A ALQUIMIA CHINESAProjeto Orientalismo apresenta

ALQUIMIA CHINESA
M. ELIADE
Rio de Janeiro, 2002.

A ALQUIMIA CHINESA
De certa forma, poder-se-ia dizer que, na China, não houve solução de
continuidade entre a mística metalúrgica e a alquimia. Marcel Granet já havia
feito a observação de que o taoísmo "tem suas origens nas confrarias de
ferreiros, detentoras da mais prestigiosa das artes mágicas e do segredo das
primeiras forças".[1] Ora, é nos meios taoístas e neotaoístas que se difundem as
técnicas alquímicas. Como se sabe, aquilo a que se dá o nome de "taoísmo"
acolheu e revalorizou um grande número de tradições espirituais de idade
imemorial. Recorrendo apenas a um exemplo, certos métodos arcaicos que visavam a
reintegrar a espontaneidade e a beatitude da "Vida animal" foram adotados e
cuidadosamente conservados pelos mestres taoístas; e, como tais práticas derivam
em linha reta de um protoxamanismo dos povos caçadores, isso vem demonstrar a
sua enorme Antigüidade (ver o nosso Le Chamanisme, pp. 402 s.).
É claro que não devemos confundir continuidade com identidade. A "situação" do
alquimista chinês não podia ser a do ferreiro nem a dos místicos arcaicos.
"Entre os taoístas, cujo forno alquímico é herdeiro da antiga forja, a
Imortalidade já não resulta (pelo menos depois da segunda dinastia Han) da
fundição de um utensílio mágico (que exigiria um sacrifício à forja), mas está
assegurada àquele que soube produzir o 'divino cinábrio'. Desde esse momento,
passou a haver uma nova forma de se divinizar: bastava alguém absorver o ouro
potável ou o cinábrio para se tomar semelhante aos deuses".[2] O alquimista,
sobretudo na época do neotaoísmo, empenhava-se em encontrar uma "sabedoria
antiga", superada, adulterada ou mutilada pela própria transformação da
sociedade chinesa. O alquimista era, ao mesmo tempo, um artesão e um letrado. Os
seus predecessores - caçadores, oleiros, ferreiros, dançarinos, agricultores,
místicos - viviam no centro de tradições que eram transmitidas oralmente,
mediante iniciações e "segredos de ofício". A princípio, o taoísmo voltou-se com
simpatia, ou até com fervor, para os representantes dessas tradições; esse fato
ficou conhecido como o entusiasmo dos taoístas pelas "superstições populares":
técnicas dietéticas, gímnicas, coreográficas, respiratórias, práticas extáticas,
mágicas, xamânicas, espíritas etc. Tudo leva a pensar que, ao nível "popular"
onde eram procuradas, algumas práticas tradicionais já haviam sofrido numerosas
alterações: basta lembrarmos as variedades aberrantes de certas técnicas
xamânicas do êxtase (cf. Le Chamanisme, pp. 398 s.). Os taoístas pressentiam,
porém, sob a crosta de tais "superstições", fragmentos autênticos da "sabedoria
antiga" e dedicavam-se a recolhê-las, terminando por incorpora-Ias à sua crença.
É nessa zona difícil de circunscrever, onde subsistiam tradições de inegável
Antigüidade - pois derivavam de situações espirituais superadas: êxtases e
sabedorias ligadas à magia da caça, à invenção da cerâmica, à agricultura ou à
metalurgia etc. -, nessa zona onde ainda se mantinham as intuições e
comportamentos arcaicos, refratários às vicissitudes da história cultural, é
nessa zona que os taoístas gostavam de recolher receitas, segredos, instruções.
Desse modo, pode-se dizer que os alquimistas taoístas, não obstante inevitáveis
inovações, retomavam e prolongavam uma tradição proto-histórica. Suas idéias
sobre a longevidade e a imortalidade pertencem ao mundo das mitologias e dos
folclores de âmbito quase universal. As noções de "erva da imortalidade", de
substâncias animais ou vegetais carregadas de "vitalidade , e que trazem em si o

Quando os tiverdes visto e houverdes feito os sacrifícios fong e chan. a relação entre o preparo do ouro alquímico e a obtenção da longevidade-imortalidade acha-se claramente reconhecida por Liu An e por outros autores (Needham. Quanto ao complexo ritual "ferreiros confrarias iniciatórias .[5] O mágico Li Chao-kiun recomenda ao imperador Wu Ti da dinastia Han: "Sacrificai ao fomo (tsao) e podereis provocar o aparecimento de seres (sobrenaturais). p. 77. a obtenção da "droga da imortalidade" e a "evocação" dos Imortais: Luan Tai apresenta-se diante do imperador Wu e assevera-lhe que pode realizar esses três milagres. fazem parte de uma ideologia arcaica que ultrapassa os confins da China. p.) Contentar-nos-emos em assinalar em que sentido certas intuições encontradas em estado elementar nas mitologias e ritos dos fundidores e ferreiros foram retomadas e interpretadas pelos alquimistas. Tanto na China como em outros lugares. 3) as técnicas que procuravam alcançar ao mesmo tempo o prolongamento da vida. o pó de cinábrio poderá ser transformado em ouro amarelo. o que neles se encontra só serve para os principiantes. mitos e técnicas pertenciam ao legado cultural da proto-história e seria um erro acreditar que a data dos primeiros documentos que os atestam nos informe também a sua idade. p. ao valor místico do ouro.segredos de ofício". afirma Pao P'u-tzu. Liu Hsiang (79-8 a.princípios. As referências precisas a essas duas crenças são atestadas na China desde o século IV a. situada no meio dos mares. e aliás não somente a ele: a iniciação feita por um mestre e a comunicação iniciatória de segredos continuaram por muito tempo a constituir uma norma de ensino alquímico.C. o primeiro documento dataria de 144 a. Needham.) pretendia "fabricar ouro". 2) os mitos relacionados com o elixir da imortalidade e com os Santos Imortais. 13). vol. III. Os especialistas não chegaram a um acordo sobre as origens da alquimia chinesa. separado dos profanos. Os livros não são suficientes. tenta explicar o fracasso de Liu Hsiang. ligada à procura das ilhas remotas e .C.[3] Mas. (Ver alguns exemplos na Nota K. 254-334). Alguns séculos mais tarde. mas só consegue "materializar" os Imortais. portanto. 