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Resolu¸c˜ao dos Exerc´ıcios do livro Fixed Points

Erick Cargnel Borges Barreto
UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

1

Aplica¸

ao Cont´ınua no Intervalo Fechado e no Quadrado
1. Vamos verificar se a imagem da cada fun¸c˜ao est´a contida no intervalo [0, 1]
ˆ f1 (x) = 2x : Temos que f1 (1) = 2, logo a imagem n˜ao est´a contida no
intervalo desejado.
ˆ 2 (x) = sen(x) : A fun¸c˜ao seno ´e limitada entre −1 6 sen(x) 6 1 para
todo x ∈ R. Como o intervalo [0, 1] est´a contido no primeiro quadrante
do ciclo trigonom´etrico, isto ´e, [0, 1] ⊂ [0, π2 ], logo Im(f2 ) ⊂ [0, 1].
7
), f (0) = 12 , f (1) = 1
ˆ f3 (x) = x2 − x2 + 21 : Temos que o v´ertice V = ( 41 , 16
e a fun¸c˜ao n˜ao tem ra´ızes reais. A fun¸c˜ao decresce no intervalo [0, 41 ]],
7
variando de 21 `a 16
, como a fun¸c˜ao ´e cont´ınua, nesse intervalo sua imagem
est´a contida em [0, 1]. Analogamente a fun¸c˜ao cresce no intervalo [ 14 , 1]
variando de 81 `a 1, logo nesse intervalo tamb´em sua imagem est´a contida
em [0, 1]. Conclui-se que Im(f3 ) ⊂ [0, 1].

1
: Temos que f (0) = 1 e f (1) = 12 . Observe que como
2
1+x
1 + x2 > 0, a fun¸c˜ao sempre ser´a positiva, por outro lado, conforme o
valor de x cresce, a fun¸c˜ao decresce. Como f (0) = 1, isso implica que
Im(f4 ) ⊂ [0, 1].

ˆ f4 (x) =

1

2. (a) Basta tomar uma fun¸c˜ao afim que n˜ao tenha interse¸c˜ao com a fun¸c˜ao
identidade (f (x) = y). Para isso, basta tomar uma fun¸c˜ao da forma
f (x) = x + α,
α ∈ R − {0}.
(b) Como o intervalo ´e aberto em zero, n˜ao precisamos nos preocupar com o
caso f (0) = 0. Logo, basta tomar uma fun¸c˜ao da forma g(x) = βx ,
β ∈ (0, +∞).
(c) Vamos provar para o caso geral de um intervalo [a, b]. Para isso, iremos
fazer uma interpola¸c˜ao do intervalo [a, b] com [0, 1].
Seja ϕ : [a, b] → [0, 1] uma aplica¸c˜ao definida por
ϕ(x) =

a
x

b−a b−a

Temos que ϕ ´e uma fun¸c˜ao afim, bijetora, crescente e ϕ(a) = 0 e ϕ(b) = 1,
logo ela leva cada x ∈ [a, b] em um y = ϕ(x) ∈ [0, 1].
Seja f (y) : [0, 1] → [0, 1] uma fun¸c˜ao cont´ınua qualquer. Pelo Teorema
do Ponto Fixo, existe pelo menos um y0 = f (y0). Ent˜ao, sendo g(x) uma
fun¸c˜ao cont´ınua que leva [a, b] em si mesmo, definido como:
g(x0 ) = ϕ−1 ◦ f ◦ ϕ(x0 ) = ϕ−1 ◦ f (y0 ) = ϕ−1 (y0 ) = x0 

3. Tomaremos a fun¸c˜ao n˜ao-cont´ınua definida por:
f (x) = 

1, se x 6= 1
0, se x = 1

4. Vamos mostrar em cada caso que f (x) = f −1 (x):
ˆ f1 : f (x) = x ⇒ x = f −1 (x)
ˆ f2 : f (x) = 1 − x ⇒ x = 1 − f −1 ⇒ f −1 = 1 − x

1−x
1 − f −1 (x)
⇒x=
⇒ (1 + f −1 (x))x = (1 − f −1 (x))
1+x
1 + f −1 (x)
1−x
⇒ x + xf −1 (x) = 1 − f −1 (x) ⇒ x + (x + 1)f −1 (x) = 1 ⇒ f −1 (x) =
1+x
p

ˆ f4 : f (x) = 1 − x2 ⇒ x = 1 − (f −1 )2 ⇒ x2 = 1 − (f −1 )2

⇒ f −1 = 1 − x2
ˆ f3 : f (x) =

p
p
ˆ f5 : f (x) = 1 − 1 − (x − 1)2 ⇒ x = 1 − 1 − (f −1 − 1)2
⇒ (x − 1)2 = 1 − (f −1 − 1)2 ⇒ (f −1 − 1)2 = 1 − (x − 1)2
p
⇒ f −1 = 1 − 1 − (x − 1)2
2

x1 ] ´e a fun¸c˜ao identidade. com x3 > x2 . ent˜ao x1 > x0 . Logo f no intervalo [x0 . ela seja crescente ou decrescente. provaremos que a fun¸c˜ao precisa ser f (x) = x. o que ´e um absurdo. Provaremos incialmente para quando a f for crescente. temos que se uma fun¸c˜ao involutiva tem dois pontos fixos x0 e x1 . Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua onde f (x0 ) = x0 e f (x1 ) = x1 . ∃ x0 tal que: ˆ f (x0 ) = x0 ˆ Se f (x1 ) = x1 . que leva um intervalo fechado nele mesmo. logo: f −1 ◦ f (x3 ) = f −1 (x2 ) = f (x2 ) ⇒ x3 = f (x2 ) ⇒ x3 > x2 ⇒ f (x2 ) > x2 . Se f = f −1 . com exce¸c˜ao da fun¸c˜ao Identidade. Axioma: Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua. ent˜ao f . Afirma¸ c˜ ao 1. Seja x2 ∈ (x0 . com pelo menos dois pontos fixos. x1 ] ´e a fun¸c˜ao identidade. que f (x2 ) < x2 . supondo por absurdo que f (x2 ) 6= x2 . Ent˜ao. Demonstra¸c˜ao. restrita ao intervalo [x0 . isto ´e. ent˜ao todos os pontos x ∈ [x0 . Demonstra¸c˜ao. x1 ) tal que f (x3 ) = x2 . ent˜ao: ∃ x0 = min { x | f (x) = x } Isto ´e. existe um x3 ∈ (x2 . sem perda de generalidade. 3 . Assumindo o resultado enunciado abaixo. ´e necess´ario que.Proposi¸c˜ ao 1. Para uma fun¸c˜ao admitir inversa em um intervalo. Toda fun¸c˜ao involutiva tem apenas um ponto fixo. Podemos supor. x1 ). x1 ] tamb´em s˜ao pontos fixos.  Pela afirma¸c˜ao. nesse intervalo.

