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Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul

GAB. CONS. IRAN COELHO DAS NEVES
RELATÓRIO VOTO
PROCESSO TC/MS
PROTOCOLO
ÓRGÃO
ASSUNTO DO PROCESSO
RELATOR
CONSULENTE
CARGO DO CONSULENTE

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:

REV-G.ICN-1694/2015
TC/1498/2014
2014
PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAQUIRAÍ
CONSULTA
CONS. IRAN COELHO DAS NEVES
RICARDO FÁVARO NETO
PREFEITO MUNICIPAL
EMENTA:

CONSULTA (ART.

37,

INCISO

IX,

DA LEI

COMPLEMENTAR Nº 048/90 E ART. 21, INCISO XVI, DA LEI
COMPLEMENTAR 160/2012). QUESTIONAMENTOS COM
RELAÇÃO

A

SUBVENÇÕES

ECONÔMICAS

PARA

EMPRESAS PRIVADAS. NOS TERMOS DO ART. 12, § 3º,
INCISO II, DA LEI 4.320/64, É POSSÍVEL DESTINAR
RECURSOS PARA O SETOR PRIVADO, NA FORMA DE
SUBVENÇÕES ECONÔMICAS. CONDICIONADA A CERTAS
CONDIÇÕES. AUTORIZAÇÃO EM LEI ESPECIAL (ART. 19,
DA LEI 4.320/64). LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS
(ART.

26,

DA

LEI

EMPRÉSTIMOS

COMPLEMENTAR

OS

ENCARGOS

101).

NOS

FINANCEIROS,

COMISSÕES E DESPESAS CONGÊNERES NÃO SERÃO
INFERIORES AOS DEFINIDOS EM LEI OU AO CUSTO DE
CAPTAÇÃO (ART. 27, DA LRF). EMPRESA PRIVADA QUE
APRESENTE BOAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS (ART. 17,
DA

LEI

4.320/64).

JURÍDICA

E

COMPROVAÇÃO

REGULARIDADE

DA

CAPACIDADE

FISCAL.

SUBVENÇÃO

ECONÔMICA EM DINHEIRO, OU PECÚLIO SOMENTE NAS
ESTRITAS HIPÓTESES DO ART. 18, PARÁGRAFO ÚNICO,
ALÍNEA “A” E “B”, DA LEI Nº 4.320/64. POLITICAS DE
INCENTIVO

A

INICIATIVA

PRIVADA,

SUBVENÇÕES

ECONÔMICAS, TENDO COMO NORTE A OBEDIÊNCIA AOS
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO
ART.

37,

DA

CONSTITUIÇÃO

FEDERAL.

CONTRAPRESTAÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA GERAÇÃO
DE EMPREGO E RENDA. NOS TERMOS DO ART. 21, DA LEI
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Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul
GAB. CONS. IRAN COELHO DAS NEVES
4.320/64,

É

PROIBIDO

CONSIGNAR

NA

LEI

DO

ORÇAMENTO TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL (AUXÍLIOS)
QUE SEJAM DESTINADAS À DESPESA DE CAPITAL
(INVESTIMENTOS) QUE CONTRIBUAM PARA A FORMAÇÃO
OU AQUISIÇÃO DE UM BEM DE CAPITAL QUE SE
INCORPORE AO PATRIMÔNIO DE UMA EMPRESA PRIVADA
DE FINS LUCRATIVOS (ART. 12, § 4º E § 6º, DA LEI
4.320/64). AUXÍLIO FINANCEIRO, TRANSFERÊNCIA DE
CAPITAL (ART. 13, DA LEI Nº 4.320/64) QUE DERIVA
DIRETAMENTE DA LEI DO ORÇAMENTO (ART. 12, § 6º, DA
LEI Nº 4.320/64), SÓ PODERIA SER APLICADO EM UMA
DESPESA DE CAPITAL. PREFERENCIALMENTE, DEVE SE
ADOTAR A “CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO”
(CDRU), LEI Nº 11.481, DE 2007, NO ART. 1.225, INCISO XII,
DO CÓDIGO CIVIL, DE IMÓVEIS PÚBLICOS (TERRENOS),
COMO

FORMA

DE

INCENTIVO

À

INSTALAÇÃO

DE

EMPRESAS. DOAÇÃO, NO ÂMBITO DOS ESTADOS E
MUNICÍPIOS,

EM

HIPÓTESE

EXCEPCIONAIS,

COM

ENCARGOS E COM CLÁUSULA DE REVERSÃO (ART. 17, §
4º, DA LEI 8.666/93). DECISÃO LIMINAR DO STF NA ADIN927

QUE

DEU

CONSTITUIÇÃO

INTEPRETAÇÃO

AO

ARTIGO

PARA

CONFORME

A

RESTRINGIR

A

VEDAÇÃO A UNIÃO FEDERAL E TEM EFEITO ERGA
OMNES, CONFORME ART. 11, § 1º, DA LEI Nº 9.868, DE 10
DE

NOVEMBRO

DE

1999.

SUPERVENIÊNCIA

DE

LEGISLAÇÃO ALTERADORA. JURISPRUDÊNCIA DO STF
QUE

TEM

ADMITINDO

PROCESSOS

EM

QUE

O

PROSSEGUIMENTO

DOS

A NORMA ATACADA TENHA

PERDIDO A VIGÊNCIA APÓS O AJUIZAMENTO DA AÇÃO
(QO DA ADI 1244/SP). IMÓVEIS OBJETO DE DOAÇÃO NÃO
PODEM

TER

SIDOS

DESAPROPRIADOS

DE

PARTICULARES PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, SENDO
POSSÍVEL, NESSE CASO, APENAS E TÃO SOMENTE A
VENDA E LOCAÇÃO, NOS TERMOS DO ART. 4º, CAPUT LEI
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GAB. CONS. IRAN COELHO DAS NEVES
Nº 4.132/62, ARTIGO 5º, ALÍNEA “I”, § 1º, DO DECRETO LEI
Nº 3.365/41 E SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF (RE
93308 E RE 78229). NOS TERMOS DO ART. 12, § 3º, INCISO
II, DA LEI 4.320/64, É POSSÍVEL CEDER IMÓVEL ALUGADO
PARA UMA EMPRESA PRIVADA QUE VISE SE INSTALAR,
OU, AMPLIAR SUAS INSTALAÇÕES NO MUNICÍPIO, FORMA
DE SUBVENÇÃO ECONÔMICA. NOS TERMOS DO ART. 12, §
3º, INCISO II, DA LEI 4.320/64, É POSSÍVEL O PODER
PÚBLICO REALIZAR SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM,
ATERRO

E

DRENAGEM

DE

ÁREA.

TÉCNICAS

DE

CONSTRUÇÃO CIVIL UTILIZADAS EM PROJETOS DE
TOPOGRAFIA. ESPÉCIE DE SUBVENÇÃO ECONÔMICA.
PODER PÚBLICO PODE REALIZAR A EXTENSÃO DOS
SERVIÇOS DE FORNECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL,
ENERGIA E COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTO, COMO
FORMA DE INCENTIVAR A INSTALAÇÃO DE EMPRESAS
POR SE TRATAREM DE SERVIÇOS OU ATIVIDADES
ESSENCIAIS (ART. 10, INCISOS I E VI, DA LEI Nº 7.783/1989)
E CASO DE UTILIDADE PÚBLICA (ART. 5º, ALÍNEA “I”, §1º,
DO DECRETO-LEI Nº 3.365, DE 21 DE JUNHO DE 1941).
PROCEDÊNCIA DA CONSULTA E REPOSTA EM TESE AOS
QUESTIONAMENTOS. COMUNICAÇÃO DA DECISÃO NA
FORMA LEGAL.

