You are on page 1of 22

Cefaleias

Autor(es)
Deusvenir de Souza Carvalho1
Mar-2011
1 - Historicamente, desde quando há referências de cefaleias?
Cefaleia, dor de cabeça ou na cabeça, é um sintoma muito frequentemente experimentado pelo
ser humano, ao longo de sua vida neste planeta. Há evidências desse sintoma nas
trepanações de crânios neolíticos de mais de 7.000 anos a.C. e relatos escritos de antigas
civilizações, como a de sumerianos e egípcios. Hipocrates descreveu um paciente com
enxaqueca 4 séc. a.C.. Passando por escritos médicos como de Celsus (3 séc. a.C.), Araeteus
da Cappodocia e Galeno (2 séc. a.C.), Abadessa Hildegarde de Bingen (12 séc. d.C.), Timothy
Bright (15 sec. d.C.), Thomas Willis (17 séc. d.C.), Tissot, DuBois Reymond, Mollendorf,
Eulenburg, Erasmus Darwin, Fothergill, Lord de Tennyson, Alexandre Pope, James Ware,
Liveing, Gowers, Spitzer, Almus Pickerbaugh (18 a 19 séc. D.C.) e por escritores e novelistas
famosos como Shakespeare, Lewis Carroll, Stephen King e Oliver Sacks, chegamos a John
Grahan e Harold Wolff, médicos que, em 1938, iniciaram estudos bem conduzidos
cientificamente, sobre a ergotamina na enxaqueca.
2 - Há periódicos sobre o assunto?
Mais de meia centena de livros, centenas de artigos, um periódico nacional, Migrâneas &
Cefaleias, da Sociedade Brasileira de Cefaleia (www.sbce.med.br) e dois periódicos
internacionais “Headache” (www.ahsnet.org) e “Cephalalgia” (www.i-h-s.org) têm tratado do
assunto cefaleia.
3 - O que é cefaleia primária e secundária?
Cefaleia primária
Conceitua-se como sendo a situação em que este sintoma venha a ser a própria doença ou
síndrome, como, por exemplo, a enxaqueca ou migrânea, a cefaleia do tipo tensional, a
cefaleia em salvas, etc.
Cefaleia secundária
Trata-se de outra doença ou síndrome que tem como parte de seus sintomas a cefaleia, como
por exemplo, a cefaleia associada a trauma crânio-encefálico, hipertensão arterial, meningite,
tumores, etc.
Nas cefaleias secundárias pode-se observar aspectos clínicos que muito se assemelham a
uma cefaleia primária, ou seja, apesar de tratar-se de meningite ou hipertensão arterial, as
características da cefaleia podem ser como as da enxaqueca; numa sinusite aguda ou numa
situação pós-trauma crânio-encefálico, elas podem ser iguais às da cefaleia do tipo tensional.
4 - Como classificar as cefaleias?
Diversas propostas de classificação, baseadas em diversos critérios, podem ser encontradas
na literatura. Em 1962, a Sociedade Internacional de Cefaleia divulgou uma classificação
proposta por um Comitê Ad Hoc que foi muito pouco utilizada.
Usando a intensidade do sintoma e sua presença ao longo do tempo, Rothner (1992) propõe
cinco tipos de cefaleias que podem ser analisados na figura 1. São eles:


Cefaleia tipo aguda:
o tem um curso autolimitado. Tem como exemplo aquela secundária a um
processo infeccioso.
Cefaleia tipo aguda recorrente:
o tem como um bom exemplo a enxaqueca.
Cefaleia tipo crônica não progressiva:
o é bem representada pela Cefaleia do tipo tensional.

1
Professor Adjunto de Neurologia e Chefe do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaléias (SITC),
Disciplina de Neurologia, Departamento de Neurologia e Neurocirurgia, UNIFESP – Escola Paulista de
Medicina.

www.medicinaatual.com.br


Cefaleia tipo mista:
o vem a ser atualmente a enxaqueca transformada em Cefaleia crônica diária.
Cefaleia tipo crônica progressiva:
o pode ser secundária a hipertensão intracraniana, como de uma neoplasia.

Essa classificação é interessante, sobretudo ao indicar o último tipo, que pode exigir
investigação. Porém, essa aparente simplicidade torna-se complexa diante de um paciente que
muitas vezes informa mal ou observa mal o seu sintoma e sua evolução para pior,
caracterizada pela maior frequência, intensidade e duração e menor resposta aos remédios.
A Sociedade Internacional de Cefaleia (“International Headache Society – IHS”) nomeou um
Comitê Ad Hoc, que, com bom senso, propôs a Classificação e Critérios Diagnósticos das
Cefaleias, Neuralgias Cranianas e Dor Facial (tabela 1), baseada em aspectos clínicos,
fisiopatológicos e etiopatogênicos. Foram individualizadas por critérios diagnósticos
selecionados de ampla literatura, quase duas centenas de quadros enumerados e
hierarquizados até o quarto dígito. Divulgada pela primeira vez em 1988, tem sido aceita em
todo mundo. Uma versão revisada publicada em 2004 pode ser baixada, em 14 itens, inclusive
em diapositivos, do site: www.i-h-s.org .

Figura. 1. Tipos de Cefaleias, segundo Rothner, 1992

Tabela 1. Classificação Internacional das Cefaleias – segunda edição, 2004
ICHD-II, 2004 – www.i-h-s.org
Parte 1: Cefaleias Primárias
• (11) - 1. Enxaqueca ou migrânea;
• (6) - 2. Cefaleia do tipo tensional;
• (5) - 3. Cefaleia em salvas e outras Cefaleias trigêmino-autonômicas;
• (9) - 4. Outras Cefaleias primárias.
Parte 2: Cefaleias Secundárias
(12) - 5. Cefaleia atribuída a trauma de cabeça e/ou cervical
(22) - 6. Cefaleia atribuída a doença vascular craniana ou cervical
(20) - 7. Cefaleia atribuída a transtorno intracraniano não-vascular
(28) - 8. Cefaleia atribuída a uma substância ou sua retirada
(10) - 9. Cefaleia atribuída à infecção
(14) - 10. Cefaleia atribuída a transtorno da homeostase
(13) - 11. Cefaleia ou dor facial atribuída a transtorno do crânio, pescoço, olhos, ouvido,
nariz, seios da face, dentes, boca ou outras estruturas faciais
ou crânianas
(2) - 12. Cefaleia atribuída a transtorno psiquiátrico
Parte 3: Neuralgias cranianas, dor facial primária e central e outras Cefaleias
• (27) - 13. Neuralgias cranianas e causas centrais da dor facial;
• (2) - 14. Outras Cefaleias, neuralgias cranianas e dor facial primária ou central.
www.medicinaatual.com.br

No Brasil. estado civil. O médico deve usar toda a sua experiência na prática clínica. Pode-se afirmar que são dados iniciais. • Fatores de piora. a estudos populacionais complexos e variados.Quais os dados iniciais essenciais para o diagnóstico? A tabela 2 mostra os dados essenciais para o raciocínio diagnóstico. • Intensidade (em %): leve. pseudoangina. idade. • Frequência. 2004. Dados essenciais para o raciocínio diagnóstico em Cefaleias Identificação (nome. sexo. dor.Obs.Qual a prevalência de Cefaleia na população? Segundo a Associação Internacional para Estudos de Dor. deve ser o mais completo. certamente. distúrbios do sono.Quando deve ser indicada investigação subsidiária? A investigação diagnóstica nas cefaleias primárias deve ser balizada por sinais de alerta ou “red flags” (bandeiras vermelhas). dor abdominal recorrente. com discreto predomínio no sexo feminino. raça. é conceituada como “uma experiência sensorial e emocional desagradável. vertigens. desprovido de marcador.medicinaatual. número entre parênteses indica possibilidades de diagnósticos. hiperatividade. cientificamente. seja o exame clínico. Tabela 2. • Localização. leva. Edition. outros. • Fenômenos acompanhantes. The International Classification of Headache Disorders – 2nd. vômitos cíclicos. moderada ou incapacitante.br . naturalidade e procedência) Avaliação do sintoma • Tempo de início. • Fatores de melhora. www. 6 . Um conceito baseado em sensação e emoção. • Fatores desencadeantes. Eles devem ser colhidos com extrema qualidade. O exame do paciente com cefaleia. escolaridade. • Caráter. 5 . Antecedentes pessoais Antecedentes familiares Exame clínico Resultado da investigação Diagnóstico 7 . 24(suppl 1):1-150. se tornam sem significado. sem os quais não se pode cogitar qualquer hipótese. diminuindo de forma bem marcada após a sexta década. descritos na tabela 3. Cephalalgia. Os fatores de risco apontados na tabela 2 devem ser indagados especialmente na faixa etária abaixo de 15 anos. profissão. bem como o exame neurológico. Evita-se a indicação rotineira. • Período predominante (dia). dores do crescimento. por serem frequentes na enxaqueca desse grupo. • Fenômenos precedentes.com. deve motivar e ensinar ao paciente como ele pode ajudar com boa observação e descrição dos diversos aspectos dos sinais e sintomas. tempo e dinheiro e seus resultados variam tanto que. • Fatores de risco (crianças): cinetose. Estudos mostram que a cefaleia tem prevalência ao longo da vida em mais de 90%. Bruyn (1996) afirma que estudos epidemiológicos em cefaleia consomem considerável energia. • Uso de medicação. totalizando 152 em toda classificação IHS – Headache Classification subcommittee of the International Headache Society. que é associada ou descrita em termos de lesões (ou disfunções) teciduais”. inclusive a de cabeça. um estudo realizado em um estado do Sul apontou para valores semelhantes.

