You are on page 1of 15

www.e-compos.org.

br
| E-ISSN 1808-2599 |

Sobre jornalismo e homofobia ou:
pensa que é fácil falar?
Bruno Souza Leal e Carlos Alberto de Carvalho

1 Introdução

Este artigo tem como objetivo apresentar

Segundo dados de pesquisa feita na Parada

discussões iniciais que forneçam condições para

Gay de São Paulo em 2005 (CARRARA; RAMOS;

que as relações entre jornalismo e homofobia
sejam melhor apreendidas, tomando como
objeto alguns veículos da “mídia de referência”
brasileira. Para tal, parte de uma compreensão da
organização da vida sexual, com foco naquilo que

SIMÕES; FACCHINI, 2006,), 72,1% das mais
de dois milhões de pessoas ali presentes
informaram que já haviam sofrido alguma forma

contribui para as ações e discursos homofóbicos e/

de discriminação em função de sua identidade,

ou sobre a homofobia, para em seguida observar o

orientação e/ou prática sexual. Na mesma

processo jornalístico de construção das realidades.
Articulando uma e outra, estão os desafios nos

pesquisa, 67,5% disseram que já tinham sofrido

modos de dizer do jornalismo, premido pelos

agressões físicas pelas mesmas razões. Uma outra

silêncios, ambigüidades e usos lingüísticos
tradicionais e contemporâneos que a moral

pesquisa, realizada em 2006 sob coordenação

sexual, as questões de gênero e a homofobia e seu

do professor do Departamento de Psicologia da

combate impõem. Não se propõe, portanto, aqui,
a análise específica de algum caso de homofobia
que tenha tido cobertura jornalística, mas apenas
se indicam alguns elementos que se apresentam
como importantes para um estudo que tenha tal

Universidade Federal de Minas Gerais, Marco
Aurélio Máximo Prado, com os freqüentadores
da Parada Gay de Belo Horizonte, por sua vez,

temática como objeto de investigação.

revelou que 43% dos ali presentes “confiavam

Palavras-chave

pouco” na imprensa. No entanto, essa era das

Jornalismo. Gênero. Homofobia.

Bruno Souza Leal | brunosleal@gmail.com
Doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas
Gerais – UFMG. Pesquisador permanente do Programa de PósGraduação da UFMG.

Carlos Alberto de Carvalho | caco5@uol.com.br
Doutorando em Comunicação Social pela Universidade Federal de
Minas Gerais – UFMG. Professor do Curso de Comunicação Social/
Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP.

instituições de maior credibilidade entre as
analisadas. Cerca de 19% das pessoas indicaram
que confiavam muito na imprensa, índice
significativamente maior que os da Polícia (4,6%),
da Justiça (8,9%) e do Congresso Nacional (6,6%).
Esses dados apresentam variações de gênero,
orientação sexual, idade, entre outros, mas

1/15

Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.2, maio/ago. 2009.

Resumo

12. de espaço ou tempo. ainda. mesmo sendo brasileira traz desafios aos modos de dizer do pouco confiável? Uma vez que o jornalismo vive jornalismo. no país. a chamada “mídia de referência”. Dentre estes atores. o jornalismo seria um espaço – e os fenômenos por ela nomeados – está importante de visibilidade. do veículo. para a chamada “cultura GLS”. Se uma ambiguidade na percepção do papel da imprensa. do . de violência.org. o além de organizações não governamentais de conjunto de variáveis que regem o entendimento âmbito local. de uma certa eventos capturados pela rede noticiosa. que a disseminada homofobia instituição das mais credíveis.www. quão disseminada a homofobia se encontra na inserido na cadeia produtiva da notícia. uma primeira hipótese é que sua veículos segmentados. Essas tensões se inscrevem nas disputas de sentido que diversos atores sociais buscam imprimir à informação jornalística sobre as questões do universo da sexualidade. porém. Brasília. tanto para denúncias intrinsecamente ligada. quanto para reivindicações de direitos e. como organiza e dispõe a estrutura organizacional e a disponibilidade nexos entre fatos e os seus agentes e pacientes. e chegando a atingir legitimando saberes e discursos. especialmente a Católica. por outro. Transexuais e Transgêneros (LGBT). v. n. pró e contra os direitos credibilidade viria da boa cobertura de casos de LGBT. Assim. por exemplo. Essa de noticiabilidade ou o tratamento de situações disputa político-ideológica tem nos próprios homofóbicas. maio/ago. sua relação com o público-leitor e seu Afinal. do não reconhecimento da noticiabilidade de fatos relacionados à homofobia e a indivíduos e entidades LGBT – e de discordâncias frente ao modo como notícias deste ou daquele veículo são construídas.e-compos. e. a grande imprensa. como dos acontecimentos. Bissexuais. como parte da homofobia. marcam as construções de gênero e sexualidade Travestis. a segunda hipótese sugere que a pouca confiabilidade adviria dos silêncios e das omissões – ou seja. passando por não ser notícia. como explicar que o jornalismo seja uma negar. certamente são indicadores. faz dos sociedade brasileira. cada jornal não só define o que deve ou posicionamento político-ideológico. assim como da agenda política e do sociedade brasileira. explicação não é fácil nem simples. Em que pese mesmo a existência de de notícias. Gays. estabelecendo uma hierarquia aspectos “técnicos” e/ou circunstanciais. 2009. não é possível Afinal. não é imune às tensões que universo cultural de Lésbicas. por um lado. é importante lembrar as religiões.2. a 2/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.br | E-ISSN 1808-2599 | mesmo a leitura individual que cada jornalista. as instâncias de defesa dos direitos humanos e da comunidade LGBT. os partidos políticos e uma grande quantidade de instituições ligadas aos diversos níveis do Tendo em vista apenas a grande imprensa exercício do poder estatal e governamental. e às quais a própria noção de homofobia Nesse caminho. vai desde a identidade jornais alguns de seus atores mais importantes. Numa outra direção. brasileira. nacional e internacional.