s´o temos a op¸c˜ao de f (0) = c > 0. Im(f ) ⊂ [c. isto ´e. e obviamente diferente da fun¸c˜ao trivial. temos que −x ´e uma fun¸c˜ao descrescente. ou seja. Supondo por absurdo que f (0) 6= 0. Temos que g(x) > 0. ent˜ao f leva o intervalo fechado [0. ∀x ∈ [0. Por outro lado. x0 ).  4 . logo admite apenas um ponto fixo. temos que f (x) > f (0) = c. Vamos mostrar que 0 ´e ponto fixo. ∀x ∈ [0. 1] 6= [0. x0 ] em si mesmo. Ou seja. Logo f (0) = 0 = x0 . Como f ´e crescente. f (x) 6= x. como f ´e crescente e por hip´otese x0 = f (x0 ). logo g(x) = f (x) − x tamb´em ´e uma fun¸c˜ao descrescente. ∀x ∈ (x0 . Conclu´ımos que se f ´e uma fun¸c˜ao involutiva decrescente. De modo an´alogo temos que f (1) = 1. e isso implica que f n˜ao admite inversa. g(x) < 0. 1]. 1]. e toda fun¸c˜ao crescente involutiva que n˜ao seja a trivial tem apenas um ponto fixo. g(x0 ) = 0. 1] ∴ f (x) 6= x. Seja x0 um ponto fixo de f .Considerando o intervalo [0. o que ´e um absurdo. x0 ]. Para o caso da fun¸c˜ao decrescente.

Al´em disso. um n´ umero ´ımpar. ˆ P(1): Suponha que n˜ao existam pontos interiores. ˆ Indu¸ c˜ ao: Seja um intervalo com n sub-intervalos. que ´e o da extremadireita. Paridade ´ımpar: Usaremos a indu¸c˜ao forte. Ent˜ ao. existe um intervalo das subdivis˜oes que seus pontos-extremos s˜ao rotulados por n´ umeros diferentes. Existˆencia: H´a duas possibilidades. contando da esquerda para a direita. logo o intervalo original o u ´ nico aceit´avel. e o ponto-extremo direito como 1. No segundo caso. Definiremos esse tipo de intervalo como um ”intervalo aceit´ avel”. todos os pontos interiores s˜ao rotulados como 0 ou pelo menos um deles ´e rotulado por 1. considere o primeiro ponto rotulado por 1.  5 . No primeiro caso h´a exatamente um intervalo aceit´avel. ˆ Hip´ otese de indu¸c˜ ao: Seja um intervalo subdividido em n sub-intervalos. Considere que exista um pr´oximo ponto rotulado por 0. mostraremos que vale para n sub-intervalos. ou n˜ao. de sub-intervalos aceit´aveis. o n´ umero de intervalos desse tipo ´e ´ımpar. nesse sub-conjunto h´a um um n´ umero k ´ımpar de intervalos aceit´aveis. Considerando a parte do intervalo original entre o zero do segundo intervalo aceit´avel e o 1 do intervalo original. A partir dele. Se n˜ao existir. o intervalo onde ele ´e o ponto-extremo direito ´e um intervalo aceit´avel. O ponto-extremo esquerdo do intervalo original ´e rotulado como 0. o sub-intervalo onde esse ´e o ponto-extremo direito ´e o primeiro intervalo aceit´avel. e ap´os isso que a sua paridade ´e ´ımpar. Logo. O sub-intervalo onde esse ´e o ponto-extremo esquerdo ´e o segundo intervalo aceit´avel. considere o primeiro ponto rotulado por 1. onde k < n. Suponha que um n´ umero finito de pontos subdivide um intervalo fechado em intervalos menores. Contando da esquerda para a direita.2 Lema de Sperner para um Intervalo Fechado Lema 1 (Lema de Sperner para um Intervalo Fechado). logo o n´ umero de intervalos aceit´aveis ´e 1. ou seja. pela hip´otese de indu¸c˜ao. Demonstra¸c˜ao. Cada um dos demais pontos no interior do intervalo original s˜ao rotulados como 0 ou 1. Primeiro provaremos a existˆencia do intervalo. temos duas op¸c˜oes: existe um pr´oximo ponto rotulado por 0. ao todo temos 2+k. ´ımpar. Supondo que o Lema seja verdadeiro para k-sub-intervalos.

atrav´es de uma diagonal. Demonstra¸c˜ao. na por¸c˜ao superior da divis˜ao. −2) tem paridade ´ımpar. −2) com (−1.  Afirma¸ c˜ ao 3. Afirma¸ c˜ ao 2. Definimos como casa de rei acess´ıvel a casa do tabuleiro de xadrez na qual o rei consegue acess´a-la . 2) existe um intervalo da forma (1. Para a prova desse problema. isso implica que n˜ao existe na triangula¸c˜ao uma face com os trˆes v´ertices distintos. casa de rei n˜ ao acess´ıvel a casa que o rei n˜ao consegue acess´a-la. iremos fazer antes algumas afirma¸c˜oes e defini¸c˜oes. Vamos provar o Primeiro Lema de Combinat´oria (Lema de Sperner Para um Intervalo Fechado). mas n˜ao necessariamente pode alcan¸c´a-la. e casa de torre as casas onde a torre pode andar. logo o n´ umero de intervalos da forma (1. −2) no contorno ´e par. Como os extremos da divis˜ao tem sinais opostos. Demonstra¸c˜ao.  Pelas afirma¸c˜oes 2 e 3.  7. Pelo lema. −1) e (2. logo o n´ umero de intervalos (−1. pelo Lema 1 temos que h´a um n´ umero ´ımpar de intervalos com sinais opostos. para cada intervalo da forma (−1. O n´ umero de lados da triangula¸c˜ao (1. Pelo Lema 3. Sendo as faces da triangula¸c˜ao os cˆomodos e a posta o intervalo (1. Suponhamos por absurdo que n˜ao existam lados da triangula¸ca˜o da forma (1. 1] s˜ao cantos-mortos. 2) em toda a fronteira ´e igual a soma do n´ umero de intervalos da forma (1. 1] a casa. Olhando para a a parte superior da divis˜ao. −2) no contorno ´e par. os sub-intervalos s˜ao os cˆomodos e os pontos rotulados por 0 s˜ao as portas. 6 . Como por hip´otese os n˜ao h´a (−1. −2). Demonstra¸c˜ao.4 Lema de Sperner e Triˆ angula¸c˜ oes 5. −2) no contorno ´e ´ımpar. −2) na parte inferior. O n´ umero de lados da triangula¸c˜ao (1. Divida o quadrado em duas partes. Seja o intervalo original [0. 1) e (2. o n´ umero de intervalos (1. logo o Lema est´a provado. Como h´a apenas uma (o canto extremoesquerdo). −1). −2). Temos que os intervalos [0. um canto-morto ´e uma face da triangula¸c˜ao com v´ertices distintos. temos que o n´ umero de cantos-mortos tem a mesma paridade do n´ umero de portas exteriores. 2). como n˜ao h´a cantos mortos. chegamos a um absurdo. 0] s˜ao cˆomodos de comunica¸c˜ao e os da forma [0.  6.