Como melhor avaliar a intensidade de dor de cabeça? A literatura consagra a avaliação da intensidade da dor de cabeça em três níveis ou graus. SIDA. glaucoma e outras doenças sistêmicas Exame clínico Alertas Pressão arterial Elevação súbita (acima de 25%) Temperatura Febre Palpação do crânio Presença de pontos dolorosos (seios da face. sejam as do trabalho. na frequência e duração da dor. de acordo com a competência que a dor de cabeça tem para interferir nas atividades do paciente. na intensidade. Nível forte ou grau 3: a dor é incapacitante.Tabela 3. As propostas completas de tratamento têm como metas principais a serem atingidas a diminuição de todo o impacto da dor de cabeça na qualidade de vida do paciente e a redução da necessidade de atendimento emergencial. Neuropsiquiatr. Arq. preferencialmente comprovada por ensaios clínicos (evidência classe I. Nível leve ou grau 1: o paciente exerce normalmente as atividades. na preferência do paciente e nos eventos adversos e simplicidade posológica. artérias carótida e temporal) Exame neurológico Alertas Consciência Alteração Nervos cranianos Edema de papila. 8 .medicinaatual. 2000. do lazer. II ou III). globo ocular.com. vômitos Sintomas neurológicos focais Distúrbio da consciência Descarga nasal purulenta Queixas visuais Antecedentes História de câncer. muito mais do que o alívio sintomático. Nível moderado ou grau 2: a dor interfere nas atividades. distúrbio da motricidade ocular. etc. na eficácia dos tratamentos.Como escolher um tratamento para cefaleia? O tratamento adequado é escolhido baseando-se no diagnóstico. Os níveis habitualmente referidos são (Escala desabilitante funcional de 5 pontos): • • • • Nível ausente ou grau 0: o paciente não tem dor.br . 9 . Sinais de alerta da história e dos exames clínico e neurológico. O paciente vem ao médico em busca prioritariamente de uma explicação sobre o seu problema. trauma.58:371-389. sinal de Babinski Pesquisa de sinais meníngeos Rigidez de nuca e outros sinais meníngeos Adaptado do Comitê Ad Hoc da Sociedade Brasileira de Cefaleia. anisocoria Motricidade. para investigação em Cefaleias Dados da história Alertas Idade Cefaleias secundárias na terceira idade Modos e circunstâncias de A primeira cefaleia instalação e evolução Mudança de padrão em relação às crises anteriores Mudança de padrão da aura ou aura atípica Início súbito e/ou recente Desencadeada por esforço físico e atividade sexual Evolução progressiva Piora com a postura Intensidade A pior cefaleia Sintomas e sinais associados Febre. Sinais focais coordenação Reflexos Assimetrias . náuseas. sensibilidade. do estudo. www. na presença de co-morbidades e associações.

duração e incapacitação entre cada paciente e entre os ataques.Como melhor acompanhar o tratamento da cefaleia? Recomenda-se que o tratamento da cefaleia seja acompanhado com um diário. frequentemente com medicamentos ajudados por medidas não medicamentosas. 10 . massagem. com agitação. Essa estratificação da intensidade da dor é importante para a escolha terapêutica. 12 . ela é uma desordem neurobiológica com base gênica. por definição. além de incapacitado para suas atividades normais. 1988) são básicos. O quadro varia em frequência. golpes na cabeça etc.• Nível excruciante ou grau 4: o paciente. Nas formas moderadas em diante. como repouso.medicinaatual.Qual a prevalência da enxaqueca? A prevalência da enxaqueca é estimada em 18% no sexo feminino e 6% no masculino. 13 . preferencialmente. levado pela dor.Enxaqueca tem cura? Pelo conceito de uma desordem neurobiológica com base gênica. 11 . na maioria dos quadros de cefaleias. ao orientar o paciente com enxaqueca. Se aparecem aspectos atípicos. sendo mais alta na faixa de 25 a 55 anos. ser tratadas por medidas não medicamentosas.com. www. não. passa a atuar diversamente. Pode estar associada com alterações do sistema nervoso e ativação do sistema trigêmino-vascular. A figura 2 apresenta o diário utilizado no Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP. deve-se excluir Cefaleias secundárias. deve estar ciente de que. Os critérios da Sociedade Internacional de Cefaleia (“IHS”. os tratamentos devem ser mais específicos. relaxamento físico e mental. É caracterizada por ataques de dor de cabeça e sinais e/ou sintomas psíquicos. clínicos e neurológicos.br . compressas. uma vez que dores leves respondem aos analgésicos comuns e podem.Como definir ou conceituar a enxaqueca? O médico.

4 Migrânea hemiplégica familiar (MHF) 1.6.3 Síndromes periódicas da infância que são precursores frequentes da migrânea 1. quase 20%.Quais os tipos de enxaqueca? A classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia enumera as diversas enxaquecas.5.2 Provável migrânea com aura 1. a enxaqueca com aura. D. que pode se associar a crises sem aura.5 Complicações da enxaqueca 1. mas pode estar completamente ausente (“IHS”.Localização unilateral.4 Infarto migranoso 1. E.1 Aura típica com cefaleia migranosa 1.5 Crises desencadeadas por migrânea 1.2 Aura típica com cefaleia não migranosa 1.5. Não ser atribuída a outro transtorno Enxaqueca ou Migrânea com aura: A.2.5. 2 . manifestado por crises de sintomas neurológicos localizáveis no córtex cerebral ou tronco cerebral. Pelo menos cinco crises preenchendo B a D B. 1988).Intensidade moderada ou forte (incapacitante).2. recorrente.3. A cefaleia tem no mínimo dois dos seguintes: 1 .6. 16 .3.2.br . Cefaleia.3.O que é aura de enxaqueca? A aura da enxaqueca pode ser típica (cinco a 60 minutos de duração). náusea e/ou fotofobia seguem os sintomas neurológicos da aura.2. precedente e acompanhante ou aparecer de forma isolada.1 Vômito cíclico 1.14 .5.2.1 Migrânea crônica 1.1 Enxaqueca sem aura 1.5. Trata-se de um distúrbio idiopático.6 Provável Migrânea 1.5 Migrânea hemiplégica esporádica 1.Fotofobia e fonofobia.2 Enxaqueca com aura 1.medicinaatual. imediatamente ou após um intervalo livre inferior a uma hora. abrupta (dura menos de cinco minutos) ou prolongada (dura mais de 60 minutos). 3 .Quais os critérios da Sociedade Internacional de Cefaleias para o diagnóstico da enxaqueca? Critérios para o diagnóstico da enxaqueca sem e com aura. Pelo menos duas crises preenchendo os critérios B a D www. 1.3 Aura típica sem cefaleia 1.6. As demais formas são raras.2 Migrânea abdominal 1.2. Embora o termo possa sugerir.3 Aura persistente sem infarto 1.6 Migrânea do tipo basilar 1.Agravamento por subir degraus ou atividade física.1 Provável migrânea sem aura 1. Enxaqueca ou migrânea sem aura: A.com. aura na enxaqueca não deve ser entendida como precedente de crise. geralmente evoluindo de forma gradual em cinco a 20 minutos e usualmente durando menos de 60 minutos.2 Estado migranoso 1. A cefaleia persiste por quatro a 72 horas.3 Vertigem paroxística benigna da infância 1.Náuseas e/ou vômitos. Durante a cefaleia pelo menos 1 dos seguintes: 1 . 4 .Qualidade pulsátil (latejante).3 Provável migrânea crônica 15 . 2 . Crise de cefaleia durando 4 a 72 h (não tratada ou tratada sem sucesso) C.4 Enxaqueca retiniana 1. Pode ser também acompanhante. Cerca de 80% dos pacientes apresentam a enxaqueca sem aura.