n. estão os desafios nos modos de dizer do jornalismo. Termo relativamente novo no vocabulário problemas. quanto das sexual e de gênero (FOUCAULT. 2002. da complexidade dos fenômenos que nomeia. 1996. Para tal. Com um uso cada vez mais corrente. 2002. aspectos individuais de um 2 Os desafios de um conceito e a complexidade de um fenômeno fenômeno social. 2000) e a historicidade das identidades sexuais e de gênero (FRY.org. a homofobia diz tanto da normatividade da vida dissociação entre prática sexual. agendamento e construção da realidade”. aqui. 1982. 2000.e-compos. Começando pelas últimas.12. a análise específica de algum caso de homofobia que tenha tido cobertura jornalística. Brasília. para em seguida observar o processo jornalístico de construção das realidades. premido pelos silêncios. além disso. 2006. ação dos jornais.2. da própria BÉJIN. “homofobia” surge conceitualmente ambigüidade não é gratuita e diz um pouco vinculado aos estudos de gênero e sexualidade. talvez em demasia. COSTA. realizada junto ao PPGCOM/UFMG e ao Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania GLBT/UFMG e financiada pelo Ministério da Saúde/Unodc. a homofobia e seu combate impõem. Nesse quadro. identidade sexual na sociedade brasileira. as ambiguidades desses scripts apresentar discussões iniciais que forneçam condições para que as relações entre jornalismo e homofobia sejam melhor apreendidas. PARKER. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.www. 2006. BARBOSA. Afinal. que remete ao “igual” e a partir do qual o termo significaria “medo do semelhante”. v. é importante notar que sua brasileiro. O outro uso. 2002). GREEN. parte de uma compreensão da organização da vida sexual. já faz algum tempo. PARKER. 1985. 3/15 entre vários outros). Por outro lado. por exemplo. em sua especificidade. sendo um deles mais tradicional. ARIÉS & disputas aí presentes e. (GAGNON. ressaltando. o termo tem ao mesmo tempo grande amplitude e limitações óbvias. e. ambiguidades e usos linguísticos tradicionais e contemporâneos que a moral sexual. a expressão “fobia” dá um peculiar acento psicológico a essa repulsa. como em “homoparentalidade”. dessa forma. maio/ago. e outros). este artigo1 tem como objetivo . é fácil observar sua ambigüidade. Não se propõe. PARKER. a pluralidade de modelos identitários e de formas de vínculo afetivo e sexual (MATOS. “homofobia” designaria então ódio ou repulsa aos homossexuais. Articulando uma e outra. 2009. mas apenas a indicação de alguns elementos que se apresentam como importantes para um estudo que tenha tal temática como objeto de investigação. a partícula “homo” tem dois usos. Por mais que o termo tenha certamente 1 Este artigo traz reflexões desenvolvidas no âmbito da pesquisa “Mídia e homofobia: linguagem. traz a associação com a homossexualidade. com foco naquilo que contribui para as ações e discursos homofóbicos e/ou sobre a homofobia. mais contemporâneo. portanto.br | E-ISSN 1808-2599 | complexidade das relações entre jornalismo e que vêm apontando. COSTA. 2002.

o envolvendo. antissemitismo ou xenofobia. a causas biológicas. a compreensão da homofobia ultrapassa os estudos isolados de preconceito social e de cunho psicanalítico. social. e das sexualidades. por exemplo. a homofobia. “homofobia” se filia à série de termos que é tributário das construções sociais dos gêneros marcam formas de discriminação. a homofobia pode ser vista como vinculada aos “problemas de gênero”. Com isso. recusando-se sua igualdade frente aos demais. sexismo. não podendo ser associado. Dessa forma. segundo Borrillo. medo ou proscrição Daniel Borrillo (2001). como racismo. ódio. Isso estar. tal como faz Fone (2000).26). inclinados do mesmo modo que o racismo. náuseas. por é exclusiva de heterossexuais. Assim.www.e-compos. que a homofobia tem um componente intragênero (entre as diversas formas de ser homem ou mulher) e outro entre gêneros (o outro – seja outro gênero. e que reduzem pessoas gays.. 2009. faz a aos homossexuais. lésbicas. maio/ago. asco. Brasília. de construção das identidades de gênero. v. Em todos portanto. exigindo atenção às relações de poder. Borrillo (2001) Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. a homofobia não pode ser definida simplesmente como antipatia. n. retira-se ou reduz-se a humanidade de . nos insultos e nas formas da norma sexual. nesse sentido. um grupo de pessoas. podendo ser considerar que ela pode se apresentar tanto como encontrada entre sujeitos homoeroticamente uma manifestação emocional tipicamente fóbica.2. Pode-se perceber. ou seja. próprio autor observa que a “homofobia” não individual. O distinção entre uma homofobia “psicológica”. habituais na linguagem coloquial. condenação. e outra “cognitiva”. como o sexismo e a violência de gênero. Assim sendo. se manifesta tanto na esfera do indivíduo – na relação consigo e com o outro – quanto nas matrizes culturais de uma sociedade. seja o transgênero). 2003).. de gênero e de sexualidade presentes na cultura e que definem a própria constituição dos indivíduos. então. às formas sociais A homossexualidade e os homossexuais seriam o alvo mais visível de atitudes e ações homofóbicas exatamente porque constituem o outro a partir do qual a normalidade se afirma. bissexuais e transgênero a grotescos personagens de escárnio. está consideram distantes (em maior ou menor grau) presente nas piadas. É importante deixar claro que para o autor o “mal estar” do indivíduo 4/15 (BUTLER. como observa Karin Smigay (2002). mal sexismo ou outra forma de discriminação.org.] basear um conhecimento implica reconhecer a homofobia como vinculada do homossexual e da homossexualidade às matrizes normativas de construção de gênero sobre um preconceito que os reduz a um e das identidades sexuais. Uma das faces mais visíveis da a todos os indivíduos que se posicionam ou se “homofobia cognitiva”. de representação caricaturais. e à repulsa ao reconhecimento do gênero – e das práticas e identidades sexuais – como uma construção cultural. quanto como “[.br | E-ISSN 1808-2599 | Afinal. os casos.12. ampliando seu alcance clichê” (p.

