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23/03/2015

Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. 121, § 2º, VI, do CP)

dizerodireito.com.br

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Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. 121, § 2º, VI,
do CP)
quarta­feira, 11 de março de 2015

Introdução
Foi publicada ontem (10/03/2015), a Lei n.° 13.104/2015, que:
• prevê o FEMINICÍDIO como qualificadora do crime de homicídio; e
• inclui o FEMINICÍDIO no rol dos crimes hediondos.

Vejamos algumas impressões iniciais a respeito da novidade legislativa.

O que é feminicídio?
Feminicídio é o homicídio doloso praticado contra a mulher por “razões da condição de sexo feminino”, ou
seja, desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da vítima enquanto mulher, como se as
pessoas do sexo feminino tivessem menos direitos do que as do sexo masculino.

Feminicídio X femicídio
Existe diferença entre feminicídio e femicídio?
• Femicídio significa praticar homicídio contra mulher (matar mulher);
• Feminicídio significa praticar homicídio contra mulher por “razões da condição de sexo feminino” (por
razões de gênero).

A nova Lei trata sobre FEMINICÍDIO, ou seja, pune mais gravemente aquele que mata mulher por “razões
da condição de sexo feminino” (por razões de gênero). Não basta a vítima ser mulher.

Como era a punição do feminicídio?
Antes da Lei n.° 13.104/2015, não havia nenhuma punição especial pelo fato de o homicídio ser praticado
contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Em outras palavras, o feminicídio era punido, de
forma genérica, como sendo homicídio (art. 121 do CP).
A depender do caso concreto, o feminicídio (mesmo sem ter ainda este nome) poderia ser enquadrado
como sendo homicídio qualificado por motivo torpe (inciso I do § 2º do art. 121) ou fútil (inciso II) ou, ainda,
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 Maria da Penha Maia Fernandes. A Lei n. Foi acrescentado o inciso VI ao § 2º do art. do CP) em virtude de dificuldade da vítima de se defender (inciso IV). o chamado feminicídio não era previsto na Lei n. No entanto. A Lei Maria da Penha não traz um rol de crimes em seu texto. Confira: Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: (.com.. idosa. Mulher que mata sua companheira homoafetiva: pode haver feminicídio se o crime foi por razões da http://www. que o feminicídio.° 11. Vale ressaltar que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha poderão ser aplicadas à vítima do feminicídio (obviamente. ter sido vítima de feminicídio duas vezes (tentado). deve agora ser punido como homicídio qualificado. A Lei n. 121.° 13.104/2015 acrescentou um sexto inciso ao rol do § 2º para tratar do feminicídio. adulta. § 2º. salvo uma pequena alteração feita no art. apesar de a Sra. mas sem tipificar novas condutas. 121 do CP O rol de qualificadoras do homicídio encontra­se previsto no § 2º do art.° 13.. Esse não foi seu objetivo. expressamente.) Feminicídio VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: Pena ­ reclusão.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art.340/2006 trouxe regras processuais instituídas para proteger a mulher vítima de violência doméstica.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do.° 11.340/2006. 129 do CP. desde que do sexo feminino).dizerodireito. O sujeito ativo do feminicídio normalmente é um homem. 121 do CP.104/2015 veio alterar esse panorama e previu. que deu nome à Lei. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa (trata­se de crime comum). A Lei n. Desse modo. A Lei Maria da Penha já não punia isso? NÃO. Sujeito passivo Obrigatoriamente deve ser uma pessoa do sexo feminino (criança. o certo é que não existia a previsão de uma pena maior para o fato de o crime ser cometido contra a mulher por razões de gênero.html 2/11 . de doze a trinta anos. VI. mas também pode ser mulher. desde que na modalidade tentada).