formigamento) e/ou características negativas (i.Sintomas visuais completamente reversíveis incluindo características positivas (p. Cefaleia preenchendo critérios de B a D para 1.Sintomas visuais homônimos e/ou sintomas sensitivos unilaterais 2 .Como diferenciar a enxaqueca da cefaleia do tipo tensional? Os sinais e sintomas da enxaqueca podem se sobrepor aos da Cefaleia tipo tensional episódica ou elas podem coexistir.B. compressas. higiene do sono.Quais as duas bases do tratamento da enxaqueca? O tratamento do paciente com enxaqueca pode ser enfocado em duas bases principais: • • tratamento agudo. 20 . • Envolvimento do paciente nos cuidados necessários. devem ser enfatizadas sempre.Quais são os objetivos do tratamento farmacológico agudo? Os objetivos do tratamento agudo são: www. O espectro de um continuum começando pelas neuralgias. incluindo o modo de usar e os eventos adversos prováveis.. • Discussão das bases racionais do tratamento para cada paciente em particular.. 19 . • Identificar condições coexistentes como cardiopatias. • Alertar sobre o crescente uso de medicação abortiva de crise. massagem. passando pela cefaleia em salvas. relaxamento físico e mental.Pelo menos um sintoma de aura desenvolve-se gradualmente em ≥ 5 minutos e/ou diferentes sintomas de aura ocorrem em sucessão em ≥ 5 minutos 3 . • Encorajar o paciente a identificar e evitar os desencadeantes. medidas eficazes para evitar estresse de toda ordem.Quais os princípios gerais dos cuidados com quem sofre de enxaqueca? • Estabelecimento do diagnóstico. • Estabelecimento de uma expectativa realística. as técnicas de “biofeedback” e a psicoterapia cognitiva.e. Prática de exercícios regulares.br/anp). tanto para o alívio agudo como para a prevenção. bem como os desencadeantes. quer sejam ambientais. gastropatias. mas nenhuma paresia: 1 . perda de visão) 2 . como repouso. tem-se também para a enxaqueca a acupuntura. manchas ou linhas) e/ou características negativas ( i. • Educação sobre a condição. pois podem orientar e limitar as escolhas terapêuticas. considerando a preferência.Cada sintoma dura ≥ 5 minutos e ≤ 60 minutos D.1 Migrânea sem aura começa durante a aura ou a sucede com intervalo de até 60 minutos E. limitar o consumo de cafeína. abortivo de crises ou sintomático. enxaqueca e terminando na cefaleia tipo tensional é pressuposto antigo e deve ser o apoio diagnóstico nos casos limítrofes. gravidez e hipertensão descontrolada.Há tratamento não farmacológico para a enxaqueca? As orientações não farmacológicas.Disfasia completamente reversível C. no grau de incapacidade e dos sintomas associados como náusea e vômitos. dormência) 3 . • Criação de um plano de manejo formal e individual.scielo. Aura consistindo em pelo menos um dos seguintes. 2000 e 2002 – visite: http://www. vômitos e a piora com atividades têm especificidade para enxaqueca. Em ambos pode-se propor abordagem não medicamentosa e medicamentosa (Comitê Ad Hoc. • Orientação da escolha do tratamento baseado na frequência e intensidade das crises. horários regulares de refeição. luzes tremulantes. a resposta e tolerância aos tratamentos prévios. Pelo menos dois dos seguintes: 1 . tratamento preventivo ou profilático. intensidade da dor e reposta ao tratamento.br .ex.medicinaatual.é. encorajando o uso de diário capaz de mostrar desencadeantes. frequência. nefropatias..Sintomas sensitivos completamente reversíveis incluindo características positivas (i.é.com. Não ser atribuída a outro transtorno 17 . 21 . Além das apresentadas nos princípios gerais. físicos ou psicoemocionais. 18 . Presença de aura.

Classe II . 5 e 6. a Cefaleia que resulta do uso excessivo de medicações abortivas de crise. Deve-se agir prontamente. Classe III . 2000 – visite: http://www. ou seja.• • • • tratar eficaz e rapidamente o ataque. otimizar a capacidade de se cuidar e reduzir a busca de outros recursos.Evidência proporcionada por pelo menos um estudo clínico do tipo caso controle ou estudos coorte. tolfenâmico 200-400 mg VO. VO Droga Acido acetilsalicílico www.Evidência proporcionada por experts ou estudos não randomizados ou relato de casos. minimizar as necessidades de visita hospitalar de emergência. repetir 2-4 horas após se necessário. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 1600 mg/dia Diclofenaco de sódio 50-100 mg VO. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 200 mg/dia Ac. Usar triptanos ou dihidroergotamina (DHE) nos pacientes que têm crises de dor com intensidade moderada ou incapacitante (fortes).medicinaatual. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 600 mg/dia Clonixinato de lisina 250 mg VO.Evidência proporcionada por pelo menos um ensaio clínico bem desenhado. recuperar a capacidade funcional do paciente. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 1650 mg/dia Ibuprofeno 800-1200 mg VO. retardar só piora e amplia o impacto da enxaqueca. Selecione a via não oral nos pacientes muito nauseados ou vomitando e não restringir antieméticos nesses pacientes.br/anp). repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 2 g/dia Todos podem ser associados ou Metoclopramida 20mg. VO Outras opções: Isometepteno 65 mg + cafeína 100 mg + dipirona 300 mg. Limitar cuidadosamente o uso excessivo de analgésicos para duas vezes por semana para prevenir a “Cefaleia rebote”. randomizado. Máximo 3 g/dia Naproxeno 750-1250 mg VO. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 500 mg/dia Dipirona 500 mg VO.com. Máximo 3 g/dia Paracetamol 1000 mg VO. analgésicos combinados com cafeína e a combinação de isometepteno podem ser opções em crises moderadas.scielo. mostram as medicações indicadas para o tratamento agudo da enxaqueca de acordo com a intensidade da crise e a tabela 7 mostra a eficácia e os eventos adversos relacionados a essas medicações (Comitê Ad Hoc.br . com mínimos efeitos adversos.Quais são as opções farmacológicas para o tratamento agudo da enxaqueca? As tabelas 4. repetir 2-4 horas após se necessário. VO ou domperidona precedidos de: 20mg. com grupo controle. 22 . Antiinflamatórios não-esteroidais. Classes de evidências: Classe I . Tabela 4 – Tratamento da crise fraca Dose/posologia 1000 mg VO.

5 mg VO. repetir 15 min após se necessário Máximo 2 mg/dia 50-100 mg VO. Máximo 5 mg/dia 200-400 mg VO. Tratamento da crise forte Dose/posologia 1000 mg IV diluída em SF0. 10 mg disco dispersível sobre a língua. 10 mg disco dispersível sobre a língua 2. VO *Associar metoclopramida parenteral na vigência de vômito www. repetir em 1hora se necessário Máximo 200 mg/dia 0. Máximo 500 mg/dia 6 mg SC ou 20 mg intra-nasal ou 50 a 100 mg VO 5-10 mg VO. repetir até três vezes nas 24 horas. 4 mg. repetir 1-2 horas após se necessário. Máximo 3 g/dia 1-2 mg VO. repetir 12-24 h se necessário 5 mg IM ou IV diluído em SF0.9% Em caso de recorrência frequente de Cefaleia. Em caso de recorrência frequente de Cefaleia.7 mg/kg IM ou IV diluído em SF0.Droga Ácido acetilsalicílico Tartarato de ergotamina DHE Sumatriptano Naratriptano Ac.5 mg em cada narina. 20 mg intra-nasal repetir em caso de recorrência Máximo 200 mg/dia 2. repetir se necessário.9%. Máximo 7.1-0.medicinaatual.5 mg/dia 5-10 mg VO. repetir 2-4 horas após se necessário. repetir se necessário. Máximo 2 g/dia 200 mg IV diluída em 20 ml de SF0. associar ácido tolfenâmico 200 mg ou naproxeno sódico 550 mg. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 600 mg/dia 250 mg VO.5-5 mg VO 100 mg intra-retal. se necessário. repetir 2-4 horas após se necessário Máximo 500 mg/dia 2.5-5 mg VO. Máximo 20 mg. associar ácido tolfenâmico 200 mg ou naproxeno sódico 550 mg.9%. VO Classe Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 2 Tabela 6. tolfenâmico Clonixinato de lisina Zolmitriptano Rizatriptanos Triptanos Droga Dipirona* Clonixinato de lisina* Sumatriptano Rizatriptano Zolmitriptano Indometacina* Clorpromazina Dexametasona* Haloperidol Triptanos Tabela 5 – Tratamento da crise moderada Dose/posologia 1000 mg VO.com. Máximo 4 g/dia 0.br .9%. IV.