ent˜ao a torre consegue ir de T0 ao topo. Temos que devido a movimenta¸c˜ao do rei.  Tendo essas afirma¸c˜oes e defini¸c˜oes. ent˜ao abaixo de R0 existe a casa de torre T0 . Temos que: ˆ Se de R0 at´e o topo a coluna for composta apenas de casas de rei. Do contr´ario. a casa de rei acess´ıvel mais abaixo. mantendo o mesmo n´ umero de colunas. pois do contr´ario o rei se moveria uma coluna a` mais. ou o fim do tabuleiro. Considere a coluna mais `a direita que o rei consegue alcan¸car. a mesma alcan¸ca o topo.  Definiremos ilha de casas de rei n˜ ao acess´ıveis. Como estamos considerando a casa de rei mais inferior. considere a torre saindo dela. Logo. mas n˜ao consegue sair da mesma. ent˜ao toda a ilha seria acess´ıvel ao rei. s´o resta a op¸c˜ao de ser uma casa de torre. o rei poderia se mover uma coluna `a frente. Todas as casas que contornam uma ilha s˜ao de torre. e a casa logo abaixo. que ´e de torre. Se for o fim do tabuleiro. iremos mostrar como a torre sempre alcan¸ca o topo: 7 . chamaremos ela de R0 . Considere uma casa que contorne a ilha. Demonstra¸c˜ao. Pelo item anterior. ele consegue acessar todas as casas dela. todas as casas da coluna `a direita de R0 s˜ao de torre. se existir. Como n˜ao pertence a ilha. Afirma¸ c˜ ao 5. a torre sobe at´e o topo dessa por¸c˜ao do tabuleiro. Considere a por¸c˜ao do tabuleiro. e dela. ou ´e uma casa de rei acess´ıvel ou de torre. de T0 . se um rei estivesse dentro da ilha. temos que n˜ao ´e uma “casa de rei n˜ao acess´ıvel”. indo contra sua defini¸c˜ao.  ˆ Se uma das casas acima for de torre. ou simplesmente “ilha” um conjunto de casas de rei n˜ao acess´ıveis interligadas entre si. novamente pela movimenta¸c˜ao do rei. a casa `a direita de T0 e todas as casas que est˜ao `a direita das casas de rei da coluna de R0 s˜ao casas de torre. contrariando a hip´otese. Por esse caminho de casas de torre. a casa logo acima de T1 tamb´em ´e de torre. que a n´ıvel de linhas vai da linha de T0 at´e a linha anterior `a primeira casa de torre acima de R0 . Se fosse a primeira op¸c˜ao. Logo a torre chega em T1 . Logo. ent˜ao de T0 a torre alcan¸ca a casa `a direita da primeira casa de torre acima de R0 . Se abaixo de R0 existir T0 . isto ´e. Demonstra¸c˜ao.Afirma¸ c˜ ao 4. Voltando ao tabuleiro original. Demonstra¸c˜ao. chegando a casa que chamaremos de T1 . e a mesma sobe por esse caminho.

Pela afirma¸c˜ao 5. cada um ser´a uma face da triangula¸c˜ao. pela afirma¸c˜ao 4.Demonstra¸c˜ao. Repetimos o passo anterior at´e que a torre atinga o topo. Como essas portas est˜ao nos cantos do tabuleiro. que s˜ao formadas pela pe¸ca do canto e pela pe¸ca de outra cor adjacente. Nesse quadradinho. Novamente. Iremos triangular o tabuleiro do seguinte modo: considere os centros dos hex´agonos. Seja um tabuleiro qualquer de ordem m × n. logo a mesma pode seguir por esse caminho at´e chegar na pr´oxima casa de torre da mesma coluna. Temos duas op¸c˜oes: todas as casas acima s˜ao de torre e ela alcan¸ca o topo. at´e chegar em T0 . temos duas op¸c˜oes: ou ele ´e orientado para a direita. A partir dela. existe um quadradinho onde seu segmento da direita ´e orientado para cima. que tamb´em est´a no bordo do tabuleiro. Seguindo pela segunda op¸c˜ao. a torre continua subindo. e o da esquerda para baixo. ou uma das casas s˜ao de rei. eles ser˜ao os v´ertices da triangula¸c˜ao. podemos contorn´a-la e continuar nossa subida original. 8 . Considere a coluna mais extrema que o rei possa acessar. considere os segmentos verticais. temos que existem exatamente 4 portas exteriores. h´a duas op¸c˜oes: ou todas as casas acima s˜ao de torre. As portas ser˜ao os segmentos onde suas extremidades tem r´otulos diferentes. obrigatoriamente iremos sair por outra porta exterior. pelo Lema 1.  8. Se uma for de rei. e al´em disso. Desse modo. Rotule cada um dos v´ertices de acordo com a cor da pe¸ca que ocupa seu hex´agono: B para branco e P para preto. Com isso. a paridade das portas exteriores ´e par. Entrando por uma das portas exteriores. Se at´e T0 existir uma casa de rei n˜ao acess´ıvel. Do segmento inferior. Seja cada face da triangula¸c˜ao um cˆomodo. Vamos considerar que o jogo tenha acabado quando todas as casas tenham sido ocupadas (do contr´ario j´a haveria um vencedor). logo isso implica que existe um caminho de pe¸cas brancas e pretas indo de um canto ao outro do tabuleiro. o vencedor ser´a definido pela cores das pe¸cas nessas casas. e esse quadradinho tem orienta¸c˜ao igual ao quadrado maior. n˜ao h´a cantos-mortos. todas as casas que a contornam s˜ao de torre. o segmento superior ´e orientado para a esquerda. isto ´e. temos que a torre chega ao topo. Consideremos que o quadrado seja orientado no sentido anti-hor´ario (o caso no sentido hor´ario ´e an´alogo). pela afirma¸c˜ao 5. Como os extremos dessa linha tem orienta¸c˜ao contr´aria. Ligue-os formando pequenos triˆangulos. a casa de rei considerada no in´ıcio n˜ao seria da coluna mais extrema).  9. Analisando o tabuleiro. Na primeira linha de quadradinhos. cada caminhada dentro da casa come¸ca em uma porta exterior e termina em outra porta exterior. cada cˆomodo ter´a exatamente duas ou nenhuma porta. Como a casa do canto ´e comum h´a ambos os jogadores. ou a torre alcan¸ca a casa `a direita da primeira casa de torre acima de R0 . ou o segmento ´e orientado para a esquerda. s´o pode ser parte de uma ilha (do contr´ario. ou alguma ´e de rei. Iremos come¸car a subir por essa coluna.

e o segmento para a esquerda orienta¸c˜ao para cima. temos que seu segmento superior tem orienta¸c˜ao para a direita.  10. Novamente. Olhando para o segundo quadradinho da coluna.Se for orientado para a esquerda. Repetimos o passo anterior at´e que o segmento esteja orientado para a direita. as pr´oximas orienta¸c˜oes ser˜ao “entrando” nele. 12. isso implica que as duas pr´oximas orienta¸c˜oes obrigatoriamente ser˜ao “saindo” dele. A existˆencia da orienta¸c˜ao da direita ´e garantida pelo Lema 1. 11. o v´ertice inferior esquerdo tem “entrando” duas orienta¸c˜oes. pois os extremos da coluna tem orienta¸c˜oes opostas. 9 . o segmento da direita orienta¸c˜ao para baixo. De modo an´alogo ao v´ertice inferior direito. o segmento inferior ou ´e orientado para a direita. analise a orienta¸c˜ao dos quadradinhos da mesma coluna: Como no primeiro quadradinho da coluna. ou para a esquerda.

