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TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO DE VASILHAMES DE VIDRO

E GARRAFAS PET
SAN MARTIN, Torres Renato (renato46153@hotmail.com);

Instituto Federal São Paulo – Campus Suzano

RESUMO: O presente trabalho apresenta a análise do ciclo de vida geral de embalagens para
refrigerantes. Foram estudadas as embalagens de PET e vidro considerando os percentuais atuais de
reciclagem dos materiais. Foi escolhida a indústria de embalagens de refrigerantes e cervejas, por estar
relacionadas ao aumento crescente na geração de embalagens PET recicladas e vasilhames de vidro
retornáveis, tornando importante na busca pelo desenvolvimento sustentável. A indústria de bebidas
vem sofrendo profundas transformações quanto à escolha da matéria-prima utilizada nas embalagens,
em que vasilhames retornáveis vêm sendo substituídos por descartáveis. Daí a necessidade de estudos
de Avaliação de Ciclo de Vida das embalagens, a fim de orientar a própria indústria, consumidores e
políticas governamentais na busca de embalagens ambientalmente mais adequadas. Concluiu-se neste
trabalho que as garrafas plásticas, apesar de seu baixo peso, têm um gasto energético no transporte
maior que as de vidro, quando adicionados os gastos com a destinação final da embalagem.
Palavras-chave: Transporte, armazenamento, Reciclagem.

1. INTRODUÇÃO
Há um determinado tempo à reciclagem é um assunto que vem ganhando atenção especial por parte
dos empresários, governantes e sociedade em geral, pois consiste em uma das alternativas para
solucionar o problema do descarte de lixo produzido pelos grandes centros urbanos. Dentre os
diversos tipos de materiais encontrados nesses resíduos, destacam-se os polímeros e vasilhames de
vidro retornáveis.
Os polímeros é um material orgânico, cuja degradação no meio ambiente pode levar muitos anos para
ocorrer, o que pode comprometer lixões e aterros sanitários por conta do grande espaço que este
material orgânico tendem a ocupar. Um dos polímeros encontrados com maior facilidade nos lixos
oriundos dos grandes centros urbanos é o poli tereftalato de etileno (PET), especialmente na forma de
garrafas. Sendo o PET um dos vilões da poluição urbana, a reciclagem pode representar uma das
soluções para tal problemática.
A embalagem PET vem exercendo um papel cada vez mais importante para as empresas fabricantes,
que buscam, além de diminuir as perdas do produto durante o transporte e armazenamento, aumentar a
comunicação, conveniência e praticidade de seu produto. Apesar de todas as vantagens que as
embalagens ofereciam, no fim do último século começou-se a questionar o aumento crescente da
geração e emissão de resíduos, decorrente de seu uso em longo prazo, as mesmas pudessem causar
uma série de prejuízos ambientais.

1998). revolucionando o mercado de bebidas e impulsionando o grande crescimento na utilização desse polímero (HARTWIG. Em 1973. 2. . quase 20 vezes mais pesado. No Brasil. Além da leveza e transparência. principalmente as de dois litros. Como o país ainda conta com o ciclo do produto voltado ao uso de retornáveis torna-se imprescindível uma avaliação detalhada.1997). substituindo o vidro. O polietileno tereftalato é o mais importante membro da família dos poliésteres. chegando-se ao PET (MATHIAS. Neste trabalho foi realizado um levantamento bibliográfico dos problemas do descarte inadequado de embalagens PET e vasilhames de vidro. sendo.1999). utilizam em grande escala garrafas de vidro retornáveis que são utilizadas para o envase de 85 a 90% da produção do produto. as indústrias de cerveja. dos diversos tipos de envase. patenteado como fibra têxtil pelos ingleses Whinfield e Dickson (CETEA. C. A indústria de bebida queria se beneficiar do crescimento das vendas gerado com o aumento do tamanho das garrafas. sendo por isso o único plástico adequado para refrigerantes. é inerte ao líquido. tendo sido substituídos por vasilhames descartáveis. o processo de injeção com biorientação. O PET é um polímero formado tanto pela reação do ácido tereftálico (TPA) como dimetiltereftalato (DMT) com etilenoglicol. grupo de polímeros descoberto na década de 30 por W.Carothers. as quais começaram a ser produzidas em 1977 nos Estados Unidos. produtos da indústria petroquímica.Em muitos países os vasilhames de vidro retornáveis não são mais utilizados. O PET tem como característica a baixa permeabilidade ao oxigênio e ao dióxido de carbono. desenvolvido pela própria Dupont. O mesmo não acontece com os refrigerantes nos quais vasilhames não retornáveis é a maioria. impactos ambientais relacionado a essa pratica e avaliação do consumo energético assim como emissões de CO2 no transporte de vasilhames de PET descartáveis e de vidro retornável. ou do gás natural. em 1941. mais precisamente da nafta. REFERENCIAL TEÓRICO: A escolha do PET para uso em bebidas resultou em parcerias entre as indústrias de bebidas e as de plásticos para o desenvolvimento das embalagens. fazendo com que a indústria plástica buscasse a melhor alternativa entre os polímeros. introduziu o PET na aplicação como garrafas. obtida pelo craqueamento do petróleo. da Dupont.

