You are on page 1of 4

Bauru, 22 de abril de 2015.

Endereço esta carta ao Senhor Coordenador do Curso de Mecânica Prof. Marcelo Amaral Zambo
Migliatti, à Assistente Educacional Claudete Aparecida Garcia Bosshard e aos demais a quem possa
interessar.

Redijo esta carta, pois através dela espero deixar expressa minha indignação e descrétido na
promoção da educação da Instituição intitulada como Colégio Técnico Industrial "Prof. Isaac Portal Roldán" Unesp/Bauru. Obviamente minha descrença não é para a instituição, mas para àqueles que as gestionam,
pois, nada existe sem a prática humana.

Gostaria que esta carta tomasse teor público através da mídia local e das redes sociais, mas como
jornalista e mestre em comunicação Social, conheço a proporção que isto poderia tomar em meio às crises
políticas educacionais a qual enfrentamos neste momento no país. E, por isso, inicialmente, ela é apenas para
os que aqui constam como endereçados e interessados.

Sou educadora de uma instituição de ensino técnico e meu marido também é docente, porém de uma
escola de nível fundamental e médio e, como profissionais desta tão vergonhosa área, preciso demonstrar
que mais uma vez comprovo que a falta de comprometimento com a promoção da educação e
desenvolvimento do ser humano nada tem a ver com o governo brasileiro. Através da situação na qual minha
filha foi colocada pelos senhores, foi possível provar que a falta de orientação para educar é dos educadores,
que voltam toda a sua força para regras, regimes e leis, cujo exercício cabe interpretação e jurisprudência
conjunturais, o qual, mormente, procura beneficiar a poucos e não os indivíduos a quem sua existência é
devida (no Brasil para um bom leitor é fácil compreender o que falo).

Ao não permitirem que minha filha realizasse uma prova de segunda chamada por motivos de doença,
vocês não apenas mantiveram a “ordem” na Instituição, mas desmotivaram uma jovem de 16 anos,
responsável e dedicada, a permanecer nos estudos. Ao obrigarem a mesma jovem a assinar um termo de
consciência de indeferimento, vocês colocaram a aluna em um estado emocional que, com certeza, os
responsáveis não conseguem perceber. Assim sendo, exporei o quadro psicológico que ela se encontra após
tal atitude: falta de apetite, indisposição para ir à escola, insegurança e mencionou a vontade de não mais
viver. Tudo isso, normalmente enquadrado como sintomas de um não peculiar “exagero adolescente”, mas o
motivo ao invés de ser egoísta mostra-se altruísta já que “não vale a pena o esforço se tudo o que esperam
não é afetividade humana” (maiores detalhes podem ser requeridos junto a sua psicóloga que a acompanha
regularmente).

Mediante o quadro viral. engrandecidos por estar juntos na difícil missão de educar e felizes por compartilhar esse ideal de vida. e já que seu desempenho com certeza seria prejudicado. seus representantes legais (pais). Literatura de J. conforme consta no site da instituição: Muito mais que um espaço.A Alanis nunca foi uma aluna mal intencionada. fosse realizar um prova com dores e febre. A regra só permite a prova de segunda chamada com atestado. Enfim. para a atualidade. que aceitou voltar um ano para estar na instituição. quintais. não foi com isso que eu.. Uma história muito intrigante. Entretanto. e muito mais. que sonhou em estar no CTI. não permitimos que ela fosse realizar as avaliações. não conseguimos permitir que uma adolescente. para que minha filha tivesse sua situação agravada. Para agravar ainda mais a situação. Vejam bem. Tolkien. cujas notas são boas. Poderíamos ter recorrido ao desonesto atestado tardio. conheço todas as leis referentes ao ocorrido com minha filha. foi coagida a assinar. ele foi indeferido. quando afirmou que a jovem precisava “voltar aos florais”. J. devido à escassez dessa habilidade humana nos dias de hoje. Confio e acredito que sua formação a credencia para tal diagnóstico. somos corações. Claudete Ap. Situação que caberia unicamente aos seus responsáveis legais – seus pais. Muito mais que escola. colocou a aluna em situação que agravou seu estado emocional. somos o sonho de poucos e os ideais de muitos. gostaria que isso fosse informado inicialmente a mim. Ela ficou doente e quem não permitiu que fosse à aula fomos nós. fomos orientados pelos próprios profissionais a levarmos um atestado. Nietzche. Sócrates. principalmente. ou se quer emancipada. para nossa surpresa. cujos pais são presentes. contudo. porém não rara. conforme solicitado. entregamos um. que não foi aceito. meu marido foi até a Instituição no intuito de contar. para não expor seus colegas e. consequentemente. Contudo. jardins. mas com a propriedade intelectual que os renomados profissionais do CTI-Unesp aclamam ter. sua “tutora pedagógica”. Somos um acervo imenso e nos sentimos gratificados por estar próximos. Tal fato ocorreu na presença da assistente educacional e de uma secretária e mesmo a aluna não tendo maioridade legal. nossa filha. meu marido e. porém nenhum deles se aplica as atitudes perante a escola. Tenho plena consciência de seus defeitos. ou elaborado junto a laudo para que tome as providências cabíveis. Uma aluna. minha filha nos deparamos. Ressalto ainda que a assistente educacional. Encontramos “quintais lacrados”.. principalmente. R. Ao menos nunca fui notificada sobre isso em momento algum. foi solicitado que minha filha de 16 anos assinasse um documento em que ela atestava a ciência do indeferimento. Mesmo sabendo das normas escolares. não com o bom senso. . além da mesma tendo afirmado que não estava entendendo o conteúdo do documento. E mesmo sendo educados e polidos não encontramos o que esperávamos. Garcia. Motivada por nós (pais). Não ludibria. não faz delongas e sempre foi muito estudiosa. sempre foi muito crítica e tem leituras que vão desde Focault. Todavia. “jardins sem flores” e “a missão de educar” não se aplicou a minha filha. mas afirmamos a nossa filha que a honestidade tem que prevalecer.