Dizemos que uma fun¸c˜ao ´e um homeomorfismo se for bijetora. Seja a fun¸c˜ao identidade f (x) = x que leva o intervalo [a. Como a Im(f ) ´e o contorno do disco. b]. Demonstra¸c˜ao. ou seja. Homeomorfismo e Propriedade do Ponto Fixo Afirma¸ c˜ ao 6. Seja x0 um ponto no interior de um disco. diferente do centro. (a) Podemos dizer que f ´e cont´ınua. temos ε ´e. Usaremos o exemplo 2 do livor para a prova. como δ e ε s˜ao quaisquer. De modo expl´ıcito. nosso δ ser´a o raio da maior circunferˆencia. temos que f −1 (y) = y. (b) Podemos dizer nada. R Podemos definir que f (x) = x. Ox0 P0 formam um triˆangulo retˆangulo de hipotenusa Ox0 . em radianos. ´e uma fun¸c˜ao constante. Vamos mostrar que para todo ε > 0. Ligando as extremidades desse arco com o centro. xo ) 15. . basta mostrarmos que sua inversa tamb´em ´e. Claramente ela ´e um homeomorfismo aplic´avel no intervalo. de centro em x0 . x0 ). cont´ınua e sua inversa tamb´em for cont´ınua. podemos tomar um δ > 0. .5 Aplica¸ c˜ oes Cont´ınuas. Ent˜ao: sin ε = δ ∴ δ = d(O. Para isso. Como a aplica¸c˜ao descrita no exemplo ´e cont´ınua. sin ε d(O. logo o mesmo ´e homeom´orfico  10 . basta mostrar que existe um homeomorfismo aplic´avel nesse intervalo. uma fun¸c˜ao afim que ´e R cont´ınua  13. Dois discos quaisquer s˜ao homeom´orficos. contida nesse setor circular. ´e homeom´orfico. 14. ]B em si mesmo. Seja P0 a proje¸c˜ao ortogonal de x0 em um dos segmentos. Dizemos que seu dom´ınimo e contra-dom´ınimo (imagem) s˜ao homeom´orficos. igual ao aˆngulo central que o define. onde a 6= b. assim f ´e bijetora e admite f −1 : K2 → r r K1 . temos que f leva todos os pontos de X na δ-vizinhan¸ca de x0 exatamente em y0 . Queremos provar que um intervalo fechado [a. e al´em disso.

Seja ε-vizinhan¸ca de um ponto w0 ∈ W . isto ´e.16. Como g ´e cont´ınua. Queremos mostrar que g ◦ f : X → W tamb´em ´e cont´ınua. existe um ω > 0 tal que g(By0 (ω)) ⊂ Bw0 (ε). Logo: f (Bx0 (δ)) ⊂ By0 (ω) g ◦ f (Bx0 (δ)) ⊂ g(By0 (ω)) ⊂ Bw0 (ε) Conclu´ımos que g ◦ f ´e cont´ınua. existe δ > 0 tal que f (Bx0 (δ)) ⊂ By0 (ω). ∃δ > 0 tal que g ◦ f (Bx0 (δ)) ⊂ Bw0 (ε). Seja f : X → Y e g : Y → W cont´ınuas. para todo ε > 0.  11 . Como f ´e cont´ınua. onde f (x0 ) = y0 . onde g(y0) = w0 .

a partir de um k0 : nk < f (xk ) < nk O que ´e um absurdo. temos que. todos os pontos dessa subsequˆencia pertencem a Bx0 (δ). f ´e cont´ınua em todos os pontos do intervalo. Por hip´otese.6 Cap´ıtulo 6 . a fun¸ca˜o admite um valor maior em algum ponto do intervalo [a. chamaremos xnp = xk . logo: f (xk ) < f (x0 ) + ε. O caso do limite inferior ´e an´alogo. Para facilitar a escrita. Logo f ´e limitada superiormente. para ∀ k > k0 Se tomarmos nk = f (x0 )+ε. a sequˆencia {xn } possui uma subsequˆencia {xnp } que converge para um ponto x0 . Em s´ımbolos: x ∈ Bx0 (δ) ⇒ f (x0 ) − ε < f (x) < f (x0 ) + ε Como {xk } converge para x0 . temos que para todo n ∈ R. e usando a primeira equa¸c˜ao dessa argumenta¸c˜ao. b]. b] tal que: f (xn ) > n Ou seja. e em especial o ponto x0 .  12 . Suponha por absurdo que f n˜ao seja superiormente limitada em [a. b]. temos que a partir de um ´ındice k0 . isto ´e.Conjunto Compacto 17. ∃xn ∈ [a. b] ´e compacto. para todo ε > 0 existe uma δ-vizinhan¸ca de x0 tal que todo ponto x ∈ Bx0 (δ) ´e levado na ε-vizinhan¸ca. para qualquer n´ umero natural que tomarmos. Como [a.

encontramos um ck que ´e ponto fixo. 2 temos o nosso ponto fixo.. Se f (c0 ) = c0 . Se um dos extremos for levado em si mesmo. Chamaremos ele de I1 . b) a+b Divida o intervalo I0 = [a. para qualquer By0 (ε) existe uma Bx0 (δ) de modo que a imagem de todos os pontos pertencentes `a Bx0 (δ) pertencem a` By0 (ε): 13 .} de sub-intervalos aninhados onde f leva seus extremos em “dire¸c˜oes opostas”... c ´e levado para a esquerda ou para a direita: f (c) ∈ [a. Suponha por absurdo que x0 6= y0 = f (x0 ). i. um dos sub-intervalos ter´a seus extremos em “dire¸c˜oes opostas”. b] e f (b) ∈ [a. o ponto a ´e levado em um ponto `a sua direita. b] f ´e cont´ınua em x0 . . e o ponto b em algum ponto a` sua esquerda. Podemos assumir que x0 ´e levado para um ponto `a direita (o caso para `a esquerda ´e an´alogo): f (x0 ) ∈ (x0 .e. que leva [a. seja X0 o u ´ nico ponto em comum a` todos os intervalos. Seja f uma aplica¸c˜ao cont´ınua. caso contr´ario.. Seguindo pela segunda op¸c˜ao. Repita o mesmo processo com os Ik sub-intervalos seguintes. In . Com isso.7 Teorema de Brower em um intervalo fechado. Em s´ımbolos: f (a) ∈ (a. no ponto c0 = . Teorema do Valor Intermedi´ ario e Aplica¸ c˜ oes 7. ˆ ou obtemos uma sequˆencia infinita {I0 .1 Teorema do Ponto Fixo e Teorema do Valor Intermedi´ ario Teorema 1 (Teorema de Brower em um intervalo fechado). I1 . Suponha que n˜ao. teremos duas op¸c˜oes: ˆ ap´os um n´ umero finito de repeti¸c˜oes. mostraremos que f (x0 ) = x0 . Demonstra¸c˜ao. b] na metade. est´a provado. Seja f uma aplica¸c˜ao que satisfa¸ca as hip´oteses do teorema. ent˜ao f admite pelo menos um ponto fixo no intervalo. Podemos assumir que os extremos s˜ao levados em “dire¸c˜oes opostas”. ou seja.. c) ou f (c) ∈ (c. . b] Em ambos os casos. b] em si mesmo.