 sendo ponto polêmico.html 3/11 . sob o ponto de vista estritamente genético. como o inverso. Importante. a transexualiade é um transtorno de identidade de gênero. Esse fato continua sendo. mas. o que lhe causa intenso sofrimento. que pode ocorrer tanto para redesignação do sexo masculino em feminino. utilizando­se a pele do pênis ou de parte da mucosa do intestino grosso. a homossexualidade (não se fala homossexualismo) está ligada à orientação sexual. Segundo a Organização Mundial de Saúde. Vítima homossexual (sexo biológico masculino): não haverá feminicídio. A travesti (sempre utiliza­se o artigo no feminino). por sua vez. 121. continua sendo pessoa do sexo masculino.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. diferentemente dos transexuais. O Conselho Federal de Medicina editou a Resolução 1652/2002­CFM regulamentando os requisitos e protocolos médicos necessários para a realização da cirurgia de transgenitalização. VI. considerando que o sexo físico continua sendo masculino. dentre elas a cirurgia de redesignação sexual (transgenitalização). Transexual. na retirada dos testículos e a construção de uma vagina (neovagina). ou seja. por isso. do CP) condição de sexo feminino. eis que esta é a expressão de sua personalidade. afetiva ou sexual por pessoas do mesmo gênero. considerando que o sexo físico continua sendo masculino. passando a ser considerada mulher para todos os fins de direito? NÃO. o transexual tem uma identidade de gênero (sexo psicológico) diferente do sexo físico. possui identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico. em simples palavras. inclusive de alterar seu nome e http://www. Transexual que realizou cirurgia de transgenitalização (neovagina) pode ser vítima de feminicídio se já obteve a alteração do registro civil. Não se discute que a ela devem ser assegurados todos os direitos como mulher. tem direito. Vítima travesti (sexo biológico masculino): não haverá feminicídio. ainda.com. obviamente. homicídio. mas em simples palavras. Existem algumas formas de acompanhamento médico oferecidas ao transexual. Homem que mata seu companheiro homoafetivo: não haverá feminicídio porque a vítima deve ser do sexo feminino.dizerodireito.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. mesmo após a cirurgia. na maioria dos casos. a pessoa tem atração emocional. § 2º. A cirurgia para a transformação do sexo masculino em feminino é chamada de “neocolpovulvoplastia” e consiste. É assim que ela se sente e. A transexual. esclarecer que transexual não é o mesmo que homossexual ou travesti. não deseja realizar a cirurgia de redesignação sexual. Assim. homossexual e travesti. Diferenças Transexual é o indivíduo que possui características físicas sexuais distintas das características psíquicas. O homossexual não possui nenhuma incongruência de identidade de gênero. A definição de cada uma dessas terminologias ainda está em construção. A identidade de gênero é o gênero como a pessoa se enxerga (como homem ou mulher).

 a pretexto de respeitar a livre expressão sexual do transexual.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. considerando que sua identidade sexual é feminina. contudo. Deve­se salientar. 5º) e nas legislações internacionais. equiparar a transexual à vítima do sexo feminino. § 2º­A Considera­se que há “razões de condição de sexo feminino” quando o crime envolve: I ­ violência doméstica e familiar; II ­ menosprezo ou discriminação à condição de mulher. que a transexual que realizou a cirurgia pode sim ser vítima de feminicídio. afinal. no § 2º­A do art. a transexual que realizou a cirurgia e passou a ter identidade sexual feminina é equiparada à mulher para todos os fins de direito. A bancada feminina acabou aceitando a mudança para viabilizar a aprovação do projeto. ou seja.com. A redação é confusa. a bancada de parlamentares evangélicos pressionou para que a “gênero” da proposta inicial fosse substituída por “sexo feminino”. tão fundamental como o direito à expressão de sua própria sexualidade. truncada e não explica nada.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. fundamental e inquestionável. do CP) documentos. legitimamente. é o direito à liberdade e às garantias contra o poder punitivo do Estado. No entanto. em sentido contrário. uma norma penal interpretativa. que. Mas. menos para agravar a situação do réu. valer­se de analogia para punir o agente. Trata­se de um direito seu. a Prof. Alice Bianchini. § 2º. Enfim. VI. com objetivo de afastar a possibilidade de que transexuais fossem abarcados pela lei. que. Razões de condição de sexo feminino “Razões de gênero” foi substituída no Congresso A expressão escolhida é péssima. a locução prevista para o tipo era: se o homicídio é praticado “contra a mulher por razões de gênero”. um dispositivo para esclarecer o significado dessa expressão. Não pode o intérprete.html 4/11 . 121. em obediência ao princípio da estrita legalidade. em palestra disponível no Youtube. No projeto de lei. o que são “razões de condição de sexo feminino”? O legislador previu. durante os debates. O legislador tinha a opção de. 121. em direito penal. maior especialista do Brasil sobre o tema. Melhor seria se tivesse sido mantida a redação original. Porém.dizerodireito. não o fez. aliás. Isso porque. defende. Violência doméstica e familiar (inciso I) Haverá feminicídio quando o homicídio for praticado contra a mulher em situação de violência doméstica e http://www. Ocorre que. é utilizada na Lei Maria da Penha: “configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero” (art. somente se admitem equiparações que sejam feitas pela lei. até porque são plenamente equiparáveis.