Deve-se escolher a medicação com melhor eficácia e menores efeitos adversos. estão listadas na tabela 8. há contra-indicação. randomizado. o paciente prefere. antes de substituí-la. com grupo controle. propostas pelo consenso brasileiro.Evidência proporcionada por pelo menos um estudo clínico do tipo caso controle ou estudos coorte. conforme ilustrado na tabela da próxima questão. como a enxaqueca hemiplégica. monitorar o paciente com um diário. O tratamento de se estender por seis meses a um ano (alguns autores chegam a falar em quatro anos).medicinaatual.Quais as opções farmacológicas para o tratamento profilático? As opções medicamentosas. 24 . iniciar baixa dose e aumentar até atingir a melhor relação entre eficácia e tolerabilidade.Evidência proporcionada por pelo menos um ensaio clínico bem desenhado.Droga Acido acetilsalicílico Paracetamol Isometepteno AINEs Ergotamina DHE Sulmatriptano Naratriptano Zolmitriptano Rizatriptano Clorpromazina Dexametasona Haloperidol Tabela 7 – Eficácia e efeitos colaterais Eficácia Efeitos colaterais + + + + ++ + ++ + ++/+++ ++/+++ +++/++++ +/++ +++/++++ + ++ + +++ + +++ + +++ ++ ++ + ++ ++ 23 . www. com aura prolongada ou infarto migranoso. falha. A medicação deve ser mantida por dois a três meses para se avaliar a eficácia.com. há condições migranosas incomuns.br . apesar do tratamento agudo. Sempre que possível. Outros pontos merecem ser considerados: • • • condições coexistentes. Classe II . Classe III . a enxaqueca interferir com as rotinas do paciente.Evidência proporcionada por experts ou estudos não randomizados ou relato de casos.Quando e por quanto tempo se deve propor tratamento profilático para enxaqueca? O tratamento profilático deve ser instituído quando: • • • • • a frequência de crises for maior que duas ou três por mês. efeitos adversos ou uso excessivo da terapia aguda. Classes de evidências: Classe I . basilar. droga de ação prolongada aumenta a aderência.

br . segundo o item 2 da ICHD-II da Sociedade Internacional de Cefaleia.1 – Cefaleia do tipo tensional infrequente associada a hiperalgesia pericraniana.3 – Provável cefaleia do tipo tensional crônica. B. Cefaleia tem pelo menos duas das seguintes características: www. são: 2.2 – Cefaleia do tipo tensional episódica frequente: 2.2 – Cefaleia do tipo tensional episódica infrequente não associada a hiperalgesia pericraniana.2.2 – Provável cefaleia do tipo tensional episódica frequente.1 – Provável cefaleia do tipo tensional episódica infrequente.1.5-3 (1-3) Ac. 2.4.3.1 – Cefaleia do tipo tensional episódica frequente associada a hiperalgesia pericraniana. 2. 26 .2.3 – Cefaleia do tipo tensional crônica: 2.2 – Cefaleia do tipo tensional crônica não associada a hiperalgesia pericraniana. Atualmente acredita-se na participação de componente neuroquímico nos mecanismos centrais e periféricos antinociceptivos. 27 .5-75 (1-3) Nortriptilina +++ ++ Classe II 10-75 (1-3) Flunarizina +++ +++ Classe I 5-10 (1) Metisergida ++++ ++++ Classe I 2-6 (3) Pizotifeno ++ +++ Classe II 1.1. 2. revelou 12% de prevalência das cefaleias do tipo tensional no Brasil. mas estima-se que seja de 30% a 70%.Tabela 8. Pelo menos 10 crises ocorrendo menos que 1 dia por mês em média (menos de 12 dias por ano) e cumprindo critérios de B a D. Cefaleia que dura de 30 minutos a sete dias. 2.Qual a prevalência da cefaleia do tipo tensional? A prevalência da Cefaleia do tipo tensional não está bem estabelecida.1 – Cefaleia do tipo tensional episódica infrequente: 2.A cefaleia do tipo tensional pode ser psicogênica? A cefaleia do tipo tensional foi considerada fenômeno psicogênico.1 – Cefaleia do tipo tensional crônica associada a hiperalgesia pericraniana. Cefaleia do tipo tensional (CTT) 2. 28 . O estudo nacional. com critério rigoroso. Opções para o tratamento medicamentoso profilático da enxaqueca Fármaco Eficácia Efeitos Classe de evidência Dose – mg adversos (tomadas) Betabloqueadores ++++ ++ Classe I 40-240 (2-3) Propranolol ++++ ++ Classe I 25-150 (1-2) Atenolol ++++ ++ Classe I 40-120 (1-2) Nadolol ++++ ++ Classe I 100-200 (1-2) Metoprolol Amitriptilina ++++ ++ Classe I 12.4. 2. 2.com. C.4.Quais os critérios diagnósticos da cefaleia do tipo tensional episódica infrequente? São eles: A. 2.Quais são as cefaleias do tipo tensional? A classificação e os critérios diagnósticos das cefaleias do tipo tensional. valpróico +++ +++ Classe I 500-1500 (2-3) Divalproato +++ ++ Classe I 500-1500 (1-2) Gabapentina ++ + Classe I 300-2400 (1-3) Topiramato ++ ++ Classe II 25-200 (1-3) 25 .3.medicinaatual. 2.2 – Cefaleia do tipo tensional episódica frequente não associada a hiperalgesia pericraniana.4 – Provável cefaleia do tipo tensional: 2.

a abordagem psicológica é fundamental. Não ser atribuída a outro transtorno. nem náusea moderada ou intensa. nem vômitos. não mais que um dos seguintes sintomas: fotofobia. A Cefaleia tem pelo menos duas das seguintes características: 1. A importância da avaliação e da orientação psicológica deve ser enfatizada sempre. isolado ou na forma associada com cafeína. localização bilateral. 2. em geral.br . 2. Quando o quadro for de cefaleia do tipo tensional crônica. Cefaleia que ocorre em 15 ou mais dias por mês. 29 .medicinaatual. porém o uso deve ser feito com cautela e por tempo limitado. • não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas. pois pode haver excessos (vide cefaleias crônicas diárias). 2. www. fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas pode estar presente). 4. • caráter em pressão/ aperto (não pulsátil). caráter em pressão ou aperto (não pulsátil). B. D. intensidade fraca ou moderada. para que sejam aceitas pela família e pelo próprio paciente. 4. em uma a três doses diárias de 25 a 50 mg.Quais os critérios para o diagnóstico da cefaleia do tipo tensional frequente? São eles: A. A amitriptilina e a nortriptilina podem ser indicadas como tratamento preventivo. • fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas pode estar presente). pode ser eventualmente utilizado para alívio sintomático o paracetamol. decepcionante. B.Como tratar as Cefaleias tensionais? Antes do tratamento farmacológico. não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas.• localização bilateral. Pelo menos 10 crises que ocorrem em 1 ou mais vezes por dia porém menos de 15 dias por mês durante pelo menos três meses (≥ 12 dias e < 180 dias por ano) e preenchendo os critérios de B a D. D. E. A Cefaleia dura horas ou pode ser contínua C. O tratamento farmacológico é. 3. ausência de náusea ou vômitos (anorexia pode ocorrer). D. A Cefaleia tem pelo menos duas das seguintes características: 1.com. Ambos os seguintes: • ausência de náusea ou vômito (anorexia pode ocorrer). Cefaleia durando de 30 minutos a sete dias C. não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas. em média durante mais de 3 meses (≥180 dias por ano) e preenchendo os critérios B a D. os analgésicos devem ser evitados. fonofobia ou náusea leve. • intensidade fraca ou moderada. intensidade fraca ou moderada. Não ser atribuída a outro transtorno.Quais os critérios diagnósticos para a cefaleia do tipo tensional crônica? São eles: A. Ambos os seguintes: 1. Nas crises agudas da cefaleia do tipo tensional episódica. 3. E. 2. localização bilateral. caráter em pressão/ aperto (não pulsátil). E. Ambos os seguintes: 1. Não atribuída a outro transtorno 31 . O “medicamento” mais importante é o próprio médico em sua orientação geral. 30 .