01. – RELATÓRIO.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos que versam sobre Consulta
formulada, através da Petição às fls. 05/07, pela PREFEITURA MUNICIPAL DE
ITAQUIRAÍ, representada pelo Sr. RICARDO FÁVARO NETO, a este Tribunal de
Contas.

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Preliminarmente. Após isso. Regular a representação processual eis que foi feita pelo ordenador de despesas do órgão. os autos do processo em tela foram encaminhados a este Conselheiro-Relator para pronunciamento que será submetido. com amparo no artigo 136. da Resolução Normativa n. Pressupostos Extrínsecos e Intrínsecos: Interposta por escrito.º 76/2013 . ao egrégio Tribunal Pleno deste Tribunal de Contas (art. Seguindo o trâmite regimental o processo foi remetido a Assessoria Jurídica da Presidência. 138. IRAN COELHO DAS NEVES O Conselheiro Presidente desta Corte. 03/04. autuação da Consulta e a distribuição a esta relatoria. da Resolução Normativa n. conforme decisão às fls. verificou “in limine” sua procedência. autorizou o registro. A petição contém a qualificação indispensável à identificação da representante legal do Consulente. A matéria da consulta envolve questões de competência deste Tribunal de REV-G. uma espécie de juízo de prelibação e.2 DR. conhecendo da Consulta e respondendo as questões formuladas. nos autos do processo em tela.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. O Ministério Público de Contas (MPC). apresentou sua manifestação respondendo cada um dos questionamentos. CONS. quanto à análise dos pressupostos de procedência da consulta. apresentou manifestação. conforme Parecer: PAR-ASS.RITC/MS). posteriormente.Página4 de 33 . depois. conforme Parecer: PAR-MPC .GAB. cumprindo assim suas funções regimentais.ICN-1694/2015 . onde.º 76/2013 (RITC/MS). dessa forma. exerceu.JOAOMJ-14312/2014. É o relatório. I – PRELIMINAR – PROCEDÊNCIA DA CONSULTA.JUR-3328/2014.

§1º. inciso XVI. este Tribunal aceitá-las. 136. foi formulada em 07 (sete) quesitos. 21. sendo possível. A dúvida ou controvérsia na aplicação das Leis estão expostas no corpo da petição e nos próprios quesitos formulados e com estes se confunde. 21 da lei 4. do RITC/MS (Resolução Normativa nº 76/2013).Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. IRAN COELHO DAS NEVES Contas. preenchidos os pressupostos de admissibilidade. inciso II. porquanto. abaixo transcritos: Questão 1: "É possível a subvenção econômica. da Lei Complementar 160/2012 e no art. CONS. ou mesmo ampliar suas instalações nos Municípios?” Questão 2: "O que se entende como "auxílio que se incorporará no patrimônio da empresa". Destarte.ICN-1694/2015 . 21.Página5 de 33 . 136. reconheço a Procedência da Consulta apresentada a este Tribunal de Contas. II – MÉRITO. nos termos do art. (art. inciso XVI. previstos no art. pela entidade consulente. entendida como entrega de pecúnia. da Lei Complementar 160/2012) e art. do RITC/MS (Resolução Normativa nº 76/2013). A Consulta apresentada. sem prejuízo da análise pontual dos quesitos formulados. à indústria ou empresa que vise instalar-se.230/64?" Questão 3: "O Auxílio financeiro que vise cooperar com a indústria/empresa no sentido de custear REV-G.

ICN-1694/2015 . barracão ou espaço com o intuito de ceder o uso por determinado período a empresa que vise se instalar ou expandir suas instalações?” Questão 6: “É possível promover a terraplanagem. drenagem de área como forma de incentivo a instalação de empresa?” Questão 7: “É possível o Município.1 – Questão “1”. à indústria ou empresa que vise instalar-se. IRAN COELHO DAS NEVES despesas de aluguel. aterro. luz ou esgoto até o local da instalação da empresa?” II. despesas de manutenção e outras despesas correntes que não se incorporam ao patrimônio da empresa são passíveis de serem concedidos?" Questão 4: “E possível a doação de terrenos ou a concessão de direito real de uso como forma de incentivo à instalação de empresas. ou mesmo ampliar suas instalações nos Municípios? REV-G. como forma de incentivo. promover a extensão de rede de água.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. CONS. entendida como entrega de pecúnia. respeitados os requisitos dispostos nas respectivas leis de incentivos fiscais?” Questão 5: “É possível o Município alugar uma área.Página6 de 33 . A primeira questão indaga: É possível a subvenção econômica.

distinguindo-se como: I ..subvenções econômicas. IRAN COELHO DAS NEVES As subvenções se dividem em duas espécies.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. II . A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital (. do Município ou do Distrito Federal. CONS..ICN-1694/2015 . II) Das Subvenções Econômicas Art. as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial. Somente à instituição cujas condições de funcionamento forem julgadas satisfatórias pelos órgãos oficiais de fiscalização serão concedidas subvenções.Página7 de 33 . de natureza autárquica ou não. as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural. para os efeitos desta lei.) § 3º Consideram-se subvenções. as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. 12. uma social e a outra econômica. Art. art. 17. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas. 18 e art. § 3º. art. sem finalidade lucrativa. 19. do Estado. comercial.320/64.subvenções sociais. 17. 12. 18. conforme disciplinado pelos art. da Lei 4. far-se-á mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União. inciso II. agrícola ou pastoril. vejamos: “Art. REV-G.

1986. do Decreto nº 93. 62. como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda.872. desde que obedecidas certas condições. A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira. a emprêsa de fins lucrativos. b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. IRAN COELHO DAS NEVES Parágrafo único. de 23 de dezembro de 19861 que disciplinou a cooperação financeira entre a União e entidades privadas. salvo quando se tratar de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial.320/64. na forma de subvenções econômicas.320/64) e que a empresa privada apresente boas condições financeiras. nos termos do art.) REV-G.320/64 e usando da aplicação subsidiária do art. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em 1 Art .” (grifei) Vê-se que. mediante subvenção. CONS. de gêneros alimentícios ou outros materiais. a qualquer título. é possível destinar recursos para o setor privado. pelo Govêrno. igualmente.Página8 de 33 . exigindo a comprovação da capacidade jurídica e regularidade fiscal das empresas privadas. 12. inciso II. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. da Lei 4. conforme interpretação sistemática do art. estabeleceu exigências adicionais para a destinação de recursos públicos ao setor privado.12. 19. determinando que essas subvenções econômicas devam ser autorizadas por lei específica. da Lei 4. 62.ICN-1694/2015 . A Lei Complementar nº 101 (LRF). 17.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. Consideram-se. (DOU de 24. Art. da Lei 4. Somente será concedida subvenção a entidade privada que comprovar sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. 19. § 3º.

da LRF) e no caso de empréstimos os encargos financeiros. comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em lei ou ao custo de captação (art. bem como a concessão de empréstimos ou financiamentos em desacordo com o caput.” (grifei) Neste sentido. cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica. no exercício de suas atribuições precípuas. IRAN COELHO DAS NEVES seus créditos adicionais (art. Art. 26. E SÉRGIO CIQUEIRA ROSSI2: 2 A LEI 4. DE TOLEDO JR.ICN-1694/2015 . 27. o § 1 O disposto no caput aplica-se a toda a administração indireta.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. 27.Página9 de 33 . exceto. ou jurídica que não esteja sob seu controle direto ou indireto. sendo o subsídio correspondente consignado na lei orçamentária. a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. A destinação de recursos para. Páginas 68-69. vejamos: “Art. comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em lei ou ao custo de captação. os encargos financeiros. inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas. CONS. da LRF). as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. o § 2 Compreende-se incluída a concessão de empréstimos. Dependem de autorização em lei específica as prorrogações e composições de dívidas decorrentes de operações de crédito.320 NO CONTEXTO DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. financiamentos e refinanciamentos. 1ª edição. o comentário de FLAVIO C. Na concessão de crédito por ente da Federação a pessoa física. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. Parágrafo único. Editora NDJ. direta ou indiretamente. inclusive fundações públicas e empresas estatais. 26. REV-G.

