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Processo nº 0012426-78.2011.811.

0001
Vistos, etc.
Dispensado o relatório, nos termos do artigo 38 da lei 9099/95.
Passo ao parecer.

Verifico da análise acurada dos autos que o reclamado RODRIGO
SERGIO GARCIA RODRIGUES não apresentou defesa,
conforme já manifestado aos eventos 37 e 40, tornando-se assim,
revel, nos termos do enunciado 11 do Fonaje.

A propósito, a relativização dos efeitos da revelia não tem como
finalidade prejudicar a celeridade, sustentáculo basilar do
julgamento antecipado da lide, mas apenas evitar um possível
enriquecimento sem causa da parte autora.

Todavia, mesmo não podendo o réu fazer prova de fato sobre o
qual pesa a presunção de veracidade, como esta é relativa, pelo
conjunto probatório pode resultar a comprovação da prova em
contrário àquele fato, derrubando a presunção que favorecia a
autora.

No caso em tela, embora a doutrina possibilite ao Magistrado
entender de forma contrária, não vislumbro dos autos nenhum
elemento fático ou jurídico a ponto de ensejar produção de provas
ou abalar tal presunção e, por conseguinte, flexibilizar tais efeitos,
razão pela qual opino por decretar a revelia do reclamado

RODRIGO SERGIO GARCIA RODRIGUES, nos termos do
artigo 319, do CPC c/c enunciado 11 do FONAJE e passo ao
projeto de sentença deste feito no estado em que se encontra,
conforme dispõe o artigo 330, I CPC.

É uníssono que o dano moral não resulta apenas de ofensa à moral
ou à imagem da vítima, devendo esta indenização ser entendida
como forma de compensação por qualquer dor ou sofrimento,
injustamente suportado, e que não possam ter correspondente
economicamente
aferível
por
critérios
objetivamente
estabelecidos.
Esta modalidade de indenização já existia e era previsto muito
antes de ser promulgada a Constituição Federal de 1988, cujos
dispositivos vieram apenas explicitar os princípios já vigentes, de
que a indenização por dano moral não se confunde com aquela
relativa a bens materiais ou a danos físicos da própria pessoa.
Hoje, para a doutrina, a questão da indenização dos danos morais
é pacífica.
A propósito, embora o dinheiro e as dores morais ou físicas sejam,
de fato, grandezas heterogêneas, a prestação pecuniária a cargo do
lesante, além de constituir para este uma sanção adequada, pode
contribuir para atenuar, minorar e de algum modo compensar os
danos sofridos pelo lesado.
Entre a solução de nenhuma indenização atribuir ao lesado, a
pretexto de que o dinheiro não consegue apagar o dano, e a de se
lhe conceder uma compensação ou satisfação adequada, ainda que
com certa margem de discricionariedade na sua fixação, é
incontestavelmente mais justa e criteriosa a segunda orientação,
porquanto atende o escopo da lei na sua função repressiva e
preventiva geral e específica.

A rigor, o código civil, em seu artigo 953 dispõe que a
indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na
reparação do dano que delas resulte ao ofendido, estabelecendo,
ainda, no seu parágrafo único que se o ofendido não puder provar
prejuízo material, caberá ao juiz fixar, equitativamente, o valor da
indenização, na conformidade das circunstâncias do caso.
Em análise detida acerca das
considerações do caso, é importante destacar ainda que a
liberdade de imprensa, como viga de sustentação do estado
democrático de direito, não traduz exercício ilimitado do direito
de expressão, encontrando limites justamente na verdade,
obstando que fatos sejam distorcidos e modulados de modo a
induzir ilações não condizentes com a verdade, que, traduzindo
ofensa à honra objetiva do alcançado pela publicação,
consubstancia abuso de direito e, portanto ato, qualificando-se
como fato gerador do dano moral ante os efeitos que irradia (CF,
art. 5º, IX e X).

Colocadas estas premissas, constato que o
reclamado extrapolou o seu direito a manifestação de pensamento
quando acusou o reclamante, por meio de entrevista veiculada no
site www.pnbonline.com.br sem qualquer prova, de ter
subornando membros da agremiação partidária a que é filiado
(PDT) para que renunciassem aos cargos, imputando-lhe a pratica
de ato criminoso desonroso, além de afirmar que o reclamante era
um ditador que não tinha moral para falar em reforma política
porque enxergava o partido como propriedade particular.

Tais condutas, sem sombras de dúvidas,
implicam a atribuição de adjetivação pejorativa ao reclamante,
homem público que desenvolveu sua carreira política, tanto
quando eleito Senador da República, como agora, Governador do

Estado, levantando a bandeira da ética e da moralidade, razão pela
qual angariou número expressivo de votos.

Assim, não restam dúvidas acerca das acusações
e expressões pejorativas atribuídas ao reclamante pelo reclamado,
motivo pelo qual indistintamente feriu à sua honra subjetiva,
principalmente porque, pela dimensão dos acontecimentos,
veiculados em várias mídias eletrônicas, atingiu um número
indeterminado de pessoas.
Ademais, configurado o dano moral, é devida a indenização,
independentemente de prova objetiva do dano, que se presume em
função da natural reação psíquica e dissabor experimentados por
qualquer pessoa em situação humilhante, perturbadora,
intranquilizadora, vexatória e constrangedora, como a que ocorreu
no caso dos autos.

