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Como a ciência explica o que

chamamos de pressentimento (e por
que precisamos dele)
Ana Carolina Prado 15 de março de 2012

Você vê um amigo de longe e, em questão de pouquíssimos segundos, tem o
“pressentimento” de que há algo errado. Quando os dois se sentam para conversar, ele
conta que realmente está passando por problemas sérios. Como você sabia? O
neurocientista David Eagleman, que dirige o Laboratório de Percepção e Ação do Baylor
College of Medicine no Texas, traz uma explicação no livro “Incógnito – As Vidas Secretas
do Cérebro”.
Para entender, imagine outra situação: você e outras pessoas estão diante de uma mesa
com quatro baralhos. Cada um precisa escolher uma carta a cada rodada – e o que
aparecer nela pode significar perdas ou ganhos em dinheiro. Mas há um detalhe: dois
desses baralhos têm mais cartas boas (ou seja, fazem você ganhar dinheiro) e dois têm
mais cartas ruins. Quem escolhe o baralho é o próprio participante que está tirando a
carta. Em todas as rodadas, enquanto toma a decisão, cada pessoa é interrogada sobre

ela sabe muito pouco das atividades todas que rolam na sua cabeça – no máximo. pelo acaso. na forma de um “pressentimento”: elas começavam a escolher os baralhos bons antes mesmo de poderem explicar o porquê. O experimento foi repetido com voluntários que tinham danos na área do cérebro responsável pela tomada de decisões – o córtex pré-frontal ventromedial. Ou seja. ouve sussurros dela. eles continuaram a escolher as cartas dos montes errados. não é que você vai decidir assim. Quanto tempo você acha que levaria para descobrir isso? Um neurocientista chamado Antoine Bechara e alguns colegas fizeram um experimento exatamente assim em 1997 e descobriram que os participantes precisavam tirar. E foi isso que permitiu uma descoberta espantosa: o sistema nervoso autônomo conseguia decifrar a estatística dos baralhos bem antes que a consciência dos participantes: por volta da13ª carta. Descobriu-se que essas pessoas não eram capazes de formar aquele sinal elétrico de alerta na pele. responsável pela reação de luta ou fuga. Reconhecendo rostos O resultado desses estudos condiz com uma descoberta posterior relacionada a pessoas consideradas prosopagnósicas – aquelas que são incapazes de reconhecer rostos. Se. 25 cartas para sacar quais baralhos eram bons ou ruins. mesmo quando sua mente consciente finalmente compreendeu quais eram os baralhos bons e ruins. mas mesmo assim eles não o faziam. Uma parte do seu cérebro ainda era capaz de distingui-los. isso seria indicado por esse medidor. essa é a decisão correta para você. não os advertia. isso indicaria que a atividade “escondida” do cérebro (que se manifesta nesse caso na forma do que chamamos de “pressentimentos”). assim. podemos tomar decisões vantajosas mesmo sem estarmos conscientes da situação. O problema é que isso não chegava à sua mente consciente. Mas. durante toda a tarefa. Fazendo essa medição dos impulsos elétricos de sua pele. Mas acontece que a mente consciente dessas pessoas ainda não era capaz de captar a mensagem claramente. cada vez que um deles estendia a mão para pegar a carta de um baralho ruim. Esse pressentimento é necessário para fazermos boas escolhas. como podemos acessar as informações que não chegam até ela e tomar boas decisões? O neurocientista David Eagleman dá a dica: pegue uma moeda. O truque é avaliar sua sensação depois que a moeda cair. é essencial para a tomada de decisões vantajosas. Caso se sinta levemente aliviado com o resultado. por exemplo. . Quer tomar a decisão certa? Jogue uma moeda Se a nossa mente consciente sabe tão pouco do mundo em comparação com o que está inconsciente. Isso ensina que: 1) Apesar de sua mente consciente (ou aquilo que você considera você) levar o crédito por tudo. Mas havia um detalhe: eles também mediram. em vez disso. como que dizendo “Cuidado. Não. pesquisadores concluíram que elas apresentavam uma atividade maior quando viam o rosto de uma pessoa que conheciam. havia um pico de atividade elétrica em sua pele – em outras palavras. quando a pessoa se sentisseameaçada. em média. as reações elétricas da pele de cada participante – que seriam um reflexo da atividade do sistema nervoso autônomo. Se a sua consciência sabia o que fazer. cara! Esse baralho vai te fazer perder dinheiro!”. é possível que seu cérebro já tivesse analisado sua linguagem corporal e registrado sinais de que havia algo de errado com ele. Mas isso não é um problema porque 2) graças a esses “pressentimentos”. Voltando ao caso do primeiro parágrafo: o “pressentimento” que você teve em relação ao seu amigo pouquíssimos segundos após olhar para ele provavelmente tem uma explicação parecida. então.quais baralhos acredita serem bons ou ruins. seu cérebro não conseguia compreender as estatísticas tão rápido e. determine qual face equivale a qual decisão e vá no cara ou coroa. talvez devesse escolher a outra opção. Assim. Isso se manifestou. uma parte do seu cérebro lhes enviava um sinal de alerta. se irritar e achar isso ridículo. Antes que sua mente consciente sequer tomasse conhecimento de que ele estava ali. A essa altura.