27 da LRF preceitua que os encargos financeiros. e com redobrada prudência. CONS. Parágrafo único. há de antes haver um detalhado relato de critérios no instrumento que subsidia a formulação do orçamento anual: a lei de diretrizes orçamentárias.41. pessoas físicas e instituições sem fins lucrativos. mediante o crédito portador do objeto de gasto intitulado Contribuições (3. c) na lei orçamentaria anual ou nas que autorizam créditos adicionais. 26 da LRF quer que repasses para empresas que visam o lucro sejam. a lei especial referida no artigo em debate. 18. quais sejam: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda.ICN-1694/2015 .” (grifei) Mais especificamente. é necessário esclarecer que seria possível.3.3.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. como está escrito na pergunta. a transferência de recursos à empresa lucrativa não demanda. comissões e despesas congêneres não sejam nunca inferiores aos definidos em lei ou custo de captação. de gêneros alimentícios ou outros materiais.00). alínea “a” e “b”. Sendo assim. Ante o presente tema de ajudar instituições do setor privado.60. nas estritas hipóteses do art. b) em lei específica ou a especial do artigo em comento (nominação da empresa e valor). somente.00.320/64. b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. da Lei nº 4. com relação a subvenção econômica em dinheiro. IRAN COELHO DAS NEVES “Do mesmo modo que se faz para entidades da administração indireta. autorizados em três instrumentos legais: a) na lei de diretrizes orçamentárias (critérios). também esses.00) dentro da modalidade de aplicação Transferências a Instituições Privadas com Fins Lucrativos (3. o acima transcrito art. o art. ou pecúnia. insta anotar: quando da concessão de crédito. REV-G.Página10 de 33 . desde que.60. pelo Govêrno.

até porque.mppr. bem como ajuda para pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. CONS. Tese: Da Concessão de Benefícios Econômicos pelo Poder Público à Empresa Privada. não sendo permitido transferir dinheiro a título de subvenções econômicas.pdf.Página11 de 33 . o artigo 18 prevê. Como Incentivo à Industrialização.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. o art. IRAN COELHO DAS NEVES Essa interpretação é a que melhor preserva o interesse público.”3 (grifei) Além disso. esse artigo apenas reforça a interpretação acima. portanto.mp. como por exemplo. veja: “Contudo. existem outras modalidades de subvenção econômica. da Lei 4.patrimoniopublico. ALBUQUERQUE a doutrina SCHIRMER e dos promotores MATEUS MÁRIO EDUARDO SÉRGIO SIQUEIRA DE NUNES BERTONCINI ARRABAL. taxativamente.>. e em qualquer caso. as hipóteses que uma empresa privada de fins lucrativos pode receber dinheiro do Poder Público. a não ser nos casos citados no artigo 18.320/64 proíbe a transferência de auxílios para investimentos que se incorpore ao patrimônio das empresas privadas de fins lucrativos. REV-G. no sentido de que 3 MÁRIO SÉRGIO DE ALBUQUERQUE SCHIRMER e MATEUS EDUARDO SIQUEIRA NUNES BERTONCINI ARRABAL. a isenção de tributos e a realização de obras de infraestrutura que seriam mais adequadas do que o mero repasse de recursos públicos ao setor privado. 21. notamos que não é para qualquer empresa privada de fins lucrativos. pois analisando seu artigo 18. o Poder Público só pode transferir dinheiro à empresa privada de fins lucrativos nestas hipóteses. Nessa quadra. esta conclusão é enganosa e desfaz-se com uma análise sistemática da Lei nº 4. Com efeito. Acesso em: 07/04/2015. sem prejudicar a política de incentivos a industrialização. a empresas privadas de fins lucrativos.ICN-1694/2015 .320/64. Disponível:<http://www. Destarte. que o Poder Público pode conceder dinheiro a título de subvenções econômicas.br/arquivos/File/Artigos_Testes_Estudos/Tese_incentivo_empresas. Estes casos restringem-se a dotações para cobrir diferença entre preços de mercado e preços de revenda de gêneros alimentícios ou outros materiais.

em razão dessas subvenções econômicas. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais (art. No caso. 18. da Lei 4. Destarte. ou pecúlio é necessário esclarecer que seria possível. CONS. da Lei 4. desde que.320/64. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. 19.320/64. da Lei Complementar nº 101). que a empresa privada apresente boas condições financeiras (art. de gêneros alimentícios ou outros materiais. comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em lei ou ao custo de captação (art. pelo Governo. na forma de subvenções econômicas. 26.ICN-1694/2015 . é possível destinar recursos para o setor privado. nas estritas hipóteses do art. Parágrafo único. convém ressaltar que as políticas de incentivo a iniciativa privada. moralidade. seria a geração de emprego e renda. 12. a contraprestação da iniciativa privada.320/64) e exigindo a comprovação da capacidade jurídica e regularidade fiscal. entre eles o da legalidade. REV-G. não menos importante. no caso de empréstimos os encargos financeiros. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis a administração pública do art. 37. 27. específico da subvenção econômica em dinheiro. quais sejam: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. inciso II. nos termos do art. da Lei nº 4.320/64). desde que obedecidas certas condições. Por fim. alínea “a” e “b”.Página12 de 33 . 18.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. § 3º. da Constituição Federal.320/64. incluindo as subvenções econômicas. 17. da Lei nº 4. IRAN COELHO DAS NEVES as hipóteses para transferência em dinheiro estariam limitadas as do art. Parágrafo único. a par de tudo que foi dito. da LRF). atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias. da Lei 4. publicidade e eficiência e. impessoalidade. alínea “a” e “b”.