com. congestão nasal e/ou rinorréia ipsilaterais.O que é a cefaleia em salvas? A cefaleia em salvas é uma das formas mais intensas de cefaleia.2. D. hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento ipsilaterais. Dor forte e muito forte unilateral. Critérios diagnósticos: A. Caracteristicamente. 4. Cefaleia em salvas crônica Crises de cefaleia em salvas ocorrendo por mais de um ano sem remissão ou com remissões durando menos de um mês. 3. 35 . de ocorrência rara. se não tratada.4. com idade média de início usualmente entre 20 e 40 anos de idade (cerca de dez anos mais tarde que a enxaqueca).2 Cefaleia em salvas crônica 3. e períodos de remissão. Crises preenchendo os critérios de A a E para cefaleia em salvas.1.2. Acomete preferentemente o sexo masculino em proporção estimada entre 4:1 a 9:1. durando de 15 a 180 minutos. Pelo menos cinco crises preenchendo critérios de B a D. 3.Qual é o grupo da classificação da cefaleia em salvas? As cefaleias em salvas e outras Cefaleias trigêmino-autonômicas constituem o item três da classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia. Crises preenchendo critérios de A a E para cefaleia em salvas www. E. sua prevalência varia de 0. sudorese frontal e facial ipsilateral. supra-orbitária e/ou temporal. há episódios periódicos (períodos de salvas). 6. orbitária. 34 . neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejamento (Short Lasting Unilateral Neuralgiform Conjuntival Injection and Tearing – SUNCT) 3.3 Provável SUNCT 33 .4.4 Provável cefaleia trigêmino-autonômica 3. unilateral.05% a 0.medicinaatual. exemplo típico de doença periódica.1 Hemicrania paroxística episódica 3.4. associada a sintomas autonômicos ipsilaterais. Critérios diagnósticos: A. separados por períodos assintomáticos que duram um mês ou mais. 5.3 Cefaleia breve. edema palpebral ipsilateral. B. 2. época em que o paciente se mostra sensível às crises de dor. o que caracterizará a forma episódica e crônica da doença.Quais são os critérios diagnósticos para Cefaleia em salvas? Cefaleias em salvas: A.1.4%.2 Hemicrania paroxística 3. A cefaleia acompanha-se de pelo menos um dos seguintes: 1.1 Cefaleia em salvas episódica 3. C.2 Hemicrania paroxística crônica (HPC) 3.2 Provável hemicrania paroxística 3. Não atribuída a outro transtorno Cefaleia em salvas episódica Crises de cefaleia em salvas ocorrendo em períodos que duram de sete dias a um ano. com localização periorbital. Pelo menos dois períodos de salva durando de sete a 365 dias e separados por períodos de remissão maior ou igual a um mês. B.Qual a prevalência da cefaleia em salvas? A cefaleia em salvas é rara. miose e/ou ptose ipsilateral.br .1 Provável cefaleia em salvas 3. podendo-se dizer que há uma cefaleia em salvas para cada 100 enxaquecas. Compromete predominantemente o sexo masculino e suas manifestações são caracterizadas por episódios súbitos de dor unilateral extremamente intensa (excruciante). As crises têm frequência de uma a cada dois dias a oito por dia. sensação de inquietude ou agitação.1 – Cefaleia em salvas 3.32 .

edema palpebral.br . de caráter agudo e ardente. O período de salvas-remissão entre as crises permitirá caracterizar as formas clínicas em episódica (períodos de salvas de sete dias a um ano e de remissão maiores de 14 dias. rinorréia. Deve-se instituir a inalação de oxigênio em fluxos de 7 a 10 L/min por máscara facial. tempo do ataque (noturno/diurno). O uso de agentes que produzam alívio imediato é recomendado. 38 . devido ao início lento da ação da droga em cefaleia de tão intensa e curta duração. no início do período de salvas. Alguns autores referem o uso de anestésicos intranasais como efetivo: lidocaína 4-6% 1 cc intranasal. ptose. Citamos. Não se deve utilizar cateter nasal. A frequência dos ataques varia de 1 a 8 por dia. o critério de escolha para medicação profilática em particular dependerá dos seguintes aspectos: resposta prévia às medicações. tendem a não serem úteis na cefaleia em salvas. não existe consenso quanto ao término do tratamento. As crises podem ser desencadeadas pelo uso de álcool. disponível em alguns países. 36 . pois é ineficaz devido à congestão nasal que pode provocar. www. Esse tratamento é efetivo em cerca de 70% dos pacientes e é considerado o mais seguro. A dor está associada homolateralmente a pelo menos um dos seguintes sinais autonômicos: • • • • • • • • hiperemia conjuntival. Os medicamentos são utilizados diariamente. nas regiões orbital. o que em geral produz alívio da dor. congestão nasal.com. durante os períodos de salvas na forma episódica e continuamente na variedade crônica. histamina ou nitroglicerina durante os períodos de sensibilidade à dor. que busca permanecer recolhido.Quais os aspectos principais do quadro clínico da cefaleia em salvas? A crise se caracteriza por dor súbita. Como princípios gerais no tratamento destacam-se: • • • iniciar o medicamento precocemente. (6 mg/SC) logo no início da crise. ao contrário do paciente com enxaqueca.Qual o tratamento profilático da cefaleia em salvas? A farmacoterapia profilática é a base do manuseio das cefaleias em salvas. até atingir período de ausência de sintomas por pelo menos duas semanas.medicinaatual. Outra opção eficaz é o sumatriptano. o uso da di-hidroergotamina injetável e em “spray” nasal. sob a forma de “spray” nasal (uma aplicação). presença de contraindicações para determinada medicação. por vezes latejante. unilateral. miose. reações adversas.Qual o tratamento sintomático da cefaleia em salvas? As crises têm início súbito e curta duração.B. tempo esperado do período de duração das salvas. Está contra-indicado em pacientes com história clínica de insuficiência coronária e hipertensão arterial descontrolada. As crises recorrem por mais de um ano sem períodos de remissão ou com períodos de remissão durando menos que um mês. efetivos na migrânea. ainda. o que induz a estado de inquietude. lacrimejamento. por vezes com irradiação para a mandíbula inferior e região cervical. em geral penetrante. 37 . podendo ser repetido após 15 minutos. supraorbital e temporal. utiliza-se o medicamento diariamente. Analgésicos e ergotamínicos. com intensidade extraordinariamente elevada. sudorese facial ou frontal. até meses ou anos) e crônica (ausência de remissão em um ano ou menor do que 14 dias). tipo de Cefaleia em salvas (episódica/crônica).

porém. tonturas. Valproato e divalproato de sódio Utilizado em doses de 200 a 1. em pacientes jovens. ainda. 40 . A metisergida tem grande número de efeitos secundários: câimbras e dores musculares. A dor pode recorrer após alguns anos. pode ser utilizado profilaticamente. infecção corneal transitória e diplopia transitória. é. náuseas. de 120 mg a 2. fala arrastada. O procedimento de escolha é a termocoagulação por radiofrequência do gânglio trigeminal. Injeções de glicerol também têm sido utilizadas. retenção hídrica e reações fibróticas (retroperitoneal.com. com segurança para a córnea. sinais extrapiramidais e crises convulsivas. úlcera gástrica.Quais os critérios para o diagnóstico da hemicrânia paroxística? Hemicrânia paroxística A. por pouco tempo (duas ou três semanas. Pode. Os efeitos secundários mais frequentes são constipação intestinal e retenção hídrica e. O divalproato pode ser mais eficaz e ter menos efeitos adversos. letargia. É contra-indicado em pacientes com insuficiência coronariana ou arterial periférica. a droga profilática de escolha em ambas as formas clínicas das cefaleias em salvas. contra-indicando sua utilização em pacientes já com acometimento desses órgãos.medicinaatual. com significativo alívio da dor. em dose média fracionada de 600 a 900 mg/dia. em geral. utilizado com doses fracionadas e variáveis.As principais opções são: Verapamil É. visão turva. também pode ser útil nas formas episódicas. 1 mg duas vezes ao dia. para quebrar o ciclo das cefaleias.br . edema. Ele é particularmente útil para controlar os episódios noturnos. Deve ser usada com cautela na forma crônica e alguns autores recomendam um mês de interrupção do medicamento a cada seis meses de tratamento.Quando propor tratamento cirúrgico para cefaleia em salvas? O tratamento cirúrgico é indicado para pacientes refratários à abordagem profilática clínica ou que apresentem contra-indicações significativas aos medicamentos. havendo relato apenas de náuseas. tremor. tornando necessário novo procedimento cirúrgico. alterações de personalidade. ecocardiograma e estudos de imagem do abdome. contudo. com maior gravidade. www. ainda. inquietude. hiperglicemia. sua principal complicação consiste em inadvertidamente permitir a entrada do glicerol para o interior do crânio ao controlar o tamanho da lesão. Seus efeitos secundários impedem o uso prolongado e incluem: insônia.000 mg em casos rebeldes. ataxia. Metisergida Pode ser utilizada nas formas episódicas. especialmente nos pacientes que não respondem à ergotamina e ao verapamil. Efeitos adversos de letargia. Ergotamina Tartarato de ergotamina. confusão mental.4 e 0. 39 . Pode ser utilizado em associação com a ergotamina e/ou com lítio. desencadear hipotiroidismo e complicações renais. Corticosteróides A prednisolona é útil no tratamento da forma episódica. Pelo menos 20 crises preenchendo critérios B a D. Raramente. podem ocorrer pancreatite e alterações hepáticas.000 mg/dia em duas tomadas. nistagmo. miopatia. hipotensão e fadiga. realizando-se periodicamente radiografia do tórax. bem tolerado. osteoporose. aumento de peso e queda dos cabelos também podem ocorrer. As complicações incluem anestesia dolorosa.8 mEq/L) para evitar efeitos neurotóxicos que incluem: tremor. quando administrado antes de deitar. pleural. em doses progressivamente menores). potencialmente fora do risco de doença aterosclerótica cardíaca. O paciente deve realizar controle de litemia (os níveis séricos terapêuticos preconizados são de 0. hiponatremia. na atualidade. Carbonato de lítio Utilizado preferencialmente para as formas crônicas. necrose articular e óssea. pulmonar e valvar cardíaca).

