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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS
PÚBLICOS

Ficha técnica:
EQUIPE DE PRODUÇÃO
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DO MATERIAL PEDAGÓGICO
Avante Brasil Informática e Treinamentos Ltda.
DIRETOR DE PLANEJAMENTO
Carlos Henrique Ferraz
DIRETOR COMERCIAL
Rômulo Moura Afonso
CONTEÚDO
Avante Brasil
COORDENADORA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
Gislene Alves
DESIGN INSTRUCIONAL
Cláudia Vasconcelos
DIAGRAMAÇÃO E PROJETO GRÁFICO
Alissom Lázaro

ÍCONES ORGANIZADORES

DEFINIÇÃO - É utilizado ao definir conceitos e significados.

SAIBA MAIS- Aprofundamento de ideias, curiosidades, links de sites e textos complementares.
v

REFLEXÃO - Momento para refletir sobre as questões apresentadas e aprofundar pontos relevantes.
c

EXEMPLO - Utilizado no momento em que exemplifica conteúdo ou ideias.

.APRESENTAÇÃO Objetivos da disciplina: Apresentar aos participantes as bases teóricas e conceituais relacionadas ao tema Convênios e Consórcios Públicos.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Módulo 01: Convênios GESTÃO DE PROJETOS NO SETOR PÚBLICO .

............8...................................5...................................... Regime Jurídico...............4.........................51 1..56 Módulo 02: Consórcios Públicos – Parte 2 2...3....................................................21 2..........................................................66 Bibliografia Referenciada........................ Objetivos .................................................................................... Tomada de contas especial...............................................................................................................49 1......................................................................................7 1...............................................34 2.............................................8...2.... termos de execução descentralizada (termos de cooperação)...46 Módulo 01: Consórcios Públicos – Parte 1 1......................1 Proposição........... Extinção dos convênios.................4.......... Origens dos recursos financeiros...................................................... Introdução:.............................36 2.... Conceito de consórcios públicos..........15 2......18 2....................................................................................................... Distinção entre convênios...............................................25 2.....3..............................................6............................................1.....................................1.....2....................................................................................................3 Celebração................... Fases dos convênios....................................................................................................................................................................................2 Considerações sobre o federalismo brasileiro.........2 Chamamento público......................15 2.............8.... Natureza jurídica dos convênios: distinção entre contratos e convênios................................7...22 2............................ contrato de repasse...............8...52 1......... Prestação de contas.......................6..................................1. Constituição dos consórcios públicos............................31 2.............. termos de parceria e contrato de gestão..................................2...................................8.............................................................30 2....................... Execução do convênio................................................43 2...............................27 2.........60 2.7........................................................................ 69 ...........................8....Sumário Módulo 01: Do Estado Liberal ao Estado Subsidiário 1................................................ Conceito de convênio.......... 11 Módulo 02: Convênios 2...........42 2.......3.....8..... Introdução:.................................................................................................54 1......... Corte metodológico........................................................................................8....62 2.............5............................................... Extinção.. Personalidade jurídica............................. Bases jurídicas dos consórcios públicos..... Sujeitos dos convênios........45 2....8.................................................................................. Bases jurídicas dos convênios....................................................... ....................................................................

antes de tudo. Objetivos do módulo: Abordar as bases históricas e jurídicas dos convênios da Administração Pública. Introdução: Para começar o estudo tanto dos convênios celebrados pela Administração como dos consórcios públicos deve-se. nos dias atuais. 7 . analisar as bases históricas e jurídicas que fizeram com que esses dois instrumentos assumissem.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Módulo 01: Do Estado Liberal ao Estado Subsidiário 1. Ainda que brevemente. quais foram as causas e de que modo o Estado abrandou (mas sem abandonar por completo) sua faceta não intervencionista. Isso é. importantes papéis na gestão da coisa pública. tornando-se um Estado subsidiário. faz-se necessário entender como se deu a transformação e a evolução da forma com que o Estado atua e se relaciona com a sociedade e com os indivíduos nela inseridos.

Dessa forma. diversos direitos e garantias sociais foram assegurados aos cidadãos. Ou seja. Carvalho (2009. garantindo o exercício da atividade econômica pelo setor privado. por outro fez crescer a miséria e a divisão de classes na sociedade.. o que era visto como solução para os problemas decorrentes do absolutismo tornou-se um verdadeiro entrave para o desenvolvimento do Estado no século XIX. com o fim de evitar o ressurgimento dos governos absolutistas. a noção de Estado Mínimo e a máxima “laissez faire. que tenda a acentuar-se com o não intervencionismo estatal pregado pelo liberalismo. p. A sociedade ansiava por um provedor de recursos básicos à sobrevivência. Se por um lado o liberalismo propiciou o surgimento de novas tecnologias por meio da revolução industrial. No entanto. inspirado nos ideais liberais e burgueses.. por suas consequências funestas no âmbito econômico e social. as grandes empresas tinham se transformado em grandes monopólios e aniquilado as de pequeno porte. assuntos como educação. 8 . mas. saúde e moradia entraram na pauta de discussões e o Poder Público deixou de ser somente liberal para adquirir também um caráter social. dentre os quais se destacam o princípio da abstenção estatal. pelo direito. doença. demandaram várias ações do Estado. Essas prestações positivas. Sobre esse tema. laissez passer”.814) explica quais são as bases teóricas daquele modelo de Estado: (. optou-se por adotar um modelo de Estado em que o Poder Público tivesse como papel primordial. modelo surgido no século XVIII. ignorância.) a doutrina do liberalismo tinha como intenção conter. de modo que o Estado deveria assumir papeis antes reservados exclusivamente às entidades privadas. Passou-se a exigir do Estado não mais a postura liberal abstencionista. um mal necessário a ser conservado dentro dos limites mais restritos possíveis. a ideia básica de não ingerência. vejam-se os ensinamentos de Di Pietro (2011. Com o intuito de buscar não apenas a igualdade formal. também. começaram as reações contra o Estado Liberal.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios O marco inicial dessa análise é o chamado Estado liberal. o que levou à ampliação da máquina administrativa para suportar tais encargos. por óbvio. A liberdade excessiva e a ausência de controle público sobre a economia e sobre as demais atividades privadas acabaram por gerar forte concentração de renda e crescimento das desigualdades sociais. que foi posto à prova após a queda dos governos absolutistas na Europa continental. o de proteger a ordem pública. p.8): Em meados do século XIX. o Estado. senão único. surgira uma nova classe social – o proletariado – em condições de miséria. a igualdade material.

na tentativa de reduzir a inchada máquina administrativa. De acordo com Di Pietro (2011. Aquelas modalidades idealizadas para um Estado mínimo tornaram-se inadequadas para um Estado que atua nos mais variados setores da ordem jurídica. esse “movimento ensejou reformulação na estrutura organizacional do Estado (Administração Pública) e também o estreitamento das relações entre Administração e os cidadãos”. o atendimento às necessidades sociais tornouse uma tarefa ineficaz e insuficiente perante a demanda e a complexidade dos problemas que deveriam ser solucionados. p. p. com o apoio e o auxílio do Poder Público. a participação popular na tomada de decisões do governo ganhou maior relevância e o próprio Estado assumiu que certas tarefas. Viu-se. o Estado atua quando é materialmente essencial. Ferraz (2011. econômica e social”. uma nova e inevitável quebra de paradigma. Conforme ensina Ferraz (2011. p. Nessa mesma linha. Dentre as várias consequências decorrentes do citado princípio e do próprio Estado Democrático de Direito (ou Estado Subsidiário).Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Reflexão Ocorre que o crescimento da máquina administrativa também se deu de forma descontrolada. o Estado contemporâneo passou a lançar mão do princípio da subsidiariedade.5). anteriormente sob seu poder.6) ainda afirma que. p. “o Estado anuncia-se como regulador (da atividade econômica em amplo sentido) e fomentador de atividades de interesse social desempenhadas. ou mesmo diretamente por eles. era evidente que “essa evolução traria consequências inevitáveis em matéria de controle. a lentidão do aparelho estatal e os métodos arcaicos de controle não eram mais. Vejam-se as lições da referida autora: 9 . Além disso. o quanto possível por organismos privados voltados à persecução de finalidades públicas”. de forma subsidiária ao cidadão. poderiam ser mais bem desenvolvidas em conjunto com particulares. O Estado Social deu lugar ao chamado Estado Democrático de Direito. Dessa forma. Sob esse novo modelo.13).19) aponta uma que serve de fundamento sociojurídico para os atuais convênios celebrados entre a Administração Pública e as entidades privadas sem fins lucrativos: o fomento. atualmente. aquele que detém a competência legal para agir oficiosamente. então. Di Pietro (2011. p. o qual é explicado por Tesserolli e Castro (2011.114) da seguinte forma: Esse princípio tem como substrato material a regionalização do exercício das funções essenciais à realização do bem comum. Nesse contexto.

partam à busca de seus próprios objetivos. contudo. bem como na participação popular e no princípio da subsidiariedade. o Estado Liberal deu lugar ao chamado Estado Social. foi obrigado a ampliar a máquina administrativa para conseguir atender às demandas da sociedade. Surgiu. são formalizadas por meio de convênios. tornou as ações do Poder Público ineficientes. no Estado subsidiário. lentas e demasiadamente burocráticas. calcado na submissão dos governantes à lei e ao Direito. o contemporâneo Estado Democrático Direito. o qual. Di Pietro (2011. representativos dos vários setores da sociedade civil. o incentivo à iniciativa privada de interesse público. então. neste último. uma vez que a abstenção do Poder Público acabou gerando graves desigualdades sociais e aumentando o número de cidadãos miseráveis. O fomento às atividades de interesse público. Esse aumento. como uma das aplicações do princípio da subsidiariedade. O Estado Social. realizadas pela iniciativa privada. é uma das principais ações da Administração Pública contemporânea e também do Estado Democrático de Direito. conforme se verá ao longo dessa explanação. prima pela participação popular na tomada de decisões do governo. que não mais tem condições de assumir todas as novas atividades de interesse geral. de atividades privadas de interesse público. mas de vários interesses públicos. o que viabilizou o fomento. 10 . O Estado deve ajudar. termos de parceria ou contratos de gestão. não se fala mais em interesse público de que é titular exclusivo o Estado. o Estado só presta as atividades que o particular não pode desenvolver ou ajuda o particular quando a iniciativa privada seja insuficiente. por parte do Estado. conforme já visto. há uma necessidade de ampliação da atividade administrativa de fomento. o Estado assume grande volume de atividades como serviços públicos. prestador de serviços.234) ainda faz outras considerações: [O fomento] é uma técnica muito comum no chamado Estado Subsidiário que o atual Governo brasileiro pretende instituir em substituição ao Estado do Bem estar social. Em suma. via de regra. representados por entidades particulares. a evolução e a mutação do Estado podem ser resumidas da seguinte forma: nos meados do século XIX. Como consequência. criar condições para que os vários grupos de interesses.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios A sociedade pluralista faz multiplicarem-se os interesses a serem protegidos. Essas parcerias entre o Estado e os particulares. estimular. p. por sua vez. significando. A proteção do interesse público deixou de ser prerrogativa do Estado.

organizado sob a forma de federação.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Saiba mais Para melhor entender a atual organização da Administração Pública no Brasil. que se submetem a um poder central soberano”. a qual adotou o princípio da subsidiariedade em suas relações com entes públicos e privados. 1º A República Federativa do Brasil. Ao invés de dois níveis de poder. Da simples leitura do art. 231). sugere-se o estudo do Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado – PDRAE – disponível no seguinte endereço: http://www. o Brasil passou a ser um Estado Federado com três esferas de poder: União. Estados Membros e Municípios. depreende-se que o Brasil é um Estado composto. A Constituição Federal de 1988.36). o qual compartilha competências estaduais e municipais.org. Veja-se o que dispõem os artigos 1º e 18. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal.pdf 1. explica que a “federação é uma forma de Estado. Já Moreira Neto (2009.2 Considerações sobre o federalismo brasileiro Outro ponto introdutório de suma importância para o estudo dos convênios e dos consórcios públicos é a forma de Estado adotado pelo Brasil. adotou uma nova forma de federação que. p.os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. no entanto. II . no entanto.a soberania. o constituinte originário optou por atribuir aos Municípios parcela de autonomia (e não soberania) na organização político-administrativa brasileira.bresserpereira. do Texto Constitucional: Art. IV .a dignidade da pessoa humana. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I . da Constituição Federal. 1º. Normalmente os Estados Federados possuem duas ordens internas de poder: a União (poder central) e os Estados membros (poderes regionais). além de um Distrito Federal. “Estado composto é aquele em que o Governo central reparte com coletividades locais as diversas competências constitucionais: legislação. De acordo com Boson (2000. as competências internacionais”. jurisdição e administração. Ou seja. não possuía semelhança com nenhuma outra conhecida. até então. p.a cidadania III .br/Documents/MARE/PlanoDiretor/planodiretor. 11 . cuja característica reside na reunião de Estados-Membros autônomos. O poder central monopoliza.

os monumentos.combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização.fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar. II . nos termos desta Constituição. 30.o pluralismo político. bem como aplicar suas rendas. III .registrar. III . acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios. todos autônomos. V . II .legislar sobre assuntos de interesse local. à educação e à ciência.proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. VIII .cuidar da saúde e assistência pública. XII . da Constituição: Art. dos Estados.estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. os Estados. a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico. IV . as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos.zelar pela guarda da Constituição. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência. Art. Art. 12 . artístico ou cultural. as quais estão elencadas nos artigos 23 e 30. a fauna e a flora. promovendo a integração social dos setores desfavorecidos. VII .instituir e arrecadar os tributos de sua competência. 23.proporcionar os meios de acesso à cultura. IX . Ao alçar os Municípios ao nível de ente federado.preservar as florestas. do Distrito Federal e dos Municípios: I . VI . o constituinte atribuiu-lhes uma série de competências executivas e legislativas.impedir a evasão.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios V . sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei. o Distrito Federal e os Municípios. Compete aos Municípios: I . artístico e cultural.promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico. das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público. as obras e outros bens de valor histórico.suplementar a legislação federal e a estadual no que couber. X .proteger os documentos. É competência comum da União. 18. XI .

e de direitos reais sobre imóveis. definidos em lei complementar (ISSQN). 13 . o constituinte originário também outorgou aos Municípios o poder de instituir e arrecadar tributos. com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado. organizar e suprimir distritos. sobre a transmissão “inter vivos”. Distrito Federal e Municípios parcela dos impostos por ela recolhidos. serviços de atendimento à saúde da população. o ente federado de maior abrangência deveria repassar aos de menor abrangência parcela financeira dos impostos arrecadados no exercício de sua competência. Dessa forma. No entanto. no que couber. Trata-se das chamadas transferências obrigatórias. não compreendidos no art. mediante planejamento e controle do uso. IX . Nesse sentido. do parcelamento e da ocupação do solo urbano.promover. Além de atribuir competências legislativas e executivas. do Texto Constitucional. programas de educação infantil e de ensino fundamental.promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local. observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. De acordo com as regras constitucionais dos artigos.criar.manter. V . Isto é. de bens imóveis. os serviços públicos de interesse local. que tem caráter essencial. a União repassará aos Estados. estabeleceu que os Municípios devem instituir impostos sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU). os Estados repassarão aos seus Municípios uma parte dos impostos que ele arrecadou. suas competências executivas constitucionais. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. Ocorre que. VI . bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) e sobre os serviços de qualquer natureza. II.organizar e prestar. a qualquer título. considerando as diversas competências executivas que foram atribuídas ao ente municipal. 158 e 159. satisfatoriamente.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios IV . Igualmente. mesmo com a previsão de tributos próprios para os Municípios e com a repartição das receitas tributárias entre os entes federados. VII . adequado ordenamento territorial. incluído o de transporte coletivo. viu-se que apenas a arrecadação dos tributos previstos na Constituição não era suficiente para a realização das necessidades locais. por ato oneroso. observada a legislação estadual. mesmo com as transferências obrigatórias. exceto os de garantia. não conseguem realizar.prestar. previu-se a repartição das receitas tributárias dos outros entes federados. o artigo 156. 155. com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado. 157. Isso porque a concentração de recursos financeiros na União ainda é significativa e os entes federados de menor abrangência. por natureza ou acessão física. a efetiva realização das necessidades locais pelas municipalidades ainda fica comprometida. VIII .