os pontos fixos de F (x) ser˜ao os mesmos pontos onde f (x) = c. existe um ponto x0 tal que f (x0 ) = c. Podemos reescrever essa equa¸c˜ao cmo f (x0 ) − c = 0. b] tal que f (a) < f (b). o que ´e um absurdo pois por suposi¸c˜ao os extremos s˜ao levados em dire¸c˜oes opostas.  Teorema 2 (Teorema do Valor Intermedi´ario (T. Para F (b) = λ(f (b) − c) + b. Com isso. Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua definida em [a. b) tal que f (x0 ) = c. se tomarmos um λ que satisfa¸ca as duas rela¸c˜oes ao mesmo tempo.)). precisamos que b − a > λ(f (a) − c) > 0. Temos que (f (a) − c) ´e um n´ umero negativo. b]. Logo. basta definirmos λ de tal modo que F (x) leve o intervalo [a. tomando: λ = Max  b−a a−b . ent˜ao existe um ponto x0 ∈ (a. ou seja. Logo x0 ´e ponto fixo de f no intervalo [a. Demonstra¸c˜ao. temos que: b−a a−b 6λ60e 6λ60 f (a) − c f (b) − c Ou seja. logo seus extremos s˜ao levados `a direita. Se um n´ umero c ´e tal que f (a) < c < f (b).V. Queremos encontrar um x0 tal que f (x0 ) = c. para a inequa¸c˜ao ser satisfeita. f (a) − c f (b) − c  Temos que F (x) admite pelo menos um ponto fixo em [a. logo.  14 . b]. analogamente temos que λ ´e negativo e satisfaz a rela¸c˜ao a − b 6 λ(f (b) − c) 6 0. para que F (a) esteja no intervalo fechado . F (x) leva o intervalo [a.I. λ ´e um n´ umero negativo. Para um n suficientemente grande. A partir dela. definimos como F (x) a fun¸c˜ao: F (x) = λ(f (x) − c) + x Observe que. podemos tomar um ε (e consequentemente um δ) suficientemente pequeno para que Bx0 (δ) e By0 (ε) sejam disjuntas: Bx0 (δ) ∪ By0 (ε) = ∅ Temos que todos os pontos pertencentes `a Bx0 (δ) s˜ao levados a` direita. b] em si mesmo: Observe que em F (a) = λ(f (a) − c) + a. Isolando λ nas rela¸c˜oes. todo o intervalo In est´a contido na bola Bx0 (δ).Im(Bx0 (δ)) ⊂ By0 (ε) Como as “bolas” n˜ao s˜ao concˆentricas. b] em si mesmo. provando o teorema.

Pelo Teorema do Valor Intermedi´ario. ou seja. existe um ponto x0 ∈ [a. n˜ao h´a nada para se provar. Temos que: b1 6 a1 6 x1 < x2 6 a2 6 b2 Seja g(x) = f (x) − x cont´ınua em [x1 . e H(b) = f (b) − g(b) = b − g(b) > 0.). ent˜ao h´a um par de pontos antipodais x e x∗ tal que f (x) = f (x∗ ). 7. existe um x0 ∈ [x1 . logo n˜ao seria levado no intervalo fechado. pois do contr´ario f (a) < a. 24. b] em si mesmo. x2 ] tal que g(x0 ) = 0. A afirma¸c˜ao n˜ao ´e v´alida para qualquer g. considere a fun¸c˜ao g(x) = f (x) − x.V. x2 ] ⊂ A ⊂ B. x2 ]. 20. Sejam x1 e x2 ∈ [a1 . Temos que g(a) > 0. Se f ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua definida no c´ırculo. Suponha que n˜ao. a2 ] tal que f (x1 ) = b1 e f (x2 ) = b2 . i. ent˜ao g(a) > a e g(b) < b.I.. e g(x2 ) = b2 − x2 > 0. por´em n˜ao coincidindo.  No caso da imagem de f est´a contida em B. Como [x1 . Caso contr´ario.V. Podemos supor que os extremos de A n˜ao s˜ao levados em si mesmo (caso contr´ario j´a s˜ao pontos fixos). . Pelo Teorema do Valor Intermedi´ario (T. Se um dos extremos ´e levado em si mesmo. j´a est´a provado. temos que H(a) = f (a) − g(a) = a − g(a) < 0.e. f (x0 ) = x0 . De mesmo modo temos que g(b) < 0. a senten¸ca est´a provada. 21. Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua que leva [a.  19. pois precisa que g(a) > a e g(b) < b. basta tomarmos f (x1 ) e f (x2 ) igual aos extremos do intervalo da imagem. Se g(a) = a ou g(b) = b. Temos que g(x1 ) = f (x1 ) − x1 = b1 − x1 < 0. Vamos considerar o caso A 6= B. est´a provado. existe um x0 tal que g(x0 ) = 0 ∴ f (x0 ) = 0. 15 . Pelo T.18. 22. f (x0 ) − g(x0 ) = 0 ∴ f (x0 ) = g(x0 )  .I. Seja H(x) = f (x) − g(x).2 Teorema de Borsuk-Ulam e Teoremas da Panqueca I e II Teorema 3 (Teorema de Borsuk-Ulam para um C´ırculo). b] tal que H(x0 ) = 0. 23. Se A = B.

Nos extremos g(−1) = f (π) − f (0) e g(1) = f (0) − f (π). d] tal que f (t0 ) = 0 ∴ f1 (t0 ) = f2 (t0 ). passando pelo ponto Dx localizado a uma distˆancia t de x (0 6 t 6 d. por qualquer ponto x do c´ırculo. Caso contr´ario. e F2 (t) a ´area da outra parte. Defina g(y) cont´ınua em I = [−1. onde d ´e a medida do diˆametro do c´ırculo). ou seja. e x∗ seu antipodal (veja a figura abaixo). e α a coordenada polar de x. e ent˜ao existe um ponto t0 in[0. o Teorema do Valor Intermedi´ario garante que existe um y0 tal que g(y0) = 0 ∴ f (x0 ) = f (x∗0 ). x -1 α −y y 1 x∗ Seja g(y) = f (x) − f (x∗ ) = f (α) − f (α ± π) em I. Para cada y ∈ I. podemos encontrar uma reta Lt0 que divide A na metade. definindo: f (t) = f1 (t) − f2 (t) Evidentemente. Se g(1) = 0. Se A e B s˜ao duas figuras planas limitadas. As fun¸c˜oes f1 (t) e F2 (t) s˜ao definidas em [0.  Teorema 4 (Primeiro Teorema da Panqueca). d]. 16 . assim. e ambas s˜ao cont´ınuas. f (0) = −f (d). Considere um c´ırculo C que contenha A e B (ele existe pois ambas as figuras s˜ao limitadas). provado.Demonstra¸c˜ao. em y. definimos um ponto x como a intersec¸c˜ao da perpendicular do eixo horizontal. por Lt . Seja f1 (t) a ´area da figura A que est´a no mesmo lado que x. Demonstra¸c˜ao. ou seja. ent˜ao existe uma mesma reta que divide cada figura em duas partes de mesma ´area. com o semic´ırculo superior. g(1) = −g(−1). 1]. Para qualquer ponto x no c´ırculo C denote Dx o diˆametro de C por x. seja C um c´ırculo de raio unit´ario centrado na origem. Seja Lt perpendicular `a Dx .

