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As comunidades quilombolas e seu papel no processo de

desenvolvimento
A desigualdade social no Brasil tem raízes históricas. O processo de
colonização assentado na mão-de-obra escrava resultou na exclusão de uma
camada da sociedade brasileira. O estabelecimento do latifúndio agrário, com
a crescente demanda europeia por produtos tropicais, tornou possível a
expansão de um sistema agrário muito desigual. A grande propriedade rural,
como unidade de produção, fundava-se na exploração inicialmente do braço
indígena como mão-de-obra e, em seguida, do braço escravo. Com o fim da
escravidão, os negros foram deixados à margem, sendo vistos como um
obstáculo ao desenvolvimento em razão de não serem considerados
empreendedores ou disciplinados.
Nos anos recentes, denominados como grupos quilombolas passaram a ocupar
lugar de destaque nas discussões a respeito de alternativas de
desenvolvimento com conservação da biodiversidade. Essa perspectiva
favorável à inclusão social deve-se ao ecologismo dos movimentos sociais a
partir de meados dos anos 80, um ambientalismo ligado às questões sociais, o
qual passou a questionar a expansão urbano-industrial em territórios com
espaços e recursos de uso comum, pois agrediam o modo de vida tradicional.
Ademais, muitos territórios passaram a ser áreas protegidas, tornando
proibidas muitas atividades de subsistência das comunidades nelas inseridas.
Estudos sobre os impactos nessas comunidades passaram a se propagar, com
o intuito de comprovar as ameaças ao modo de vida tradicional dessas
populações (DIEGUES, 2008). O deslocamento desses grupos para o centro das
discussões e experiências em curso está relacionado a uma busca por outras
noções de desenvolvimento, atentas a questões ambientais e socioculturais,
cujas premissas não se assentem unicamente ao crescimento econômico.
Vários outros autores corroboram com a ideia de que essas populações são
atores centrais na conservação, recuperação e uso sustentável dos recursos
localizados no entorno (SACHS, 1993). Essas comunidades vêm fortalecendo
seus meios de luta e sua participação ativa na sociedade, de modo a saírem da
condição de subcidadãos. Em termos legislativos, dois aspectos favoreceram
tal transformação: a inclusão na Constituição de 1988 do artigo 68 das
Disposições Transitórias de Direitos Territoriais aos Remanescentes de
Quilombos, os quais podem participar diretamente ou indiretamente dos
procedimentos administrativos para a identificação, o reconhecimento, a
delimitação, a demarcação e a titulação da propriedade definitiva das terras
ocupadas por eles. E o Decreto 6.040/2007 que institui a Política Nacional de
Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais,
garantindo o reconhecimento e valorização das diversidades culturais, assim
como a promoção da melhoria da qualidade de vida dos mesmos nas gerações
atuais e futuras.
Hoje, essas comunidades continuam no meio rural; já se observa o surgimento
de novos atores e estruturas sociais, políticas federais sendo empreendidas por
iniciativa de prefeituras, em parceria com a iniciativa privada, com
organizações da sociedade civil, que incentivam ações locais com empresas
públicas tentando reverter a situação desprivilegiada na qual as comunidades
se encontram, levando em conta questões socioeconômicas e ambientais. Mas

br .é preciso fazer mais! Andréa Kanikadan – professora do curso de Administração Pública da UFAL. Campus Arapiraca. e-mail: andra.ufal.kanikadan@arapiraca.