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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO

PARÁ A QUAL ESTE COUBER POR DISTRIBUIÇÃO LEGAL

Ref. Inquérito Civil Público nº 1.23.000.000693/2013-11
O

MINISTÉRIO

PÚBLICO

FEDERAL,

oficiando

neste

feito

o

Procurador da República infra assinado, com fundamento no art. 225, §3º da
Constituição da República, arts. 1º, I e IV, e 5º da Lei nº 7.347/85 (Ação Civil
Pública), os artigos 70, 4º e 72, II, da Lei 9.605/98 vem promover a presente Ação
Civil Pública ambiental em face de:

PDG REALTY S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES,
pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº
████████, localizada na ████, Belém-PA.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, empresa pública federal,
com personalidade jurídica de direito privado, na pessoa
de seu representante legal, com endereço na Tv. Padre
Eutíquio, 853, Comércio, nesta cidade, pelas razões de
ordem fática e jurídica a seguir aduzidas.

91 3299 0100 - www.prpa.mpf.gov.br
Rua Domingos Marreiros, 690, Umarizal - CEP 66055-210 - Belém/PA

ou com o atraso contratual previsto em Dezembro do mesmo ano.I.CEP 66055-210 – Belém/PA 2 . V). 690. o que não é o caso.prpa.gov.23. Diante do relato. onde uma consumidora informou que adquiriu um imóvel da Incorporadora PDG. a obra. ainda foram compelidos a pagar a taxa de evolução da obra. Embora devidamente notificados por 3 (três) vezes. o qual estava previsto para ser entregue em Junho de 2012. no âmbito desta Procuradoria. além de ter frustrada a expectativa de receber o seu imóvel no dia prometido. repassa ao comprador de boa-fé que. para apurar a regularidade da referida taxa. Referida cobrança já foi rechaçada pelos principais Tribunais pátrios. INDEVIDAMENTE. A prova de tal cobrança está nos recibos de fls. os demandados não apresentaram qualquer manifestação quanto a legalidade da taxa.mpf. ainda recebe esse prejuízo no seu orçamento mensal.br Rua Domingos Marreiros. Isso porque os juros constituem a remuneração devida pelo consumidor ao contrair financiamentos e empréstimos. a despeito do fim do prazo contratual para tanto. que veda cláusulas que estabeleçam obrigações iníquas. vez que constituem uma cobrança de juros antes da entrega do imóvel. 39.000693/2013-11. Esse juros são aqueles decorrentes do empréstimo que a construtora faz com o banco e com o tempo.www. considerando o recebimento do Termo de Declarações nº 070/2013. Salientou que além do imóvel não ter sido entregue. foi instaurado. começou a ser cobrado um valor a título de “evolução da obra”. o Inquérito Civil Público nº 1. não foi entregue nas condições contratadas e os consumidores. Em suma. Umarizal .000. onerosas ou que 91 3299 0100 .DOS FATOS O Ministério Público Federal. já prejudicados. A prática já era proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (art. totalmente arbitrário e sem justificativa convincente. 04/05/06 do ICP em anexo.

por si só. bem como.br Rua Domingos Marreiros. Vale lembrar que as requeridas confirmaram os termos da denúncia ao serem omissas mesmo após 3 (três) notificações.coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. salvo cláusula em contrário. 91 3299 0100 .prpa.www. esta é quem deve ser responsabilizada pelo pagamento do serviço. Ou seja. hipossuficiente na relação de consumo. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. Referida conduta contribui ao enriquecimento ilícito da empreendedora. Assim. à segurança e à propriedade. o que é usual no mercado imobiliário. a defesa do consumidor. sem distinção de qualquer natureza. haja vista que o artigo 490 do Código Civil dispõe que as despesas da tradição ficam a cargo do vendedor. na forma da lei.gov.CEP 66055-210 – Belém/PA 3 . à liberdade.o Estado promoverá. à igualdade. mostra-se perfeitamente cabível a presente ação para fins de proteção dos consumidores. Umarizal . os termos da denúncia. Além disso. evidenciam a conduta ilegal das requeridas. Os direitos do consumidor vêm expressos nos dispositivos constitucionais abaixo transcritos: “Art.mpf. as atitudes ilegais das requeridas prejudicam sobremaneira o consumidor. 5º Todos são iguais perante a lei. e pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (Portaria SDE 03/2001). viola as regras do direito do consumidor. 690. considerando que os serviços de financiamento foram prestados única e exclusivamente em benefício da incorporadora. nos termos seguintes: (…) XXXII . DO DIREITO Tendo em vista a denúncia e a comprovação de que a cobrança de taxa de evolução da obra dos clientes da empresa requerida ocorre sem qualquer respaldo legal. buscando corrigir a conduta irregular das presentes empresas.