 além de a vítima ser mulher. Por outro lado. fique caracterizado que o crime foi motivado ou está relacionado com o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. uma motivação baseada no gênero (“razões de condição de sexo feminino”). compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados. já que. ainda que a violência aconteça no ambiente doméstico ou familiar e mesmo que tenha a mulher como vítima. compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas. inclusive as esporadicamente agregadas; II ­ no âmbito da família.2: companheiro que mata sua companheira porque quando ele chegou em casa o jantar não estava pronto. em sua visão. o legislador ampliou bastante o conceito de feminicídio.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. ela. do CP) familiar. Ao afirmar isso. É preciso contextualizar o tema e buscar a interpretação sistemática. não haverá feminicídio se não existir. lesão.html 5/11 . será indispensável que o crime envolva motivação baseada no gênero (“razões de condição de sexo feminino”). disputam a herança do pai falecido; determinado dia. 121. Menosprezo ou discriminação à condição de mulher (inciso II) Para ser enquadrado neste inciso. Pela interpretação literal. tendo a motivação do delito sido meramente patrimonial. independentemente de coabitação. mas não será feminicídio porque não foi um homicídio baseado no gênero (não houve violência de gênero. Ex: funcionário de uma empresa que mata sua colega de trabalho em virtude de ela ter conseguido a promoção em detrimento dele. que vivem na mesma casa. socorrendo­se da definição de “violência doméstica e familiar” encontrada no art.com. Ocorre que a interpretação literal e isolada do inciso I não me parece a melhor. sofrimento físico. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I ­ no âmbito da unidade doméstica. que assim a conceitua: Art. no caso concreto. menosprezo à condição de mulher). Ex: duas irmãs. VI. não seria indispensável que o delito tivesse relação direta com razões de gênero. não estaria capacitada para a função. é necessário que. conclui­se que. haveria feminicídio. unidos por laços naturais. pela redação literal do inciso I não seria necessário discutir os motivos que levaram o autor a cometer o crime.dizerodireito.° 11. na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida. uma delas invade o quarto da outra e a mata para ficar com a totalidade dos bens para si; esse crime foi praticado com violência doméstica. por afinidade ou por vontade expressa; III ­ em qualquer relação íntima de afeto.340/2006 (Lei Maria da Penha). Ex. já que envolveu duas pessoas que tinha relação íntima de afeto. com ou sem vínculo familiar. Desse modo. § 2º.1: marido que mata a mulher porque acha que ela não tem “direito” de se separar dele; Ex. configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. 5º Para os efeitos desta Lei. http://www. por ser mulher. 121. Tendo sido praticado homicídio (consumado ou tentado) contra pessoa do sexo feminino envolvendo violência doméstica. já que. 5º da Lei n.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. mesmo no caso do feminicídio baseado no inciso I do § 2º­A do art.

