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EDUCANDÁRIO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

CURSO TÉCNICO EM FLORESTAS

ANATOMIA DA MADEIRA III

PROFª LUIZA S. AMORIM SAMPAIO

Teixeira de Freitas
2013

1. IMPORTÂNCIA DA SECAGEM
1.1. Secagem – Definição
A secagem da madeira é o processo da redução do seu teor de umidade a fim de levá-la a um teor de umidade
definido, com o mínimo de defeitos, no menor tempo possível e de uma forma economicamente viável, para o uso a
que se destina.
1.2. Umidade da madeira
Uma árvore viva pode conter desde 35% até mais de 200% de teor de umidade (o pau-de-balsa pode chegar a 400%).
Logo após a derrubada, a madeira já começa a secar, e a perda de umidade vai ocorrendo durante o desdobro da tora,
prosseguindo pelo processamento em diante. Podemos influir na secagem de forma artificial, isto é, submetendo a
madeira à secagem em equipamentos apropriados, ou propiciar condições para uma secagem natural adequada de
forma a obtermos um produto de boa qualidade ao final do processo. Para a construção de móveis por exemplo a
madeira deve ter um adequado teor de umidade pois de outra forma as juntas e encaixes se abrem, as gavetas
afrouxam e os painéis empenam. A redução da umidade antes da produção dos móveis minimizará o aparecimento de
defeitos e dará ao cliente um melhor produto.
1.3. Benefícios obtidos ao secar a madeira
– Estabilidade das dimensões da madeira
A madeira contrai-se conforme vai secando e expande-se quando sua
umidade aumenta. Quando a madeira seca até o teor de umidade final apropriado, a maior parte da contração já
ocorreu. Devido a isso haverá menos movimento dimensional causando empenos, rachaduras ou qualquer 6
outra alteração devida a secagem.
– Redução dos riscos de manchas e apodrecimentos.
A madeira verde é atacada por fungos e insetos que a degradam, tanto diminuindo sua resistência mecânica (fungos
apodrecedores e insetos), como alterando sua aparência (fungos manchadores) e, consequentemente, reduzindo seu
valor comercial. Abaixo de 20% de umidade a madeira é praticamente imune à maioria dos fungos e a alguns insetos.
– Redução do peso
Os produtos da madeira tais como móveis e madeira para construção serão de peso menor e, nos casos em que o
transporte for baseado no peso, terão custos de transporte menores.
– Melhor tratabilidade
A madeira se impregna mais facilmente com preservantes ou retardantes para fogo quando seu teor de umidade está
abaixo de 20%. Além disso, pinturas, vernizes, ceras e outros materiais de acabamento
aderem-se melhor à madeira seca.
– Aumento da resistência mecânica
A madeira seca tem uma sensível melhora das propriedades mecânicas como flexão estática, compressão, dureza,
cisalhamento, etc. (exceções: – tração perpendicular às fibras e resistência ao impacto).
– Melhora das características de trabalhabilidade
A madeira seca apresenta melhores resultados de aplainamento, lixamento, furação etc.
– Propriedade de pega
A madeira com alta porcentagem de umidade não permite uma boa aderência ao se fabricar produtos colados.
– Melhor fixação de pregos e parafusos
Juntas cravadas em madeira verde podem perder até metade da resistência.
– Propriedades de isolamento
A madeira seca conduz menos calor que a madeira verde. Além disso, é isolante elétrico e acústico.

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2. RELAÇÕES DE UMIDADE NA MADEIRA
2.1. Teor de umidade (TU)
Para fins de secagem de madeira serrada o teor de umidade pode ser definido como sendo a quantidade de água que
uma peça de madeira contém, expressa como porcentagem do peso seco em estufa (103 ± 2ºC) da peça de madeira
(base seca). A fórmula para o cálculo é:

O teor de umidade da madeira pode ser determinado de diversas maneiras sendo que as mais comuns são:
Método da estufa – o método padrão para a determinação do teor de umidade da madeira é o da secagem em estufa.
São cortadas amostras com 2,5cm de largura (na direção da grã) e retiradas todas as farpas que podem ser perdidas e
influenciar no peso – pesa-se a amostra para obtenção do peso inicial e coloca-se na estufa a uma temperatura 103 ±
2ºC até que se obtenha o peso constante da amostra (peso seco em estufa). Aplica-se então a equação 01 para se
obter o teor de umidade da madeira. Pode-se usar uma, duas ou mais amostras dependendo do tamanho da
peça e da precisão que se deseja obter.
Exemplo: Uma amostra de 20 x 2,5 x 2,5cm é cortada de uma tábua para se conhecer o conteúdo de umidade. O peso
inicial (Pi) foi de 150g. Depois foi colocada na estufa a 103 ± 2°C e pesada sucessivamente em intervalos de 24 horas
até não mostrar mais variação de peso. Seu peso constante (seco em estufa) foi de 120g. Qual o teor de umidade?
Aplicando-se a equação 01, tem-se:

Medidor elétrico de umidade – os medidores de umidade elétricos são aparelhos utilizados para se determinar o teor
de umidade de uma peça ou de um lote de madeira. São muito utilizados por serem práticos e rápidos não sendo
necessário cortar nenhuma amostra da madeira. Os mais comuns são os que baseiam na condutividade elétrica
utilizando a relação fixa entre a resistência elétrica e o teor de umidade da madeira. Possuem agulhas que são
introduzidas na madeira, fornecendo a leitura do teor de umidade num mostrador. São mais precisos numa faixa de 7
a 30% de umidade.
2.2. Teor de umidade de equilíbrio (TUE)
É o teor de umidade que a madeira tende a alcançar quando deixada em condições de umidade relativa e
temperatura constantes. Pode apresentar uma pequena variação de uma madeira para outra, no entanto, essa
variação pode ser desprezada e o teor de umidade de equilíbrio pode ser encontrado em tabelas juntamente com a
umidade relativa e a temperatura ambiente (Tabela 01).
2.3. Ponto de saturação das fibras (PSF)
Existem dois tipos importantes de água na madeira: água livre e água presa. A água livre encontra-se nas cavidades
celulares e nos espaços entre as células (meatos), em estado liquido. Teóricamente, a água livre pode ser retirada
facilmente passando de uma célula para outra até a superfície.
A água presa mantém-se unida às microfibilas da parede celulósica das células por atração das moléculas, em estado
de vapor. A remoção da água presa é mais difícil e mais lenta sendo necessário aumento de energia, usualmente, o
calor. O limite entre esses dois tipos de água é chamado de PSF, isto é, quando toda a água livre já foi retirada,
dizemos que a madeira atingiu o ponto de saturação das fibras o qual, considerando-se uma faixa normal, situa-se
entre 22 e 30% dependendo da espécie de madeira. Para efeito prático considera-se 30% para todas as madeiras. A

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importância do PSF é devida às mudanças que ocorrem na madeira a partir desse ponto: alterações na resistência
mecânica e contrações que causam defeitos como empenos e rachaduras.

2.4. Como a madeira seca
A água move-se dentro da madeira de diferentes maneiras. A água livre move-se principalmente por capilaridade.
Entretanto, como a madeira seca da superfície externa para a parte interna, isto é, de fora para dentro, rápidamente a
superfície tende a secar abaixo do PSF. Inicia-se então um gradiente de umidade, com a água movendo-se do interior
(alta umidade) para a superfície (baixa umidade) inicialmente por capilaridade e depois por difusão, tão rápido quanto
as condições do meio (velocidade do ar, temperatura, URA), possam absorvê-la assim que chega a superfície da
madeira. Se estas condições do meio evaporarem mais água do que a madeira tem condições de enviar à superfície, a
linha de evaporação (interface onde está ocorrendo a secagem) penetra na madeira, isto é, a superfície ficará mais
seca do que o interior. Se esta superfície seca abaixo do PSF antes que o interior o faça, podem ocorrer rachaduras na
superfície e nos extremos da peça de madeira. Diversas forças atuam simultaneamente nos movimentos da água,
quando a madeira está secando:
1. Ação de capilaridade – causam o movimento da água livre principalmente através das cavidades das células e
pequenas aberturas na parede celular;
2. Diferenças na umidade relativa dentro da madeira. Estas diferenças estabelecem gradientes de umidade que fazem
o vapor d'água mover-se através de várias passagens, por difusão;
3. Diferenças no teor de umidade, que movimentam a água presa através de pequenas passagens nas paredes
celulares, por difusão.
Quando a madeira verde começa a secar, a evaporação da água das camadas superficiais estabelece forças capilares
que exercem um arraste sobre a água livre contida nas zonas abaixo da superfície, produzindo um fluxo de água do
centro para as superfícies da madeira, semelhante ao que ocorre num pavio aceso ou num canudinho. Os movimentos
da umidade por difusão resultam de diferenças na umidade relativa e teor de umidade entre a superfície e o interior
da madeira, ou entre duas zonas quaisquer da madeira onde ocorram essas diferenças. A umidade na madeira
movesse simultâneamente por capilaridade e por difusão. Em comparação com a ação da capilaridade a difusão é
considerada um processo extremamente lento. Geralmente a água difunde-se mais rapidamente na direção radial
(perpendicular aos anéis). A difusão longitudinal é cerca de 10 a 15 vezes mais rápida que a radial, mas apesar dessa
diferença, excluindo-se peças curtas, o efeito da difusão longitudinal perde-se rapidamente por causa da distância que
a umidade tem que percorrer para chegar a superfície (extremidade da peça).

