos os olhos turvos por uma utopia
estruturalmente totalitária. Enviaríamos os nossos opositores para campos de
reeducação ou para o "paredón" com o coração cheio de mágoa, mas seguros
que ao bem público cede o bem privado e que uma sociedade igualitária não
se arquiteta sem a aplicação do terror jacobino.
Perde-se também com a partida de amigos, seja em direção à névoa do nada,
seja em direção a outras cidades e países. Nostalgia? E bem possível que sim.
Ninguém nos impedirá de olhar para o passado com suave e doce melancolia.
Vá lá o lugar-comum: eram os nossos anos dourados porque tínhamos 18
anos.
E possível que os adolescentes interioranos que hoje chegam a Porto Alegre
sintam a mesma sedução das luzes da capital e daqui a algumas décadas
façam suas memórias de tempo tão sombrio, vendo-o como um paraíso
perdido. É possível, por outro lado, que as grandes metrópoles tenham
cumprido o seu papel na História humana e seu futuro seja apenas o de
depositário de um pobre lixo humano, como nos livros e filmes de ficçãocientífica.
Nos fecharemos então, cada vez mais, na concha de nossas lembranças.

Bola de cristal

Luís Fernando Veríssimo

Está tudo difuso. É o que dá usar uma bola de cristal de segunda mão.
Comprei de um vidente amador que disse que só a usava nos fins-de-semana.
Vejo um rapaz estranhamente familiar parado no que parece ser o abrigo da
Praça XV. Ali onde eu esperava o bonde Petrópolis (fim da linha, até João
Abbott ou até Boa Vista) e aproveitava para comer um pastel com vitamina de
abacate, na minha temerária juventude. O bonde Petrópolis subia a Protásio
Alves como um velho subindo a escada, devagar e se queixando da vida. E, no
entanto, nunca pensei numa viagem num bonde Petrópolis como perda de
tempo. Talvez porque naquele tempo nossa relação com o tempo fosse outra.
O tempo tinha outro valor. Você encarava uma viagem num bonde Petrópolis
com a mesma filosofia de um construtor da Idade Média contemplando o
projeto de uma nova catedral, sabendo que a obra consumiria toda a sua vida e
que ele ainda legaria os últimos arremates a seus filhos. Não se desperdiçava
a vida numa viagem no bonde Petrópolis, mas chegava-se ao fim da viagem
invariavelmente mais velho e mais sábio. Subir a Protásio era como construir
uma catedral.
Mas o que o abrigo da Praça XV está fazendo no futuro? E por que esse rapaz
na bola de cristal se parece tanto comigo, apesar do topete duro de Gumex?
Talvez seja um descendente, e ele more numa Porto Alegre pós-débâcle final
que decidiu voltar às suas sim-plicidades, inclusive o bonde, o tempo de sobra
e a vitamina de abacate. Foi isso: como todas as cidades do Ocidente, Porto
Alegre deu-se conta da sua impossibilidade e fugiu para o passado. Nos meus
tempos de topete a cidade devia ter o quê? Seiscentos mil habitantes, se
tantos. Depois inchou, cresceu mal e acabou nisso, numa volta ao seu ponto
ideal de grande cidade pequena, ou pequena cidade grande, renegando o
próprio progresso. Mas voltou como? Fez o que com seu excesso de
habitantes? Imagens terríveis passam pela minha cabeça. A guerra civil tantas
vezes prevista. Um rio de sangue descendo a Borges. Até — por que não? —
cenas de canibalismo, o controle demográfico mais prático que existe, já que
engorda os que sobram e ao mesmo tempo lhes dá mais espaço. Que preço

pagamos para recuperar esta tranqüila cena de um adolescente esperando um
bonde numa cidade ainda possível?
Mas não. Descubro qual é o problema. Maldita bola de cristal. Ela é tão ruim
que, em vez do futuro, está mostrando o passado. O rapaz sou eu mesmo, há
40 anos, e a Porto Alegre é a dos anos 50, que não voltam mais. Decido apelar
para a técnica brasileira de consertar qualquer aparelho. O tapa parece
funcionar, pois imediatamente surge uma cena do futuro na bola de cristal. A
mesma Praça XV só que agora tomada por uma multidão e por barracas de
camelôs. A bola de cristal dá uma panorâmica e descubro que todas as ruas da
cidade estão tomadas por barracas de camelôs, que vendem de tudo, do
chaveirinho ao refrigerador. Não existem mais lojas nas ruas, só lanchonetes e
fliperamas. Todo o comércio é feito por camelôs, inclusive o de roupa, com as
cabines de provas para mulheres ao ar livre atraindo grande curiosidade
popular. Deduzo que as lojas de comércio como nós as conhecemos hoje
estão todas nos shopping centers, assim como os cinemas, os teatros, os
restaurantes finos, os ginásios de esportes e os bancos. A bola de cristal, como
que lendo a minha dedução, corta para dentro de um shopping center não identificado. É um shopping center enorme. Aqui há lojas, sim, e multidões pelos
corredores — espremendo-se entre os camelôs. A diferença é que estes
camelôs são uniformizados e têm crachá. Nos shopping centers há guardas
particulares armados de metralhadora nas portas e corredores para controlar a
freqüência e em torres externas para dominar os acessos e os arredores. Os
carros que chegam nos estacionamentos subterrâneos são revistados para ver
se não trazem algum clandestino das classes D para baixo, pois estas são
proibidas nos shopping a não ser para o serviço. Pedestres que tentam entrar
são executados na hora. Nos ginásios embutidos nos shopping, clubes com
nomes americanos disputam campeonatos de basquete e vôlei, os esportes
mais populares da cidade desde que o futebol faliu definitivamente e Grêmio e
Internacional,

rebatizados

de

Grêmio

Raspadinha

Porto-alegrense

e

Raspadinha Clube Internacional, passaram a viver exclusivamente de sorteios.
Mas espera um pouquinho. Esta bola de cristal continua funcionando mal. Ou
está,

deliberadamente,

tentando

me

enganar.

Este

futuro

é

tão

exageradamente catastrófico quanto o passado idílico que ela mostrou era

falso. Tendemos a escurecer nossos prognósticos na mesma medida em que
fantasiamos nossas lembranças. Se o presente está mal é em contraste com
um passado de possibilidades perdidas, e o futuro só pode ser pior. Mas a
Porto Alegre em que eu esperava o bonde no abrigo não estava no auge de
uma qualidade urbana que depois perdeu. Só era ideal na medida em que
qualquer lugar em que se tem 15 anos, Gumex no cabelo e tempo para esbanjar é ideal. Era uma cidade limitada culturalmente e na qual os contrastes
sociais que depois se agravaram já existiam, só que a gente não notava.
Quando passo pela Rua da Praia, hoje, e penso no tempo em que as "boas
famílias" iam lá para se encontrar, e a freqüentavam com a superioridade
despreocupada de nobres numa alameda da corte, me dou conta que minha
nostalgia é por privilégios perdidos, não por outra cidade. Os que freqüentam o
Centro, hoje, são os mesmos — multiplicados pelo descaso — que há anos
habitavam os arredores da nossa cidade idealizada. Só que agora entraram na
sala.
Esta maneira míope de confundir privilégios perdidos com decadência geral
talvez afete nossas previsões. A bola de cristal tem o mesmo defeito: leva o
preconceito dominante a seus extremos e chama isto de futuro, e de inevitável.
Prever que uma elite cada vez mais acuada acabará vivendo em fortalezas de
privilégio enquanto a barbárie ocupa a cidade e cresce a seu redor pode ser
uma correta avaliação do espírito da elite, mas talvez não o seja do espírito
dos "bárbaros". A Porto Alegre possível nascerá da capacidade deles de se
organizarem a despeito do preconceito, e das suas privações. Adivinhar o
futuro pelo presente tem seus riscos: há alguns anos qualquer profeta juraria
que, no ritmo em que ia, Porto Alegre seria uma cidade completamente sem
árvores em pouco tempo. Aconteceu o contrário. Alguém, em algum ponto, por
alguma razão, tomou uma medida que reverteu a tendência antiverde e o
resultado é que Porto Alegre é hoje uma das cidades mais arborizadas do
País. Pode muito bem estar se preparando outro futuro, que esta bola de cristal
deformada insiste em me sonegar.
Acho que ela vai levar outro tapa.

Crônica de Porto Alegre
Flavio Aguiar
CARTAS ÁCIDAS - 28/07/2004 – www.cartamaior.com.br

O espetáculo dos alunos da rede pública de ensino termina, a multidão
está em pé de guerra, e pronta para a conferência de abertura do III
Fórum Mundial de Educação, com István Mezsáros, Pablo Gentili e
Ricardo Antunes. O entusiasmo perdura ao som do hino nacional...
Flávio Aguiar

Porto Alegre - A cidade nos recebe amena. Chegamos, a delegação da
Agência Carta Maior, de São Paulo, às 10h30 de uma manhã de sol, a 15
graus. À tarde, a temperatura vai chegar aos 20º C. É julho, mas parece um
dia do começo do outono. Isso não impede que os moradores, do chofer de
táxi à moça que faz o nosso credenciamento no Estádio do Gigantinho, às
margens do Rio Guaíba, com aquele jeito aguerrido que é o estilo dos
gaúchos, comentem: mas que calor! Confundem o acalorado da sua tarefa
com a temperatura ambiente, que é branda e convidativa.

Depois de instalados no hotel, fomos almoçar no Mercado Público, uma
construção em estilo neoclássico terminada em 1869, uma jóia cheia de
odores e de apetites. Confesso que não resisti, e apesar do tal de “calor”,
comi um prato de mocotó, sopa típica de inverno aqui nos pagos sulinos.

Na saída, deparamos com uma agitação na Praça XV de Novembro, em
frente ao Mercado: é uma manifestação que parte, a pé, para o local do
Fórum, carro de som à frente.

Pelo fim da tarde fomos fazer o credenciamento, em primeiro lugar, no
Gigantinho, para depois assistirmos a abertura e a primeira sessão de
conferência. Na entrada do estádio, uma multidão se comprimia e se
enfileirava. Eram cinco da tarde, e o sol já ia caindo para o poente. Nas
filas, havia pressa e pressões: não haveria tempo para todo mundo
conseguir os crachás até as seis horas, quando se previa o começo da sessão
de abertura.

Os organizadores anunciam: hoje a entrada está liberada, não precisa de
crachá, isto pode ficar para amanhã. Não adianta. Surgem gritos:
“queremos crachá”. É o movimento dos sem crachá. Esses gritos vêm se
somar aos anúncios dos candidatos a vereança que fazem, megafone em
punho, a sua propaganda. É uma verdadeira Meca política, seguindo a
tradição local da politização marcante.

Conseguimos varar a multidão e entrar no estádio, até o lugar da imprensa,
que vai se enchendo. Até o começo, de doze a quinze mil pessoas estarão
nas arquibancadas, lotando o Gigantinho, exceto na área que fica
diretamente atrás do palco armado.

Começa abertura. É um espetáculo preparado por alunos de várias escolas

da rede municipal de Porto Alegre. É emocionante, e a multidão vai se
contagiando. Misturam-se flamenco e bachiana de Vila-Lobos; ritmos afros
e solos de violoncelo; acrobacia e coreografia. O flamenco é muito latinoamericano, animado ao som das “cajas” dos países pampeanos vizinhos,
aqueles tambores de som cavo e surdo. Quando um grupo de meninos e
meninas dança a guerreira chula, dança de desafio em que os contendores
se digladiam em torno de uma lança no chão, a multidão tem o seu primeiro
momento de delírio. Depois, ao som de choros, sambas e de Aquarela do
Brasil, chovem os aplausos, e a multidão ovaciona de pé. Os meninos e
meninas de Porto Alegre mostram que a educação pode ser criativa e tem
sentido.

O espetáculo termina, a multidão está em pé de guerra, e pronta para a
conferência, que vai reunir István Mezsáros, Pablo Gentili e Ricardo
Antunes como debatedor. O entusiasmo ainda perdura durante a execução
do hino nacional. Faz-se, primeiro, a mesa de abertura, com as autoridades
e alguns representantes de entidades presentes. Aí houve um erro de
cálculo, por parte dos organizadores ou dos membros da mesa. A coisa se
arrasta; os discursos se sucedem, enormes. Aquilo que deveria ser uma
sucessão de breves saudações, torna-se uma inesperada conferência com
inúmeros participantes. O representante do governo do Estado, o Secretário
da Educação José Fortunati, leva uma vaia. Era uma vaia quase protocolar,
sem grande animação. Mas o secretário desafia e comenta a vaia, como
antidemocrática. Aí as vaias recrudescem, viram oceânicas e dominam o
Gigantinho todo. Infelizmente o clima fica agressivo e o plenário começa a

se esvaziar.

Felizmente o prefeito João Verle, num gesto de bom senso, faz uma breve
saudação, encerra a abertura oficial, e a esperada conferência pode começar
(veja matéria nesta página). Quando ela começa, o estádio está pela
metade. Mas para quem ficou, a espera vale a pena.

István Mezsáros é aplaudido ao dizer que vai falar em português, e
bravamente enfrenta a nossa língua. Desenvolve algumas teses
fundamentais: a de que o sistema capitalista agride o futuro e o tempo
presente dos indivíduos. Aquele tempo que ele não pode controlar, seja sob
a forma de produção ou de lazer consentido, ele condena à barbárie e à
violência, pela alienação dos indivíduos. Além disso a sociedade capitalista
perverte o sentido de “economia”, pois condiciona a abundância ao
desperdício. A alternativa a este estado de coisas, que ameaça a
sobrevivência do planeta, começa com uma educação que suplante a idéia
de treinamento em nome de uma idéia de formação permanente para a
auto-gestão solidária.

Pablo Gentili evoca uma contradição nas sociedades latino-americanas. É
verdade que nos últimos anos, inclusive no Brasil, as classes pobres
tiveram aumentado seu acesso à educação. Mas ao mesmo tempo a
educação perdeu seu significado emancipador, inclusive de acesso a uma
melhor situação social. É como se as classes dirigentes permitissem o
acesso, mas esvaziassem a educação de seu conteúdo. Comentando as

palestras, Ricardo Antunes bate na tecla de que a educação não é uma
mercadoria, nem um negócio.

A conferência chega ao fim. A multidão restante está exausta, todos
reconhecem. Mas a sensação que fica, em meio às contradições, realizações
e contratempos, é de satisfação: além das conferências instigantes, os
meninos e meninas do espetáculo demonstraram que, em matéria de
educação, Porto Alegre está com a palavra. Vieram de escolas da periferia
da cidade, de regiões antigamente desassistidas, e tomaram o centro
iluminado da noite.

O que há de comum entre Porto Alegre e
Piacenza
(Lilian Piraine Laranja)
http://www.cronicas-da-lilian.com.br/cronica_lilian_20.htm
30/09/2002:
Já havia percebido que as cidades do interior são mais receptivas do que as
capitais, mas Piacenza foi um local surpreendente. Essa pequena cidade italiana,
localizada próxima a Milão, foi um dos lugares mais acolhedores de meu roteiro
por países da Europa. A começar pelo taxista que ofereceu a viagem gratuita
porque deu uma informação inicial errada, todas as pessoas me receberam com
sorrisos, principalmente ao dizer que era brasileira, ou melhor, braziliana...
Talvez Piacenza seja assim porque não se trata de uma cidade turística, mas
uma típica cidade interiorana da Itália. Nem tão pequena assim, com bom centro
comercial - e preços bem amigáveis! – praças e igrejas, além da tranqüilidade que
só as cidades do interior oferecem.
No centro da cidade se localiza a Praça Cavalli, com o museu em forma

medieval e com o monumento em memória daqueles que morreram na Primeira e
Segunda Guerra. Perto desta praça mais central, na Praça del Duomo, situa-se a
Catedral de Santa Maria Assunta, que abençoa a cidade. Dentro da igreja do
século XII, concluída em 1122, repousam os restos mortais do bem-aventurado
João Batista Scalabrini, fundador de uma congregação presente em vários países
do mundo, inclusive no Brasil. As casas antigas, as ruas de paralelepípedo, o
delicioso ritmo de falar dos italianos são marcantes em Piacenza.
Na Congregação das Irmãs Scalabrianas, local que me deu acolhida durante
os dois dias em que conheci Piacenza, pude desfrutar de mais simpatia. As irmãs
me contaram interessantes histórias da cidade e de Scalabrini. Quem diria que eu
iria encontrar no interior da Itália uma Congregação católica que deu seus
primeiros passos, no início do século passado, em direção ao Brasil, com atuação
marcante no Rio Grande do Sul. Um bom exemplo da presença scalabriniana no
Estado hoje é o Hospital Mãe de Deus, um dos melhores do Rio Grande do Sul.
Na casa onde estive hospedada, tive a oportunidade de visitar o Museu do
bem-aventurado Scalabrini, fundador da congregação, e ouvir das irmãs a
interessante história de sua vida. Scalabrini nasceu na Lombardia, Itália, em 1839,
tendo sido bispo de Piacenza por 36 anos. Na época, final do século XIX, estavam
ocorrendo drásticas mudanças no contexto social do país, que forçaram muitos
italianos a migrarem para outros países das “Américas”, como os Estados Unidos,
Brasil, Argentina e outros. Scalabrini, sensível às dificuldades que os emigrantes
italianos sofriam nas terras estrangeiras, passou a chamar a atenção para o
problema e a mobilizar outras dioceses para ajudarem. Era preciso enviar
missionários para fortalecer a fé dos migrantes italianos, bem como dar assistência
social a essas pessoas.
Com o objetivo de proteger a identidade cultural e religiosa dos migrantes,
Scalabrini fundou em 1887 a congregação dos Missionários de São Carlos
Borromeo, com a colaboração estreita do padre José Marchetti, que foi enviado
como missionário a São Paulo, no Brasil, para assistir aos migrados. Pouco tempo
depois, em 1895, Scalabrini fundou a Congregação das Irmãs Missionárias de São
Carlos Borromeo-Scalabrinianas, devido a necessidade da presença feminina para
ajudar os órfãos dos migrantes.
Nesse processo, a atuação das irmãs Assunta Marchetti, Carolina
Marchetti, Angela Larini e Maria Franceschini foram determinantes. Foram as
primeiras a partirem para o Brasil com a missão delegada por Scalabrini, de
atenderem às necessidades dos imigrantes italianos. O próprio Scalabrini resolveu
viver a experiência dos migrantes, sendo “migrante junto com os migrantes”, ao
partir para os Estados Unidos, em 1901, com a finalidade de visitar as colônias de
italianos naquele país. Em 1904, foi a vez de embarcar para o Brasil, onde

percorreu o Estado de São Paulo e desceu ao Rio Grande do Sul, onde passou a
cavalo por cidades como Nova Bréscia, Farroupilha, Santo Antônio da Patrulha,
entre outras. Todavia, essas longas peregrinações em condições bem mais difíceis
que hoje ajudaram a comprometer sua saúde. Na volta, já em Piacenza, em 1905,
veio a falecer. Seu corpo repousa atualmente na Catedral da cidade, a basílica de
Santa Maria Assunta, na Piazza del Duomo.
Mas os esforços do padre Scalabrini não foram em vão. A congregação se
expandiu e hoje marca presença em 22 países entre África, Ásia, América e
Europa, envolvendo cerca de 815 pessoas. Popularmente, Scalabrini é conhecido
como o “Pai dos Migrantes”, porque lançou as sementes da congregação que ainda
hoje tem como foco principal o atendimento de migrantes.
Em Piacenza, o Centro Migrante Scalabrini oferece assistência aos
estrangeiros residentes na Itália com aulas de italiano, escola, centro médico e
catequese. Em Porto Alegre, a Irmã Maria Jacomina Vernonese fundou o Hospital
Mãe de Deus (HMD), sendo um dos melhores e mais bem equipados da capital
gaúcha. O HMD constitui, de fato, o provedor principal de uma ampla rede de
instituições e de serviços na área da saúde e da educação, realizando significativa
missão institucional, tornada visível em várias atividades sociais, alavancadas por
um empreendimento empresarial bem sucedido. Mais recentemente, projetando
uma presença ainda mais ativa e num espaço maior da cidade, o HMD
protagonizou novo empreendimento altamente significativo, na região da Av.
Carlos Gomes, em Porto Alegre, que é o Mãe de Deus Center.
Esta foi uma bela história de ouvir, numa cidade italiana de povo gentil e
que preza muito sua própria história e trajetória.
Imagens de Piacenza:
- Praça Duomo: 1
- Catedral: 1, 2
- Centro da cidade: 1
- Museu: 1, 2
- Igreja: 1
- Relíquia de Scalabrini: 1
- Estátua de Scalabrini: 1
- Busto de Scalabrini: 1

- Quarto de Scalabrini: 1
- Túmulo de Scalabrini: 1, 2
- Jardim com imagem de Maria: 1
- Monumento aos mortos em guerras: 1
Imagens de Milão, cidade próxima de Piacenza:
- Praça Duomo: 1
- Galeria Vitorio Emanuele: 1, 2, 3
- Catedral: 1
***

CRÓNICAS DE FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
UM ARMAZÉM DE EMOÇÕ ES PARA CONSERVAR COM MUITA POEIRA

Setembro 03, 2006

Cidades: (1) Porto Alegre

Uma das minhas casas seria na República, esse bairro central de Porto Alegre. Não de
noite, povoada pelas faunas da cidade baixa, vagabundos, maus estudantes da
UFRGS, loiras que durante o dia trabalham nas repartições, esquerdistas sem
nostalgia, viciados em cinema, fumadores de baseado, professores universitários que
arregimentam alunas românticas, todos os géneros e categorias políticas de bebedores. Há também os esfomeados da sopa do bar de esquina, o Van Gogh, deputados
municipais, gente que frequenta reuniões literárias, comentadores de futebol,
caminhantes sem destino, bêbedos educados, boémios que contam a história da
cidade, advogados cansados, mulheres bonitas, músicos de bares das redondezas,
actores desempregados, desempregados que actuam como se não o fossem,
agitadores, vendedores de cachorros quentes, adolescentes de vestidos muito
decotados, gente de todas as religiões gaúchas, tertúlias nas esplanadas.

Desculpem as frases longas. Ao longo da minha vida escrevi muitas reportagens sobre
lugares, cidades, viagens e países. Muitos desses lugares eram tão belos que os
abandonava ligeiramente incomodado, entre eufórico e incomodado. Praias gentis
protegidas por desfiladeiros, ilhas onde pequenos hotéis construídos em madeira
aguardavam luas-de-mel. Cidades cheias de palácios, de ruas onde a História
ameaçava o passeante. Países cheios de arte e de glória, bairros habitados por
escritores de há trezentos anos, de quando havia literatura. Recebi cartas de leitores

incomodados, como eu, por essa beleza incólume e comovente, ou elogios de
viajantes fascinados. Sempre expliquei que a vantagem não era minha, mas desses
lugares sobre os quais, na verdade, eu devia calar-me para os descrever melhor.
Nunca me propuseram escrever sobre Porto Alegre, a cidade mais sem regras que já
conheci. Mas eu tinha de escrever sobre Porto Alegre.

Explico. As cidades europeias têm regras – algumas, inclusive, severas de mais. Ou
acerca do trânsito, ou sobre a arquitectura e a sua preservação, ou sobre a proibição
de fumar. Outras, como Salvador, na Bahia, parece não terem regras - mas elas estão
lá: a cidade dos negros, a cidade dos orixás, a cidade dos baianos brancos, a cidade
religiosa. Ou Buenos Aires, onde há uma certa anarquia, sim, mas onde existe uma
ordem monumental e uma tradição de bairro. Mas Porto Alegre é uma cidade que
vive sobre o risco e vive em risco. Plantada diante do Guaíba, o rio que parece o mar
(e que tem o seu poeta, Mário Quintana), Porto Alegre é uma cidade europeia como
os europeus imaginam que devia ser uma cidade europeia: decorada de cafés, de
livrarias, de mercados de rua, de árvores em todas as ruas, de bairros que vivem na
penumbra de jardins semiencobertos, que tanto mostra o seu chique antigo em
Moinhos de Vento, como o júbilo popular nas alamedas floridas e arborizadas do
Brique da Redenção, onde ao fim-de-semana se passeia de chimarrão na mão, tomando o mate e apanhando sol. Há restaurantes para fumadores e restaurantes para
não-fumadores. Esplanadas debaixo dos jacarandás da Alfândega e sotaques
espanhóis no Mercado Público, onde se concentra a maior quantidade de lojas de boa
comida do hemisfério sul - e onde, ao lado do restaurante Gambrinus, existe o bar
Naval para (de acordo com o menu afixado à porta) comer «o violento mocotó» ou a
«terrível feijoada». Nesse complexo de ruas, entre a Voluntários da Pátria e a
Floriano, a alma popular da cidade floresce como um dos grandes destinos a
conhecer.