no caso em tela. financeira. inclusive as de natureza bancária. Umarizal . § 1° Produto é qualquer bem.” (Grifei). importação. basilares na relação consumerista: “Art. da Constituição Federal. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. material ou imaterial. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa.CEP 66055-210 – Belém/PA 4 . montagem. XXXII. o legislador editou o CDC. nos artigos abaixo colacionados.” (Grifei) Não é necessário muito esforço para concluir que há. 91 3299 0100 . A ordem econômica. que define.gov.www. ainda que indetermináveis. móvel ou imóvel. nacional ou estrangeira.mpf. o conceito de consumidor. observados os seguintes princípios: (…) V . salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.defesa do consumidor. tanto consumidores como fornecedores. de produtos e de serviços. conforme os ditames da justiça social.prpa. Parágrafo único. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. bem como os entes despersonalizados. físicas ou jurídicas. Por outro lado. construção. 170. tem por fim assegurar a todos existência digna. § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. Com efeito. exportação. de crédito e securitária. pública ou privada. criação.br Rua Domingos Marreiros. a PDG e a CAIXA são fornecedoras de serviços. mediante remuneração. na exata dicção do CDC. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. que desenvolvem atividade de produção. 5º. 690. Art. são consumidores todas aquelas inúmeras pessoas. transformação. que haja intervindo nas relações de consumo. de fornecedor. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas.Art. que adquiriram imóveis da construtora. Atendendo ao comando do art.

Sobre o tema.c. seu § 1º. Em suas razões. o que viola sobremaneira as regras consumeristas previstas no ordenamento jurídico.DIVERGENTE DA JURISPRUDÊNCIA ATUAL. PARCIALMENTE PROCEDENTE. reputa-se ilegal a conduta da Caixa econômica Federal.CEP 66055-210 – Belém/PA 5 . SENTENÇA SEGUIDA.26. II e III. POR MAIORIA. JUROS COBRADOS ANTES DA ENTREGA DAS CHAVES. que se concretiza com a entrega das chaves. do CDC Prática conhecida como juros no pé Sem a utilização do imóvel. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. (Processo: AI 3021344420118260000 SP 0302134-44. Órgão Julgador: 7ª Câmara de Direito Privado. Julgamento: 13/06/2012. A irresignação da parte recorrente volta-se para o fato de que existe novel decisão parida pela 4ª Turma do STJ que derroca todo argumento sustentado por esta relatoria em sua decisão que se encontra com a jurisprudência recente dos Tribunais. não há capital da construtora a remunerar Precedente do STJ Quitação do ajuste que não impede sejam definidos prejuízos e marcadas as responsabilidades dos sujeitos intervenientes Recurso provido em parte. I. por força de conseqüência lógica. c. NOVEL DECISÃO POR MAIORIA DA 4ª TURMA DO STJ. RECURSO ADESIVO. IMPOSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO. AGRAVO.prpa. ABUSIVIDADE. e ainda. vale observar os julgados a seguir: COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA Imóvel Cobrança de juros remuneratórios antes da entrega das chaves Impossibilidade Hipótese de inadmissível abuso decorrente da imposição de vantagem exagerada ao consumidor Art. Umarizal . APELO DESPROVIDO. a parte agravante ostenta que houve pacificação da matéria no Superior Tribunal de Justiça e.gov. ao realizar a cobrança de juros antes da efetiva entrega das chaves aos adquirentes das unidades habitacionais. APELAÇÃO CÍVEL. é compelido a arcar com encargos destinados à construção de sua moradia.0000.www. 690.br Rua Domingos Marreiros. a cobrança dos juros compensatórios é legal. Relator(a): Ferreira da Cruz. AÇÃO ORDINÁRIA DE REVISÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO.mpf. Apesar de eloqüente o argumento 91 3299 0100 . Publicação: 21/06/2012).Neste sentido. 51. O conteúdo do item acima mencionado se coaduna ao fato da situação desvantajosa a qual o consumidor é submetido.2011. IV e XV. NÃO PROVIMENTO.8. haja vista que o mesmo não usufrui do imóvel. ENTENDIMENTO ISOLADO .