17 .V.I. Ou seja. que denotaremos. ´e cont´ınua e definida em todo o c´ırculo. no c´ırculo C existe um ponto x tal que Lt0 divide B na metade. seja g1 (x) a ´area da parte do lado de x. Assim. existe x0 tal que f (x0 ) = 0. Seja Lx a perpendicular a Dx que corta A na metade e seja Mx a reta que corta A no meio. g(x) = −g(x∗ ) . s1 (x0 ) = s2 (x0 ) = s3 (x0 ) = s4 (x0 ) e o teorema est´a provado. Logo: S1 (y) = S2 (x) e s2 (y) = s3 (x). f muda de sinal nas extremidades do arco de π/2 radianos. A2 (x). encontraremos um novo ponto y. seguindo no sentido anti-hor´ario. temos que: S1 (x) + S2 (x) = S3 (x) + S4 (x) S4 (x) + S1 (x) = S2 (x) + S3 (x) Das duas equa¸c˜oes. ∀x ∈ C. Definimos Dx do mesmo modo que anteriormente. A1 (x) da figura A se transforma continuamente em A2 (x) e assim por diante. podemos facilmente chegar nas rela¸c˜oes S1 (x) = S3 (x) e S2 (x) = S4 (x). Pelo Teorema de Borsuk-Ulam. Coloque a figura em um c´ırculo C.  25. Se A ´e uma figura plana limitada. ou seja. Essas duas retas cortam A em 4 partes. S2 (x). Observe que se movermos o ponto x em dire¸c˜ao ao seu antipodal x∗ . Defina g(x) = g1 (x) − g2 (x). Demonstra¸c˜ao. ∃x|g(x) = g(x∗ ). Sendo f (x) = s1 (x) − s2 (x).  Teorema 5 (Segundo Teorema da Panqueca). em rela¸c˜ao `a Lt0 . o que implica que g1 (x) = g2 (x). e g2 (x) a outra ´area. ou seja. ent˜ao: f (x) = s1 (x)−s2 (x) ⇒ f (y) = s1 (y)−s2 (y) = s2 (x)−s3 (x) = s2 (x)−s1 (x) = −f (x) Ou seja. ent˜ao existem duas retas perpendiculares entre si que cortam A em 4 partes de mesma ´area.Olhando para B. Essa rela¸c˜ao ´e v´alida para qualquer x fixado em C. S3 (x) e S4 (x) suas respectivas ´areas. mostraremos que n˜ao existe um homeomorfismo entre eles. g1 e g2 mudam de lugar entre si. e o teorema est´a provado. por´em paralela a` Dx . A3 (x) e A4 (x). e pelo T. A1 (x). Sendo S1 (x). Para provarmos que um c´ırculo n˜ao ´e homeom´orfico a uma reta (ou a um subconjunto dela). Se girarmos x no sentido anti-hor´ario em π/2 radianos.

e x um ponto pertencente ao c´ırculo.2 2 2 Sendo H a altura de ABC relativa a base AC e h a altura de A′ BC ′ relativa a base A′ C ′ . Pelo Teorema de Borsuk-Ulam existe um par de pontos antipodais x e x∗ tal que f (x) = f (x∗ ). temos que: √ √ √ L 3 l 3 L 3 H= eh= = √ 2 2 2 2 Seja O o centro de ABC. 3 3 Seja r a reta definida pelos pontos A e B. criando um triˆangulo A′ BC ′ . Definiremos a distˆancia entre elas por d1 (x). 18 . mais pr´oxima de x. temos que r1 e r2 s˜ao paralelas. 27. ´e necess´ario que a temperatura inicial e final sejam iguais. Seja C uma circunfˆenencia que circunscreve a superf´ıcie plana. B) d(r. B) = . onde A′ ∈ AB e C ′ ∈ BC. Para satisfazer as hip´oteses do teorema. Dividiremos sua ´area pela metade. que varia de 0 at´e o comprimento de Dx . ent˜ao o centro dista 2H L 3 do ponto B uma distˆancia .uma fun¸c˜ao cont´ınua definida em C. Contra-Exemplo: Considere um triˆangulo equil´atero ABC de lado L. Achando a rela¸c˜ao entre os lados: √ √ ´ A BC L2 3 ´ l2 3 Area ´ AreaABC = e AreaA′ BC ′ = = 4 4 2 Ent˜ao: √ √ L2 3 L2 L l2 3 = ∴ l2 = ∴l= √ 4 4. por´em sendo a mais distante de x. 28. temos que: √ √ L 3 L 3 = d(O. B) = h = √ = 6 3 2 2 Ou seja.e. r1 a reta tangente a` superf´ıcie. o que ´e um absurdo pois f ´e bijetora. i. Logicamente. Contradi¸c˜ao. Seja Dx o diˆametro relativo ao ponto x. Como o triˆangulo ´e equil´ √ atero. perpendicular a Dx .  26. temos que r divide a ´area de ABC pela metade sem passar pelo centro O. d(O. e r2 a reta de igual defini¸c˜ao. de lado l.Suponha por absurdo que f ´e um homeomorfismo f : C → R..

Observe que d( x) = −d(y). ou seja. chegamos a um novo ponto y. y] tal que d(x0 ) = 0. que os chamaremos de A. Ao rotacionarmos x 19 . ABCD ´e um quadrado. B. π radianos no sentido anti2 hor´ario.I. Temos que ABCD ´e um retˆangulo de lados d1 e d2 . C e D. s1 e s2 se intersectam em 4 pontos. logo pelo T. r1 . i. e d2 a distˆancia entre eles.e..  Seja d(x) = d1 (x) − d2 (x). d1 (x) = d2 (x).Sejam agora s1 e s2 as retas perpendiculares a r1 e r2 que tangenciam a superf´ıcie plana. temos que existe um ponto x0 ∈ [x.V. r2 .