12). dizendo-nos que ele não possuía a "verdadeira medicina" (a "Pedra Filosofal") e não estava espiritualmente preparado (porque o alquimista devia jejuar durante cem dias. bem como os mitos sobre as regiões inacessíveis habitadas por Imortais.C.). etc. como bem demonstrou Joseph Needham[4]. J. Ainda se discutem as datas dos primeiros textos que mencionam operações alquímicas. podereis ver os bem-aventurados (hsien) da ilha P'ong-lai. alguma coisa da sua estrutura se transmitiu ao alquimista chinês. Existe um consenso em considerar Tsu Yen. Segundo H. purificar-se com perfumes etc.. um contemporâneo de Mêncio.C. como o "fundador" da alquimia (cf. 74). É evidente a solidariedade entre a "preparação do ouro".: nesse ano. Será sobretudo instrutivo! destacar o desenvolvimento ulterior de algumas idéias fundamentais relativas ao crescimento dos minerais. quando tiverdes feito aparecer os seres (sobrenaturais). quando o ouro amarelo tiver sido produzido. já não morrereis" (Sse-ma-Ts'ien. p. à transformação natural dos metais em ouro. a falsificação do ouro não constitui propriamente um "método" alquímico. Além disso. 465). Esses três elementos .elixir da juventude. A alquimia chinesa constituiu-se como disciplina autônoma quando passou a utilizar: 1) os princípios cosmológicos tradicionais. Quando a vossa longevidade for prolongada. não se pode efetuar a transmutação num palácio: é necessário viver na solidão.[6] A busca do elixir estava. Outra personagem célebre. No século II a. mas não obteve sucesso (textos em Dubs. Não nos convém examiná-los neste ponto. tudo o mais permanecendo secreto e só se transmitindo por via oral. Dubs. um edito imperial ameaçava de execução pública todos aqueles que fossem surpreendidos em flagrante delito de falsificar ouro. Pao P'u-tzu (pseudônimo de Ko Hung. Dubs. a alquimia é definida por meio de uma dupla crença: 1) na transmutação dos metais em ouro e 2) no valor "soteriológico" das operações realizadas com o objetivo de chegar a esse resultado. podereis fazer com ele utensílios para beber e comer e então tereis uma longevidade prolongada. a beatitude e a espontaneidade espiritual. p. o mais famoso alquimista chinês.

tornar-se imortal . "Se introduzirmos ouro e jade nos nove orifícios do cadáver. Se até a erva chü-sheng pode prolongar a vida. os recipientes de duro alquímico possuem uma virtude específica: prolongam ilimitadamente a vida. Wei Po-yang. Por que não tentas pôr o Elixir em tua boca? O ouro. O ouro produzido pelos processos da sublimação e da transmutação alquímicas possuía uma vitalidade superior. Torna-se eterna a duração da sua vida. O ouro e o jade. Quando o pó dourado penetra nas cinco entranhas. 71.a operação alquímica procura implicitamente alcançar a "perfeição" da Natureza.[8] O mesmo autor é mais explícito em outra ocasião: "O homem verdadeiro faz ouro porque deseja.[7] Pela mesma razão. É assim que ele é apresentado num texto de 122 a. Huai-nan-tzu. A pesquisa do ouro implicava também uma investigação de essência espiritual. III. escreve o alquimista Ko Hung. ele é o mais precioso de todos os objetos. 41-42). o ouro tinha que ser "preparado". 143. a sua absolvição e liberdade.. por participarem do princípio cosmológico yang. Ho Kung escreveu: "Se com esse ouro alquímico fazeis pratos e baixela. "livre" de impurezas . Os dentes caídos são recolocados em seus lugares. vida longa terás . o alquimista chinês auxilia a obra da Natureza precipitando o ritmo do Tempo. A procura dos Imortais das ilhas remotas ocupou os primeiros imperadores da dinastia Tsin (219 a. Por isso. 499. Quando o artista (o alquimista) o inclui em sua dieta.[9] Mas. ao se servir dele como remédio (isto é. Sse-ma-Ts'ien..[10] Segundo uma tradição conservada em Lie Hsien Ch'üan chuan ("As Biografias Completas dos Imortais"). uma dessas pílulas. em última instância. II. A gestação dos metais no seio da Terra obedece aos mesmos ritmos temporais que "ligam" o homem à sua condição carnal e decaída: apressar o crescimento dos metais por meio da obra alquímica equivale a absolvê-los da lei do Tempo. o cadáver parece estar vivo dentro dele.. a crença na metamorfose natural dos metais era comum na China. É possível que esse texto provenha da escola de Tsu Yen. não causa dano. A névoa é dissipada como as nuvens de chuva pelo vento. E T'ao Hung-Ching (século V) nos dá os seguintes esclarecimentos: "Se. "fabricado". ele será preservado contra a putrefação". As cãs transformam-se em cabelos pretos. ao se abrir um antigo túmulo. Como vimos anteriormente (pp. autor desse elogio do Elixir. p. ao assimilá-lo como alimento). com um dos seus discípulos e com o seu cão.. por sua natureza. uma vez que o ouro é o metal "perfeito". para ser eficaz. preservam os corpos da corrupção. e se comeis e bebeis nessa baixela. o mercúrio amarelo e a Vida futura (as "fontes amarelas").73).. sabei que existe dentro e fora do corpo uma grande quantidade de ouro e jade. O ouro tinha um caráter imperial: encontrava-se no "Centro" da Terra e tinha relações místicas com o chüe (rosalgar ou sulfureto). onde encontramos igualmente atestada a crença numa metamorfose precipitada dos metais (fragmento traduzido para o inglês por Dubs.C.. pp. Mas não nos devemos esquecer de que a transmutação dos metais em ouro também apresenta um aspecto "espiritual". 66).C. 74). Memórias. 152. isto é. conseguira preparar as "pílulas da imortalidade": tendo engolido. O velho amolecido volta a ser um jovem cheio de desejos.. os príncipes e os senhores eram enterrados com suas vestes ornadas de pérolas e estojos de jade destinados a preservar o corpo da decomposição . O alquimista nada mais faz do que acelerar o crescimento dos metais: à semelhança do seu colega ocidental. mediante a qual se podia obter a imortalidade. A anciã em ruínas torna-se de novo jovem. p. deixaram a Terra em carne e osso . Segundo as regras da dinastia Han..misteriosas onde viviam os "Imortais : encontrar os Imortais era o mesmo que ultrapassar a condição humana e participar de uma existência atemporal e beatífica. ou até do próprio Mestre (ibid. Aquele cuja forma mudou e que escapou aos perigos da vida Tem por título o nome de Homem Real. Dubs.