91 3299 0100 .0000. Logo. ou seja. repita-se. afirma-se que nessa etapa da obra. de acordo com o cronograma físico-financeiro das obras. divergentes decisões. Assim. na fase de construção é a única beneficiária do financiamento. ante a desuniformidade de decisões. existe tão quão recente julgado da 3ª Turma do STJ.prpa. mantenho decisão fustigada. In casu. Ademais.mpf. Julgamento: 28/08/2012. Recurso de Agravo a que se nega provimento.17. as residências se encontram em fase de edificação e a infraestrutura do condomínio está sendo implementada pela construtora. se legal. é a beneficiada com os valores repassados pela CEF.gov. parido no mesmo mês do entendimento levantado pela parte agravante.parasitado à decisão recente da Corte da Cidadania. vez que. a mesma deve perdurar até o término da fase de construção prevista no cronograma original de obras. com a devida vênia. frisando-se que a referida cobrança. ainda nesse particular. o que é vedado no ordenamento jurídico. pois. é evidente que a cobrança dos referidos juros não deve recair sobre o consumidor hipossuficiente. frisando-se que eventuais prorrogações realizadas a revelia dos adquirentes ou a imposição de outras condições alheias à vontade dos consumidores não podem onerar-lhes a situação. Relator(a): Itabira de Brito Filho. ressalta-se que caso a referida cobrança seja considerada lícita. em que pese o contrato prever o pagamento de juros por parte da adquirente. o que não se acredita. Publicação: 171). Desta feita. Umarizal . 690. Órgão Julgador: 1ª Câmara Cível.2012.www. utilizando-os conforme sua necessidade. jamais sobre os consumidores. deve recair sobre a incorporadora.br Rua Domingos Marreiros. a qual é a única beneficiada com os recursos do financiamento.8.CEP 66055-210 – Belém/PA 6 . é evidente que a PDG Incorporadora deve ser responsabilizada por eventuais cobranças de juros. é uma novel decisão que ainda não se consolidou nos Tribunais. frisando-se ainda que a CEF repassa os valores à construtora de maneira coletiva. entende-se abusiva a cobrança de juros realizada pela CEF aos adquirentes. sob pena de ficar caracterizada a alteração unilateral do contrato. Nesta esteira. (Processo: AGV 2792087 PE 0015119-36. Por fim.