37. O disposto neste artigo aplica-se às transferências de capital à conta de fundos especiais ou dotações sob regime excepcional de aplicação. 21.ICN-1694/2015 . II.” (grifei) A despesa pública é dividida em duas categorias econômicas: despesas correntes e despesas de capital. entre eles o da legalidade. deve ser a geração de emprego e renda. em razão dessas subvenções econômicas.Página13 de 33 . Parágrafo único.320/64 é discriminado da seguinte forma: REV-G. da Lei nº 4.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. nos termos do art. CONS. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art. as políticas de incentivo a iniciativa privada.230/64?" O art. não menos importante. a contraprestação da iniciativa privada. da Lei 4. sendo que dentro destas está o “Investimento” que conforme o art. moralidade. da Constituição Federal. publicidade e eficiência e. 21. A segunda questão indaga: "O que se entende como "auxílio que se incorporará no patrimônio da empresa". A Lei de Orçamento não consignará auxílio para investimentos que se devam incorporar ao patrimônio das emprêsas privadas de fins lucrativos. § 4º. Além disso. 12. estabelece o seguinte: “Art.2 – Questão “2”. impessoalidade. incluindo as subvenções econômicas. 21 da lei 4. IRAN COELHO DAS NEVES b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais.320/64 que trata das Transferências de Capital.

da Lei nº 4. aquisição de instalações.” Portanto. bem como as dotações para amortização da dívida pública. especifica que são as dotações para: “investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar. IRAN COELHO DAS NEVES “Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras. da Lei nº 4. 12. sendo esses uma despesa de capital que contribui para a formação ou aquisição de um bem de capital (art.320/64 está proibindo a consignação na Lei do Orçamento de transferência de capital (auxílios) que sejam destinadas à despesa de capital (Investimentos) que contribuam para a formação ou aquisição de um bem de capital que se incorpore ao patrimônio de uma empresa privada de fins lucrativos (art. segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior. § 6º.320/64.Página14 de 33 . da Lei 4.” No caso das Transferências de Capital o art. os auxílios são uma transferência de capital que derivam diretamente da Lei do Orçamento (art. bem como para os programas especiais de trabalho. § 6º.ICN-1694/2015 . O art. constituindo essas transferências auxílios ou contribuições. 12. § 4º.320/64). independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços. 21. da Lei 4. 12. da Lei nº 4.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. § 4º e § 6º. REV-G.320/64).320/64) e podem ser destinadas a investimentos ou inversões financeiras. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de emprêsas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. 12. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. CONS.

21 e seu parágrafo. IBAM. ou subsidiar preços e conceder bonificações a produtores. quando verificar que. devendo ser utilizado outros instrumentos de forma indireta para incentivar a ativida4 A LEI 4. chega-se a resultado idêntico com as subvenções sociais e econômicas. IRAN COELHO DAS NEVES Neste sentido. ou seja. 30ª edição. seria descabido ao Poder Público concorrer para o aumento do patrimônio das empresas de fins lucrativos. da Lei 4. a doutrina dos professores JOSÉ TEIXEIRA MACHADO JÚNIOR e HERALDO DA COSTA REIS4: “Sendo o auxílio uma transferência de capital e estando seu beneficiado obrigado a aplicá-lo na aquisição de bens de capital. mesmo porque. está se processando um enriquecimento dos beneficiados à custa dos dinheiros públicos. 12. indiretamente. é proibido consignar na Lei do Orçamento transferência de capital (auxílios) que sejam destinadas à despesa de capital (Investimentos) que contribuam para a formação ou aquisição de um bem de capital que se incorpore ao patrimônio de uma empresa privada de fins lucrativos (art. De qualquer modo é salutar o princípio consagrado no art. REV-G. poderá o estar o Governo permitindo que empresas particulares obtenham saldos em seus orçamentos correntes e possam aplicá-los em investimentos que aumentem seus patrimônios. § 4º e § 6º. nos termos do art. com transferências de recursos que se origina de fontes públicas de receita.” (grifei) Destarte. o que se evita e o engrandecimento do patrimônio dessas empresas diretamente através do repasse de recursos públicos.320/64.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. que se incorporam ao seu patrimônio. 21. CONS. médica e educacional.Página15 de 33 . É bem verdade que.320/64).320 COMENTADA. ao invés de ocorrer a melhoria dos serviços ou para o barateamento dos gêneros subsidiados. Páginas 65-66. pois ao subvencionar a manutenção de serviços de assistência social.ICN-1694/2015 . a qualquer momento o Governo poderá suspender a concessão das subvenções. no caso das transferências correntes. da Lei 4.

nas palavras do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles.320/64. as subvenções econômicas que são transferências correntes (art. portanto. da Lei nº 4.320/64) que deriva diretamente da Lei do Orçamento (art.3 – Questão “3”. não poderia ser utilizado para custear despesas correntes.ICN-1694/2015 . despesas de manutenção e outras despesas correntes que não se incorporam ao patrimônio da empresa são passíveis de serem concedidos?" Sendo o auxílio financeiro uma transferência de capital (art. IRAN COELHO DAS NEVES de econômica.Página16 de 33 . Parágrafo único. alínea “a” e “b”. da Lei nº 4. CONS. da Lei 4. por ser relevante. só poderia ser aplicado em uma despesa de capital. 13. na modalidade subvenção econômica e no caso de auxílios financeiros as duas hipóteses possíveis seriam as previstas no art. vejamos: REV-G. A forma de fomento.320/64). A quarta questão indaga: “E possível a doação de terrenos ou a concessão de direito real de uso como forma de incentivo à instalação de empresas. II. respeitados os requisitos dispostos nas respectivas leis de incentivos fiscais?” A definição do conceito de “Doação”. da Lei nº 4. 12. como por exemplo. 13.320/64). § 6º. II. conforme está na resposta da pergunta de número “1”. será por transferências correntes. mais aceita. A terceira questão indaga: "O Auxílio financeiro que vise cooperar com a indústria/empresa no sentido de custear despesas de aluguel. 18.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB.4 – Questão “4”.

e comumente o faz para incentivar construções e atividades particulares de interesse coletivo. e não administrativo.Página17 de 33 . 537). 35º Edição. (Incluído pela Lei nº 11. alínea “b”. para que dele se utilize para fins específicos de urbanização..225. novamente vale citar o saudoso mestre Hely Lopes Meirelles. a doação a particulares.666/93.481. embora possa ser com encargos para o donatário. vejamos: “(. IRAN COELHO DAS NEVES “Doação é o contrato pelo qual uma pessoa (doador).ICN-1694/2015 . São direitos reais: (. em seu art.” (grifei) (Direito Administrativo Brasileiro. de prévia avaliação do bem a ser doado e de licitação. arts..481. 2009. do Código Civil 5. p. transfere do seu patrimônio um bem para o de outra (donatária). fundado na liberalidade do doador. cultivo ou qualquer outra exploração de interesse social. 544). de 2007. inciso I. 35º Edição. no rol dos direitos reais. 1.. A Administração pode fazer doações de bens móveis e imóveis desafetados do uso público. 2009. como direito real resolúvel.a concessão de direito real de uso. vejamos: 5 Art. Essas doações podem ser com ou sem encargos e em qualquer caso dependem de lei autorizadora. que estabeleça as condições para sua efetivação. com algumas ressalvas. A Lei nº 8.) é o contrato pelo qual a Administração transfere o uso remunerado ou gratuito de terreno público a particular. por liberalidade. 538 e 539). industrialização. Quanto a definição de “concessão de direito real de uso” (CDRU) que foi inserido pela Lei nº 11. 17. 1. edificação.225. que os aceita (CC. no art.. p. CONS. de 2007) REV-G.) XII .” (grifei) (Direito Administrativo Brasileiro. restringia a doação de imóveis públicos e proibia.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. inciso XII. É contrato civil.

permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração pública. dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência. "b" (doação de REV-G. de qualquer esfera de governo.481. CONS.Interpretação conforme dada ao art. (Redação dada pela Lei nº 11.666. inclusive as entidades paraestatais. de 2007)” (grifei) Ocorre que esse dispositivo legal foi objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN 927). para todos. vejamos: “EMENTA: CONSTITUCIONAL.quando imóveis. (Incluído pela Lei nº 11.) h) alienação gratuita ou onerosa. IRAN COELHO DAS NEVES “Art. ..) f) alienação gratuita ou onerosa.481. será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: I . (Redação dada pela Lei nº 11. 17. e. 8.93. destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habitacionais ou de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública. ressalvado o disposto nas alíneas f e h. locação ou permissão de uso de bens imóveis residenciais construídos. LICITAÇÃO. concessão de direito real de uso. locação ou permissão de uso de bens imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até 250 m² (duzentos e cinqüenta metros quadrados) e inseridos no âmbito de programas de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública. subordinada à existência de interesse público devidamente justificado. aforamento.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. de 2007) (..481. b) doação.ICN-1694/2015 . aforamento.Página18 de 33 .. dispensada esta nos seguintes casos: a) dação em pagamento. onde o Supremo Tribunal Federal (STF) deferiu medida liminar dando intepretação conforme a constituição ao artigo para restringir a vedação a União Federal. Lei n. I. dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais.06.. I. CONTRATAÇÃO ADMINISTRATIVA. concessão de direito real de uso. de 2007) (. 17. A alienação de bens da Administração Pública. de 21.

Idêntico entendimento em relação ao art. julgado em 03/11/1993. IRAN COELHO DAS NEVES bem imóvel) e art. 17. (grifei) (In Contratação Direta sem Licitação. respeitadas as demais exigências . que. direta. os Estados poderão promover doação. alínea “b”. autárquica e fundacional. Tribunal Pleno.666/93 sofreu alteração legislativa pelo art.Cautelar deferida. escopo permanente do ato administrativo”. o art. Vencido o Relator. . para esclarecer que a vedação tem aplicação no âmbito da União Federal. Deliberando nesse sentido.. 2000. vigorando até ulterior decisão definitiva. pp. apenas. podem continuar promovendo doação de imóvel. da Lei 8. I. que deve ser o ‘pano de fundo’. de qualquer esfera de governo”. ficando a sociedade e os órgãos de controle incumbidos de avaliar a correlação entre o ato do donatário e a satisfação do interesse público. de 25 de junho de 2009 que deu a seguinte redação a norma legal: REV-G.952. Relator(a): Min. avaliação prévia e autorização legislativa para a administração direta. Brasília Jurídica. Releva evidenciar que a decisão ocorreu em sede liminar. 241/242). ed. inclusive a particulares. 17. em conseqüência. "b" (permuta de bem móvel). em caráter liminar. 5ª ed. Após isso. da Lei nº 11. a lei deve ser interpretada considerando escrita esta expressão apenas para os órgãos da Administração Pública federal. 39. indireta e fundacional. Com a força normativa da decisão em epígrafe. como dito.Página19 de 33 . em parte. CONS. nesta parte. inclusive para particulares. do art. 17. (ADI 927 MC. elucida o doutrinador JORGE ULISSES JACOBY FERNANDES: “O governo do Estado do Rio Grande do Sul questionou a constitucionalidade desse dispositivo e o Supremo Tribunal Federal. no julgamento da ADIn nº 927-3. DJ 11-11-1994 PP-30635 EMENT VOL-01766-01 PP-00039)” (grifei) Ainda sobre a citada decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).interesse público justificado. II. e não escrita para as demais esferas de governo.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. 17. "c" e par. 1. CARLOS VELLOSO. inciso I.ICN-1694/2015 . decidiu suspender a eficácia da expressão ‘exclusivamente para outro órgão ou entidade da Administração Pública. II.

). devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato. a primeira seria pela perda de objeto da ação e a segunda admitindo o prosseguimento dos processos em que a norma atacada tenha perdido a vigência após o ajuizamento da ação.ICN-1694/2015 . de 21 de junho de 1993. vejamos: “Iniciado o julgamento de segunda questão de ordem. Gilmar Mendes na questão de ordem (QO) da ADI 1244/SP. conforme art. que ainda não foi julgada definitivamente.868. 39. dotada de eficácia contra todos. Concedida a medida cautelar.. A Lei no 8. caberiam duas interpretações possíveis. portanto. relator. a liminar que tem efeito erga omnes. permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração pública.Página20 de 33 . h e i. 17. REV-G.. conforme se vê nas palavras do Min.. 11. em que se discute a prejudicialidade das ações diretas de inconstitucionalidade nas hipóteses de revogação do ato impugnado.. incluindo apenas mais uma ressalva a da alínea “i” e como a ADIN-927 ainda não foi julgada definitivamente permanece. de qualquer esfera de governo. 11. § 1o A medida cautelar. suscitada pelo Min. esta interpretação vem ganhado força. no prazo de dez dias.” (grifei) A superveniência da legislação alteradora manteve a proibição da redação anterior.666. Gilmar Mendes. o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo.. Diante da superveniência da legislação alteradora. segundo a jurisprudência do Supremo.) b) doação. após a decisão liminar do STF na ADIN.. observando-se. da Lei nº 9. salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.) I – (. § 1º. IRAN COELHO DAS NEVES “Art. CONS. (. o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão. (. será concedida com efeito ex nunc. no que couber. ressalvado o disposto nas alíneas f. O Min. 6 Art. de 10 de novembro de 19996. passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB.

Gilmar Mendes.Página21 de 33 . 1. Doação de imóvel público. CONS. garantindo a conservação do patrimônio público. 21 a 25 de abril de 2003. Condições.” (grifei) (TCE-PR. restringindo o alcance dessa revisão às ações diretas pendentes de julgamento e às que vierem a ser ajuizadas. O Min. Viabili- dade. (ii) a doação com encargos pode ser utilizada apenas em hipóteses excepcionais. 28 de novembro de 2013 – Sessão nº 45. para o fim de admitir o prosseguimento do controle abstrato nas hipóteses em que a norma atacada tenha perdido a vigência após o ajuizamento da ação. Gilmar Mendes.Tribunal Pleno. o julgamento foi adiado em virtude do pedido de vista da Ministra Ellen Gracie. ADI (QO-QO) 1. 23. quando constatada a impossibilidade ou a não vantajosidade da concessão real de uso. PROCESSO Nº: 99793/11.4.ICN-1694/2015 . ACÓRDÃO Nº 5330/13 . 7 Informativo STF Nº305. Mérito. Pessoa jurídica de direito privado. REV-G. considerando que a remessa de controvérsia constitucional já instaurada perante o STF para as vias ordinárias é incompatível com os princípios da máxima efetividade e da força normativa da Constituição. proferiu voto no sentido da revisão da jurisprudência do STF segundo a qual a ação direta perde seu objeto quando há a revogação superveniente da norma impugnada ou. 7 Min. relator.244-SP. seja em razão do seu caráter temporário. vejamos: “(i) a preferência pela concessão real de uso de imóveis públicos é vantajosa pela proteção ao direito de propriedade que permanece com o ente federativo. a jurisprudência caminha no sentido de admitir a doação de imóveis para viabilizar o desenvolvimento econômico. IRAN COELHO DAS NEVES Gilmar Mendes.2003. Após. Brasília. em se tratando de lei temporária.) “EMENTA: Consulta. seja pela revogação. quando sua eficácia já teria se exaurido -.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. (ADI-1244)” (grifei) No âmbito dos Tribunais de Contas. salientou não estar demonstrada nenhuma razão de base constitucional a evidenciar que somente no âmbito do controle difuso seria possível a aferição da constitucionalidade dos efeitos concretos de uma lei. rel.