e foram juntar-se aos outros Imortais (cf. "O fogo do coração é vermelho como o cinábrio e a água dos rins é negra como o chumbo". Contudo. que se deve menos à sua cor vermelha (cor do sangue. e a "alquimia interna" ou da ioga (nei-tan) como "esotérica". além disso. The Nei P'ien. pela transmutação cíclica e pela consolidação das substâncias no fogo. Trata-se apenas de reforçar certas essências. a imortalidade. 93 s. sempre sentia um ardente desejo em meu coração. desde os primeiros séculos da nossa era. exposto ao fogo. Disso resulta que ele pode assegurar a regeneração perpétua do corpo humano. o mistério da regeneração pela morte (pois a combustão simboliza a morte). o fígado à essência da madeira. A coletânea de biografias lendárias dos Imortais taoístas.é um dos mais antigos textos que mencionam o cinábrio como droga de longevidade. mais adiante no Prefácio. Daí a importância do cinábrio. todos concordam em que o aparecimento de asas no corpo do adepto e a sua ascensão nos ares são efeito do Elixir.) Entretanto. Sun Ssu-mo. Lionel Giles. p. Pao P'u-tzu escreve que. Comecei então a pôr em prática as técnicas de preparação dos elixires. 146-148. No Prefácio da sua obra Tan ching yao chueh ("Fórmulas essenciais dos alquimistas clássicos"). Lie-sien Tchuan atribuída a Lieu Hiang (77-6 a. os livros das épocas antigas. O alquimista transforma em coisa sua a homologação tradicional entre o microcosmo e o macrocosmo. madeira. O microcosmo que é o corpo humano acha-se por sua vez interpretado em termos alquímicos. na origem o wai-tan "era tão esotérico quanto a sua réplica ioga" (Sivin. como acabamos de ver. o estômago à essência da terra (textos em Johnson. portanto. "No tempo dos primeiros Han. mas era ainda transformado em baixeIa mágica: etapa intermediária). os alquimistas serviam-se do cinábrio para obter ouro (o qual já não se consumia. alcançaremos a imortalidade (texto em Johnson. 150). os pulmões à essência do metal. pp. pp. Só lamentava que a Vida divina fosse tão remota. todos os elementos que constituem o Cosmo e todas as forças vitais que asseguram a sua renovação periódica. Se essa dicotomia é verdadeira na opinião de certos autores tardios (cf. Dei. não sabendo como atingi-lo. pp. O quinteto universal. e tão inacessível a trilha através das nuvens. Ele encerra.[11] Homologado ao macrocosmo. fogo. cf.C. se misturarmos três libras de cinábrio com uma libra de mel e pusermos tudo para secar ao sol a fim de. no seu próprio corpo. Ware. ouro. Mas essas técnicas são obscuras e difíceis. não punha em dúvida a eficácia dos elixires.). produz o mercúrio. tão familiar ao pensamento chinês. 74 s. Se continuarmos a ingeri-Ias por período superior a um ano.). fazermos da mistura pílulas do tamanho de um grão de cânhamo. ilustre representante da "alquimia externa". A "imortalidade corporal". Sun tranqüiliza o leitor: "Tentei pessoalmente numerosas fórmulas alquímicas compiladas neste livro. 94). 67 s. p. conseqüentemente. acreditava-se que a absorção do cinábrio podia avermelhar todo o . wu-hsing (água. assim como pelas fórmulas suscetíveis de preparar o jade potável e o ouro líquido. escreveu Sun: "Li. Como alguém desprovido de uma virtude oculta poderia compreendê-las?" (Tradução inglesa de Sivin. em seguida. era habitualmente obtida quando se absorviam os elixires preparados em laboratório (cf. o grande iatroquímico do século VII. os rins à essência da água.D. nota 18).). terra) é assimilado aos órgãos do corpo humano: o coração à essência do fogo. e. princípio vital) do que ao fato de que. 102). Se forem seguidas corretamente o seu sucesso estará assegurado"(p. Chinese Immortals. 15.). Needham . o homem possui. mas certamente reescrita no primeiro século de nossa era . um por um. Sun Ssu-mo. p. Um especialista da "alquimia externa" (wai-tan). dez dessas pílulas tomadas durante um ano restituirão a cor negra aos cabelos brancos e farão com que os dentes caídos tornem a crescer. e sempre com os melhores resultados. o fim supremo dos mestres taoístas. todas as indicações necessárias. escreve um biógrafo do famoso alquimista Lii Teu (século VIII A. abstrusas e imprevisíveis. p.). Chinese Alchemy. 63. 2. situa-se por inteiro na tradição esotérica taoísta. Contemplava inutilmente o céu. os cientistas europeus consideravam a "alquimia externa" ou iatroquímica (wai-tan) como sendo "exotérica". V. Até estes últimos anos. pp. nem a possibilidade de fabricá-los com o auxílio de receitas tradicionais. Efetivamente. Ao ler essas coisas.