O artigo 129. reza: Art. 5º São funções institucionais do Ministério Público da União : I – a defesa da ordem jurídica. para a proteção do patrimônio público e social. faz-se necessário tratar da legitimidade ativa do Ministério Público Federal. organizado por esta Lei Complementar.mpf. a defesa dos interesses sociais assegurados pela Constituição Federal. dentre outros. II. Umarizal .) III – promover o inquérito civil e a ação civil pública.. dos interesses sociais e dos interesses individuais indisponíveis. inciso III. vejamos os artigos 1º. Visa a presente Ação Civil Pública a tutela dos interesses individuais homogêneos dos consumidores que adquirem imóveis nos feitos da Caixa. incisos I.www. considerados.prpa. A propósito. e V.Da legitimidade ativa do Ministério Público Federal Antes de qualquer análise meritória. 1º O Ministério Público da União. do aludido Estatuto : Art. os seguintes fundamentos e princípios : 91 3299 0100 . incumbindolhe a defesa da ordem jurídica. dos interesses sociais e dos interesses individuais indisponíveis. essencial à função jurisdicional do Estado. 690. que trata das atribuições do Ministério Público atinentes à propositura das Ações Civis Públicas. III. do regime democrático.gov.br Rua Domingos Marreiros.” (destacamos) Também a Lei Complementar nº 75/93 (Estatuto do Ministério Público da União) dispõe sobre as funções do Órgão Ministerial.CEP 66055-210 – Belém/PA 7 . neste particular. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. Art. 2º e 5º. da Constituição Federal. 2º Incumbem ao Ministério Público as medidas necessárias para garantir o respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados pela Constituição Federal. 129. alínea “a”. alínea “e”. é instituição permanente. alínea “d”. do regime democrático. São funções institucionais do Ministério Público: (.. enfatizando-lhe. Art.

ao adolescente.CEP 66055-210 – Belém/PA 8 .. A Constituição Federal 91 3299 0100 .II – zelar pela observância dos princípios constitucionais relativos : d) à seguridade social. como se infere do Acórdão-marco do tema. da criança. sociais. COLETIVOS E HOMOGÊNEOS.prpa. ao idoso. especialmente das comunidades indígenas. relativos às comunidades indígenas.) c) a proteção dos interesses individuais indisponíveis. à educação.” (destacamos) O posicionamento jurisprudencial não é diferente. MENSALIDADES ESCOLARES: CAPACIDADE POSTULATÓRIA DO PARQUET PARA DISCUTÍLAS EM JUÍZO. 690.. à família.mpf. Umarizal . III – a defesa dos seguintes bens e interesses : e) os direitos e interesses coletivos.gov. 1.. difusos e coletivos. à ciência.. V – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos da União e dos serviços de relevância pública quanto : a) aos direitos assegurados na Constituição Federal relativos às ações e aos serviços de saúde e à educação. à tecnologia.) VII – promover o inquérito civil e a ação civil pública para: (. homogêneos. à criança. difusos e coletivos. 6º Compete ao Ministério Público da União : (.www. d) a defesa de outros interesses individuais indisponíveis. lavrado pela Corte Maior: RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA PROMOVER AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM DEFESA DOS INTERESSES DIFUSOS.” (destacamos) O mesmo Estatuto reafirma a titularidade do parquet federal de propor Ação Civil Pública para a proteção dos direitos constitucionais difusos e coletivos: “Art. à comunicação social e ao meio ambiente. à cultura e ao desporto. do adolescente e do idoso. às minorias étnicas e ao consumidor. da família.br Rua Domingos Marreiros.