que já . As feias estimularam o córtex motor primário e a amígdala. e pretendia analisar a resposta cerebral de 21 pessoas de diferentes culturas enquanto observavam obras de arte que consideravam belas. publicado em julho na revista PLoS ONE . Já a beleza estimula processos cerebrais bem diferentes. Com base em pesquisas anteriores. ainda podem ocupar secretamente as primeiras posições em nosso ranking). pesquisadores ingleses descobriram que essa relação não é por acaso: amor e beleza ativam regiões semelhantes do cérebro. Tanto pinturas quanto músicas consideradas bonitas ativaram com intensidade semelhante uma seção de 15 a 17 milímetros de largura do córtex medial orbitofrontal (além das áreas sensoriais correspondentes). E no dia a dia: temos a tendência de achar a pessoa que amamos a mais bonita da face da Terra (conservadas as devidas exceções.A relação entre a beleza e o amor Ana Carolina Prado 16 de agosto de 2011 O amor e a beleza geralmente andam juntos na literatura. feias ou indiferentes. na música. é claro. Depois. no cinema. geralmente residentes em Hollywood. Alguns exemplares humanos de rara beleza. Agora. foram expostos novamente a esses estímulos enquanto a sua atividade cerebral era analisada por um exame de ressonância magnética. O estudo. foi conduzido por Semir Zeki e seus colegas do Laboratório de Neurobiologia da University College London. O cérebro dos voluntários não mostrou nenhuma reação significativa quando eles eram expostos a obras que não achavam bonitas nem feias. na Inglaterra. Eles tiveram de avaliar 60 pinturas e 60 composições musicais e categorizá-las como bonitas.

os pesquisadores acreditam que pode haver uma íntima ligação nessa atividade com processos relacionados ao desejo. passa a desejá-la. agora. Isso acontece. por exemplo. valor e beleza. quando você acha uma coisa bonita. pelo menos no que diz respeito à nossa atividade cerebral. literatura e afins têm certa razão: a feiúra não tem ligação com o amor. Mas a beleza. e isso afeta o seu julgamento. Portanto.relacionavam essa região com a percepção da beleza. mas a arte visual tinha um efeito extra: ela também ativou uma parte do cérebro chamada núcleo caudado. cinema. A dúvida que fica. E quanto mais bonito você considera o estímulo. sim. por exemplo. é: amamos porque achamos bonito ou achamos bonito porque amamos? Por que julgamos as pessoas de acordo com a quantidade de roupas que elas estão usando? Ana Carolina Prado 14 de novembro de 2011 . que tem sido associada a sentimentos de amor romântico e se ativa quando vemos o namorado. mais a região se ativa. A música parecia exercer um efeito mais rápido no cérebro.