e uma região secreta do cérebro. mas também como uma experiência interior do alquimista. ora. esse espaço interior possui a forma de uma cuia. 271). inconsciente do mundo incriado". morada dos Imortais. de um Universo em miniatura. morada dos Imortais. O primeiro deles é a semelhança entre esse estado "inconsciente" (comparável ao do embrião ou do ovo) e a matéria prima.[13] tal como o forno do alquimista. a pílula da imortalidade) toma por modelo o Céu e representa a Terra. num espaço de uma polegada de forma quadrada e redonda" (R.) Há. à regressão ao estágio pré-natal. é uma imagem tradicional e muito antiga do "Mundo em ponto pequeno". Stein. p. O tema do rejuvenescimento e da longevidade pelo regressus ad uterum constitui um Leitmotiv do taoísmo. 18-19. através sobretudo da destilação do esperma. portanto.[12] Os tan-t'ien. e os seus pêlos e cabelos estavam completamente rubros" (ibid. p. sobretudo. A matéria prima não deve ser compreendida unicamente como uma situação primordial da substância. Mas o alquimista alcança também essa volta ao estágio embrionário . pp. de maneira espontânea. "O taoísta. ingressa "na morada mais secreta do ser. encontram-se nas partes mais secretas do cérebro e do ventre: é neles que se prepara alquimicamente o embrião da imortalidade. os célebres "campos de cinábrio". em que vamos insistir mais adiante (pp.). p. Por outro lado. Mas o cinábrio também pode ser criado no interior do corpo humano. Depois de tê-lo consumido durante cinco anos. foi capaz de deslocar-se voando" (KaItenmark. Stein. que comporta receitas de longevidade e técnicas de fisiologia mística. muitos são os motivos por que interessa à nossa investigação. O método mais empregado é a "respiração embrionária" (t'ai-si). fazendo com que a essência do seu esperma tome a subir para o cérebro . op.corpo. paradisíaco.. Efetivamente. que ele absorvia com salitre: depois de trinta anos (desse regime). 2) o papel atribuído ao estado "caótico". A Montanha K 'uen-luen possui dois andares. dois elementos que merecem a nossa atenção: 1) a homologação da Montanha mítica K'uen-Luen às regiões secretas do cérebro e do ventre. pp. Procura-os voltando-se para si mesmo e descobre então que existe no seu próprio corpo. Tch'e-fu "sabia produzir mercúrio e purificar: o cinábrio. um Céu em forma de Cuia . imitando os animais e os vegetais. Mas também a cabaça se compõe de duas esferas superpostas. a Montanha do mar do Ocidente. 118 s. que. significativo que um texto alquímico proclame: "Aquele que cultiva o cinábrio (isto é.[14] É." (Max Kaltenmark"Le Lie-sien Tchuan. A redução da matéria à sua condição primeira de absoluta indiferenciação corresponde. "A fim de que nele se possa penetrar pela meditação mística. formados por um cone reto sobre o qual se ergue um cone invertido. a cabaça representa o Cosmo em miniatura e desempenha um papel considerável na ideologia e no folclore taoístas. O tema do Universo em forma de cabaça é incontestavelmente antigo. termo que designa ainda o quarto nupcial) e o "nirvana" (ni-wan). Nesse microcosmo em forma de cuia reside a fonte da Vida e da Juventude. 59). O K'uen-luen é ao mesmo tempo uma Montanha do mar do Ocidente. põe-se de cabeça para baixo. tomando assim possível a preparação alquímica do embrião da imortalidade. a massa confusa da alquimia ocidental. tomara-se semelhante a um adolescente. embrionário. uma vez realizado pela meditação. permite o ingresso nas regiões secretas dos "campos de cinábrio". A identificação da Montanha mítica K'uen-luen com uma parte do corpo humano confirma o que já sublinhamos diversas vezes: o alquimista taoísta assume e prolonga uma tradição imemorial. Esses "campos de cinábrio" são também chamados de K'uen-luen.[15] Na verdade. que compreende um "aposento semelhante a uma gruta" (tong-fang. entra-se num estado 'caótico' (chuen) semelhante ao estado primordial. no plano da experiência interior. (R..) Segundo o Lie-sien Tchuan. um governador "absorveu cinábrio durante três anos e veio a obter a neve sutil do divino cinábrio. 146-147). 54. cit. Quanto ao estado "caótico" obtido pela meditação e indispensável à operação alquímica. quando o alquimista alcança o estado "caótico" de inconsciência.

mas também.). e os processos alquímicos. vale dizer. Su Tung-P'o diz: "O dragão é o mercúrio.): no primeiro. op. A partir de determinada época. em sua grande misericórdia. pela reatualização da cosmogonia. em vez de serem realizados em laboratório. efetivando dessa forma a maturidade e perfeição não só no nível mineral da existência (isto é. A distinção tinha sido feita muito tempo antes por Hui-ssu (515-577 A.[17] A conversão da alquimia em técnica ascética e contemplativa alcança a sua plenitude no século XIII. a "meditação" (dhyâna) fornece o líquido necessário (à operação alquímica). O principal representante da alquimia taoísta-zen é Ko Ch'ang-Kêng. A alquimia "esotérica" está claramente exposta no Tratado sobre o Dragão e o Tigre. há. que o fogo deve arder continuamente sob o recipiente durante quarenta semanas. Stein. no nível . pp. a homologação de minerais e de metais aos organismos que "crescem" na Terra como um embrião no seio materno. a idéia de que os respectivos processos de crescimento (do metal e do embrião) podem ser acelerados de maneira prodigiosa. e o coração o do elemento mercúrio. Quando o espírito morre. por métodos de fisiologia mística. O método preconizado por Ko Ch'ang-Kêng assinala o encontro de diversas concepções tradicionais. produzindo o Ouro). 15). 16 s. faz no seu comentário sobre o tratado Ts 'an T'ung Ch 'i uma distinção clara entre a alquimia exotérica. Notes. em seguida. cit. O tigre é o chumbo. espaço de tempo necessário à gestação do embrião humano). e as centelhas da inteligência. o alquimista chinês pensa que o processo pelo qual se gera uma criança é capaz de produzir a Pedra Filosofal. desenrolam-se no corpo e na consciência do experimentador. que viveu no fim do século IX e na primeira metade do século X. por exemplo. só ela. de Su Tung-P'o. a idéia de que o Elixir (= a Pedra Filosofal) participa ao mesmo tempo da natureza de um metal e da natureza de um embrião. o corpo executa o papel do elemento chumbo. é declarada "esotérica". Os metais "puros".) nada mais é do que o desenvolvimento de uma concepção mais antiga e difundida. Ko Ch'ang-Kêng acrescenta: "Por esse método. que se ocupa de substâncias concretas. aplicaram-no antes de tudo para curar o homem do desgaste provocado pelo Tempo. o fogo necessário. Vem do rim e se conserva no fígado [. exaltada tanto pelos autores taoístas quanto pelos alquimistas ocidentais (pp. a alquimia externa (wai-tan) passa a ser considerada exotérica" e opõe-se à alquimia interna de tipo ioga (nei-tan). escrito em 1110 A. Acrescentemos que essa "volta ao útero". uma gestação que exige habitualmente dez meses pode consumar-se num piscar de olhos . p.. também conhecido como Po Yü-chuan.