 Ex: João deseja matar sua esposa (Maria) e. Natureza da qualificadora A qualificadora do feminicídio é de natureza subjetiva. Veja: § 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: I – durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; http://www.com. É possível aplicar o privilégio do § 1º ao feminicídio? É possível que exista feminicídio privilegiado? NÃO. que não se importa com os motivos do mandante.dizerodireito. para tanto. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal. Logo. § 2º. ou sob o domínio de violenta emoção. Por ser qualificadora subjetiva. § 2º. contrata o pistoleiro profissional Pedro. Impossibilidade de feminicídio privilegiado O § 1º do art. 121.104/2015 previu também três causas de aumento de pena exclusivas para o feminicídio. ou seja. Tipo subjetivo O feminicídio pode ser praticado com dolo direto ou eventual. VI) e Pedro por homicídio qualificado mediante paga (art. 121 do CP prevê a figura do homicídio privilegiado nos seguintes termos: § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. do CP) Tentado ou consumado O feminicídio pode ser tentado ou consumado. logo em seguida a injusta provocação da vítima. 121. para isso. salvo se eles também tiverem a mesma motivação. está relacionada com a esfera interna do agente (“razões de condição de sexo feminino”).html 6/11 . 121. salvo quando elementares do crime. não é possível que haja feminicídio privilegiado.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. Ademais. No entanto.° 13. não se trata de qualificadora objetiva porque nada tem a ver com o meio ou modo de execução. a qualificadora é subjetiva. I); a qualificadora do feminicídio não se estende ao executor. A jurisprudência até admite a existência de homicídio privilegiado­qualificado. em caso de concurso de pessoas. 30 do CP: Art. § 2º. 30. VI.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. Causas de aumento de pena A Lei n. No caso do feminicídio. por força do art. essa qualificadora não se comunica aos demais coautores ou partícipes. é necessário que a qualificadora seja de natureza objetiva. ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. já que seu intuito é apenas lucrar com a execução; João responderá por feminicídio (art.

 bisavô. Como o tipo utiliza a expressão “com deficiência”. visual.° 3. por exemplo. apresenta uma fragilidade (debilidade) maior. A vítima. § 2º. visual. A razão de ser dessa causa de aumento está no fato de que. por meio de webcam. É o caso. No art. 3º. auditiva. no momento do crime. necessariamente.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. fato que irá gerar graves transtornos psicológicos. durante a gravidez ou logo após o parto. o tipo não exige a presença física do ascendente ou descendente. Importante esclarecer algo muito importante: semanticamente.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. Aumento: de 1/3 até a 1/2.298/99. maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência; III – na presença de descendente ou de ascendente da vítima. no momento do crime. do CP) II – contra pessoa menor de 14 (quatorze) anos. era idosa ou deficiente. mais reprovável a conduta. avô. em que o filho da vítima presencia. Ascendente: é o pai. VI. Poderá haver esta causa de aumento mesmo que o ascendente ou descendente não esteja fisicamente no mesmo ambiente onde ocorre o homicídio. revelando­se. mãe. 4º são conceituadas as diversas categorias de deficiência (física.com. quando se fala que foi praticado “na presença de alguém”.html 7/11 . Aqui a razão do aumento está no intenso sofrimento que o autor provocou aos descendentes ou ascendentes da vítima que presenciaram o crime. Assim. dentro do padrão considerado normal para o ser humano” (art. Inciso III: A pena imposta ao feminicídio será aumentada se o delito foi praticado na presença de descendente ou de ascendente da vítima. isso não significa. mental ou múltipla). a mulher encontra­se em um estado físico e psicológico de maior fragilidade e sensibilidade. mesmo sem estar fisicamente no local do homicídio. assim. a vítima (mulher) estava grávida ou havia apenas 3 meses que ela tinha tido filho(a). http://www. avó. sendo definida como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. I). nesses três casos. Inciso I: A pena imposta ao feminicídio será aumentada se. devemos entendê­la em sentido amplo. bisavó e assim por diante. mental e múltipla). Inciso II: A pena imposta ao feminicídio será aumentada se. que a pessoa que presenciou estava fisicamente no local. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. auditiva. O conceito de deficiência está previsto no Decreto n.dizerodireito. 121. de forma que a conduta do agente se revela com alto grau de covardia. de forma que incidirá a causa de aumento em qualquer das modalidades de deficiência (física. o agente matar sua mãe; ele terá presenciado o crime. a mulher (vítima) tinha menos de 14 anos.