o atendimento às necessidades sociais tornouse uma tarefa ineficaz e insuficiente perante a demanda e a complexidade dos problemas que deveriam ser solucionados. 14 . Tais soluções propiciaram aos Municípios tanto a busca de novos recursos financeiros junto à União e aos Estados Membros para a realização de projetos ou atividades de interesse comum (além das transferências obrigatórias). sem comprometer o pacto federativo. Reflexão Ocorre que o crescimento da máquina administrativa também se deu de forma descontrolada. surgiram duas soluções: os convênios entre entes federados. inseridos na órbita jurídica da gestão associada de serviços públicos. e os consórcios públicos. o qual se opera por meio de transferências voluntárias para a realização de atividades públicas de interesse recíproco. passa-se ao estudo dos convênios e consórcios públicos. propriamente ditos. a lentidão do aparelho estatal e os métodos arcaicos de controle não eram mais.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Para solucionar esse problema de escassez de recursos. Além disso. como também a conjugação de esforços com outros entes para a prestação de um serviço público. Feitas essas considerações iniciais. Nesse contexto.

a maioria dos administrativistas concorda entre si quanto às características básicas desse negócio jurídico. para realização de objetivos de interesse comum dos partícipes”. p. são espécies do gênero transferência voluntária. seja como convenente. conforme já dito brevemente no item 2. Este corte faz-se necessário tendo em vista que cada ente federado possui normas específicas para regulamentar os convênios que participam.464). Com o objetivo de identificar os pontos comuns e as divergências doutrinárias.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Módulo 02: Convênios 2. Meirelles (2013. 15 . Corte metodológico Para os fins desse trabalho propõe-se a realização de um corte metodológico para analisar e abordar apenas as normas jurídicas da União que versem sobre os convênios. vejam-se os conceitos apresentados por alguns administrativistas brasileiros. Conceito de convênio Os convênios.2. entende que “convênios administrativos são acordos firmados por entidades públicas de qualquer espécie. seja na qualidade de concedente.1. ou entre estas e organizações particulares. em seu magistério. 2. Embora a doutrina se divida quanto à sua natureza.

ou entre estas e entidades particulares. Mello (2008. No entanto. 231). 244) apresenta a seguinte definição: “convênio pode ser conceituado como o ajuste entre órgão ou entidade do poder público ou entre estes e entidades privadas.268). 243). admite-se que tais órgãos celebrem convênios.359) conceitua convênio administrativo como “o acordo firmado por entidades públicas ou entre estas e organizações privadas. ao discorrer sobre o tema em sua obra. Ocorre que. Além disso.212). p. Estados Distrito Federal e Municípios. públicas ou privadas. de uma atividade de competência da primeira”. Nessa definição cabe a mesma ressalva já feita quanto à natureza da entidade privada convenente. os doutrinadores. de natureza associativa e cooperativa”. em regime de mútua cooperação”. p.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Moreira Neto (2009. sem que deles resulte a criação de pessoas jurídicas – o que os faz distintos dos consórcios”. Segundo Di Pietro (2011. Note-se que os dois autores não incluíram em seus respectivos conceitos a expressão “sem fins lucrativos” ao se referirem aos acordos firmados com as entidades privadas pela Administração Pública. para a consecução de objetivos comuns dos partícipes. Ao dissertar sobre o tema. visando à realização de projetos ou atividades de interesse comum. não pode ser qualquer pessoa jurídica de direito privado. o referido administrativista esclarece que o Poder Público pode firmar convênios com entidades privadas. p. p. desde que estas não possuam fins lucrativos. utilizaram apenas a expressão “entidades”. De acordo com Carvalho Filho (2010. p. ao tratarem do Poder Público como partícipe do convênio. “os convênios são ajustes pautados pela mútua colaboração entre entes públicos com interesses convergentes aos de outras entidades públicas ou privadas para consecução de tarefa de proveito comum”. conceitua convênio como “o ato administrativo complexo em que uma entidade pública acorda com outra ou com outras entidades. pode-se imaginar que ele não admite a celebração de convênios com entidades privadas. por sua vez. Para Ferraz (2009. o que excluiria a possibilidade de órgãos administrativos sem personalidade jurídica celebrarem tais acordos. 16 . de um modo geral. com vistas a ser alcançado determinado objetivo de interesse público”. por cooperação ou por colaboração. Apenas com a leitura do conceito proposto pelo autor. “o convênio é um dos instrumentos de que o Poder Público se utiliza para associar-se quer com outras entidades públicas que com entidades privadas”. é importante advertir que o termo “associar” não significa que os partícipes formarão uma nova pessoa jurídica sob a forma de “associação”. “consideram-se convênios administrativos os ajustes firmados por pessoas administrativas entre si. Além disso. mas tão somente aquela que não possuir fins lucrativos. isto é. o desempenho conjunto. De forma sintética. p. Medauar (2011.654) explica que “convênios são contratos realizados entre União. Em nenhuma hipótese há formação de nova pessoa jurídica por meio de convênios. Bicalho (2011. p.

60. inciso VI. o conceito de convênio para os seus próprios efeitos: Art. serviço. Decompondo a definição de convênio presente na referida Portaria e analisando-a em conjunto com a dos demais doutrinadores. ajuste ou instrumento congênere. §2º. tem-se que a citada Portaria Interministerial nº 507/11 apresenta uma definição mais completa e abrangente deste importante instrumento.666/1993. distrital ou municipal. atividade. (.. visando a execução de programa de governo. direta ou indireta. parágrafo único. a Portaria Interministerial nº 507/11 estabelece. desde que não componha a estrutura administrativa do concedente. Conquanto não haja menção à formalização dos acordos em nenhum dos conceitos acima citados. no artigo 1º. atividades. c) Execução de projetos.. 17 . aplicável aos convênios por força do art. assim decidiu: É infundada a alegação de que o convênio pode ser firmado tanto na forma escrita como verbal. O Tribunal de Contas da União. 116 da mesma Lei. VI . pode-se chegar a um ponto de interseção quanto aos elementos básicos dos convênios administrativos: a) Acordo. estabelece expressamente que é nulo o contrato verbal com a administração. por ocasião da celebração de parceria com órgãos/entidades públicas. mesmo nas hipóteses de não estarem envolvidos recursos financeiros (AC-2522-28/07-1. em voto da lavra do Ministro Marcos Bemquerer. deve-se esclarecer que os convênios somente podem ser celebrados por escrito. e. envolvendo a realização de projeto. haja vista que o art. §2º.acordo.) Deve ser realizada a formalização de termo de convênio. Sessão: 21/08/07). 1 O conceito de concedente e convenente será abordado mais adiante. 1º. e) Tendo como concedente um órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta de qualquer dos entes federados. b) Transferência de recursos. direta ou indireta. ou mesmo entidade privada sem fins lucrativos1. 8. Embora cada doutrinador ressalte um aspecto importante em seus respectivos conceitos de convênio e ainda que a técnica legislativa não considere apropriada a positivação de conceitos em normas legais. órgão ou entidade da administração pública federal. ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de recursos financeiros de dotações consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e tenha como partícipe. d) Mútua cooperação. órgão ou entidade da administração pública estadual. ou ainda. de um lado. e como convenente outro órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta de qualquer dos entes federados. serviços ou aquisição de bens de interesse comum dos partícipes. ou mesmo um consórcio público que seja pessoa jurídica de direito privado. da Lei n. de outro lado.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Além dos conceitos doutrinários já citados. em regime de mútua cooperação. entidades privadas sem fins lucrativos. aquisição de bens ou evento de interesse recíproco.

Convênios e Consórcios Públicos
Módulo 01: Convênios

Além disso, é importante esclarecer que a Portaria Interministerial nº 507/11, somente se aplica
aos convênios onerosos, isto é, apenas àqueles acordos em que houver transferência de recursos
financeiros, conforme já entendeu o Tribunal de Contas da União no Acórdão 1.406-06/11-1.
Nada impede, contudo, que sejam celebrados convênios não onerosos, como por exemplo,
um convênio de cooperação para acesso à base de dados entre o Estado Membro e um de
seus Municípios. Nesse caso, o acordo não será regido pelas normas aplicáveis aos convênios
onerosos, mas por dispositivos legais específicos.
Importante destacar, por fim, que o convênio não é o meio adequado para a delegação de
serviços públicos a entidades privadas, servindo, apenas, como modalidade fomento. Di Pietro
(2011, p. 235) também faz essa ressalva:
O convênio não se presta à delegação de serviço público ao particular, porque essa delegação
é incompatível com a própria natureza do convênio; na delegação ocorre a transferência de
atividade de uma pessoa para outra que não a possui; no convênio, pressupõe-se que as duas
pessoas têm competências institucionais comuns e vão prestar mútua colaboração para atingir
seus objetivos.

2.3. Natureza jurídica dos convênios: distinção entre contratos e convênios
Quando o assunto é a natureza jurídica do convênio, a doutrina se divide. Embora não haja
grandes consequências práticas, parte dos administrativistas entende que os convênios são
espécies do gênero contrato administrativo, enquanto outros afirmam que aqueles são acordos
de vontade que não podem ser confundidos com contratos.
Dentre os autores que defendem que os convênios não são espécies de contrato, mas sim
instrumentos autônomos, pode-se destacar Hely Lopes Meirelles e Maria Sylvia Zanella Di Pietro.
Vejam-se, inicialmente, as lições de Meirelles (2013, p.465):
Convênio é acordo, mas não é contrato. No contrato as partes
têm interesses diversos e opostos; no convênio os partícipes
têm interesses comuns e coincidentes. Por outras palavras:
no contrato há sempre duas partes (podendo ter mais de dois
signatários), uma que pretende o objeto do ajuste (a obra, o serviço
etc.), outra que pretende a contraprestação correspondente (o
preço, o qualquer outra vantagem), diversamente do que ocorre
no convênio, em que não há partes, mas unicamente partícipes
com as mesmas pretensões. Por essa razão, no convênio a
posição jurídica dos signatários é uma só, idêntica para todos,
podendo haver apenas diversificação na cooperação de cada
um, segundo suas possibilidades, para a consecução do objetivo
comum desejado por todos.

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Convênios e Consórcios Públicos
Módulo 01: Convênios

Na mesma linha, Di Pietro (2011, p.231) esclarece que “o principal elemento que se costuma
apontar para distinguir o contrato e o convênio é o concernente aos interesses que, no contrato,
são opostos e contraditórios enquanto no convênio são recíprocos”.
A referida doutrinadora (2011, p.232) ainda enumera sete pontos de distinção entre contratos
e convênios, são eles:
a) Enquanto no convênio os partícipes possuem objetivos institucionais comuns, no contrato,
geralmente, estes não se assemelham;
b) “os partícipes do convênio têm competências institucionais comuns; o resultado alcançado
insere-se dentro das atribuições de cada qual”;
c) Enquanto no convênio o resultado pretendido é o mesmo para os partícipes, no
contrato este é diferente (por exemplo, o contratante quer a obra e o contratado quer a
remuneração);
d) Tendo em vista a mútua cooperação entre os partícipes, não se fala em preço ou
remuneração, mas sim em transferência de recursos, no caso dos convênios;
e) Nos contratos as vontades são antagônicas, enquanto nos convênios elas se somam;
f) No contrato fala-se em partes (interesses distintos) e no convênio em partícipes
(interesses comuns);
g) No convênio não há vinculação contratual, o que permite a denunciação do instrumento
antes do prazo de vigência.

Representando a linha de que os convênios estão inseridos dentro do gênero contrato,
pode-se citar Celso Antônio Bandeira de Mello e Odete Medauar. Aquele autor (2008, p. 653)
explica sua posição da seguinte forma:
O contrato, como instituto da Teoria Geral do Direito, compreende duas modalidade básicas: a
dos contratos em que as partes se compõem para atender a interesses contrapostos e que são
satisfeitos pela ação recíproca delas e os contratos em que, inversamente, as partes se compõem
pela comunidade de interesses, pela finalidade comum que as impulsiona. Estes últimos são os
contratos que originam as associações, as sociedades. Os do primeiro tipo são todos os demais
contratos. A Lei de Contratos Administrativos cogita dessa última espécie. Já os convênios e os
consórcios correspondem a contratos do segundo tipo – ou seja, daqueles em que as partes têm
interesses e finalidades comuns.
Sustentando essa mesma posição, Medauar (2011, p.245/246) apresenta uma série
de argumentos em contraposição aos defendidos por aqueles que entendem que os
convênios não possuem natureza jurídica de contratos:
Quanto à natureza, parte da doutrina publicista pátria distingue os convênios e os
consórcios dos contratos. Para facilidade de redação se invocam a seguinte, os
convênios, aplicando-se o exposto, quanto à natureza, aos consórcios públicos.

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Convênios e Consórcios Públicos
Módulo 01: Convênios

Segundo essa linha doutrinaria, diferenciam-se do seguinte modo, em essência: a) no
contrato há interesses opostos; no convênio há interesses convergentes; b) o contrato
realiza composição de interesses opostos; o convênio realiza conjugação de interesse;
c) no contrato há partes: uma que pretende o objeto (exemplos: obra, serviço) e
remunera; a outra que visa ao preço; no convênio não há partes, mas partícipes com
as mesmas pretensões; d) nos contratos há obrigações recíprocas, o que falta nos
convênios.
Vários argumentos em oposição a tais diferenças poderiam ser expostos. Serão
mencionados somente alguns. Quanto aos interesses, à presença do poder público
num dos polos levaria a raciocinar que o interesse público necessariamente será o
fim visado pelos convênios e contratos administrativos; por outro lado, no caso de
convênios celebrados com particular poder-se-ia argumentar que este não atua com
fim de interesse publico, havendo, então, interesses contrapostos; por um e outro
raciocínio, não se fixa a distinção.
(...)
No tocante à remuneração, nem sempre nos contratos administrativos uma das
partes remunera a outra, como ocorre na concessão de serviço público, na concessão
desserviço antecedida de obra, em que inexiste preço como contraprestação recíproca.
(...)
Parece igualmente difícil raciocinar em termos de existência ou inexistência de
obrigações recíprocas para diferenciar os contratos dos convênios e consórcios. Os
convênios implicam claramente encargos recíprocos; por exemplo: num convenio
entre uma Secretaria Estadual de Educação e uma Prefeitura para construção de uma
escola, cabendo à primeira a obra e à segunda o oferecimento do terreno, há encargos
recíprocos para ser atingido o resultado.
A dificuldade de fixar diferenças entre contrato, de um lado, e convênio e consórcio, de outro,
parece levar a concluir que são figuras da mesma natureza, pertencentes à mesma categoria, a
contratual. A característica dos convênios e consórcios está na sua especificidade, por envolver
duas ou mais entidades estatais, ou pelo tipo de resultado que pretendem atingir com o acordo
firmado.

Embora não haja consenso entre os doutrinadores quanto a este tema, tem-se que os
problemas atinentes a essa discussão se restringem à órbita teórica. O importante para o
aplicador do direito é verificar se há interesse recíproco dos partícipes, mútua cooperação e os
demais requisitos descritos no item 3.2 para classificar o instrumento como convênio.

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4. que pode ser conceituado como o instrumento por meio do qual é ajustada a descentralização de crédito entre órgãos e/ou entidades integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União.170/07. No caso de contratos de repasse. contrato de repasse. da Portaria Interministerial nº 507/11. que atua como mandatário da União. o termo de execução descentralizada era tratado pelo Decreto 6. A distinção entre o convênio e o termo de execução descentralizada está justamente nos sujeitos da relação jurídica. estabelece. Conforme explica o Tribunal de Contas da União (2013. exclusivamente. o Decreto nº 8. que a execução de programa de trabalho que objetive a realização de obra será feita. O art. salvo quando o concedente dispuser de estrutura para acompanhar a execução do convênio. do Decreto 6. Distinção entre convênios. 1º. Nesse caso. §1º.170/07. Somente após a celebração do contrato de prestação de serviços é que poderá ser firmado o contrato de repasse com o interessado. 8º. a União. é o termo de execução descentralizada. O ordenamento jurídico brasileiro está repleto de instrumentos que se assemelham aos convênios. 1º. ou o órgão ou entidade integrante da Administração Pública direta ou indireta federal celebra. para execução de ações de interesse da unidade orçamentária descentralizadora e consecução do objeto previsto no programa de trabalho.180/13 alterou a nomenclatura deste instrumento. respeitada fielmente a classificação funcional programática (art. nos termos dos artigos 1º. V e 5º. termos de execução descentralizada (termos de cooperação). §1º. inicialmente. termos de parceria e contrato de gestão. Em virtude dessa recente alteração. o órgão ou entidade da administração pública federal figurará como contratante.17). Enquanto este somente pode ser celebrado entre órgãos e/ou 21 . o qual deverá conter as atribuições delegadas. de interesse recíproco. a instituição financeira pública federal como mandatária e o interessado como contratado. por meio de contrato de repasse. De acordo com o art. §1º. II. por meio do qual a transferência dos recursos financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal. do Decreto nº 6. a Portaria Interministerial nº 507/11 ainda não foi adaptada e ainda trata se refere a ele como “termo de cooperação”. mas que possuem campos próprios de aplicação e diferenças pontuais entre si. o contrato de repasse é o instrumento administrativo.170/07). p. do Decreto nº 6. §2º. ainda. um contrato de prestação de serviço com a mandatária. no entanto. Outra figura que se assemelha ao convênio. O primeiro desses instrumentos congêneres é o contrato de repasse. “a instituição que mais fortemente vem operando essa modalidade de transferência é a Caixa Econômica Federal”. as limitações do mandato e a forma de remuneração pelos serviços. mas com ele não se confunde. III. Até 30/12/13.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios 2.170/07 como “termo de cooperação”.