[16] Muitas terapias arcaicas comportam uma reiteração ritual da Criação do Mundo.. p. Pêng Hsiao. Os taoístas e os alquimistas chineses retomaram e aperfeiçoaram esse método tradicional: em vez de reservá-lo para a cura de diversas doenças particulares. A analogia entre o parto e a fabricação da Pedra está explícita nos escritos dos alquimistas ocidentais (diz-se. 119 s. Um texto do moderno taoísmo sincretista exprime-se nestes termos: "Eis por que o (Buda) Ju-lai (= Tathâgata). A nei-tan toma-se esotérica porque o elixir é preparado no próprio corpo do alquimista. Sai do espírito e é conservado pelos pulmões [. finalmente. e sopro e força corporal. Quando os rins se enchem. o sopro e a força agem ao mesmo tempo que ele. quando se desenvolvem as escolas zen. e sem o auxl1io de substâncias vegetais ou minerais. que. que só utiliza as "almas" dessas substâncias (Waley. São palavras reveladoras.. É sêmen e sangue. revelou o método do trabalho (alquímico) do Fogo e ensinou os homens a penetrar de novo no útero para refazerem a sua natureza (verdadeira) e (a plenitude do) seu quinhão de vida" (citado por R. e a alquimia esotérica. e sobretudo.D. Eis como ele define os três métodos da alquimia esotérica (Waley.. ou seja. 97). que permite ao doente nascer de novo e assim recomeçar a existência com uma reserva intacta de forças vitais.]. o sêmen e o sangue fluem simultaneamente com eles . transcendentais. como observa Waley.D. algumas das quais de grande Antigüidade: há. da velhice e da morte. antes de tudo.].. já atestada em níveis arcaicos de cultura: a cura obtida através de um retomo simbólico às origens do Mundo. são identificados com as diversas partes do corpo.através da fusão dos ingredientes no seu forno.

tal como tantas outras técnicas espirituais chinesas. porque. p. respondemos que.[19] Sob a influência indiana.humano. e como a "respiração embrionária" é exaltada por outros autores taoístas. o sopro é que agora ocupa o lugar do elemento chumbo e a alma o do elemento mercúrio. na realidade. sob o Céu. aliás. O que equivale a dizer que a obra alquímica se opera trabalhando sobre a respiração e os estados psíquicos. transformar-se-á num jovem . à perfeição e à transmutação do homem. receitas e exercícios que tinham por objetivo alcançar a perfeita espontaneidade e beatitude vital. expulsa-se a velhice e retoma-se ao estado de feto". controle e imobilização do fluxo psicomental). no terceiro método. An Introduction to the History of Sciences.).[21] temos o direito de concluir pela autoctonia das técnicas respiratórias: derivavam.[18] Quanto às técnicas de ritimização que levam à retenção respiratória. ver George SARTON. tal como as tântricas da "mão esquerda". Essa aplicação prática da alquimia esotérica estava aliás subentendida no sistema tradicional chinês de homologação Homem-Universo: ao se trabalhar sobre determinado nível. "Ao voltar à base. NOTA J A ALQUIMIA CHINESA Para uma orientação geral na história do pensamento científico chinês integrado na história universal das ciências. não há dois Caminhos e que os Sábios são sempre do mesmo Coração" (Waley. consideravam a retenção da respiração como um meio de imobilizar o sêmen e o fluxo psicomental. obtinham-se resultados em todos os níveis correspondentes. Uma vez que os processos alquímicos se desenvolvem no próprio corpo do adepto. como vimos. já faziam parte da disciplina do alquimista chinês há muitos séculos. a "perfectibilidade" e a transmutação dos metais correspondem. e os principais elementos alquímicos eram despertados e ativados aos níveis físico e anatômico do ser humano. portanto. cinco tomos (Washington. conforme acabamos de ver. Acrescentemos que a osmose entre os métodos alquímicos e as técnicas ioga-tântricas (que compreendem tanto a retenção da respiração como a "imobilidade do sêmen") efetuou-se nas duas direções: enquanto os alquimistas chineses vão buscar métodos específicos às escolas taoístas de matiz tântrico. essa "volta à origem". lê-se no prefácio ao T'ai-si K'eu Kiue ("Fórmulas Orais da Respiração Embrionária"). o esperma corresponde ao elemento chumbo e o sangue ao elemento mercúrio. 1926-1948) e . praticando. o corpo era assimilado ao chumbo e o coração ao mercúrio. a retenção simultânea da respiração e do sêmen assegurava a longevidade. a mulher ao crisol dos alquimistas etc. os dois níveis . ao retomar à origem. enquanto os rins ocupam o lugar do elemento água e o espírito o do elemento fogo. Pode-se suspeitar que sobretudo o elemento sexual seja de origem indiana. no primeiro método.[22] Ora. certas seitas neotaoístas. entre outras coisas. o reconhece implicitamente: "Se nos objetam que esse método é exatamente o dos budistas zen. uma espécie de ioga (retenção da respiração.[20] Mas como Lao-tsé e Tchuang-tsé já conheciam a "respiração metódica". o alquimista procurava alcançá-la. no segundo eles o são aos níveis fisiológico e psíquico: na verdade.se correspondem. para os chineses. e que comportava. Como não reconhecer nesses últimos métodos da alquimia esotérica chinesa certas semelhanças notáveis com as técnicas indianas ioga-tântricas? Ko Ch'ang. graças à homologia microcosmo-macrocosmo. A finalidade da "respiração embrionária" era imitar a respiração do feto no ventre materno. vols. por exemplo. I-III. 16). também por outros meios. da tradição proto-histórica a que antes aludimos. Se. Pao P'u-tzu escreve que o rejuvenescimento é obtido quando se consegue prender a respiração por um tempo correspondente a mil batimentos cardíacos: "Se um velho alcançar esse estágio.mineral e humano . Os outros dois métodos da alquimia esotérica recomendados por Ko Ch'ang-Kêng representam variantes de um processo análogo. produzindo o Elixir da imortalidade. Finalmente. estas últimas utilizam por seu turno o simbolismo alquímico (assimilando.