v. como a sexualidade. sendo um dos componentes indivíduos. para os quais inclusive a conquista de direitos surge como disruptora da família e das instituições sociais.e-compos. médicos ou religiosos. ao longo da história. Aries e Béjin (1985). da crença histórica da existência à homossexualidade e aos direitos LGBT uma biológica de dois corpos e dois gêneros e mais estratégia fundamental de reafirmação da ainda o estabelecimento dessa distinção como norma de gênero e sexual. de recusar diferenças corporais. 5/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. Lacqueur (2001). toda sexualidade e todo Badinter.“[a] homofobia e. masculina. em corpos e na reprodução da espécie. É assim que. maio/ago. Sendo assim. organiza toda a lógica fundamentais na elaboração da identidade de gênero e os modos de construção dos corpos. tem no combate ou seja. Esses discursos fundamento último. 2009. qualquer dos corpos que desnaturalize ou torne ambíguas gesto ou qualquer desejo que transborde as as construções de gênero e ponha em questão. fronteiras ‘impermeáveis’ do gênero” (2001. dois homofóbicos. que a sexualidade é alvo de discursos a) a percepção de que a reprodução constitui o fim. da mesma forma que qualquer elaboração reprimindo qualquer comportamento. fundamental. observa que a homofobia tem no heterosexismo . desempenha prática sexual não reprodutiva é certamente um uma função de ‘polícia da sexualidade’. n. na natureza do ser humano. Borrillo afirma que. encontra-se na vida social todo um conjunto de atores sociais que. é possível reconhecer. homem/mulher. Em outras palavras.www.2. b) a naturalização da distinção homem/mulher. uma vez que um ato sexual justificam-se no encontro desses dois homem é um “artefato”. tais percepções não têm resultado apenas em atos de homofobia circunscritos às relações 2 Não se trata aqui. obviamente. desvio. Brasília. como já havia alertado Foucault norma sexual que fundam a homofobia: (2006). a partir dessa dicotomia. Bhabha (2005). políticos. Qualquer particular a homofobia masculina. de verdade. partindo de princípios e/ou fins morais. a norma sexual ocidental define que há. por fim. educativos. natural e biológico. numa outra direção. ao mesmo tempo origem e destino dos uma de suas faces. Nesse sentido. lembra Borrillo (2001).br | E-ISSN 1808-2599 | sexos. legitimando saberes e comportamentos c) a organização produtiva dos corpos e demais dispositivos de gênero. pelo menos três elementos da Considerando. o lugar de poder nas sociedades andro orientados para a expressão dessa diferença e falocêntricas. sinteticamente. das relações sexuais. como “essência” das circulam na vida social reforçando e mesmo identidades de gênero2.org. A partir do pensamento de E. Butler (2003) e.12. entre outros. ver. mas sim de observar a construção social da diferença e as relações de poder e determinação ai implicadas.95). a pretensa naturalidade da dicotomia A partir dessa percepção. Com isso. p.

com comportamentos e atitudes discriminatórios. podem surgir tanto em discursos que faz Borrillo (2001). o silêncio e a omissão. Homossexuais. pautados pela interdição ou pela indiferença. os saberes e comportamentos homofóbicos e aqueles que os combatem. n. manifesta- atos de bruxaria. a psicológica e a psicanalítica – tem desempenhado papéis. Verifica-se então que são amplas as formas do dizer que. identificados por um triângulo rosa em suas vestimentas. a homofobia. a mais trágica de “tolerância”. na individualização de “holocausto” promovido pelo Nazismo. são tão desumanizadores quanto os xingamentos e a ofensa. por exemplo. Borrillo locais. ora de ambiguidade. ainda que recebendo nomenclaturas amigos homossexuais.e-compos. que a distinção formal claramente marcam seus posicionamentos como entre homofobia psicológica e cognitiva marca através de estratégias irônicas e parodísticas de a amplitude dos comportamentos e formas ressemantização de expressões homofóbicas. de criminalização de certa(s) prática(s) comenta que mesmo quando uma pessoa tem sexual(ais). por Nesse sentido. sentido-se distintas. ora de clara hostilidade a qualquer sexualidade não heterossexista e reprodutiva. Brasília.12. é importante observar. mas levaram. a Igreja Católica não somente civis e da legitimação de um estilo de vida. implica o reconhecimento dos seus direitos No plano religioso. a ações legais. Por seu turno. fundamentais à materialização da norma sexual. maio/ago. comunistas e outros “párias”. o extermínio em massa de homossexuais nos campos de concentração. em diversos tempos e representa a quebra da normalidade. representaram ameaças ao ideal de raça pura punidos com a eliminação física. então confortável em sua companhia. cientistas revolucionários se tanto nos xingamentos e comentários e quem mais fosse considerado (a) fora dos jocosos quanto na violência física. sociais cotidianas. a ciência – especialmente a médica. em diversos . Borrillo (2001) e Foucault (2006). judeus. v.org.br | E-ISSN 1808-2599 | simbólicas que materializam esse rechaço ao que momentos. sexual e presente na série de processos que processo semelhante àquele promovido contra naturalizam gêneros e sexualidades. entre outros autores.www. 2009. Afinal. aos olhos do nazismo. estimulou. isso não monárquicorreligiosos e mesmo “republicanos”. 6/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. componente da norma fogueira para as “sexualidades desviantes”. A resistência e o combate à homofobia.2. apresenta-se também nas alusões. Mais recentemente. Assim como a homofobia manifesta-se explicitamente em discursos. nas lacunas e na recusa à nomeação e aos usos de termos que deixem clara a diversidade sexual. bem como padrões de normalidade para a instituição sob formas aparentemente mais brandas religiosa. tal como atentam. de recusa à visibilidade de memória dos resultados da homofobia é o problemas sociais. por parte de regimes monárquicos. como sua vez. definem também os espaços de tensão. como também adotou a prática da Assim.