Da mesma forma que o termo de parceria. 241. Ou seja. os Estados. o contrato de gestão se assemelha ao convênio. ele apenas é utilizado quando há qualificação de uma entidade privada como Organização Social. mesmo aqueles que fazem alguma referência.790/99. Reflexão O termo de parceria está previsto na Lei nº 9.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios entidades integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. não trazem os elementos necessários para definir o campo de aplicação desse instrumento administrativo. pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos. Bases jurídicas dos convênios A disciplina dos convênios na Constituição Federal de 1988 é bastante superficial. São eles o termo de parceria e o contrato de gestão. Poder-se-ia citar o art. 3o da referida Lei. 2. Além dessas duas figuras. ainda existem outros dois tipos de negócios jurídicos que envolvem a transferência de recursos públicos para entidades privadas. De acordo com o artigo 9º da citada norma. no entanto. sem fins lucrativos. para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas no art. aquele não pode ser utilizado para formalizar este tipo de acordo. 22 .5. serviços. nada mais é do que o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como Organização Social. com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas relacionadas no art. o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados. Poucos são os dispositivos que tratam dessa matéria e. como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPS. o termo de parceria é o instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como OSCIPS destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes. 1º da Lei nº 9. o termo de parceria possui campo de aplicação próprio e somente pode ser utilizado nos casos previsto na Lei nº 9. o qual.790/99. o qual prevê que a União. autorizando a gestão associada de serviços públicos. bem como a transferência total ou parcial de encargos. como forma de fomento às atividades de interesse público.637/98. ainda que guarde semelhança com o convênio. Essa mesma lógica aplica-se ao contrato de gestão. a qual estabeleceu os critérios para a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado.

serviços ou decisões. 10. Na esfera federal. no que couber. Também em nível infraconstitucional. a qual disciplinou a celebração de convênios de natureza financeira que tivessem por objeto a execução de projetos ou a realização de eventos. acordos. o referido Decreto ainda 23 . até mesmo porque os convênios não se prestam. que dispôs sobre normas relativas às transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse.666/93 – Lei Geral de Licitações e Contratos – prevê que as disposições daquela Lei aplicam-se aos convênios. da Lei nº 8. quando estejam devidamente aparelhadas e mediante convênio. a doutrina é pacífica no sentido de que o silêncio do constituinte. ainda que não haja dispositivo específico na Constituição para autorizar a celebração de convênios. Posteriormente. § 1º A descentralização será posta em prática em três planos principais: (. §3º . De toda forma. em 15 de janeiro de 1997. §3º: Art. estaduais ou municipais. a Instrução Normativa nº 01/97. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para execução de suas leis..a União.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios No entanto. o art. O art. 23 da Constituição Federal também se refere à norma de cooperação entre os entes federados. 13. mas sim à execução de projetos ou atividades de interesse comum. à gestão comum de serviços públicos.) b) da Administração Federal para a das unidades federadas. mas sem tratar especificamente dos convênios. Já no nível infralegal. não constitui proibição para a formalização do ajuste. o qual foi recepcionado pela atual Constituição. A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente descentralizada.. Tanto é que o Decreto-Lei nº 200/67. entrou em vigor o Decreto nº 6. em regra. em 25 de julho de 2007. ajustes e outros instrumentos congêneres celebrados por órgãos e entidades da Administração. 116.170/07. 13. cada ente federado deve estabelecer as condições e os requisitos para a celebração de convênios. neste caso. a Secretaria do Tesouro Nacional editou. Interessante notar que a Constituição de 1967 fazia expressa referência aos convênios administrativos no art. Além das normas específicas quanto aos convênios. por intermédio de funcionários federais. tal dispositivo está muito mais atrelado aos consórcios públicos do que aos convênios. traz um dispositivo específico para tratar da matéria: Art.

do Planejamento. Ministro Benjamin Zymler.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios estabeleceu. por meio do Ministro da Defesa à época. que o referido Decreto e seu regulamento estabeleceram procedimentos com o objetivo de conferir mais transparência ao processo de transferência de recursos da União por meio de convênios. 18. execução física e financeira dos acordos e prestação de contas dos convênios. além de instituir novas modalidades de descentralização de crédito. que os Ministros de Estado da Fazenda. 1º. Sessão do dia 10/09/08).O Decreto de 2007 instituiu procedimentos como a padronização. poderá preceder a celebração de convênio com entidades privadas sem fins lucrativos (art. a exemplo daqueles enunciados no § 1º do art. buscando por meio de critérios objetivos selecionar projetos ou entidades que tornem mais eficaz o objeto visado. a Corte de Contas Federal consignou o seguinte: I .Verifica-se. revogação somente de dispositivos específicos cujo objeto foi regulado de forma diversa (AC1937-36/08-P.170/07 e nem a Portaria Interministerial nº 127/08 disseram expressamente se a Instrução Normativa nº 01/97 da Secretaria do Tesouro Nacional estaria revogada. que tratou com mais profundidade dos diversos temas relativos à apresentação de propostas de convênios. inciso XI). 4º)”. definidos pelo concedente ou contratante. o chamamento público. 1º da IN/STN nº 01/97 e reproduzidos nas normas supervenientes”. Orçamento e Gestão e do Controle e da Transparência deveriam editar ato conjunto para execução do disposto naquela norma. a Portaria Interministerial nº 127. ainda. chamamento público. O Decreto nº 6. No entanto. estabelecendo vedações e requisitos para a celebração desses convênios. ou. também. poucos são os dispositivos que regulam de forma distinta matéria também tratada nessa Instrução Normativa. Foi elaborada. no art. II . Esses instrumentos normativos modificaram. alguns “conceitos específicos definidos na norma anterior. III . Além disso. para que a matéria fosse esclarecida e a possível antinomia sanada. Foi necessária a formulação de Consulta ao Tribunal de Contas da União. pois.Nem o citado Decreto. 24 . Houve. então. de 29 de maio de 2008. nem aquela a Portaria declaram expressamente a revogação da IN de 1997. portanto. IV . nem o Decreto nº 6.A IN/STN nº 01/97 ressalta o aspecto relativo à formalização dos instrumentos de transferência de recursos do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União para a execução de projetos. Em resposta. que. § 1º. “que consiste no estabelecimento de “critérios a serem seguidos nos convênios ou contratos de repasse com o mesmo objeto. especialmente quanto às características do objeto e ao seu custo” (art. tais como o “contrato de repasse” e o “termo de cooperação”.170/2007 e a citada Portaria dispõem sobre “a transferência em si.

170/11. exclusivamente. tratou-se de editar uma nova Portaria para declarar expressamente quais seriam as normas aplicáveis aos convênios federais. outra que pretende a contraprestação correspondente (o preço. mas unicamente partícipes com as mesmas pretensões. 2. O concedente é conceituado pela Portaria Interministerial nº 507/11 como o órgão ou entidade da administração pública federal. direta ou indireta. o qualquer outra vantagem). p. da Secretaria do Tesouro Nacional. 74-B . conforme explica Meirelles (2013.A Instrução Normativa nº 01. uma que pretende o objeto do ajuste (a obra. podendo haver. não se aplica aos convênios e contratos de repasse celebrados sob a vigência desta Portaria. a qual acrescentou o art. àqueles em que há transferência de recursos financeiros. responsável pela transferência dos recursos financeiros e pela descentralização dos créditos orçamentários destinados à execução do objeto do convênio. Aproximadamente três anos após a entrada em vigor da Portaria Interministerial nº 127/08. que todas essas normas federais citadas aplicamse. aos convênios onerosos. Sujeitos dos convênios Ao contrário dos contratos administrativos em que se usa a expressão “partes” para definir os sujeitos da relação jurídica. atualmente.). 464): No contrato há sempre duas partes (podendo ter mais de dois signatários). em que não há partes. Assim. Elas não incidem sobre convênios em que não há repasse de recursos financeiros para órgãos ou entidades públicas privadas. É importante que se diga.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Em virtude da resposta dada pelo Tribunal de Contas da União. sobreveio a Portaria Interministerial nº 507/11. os convênios e contratos de repasse celebrados pela União Federal com órgãos e/ou entidades públicas ou privadas. 74-B à Portaria Interministerial nº 127/08 com a seguinte redação: Art. foi publicada a Portaria Interministerial nº 342/08. Enquanto no contrato as partes são chamadas de contratante e contratado. de 15 de janeiro de 1997. mais uma vez. outras figuras especiais. diversamente do que ocorre no convênio. menos de dois meses após a decisão do TCU. junto com o Decreto nº 6. Essas duas normas serão objeto de análise ao longo deste trabalho. A nomenclatura utilizada para definir cada partícipe do convênio também é diferente daquela empregada nas relações contratuais. regulamenta. 25 . nos convênios opta-se por empregar o termo “partícipes”. ainda. a qual. no convênio a nomenclatura básica é concedente e convenente. ou seja. o serviço etc.6.

pelo menos um convenente e um concedente. também. com a qual a administração federal pactua a execução de contrato de repasse. projeto. Em todos os convênios haverá. é interessante que se tenha conhecimento de qual foi a definição dada pelo Decreto nº 6. 26 .170/07 a cada um desses termos. Ainda que haja semelhança entre os termos empregados no contrato de repasse e no contrato administrativo. com a qual a administração pública federal pactua a execução de programas. O interveniente. é definido como o órgão ou entidade da administração pública direta e indireta. Na hipótese de o convênio vir a ser firmado por entidade dependente ou órgão de Estado. §6º. atividade ou evento. O art. a denominação “partícipes” para tratar dos dois sujeitos em conjunto. ou entidade privada sem fins lucrativos que participa do convênio para manifestar consentimento ou assumir obrigações em nome próprio. necessariamente. Já o contratado. §6º. do Distrito Federal ou de Município. da referida Portaria exemplifica um caso em que é obrigatória a presença do interveniente no convênio: Art. a mandatária da União e a unidade executora. Esses sujeitos são figuras excepcionais e nem sempre aparecerão nos convênios e contratos de repasse. 1º. antes de firmar o convênio. por sua vez. o interveniente. permanecendo. projetos e atividades de interesse recíproco. contudo. Antes de se tornar convenente. merecem destaque. No caso dos contratos de repasse. pode-se chamar esse sujeito de interessado ou proponente (caso já tenha apresentado a proposta de trabalho para o concedente). a nomenclatura segue a mesma regra dos contratos administrativos: contratante e contratado. ou seja.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Já o convenente é definido como o órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta. bem como entidade privada sem fins lucrativos. de qualquer esfera de governo. é o órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta de qualquer esfera de governo. Além dessas figuras. de acordo com a Portaria Interministerial nº 507/11. contratante é o órgão ou entidade da administração pública direta e indireta da União que pactua a execução de programa. de qualquer esfera de governo. consórcio público ou entidade privada sem fins lucrativos. caso não haja delegação de competência. o Chefe do Poder Executivo desse ente deverá participar no instrumento a ser celebrado como interveniente. Para a citada norma. por intermédio de instituição financeira federal (mandatária) mediante a celebração de contrato de repasse. 1º.

A mandatária deve. ou seja. c) Proposição direta pelo Ministério ou entidade federal de convênio com órgãos ou entidades públicas ou privadas. distrital ou municipal. 2. • Convenente. de convênio a ser firmado. • Unidade executora.7. área ou campo de atuação. os instrumentos jurídicos de transferência de recursos aos convenentes. a unidade executora é definida como o órgão ou entidade da administração pública. naqueles em que há transferência de recursos financeiros. anualmente. SUJEITOS DOS CONVÊNIOS Ordinários Extraordinários Presentes em todos os convênios Presentes apenas em alguns convênios • Concedente. Por fim. ela é considerada sujeito ordinário). o órgão ou a entidade federal atuará como concedente e repassará verbas que integram o seu orçamento geral. facultativamente. pelo interessado. estar presente em todos os contratos de repasse e. a Caixa Econômica Federal é a mandatária da União na maioria dos contratos de repasse. Origens dos recursos financeiros Conforme já visto. nos convênios. desde que aprovado previamente pelo concedente. nos convênios onerosos. Via de regra. o qual tomará como base programas federais que destinem recursos financeiros para a sua região. devendo ser considerado como partícipe no instrumento. • Mandatária da União (no caso de contrato de gestão. obrigatoriamente.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios A mandatária da União é a instituição ou agência financeira controlada pela União que celebra e operacionaliza. por meio da Lei Orçamentária. a critério do convenente. das esferas estadual. sobre o qual pode recair a responsabilidade pela execução dos objetos definidos nos instrumentos de que trata esta Portaria. 27 . Atualmente. em nome da União. aprovado. • Interveniente. existem três formas para o convenente receber tais recursos por meio de convênio: a) Previsão nominal expressa do convenente na Lei Orçamentária Anual da União. b) Proposição.

conforme a realização da receita estimada e de acordo com o cenário econômico-financeiro do país. da Constituição Federal. insere na previsão do orçamento dotação específica para suportar as despesas com determinado convênio. em montante correspondente a 1. ocorre quando a própria União. No entanto.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios A primeira hipótese. sendo que a metade deste percentual será destinada a ações e serviços públicos de saúde. Exemplo: A Lei Orçamentária Anual para o exercício financeiro de 2013 – Lei nº 12. Veja-se a redação do polêmico dispositivo legal: Art. 52. foi aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2014 – Lei nº 12.2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita corrente líquida realizada no exercício anterior. a recente introdução do chamado “orçamento impositivo”. de forma equitativa. é importante destacar. diretamente no projeto de lei do Executivo. Esta ocorrerá de acordo com o planejamento do Executivo. o convenente já é previamente conhecido.798/13 – previu. qual seja. § 1º As emendas individuais ao projeto de lei orçamentária serão aprovadas no limite de 1. Após diversas discussões no parlamento. na Escola Municipal Elzinha Lizardo Nunes. Quanto a este tema.00 (quinhentos mil reais) para obras de infraestrutura para a Educação Básica. localizada no Município de Alto Taquari. Publicada a Lei Orçamentária Anual já haverá previsão dos recursos financeiros para o convênio em questão. 165. a liberação da quantia especificada não é imediata. que integre a programação prevista no caput deste artigo. da programação incluída por emendas individuais em lei orçamentária. previsão nominal na Lei do Orçamento. a destinação de R$500. Nesse caso. do art.919/13 – que trouxe a previsão de que o Executivo ficaria obrigado a pagar as Emendas Parlamentares inseridas no orçamento anual.000. de acordo com as regras estabelecidas no artigo 52 da citada norma. no volume V. ou por meio de Emendas Parlamentares.2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita corrente líquida prevista no projeto encaminhado pelo Poder Executivo. conforme os critérios para execução equitativa da programação definidos na lei complementar prevista no § 9º. no empenho das despesas. serão adotadas as seguintes medidas: 28 . que terá identificador de resultado primário 6 (RP-6). no Estado do Mato Grosso. § 2º As programações orçamentárias previstas no caput deste artigo não serão de execução obrigatória nos casos dos impedimentos de ordem técnica. ainda. É obrigatória a execução orçamentária e financeira. nestes casos.

