EXCELENTISSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO ____ª JUIZADO

ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CUIABÁ, MATO GROSSO.

JOSÉ PEDRO GONÇALVES TAQUES
Brasileiro, divorciado, eleitor, Senador da República Federativa do Brasil,
inscrito no CPF sob o n° 405.404.481-68, com endereço no Escritório de Apoio no
Estado de Mato Grosso, na avenida Rubens de Mendonça, nº 2254, edifício American
Business Center, 10º andar, sala 1001, vem perante Vossa Excelência, interpor

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

Contra o senhor RODRIGO SÉRGIO GARCIA RODRIGUES,
brasileiro, casado, piloto comercial, que se apresenta como 2º Vice-Presidente do
Diretório Municipal do PDT de Cuiabá, portador do título de eleitor 012357561813,
com endereço na rua Nossa Senhora de Santana, nº 384, bairro Goiabeiras,
Cuiabá/MT, onde poderá ser encontrado para receber as comunicações desse Juízo.

O faz consubstanciado nos termos do que determinam as Leis de
regência, expondo os fatos e requerendo ao final.

I — AS OFENSAS IRROGADAS PELO REQUERIDO.
Como é notório, no ano passado (2010) o ora requerente, motivado pelo
desejo de melhor servir a população mato-grossense deixou o Ministério Público
Federal para ingressar na carreira política, a fim de elaborar medidas mais efetivas para
a melhora da qualidade de vida dos mais humildes e enaltecimento da ética como
princípio basilar para o exercício do mandato eletivo.
Filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) e lançou-se na disputa
do cargo de Senador da República, enfrentando pesada artilharia de antigos políticos e
dos velhos caciques partidários. Em 03 de outubro de 2010 foi agraciado com 708.440
(setecentos e oito mil setecentos e quarenta) votos em todo o Estado e alcançando a
marca de candidato mais votado da história de Cuiabá, sendo eleito Senador da
República pelo Estado de Mato Grosso.
Diante da eleição e da votação recebida, foi alçado à condição de presidente
do Diretório Regional do PDT, oportunidade em que iniciou um processo de
mudanças administrativas, com a finalidade de fortalecer o partido e atrair filiados que,
verdadeiramente, tenham interesse em discutir novos rumos para o Estado e fazer
política séria e honesta.
Pretende o requerente livrar o PDT da eterna coadjuvância na política matogrossense e retirá-lo da condição de partido-reboque de outras agremiações partidárias,
bem como mero fornecedor de mão de obra para alguns poucos cargos de segundo
escalão, tornando-o apto a capitanear ousados projetos políticos a serem desenvolvidos
sob a bandeira da ética, moralidade e eficiência administrativa.
Assustado com a benéfica revolução na forma de atuação do partido, que
passou a agir com abnegação em relação aos empregos públicos advindo de acordos
políticos, passando a preocupar-se muito mais com o verdadeiro debate de ideias e
projetos, bem como na fiscalização da coisa pública, alguns antigos dirigentes passaram
a opor resistência e desbordar os limites do debate democrático para chafurdar no
lodaçal das ofensas à honra daqueles que desaprovam suas ultrapassadas práticas.
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É justamente nesse lamaçal que está imerso o requerido que, insatisfeito,
procurou os órgãos de imprensa deste Estado, especialmente os que evidenciam
interesse direto na política, onde vem concedendo entrevistas repletas de calúnias,
injúrias e difamações contra o requerente, causando danos à sua imagem de homem
público e honra pessoal.
Em entrevista concedida à Rádio CBN (de propriedade do Grupo Gazeta
de Comunicação, cujo sócio vem manifestando a intensão de lançar-se na política
partidária), no programa Jornal da CBN, apresentado pelo político, ex-senador e
candidato derrotado nas urnas pelo requerente nas últimas eleições, senhor Antero
Paes de Barros, no último dia 05/05/2011, afirmou:
A partir da filiação do Pedro Taques, que inclusive eu abonei
a ficha dele, nas nossas viagens, depois da filiação, ele
começou a ter uma postura, já que demonstrava que ele era
um cara autoritário, né, eu comecei a me decepcionar com a
pessoa do Seu Pedro Taques a partir do momento que eu
comecei a ter mais intimidade e conhecimento dele, né, e
comecei a ver que ele não era tudo aquilo que ele achava ou
que ele dizia ser e a partir desse momento que agente
começou a ter essas divergências, por que aí ele, pra ele já
acreditava que a partir da filiação o PDT era um partido dele,
que a partir daquele momento, né todas as decisões do partido
teria que passar por ele e que ele já estava se intitulando
proprietário, baseado em que eu não sei, é preciso que ele
venha a público explicar o porquê que ele achava que o
partido, a partir daquele momento ali era dele propriedade
dele.