E Porto Alegre é uma das minhas cidades.

in Outro Hemisfério – Revista Volta ao Mundo – Setembro 2006
P O S T E D BY S É R G I O AI R E S A T 3 . 9 . 0 6

OLHAI AS ÁRVORES DA CIDADE…
Junior Bonfim
Fonte - http://fjv-cronicas.blogspot.com/2006/09/cidades-1-porto-alegre.html

Crônica da cidade

Existem notícias que nos deixam incomodados e às vezes penetram, como
afiadas peixeiras, a melancia da nossa alma.
Há alguns dias a Professora Lindalva F. Carvalho e Machado lançou um
libelo contra o assassinato de um majestoso flamboyant, com registro de 25
anos de idade, que enfeitava a Praça da Rodoviária de Crateús.
Ali está sendo construída uma pista de skate, esporte em ascensão no meio
adolescente e juvenil. Sem objeções à realização da obra. Com todas as
perorações a favor da preservação da árvore.
O brado da professora fez eco no mais recôndito de muita gente. Até
porque essa prática ganha dínamos de reincidência freqüente e todos se
quedam silentes. Há algum tempo golpearam árvore na Rua Frei Vidal,
depois na Rua Firmino Rosa, em seguida na Rua Desembargador Olavo
Frota, agora defronte à Rodoviária.
Essa escalada predatória precisa ser estancada. É óbvio que há um longo e
paciente magistério de humanização, de combate ao embrutecimento, que
necessita ser posto em prática. Sobremodo, é imperioso que o iniciemos.
Fomos orientados a olhar o mundo apenas como espaço onde homens e
mulheres devem reinar. Crescemos rotulando de avançada a pessoa que
cultua a democracia – o poder nas mãos do povo. Porém, há um estágio
superior que precisa ser almejado: a biocracia – o poder nas mãos de todos
os seres vivos. Ou seja, este planeta que habitamos não é propriedade
exclusiva dos animais humanos, ditos racionais. É o lar sagrado de todos os
outros seres vivos, da totalidade das espécies (inclusive animais
‘irracionais’, planetas e plantas). São Francisco, o mais ecológico dos
homens canonizados, tinha essa compreensão de fraternidade cósmica
muito clara. Poeta, glorificava o Deus da Natureza louvando “o irmão Sol,
pela luz do dia; a irmã Lua e as irmãs Estrelas, claras irmãs silenciosas e
luminosas, suspensas no ar; a irmã Nuvem, pela fina chuva que consola; o

irmão Vento, que rebrama e rola; pela preciosa, bondosa água, irmã útil e
bela, que brota humilde; pela maravilha que rebrilha no Lume, o irmão
ardente, tão forte, que amanhece a noite escura, e tão amável, que alumia a
gente (…)Louvado seja pelos seus amores, pela irmã madre Terra e seus
primores, Árvores, frutos, ervas, pão e flores”.
Sei que são muitos os que consideram fora de propósito gastar tempo e
tinta, papel e palavra com a defesa de um tema oriundo da e dessa
Natureza. Entendo e respeito quem julga ser coisa sem importância cortar
árvores. Eu também já pensei assim. Sucede que o mundo, assim como nós,
evolui e deve evoluir.
As árvores, filhas primorosas da mãe Terra, exalam vida. Quem planta,
cuida ou zela por uma árvore sabe que há um elo sentimental que une esses
dois viventes seres. Pouca gente raciocinou que aquelas frondosas e
centenárias árvores da Rua Desembargador Olavo Frota estavam
umbilicalmente ligadas à história daquela via urbana e dos seus habitantes.
Constituíam patrimônio público. Se fôssemos aspergidos com o óleo da
sensibilidade e entendêssemos que as árvores, tal e qual cada um de nós,
têm palpitação vital – certamente as olharíamos de outra maneira.
Felizmente, há registros de que é crescente o número de cidades que têm
adotado métodos e medidas para preservação, manejo e expansão das
árvores, de acordo com as demandas técnicas e as manifestações de
interesse das comunidades locais, implementando o seu Plano Diretor de
Arborização Urbana.
Eis uma ação digna de justo registro, destacada loa. Em Porto Alegre, por
exemplo, foi feito um inventário das árvores da cidade. Lá existe mais de
um milhão e trezentas mil árvores em vias públicas, cuja distribuição
beneficia um número de pessoas ainda maior que o atingido pelos parques
e praças.
Alguém já imaginou se soubéssemos quantos exemplares arbóreos habitam
a nossa Urbe? Se existisse um inventário, uma ficha histórica de cada um,
distinguindo as espécies nativas das exóticas, compondo um quadro real da
diversidade desses organismos vivos?
A sabedoria dos nossos ancestrais, oralmente transmitida, reza que não há
mal que não traga um bem. A maldade demolidora do formoso flamboyant
que enfeitava a Praça da Rodoviária suscitou o correto clamor da
Professora Lindalva. Que ele sacuda as estruturas da nossa insensibilidade.
Que sirva de sirene nos ouvidos das autoridades. Que repique solene, como
um permanente sino de catedral, na consciência de cada um: “Olhai as

árvores da cidade…”
Fonte - http://gazetacrateus.com.br/v2010/sem-categoria/cronica-da-cidade-8/

HISTORIA DE CIDADE BAIXA

A delimitação atual do bairro Cidade Baixa abrange as avenidas Praia de Belas,
Getúlio Vargas, Venâncio Aires, João Pessoa e parte da Borges de Medeiros. A
"Cidade Baixa" antiga, contudo, era mais ampla. Compreendia toda a região
localizada ao sul da Rua Duque de Caxias.
Apesar de projetos de arruamento terem sido propostos desde 1856, boa parte da
Cidade Baixa permaneceu desabitada por vários anos, principalmente o trecho
entre as atuais Venâncio Aires e Rua da República, conhecido pelo nome de
"Emboscadas". Consistia em um terreno baixo e acidentado, cortado por árvores e
capões, que dificultavam o trânsito e facilitavam os esconderijos. O lugar abrigava
tanto escravos fugidos como bandidos e caracterizava-se como "uma zona de meter
medo aos mais valentes", segundo Ary V. Sanhudo(1).
A implantação das linhas de bonde de tração animal, através do Caminho da
Azenha (Av. João Pessoa) e da Rua da Margem (João Alfredo) contribuiu para a
urbanização do local. A antiga Rua da Margem era atravessada por várias ruelas —
todas chamadas becos — que se tornaram célebres por seus nomes exóticos: Beco
do Vintém, Beco do Curral das Éguas, Beco dos Coqueiros e Beco Ajuda-me a
viver!...
Na década de 1880 novas ruas foram inauguradas, imortalizando os nomes dos
vereadores Lopo Gonçalves e Luiz Afonso. A atual Joaquim Nabuco também foi
oficialmente aberta nessa época, batizada de Rua Venezianos, pois sediava o
famoso grupo carnavalesco. O carnaval da Cidade Baixa era reconhecido e
prestigiado na época, com destaque para os coros que movimentavam as ruas.
O bairro acabaria se notabilizando pela existência de uma "classe média
singularmente diferenciada". Composta por famílias que "ainda botavam cadeiras
nas calçadas", assistiam às matinês do cinema Capitólio e freqüentavam os
armazéns em busca de "secos e molhados". Essa "atmosfera" característica,
segundo Carlos Reverbel(2), definia exemplarmente a vida na Cidade Baixa.
1. Porto Alegre:crônica da minha cidade, p.208.
2. Folha da Tarde, 04/12/78, p. 04.
(Luciano Ávila)

http://www.achetudoeregiao.com.br/RS/porto_alegre/cidade_baixa.htm

Nostalgia dominical
Rogério Mendelski*

Há quem defenda que a Porto Alegre "de antigamente" era muito melhor que a atual,
mas a questão é discutível por uma única razão: o tema sempre é trazido à discussão
pelos nostálgicos, por aqueles que sabem que os "bons tempos" são, exatamente,
aqueles que não voltam mais. O leitor não verá, por exemplo, um jovem de 20 e poucos
anos ter lembranças das lojas sofisticadas da Rua da Praia ou dos cinemas com mil
cadeiras - os do Centro de Porto Alegre ou os dos bairros.
Para ele é inimaginável um cinema como Castelo, dizem (nunca contamos) que com 1,2
mil lugares, localizado ali na Rua da Azenha, bem defronte à 2 DP. Cinema para alguém
com 20 anos só pode estar em algum shopping, jamais num fim de linha de bonde (o
que é isso?) e, muito menos, isoladamente, na Rua da Praia ou adjacências
O mesmo vale para a hora do lanche, em algum point da moda. Hoje, fora do circuito
dos shoppings, só a Padre Chagas está com tudo. Tente explicar e contar sobre as
gostosuras da Confeitaria Rocco, da Casa Touro, do pãozinho com pernil do Matheus,
do Rib''s, do Rian, das torradas do Joe''s, da banana split das Americanas ou do
"Tremendão" do Alaska? Melhor nem falar no Restaurante Treviso, já que no Mercado
Público, daquele tempo, resistem ainda o charmoso Gambrinus e o velho Naval de
guerra.
Claro que a Padaria Pão de Açúcar, também no MP, continua sendo apenas uma
excelente padaria, enfrentando o avanço inexorável do marketing da nova nomenclatura
de "panificadora", "oficina do pão", "cia. do trigo" ou simplesmente "delicious breads".
Mas para evitar uma gargalhada do jovem, jamais recorde os cabarés da velha Porto
Alegre que os mais antigos - aportuguesando o termo clássico francês - diziam randevu
(rendez-vous), com acento no "u". Mesmo assim, dá para contar as lendas dos
inexistentes cabarés das estudantes e das mulheres casadas, ambos só funcionando à
tarde e na nossa imaginação.
Não custa citar Carlos Lacerda (o conheci na antiga sucursal do Estadão, apresentado
pelo jornalista e livreiro Mario de Almeida Lima) que me perguntou a diferença entre
futebol e prostituição? No futebol, disse, o profissionalismo matou o amadorismo. Na
prostituição, deu-se o contrário.
Nós, daquela época, "ficávamos" nos quartos de fundo da Dorinha, da Emília ou do Ma
Griffe. Hoje, a garotada "fica" em casa mesmo. E os adultos também. Até os motéis já
eram. Antes, porque não existiam. Agora, porque existem os assaltos.
Para encerrar: lembram quando havia intervalo nas sessões de cinema e entrava alguém
oferecendo "baleiro, balas?".

Violino bipolar
Foi com surpresa que um velho amigo do colunista gritou: "Olha o Carlito de ismuqui!",
quando viu um circunspecto senhor tocando violino na Ospa, num programa vespertino,
em preto e branco, da TV Piratini. "Desde quando conheces aquele exímio violinista?".
E o amigo, na bucha: "Ele toca na típica do Maipu, todas as noites!".

Cingapura
O nome já transportava qualquer frequentador para algum bordelzinho asiático, bastava
um pouco de imaginação ou leitura de Emílio Salgari ou Somerset Maugham, mas seu
endereço era na Rua da Praia. O ambiente não poderia ser mais cinematográfico:
malandros, policiais, mulheres, garçons e fregueses mal-encarados. Local para gente do
ramo. Neófitos no assunto tinham permissão para ficar por ali, no máximo, dez minutos.

Intercontinental
Foi o apelido que botamos numa churrascaria, ao lado da hoje Casa de Cultura Mario
Quintana. Chamo o testemunho dos jornalistas Wanderley Soares e Anilson Costa, pois
era ali que almoçávamos no intervalo de preparação da Folha da Manhã: uma costela
macia, salada, feijão e arroz. O nome Intercontinental veio do noticiário sobre a guerra
de libertação da Nicarágua, hotel onde os jornalistas estavam hospedados em Manágua
e onde podiam fazer suas refeições.

Delícia de pastor
Era um desses barzinhos com poucas mesas, ali na Venâncio Aires, na Cidade Baixa,
entre a João Pessoa e a Santana. Sinceramente, não lembro o nome do lugar e fui levado
até ali pelo Gabriel Mathias (grande Mathias!), chefe da sucursal do Correio da Manhã
(RJ), em Porto Alegre. Nosso lanche maravilhoso: cachorro-quente pastor. Pão, salsicha
e queijo derretido.

Altos do Cacique
Que point! Na sobreloja do Cinema Cacique estava a sua confeitaria, frequentadíssima
pelo que havia de melhor na cidade. Quando foi inaugurada me parece que só entrava
quem estivesse de paletó e gravata. O som era com o trio de Herbert Gher (piano,
bateria, contrabaixo - nada de tomada elétrica) e a gente podia conversar
civilizadamente.

Mônaco, na zona Sul
As ruas do bairro Tristeza e proximidades já tiveram corridas similares ao GP de
Mônaco. Carreteiras, Gordinis, DKWs, Fuscas ensurdeciam os espectadores e nós
vibrávamos com os irmãos Andreatta, Flávio Del Mese, João Bastian, Breno Fornari,
entre outros azes do volante, acelerando a 100 km/h pela Otto Niemeyer e entrando em
duas rodas na Wenceslau Escobar. Para nos sentirmos monegascos só faltavam o

príncipe Rainier III e a Grace Kelly.

* Rogério Mendelski apresenta o Bom Dia, a partir das 6 horas na Rádio Guaíba, e
escreve aos domingos no Correio do Povo.

Deu no Prévidi - www.previdi.com.br -27 07 2010

Sobre a crônica de ontem do Rogério Mendelski
Não lembro também do nome do bar do cachorro-quente "pastor", mas comi varias
vezes.
Era muito bom.
Farroupilha
Também tínhamos o Farroupilha na Borges com Fernando Machado, antiga rua do
Arvoredo.
Era um sanduba com cacetinho, manteiga, mortadela ou presunto e queijo.
Estadinho
O Tatu era garçom do Farroupilha e também lutava luta livre no Estadinho da esquina
da Jerônimo Coelho com a Borges.
Outros lutadores do Estadinho eram o Mister X, que lutava com uma mascara para não
ser identificado e que depois que a tiraram numa luta, se não me engano, com o
Manoelão, virou Sernardas.
Me parece que todos ou a maioria dos lutadores eram instrutores do DOPS.
Eu morava na Fernando e ia assistir com o meu tio Joca as lutas.
Era um sarro. As vezes voava balde, que não eram de plástico, guarda chuva, etc...

Sobre a crônica de ontem do Rogério Mendelski – 2
Clube Aimoré
Todos os fins de semana na Cidade Baixa, mais precisamente na Ponte de Pedra ou
Açorianos. No Clube Aimoré umas reuniões dançantes, onde inevitavelmente encerrava
com uma paulera fenomenal. Dava de tudo.
Bona Xira
E quem lembra do Bona Xira na Santo Antônio.
Era um barzinho com luz negra onde se ouvia Beatles, namorava e fumava muito.
Era uma fumaceira só.
O Mendelski não trabalhava no Estadão em cima da Livraria Lima?
Tinha o Paulo Macedo irmão de um amigo, o Pedrinho Macedo.
Temos outras tantas lembranças da Porto antiga.
Delton Castro

O ator Paulo José, gaúcho de Lavras do Sul, é

cidadão de Porto Alegre.
MINHA HOMENAGEM À PORTO ALEGRE COM O GRANDE PAULO JOSÉ

O ator Paulo José, gaúcho de Lavras do Sul, é cidadão de Porto Alegre. Em seu
discurso, ao receber a honraria...
“Eu me lembro do meu primeiro encontro com Porto Alegre. A família vinha de Bagé,
de carro, era noite. Eu cochilava no banco traseiro. Acordei quando entrávamos na
Avenida Borges de Medeiros, ao lado da Avenida Praia de Belas, e aí eu vi imponente,
monumental, maior do que a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora e a de São Sebastião
juntas, mais alto do que a Ponte Seca, mais bonito do que a casa do meu avô, o Viaduto
Otávio Rocha. Depois, pela vida afora, vi outros espaços monumentais impressionantes:
a Piazza San Marco, em Veneza, o Arco do Triunfo, o Coliseu de Roma, o Parlament
House com o Big Ben, mas nenhum deles me fez o coração disparar como aquela visão
dos meus oito anos. O Viaduto Otávio Rocha foi o meu primeiro alumbramento.
Eu me lembro que o Pão dos Pobres ficava nas margens do Guaíba, lá onde a cidade
acabava. Eu me lembro que a lancheria das lojas Americanas era o ponto chique da
cidade. Eu me lembro que tinha até banana split. Eu me lembro que eu sabia de cor
todas as transversais da Avenida Independência, do Colégio Rosário à Praça Júlio de
Castilhos: Rua Barros Cassal, Rua Thomaz Flores, Rua Garibaldi, Rua Santo Antônio,
Rua João Telles. Eu me lembro da Pantaleão Teles, da Cabo Rocha, American Boite,
Maipu, Gruta Azul. Eu me lembro do conjunto Norberto Baldauf, da Orquestra
Espetáculo Cassino de Sevilha, do Conjunto Farroupilha, dos Quitandinha Serenaders:
“Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito ainda chora...” Lembro da tristeza
da minha mãe quando emprestei o violão do meu irmão para um baiano que estava
passando uns tempos aqui em Porto Alegre. Eu me lembro que o meu violão nunca mais
voltou e que o baiano se chamava João Gilberto.
Lembro do Hino Rosariense. Lembro que Maria Della Costa era garota da capa da
revista O Globo, e tinha as pernas mais lindas do mundo. Lembro dos festivais Tom &
Jerry nas manhãs de domingo no cinema Avenida, das matinês do Cinema Victória, dos
cinemas Rex, Roxi, Imperial, Cacique. Lembro do mezanino do Cinema Cacique, que
servia a última novidade em gelados, o Peach Melba. Lembro que todo o mundo

detestava os filmes do Cecil B. de Mille, exceto o público.
Lembro que no abrigo dos bondes da Praça XV podia-se beber o caldo da salda de
frutas, sem frutas, apenas seus vestígios. Aquela água era néctar dos deuses. Lembro do
Vicente Rao, do Bataclan, do brique Ao Belchior, do Senhor Joaquim da Cunha, do
Farolito e do China Gorda.
...
Lembro que a deusa da minha rua era a Maria Thereza Goulart, que não era ainda
Goulart. Ela morava no edifício Glória e recebia visitas misteriosas de um João, este,
sim, Goulart, que era invejado por toda a garotada da Barros Cassal.
Eu me lembro do tempo em que futebol se jogava com goleiro, com dois beques, três na
linha-média e cinco no ataque e que, em geral, faziam-se gols. Eu me lembro do time do
Inter, imbatível, nos anos 50: La Paz, Florindo e Oreco, Paulinho, Salvador e Odorico,
Luizinho, Bodinho, Larry e Canhotinho.
Eu me lembro de um tempo sem malícia, quando o estádio dos Eucaliptos torcia,
gritando em coro: Co-Co-Colorado, Co-Co-Colorado, Co-Co-Colorado. Eu me lembro
do Café Andradas, onde a gente ia matar aula e encontrava o Henrique Fuhro. O
Abujamra, que anunciava tragicamente: “O homem é uma paixão inútil!...Mais um café,
Macedo”.
Eu me lembro do Bar Matheus, na Praça da Alfândega, da Pavesa, do Treviso, da
cadeira pendurada na parede, onde sentou Chico Viola. Da sopa, do mocotó levantadefunto do mercado Público, do sanduíche-aberto do Bar Líder, daquela mostarda
amarela do Galeto do Marreta e, por fim, do cachorro-quente da praça do Colégio Nossa
Senhora do Rosário, sem favor nenhum, o melhor do mundo.
“O sabonete Cinta-Azul tem o prazer de apresentar um novo filme de caubói Bat
Masterson, Bat Masterson”.
“Phimatosan, quando você tossir, Phimatosan, se a tosse repetir”.
“Ela é linda, ah! É noiva, oh! Usa Ponds, Aaah!”.
...
Eu me lembro que: “Até a pé nós iremos, para o que der e vier...”. Eu me lembro de que
não foi exatamente a pé, mas atravessando o mundo, de avião, que o Grêmio conquistou
o Campeonato Mundial de Clubes. Do show de bola do Renato, Mário Sérgio e demais
heróis tricolores. “Até o Japão nós iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós
estaremos.”
Eu me lembro que: “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa
quando começa a pensar...”
Eu me lembro do Programa Maurício Sobrinho, do Clube do Guri e de uma caloura que
diziam ser a nova Ângela Maria. Eu me lembro que ela morava na zona Norte e se
chamava Elis Regina. Eu me lembro de uns versos:
“Elis, quando ela canta me lembra de um pássaro,
Mas não é um pássaro cantando,

Me lembra um pássaro voando”.
Eu me lembro de uns quintanares:“Olho o mapa da cidade

como quem examinasse
A anatomia de um corpo
(É nem fosse o meu corpo).
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas rua que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando for, um dias desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade do meu andar
(Deste já longo andar!)
***

ALTO DA BRONZE
Paulo Timm -2010 – Publicado em www.viapolitica.com.br e www.previdi.com.br
*********\
Clique para ver o ALTO DA BRONZE em video
http://www.youtube.com/watch?v=ABPmrbaCbVo

Começo pelo que havia de melhor na cidade: O ALTO DA BRONZE, cantado pela
Elis, memorável! Ali cheguei em 1955. Ela ainda estava por lá, no bairro, e já brilhava
no Clube do Guri, da Rádio Farroupilha, nos domingos pela manhã. Mas mentiria se
dissesse que me lembro dela. Até porque ela já brilhava muito para meus singelos olhos
de menino recém chegado do interior. Tudo me fascinava na cidade, mas em nada me
atrevia a tocar. Nem pensar! Era como se nada daquilo me pertencesse. Sentia-me
estranho. – Cuidado com os bondes! advertia-me minha mãe. E eu saía tateando a
cidade, contando os passos, contando as casas, contando as pessoas, como quem conta
estrelas. – Olha o bonde, menino...!

A praça no Alto da Bronze impunha-se, sobranceira, bem no topo da Rua que se chama
ainda General Auto, de onde se descortinava todo o Guaíba. De onde eu vinha não havia
rio, não havia mar, não havia horizonte. Meu mundo era na Travessa Angostura, 50
metros de cada lado de minha casa. Agora eu via tudo.
Logo abaixo da Praça , o Colégio Ernesto Dornelles. Só de meninas. Poucas das
redondezas, pois era um colégio técnico e as alunas vinham da periferia. O Alto da
Bronze era o Reino da classe média e os filhos desta “ classe” se preparavam para “as
carreiras nobres”, como dizia meu pai: Medicina, Adocacia, Direito, Engenharia.
Imagino a sua decepção quando eu, anos depois, entrei para “Economia”. – O que é
isso? Perguntava ele. É “contabilidade?”
Ali no Colégio Ernesto Dorneles dobrava o bonde “DUQUE” , para pegar a rua que lhe
dava o nome.
A Rua Duque de Caxias era um divisor de águas.
Para trás, na dobra do bonde, na Duque, ainda tinha um pedaço pequeno de residências
e depois vinham dois colossos: a Usina do Gasômetro, que hoje se transformou em
Centro Cultural, e o Presídio. Nas suas imediações frontais pululavam casas antigas
transformadas em depósito de famílias de apenados, bares fétidos e algumas moradias
baratas. Dali irradiava, de ambos os lados, costeando a linha de outro bonde, o
“Gasômetro”, a podridão moral que infestava a região. Eram as casas de baixo
meretrício da Pantaleão e da Sete de Setembro. O puteiro de todos os portos do mundo,

com mulheres feias, quartos pequenos com camas quebradas e colchões pulguentos e
uma pia carcomida pelo tempo e pela vergonha.
Adiante, na Duque, o caminho do Poder e da ascensão social. Não por acaso na
“subida” da Duque, logo depois da Bento, moravam os ricaços Bittencourt, donos dos
cinemas da cidade e de carros rabos de peixe que nos deixavam embasbacados. Casa
grande, com piscina e tudo com o que mais sonhávamos: Poder, glória, grana...Mais
adiante os velhos solares dos Câmara e a Praça da Matriz, com sua ode ao positivismo,
a Catedral, o Palácio Piratini e, na esquina, o casarão amarelo da Assembléia
Legislativa. O zelador era o pai do Telminho, o mais nobre e gentil caráter de todos os
que conheci na época. Décio, seu irmão, um tipo estranho, mas muito meu amigo.
Diziam que era um mentiroso compulsivo, igual ao Viana, que morava ao lado. Nunca
notei...Ao redor da Praça seriam construídos os belos edifícios que abrigariam as
melhores festas de aniversário. Mais adiante, a Marechal Floriano e o grande centro da
cidade. O céu...
Abaixo da Praça do Alto de Bronze, a Rua do Arvoredo pospunha-se como uma
transição bem desenhada antes de chegar na Demétrio Ribeiro e Pantaleão, onde
habitava o "crime". Uma espécie de degradé urbano onde, à descida do morro,
correspondia uma descida na escala da sociedade. Ali viviam o que eu achava que
eram os piores tipos da região, como o “Martelinho”, assim chamado pelo formato
original de seu crânio sempre raspado, e "Zequinha", de quem eu morria de medo que
me pegasse de porrada. Diziam que ele era foda e que usava “soco inglês...”. Deixava
marca...Curiosamente, a Rua do Arvoredo não tinha nenhuma turma específica. Era
como se ninguém (de nós) morasse lá. E, emblematicamente, ela morria – e ainda o faz
– antes do Rio, desencantada num “castelo” de pedra, no qual se dizia que um homem
muito rico havia prendido sua amada. E esse castelo estava sempre fechado.

Acompanhando o bonde moravam os Pitrez, jóia de gente, o pai médico, a filha,
belíssima, casar-se-ia com o Luiz Carlos Krieger, filho do Senador, que também morava
por ali.
Mais adiante os Nogueira: Joel, meu colega de aula, hoje psicanalista em POA; Flavio,
"estrela" do céu é o limite, respondendo sobre MITOLOGIA GREGA, o Roberto,
cadete, colega do meu irmão, o Zé "Carne Seca", meu grande amigo, da turma que se
iniciava nos descaminhos da juventude rebelde reproduzindo os modos e costumes dos
filmes de James Dean. Hoje a casa deles está vazia. Onde andarão todos?

Logo adiante, sempre seguindo o bonde, morava o Leopoldo Schneider, quem sei por
internet , às vezes falamos. Sua irmã Norma, minha parceira das reuniões dançantes
viria casar com o Oscar "Gatão", e foi morar no Ceará. Soube que retornaram,
separados, recentemente. E que a mãe deles, que habita minhas memórias como mãeideal, que abria sua casa para nossas reuniões, que nos tratava com carinho ímpar, que

nos entendia como adolescentes,
faleceu recentemente, vítima do Alzheimer. Paz!

E aí em cada casa um amigo, um colega de turma, o ídolo a ser seguido. E uma e outra
parceira de reuniões dançantes como a Bety.
Não me lembro de ninguém chato. Será que havia?
No mesmo lado do Leopoldo ficava a casa dos Petracco. O Fúlvio era nosso líder. Mais
velho, disciplinado, primeiro lugar no Vestibular de Engenharia. Um exemplo.
E para evitar que nos desencaminhássemos ele inventou que seríamos escoteiros.
Deste tempo recordo nossas férias acampados no Veraneiro Hampel, em São Francisco
de Paula ,onde conheci a Moema, depois minha companheira,
uma das mais belas mulheres que já povoaram o planeta.
Até fomos juntos para Paris , anos mais tarde, já maduros. Quase me custa o casamento,
que já estava pelas tabelas e que acabou ruindo. Como teria sido se tivéssemos ficado
juntos? Certamente ela não teria conhecido o Celso, não sofreria com sua morte
estúpida numa madrugada portoalegrense, e, quem sabe teríamos ficado morando na
França, provavelmente nas costas do Mediterrâneo...

E tinha no Hampel uma cantora portuguesa, de quem nunca mais soube e lá veraneava
com sua filha, Carolina: Maria da Luz. Durante anos as visitei na Alberto Bins nutrindo
pela Carolina um secreto e enigmático sentimento jamais esclarecido.
Por onde andarão elas...?

Volto à Duque.
E vejo os gêmeaos Seadi, Muh´Aurail e Muh ´Andonio , e me lembro da irmã Nara,
que se casaria com o "bananão", nome que dávamos ao pessoal que
entrava para a Brigada. Os do exército eram "baleiros", por causa do "seis na bunda",
como gritava o moleque Brandão, do outro lado da rua, quando eles passavam fardados
com o uniforme azul de Agulhas Negras.
E o Cruz, os irmãos... (???) me esqueci...o sobrenome, mas me lembro que o mais
velho deles era o "Maciste"forte pacas- e que praticava box e luta livre. Ele nos levava, às vezes, pra ver os
“pegas” na Borges, onde, depois, construiriam o mata-borrão.
Ou seria mais acima?
Não sei. Talvez... A memória me falha em alguns pontos das paisagens. Nunca dos
nomes. Nem das pessoas.

Volto à Praça do Alto da Bronze.
Para o lado da rua da Praia, ficava a Riachuelo, onde eu morava, num prédio então
novo, na 407, do qual guardo uma fotografia.
E lembranças de umas "moças" lindíssimas e cheirosas que eu raramente via.

Trabalhavam "de noite".
Uma delas ainda consegui "pegar" no Castelo Rosado, fim da Voluntários, anos mais
tarde.
Eu muito jovem, mas com um bigodinho fingindo idade, para transitar naquelas noites
geladas
Mas em 1955, menino de onze, doze anos, bastava-me a pose com meus garbosos
irmãos, o mais velho já cadete.
E o caminho seguro, guardado por um quartel da Policia de Choque no meio, ainda por
lá,
entre minha casa e o Colégio das Dores, do qual guardo, a propósito , a lembrança
deduas grandes dores:
A morte prematura , de câncer do meu colega de itinerário- ele morava no Edifício dos
Bancários, na esquina do meu prédio - e sala de aula: o Irajá Rodrigues Pimentel.
Tantos anos e ainda me lembro de todo o nome dele na hora da chamada, de suas
feições, de nossas peladas no pátio do prédio dele nos fins de tarde.
E o acidente brutal que ceifou a vida dos pais de meu melhor amigo na classe: o
Liberato. Às vezes eu ia na casa dele, um prédio na São Manuel junto da escadaria que
liga esta rua com a Rua do Arvoredo. Eu subia e descia aquelas escadas maravilhado
pela beleza da paisagem, pelas árvores, pelo encanto do lugar. E disputávamos o
primeiro lugar no Boletim. Mas depois do acidente ele sumiu. Vejo seu nome, hoje, nos
jornais. Trocamos alguma correspondência. Nunca mais nos vimos. Mas ainda me
comovo.
Dores chocantes. Eu mal conseguia entender...E se acontecesse comigo...?
Defronte ao meu prédio, na Riachuelo, ainda vislumbro uma pensão barata, verdadeira
cabeça de porco,
da qual nos chegava o bafo da cachaça de seus frequentadores
sempre às turras com a família, batendo nas crianças, nas mulheres, com raiva do
mundo.
Só fui ver algo parecido nos romances do Vasco Pratolini, um italiano.
E por ali rondavam o "Jornaleiro", o "Zé da Ilha", para os quais pedia a meu pai, oficial
do exército, que os livrasse do serviços militar, por que eram muito pobres, tinham que
trabalhar.
Adiante da Riachuelo, saindo do perímetro do Cadeião, o ambiente ficava mais
purificado. Lá imperavam os "intelectuais" do bairro, maior parte deles um pouco mais
velho do que eu, quase todos estudando também no Colégio das Dores:
O Paulo Sotero, que se me fez um verdadeiro irmão nestes últimos 50 anos,
o belo Jorge Chagas, o elegante Camilo, o escroto Goldoni, o simplório Gomes, o
sofisticado Azambuja.
Todos se reuniam no Bar Rio de Janeiro, onde a filha do dono, de nome Odete,
enfeitava a paixão solitária de todos.
Sotero morava na Rua dos Andradas, defronte o Majestic, que, para nós era um
mistério.