as notícias repercutirão no sentido de agendar temas para debates. racionalidade e técnica – intimamente associado a estratégias que supõem enquadramentos e critérios de noticiabilidade – variáveis que os jornalistas e veículos utilizam para decidir o que merece ou não aparecer na mídia como notícia.2. 1993). espaços. com de Combate à Homofobia e do Dia Internacional maior ou menor poder. (GOMIS. “exigindo” Os veículos jornalísticos. Da mesma forma. 2009. que têm freqüentemente uma feição narrativa.www. TRAQUINA. informando ao público sobre questões que estão na “ordem do dia”. a palavra do jornal é uma palavra social. necessariamente os mesmos e revelam. das diversas de amplo apelo social. por exemplo. TRAQUINA. identidades e relações. ordenadora de tempos. VERÓN. MOUILLAUD. a família e a Universidade. é importante apresentado como comum e normal. maio/ago. com outras instituições. é decisivo para o modo como os diversos grupos sociais constroem sua realidade e elaboram sua percepção do cotidiano. como obras de linguagem. e WOLF. parâmetro para suas relações no cotidiano (GUMBRECHT. As notícias. portanto. o próprio público agenda a mídia noticiosa. Quanto maior a familiaridade e o contato com esses veículos. e as mídias agendam-se de visibilidade. Nesse sentido. 2005. v. de indivíduos e comportamentos. Uma vez que a racionalidade jornalística é indissociável da cultura organizacional das empresas e do Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. 1997. PONTE. n. manifestações culturais LGBT. que dialogam.e-compos. 2005. 7/15 . 1994). como o Estado. Brasília. estão em questão as formas que lhe interessa. mais o leitor/ espectador terá esse (s) mundo (s) como a realidade. sendo periodicamente ofertados à população (TRAQUINA. 2001 entre outros). a partir da repercussão de temáticas da agenda de direitos humanos.br | E-ISSN 1808-2599 | Em todos os casos. 1991. constituem-se como instâncias Orgulho LGBT e as manifestações do Dia Nacional de construção da realidade. Como observa França (1998). 1996. Postas em circulação. a partir de demandas para que ela dê visibilidade a temas Lugares de identidade e identificação (SODRÉ. e também do que é 1993. 1993. observar que parte da estratégia do movimento social LGBT vai na direção de produzir eventos 3 A notícia entre o dito e o não-dito que pautem os veículos jornalísticos. se configuram como um produto – o que implica em processo. portanto. e WOLF. mutuamente. 1998). (PONTE.org. como é o caso das Paradas de da vida social. as mídias noticiosas não podem assim ser vistas como espaços neutros ou meramente técnicos. Os mundos das páginas de jornais ou vistos na tevê não são. 1994) Esse saber o mundo que as narrativas jornalísticas põem em circulação. de Combate à Aids. mais que reprodutores sua cobertura. a partir de um cardápio de acontecimentos.12. pois está calcada na apreensão dos discursos existentes num dado contexto historicossocial.

2006). Tais acontecimentos. 1987. além disso. de uma experiência que já vem. Porém. nem em cada cobertura. percebe-se que as narrativas jornalísticas sobre a homofobia. se inscreve na linha dos que defendem a radicalidade da marca social nas produções jornalísticas. é necessariamente manipulatório e alienante. o jornalismo apresenta a(s) realidade(s) necessariamente a partir de “fragmentos”. p. grifo do autor) Partindo dessas premissas. e aberta às pressões e sociedade que é palco daquele assassinato. inclusive. no dia tal. a indicação dos aspectos mais gerais. maio/ago. portanto. pois tem na singularidade dos acontecimentos o seu modo de organização do mundo. a leitura está apontando na direção de reconhecimento. para além dos seus aspectos singulares. MOURA. noutro sentido. portanto. em conseqüência. 209. A singularidade se materializaria na opção dos jornais por nomes. a cada acontecimento anunciado em sua singularidade tem-se. de tal forma. cidade tal. tensões da vida social. Assim. nesse caso. Segundo Adelmo Genro Filho (1987). quando apreendidos pela produção noticiosa. 8/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. é o que nos diz sobre uma maneira muito particular que as mídias noticiosas têm de organização da “realidade” que elas nos apresentam. mas convida o público a completá-la como um fenômeno que estivesse sendo percebido diretamente. Essa forma de tomar conhecimento dos acontecimentos sociais. 2009. existência de práticas e discursos homofóbicos na 1977. mais do que a revelação de casos singulares. que teriam na universalidade o objetivo de suas explicações. No entanto. que. datas e circunstâncias específicas. pelo leitor. sequer consegue notar que a singularidade é uma dimensão objetiva da realidade e. Brasília. Ele difere.www. a informação jornalística não é contrária à formação da experiência: trata-se. Nas palavras do autor: Por isso. está na A proposição de Genro Filho. mas a notícia do que aconteceu com fulano de tal. Do mesmo modo. estão indicando modos de organização das sexualidades. os silêncios sobre a homofobia. n. chamados por ele de “particulares”. v. no exemplo de um assassinato de uma pessoa homossexual. Genro alerta que. a particularidade está nas condições mais gerais que o orienta. para o autor. em alguma medida. não se apresenta um caso genérico.br | E-ISSN 1808-2599 | processo de produção da notícia (TUCHMAN. ‘pré-formada’ pelos mediadores e pelo sistema jornalístico no qual estão inseridos. passam a conter uma carga social que não se esgota na singularidade do fato relatado. de discursos como o filosófico e o científico. que o singular também contém o particular e o universal. portanto. A sua significação universal. essa experiência ‘pré-formada’ não resulta pronta e acabada.12. está apenas sugerida ao invés de formalmente fixada.e-compos. (GENRO FILHO. se a singularidade é reveladora de particularidades. ela tende à revelação da universalidade. Ou seja.2.org. A concepção ingênua de que o jornalismo inevitavelmente fragmenta o real e. Potencialmente. saber não seria o mesmo nem de veículo a veículo. de fatos que projetam um desenho de sociedade. mais do que a fragmentação. considera-se que esse .