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As declarações imputam ao requerente a pecha de autoritário, além de
alardear que este entedia ser o “dono” ou “proprietário”, do Partido Democrático
Trabalhista. Tais afirmativas, além de configurar o crime de injúria praticado pelo
requerido contra o requerente — fato que está sendo objeto de ação apropriada —,
também causa grave lesão ao seu patrimônio moral, tanto junto à população matogrossense como um todo, como de maneira pessoal e junto a seus familiares e amigos
mais íntimos, vez que a (má)qualidade de “autoritário” e a suposta ação como
“proprietário” do partido ofendem o decoro e a dignidade do requerido.
Tais afirmativas são ainda mais ofensivas e danosas quando imputadas ao
homem público, ocupante de cargo eletivo, seja por assemelhá-lo aos ditadores,
banidos deste País a custas de muitas vidas, ou por conferir-lhe a péssima qualidade
daqueles que não respeitam opiniões contrárias e, por isso mesmo, ignoram os
princípios básicos da democracia. Pior ainda, quando o homem público em questão
tem histórico limpo e ilibado, tendo sido eleito Senador justamente por sua bandeira de
representar o Estado com ética e zelar pela moralidade administrativa, fato que,
sozinho, impede o requerente em flexibilizar na defesa de suas convicções, devendo se
portar como a mulher de César que, mais do que ser honesta, deve parecer.
E adiante, demonstrando a intensão vil de achincalhar a honra e
credibilidade do requerente, em repetição da criminosa tática usada por seus
adversários durante o processo eleitoral, o requerido afirmou:
Apesar dele ser ateu e me dizer várias vezes que não acredita
em Deus ele operou esse milagre aí, de mudar da água pro
vinho.

E agora materializando, vez mais, os graves crimes de calúnia e difamação e,
novamente, impondo danos à moral do requerente, afirmou que este, enquanto
procurador da República no Estado de Mato Grosso, agiu deliberadamente com a
intensão de denegrir a honra do então governador Dante de Oliveira, tudo para
advogar interesses escusos e beneficiar grupos econômicos. Disse o requerido:

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Rodrigo – Festejamos, eu depois, na última viagem que eu fiz
com ele, em que nós entramos no assunto, lá, mais delicado
que foi a questão até... eu perguntei que que ele teria contra o
ex-governador Dante de Oliveira ele falou que pessoalmente
ele não tinha nada contra o Dante, né, que a questão dele com
o Dante era simplesmente...., era negócio, né. Aí eu questionei
por que que ele insistiu tanto em denegrir a imagem, que eu
considero um dos maiores patrimônios de Mato Grosso e um
dos maiores patrimônios de Cuiabá. (...). Eu não entendia
muito bem o porquê que Pedro Taques naquele momento, lá
atrás, denegrir de toda forma e colar o Dante, depois eu
entendi que ele estava a serviço de um grande grupo
econômico, que queria o poder pelo poder para alavancar seus
negócios de Mato Grosso.
Antero – Qual grupo econômico que seria esse?
Rodrigo – Capitaneado aí

pelo

Sr.

Blairo Maggi

ex-

governador, naquela época minha revolta foi tanta, dessa
candidatura que eu enxergava muito bem que era impossível
um cara sem história política, sem cunho ideológico.