Nunca entemos bem o que se passava ali naquele Hotel. Ele ficava imprensado entre o
passal da classe média, na Andradas, e o trottoir das prostitutas, logo atrás, na “Sete”.
Isto lhe conferia um enigma.
Mesmo depois, frequentando os bordéis da Sete de Setembro, púcaro de lues onde
marinheiros se infectavam e contaminavam a cidade nunca decifrei o Majestic. E ainda
fico impressionado quando vou lá, ele já convertido em Centro Cultural .
E, continuando na descendente, estava o Porto. Onde vi navios que me pareciam
gigantescos, onde comprava
radinhos SPICAS, com o assessoramento de meu amigo M.Antonio, que morava ali
perto , e
os vendia ganhando minha primeira grana na vida.
Lembro de um comprador: o Magrisso, irmão do Solon, que seria meu colega no
Julinho.
E ao lado do Majestic, a fábrica de carrinhos do velho Adail Morais, cujo filho João me
ensinou as primeiras letras políticas
e cujo irmao , que eu só via de longe, junto com o Candal e outros "inteligentes "
daquele tempo, foi o
Ex Ministro da Industria e Comercio, Pratini de Moraes.

E ia correndo rápido a década de 50.
Bondes...O Cinemascope do Imperial...O Ghilosso, defronte à Alfândega...Paslestras do
Brizola às sextas feiras na casa da D. Eloá.
Eu suspirando por um pouco de amor da Carmem. Depois da Marissol. Depois de uma,
pelo menos, das "morféticas".
E nada.
Nada além de uma valsa, um tango um pouco mais ousado, um bolero chegado, ou os
primeiros passos do roquenrol...
E muitas penitências do confessor.
"Tirem suas diferenças na porrada. Mas com luvas. Tomem!", dizia o Fúlvio.
E tomei uma surra do Nodari. Nunca fui bom de porrada. Foi bom, aprendi pro resto da
vida.
Meu negócio é escrever.
Não brigar...

E DEUS CRIOU PORTO ALEGRE
Paulo Timm – 2010 (Da Série Prévidi)

E assim foi: Longos anos, décadas, longe do sul e então o retorno.
ChegueI piá em Porto Alegre, em pleno inverno de 1955. Mas não reclamei do frio.
Santa Maria era muito pior. E me aquerenciei no perímetro do bonde “Duque”, morando
logo abaixo do Alto da Bronze. Ali me ambientei, numa rara ecologia humana que ia do
cais do Porto à Pantaleão, numa orla carregada de álcool, prostituição e até uma Casa de
Detenção, subindo gradativamente a Vasco Alves, para se recuperar social e
moralmente, ao longo de toda a Duque de Caxias, até o Viaduto Borges de Medeiros.
Um período maravilhoso, em meio aos “Anos Dourados”, em cujas férias eu me atirava
na velha “Maria Fumaça” para reviver minha antiga morada. E assim passaram anos e
anos, nos quais me reencontrava com os primos e primas na casa grande de minha
amada avó, Romilda, transformada em Clube da meninada. Quando me dei conta, tinha
passado pelo Colégio das Dores, pelo “Julinho”, pela antiga Escola de Cadetes da
Redenção. Era um porto-alegrense. E já era homem. Ou, pelo menos, pensava que era..
Era 1966. Estava na Faculdade de Filosofia, em pé, junto ao umbral que separava o
salão de entrada do Bar interno, ao lado do Flavio Koutzii, do Clovis Paim Grivot, do
André Foster, da Mercedes (então) Loguercio iniciando-me nas teias da subversão, para
horror de uma família conservadora estrelada de militares de alta patente. Durou pouco:
o tempo de me formar e , cagado de medo pelos rumos que a velha dissidência
estudantil comunista ia tomando, rumar para o Chile. Paulo Renato Souza, colega de
Faculdade, na Economia, me esperava e me daria, generosamente, o seu emprego como
“ayudante” do José Serra (esse mesmo!!!) na Faculdade Latinoamericana de Ciências
Sociais – FLACSO. Começava o ano mais terrível da ditadura:1970.
Muitos anos depois vim a saber-me, pela crônica de Sergius Gonzaga, hoje Secretário
de Cultura, sobre a década de 60 ,em Porto Alegre, que eu fora um guru do marxismoleninismo na cidade, já àquela época contaminado pelo vírus do “ Discreto Charme da
Burguesia”, na inclinação por carros esporte, roupas finas, vinho e charutos da melhor
qualidade e queda irresistível por mulheres bonitas e amantes castelhanas...Mas
esquerda, como toda a geração daquela época.
Esta Porto Alegre, por quatro décadas, ficou nos meus sonhos e devaneios.Do Chile fui
para Brasília e lá fiquei 35 anos. Certa feita, um amigo, Heitor Silveira, já falecido, de
quem me aproximara na Planisul de todas as cores e malucos, também em Brasilia,
retornara, em caráter definitivo, e me esnobava: “Aqui eu não ando, eu flutuo...” Eu
morria de inveja. Era o suficiente para eu conseguir umas férias matrimoniais, com ou
sem permissão do empregador, e mergulhar dias sem fim naquela que sempre foi a
minha cidade. E sofregamente tomava alguma aventuras amorosas como quem se
agarra ,não ao passado,mas à própria cidade. Sentia-me, então , embriagado de estranha
felicidade naqueles dias em Porto Alegre.
Agora estou aqui ao lado, em Torres. Já nada me impede de estar “em casa”. Digo ao
filho e família que temo o excesso de frio e chuva. Outras vezes, digo que já não
suporto a cidade grande, cujas vias nem reconheço e novos bairros nem sei chegar.
Vezes há , ainda, que a cidade não é segura. Tudo mentira. Guardo as vindas a Porto

Alegre como uma primícia, de sabor sensual e convidativo. Como quem freqüenta
furtivamente a proibição. Quem inventou a saudade, me disse uma vez uma amiga, não
conhecia a distância. Nunca saberei , ao certo, se a máxima era ou não dela. Mas
valeu...Saboreio a pequena distância que me separa de Porto Alegre com uma pitada de
saudade.
Aí escolho o Hotel. Tem que ser no Centro, no meu velho perímetro do “Duque”, onde
me sinto em casa. E, quase sempre, procuro as pegadas do Mário Quintana, em busca de
inspiração poética. Já não há o Majestic, onde ele morava, que me foi tão misterioso na
juventude, pelos arcos, arcadas, sacadas que contemplava , lá de baixo. Hoje pego o
elevador no Centro Cultural Mario Quintana , vou àquelas sacadonas e me sinto senhor
de um tempo que se foi. Não importa. Disseram-me que o Falcão levou meu ídolo para
o Hotel Royal, na descida do Sevigné, então lá eu fico.
Chego em Porto Alegre , quase sempre, à noite. E aí redescubro o prazer de ouvir
Lupicínio pelo seu filho, a gratidão de me sentir perto do Uruguai, através de uma
parrillada, de andar pela boemia da Cidade Baixa como quem anda no Quartier Latin.
Já não vejo os velhos amigos. Muito raro. Acho que nos evitamos sem querer,
querendo. Mas encontro novos e nos regozijamos com os mesmos profundos papos que
nos anos 60 povoavam nossas tertúlias quando saíamos do Festival de Cinema Tcheco,
na Praça da Alfândega, para discutir, sob inspiração do último artigo do Pilla Vares, a
diferença entre consciência e ódio de classe, como critério de discernimento da ação
revolucionária.
Pela manhã uma longa caminhada ao longo dos imaginários trilhos do “Duque”.
Atavismo. Reapropriação do tempo e do espaço. Casas, casarões, a escadaria da
Fernando Machado relembrando a ampla vista que se tinha do Guaíba, o cumprimento
aos lugares vividos numa espécie de oração matinal , um velho, como eu,
irreconhecível, por trás de uma janela. Naquele tempo banhávamos no gasômetro. E
entrávamos e saíamos do Porto como queríamos. Eu sempre com um SPICA debaixo do
braço para vender no Colégio e fazer uma graninha. Na primeira vez que subi no
convés de um navio fiquei impressionado com a altura até a superfície da água. Desci
correndo.
São oito e meia da manhã e já percorri minha juventude, com uma passagem pela
Redenção para reviver os ideais soterrados pela barbárie stalinista. Estou na frente do
Mercado com os sentimentos à flor da pele. Ali entrei , pela primeira vez, muito
menino. Para provar o morango com chantili na Banca 40, que desconhecia. E
mordiscar uns camarões ultra-salgados expostos na banca ao lado. Fascinado. Entro
solenemente, como se fora numa feira medieval.
Primeiro uma parada na Banca de Revistas e Livros usados. Salta aos olhos um
exemplar de Cícero, sobre Obrigações Civis. Cícero a essa hora? Nada melhor. Procurar
um lugar para sentir o momento mágico e folhear o opúsculo alentador. Aí o Café do
Mercado, um balcão simples , com mesas altas e bancos suspensos defronte. Mas, lá
dentro, o segredo do café cremoso apojado de tetas sibilantes numa variedade rara no

resto da cidade. –Tem café Jacu, pergunto hesitante? - Sim , senhor! Um expresso? Pois sim! E me sento num dos bancos para folhear o capítulo sobre o “Decoro”, ao
sabor do melhor – e mais caro café – do mercado brasileiro. Cagado por uma ave, o
jacu, e retirado depois de secas as fezes...(!) Degusto o café sem pressa. Nem olhares
curiosos. No passal das gentes a única preocupação é o dia que vem pela frente. Fico eu,
apenas, com o prazer. O prazer de estar no Mercado de Porto Alegre. E deixar escoar o
tempo... Certo de que, na saída, levarei para Torres um belo pedaço de charque de
ovelha para um carreteiro.
Deixo o Mercado, retorno à Rua da Praia e rumo para a Jerônimo Coelho. Fazer barba e
cabelo num daqueles machadianos salões que prometem funcionar dia e noite! Escutar
o falar acalorado de adversários ferrenhos sobre as virtudes dos novos jogadores do
Grêmio e do Internacional. “ Sou do Força e Luz”, digo. Não entendem bem. “Depois
torci pelo Cruzeiro, pelo qual joguei no time de basquete”. Eles me olham desconfiados,
de cima pra baixo, e eu, do meu 1.60m completo: “ No infantil...”
Aí resolvo subir a ladeira, ver uns sebos, e me reconheço uma vez mais no céu. Acho
dois livros que já havia perdido numa das inúmeras mudanças e lá me vou para o
reencontro com “A Razão Cativa “ e “Razões do Iluminismo”, de um dos maiores
filósofos brasileiros, marcado para morrer por ter sido Ministro da Cultura do Collor:
Sergio Paulo Rouanet. E nem se dão conta que Collor , foi , depois de Jango, o único
Presidente a ter Ministros irretorquíveis. Várias livrarias, o mesmo encanto. Então,
carregado, me sento num pequeno restaurante da Riachuelo, à hora do almoço, para um
copo de vinho. E me convenço de que “Deus criou Porto Alegre”, como diz o Prévidi.
E tenho um dia inteiro e um domingo, ainda, pela frente. Mas não vou contar mais
nada hoje. Fica para outro dia...

Homenagem a Porto Alegre
Ana Paula Figueiredo - 2011
Estagiária de Jornalismo
No próximo dia 26, Porto Alegre completa 239 anos. Aproveitando a data, a Biblioteca
Pública do Estado, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, promove um concurso
cultural, que tem como tema a cidade.
Quem tiver interesse, pode se inscrever em uma das quatro categorias: poema, conto,
crônica ou fotografia que represente a capital gaúcha.
A inscrição pode ser feita em somente uma das opções. Mas cada participante pode
enviar vários trabalhos na mesma modalidade.
No caso de poemas, contos ou crônicas, os textos devem conter no máximo 80 linhas.
Para as fotografias é requisito que sejam em formato digital, com boa resolução para
revelação.

As produções devem ser enviadas para aniversariopoa@gmail.com, com nome
completo, telefone, cidade e estado.
Os trabalhos premiados ficarão em exposição na Biblioteca Pública e serão divulgados
por meios eletrônicos.
Mais informações pelo telefone (51) 3225-9619 ou pelo e-mail bpe.rs@via-rs.net.
http://portal3.com.br/wp/concurso-em-homenagem-a-porto-alegre

Minha Porto Alegre
Jorge Loeffler* - Terça, 22 de março de 2011

Nasci e vivi boa parte dos meus quase 67 anos em Porto Alegre.
Meus filhos tiveram parte de sua criação nela. O nosso Mercado Público
para mim é uma das coisas mais agradáveis que nela há por seus cheiros.
Depois da reforma no governo Olívio Dutra penso que tenha ficado ainda
melhor, ou pelo menos mais “arejado”.
Lembro quando nós, o meu irmão Henrique e eu levados pelo pai íamos até
o caís onde pescávamos lindos e graúdos lambaris. Sempre aos domingos.
Na véspera “caçávamos” gordas minhocas na horta lá de casa. Nosso pai
embora não fosse muito alto, pois tinha 1,72 e caminhava rápido e nós,
volta e meia, tínhamos que correr para acompanhá-lo até ao fim da linha do
bonde Petrópolis.
Pois os bondes se foram já que algumas antas durante a ditadura
resolveram livrar-se deles por antiquados. Hoje o mundo todo ainda os usa,
mas aquelas antas eram “modernizadoras”.
Às vezes éramos levados até Praça da Matriz ali onde hoje temos nossa
Assembléia Legislativa para ouvirmos não sei que banda no antigo
Auditório. Lembro da Concha Acústica e dos bancos, estes rústicos e feitos
em pedra (granito) que hoje me fazem lembrar a velha Roma. Que lugar
lindo e gostoso. Conseguiram livrar-se dele.
Diziam e dizem que o progresso precisa de passagem. Será mesmo? O
bonde tomávamos para ir ao Colégio Rio Branco onde fizemos o então
curso primário.
Na volta optávamos por caminhar economizando algumas moedas para
outra destinação. Essas caminhadas eram feitas pela Rua Felipe de
Oliveira, paralela à Protásio Alves, pois ali não havia aquele Trânsito
infernal da Protásio. Na esquina da Borges do Canto havia uma Praça com
uma enorme caixa d’água que nem sei se ainda existe. Ali parávamos para
descansar.
E ali de vez e quando encurtávamos um já nada jovem senhor, como seu
rosto fino com o qual conversávamos. Dele muitos bons conselhos
recebemos. Era um filho de Cruz Alta, autor de uma obra literária infantil
que jamais consigo esquecer, As Aventuras de Tibicuera. Porto Alegre me

deu o privilégio que sei que hoje poucos ainda vivos tiveram que foi
conhecer esse senhor simpático cujo nome era Erico Verissimo.
Óbvio que à época não tínhamos a idéia de quem ele era no contexto
cultural. Havia igualmente o Cubo. Bem isto deixo pra lá, pois não é nada
agradável sua lembrança.
* Jorge Loeffler edita o www.praiadexangrila.com.br –
Publicado em WWW.previdi.com.br

Lembranças e inquietações
Paulo Brossard - Fonte: Zero Hora, 03/01/2011

Outro dia, em razão de determinado ato acadêmico, andei pelos corredores da velha
Faculdade da Avenida João Pessoa, verificando que os corredores eram os mesmos, mas
faltava alguma coisa no ar. Na tentativa de recuperar fiapos do tempo passado pensei
em recordar, aqui e ali, os lentes que conheci mais de perto. A circunstância de registrar
os 63 anos da colação de grau da turma que ingressara em 1943 e dela se despedira em
1947, me levou a evocar a figura de Darcy Azambuja, de quem ouvira a primeira aula.
A propósito, nunca me esqueci da aula magna por ele proferida no ano anterior, ao
ensejo do início do ano acadêmico. A guerra havia ceifado vidas, riquezas, nações, e seu
desfecho era incerto e ainda havia muito a destruir. O orador fez um apanhado magistral
da hecatombe, e as pessoas afeitas às belas letras gostariam de ler a peça de 1944, que a
revista Estudos publicou.
Aproveitando a deixa, é natural que me fixe na pessoa do diretor da Escola, Elpídio
Ferreira Paes. Latinista de prol, possuidor de farta cultura clássica, conquistara a cátedra
de Direito Romano. A matéria era lecionada no primeiro ano e os acadêmicos, saídos de

ginásios diversos, recebiam certo choque ao defrontarem-se com uma exposição
diferente de uma matéria semelhante a muralha cheia de dificuldades, a começar a
língua. O professor, cuja estatura não era elevada, calvo, sobraçando o grosso volume
do Corpus Juris Civilis, inspirava receio. Extremamente dedicado à Faculdade,
destituído de vaidades, de hábitos simples, conduzia os estudantes com seriedade e
cortesia; não me recordo de um só incidente ou choque com um único estudante nos
cinco anos em que o tive como diretor. Tenho lembrança de que em situações várias,
com energia discreta, defendeu a Faculdade em emergências delicadas; fui testemunha
ocular de algumas dessas situações e posso dizer que ele exerceu a autoridade devida
sem deixar de abrigar no coração um favo de mel, que ocultava discretamente. Com o
vasto conhecimento que armazenara, poderia ter escrito manual, sistema ou tratado
acerca da matéria que lecionou anos a fio, mas ficou na sua tese de concurso e poucos
artigos. Morava no coração da Rua da Praia, no edifício do Clube do Comércio, olhando
as belas árvores, povoadas de pássaros ao entardecer e ao amanhecer, sempre com a
companhia amorosa de dona Izolda.
O domingo que anteceder à publicação deste artigo será o último da presidência do Sr.
Luiz Inácio Lula da Silva, que num momento menos feliz se autoproclamou o maior e
melhor presidente da República em todos os tempos. Em tempos idos, dizia-se que
elogio em boca própria é vitupério. O fato é que no dia 1º de janeiro a presidente será
outra pessoa (até hoje não consegui compreender por que foi escolhido esse dia para a
transmissão do cargo do Chefe de Estado, por todos os motivos o pior de todos os dias).
Mas, já que o homem foi de tal maneira jactancioso, em artigo anterior lembrei fatos
que não recomendavam a soberba autoridade.
Como mera testemunha do duplo quatriênio, lembrarei dois ou três fatos
sumarissimamente. Ninguém ignora que entre nós o erário é o maior sócio e sócio
privilegiado de todos os que trabalham e produzem no Brasil e ninguém contesta que a
carga fiscal é muito alta, notadamente quando comparada com a qualidade dos serviços
públicos. E nada foi feito no sentido de aliviar a situação, que é antiga.
Outrossim, a taxa de juros reais é a maior do mundo desde o início do consulado até seu
dia derradeiro. E ainda agora, de certo modo invadindo o novo governo, foi anunciado
seu iminente agravamento. Os oito anos decorridos foram vãos na medida em que nada
foi feito para corrigir o triste primado.
Por derradeiro, se é exato que nunca se vira presidente com 80% ou mais de
popularidade, também é certo que jamais se vira tamanha publicidade a bafejá-la. Sem
falar na publicidade legal, em oito anos, o governo gastou cerca de 10 bilhões de reais e
no último ano, até a primeira semana de dezembro, o gasto foi de um bilhão e cem
milhões, coisa de 3 milhões diários. Agora, para festejar a “despedida”, mediante 325
veículos de comunicação, foram despendidos mais 20 milhões para engrandecer o maior
governante de todos os tempos. Nunca se vira coisa igual nem parecida desde o governo
de Tomé de Souza…

Caminhada Literária: personagens e autores nas ruas de
Porto Alegre
http://www.jornaldomercadopoa.com.br/index.php?view=article&id=158%3Acaminhada-literaria-personagens-e-autores-nas-ruasde-porto-alegre-&option=com_content&Itemid=113

11 de agosto de 2010

Um dos roteiros do programa de julho foi um passeio pelo mundo literário de escritores gaúchos, em
pleno centro de Porto Alegre. Orientada por Luis Augusto Fischer, professor de literatura brasileira da
UFRGS e pelo arquiteto Glênio Bohrer,coordenador do Programa Viva o Centro, a caminhada com
aproximadamente 200 pessoas, percorreu ruas e praças fundindo história, ficção e memórias literárias
dos dois últimos séculos da cidade.
Diante do busto do escritor Alcides Maya, na praça ao lado do antigo Cinema Capitólio, o professor
Luís Augusto Fischer começou a sua aula-passeio. "Era uma figura central na cultura gaúcha. Na sua
época, só para se ter uma idéia, era mais importante que Simões Lopes Neto", disse Fischer sobre o
escritor que foi, também, o primeiro gaúcho a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Depois o
grupo, puxado por Fischer e o arquiteto Glênio Bohrer enfrentou o frio de uma tranquila manhã de sábado
e seguiu a caminhada, interrompida logo a seguir, no início das escadarias do Viaduto Otávio Rocha,
esquina com a rua Fernando Machado. A parada serviu para o professor falar um pouco da famosa Rua do
Arvoredo, onde morava o temível açougueiro que, reza a lenda, fazia linguiça de carne humana aí por
volta de 1860, história que já rendeu calhamaços de papel e um conhecido romance de Luís Antônio
Assis Brasil, "Cães da Província". Seguindo pelas escadarias, no alto da Duque, nova parada. Desta vez
para que Fischer e Glênio falassem um pouco da antiga geografia da cidade que era dividida pela atual
Duque de Caxias. Ali eles lembraram que na parte de baixo ficava a parte mais pobre e a no outro lado a
elite portoale¬grense. Para exem¬plificar melhor estas diferenças, Fischer citou uma crônica de
Apolinário Porto Alegre onde ele cita o que para o professor seria uma antecipação das brigas de gangues:
o confronto entre os grupos Tintu¬reiros e
Bagadus. Na breve explanação o atento público
ficou sabendo também da existência de
inúmeros becos na região, sendo o mais famoso
o Beco do Poço.

Viaduto Otávio Rocha
Com a construção do Viaduto, iniciado em 1938 e concluído em 1932, tem início na cidade um
processo de desenvolvimento, tanto urbano como econômico. Este crescimento fez com que surgissem os
primeiros grandes prédios na região, principalmente na Duque de Caxias. Na famosa rua, onde hoje está o
Colégio Sevigné funcionou a primeira Escola Normal da cidade, que teve entre tantas alunas célebres, a

escritora Luciana de Abreu, uma mulher revolucionária para sua época. Ali também funcionou a primeira
Faculdade de Direito, em 1910. Numa região que respira história política, social e literária, um pouco
mais na frente, nova parada. Desta vez na peculiar Rua 24 de Maio, remanescente da época dos "becos".
Ali a parada foi para falar do historiador, crítico e ensaísta Gui¬lhermino César, mineiro que adotou o Rio
Grande do Sul. Menos de 500 metros à frente, uma rápida parada na chamada Praça do Portão, onde está
hoje a estátua do Conde de Porto Alegre, trazida da Praça da Matriz. O local servia como uma espécie de
forte e proteção à cidade das ações dos aventureiros, salteadores e invasores. Dela também se controlava a
chegada dos barcos e navios no Guaíba, segundo um morador da região. Nas suas proximidades, a
Confeitaria Rocco, com seu inconfundível estilo, que serviu de palco para a vida social e política da
cidade por várias décadas, a partir de 1910.
Qorpo Santo
Da antiga Praça do Portão para a Praça Dom Feliciano foi um pulo. Ali, Fischer deliciou-se em contar
histórias de Quorpo Santo (um "maluco beleza" da época, na definição dele) que esteve internado em
determinada época da sua vida na Santa Casa de Misericórdia para ter examinado seu estado mental, em
1860, aproximadamente. Qorpo Santo acabou indo para o Rio de Janeiro onde também não foi vaticinado
como "louco" e voltou a Porto Alegre. Aqui escreveu crônicas e 17 peças de teatro, uma dramaturgia que,
para críticos importantes como Yan Michalsky, é considerada precursora do Teatro do Absurdo, de
Beckett e o Ionesco. O professor também mostrou onde ficava a famosa Roda dos Expostos da Santa
Casa, onde ficavam as crianças rejeitadas e abandonadas no século XIX - uma delas a própria Luciana de
Abreu. Quem pôs fim nesse cruel processo foi o médico Mario Totta, que também escreveu o livro
"Estriquinina", junto com o cronista Paulinho
da Azu¬renha. Por ironia, o monumento do
médico-escritor

na

mesma

Praça

Dom

Feliciano está em estado lastimável, sem o
busto de Totta e com sua base agredida por
pichações - como a maioria dos monumentos
de Porto Alegre. A praça também era o local de
encontro dos poetas simbolistas da cidade, uma
geração que deu Álvaro Moreyra e Eduardo
Guimaraens, entre outros.

Tempos de Erico Verissimo e Mario
Quintana
Descendo a rua da Praia, antigo reduto de
footing e desfile das famílias em tardes
provincianas, o roteiro parou junto à Galeria
Chaves, um marco na cidade com sua
arquitetura renas¬centista e uma espécie de
pré-shopping Center. E, quase junto à ela, a
antiga Editora e Livraria do Globo, hoje

transformada em um ponto comercial. Na Globo, outra geração de escritores. Ali trabalharam Erico
Verissimo, nos anos 30, como editor e Mario Quintana, como revisor. "Erico foi o primeiro a escrever
sobre Porto Alegre, era um escritor urbano antes de O Tempo e o Vento", disse Fischer. A editora e
livraria também era um ponto de referência e encontro de políticos, como Getúlio Vargas. Cruzando a
Galeria Chaves, que está passando por uma grande reforma, com seus arcos romanos e colunas jônicas, o
grupo chega ao fim de seu passeio cultural, justamente na Praça XV, entre o Chalé da Praça XV e o
antigo Abrigo dos Bondes. "A história da cidade pode ser contada por suas praças", disse Fischer,
lembrando que a Praça XV começou como Praça Cond'Eu, depois passou para Praça Paraíso (em função
das prostitutas, no início do século XIX) e, finalmente, para o nome atual. Ali, informou o professor, era
um ponto de confluência, principalmente da colônia alemã que predominava no norte da cidade. Os
germânicos ricos (que moravam na av. Independência) e os mais pobres, da Floresta em diante,
costumavam se reunir nas imediações, principalmente no Chalé e no Bar Naval, no Mercado Público,
para derrubar incontáveis chopes. Nas proximidades, o Mercado Público, cenário de algumas páginas de
"Os Ratos", clássico romance de Dyonélio Machado. Para fechar dentro de um clima de literatura, o
professor encerrou a caminhada lendo o trecho final de um conto do livro "Pedras de Calcutá", de Caio
Fernando Abreu, onde duas personagens que se reencontram depois de muito tempo no centro, acabam
tomando um chope no velho Chalé da Praça XV.
VIVA O CENTRO
Resgatando a dignidade do Centro Glenio
Bohrer, coordenador do programa, informa que o Viva o Centro existe, neste formato, desde 2005. Ele
vê com boas perspectivas o futuro do Centro Histórico. Cita a reforma do Cine Imperial, prédio que
abrigará também o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, as obras da Praça XV que estão
começando, a recuperação do Largo Glenio Peres (em parceria com a Coca-Cola), a Praça Farroupilha e o
próprio Cameló¬dromo. Todas são a¬ções, segundo ele, para trazer um convívio mais huma¬nizado na
área central. “O centro vinha numa curva descendente, estava muito mal falado e temido, mas a partir de
agora as pessoas estão com outro olhar, inclusive com muita gente voltando a morar aqui”, disse ele.
Como prova dessa revita¬lização Glênio cita também recentes investimentos na região, como a
Petiskeira, lojas Pompéia e a recuperação da Galeria Chaves, todos de altos valores, que demonstram a
valorização do Centro. Ele também lembra a importância do Programa Monu¬menta, do futuro projeto do
Cais do Porto e aposta nos Portais da Cidade como um fator decisivo para a qualificação de toda a área
trazendo, inclusive, pessoas que não costumam vir ao Centro.
Saiba: Viva o Centro a Pé
O Programa é realizado duas vezes por mês, saindo sempre das proximidades do Caminho dos
Antiquários, às 10 horas da manhã e faz parte do Programa de Revitalização do Centro. Normalmente é
conduzido por especialistas em história e arquitetura. Para acompanhar a caminhada solicita-se 1 k de
alimento não perecível e as inscrições para o programa pode ser feitas neste e-mail
vivaocentroape@gmail.com .
Mais informações: 33331873 – 3333. 3289
Última atualização ( Sáb, 28 de agosto de 2010 11:40 )

O Mercado na História
http://www.jornaldomercadopoa.com.br/index.php?option=com_content&view=categor
y&layout=blog&id=73&Itemid=102
A enchente de 41, era água que Deus mandava...
Os mais antigos, que viveram tempos mais remotos de Porto Alegre não esquecem,
principalmente aqueles que ainda freqentam o Mercado da Grande Enchente de 1941,
quando uma boa parte de Porto Alegre foi inundada por uma enchente sem precedentes.