Da mesma forma que o jornal precede seus textos. em certa medida parece haver . narrativos e destinadas a uma audiência e para ela orientadas. portanto conformando-os às suas condições econômicas. nesse sentido.. pois os interpreta. que se apresenta como uma instância decisiva de mediação dos saberes e discursos sociais. Porém. como sintetiza Ponte (2005). e assim por diante. 1992. enquanto Genro na sucessão periódica das edições. para além de sua especificidade. pois (2006) destaca a dimensão relacional que marca articulam materialidade física. marcada. Lembra é simplesmente desconhecê-lo. alerta ele.2. saber – e dar sentido – ao mundo. na sua especificidade.org. Mouillaud (1997) ressalta seus conhecimentos. tomados como operam” (2005. 1997. Brasília. tecnologia. é importante ressaltar. pressionam os veículos cotidianamente. Na articulação para com seu auditório: a sua identidade e jornal e notícia. grifos da autora). FRANÇA. vem à cena uma dimensão fundamental na relação jornalismo/homofobia. dispositivos. v. cada jornal tem sua “identidade” (LANDOWSKI. Por outro lado. “quem formula é um suporte. de capacidade técnica etc. 1998) capaz de 9/15 determinam-se de maneira variada. Afinal. Um dispositivo. para quem a informação jornalística parte de um mundo “pré-significante” para torná-lo “significante”. Afinal. o efeito de influência que que esta pode “aparecer” como sedimentação pretende. os contratos mediáticos.34). de público. hierarquiza e organiza: o próprio veículo jornalístico. como um “grampo” que os junta e dá sentido. para diferenciá-lo. que impõe suas o discurso tem em conta parâmetros relacionais formas e condições aos produtos.p. concordância entre o que pensam Genro Filho e analistas do discurso como Patrick Charaudeau (2006). ao estabelecer um “princípio de espera” e posse no leitor.br | E-ISSN 1808-2599 | suas práticas e suas conseqüências compõem o ser reconhecida pelos leitores. responsável por “critérios de noticiabilidade”. mas resulta de MOUILLAUD (1997).www. mas uma “matriz”. numa relação que universo dos “discursos” das mídias. nunca neutros. aguarda o reconhecimento do seu jornal. n. comunicacionais. as notícias. maio/ago. na sua especificidade como ator social.12. relação aos demais veículos. pela sua identidade sob diversos ângulos: em apesar de dotados de uma suposta racionalidade. jornal e notícia se encaixam e Com isso. a ponto de aquelas “fora de norma” poderem. p. Filho acentua o modo peculiar de o jornalismo Para Mouillaud (1997). a importância uma escolha consciente. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. 2009. para o autor. à medida inclusive contribui para as estratégias de sentido que não falar sobre um determinado tema não das notícias e sua apreensão no cotidiano. deformar o dispositivo do jornal e até mesmo implodi-lo (MOUILLAUD.e-compos. e as funções do nome do jornal. que no tempo peculiar das edições. no mínimo. o tipo de relação e regulação em que daquele e vice-versa. as notícias são processos organizacionais. não Ou. Ou seja. Charaudeau tanto jornal como notícia são dispositivos. 109.