Crises preenchendo os critérios de A a F para hemicrania paroxística. Não atribuída a outro transtorno.Qual a prevalência da hemicrânia paroxística crônica? Varia muito. menor duração e apresentar resposta absoluta à indometacina na dose de 25 a 50 mg. A cefaleia acompanha-se de pelo menos um dos seguintes: 1.3 Cefaleia primária do esforço físico 4. sudorese frontal e facial ipsilateral (???). Pelo menos dois períodos de crises durando de sete a 365 dias e separados por períodos de remissão sem dor durando pelo menos um mês.6 Cefaleia em trovoada primária www. congestão nasal ipsilateral e/ou rinorreia. acomete 3 mulheres para 1 homem.com. C. A Cefaleia se acompanha de hiperemia conjuntival ipsilateral e lacrimejamento. Crises preenchendo critérios de A a F para hemicrania paroxística B. C. Critérios diagnósticos: A. no controle das crises. Crises de dor forte.Quais aspectos diferenciam a hemicrânia paroxística crônica da cefaleia em salvas? A hemicrânia paroxística crônica diferencia-se da cefaleia em salvas por predominar no sexo feminino. Crises de dor unilateral. 42 . que duram pelo um mês ou mais. Quanto ao sexo. Hemicrania paroxística crônica Crises de hemicrania paroxística ocorrendo por mais de um ano sem remissões ou com remissões durando menos de um mês. E. 5. D.2 Cefaleia orgástica 4. 3. Crises recorrem por mais de um ano sem períodos de remissão ou com períodos de remissão durando menos que um mês. 4. B. Pelo menos 20 crises preenchendo critérios B a D. As crises são completamente evitadas por doses terapêuticas de indometacina F. supra-orbitária e/ou temporal durando de dois a 30 minutos.5 Cefaleia hípnica 4. As crises têm frequência superior a 5 por dia em mais da metade do tempo. 41 . Pode-se dizer que se encontra 1 hemicrânia paroxística crônica para cada 200 cefaleias em salvas.1 Cefaleia pré-orgástica 4. B. edema palpebral ipsilateral.Cefaleia de curta duração. orbitária.medicinaatual.4.1 Cefaleia primária em facada 4. orbitária. 2 a 4 vezes por dia.4 Cefaleia primária associada à atividade sexual 4.2 Cefaleia primária da tosse 4. As crises ocorrem com frequência de três a 200 por dia. unilateral.br . Critérios diagnósticos: A. hiperemia conjuntival ipsilateral e/ou lacrimejamento. supra-orbitária ou temporal.Quais os critérios para o diagnóstico de SUNCT (Short lasting unilateral neuralgiform conjuntival injection and tearing .B. separados por períodos sem dor. 44 . E. D. unilateral. em pontada ou pulsátil durando de cinco a 240 segundos. Não atribuída a outro transtorno Hemicrania paroxística episódica Crises de hemicrania paroxística ocorrendo em períodos que duram de sete dias a um ano. 43 . porém é muito rara. ter maior frequência diária de crises. 2.4. neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejamento)? São eles: A.Quais são os outros tipos de Cefaleia primárias? São os tipos classificados no item quatro da classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia: 4. ainda que períodos de menor frequência possam ocorrer. miose (???) e/ou ptose ipsilateral.

Na cefaleia do pré-orgástica.Quais as características da Cefaleia primária da tosse? É indometacina-responsiva. Existem dois subtipos: pré-orgástica e orgástica. caracterizada pelo desencadeamento do sintoma pela atividade física. A fisiopatologia está relacionada ao aumento. o excesso de contração muscular. duração de cinco minutos a 24 horas. ocasionalmente mais longa. descrito por Raskin. que se intensifica à medida que a excitação sexual aumenta. Fatores contributivos. 46 . Aparece em múltiplas localidades no crânio ou encontra-se estritamente localizada. corrida. A cefaleia tem localização bilateral. ou orgástica. transmitida até as veias epidurais. Duração mais longa sugere condições subjacentes. Há que se excluir causa secundária. na maioria das vezes na primeira divisão do nervo trigêmeo. Outros tipos de atividade física podem também desencadear a cefaleia. ocorre dor bilateral. causando onda de pressão no sistema liquórico. Pode ser considerada variante da cefaleia benigna do esforço e. No tipo explosivo. em peso. tais como remo.com. descrito por Sjaastad.4. Cefaleia em salvas ou hemicrânia contínua. A fisiopatologia inclui os seguintes mecanismos: distensão venosa aguda. geralmente na dose de 150 mg ao dia. precipitada pela tosse. são reconhecidas. Devem-se excluir causas secundárias.7 Hemicrânia continua 4. natação. como a cefaleia de levantadores de peso.8 Cefaleia persistente e diária desde o início (CPDI) 45 . lesões da fossa posterior (tumores.medicinaatual. É geralmente benigna. em alguns pacientes. O tratamento também é feito com a indometacina. que se manifesta como Cefaleia da atividade sexual em 4. A fisiopatologia está relacionada com provável aumento da pressão arterial. caráter pulsátil e pode apresentar características enxaquecosas em pacientes com história de enxaqueca prévia.5% a 12% dos casos. provavelmente. nas regiões cefálica e cervical. Doses de até 150 mg ao dia foram utilizadas com sucesso. na dose de 75 mg ao dia. A prevalência na população é de 1%. Pode ser parcial ou totalmente responsiva à indometacina. como aumento da temperatura.Quais as características da cefaleia primária do esforço? É indometacina-responsiva. Sua fisiopatologia é desconhecida. em 1980. Variantes. O tratamento indicado é a indometacina. além de descargas neuronais paroxísticas. geralmente de um a dois segundos. É caracterizada por dor de curta duração. O mecanismo principal envolvido é. malformações vasculares) e adenomas da hipófise. sendo as mais comuns: alterações da transição cérvico-medular (Arnold-Chiari).Quais as características da cefaleia primária em facadas ou pontadas (idiopathic stabbing headache)? Ela abrange os diagnósticos anteriormente conhecidos por jabs and jolts. tênis. transmissão da pressão venosa para o sistema liquórico e vasodilatação. Sua prevalência é de 1% na população geral. não há causa estrutural subjacente e pode ser prevenida ou aliviada pelo relaxamento deliberado da musculatura cervical. há superposição entre as duas entidades. coito ou masturbação. A angiografia cerebral pode ser indicada. A prevalência na população é de 1%. falta de condicionamento e atividade em altas altitudes. 47 . ocorre cefaleia abrupta e de forte intensidade no orgasmo. www. da pressão intra-abdominal e intra-torácica. 48 .Quais as características da Cefaleia da atividade sexual? É caracterizada pelo desencadeamento relacionado à atividade sexual. O quadro clínico é caracterizado por cefaleia de início súbito. causado pela tosse. além do envolvimento do óxido nítrico. Tem caráter de pontada e pode ocorrer sozinha ou associada à enxaqueca.br . cerca de 40 anos de diferença. as características clínicas sugerem déficit central do controle da dor. aneurisma cerebral. como a hemorragia subaracnóidea. caracterizada pela presença de Cefaleia desencadeada pela tosse. no entanto. na ausência de causa estrutural. É possível que apenas o aumento pressórico no sistema venoso seja o bastante para causar a cefaleia. A média etária dos pacientes com Cefaleia benigna da tosse é muito maior que à dos pacientes com Cefaleia do esforço. e icepick headache. durando menos de um minuto e de localização bilateral. fazendo-o mover rostralmente. em 1979. podem estar presentes. assim como para a Cefaleia da tosse. na ausência de qualquer doença intracraniana.