O velho Guaíba em maio de 1941, se esparramou cidade a dentro, com as águas
chegando até a Rua da Praia e Praça da Alfândega. Foram semanas de chuva intensa
como jamais se viu, inlcuive até hoje na capital gaúcha. Está registrado que em abril e
maio de 1941 a precipitação somou 791 milímetros na capital. Com isto o centro da
cidade ficou debaixo d’água e os barcos se tornaram o principal meio de transporte de
Porto Alegre em maio daquele ano, substituindo os automóveis e bondes nas regiões
mais atingidas.
A Enchente de 41, como ficou conhecida, deixou toda Porto Alegre em choque.
Pudera, foram 22 dias de chuva naquele maio de 1941. A enchente chegou ao seu ponto
mais alto no dia 8 de maio, quando a régua da administração portuária alcançou a altura
recorde de 4,74 metros na Praça da Harmonia. As águas avançaram pela Borges de

Medeiros até o Edifício Guaspari. Também tomaram toda a extensão da Praça da
Alfândega e da Rua da Praia até próximo da Rua Uruguai, além da Voluntários da
Pátria, incluindo a Estação Ferroviária, a Avenida Farrapos, o Quarto Distrito e boa
parte dos bairros Menino Deus, Azenha e Santana. Nunca houve inundação tão grande
e desastrosa. Por isto mesmo até hoje é ela lembrada e como herança, além das
memórias, deixou o contestado Muro da Mauá, erigido para evitar outra cheia daquele
porte.

O Mercado é um patrimônio cultural da
cidade
http://www.jornaldomercadopoa.com.br/index.php?view=article&id=119%3Ao-mercado-e-umpatrimonio-cultural-da-cidade&option=com_content&Itemid=41

Rodrigo Lopes*
Ele mora há 29 anos em Porto Alegre, viajou por
vários países do mundo como repórter de Zero Hora e
confessa que, com o Programa Camarote, da TVCom, que
apresenta junto com Kátia Suman, está redescobrindo a
cidade. O Mercado é uma dessas descobertas.
Eu acho o Mercado Público o centro da vida social de Porto Alegre. Por aqui
circulam pessoas de todas as classes sociais, que vêm simplesmente para atravessar o
centro e cruzam o Mercado. Outras para comprar, como o meu pai, que vem na Banca
43 há muitos anos. E tem outras pessoas que vem para sentir os cheiros e sabores.
Qualquer mercado é alma de uma cidade. Eu conheço os mercados de Montevideo, de
Barcelona e o pior mercado do mundo, a “cozinha do inferno”, de Porto Príncipe, no
Haiti, onde estive duas vezes. Sempre que eu chego numa cidade procuro ir no mercado
público para conhecer. A lembrança mais remota que eu tenho do Mercado é quando eu
vinha aqui com minha prima, Simone Lopes, que é jornalista em São Paulo e a gente
vinha buscar passagens escolares, antes da reforma. Eu tinha seis, sete anos. Era aqui no
segundo piso, a gente ficava na fila. Era um “friozão” porque não era coberto ainda.
Outra lembrança é também quando eu era pequeno e vinha visitar minha mãe na
Junta Comercial. Descia no centro na Praça XV, me assustava com o cheiro do
Mercado. Depois é que descobri que o cheiro também faz parte desta coisa pulsante que
é o Mercado Público. Depois da reforma me afastei um pouco do Mercado. Hoje acho
que entrar aqui virou mais um cartão postal. Me sinto orgulhoso do Mercado, de poder
trazer alguém que chega de fora aqui. Claro nos arredores ainda é um pouco perigoso,
precisa evoluir na questão da segurança, na reurbanização, a questão do Cais do Porto,

para que as pessoas se sintam mais à vontade para vir para o centro. Tem toda uma obra
de reformas no entorno do Mercado, toda a cidade do mundo tem o seu mercado e cuida
muito bem dele. Aqui se cuidou muito bem da obra, o Mercado é um patrimônio
cultural da cidade. Agora tem que ter segurança em volta para que as pessoas possam
visitar.
Em termos de alimento, cultura, erva mate só aqui se encontra vários tipos, as feiras
deveriam ser semanais. Falta chegar informações às pessoas. Eu mesmo que moro em
Porto Alegre há 29 anos não sabia que tinha uma Feira de Gibi, do Vinil. A imprensa
poderia abrir mais espaço para isto. Eu venho da Zero Hora, era repórter de mundo, para
mim está sendo uma redescoberta de Porto Alegre com esta experiência do “Camarote”,
na TVCom. Às vezes eu vejo que conheço Beirute, Tailândia, Barcelona, Estados
Unidos e não conheço a cidade em que eu vivo. Sempre optei, depois de viajar, voltar
para cá. No “Camarote” em uma semana a gente entrevistou mais de 100 pessoas, e as
pessoas estão sentindo isto. Dizem, ah, lá no Mercado, no Gasômetro tem isso, tem
aquilo, olha que legal, e eu não sabia que tinha. O diferencial do “Camarote” é isso: sair
do estúdio, para estar na rua onde as coisas estão acontecendo. O importante é essa
interação com o público. É uma grande estrutura, a idéia é ir também para o interior do
estado. Primeiro queremos consolidar Porto Alegre.
*Apresentador – Programa Camarote, TVCom

Gravatas de contrabando
Sérgio da Costa Franco
http://www.jornaldomercadopoa.com.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&i
d=58&Itemid=76

O fato aconteceu antes de 1945, - tenho certeza disso -, porque eu era ainda aluno do
velho Colégio Anchieta, ali na Rua Duque.
Alguém apareceu no Colégio informando que, no Mercado, numa banca de ervas e chás,
estariam vendendo gravatas bonitas e de bom preço, trazidas de contrabando da
Argentina. Era no tempo em que adolescentes gostavam de gravatas e se enfeitavam
com essa lamentável peça do vestuário, que eu hoje só uso em circunstâncias muito
especiais.
O aviso nos despertou interesse, e lá nos fomos, uns três colegas, em busca das
formosas gravatas de contrabando. A banca era no corredor principal, à direita, um
pouco além do que é hoje a banca Central, das lingüiças, dos queijos e dos embutidos.
O balconista (não sei se o próprio dono do negócio) fazia um pouco de encenação,
fingia relutar em mostrar a mercadoria, para criar o clima de “suspense”, até que

apresentava em cima do balcão a caixa de tábuas envernizadas, onde estaria a cobiçada
muamba. Mas, ao abri-la, o que saltava da caixa, impulsionado por mola, era um
enorme falo esculpido em madeira, medindo cerca de meio metro.
É claro que o desfecho inesperado era hilariante, ninguém se indignava, e todos
saímos rindo, já planejando aplicar em outros colegas a mesma “pegadinha”. Aliás,
naquele tempo não se falava em “pegadinha”, que é termo novo, difundido pela
televisão, mas em “trote”, “gozação” ou “brincadeira”.
Serve o episódio para ilustrar o clima psicológico do velho Mercado, onde um
comerciante, em meio às preocupações do ofício, achava tempo e maneira de se divertir
e divertir a freguesia com uma farsa muito bem ensaiada.

Outros artigos do autor:

O Mocotó do Governador

A primeira banca de peixe

Motim na Praça Quinze

O deputado e o "Completo"

Os italianos do Mercado

A FÁBULA DA CIDADE SORRISO*
Clóvis Heberle, jornalista - http://clovisheberle.blogspot.com/

Publicado em Ferro e Mais Ferro - 25 de julho 2011- www.previdi.com.br
Porto Alegre cresceu e se tornou capital da Província de São Pedro por sua excelente
localização: era ponto de chegada e partida de quem navegava pelos cinco rios que
desaguam no rio Guaíba, e por quem buscava a saída para o mar pelo porto de Rio
Grande, na Lagoa dos Patos.
No século 20, ferrovias e rodovias foram construídas, o Rio Grande do Sul se

industrializou, a capital cresceu e se modernizou. Se tornou conhecida como Cidade
Sorriso. Em seu porto atracavam navios vindos de todo mundo, e era possível
embarcar num Ita para o Rio de Janeiro ou para as capitais nordestinas.
Barcos subiam e desciam os rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí com cargas de
todos os tipos. Comprar laranjas, bergamotas e produtos da colônia na Doca das
Frutas era tão costumeiro quanto perc orrer o Mercado Público em busca de peixes,
carnes e tantos outros produtos. Bem perto dali havia lojas, joalherias, bares,
confeitarias e cinemas - Ópera, Imperial, Guarani, Carlos Gomes, Cacique. Era uma
festa. As garotas se produziam para percorrer a rua da Praia - o "footing" fazia parte
dos hábitos dos portoalegrenses.
Os bondes interligavam o centro aos arrabaldes: Navegantes, São João, Floresta,
Auxiliadora, Petrópolis, Partenon, Glória, Teresópolis, Menino Deus. Uma linha
circular, a Gasômetro, percorria toda a área central da cidade.
No início da década de 70, foi preciso optar. Extinguir os bondes e substituí-los por
ônibus, movidos a óleo diesel? Preservar os prédios construídos nas útimas décadas
ou botá-los abaixo para a construção de edifício s, transformando o Centro numa selva
de concreto?
Felizmente a população, os vereadores e os prefeitos não cederam às pressões dos
espertalhões, dos especuladores imobiliários e de todos aqueles que só viam os seus
interesses econômicos.
A maior vitória do espírito público ocorreu quando surgiu um projeto de proteção
contra as cheias do Guaíba e evitar o que acontecera em 1941, quando as águas
invadiram a parte baixa ao longo da zona portuária. Fruto de uma mente
megalomaníaca, pretendia a construção de um muro de concreto com portões
hermeticamente fecháveis ao longo da avenida Mauá. Foram levantadas dúvidas
sobre a eficácia do sistema - houve quem argumentasse com a velha e boa lei dos
vasos comunicantes, pois se as águas subissem até as bordas do cais, entrariam
também pelos canos de esgotos e pelo arroio Dilúvio para invadir o outro lado do
muro. O argumento definitivo para a sua rejeição foi de que o muro separaria
definitivamente a cidade do seu rio.
Daí para a frente, o bom senso prevaleceu. A navegação fluvial passou a ser
valorizada. Aliscafos semelhantes aos que ligam Montevidéu a Buenos Aires
substituíram os barcos a vapor para o transporte de passageiros entre Porto Alegre e
Rio Grande, com escalas em todas as cidades do trajeto - Guaíba, Barra do Ribeiro,
Tapes, São Lourenço e Pelotas.
Quanto ao muro: os recursos para a sua construção foram usados num projeto de
canalização e tratamento dos esgotos cloacais, q ue reduziram a poluição das águas
do Guaíba. O arroio Dilúvio voltou a ter águas cristalinas, e suas margens serviram
para ciclovias.
No verão, as belas praias do Guaíba eram uma opção para aqueles que não queriam
ou não podiam ir até o Litoral. O entardecer tinha um encanto especial com a
urbanização de toda a orla do rio. O trecho do porto entre o portão central e a Usina do
Gasômetro, transformado numa área de lazer, ganhou bares, cinemas, teatros e
restaurantes.
Quando as construtoras passaram a demolir os antigos casarões do centro histórico,
houve um movimento pela sua preservação, com o apoio dos jornais, tevês e rádios.
Enquanto as outras capitais brasileiras extinguiam os bondes, tapando seus trilhos
com asfalto para a passagem de carros e ônibus, a capital gaúcha não só manteve o

serviço, como o integrou aos ônibus dos bairros mais distantes e dos municípios
vizinhos. Em cada fim de linha dos bondes foram construídas estações de transbordo.
Com a prioridade a um transporte coletivo de qualidade e baixo custo, que mais tarde
incluiu um metrô para a região metropolitana, foram abandonados projetos de viadutos
e túneis destinados a facilitar o acesso de carros ao centro, já que isto só traria mais
poluição, mais transtornos. Em vez de carros, pedestres, bicicletas e bondes nas ruas.
Porto Alegre se manteve como era até os anos 60: charmosa, limpa, agradável.
A Cidade Sorriso.
* Esta fábula é uma homenagem a Leandro Telles, que por duas décadas lutou, junto
com alguns poucos sonhadores, pela preservação dos prédios históricos da cidade.
Obstinado, percorria as redações denunciando a destruição dos velhos casarões da
área central para a construção de edifícios, mesmo que muitas vezes fosse recebido
pelos jornalistas com indiferença e até com má vontade.
Num dos episódios mais conhecidos de sua militância, enfrentou pároco da capela do
Bom Fim que anunciara a sua demolição. Com o apoio dos moradores do bairro, o
templo acabou sendo restaurado.
Hoje Leandro se dedica apenas ao seu estande no Brique da Redenção.

Marcelo Carneiro da Cunha
15/11/11 | 18:48
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A culpa é do Fischer
Pois quem transita pelos meios acadêmico-culturais de Porto Alegre talvez conheça a
expressão “fischerpresença”. O criador da expressão é desconhecido, como quase tudo
que vale a pena a gente citar nesse mundo, mas ela descreve bem a sensação de quem se
acostumou a sempre – mais do que sempre, porque isso seria algo apenas onipresente, –
dar de cara com alguma das formas assumidas pelo Luis Augusto Fischer.
Exemplos concretos de fischerpresença? Lembram dos encontros no Centro Cultural
Renascença, lá no começo dos anos 90, que provaram a possibilidade de reunir
escritores e enormes platéias em plenas manhãs de sábado?
E quem classificou as formas e processos de produção da literatura feita no RS,
denominando a atual de “literatura de apartamento alugado”, descrevendo
brilhantemente a classe que tinha se tornado hegemônica na produção literária daqui? E
também aproveitou para escrever que estávamos produzindo, “muita literatura
mediana”, de novo acertando em cheio?
Quem combateu todo o poder financeiro, político e cultural paulista e seu plano de
dominação global nos artigos intitulados “Contra São Paulo”, que renderam um
saboroso debate com Marcelo Coelho na Folha de São Paulo, provavelmente o único e
último ocorrido entre um intelectual de primeira linha nosso e um veículo de primeira
linha deles? Quem faz do Sarau Elétrico o ambiente com tal amplitude intelectual que

nos seus bons dias vira a melhor coisa que acontece em Porto Alegre? Ah, o Dicionário
de Porto-Alegrês?
Tudo isso, e mais várias coisas, são culpa do Fischer. E, no entanto, ele é mais culpado
do que isso. Ele é culpado por, praticamente sozinho, ter criado a solução que vai tirar a
humanidade da armadilha demográfica em que ela se enfiou nas últimas décadas.
Pois que um problema do mundo, em um mundo que quase não os tem, é que as pessoas
pararam de querer ter filhos, pelo menos mais do que dois. Isso também significa que a
gente, basicamente, vai virar panda e sem o benefício dos brotinhos de bambu.
Todos sabem que, ou as mulheres têm, em média, 2,1 filhos, ou babaus, passamos para
o ponto abaixo da linha de reposição. A linha de reposição é aquela que garante que
cada mulher terá o número suficiente de filhos para repor os pai e mãe que ele vem
substituir, mais 0,1 para dar uma sobrinha, o que sempre é bom quando o assunto é
demografia. Há algum tempo, até mesmo o Brasil passou para baixo da linha de
reposição, o que também significa que, caso a música nativista não acabe com a nossa
raça antes, a falta de peças de reposição acaba.
Acabaria, porque então veio o Fischer para resolver mais essa parada. Ele, sozinho, está
convencendo um enorme número de homens na segunda idade, aquela acima dos 45 e
antes de que algo grave aconteça, a terem filhos. Todo um exército de reserva, até então
desconectado desse grave drama global está sendo convocada para contribuir com muita
experiência e animação, mesmo que com alguma dificuldade com excessos lombares, a
evitar o desaparecimento da humanidade. Missão e tanto, e à qual estão respondendo
com um “Sir, yes, sir” devido, exclusivamente, ao exemplo fischeriano.
Fischer nos provou com sobra, primeiro com o Benjamim, depois com a Dora, que sim,
era possível, yes, we can, e bem antes do Obama se aproveitar de mais esse fischerismo.
Pais na faixa dos cinquenta trazem tantas vantagens que é um espanto que isso não
tenha sido pensando antes. Bom, até o século 19 a gente morria muito cedo, pode ter
sido por isso, quem sabe. Mas hoje não, graças à ciência a gente vai firme, ou mais ou
menos, até bem depois dos 80, indo de van ver peças de atores globais e nos sentindo
ótimos. Se isso pode, filho também pode.
Pais na faixa dos cinquenta ouviram os Beatles, Pink Floyd e Chico no original,
fresquinhos. Bebês desses pais jamais irão ser submetidos a tranqueiras como Legião
Urbana ou, horror, Los Hermanos. Essas crianças jamais irão parar no SOE por motivos
de más influências musicais. Melhor, eles não vão saber o que é um SOE.
Nessa idade, esses homens já passaram por tudo o que existe e, portanto, compreendem
as mulheres e seus jeitos incompreensíveis. Não se metem em brigas sem solução,
acertam o tempo e o tamanho dos problemas. Jamais explodem, o que também pode ser
por falta de energia. De qualquer maneira, jamais explodem, e nada é melhor para um
bebê do que estabilidade. Homens na faixa dos 50 são especialistas em estabilidade, ou
não teriam chegado tão longe.
Essa classe inteira, por bom-senso ou falta de oportunidade, permaneceu assim, intacta e
sem filhos por tempo demais e o Fischer veio para acabar com mais esse mito.

Os exemplos de homens que estão aderindo à causa são demasiados para que eu os
mencione aqui, mas as hordas crescem. Eu mesmo, olhando para o Manuel aqui ao lado,
seis dias de idade e não parecendo especialmente curioso com o ruído das teclas, sou
mais uma feliz vítima da influência fischeriana. Conheço muitos outros, e já começo a
contaminar alguns.
E nesse exato instante, em que a breve estabilidade é temporariamente rompida e
Manuel resolve mostrar quem manda, ou quem chora mais alto – o que quer dizer a
mesma coisa -, penso que sei muito bem de quem é a culpa, e em como se faz para
agradecer por isso, por afinal estar participando dessa experiência enriquecedora como
nenhuma outra.
Ao Fischer, o meu muito obrigado.
http://sul21.com.br/jornal/2011/11/a-culpa-e-do-fischer/

V – IDIOSSINCRASIAS PORTOALEGRINAS

Parabéns Porto Alegre pelos seus 239 Anos!

Sou de Porto e daí?
Você sabe como identificar um Porto-Alegrense?
1 – Divide o domingo entre antes e depois da passadinha no Brique ou no Parcão.
2 – A partir de julho, deixa de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios
da Feira do Livro.
3 – Odeia o muro da Mauá.
4 – Fala mal das praias gaúchas, mas nunca recusa convite para passar o fim de semana
em Imbé ou Atlântida.
5 – Desfila em qualquer rua de qualquer cidade com cuia e garrafa térmica como se
fosse coisa ”trinormal”.
6 – Ama ou odeia o PT. Não tem meio termo.
7 – Acredita que a última batalha não será entre o bem e o mal ou entre a luz e as trevas,
mas entre Gremistas e Colorados.

8 – Em uma tarde consegue mostrar todos os pontos turísticos da cidade aos amigos que
vêm de fora.
9 – Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais
algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas parte para a briga com qualquer
estrangeiro que ouse dizer uma barbaridade dessas.
10 – Acredita piamente que existe uma comprovação científica para o fato de o pôr-dosol no Guaíba ser o mais bonito no Planeta. Talvez pelo fato do paralelo trinta passar na
Rua da República.
11 – Chama o carinha ali de bagaceiro; come negrinho e branquinho e ainda compra
cacetinho.
12 – Diminui metade das palavras e nem se dá mais conta disso: Findi, Churras,
Super…
13 – Ama Porto Alegre!
O Portoalegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente (que não é o hemisfério e
sim um bar em Porto Alegre). Para começar, só existe uma interjeição: ”bah!” – que é
usada em mais ou menos 462 situações diferentes. Prá complicar, ”bah!” tem, também,
497 entonações diferentes: pode ir de um simples ”beh!”, até um complicado, ”pãh!”
dependendo do que tu queres dizer.

E tem também as gírias. Porto Alegre é
equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas
chegam até a ser exportadas: ”viajar na maionese” e ”pirar na batatinha”, que agora
estão na moda no Rio, são faladas há anos, ou em Portoalegrês, ”há horas”.
Outras expressões cruzam a fronteira, mas nunca chegam a ser compreendidas. ”Deu
prá ti”, por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil
inteiro.
Talvez porque pensaram que ”deu prá ti” fosse uma sacanagem quando na verdade só
queria dizer ”chega!”.
Também tem o ”trilegal”. Há horas ninguém fala trilegal em Porto Alegre.
Se fala ”tribom”, ”triquente”, ”triafim”, ”trigente”, ”triafu” (muito usado), ”tri” o que tu
quiseres.
Mas nada é mais porto alegrense quando falar: ”tu vai ir?”
Repita agora, com sotaque:
”Báh, mas tu vai ir? Bah, mas se tu for, eu também vou ir”.

É, Porto Alegre é o único lugar do mundo onde a gente lava ”Os pé” e lava ”as mão”.
E deu prá ti, viu guri!
Não há nada melhor do que poder dizer: ”Bah, eu sou de Porto”… com sotaque mais
cantado possível… e a cara mais orgulhosa do mundo!
Porto Alegre é TRIAFU! E ‘’sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra!”
Autor Desconhecido
Se alguém souber, nos informe!
Nossa homenagem a cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do
Sul. Porto Alegre completa 239 anos neste dia 26 de março de 2011. Parabéns a
todos os Porto Alegrenses!
***

ESPECIAL 1 – O tempo em que Porto Alegre ousava
Fonte: http://portoimagem.wordpress.com/2011/05/14/especial-1-o-tempo-em-que-portoalegre-ousava/
tags: aterros do guaíba, edifício santa cruz, falta de ousadia, ousadia, túnel da conceição
por Gilberto Simon

O objetivo principal do Blog é lançar notícias/reportagens para discutirmos. Mas uma
das maneiras mais formidáveis de vermos o quanto nossa cidade poderia estar melhor,
no seu urbanismo, no seu desenvolvimento turístico, é através de fotos. E fotos antigas.
As fotos antigas nos dizem que a cidade já foi outra. A cidade já ousou através de seus
projetos. Há 50 anos, a cidade aterrava parte do Guaíba para ter mais espaço para
crescer. E crescer com qualidade, junto ao centro. Construímos o maior porto fluvial do
país na década de 20. Construímos estádios onde antes era água. Construímos prédios
inclinados junto ao morro, num pioneirismo latino-americano. Década de 50, 60 e 70,
Porto Alegre mudou de cidade para metrópole. Como muitas outras cidades no Brasil,
claro. Mas a partir de 1980/90 a cidade parou em termos de arquitetura/urbanismo.
Raros projetos tiveram destaque. A cidade parou de ousar. E continua parada. Os
projetos mais ousados encontram resistência enorme para ir adiante. Outras capitais se
embelezam, se tornam mais atrativas, em busca de qualidade de vida, em busca de
turismo, em busca de sua auto-estima rejuvenescida. Não que Porto Alegre não tenha se
tornado uma metrópole grande e bonita, como outras. Mas deixou de ousar. E agora
começam, devagarinho, algumas pessoas a quererem reagir face a esta inércia.
Agora aqui, uma galeria de imagens de uma outra época da cidade.
Claro, estaremos aqui discutindo o que falei aí em cima.

Nesta foto, é possível ver-se o início do aterramento da orla, onde iria ser o futuro
Parque marinha do Brasil

Os mesmos aterros

Num estado mais avançado...

O aterro do Beira-Rio

O Beira-Rio sendo construído

O aterro do Hipódromo do Cristal

O Hipódromo era referência arquitetônica na época

Os aterros, em 1975.

Canalização do Arroio Dilúvio e construção da Av. Ipiranga. Uma das maiores obras da
América Latina na época e a maior intervenção urbana da cidade até então.

Construção da Av. Ipiranga

Construção da Av. Ipiranga

Av. Ipiranga em construção

Abertura da Av. Salgado Filho

Construção do Viaduto da Borges de Medeiros, na déca de 1920. Uma das obras mais
ousadas do país na época

Construção das elevadas da Conceição, década de 70

Construção do Túnel da Conceição. Uma grande obra de engenharia brasileira na época.
Destaque em todo o país.

O edifício Santa Cruz, o edifício mais alto da Região Sul, na época. Década de 60

O Planetário da UFRGS sendo construído, em 1971. Em 20 de outubro de 1972, já
concluído mas não inaugurado, o prédio foi visitado pelos astronautas norteamericanos
James Lovell e Donald Slayton.

Edifícios inclinados do Morro Santa Teresa. O primeiro deles, à direita, foi o primeiro
inclinado da América Latina. O segundo, à direita, foi construídos alguns anos mais
tarde, já na década de 80.

Edifícios inclinados do Morro Santa Teresa

Rodoviária de Porto Alegre. A maior e mais moderna da América latina - Década de 70.

Construção da Ponte do Guaíba - década de 50. A cidade ousava e crescia.

Estádio Olímpico recém sendo construído, ainda num entorno vazio da cidade.

Porto Alegre na década de 50 já era uma grande cidade. Nesta imagem, se vê o edifício
do INSS sendo construído.

Década de 50. O INSS ainda em construção.

1982 - começa a construção do primeiro shopping center de Porto Alegre. Shopping
Iguatemi, com 110 lojas.

Vista aérea da cidade em 1990, mostrando o Parque da Harmonia.

***

VI – OUTRAS FONTES
***

Porto Alegre
Rua da Praia - Livraria do Globo

MERCADO PÚBLICO | CHALÉ | PAÇO MUNICIPAL | RUA DA PRAIA | LIVRARIA DO GLOBO
BIBLIOTECA PÚBLICA | PRAÇA DA MATRIZ | PRAÇA DA ALFÂNDEGA
CASA DE CULTURA MÁRIO QUINTANA | IGREJA DAS DORES
GASÔMETRO | CONCLUSÃO | OUTROS ROTEIROS

Rua da Praia
Depois de constatar que a justiça da prefeitura não é cega e fazer algumas considerações, acertadas ou
não, sobre o IPTU que você paga, suba pela Borges de Medeiros até a Rua da Praia. Que, por sinal, não é
Rua da Praia coisa nenhuma. É Rua dos Andradas. Mas ninguém chama assim.
E essa é uma das características divertidas de Porto Alegre. Podem dar o nome que quiserem para as ruas,
que as pessoas vão usar, também, o nome que quiserem, como se verá ao longo deste itinerário. Clique
aqui para ver a foto de um dos muitos prédios bonitos da Rua da Praia.