alínea “i”. É recomendável que a doação se efetive com encargos. 5 Consideram-se casos de utilidade pública: (.” (grifei) o “Art.785. de 1999) (. Remessa.ICN-1694/2015 . 4º Os bens desapropriados serão objeto de venda ou locação. e justificado interesse público aferido na situação concreta. (Art.132/62 que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação (art.3. É viável a doação de imóvel público para particulares.. (Redação dada pela Lei nº 9.666/93.. § 1º) que considera de utilidade pública a construção ou ampliação de distritos industriais. em relação a Estados e Municípios..) REV-G. caput) e o Decreto Lei nº 3. Prejulgados.Página22 de 33 . Forma preferencial. necessário se faz esclarecer a questão da doação de imóvel público precedida de desapropriação. para sua melhor utilização econômica.. 4º.). desde que observadas as normas gerais (existência de autorização legislativa e avaliação prévia). b. IRAN COELHO DAS NEVES 1.. 1. conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. 2. o parcelamento do solo. Alienação de imóveis públicos. consolidada em prejulgados.2.” (TCE-SC. a execução de planos de urbanização. Lei Federal 8. matéria regulada pela Lei nº 4. em defesa do patrimônio público. CONS. que afasta a redação restritiva que admite a doação de imóvel apenas para outro órgão da Administração Pública. Processo nº CON-09/00674601. a quem estiver em condições de dar-lhes a destinação social prevista. A abordagem da matéria que recomenda que a Administração utilize a concessão de direito real de uso em lugar da doação de imóvel público. ADI 927-3/RS). com dispensa da lici- tação. 17. a construção ou ampliação de distritos industriais. com ou sem edificação. Interpretação do STF conforme a Constituição. deve ser encaminhada ao conhecimento do Consulente. Concessão de direito real de uso. I.365/41 (artigo 5º. pautando-se pelos princípios constitucionais aplicáveis à Administração. Relatório nº GCHJN/00486 /2010) Antes de analisar definitivamente a questão. i) a abertura. 1. higiênica ou estética. vejamos: “Art.1.

patrimoniopublico.Página23 de 33 . novamente.A construção ou ampliação de distritos industriais. inclui o loteamento das áreas necessárias à instalação de indústrias e atividades correlatas.S 78. de 1978)” (grifei) Vejamos. posteriormente. NÃO E POSSIVEL EXPROPRIAR 8 MÁRIO SÉRGIO DE ALBUQUERQUE SCHIRMER e MATEUS EDUARDO SIQUEIRA NUNES BERTONCINI ARRABAL.229. entendimento em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).” (grifei) O que se extrai das normas legais em comento é que os bens desapropriados pelo poder público somente podem ser objeto de venda ou locação. PRECEDENTES DO STF.>. Tese: Da Concessão de Benefícios Econômicos pelo Poder Público à Empresa Privada. NOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS N.296. 153. COM A DOAÇÃO DO LOTE DO BEM EXPROPRIADO A EMPRESAS PARTICULARES E PARA CONSTRUÇÃO DE CONJUNTOS HABITACIONAIS.mppr. vejamos: “DESAPROPRIAÇÃO. de que trata a alínea i do caput deste artigo. OFENSA DO ART. 4. Como Incentivo à Industrialização. REV-G. bem como a revenda ou locação dos respectivos lotes a empresas previamente qualificadas. ART.602. DECRETO MUNICIPAL DECLARATORIO DE UTILIDADE PÚBLICA E INTERESSE SOCIAL DE IMÓVEL URBANO.mp.pdf. a título de incentivo para instalar-se em seu território. não sendo permitida a doação. a sexta conclusão é de que o Poder Público não pode adquirir um bem de forma onerosa e.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. pois neste caso a lei 8 só admite venda ou locação. doá-lo à uma empresa privada de fins lucrativos. PARAGRAFO 22. Acesso em: 07/04/2015.. a doutrina dos promotores MÁRIO SÉRGIO DE ALBUQUERQUE SCHIRMER e MATEUS EDUARDO SIQUEIRA NUNES BERTONCINI ARRABAL: “Destarte. Disponível:<http://www.638 E 76. 84. MANDADO DE SEGURANÇA. CONS. DA CONSTITUIÇÃO. E NEGATIVA DE VIGENCIA DA LEI N. IRAN COELHO DAS NEVES § 1º . (Incluído pela Lei nº 6.br/arquivos/File/Artigos_Testes_Estudos/Tese_incentivo_empresas. 4132/1962. DESTINADO A AMPLIAÇÃO DO PARQUE INDUSTRIAL DO MUNICÍPIO.ICN-1694/2015 .

4132/1962. NO TODO OU EM PARTE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO. DECLARADA DE UTILIDADE PÚBLICA. EM FACE DA EXPRESSA DISPOSIÇÃO DO ART. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 3.. OU DE INTERESSE SOCIAL. A VENDA OU A LOCAÇÃO DO BEM EXPROPRIADO.” (RE 93308. MAS IMPROVIDOS. QUANTO A DESAPROPRIAÇÃO A QUE SE REFEREM.162. AI. Primeira Turma. DESAPROPRIAÇÃO DO IMÓVEL PARA DOAÇÃO A SOCIEDADE CIVIL. DE 13. A FIM DE SERVIR-LHE DE SEDE. Relator(a): Min.1957.” (RE 78229. MESMO SE FOR PARA AMPLIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. Tribunal Pleno. NA DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL. CABE AO PODER JUDICIARIO DECIDIR SE A DESAPROPRIAÇÃO CORRESPONDE A FINALIDADE CONSTITUCIONALMENTE PREVISTA DE DESTINAR-SE O BEM EXPROPRIADO A FINS DE NECESSIDADE OU UTILIDADE PUBLICAS. CONS. A EXPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL A FAVOR DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO SOMENTE SE LEGITIMA SE TRATAR DE CONCESSIONARIO DE SERVIÇOS PUBLICOS OU DE DELEGADO DE FUNÇÃO PÚBLICA. SERVIÇO - PÚBLICO. UTILIDADE AO PÚBLICA. POREM. DJ 1110-1985 PP-17861 EMENT VOL-01395-02 PP-00414) (grifei) “DESAPROPRIAÇÃO.1957 E DO DECRETO N. A SEGUIR. 4. IRAN COELHO DAS NEVES IMÓVEL.6.LEI QUE AUTORIZA DESAPROPRIAÇÃO DO IMÓVEL PARA SER DOADO A ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO. NÃO. ADMITE-SE. A GLEBA A PARTICULARES. DA LEI N. A FIM DE ESSES. DJ 06-12-1974 PP-09185 EMENT VOL-00970-02 PP-00467 RTJ VOL00072-03 PP-00479) (grifei) REV-G. DE 1. SOCIEDADE ENTIDADE QUE SERVE DESINTERESSADAMENTE A COLETIVIDADE. INEXISTÊNCIA DE DESEMPENHO DE FUNÇÕES OU SERVIÇOS PUBLICOS. A DOAÇÃO. DOANDO-SE. OU AFETADO. LOCALIZAREM SUA INDÚSTRIA.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. DECLARADA DE UTILIDADE PÚBLICA.Página24 de 33 . URBANO OU RURAL. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS CONHECIDOS PELA ALINEA 'B'.ICN-1694/2015 . PARA CONCEDER O MANDADO DE SEGURANÇA E ANULAR O ATO ADMINISTRATIVO IMPUGNADO. Relator(a): Min. . TÃO SÓ. julgado em 21/05/1985. INCONSTITUCIONALIDADE. NÉRI DA SILVEIRA. INCONSTITUCIONALIDADE DE DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL PARA SER-LHE DOADO. julgado em 12/06/1974.033. RODRIGUES ALCKMIN. O DECLARADA BEM DE EXPROPRIADO. EM OBRA DE BENEMERENCIA.8. 42.