cafeína. na dose de 40 a 200 mg. em geral necessita de investigação. Amitriptilina.com.br . Existe tanto na forma contínua como remitente e pode perdurar por anos. em geral. a cefaleia da atividade sexual afeta mais homens do que mulheres (3:1) e pode aparecer em qualquer época. 49 . edema palpebral). De maneira geral. presente por pelo menos um mês. são medicamentos que podem beneficiar.Como se classificam as cefaleias crônicas diárias? Variedades primárias • • Duração maior que quatro horas: o Enxaqueca ou migrânea transformada. o Cefaleia tipo tensional crônica. que pode se desenvolver após o coito. Variedades Secundárias • • • • • Cefaleia associada a trauma crânio-encefálico. O uso de betabloqueadores.O que é cefaleia hípnica? As seguintes anotações no diário da Cefaleia são indicativas do diagnóstico de síndrome da Cefaleia hípnica: • • • • o acordar durante o sono (ou cochilos diurnos) com o sintoma. não recorre ao longo de semanas ou meses subsequentes. com duração de 1 hora a 10 dias e que. 30 minutos antes da atividade sexual. congestão nasal. o Cefaleia hípnica.O que é cefaleia em trovoada primária? Trata-se de uma dor que atinge intensidade muito forte em menos de um minuto. paciente do sexo feminino. 51 .Quais são as características das cefaleias crônicas diárias? www. por mais de um mês. contínua (flutuante). É uma das formas de cefaleia indometacina-responsiva. É mais comum em mulheres e os sintomas desaparecem espontaneamente entre seis e 24 meses.medicinaatual. a obtenção de alívio com o levantar-se. durante os anos de atividade sexual. 54 . rinorréia. o Hemicrânia contínua. referem com certa precisão o dia do início do quadro e alguns casos podem refletir síndrome pós-viral. 52 . indometacina. 50 . ptose. moderada. o Cefaleia crônica diária nova e persistente. exceto em alguns pacientes que obtêm remissão completa dos sintomas com o uso do lítio. Os tratamentos sugeridos na literatura atual têm sido de pouco sucesso. O tratamento inclui a administração de indometacina 25-50 mg.O que é hemicrânia contínua? Trata-se de desordem rara. Duração menor que quatro horas: o Cefaleia em salvas. Os pacientes não têm antecedentes de Cefaleia do tipo tensional ou migrânea. 300 a 900 mg. sinusopatia.O que é cefaleia persistente e diária desde o início? É o desenvolvimento de dor de cabeça abrupta que não sofre remissão. com frequência de pelo menos 15 dias/mês. pode ser benéfico em uso regular como profilático. Cefaleia associada a desordens vasculares. em geral com mais de quatro horas de duração. com prevalência muito maior nas mulheres. 53 . caminhar e ingerir café. Cefaleia associada a desordens não-vasculares. caracterizada por dor estritamente unilateral. Cefaleia associada a desordens da coluna cervical.A cefaleia do tipo postural que ocorre relacionada à atividade sexual está no grupo das cefaleias secundárias a hipotensão liquórica. Outros: disfunção da articulação têmporo-mandibular. o Hemicrânia paroxística crônica. Não deve ser atribuída a outro transtorno. com alguns fenômenos autonômicos (lacrimejamento. em uma a três doses por dia. após a quarta década de vida.

psicológicos: distúrbios comportamentais. Pacientes com dor crônica frequentemente apresentam perfil anormal de personalidade e transtornos de afetividade. existem critérios sugeridos para o abuso medicamentoso: No mínimo um dos seguintes.5 mg VR mais que dois dias/semana. complicando ainda mais o diagnóstico diferencial com dores de cabeça não associadas à doença estrutural ou sistêmica. nos pacientes portadores de hemicrânia contínua. Talvez o principal fator para o uso excessivo de analgésicos seja a cefaleia rebote que os pacientes desenvolvem. Apesar de ainda não estar definida a dose limite para que se desenvolva. barbitúricos).com. por mais de um mês). porém com menor intensidade e maior frequência.Quais são as principais complicações das cefaleias crônicas diárias? As mais comuns são as alterações sistêmicas causadas pelo uso excessivo medicamentoso como: • • • distúrbios autonômicos: hipertensão arterial. antiinflamatórios nãohormonais. antiinflamatórios de ação curta e também. tomografia computadorizada de crânio. O quadro pode desenvolver-se pelo uso rotineiro e despropositado de analgésicos comuns.Trata-se de um termo genérico utilizado para agrupar pacientes com cefaleia diária ou quase diária (mais que 15 dias por mês. Também são menos expressivos os fenômenos acompanhantes. derivados do ergot. Tanto as formas primárias e secundárias podem estar associadas ao uso excessivo de analgésicos simples ou em associação com derivados do ergot. gastrintestinais. muitas vezes diagnosticando fibromialgia. mais que dois dias/semana. disfunções circulatórias. com pontos dolorosos (tender points) ao exame clínico. 65% a 80% apresentam uso excessivo de analgésico. As características clínicas da dor de cabeça (de acordo com os critérios de inclusão para as Cefaleias crônicas diárias). Em geral o exame neurológico é normal. por mais de um mês). sendo que no grupo todo. ergotamina 1 mg VO ou 0. conforme a classificação citada anteriormente.medicinaatual. O fato é que distintos e variados tipos de cefaleia podem assumir característica crônica. analgésicos narcóticos com ou sem combinação. opioides e benzodiazepínicos. Dividem-se as cefaleias crônicas diárias em primárias e secundárias. variando de 40% a 60% dos atendimentos. 55 .000 mg AAS/acetaminofeno) mais que cinco dias/semana. excluindo a dor secundária.Qual a orientação e o tratamento das cefaleias crônicas diárias? www. mais que três dias/semana. mais que um comprimido/dia. narcóticos. é necessário recorrer a métodos diagnósticos por imagem (radiografia. exceção às alterações autonômicas presentes. O grupo prevalente é o da enxaqueca transformada. tremores. além de distúrbios de sono e fadiga. como depressão e ansiedade. são de longe a principal ferramenta disponível. A cefaleia crônica diária é uma das formas de cefaleia mais comumente encontrada em serviços especializados.br . Os pacientes com migrânea transformada apresentam o mesmo tipo de dor que os pacientes com migrânea sem aura. Muitos pacientes queixam-se de fadiga e dores generalizadas. responsável por cerca de 75% dos pacientes. combinações analgésicas (cafeína. recentemente descrito. de sumatriptano (mais que cinco dias por semana. miose. mais que três comprimidos/dia. principalmente. 56 . sendo então agrupados com o nome de cefaleias crônicas diárias. É fundamental a exclusão de cefaleias secundárias. insônia. ressonância magnética) ou a punção liquórica com manometria. por no mínimo um mês: • • • • • uso de analgésicos simples (mais que 1. Devem ser identificadas e tratadas o mais precocemente possível. Os efeitos colaterais do uso excessivo de medicamentos analgésicos e a síndrome de abstinência quando da retirada das drogas são condições de difícil tratamento. sumatriptano 300 mg VO ou 18 mg SC mais que cinco dias/semana. sendo em alguns casos necessária a internação do paciente. Dependendo do caso.