Livraria Do Globo
Ao chegar na esquina da avenida Borges de Medeiros com a rua da Praia, chamada de Esquina
Democrática, porque é o grande ponto de expressão da opinião pública da cidade, dobre à esquerda.
Caminhe um pouquinho só, até a entrada da Livraria do Globo. E, como no Mercado Público, você verá
uma obra de recuperação de um prédio de dar orgulho.
A Livraria do Globo, há muitos anos, era simultaneamente uma editora e uma espécie de livraria dos
sonhos de todos os apaixonados por livros. Há menos de 20 anos, tinha salões enormes, cheios de livros.
Depois, começou a mudar. Ou, literalmente, os salões começaram a mudar de lugar. Até se chegar ao
melancólico ponto em que os livros foram encurralados em um cantinho, na saída do prédio que dá para a
Praça XV.
Depois disto, não se sabe o que aconteceu. Ou os donos da empresa tiveram consciência de que, afinal,
eram um dos marcos da cultura da cidade ou os livros se rebelaram e exigiram respeito (pessoalmente,
prefiro a segunda hipótese). O fato é que a livraria foi toda reformada, os livros voltaram para a frente da
Rua da Praia, e o prédio está uma beleza. Só falta um cafezinho.

Saindo da Livraria do Globo, volte para a esquina da Borges com a Rua da Praia, e siga em direção à
Praça da Alfândega. Observe o prédio da antiga CEEE, entre a Borges e a rua da Ladeira. Ali funciona o
Museu da Eletricidade. O museu não é grande coisa. Mas o prédio é muito bonito.
A próxima parada será na esquina da rua da Ladeira que, obviamente, não se chama "da Ladeira", mas
General Câmara. Ali, observe o prédio que está escondido atrás de cartazes horrorosos. Veja a beleza de
sua decoração art-noveau - enormes flores e elaborados galhos contornam sua fachada. Suba um pouco
pela rua da Ladeira e dê um olhada na enorme porta, toda trabalhada. E aprenda a grande lição de Porto
Alegre - aqui, as coisas estão totalmente visíveis e totalmente ocultas. Visíveis porque expostas aos olhos
de todos. Ocultas porque são tão mal cuidadas que ninguém mais as vê.

FONTE: http://www.riogrande.com.br/turismo/capital4.htm

FOTOS

Apoio Cultural:

ALARMES MONITORADOS 24h
 (51) 3061 3100

Nas décadas de 1950 e 1960

PORTO ALEGRE ERA ASSIM

Unimed Porto Alegre – Projeto Bem-estar – Cooperados » Archive ...
10 mar. 2011 ... Biblioteca Pública promove concurso sobre Porto Alegre – Aniversário
da cidade é tema para criação de poemas, contos, crônicas ou fotos ...
projetobemestar.unimedpoa.saude.ws/.../concurso-de-fotos-poemas-e- cronicas/ Em cache

PDF]

Phileas Fogg: Josué Guimarães viaja na crônica em jornal
Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida
de A Hohlfeldt
apenas 19 crônicas, num total geral de 345 colunas assinadas, sempre no jornal Zero
Hora, de Porto Alegre. Os debates em torno da crônica enquanto gênero, ...
www.portcom.intercom.org.br/ojs-2.3.1-2/index.php/.../article/.../472

PORTO ALEGRE
População
1.288.879
Área Total(km2)
496
Fonte: IBGE

Homens

602.982
Mulheres
685.897
Densidade pop.
2598.55

Em 26 de março de 1772, foi fundada a cidade de Porto
Alegre. Houve muito vai e vem em sua colonização, que
teve destaque a vinda de casais açorianos para a região
das Missões. Esses casais, em parte, se fixaram em
Porto de Viamão. Assim passou por vários nomes desde
a freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, Porto
de Viamão, Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto
Alegre e em julho de 1773, sendo governador José
Marcelino de Figueiredo, recebeu o nome de Porto
Alegre. Surgiu a Guerra dos Farrapos que ocasionou
grandes dificuldades à capital e que teve a duração de 10
anos. Só após a essa guerra interna foi que a cidade
retomou o seu crescimento. A partir daí muitas outras
ocorrências a colocaram em destaque em
acontecimentos políticos e sociais do estado e do país,
como a era de Getúlio Vargas e o movimento da
Legalidade no governo Brizola. Os habitantes de Porto
Alegre, chamados de gaúcho, segundo pesquisas
variadas não sabem dizer de onde vem este nome.
Assim explicado, os gaúchos, com seu modo cantado de
falar, não dispensam um bom chimarrão, churrascos e
uma indumentária folgada para se protegerem do clima e
afazeres. Destacada pela ONU como cidade de qualidade
de vida, e muitas outras premiações como índices de
saúde, educação, desenvolvimento humano, economia e
meio ambiente, enriquecido pela quantidade de árvores
plantadas em suas ruas. O que a destacou
internacionalmente, foi por sediar o Fórum Social Mundial.
Com área de 476,30 km², possui em sua jurisdição 16
ilhas. Seu clima é bem definido e bastante úmido,
variando notadamente em suas estações indo de 2 a
38ºC do inverno ao verão. As estações do ano, imprimem
cores e matizes surpreendentes à paisagem. Capital de
estado limítrofe do sul brasileiro, tendo maior acesso a
povos de língua castelhana, tem mais facilidade de
entender suas línguas e existe diferença nos costumes e
vestimendas entre argentinos, uruguaios e brasileiros.
Eles prezam grandemente a sua terra.
Graças à vinda de várias correntes povoadoras, as

lavouras, as estâncias, as fábricas, os estaleiros, os
portos, tudo possui um dinamismo que convida a novos
empreendimentos. A fartura em tudo e em toda a parte,
seu ponto alto, fazem do Rio Grande do Sul um pólo de
atração para turistas de todas as procedências. Venha de
onde vier, o visitante logo fraterniza com o gaúcho, esse
homem jovem e batalhador a quem coube a tarefa de
implantar a civilização. A população gaúcha de hoje, na
qual predomina a herança européia, é vibrante, alegre,
descontraída, hospitaleira.

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Rua da praia que não tem praia - 237 anos
Autor(a) Magda Rosa
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Abertura f/6.3
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MeteringMode Pattern
Flash Não
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José Luis Almeida Albuquerque






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Resumo
A Rua da Praia é a mais antiga de Porto Alegre, RS Pode-se dizer que foi o berço da cidade. Os
açorianos que chegaram na região, em 1752, desembarcaram no ancoradouro da sesmaria de
Jerônimo de Ornellas. Na Rua da Praia se localizam alguns dos principais pontos turísticos de
Porto Alegre.

RUA DA PRAIA
Rua da Praia (Alberto do Canto) – Samba-canção gravado em 11 de agosto de 1954 por
Alcides Gerardi com Orquestra, em disco 78 rpm Odeon nº. 13721-a (no verso 13721-b
Desconfiança/Cícero Nunes & Rogério Nascimento)

Rua da Praia que não tem praia, que não tem rio,
Onde as sereias andam de saias e não de maiô.
Rua da Praia do jornaleiro, do camelô,
Do estudante que a aula da tarde gazeou.
Rua da Praia da garotinha que quer casar,
Do malandrinho que passa o dia jogando bilhar.
Se as pedras do teu leito
Algum dia pudessem falar
Quantas cenas de dor e alegria haveriam de contar.
Rua da Praia de alegres tardes domingueiras
Quando as calçadas se enfeitam de gauchinhas faceiras.
Rua da Praia da sede do Grêmio e Internacional
Que se embandeiram e soltam foguetes no jogo Grenal.

RUA DA PRAIA
Rua da Praia (Tito Madi) – Samba-canção gravado em 17 de janeiro de 2003 por Fernando
Collares com acompanhamento de Lis de Carvalho (piano e teclado), Gabriel Bahlis (baixo),
Zinho (bateria e percussão), Faninh (sax e flauta) e Olmir “Alemão” Stocker (violão, guitarra,
cavaquinho), em CD ADA 002-03, faixa BR-AYJ-03-000.19.

Rua da Praia
Eu vim para procurar minha saudade
Pra ver se eu encontro na verdade
Aquela alegria que eu vivi
E é por isso que aqui estou
Buscando o que guardei em minha mente
E lembro dos amigos de repente
Que já se foram pra falar com Deus
Rua da Praia
Gente conversando na calçada

Na rua moças lindas e encantadas
Eu olho e ninguém olha pra mim
Então eu penso
Mudaram-se os tempos e os costumes
O tempo não perdoa e me pune
Ninguém se lembra mais de mim.
:: Rua da praia (Tito Madi)

.
Assim falou Bataclan, CD da banda Bataclã FC.
À venda na Palavraria – R$ 15,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

Assim Falou Bataclan é um CD que conta histórias de Porto Alegre como o fazia o
velho negro Bataclan na Rua da Praia. Palavras em forma de batuque; violões que
choram e guitarras que gritam; batucada em feitio de oração; toca-discos com levadas
brasileiras, futebol, alegria, gaita, couro de cavalo, peso e poesia: isso é o “BATACLÃ
Faz de Conta”. O grupo investe numa proposta de música essencialmente brasileira,
universal, mestiça, como a gente desse lugar, meio índia, açoriana, européia e africana.
Construído entre janeiro de 2004 e julho de 2006, o novo CD inova na linguagem
estética e na tecnologia de produção. O conteúdo das músicas dá continuidade à
mestiçagem musical urbana inaugurada no primeiro CD “Armazém de Mantimentos”
em 2002. Trata-se de um encontro entre a sonoridade urbana, poesia e a música
regionalista gaúcha.

Criação, arranjos, gravação, mixagem, masterização, programação visual, registro da
propriedade intelectual e planejamento da distribuição foram processos realizados a
partir do conceito de autogestão, princípios de organização de redes solidárias e a
pedagogia da autonomia do educador Paulo Freire.
O grupo e sua produção independente constituíram o Coletivo TARRAFA
(Trabalhadores ARticulados em Redes Alternativas Fazendo Arte)
Bataclã FC: Richard Serraria, Duke Jay da Monte Cristo, Sandro Gravador do Morro
Santa Tereza, Marcelo da Redenção, Guilherme do Espírito Santo, Brinco da
Cavalhada, Bódi do Belomé e Gustavo da Santana.
Ficha Técnica
Participações especiais: Zé da Terreira, Frank Jorge, Ticiano Paludo, Neto Fagundes,
Loma, Lica, Muni, Marisa Rotenberg, Renato Produto Nacional, Rodrigo Lucena, Paulo
Inchauspe, Luca, Zé Evandro Serrote Preto, Angelo Primon, Charles Cholly, André
Studizinski, Messias González, Pedro Marques e Beto Bolo.
Design Gráfico: Euler Silva BHZ Design
Produção Executiva: Serraria, Redenção e Bódi
Gravado ao longo de 2004 na Casa da Glória e Backstage; 2005 nos Estúdios Soma,
Wilasco, Brothers e na Casa dos Cachorros Altos da Vila Nova
Masterização: Glauco Minossi

O grupo Bataclan FC nasceu há mais de dez anos nos corredores da UFRGS. Faz o
rock, o samba, o funk, a música regionalista, ritmos e folguedos da cultura popular
brasileira se misturarem a letras que traduzem a vida e a linguagem das ruas de Porto
Alegre. As letras do grupo falam da vida e do coração do trabalhador urbano e o som é
tirado de instrumentos diversos como o sopapo, um tambor genuinamente gaúcho, tocadiscos, baixo, teclado, bateria, guitarra, gaita e bombo legüero. Este seu trabalho mais
recente, o CD “Assim Falou Bataclan”, inspira-se no popular cidadão Cândido dos
Santos, o negro “Bataclan”, contador de “causos” na Rua dos Andradas nos anos 70.
.

.

Livraria Saraiva
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Porto Alegre é demais
Fogaça
Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias etc. e tal
Nas manhãs de domingo
Esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
Num alto astral
Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Quem dera eu pudesse
Ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
Do Kleiton/Kledir
Andar pelos bares
Nas noites de abril
Roubar de repente
Um beijo vadio
Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Porto Alegre é demais...!

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Página inicial > T > Teixeirinha > Porto Alegre

Porto Alegre
Teixeirinha
Porto alegre na história
Já foi porto dos casais
Quem te viu e quem te vê
Não te esquecerá jamais

Porto alegre é o por do sol
Natureza deus bondoso
Que retrata deus bondoso
Rio gaúcho majestoso
Refrão
"porto alegre, porto alegre,
Minha terra meu amor
Porto alegre, porto alegre
Meu tesouro encantador"
Tem na frente o rio guaíba
Nas costas cerros tamanhos
Rio gravataí de um lado
De outro praias de banhos
Seus lindos arranha-ceus
Nas mansões impera o luxo
No centro a rua da praia
O passeio do gaúcho
Refrão
Porto alegre tem mulatas
Tem morenas e loirinhas
Não há quem não se encanta
No olhar das gauchinhas
Porto alegre é a capital
Bela rainha do sul
Namorada do guaíba
Vestida de um céu azul
Refrão

Letra Porto Alegre, Tchê



Elton Saldanha
Artista: Elton Saldanha
Album: Otras
Música: Porto Alegre, Tchê

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Ringtone de "Porto Alegre, Tchê"
Letra da musica Porto Alegre, Tchê:
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Na porteira da cidade peço licença para o laçador
Tô chegando de mala e cúia, sou peão do interior
Vou tirar retrato la na praça 15,
Buscar um churrasco lá no mercadão
Depois vamo pra banda da usina,
Pra ver as minina e tomar chimarrão
No mês de setembro, lá na estância da harmonia,
Vamo de a cavalo indiada que é a semana farroupilha
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
As poesias de mario quintana,
As moças da rua da praia
Teixeirinha e gildo de freitas,
Que uma trova nunca faia
Lá pras bandas da redenção
Todo domingo tem brique
Tem que a careta, a cachorada, cantoria
E umas guria tri-legal de chique
Mas quando é mês de setembro, lá na estância da harmonia,
Vamo de a cavalo indiada que é a semana farroupilha
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Porto alegre tchê, porto alegre tchê, que cidade linda,
Que bom é tomar chimarrão no pôr do sol do guaíba
Que bom é tomar chimarrão com essas gaúchas lindas
Que bom é tomar chimarrão com essa gente farroupilha

Ringtone de "Porto Alegre, Tchê"

Letra Porto City
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Cigano

Artista: Cigano
Album: Otras
Música: Porto City
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Ringtone de "Porto City"
Letra da musica Porto City:
A minha terra
Tem um rio e um pôr-do-sol
Rua Da Praia tão sem praia
meu amor
As mini-saias se pechando
Sob um sol de verão
Eu sou Porto City
Meu Irmão
Tem o barranco
Carne gorda e coisa e tal
Tem fevereiro muito samba
E carnaval
Pra que Paris se está tão longe
Se aqui sou tão feliz
Eu sou de Porto City
Meu Amor
Tardes de sol
O Beira-Rio e muita cor
Ela é gremista
E eu sou Inter
Que horror
vamos brigar durante o jogo
Mas depois tá tudo bem
É que eu sou de Porto City
Viu meu bem
Temos Sanfona
Chimarrão e cantador
Um céu azul
Que nos inspira
Mais amor
Kleiton e Kledir
Cantando trovas
E o analista é de Bagé (oigalê!!)
Eu sou de Porto City
Eu sou de fé

Fiz esse country
só pra falar coisas daqui
é tanta coisa
pra dizer
que eu deixo assim
só sei dizer
que sou do sul
de Dom Pedrito
ou do País
mas só em Porto City
Sou feliz
(Mas só em Porto Alegre eu sou feliz)

Ringtone de "Porto City"
Letras de músicas

Màs letras:
http://letras.azmusica.com.br/C/letras_cigano_9459/letras_otras_6389/letra_porto_city_126
0798.html

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http://letras.azmusica.com.br/E/letras_elton_saldanha_14419/letras_otras_9653/letra_porto
_alegre,_tche_1269018.html

Musica 03 Elis Regina Alto Da Bronze Paulo Coelho Plauto Azambuja ...
Canciones 03 Elis Regina Alto Da Bronze Paulo Coelho Plauto Azambuja Arranjo De
Rogerio Duprat, descargar musica 03 Elis Regina Alto Da Bronze Paulo Coelho ...
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Alto da Bronze
Alto da bronze
cabeça quebrada
praça querida
sempre lembrada à praça onze da molecada

Praça sem banco,do rato branco
e do futebol
da garotada endiabrada das manhãs de sol

Guardo a eterna lembrança

do tempo feliz em que eu era criança
do tempo em que a vida era
da minha infância a grande quimera

Hoje eu pobre profano
me lembro de ti e dos meus desenganos
Oh! meu alto da bronze dos meus oito anos

OUTRAS REFERENCIAS

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9 Cf. ANDRÉ, A. Apresentação. In: SANHUDO, AV Porto Alegre. Crónicas da Minha
Cidade. Porto Alegre: Movimento/IEL, 1975, pp. 7-8. ...
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2. Charles Monteiro, Porto Alegre e Suas Escritas: História e ...
www.estantevirtual.com.br/.../Charles-Monteiro-Porto-Aleg... - Em cache
8 fev. 2011 – Porto Alegre e Suas Escritas: História e Memórias da Cidade, de
CHARLES MONTEIRO , editora Edipucrs, por R$ 48,00 na Estante Virtual, ...

3. Books by Author: Charles Monteiro -ISBNLIB-Book infomation,Prices ...
www.isbnlib.com/.../Charles_Monteiro/11 - Estados Unidos - Em cache
Mitos do Antigo Egito Margaret M. Bakos 4 - Porto Alegre: urbanização e modernidade
Charles Monteiro 5 - O Negro na Dramaturgia Brasileira Moacyr Flores . ...

4. Books by Author: Charles Monteiro -ISBNLIB-Book infomation,Prices ...
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1 jan. 2006 – Antigo Egito Margaret M. Bakos 4- Porto Alegre: urbanização ...
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5. Porto Alegre Antigo: Veículos em Porto Alegre
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páginas
"Portfolio Porto Alegre Antigo" visa preservar, numa edição nobre, ... Nesse sentido, a
obra Portfolio Porto Alegre Antigo também l4U PREFEITURA MUNICIPAL ...

7. PORTO ALEGRE E SUAS ESCRITAS - Charles Monteiro - EDIPUCRS ...
www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=68442 - Em cache
PORTO ALEGRE E SUAS ESCRITAS. Autor(es): Charles Monteiro. Editora:
EDIPUCRS. Área(s): HISTÓRIA DO BRASIL. ISBN: 9788574305844. Páginas:552.
Preço: R$ 70,00 ...

Porto Alegre: Crônicas da Minha Cidade, Ary Veiga Sanhudo - Traça ...
Livro Usado - Porto Alegre: Crônicas da Minha Cidade, Ary Veiga Sanhudo - Traça
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Cidade, imprensa e arquitetura:
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de MAS Carreira - 2005
Cidade, imprensa e arquitetura: as crônicas e os debates de modernização em Porto
Alegre, 1928 – 1937. Maria Antonia Stumf Carreira ...
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18131/tde-12102006.../capa.pdf

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Avenidas que atravessam a crônica :
Guilhermino Cesar e a Porto Alegre da década
de setenta
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http://hdl.handle.net/10183/21508
Título

Avenidas que atravessam a crônica : Guilhermino Cesar e a Porto Alegre da década
de setenta

Autor

Brambilla, Camila Zuchetto

Orientador Silva, Márcia Ivana de Lima e
Data

2009

Nível

Graduação

Instituição

Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Curso de Letras:
Português e Espanhol: Licenciatura.

Palavrachave

Cesar, Guilhermino, 1908-1993
Literatura brasileira

Resumo

Este trabalho monográfico assume a responsabilidade, em pequeno grau e poucas
páginas, de apresentar a crônica sabatina do mineiro, radicado em Porto Alegre,
Guilhermino Cesar. São apresentados fatos de sua vida que vão em direção à sua
história literária, que durante a década de setenta está ligada à produção de
crônicas que abordam a temática da urbanização na capital gaúcha. Procura-se
comprovar que a urbanização abordada nesses textos está intrinsecamente unida
aos elementos de Modernidade que já haviam invadido o (in)consciente coletivo
dos , europeus e que, tardiamente, emaranhados ao processo de evolução urbana
da cidade, tomaram os habitantes de Porto Alegre. Assim, os assuntos arraigados
na temática urbanização-urbanidade-modernidade invadem as crônicas de
Guilhermino Cesar e as transformam em um retrato histórico-social da cidade em
questão. O autor não deixou de lado a tão importante e visível qualidade literária
que permeia sua obra, pelo contrário, apresentou ao público, que muito mais que
um registro histórico desse período, esses textos são um exemplo claro da mais
fina literatura produzida no Brasil.

Tipo

Trabalho de conclusão

URI

http://hdl.handle.net/10183/21508
Arquivos

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Formato

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Orientador: Prof. Dr. Charles. Monteiro. Porto Alegre ..... via acontecer naquele
momento, com o deslocamento do acervo do antigo ...

2011-03-20 ~ Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo
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Comemorativos de Porto Alegre. Dia 19 de março, sábado, ocorreu em toda cidade o
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O FUTEBOL DA CANELA PRETA: O NEGRO E A MODERNIDADE EM PORTO
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Monteiro Porto Alegre: urbanização e modernidade. Porto ...
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CATÁLOGO
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Relatos de viajantes colhidos na obra Os viajantes olham Porto Alegre, de Walter Noal
Filho e Sérgio da Costa Franco, ... Dr. Charles Monteiro. I9 (Signs). Gráfica RJR .....
antigo do Estado. Relato do viajante Vittorio Buccelli, 1905 ...

Lembranças do Brasil: as capitais brasileiras nos cartões-postais ... Resultado da Pesquisa de livros do Google
books.google.com.br/books?isbn=8589820017...João Emilio Gerodetti, Carlos Cornejo 2004 - Antiques & Collectibles - 248 páginas
Charles Monteiro. Porto Alegre, RS. ■ ( rwin.ui Jusé Zygmunr Wichc/ka, São Paulo,
SP. ■ Denise Stumvoll, Porto Alegre, RS. • Diva Maria Freire Figueiredo, ...

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www.artcultura.inhis.ufu.br/anteriorNr8.php - Em cache
Aumentar tamanho da fonte Diminuir tamanho da fonte Layout padrão antigo faça sua
escolha! WebMail. Fechar janela de e-mail. email ... Os Mistérios De Porto Alegre: As
Crônicas Urbanas De Moacyr Scliar Charles Monteiro ...

Ciências letras .Boletín de Novedades CREDI
www.oei.es/n11629.htm - Em cache
Charles Monteiro 24; Por um novo olhar sobre o ciclo de Porto Alegre. ... Eliana Inge
Pritsch 76; O horror antigo e o horror moderno em O tempo e o vento e ...
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IMAGENS DE PORTO ALEGRE NA IMPRENSA DIÁRIA NA DÉCADA DE 1950
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www.pucrs.br/edipucrs/.../Ciencias.../82686-SUZANAHOPPEODERICH.pd...
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imprensa ... a construção da imagem de Porto Alegre através da relação ...
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utilização de imagens fotográficas na obra Porto Alegre: Biografia ...
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www.nemed.he.com.br/acervo_artigo_m.htm - Em cache
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O cruzamento de tradições visuais nos espetáculos de projeções ...
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e Jean Genet em Porto Alegre. Almerinda Lopes – Imagens tautológicas ... Charles
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Valentina – O acervo iconográfico do antigo convento de São ...
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A EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA
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e funcionários da PUC/Porto Alegre, pela amizade e convívio. ...... oposição ao mundo
do Antigo Regime, de que tinha a pretensão de afastar-se, a ...

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O Senhor das letras - o Antigo Regime e a modernidade ... autor: Charles Monteiro.
Indisponível .PORTO ALEGRE URBANIZAÇÃO E MODERNIDADE: CONSTRUÇÃO
SOCIAL ...
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Caderno de Resumos Posteres
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Charles Monteiro (PUCRS). Marluza Marques Harres (UNISINOS) ..... Antigo Regime
e sua influencia direta nas relações sociais, onde a ... Cultural Emilio Sessa) de Porto
Alegre, RS. O objetivo do Instituto é ...

Pobre Guaíba, quem te viu, quem te vê.
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8 jun. 2010 – A degradação ambiental das praias de Porto Alegre, na passagem dos
anos 60 para os 70. ... Focado no tema da reconversão da área do antigo cais do
porto ... Alegre na Revista do Globo (1950-1960), de Charles Monteiro. ...
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GARIMPANDO MEMÓRIAS: ESPORTE, EDUCAÇAO FÍSICA, LAZER E DANÇA
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em Porto Alegre; e Estilo de vida ativo X Sedentarismo: efeitos de um programa de .....
O historiador Charles Monteiro (1995) completa as idéias de Macedo ...

Sandra Jatahy Pesavento, Os sete pecados da capital, Porto Alegre ...
nuevomundo.revues.org › ... › 2009 - Em cache
de M Ramos de Oliveira - 2009
23 set. 2009 – Sandra, historiadora : os sete crimes capitais de Porto Alegre ... São
pinturas, esboços, mapas antigos, crônicas que reconstroem a cidade, .... 25Capítulo 7
: Charles Monteiro, Doutor em História Social (PUCSP). ...
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(1933 A 1945)* AGES (1933 THE 1945) Resumo Este artigo objetiva ...
www.tjrs.jus.br/export/poder.../historia/.../09-Ana_Paula.pdf

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Menores de Porto Alegre em seus primórdios (1933-1945), bem como os .... título
dado ao antigo projeto Guanabara -, Alfredo Pinto designou o jurisconsulto Dr. José
..... MONTEIRO, Charles. Porto Alegre: urbanização e modernidade. ...

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A construção da visualidade urbana de Porto Alegre na revista Máscara (1918-1928 ):
entre tradição e modernidade, Resumo. Charles Monteiro ...

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Abaixo, Porto Alegre (RS), início da década de 70 ... Abaixo, foto da antiga Viação
Bola Branca, transporte urbano de São Paulo ..... Charles. Lindas as fotos, lembro
como se fosse hoje do “Coringão”, sempre aguardando .... adalberto monteiro. achei
mouito bom mas, acho que deveriam procurar fotos de busão da ...

Luiza Carvalho | Defender - Defesa Civil do Patrimônio Histórico
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No dia em que Porto Alegre completa 239 anos, sábado, 26, a caminhada orientada
Viva o ..... a rejeição da estética modernista à antiga forma de fazer arte, .... os álbuns
fotográficos de Porto Alegre” Prof. Dr. Charles Monteiro (PUCRS) ...
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O cruzamento de tradições visuais nos espetáculos de projeções ...
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Charles Monteiro (Pontifícia. Universidade Católica do Rio ... a exploração comercial
das imagens ópticas em Porto Alegre, particularmente das vistas fixas .... antigas,
contam com um desconhecimento e um consequente desinteresse. ...
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1 GLÓRIA CRISTINA GABRIEL Dissertação de Mestrado A RECEPÇÃO DAS ...
www.cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=162050
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Dr. Charles Monteiro. Dissertação apresentada à Faculdade de História da PUCRS,
como parte dos requisitos para obtenção do Grau de Mestre em História. Porto Alegre
..... embora esta seja quase tão antiga quanto o ser humano. ...

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mulheres ...... MONTEIRO, Charles. Porto Alegre: urbanização e modernidade: a ...