81. art.com vistas à defesa dos interesses de uma coletividade. em 26. Recurso Extraordinário N. amparada constitucionalmente como dever do Estado e obrigação de todos (CF. categorias ou classe de pessoas. não se classificam como direitos individuais para fim de ser vedada a sua defesa em ação civil pública. a requerimento do órgão do Ministério público. categorias ou classes de pessoas determináveis. 5. Quer se afirme interesses coletivos ou particularmente interesses homogêneos. da Constituição Federal. constituindo-se em subespécie de direitos coletivos. art. do meio ambiente. porque são relativos a grupos. A indeterminabilidade é a característica fundamental dos interesses difusos e a determinabilidade a daqueles interesses que envolvam os coletivos. não só para abertura de inquérito civil. Relator: Min.www. ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base. stricto sensu. Direitos ou interesses homogêneos são os que tem a mesma origem em comum (art. 3. (STF. determinar a remessa dos autos ao Tribunal de origem. 690.mpf.prpa. Interesses difusos são aqueles que abrangem número indeterminado de pessoas unidas pelas mesmas circunstâncias de fato e coletivos aqueles pertencentes a grupos. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (CF.97). da ação penal pública e da ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social. quando abusivas ou ilegais. Recurso extraordinário conhecido e provido para. que conquanto digam respeito às pessoas isoladamente. Umarizal .confere relevo ao Ministério Público como instituição permanente. I e III). Da Competência da Justiça Federal 91 3299 0100 . para prosseguir no julgamento da ação. explicitamente dizendo. afastada a alegada ilegitimidade do Ministério Público.078.br Rua Domingos Marreiros. pois ainda que sejam interesses homogêneos de interesse comum.gov. Por isso mesmo detém o Ministério Público capacidade postulatória. tutelados pelo Estado por esse meio processual como dispõe o artigo 129. art. Maurício Corrêa. 4. 127). patente a legitimidade ad causam. recomenda-se o abrigo estatal. essencial à função jurisdicional do Estado. 111. mas também de outros interesses difusos e coletivos (CF. 205). categorias ou classes de pessoas. acima de tudo. 163231-3/SP. em segmento de estrema delicadeza e de conteúdo social tal que. ambos estão cingidos a uma mesma base jurídica. Cuidando-se de tema ligado a educação.CEP 66055-210 – Belém/PA 9 . 129. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. está o Ministério Público investido da capacidade postulatória. As chamadas mensalidades escolares. são subespécie de interesses coletivos. de 11 de setembro de 1990). inciso III. j. sendo coletivos.02. 6. da lei nº 8. 2. quanto ao bem que se busca resguardar se insere na órbita dos interesses coletivos. porque sua concepção finalístico destina-se à proteção desses grupos. podem ser impugnadas por via de ação civil pública.

109. DA REPETIÇÃO EM DOBRO DA QUANTIA PAGA A TÍTULO DE HONORÁRIOS DE CORRETAGEM PELA ADQUIRENTE DE IMÓVEL NO EMPREENDIMENTO “ILHAS DO ATLÂNTICO” Conforme consta no presente instrumento. Aos juízes federais compete processar e julgar: I .gov.prpa. DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS Fora a prova documental já produzida. devendo. no presente caso. protesta este parquet. as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. Considerando que as referidas taxas foram cobradas de foram ilegal. rés. in verbis: 91 3299 0100 . é cediço que tais valores devem ser ressarcidos aos consumidores. Trata-se.br Rua Domingos Marreiros. conforme parágrafo único do artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor. por este motivo. em dobro. assistentes ou oponentes. exceto as de falência. em especial.Verifica-se.www.CEP 66055-210 – Belém/PA 10 . juntada de novos documentos e por outras provas que se fizerem necessárias para o deslinde do feito. a adquirente que prestou o termo de declarações e demais compradores de imóvel no empreendimento “Bela Vida” receberam a cobrança ilegal de taxa de evolução da obra. ser processada e julgada na Justiça Federal. Ademais. conforme dispõe o art. I. Umarizal .mpf. a existência de competência da Justiça Federal para o feito. 690. oitiva de testemunhas. trata-se de problema gerado em razão de cobrança promovida por empresa pública federal (Caixa Econômica Federal). igualmente. da Constituição Federal: Art. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras.as causas em que a União. 109. pelo depoimento dos requeridos. de demanda em que figura como autor ente federal (Ministério Público Federal).