Seja P um v´ertice da subdivis˜ao e q = f (p). por retas paralelas `a seus lados. Seja f uma aplica¸c˜ao cont´ınua que leva um quadrado Q em si mesmo. que chamaremos de faces.8 Prova do Teorema de Brower em Quadrado Teorema 6 (Teorema de Brower em um Quadrado). Assuma o contr´ario. O v´ertice P ´e rotulado de acordo com a tabela abaixo: ˆ Angulo R´otulo ϕ=0 1 ou 4 0<ϕ< ϕ= π 2 π 2 π 2 1 ou 2 <ϕ<π ϕ=π π<ϕ< ϕ= 3π 2 2 2 ou 3 3π 2 3π 2 < ϕ < 2π 20 1 3 3 ou 4 4 . q) ser´a chamado de vetor de dispers˜ao e ϕ o ˆangulo formado entre o vetor de dispers˜ao e o eixo horizontal na posi¸c˜ao positiva. est´a provado. O vetor (P. ent˜ao existe pelo menos um ponto fixo. Ent˜ ao existe pelo menos um ponto fixo f (X) = X Demonstra¸c˜ao. Se um dos v´ertices ´e ponto fixo. provaremos que se f ´e uma aplica¸c˜ao cont´ınua que leva Q em si mesmo. Considere o quadrado Q = A1 A2 A3 A4 . Temos que os v´ertices s˜ao dispersados por Q. A4 A3 A1 A2 Assuma que Q ´e dividido em pequenos quadrados. Iremos rotular cada um dos v´ertices dessa subdivis˜ao de modo que satisfa¸ca o Lema 4 (p´agina 11 do livro).

Em particular temos que o A1 ´e rotulado como 1. .. Suponha que todos os v´ertices de τn s˜ao dispersados segundo f . ent˜ao todos s˜ao rotulados por 1 ou 2. O comprimento dos lados do bordo de τn tende `a zero conforme n tende ao infinito. i.} de Q. Um ponto P ∈ BP0 (δ) tem o vetor (P. q) apontando para cima. Por outro lado. assumiremos que {Xn } em si converge. Yn . os v´ertices Xn . A2 como 2. 21 . Un seus v´ertices. Zn . ent˜ao tem 0 < ϕ < π. {Zn }. temos uma subsequˆencia de {Xn } convergindo para um ponto P0 ∈ Q. Al´em disso. As sequˆencias {Yn }.. Un de Qn pertencem `a δ-vizinhan¸ca de P0 . podendo estar inclinado para `a esquerda ou `a direita. Pelo Lema 4. pois o comprimento dos lados de Qn tende `a zero. Como Q ´e compacto. logo P ´e rotulado por 1 ou 2.. . Como f ´e cont´ınua. onde τn ´e constru´ıdo da seguinte forma: cada lado do quadrado Q ´e dividido em 2n partes iguais. A3 como 3 e A4 como 4.. Consideraremos dois casos: Quando o vetor (P0 . Ent˜ao em cada decomposi¸c˜ao h´a uma face com 3 r´otulos diferentes. tal que cada uma separe P0 de q0 . Seja Xn . Agora considere a decomposi¸c˜ao {τ1 . se P ´e um ponto que pertence ao lado A1 A2 e n˜ao coincide com os extremos. Suponha que q0 = f (P0 ) 6= P0 . Tome uma ε-vizinhan¸ca de q0 satisfazendo a condi¸c˜ao de n˜ao ter pontos em comum com L. Escolha uma ε-vizinhan¸ca e sua δ-vizinhan¸ca (da defini¸c˜ao de continuidade) de modo que ambas n˜ao intersectem L2 ou L1 .e. Temos uma contradi¸c˜ao pois como j´a vimos Qn tem pelo menos 3 v´ertices com r´otulos distintos. seu ˆangulo ϕ ´e tal que 0 < ϕ < π. q0 ) forma ϕ0 = π/2: Trace uma linha horizontal L separando P0 de q0 . denotando-a por Qn . Por simplicidade. Yn . τn . e as retas que os dividem s˜ao tra¸cadas paralelas aos lados de Q. π O segundo caso ´e quando 0 < ϕ0 < . podemos tomar uma δ-vizinhan¸ca de P0 de modo que tamb´em n˜ao tenha interse¸c˜ao com L. Escolha essa face. Provaremos que P0 ´e ponto fixo. uma face da subdivis˜ao tem pelo menos 3 r´otulos diferentes. Sua rotula¸c˜ao seguindo a tabela tamb´em satisfaz as hip´oteses do Lema 4. Zn . Trace duas retas: L1 horizontal e L2 2 vertical.. para um n suficientemente grande. O mesmo acontece nos outros 3 lados de Q. {Un } tamb´em convergem para P0 .

π Se P ∈ BP0 (δ). temos a mesma contradi¸c˜ao do caso anterior. e P ´e rotulado por 1. ent˜ao seu ˆangulo ϕ ´e tal que 0 < ϕ < . e o teorema est´a provado. 2 Tomando n suficientemente grande para Qn . Os outros seis casos da tabela s˜ao an´alogos aos dois apresentados.  22 .

Basta reproduzir a prova do T. temos que a sequˆencia {xn } converge para o maior valor poss´ıvel que f pode alcan¸car. ou seja. onde |f (x1 ) − f (x2 )| < α|x1 − x2 |. < f (xn−1 ) = xn Tendendo n ao infinito.. partindo de x1 = b. 33.e. Come¸cando por x1 = 1. temos que xn → a. queremos definir 0 < α < 1. e x1 < x2 . Temos que: . temos que para n etapas: a = x1 < f (x1 ) = x2 < f (x2 ) = x3 < . 1 Tomando x1 = 2.I.. Generalizando. Se x2 6= a.. Tomando x1 = a.O M´ etodo da Itera¸c˜ ao 29.. Sejam x1 e x2 dois pontos reais quaisquer. 30. temos que f (x1 ) = x2 < 0. Analogamente. j´a encontramos nosso ponto fixo. Como f ´e crescente e cont´ınua. temos que f (2) = → f ( 21 ) = 2. ficamos preso em um 2 loop.e.V. 31. i. xn → b. i. 32. ent˜ao f (x1 ) < x(x2 ) ∴ x2 < x3 .e.. ent˜ao x1 < x2 . i.9 Cap´ıtulo 9 . Seja x3 = f (x2 ). temos que f (1) = 1. considerando a nova hip´otese. a n˜ao for ponto fixo.

.

.

.

2 2 .

1 .

.

.

1 x − x 2 1 .

=.

.

− |f (x1 ) − f (x2 )| = .

.

2 2.

2 2 .

.

4 + x1 4 + x2 (4 + x1 )(4 + x2 ) = |(x1 − x2 )(x1 + x2 )| 6 α|x1 − x2 | (4 + x21 )(4 + x22 ) 23 .