 o processo será redistribuído para a Vara do Tribunal do Júri.com. Min. a incidência da agravante do at. Assim. VI. o agente responderá pelo art. bisneto(a) etc. Segundo já decidiu o STF. 121. que ela era menor que 14 anos. ele precisa saber que a vítima estava grávida. 121. o agente deve ter ciência das situações expostas nos incisos. deverá ser feito no Tribunal do Júri (STF. 61. HC 102150/SC.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. ou seja. Teori Zavascki. tio) ou na presença do cônjuge da vítima. “h”. do CP) Descendente: é o filho(a). 61.html 8/11 . julgado em 27/5/2014. se envolveu violência doméstica. não podendo fazer incidir as agravantes que tenham o mesmo fundamento sob pena de incorrer em bis in idem.dizerodireito. Atenção: não haverá a causa de aumento se o crime é praticado na presença de colateral (ex: irmão. essa previsão é válida. II. VI com a causa de aumento do inciso II do § 7º; não haverá. Dolo: para que incidam tais causas de aumento. Info 748). Agravantes genéricas e bis in idem: Algumas dessas causas de aumento especiais são também previstas como agravantes genéricas no art. Competência Se o feminicídio ocorre com base no inciso I do § 2º­A do art. a Vara de Violência Doméstica será competente para instruir o feito até a fase de pronúncia. 121. aplica­se a regra geral e todo o processo tramitará na Vara do Tribunal do Júri. § 2º. No caso de feminicídio. A partir daí. II. § 2º.° 13. a Lei de Organização Judiciária poderá prever que a 1ª fase do procedimento do júri seja realizada na Vara de Violência Doméstica em caso de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de violência doméstica. em caso de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de violência doméstica. contudo. Ex: se o feminicídio é praticado contra mulher idosa. Situação 1: existem alguns Estados que. Não haverá usurpação da competência constitucional do júri. ou seja. do CP.072/90 e passou a prever que o feminicídio é crime http://www. Crime hediondo A Lei n. neto(a). 2ª Turma. que tinha deficiência etc. 1º da Lei n. Apenas o julgamento propriamente dito é que.° 8. em sua Lei de Organização Judiciária preveem que. Rel. Situação 2: se a lei de organização judiciária não prever expressamente essa competência da Vara de Violência Doméstica para a 1ª fase do procedimento do Júri. a competência para processar este crime será da vara do Tribunal do Júri ou do Juizado Especial de Violência Doméstica (“Vara Maria da Penha”)? Dependerá da Lei estadual de Organização Judiciária. o magistrado deverá aplicar apenas as causas de aumento.104/2015 alterou o art.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. obrigatoriamente.