Ainda na feliz afirmação de Walter Moraes ?o que se chama de
dano moral é, não um desfalque no patrimônio, nem mesmo a
situação onde só dificilmente se poderia avaliar o desfalque,
senão a situação onde não há ou não se verifica diminuição
alguma. Pois se houve diminuição no patrimônio, ou se difícil ou
mesmo impossível avaliar com precisão tal diminuição, já há
dano, e este pode ser estimado por aproximação (art. 1533); e
logo será supérflua a figura do dano moral? (RT 650/64).

Ademais, não há necessidade para a caracterização do dano moral
reflexos econômicos uma vez que, na espécie, foi atingido, em
virtude da conduta do reclamado, um dos direitos da

personalidade do reclamante, tendo ocorrido o sofrimento
humano que rende ensejo à obrigação de indenizar. Por fim, o
sentimento a autoestima também é merecedor de tutela jurídica.

Nesse sentido, é a jurisprudência do STJ:

RECURSO
ESPECIAL
?
AÇÃO
DE
INDENIZAÇÃO
?
DANOS
MORAIS
?
PUBLICAÇÃO DE MATÉRIA JORNALÍSTICA
OFENSIVA À HONRA DE ADVOGADO ?
LIBERDADE DE INFORMAÇÃO ? DIREITOS
RELATIVIZADOS PELA PROTEÇÃO À HONRA,
À IMAGEM E À DIGNIDADE DOS INDIVÍDUOS
? VERACIDADE DAS INFORMAÇÕES E
EXISTÊNCIA DE DOLO NA CONDUTA DA
EMPRESA JORNALÍSTICA ? REEXAME DE
PROVAS ? IMPOSSIBILIDADE ? APLICAÇÃO
DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ ?
POSSIBILIDADE ? VALOR EXORBITANTE ?
EXISTÊNCIA NA ESPÉCIE ? RECURSO
ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. I ? A
liberdade de informação e de manifestação do
pensamento não constituem direitos absolutos,
sendo relativizados quando colidirem com o
direito à proteção à honra e da imagem dos
indivíduos, bem como ofenderem o princípio
constitucional
da
dignidade
da
pessoa
humana. II ? A revisão do entendimento do
tribunal a quo acerca da não veracidade das
informações publicadas e da existência de dolo na
conduta da empresa jornalística, obviamente,

demandaria revolvimento dessas provas, o que é
inviável em sede de recurso especial, a teor do
disposto na Súmula 7/STJ. III ? É certo que esta
Corte Superior de Justiça pode rever o valor fixado a
título de reparação por danos morais, quando se
tratar de valor exorbitante ou ínfimo. IV ? Recurso
especial parcialmente provido.?
(Resp n.
783.139/ES, Rel. Min. Massami Uyeda, 4ª Turma, j.
em 11.12.2007.Dj de 18/02/08, p.33 e Resp n.
1.025.047/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma,
j. em 26/06/08, Dj. De 05/08/08).

Quanto ao precium doloris, não vislumbro tamanho prejuízo
suportado a ponto de acarretar o pleiteado.

Neste diapasão a lei não prevê padrão para aferição do valor
indenizatório na hipótese de ressarcimento por abalo de crédito,
senão o genérico para os casos de prática de ilícito.

Em tal ocorrendo, deve-se tocar ao arbitramento cabível segundo
o que dispõe o artigo 946 do Código Civil.

Assim comprovado o abalo de crédito suportado pelo autor,
valendo-se dos critérios da razoabilidade e proporcionalidade,
sem olvidar a condição econômica do reclamante e do reclamado,
arbitro a indenização por danos morais em R$16.000,00
(dezesseis mil reais), levando-se em conta a extensão do dano e as
condições financeiras das partes.

Nesse sentido, o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo pacificou a matéria:

?O arbitramento do dano fica ao inteiro
arbítrio do Juiz que, não obstante, em
cada caso, deve atender a repercussão
econômica dele, a dor experimentada
pela vítima e ao grau de dolo ou culpa do
ofendido? (RT 717/126).

Ademais, mostra-se justo porquanto
atende o caráter repressivo da fixação indenizatória já que inibirá
de cometer outros ilícitos perpetrados na mesma forma praticada.

Ante o exposto e por tudo mais que dos autos consta, opino por
decretar a revelia do reclamado RODRIGO SERGIO GARCIA
RODRIGUES e pela PARCIAL PROCEDÊNCIA do pedido do
reclamante em face do reclamado, nos termos do artigo 269 inciso
I do CPC, para condená-lo a pagar a quantia a título de dano
moral no valor de R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais), acrescida de
juros moratórios de 1%, ao mês, a partir do evento danoso
(súmula 54 STJ), corrigidos monetariamente pelo índice IGP-M, a
partir da sentença.

Sem honorários advocatícios e custas processuais.

P.R.I.C.

Postas estas razões, submeto o presente projeto de sentença à
homologação do juiz togado para que surta os efeitos legais.

Cuiabá/MT, 15 de junho de 2015.

Larissa Falkembach Honiuk
Juíza Leiga