de 13 de dezembro de 1968. ainda ressalto a lei abaixo que assegura o direito do aluno incapacitado por doença. combinado com o § 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5. na proporção mínima exigida em lei. a qual utiliza o currículo escolar como parte da nota final para o ingresso.NÃO PÔDE FAZER PROVA PORQUE A INSTITUIÇÃO NÃO AUTORIZOU. CONSIDERANDO que condições de saúde nem sempre permitem frequência do educando à escola. O ambiente escolar e acadêmico DEVERIA servir para fomentar o desenvolvimento. a ética. portadores de afecções congênitas ou adquiridas. determinando distúrbios agudos ou agudizados. cuja culpa é dos pais da aluna. A espetacular ironia. existe a Lei para proteger todo e qualquer aluno acometido por doença incapacitante. a inclusão. bem como o da educação peculiar dos excepcionais. A única intensão de minha filha era não ficar com o boletim prejudicado. embora se encontrando o aluno em condições de aprendizagem. de um lado. até agora. o humanitarismo e o amor básico ao nosso semelhante mandam que proporcionemos condições dignas para quem está doente. Felizmente. ainda mais enquanto padece de uma agudização temporaria incapacitante de uma doença crônica (assim como uma gripe ou virose). usando das atribuições que lhes confere o artigo 3º do Ato Institucional nº 16. visando permitir a realização de suas capacidades e o sonho de tornar o mundo cada vez melhor. uma vez que seu grande objetivo de vida. CONSIDERANDO que a legislação admite. Bem. 3. é que sua vontade de ser médica deve-se à desumanização da maioria dos médicos. Trata-se do Decreto-Lei n° 1044. infecções. de abuso e discriminação por parte da escola e/ou faculdade. DECRETAM: Art 1º São considerados merecedores de tratamento excepcional os alunos de qualquer nível de ensino. e CONSIDERANDO que a Constituição assegura a todos o direito à educação. Pois só assim se consegue aplicar a ciência e conhecimento visando formar profissionais e cientistas de caráter. caracterizados por: . 2. para fomentar a inteligência humana. sem que a escola ou faculdade possa discriminar ou causar prejuízo no progresso de seus estudos. a fim de que não se prejudique na sua formação escolar / acadêmica. de 21 de outubro de 1969. O bom senso. em sua íntegra: OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA. de 14 de outubro de 1969. de outro. Considerando todas as afirmações acima. A lei brasileira dá ao aluno o direito de ficar incapacitado por doença. eu acredito que: 1. fundamentalmente aqueles que atuam junto aos mais carentes (por isso quer se especializar em Pediatria). traumatismo ou outras condições mórbidas. é fazer faculdade de medicina na Argentina. o regime excepcional de classes especiais. o da equivalência de cursos e estudos. que diz. o respeito às limitações físicas do ser humano. DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR. na falta do bom-senso e do humanitarismo.

Aguardo resposta. mas sim uma tomada de consciência de que os senhores nos decepcionaram. contudo não busco com esta carta uma ameaça. ser boa e ser honesta pode sim valer a pena. de laudo médico elaborado por autoridade oficial do sistema educacional. atendendo a que tais características se verificam. c) duração que não ultrapasse o máximo ainda admissível. revogadas as disposições em contrário. Art 5º Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação. 148º da Independência e 81º da República. se terá que fazer a recuperação. Art 2º Atribuir a esses estudantes. Se as regras não permitem. sempre que compatíveis com o seu estado de saúde e as possibilidades do estabelecimento. Brasília. desde que se verifique a conservação das condições intelectuais e emocionais necessárias para o prosseguimento da atividade escolar em novos moldes. em casos de síndromes hemorrágicos (tais como a hemofilia). à autoridade superior imediata. afecções reumáticas. Daniela Gomide . nefropatias agudas ou subagudas. afecções osteoarticulares submetidas a correções ortopédicas. cartide. 21 de outubro de 1969. b) ocorrência isolada ou esporádica. asma. se será prejudicada em seu ingresso na faculdade a qual sonha. enfim. incompatível com a frequência aos trabalhos escolares. entre outros. tudo dependerá agora de fazê-la crer que ser estudiosa. como compensação da ausência às aulas. para a continuidade do processo pedagógico de aprendizado. Conheço e tenho consciência de outras leis. se terá que tomar remédios. etc. se ela terá que fazer a segunda chamada. exercício domiciliares com acompanhamento da escola. Art 4º Será da competência do Diretor do estabelecimento a autorização. Art 3º Dependerá o regime de exceção neste Decreto-lei estabelecido.a) incapacidade física relativa. pericardites. do regime de exceção. em cada caso.