além de esse efeito ocorrer com ambos os sexos. Pesquisas anteriores sugerem que isso acontece quando se olha para alguém em um contexto sexual. faz você ver a pessoa menos como um agente [alguém com a capacidade de agir. Em múltiplas experiências. Assim. explicou ao MedicalXpress um dos autores do estudo. Embora quem estivesse vestindo pouca ou nenhuma roupa tenha sido visto como menos moralmente responsável nos testes. o estudo também descobriu que um foco no corpo da pessoa pode na verdade aumentar a postura moral dos outros em relação a ela – pelo menos no que se refere a causar-lhes danos. De acordo com Gray. as pessoas eram menos inclinadas a dar pequenos choques elétricos em homens sem camisa do que naqueles que estavam vestidos”. Mas um artigo de pesquisadores das universidades de Maryland. Mas o novo estudo mostra que. merecedores de maior proteção. Para os autores. as descobertas não são de todo ruim: elas podem ser úteis na vida amorosa. pensam em mentes e corpos como coisas distintas ou até mesmo opostas – com a capacidade de agir e planejar ligada à mente e a capacidade de experimentar ou sentir ligada ao corpo. por exemplo. A roupa. o psicólogo Kurt Gray. os pesquisadores puderam comprovar a existência desses dois tipos de percepção que temos sobre os outros.Simplesmente focar nos atributos físicos de alguém. portanto. Yale e Northeastern (EUA). muda-se o tipo de disposição mental que atribuímos a elas – e isso não acontece só quando se expõe demais o corpo. diz ele. ”O foco no corpo e o aumento da percepção da sensibilidade e emoção que isso provoca pode ser bom para os amantes”. revelou que é exatamente isso o que fazemos. publicado no jornal Personality and Social Psychology. instantaneamente. a percepção de “agência” (autocontrole e ação) foi reduzida. concentrandose em seu corpo em vez de em sua mente. Em um experimento. Quando os homens e mulheres usados como voluntários focavam no corpo de alguém. enquanto a percepção de “experiência” (emoção e sensação) foi aumentada.Pode parecer absurdo – e preconceituoso – julgar a capacidade mental e a personalidade das pessoas pela quantidade de roupa que elas estão usando. o que faz com que ele a veja como um objeto sem mente ou moralidade. as pessoas com pouca roupa não são vistas como mero objeto. eles também foram vistos comoindivíduos mais sensíveis e. o cuidado e o sexismo Surpreendentemente. E tem mais: seis estudos mostraram que a ideia que fazemos em relação à mentalidade e atitude de alguém pode mudar significativamente se essa pessoa tira uma blusa ou faz qualquer outra coisa que a faça revelar mais o seu corpo. A descoberta expande a ideia difundida há muito tempo de que. . inconscientemente. quando um homem vê uma mulher usando pouca roupa. como na pornografia. Em vez disso. esse efeito ocorre porque as pessoas. planejar e exercer autocontrole] e mais como um experimentador [alguém mais focado na sensações e emoções]“. explica Gray. ele se concentra mais em seu corpo e menos em sua inteligência. “Os outros parecem ser menos inclinados a prejudicar as pessoas com a pele nua e mais inclinados a protegê-los. “Mostramos também que isso pode acontecer mesmo sem a remoção de roupas.

isso pode dar origem ao chamado “sexismo benevolente”. O aspecto positivo de um foco no corpo. características que também podem prejudicar a sua carreira. Essas pessoas também são vistas como mais reativas e emocionais. como o aumento no desejo de proteger contra danos. 7 fatores que fazem as pessoas acreditarem em coisas estranhas Ana Carolina Prado 18 de novembro de 2011 . isso tem efeitos negativos: ser visto como um “experimentador” faz a pessoa parecer menos competente e lhe tira a liderança. também pode ser prejudicial. no ambiente de trabalho ou em contextos acadêmicos. o que impacta negativamente a avaliação do seu trabalho. em que os homens oprimiam as mulheres sob o pretexto de protegê-las.No entanto ele destaca que. Segundo os autores. nos quais as pessoas são basicamente avaliadas de acordo com sua capacidade de planejar e agir. comum nos Estados Unidos na década de 1950.

1. E explica: “O fato de eu . A polícia da cidade ficou de prontidão. rótulos. nos 13 dias seguintes. Elas querem acreditar Segundo Michael Shermer. Dê uma lida e depois diga pra gente se você concorda ou não. com que pessoas extremamente inteligentes sejam pegas. se alguém perguntar qual é a sua posição sobre a vida após a morte. garante ele. Assim. Mas por que? Porque dá bem-estar. inclusive. Com base no livro. tanto a polícia quanto a mídia começaram a se referir ao evento como um caso de “histeria de massa”. Mas o que leva uma pessoa a acreditar em coisas como essas? É disso que fala o livro “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?”. E nenhum vestígio químico havia sido descoberto. ninguém havia sido preso.Em uma pequena cidade de Illinois (EUA). a principal razão pela qual as pessoas acreditam em coisas estranhas é simpes: elas querem acreditar. é reconfortante e consola. filmes. vira moda ver sinais milagrosos – ou mensagens malignas escondidas em músicas. é provável que você diga que é favorável. Logo apareceram os jornais com manchetes como “BANDIDO DO ANESTÉSICO À SOLTA”. fantasmas ou bandidos bizarros cuja existência nunca foi comprovada aparecem de tempos em tempos em diversos lugares. Afinal. Ondas de avistamentos de ETs. E. Tudo começou com uma mulher que declarou que um homem entrou em seu quarto no meio da noite e anestesiou suas pernas com um spray a gás paralisante. E os maridos com suas armas carregadas. ninguém está completamente imune à histeria coletiva. do psicólogo e historiador da ciência americano Michael Shermer. listamos alguns fatores que influenciam nesse tipo de crença – e podem fazer. Para Shermer. chupacabras. Às vezes. O critério usado por ele para definir o que são coisas “estranhas” é a falta de evidências científicas para comprovar sua existência. cerca de 25 casos semelhantes foram relatados e amplamente explorados pela imprensa. Duas semanas depois. um bandido misterioso – e bizarro – estampava as capas dos jornais lá por volta de 1944.