alínea “i”. 4º. do Decreto Lei nº 3. em razão da vedação legal. como forma de incentivo à instalação de empresas.666/93). apenas e tão somente a venda e locação. 11.365/41 e seguindo a jurisprudência do STF (RE 93308 e RE 78229). de 2007. caput Lei nº 4. II. e seguindo a jurisprudência do STF que tem admitindo o prosseguimento dos processos em que a norma atacada tenha perdido a vigência após o ajuizamento da ação (QO da ADI 1244/SP). em razão da decisão liminar do STF na ADIN-927 que deu intepretação conforme a constituição ao artigo para restringir a vedação a União Federal e tem efeito erga omnes. § 1º.481. sendo possível.132/62 que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação e o artigo 5º. do Decreto Lei nº 3. no termos do art. Destarte.ICN-1694/2015 . conforme art. IRAN COELHO DAS NEVES Portanto.225. o imóvel doado não pode ter sido precedido de desapropriação pela administração publica. sendo permitida a doação.132/62.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. preferencialmente deve se adotar a “concessão de direito real de uso” (CDRU) que foi inserido pela Lei nº 11. com as devidas cautelas devendo ser feita com encargos e com cláusula de reversão (art. da Lei nº 9. bem como. de 10 de novembro de 1999. artigo 5º. de imóveis públicos (terrenos). apenas e tão somente a venda e locação. entendo não ser possível a posterior doação. caput Lei nº 4. da Lei 8.868. § 1º.365/41 e seguindo a jurisprudência do STF (RE 93308 e RE 78229). § 4º. barracão ou espaço com o intuito de ceder o uso por determinado período a empresa que vise REV-G. § 1º. em hipótese excepcionais. do Código Civil. no âmbito dos estados e municípios. 1. A quinta questão indaga: “É possível o Município alugar uma área. alínea “i”. sendo possível. no termos do art. no art.Página25 de 33 . nesse caso. inciso XII.5 – Questão “5”. 4º. CONS. na questão específica da desapropriação de imóvel de um particular pelo poder público. 17.

ICN-1694/2015 . da Lei 4. por se tratar de uma forma de subvenção econômica. nos termos do art. visando a industrialização. inciso II. 26.6 – Questão “6”. por ser uma forma de subvenção econômica. obedecidas determinadas condições. ampliar suas instalações no município. é possível ceder imóvel alugado para uma empresa privada que vise se instalar. da Lei Complementar nº 101) e. a contraprestação da iniciativa privada deve ser a geração de emprego e renda. REV-G. se tratam de técnicas de construção civil que são utilizadas em projeto de topografia. II. as políticas de incentivo a industrialização.Página26 de 33 . A sexta questão indaga: “É possível promover a terraplanagem. o poder público realizá-los como forma de incentivo a instalação de empresas privadas. CONS. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias. ou. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais (art. a cessão de um imóvel próprio ou alugado. 12. aterro e drenagem de área. IRAN COELHO DAS NEVES se instalar ou expandir suas instalações?” Como foi respondido no quesito de número “1” é possível destinar recursos para o setor privado.320/64). a uma empresa privada que vise se instalar no município pode ser considerada uma espécie de subvenção econômica. além disso. desde que obedecidas certas condições. da Constituição Federal e.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. Destarte. sendo possível. § 3º. 37. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art.320/64. portanto. drenagem de área como forma de incentivo a instalação de empresa?” Os serviços de terraplenagem. não menos importante. da Lei 4. aterro. 19. desde que.

37. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art. (. 12. da Lei 4. IRAN COELHO DAS NEVES Destarte.7 – Questão “7”. inciso II. além disso. da Lei Complementar nº 101) e. § 3º. II. de 21 de Junho de 9 Art.1989) REV-G.320/64. da Lei 4. alínea “i”. a contraprestação da iniciativa privada deve ser a geração de emprego e renda.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB.Página27 de 33 .. desde que obedecidas certas condições. 10 São considerados serviços ou atividades essenciais: I . promover a extensão de rede de água. incisos I e VI. gás e combustíveis. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. como forma de incentivo. é possível o poder público realizar serviços de terraplenagem. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias.) VI . do Decreto-Lei Nº 3. além disso. 5º. não menos importante. da Constituição Federal e.783/1989)9. (Lei nº 7. é um caso de utilidade pública (art.. luz ou esgoto até o local da instalação da empresa?” Os serviços públicos de fornecimento de água potável.captação e tratamento de esgoto e lixo. 10.6. nos termos do art.tratamento e abastecimento de água. por se tratarem de serviços ou atividades essenciais (art. da Lei nº 7. aterro e drenagem de área que se trata de técnicas de construção civil e são utilizadas em projeto de topografia como forma de incentivar a instalação de indústrias. energia e coleta e tratamento de esgoto podem ser realizados pelo poder público.365. por ser uma forma de subvenção econômica. 26. DOU de 29. as políticas de incentivo a industrialização. CONS. §1º.783/89.320/64). 19. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais (art. produção e distribuição de energia elétrica.ICN-1694/2015 . A sétima questão indaga: “É possível o Município. como forma de incentivar a instalação de empresas.

Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. atender às condições estabelecidas na lei REV-G.Página28 de 33 . à indústria ou empresa que vise instalar-se. IRAN COELHO DAS NEVES 1941).ICN-1694/2015 . 12. da Lei 4.PROCEDÊNCIA da CONSULTA formulada. acolho. de 21 de Junho de 1941). nos seguintes termos pela: I .365. ou mesmo ampliar suas instalações nos Municípios?” Resposta: (1. 19. desde que obedecidas certas condições. inciso II. da Lei nº 7. CONS.a) Nos termos do art. o poder público pode realizar a extensão dos serviços de fornecimento de água potável. 10. Ricardo Fávaro Neto. como forma de incentivar a instalação de empresas por se tratarem de serviços ou atividades essenciais (art. do Decreto-Lei Nº 3. entendida como entrega de pecúnia. através de petição a este Tribunal de Contas pelo prefeito municipal de ITAQUIRAÍ (MS). na forma de subvenções econômicas. II – RESPOSTA em tese. da Lei 4.320/64. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. o Parecer do Ministério Público de Contas (MPC) e reconheço a existência de dúvida ou controvérsia na aplicação das leis que regulam a matéria e VOTO. 5º. incisos I e VI. § 3º.320/64). é possível destinar recursos para o setor privado. §1º. energia e coleta e tratamento de esgoto.783/1989) e caso de utilidade pública (art. Destarte. parcialmente. aos quesitos apresentados pelo Consulente da seguinte forma: Quesito: “1ª Pergunta: "É possível a subvenção econômica. alínea “i”. VOTO Ante o exposto.