E reafirma seu crime:
Antero - A serviço não porque foi contratado pra isso, quer
dizer ele como procurador geral da república...
Rodrigo - Como procurador geral da república se prestando
esse papel de denegrir a imagem de um dos maiores
patrimônios que nós temos em Mato Grosso, justamente para,
vamos dizer assim, é... patrolar o caminho desse grupo que
ficou oito anos no poder aí.
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As afirmativas do requerido refletem as três modalidades de crimes contra a
honra perpetrados contra o ora requerente e graves ataques a sua boa reputação e
honra pessoal, que não podem ficar impunes ante a agressão injusta imposta a quem
não lhes deu causa.
Por fim, assaz necessário mencionar reportagem publicada no site de
notícias PNBonline, onde o requerido, novamente, fez criminosas declarações em
relação ao requerente. Vejamos:
TAQUES É ACUSADO DE TENTAR SUBORNAR MEMBROS DO DIRETÓRIO
DE CUIABÁ
Publicado em 12/05/2011 18h23min
Um dos membros do diretório municipal do PDT de Cuiabá, Aluízio Leite,
afirmou que há duas semanas foi procurado pela assessora do senador
Pedro Taques, Paola Reis, que ofereceu a ele propina para que pelo menos
metade da direção renunciasse aos cargos. Além de ser membro do
diretório de Cuiabá, Aluízio é membro da juventude nacional do PDT e
presidente da juventude da capital.
“Ela me ligou e eu fui ao escritório político do senador Pedro Taques. Ela
me ofereceu propina, perguntando quanto seria para o grupo fazer a
desistência. A direção do diretório é formada por 33 membros, ela queria
que pelo menos 17 desistissem. Eu disse que achava isso ridículo, que não
compartilhava desse tipo de coisa”, denunciou Aluízio.
Questionado sobre os valores oferecidos a cada membro, Aluízio disse que
Paola “mencionou R$ 5 mil para cada um”.
Caso 50% dos membros mais 1 renunciem ao cargo, o diretório de Cuiabá é
imediatamente destituído. A executiva municipal que é formada por 33
membros e 11 suplentes. No caso 17 precisariam abrir mão do cargo.
O vice presidente do PDT de Cuiabá, Rodrigo Rodrigues, afirmou que outros
membros também foram procurados pela assessora de Taques, mas

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recusaram a proposta. Rodrigues preferiu não revelar quem seria o segundo
membro.
“Quando a gente achou que ele tinha chegado ao fundo do poço, ele chega

nisso e oferece vantagens aos membros do diretório. Essa é a nova tática”,
disparou o vice-presidente.
Rodrigo Rodrigues ainda afirmou que vai representar contra o senador Pedro
Taques por conta de todas as denúncias que tem surgido contra ele. “Vamos

documentar tudo isso. Mais uma vez ele está colocando a carinha de fora. A
única forma que temos de parar isso é denunciar”.
Por meio de assessoria de imprensa, o senador Pedro Taques informou que
não irá se pronunciar sobre o assunto.
Link

original

deste

Link encurtado deste post:

post:

http://w w w .pnbonline.com.br/post/?id=2049

http://bit.ly/jZmdBN

Mais uma vez, evidente que o requerido praticou crime de calúnia e violou a
esfera de direitos do requerente, pois ao afirmar que este está comprando (subornando)
membros da agremiação partidária para que votem consigo, imputa-lhe falsamente fato
criminoso e absolutamente desonroso.
Em outra matéria, veiculada no site MidiaNews em 04/05/2011, outras
ofensas foram desferidas pelo requerido:
TAQUES DISSOLVE PDT DE CUIABÁ E É CHAMADO DE "DITADOR"
Dirigentes falam em ato ditatorial do senador de primeiro mandato
RAFAEL COSTA
DA REDAÇÃO
O vice-presidente do diretório do PDT de Cuiabá, Rodrigo Rodrigues Lima,
informou há pouco que recebeu uma carta da direção estadual, presidida
pelo senador Pedro Taques, de que haverá destituição do comando do

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partido na Capital. Na prática, todos perdem os cargos na executiva até a
escolha de novos membros.
Diante do que classifica de "autoritarismo", Lima já anunciou que vai
recorrer a Justiça para reverter o processo de destituição.
"O PDT de Cuiabá foi eleito democraticamente na última eleição que
ocorreu em julho do ano passado. Essa é uma decisão autoritária do Pedro

Taques, que tem perfil demagogo e impositivo e não tem nada de novo para
apresentar à sociedade. Pelo contrário, está cada vez mais assemelhado aos
caciques políticos com essa decisão", criticou.
O dirigente do PDT de Cuiabá afirmou também que Taques usa a legenda
para priorizar seus projetos pessoais.
"O Taques quer ser candidato ao governo em 2014 e está usando o partido

como instrumento de barganha. Esse cidadão não tem moral para falar de
reforma política porque enxerga o partido como propriedade particular",
disse.
Rodrigo Lima afirmou que Taques quer impor um "modelo ditatorial" no
PDT. "Quem se posiciona contrário às suas ideias é alvo de perseguição e
boicote. Não dá para falar em boa convivência partidária desta maneira",
disse.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com o senador Pedro Taques, porém, foi
informada pela assessoria de que o parlamentar estava reunido na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
(...).