é importante observar que o fato da homofobia é empreender um esforço de palavra do jornal ser fundamentalmente social observação de contradições e diferenças. v. no sentido dado homogeneizadoras rápidas. tons e rupturas na superfície noticiosa revelase um cuidado fundamental na apreensão do tratamento jornalístico do conjunto de tensões que constituem a organização da vida sexual brasileira. da ordem da relação que os jornais mantêm com a sociedade e. apreender as relações mídia/ forma. Por enquadramento. leituras que indiquem posturas gerais de um ou mais veículos jornalísticos. não faz com que automaticamente esta ou para além de determinações fáceis e visões aquela matéria seja polifônica. conseqüentemente. de uma outra.www. 1993. TRAQUINA. são sujeitos.br | E-ISSN 1808-2599 | A percepção da diferença e da articulação entre um mesmo lugar social.e-compos. páginas ou minutos depois. a linha editorial de cada veículo e o jornalista responsável pela recolha de dados e redação. como as fontes ouvidas na sua preparação. a partir mesmo dos interesses Em outras palavras. SILVEIRINHA. esse jogo de vozes é reorganizado e hierarquias são estabelecidas.org.2. múltiplas vozes. o que implica tanto uma concepção de mundo como estratégias narrativas. que 10/15 blocos ou cadernos não se contradigam ou mesmo que uma notícia fortemente homofóbica não tenha a companhia. porém. 2009. Dessa Nesse sentido. Afinal. A cada notícia. potencialmente pelo menos. Assim. as possíveis contradições existentes entre cada . 2005) Os enquadramentos são. favorável ao combate da discriminação. a cada segmento narrativo. 1977. entendem-se as visões que o jornalismo apresenta de um determinado tema. é importante observar que a orquestração das vozes sociais no jornalismo é estabelecida numa cadeia de relações que vão desde a identidade do veículo. Não há certamente nenhuma garantia que enquadramentos se mantenham.“Quebrar” a inteireza do produto jornalístico3. a exemplo dos textos construídos a partir de abordagens sensacionalistas. veículo. portanto. as notícias contêm. À afirmação de ao termo por Bakhtin (1979). (TUCHMAN. suas edições e suas notícias. representarem jornal e notícia é fundamental para que se vejam uma mesma “voz”. o enquadramento (TUCHMAN. de ação e voz. menos que meros reprodutores. n. apenas se observa os diversos níveis envolvidos na constituição do que seria a “voz do jornal” e cuidados que sua apreensão exige. cabe a leitura atenta 3 Não se recusa. político-ideológicos e morais em questão. Brasília. ou seja. passando pela peculiaridade de cada edição e de cada notícia. aqui. mas também capazes de relativa autonomia. todas as que tal ou qual jornal é favorável ou não ao vozes mobilizadas numa notícia podem advir de combate à discriminação. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.12. por exemplo. jornais e notícias. Afinal. maio/ago. determinados por essas tensões. observando os matizes. 1977) de cada notícia não necessariamente exclui contradições nem se mantém nas demais.

maio/ago. ed. 4. violência e homossexualidade. violência sexuais e de gênero – e das realidades culturais a elas ligadas – faz ver. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Conseqüentemente. Por fim. Rio de Janeiro: Cepesc. BOURDIEU. mas também o(s) seu (s) modo (s) de saber o mundo e o leitor. n. seja no nível maior de cadernos ou blocos e ainda na totalidade da edição do (tele/radio) jornal ou da revista. A. 1979. torna-se fundamental observar como os fatos noticiados são articulados. BORRILLO. Belo Horizonte. o não-dito. Brasília. 1998. pois Referências bibliográficas ARIÉS. morais. Visibilidades mediadas sua emergência será percebida. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. A inocência e o vício. A diversidade de identidades Assis. a homofobia é um fenômeno complexo o suficiente para trazer desafios à racionalidade e ao saber jornalístico. . mas também de sua representatividade. não se pode dissociar a emergência de atos Pesquisa realizada na 9ª Parada do Orgulho GLBT. dos diversos grupos e realidades sociais CARRARA. CHARAUDEAU. Discurso das mídias. D. “capturada”. Rio de Janeiro: Abia/IMS/UERJ/ Relume Dumará. Paulo. portanto. São Paulo: Brasiliense. Universidade Federal de Minas Gerais. Sendo assim. se essa leitura tem na linguagem e na narrativa seus pontos de apoio e inflexão. Homofobia. (org. BAKHTIN. Julio específicas.org. 11/15 (Mestrado em ÁREA)– Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Belo Horizonte: UFMG. P. Kenneth Rochel de. Sérgio. São Paulo: Contexto. As ciências da Aids e a Aids das ciências: o discurso médico e a construção da Aids. sexuais. Sérgio. 2009. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. o modo como as mídias narram a homofobia faz ver não só as tensões que as permeiam e aquelas da vida afetiva e sexual. Marxismo e filosofia da linguagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Como visto acima. Regina. São Paulo: Hucitec. importa verificar tanto o que é dito. P & BÉJIN.www. CARVALHO.12. BHABHA. de seus textos e às variações aí presentes. São homofóbicos das tensões identitárias. Carlos Alberto de. Rio de Janeiro: Bretrand-Brasil. Jurandir Freire. 2003. H. não se pode desconhecer os processos tecnológicos e organizacionais que os envolvem. Política. 2001. 1994. direitos. Barcelona: Belaterra. CAMARGO JR. 2006 COSTA. Política. 2005. Paulo de 1983 a 1987. v. Dissertação não só de sua relevância. BUTLER.2. 1985. direitos. CARRARA. ao serem reveladoras de valorações e posicionamentos morais e ideológicos. O poder simbólico. M. Pierre. quanto como é dito. O local da cultura. Sexualidades ocidentais. Pesquisa realizada na 9ª parada do orgulho GLBT – São Paulo 2005. RAMOS.e-compos. 2006. 2005. Da mesma forma. seja no interior da notícia. 2000. FACCHINI. Judith P. Silvia. nas narrativas jornalísticas: a cobertura da Aids pela pelas redes noticiosas conforme um julgamento Folha de S. 2000. 2002. como e homossexualidade.br | E-ISSN 1808-2599 | Afinal. Rio de Janeiro: CEPESC. as lacunas e omissões têm igual importância. 2006. que não só a homofobia se manifesta diferentemente.). SIMÕES.