H." (The 75-79). vol. 1929. 235-242). vol. 6 e Nathan SIVIN. ver Li Ch'iao PING. B. Ambix.H. Ho PING-YÜ e Joseph NEEDHAM. CHEN. pp. atualmente em preparo). A. vol. 1968.Yang about 142 A. "Notes on Chinese Alchemy" (Bulletin of Oriental School of London. 221-284). SPOONER e C. 320: The Nei P'ien of Ko Hung (Cambridge. BARNES. Science and Civilization. "Possible Reference to Chinese Alchemy in the Fourth or Third Century B. 1966. Laufer mostrou que tanto a massa liu li (que servia para fabricar vitrais) quanto o caulim foram experimentados pela primeira vez pelos alquimistas taoístas: cf. "An Early Mediaeval Chine. Davis e colaboradores. cf. F. "L'arsenico presso i Cinesi" (Archivio di Storia della Scienza. vol. pp. pp. I. I-V (Cambridge. pp. 10. 1917. esses métodos eram difundidos desde o século XIV a.45. pp. Este último trabalho contém a tradução dos capítulos IV e VI do tratado de Ko Hung (Pao P'u-tzu). "Ko Hung on the Yellow and the White" (Proceedings of the American Academy of Arts and Science. 70. 38. MUCCIOLl. p. NEEDHAM. Entre as traduções dos textos alquímicos. 1944. cf. VIII. Ho PING-Yü e Joseph NEEDHAM. DAVIS. obra atribuída a Sun Ssu-mo (século VI A. 1935. pp. Science and Civilization. 1968.F. Immortalité et Liberté (Paris. 1956). pp." (Isis. von LIPPMANN. 12. 23. WALEY. Chinese Alchemy. Field Museum). ver a nossa monografia em History of Religions. Science and Civilization in China. os capítulos I-III são traduzidos por Eugen FEIFEL. O essencial da bibliografia relativa à alquimia chinesa pode ser encontrado no nosso livro Le Yoga.D. e sobretudo em NEEDHAM. Isis. "The Mediaeval Chinese Alchemist". Chinese Alchemy. pp. 113-211 (ver ibid. Sherwood TAYLOR. 1935. e os capítulos VII e XI por T. Nova York. pp. Sobre o valor das traduções de T. vol.H. 9. devemos destacar sobretudo: Lu-Ch'iang Wu e Tenney L. ver J. a Chinese Alchemical Recipe" (Isis. "The Divine Nine Turn Tan Sha Method. ver também a monografia de B.. 6. Alchemy" (/sis. pp.C. VII. ibid. L. 387 s. 80 5. Homer H. A obra de Sivin. The Chemical Arts of Old China (Easton. 18.178. uma nova tradução do capítulo IV. ver E. Dubs acredita que a origem da alquimia deve ser procurada na China do século I V a. The Beginnings of Porcelain in China (Chicago. p. 1954). JOHNSON. Enstehung und Ausbreitung der Alchemie. Para a história das artes metalúrgicas e químicas na China antiga. Registremos as obras mais importantes: O. China Journal. A Study of Chinese Alchemy (Xangai. 145-214. LAUFER. 142. ainda de Feifel). The Alchimists. James R. contém a tradução anotada de Tan ching yao chueh ("Essencial Formulas from the Alchemical Classics") .. pp.id.C. Nathan SIVIN. pp. Medicine and Religion in the China of A.. pp. 399-400. Massachusetts. Mass. esp. DAVIS e K. Ver também Roy C. 57-115.sobretudo Joseph NEEDHAM. vol. Chinese Alchemy: Preliminary Studies (Cambridge. 70-71). 1974). II. vol. W. M. Laboratory Equipment of the Early 1959. 122-158. 74. pp. 1928. 38. Segundo esse autor. 118 etc. pp. 1947. 178-182). vols. I (a história da alquimia terá prosseguimento nos quatro volumes posteriores.). vol. Sobre as aplicações das descobertas alquímicas nas técnicas cerâmicas e metalúrgicas. Science and Civilization in China. nossas observações em History of Religions. "An Ancient Chinese Treatise on Alchemy Entitled Ts'an T'ung Ch'i. vol. 1948). etc.L.se Alchemical Text on Aqueous Solutions". o que torna improvável a origem mediterrânea da alquimia (DUBS. 66. pp. foram empregados na agricultura e nas diversas indústrias.156. Mas essa opinião não foi aceita pelos historiadores da alquimia (ver. H. 287-325).. vol. pp. WARE deu-nos uma tradução completa do Nei P'ien de Ko Hung em: Alchemy. 1970. written by Wei Po. pp. vol.C. I (Cambridge. pp.. 330-332).D. 2 s. l. 210-289). 65-76. 1930. 1932. Os sais de arsênico. "The Beginnings of 62-86). com que trabalhavam os alquimistas. ora. 8. Monumenta Serica. a alquimia só podia ter nascido numa civilização em que o ouro fosse pouco conhecido e em que se ignorassem os métodos de dosagem da quantidade do metal puro.D. . pp. Joseph NEEDHAM. WANG. VI.. vol. DUBS. 84-85). "The Inner Chapters of Pao-pu-tzu" (Proceedings of American Academy of Arts and Sciences. 1941.1947. interalia. pp.1942. p.). 15. 1940. Ts'ao T"EN CH'IN. 1-24). na Mesopotâmia.