www. BEM ASSIM QUE A REFERIDA VERBA DEVA SER ARBITRADA COM MODERAÇÃO. EVITANDO O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo. os fornecedores poderiam se sentir estimulados ou tentados a violar os direitos dos consumidores.br Rua Domingos Marreiros. Na cobrança de débitos. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito. em consonância com o artigo 42 do CDC. EVIDENCIANDO A NECESSIDADE DE EFETIVO PAGAMENTO DO VALOR INDEVIDAMENTE COBRADO PARA QUE INCIDA A DOBRA. DJ-e Pág.2010. Inexistindo tal sanção. QUANTUM COMPENSATÓRIO. Referido dispositivo tem por escopo punir. as requeridas devem ser condenadas ao pagamento em dobro dos valores cobrados e descontados indevidamente. haja vista que a vantagem econômica de tal violação é manifestamente favorável aos interesses dos fornecedores. PARÁGRAFO ÚNICO.CEP 66055-210 – Belém/PA 11 . o fornecedor de produtos e serviços que abusa de sua posição dominante na relação de consumo. Publicação: 16/04/2012. REPETIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO. O ART. DO CDC DISPÕE ACERCA DO DIREITO DO CONSUMIDOR À "REPETIÇÃO DO INDÉBITO. salvo hipótese de engano justificável. A JURISPRUDÊNCIA PÁTRIA TEM CONSAGRADO A DUPLA FUNÇÃO: COMPENSATÓRIA E PENALIZANTE. CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO.0001. Neste sentido.807. vale observar o seguinte julgado: RESPONSABILIDADE CIVIL. (Processo: APL 124132720108070001 DF 001241327. enriquecendo ilicitamente às custas do consumidor. Julgamento: 11/04/2012. nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. PARA A FIXAÇÃO DO QUANTUM DEVIDO A TÍTULO DE DANOS MORAIS. 690. Relator(a): CARMELITA BRASIL. DANO MORAL. Umarizal . 42. 42. Parágrafo único. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA O instituto da tutela antecipada visa o resguardo de um direito que 91 3299 0100 . POR VALOR IGUAL AO DOBRO DO QUE PAGOU EM EXCESSO". Órgão Julgador: 2ª Turma Cível. acrescido de correção monetária e juros legais. Ante o exposto.mpf.prpa. por valor igual ao dobro do que pagou em excesso.gov. de acordo com o exposto no presente tópico. 188).Art. no âmbito cível.

haja vista a comprovação da cobrança ilegal de juros de evolução da obra.prpa.se encontra em risco de ser afetado de forma letal. ao Nobre Juízo as mais amplas condições de estabelecer sintonia fina com os anseios da sociedade e a prática ilegal das requeridas. Justifica-se o pedido de antecipação dos efeitos da tutela inicial quando existe probabilidade de que as alegações feitas pelo autor sejam verdadeiras – o que resulta da conjugação dos requisitos prova inequívoca e verossimilhança da alegação.mpf.br Rua Domingos Marreiros. 84. cumpre posicionar adequadamente neste contexto a presente ação.gov. O professor Cândido Rangel Dinamarco traduz a essência do instituto supracitado: "O novo art. ao instituir de modo explícito e generalizado a antecipação dos efeitos da tutela pretendida. o amplo conjunto jurisprudencial acima colacionado também corrobora a interpretação aqui defendida. Umarizal . citado o réu. do Código de Processo Civil. ofertando. tais condições se perfazem. 8. Corroborando a tais argumentos. vale transcrever o artigo 84. presentes no caput do artigo 273. 690. § 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.CEP 66055-210 – Belém/PA 12 ." (grifo nosso). Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer. in verbis: Art. No caso. sendo impossível a sua reparação.078/1990. 91 3299 0100 . 273 do Código de Processo Civil. veio com o objetivo de ser uma arma poderosíssima contra os males corrosivos do tempo no processo. Antecipa-se a tutela no intuito de se assegurar a manutenção do objeto de petição do autor. § 3º da Lei nº.www. Além disso. assim. é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia. Neste sentido. zelando para que o curso do processo não seja lesivo ao que se pretende na ação.