000 anos. ruim ou péssimo. e resfriamento da massa resultante até um estado rígido. onde as pessoas preferem consumir o produto.1996). não cristalino.9%) do pavimento das rodovias brasileiras apresenta algum tipo de deficiência. Nas últimas décadas o vidro passou a competir com o metal. O vidro é um material obtido pela fusão de compostos a altas temperaturas. ondulações.2. 2000). nos EUA. principalmente. custos da poluição sonora. custos de congestionamento. afundamentos. por apresentar buracos. por exemplo.2 Transporte Rodoviário Castro (2013) acrescenta que o transporte de carga rodoviário é um voraz consumidor de recursos não renováveis e que se devem analisar as externalidades causadas pelo transporte. trincas. sendo classificado pela Pesquisa CNT de Rodovias 2014 como regular. na qual 100% do mercado é de retornáveis (SANTOS. o que. Em pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em 2014. a mais antiga embalagem manufaturada. Uma característica especial das embalagens de vidro é a possibilidade de serem reutilizadas após o consumo do produto. As embalagens de vidro sofreram estagnação do consumo na primeira metade dos anos 90. principalmente na Dinamarca. Já na Europa a embalagem retornável é símbolo de economia financeira e respeito ao meio ambiente. 2. é uma grande vantagem. sem perdas em suas propriedades. em bares e restaurantes.7% da extensão pesquisada está desgastada. custo e riscos de infraestrutura. devido ao consumo nas residências ser muito elevado. o vidro é uma excelente alternativa para um mundo realmente preocupado com problemas ambientais (ABIVIDRO. Estima-se que o vidro tenha sido inventado na Ásia há 6. o que não ocorre no Brasil. Segundo a cervejaria Kaiser. Assim. como custos da poluição. entre outros problemas. custos e riscos de acidentes. 75% das embalagens de cerveja são descartáveis. cerca de metade (49. para os dias de hoje. sobretudo com o plástico. Em relação à superfície do pavimento. principalmente no envase de líquidos. sobretudo as plásticas.1 Vidro Recipientes de vidro é. . quando começaram a sentir a concorrência de outros tipos de embalagens. 44. provavelmente.

incluindo as possibilidades de arranjos e conexões intra e intermodais. utilizando as vantagens inerentes a cada uma delas. por trecho. linha ou segmento da malha de transporte. Dentre as várias dimensões que são comumente indicadas como determinantes na escolha e nos custos dos transportes. se lance mão de mais que uma modalidade de transporte. cobertura geográfica do serviço oferecido. e disponibilidade de informações sobre o transporte e serviços acessórios. entre a origem e o destino de uma determinada mercadoria. pode ser economicamente desejável que. incluindo tempo médio esperado. distância de transporte.Figura 2: Classificação: estado das rodovias em % das rodovias do Brasil Fonte: Pesquisa CNT rodovias 2014 Segundo Martins (2001) devido às características diferentes entre os modais alternativos. sendo assim . variabilidade. o que resulta em serviço de menor custo e/ou de melhor qualidade. A escolha pelo modal rodoviário é a mais adequada quando utilizada para o transporte de cargas em distancias consideradas curtas que são trajetos de até 300 quilômetros. dimensões temporais do transporte. frequência e disponibilidade do serviço. como custos e outros aspectos qualitativos. Corrêa Junior (2001) destaca: tamanho do lote de carga que o usuário deseja transportar. mix e volume total de mercadorias dos diversos usuários. probabilidade de perdas e danos.

sua atuação deve ser utilizadas nos trajetos de pontas que seriam o transporte para as ferrovias e das ferrovias até o seu destino final. Em um momento em que se intensifica a busca por tecnologias mais limpas para os processos industriais e os produtos. Algumas análises podem limitar seu foco para aspectos particulares da Análise de Ciclo de Vida. O escopo desse trabalho se limita ao levantamento dos dados relativos ao consumo de energia e emissão de dióxido de carbono. Também no Brasil o mercado de refrigerantes possui uma garrafa de PET com o mesmo volume. claramente. na distribuição e transporte para a disposição final em aterros. produção. implementando melhorias nesses efeitos. por uma visão global e completa. ocasionando custos altos em sua elaboração. As diversas etapas da O principal objetivo da Análise de Ciclo de Vida é a obtenção. No Brasil as garrafas de cerveja de vidro retornáveis existentes no mercado têm capacidade de 600 ml. de PET e de vidro.3 Ponto de vista ambiental Todos os produtos utilizados pela sociedade moderna têm um impacto sobre o meio ambiente. o que pode levar a uma extrema dificuldade de interpretação (BOUSTEAD. Esses problemas podem ser contornados a partir do momento em que se delimita e formulam-se. os objetivos do trabalho. além da necessidade de uma grande quantidade de dados devido à sua abrangência. Na análise do consumo de energia com o transporte não foi considerada a energia gasta na extração e refino do óleo diesel. MÉTODO DE PESQUISA: Os dados coletados para esse estudo foram obtidos diretamente de indústrias e distribuidoras que atuam no setor nacional. relacionado com diversos fatores que ocorrem durante as fases de extração da matéria-prima. uso e disposição final. 2004). O consumo de combustível foi analisado em dois tipos diferentes de caminhão. 1998). 2. 3. já . foram utilizadas garrafas com o mesmo volume de líquido. Sua complexidade. no sentido de evitar-se a poluição e os desperdícios de recursos naturais. de subsídios que definam os efeitos ambientais. neste caso as ferrovias fariam os grandes trajetos e as rodovias os trajetos curtos (Hijjar. Para efeito de simplificação das comparações entre as duas embalagens. principalmente na região Sudeste do Brasil.