Seja g a fun¸c˜ao que leve k1 a ser concˆentrico com k2 . (a) Sim.Retra¸c˜ ao 34. 35. P ). logo a coroa-circular n˜ao possui tal propriedade. 2 24 . k1 g f O k 1 O k2 O k2 Figura 1: f ◦ g Logo. Faremos a seguinte aplica¸c˜ao: ˆ Seja Q um quadrado de lado l. a sua metade da direita ser´a rotacionada no sentido π anti-hor´ario em radianos. ˆ A metade superior do lado direito de Q ser´a rotacionada no sentido π hor´ario em radianos. 2 ˆ A metade superior esquerda ser´a rotacionada no sentido anti-hor´ario π em radianos. pelo argumento do item anterior. Seja f a fun¸c˜ao que leve cada um dos pontos P de k1 em um ponto de k2 . Como uma circunferˆencia n˜ao possui a propriedade topol´ogica do Ponto Fixo. a figura n˜ao tem a propriedade do Ponto Fixo. onde f projeta cada ponto P ∈ C na fronteira exterior k. ˆ Do lado inferior.10 Cap´ıtulo 10 . O lado superior de Q ser´a levado em si mesmo. (b) Dividindo a figura em duas circunferˆencias. 2 ˆ As partes inferiors dos lados laterais ser˜ao transportados de tal modo que seus pontos superiores ´e levado no ponto m´edio do lado superior de Q. P ). (a) Temos que uma coroa-circular C pode ser retraida em uma circunferˆencia k: Seja f : C → k. K1 a circunferˆencia superior e k2 a circunferˆencia inferior. prolongando o vetor (0. atrav´es da prolonga¸c˜ao do vetor (O.

e ap´os isso. basta juntar os dois extremos do segmento.c. a sua metade da esquerda ser´a rotacionada no senπ tido hor´ario em radianos. formando uma circunferˆencia. 37. 25 . os dois segmentos podem ser retra´ıdos em dois pontos. enquanto a figura “oito” n˜ao. 39. 2 A aplica¸c˜ao descrita ´e cont´ınua e retrai um quadrado Q em um tri´ode. ˆ N˜ao. (b) Sim. pois pelo resultado do exerc´ıcio 36. 41. 38. 42.ˆ Do lado inferior. 36. (c) N˜ao. N˜ao. o quadrado ´e retra´ıdo em um segmento. N˜ao. basta divid´ı-lo em n segmentos menores. 40. pois um quadrado possui a propriedade topol´ogica do Ponto Fixo. Pelo corol´ario n˜ao h´a uma retra¸c˜ao de um quadrado na figura “oito”. ˆ Sim. ˆ Sim.

Para definir os pontos fixos.α (2) nα − α = 2kπ (3) Onde n = deg(f ). Homotopia.  44. .. observe a solu¸c˜ao gen´erica: Podemos escrever a fun¸c˜ao f de modo gen´erico como: f (α) = n. Perceba que f n˜ao admite inversa. 1] ⇒ ∈ [0..11 Cap´ıtulo 11 . . 11 onde k varia de 0 `a 11. temos que deg(f ) = 12. n. existem 11 elementos da pr´e-imagem com a imagem f (α). Considere as aplica¸c˜oes f0 e f1 cont´ınuas no intervalo [a. Sendo a rela¸c˜ao: ft (x) = (1 − t)f0 (x) + (t − 1)f1 (x) (1) Temos que: quando t = 0. n − 1.. e quando t = 1. ft (x) varia de modo cont´ınuo. Usando a solu¸c˜ao gen´erica do item anterior: 26 . temos exatamente 11 pontos fixos da forma α = . 2k n−1 2kπ Como nesse caso n = 12. Logo f0 (x) ´e homot´opico `a f1 (x). ft (x) = f1 (x). Os pontos fixos ser˜ao tais que: Desenvolvendo: α(n − 1) = 2kπ α= Como α ∈ [0. e Grau de uma aplica¸c˜ ao 43.. 11 ⇒ f (αi ) = α 45.e: ∀f (αi ). b].Aplica¸ c˜ ao cont´ınua de um c´ırculo. Como o ponteiro das horas da 12 voltas no rel´ogio. ∃i = 0. 2π]. ft (x) = f0 (x). Para qualquer valor 0 < t < 1. pois para cada f (α). 1] ∴ k = 0. 2kπ n−1 k ℵ ∈ [0.. i.

(a) Deg(f ) = 2. logo n˜ao h´a pontos fixos. 27 . (c) Deg(f ) = 1. logo h´a | − 1 − 1| = 2 pontos fixos α1 = 0 e α2 = 2π. 46. logo h´a apenas 1 ponto fixo α = 0. (b) Deg(f ) = −1.

q2 pr´e-imagens de S1 preservam a orienta¸c˜ao. Sejam f1 e f2 aplica¸c˜oes que levem a esfera em si mesma. e S1 . f2 : S2 → S3 . temos que deg(f1 ) = p1 − q1 e deg(f2 ) = p2 − q2 . Assim. podemos ver que p1 .2 +q2 . 49. 48. 51. podemos definir deg(f2 ◦ f1 ) como: 28 F3 . S2 e S3 as triangula¸c˜oes da esfera tais que: f1 : S1 → S2 . Para uma face Fi qualquer de uma triangula¸c˜ao qualquer. temos p1 pr´e-imagens em S1 de mesma orienta¸c˜ao e q1 pr´e-imagens de orienta¸c˜ao contr´aria. e por qi as faces de orienta¸c˜ao contr´aria na pr´e-imagem. 50.Aplica¸ c˜ ao Cont´ınua na Esfera 47. Considere uma face F3 da triangula¸c˜ao S3 da esfera. em rela¸c˜ao a F3 . 52. F3 possui p2 pr´e-imagens de mesma orienta¸c˜ao e q2 pr´e-imagens de orienta¸c˜ao contr´aria. Observando o diagrama abaixo.13 Cap´ıtulo 13 .p2 + q1 . representaremos por pi o n´ umero de faces de mesma orienta¸c˜ao de Fi na pr´e-imagem de Fi em uma aplica¸c˜ao. Para cada F2 (face qualquer da triangula¸c˜ao de S2 ). e q1 . S1 f1 S2 f2 S3 p1 p2 q1 q2 p1 q1 Figura 2: Diagrama das pr´e-imagens de F3 Assim.p1 invertem a orienta¸c˜ao.

 Em particular. f (x) = f −1 (x) Chamando f (x) = y. como deg(f ◦ g) 6= −1.2 +q2 . Pelo resultado do exerc´ıcio anterior: deg(f ◦ g) = deg(f ) × deg(g) = 1.p2 +q1 .deg(f2 ) 53.deg(f2◦f1 ) = (p1 . Em contrapartida. logo x e y trocam de lugar  Novamente. f 2 sempre possui um ponto fixo. Como f n˜ao possui pontos fixos. pelo Teorema do Ponto Fixo na Esfera. Novamente. Suponha que f n˜ao tenha pontos fixos. ∃x ∈ S tal que: f ◦ f (x) = x. pelo Teorema do Ponto Fixo na Esfera temos que deg(f ) = deg(g) = −1. 2 29 . temos que f (y) = x. este resultado n˜ao ´e v´alido para o c´ırculo (tome f como a rota¸c˜ao π do c´ırculo em ). sendo f uma aplica¸c˜ao cont´ınua na esfera. Se tomarmos f π como a rota¸c˜ao do c´ırculo em . nem f quanto f 2 possuem pontos fixos. i. este resultado n˜ao ´e v´alido para o c´ırculo. y 6= x. ent˜ao pelo exerc´ıcio anterior.e.p1 ) = (p1 −q1 ).(p2 −q2 ) = deg(f1). 2 54. Suponha que f e g n˜ao tenham pontos fixos. f ◦ g possui pelo menos um ponto fixo..q2 )−(q1 .