recebia alguma notícia boa. como “pressões financeiras vêm lhe causando problemas” – afinal. A superstição e a crença no destino e no sobrenatural oferecem um caminho mais simples”. Os céticos não gastam 3. Assim. Shermer cita no livro o exemplo dos médiuns que atendem pelo telefone – a um custo de 3. por exemplo. a grande sacada é que eles não precisam estar certos o tempo todo. E a pessoa acredita. o mais importante. É uma reação muito humana acreditar nas coisas que nos fazem sentir melhor”. ele conta uma experiência de Harry Edwards. os supostos médiuns conseguem deduzir as informações mais específicas que irão impressionar. Sempre que ela carimbava sua roupa. Simplicidade Para termos uma gratificação imediata. . as pessoasdesejam que o médium acerte. Edwards listou alguns desses episódios e os correlacionou com certos eventos que ocorriam em seguida e chegou à conclusão de que o cocô da galinha lhe trazia boa sorte. As explicações científicas costumam ser complicadas e requerem treino e esforço para ser entendidas. A partir das pistas que as pessoas vão dando. Se o médium diz algo que não corresponde à realidade da pessoa naquele momento. Eles usam as chamadas técnicas de leitura a frio: vão tentando adivinhar as coisas partindo de informações mais gerais (envolvendo coisas banais que são verdadeiras para quase todo mundo. Para ilustrar isso. 2. mas ele recebeu dois pedidos e 20 dólares pela “mercadoria”. 3. A gratificação imediata Muitas crenças estranhas promovem um bem-estar instantâneo. aparentemente de modo aleatório. porém. Era tudo um teste. Porque ela era simples – mais fácil que as leis da probabilidade. Às vezes. ele encontrava uma carteira com dinheiro.ser favorável à vida após a morte não significa que vou consegui-la [ou que ele acredito nela]. a saída é simples: ele diz que a coisa vai acontecer no futuro. houve pessoas que compraram a história.95 dólares por minuto nisso. diz Shermer. até Eike Batista terá um dia difícil se perder grana no mercado financeiro). Mas quem não a quereria? É esse o ponto. chefe da Australian Skeptics Society (Sociedade dos Céticos Australianos). “Coisas boas e ruins acontecem tanto para as pessoas boas quanto para as ruins. é preciso que as crenças tenham explicações simplespara as coisas complexas do mundo. ganhava na loteria. Edwards publicou uma carta num jornal local falando sobre uma galinha de estimação que ele costumava carregar empoleirada nos seu ombro. ela não se segurava e acabava deixando um “cartão de visitas” na sua camisa.95 dólares por minuto. “Quem telefona costuma esquecer os erros e lembrar mais dos acertos e. Então ele levou a ave para várias consultas espirituais e descobriu que ela havia sido um filantropo numa vida passada e que tinha reencarnado para fazer o bem às pessoas – por meio de suas fezes. mas os crentes sim”. Mas o que poderia ser algo desagradável acabava dando origem a acontecimentos muito positivos. explica o autor. Afinal. Edwards terminou sua carta ao jornal oferecendo-se para vender saquinhos com o “cocô da sorte” de sua galinha. Sim.