o remanejamento será implementado por ato do Poder Executivo.até 30 de setembro. o interessado formulará. 71. o montante previsto no caput deste artigo poderá ser reduzido em até a mesma proporção da limitação incidente sobre o conjunto das despesas discricionárias. II . até o limite de 0. Organização não Governamental etc. independente da autoria.6% (seis décimos por cento) da receita corrente líquida realizada no exercício anterior. I da Constituição Federal. § 5º Se for verificado que a reestimativa da receita e da despesa poderá resultar no não cumprimento da meta de resultado fiscal estabelecida na lei de diretrizes orçamentárias. § 3o da Constituição Federal. ou até trinta dias após o prazo previsto no inciso II. § 7º Considera-se equitativa a execução das programações de caráter obrigatório que atenda de forma igualitária e impessoal as emendas apresentadas. as programações orçamentárias previstas no caput deste artigo não serão consideradas de execução obrigatória nos casos dos impedimentos justificados na notificação prevista no inciso I do § 2o deste artigo. a execução da programação será: I .até cento e vinte dias após a publicação da lei orçamentária.demonstrada no relatório de que trata o art.fiscalizada e avaliada quanto aos resultados obtidos.até trinta dias após o término do prazo previstos no inciso I deste parágrafo.se. 29 .objeto de manifestação específica no parecer previsto no art. os Poderes. II . o Poder Executivo encaminhará projeto de lei ao Congresso Nacional sobre o remanejamento da programação cujo impedimento seja insuperável. Com base neste programa. § 6º Para fins do disposto no caput deste artigo. A segunda hipótese ocorre quando o próprio interessado (Estado. 165. III . de forma genérica. e III . § 3º Após o prazo previsto no inciso IV do § 2o deste artigo. recursos para a sua área de atuação.) identifica na Lei Orçamentária Anual da União um programa federal que destine.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios I . até 20 de novembro. por meio do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse – SICONV – proposta de trabalho para o concedente. nos termos previstos na lei orçamentária. o Congresso Nacional não deliberar sobre o projeto. ou até trinta dias após o término do prazo previsto no inciso III. o Ministério Público da União e a Defensoria Pública da União enviarão ao Poder Legislativo as justificativas do impedimento. § 4º Os restos a pagar poderão ser considerados para fins de cumprimento da execução financeira prevista no caput deste artigo. Município. o Poder Legislativo indicará ao Poder Executivo o remanejamento da programação cujo impedimento seja insuperável. e IV .

o concedente pode (e. oriundos do Orçamento Geral da União. instituído pelo Decreto nº 6. Conforme será demonstrado ao longo deste trabalho. Fases dos convênios Normalmente os convênios são divididos em 4 partes: a) proposição. Essas quatro fases possuem várias etapas internas e especificidades que irão variar de acordo com a realidade e o ordenamento jurídico de cada ente federado. cabe àquele que foi procurado pelo Ministério aceitar. Dentre as propostas de trabalho que foram aceitas. abriu o chamamento público nº 001/13 para a celebração de convênio com o objetivo de promover a autonomia econômica das mulheres. 30 . Nesse caso. No caso da União. todas as quatro fases são processadas por meio do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse – SICONV -. para a realização de atividades de interesse comum dos partícipes fundadas no Programa federal de incentivo à autonomia econômica e ao empreendedorismo das mulheres. b) celebração. com o objetivo de modernizar e aperfeiçoar a gestão dos convênios federais. caso aprovada a proposta e cumpridos os demais trâmites legais. Exemplo: Em 2013. nessas hipóteses. deve) abrir um chamamento público para a escolha da(s) melhor(es) proposta(s) de trabalho a fim de celebrar convênio(s). a Secretaria de Políticas para as Mulheres. o concedente celebrará o convênio e destinará uma parcela dos recursos previstos naquela dotação orçamentária genérica para suportar as despesas específicas com o convênio. em alguns casos.170/07. um sistema informatizado. c) execução e d) prestação de contas.467/2013 com o SOF – Serviço de Orientação da Família – prevendo o repasse de R$350. a celebração do convênio. órgão integrante da Administração Pública federal. ou não.8.00 (trezentos e cinquenta mil reais). nas áreas urbanas e rurais. com apoio a iniciativas que ampliem a participação e formalização das mulheres no mercado de trabalho.000.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Após a análise de necessidade e viabilidade. A terceira e última hipótese ocorre quando o próprio Ministério ou outro órgão ou entidade que integre a Administração Pública federal detecta necessidades regionais ou locais e entram em contato diretamente com os stakeholders daquela localidade para propor a celebração de convênios. prioritariamente às mulheres de baixa renda. 2. a referida Secretaria firmou o convênio nº 782.

basta entrar no seguinte sítio eletrônico: https://www.CNPJ. endereço. 31 . Feita esta breve introdução sobre as fases dos convênios. O credenciamento pode ser entendido como o procedimento realizado pelo interessado. o processo de celebração e análise formal dos convênios ficou mais ágil. nada impede que o órgão ou a entidade federal também figurem nessa posição. gov. relação nominal atualizada dos dirigentes da entidade. Para acessar o SICONV. transcrição do objeto social da entidade atualizado. Além disso.br/portal.convenios. Isso porque. b) Entidades privadas: razão social. da Portaria Interministerial nº 507/11. com endereço. A fase da proposição é dividida em três etapas: o credenciamento. houve uma sensível redução dos custos envolvidos em todo o processo e no tempo gasto com a administração de tais acordos. bem como endereço residencial do responsável que assinará o instrumento. o cadastramento e a apresentação da proposta de trabalho. uma vez que o sistema é aberto à consulta pública. conforme visto no item 3.1 Proposição A fase inicial de um convênio é a proposição. o interessado analisa a realidade socioeconômica regional ou local e identifica as necessidades de determinada comunidade ou mesmo da coletividade. que o habilite a apresentar propostas de trabalhos. embora na maioria das vezes o interessado seja o órgão ou entidade privada ou pública (estadual. Importante ressaltar que.7.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Com a implantação do SICONV. diretamente no SICONV. endereço da sede. endereço eletrônico e número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas . para a obtenção de um nome de usuário e uma senha. o próprio Poder Público federal poderá identificar uma determinada necessidade social e entrar em contato com os agentes regionais ou locais propondo a celebração de convênios. Nessa etapa. distrital ou municipal). número e órgão expedidor da carteira de identidade e CPF de cada um deles. número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas .CNPJ. disponibilizando diversas informações relevantes para a sociedade. De acordo com o art. endereço eletrônico.8. em alguns casos. 2. será exigido que o interessado informe os seguintes dados no ato do credenciamento: a) Órgãos ou entidades públicas: nome. passa-se a analisar cada uma delas separadamente. eficaz e transparente. 18.

de qualquer esfera governamental. para os fins da Portaria Interministerial nº 507/11. da Portaria Interministerial nº 507/11. assim entendidos os conselheiros. pela entidade privada sem fins lucrativos. para as entidades privadas. previdenciária.SICAF a ele vinculadas. na forma da lei. 32 . Estadual. 21. ou respectivo cônjuge ou companheiro. do Distrito Federal e Municipal e com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço . presidentes. na apresentação dos documentos referentes à qualificação jurídica. e. dirigente é aquele que possua vínculo com entidade privada sem fins lucrativos e detenha qualquer nível de poder decisório. consiste na validação dos dados incluídos no credenciamento. no caso dos órgãos e entidades públicas. de atividades referentes à matéria objeto do convênio ou contrato de repasse que pretenda celebrar com órgãos e entidades da administração pública federal. O cadastramento terá validade de um ano. diretores. colateral ou por afinidade. Além disso.CPF. Este procedimento. d) Declaração da autoridade máxima da entidade informando que nenhuma das pessoas relacionadas no inciso II é agente político de Poder ou do Ministério Público. bem como parente em linha reta. superintendentes. e será realizado no órgão ou entidade concedente ou nas unidades cadastradoras do Sistema de Cadastro Unificado de Fornecedores . no caso de entidades privadas. tem-se início a etapa do cadastramento. fiscal. conforme o disposto no art. gerentes. de acordo com as exigências constantes na Portaria Interministerial nº 507/11. tanto quanto dirigente de órgão ou entidade da administração pública. com Cadastro de Pessoas Físicas . e na capacidade técnica e operacional. f) Prova de regularidade com as Fazendas Federal. por sua vez. quando vier a celebrar o instrumento. e g) Comprovante do exercício nos últimos 3 (três) anos. dentre outros. exige-se a apresentação dos seguintes documentos no ato do cadastramento: a) Cópia do estatuto ou contrato social registrado no cartório competente e suas alterações. Importante frisar que a pessoa que for realizar o cadastramento deverá comprovar o vínculo com a entidade interessada em celebrar o convênio. c) Declaração do dirigente máximo da entidade acerca da inexistência de dívida com o Poder Público e de inscrição nos bancos de dados públicos ou privados de proteção ao crédito. até o segundo grau (ressalte-se que. e) Prova de inscrição da entidade no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas .CNPJ pelo prazo mínimo de 3 (três) anos. b) Relação nominal atualizada dos dirigentes da entidade.FGTS.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Após o credenciamento.

caso este já tenha sido realizado. também. sem que ele esteja previamente cadastrado no SICONV. Também será verificada a qualificação técnica e a capacidade operacional do proponente para a consecução dos objetivos do convênio. a relação entre a proposta apresentada e os objetivos e diretrizes do programa federal. comunicará ao proponente e cancelará o empenho. no mínimo. notadamente no que diz respeito à existência de interesses recíprocos entre os futuros partícipes. Já na hipótese de recusa da proposta. discriminando o repasse a ser realizado pelo concedente e a contrapartida prevista para o proponente. o interessado já estará apto à apresentação de propostas. na forma estabelecida em lei. o proponente apresentará. a justificativa contendo a caracterização dos interesses recíprocos. a estimativa dos recursos financeiros. encontra-se em seu artigo 1º. §2º. especificando o valor de cada parcela e do montante de todos os recursos. b) Descrição completa do objeto a ser executado. se for o caso. o concedente registrará o indeferimento no SICONV. Em algumas hipóteses admitir-se-á a apresentação de propostas apenas com o credenciamento do interessado. o proponente será comunicado para incluir o plano de trabalho. para os fins da Portaria Interministerial nº 507/11. a indicação do público alvo. d) Definição das etapas ou fases da execução. incisos XXI e XXVI: 33 . após sanar as pendências constatadas e regularizar as exigências assinaladas pelo Poder Público.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Realizado o cadastramento. O plano de trabalho aceito pelo concedente deverá conter. Caso o concedente aceite a proposta de trabalho. e f) Plano de aplicação dos recursos a serem desembolsados pelo concedente e da contrapartida financeira do proponente. Tais propostas deverão conter. a previsão de prazo para a execução e as informações relativas à capacidade técnica e gerencial do proponente para execução do objeto. e) Cronograma de execução do objeto e cronograma de desembolso. c) Descrição das metas a serem atingidas. no mínimo. o projeto básico ou o termo de referência relacionado ao objeto do futuro convênio. Além disso será realizado o pré-empenho dos recursos vinculado à proposta. o concedente procederá à sua análise quanto à viabilidade e à adequação dela aos objetivos do programa federal. os seguintes dados: a) Justificativa para a celebração do instrumento. do problema a ser resolvido e dos resultados esperados. Além do plano de trabalho. a descrição do objeto a ser executado. Recebida a proposta de trabalho. A definição de projeto básico e de termo de referência.

a definição dos métodos e o prazo de execução do objeto Embora a apresentação desses documentos seja realizada juntamente com o plano de trabalho. ajustes e outros instrumentos congêneres celebrados por órgãos e entidades da Administração. poderá o concedente exigi-los em momento posterior. o órgão ou entidade federal deverá divulgar o edital. na primeira página do seu sítio eletrônico. contrato de repasse envolver aquisição de bens ou prestação de serviços. feitas as adequações solicitadas pelo concedente. considerando os preços praticados no mercado da região onde será executado o objeto. No entanto. e que possibilite a avaliação do custo da obra ou serviço de engenharia e a definição dos métodos e do prazo de execução. 2. para caracterizar a obra ou serviço. assim como os contratos. De toda forma.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Projeto básico: conjunto de elementos necessários e suficientes. em regra. bem como. que. poder-se-ia imaginar que os convênios deveriam ser precedidos de procedimento licitatório. no Portal dos Convênios. impessoalidade e eficiência. 34 . mas sim de procedimento administrativo formal realizado por meio do SICONV em atendimento aos princípios da moralidade. Não se trata de nova modalidade licitatória.666/93. desde que antes da liberação da primeira parcela dos recursos. com nível de precisão adequado. a doutrina é uníssona no sentido de que. aos convênios. a critério da autoridade competente do concedente. aquela. Após a aprovação da proposta de trabalho. que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento. elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares.8. automaticamente. não há como analisar a fase de proposição sem abordar o chamamento público. a realização de licitação para a celebração do acordo é desnecessária. que deverá conter elementos capazes de propiciar a avaliação do custo pela Administração. estabelece que as disposições daquela Lei aplicam-se. da Lei nº 8. Ao deflagrar o chamamento público. ou complexo de obras ou serviços. instituiu o chamamento público. diante de orçamento detalhado. com antecedência mínima de 15 dias da apresentação das propostas. O artigo 116. no caso dos convênios. Termo de referência: documento apresentado quando o objeto do convênio.170/07. na qual o concedente selecionará a melhor proposta apresentada para a celebração do convênio. nada mais é do que uma etapa de competição. converter-se-á no plano de trabalho do convênio. em despacho fundamentado. no que couber. Em razão dessa norma.2 Chamamento público Embora não constitua uma fase autônoma do procedimento de celebração de convênios. O projeto básico ou o termo de referência ainda poderão ser dispensados no caso de padronização do objeto. o Decreto nº 6. regulamentado pela Portaria Interministerial nº 507/11. acordos.

Na primeira hipótese. comprovante do exercício. contados da ocorrência da emergência ou calamidade. o concedente irá analisá-las de acordo com os critérios objetivos previamente estabelecidos no edital de chamamento público. Conquanto o chamamento seja obrigatório para os convênios a serem celebrados com entidades privadas.para a realização de programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer sua segurança. com base nas diretrizes e nos objetivos dos respectivos programas. 9º O titular do órgão ou da entidade concedente poderá. Já no caso de convênios com entidades privadas. a descrição dos programas a serem executados de forma descentralizada e os critérios objetivos para a seleção do convenente ou contratado. na esfera federal. as seguintes informações: a) Especificação do objeto da parceria. quando cabível. mediante decisão fundamentada. local e forma de apresentação das propostas. os quais deverão levar em conta a capacidade técnica e operacional do proponente para a execução do objeto da parceria e a adequação da proposta apresentada ao objeto da parceria. c) Datas e critérios objetivos de seleção e julgamento das propostas. o chamamento público visando à celebração de convênios com órgãos ou entidades públicas. condições. excepcionar a exigência prevista no art. e) Valor previsto para a realização do objeto da parceria. II . d) Exigência de declaração da entidade proponente de que apresentará. prazos. Recebidas as propostas. o edital de chamamento público deverá apresentar. qual seja. vedada a prorrogação da vigência do instrumento. no mínimo. b) Datas. e 35 . termo de parceria ou contrato de repasse pelo prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos. ao menos. nos últimos 3 (três) anos de atividades referentes à matéria objeto do convênio ou termo de parceria que pretenda celebrar com órgão ou entidade.nos casos de emergência ou calamidade pública. da Portaria Interministerial nº 507/11. o chamamento público é facultativo para a celebração de convênios com órgão e entidades públicas e obrigatório no caso de figurar como convenente uma entidade privada. 8º nas seguintes situações: I .Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Ressalte-se que. estabeleceu três hipóteses em que ele poderá ser dispensado: Art. o artigo 9º. nos termos do § 7º deste artigo. quando caracterizada situação que demande a realização ou manutenção de convênio. inclusive quanto aos custos cronograma e resultados previstos. e f) Previsão de contrapartida. a Portaria Interministerial nº 507/11 estabelece que o edital de convocação deverá conter. para celebração do instrumento.

