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A

partir
de
quando
se
considera que um casal vive
em união de facto e quais os
outros requisitos?
PERGUNTAS

A união de facto corresponde a uma comunhão de leito, de
habitação e de mesa, tal como entre pessoas casadas, mas
sem o vínculo formal do casamento. Este tipo de relação é
possível entre pessoas de sexo diferente ou do mesmo sexo.
Os elementos de uma união de facto não podem ter menos
de 18 anos, ser casados, parentes próximos ou ter sido
condenados por matar ou tentar matar o cônjuge do outro.
Para que se possa dizer que duas pessoas vivem em união de facto
exigem-se dois anos de vida em comum. A união de facto não está
sujeita ao registo civil, o que torna complexo determinar quando
começou. Isto tem grande importância, pois os efeitos pessoais e
patrimoniais começam a produzir-se dois anos após início da união.
Muitas vezes a única prova que existe é testemunhal.
Quanto aos direitos e obrigações decorrentes da união de facto, a
tendência é a da equiparação ao casamento. Nem o direito da União
Europeia nem a Constituiçãoimpõem um tratamento jurídico
absolutamente idêntico, desde que as diferenciações não sejam
arbitrárias ou desproporcionadas, tenham em conta todos os direitos
e interesses em causa, e respeitem o princípio da igualdade.

Pode pedir-se a pensão de viuvez
por morte da pessoa com quem se
vivia em união de facto?
PERGUNTAS

Sim.
Quer o falecido seja funcionário da Administração Pública, regional ou local ou
beneficiário do regime geral da Segurança social, o companheiro que sobrevive

temdireito ao subsídio por morte e à pensão de sobrevivência. continua a existir uma diferença no que toca ao reconhecimento da paternidade de filhos nascidos fora do casamento. Ao longo dos últimos anos. pois tem direito à «protecção na eventualidade de morte do beneficiário» que o sistema de segurança social integra. Basta que prove que a união de facto existia há mais de dois anos quando o óbito ocorreu. A prova pode ser feita através de filhos comuns. Assim. Neste caso. porém. o que normalmente sucede é o reconhecimento da paternidade ocorrer de modo espontâneo. Porém. facturas que demonstrem a mesma residência ou testemunho de vizinhos. ao contrário do que sucede com os filhos nascidos e concebidos durante o casamento. caso os dois tenham feito uma declaração. pode igualmente reclamar o subsídio por morte e a pensão de sobrevivência. a paternidade terá de resultar de um reconhecimento voluntário pelo pai (a que se chama perfilhação) ou de uma declaração do tribunal (após uma acção de investigação da paternidade). a união de facto tem vindo a ser equiparada ao casamento de tal modo que os filhos nascidos de uniões de facto têm hoje exactamente os mesmos direitos que os filhos nascidos de casamentos. Os filhos nascidos numa união de facto têm exactamente os mesmos direitos dos filhos de casamentos? PERGUNTAS Sim. no caso dos filhos nascidos de uma união de facto alei facilita muito a acção de investigação de paternidade ao presumir que o pai da criança é a pessoa que vivia com a mãe no momento da concepção. em uniões de facto ou em qualquer outra situação têm exactamente os mesmos direitos. sob compromisso de honra. declaração fiscal conjunta. Se o casal for do mesmo sexo. . os filhos nascidos em casamentos. apesar de o reconhecimento da paternidade não poder ser tido como automático. o reconhecimento da paternidade não é automático no caso de crianças nascidas fora do casamento. nestes casos de união de facto. Também é possível apresentar um documento da junta de freguesia. de que viviam juntos há mais de dois anos. Em todo o caso.

pode suscitar dificuldades a atribuição dos bens que nela havia. mas com dinheiro do outro certo bem. não há bens comuns sujeitos a partilha uma vez finda a vida em comum. Não se podendo aplicar as normas que regulam os efeitos patrimoniais do casamento (as mesmas estipulam expressamente que só respeitam ao casamento).Existem partilhas após a dissolução da união de facto? PERGUNTAS Normalmente. o direito a alimentos e a garantia de habitação. contas bancárias em nome dos dois. na sua falta. existem bens adquiridos pelos membros do casal. não. se um dos unidos de facto adquiriu em seu nome. Ou seja. o enriquecimento sem causa determina que quem enriquecer sem causa justificativa à custa de outrem terá de restituir aquilo de que se apoderou. as regras gerais de direito (o direito comum para quaisquer relações obrigacionais ou outras). Se não houver nenhuma combinação prévia. Quanto ao mais. os unidos de facto são ambos proprietários de um bem (móvel ou imóvel). há sempre que decidir o destino dos bens. Dissolvida a relação. a situação terá de ser analisada numa perspectiva da compropriedade ou então do enriquecimento sem causa. embora não equipare as duas figuras. A união de facto pode terminar por ruptura — por mútuo consentimento ou por vontade de um dos membros — ou devido à morte de um deles. Os efeitos prendem-se com a assistência social. Por seu lado. não se aplicam as regras que disciplinam os efeitos patrimoniais do casamento. aplicam-se as regras que tenham sido acordadas no contrato de coabitação eventualmente celebrado e. quando uma pessoa adquiriu bens com a colaboração de outra no âmbito de uma relação de união de facto. dívidas contraídas por um ou por ambos. na proporção do que cada um deles tiver contribuído para a sua aquisição. a união de facto não está sujeita a um regime de bens. A lei atribui à união de facto alguns efeitos jurídicos idênticos aos do casamento. Segundo a compropriedade. Frequentemente. etc. Por isso. dissolvida a união não pode entender-se que o bem é apenas do que formalmente o adquiriu. . No entanto. Na união de facto. A aplicação de tal regra formal levaria a que um dos membros da união enriquecesse à custa do outro sem qualquer razão.