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5 .

Exemplo: Seca-se uma peça de cedro desde verde até 10%. pois o efeito do aquecimento não aumenta significativamente a taxa de secagem nessa fase (06). de 2. Temperatura De uma maneira geral. tenderá a um equilíbrio que fará desaparecer o fluxo de transferência da umidade da madeira para o ar. Ocorre que o peso específico está muito relacionado com a permeabilidade que é um dos fatores intrínsecos da madeira que mais influem na secagem. Umidade relativa do ar (URA) A umidade relativa do ar é a razão entre a quantidade de vapor d'água contida num determinado volume de ar e a quantidade máxima de vapor d'água que este mesmo volume poderá conter. na mesma temperatura.3. maior a velocidade de secagem. O aumento da temperatura influi na umidade relativa do ar acelerando a difusão. sendo que alguns autores sugerem de 1.5cm de espessura sob as mesmas condições? 6 . A circulação do ar é importante na remoção desse ar. Espessura: O tempo de secagem tem sido estimado em função do quadrado da espessura: 1 Há divergências com relação ao expoente 2. O peso específico da madeira é um bom indicativo de sua velocidade de secagem — madeiras mais densas levam mais tempo para secar que madeiras leves.1. 3. Circulação do ar Conforme o ar em volta da madeira vai absorvendo umidade.5cm de espessura.7. transferindo energia para a superfície da madeira. Folhosas.2. acelerando assim a evaporação na superfícieda madeira e estimulando a retirada da umidade.4.5 a 1. FATORES QUE INFLUENCIAM A VELOCIDADE DA SECAGEM 3. No entanto durante a retirada d'água livre não é necessário utilizar temperaturas elevadas. substituindo o ar com alta umidade por ar seco dando sequência a secagem e na distribuição homogênea do calor por toda a pilha. este irá perdendo o seu poder de absorção e. precisam de mais tempo que coníferas para secar. se não for substituído. Portanto quanto maior a temperatura maior a quantidade de água que o ar poderá conter. Quantos dias serão necessário para secar outra peça de cedro com 7. 3. quanto maior a temperatura. normalmente. Espécie: Algumas madeiras secam mais rapidamente que outras sob as mesmas condições. responsável pela retirada da água presa (abaixo de 30%). Características intrínsecas da madeira A velocidade de secagem depende ainda de algumas característica da própria madeira. 3.3. em 6 dias.

Estas diferenças estão em função do teor de umidade inicial das peças a serem secas. T = tempo (h) k = coeficiente de secagem folhosas = 0. apesar de que o alburno quase sempre tem um teor de umidade mais alto que o do cerne. Orientação do corte: O fluxo de umidade no sentido longitudinal é 10 a 15 vezes maior que no transversal (radial ou tangencial) sendo que esse fluxo é de 20 a 50% maior no sentido radial que no tangencial (figura 01).0477 Ui = teor de umidade inicial Uf = teor de umidade final 7 . A menor permeabilidade do cerne é devida. seca mais rápido que o cerne devido a sua alta permeabilidade. Figura 01 – Principais orientações em uma peça de madeira Teor de umidade inicial: Uma determinada espécie de madeira poderá apresentar diferentes velocidades de secagem ou diferentes tempos de secagem.0265 coníferas = 0.Cerne e alburno: O alburno. ao fato de que os extrativos obstruem as pequenas aberturas existentes nas paredes das células que o compõem. entre outras coisas. Uma peça com teor de umidade inicial baixo levará um menor tempo para secar em relação a outra com um teor de umidade inicial mais elevado. tanto em folhosas como em coníferas.