e administrados pela Secretaria do Tesouro Nacional. i) Aplicação mínima de recursos na área da Educação. do limite de operações de crédito. 2. Uma vez aprovado o plano de trabalho. 38.3 Celebração A segunda fase dos convênios é a celebração. m)Encaminhamento das Contas Anuais para a consolidação das contas dos Entes da Federação relativas ao exercício anterior.nos casos em que o projeto. tais condições são as seguintes: a) Demonstração do exercício da Plena Competência Tributária. d) Regularidade quanto a Contribuições Previdenciárias. aplicável para o último ano do mandato. c) Regularidade quanto a Tributos e Contribuições Federais e à Dívida Ativa da União. inclusive por antecipação de receita e do limite de inscrição em Restos a Pagar. estabeleceu uma série de condições a serem cumpridas pelos convenentes para que seja celebrado o acordo. atividade ou serviço objeto do convênio ou contrato de repasse já seja realizado adequadamente mediante parceria com a mesma entidade há pelo menos cinco anos e cujas respectivas prestações de contas tenham sido devidamente aprovadas. h) Regularidade em relação à Adimplência Financeira em Empréstimos e Financiamentos concedidos pela União.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios III . Com o intuito de garantir a lisura do convênio a ser celebrado e resguardar o patrimônio público. o art. j) Aplicação mínima de recursos na área da Saúde. da Portaria Interministerial nº 507/11. e) Regularidade perante o Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN). k) Publicação e remessa tempestivas ao Tribunal de Contas do Relatório de Gestão Fiscal e do Relatório Resumido da Execução Orçamentária. 36 . b) Regularidade Previdenciária. g) Regularidade quanto à Prestação de Contas de Recursos Federais Recebidos.8. dos limites das dívidas consolidada e mobiliária. f) Regularidade quanto a Contribuições para o FGTS. l) Inexistência de vedação ao recebimento de transferência voluntária por descumprimento dos limites de despesa total com pessoal. De forma sintética. o concedente irá verificar se o futuro convenente apresenta todas as condições para a celebração do acordo e se ele não se enquadra em qualquer das vedações expressamente previstas nos normativos aplicáveis à espécie.

com órgãos e entidades da administração pública direta e indireta dos Estados. nos quais o valor da transferência da União seja inferior a R$ 250. no caso de execução de obras e serviços de engenharia. VII . ou irregular em qualquer das exigências desta Portaria. ainda estabelece diversas situações em que é vedada a celebração de acordos com o órgão ou entidade federal. ou respectivo cônjuge ou companheiro. tanto quanto dirigente de órgão ou entidade da administração pública. É vedada a celebração de convênios: I . que esteja em mora. casos em que deverão ser firmados termos de cooperação. o art. colateral ou por afinidade.00 (cem mil reais) ou.com pessoas físicas ou entidades privadas com fins lucrativos.com entidades privadas sem fins lucrativos que tenham como dirigente agente político de Poder ou do Ministério Público.entre órgãos e entidades da Administração Pública federal.visando à realização de serviços ou execução de obras a serem custeadas.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios n) Comprovação de que as Despesas de Caráter Continuado Derivadas do Conjunto das Parcerias Público-Privadas já contratadas no ano anterior limitam-se a 3% (três por cento) da receita corrente líquida do exercício e se as despesas anuais dos contratos vigentes nos 10 (dez) anos subseqüentes limitam-se a 3% (três por cento) da receita corrente líquida projetada para os respectivos exercícios.com órgão ou entidade. 10. inadimplente com outros convênios celebrados com órgãos ou entidades da Administração Pública Federal.com entidades públicas ou privadas cujo objeto social não se relacione às características do programa ou que não disponham de condições técnicas para executar o convênio. Distrito Federal e Municípios cujo valor seja inferior a R$ 100. da citada Portaria Interministerial. Tais vedações dizem respeito tanto à pessoa do proponente como ao objeto do convênio: Art. o) Comprovação da regularidade quanto ao Pagamento de Precatórios Judiciais. q) Inexistência de situação de vedação ao recebimento de transferências voluntárias. VI . com recursos externos sem a prévia contratação da operação de crédito externo. ainda que apenas parcialmente. II . de qualquer esfera governamental. p) Comprovação de divulgação da execução orçamentária e financeira por meio eletrônico de acesso ao público e de informações pormenorizadas relativas à receita e à despesa. até o segundo grau. III . 10. bem como parente em linha reta. de direito público ou privado. V .000.00 (duzentos e cinquenta mil reais). IV .000. Além dessas condições para celebração. exceto elaboração de projetos de engenharia. e 37 .

incorrido em pelo menos uma das seguintes condutas: a) omissão no dever de prestar contas.000.com entidades privadas sem fins lucrativos que tenham. contratos de repasse ou termos de parceria. cuja transferência da União seja superior a R$100.00 ou. Já no corpo do convênio. superior a R$250. V .Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios VIII .as obrigações de cada um dos partícipes. b) descumprimento injustificado do objeto de convênios. 38 . quando couber. a Portaria Interministerial nº 507/11 estabelece algumas cláusulas que. II . no caso de execução de obras e serviços de engenharia. deverão constar em todos os convênios.00. da Portaria Interministerial nº 507/11: Art.o objeto e seus elementos característicos. IV – as obrigações do interveniente. fixada de acordo com o prazo previsto para a consecução do objeto e em função das metas estabelecidas. Atualmente. necessariamente. em suas relações anteriores com a União. nos últimos três anos. o concedente federal somente firmará convênios. contratos de repasse ou termos de parceria. as cláusulas obrigatórias são aquelas previstas no artigo 43. III . 43. e IX . quando houver. ou e) prática de outros atos ilícitos na execução de convênios. No preâmbulo. em consonância com o Plano de Trabalho.000. d) ocorrência de dano ao Erário. c) desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos.a vigência. atividades referentes à matéria objeto do convênio. Para tanto. Uma vez constatado que o interessado cumpre todas as condições de celebração e não se enquadra em nenhuma hipótese de vedação. a qualificação completa dos partícipes e a finalidade do acordo. que integrará o termo celebrado independentemente de transcrição. São cláusulas necessárias nos instrumentos regulados por esta Portaria as que estabeleçam: I . sendo vedada execução de atividades previstas no Plano de Trabalho. Vale ressaltar que uma das vedações diz respeito ao valor do convênio.a contrapartida. por exemplo. e a forma de sua aferição quando atendida por meio de bens e serviços. passa-se à formalização do termo de convênio entre o órgão ou entidade federal e o órgão ou entidade públicos ou privados. a referida norma prevê que haverá menção à numeração sequencial no SICONV.com entidades privadas sem fins lucrativos que não comprovem ter desenvolvido.

XVI . em razão deste. indicar-se-ão os créditos e empenhos para sua cobertura. a qualquer tempo.a obrigatoriedade de restituição de recursos. mencionando se o número e data da Nota de Empenho ou Nota de Movimentação de Crédito e declaração de que. no caso de paralisação ou da ocorrência de fato relevante. a indicação da participação de órgãos ou entidades previstos no § 2° do art. em termos aditivos. quando não integrante da conta única do Governo Federal.a faculdade dos partícipes rescindirem o instrumento.a indicação do foro para dirimir as dúvidas decorrentes da execução dos convênios. contratos ou instrumentos congêneres. tenham sido adquiridos.a obrigatoriedade de o convenente ou contratado incluir regularmente no SICONV as informações e os documentos exigidos por esta Portaria. estão consignados no plano plurianual ou em prévia lei que os autorize. inclusive com a indicação dos recursos humanos e tecnológicos que serão empregados na atividade ou. XII . XVII . quando for o caso. transformados ou construídos. do direito de propriedade dos bens remanescentes na data da conclusão ou extinção do instrumento.a obrigação de o concedente prorrogar “de ofício” a vigência do instrumento antes do seu término.a previsão de extinção obrigatória do instrumento em caso de o Projeto Básico não ter sido aprovado ou apresentado no prazo estabelecido. se for o caso.o cronograma de desembolso conforme o Plano de Trabalho.a definição. XVIII . estabelecendo a obrigatoriedade 39 . produzidos. XIV .a obrigação do convenente de manter e movimentar os recursos na conta bancária específica do convênio ou contrato de repasse em instituição financeira controlada pela União. bem como aos locais de execução do objeto. incluindo os recursos da contrapartida pactuada. X . VII .a prerrogativa do órgão ou entidade transferidor dos recursos financeiros assumir ou transferir a responsabilidade pela execução do objeto. limitada a prorrogação ao exato período do atraso verificado. XIII . XI . XIX .Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios VI .no caso de órgão ou entidade pública. VIII . mantendo-o atualizado. documentos. que. bem como do Tribunal de Contas da União aos processos. IX . informações referentes aos instrumentos de transferências regulamentados por esta Portaria. respeitado o disposto na legislação pertinente. de modo a evitar sua descontinuidade. nos casos previstos nesta Portaria. 67 desta Portaria. de cada parcela da despesa a ser transferida em exercício futuro. quando houver. se for o caso. no caso de investimento.a forma pela qual a execução física do objeto será acompanhada pelo concedente.a classificação orçamentária da despesa.o livre acesso dos servidores dos órgãos ou entidades públicas concedentes e os do controle interno do Poder Executivo Federal. a informação de que os recursos para atender às despesas em exercícios futuros. XV . quando der causa a atraso na liberação dos recursos.

a obrigação de prestar contas dos recursos recebidos no SICONV. de 25 de julho de 2007. na forma do art. de 24 de agosto de 2001. em caso de os partícipes serem da esfera federal.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios da prévia tentativa de solução administrativa com a participação da Advocacia-Geral da União. quando houver. conforme o caso. O convênio assinado seguirá.180-35. quando se tratar de contrato de repasse. então. que será providenciada pelo concedente. na hipótese de convênios com entidades privadas. nos termos do art.a previsão de. Antes.a sujeição do convênio ou contrato de repasse e sua execução às normas do Decreto nº 6. XXVII . 11 da Medida Provisória nº 2.o bloqueio de recursos na conta corrente vinculada. bem como do Decreto nº 93. 40 . a celebração do instrumento à Assembléia Legislativa ou à Câmara Municipal do convenente. XXV . XX . quando se tratar de contrato de repasse. XXIV . na ocorrência de cancelamento de Restos a Pagar.a responsabilidade solidária dos entes consorciados. o acordo deverá ser assinado diretamente pelo Ministro de Estado ou pelo dirigente máximo da entidade da administração pública federal concedente. da assinatura do convênio. bem como dos órgãos de controle.872. quando houver. e XXVIII . que o quantitativo possa ser reduzido até a etapa que apresente funcionalidade. nos instrumentos que envolvam consórcio público. 56 desta Portaria.as obrigações da unidade executora. Além disso. No ato da assinatura é importante observar que. o concedente notificará. de 23 de dezembro de 1986. E mais: o convenente deverá dar ciência da celebração ao conselho local ou instância de controle social da área vinculada ao programa de governo que originou a transferência. o concedente submeterá a minuta do acordo para a análise e manifestação dos órgãos técnico e jurídico integrantes de sua estrutura administrativa. XXI .a obrigação de o convenente ou o contratado inserir cláusula nos contratos celebrados para execução do convênio ou contrato de repasse que permitam o livre acesso dos servidores dos órgãos ou entidades públicas concedentes. contudo. XXIII . administração direta ou indireta. para a publicação no Diário Oficial da União. no prazo de até 10 (dez) dias. XXVI . aos documentos e registros contábeis das empresas contratadas.a forma de liberação dos recursos ou desbloqueio. no prazo de até 20 (vinte) dias a contar de sua assinatura. XXII . e a esta Portaria.o prazo para apresentação da prestação de contas.170. sendo expressamente vedada a delegação dessa atribuição.

b) 0. a capacidade financeira do convenente e o seu Índice de Desenvolvimento Humano: Art. II .1% (um décimo por cento) e 4% (quatro por cento).no caso dos Estados e do Distrito Federal: a) 0. e c) 1% (um por cento) e 20% (vinte por cento) para os demais. da Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2014. SUDAM e SUDECO. Dessa forma. considerandose a capacidade financeira da respectiva unidade beneficiada e seu Índice de Desenvolvimento Humano . da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia . nas áreas da SUDENE.no caso de consórcios públicos constituídos por Estados. Distrito Federal e Municípios. a contrapartida do convenente corresponde a um valor financeiro. proveniente do seu patrimônio e destinado à execução dos objetivos acordados pelos partícipes. previamente definido no convênio. exclusivamente financeira. financeiros ou não.A contrapartida. Embora as normas federais não apresentem um conceito para este elemento. 60. nas áreas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste . e b) 2% (dois por cento) e 20% (vinte por cento) para os demais. novamente dispôs que as transferências voluntárias para outros entes da federação dependerão. a União não poderá celebrar convênios com outros entes federados sem a previsão expressa de contrapartida do convenente.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios 2.no caso dos Municípios: a) 0. 41 . §1º .8. Na prática.SUDENE. o art.1% (um décimo por cento) e 10% (dez por cento) se localizados nas áreas prioritárias definidas no âmbito da PNDR.IDH. será estabelecida em termos percentuais do valor previsto no instrumento de transferência voluntária. A Lei de Diretrizes Orçamentárias da União para o exercício de 2014 estabeleceu uma margem percentual da contrapartida tomando como base o valor do repasse. Para as entidades privadas permanece sendo facultativa a fixação de contrapartida.2% (dois décimos por cento) e 8% (oito por cento) para Municípios acima de cinquenta mil habitantes localizados nas áreas prioritárias definidas no âmbito da Política Nacional de Desenvolvimento Regional . O valor da contrapartida dependerá do valor total do convênio. 60. exclusivamente.SUDECO. 0. de contrapartida. a contrapartida é o aporte de recursos.4 Contrapartida Um dos elementos presentes na maioria dos convênios é a contrapartida. no exercício financeiro de 2014. No entanto. tendo como limite mínimo e máximo: I .PNDR.1% (um décimo por cento) e 4% (quatro por cento) para Municípios com até cinquenta mil habitantes.SUDAM e da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste . do convenente para a execução do objeto do convênio de saída. e III .

Nos convênios federais. dos estados. No entanto. ou operação de mercado aberto lastreada em título da dívida pública. a rejeição das contas do convenente. A primeira questão a ser analisada quanto a este ponto é a necessidade de abertura de uma conta bancária específica para o depósito dos valores relativos à transferência financeira do concedente e a contrapartida do convenente. Obviamente. se a previsão de seu uso for igual ou superior a um mês. A movimentação de recursos fora da conta vinculada ao convênio constitui irregularidade grave e poderá ensejar. Ora.666/93 ou das normas relativas ao Pregão. no mínimo. o pagamento de despesas pelo convenente e a execução física do objeto do convênio. XXI. inclusive.8. da Constituição Federal deixou bem claro que as obras. a qual compreende a gestão financeira do acordo. É importante deixar claro que o convênio deverá estar vinculado a apenas uma conta específica. a Portaria Ministerial nº 507/11 definiu de que forma será realizada esta aplicação: a) Em caderneta de poupança de instituição financeira pública federal. Execução do convênio Uma vez celebrado o convênio. Outro ponto atinente à execução do objeto é quanto à necessidade de realização de licitações para a aquisição de bens ou serviços de terceiros pelos convenentes. nos termos da Lei nº 8. a Portaria Interministerial nº 507/11 estabeleceu que para a aquisição de bens e contratação de serviços. no caso dos acordos federais. também não poderá haver mais de um convênio por conta bancária.5. Essa conta bancária específica do convênio deverá ser aberta em instituição financeira oficial. serviços.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios 2. quando este for um órgão ou entidade pública. tem-se início a sua execução. quando houver. 42 . e b) Em fundo de aplicação financeira de curto prazo. moralidade e economicidade. conforme previsto no plano de trabalho já aprovado. 37. as entidades privadas sem fins lucrativos deverão realizar. compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública. observados os princípios da impessoalidade. Os valores nela constantes somente poderão ser utilizados para arcar com despesas estritamente vinculadas ao objeto do convênio ou para aplicação no mercado financeiro no intuito de fazer frente à inflação. Já no caso das entidades privadas. quando sua utilização estiver prevista para prazos menores. ou em instituição financeira controlada pela União. cotação prévia de preços no mercado. não se exige a realização de procedimento licitatório formal. não há dúvida a respeito: o art.

Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios De forma sintética. é facultada a dispensa deste procedimento nos seguintes casos: a) Por ato da autoridade máxima do concedente. 70. No entanto. pública ou privada. e os desembolsos e pagamentos. conforme os cronogramas apresentados. bem como a regularidade das informações registradas pelo convenente no SICONV e o cumprimento das metas do Plano de Trabalho nas condições estabelecidas. No caso dos acordos federais. Em tais hipóteses o crédito poderá ser realizado em conta bancária de titularidade do próprio convenente.8. b) Na execução do objeto pelo convenente por regime direto. devendo ser registrado no SICONV o beneficiário final da despesa. assuma obrigações de natureza pecuniária. Prestação de contas A última fase dos convênios é a prestação de contas. que utilize. Ao realizar a fiscalização rigorosa do convênio. e c) No ressarcimento ao convenente por pagamentos realizados às próprias custas decorrentes de atrasos na liberação de recursos pelo concedente e em valores além da contrapartida pactuada. a execução do convênio será acompanhada por um representante do concedente. para a sua gestão financeira e para a adequação deste ao plano de trabalho. gerencie ou administre dinheiros. atentando-se para o cronograma de desembolso. que anotará em registro próprio todas as ocorrências relacionadas à consecução do objeto. ou que. em nome desta. especialmente designado e registrado no SICONV. 2. o qual dispõe que prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica. bens e valores públicos ou pelos quais a União responda. parágrafo único. 43 . guarde. Somente com o acompanhamento constante e contínuo é que se poderá verificar se a obra. a compatibilidade entre a execução do objeto.6. adotando as medidas necessárias à regularização das falhas observadas. Esse representante do concedente verificará. deve-se deixar claro que é dever do convenente a fiscalização da execução físicofinanceira do objeto do convênio. Por fim. a comprovação da boa e regular aplicação dos recursos. dentre outros aspectos. arrecade. dificilmente o convenente terá suas contas rejeitadas. a Portaria Interministerial nº 507/11 dispõe que os pagamentos de fornecedores serão realizados mediante crédito em suas próprias contas bancárias. Trata-se de obrigação constitucional inserida no art. na forma da legislação aplicável. o serviço ou o fornecimento de bens pelo terceiro está sendo realizada de acordo com o plano de trabalho previamente aprovado pelo concedente. o que foi estabelecido no Plano de Trabalho.

b) Aprová-las com ressalva. ou indícios de dano ao erário. quando evidenciada impropriedade ou qualquer outra falta de natureza formal de que não resulte dano ao erário. De acordo com a Portaria Interministerial nº 507/11. Caso reste demonstrada a boa e regular aplicação dos recursos transferidos. o que ocorrer primeiro. no entanto. o concedente registrará a inadimplência no SICONV e comunicará o fato ao órgão de contabilidade analítica a que estiver vinculado. o concedente terá o prazo de noventa dias. ou recolhimento dos recursos. 44 . a execução do convênio de saída e a regularidade na aplicação dos recursos. falta de comprovação total ou parcial da aplicação de recursos do convênio de saída. Analisadas as contas. o prazo para apresentação das prestações de contas será de ate 60 (sessenta) dias após o encerramento da vigência ou a conclusão da execução do objeto. 76. o concedente estabelecerá o prazo máximo de 30 (trinta) dias para sua apresentação. para reforçar a obrigação e para estabelecer os meios como as contas serão prestadas. da Portaria Interministerial nº 507/11. sob pena de responsabilização solidária.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Não haveria necessidade de repetição dessa norma na legislação infraconstitucional. Por outro lado. o concedente registrará o fato no SICONV e adotará as providências necessárias à instauração da Tomada de Contas Especial. atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora. o ordenador de despesas do concedente poderá: a) Aprová-las. Conforme o art. de forma clara e objetiva. Esgotadas essas medidas sem que tenham elas sido exitosas. a autoridade do concedente. para analisar a prestação de contas encaminhada. incluídos os rendimentos da aplicação no mercado financeiro. para fins de instauração de tomada de contas especial sob aquele argumento e adoção de outras medidas para reparação do dano ao erário. Se após esse prazo as contas não forem encaminhadas pelo convenente. se houver irregularidades nas contas. contado da data do recebimento. se comprovadas. as contas serão aprovadas. quando houver omissão no dever de prestar contas. inicialmente. as normas federal e estadual atinentes aos convênios previram procedimentos específicos para essa ação. deverá exaurir todas as providências cabíveis para regularização das pendências ou reparação do dano. Permanecendo omisso em seu dever de prestar contas. e c) Reprová-las.

com apuração de fatos. Cabe ressaltar. por outros meios legais. portanto. 2. o ressarcimento dos valores transferidos. Tomada de contas especial A tomada de contas especial. com rito próprio. é necessário que fique claramente demonstrada a existência de um responsável e a relação deste com a redução patrimonial verificada pelo concedente. ainda. Após a reprovação das contas pelo concedente. que a Súmula nº 230 do Tribunal de Contas da União prevê o seguinte: Compete ao prefeito sucessor apresentar as contas referentes aos recursos federais recebidos por seu antecessor. que ocorre nos Tribunais de Contas. quantificação do dano. hipótese em que não se sabe como se deu a aplicação dos recursos conveniados. sob pena de coresponsabilidade. conforme estabelecido na Instrução Normativa nº 71/12 do Tribunal de Contas da União. para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à administração pública federal. Se ao término da instrução da tomada de contas especial ficar comprovada a ocorrência de dano ao erário e do responsável pelo desfalque.8. 45 .Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Na hipótese de aprovação com ressalvas. a autoridade competente atestará a irregularidade das contas e encaminhará o processo para a fase externa. Além disso. caso não seja possível obter. adotar as medidas legais visando ao resguardo do patrimônio público com a instauração da competente Tomada de Contas Especial. identificação dos responsáveis e obter o respectivo ressarcimento”. No entanto. quando este não o tiver feito ou.7. bem como o resguardo do patrimônio público. Um dos pressupostos para a instauração da tomada de contas é a identificação de um dano real ou potencial ao erário. O dano real ocorre quando a própria documentação apresentada pelo convenente demonstra que as verbas repassadas não foram aplicadas em conformidade com o convênio e o plano de trabalho. deve ele proceder à instauração da tomada de contas especial. um procedimento excepcional e que somente será realizado após o esgotamento das medidas internas. o ordenador de despesas autorizará a baixa contábil e o concedente promoverá a representação ao Tribunal de Contas. na impossibilidade de fazê-lo. A medida mais comum que os sucessores adotam é o ajuizamento de ações judiciais em face do responsável pela execução do convênio. O dano potencial é aquele decorrente da omissão no dever de prestar contas. “é um processo administrativo devidamente formalizado. visando à restituição dos valores transferidos e/ou a apresentação dos documentos que teriam desaparecido. na impossibilidade de prestar as contas (ex: o antigo responsável sumiu com os documentos da execução do convênio). A tomada de contas é. o prefeito sucessor deverá demonstrar perante o concedente que já tomou medidas que demonstrem o impedimento de prestar contas.

No entanto. só ficando responsável pelas obrigações e auferindo as vantagens do tempo em que participou voluntariamente do acordo. A primeira delas. ficando os partícipes responsáveis somente pelas obrigações e auferindo as vantagens do tempo em que participaram voluntariamente da avença. o convênio poderá ser denunciado a qualquer tempo. De acordo com o art. as tomadas de contas inferiores a R$75.464/465): Diante dessa igualdade jurídica de todos os signatários do convênio e da ausência de vinculação contratual entre eles. 46 . vejam-se os ensinamentos de Meirelles (2013. 80. não sendo admissível cláusula obrigatória de permanência ou sancionadora dos denunciantes. o órgão de controle externo julgará as contas relativas as convênio e poderá determinar o ressarcimento ao erário pelos responsáveis.8. decorre da própria natureza consensual do convênio. Trata-se do caminho natural e esperado de todo o convênio bem executado. Uma vez remetidas ao Tribunal de Contas.8. A denúncia. por sua vez. Ou seja. ocorre quando o objeto do convênio é executado em sua integralidade e o concedente atesta a regularidade das contas relativas àquele acordo. Extinção dos convênios Três são as hipóteses clássicas de extinção dos convênios: conclusão.000. qualquer um dos partícipes pode optar por não dar mais continuidade ao convênio.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Cabe ressaltar que os Tribunais de Contas têm estabelecido valores de alçada para o encaminhamento das tomadas de contas especiais. conclusão. da Portaria Interministerial nº 507/11. além de impor outras sanções previstas expressamente em suas leis orgânicas.00 não serão enviadas ao órgão de controle externo. o que não existe na regulamentação federal. bem como multá-los pelas irregularidades praticadas. p. 2. denúncia e rescisão. Isto é: valores mínimos do dano ao erário apurado para a remessa do processo para julgamento. Sobre este tema. qualquer partícipe pode denunciá-lo e retirar sua cooperação quando o desejar. é importante notar que a referida norma estadual limitou os casos de denúncia do convênio à superveniência de impedimento que torne o acordo formal ou materialmente inexequível. No caso da União. sem que tenha havido algum motivo para tanto.

e III . Constituem motivos para rescisão do convênio: I . deverá ser instaurado processo administrativo. II . garantindo ao convenente o direito à ampla defesa e ao contraditório em face das alegações do concedente.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 01: Convênios Já a rescisão pode ser entendida como a extinção do convênio em decorrência de irregularidades constatadas.o inadimplemento de qualquer das cláusulas pactuadas. a qualquer tempo.a verificação que qualquer circunstância que enseje a instauração de tomada de contas especial. 81. enumera os casos de rescisão: Art. 47 . de falsidade ou incorreção de informação em qualquer documento apresentado.constatação. da Portaria Interministerial nº 507/11. Cumpre esclarecer que. O art. antes da rescisão. 81.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Módulo 02: Consórcios Públicos GESTÃO DE PROJETOS NO SETOR PÚBLICO .

na atualidade. não veio acompanhada dos adequados instrumentos para a efetiva realização da missão constitucional a eles atribuída. O excesso de competências atribuídas aos Municípios. os quais não poderiam ser alcançados e/ou prestados individualmente. Objetivos do módulo: Apresentar os conceitos. oriundas da repartição tributária. 49 . outro importante instrumento de cooperação entre os entes federativos é o consórcio público. não fossem suficientes para a plena satisfação das necessidades públicas. Imaginado. adquirida por meio da Constituição de 1988. A autonomia política dos Municípios. por cada ente federado. a principal ferramenta legal cooperativa para a implementação.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Módulo 01: Consórcios Públicos – Parte 1 1. bases jurídicas. tais como atendimentos hospitalares especializados e manejo de recursos sólidos. associado ao baixo volume de recursos financeiros destes entes. da forma desejada. a gestão e a consecução de diversos objetivos comuns dos consorciados. fizeram com as transferências obrigatórias. inicialmente. Introdução: Além dos convênios. objetivos e regime jurídico dos Consórcios Públicos. o consórcio público é. como meio para aprimorar a articulação entre as esferas de poder do Estado.

que se encontravam em situação semelhante. de forma conjunta. Ora. regional ou mesmo nacional. p. meio ambiente. e. os problemas envolvem vários municípios e os seus governos podem usar o consórcio como instrumento operacional de grande valia para maior rendimento de seus esforços. passa-se a expor os principais pontos acerca dos consórcios públicos. sobre normas gerais para celebração de consórcios públicos. Justamente por isso. transporte. p. Nesse sentido. por meio da união do Projeto de Lei do deputado mineiro com o que estava sendo elaborado por um Grupo de Trabalho Interministerial. agricultura e outras. dirimindo dúvidas por vezes existentes entre os entes federados quando da formação de um consórcio (Consórcios Públicos: Comentários à Lei 11. reduzindo a aplicação desnecessária de recursos financeiros em ações isoladas ineficazes e aprimorando de forma quantitativa e qualitativa os serviços essenciais a serem prestados à população.884/2004 que acabou por ser convertido na Lei 11. educação. Ed.107/05. Sobre este tema. o que não seria possível se cada um atuasse isoladamente. 2006. conforme já dito. informática. no qual os entes federados colaboram entre si para a realização de objetivos comuns. evitando a dispersão de recursos financeiros. Uma das justificativas desta proposição legislativa era a de realizar ‘uma uniformização normativa na implantação e no funcionamento dos consórcios. que se tornou a realidade da grande maioria dos Municípios brasileiros. vejam-se as lições de Medauar (2006. 50 .13-14): Tramitava no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1. os Municípios possuem carestia em recursos financeiros e humanos. a qual tornou-se o marco regulatório dos consórcios públicos. os interessados identificam uma necessidade pública comum. surgem os consórcios públicos. Nesse contexto. surgiu o PL 3. RT. acabou aproximando esses entes federados. por meio dos consórcios intermunicipais. o que inviabiliza e até impede a realização de programas sociais e a prestação de serviços públicos de forma adequada aos usuários. Segundo essa linha teórica. Feita a nota introdutória.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Esse cenário de deficiência na prestação de serviços públicos de interesse local e/ou regional.13-14). com o intuito de otimizar a prestação de serviços públicos. na esfera local. humanos e materiais e maximizando o aproveitamento dos recursos municipais. como meio de solucionar problemas comuns. os entes se unem para solucioná-la.071/1999. A solução encontrada tomou como base o chamado “federalismo cooperativo”. Dessa forma.107/2005. o Ministério da Saúde ressaltou o seguinte: Nas áreas de saúde. de autoria do Deputado Federal Rafael Guerra. passou-se a cogitar a idéia de gestão associada.

p. É de direito público.213) entende que o consórcio público “é o ato administrativo complexo em que uma entidade pública acorda com outra ou com outras entidades públicas da mesma natureza o desempenho conjunto. tendo em vista que as normas regentes se dirigem especificamente para os entes públicos que integram esse tipo de ajuste. Distrito Federal ou Municípios). isto é. numa demonstração de que os interesses não são antagônicos.247) explica as principais características desse instrumento de cooperação federativa: [O consórcio público] constitui negócio jurídico. sem o regime de contraposição existente nos contrato. e sim paralelos. os consórcios públicos são “associações formadas por pessoas jurídicas políticas (União. após autorização legislativa de cada um. com personalidade jurídica de direito público ou direito privado. Retratam cooperação mútua. Carvalho Filho (2010. Ao apresentar o seu conceito. por isso alguns o denominam de ato complexo. Moreira Neto (2009. É plurilateral. De forma mais detalhada. por sua vez.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos 1. ou de direito privado. quando associação pública. p. Mello (2008. para a gestão associada de serviços públicos e de objetivos de interesse comum dos consorciados através de delegação e sem fins econômicos. como nos contratos.653). passa-se a demonstrar as definições de alguns administrativistas brasileiros. por cooperação. p. 51 . Estado. criadas mediante autorização legislativa.1. é necessário que se estabeleça um conceito para os consórcios públicos. para a gestão associada de serviços públicos”.244). em vista da realização de atividades públicas de interesse comum e dos quais resultará uma pessoa jurídica que os congregará”. decorrentes de contratos firmados entre entes federados. Meirelles (2013. entre União. Já para Di Pietro (2011. porque semelhante instrumento admite a presença de vários pactuantes na relação jurídica. Conceito de consórcios públicos Antes de adentrar na disciplina dos consórcios públicos. Para tanto. p. de uma atividade cuja competência lhes é comum”. porque as partes manifestam suas vontades com vistas a objetivos de natureza comum que pretendem alcançar. refletindo interesses comuns. define os consórcios como “contratos realizados entre as pessoas de Direito Público de capacidade politica.428) apresenta o seguinte conceito: Consórcios públicos são pessoas jurídicas de direito público. Estados. Distrito Federal e Municípios. p.

mesmo sendo alvos de severas críticas doutrinárias. entenderam que os consórcios públicos possuem natureza jurídica contratual.017/07. de 2005.017/07 definiu os consórcios públicos. De todas as definições citadas acima. inclusive a realização de objetivos de interesse comum. com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica. 2º.107/05 e o Decreto nº 6.107. Alguns entendem que eles são espécie do gênero contratos administrativos (Celso Antônio Bandeira de Mello). uma terceira corrente tenta enquadrá-los como atos administrativos complexos (Diogo de Figueiredo Moreira Neto) e ainda há uma quarta posição no sentido de considerar os consórcios associações formadas por pessoas políticas (Maria Sylvia Zanella Di Pietro). outros defendem que eles mais se aproximam dos convênios (José dos Santos Carvalho Filho). e) Por meio da cooperação e a gestão associada da atividade ou serviço.2. expressamente. a Lei nº 11. Em que pese toda essa divergência. 241. independente da esfera. ao regime jurídico de direito público. Tal conceituação encontra-se em seu art. A doutrina diverge quanto à natureza jurídica dos consórcios públicos. São eles: a) Nova pessoa jurídica (direito público ou direito privado). d) Com o objetivo de realizar atividades ou prestar serviços de interesse comum. do Texto Constitucional. na forma da Lei no 11. por meio de lei própria.107/05 estabelece que a União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados. O art. 1. pode-se retirar alguns elementos que permitem identificar as principais características de um consórcio público. embora os consórcios públicos possam ser celebrados entre quaisquer entes da federação. ou como pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos. resta saber como o Decreto nº 6. da Lei nº 11. §2º. Bases jurídicas dos consórcios públicos A Constituição Federal de 1988 previu. atualmente. possui a seguinte redação: 52 . b) Criação por meio da livre vontade de entes federados após autorização legislativa.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Finalmente. o art. 1º. via de regra. a possibilidade de os entes federados disciplinarem. inciso: Consórcio público: pessoa jurídica formada exclusivamente por entes da Federação. constituída como associação pública. c) Submetido. Esclareça-se que. para estabelecer relações de cooperação federativa. a criação de consórcios públicos.