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Carvalho Proença agora são amigos .... Um dia, ao arrumar algumas caixas antigas,
descobre que foi adotado quando tinha apenas duas semanas de vida. ...
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XXX Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte Arte > Obra ...
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e Jean Genet em Porto Alegre. Almerinda Lopes – Imagens tautológicas ... Charles
Monteiro – A fotografia e a construção de uma nova visualidade nas ...

X Encontro Estadual de História – ANPUH-RS - Simpósios Temáticos
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Charles Monteiro e Zita Rosane Possamai ...
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“Aparecendo na foto”: representações do negro na fotografia em ...
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Dr. Charles Monteiro/. Programa de Pós-Graduação em História - PUCRS - 01/2007
.... Porto Alegre. É a sociedade negra em atividade mais antiga do Brasil. ...
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AS DEMANDAS DE MEMÓRIA, O IMPASSE ACERCA DA HISTÓRIA OFICIAL DE
...
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... 7 MONTEIRO, Charles. Porto Alegre e suas escritas – histórias e memórias ...

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suas Escritas, também relativiza a comparação. ...

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DO SUL
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Catalogação ... Freitas Silveira CRB 10/1262 BANCA EXAMINADORA Charles
Monteiro Flávia ...... a retomar antigas trilhas, e muitas e muitas vezes refazer a
caminhada. ...

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Solange Ferraz de Lima, Charles Monteiro ...... A construção da visualidade urbana de
Porto Alegre na revista Máscara (1918-1928): entre ... Um novo olhar sobre a Roma
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páginas da revista Madrugada, Porto Alegre (1926) ... Camila Dazzi - Dicteriade "Profissional da luxuria, moça na idade, velha no vício..." ...

As ruas de Porto Alegre ... - Google Books
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As ruas de Porto Alegre: Curiosidades ; Como batizar uma rua ; Ruas de muita ... By
Eloy Terra ... Charles Monteiro Limited preview - 2006 .... A antiga Paróquia do Menino
Deus. José Ulisses Brittes Nordin Garcia ...
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE
DE ...
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Porto Alegre, 2007. 233 f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia
e Ciências Humanas, PUCRS. Orientação: Prof. Dr. Charles Monteiro. ...

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Charles Monteiro. Flávia Werle. Giana Lange do Amaral ... Aos Professores, colegas,
e funcionários da PUC/Porto Alegre, pela amizade e convívio. ...... seduzindo, mas me
instigando a procurar novos rastros, a retomar antigas trilhas , ...

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... a prática de contar estórias/histórias em Antropologia é tão antiga ... sobre os
álbuns fotográficos de Porto Alegre” Prof. Dr. Charles Monteiro (PUCRS) ...

História, Arte e Representações - 2006 - SBPH
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A construção de uma imagem moderna de cidade no álbum comemorativo Porto
Alegre: Biografia da cidade de 1941 · Charles Monteiro ...
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PROJETO CULTURA 30 HORAS (OU 24 HORAS) – 24 e 25 de MARÇO
lproweb.procempa.com.br/.../a_24h_de_cultura_-_por_locais_(22-17h).do...
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O Processo de modernização da sociedade e da cultura urbana de Porto Alegre no
século XX: o olhar dos cronistas da cidade. Professor: Charles Monteiro ...

Boa Vista (Porto Alegre) - Mashpedia, a enciclopédia em tempo real
mashpedia.com.br/Boa_Vista_(Porto_Alegre) - Em cache
Boa Vista é um bairro da zona norte da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do
estado ... as residências mais antigas situam-se ao redor da Praça do Japão, a qual se
encontra ... o Colégio Província de São Pedro e o Colégio Monteiro Lobato; .... Av.
Raimundo Corrêa, Boa Vista, Porto Alegre by Charles Kirsten ...

DJi - Bibliografia
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Aixkin, Charles, Dicionário de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, FGV, 1986. ...
Azambuja, Darcy, Teoria Geral do Estado, Porto Alegre, Globo, 1973. .... Coulanges
Numa Denis, Fustel de, A Cidade Antiga, São Paulo, Martins Fontes, 1981. .....
Monteiro,Washington de Barros, Curso de Direito Civil, São Paulo, Saraiva, ...

Canal do Mangue, por Charles Julius Dunlop | RememorArte
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2 nov. 2010 – Canal do Mangue, por Charles Julius Dunlop, no livro Rio Antigo. ... até
à antiga praia Formosa, para sanear um pouco essa zona, que era um foco de ... o
vasto plano de obras do Cais do Porto exigiu o prolongamento do Canal até ao mar .
..... Major Archer (2), Manuel José de Araújo Porto-alegre (3) ...

Sociedade - NOTÍCIAS - Os restaurantes mais antigos
revistaepoca.globo.com/.../0,,EMI84697-15228,00.html - Em cache
27 jul. 2009 – Já recebeu celebridades como o escritor Charles Dickens e os atores
Clark ... A antiga capital do país também conserva restaurantes centenários. ...
Machado de Assis, Olavo Bilac e Monteiro Lobato. ... O restaurante com fama de ser o
mais antigo de Porto Alegre fica dentro do Mercado Municipal. ...

WIKIPEDIA RUA DA PRAIA
Rua da Praia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rua da Praia

Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
Brasil

Trecho leste da Rua da Praia, entre a Praça Dom Feliciano e a Praça da Alfândega, a
antiga Rua da Graça

Tipo

Rua

Início

Avenida Independência

Final

Avenida Presidente João Goulart

A Rua da Praia, cujo nome oficial é Rua dos Andradas, é uma das ruas mais
tradicionais da cidade de Porto Alegre, bem como a mais antiga da cidade. A despeito
de a denominação oficial ter sido estabelecida em 1865, o nome antigo ainda persiste na
voz popular, e com ele esta rua tem sido celebrada por muitos cronistas e poetas locais.

Índice
[esconder]



1 História
o 1.1 Na literatura
2 Atrações
3 Ver também
4 Referências

[editar] História

Athayde d'Avila: Rua da Praia, c. 1880. Acervo do Museu Júlio de Castilhos

A Rua da Praia existe desde a fundação da cidade, sendo aquela que corria exatamente à
margem do Guaíba defronte ao antigo porto de Viamão, onde primeiro se estabeleceu
uma colônia de povoamento na área da futura Porto Alegre. Na Rua da Praia se fundou
a primeira igreja da cidade, a hoje desaparecida Capela de São Francisco das Chagas.
Em sua extremidade oeste foram desde cedo erguidos os arsenais da Marinha e os
Armazéns Reais, numa época em que as casas da rua ainda eram cobertas de palha. Seu
trecho central, onde hoje é a Praça da Alfândega, era a área onde se concentravam os
comerciantes, já que ali existia o cais de desembarque, e recebeu seu primeiro
calçamento em 1799, por ordem do ouvidor Lourenço José Vieira Souto.
Nestes primeiros tempos a Rua da Praia terminava na atual rua General Câmara, e o
trecho que sobe até a Praça Dom Feliciano era chamado de Rua da Graça, se bem que
esta denominação, ainda que presente em todos os documentos oficiais, não tenha se
arraigado entre o povo, tanto que o nome Rua da Praia se estendeu a todo o seu presente

curso em torno de 1843, quando a rua recebeu suas primeiras placas indicativas, e
depois desta data o nome Rua da Graça não aparece mais.
Todos os viajantes estrangeiros que visitaram Porto Alegre no século XIX se referiram à
Rua da Praia em termos elogiosos. Auguste de Saint-Hilaire a descreveu em 1820 como
"extremamente movimentada (...) com lojas muito bem instaladas, de vendas bem
sortidas e de oficinas de diversas profissões". Em 1858, o alemão Avé-Lallement fala
dela como possuindo "casas muito majestosas de até três andares", o que atesta seu
rápido desenvolvimento.
O nome Rua dos Andradas foi adotado oficialmente em 17 de agosto de 1865, a fim de
preparar a comemoração do dia da Independência daquele ano, e em seguida a rua
passaria a ter seu primitivo calçamento substituído na parte central. Sua extensão
completa só terminou de ser calçada em 1874. Nova substituição das antigas pedras
irregulares por paralelepípedos ocorreu a partir de 1885, prolongando-se por vários
anos, e em 1923 outra mudança, agora para paralelepípedos de granito em mosaico, que
perduram ainda em alguns trechos intocados na derradeira modificação, na gestão do
prefeito Guilherme Socias Villela.
Com os sucessivos aterros da margem do Guaíba a Rua da Praia afastou-se do litoral, e
em meados do século XX sua ocupação passara de ponto dos atacadistas para o
comércio elegante e local de reunião popular em eventos cívicos, atraindo também
inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes. Por ser o local preferencial para
reuniões populares a Rua da Praia testemunhou eventos violentos, como em 1890, 1915,
1923 e 1954, quando manifestações de cunho político resultaram em diversas mortes.
Sua vocação agregadora se mantém até hoje, e o cruzamento da Rua da Praia com a
Avenida Borges de Medeiros é conhecido como a Esquina Democrática, ponto
consagrado de concentração de comícios e manifestações populares de variada natureza.
Na atualidade toda a extensão da rua está densamente edificada.
[editar] Na literatura

A Rua da Praia ensejou a criação de um folclore urbano onde ela é o cenário e o
protagonista de anedotas e casos pitorescos, tendo servido de inspiração para vários
escritores locais. Já em 1852 José Cândido Gomes, nas páginas de O Mercantil,
discorria sobre suas peculiaridades. Zeferino Brasil e Aquiles Porto Alegre também o
fizeram, e Erico Veríssimo a tomou como cenário para várias cenas em seus romances.

[editar] Atrações

Trecho próximo à terminação oeste da Rua da Praia, vendo-se parte dos prédios históricos do
Comando Militar do Sul.

Na Rua da Praia se localizam alguns dos principais pontos turísticos de Porto Alegre,
como a Casa de Cultura Mario Quintana e a Igreja das Dores, e nela também estão
situados outros pontos de interesse, como a Galeria Chaves, a Livraria do Globo, o
Museu Hipólito José da Costa, o Museu do Comando Militar do Sul, Rua da Praia
Shopping, o Correio do Povo, o Museu do Trabalho, o Centro Cultural CEEE Erico
Verissimo, a antiga Previdência do Sul, e em seu término ocidental faz frente à Usina do
Gasômetro.

[editar] Ver também

História de Porto Alegre

[editar] Referências

FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS, 2006.
pp. 29-31.

POA IMAGENS
I – RUAS DE POA
Gente...
nessas de passar o frio & a hora, brinquei com a procura no
Google:
A rua mais bonita do mundo!
Pra minha grata surpresa uma rua de Porto Alegre
está na lista & bem cotada <> achei o máximo !
Realmente é linda:
Eis a rua Gonçalo de Carvalho <> bairro Independencia <>
Poa = R.G.S

II CINEMAS DE PORTO ALEGRE ANTIGO – SEC. XX
Cinemas de Porto Alegre Antigo
http://cinemasportoalegre.blogspot.com/

Trabalho desenvolvido por JAMES M. - 27 de dezembro de 2009
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 Cinema em Porto Alegre Antigo

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Cinema em Porto Alegre Antigo

SALAS DE CINEMA EM PORTO ALEGRE

Companhia Atlântida

Companhia Vera Cruz

Cinema Gaúcho

Porto Alegre sempre teve o privilégio de ser bem servida de salas de diversão e
entretenimento, grandes e pequenas, nos bons tempos no início das apresentações em circos,
casas residenciais, do improviso, dos cafés, dos cine theatros, dos cinemas de calçada, das
grande platéias, que se espalhavam por toda a cidade, do cinema mudo e falado, do início
acanhado ao conforto das salas, dos equipamentos, das festas, das pessoas, da Cinelândia
(assim era chamada a rua da Praia) pela quantidade de cinemas na região.

Nesta página tenta-se se mostrar um pouco do que foi e o que é as salas de exibição de cinema
em Porto Alegre, um resgate da memória.
Bem Vindo!

Leia sobre o cinema daqui.
*************§*************
Em 05.11.1896 é realizada a primeira apresentação de filmes na Rua dos
Andradas, 319 (antigo), Francisco de Paola e Dewison apresentaram o Cinetoscopio
ou "Scenomotographo", chamado por eles de "a última descoberta de Edison".
Projetaram os filmes: 1 - O Bosque de Boulogne, 2 -A Dança Serpentina e 3 - A
Chegada do Trem na Estação de Lyon.
***
O jornal Gazeta da Tarde informa que iniciam nesta data as apresentações do
"Scinomatographo" de Francisco de Paola e S. Dawis as 16h e 30 min na Rua dos
Andradas, no 349 (antigo).

Rua dos Andradas junto à Praça da Alfândega, fotos de 1925. As duas fotos
mostram a mesma rua de dois ângulos opostos. A foto da esq. mostra a vista para
nordeste (o prédio claro à esquerda junto à praça é o do Cine Central). A foto da
direita, a vista para sudoeste (em foto tirada de cima do Cine Central).

Foi nesse trecho da Rua dos Andradas que se iniciaram as projeções de filmes em
1896 e onde ficava localizada a 1a. sala fixa de cinema, o Recreio Ideal em
1908.

Em 06.11.1896 O jornal A República reporta que Francisco de Paola e Dewison exibiram no dia
anterior o "Scinomatographo" na rua dos Andradas emn frente ao ponto dos bondes. Os filmes
apresentados eram: (1) ''A Chegada de um Trem", (2) "O Bosque de Boulogne" e (3) "A Dança
Serpentina". Este ultimo filme foi o que mais agradou ao público.
Em 07.11.1896 A Gazeta da Tarde informa que a apresentação de fotografia animada , o
"cinematographo" de G. Renouleau ocorrerá as 19 horas na rua dos Andradas , nº 230 (antigo).
Em 08.11.1896 Georges Renouleau, exibe na rua dos Andradas, no. 230 (antigo), o seu
"Animatographo Francês", e projeta os filmes:(1) O Carroção, (2) Uma Criança Brincando com
Cachorros e (3) Exercício de Equitação por Militares.
O Correio do Povo reporta que recebeu convite de G. Renouleau para a exibição de seu
aparelho de fotografia animada nesta data, as 19 horas na na rua dos Andradas , nº 230
(antigo).
Em 10.11.1896 O jornal A República traz notícias somente das exibições do Sr. Renouleau,
sendo 1 mil reis (1$000) o preço do ingresso por pessoa.
Em 24.07.1897 O ilusionista e prestidigitador Faure Nicolay, se apresenta no Teatro São Pedro,
junto a Praça da Matriz; vindo com a sua Companhia de Zarzuela, mas o "cinematographo"
exibido não era de boa qualidade. O jornal A Federação do dia 26, comentando o espetáculo,
informa que o "cinematographo" exibido não era de boa qualidade e que o "Diaphorama
Universal" também não agradou. Notas: 1) O Teatro São Pedro foi inaugurado em
27/Jun/1858. 2) Faure Nicolay esteve tambem em Curitiba, de 25 a 30 de agosto,
apresentando o seu "Diaphorama" e o seu '"cinematographo" e que nessa capital, o
espetáculo foi elogiado.

1898

Em 09.04.1898 A Companhia de Variedades do Teatro Lucinda, do Rio de Janeiro, estréia no
Teatro São Pedro, apresentando o seu "Cinematographo Lumiére". Nota: O Jornal do
Commércio de 26/Abr/1898 informa que de Porto Alegre o cinematógrafo referido seguiria
para São Leopoldo.
O jornal A Reforma deste dia comunica que a Companhia de Variedades Dramáticas de
Germano Alves vai se apresentar "hoje" no Teatro São Pedro. O mesmo jornal do dia 11,
informa que o espetáculo agradou ao público e que o "Cinematographo Lumiére" foi muito
aplaudido.
Em 1901 O "cinematographo" (que deve ser o de Germano Alves) é apresentado novamente
durante a Exposição do Parque da Redenção.

A Exposição foi realizada ao lado da Escola de Engenharia da UFRGS

Visita do Governador Borges de Medeiros, do Arcebispo de Porto Alegre Dom Claudio Ponce
de Leon e comitiva ao Exposição Estadual de 1901

Neste ano apareceram outros aparelhos que projetavam "vistas animadas" nos Teatro São
Pedro, Teatro Polytheama Porto-Alegrense, no Café Guarany. Nota: O Teatro Polytheama foi
inaugurado em 1898 nas esquinas da rua Voluntários da Pátria e rua Pinto Bandeira. No
mesmo local, em 1910, passou a funcionar o cinema Coliseu (o antigo).
Em 26.02.1901 O Correio do Povo anuncia a estréia de um "cinematographo" no Teatro São
Pedro, com exibições diárias, ao preço de 1$000 por pessoa. Nas galerias o preço era 500 réis.
Nota: As exibições de filmes neste teatro foram realizadas até 1909 e sofreram protestos por
parte de alguns redatores de jornais. A fonte citada não especifica o motivo dos
protestos. Essas críticas eram devidas ao fato do Theatro São Pedro estar sendo utilizado para
projeção de filmes ao invés de apresentar peças teatrais.
Em 17.03.1903 Estréia do "Grande Internacional Biographo" ou "cinematographo
aperfeiçoado" por José Barrucci no Teatro Parque, este teatro ficava próximo da Escola de
Engenharia e do atual Parque da Redenção.

Vê-se o Velódromo, a Praça de Touros ao lado da Escola de Engenharia - 1901

Em 17.01.1904 Apresentação do "Cinematographo O Admirável" na Praça da Alfândega, no.
311(antigo).
Em 14.08.1904 O "Cinematographo Grand Prix" começa a ser apresentado no Circo
Americano, sem endereço anunciado.
Em 06.10.1907 O Correio do Povo anuncia que a Empresa Guidot fará exibições do seu
cinematógrafo no Salão da Bailante, na praça da Matriz

A Bailanta - 1900

Em 24.11.1907 O Jornal do Commercio reporta que a Empresa E. Degani exibirá o seu
"Cinematographo Parisiense", na Praça de Touros existente na rua Concórdia (atual rua da
Republica).

Em 11.01.1908 Estreia no Recreio Independência o "Cinematographo Pathé" da empresa
Chatain.
Em fevereiro de 1908 O carnaval deste ano é filmado pelo fotógrafo Jacinto Ferrari,
destacando a Sociedade Carnavalesca Esmeralda, sendo que os filmes foram apresentados no
Teatro São Pedro com bastante sucesso.
Em 20.05.1908 O cinema Recreio Ideal (rua dos Andradas, antigo no. 321, em frente a Praça
da Alfândega) apresenta sua 1a. sessão, dedicada à imprensa da capital. Esta foi a 1a. sala fixa
de cinema da cidade e era de propriedade de José Tours, representante de uma fabrica
espanhola de aparelhos cinematográficos. Os filmes apresentados foram: (1) Chegada de Elliu
Root ao Rio de Janeiro, (2) Trechos do Rio de Janeiro, (3) Funerais do Rei Dom Carlos e do
Principe Real Dom Luis Felipe. A partir do dia 21 este cinema passou a apresentar sessões à
tarde (matines) para o público. Depois a Empresa Bartelô, assumiu a sua direção. Notas: 1) A
notícia sobre a apresentação do dia 20 saiu no Correio do Povo do dia 21. Ver texto abaixo.
Nessa notícia, o jornal informa que o proprietário é o Sr. Tous (sic). 2) Conforme, o Recreio
Ideal pertencia a empresa Bartelô. 3) Segundo, em 30/Jul/1908, o cinema passou a ser
propriedade de Eduardo Hirtz e Cia. 4) Conforme o Correio do Povo, de 28/05/1909, o Recreio
Ideal havia passado a funcionar na rua dos Andradas, no. 309, desde 27/05/2009. 5) De acordo
com em 1917, essa sala passou a ser chamada de Carlos Gomes. 6) Segundo, no local do
Recreio Ideal passou a funcionar depois o cinema Carlos Gomes e mais tarde o cinema
Imperial. Este último foi inaugurado em 18/Abr/1931.
" ARTES E ARTISTAS (Texto do Correio do Povo, grafia da época)

Recreio Ideal – Como noticiamos, realisou-se hontem, a funcção que o senhor Tous,
proprietário do Recreio Ideal, dedicára á imprensa. O salão está muito bem preparado e tem
grande número de cadeiras. O apparelho cinematographico é, sem dúvida, o melhor que, até
agora, veiu a esta capital, não se notando nas projecções a minima trepidação. Todas as fitas
exhibidas agradaram, immensamente, sobretudo as que reproduziam a chegada de Elihu Root,
ao Rio de Janeiro, diversos lindos trechos dessa capital e os funerais del-rei d.Carlos e do
principe real d.Luiz Felippe.
Hoje, o público poderá gosar das diversões do Recreio Ideal, que funcciona á rua dos Andradas
n. 321."
Em 16.08.1908 O Correio do Povo noticia a abertura do cinema Recreio Familiar, na rua dos
Andradas, antigo no. 327. Nota: Segundo, ainda em 1908, esse cinema se mudou para a rua
Voluntários da Pátria, nº 208.
Em 05.09.1908 É inaugurado o cinema Recreio Familiar, da empresa Filizio, na rua Voluntários
da Pátria , nº 98.
Em 17.10.1908 Ocorre a abertura do cinema Recreio Moderno, na rua Demétrio Ribeiro, no.
267, no prédio onde funcionava o Café Aliança.
Em 18.10.1908 Exibição do "Cinematographo Rio Branco", na rua dos Andradas, nº 477.
Em 08.11.1908 Estreia do "Cinematographo Berlim", na rua dos Andradas, antigo nº 305.
Em 26.11.1908 Inauguração do cinema Variedades, em sessão fechada para experiência, da
empresa Lumiere, na rua dos Andradas, antigo nº 343.
Em 1909 No inicio deste ano, apenas o cinema Recreio Ideal permanecia em atividade, os
demais haviam fechado suas portas.
Em 02.03.1909 Entra em operação o cinema Smart Salão, essa sala de cinema ficava localizada
na rua dos Andradas, perto da esquina com a rua Paissandu (atual rua Caldas Junior) onde
depois foi construído o Grande Hotel. O Correio do Povo de 06/Mar/1909 traz notícias sobre a
inauguração dessa sala de cinema. Conforme, com base em jornais da época, o Smart Salão
ficava na rua dos Andradas (antigo nº 327), no prédio do antigo Hotel Brasil, que ficava de
frente para a Praça da Alfândega (ou Praça. Senador Florêncio). Segundo Correio do Povo
(19/Ago/2009): a) o Hotel Brasil (localizado na rua General Câmara) mudou de nome para
Grande Hotel em 1908; b) o outro prédio que também se chamou Grande Hotel, na esquina da
rua dos Andradas com a rua Paissandu (atual rua Caldas Junior), foi construído em 1924.
Nos anos 1970, o prédio do Hotel Central foi demolido, no seu lugar construiu-se o Rua da
Praia Shopping.
Em 27.03.1909 Estréia no cinema Recreio Ideal o filme de curta metragem (duração de 4 min
?), um drama chamado Ranchinho de Palha, (diretor Eduardo Hirtz). Notas: 1) Segundo este foi

o 1o. filme gaúcho de ficção. É baseado em um conto do escritor rio-grandense Lobo da Costa.
2) Segundo os atores foram: Carlos de Araújo Cavaco e sua esposa Alcides Luppi, o senhor
Machado e Ernesto Weyrauch. 3) Segundo, o filme se chamava Ranchinho do Sertão e foi o 1º
filme rio-grandense a abordar o homem do campo.
Em 06.10.1910 Inauguração do cinema Odeon (rua dos Andradas, antigo nº 447-449, de
propriedade de A Lewis e Cia.). A sala possuía 170 poltronas (1a. classe) e 100 cadeiras de
palha (2a. classe). Os filmes apresentados nessa sessão inaugural foram: Fucino, A Vingança de
um Taverneiro, Guilherme Rattcliff e Os Óculos da Bruxa.
Em 17.10.1910 Inauguração do cinema Coliseu (o antigo), na rua Voluntários da Pátria.
Segundo o cinema Coliseu funcionou no lugar do antigo Teatro Polytheama Porto-Alegrense.

Em 1911, inaugura o Salão Cosmopolita, endereço ?, bairro Navegantes.
Em 1912, inaugura o cinema Democrata, endereço ?, no bairro Navegantes. Nota: Em 19 de
fevereiro de 1914, o cinema promoveu em seus ambientes uma festa para a Rainha da
Sociedade Carnavalesca Filhos das Ondas, a senhorita Hercilia de Gerone.
Inaugura o cinema Força e Luz, endereço?, bairro Navegantes.
Em 1913 Surgem os primeiros cine-teatros que eram prédios e salas mais requintadas, com
camarotes, balcões ou galerias, cadeiras no térreo, etc . O 1º foi o Guarany. Nota: Neste ano os
teatros existentes em Porto Alegre estavam deficientes: o Teatro São Pedro na praça da
Matriz e o Teatro Eldorado (endereço ?) estavam em situação precária e o Teatro América
(endereço ?) era um barracão de madeira.
Em 16.04.1913 Passa a funcionar o cinema Iris na rua dos Andradas (antigo nº 230).
Em 29.11.1913 É inaugurado o cinema Guarany, o local do antigo cinema Guarany, construído
em 1913, é um trabalho de vários escultores, entre eles o representante do barroco alemão,

Jesus Maria Corona, (rua do Andradas em frente à Praça da Alfândega) em um prédio
projetado pelo arquiteto alemão Theo Wiederspan. Notas: A foto abaixo mostra à esq. o
belíssimo prédio original do cinema Guarany (prédio mais alto) e à dir. o prédio da conhecida
Farmácia Carvalho. Nos anos 40, entre 1941 e 1946, esta sala de cinema passou a se chamar
cinema Rio. Depois de 1955, voltou a se chamar Cine Guarani (agora com "i", no final). Esta
sala de cinema fechou em Fev/1975 . Segundo, na ocasião da inauguração, a sala de cinema
possuía 958 lugares; essa sala sofreu reformas em 1938 bem como antes de trocar de nome
(para Cine Rio), nos anos 1940. Conforme mesma fonte, o prédio do cinema foi vendido nos
anos 1980 para o Banco Safra que manteve a fachada do cinema, restaurando-a, obedecendo
a arquitetura original. O cinema Guarani foi reaberto em 1987, passando a funcionar no
mezanino do cinema Imperial. O novo cine Guarani fechou definitivamente as portas em 2005.

Em 01.04.1914 Inauguração do Theatro Apollo, no início da Av. Independência, nº 18, junto à
Praça Dom Feliciano. Era de propriedade de Januario Greco e Eduardo Hirtz. Tinha 1554
lugares na primeira classe e 450 na segunda classe. Segundo, este cinema foi o primeiro a
funcionar com um projetor produzido em Porto Alegre, feito pela firma Hirtz & Rehn; esse
projetor recebeu o nome de Brasil.

Posteriormente, em data desconhecida, o Theatro Apollo sofreu uma reforma e teve a

fachada alterada.

Fachada

Platéia

Em 24.06.1914 Inauguração do cinema Colombo, na Av. Cristóvão Colombo, atual nº 1370,
bairro Floresta. Inicialmente era um prédio de madeira de propriedade da firma Schilling &
Amp; van der Halen.

1915

Em 08.12.1914 Inauguração do cinema Garibaldi, na rua Venâncio Aires, nº 77, bairro Cidade
Baixa. Notas: Nos anos 60 essa sala de cinema passou por uma reforma e o cinema mudou de
nome, passando a ser chamado cinema ABC. Foi reinaugurado em 01/Jan/1969 com o filme O
Brinquedo Louco. Esta sala de cinema fechou definitivamente suas portas em 10/Jul/1994.
Segundo, a lotação original do cinema em 1914 era de 1054 lugares e quando do fechamento
em 1994, tinha 479 lugares.

1914

Em 1915 É é inaugurado o cinema Coliseu, rua Voluntários da Pátria esquina rua Pinto
Bandeira junto à Praça Osvaldo Cruz. Esse prédio lindíssimo que possuía 3000 lugares foi,
infelizmente, demolido nos anos 50, no seu lugar foi construido o edifício Coliseu com o nome
em homenagem ao Teatro.