moralidade. ou pecúlio é necessário esclarecer que seria possível. Parágrafo único.c) Além disso. específico da subvenção econômica em dinheiro. que a empresa privada apresente boas condições financeiras (art. quais sejam: 1. da Lei nº 4. IRAN COELHO DAS NEVES de diretrizes orçamentárias.320/64) e exigindo a comprovação da capacidade jurídica e regularidade fiscal. entre eles o da legalidade. de gêneros alimentícios ou outros materiais. nos termos do art. da Constituição Federal. da LRF). publicidade e eficiência e.320/64. 21 da lei 4. CONS.ICN-1694/2015 .230/64?" REV-G. não menos importante. a contraprestação da iniciativa privada. da Lei 4. 18. as políticas de incentivo a iniciativa privada.b2) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. (1. deve ser a geração de emprego e renda.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em lei ou ao custo de captação (art. pelo Governo. 27. alínea “a” e “b”. 37. Quesito: “2ª Pergunta: "O que se entende como "auxílio que se incorporará no patrimônio da empresa". da Lei Complementar nº 101). no caso de empréstimos os encargos financeiros. somente nas estritas hipóteses do art. em razão dessas subvenções econômicas. 1. impessoalidade. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art. 26. (1. incluindo as subvenções econômicas. 17.b1) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais (art.Página29 de 33 .b) No caso.

as subvenções econômicas que são transferências correntes (art. deve se adotar a “concessão de direito REV-G. despesas de manutenção e outras despesas correntes que não se incorporam ao patrimônio da empresa são passíveis de serem concedidos?" Resposta: Sendo o auxílio financeiro uma transferência de capital (art. Quesito: “3ª Pergunta: "O Auxílio financeiro que vise cooperar com a indústria/empresa no sentido de custear despesas de aluguel. Parágrafo único.320/64. CONS. 21. 18. 13.320/64) que deriva diretamente da Lei do Orçamento (art. da Lei nº 4. IRAN COELHO DAS NEVES Resposta: Nos termos do art. 13.320/64). § 6º. é proibido consignar na Lei do Orçamento transferência de capital (auxílios) que sejam destinadas à despesa de capital (Investimentos) que contribuam para a formação ou aquisição de um bem de capital que se incorpore ao patrimônio de uma empresa privada de fins lucrativos (art. alínea “a” e “b”. da Lei 4. só poderia ser aplicado em uma despesa de capital. Quesito: “4ª Pergunta: “E possível a doação de terrenos ou a concessão de direito real de uso como forma de incentivo à instalação de empresas.a) Preferencialmente. respeitados os requisitos dispostos nas respectivas leis de incentivos fiscais?” Resposta: (4. 12. conforme está na resposta da pergunta de número “1”. como por exemplo.320/64).320/64. o que se evita e o engrandecimento do patrimônio dessas empresas diretamente através do repasse de recursos públicos. no caso das subvenções econômicas em dinheiro as duas hipóteses possíveis seriam as previstas no art. além disso. devendo ser utilizado outros instrumentos de forma indireta para incentivar a atividade econômica. não poderia ser utilizado para custear despesas correntes. ou seja. da Lei nº 4.320/64). 12. da Lei 4.Página30 de 33 . da Lei 4. da Lei nº 4.ICN-1694/2015 . portanto.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. § 4º e § 6º.

CONS. é possível ceder imóvel alugado para uma empresa privada que vise se instalar. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias. o imóvel doado não pode ter sido precedido de desapropriação de um particular pela administração pública. em razão da decisão liminar do STF na ADIN-927 que deu intepretação conforme a constituição ao artigo para restringir a vedação a União Federal e tem efeito erga omnes. barracão ou espaço com o intuito de ceder o uso por determinado período a empresa que vise se instalar ou expandir suas instalações?” Resposta: Nos termos do art. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. sendo possível.132/62. § 1º. conforme art.ICN-1694/2015 . desde que obedecidas certas condições. inciso XII. ou. sendo permitida a doação. nesse caso. de 10 de novembro de 1999. do Código Civil. em hipótese excepcionais. 17. 1.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. § 3º. no termos do art.Página31 de 33 . § 1º.320/64. ampliar suas instalações no município. 11. 4º.b) Além disso. do Decreto Lei nº 3. de 2007. 12. da Lei nº 9.666/93).225.481. da Lei 8. com as devidas cautelas devendo ser feita com encargos e com cláusula de reversão (art.365/41 e seguindo a jurisprudência do STF (RE 93308 e RE 78229).320/64). 19. no âmbito dos estados e municípios. Quesito: “5ª Pergunta: “É possível o Município alugar uma área. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais REV-G. da Lei 4. como forma de incentivo à instalação de empresas. e seguindo a jurisprudência do STF que tem admitindo o prosseguimento dos processos em que a norma atacada tenha perdido a vigência após o ajuizamento da ação (QO da ADI 1244/SP) (4. de imóveis públicos (terrenos). da Lei 4. por ser uma forma de subvenção econômica. alínea “i”. artigo 5º. § 4º. no art.868. caput Lei nº 4. apenas e tão somente a venda e locação. inciso II. IRAN COELHO DAS NEVES real de uso” (CDRU) que foi inserido pela Lei nº 11.

é possível o poder público realizar serviços de terraplenagem. desde que obedecidas certas condições. 19. como forma de incentivar a instalação de empresas por se tratarem de serviços ou atividades REV-G. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art. deve ter como norte a obediência aos princípios aplicáveis à administração pública do art.Página32 de 33 . a contraprestação da iniciativa privada deve ser a geração de emprego e renda. além disso. estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais (art. da Lei 4. drenagem de área como forma de incentivo a instalação de empresa?” Resposta: Nos termos do art. como forma de incentivo. da Constituição Federal e. da Lei Complementar nº 101) e. 26. não menos importante. Quesito: “7ª Pergunta: “É possível o Município. CONS. da Lei Complementar nº 101) e. aterro.ICN-1694/2015 . energia e coleta e tratamento de esgoto. promover a extensão de rede de água. além disso. não menos importante.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. as políticas de incentivo a industrialização. como forma de incentivar a instalação de indústrias. Quesito: “6ª Pergunta: “É possível promover a terraplanagem. atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias. como ter sido expressamente autorizada em lei especial (art. inciso II. luz ou esgoto até o local da instalação da empresa?” Resposta: O poder público pode realizar a extensão dos serviços de fornecimento de água potável. da Constituição Federal e. 37. as políticas de incentivo a industrialização. § 3º. IRAN COELHO DAS NEVES (art. da Lei 4. aterro e drenagem de área que se trata de técnicas de construção civil e são utilizadas em projeto de topografia.320/64.320/64). por ser uma espécie de subvenção econômica. 26. 12. a contraprestação da iniciativa privada deve ser a geração de emprego e renda. 37.

140. de 21 de Junho de 1941). Campo Grande .ICN-1694/2015 . É como voto.Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul GAB. alínea “i”.783/1989) e caso de utilidade pública (art. CONS. III – PUBLICAÇÃO na forma de Parecer-C no Diário Oficial.º 076/2013 (RITC/MS). IRAN COELHO DAS NEVES essenciais (art. do Decreto-Lei Nº 3.Página33 de 33 . 5º.365.MS. da Resolução Normativa TC/MS n. da Lei nº 7. CONSELHEIRO IRAN COELHO DAS NEVES Relator REV-G. §1º. 27 de abril de 2015. com fulcro no art. incisos I e VI. 10.