Quanto ao consumo de combustível. foi definido que para estes não se tenha decorrido mais de cinco anos desde a sua publicação. como estava o alinhamento entre as estratégias traçadas nos níveis gerenciais com a execução das operações. Para se definir as fontes de pesquisas foi observada a questão de obsolescência das informações.que para pequenas distâncias e distribuição dentro das cidades são utilizados caminhões tipo truck e para distâncias maiores. pois algumas embalagens ocupam menos espaço que outras. Em outro momento foram realizadas as pesquisas e levantamentos de dados acerca dos processos de programação de abastecimento e transporte. Contudo para referenciais que tragam definições de caráter imutáveis não se aplica esse mesmo critério. origens e destinos dos transportes. identificamos que. ou seja. Outra fonte utilizada foi a observação direta de como aconteciam os processos inerentes ao objeto da pesquisa. tipos de produtos movimentados e seus volumes. . Como os executantes tomavam as decisões e qual era o nível da disciplina operacional observado nos envolvidos. o consumo de combustível na distribuição pode variar. ou seja. situacionais ou ainda que sejam embasadas por opiniões dos autores. para referenciais que contenham condições temporais. devido à relação peso/volume das embalagens. que auxiliem a explanação e compreensão dos assuntos. Esses referenciais foram organizados de modo a trazer as corroborações e eventuais refutações sobre o mesmo objeto descrito por autores diferentes. é de 30 vezes. tempos de atendimento das demandas. trazendo informações de rápida interpretação para tornar o artigo mais amistoso quanto a sua leitura. Buscou-se trazer representações gráficas. ou seja. podendo ser a fonte de qualquer data. Os dados foram tabulados para que fosse possível efetuar as comparações desejadas a fim de determinar o padrão dos processos. priorizando as mais atuais. imagens e gráficos. com figuras. de acordo com o SINDICERV (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja). Foram levantados dados históricos desses processos como frequência de recebimento. de planilhas eletrônicas arquivadas. A média de reutilização de garrafas de vidro no Brasil. banco de notas fiscais e planilhas manuais. o lixo ocorre cada vez que a bebida é consumida em garrafas de PET. pois do contrário seriam considerados referencias antigos com validade questionável. Os dados foram coletados do sistema eletrônico de gestão da empresa estudada. tipo de modal de transporte utilizado. já que em embalagens de vidro esse consumo acontece apenas uma vez após 30 vezes de uso.

consumidores e políticas governamentais. mas com uma vantagem de apenas 2. Entretanto. destacando-se que. CONCLUSÃO: No Brasil temos implantada uma infraestrutura para a utilização de vasilhames retornáveis. Nesse ponto. 12. que todas as etapas do processo produtivo e as formas de reutilização das embalagens. podem consumir em uma viagem de 400 km. 5. Na primeira etapa do trabalho englobou além do consumo e emissão de CO2 na distribuição e na destinação final dos vasilhames. o PET passa a ser mais econômico e emitir menos. RESULTADOS: Se levarmos em consideração apenas a distribuição de bebidas. por serem mais pesadas. dependendo da distância percorrida na distribuição.4. o mesmo acontecendo com os dados relativos à emissão de gás carbônico. graças ao pouco peso. podemos observar que as garrafas de vidro retornáveis. . o que torna a garrafa de vidro retornável similar à garrafa de PET quanto ao consumo de combustível e às emissões relacionadas à distribuição do produto envasado. Poupa-se recursos naturais e polui-se menos o meio-ambiente. a fim de orientaras indústrias. e implantar políticas em busca da utilização de tecnologias mais limpas no setor. somada ao consumo de combustível devido à coleta para a destinação final das embalagens após o uso. quando se considera as diversas vezes em que a garrafa de vidro é reutilizada antes de seguir para destinação final. Conclui-se que a reciclagem do vidro gera grandes benefícios para a sociedade e o meio ambiente. Na ultima etapa quantificamos o consumo energético e a emissão de CO2 nas duas opções de embalagem. o PET é preferível ao vidro retornável nos quesitos analisados. as garrafas de vidro retornáveis passam a ter vantagem até uma distância percorrida de 175 km.4% em uma viagem de 400 km. não existe ou é muito pequena. quando se compara apenas a distribuição do produto da indústria ao consumidor final. faz-se necessário um estudo completo do ciclo de vida das embalagens.3% a mais de combustível que a garrafa de PET não retornável. essa vantagem. Quando consideramos a distribuição do produto.

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