Ao afirmar que o requerente é demagogo e utiliza o partido como
instrumento de barganha, novamente o requerido impõe grave mácula à honra do
peticionante, causando grande prejuízo moral à sua imagem e reputação.

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Atacando sua honra de forma tão virulenta, o requerido abandona as
críticas comuns aos embates partidários — mesmo em se tratando do PDT, partido
reconhecido pelas desavenças internas —, sendo possível asseverar, sem sombra de
dúvidas, que exagerou. E muito.
Ademais, de todas as declarações acima transcritas, pode-se evidenciar que
o requerido agiu com dolo específico de denegrir a imagem, honra e reputação do
requerente, ou seja, agiu com a intenção de ofender sua dignidade e decoro perante a
população e ocasionando reflexos em seu íntimo (dor moral), tudo com a finalidade de
causar abalo à sua imagem e honra como homem público.
A conduta praticada está descrita nos artigos 138, 139 e 140 do Código
Penal e, também, atenta contra as disposições do artigo 927 do Código Civil, que
protege os cidadãos contra danos impingidos por ação ilícita de outrem.
Não bastassem os dispositivos supracitados, a Constituição da República
prevê expressamente em seu artigo 1°, inciso III, como princípio fundamental a
orientar todo o arcabouço jurídico infraconstitucional, a dignidade da pessoa humana.
Mais adiante, no Título II da Carta Cidadã, que trata dos direitos e garantias
fundamentais, o artigo 5°, inciso X, assegura:
São invioláveis a intimidade, a vida privada,
a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação.

No caso em comento o requerido violou todos os direitos fundamentais
acima mencionados, sem exceção e, considerando que a Constituição é a Lei Maior do
Estado, fácil concluir que a ofensa merece severa sanção judicial e justa reparação,
destinada a servir de punição ao requerido e minoração do sofrimento do autor.

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O Código Civil, no mesmo caminho da norma Constitucional acima
mencionada, fez inscrever em seu artigo 927:
Aquele que, por ato ilícito (artigos 186 e 187)
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

E nem se diga que o requerido estava agindo em defesa de sua posição
dentro do partido ou de seus próprios interesses, mas sim com a finalidade específica
de macular a imagem do autor e impor máculas a sua honra, credibilidade e reputação.
Demais disso, há que se destacar que as ofensas foram irrogadas mediante a
utilização dos meios de comunicação de massa, atingindo, direta e indiretamente,
milhares de pessoas, fato que deve ser levado em consideração para a fixação do
quantum indenizatório. Além disso, é certo que os danos ocasionados ao autor e o
abalo moral provocado pela conduta dolosa do requerido são imensuráveis.
Não há dúvidas de que o requerido agiu com dolo, ou seja, teve intenção de
divulgar imoral e ilegalmente informações mentirosas. Por toda a humilhação e
constrangimento passados, seria razoável a condenação do requerido em valor não
inferior ao montante de R$ 20.000,00.
Antes de encerrar, importante consignar que, considerando a independência
das esferas civil e penal, a demanda penal relativa aos fatos está sendo processada no
juízo competente, vez que protocolizadas concomitantemente a esta ação.
II — DOS PEDIDOS.
Diante do exposto, requer a citação do requerido para, querendo, contestar
esta demanda, sendo deferida a juntada dos documentos que acompanham esta peça,
com a gravação e degravação do áudio do programa de rádio mencionado como meios
idôneos de provas, bem como o depoimento pessoal do requerido e produção de
prova testemunhal, que comparecerão perante esse Juízo independente de intimação.
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Por tudo isso, requer a PROCEDÊNCIA dos pedidos formulados, e que
condenado seja o requerido a indenizar o autor pelos danos morais sofridos,
entendendo razoável o valor de R$ 20.000,00.
Desde já, manifesta que em caso de condenação a pena pecuniária e/ou
prestação de serviços à comunidade, que seja esta revertida em favor do Asilo dos
Idosos ou da Casa Lar Caminhos do Redentor.
Ao fim, informa Vossa Excelência que por impossibilidade técnica o
sistema PROJUDI não comporta o áudio objeto deste pleito, em virtude do seu
“tamanho” (50MB), motivo pelo qual o referido áudio está em posse do subscritor da
presente, podendo ser apresentado na secretaria desse Juízo, caso necessário.
Dá à causa o valor de R$ 20.000,00.
Pede deferimento.
Cuiabá-MT, 17 de maio de 2011.

Paulo Cesar Zamar Taques
OAB-MT 4.659

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