> Acesso em: 01 maio 2007. Barcelona: Paidós. In: HOHLFELDT. Aids e sexualidade – o ponto de vista das Ciências Humanas. Byrne. 2000. Homophobia. Luiz C. 2006. Maurice. Belo Horizonte: UFMG. Thomas. Vera Regina Veiga. Rio de Janeiro: IUPERJ. 1998. M. GAGNON. Uma interpretação do desejo: ensaios sobre o estudo das sexualidades. 482AED64CBC0%7D/BOLETIM2006internet.aids.br/data/documents/ GIDDENS. LEAL.pdf. Belo Horizonte: Autêntica. César. 1987. Rio de Janeiro: Garamond.. FRANÇA. Anthony. Jornalismo e vida social: a história amena de um jornal mineiro. 2006. Além do carnaval. Peter. 1996. Lorenzo. MOUILLAUD. MATOS. LANDOWSKI. Rio de Janeiro: Record. Adelmo. 17. Eric. A sociedade refletida: ensaios de sociossemiótica. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Petrópolis: Vozes. MINISTÉRIO DA SAÚDE . 2001. HOHLFELDT. HOUAISS. Nova York: Picador. São de Janeiro: 34. Inventando o sexo. Teorias da comunicação: conceitos. 2000.Boletim Epidemiológico AIDS/ DST – Janeiro a Junho de 2006. 1997. Maria Betânia do Socorro. Rio de Janeiro: FOUCAULT. PORTO. Muro de Salles. LOYOLA. Antônio.e-compos. FONE. 1982. 7. In: FRANÇA. 1991.187-240. Modernização dos sentidos. Brasília. 1991. Richard. na base permanente de textos do site.2. BARBOSA. 2009. Reinvenções do vinculo amoroso: cultura e identidade de gênero na modernidade tardia. MARTINO. Sexualidades brasileiras. Regina. Belo Horizonte: UFMG. GOMIS. Brasília: Paralelo 15. 1992.12. FRANÇA. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/UERJ. Teoría del periodismo – como se forma el presente. p.). John H. 19-28. FRANÇA. LACQUER. GENRO FILHO. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. Amor e sexualidade no ocidente.). 2001. 1991. 2001. 2006. Vera. 12/15 PARKER. Richard.gov. Lisboa: Terramar. (orgs. Rio de Janeiro: Zahar. 2002. São Paulo: Educ/Pontes.br | E-ISSN 1808-2599 | DUBY. O jornal da forma ao sentido. Porto Alegre: Artmed. Marlise. As conseqüências da modernidade. 2004.). Rio de Janeiro: Graal. Anthony. 1994. Georges. Disponível em: <http://www. Abaixo do equador. de pesquisa em comunicação. p. . Hipóteses contemporâneas PARKER. São Paulo: Unesp. Bruno Souza. FRY. James Naylor. Vera Veiga Dumará. 1903553A3174%7D/%7B6B12D137-92DF-4CF5-A35A- GIDDENS. 2005. (orgs. GUIMARÃES. ed. História da Sexualidade 1 – a vontade de saber. Objetiva. 2000. O segredo da pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo. MOURA. v. Saber as narrativas: narrar. Sérgio Dayrell (org. VILLAR. escolas e tendências. GREEN. Rio desatando estratégias de faticidade jornalística. Porto Alegre: Tchê!. Rio de Janeiro: Relume- Antonio. 1998. (org. Belo Horizonte: UFMG. Para inglês ver: identidade e política na cultura brasileira. maio/ago. Hans. Antonio. storedDocuments/%7BB8EF5DAF-23AE-4891-AD36- São Paulo: Unesp. Paulo: Annablume. Júnia Lessa et al.). Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. Dicionário de língua portuguesa.org. n.ed. 2006.).www. Os nós da teia: GUMBRECHT. Narrativas do cotidiano. Sociologia. Maria Andréa (org.

Maria João. 2002. Petrópolis: Vozes.br/dspace/ . n. New York: Free Press. Gaye. Florianópolis: Insular. Psicologia em Revista. Anais. El cuerpo de las imagens. 2005. PONTE. Cristina.2. Belo Horizonte: Prefeitura Municipal. política e homossexualidade: 8ª parada GLBT de Belo Horizonte. Belo Horizonte.org. p.. reposcom. 1994. v. PRADO. (coord. In: <http:// bitstream/1904/18029/1/R0199-1. Está na base permanente de textos do site. 2005. 2001. 2009. Acesso em: em 25 jan.pdf>. Eliseo. 28º. Mauro. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS 13/15 DA COMUNICAÇÃO. jun. 1990. Jornalismo: questões.portcom. TUCHMAN. 32-46. 8. 2006.). SODRÉ. Teorias da comunicação. Rio de Janeiro: Intercom. Lisboa: Vega.. 1993. 2005. Participação.12. Michael. O lançamento da moeda européia e seus enquadramentos na imprensa. v. Bogotá: Norma Editorial. n. 1996.br | E-ISSN 1808-2599 | POLLAK. SILVEIRINHA. maio/ago.www. Nelson (org. Reinventando a cultura: a comunicação e seus produtos. 2007. Brasília. Sexismo. homofobia e outras expressões correlatas de violência: desafios para a psicologia política. São Paulo: Estação Liberdade. Karin Ellen von. Making the text. teorias e “estórias”. Muniz. VERÓN. WOLF.e-compos. Para entender as notícias – linhas de análise do discurso. Os homossexuais e a Aids – sociologia de uma epidemia. 1977. Marco Aurélio M. SMIGAY.). Rio de Janeiro. TRAQUINA. Lisboa: Editorial Presença.org. 11.intercom.