5. Nível de incertezas e perigos do local O local onde a pessoa está influencia suas crenças. por exemplo. conta Malinowski. recorriam mais a rituais supersticiosos à medida que se afastavam no mar para pescar. os rituais desapareciam. confiável e está sob o controle de métodos racionais e processos tecnológicos”. O antropólogo Bronislaw Malinowski constatou. 6. abertura a novas experiências. Elas também podem ter maior propensão a serem absorvidas em fantasias. então. variedade de interesses. passam a gerar novas . “Não encontramos isso quando a atividade é certa. que a magia aparece em situações em que estão em jogo a incerteza. ao fazerem incursões em outras áreas. o acaso e um jogo emocional intenso entre a esperança e o medo. no litoral da Nova Guiné. maior é a superstição. Abertura a novas experiências Estudos envolvendo experiências místicas concluíram que as pessoas com maior predisposição ao misticismo (ou seja. que em geral se enfiam com os dois pés sem o treino e a experiência exigidos.4. Estudos mostraram que quanto mais incertezas o ambiente oferece. O fato de pessoas inteligentes em um campo da ciência não serem necessariamente inteligentes em outro Michael Shermer chama atenção para o fato de que muitos pesquisadores brilhantes em certas áreas podem cometer erros e deixar passar fatos importantes. Ele concluiu. capacidade de suspender o processo de julgamento que permite separar eventos reais e imaginação e uma boa disposição de investir seus recursos mentais para representar o objeto imaginário do modo mais vívido possível. inovação. à crença em coisas estranhas) tendem a ter uma personalidade com altos níveis de complexidade. que os habitantes das ilhas Trobriand. tolerância à ambiguidade e criatividade. “Os recém-chegados de outros campos. por ignorância. Nas águas calmas das lagoas a que estavam acostumados.

aquelas ideias já foram avaliadas anos ou até décadas antes – e foram rejeitadas por razões legítimas. influência de familiares e amigos. . O problema é que. explica. “Pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas porque têm capacidade para defender crenças às quais chegaram por razões não inteligentes” Segundo Shermer. na maioria dos casos. mas as pessoas inteligentes fazem melhor. social. Todos fazemos isso. elas também podem defender melhor suas crenças para si mesmas. a maioria das pessoas constitui suas crenças por uma variedade de razões que não têm muita evidência empírica nem raciocínio lógico. Elas fazem suas escolhas segundo variáveis como a constituição genética. “Selecionamos dentre a massa de dados aquilo que confirme mais as coisas em que já acreditamos e ignoramos ou racionalizamos o que não vem confirma-las.ideias que consideram – por causa do sucesso que obtiveram em seu próprio campo – revolucionárias”. Assim. 7. seja por talento ou por estarem treinadas”. experiências pessoais etc.

isso não significa que sejamos do mal ou algo assim.Mulheres gostam mais dos homens quando eles estão chateados Ana Carolina Prado 9 de março de 2012 A psicóloga Shiri Cohen. da Escola de Medicina de Harvard. quem não gosta de ver os outros felizes. . Mas o contrário não é verdadeiro. fez um estudo junto com outros pesquisadores para o qual conversou com 156 casais sobre seus relacionamentos e descobriu algo interessante: os homens gostam quando suas namoradas ou esposas compartilham sua felicidade com eles. É fácil entender a motivação dos homens – quer dizer. né? Mas e quanto às mulheres? Calma. Elas preferem quando os homens compartilham sua raiva ou frustração.

Segundo Cohen. Conselhos errados que as pessoas dão: Várias cabeças pensam melhor do que uma Ana Carolina Prado 8 de março de 2012 Essa você já ouviu: diante de uma decisão difícil. disse ela. ter duas pessoas quebrando a cabeça para resolver um problema é melhor do que uma só. as mulheres encaram a disposição de um homem em compartilhar sentimentos negativos como um sinal de que ele está investindo no relacionamento e disposto a se envolver. Já os homens sentem exatamente o oposto em relação a esses momentos de conflito e encaram isso como uma ameaça à relação. o ideal é pedir ajuda. dizem. o que realmente importa em um relacionamento é se você sente que a outra pessoa está tentando se conectar a essas emoções – sejam elas boas ou más. Segundo o estudo. “As mulheres tendem a gostar mais de se envolver em conflitos”. É por isso que preferem quando todo mundo parece feliz. Parece um problema? Não precisa ser. . Afinal.