° 11. Admite a concessão de sursis. do CP) hediondo. 77 do CP. prorrogável por igual período. O prazo da prisão temporária. Admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. semiaberto ou aberto. salvo no caso do tráfico de drogas por força do art. Admite liberdade provisória. NÃO admite a concessão de anistia. http://www. Para a concessão do livramento condicional. cumpridos os requisitos do art.dizerodireito.html 9/11 . O que muda no fato de o feminicídio tornar­se crime hediondo? Quais são as diferenças entre o crime comum e o crime hediondo? CRIME COMUM CRIME HEDIONDO (OU EQUIPARADO) Em regra admite fiança. O regime inicial de cumprimento da pena pode ser fechado. quando cabível. O prazo da prisão temporária. Admite liberdade provisória.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. 44 da Lei n. será de 30 dias. 44 do CP). desde que a prisão não seja necessária.343/2006. 44 do CP). o condenado não pode ser reincidente específico em crimes hediondos ou equiparados e terá que cumprir mais de 2/3 da pena. O réu pode apelar em liberdade. a depender do fato de ser ou não reincidente em crime doloso. Admite a concessão de sursis. prorrogável por igual período. O réu pode apelar em liberdade. NÃO admite fiança. será de 5 dias. cumpridos os requisitos do art. O regime inicial de cumprimento da pena pode ser fechado. graça e indulto. § 2º. desde que a prisão não seja necessária. Para a concessão do livramento condicional. Admite a concessão de anistia. 77 do CP. quando cabível.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. VI. Admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. graça e indulto. 121.com. semiaberto ou aberto. o apenado deverá cumprir 1/3 ou 1/2 da pena.

 VI). http://www. além de. 121. discriminações e sofrimentos por questões relacionadas ao gênero. Marco Aurélio. nos termos do art. ter sido vítima de submissões. 121. Assim. de uma ação afirmativa (discriminação positiva) em favor da mulher. ou seja. agora. 288 do CP (associação criminosa) é de 1 a 3 anos. A Lei n. § 2º. a Lei do Feminicídio. A pena do art. se for primário; e 3/5 (três quintos). o condenado deverá ter cumprido 1/6 da pena. sob o aspecto físico. do CP) Para que ocorra a progressão de regime. § 2º. de sorte que. adotada em diversos países do mundo. Vigência e irretroatividade A Lei n. não responderá por feminicídio (art. Constitucionalidade A qualificadora do feminicídio é inconstitucional por violar o princípio da igualdade? NÃO. por isso.104/2015 entrou em vigor no dia 10/03/2015. ADC 19/DF. 9/2/2012).340/2006) e na oportunidade decidiu que é possível que haja uma proteção penal maior para o caso de crimes cometidos contra a mulher por razões de gênero (STF. se for reincidente.° 13. a partir desta data. dessa forma. 121. rel. são instrumentos que promovem a igualdade em seu sentido material.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do.104/2015 é mais gravosa e. Ademais. não tem efeitos retroativos. no contexto histórico.° 11.html 10/11 . VI. Trata­se. a criminalização especial e mais gravosa do feminicídio é uma tendência mundial.dizerodireito. O STF enfrentou diversos questionamentos nesse sentido ao julgar a ADC 19/DF proposta em relação à Lei Maria da Penha (Lei n.com. VI. Min. de forma que se a pessoa.° 13. 288 do CP (associação criminosa) será de 3 a 6 anos quando a associação for para a prática de crimes hediondos ou equiparados. a Lei Maria da Penha e. Isso porque. do CP. § 2º. Plenário. Na visão da Corte. praticou o crime de homicídio contra mulher por razões da condição de sexo feminino responderá por feminicídio. homicídio qualificado. a mulher é mais vulnerável que o homem. o condenado deverá ter cumprido: 2/5 da pena.23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art. A pena do art. quem cometeu homicídio contra mulher por razões da condição de sexo feminino até 09/03/2015. Para que ocorra a progressão de regime. não há violação do princípio constitucional da igualdade pelo fato de haver uma punição maior no caso de vítima mulher.

23/03/2015 Dizer o Direito: Comentários ao tipo penal do feminicídio (art.dizerodireito. 121. VI. do CP) Márcio André Lopes Cavalcante Professor. Juiz Federal. Promotor de Justiça e Procurador do Estado. Foi Defensor Público.html 11/11 .com.br/2015/03/comentarios­ao­tipo­penal­do. § 2º. http://www.