se the journalistic ways of saying. Homofobia.org. Secondly. Recebido em: Aceito em: 01 de dezembro de 2008 20 de janeiro de 2009 14/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. v.br | E-ISSN 1808-2599 | Sobre periodismo y homofobia o: ¿piensa que es fácil hablar? Abstract Resumen This article focuses on the relations between Este artículo se centra en las relaciones entre journalism and homophobia. Gênero.e-compos. Gender. en it critically observes the journalistic process of particular lo que contribuye para los discursos construction of realities. 2009. Palabras clave Periodismo. firstly it considers some important aspects y los programas de noticias de televisión. Brasília. Por of Western sexual life. It does not consider any del decir periodístico.2. maio/ago.12. particularly what contributes ello. Articulating both. taking as reference el periodismo y la homofobia. en primer lugar. importantes de la vida sexual occidental. Entre una y otra. están las maneras uses of linguistic forms.www. referencia los principales periódicos de Brasil For such. but attempts to indicate some de las normas morales y tradicionales y los usos theoretical and methodological aspects for other de formas lingüísticas. presionado por el silencio specific case analysis. de casos concretos. pero se intenta indicar Keywords algunos aspectos teóricos y metodológicos para Journalism. En segundo lugar. Homophobia. About journalism and homofobia or: do you think it is easy to talk about it? . teniendo como major Brazilian newspapers and TV news programs. considera algunos aspectos for homophobic actions and speeches. n. pressed by moral observa el proceso periodístico de construcción rules of silence and traditional and contemporary de realidades. otros estudios sobre el periodismo y la homofobia. No se considera el análisis studies on journalism and homophobia. are y acciones homofóbicos.

passa a ser volume anual com três números. Lançada em 2004. Brasil Ângela Freire Prysthon Universidade Federal de Pernambuco.e-compos. Brasil Cristiane Freitas Gutfreind Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. n. n.br Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Presidente Itania Maria Mota Gomes Universidade Federal da Bahia.2. Brasil carolad@pucrs. Brasil Ana Carolina Damboriarena Escosteguy Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. maio/ago. Brasil Rose Melo Rocha | Escola Superior de Propaganda e Marketing. Brasil Felipe da Costa Trotta | Universidade Federal de Pernambuco. Brasil Mauro Pereira Porto Tulane University. Brasília.12. Brasil Valério Cruz Brittos Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil Francisco Menezes Martins Universidade Tuiuti do Paraná. Brasil Maria Immacolata Vassallo de Lopes Universidade de São Paulo.br | E-ISSN 1808-2599 | E-COMPÓS | www. Estados Unidos Muniz Sodre de Araujo Cabral Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Jeder Silveira Janotti Junior Universidade Federal da Bahia.2. Brasil André Luiz Martins Lemos Universidade Federal da Bahia. Brasil Marcia Benetti | Universidade Federal do Rio Grande do Sul. CONSELHO EDITORIAL João Freire Filho Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Christa Liselote Berger | Universidade Vale do Rio dos Sinos. Brasil Ana Silvia Lopes Davi Médola Universidade Estadual Paulista. Brasil Hector Ospina Universidad de Manizales.br | E-ISSN 1808-2599 A revista E-Compós é a publicação científica em formato eletrônico da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós). v. maio/ago. Brasil Eduardo Peñuela Cañizal Universidade Paulista. Brasil Alfredo Vizeu Universidade Federal de Pernambuco. Brasil Suzete Venturelli Universidade de Brasília. Brasil Simone Maria Andrade Pereira de Sá Universidade Federal Fluminense. 2009. Brasil Alex Fernando Teixeira Primo Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Paulo Roberto Gibaldi Vaz Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Veneza Mayora Ronsini Universidade Federal de Santa Maria. Brasil Carlos Eduardo Franciscato | Universidade Federal de Sergipe.org. inseridos em instituições do Brasil e do exterior. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. tem como principal finalidade difundir a produção acadêmica de pesquisadores da área de Comunicação. Brasil Renato Cordeiro Gomes Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Brasil itania@ufba. Brasília. Brasil Rosana de Lima Soares Universidade de São Paulo. Brasil Nilda Aparecida Jacks Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Erick Felinto de Oliveira Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil Raquel Recuero | Universidade Católica de Pelotas. Brasil Vera Regina Veiga França Universidade Federal de Minas Gerais. Colômbia Ieda Tucherman Universidade Federal do Rio de Janeiro. v. Brasil Ronaldo George Helal Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Estados Unidos José Luiz Aidar Prado Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Brasil Rossana Reguillo Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores do Occidente. Brasil José Luiz Warren Jardim Gomes Braga Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil COMISSÃO EDITORIAL Ana Gruszynski | Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Denilson Lopes Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Juremir Machado da Silva Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil Janice Caiafa Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2009.12. Brasil Sebastião Carlos de Morais Squirra Universidade Metodista de São Paulo. Brasil Gelson Santana Universidade Anhembi/Morumbi. Brasil Arlindo Ribeiro Machado Universidade de São Paulo. Expediente .org.br Secretária-Geral Ana Carolina Escosteguy Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil REVISÃO DE TEXTO E TRADUÇÃO | Everton Cardoso EDITORAÇÃO ELETRÔNICA | Raquel Castedo COMPÓS | www. Brasil juliopinto@pucminas. Brasil Benjamim Picado | Universidade Federal da Bahia. Brasil Maria Lucia Santaella Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. México Rousiley Celi Moreira Maia Universidade Federal de Minas Gerais. A identificação das edições. Brasil Antonio Carlos Hohlfeldt Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil Gisela Castro | Escola Superior de Propaganda e Marketing. Brasil CONSULTORES AD HOC Aníbal Francisco Alves Bragança | Universidade Federal Fluminense.e-compos.org. Brasil Antônio Fausto Neto Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil César Geraldo Guimarães Universidade Federal de Minas Gerais. Brasil John DH Downing University of Texas at Austin. Brasil Paulo Cunha Carneiro Filho | Universidade Federal de Pernambuco. Brasil Afonso Albuquerque Universidade Federal Fluminense.www.br Vice-presidente Julio Pinto Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.compos. Brasil Luciana Pellin Mielniczuk | Universidade Federal de Santa Maria.br 15/15 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. Brasil Itania Maria Mota Gomes Universidade Federal da Bahia. Grã-Bretanha Luiz Claudio Martino Universidade de Brasília. Brasil Lorraine Leu University of Bristol. Brasil Alberto Carlos Augusto Klein Universidade Estadual de Londrina. a partir de 2008.