esse benefício cai em uma curva descendente”. Mas esse não é um bom conselho. um grupo de 10 pessoas não é 10 vezes melhor.Três. Minson. Enrolações à parte. ocorre o oposto: “Matematicamente. publicada na revista Psychological Science. é ainda melhor do que duas. O segredo. você acaba confiando mais naquilo que for consenso e dá menos importância a opiniões individuais. a ouvir mais as opiniões individuais e as de fora. não tenha tanta certeza de que já resolveu o problema e não precisará da ajuda de ninguém”. Por que?Porque nem sempre. que conduziu um estudo sobre o tema na Universidade da Pensilvânia. quem trabalhou em dupla acertou um pouquinho mais do que quem estava sozinho. Na verdade. mas perdia US$1 para cada ponto percentual que desviasse da resposta correta. é saber dessa desvantagem (o excesso de confiança) e procurar formas de compensá-la. Para cada pessoa adicional. provavelmente teriam se saído melhor. por exemplo. Essas estimativas foram feitas individualmente e após discussões em grupos. os voluntários puderam ver as estimativas de outros e fazer alterações nas suas próprias. Na pesquisa. a explicação é bem simples: ao buscar uma solução com outras pessoas. As equipes podem ser incentivadas. explica a psicóloga Julia A. tem-se um resultado melhor quando a decisão é tomada a dois. “Só porque você tomou uma decisão com outra pessoa e se sente bem com isso. Em outras palavras. Os resultados: 1) Quem trabalhou em grupos de quatro pessoas (ou teve “mais cérebros pensando sobre um problema”) não se saiu melhor do que as duplas ou trios e 2) nas primeiras tentativas. Mas que fique claro que isso não significa que devemos abolir o trabalho em equipe. Mas essa diferença sumiu depois que os participantes puderam comparar seus palpites com os dos outros e alterá-los. se quisessem. e assim por diante. esse excesso de confiança custou caro: se essas pessoas tivessemprestado mais atenção aos números que vieram de fora e reconsiderassem seus palpites. então. O segundo ponto pode ser explicado pelo terceiro: 3) Aqueles que trabalharam com um parceiro eram mais confiantes em suas estimativas e menos dispostos a aceitar influência de fora. tenha bom senso e não se feche em um mundinho com sua dupla ou equipe. disse Julia Minson. demografia e o comércio dos Estados Unidos. Depois. disse Minson. segundo o estudo. Foi o que aconteceu com quem trabalhou sozinho. A mesma coisa vale para um casal que toma uma decisão financeira. “O processo colaborativo é o próprio problema”. . Então não. Isso pode te fazer ignorar pontos importantes ou soluções mais espertas. Mueller pediram a 252 pessoas que estimassem nove números relacionados com a geografia. Para deixar a brincadeira mais legal – e engajar ainda mais o pessoal – cada um ganhava US$30 a cada duas rodadas. por exemplo. e cada pessoa também teve que classificar o nível de confiança em suas respostas. Segundo as pesquisadoras. Minson e a psicóloga Jennifer S.

Via Psychological Science Estresse muda a forma como tomamos decisões Ana Carolina Prado 1 de março de 2012 .

por exemplo. Mas experimentos que levaram a situações de estresse. certo? Se você tem uma nova oportunidade. “O estresse é geralmente associado a experiências negativas. como ficar com a mão na água gelada por alguns minutos ou dar uma palestra. Pense na situação: você quer trocar de emprego. diz Mara Mather. prestamos mais atenção nos possíveis resultados positivos de nossas escolhas quando estressados. Elas provavelmente pensam mais nos efeitos agradáveis do vício e ficam menos capazes de resistir a eles. . mostraram que ocorre o oposto:os aspectos positivos dominam. uma das autoras do estudo. surpreendentemente.Já teve a impressão de que o estresse deixa você menos esperto e faz com que tome decisões ruins? Pois um estudo publicado na Psychological Science pode explicar o porquê. pode acabar prestando atenção demais no salário maior e ignorando o fato de que levará o dobro do tempo para chegar ao local de trabalho. Assunto estressante. ignorando as desvantagens – o que pode levar a decisões das quais temos mais chance de nos arrepender depois. Dá para entender melhor. O que acontece é que. Pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul descobriram que situações estressantes mudam a forma como as pessoas avaliam riscos e recompensas. por que pessoas viciadas têm tanta dificuldade para controlar seus impulsos. de modo que nossa tendência é achar que pensaríamos mais nos aspectos negativos de nossas decisões”. Vícios O foco nos pontos positivos também ajuda a explicar por que o estresse desempenha um papel tão importante em relação aos vícios.

.O estresse também aumenta as diferenças na forma como homens e mulheres encaram situações de risco. Enquanto os homens se tornam mais dispostos a se envolver em situações arriscadas. as mulheres são mais conservadoras.