A tradição é antiga: o Lien-sien Tchuan conta que Kuei. V. em que pese a ele também sustentar. p. IV.). A tartaruga e o grou eram considerados símbolos da imortalidade. 43. pp. Chinese AIchemy . ELlADE. 1929. p. 82. 12 s.. 1951). pp. o pinheiro. Um grande número de mitos e crenças muito antigos concernentes à Imortalidade e aos meios de adquiri-Ia foram retomados e revalorizados pelos alquimistas chineses. p. Leyden. 43. 1948)..). A crítica mais radical foi apresentada por Needham (vol. a tradição chinesa destacava a erva chih (a "erva da imortal idade").E. que a alquimia é uma criação chinesa.J. p. 206. ver M. Pao p'u-tzu escreve que. "poderá caminhar sobre as águas sem afundar". Erotic Colour Prints of the Ming Period with an Essay on Chinese Sex Life from the Han to the Ch'ing Dynasty. Pao P'u-tzu (= Ko Hung). 397. V.C. vol.. 1924. 294-324). de GROOT. Le Lie-sien Tchouan (Biographies légendaires de Immortels taoistes de I'antiquité). 330-331).. 118 s. Para o simbolismo alquímico da respiração e do ato sexual. 1953. cit. sobre o vôo dos Imortais taolstas. Nos quadros que representam os oito Imortais a caminho da Ilha sobrenatural. cf.C. tornar-se-á invisível. Dubs pensa que a alquimia foi introduzida no Ocidente pelos viajantes chineses (op. 99-100). 82-83. 154. van GULlK. As duas concepções . 84 s. Hanói. Myths and Legends of China. Kaltenmark. cit. 294 s. 1-104. Sivin rejeita a hipótese de Dubs (pp. pp. 15 s.foram integradas. Max KALTENMARK. 115 s. vol. Mas Needham reconhece que a relação entre o ouro e a imortalidade era conhecida na Índia antes do século I V a. Londres. STAPLETON. Segundo Needham. Depois de comer sementes de pinheiro. na China. pp. de GROOT. 146.A. O pinheiro e o cipreste eram tidos como ricos em substâncias yang (cf. Entre as espécies vegetais suscetíveis de proporcionar a longevidade. Rolf STEIN. 44 s. 302). 42. LAUFER. 84). Sobre a penetração das idéias mediterrâneas na China. p.1949. 1943. Le Lie-sien Tchouan. pp. 1644 (privately published in fifty copies. p. Ora. Lionel G I LES. Jardins en miniature d'Extrême-Orient.. ibid.136. cf. 22-23). Tokyo. 1-43). pp. se alimentava de canela e de girassol que ele misturava com miolo de tartaruga (M. H. pp. Le Monde en petit. pp. KALTENMARK.). embora por motivos muito diferentes. enlouquecido. não está excluído que a alquimia "cientifica" represente na China uma influência estrangeira (cf.160. 114-115). "The Antiquity of Alchemy" (Ambix. pp. ver DUBS. esp. IV. pela primeira vez na história. O fruto do cipreste. R. vol. 1892 s. op. 295). "As pessoas dessa época que receberam essas sementes e delas comeram atingiram todas uma idade de 200 a 300 anos" (M. pp.. 54. cf. . IV. Isis. WERNER. a cultura da China antiga era o único meio onde podia cristalizar-se a crença num elixir contra a morte como a obra suprema do químico (pp. etc. op.. Sobre a provável origem mesopotâmica da ideologia alquímica chinesa. cf. cf. ver nossas observações sobre esse problema nas pp. J. 232-233. traduzido e anotado (Pequim. pp.. 41. 75). pp. no século I V a. p. 71.. B. 359). Yo Ts'iuan consegue sair voando. A Gallery of Chinese Immortals (Londres. cit. NOTA K TRADIÇÕES MAGICAS CHINESAS E FOLCLORE ALQUIMICO Sobre o "vôo mágico" dos iogues e dos alquimistas. Le Chamanisme. 40. o cipreste e o pessegueiro. 51 etc. pp. Bulletin de l'Ecole française d'Extrême-Orient. 1953).D. 54.a do elixir e a da fabricação alquímica do ouro . Sobre os pinheiros como árvores de longevidade. 19-30). 82. 81. (pp. se esfregar o corpo inteiro.H. Ao discutir rapidamente a origem chinesa da alquimia (pp. assegura que uma pessoa pode aumentar a sua vitalidade bebendo poções preparadas com ovos de grou e carapaças de tartarugas (texto citado por JOHNSON. ELlADE. desenham-se grous sobre os carros fúnebres para sugerir a passagem â imortalidade (ibid. 1.C. 61). Le Yoga. é o grou que conduz a barca pelos ares (cf. Por seu turno. 119). 22. pp.J. notas 122-123. (pp. se alguém esfregar os tornozelos com a seiva do cipreste. p. segundo Laufer. seco. Sobre o "vôo mágico" na China. The Religious System of China. Entretanto. cf. Os autores antigos descrevem sempre o grou em companhia dos I mortais (J.

assegura ainda Pao P'u-tzu. Kaltenmark. desde tempos imemoriais. Quanto ao pessegueiro. 119) etc. 284. p. Nei Pien. sua resina. 119). Ware. Martin. cit. com uma cabaça. A respeito do ouro potável. cf. recolher sementes e plantas mágicas. sobre esse tema. Dubs. Outras plantas comuns também gozam da fama de assegurar a longevidade e de comunicar poderes mágicos. 4. [4] Science and Civilization in China. de nossa autoria. Cf. cf. pp. Esse tratado. 154). V. XLIII (1956). 18. 611. 47 s. Caso haja reprodução ilegal desta obra fora de nossa página. Le Lie-Sien Tchouan (Pequim. p. p. 1912). Este texto serve para circulação interna. Foi traduzido para o inglês por Lu Ch'iang Wu. [5] Edouard Chavannes. "Le Lo-Feou Chan.. [10] Ts'an T'ung Ch'i.60. 88-96 ("La grotte-ciel"] e 97-103 ["Le soleil de minuit"]).A. com uma introdução de Tenney L. Tch'e-song tseu alimentava-se de jade líquido: podia entrar no fogo sem se queimar e obteve a imortalidade. p. Jardins en miniature. p. da angélica (p. torna o corpo humano luminoso. 107 etc. [7] B. pp. 71. 287. Davis. 79). 2. pp. 287). e sua distribuição é inteiramente gratuita. Notes on Chinese Alchemy. o primeiro inteiramente dedicado à alquimia. op. O Lie-sien Tchuan menciona a pereira (p. pp. Lisboa: Relógio d água. brilha com um clarão incomparável. vol. nota 1. Danses el Légendes de la Chine ancienne (Paris. pp. [9] Tradução inglesa de Johnson. 