a irreversibilidade de certos prejuízos são as razões que levam. Umarizal . é necessário evidenciar – como fundamento do pedido da antecipação de tutela – a existência de fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Destes fatos decorre a verossimilhança do alegado visto que os demandados descumpriram preceitos legais pertencentes à Constituição Federal e à legislação federal no que tange ao direito do consumidor. Além do requisito acima demonstrado. a possibilidade de danos aos consumidores no que se refere à situação financeira e direito de moradia dos mesmos.gov. Portanto. PDG Incorporadora e Caixa Econômica Federal. A plausibilidade do alegado é mais do que contundente em face de tudo quanto foi exposto e provado nesta exordial. o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer seja antecipada a tutela para que as partes requeridas. o que enseja a tutela antecipada da mesma. sacrifício ou privação de um interesse juridicamente relevante.prpa. cessem as cobranças ilegais de juros de evolução da obra de imóvel no empreendimento “Residencial Bela Vida”. pois este perigo de dano verificado no caso aqui tratado consubstancia-se nas constantes cobranças ilegais. Não se pode esperar até o final da demanda para que seja dado provimento ao pleito aqui exposto.CEP 66055-210 – Belém/PA 13 .Ora .br Rua Domingos Marreiros. 91 3299 0100 . pois restou demonstrada a conduta ilegal e abusiva ao repassar encargos. por si sós. não restam dúvida quanto à urgência da presente demanda. a concessão da tutela antecipada. 690. a fim de que os adquirentes não sejam prejudicadas por práticas ilegais das requeridas. figurando clara a necessidade de que as requeridas se abstenham de realizar as cobranças ilegais.www. bem como. pois este perigo representa a possibilidade de uma perda. as quais fazem jus ao recebimento de tutela acautelatória para bem evitar prejuízo grave ou de difícil reparação. Ante ao exposto.mpf. na presente demanda o receio é quanto à garantia dos direitos dos consumidores. Assim.

a restituam. a procedência da demanda.br Rua Domingos Marreiros. Ante o exposto. Por fim.2) na obrigação de fazer. para determinar: D. confirmando a liminar deferida. querendo. B. contestarem a ação. nos termos do artigo 94 da Lei n.DO PEDIDO. decisões desse Juízo. com base no art. não existe qualquer controvérsia – e do fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação – já que existem casos concretos de prejuízos aos consumidores.00 (dez mil reais). no valor de R$ 10. para que. tendo em vista estarem presentes os requisitos da verossimilhança da alegação – visto que. 690. a publicação de edital no órgão oficial.1) na obrigação de não fazer. 273 do Código de Processo Civil. sejam impedidas da cobrança da taxa ilegal.078/90 (Código de Defesa do Consumidor). da Lei n. a citação das requeridas para. D. quanto à matéria fática. D. Umarizal . requer o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL que : A) a concessão de antecipação dos efeitos da tutela. por cada consumidor cobrado indevidamente. C.mpf.º 8.prpa. e que comuniquem claramente aos consumidores nas que deixaram de realizar a cobrança.º 8.000.078/90. E) que seja fixada multa para a ré pelo descumprimento das r. 91 3299 0100 . o valor pago a título de juros de evolução da obra pelos adquirentes de imóveis do empreendimento “Residencial Bela Vida”. com grande possibilidade de repetição – para determinar a Caixa e à PDG obrigação de não fazer. sob pena de confissão e revelia.www. para que as rés CEF e Incorporadora PDG devolva.gov. parágrafo único. a fim de que os interessados possam intervir no processo como litisconsortes. em dobro. parem com a cobrança das juros de evolução da obra em todos os empreendimentos cuja entrega esteja atrasada.CEP 66055-210 – Belém/PA 14 . para que. nos termos do artigo 42.

CEP 66055-210 – Belém/PA 15 .gov.mpf.www. o valor de R$ 100. Dá-se à causa. para fins meramente fiscais.F) A condenação da ré ao ônus da sucumbência e demais cominações legais. 14 de outubro de 2013.prpa. Belém.00 (cem mil reais). BRUNO ARAÚJO SOARES VALENTE Procurador da República 91 3299 0100 .000.br Rua Domingos Marreiros. 690. Umarizal .