Trata-se. A União. b) Ainda que fosse entendida como competência comum de todos os entes federados. bem como a transferência total ou parcial de encargos. conforme se verá. Distrito Federal e Municípios. serviços. Assim. “dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências”. Estados. questionou a constitucionalidade desta lei por dois motivos: a) A Constituição não outorgou à União competência específica para legislar sobre a gestão associada de serviços públicos. Este art. dispondo sobre contrato.107/05 na Constituição Federal sustentando que os consórcios são modalidades de delegação de serviço público: A Lei 11. portanto. tenta enquadrar a Lei nº 11.240): Na realidade. por ser contratual. 22. a referida lei extrapola o limite de estabelecer normas gerais sobre consórcios públicos. autorizando a gestão associada de serviços públicos. contudo. p.107/2005 tem base nos artigos 22. 241. Parte da doutrina. e 241 da CF. Talvez o objetivo do legislador fosse o de dar a impressão de que a lei. da Constituição. XXVII. serviços. mas de constituição de pessoa jurídica. bem como a transferência total ou parcial de encargos. 241 dispõe que os entes federativos disciplinarão por meio de lei os consórcios e os convênios de cooperação entre si. pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos. autorizando a gestão associada de serviços públicos. vejam-se as considerações de Di Pietro (2011. insere-se na competência da União para estabelecer normas gerais sobre contrato administrativo.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Art. por sua vez. o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados. de modalidade de delegação de serviços públicos distinta da autorização. foi publicada a Lei nº 11. permissão ou concessão. a qual. XXVI. a União tem competência legislativa para editar normas gerais (art. No intuito de regulamentar a norma constitucional. por meio de contrato. que abrande várias fases.428). o que se dá por meio de todo um procedimento. p. Sobre essa suposta inconstitucionalidade.107/05. segundo sua própria ementa. O contrato corresponde a uma das fases do procedimento de constituição da entidade. conforme previsto no art. pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos. da CF). 22. XXVII. 53 . a lei não trata de contratação de consórcios pela União. os Estados. Meirelles (2013.

o Decreto nº 6.017/07 também trata da matéria. dividindo suas disposições em regulamentos gerais.3. decorrem do federalismo cooperativo e consistem. ou na transferência total ou parcial de encargos.017/07. IX. o qual tratou de forma mais aprofundada sobre determinados temas. É importante que se diga que. aplicáveis a todos os entes federados. não foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. até o momento. pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos 54 . além das já citadas normas federais. já os segundos são específicos para cada um e irão variar conforme o que pretendem os entes consorciados. a gestão associada de serviços públicos foi definida da seguinte forma: Exercício das atividades de planejamento. Os objetivos imediatos. a lei está em vigor e. serviços.107/07 Decreto nº 6. 241. uma vez que suas normas gerais são obrigatórias para todos os entes da federação. da Constituição Federal Lei nº 11. tais como o protocolo de intenções. 241 da Constituição. Os primeiros são comuns a todos os consórcios e derivam diretamente da Constituição Federal. do Decreto nº 6. serviços. foi publicado o Decreto nº 6. No nível infralegal.017/07 1.107/07. previstos no art. na gestão associada de serviços públicos. 2º. pessoal e bens. BASES JURÍDICAS DOS CONSÓRCIOS PÚBLICOS Art.017/07. de forma genérica. os consórcios públicos possuem matriz constitucional e são regulamentados por meio de lei editada pelo Congresso Nacional que possui natureza de lei nacional. acompanhadas ou não da prestação de serviços públicos ou da transferência total ou parcial de encargos. no caso da saúde. a Lei nº 8. De acordo com o art. regulação ou fiscalização de serviços públicos por meio de consórcio público ou de convênio de cooperação entre entes federados.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos De toda forma. de modo que se aplica a todos os consórcios públicos. Atualmente. Dois anos após a edição da Lei nº 11. além de estabelecer regras específicas para os consórcios em que a União venha a fazer parte. o contrato de rateio e o contrato de programa. Objetivos Os objetivos dos consórcios públicos podem ser divididos em imediatos e mediatos.080/90 regulamenta certos aspectos atinentes aos consórcios públicos dessa área. portanto. e normas específicas aplicáveis apenas à União.

inclusive de gestão. inclusive de assistência técnica. extensão. enquadrá-lo em pelo menos um desses objetivos genéricos previstos no art. a gestão e a administração dos serviços e recursos da previdência social dos servidores de qualquer dos entes da Federação que integram o consórcio. da Lei no 9. Já os objetivos mediatos tomam por base esse enquadramento previamente realizado pelos entes consorciados e consistem na definição de qual atividade ou serviço será prestado pela nova pessoa jurídica. b) A prestação de serviços. paisagístico ou turístico comum. a execução de obras e o fornecimento de bens à administração direta ou indireta dos entes consorciados. rural e agrário. j) O planejamento. sócio-econômico local e regional. e) A instituição e o funcionamento de escolas de governo ou de estabelecimentos congêneres. a saber: a) A gestão associada de serviços públicos propriamente dita. estabelece um rol exemplificativo dos objetivos mediatos. c) O compartilhamento ou o uso em comum de instrumentos e equipamentos. do Decreto nº 6. treinamento.717. h) O apoio e o fomento do intercâmbio de experiências e de informações entre os entes consorciados. de 1998. 3º. f) A promoção do uso racional dos recursos naturais e a proteção do meio-ambiente. k) O fornecimento de assistência técnica. O art. inciso V. d) A produção de informações ou de estudos técnicos. de pessoal técnico e de procedimentos de licitação e de admissão de pessoal.017/07. vedado que os recursos arrecadados em um ente federativo sejam utilizados no pagamento de benefícios de segurados de outro ente. de manutenção. os entes federados deverão. 241.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Para a constituição de um novo consórcio. i) A gestão e a proteção de patrimônio urbanístico. pesquisa e desenvolvimento urbano. g) O exercício de funções no sistema de gerenciamento de recursos hídricos que lhe tenham sido delegadas ou autorizadas. l) As ações e políticas de desenvolvimento urbano. de forma a atender o disposto no art. necessariamente. 55 . e m) O exercício de competências pertencentes aos entes da Federação nos termos de autorização ou delegação. de informática. da Constituição. além de satisfazer os outros requisitos legalmente previstos para a sua criação. 1o.

respectivamente. educação. Mais características e prerrogativas serão analisadas no tópico relativo ao regime jurídico dos consórcios públicos. Esta última é definida no art. 2º.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Além dos objetivos imediato e mediato. acordos de qualquer natureza. do Decreto nº 6. e c) dos Municípios e do Distrito Federal. da Lei nº 11.107/05. por óbvio. assim como os convênios. contratos.017/07 como a área correspondente à soma dos seguintes territórios. ou interesse social. contribuições e subvenções sociais ou econômicas de outras entidades e órgãos do governo. o art. e) Outorgar concessão. não eram dotado de personalidade jurídica. dispensada a licitação. Personalidade jurídica Até a entrada em vigor da Lei nº 11. permissão ou autorização de obras ou serviços públicos mediante autorização prevista no contrato de consórcio público.4. Com o intuito de bem executar as ações necessárias à consecução dos objetivos preestabelecidos pelos consorciados. quando o consórcio público for constituído somente por Municípios ou por um Estado e Municípios com territórios nele contidos. 1 Não confundir campo de atuação com área de atuação. independentemente de figurar a União como consorciada: a) dos Municípios. qual será o campo de atuação1 do consórcio: saúde. pelo ente da federação consorciado. gestão de resíduos sólidos etc. Tratava-se apenas de acordos celebrados entre os entes federados para a gestão associada de serviços públicas. mas sem que disso resultasse uma nova pessoa jurídica distinta dos consorciados. inciso II. contudo. observada a legislação de normas gerais em vigor. os entes federados deverão definir. 2º. 56 . realizada pelo poder público. permissão ou autorização e as condições a que deverá atender. b) dos Estados ou dos Estados e do Distrito Federal. que os consórcios públicos tenham um ou mais objetivos. 1. receber auxílios. os consórcios públicos. mediante autorização específica. b) Nos termos do contrato de consórcio de direito público. promover desapropriações e instituir servidões nos termos de declaração de utilidade ou necessidade pública. constituído por mais de um Estado ou por um ou mais Estados e o Distrito Federal. e c) Ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da federação consorciados. quando o consórcio público for. d) Emitir documentos de cobrança e exercer atividades de arrecadação de tarifas e outros preços públicos pela prestação de serviços ou pelo uso ou outorga de uso de bens públicos por eles administrados ou. quando o consórcio for constituído pelo Distrito Federal e Municípios.107/05 previu algumas medidas que poderão ser adotadas pelos consórcios públicos: a) Firmar convênios. sendo que os entes consorciados poderão se consorciar em relação a todos ou apenas a parcela deles. que deverá indicar de forma específica o objeto da concessão. A lei permite. saneamento.

se ele será pessoa jurídica de direito público ou de direito privado. como por exemplo os convênios entre União e Estados ou Municípios. quando se tratava de entidade de níveis diferentes. juízo privativo. impenhorabilidade dos bens. não seriam apenas acordos de vontade. da Lei nº 11. Veja-se. ele “terá todas as prerrogativas e privilégios próprios das pessoas jurídicas de direito público. ainda. foi necessária a alteração do Código Civil para incluir no rol das pessoas jurídicas de direito público as associações públicas. Como não havia conceito doutrinário ou mesmo outra previsão legal do que viria a ser “associações públicas”. ficou estabelecido que os novos consórcios. isto é. sendo pessoa jurídica de direito público. Essa alteração causou grande dúvida na doutrina. sendo o consórcio utilizado quando os entes consorciados eram do mesmo nível (consórcio entre Municípios ou entre Estados) e o convênio. duplo grau de jurisdição etc”. mas sim novas pessoas jurídicas com todas as consequências que daí advém. tais consórcios constituem-se em “autarquias intergovernamentais”. com a publicação da nova lei. que dispõe sobre as pessoas jurídicas de direito público interno.429) tratam-se de “autarquias interfederativas”. No primeiro caso . p. Com efeito.107/05 facultou aos entes consorciados a definição da personalidade jurídica do novo consórcio a ser criado por eles. p. que a Lei nº 11. 242): Antes da promulgação da Lei nº 11. como imunidade tributária.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Conforme explica Di Pietro (2011. o consórcio integrará a Administração Pública Indireta de todos os entes consorciados. ou entre Estados e Municípios.107/05. havia certo consenso doutrinário em considerar o convênio e o consórcio como acordos de vontade. surgidos a partir da data da entrada em vigor da referida lei. No entanto.107/05 previu que o consórcio se constituirá sob a forma de “associação pública”. Para Mello (2008. Nesse caso. ou se o termo “associações públicas” seria uma nova figura na organização administrativa brasileira diferente de todas as outras até então conhecidas.107/05 prevê expressamente que. o legislador derivado preferiu alterar o inciso IV deste dispositivo para dispor que: “São pessoas jurídicas de direito publico interno: as autarquias.pessoa jurídica de direito público . 57 . inclusive as associações públicas”. em 2005.654). processos especial de execução. Até o momento não há consenso na doutrina a respeito dessa questão. p. Não se sabia se os consórcios públicos de personalidade jurídica de direito público seriam novas autarquias.242). Ocorre que essa alteração do Código Civil se deu da seguinte forma: ao invés de adicionar um novo inciso ao artigo 41. I. prazos dilatados em juízo. p. já para Meirelles (2013.o artigo 6º. conforme assinala Di Pietro (2011. a Lei nº 11.

que tenham sido celebrados anteriormente a sua vigência. celebração de contratos. veja-se que a Lei nº 11. Estados. somente após a inscrição dos atos constitutivos do consórcio no respectivo registro civil é que ele se tornará nova pessoa jurídica. provavelmente. p. Esse. contratos de programa para gestão associada de serviços públicos ou instrumentos congêneres. No entanto.017/05 estabeleceu um marco temporal para sua aplicação: Art. Mello (2008. Mesmo quando seja constituído sob a forma de pessoa jurídica de direito privado. indica que os consórcios públicos de direito privado não integrarão a Administração Indireta dos entes consorciados.653) considera que os consórcios públicos de direito privado são uma verdadeira “aberração” e atribui-lhes a natureza jurídica de empresa pública integrante da administração pública indireta daquele ente consorciado que detiver a maioria acionária. 19. Ou seja. O disposto nesta Lei não se aplica aos convênios de cooperação. veja-se o que diz Di Pietro (2011. Se por um lado a Lei nº 11. A esse respeito. a Lei nº 11. Por fim. pelo regime jurídico de direito público. por outro ela foi silente quanto aos de direito privado. o regime jurídico próprio das pessoas de direito privado é derrogado.107/05 estabeleceu que ele irá adquirir personalidade “mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil”. é um entendimento isolado. em partes. parte da doutrina entende que.107/05 estabeleceu que ele observará as normas de direito público no que concerne à realização de licitação. a Lei nº 11. p. Esse silêncio.242): “Não há como uma pessoa jurídica política (União. prestação de contas e admissão de pessoal.107/05 expressamente estabeleceu que os consórcios públicos de personalidade jurídica de direito público integrarão a Administração Pública Indireta de todos os entes consorciados. Distrito Federal e Municípios) instituir uma pessoa jurídica para desempenhar atividades próprias do ente instituidor e deixa-la fora do âmbito de atuação do Estado”. contudo. os consórcios públicos de direito privado também integrarão a Administração Pública Indireta dos consorciados. 58 .Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Na hipótese de ser constituído sob a forma de pessoa jurídica de direito privado. a despeito da Lei nada falar a respeito. que será regido pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Ou seja. neste caso.

de faculdade (e não obrigatoriedade) de adaptar e transformar os consórcios administrativos que ainda existam em consórcios públicos. de 2005. desde que atendidos os requisitos de celebração de protocolo de intenções e de sua ratificação por lei de cada ente da Federação consorciado. atualmente existem três formas de consórcios: consórcios administrativos (despersonalizados). Trata-se. 41. poderão ser transformados em consórcios públicos de direito público ou de direito privado. 59 . sendo que o art.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Ou seja. consórcios públicos com personalidade jurídica de direito público e consórcios públicos com personalidade jurídica de direito privado. os consórcios administrativos que existiam antes da entrada em vigor dessa norma permanecerão ativos.107. previu que os consórcios constituídos em desacordo com a Lei no 11. Dessa forma.107/07. portanto. do Decreto nº 6.

a segunda pelo Tribunal de Contas e a terceira pela sociedade. parágrafo único.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos – Parte 2 2. Isso porque. pública ou privada. os Estados. ou que. é o de direito público.1. conforme estabelece o art. o regime jurídico dos consórcios públicos. Isso implica dizer que eles possuem prerrogativas e sujeições próprias da Administração Pública. por isso. prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica. 70. em nome destes. O controle pelos entes federados toma como base o Decreto-Lei nº 200/67 e parte do pressuposto de que os consórcios (todos eles) integram a Administração Pública de todos os entes consorciados e. Regime Jurídico Conforme já dito. 60 . inclusive os constituídos sob a forma de pessoa jurídica de direito privado. assuma obrigações de natureza pecuniária. gerencie ou administre dinheiros. arrecade. guarde. possuem um vínculo de tutela com as pessoas políticas que a criou. bem como a condução dos serviços de gestão associada pelo consórcio público do qual faz parte. Quanto ao controle. ou os Municípios respondam. que utilize. Dois temas específicos serão analisados neste item: o controle e as licitações. Já o controle exercido pelo Tribunal de Contas decorre da própria Constituição Federal. o Distrito Federal. Cada ente consorciado tem o poder-dever de fiscalizar a boa gestão dos recursos públicos. bens e valores públicos ou pelos quais a União. é importante que se diga que este é exercido sob os consórcios de três formas: a primeira pelos entes federados consorciados.

aplicar-se-á o dobro dos valores mencionados no caput do artigo 23. inclusive quanto à legalidade.000. sofrerão alterações pela Lei nº 11. decorrente de tarifas ou preços públicos cobrados diretamente do usuário dos serviços.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Relembre-se que os consórcios podem ter receitas próprias. Em decorrência disso.00 Até R$300. da Lei 8.00 Até R$4. Assim.666/93.666/93. quando formado por até 3 (três) entes da Federação.00 Até R$3. quando formado por maior número.000. por sua vez.107/05: Art. Parágrafo único.000. mandados de segurança ou mesmo ações populares. O controle social. O consórcio público está sujeito à fiscalização contábil. os consórcios sujeitam-se ao controle do Tribunal de Contas. sem prejuízo do controle externo a ser exercido em razão de cada um dos contratos de rateio. no caso de consórcios públicos. atos.000. Todo órgão ou entidade pública tem a obrigação de prestar contas à sociedade de sua gestão e a própria sociedade tem o direito de saber como são utilizados os recursos geridos pelo Poder Público.00 61 . conforme dispõe o art.000.00 Acima de R$3.500. ou pode receber recursos financeiros dos entes consorciados por meio de contrato de rateio. e o triplo. tem-se que as faixas de preços das modalidades o previstas no artigo 23.000.500.500. 9º. No que se refere às licitações. é aquele exercido diretamente pela sociedade ou pelos cidadãos.000. os consórcios públicos e seus representantes podem figurar no polo passivo de ações civis públicas.107/05. devendo eles prestar contas quanto à sua gestão ao órgão de controle externo. 9o A execução das receitas e despesas do consórcio público deverá obedecer às normas de direito financeiro aplicáveis às entidades públicas.500. Trata-se de hipótese de controle decorrente do paradigma do Estado Democrático de Direito e da chamada accountability democrática.000.00 Até R$450. Independente da forma de financiamento e da personalidade jurídica. da Lei nº 8.000.00 Concorrência Acima de R$1. da Lei nº 11. As tabelas abaixo demonstram de forma mais clara essa mudança de limites: Contratações de obras e serviços de engenharia Modalidade Licitação comum Consórcios com até 3 entes federados Consórcios com mais de 3 entes federados Convite Até R$150.000. como o próprio nome já diz.000. contratos e renúncia de receitas.00 Acima de R$4.00 Tomada de preços Até R$1. legitimidade e economicidade das despesas. operacional e patrimonial pelo Tribunal de Contas competente para apreciar as contas do Chefe do Poder Executivo representante legal do consórcio.