2. Cf. nota 1. XXVII. 299. [8] Tradução francesa de A. vol. p.). [3] O texto é reproduzido por H. The Lore of Cathay (Nova York e Chicago.br [1] Marcel Granet. Les Mémoires historiques de Sse-ma-Ts'ien (Paris. Needham.. As opiniões de Joseph Needham sobre a alquimia chinesa são apresentadas na nota J. p. também Le Yoga. 285. vol. e as indicações bibliográficas suplementares em nosso livro Le Yoga. ibid. p. por favor. Le Lie-sien Tchuan. p. e passim. 1897 sq. p. 1980. 154). o taoísmo e a alquimia: o alquimista taoísta é o sucessor do pesquisador dos simples que. 56 s. 79-80. 82.479. ver a Nota J. étude de géographie religieuse" (Bulletin de l'Ecole Française de l'Extrême-Orient [Saigon].. do girassol (p. foi escrito em 142 A.. ou cobrança pelo seu acesso. [11] Citado por W. [6] Ver o resumo feita por Dubs. p. 97). 14. Para uma bibliografia essencial da alquimia chinesa. pp.. ver a Nota J. p. [12] Rolf Stein. onde se podem ler outras referências à absorção do jade.D. e se houver ouro ou jade enterrados na vizinhança. 11. Ficha técnica: O presente texto é um extrato do Livro de Mircea Eliade Ferreiros e Alquimistas. 86.reduzido a pó e colocado numa tocha. do acônito (p. a canela (pp. 82). p. 63.com. 35 s. Ver também Michel SOYMIÉ. 37. ver a Nota J e o nosso Yoga. Sobre as traduções de Pao P'u-tzu. 68 s. Notes on Chinese Alchemy. 1928). . Jardins en miniature d'Extrême-Orient. 1901). esp. Waley. III. Beginnings of Alchemy. pp. por Wei Po-yang. entre em contato conosco pelo endereço editaru@bol. as sementes de crucíferas (p. a chama tornar-se-á azul e voltar-se-á para o solo. Jade. nota 2. O homem que se alimenta desse pó dos frutos do cipreste pode viver até mil anos" (texto reproduzido por De Groot. 1953). p. p. p. tradução inglesa de Waley. A Study of Chinese Alchemy. a Study in Chinese Archaeology and Religion (Chicago. 62. o agárico (p. ia às montanhas. Cf. STEIN. [2] Max Kaltenmark. nota 1. Laufer. Não existe solução de continuidade entre as tradições folclóricas. R. cap. IV. V. 1-139. M.

cf. 55-56). pp. O modelo exemplar da cabaça é a gruta. Kaltenmark. 99. pp. [22] Tradução francesa de H. 177-252: 353. op. 395 s. profundo. p. Aspects du mythe. 48.L.. 57). "Kosmogonische Mythen und magische Heilung" (Paideuma. Davis. Era na escuridão da gruta que se processava a iniciação do adepto nos mistérios. O tema da morada paradisíaca. Stein. pp. pp. Stein. 45 s. 55. Notes on Chinese Alchemy. 56. "As grutas (mundo paradisíaco independente) são de acesso difícil. Ware. "Ela ia buscar a essência na Fêmea misteriosa. nota 3). 194-204). Cf. . 12. 45). 160 s. Auferstehung.. As suas práticas eram idênticas às de Lao-tsé" (Max Kaltenmark. proporcionava urna longevidade considerável" (ibid. Hellmut Wilhelm. já brancos. que haviam caído. pp. transcendente (R. M. em forma de odre" (p. 84. A prática consistia em absorver a energia vital das mulheres com quem se mantinha uma relação sexual: "Essa energia. acha-se associado. 37 s. A Study of Chinese Alchemy. 57 s. 255 (cap. 385-388). 59. Carl Hentze. pois por meio deles se sustém a vida e se alimenta o sopro. A Antigüidade das práticas respiratórias na China foi recentemente confirmada pelo descobrimento de uma inscrição da época Chu. 71 s. e passim. cf. ibid. p. Van Gulik. "Eine Chou-Inschrift über Atemtechnik" (Monumento Serica. p. Maspéro. cit. p. p. Le Yoga. Eliade. 6.[13] Sobre a proto-história desse simbolismo. 181-182. de gargalo estreito. 1937. ver Michel Soymié. Stein.430). Jong Tch'eng Kong conhecia perfeitamente o método de "consertar e conduzir" (expressão freqüentemente empregada para designar as técnicas sexuais taoístas. p. pp. Os seus cabelos. recolhem-se todas as noites a uma cabaça. 44). 1948. R. An Ancient Chinese treatise on Alchemy. no texto que acabamos de citar. 15. pp. Tod. [19] Traduzido para o inglês por Johnson. pp. R. Cf. Os mágicos. essa expressão prende-se ao microcosmo e a uma significação fisiológica precisa (M. Eliade. Jardins en miniature. 1956. morada dos Imortais e retiro secreto. 1955).. "Os temas da iniciação acham-se tão estreitamente ligados à gruta que tong ('gruta') acabou por significar misterioso.. pp. o seu princípio era que os Espíritos vitais que residem no Vale não morrem. Erotic Color Prints. bem-aventurada e magicamente eficaz. Le Lie-sien Tchouan. "Ko Hung afirma que havia mais de dez autores que tratavam das práticas sexuais taoístas e que o essencial de todos esses métodos consistia em "fazer retomar a essência para consertar o cérebro" (ibid. ibid. cf. 198. São recipientes fechados. op. voltaram a crescer. 396.. também ibid. p. R. [17] Citado por Waley.. [15] Um comentário citado pelo P'ei-wen yun-fu. Sobre a "gruta céu". p. Em Lao-tsé. Stein. tornaram-se negros e os seus dentes. ao tema da cabaça ou do vaso de gargalo estreito. pp. 115 s. 33 s. Le Yoga. 59 s. "Les procédés de 'Nourrir le Principe vital dans la religion taoiste ancienne" (Journal asiatique. "Le Lo-Feou Chan". a Fêmea misteriosa designa o Vale de onde se originou o mundo. 98. e traduzido para o francês por R. também Lu Ch'iang Wu e T. pp.. pp.). desde a mais remota Antigüidade. LIX de Ts'an T'ung Ch 'I). [16] Cf. [18] Cf. p. ver adiante. Entretanto.H. cit. p. [20] Ver Eliade. cf. os alquimistas. pp. p. Weltordnung (Zurique. oriunda das próprias fontes da vida. Sobre o regressus ad uterum no ritual védico e a medicina indiana. p. 88-96. [21] Ver os textos que reunimos em Le Yoga. [14] Cf. "práticas da alcova"). pp.