1910

Em 1915 entra em funcionamento o cinema Ponto Chic, bairro São Geraldo, Nota: diz-se que
neste endereço?, funcionará o Cine Thalia.
Em 1916 Entra em funcionamento o cine Royal, endereço ?, no bairro Partenon, inaugura com
a apresentação de três filmes: "Coração e Sangue Azul" (drama), "Casemiro e Sua Mulher"
(comédia), "luxor e Kanack" (natural).
Entra em funcionamento o cine Theatro Hélios, endereço ?, bairro Navegantes. Nota: Em 30
de janeiro de 1918 a Sociedade Carnavalesca Filhos das Ondas, promoveu um baile em
benefício a Cruz Vermelha.
Em 1917 Entra em funcionamento o cinema Centro Católico (endereço ?).
Entra em funcionamento o Cine Maravalha, endereço ?, bairro Tristeza.
Em 1918 entra em funcionamento o Cinema 1º de Maio, endereço ?, bairro Navegantes.
Em 1919 O cine Theatro Thalia passa a funcionar na Av. Eduardo (atual rua Presidente
Roosevelt), nº1362. Esta sala de cinema era (ou foi depois) de propriedade de Eduardo Hirtz.

Segundo, essa sala ficava no mesmo local onde funcionou anteriormente o cinema Ponto Chic.
Nota: em 17 de abril de 1922 o cine Theatro Thalia foi palco de um festival promovodo pelo
Bloco Carnavalesco Democráticos, dedicado o mesmo para os arrabaldes do São João.

Década de 20

Em 11.12.1920 Inauguração do cinema Palais (depois mudou de nome para cinema Palácio)
na rua Cel. Genuino, nº 206, bairro Cidade Baixa. Nota: Neste local, mais tarde, o prédio
sofreria uma reforma, passando em 1947 a funcionar o cinema Marabá. Ver 19/Mar/1947.
Em 05.03.1921 Inauguração do cinema Central, na Praça da Alfandega, Centro, de propriedade
dos Irmãos Sirângelo. Este cinema apresentava também sessões à tarde. Funcionava no
mesmo local do antigo cinema Variedades.

Cine Variedades no Largo dos Medeiros

Cine Central - 1921

1950

1960

Em 22.10.1921 Inauguração do cinema Recreio, na esquina das ruas Nunes Machado e rua
Barão do Triunfo, no bairro Menino Deus.
Em 01.08.1922 Inauguração do cinema República, na rua Sete de Setembro, nº ?, centro da
cidade. Nota: Conforme esse cinema teve uma sessão inaugural em 31/Jul/1922, (2a. feira),
destinada a autoridades, imprensa e pessoas convidadas; ficava localizado na rua dos
Andradas, nº 12, defronte ao Quartel General do Exército.
Em 1923 Entra em operação o cinema América na rua Venâncio Aires, nº ?, bairro Cidade
Baixa.
Entra em operação o cinema Avenida na esquina das ruas Redenção (atual João Pessoa) e
Venâncio Aires, bairro Cidade Baixa. Notas: Talvez os cinemas América (citado acima) e
Avenida sejam a mesma sala (?). A foto abaixo foi obtida de cópia existente no Museu de
Comunicação Social (Hipólito José da Costa) . Segundo durante uma ventania ocorrida durante
a exibição do filme do cinema mudo (silencioso) O Barqueiro do Volga, filme de 1926, a sala
ficou bastante danificada, resultando o incidente em um morto e 5 feridos. Talvez a foto
abaixo retrate o prédio do cinema depois da ventania, pois nota-se que há peças de madeira
sustentando as paredes. O novo prédio do Cine Avenida foi inaugurado em 06/Jun/1929. Ver
essa data.

1923

Passa a funcionar o cinema Mont Serrat, endereço ? , bairro Floresta.
Em 1922/23 Passa a funcionar o cinema Navegantes, na esquina das atuais av. Cairu e rua Rio
Grande, bairro Navegantes, este cinema ultrapassou os anos 60 em funcionamento.

Entra em operação o cinema Carlos Gomes, na rua do Rosário, atual rua Vigário José Inacio, nº
355 (ou 335), bairro Centro. Notas: Conforme, esse cinema entrou em operação em
Abril/1923 e o endereço da época era rua Vigário José Inácio, nº 47, proximidades da rua 24 de
Maio (atual av. Otávio Rocha).

Década de 90

Em 03.10.1923 Inauguração do cinema Orpheu, na rua Benjamin Constant, nº 1891, quase
esquina com a rua Cristóvão Colombo, bairro Floresta. Era de de propriedade da empresa
Mendelski & Irmãos. Notas: Em 1963, depois de ser remodelada, passou a funcionar com o
nome de Cine Astor. Esta sala fechou em 1994. Segundo, quando começou a operar em 1923,
o cinema possuía 1395 assentos e quando do fechamento em 1994, 707 lugares. Conforme
mesma fonte, ao ser reformado em 1963, passou a contar com som estereofônico, novo
projetor e tela para filmes de 70 mm e poltronas do tipo Pullman (reclináveis).

Década de 70

Prédio desativado, só a carcaça, década de 2000

Esculturas da fachada

Em 08.06.1924 Inauguração do cinema Moderno, na rua das Flores, nº ?, atual rua Siqueira
Campos, bairro Centro.
Em 05.08.1924 Inauguração do cinema Pavilhão Elegante, em endereço desconhecido.
Em 1925 Inauguração do cinema Gioconda, na rua Wenceslau Escobar, atual 2826 , no bairro
Tristeza, iniciou sua atividades com o nome de cine Tristeza. Nota: fica na proximidade da rua
Armando Barbedo. No local atualmente funciona uma das filiais das Lojas Herval; inclusive há
ali um logradouro chamado "Beco do Cinema Gioconda". Ver 04/Jan/1958. Funcionou até
1972.
Em 22.03.1925 O jornal Diário de Notícias reporta as seguintes salas de cinema em
funcionamento: Central, Carlos Gomes, Apollo, Coliseu, Orion, Thalia, Rio Branco e
Navegantes.
Notas: 1) Na edição de 09/Abr/1925, o mesmo jornal reporta ainda os cinemas Guarany e
Palácio.
Conforme o jornal Diário de Notícias Jul/1928, o cinema Orion ficava no bairro Bom Fim.
Segundo, o prédio onde funcionava esse cinema ficava no mesmo local onde depois foi
construído o Cine Baltimore.

Em 25.02.1925 O jornal Diário de Notícias reporta que o Cine-Theatro Guarany está reabrindo
suas portas, depois de sofrer uma reforma em suas dependências. Notas: 1) No anúncio da
reabertura; verifica-se que essa sala de cinema pertencia a Manoel Rodrigues Filho e Cia.
Em julho de 1928 O jornal Correio do Povo anuncia que as seguintes salas de cinema (um total
de 14) estão em funcionamento:
Centro: Guarany , Central e Carlos Gomes.
Cidade Baixa: Palácio, Garibaldi e Avenida
Independência: Apollo
Floresta: Colombo , Orpheu e Mont Serrat
São João: Thalia
Navegantes: Navegantes
Menino Deus: Recreio
Bom Fim: Orion
Em 1928 Entra em operação o Cine Rosário na Av. Benjamin Constant, nº 305, bairro Floresta.
Notas: 1) O Cine Rosário fechou em 27/Abr/1980.

Começa a funcionar o Cine-Theatro Ypiranga, na rua Cristóvão Colombo, nº 772, também no
bairro Floresta.

Em 12.10.1928 Entra em operação o cinema Capitólio na esquina da Av. Borges de Medeiros e

rua Demétrio Ribeiro, bairro Cidade Baixa. Notas : 1) No final dos anos 60 o prédio passou por
uma reforma e funcionou com o nome de Cinema Premier. No início nos anos 80, sofreu outra
remodelação, sendo colocada uma tolda de lona em frente a porta de entrada (talvez para
simbolizar os anos 1930) e o cinema voltou a se chamar Capitólio. Com este nome encerrou
suas atividades em 30/Jun/1994 com a presença de apenas 20 espectadores. 2) Segundo, o
filme de estréia em 1928 foi "Casanova, o Príncipe dos Amantes" e o prédio que tinha uma
lotação de 1295 lugares era de propriedade do alfaiate José Luiz Failace. 3) Como curiosidade,
neste ano em Pelotas, Francisco Santos também inaugura uma sala de cinema com o nome de
Capitólio. 4) As três fotos abaixo foram obtidas da Revista do Globo, de 14/Dez/1930
(colaboração de Celso Schmitz). 5) A foto mais embaixo foram obtidas de cópias existentes no
Museu de Comunicação Social (Hipólito José da Costa). Conforme C. A. O. de Souza, os
"camarotes" nas laterais do andar superior eram inicialmente guarnecidos por proteções
metálicas em ricos trabalhos em forma de arabescos; posteriormente esses gradeados foram
substituídos por balcões de alvenaria e nos anos 1970, retirados. Em 2009 está sendo
transformado em Cinemateca Capitólio, preservado a estrutura externa e aspectos
internos com uma sala moderna de projeção de 188 lugares, neste prédio será guardado toda
a história do cinema gaúcho.

1928

Antes da reforma na década de 90

Em 14.02.1929 Inauguração do cinema Rio Branco, na Av. Protásio Alves, nº ?, bairro Rio
Branco de propriedade de Petersen e Cia. Com 1200 lugares o 1o. filme apresentado foi o
"Monstro do Circo". A projeção já era sonora e usava sistema conhecido como Vitaphone. Este
cinema foi fechado em 01/Fev/1976, passando o filme O Vento e o Leão.

1934

Em 06.06.1929 Inauguração do prédio onde passou a funcionar o Cine Avenida, na Av.
Redenção (atual Av. João Pessoa), no. 1105, esquina com a então a rua Venâncio Aires, bairro
Cidade Baixa. Notas: 1) Nesta esquina desde 1923 já funcionava um cinema chamado Avenida,
mas era em um outro prédio. 2) Em 1987, essa sala de cinema foi desdobrada em duas salas
(Cines Avenida 1 e Avenida 2). O Avenida 2 possuía porta de entrada pela Av. Venâncio Aires.
3) As duas salas deixaram de funcionar em 10/Abr/1996. 4) A foto abaixo foi tomada pelo
Autor em Jul/1997; a fachada ensolarada é frontal para a Av. João Pessoa e a da sombra é para
a atual Av. Venâncio Aires. 5) Segundo, seu proprietário era Atilio Tedesco e o cinema possuía
1500 lugares no pavimento térreo e 520 no balcão (mezanino). 6) Conforme mesma fonte, por
ocasião do fechamento, o Cine Avenida 1 tinha 400 lugares e o Cine Avenida 2 300 lugares.

Em 10.08.1929 Inauguração do cinema Variedades, na rua Andrade Neves, nº 40, bairro
Centro.
Em 08.09.1929 É apresentado no cinema Central (na Praça da Alfândega) o primeiro filme
sonoro. O nome do filme era Broadway Melody, um filme preto e branco com algumas cenas
coloridas.
Em outubro de 1929 O cinema Colombo, fundado em 1914 e localizado na Rua Cristovão
Colombo,
nº 1370, é remodelado, sendo construído um prédio de alvenaria por fora da edificação de

madeira.
Em 01.10.1935 O prédio do cinema Colombo é arrendado para a firma Petersen e Cia. A sala
possuia 1400 lugares. A 1a. sessão apresentou um programa duplo com os filmes "Maridos
Infieis" e "A Celebre Miss Lang" . Notas: 1) Em 1938, a firma citada comprou o prédio. Este
cinema foi fechado em 01/Fev/1976, apresentando o filme O Vento e o Leão, filme de 1975.

Prédio que substitui o antigo prédio de madeira de 1915

Em 18.04.1931 Inaugurado o cinema Imperial, na rua dos Andradas, nº 1015, no centro da
cidade. Notas: 1) A foto abaixo mostra o interior do cinema durante um concerto do Clube
Haydn de Porto Alegre; a parte superior da foto mostra a orquestra no palco e a inferior a
platéia, vendo-se o mezanino ao fundo. Essa foto foi publicada na Revista do Globo de
Ago/1931 e foi cedida por Celso Schmitz. 2) A foto deve ser dos anos 1950 - mostra o Cine
Imperial ao lado do Cine Guarany. 3) Segundo, esta foto é de do 2o. semestre de 1954 e na
ocasião o cinema Guarany se chamava Rio. 4) Conforme mesma fonte, o administrador desta e
de outras salas de cinema (Roxy, Rival, Rosário e Ritz) era Darcy Bitencourt; como curiosidade,
todas as salas que ele administrava começavam com a letra R.

1950

Década de 50
***

Década de 1980
***
Em 03.09.1931 Inaugurado o cinema Baltimore, na av. Bom Fim (atual av. Osvaldo Aranha),
atuais nos. 1048-1058, bairro Bom Fim. Notas: 1) Segundo, essa sala de cinema pertencia a
Emilo B. Adam. 2) Segundo mesma fonte, em 1970 foi inaugurado o cinema Mini Baltimore,
no piso superior - sobre a sala de espera - frontal a Av. Osvaldo Aranha. Essa sala passou a se
chamar Cine Bristol em 01/Mai/1975. 3) Posteriormente, outras salas de cinema foram sendo
formadas, chegando a ter 4 salas no mesmo endereço. Em 2000, a ultima sala de cinema
deixou de operar no local. . 4) No inicio de 2003, o prédio foi demolido, deixando-se intacta
apenas a fachada. 5) Segundo, por ocasião do fechamento, as lotações das 4 salas de cinema
eram: Baltimore 1 (600 lugares); Baltimore 2 (264 lugares); Baltimore 3, ex-Bristol, (184
lugares) e Baltimore 4 (138 lugares). 6) A foto abaixo mostra a Av. Osvaldo Aranha; essa
foto dos anos 30. 7) A foto mais embaixo mostra a platéia do Baltimore e foi publicada na
Revista do Globo em Fev/1950, essa foto foi cedida por Celso Schmitz. 8) A foto mais
embaixo de Mai/2003 quando ainda restava apenas a fachada do prédio; essa fachada acabou
desabando no dia de Natal do mesmo ano.

1928

Platéia na década de 50

Fachada antes da demolição do prédio em 2003

Em 1935 Conforme livro citado na referência, neste ano a cidade contava com as seguintes
salas de cinemas (total de 22):
Centro: Imperial (1615 lugares), Guarany (958 lugares), Central (911 lugares), Colyseu (1410
lugares).
Cidade Baixa: Palácio (com 980 lugares), Garibaldi (1054 lugares), Avenida (2000 lugares),

Capitólio (1295 lugares).
Independência: Apollo (2100 lugares)
Bom Fim: Baltimore (1848 lugares)
Petrópolis: Rio Branco (1450 lugares)
Glória: Glória (rua Oscar Pereira, no. ? com 300 lugares)
Floresta: Ypiranga (1159 lugares), Colombo (1414 lugares), Orpheu (1395 lugares), Rosário
(1180 lugares)
Sao João: Thalia (1645 lugares)
Navegantes: Navegantes (1089 lugares)
Menino Deus : Recreio (135 lugares)
Tristeza: Gioconda (600 lugares)
Outros Bairros: Vila Nova (endereço ?, com 150 lugares)
Em 05.03.1936 É inaugurado o cinema Rex na rua dos Andradas, atual no. 1137, quase esquina
com a rua Gal. Câmara (ou rua da Ladeira). Com 600 poltronas, essa sala ficava no lugar do
antigo Teatro Petit Cassino. Atualmente no local fica o edificio Di Primio Beck. O cinema Rex
ficava de frente para o cinema Central. Notas: 1) O filme de estréia foi A Mascote do
Regimento, um filme de 1935.

1935

Em 09.05.1938 É inaugurado o cinema Roxy, na rua dos Andradas, prox. da esquina com a rua
Uruguai, no centro da cidade. Nos anos 50, a sala foi remodelada e passou a se chamar Cinema
Ópera. Notas: acredita-se que essa disposição interna (alguma coisa de cunho futurístico)
ocorreu depois que essa sala passou a se chamar cinema Ópera.

Em 25.05.1938 O Correio do Povo anuncia filmes das seguintes salas de cinemas (total de 20):
Centro: Imperial, Guarany, Central , Coliseu, Roxy , Rex e Carlos Gomes
Cidade Baixa: Palácio, Garibaldi, Avenida e Capitólio
Independência: Apollo
Bom Fim: Baltimore
Petrópolis: Rio Branco
Floresta: Ypiranga , Colombo , Orpheu e Rosário
São João: Thalia
Navegantes: Navegantes
Em 27.04.1939 Inauguração do cinema Castello, na av. Azenha, nº 666, no bairro
Azenha. Notas: 1) Funcionou por cerca de 40 anos, fechando em 1979. Grandes eventos foram
realizados em suas dependencias programas da Rádio Farroupilha, destaca-se Maurício
Sirotisky e a cantora Elis Regina na juventude.

1939

Década de 70

Década de 80

Em 01.01.1940 Inauguração do cinema Petrópolis, na esquina das ruas Carazinho e rua João
Abbott, no bairro Petrópolis.
Em 04.09.1940 É inaugurado o cine Vera Cruz, na esquina das ruas Andrade Neves e Borges de
Medeiros, no centro de Porto Alegre, em uma sessão especial para convidados. O filme
apresentado foi "A Mulher Faz o Homem", com James Stewart e Jean Arthur. Em 1952 esta
sala foi remodelada e passou a se chamar Cine Victória.

Av. Borges de Medeiros Vista da av. Salgado Filho, década de 40

Em janeiro de 1941 O jornal Correio do Povo anuncia filmes das seguintes salas de cinema (
total de 23):
Centro: Apollo, Central , Roxy, Vera Cruz, Rex, Coliseu, Imperial, Guarany e Carlos Gomes
Cidade Baixa : Capitólio e Palácio
Venâncio Aires: Garibaldi
Azenha: : Avenida e Castello
Bom Fim: Baltimore
Floresta: Ypiranga , Colombo, Orpheu e Rosário
Petrópolis: Rio Branco e Petrópolis
Navegantes: Navegantes
São João: Thalia
Em 19.02.1943 Inauguração do cinema Brasil na Av. Bento Gonçalves, nº 1960, esquina Cel.
Vilagran Cabrita, próximo ao Partenon Tennis Clube, bairro Partenon.
Em 31.07.1943 Inauguração do cinema Eldorado (ou El Dorado) na Av. Benjamin Constant
esquina rua Ernesto da Fontoura, bairro Floresta.
Em 09.07.1944 Inauguração do cinema Rival na Av. 24 de Outubro, nº 1600, bairro
Auxiliadora.
Em 19.10.1946 O jornal Correio do Povo anuncia filmes das seguintes salas de cinema (total de
26):
Centro: Apollo, Central, Roxy , Vera Cruz , Rex , Coliseu , Imperial , Rio (ex-Guarany) e Carlos
Gomes.
Cidade Baixa: Avenida, Garibaldi e Capitólio
Bom Fim: Baltimore
Azenha: Castello
Glória: Glória

Floresta: Ypiranga, Colombo, Orpheu , Rosário e Eldorado
Auxiliadora: Rival
Petrópolis: Rio Branco e Petrópolis
Navegantes: Navegantes
Partenon: Brasil
São João: Thalia
Em 1947 Entra em operação o cinema Baluarte, na Av. Assis Brasil, no bairro Passo da
Mangueira. Em 1948 ele mudou o nome para cinema Cristo Redentor. Nota: Segundo, essa
sala de cinema funcionava nas dependências da Sociedade Baluarte cuja sede ficava localizada
na Av. Assis Brasil. Nos anos 50, o prédio dessa sociedade foi demolido e em seu lugar foi
erigida a atual igreja do Cristo Redentor.
Em 19.03.1947 Inauguração do cinema Marabá, na rua Cel. Genuíno, nº 206, bairro Cidade
Baixa, com 1800 poltronas, de propriedade da firma Seidenberg & Cia. Ltda. Ficava no lugar do
antigo cinema Palácio.
Em 02.07.1947 Inauguração do cinema América, na Av. Assis Brasil, atual, nº 363, no bairro
Floresta.
Em 1948 Entra em operação o cinema Anchieta, em endereço desconhecido essa sala de
cinema que era um prédio de madeira - ficava na Av. Brasil, nº 493, quase esquina com a Av.
Presidente Roosevelt.
Em 06.09.1948 Inauguração do cinema Ritz, na Av. Protásio Alves, nº 2557, no bairro
Petrópolis. Notas: 1) O Ritz fechou em 1994 e o prédio foi demolido em 2002, no lugar a
agência da CEF. 2) O filme anunciado na foto, O Beijo no Asfalto, de Bruno Barreto, é uma
produção do cinema brasileiro de 1980.

1958

Televisão no Brasil

Em 18.09.1950 Inicia a Televisão no Brasil, com a inauguração da TV TUPI em São Paulo, com
ieste fato inicia a queda gradativa de público nos cinemas.
A Televisão em Porto Alegre irá ter o início em 1956 com a inauguração da TV Piratiní do
Grupo Diários Associados.
Em 07.12.1951 Inauguração do cinema Continente, na rua João Pessoa, nº ? , bairro Cidade
Baixa. Notas: 1) Foi o 1o. cinema de verão (?) de Porto Alegre. 2) Segundo, esse cinema ficava
entre as ruas da República e Luiz Afonso, no local onde hoje tem um posto de gasolina e o
Touring Clube. 3) De acordo com S. G. Cardoso, esse cinema tinha uma cobertura de lona tal
qual um circo; nele ocorreu incêndio por volta de 1953-54 e no seu lugar depois houve um
restaurante chamado de " Ao antigo Continente do Petry". 4) O Correio do Povo de
03/Jan/1954, traz a notícia que havia ocorrido um incêndio no Teatro Babilônia, no local do
antigo Cinema Continente, na av. João Pessoa. Possivelmente esse fato tenha acontecido dia
1º.
Em 1952 Inauguração do cinema Vila Jardim, em endereço desconhecido, no bairro Vila
Jardim.
Em 04.10.1952 Inauguração do cinema Miramar na rua Aparício Borges, nº 2730, quase
esquina com av. Bento Gonçalves, bairro Partenon, com lotação para 1400 lugares, inaugurou
com aparelhos de som e projeção da empresa Gaumont Kalee, seu filme de estréia foi a
"Vingança de Jesse James", seu proprietário foi o Sr. Joaquim Alvas da Silva, natural do Ceará,
em homenagem a seus ancestrais, colocou na sala de espera uma cabeça de índio esculpida,
na época seu slogam era "A sala de cinema mais moderna da Capital", um marco para o bairro
Partenon, seu fechamento ocorreu em 14 de fevereiro de 1982.

Situação atual do prédio do Miramar na 3ª Perimetral

Em 27.02.1953 Inauguração do cinema Oásis na esquina das ruas Nunes Machado e rua Barão
do Triunfo, no bairro Menino Deus. Notas: Ficava no mesmo local do cinema Recreio. Ver
1921. Em 26/Nov/1960 mudou o nome para cinema Brasília.
Em 17.07.1953 Inauguração do Cine-Teatro de Bolso (CTB) na rua Sete de Setembro, nº ?, no
centro da cidade. Nota: Em 09/Nov/1953 essa sala passou a se chamar cine Palermo e em
25/Abr/1961 recebeu o nome de cine Rivoli. Conforme referido em Dez/1952, nesse mês já
eram anunciados filmes no Teatro de Bolso, localizado na R. Sete de Setembro, nº 767.
Em 12.09.1953 É inaugurado o cine Victória, no mesmo local antes ocupado pelo cine Vera
Cruz, na av. Borges de Medeiros esquina rua Andrade Neves, no Centro. O filme de estréia foi
"A Dupla do Barulho" com Oscarito e Grande Otelo. Esta sala fechou em Fev/1998. Notas: 1) A
foto abaixo foi cedida por Celso Schmitz. 2) O filme anunciado, Psicose, de Alfred Hitchcock, foi
produzido em 1960. 3) Na década de 1990, o Cine Victória foi dividido em 2 salas de cinema de
médio porte: Cine Vitória 1 e Cine Vitória 2, fechado em 1998.

1950

1970
Em 26.09.1953 Inauguração do cinema Marrocos na av. Presidente Getúlio Vargas, nº 1174
(ou 1740), no bairro Menino Deus. Notas: 1) O Marrocos fechou em 30/Jun/1994. 2) As fotos
abaixo mostram o interior do cinema com seu teto em forma de concha, em 2009 como
garagem.

1953

Plateia

Em 03.12.1953 Inauguração do cinema Teresópolis, na av. Teresópolis, nº ? , esquina com
Praça Guia Lopes, bairro Teresópolis. Notas: 1) Segundo R. Ratzenberger, seu pai - Rudy
Ratzenberger - era um dos proprietários dessa sala. 2) O endereço correto é Av. Teresópolis,
atual nº 3235 onde atualmente funciona uma agência da Caixa Econômica Federal.

1953

Em 1954 Entra em atividade o Cine Art, endereço ? , no centro do bairro Belém Novo.
Em 26.06.1954 Inauguração do cinema Rey, na av. Assis Brasil, nº 1894, nas proximidades da
"Volta do Guerino", bairro Passo D'Areia. O cinema deixou de funcionar em fins de Ago/1980,
no seu lugar foi construido a loja Empo, que pertencia ao Empório de Tecidos.

Década de 80

Em 1955 Entra em operação o cinema Estrela, na Estrada do Forte, nº ? , no então bairro Passo
da Mangueira (atualmente Vila Ipiranga). Hoje como igrela evangélica.
Começa a operar também o cinema OK na av. Assis Brasil, nº 3357 (ou 2511), no então bairro
Passo da Mangueira (atual av. Assis Brasil). Notas: 1) Essa sala de cinema ficava localizada em

frente à igreja do Cristo Redentor. 2) Nos anos 1970 mudou de nome para Cine Real. Já foi um
Bingo, em 2009 um estacionamento.

Em 1956, Entra em funcionamento o Cine-Art, endereço ?, bairro Belem Novo, desativado no
centro do bairro, serve hoje de moradia.
Em 12.10.1956 É inaugurado o cinema Continente, na Av. Borges de Medeiros, nº 475 , no
bairro Centro. Nota: Em 17/Jun/1970 fechou para reforma e reabriu no dia 22 com o nome de
Cine Lido. Nos anos 90 foi desdobrado em 2 salas Cine Lido 1 e Cine Lido 2), em 2009
permanece fechado, mas montado, aguardando a venda.

Cine Lido - década de 80

Em 20.10.1956 Inauguração do cinema Popular Cinemascote, em endereço desconhecido,
depois passou a ser chamado só de Cinemascote. Notas: 1) Segundo o jornal Diario de
Noticias, edição de 01/Nov/1957, esse cinema ficava localizado no bairro Cidade Baixa. 2) De

acordo com C. A. O. de Souza: a) Esta sala de cinema ficava localizada no bairro Santana, na rua
Monsenhor Veras, lado par, quase esquina com a rua São Manoel; entre essa rua e a av.
Ipiranga. b) Seu nome era uma combinação de Cinemascope com Mascote. b) O prédio era
bem simples, tipo de um galpão ou hangar; possuía poltronas de madeira com assentos
giratórios e mais ao fundo cadeiras de madeira de palha trançada. c) O cinema costumava
apresentava seriados, filmes nacionais e épicos ítalo-americanos. d) Era conhecido pelo
apelido de "Pulguinha" pelos pessoal das redondezas. 2) Conforme, esse cinema também era
conhecido por Mascote.
Em 1957 Em Porto Alegre o cinema Victória inaugura o seu sistema de ar condicionado. É o
pioneiro no Rio Grande do Sul. Ainda neste ano ele passa a oferecer 5 sessões diárias, um feito
inusitado para a época.