00 .666/93). parágrafo único.00 Acima de R$1.00 R$48. parágrafo único c/c Art. parágrafo único c/c Art.000.000. chega-se ao seguinte quadro: Dispensa de licitação com base em valor (art. Por fim. Dessa forma. algumas formalidades e alguns instrumentos são obrigatórios e indispensáveis para a constituição dessa nova pessoa.00 Até R$160.Art. a Lei nº 11.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Contratações de bens e outros serviços Modalidade Licitação comum Consórcios com até 3 entes federados Consórcios com mais de 3 entes federados Convite Até R$80. o art. dispensando-se a licitação. 24.000.107/05 estabelece que os consórcios poderão ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da Federação consorciados. Após a definição dos objetivos e do campo de atuação do consórcio. 24.00 ou quando a obra for inferior a R$90.666/93).300. I e II.2.00 Concorrência Acima de R$650. Ou seja.000. §8º. Lei 8. estabelece que os percentuais de dispensa de licitação por valor serão de 20% (e não 10%) sobre o valor previsto para modalidade convite no caso de compras.000. Lei 8. 23.Art.00 (20% sobre R$ 240.000. Tal publicação poderá se dar de forma resumida desde que indique o local e o sítio eletrônico em que se poderá obter seu texto integral. aplicando-se o percentual de 20% aos novos valores previstos para as modalidades de licitação.107/05.00 Tomada de preços Até R$650.000. §8º. os entes federados deverão subscrever um protocolo de intenções.000. da Lei 8.000.666/93) Tipo de serviço Valor normal Valor das dispensas para consórcios Serviços de engenharia R$15.666/93.300. o qual será publicado na imprensa oficial.00.00 Até R$1. ainda em relação às licitações. 23.000. o consórcio formado por mais de 3 entes federados pode dispensar licitações quando a contratação de bens e serviços for inferior a R$48.00 Até R$1.000. Outros bens e serviços R$8. introduzido pela própria Lei 11.00 Até R$240.00 (20% sobre R$ 450.00 . 24.000.000.000.950.000.00 Além disso.00 Acima de R$1. Lei 8. obras e serviços contratados por consórcios públicos. 62 .000.000. Constituição dos consórcios públicos Independentemente da personalidade jurídica de que o consórcio público se revestirá. 24. 2.950.00 R$90.

admitindo-se a fixação de prazo indeterminado e a previsão de alteração da sede mediante decisão da Assembleia Geral. no caso de nele figurar como contratante o consórcio público e os critérios técnicos de cálculo do valor das tarifas e de outros preços públicos. bem como os critérios gerais a serem observados em seu reajuste ou revisão. podendo indicar prazo para que subscrevam o protocolo de intenções. 63 .107/05 e o Decreto nº 6. por si só. o prazo de duração e a sede do consórcio público. as condições a que deve obedecer ao contrato de programa. na forma da Lei no 9. inclusive para a elaboração. com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica. A Lei no 11. h) A forma de eleição e a duração do mandato do representante legal do consórcio público que. c) A indicação da área de atuação do consórcio público. ou termo de parceria.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos O protocolo de intenções não representa. de 1998. explicitando as competências cuja execução será transferida ao consórcio público. quando adimplentes com as suas obrigações. d) A previsão de que o consórcio público é associação pública.649. as finalidades. de exigir o pleno cumprimento das cláusulas do contrato de consórcio público. g) A previsão de que a assembleia geral é a instância máxima do consórcio público e o número de votos para as suas deliberações. permissão ou autorizar a prestação dos serviços. l) A autorização para a gestão associada de serviço público. m)O direito de qualquer dos contratantes. k) As condições para que o consórcio público celebre contrato de gestão. ou pessoa jurídica de direito privado. a assunção de obrigações pelos entes federados. aprovação e modificação dos estatutos do consórcio público.790. uma vez que não há contrato formalizado até então. deverá ser Chefe do Poder Executivo de ente da Federação consorciado. os serviços públicos objeto da gestão associada e a área em que serão prestados. e) Os critérios para. da fixação de cláusulas de funcionamento para o futuro consórcio público. as formas de provimento e a remuneração dos empregados do consórcio público. autorizar o consórcio público a representar os entes da Federação consorciados perante outras esferas de governo. f) As normas de convocação e funcionamento da assembleia geral.107/07 estabeleceram um rol de cláusulas mínimas que deverão constar de todos os protocolos de intenções firmados pelos entes federados que desejarem constituir um novo consórcio público. a autorização para licitar e contratar concessão. nos termos da Lei no 9. Trata-se. b) A identificação de cada um dos entes da Federação que podem vir a integrar o consórcio público. j) Os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. A desistência de assinar o protocolo não faz recair sobre o ente ou sobre seu representante qualquer sanção. obrigatoriamente. i) O número. em assuntos de interesse comum. de 1999. apenas. São elas: a) A denominação.

Conforme dispõe o art. Em relação à organização interna e ao funcionamento do consórcio. Após esses trâmites. que tenham por objeto projetos contemplados em plano plurianual. No entanto. cada ente federado deverá ratificálo em seu respectivo Poder Legislativo. os entes federados já poderão celebrar o contrato de consórcio público. deverão atender a todas as cláusulas do seu contrato constitutivo. aceita pelos demais entes subscritores. embora o consórcio possa cobrar tarifas ou preços públicos com a simples previsão no contrato e no estatuto. Outra questão importante de ser tratada é o contrato de rateio.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Uma vez celebrado e publicado o protocolo de intenções. a transferência de recursos financeiros dos entes federados a ele dependerá de prévia aprovação do contrato de rateio. 57. De acordo com o art. da Lei nº 8. §1º. o qual nada mais será do que a conversão do protocolo de intenções em contrato propriamente dito. disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. 2º. no caso de consórcios com personalidade jurídica de direito privado.017/07. referente à 64 . A ratificação pode ser realizada com reserva que. Ou seja. do Decreto nº 6. A Lei prevê ainda que é dispensado da ratificação o ente da Federação que. Cumpridos esses passos e obedecidas às formalidades relativas à inscrição dos atos constitutivos no registro civil. o consórcio público já estará vigorando. De acordo com o §1º do citado dispositivo. VII. sob pena de nulidade. implicará consorciamento parcial ou condicional. assim como no Direito Internacional Público. com observância da legislação orçamentária e financeira do ente consorciado contratante e dependerá da previsão de recursos orçamentários para suportarem o pagamento das obrigações contratadas.017/07. esse instrumento é o contrato por meio do qual os entes consorciados comprometem-se a fornecer recursos financeiros para a realização das despesas do consórcio público. I. 13. o contrato de rateio será formalizado em cada exercício financeiro. cujas disposições. conforme dispõe o art. Di Pietro (2011. antes de subscrever o protocolo de intenções.666/93.107/05. a Lei previu que estes pontos serão regulamentados por meio de Estatuto aprovado pela assembleia geral. o contrato de consórcio público. do Decreto nº 6. caso assim preveja cláusula.248) aponta duas exceções para a anualidade do contrato de rateio e das dotações que o suportam: No caso de contratos. p. mediante a publicação de lei específica. pode ser celebrado por apenas uma parcela dos entes da Federação que subscreveram o protocolo de intenções. da Lei nº 11. a reserva não poderá ser incompatível com o objeto e a finalidade do próprio consórcio. essa exceção corresponde à hipótese prevista no art. 5º.

serviços. inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão dos serviços e consequente modernização. justifica-se a exceção uma vez que. Por fim. revisão e reajuste das tarifas ou de outros preços públicos e. garantias e obrigações do titular e do prestador. neste caso. d) O atendimento à legislação de regulação dos serviços objeto da gestão associada. o qual se constitui no instrumento pelo qual devem ser constituídas e reguladas as obrigações que um ente da Federação. quando o contrato pode ultrapassar o prazo de vigência dos créditos orçamentários. as normas complementares a essa regulação. podendo ser celebrado entre entes federados que não tenham qualquer relação com algum consórcio público. fórmulas e parâmetros definidores da qualidade dos serviços. pode se dar de duas formas: diretamente pelo consórcio com a contratação de mão de obra e a prestação do serviço para o qual foi constituído ou mediante a formalização de contrato de programa com um dos consorciados que assumirá a obrigação de prestar o serviço (diretamente ou por meio de entidade da sua Administração Indireta) para todos os demais componentes do consórcio. do Decreto nº 6. c) Os critérios. pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços. especialmente no que se refere à fixação. que o contrato de programa não se restringe aos consórcios públicos. no âmbito dos consórcios. tenha para com outro. ou para com consórcio público. 65 . b) O modo. especialmente de apuração de quanto foi arrecadado e investido nos territórios de cada um deles.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos execução de projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual. inclusive a operada por meio de transferência total ou parcial de encargos. f) Os direitos. a análise a ser feita se restringirá aos contratos de programa envolvendo consórcios. a área e o prazo da gestão associada de serviços públicos. A gestão associada de serviços públicos. a princípio. resta analisar apenas o contrato de programa. no âmbito da prestação de serviços públicos por meio de cooperação federativa. inclusive sua administração indireta. e) Procedimentos que garantam transparência da gestão econômica e financeira de cada serviço em relação a cada um de seus titulares. indicadores. aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e instalações.017/07. possuir cláusulas que estabeleçam: a) O objeto. forma e condições de prestação dos serviços. No caso de gestão associada de serviços públicos custados por tarifas ou outros preços públicos. obrigatoriamente. De acordo com o art. os recursos não são provenientes do orçamento do ente consorciado. em relação a cada serviço sob regime de gestão associada de serviço público. o contrato de programa deverá. Note-se. 33. se necessário. No entanto.

da lei no 8. 66 . especialmente do valor dos bens reversíveis que não foram amortizados por tarifas e outras receitas emergentes da prestação dos serviços. h) A forma de fiscalização das instalações. Extinção O Decreto nº 6. l) Os critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas ao prestador dos serviços.017/07 prevê. dos métodos e práticas de execução dos serviços. dos equipamentos. 2. o) A exigência de publicação periódica das demonstrações financeiras relativas à gestão associada. k) Os bens reversíveis. ainda. i) As penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita o prestador dos serviços.017/07 prevê três hipóteses de extinção dos consórcios públicos: recesso (ou retirada). j) Os casos de extinção. na assembleia geral do consórcio. qual seja. e p) O foro e o modo amigável de solução das controvérsias contratuais.987. n) A periodicidade em que os serviços serão fiscalizados por comissão composta por representantes do titular do serviço.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos g) Os direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização dos serviços. a qual deverá ser específica e segregada das demais demonstrações do consórcio público ou do prestador de serviços. e sua forma de aplicação. de forma a cumprir o disposto no art. O primeiro caso. parágrafo único. a retirada. bem como a indicação dos órgãos competentes para exercê-las. inclusive quando consórcio público. exclusão e extinção propriamente dita. de 13 de fevereiro de 1995. que o contrato de programa continuará vigente mesmo quando extinto o contrato de consórcio público ou o convênio de cooperação que autorizou a gestão associada de serviços públicos.3. O Decreto nº 6. dependerá de ato formal do representante do ente consorciado que desejar se retirar. no que se refere à prestação dos serviços por gestão associada de serviço público. inclusive quando consórcio público. m)A obrigatoriedade. na forma previamente disciplinada pela lei daquele ente federado. 30. do contratado e dos usuários. forma e periodicidade da prestação de contas do consórcio público ou outro prestador dos serviços.

nos termos do orçamento do consórcio público. o ente afastado poderá ser considerado reabilitado. §1º. Neste caso. embora com a área de atuação reduzida. ele permanecerá existindo normalmente. iguais. a juízo da maioria da assembleia geral. Por outro lado. prevê-se devam ser assumidas por meio de contrato de rateio. assegurando-lhe ampla defesa e contraditório. a retirada de um ente da Federação do consórcio público constituído por apenas dois entes implicará a extinção do consórcio. Além disso. ratificado mediante lei por todos os entes consorciados. Neste período. O período de suspensão não foi definido na lei e deverá constar no contrato e no estatuto do consórcio. b) Subscrição. a alteração ou a extinção do contrato de consórcio público dependerá de instrumento aprovado pela assembleia geral. Por fim. pelo ente consorciado. a exclusão somente se procederá após prévia suspensão do ente consorciado. Conforme o art. sendo que outras poderão ser reconhecidas em procedimentos específicos: a) Não inclusão. de dotações suficientes para suportar as despesas que. próprio da autonomia de cada ente federado. impossibilidade material de execução dos objetivos do consórcio. hipótese em que deixará de enfrentar o processo de exclusão. 29. De acordo com o Decreto nº 6. da Lei nº 11. prevê que os bens destinados ao consórcio público pelo consorciado que se retira somente serão revertidos ou retrocedidos no caso de expressa previsão no contrato de consórcio público ou no instrumento de transferência ou de alienação. sem autorização dos outros entes consorciados.017/07. não há sanção e o consórcio se extingue em relação a todos os entes. 11. em sua lei orçamentária ou em créditos adicionais. Trata-se de medida sancionatória imposta pelo consórcio em face de um de seus membros que não cumprir as normas contratuais. cumprimento dos objetivos previstos no contrato e mesmo vontade dos entes consorciados. 5º. O art. Por força do princípio do devido processo legal. XX. caso o consórcio seja formado por mais de dois entes.017/07. da Constituição que dispõe que ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.017/07 exemplificou duas causas de exclusão. do Decreto nº 6. A retirada é um ato voluntário. e decorrente tanto do princípio federativo quanto do art. assemelhadas ou incompatíveis. estatutárias ou regimentais da forma adequada. a exclusão de um ente consorciado deverá ser precedida de devido processo legal. a última hipótese de término dos consórcios é a extinção propriamente dita. de protocolo de intenções para constituição de outro consórcio com finalidades. A segunda hipótese é a exclusão. A extinção pode decorrer de várias causas: cumprimento do prazo estabelecido no contrato.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos Nesta hipótese.107/05. 67 . O Decreto nº 6. somente será possível a exclusão caso haja justa causa para tanto.

o pessoal cedido ao consórcio público retornará aos seus órgãos de origem. §2º. 12. que até que haja decisão que indique os responsáveis por cada obrigação. Além disso. os bens. O art.Convênios e Consórcios Públicos Módulo 02: Consórcios Públicos O §1º. art. encargos e obrigações decorrentes da gestão associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outra espécie de preço público serão atribuídos aos titulares dos respectivos serviços. do referido artigo. dispõe que. §2º. ainda. garantindo o direito de regresso em face dos entes beneficiados ou dos que deram causa à obrigação. 68 . direitos. da Lei nº 11. do citado Decreto. prevê. 29.107/05. e os empregados públicos terão automaticamente rescindidos os seus contratos de trabalho com o consórcio. estabelece. em caso de extinção. os entes consorciados responderão solidariamente pelas obrigações remanescentes. finalmente. com a extinção.

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