ácido valpróico. Deve-se entender que. os quais voltam a ter caráter de dor esporádica como antes do desenvolvimento da CCD. London. www.Desintoxicação e tratamento não-farmacológico. ed. Altman. Para pacientes não internados pode ser feita redução gradual do número de medicamentos usados. Tratamento farmacológico Pacientes com co-morbidades clínicas ou psiquiátricas importantes e aqueles submetidos a desintoxicação ambulatorial. 16:545-549. em casos mais difíceis.medicinaatual. escolhendo a droga mais indicada.com. dentre elas: triptanos SC ou VO.Leitura recomendada American Academy of Neurology. têm sido descritos como procedimentos de melhora. Migraine. beta bloqueadores. in Sandler M. à taxa de 10% por semana. 20a. In: Borges DR & Rothschild HA. RPG. a resposta pode demorar várias semanas.com Araujo MG. Whither migraine research. Passado o período mais crítico. Como o grupo de maior prevalência das CCD é de pacientes com uso excessivo de medicamentos analgésicos. Cefaleias crônicas diárias. o grau de dependência. Barea . agitação.aan. por vezes há necessidade do controle da exacerbação dos sintomas e da abstinência com o uso de benzodiazepínicos. e iniciado imediatamente o tratamento profilático. bloqueadores de canal de cálcio). An epidemiologic study of headache among children and adolescents of southern Brazil. exercícios específicos. devido não só às propriedades farmacológicas das drogas utilizadas.5 mg em dois a três minutos). 57 . A maioria dos pacientes é tratada ambulatorialmente. mas ao fato de que estas só se tornam totalmente efetivas após a eliminação do uso excessivo de medicamentos e o término do período de desintoxicação em quatro a seis semanas. insônia) principalmente na primeira semana. A medida não é uniforme. [cited 2001 Nov 19] Available from: URL. http://www. sem sucesso. Recorrências podem surgir. pharmacology and genetics. calor local. Esse período pode variar de um a vários meses. inicia-se a fase de melhora e diminuição tanto da intensidade quanto da frequência das dores e dos sintomas associados.br . eletroestimulação. Tanhouser M & Rotta NT. mesmo iniciado o uso de medicamentos profiláticos. di-hidroergotamina IV (0. devem ser internados para processo de desintoxicação que inclui: • • • hidratação parenteral e controle dos sinais vitais. 2001.M. sendo importante identificar suas causas – na maioria das vezes decorrem de diagnósticos incompletos ou incorretos (Araújo & Peres. como por exemplo. Cephalalgia 1996. Ferrari M. Artes Médicas. agulhamento de “trigger points”. os pacientes são internados em unidades especializadas. Terapia analgésica parenteral. AAN headache guidelines: multispecialty consensus on diagnosis and treatment of headache. com sessões de psicoterapia de suporte. relaxamento e “biofeedback”. Tratamentos fisioterápicos como alongamento. Início do tratamento profilático (antidepressivos tricíclicos. 1996. 2001). bloqueio analgésico do nervo occipital (na Cefaleia cervicogênica ou por compressão do nervo grande occipital). dependendo de vários fatores. Os resultados com a acupuntura tradicional ainda são controversos. O tratamento adequado e em condições ideais proporciona alívio sintomático e melhora acentuada em cerca de 80% dos pacientes. Bruyn GW. que é o período de desintoxicação (“washout”). Practice Guidelines. Edição. o primeiro passo no tratamento deve ser a imediata interrupção do uso. o estado psicológico e a própria conscientização do paciente diante da necessidade da interrupção do uso excessivo. Atualização Terapêutica. clorpromazina IV (0. o tipo de fármaco usado. Harnett S. ocorrendo em geral acentuação dos sintomas dolorosos e de abstinência (náuseas. É muito importante o seguimento (em geral semanal) do paciente e o apoio psicológico especializado.1 mg/kg em dois minutos). Peres MFP. São Paulo.

Sjaastad O. Atualização Terapêutica. Comitê AD Hoc da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Hemicrania continua: another headache absolutely responsive to indomethacin. and facial pain.International Headache Society. Pain terms: a list with definitions and notes on usage.763-764. Bonica JJ. 43(Suppl 3:6-10.medicinaatual. Lippincott Williams & Wilkins. Blue Books of Practical Neurology. Isis MM. Classification and diagnostic criteria for headache disorders. Recommended by IASP Subcommittee on Taxonomy. Cephalalgia 1984. New York. eds . Cephalalgia 1988. cranial neuralgias. The neurologic examination. 19:370-374. 840 p. Arq Neuropsiquiatr 2002.22:824-827. 1997. 8(suppl7):1-96. Lipton RB. sweating and tearing. 1979. Arq Neuropsiquiatr 1987. 9:147-156. 27:265-269.6:249-252. Headache 2002. Raskin NH.8(suppl 7):1-96. Headache. International Headache Society (IHS): Classification and diagnostic criteria for headache disorders. Goadsby PJ & Silberstein SD eds. Sheftell F. Arq Neuropsiquiatr 2000. São Paulo. 45:371-378. Primary Headaches: a convergence hypothesis. Farmer K. de Souza Carvalho D. 1992. In: Diamond S & Dalessio DJ eds. Fatores de risco da enxaqueca na faixa etária de 7 a 15 anos. Raskin NH. cranial neuralgias and facial pain. de Souza Carvalho D. Gabbai AA. ed. Jensen R. Williams & Wilkins. J Clin Epidemiol 1991. Cefaleias primárias. Headache. Appenzeller O. 1998. Harper & Row Publishers. Hassanein RS. Headache Classification Commitee. Merskey H. Saunte C.br . Silberstein SD. Rothner AD. www. Epidemiology of headache in a general population – a prevalence study. Lima JGC. Schwartz RK. Introduction. Boston. 411 p. p. Lipton RB. Fragoso YD. 2001. In: Borges DR & Rothschild HA. Philadelphia. Stewart WF. Headache in clinical practice. Salvesen R. Rasmussen BK. Albe-Fessard DG. Carramate JFP. Cephalalgia 1988. The secondary Headaches. Olesen J. Philadelphia. Ice-pick-like pain. Recomendações para o tratamento da crise migranosa. Ziegler DK. Butterwoth-Heinemann. 60(1):159-169. In: Olesen J. et al. Schreiber C. Cephalalgia 2002. Recomendações para o tratamento profilático da migrânea. Pinto CAR. Edição. IHS . Headache syndromes in children and adolescents: diagnosis and management. Migraine in the United States: epidemiology and health care use. Olesen J. DeJong RN. 1980. Zukerman E. Schrol M. 42:204-216. pag 182. Couch JR. Neurology 1980.. 2000. Oxford. Goadsby PJ. 30:203-205. Hannuch SNM. Sjaastad O. Comitê AD Hoc da Sociedade Brasileira de Cefaleia. WB Saunders. Baltimore. 44:1147-1157.The Headaches.com. de Souza Carvalho D. Cephalalgia1989. 4:65-70. Pain 1979. Neurology 1993. The practicing physician’s approach to headache.Cady R. KMA. What does the headache patient want? Headache 1979. 20a. Welch. Levyman C. Artes Médicas. Neurology 1977. Tfelt-Hansen P. Spiarings ELH. Packard RC. et al. 58(2A):371-389. Short lasting unilateral neuralgiform headache attacks with conjuntival injection tearing. Hypnic Headache Syndrome: clinical aspects of eight patients in Brazil. Characteristcs of life headache histories in a nonclinic population.

Atheneu.. Lippincott Williams & Wilkins. 210 p. Dor de cabeça. University Press. Orientações práticas para entender tratar e curar. 1981. Enxaqueca. Como diagnosticar e tratar. O livro das Cefaleias. 1998. Bigal ME. Krymchantowski AV. Krymchantowski AV. 1998. Lemos Editorial. 219 p.. Cefaleias primárias: aspectos clínicos e terapêuticos. Manual prático para diagnóstico e tratamento das Cefaleias. 1993) Silberstein SD. Farias da Silva W. 2004. 2001. São Paulo. 2001. Nobre ME. van Huijzen Chr. 2002. 290 p. A synopsis and atlas. Berlin. Oxford. 2000. 24(suppl 1):1-150. 2003. Lemos Editorial. Silberstein SD. Speciali JG & Farias da Silva W. Lemos Editorial. Oxford. 2001.medicinaatual. 493 p. Corbioli N. 625 p. 253 p. Lemos Editorial & Gráficos. Headache in Clinical Practice. Algias craniofaciais. São Paulo. Atualização Terapêutica. eds. o que se sabe. Cefaleia em salvas. Mechanism and management of headache. São Paulo. Retratos da enxaqueca e das Cefaleias primárias. Raffaelli Jr E & Martins OJ. Oxford. Sanvito WL & Monzillo PH. eds. The International Classification of Headache Disorders – 2nd. Lemos Editorial. 80 p. Cefaleias. Mariano da Silva H. São Paulo. Springer-Verlag. 2001. The Human Central Nervous System.br . Ramos J. Editora Campus. Lemos Editorial.eds. Edition. Olesen J. Farias da Silva W. 1993) Nieuwenhuys R. 111 p. O que se diz. eds. Cephalalgia. São Paulo. Cefaleias primárias. Rio de Janeiro. 2002. ButterworthHeinemann. Lipton RB & Goadsby PJ eds. 1026 p. Wolff’s Headache and other head pain. 2002. São Paulo. www. Isis Medical Media. 2001. 86 p. Ribeiro do Valle J. 1998. 286 p. Philadelphia. 129 p. p 887-1010. Lipton RB & Dalessio DJ. Lance JW & Goadsby PJ. The Headaches. 192 p. Voogd J. Raffaeli Jr E & Ortiz F.com. eds. São Paulo. Editora Artes Médicas. Cintra do Prado F. Zeppelin Editorial. Sociedade Brasileira de Cefaleia.IHS – Headache Classification subcommittee of the International Headache Society. 317 p. Secção 12 – Neurologia. 2001. Bordini CA. Rio de Janeiro. (ou edição anterior. Tfelt-Hansen P & Welch KMA eds. 2001. 21 ed. 87 p. São Paulo. (ou edição anterior. São Paulo.