1979

Começa a funcionar o cinema Paquetá, em endereço desconhecido, na Vila São José. Este
cinema ficava localizado na rua Borborema na esquina, nas proximidades da rua João Botelho.
Em 06.06.1957 É inaugurado o cinema Tamoio, na Av. Cavalhada, no bairro Cavalhada. Notas:
1) Segundo R. Ratzenberger, esta sala de cinema pertencia a seu pai - Rudy Ratzenberger. 2)
Com base em informação fornecida pelo citado, o autor localizou o ponto do antigo cinema;
ficava na Av. Cavalhada, atual nº 2129, onde funciona agora a "Churrascaria e Pizzaria Kasarão
I". 3) Conforme jornal Folha da Tarde da época, o filme de estréia foi o nacional "Sai de Baixo";
o cinema pertencia a Empresa Hatzen Berg e Cia. Ltda. e a sala possuia 600 assentos. 4)
Segundo o mesmo jornal, um dos proprietários era David Yentchmin que também era
proprietário do cinema Palermo e coproprietário do cinema Eldorado (ou El Dorado).
Em 18.06.1957 Inauguração do cinema Medianeira, na av. Carlos Barbosa, em frente a rua Cel.

Neves, no bairro Medianeira. Nota: O Cine Medianeira trocou de nome para Cine Alvorada em
26/Nov/1960.
Em 02.09.1957 inaugurado o cine Cacique, na rua dos Andradas, nº 933 (ou 923), no centro da
cidade. Na época era o cinema mais luxuoso de Porto Alegre, incluindo pinturas dos índios
Guaranis em suas paredes, obra do artista Glauco Rodrigues. Notas: 1) O filme de inauguração,
em 1957, foi "O Rei Vagabundo" com Kathryn Grayson. Possuía 1600 poltronas Pulman
(reclináveis) bem como projetores e tela para filmes de 70 mm; som estereofônico, etc. 2) No
final dos anos 1960, no mezanino e confeitaria desse cinema, passou a funcionar o cine Scala,
rua dos Andradas, nº 921. 3) Os cinemas Cacique e Scala deixaram de funcionar em
10/Jul/1994. 4) Em Jun/1996, um incêndio destruiu parcialmente as 2 salas de cinema,
incluindo-se as pinturas dos índios guaranis, em 2009 utilizado como garagem.

Entrada dos Cine Cacique e Cine Scala

Interior do Cine Cacique, nota-se a pintura do Guaraní na parede.

Em 16.12.1957 É inaugurado o cinema Pirajá, na Av. Bento Gonçalves, nº ?, esquina rua
Teixeira de Freitas, no bairro Partenon, hoje utilizado como loja de ferragem.

Entrada do Cine Pirajá

Em 1957 Entra em funcionamento o cine Belgrano, endereço ?, bairro Belem Novo, Nota:
ficava próximo a igreja do bairro, seu prédio foi demolido.
Em 1958 Entra em funcionamento o cinema Sarandi, em endereço desconhecido, no bairro
Sarandi. Nota: O jornal Correio do Povo, edição de 27/Dez/1958 já traz a programação dessa
sala de cinema. Nota: Conforme, esse cinema ficava localizada na Av. Assis Brasil, nº 6664.

Em 04.01.1958 O jornal Correio do Povo traz a programação das seguintes salas de cinema:
Centro: Ópera , Victória, Rex , Central, Imperial , Guarany, Carlos Gomes , Continente,
Cacique, Palermo e Cinemascote.
Cidade Baixa: Avenida, Capitólio, Garibaldi, Brasil e Marabá
Bom Fim: Baltimore
Azenha: Castello e Oásis
Auxiliadora: Rival
Floresta: Ypiranga , Colombo , Orpheu , Eldorado , Rosário e América
São João: Thalia
Petrópolis: Rio Branco, Petrópolis e Ritz
Partenon: Pirajá e Miramar
Menino Deus: Marrocos
Glória: Glória
Teresópolis: Teresópolis
Passo da Areia: Rey
Passo da Mangueira (Assis Brasil): OK
Passo da Cavalhada: Tamoio
Vila Ipiranga: Estrela

Tristeza: Gioconda
Além desses, o Correio do Povo relacionava: Rio Branco (Vila Rio Branco) e São Luiz (Vila
Niterói), ambos no município de Canoas. 2) Anteriormente, em 02/Out/1957, além dos
citados, o mesmo jornal relacionava também: Belgrano (bairro Belém Novo). Relacionava
também Garibaldi (na Vila Niterói) e Rex, ambos no município de Canoas. 3) Segundo R.
Ratzenberger, o Cine Gioconda pertencia a seu pai - Rudy Ratzenberger- e a sala de cinema
ficava na R. Wenceslau Escobar. 4) Com base nessa informação, o autor localizou o prédio do
antigo cinema; fica na Wenceslau Escobar, atual no. 2826, proximidades da R. Armando
Barbedo. No ponto do cinema, hoje funciona uma das filiais das Lojas Herval; inclusive há ali
um logradouro chamado "Beco do Cinema Gioconda". 5) O Correio do Povo coloca o
Cinemascote como estando localizado no Centro, porém ficava localizado em bairro.
Em 21.05.1958 O cinema Mônaco pela 1ª vez aparece nas páginas do Correio do Povo (CP)
dentro de sua programação de cinema. O filme anunciado é "Corações em Angústia" . Notas:
1) Na edição do CP de 25/Mai/1958, p. 67, é indicado que essa sala de cinema ficava na av.
Osvaldo Aranha, nº 756, bairro Bom Fim. 2) Na edição do CP de 10/out/1960 é noticiado que
essa sala de cinema estava em reforma e que iria reabrir brevemente; portanto, nessa época,
o cinema não estava funcionando.
Em 15.11.1958 noticia a inauguração do Cine Teatro Presidente para o dia seguinte
(16/Nov/1958) com o filme "A Mais Bela Mulher do Mundo", com Gina Lollobrigida. Notas: 1)
Essa sala de cinema ficava localizada na Av. Benjamin Constant, nº 1773, no bairro Floresta, em
2009 funciona uma igreja evangélica, a fachada permanece.

Em 27.11.1958 a inauguração do cinema Ipanema para o dia seguinte (28/Nov) com o filme
musical Serenata no México, da distribuidora Pelmex. O jornal informava que o cinema ficava
na Av. Flamengo, nº 381, bairro Ipanema. Essa sala pertencia a empresa Cinematográfica
Ipanema Ltda, em 2009 fechado só existe a carcaça do prédio sem telhado

Em 1959 Entra também em funcionamento o cinema Nirvana, em endereço desconhecido,
possivelmente no bairro Navegantes. Em 03/Mai/1960, mudou de nome para cinema Ceará.
Esse cinema ficava localizado na av. Ceará, nº 142, esquina com a rua 25 de Fevereiro.
Em 06.02.1959 Além da relação de salas de cinema indicada em 04/Jan/1958, o Correio do
Povo relacionava também: Ipanema (no bairro Ipanema) e Sarandi (no bairro Sarandi). Além
desses, relacionava Imperial (no município de Esteio) e Metrópole (município de Gravataí).
Em 01.08.1959 Inauguração do Cine Vogue, na av. Independência, nº 640 , no bairro
Independência. O filme de estréia foi O Velho e o Mar. Notas: 1) Nos anos 70, mudou de nome
para Cinema 1 - Sala Vogue. Na foto 1 de 1974, o filme Fanny e Alexandre, de Ingmar
Bergman, é de 1982 e O Gato, de Julien Bouin, é de 1971.

Sala Vogue - década de 60

Cinema 1 - década de 70

Em 29.01.1960 Inauguração do cinema Rex na rua Sete de Setembro, nº ? , no bairro Centro.
Possivelmente este cinema funcionava na rua Sete de Setembro, atual nº 772, onde fica a
Garage Rex.
Em 11.09.1960 Inauguração do cinema Atlas em um prédio localizado na esquina da av.
Protásio Alves e rua Alcides Cruz, bairro Petrópolis. Notas: 1) A foto abaixo mostra esse prédio,
Jul/1997.

Situação atual do prédio

Interior do prédio

Em 24.09.1960 Inauguração do cinema Roma na av. Princesa Izabel, nº 15, bairro
Azenha, Nota: Ficava em um prédio defronte a Praça. Princesa Izabel, no trecho entre a av.
Bento Gonçalves e a rua Oscar Pereira.

Neste local será construido o prédio que no térreo funcionará o Cine Roma, com sua bela
escadaria

Em 19.10.1960 O cinema Piratini pela 1ª vez aparece nas páginas do Correio do Povo (CP)
dentro de sua programação de cinema. Na programação é indicado que ele se localizava na rua
Vicente da Fontoura, bairro Santana, mas não é indicado o número do prédio.
Em 26.11.1960 Inauguração do cinema Alvorada na av. Carlos Barbosa, em frente a rua Cel.
Neves, bairro Medianeira. Nota: Esta sala de cinema funcionou no mesmo local do cinema
Medianeira.
Em 30.10.1961 Inauguração do Cine Moinhos de Ventos, sob o prédio de mesmo nome, rua
24 de Outubro, nº ?, bairro Moinhos de Ventos, em 1966 muda de nome para Cine Coral, e na

década de 80 é dividido em 2 salas, a platéia Cine Coral 1 e o mesanino Cine Coral 2, em 1994
encerra suas atividades, em 2009 foi locado para ser shopping de fábrica.

Golpe Militar de 1964

Em 31.03.1964 e dado o Golpe Militar no Brasil e com a ditadura o cinema no Brasil começa a
perder o interesse, pois existe o interesse do Estado, é um duro golpe nos cinemas de calçada.
Em 1968 inaugura o Cine São João, av. Salgado Filho, n° 135, esquina rua Vigário José
Inácio, no bairro Centro, sala moderna com grande mesanino, fechado em 1994, em 2009
continua montado, só falta o projetor, o saguão de entrada está locado para uma agência do
Banco do Brasil.

Cine Regente, endereço ?, bairro Partenon, ficou muito tempo em reformas na década de
1980 e nunca mais abriu.
Inaugura em dezembro 1970, o Centro Comercial João Pessoa, bairro Azenha, primeiro
shopping de Porto Alegre, abre Cine 1 e Cine 2 as únicas salas de cinema em shopping em
Porto Alegre, na época centro comercial, pois a expressão shopping ainda era pouca
conhecida.

O GOlpe Fatal
Shopping Center

Em 1980 inicia o projeto para o primeiro Shopping Center de Porto Alegre o Iguatemi, isto é
Golpe Fatal para os cinemas de rua em Porto Alegre, em pouco tempo todos irão desaparecer.

Em 1983, Inaugura o Shopping Center Iguatemi, o primeiro grande shopping center de Porto
Alegre, com quatro salas de cinema, assim começa uma nova etapa para os cinemas em Porto
Alegre, o fim dos cinemas de calçada e o inicio das salas de cinema menores em endereço

fechado, os shoppings, mas o shopping Iguatemi inaugurou sem salas de cinema que só se
instalaram as primeiras 4 salas em 1993.

Na inauguração em 1983

Em 22.04.1987 inaugura a Sala Redenção – Cinema Universitário no prédio da antiga
Biblioteca Central da UFRGS. Com uma programação constante de mostras e ciclos temáticos,
a sala foi pensada para ser um espaço alternativo de projeção de filmes aliados tanto à
reflexão como a debates e aprendizados através da integração entre cinema, cultura,
educação e artes. A sala se propõe também a resgatar os grandes clássicos do cinema mundial,
exibir produções realizadas em diferentes países, além de reservar um espaço significativo
para a projeção de filmes brasileiros. A Sala Redenção é um espaço de integração das
diferentes áreas do conhecimento, buscando despertar no público o gosto estético aliado ao
enriquecimento cultural - Av. Paulo Gama, 110 • Campus Central da UFRGS.

Em 25.05.1999, inaugura a Sala P. F. Gastal é o primeiro cinema da Secretaria Municipal da
Cultura de Porto Alegre, localizada no terceiro andar da Usina do Gasômetro, tem 118 lugares
e está equipada com um projetor de última geração, da marca alemã Kinoton, com capacidade
de exibir filmes tanto na bitola de 35mm quanto na de 16mm. Contando ainda com som Dolby
Stéreo e ar condicionado central, é um cinema que oferece ao espectador conforto e
qualidade de projeção, a sala possui poltrona de tamanho especial destinada a obesos,
funciona de terças a domingos.
A programação da sala é montada em torno de três linhas básicas de trabalho:
a) Lançamento de filmes brasileiros e produções de cinematografias alternativas,
b) Realização de ciclos,
c) Programação infantil.
Av. Pres. João Goulart , 551 – Centro - Fone: (051) 3289 8137/8135

*************************

Porto Alegre, ainda tem cinema de rua.
Sala Norberto Lubisco, Casa de Cultura Mario Quintana, inaugurado em 1993
Sala Eduardo Hitz

Reaberto em 1999 Cine Vitória 1 (198 lugares) 2 (146 lugares), ocupa a sobre loja do antigo
cinema Vitória, a entrada é pela galeria Vitória que liga a av. Borges de Medeiros com a Rua 24
Horas, o antigo cinema em 2009 é uma loja de material elétrico.
Cine Áurea, av. Julio de Castilhos, nº ?, Centro, a entrada do prédio mudou-se para a rua
lateral, rua Vigário José Inácio, apresentação de filmes pornográficos e shows de sexo ao vivo.
Em funcionamento 2009.

Cine Atlas, av. Julio de Castilhos, nº 450, Centro, apresentação de filmes pornográficos e shows
de sexo ao vivo. Em funcionamento 2009.

Cine Apolo, av. Voluntários da Pátria, 615, Centro, quase ao lado do viaduto da Conceição.
Apresentação de filmes pornográficos. Fechado em 2009.

Ao lado da galeria Santa Catarina
***
Em 15.10.2009 inaugura o CineBancários na sede do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre,
a sala é equipada com ambiente com ar climatizado, 81 poltronas, dois lugares para
cadeirantes, projetor Multimídia com sistema Blue Ray, projeção 35mm, som Dolby Digital 5.1,
palco Multiuso. - Rua General Câmara, 424 - Centro | 51-34331200

***********************

A ArcA do cinemA GAúcho

Cinemateca Capitólio
Cinemas de Porto Alegre

AeroGuion - Aeroporto Internacional Salgado Filho - Fone: 51 3358.2620

Arcoíris Boulevar - Av. Assis Brasil, 4320. Assis Brasil Strip Center - Fone: 51 3344.1483

Center - Av. João Pessoa, 1831. Shopping João Pessoa - Fone: 51 3223.4158

Cinemark - Bourbon Shopping Ipiranga, Av, Ipiranga, 5200. Fone: 51 3299.0850

Cinemark - BarraShoppingSul - Av. Diário de Notícias, 300. Fone: 51 4003.4171

Cinesystem - Shopping Total - Av. Cristóvão Colombo, 545. Fone: 51 3314.7740

Arcoíris Bourbon Assis Brasil - Av. Assis Brasil, 164. Fone: 51 3362.3608

GNC Lindóia - Av. Assis Brasil, 3522. Fone: 3299.0505

GNC Moinhos - Moinhos Shopping - Rua Olavo Barreto Viana, 36. Fone: 51 3299.0505

GNC Praia de Belas - Shopping Praia de Belas - Av. Praia de Belas, 1181. Fone: 51 3299.0505

Cine Iguatemi - Av. João Wallig, 1800 - Shopping Iguatemi. Fone: 51 3299.0033

Arcoíris Rua da Praia Shopping - Rua dos Andradas, 1001. Fone: 51 3286.7701

Salas Paulo Amorim, Eduardo Hirtz e Norberto Lubisco - Rua dos Andradas, 736 - Casa de
Cultura Mário Quintana. Fone: 51 3221.7147

Sala P. F. Gastal - Usina do Gasômetro - Av. João Goulart, 551. Fone: 51 3212.5928

Sala Redenção - Campus Central da UFRGS - Av. Paulo Gama, 110. Fone: 51 3316.3034

Cine Santander - Av. Sete de Setembro, 1028. Fone: 51 3287.5500

Unibanco Arteplex - Av. Túlio de Rose, 80 - Shopping Bourbon Country. Fone: 51 3299.0624

Arcoíris Vitória - Av. Borges de Medeiros, 475. Fone: 51 3212.3474

- Em breve as salas de cinemas atuais em Porto Alegre, e muito mais. Obrigado.

The End
O Fim
Fim

Volte Sempre!
Consultas e textos adaptados:
Carlos Adib
Independente

A Federação
Correio do Povo
Jornal do Comércio
Zero Hora
Particulares:
Anderson D'Onofrio França
Blogs
Sites
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cinemas de rua, salas de cinema
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GONÇALO DE CARVALHO : A RUA MAIS BONITA DO MUNDO

A rua mais bonita do mundo fica
................em Porto Alegre.....
AMIGOS:

É sério, podem procurar no

Google

digitem:

A rua mais

bonita do mundo

surpresa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!: vai aparecer
uma rua de Porto Alegre

está na lista e bem cotada
Realmente é linda:
Eis a rua Gonçalo de Carvalho < ela inicia ou termina ? > em
frente ao Hospital Moinhos de Vento, bairro Independência
<> PoA = R.G.S

ENQUETES
Enquete PORTOIMAGEM SOBRE PARQUE DA
REDENCÃO:

Enquete (será computado somente 1 voto por pessoa/IP)
Edição 2011 - Você é a favor ou contra cercar o Parque Farroupilha
(Redenção)?

A FAVOR

CONTRA

Não sei, nunca pensei sobre isso!

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BarraShoppingSul
Blog do Daniel Simon
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Blog do Jornalista Gustavo Bartzen
Blog do Oceanário Sul
Blog do Rafa Morawski
Blog do Rodrigo
Blog do Secretário da SMIC – Valter Nagelstein
Blog do Vereador Adeli Sell
Blog Porto Imagem (endereço antigo)
Bumerangue
COMUNIDADE QUERO CAIS – ORKUT

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Grêmio
Hidrovias Interiores
Inter
Movimento Ponte do Guaíba
MOVIMENTO QUERO CAIS
MOVIMENTO QUERO CAIS – FACEBOOK
Novas do Gatto
Página do arquiteto polonês Daniel Libeskind
Porto Alegre-Se
Porto Imagem no Orkut
Prefeitura de Porto Alegre
Triste Porto Alegre
Urbanas Cidades
WordPress.com
http://wwwportoalegreedemais.blogspot.com/

CONTOS
Olho de robô
By

admin
– 02/06/2011Posted in: Capa
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Na noite de Porto Alegre, um humano e um androide especulam sobre realidade e
ficção. Um conto de Jéferson Assumção*
Steven Pinker diz, em Como a Mente Funciona, que um robô nunca vê, ao contrário do
que querem nos fazer crer alguns filmes por aí. Na verdade, nas histórias de ficção
científica, o efeito correspondente ao olhar das máquinas é produzido com lentes
grande-angulares ou retículas de fios cruzados que eles colocam na tela. Mas essas

imagens, supostamente as visões dos robôs, que vemos na tevê, aparecem apenas para
nós, humanos, que já possuímos um olho e um cérebro funcionando, e que podemos
captá-las.
Nas entranhas de fios de um robô, não se vê nada a não ser uma série de números, cada
um correspondendo a um brilho entre milhões de retalhos mais escuros ou menos. Mas
talvez seja tão impossível que os robôs enxerguem até mesmo isso quanto, ao tentar
abrir alguém vivo de verdade, vermos sua alma lá dentro. Os números, afinal, são
apenas descargas eletrônicas. Era isso o que eu tentava dizer a XY8, àquela noite
agradável de novembro, num bar da Rua da República…
- Você me vê, mas não me vê, entende, XY?
Ele não respondeu, acho que um tanto magoado. Olhou-me de um jeito amargo e ergueu
o braço para pedir outra Polar. A noite de primavera estava agradável para uma
conversa. As mesas, na rua da República, apinhadas de gente que sorria, bebia e trocava
olhares com os habitantes das ilhas de metal mais próximas. Retomei, ante o bocejo de
XY8:
– A questão é que, na verdade, vocês são completamente cegos, por mais que possam
identificar formas e movimentos em seus mais delicados detalhes, com mais precisão
até do que nós…
Eu queria dizer a ele que, mesmo vendo, eles não vêem. Mais do que isso. Não
enxergam nem mesmo os tais números que existem dentro de suas cabeças! Como
veriam, se não existe nada entre eles e as coisas? E isso pelo simples fato de que eles,
afinal, também são coisas. Se nós, os humanos, atribuímos a objetos de fios e placas de
metal algumas sensações que temos, só pode ser por certo desespero, angústia por
estarmos sós no universo.
- Não acha? – concluí.
Ele concordou, com a cabeça. Ainda mudo, no entanto, enfiou mais três botõezinhos de
amendoim na boca e limpou as cascas que caíram sobre o colo. Tomei novo gole de
Polar. Então, continuei, mudando um pouco o foco do assunto, que não parecia ser
muito de seu agrado. E eu sei quando começo a ser chato.
– Você, que gosta de poesia, XY. Penso que pelo menos um tipo de poesia não passa,
tal qual a filosofia, de uma técnica retórica de se referir às evidências de modo avesso,
de maneira reversa, cuja principal ilusão é ver dotadas de vida coisas que não o são. E a
filosofia tem esse mesmo desejo, mas não a mesma coragem.
Foi então que XY8 interrompeu, com sua voz rouca, pausada. Fiquei feliz por ver que
ele queria falar:
– Máquinas e pontes, estradas e janelas, rios e estrelas, fábricas e calçadas, muitas vezes
vi-as se moverem por meio de figuras de linguagem, que imaginei serem o centro da
poesia. Confesso que, por pouco, a vaidade não me fez ver resolvidos todos os enigmas,
via literatura, não fosse o problema crucial de que as palavras, infelizmente, não são as
coisas. Que tudo o que se fala é apenas aquilo que se fala, que não há relação do que é

dito com os objetos, como imagina, por exemplo, a iludida filosofia. Não é isso o que
queria dizer?
– Exatamente. Exatamente. E nessas mesmas palavras…
– Não te parece, então – ele retomou – que o problema de vocês seja o inverso do nosso,
o que os envolve em idêntica cegueira? – assinalou. Acrescentou que, para ele, éramos
apenas sujeitos e que nossa ponte com o objeto estava quebrada. Assim, tudo o que
olhamos levaría-nos, por isso, a inevitáveis ilusões. Também disse que, se só podemos
enxergar por dentro dos próprios olhos, como, desse modo, poderíamos saber se
chegamos, de fato, às coisas reais lá fora? E deu um exemplo: as cores… Poderíamos,
nós humanos, dizer que elas são o que são fora de nós? Não é possível ter certeza. E se
os robôs vêm números ou nem mesmo isso, parece que nós vemos algo que está apenas
dentro da gente, de nossa carne, de nossos nervos, mas não nas coisas. Seríamos, assim,
tão cegos quanto os robôs. E desferiu o golpe final:
– Para nós só existem coisas, para vocês, só vocês, Guilherme.
Meu amigo robô é, de fato, uma grande companhia. Fantasma cibernético da Cidade
Baixa, encontro-o quase sempre, rodando de bar em bar pelas belas ruas do bairro, à
procura de bons lugares para beber, conversar e se chatear o mínimo possível. E há
lugares realmente legais. A República já foi uma deles, a Lima e Silva, aquela coisa,
que vai se transformando num mar de gente de gosto cada vez mais duvidoso a cada ano
que passa. Mas há ruazinhas e bares escondidos, legais e distantes da turba.
De vez em quando tem shows de jazz, inclusive, mas o interessante, mesmo, é a
confluência das esquinas mais estranhas de Porto Alegre. Na frente do Opinião, a José
do Patrocínio junta, um de frente para outro, bares de metaleiros, surfistas, playboys,
pagodeiros, roqueiros etc, num espaço de menos de 100 metros. Um mergulho ou outro
por ali é interessante, mas nada mais que uma boa meia hora e já se começa a sentir o
cheiro da puerilidade, do prosaísmo que exala mais forte que o das bebidas baratas.
Entretanto, como costuma acontecer, eu e XY8 já tínhamos pago a conta e perambulado
por outros bares, tentando reconhecer algum amigo no meio da massa. Acabamos
pulando como dois sapos naquele ambiente, esperando que um bar de boa black music
com algumas das pessoas mais interessantes da cidade abrisse. No boteco da frente,
continuei a conversa, já em outro tema, como sempre.
Perguntei a ele se, em sua opinião, o artista pode pensar não apenas por sínteses e
analogias, mas também por análise, como seus colegas cientistas e filósofos.
Respondeu-me que achava que não, que a análise só pode dar como resultado o que já
está contido no objeto, o que, como todos sabem, impossibilita qualquer descoberta de
algo que esteja fora dele.
- O que um poeta iria querer com isso? – acrescentou.
– Exato! A síntese, ao contrário, pode fazer surgir algo que não estava contido
completamente na coisa analisada. Os poetas têm a metáfora como instrumento. Pela
comparação, pelo transporte, pelas relações estranhas entre objetos e palavras chegam,

às vezes, a esse resultado a que chamam de arte.
XY8 comentou:
– Como sempre queres dizer que as relações analíticas são mais prosaicas que as
sintéticas, e que eu como produto da ciência não sou poesia, como tu, que és humano…
- Ora, isso não é óbvio, XY?
Mas eu não falava disso. Queria dizer que a arte reside exatamente em poder fazer com
símbolos um fio imaginário entre os objetos. Disse a ele que não me parece haver outra
forma de enxergar o poético do que renunciando, então, à comprometida análise, e
saltando, no escuro, à espera de que exista algo entre as coisas, que só pode ser “pego”,
“visto”, “ouvido”, “sentido” por essa ponte frágil. Acrescentei que a poesia me parecia
um instrumento como teia de aranha, a agarrar o homem invisível, o universo invisível
que supostamente existe entre os objetos. Talvez alguém na universidade pudesse
retucar se isso não se trata de uma irreverente metafísica, de um simples método de
investigação que não consegue se livrar do estranho, do resíduo, dos ruídos e até das
ilusões.
- Uma lógica precária? – ele perguntou.
– É. Mas este não compreenderia a aventura da arte como, também ela, um salto de fé
no abismo entre as coisas. E os poetas não se dariam por contentes com uma explicação
destas, com tão pouco, obviamente. Eles querem mais, querem ser deuses.
– Não percebes – ele sorriu – que é exatamente assim que, com nossa ilusão, com nossa
cegueira, enxergamos, nós, os robôs? A arte é um fio de aço estendido no precipício,
sim – ele sublinhou – O artista está ali em cima. No íntimo não nega que não vê nada
entre o vazio, nem mesmo a corda a seus pés, e que só o segura o medo de cair e não
pegar nada. Ele é como nós, que enxergamos dígitos, talvez nem isso. Mas uma fé o
sustenta para que não caia no vazio, lá embaixo. O artista é o que anda sobre as águas, o
que dá passos no ar, o que, equilibrando-se sabe-se lá onde, faz aquilo funcionar: a
ponte invisível entre as coisas, por onde ele, então, dá mais um passo, e outro e outro,
até chegar, são, mas nunca salvo, do outro lado.
Pensei naquilo, atentando para a maneira como seus olhos brilhavam. Pareciam os de
um profeta, um louco, ou mesmo um místico iludido por sua própria arte de
ilusionista… Olhos de robô, que não vêem nada, nada, os de XY8… Deu-me uma pena.

Jéferson Assumção é escritor gaúcho, autor de 17 livros, entre eles Máquina de
Destruir Leitores (Sulina), O Mundo das Alternativas (Veraz) e A Vaca Azul é Ninja.
Doutor em Filosofia pela Universidade de León, Espanha. Foi secretário municipal de
cultura de Canoas-RS e coordenador-geral de Livro e Leitura do ministério da Cultura.
Atualmente é diretor-geral e secretário adjunto de Cultura do Estado do Rio Grande do
Sul. Mantém um blog, frequentemente atualizado