em uma estufa à 65oC de temperatura. maior será a duração da sua secagem.ln = logarítmo natural (neperiano) Assim sendo. 8 . dificultam a movimentação de água e com isso aumentam o tempo de secagem da madeira. Além disso. pois o micélio destes fungos auxiliam o bloqueio da passagem da água. até esta atingir um teor de umidade de 10%.45g/cm3 a 70% de umidade. a presença de resinas e outros extrativos. pode-se dizer que quanto maior for a diferença entre a Ui e a Uf da madeira. Exemplo: 1) Qual o tempo necessário para secar tábuas de 25mm de espessura de uma conífera com massa específica igual a 0. Outros fatores: A presença de fungos manchadores e/ou apodrecedores dificultam o movimento da água no interior da madeira.

Os separadores devem ser de madeira seca e sem empenos sendo que sua espessura consta na tabela 02.4. A espessura dos separadores pode variar em função do clima da região. fazendo-se o controle do teor de umidade em intervalos regulares até que este atinja o valor desejado. para permitir a passagem do ar entre as tábuas e retirar a umidade da madeira. É importante que no empilhamento os separadores fiquem alinhados verticalmente. MÉTODOS DE SECAGEM 4. 9 . de acordo com Hildebrand. 1970 (06). Empilhamento: O método padrão de empilhamento é aquele em que as tábuas pré-selecionadas são colocados lado a lado formando camadas superpostas (Figura 2). Entre uma camada e outra colocam-se sarrafos ou tabiques chamados separadores. Figura 02 – Empilhamento padrão (“gradeado” ou “tipo caixa”). Em lugares úmidos usam-se separadores mais espessos para acelerar a secagem (até uma vez e meia a espessura das tábuas). para que haja uma boa distribuição do peso. que estará em função do uso final a que a madeira se destina ou até onde as condições climáticas da região permitirem. em função das diferentes espessuras das tábuas. a fim de evitar a incidência dos raios solares e da chuva. Secagem natural Consiste em empilhar convenientemente a madeira em local ventilado e preferencialmente coberto. um na mesma direção do outro. evitando empenos nas tábuas. Tabela 02 — Valores recomendados para as dimensões da secção dos separadores e as distâncias entre eles. Em lugares secos procede-se inversamente reduzindo-se a espessura dos separadores.1. Os valores da tabela 02 são apenas uma orientação de dimensões que vêm apresentando bons resultados.

Quando as pilhas são colocadas com o seu comprimento perpendicular à direção predominante dos ventos a velocidade de secagem aumenta. apoiadas a uma estrutura de madeira (figura 04). Quando de madeira devem ser usadas madeiras com grande resistência mecânica e resistência natural ao ataque de fungos e insetos. a maior velocidade secagem pode causar rachaduras. É muito utilizada em lugares úmidos.0m de altura desde que se disponha de uma empilhadeira ou outro recurso para isso (andaimes). para evitar a incidência direta no sol ou chuva na madeira. A altura das pilhas está em função da facilidade para empilhar. É também desejável uma pequena inclinação na cobertura da pilha para escorrimento da água. Apresenta desvantagens tais como: tendência a empenos como torcedura e arqueamento. a montagem é bastante rápida quando as armações já estão prontas. Quanto à distribuição das pilhas no pátio. Pode-se usar madeira tratada preferencialmente com creosoto sob pressão. Além disso. Em lugares muito úmidos esta largura pode ser reduzida a um metro para evitar que as tábuas no centro fiquem muito úmidas e sujeitas a degradação. a parte superior da peça seca mais rápido que a inferior causando desuniformidade de umidade ao longo da peça. as pilhas devem ser cobertas com telhas. A altura mínima para as fundações é de 20cm sendo que a ideal está em torno de 45cm. plástico ou mesmo tábuas consideradas inservíveis (refugos). A base das pilhas (fundações) faz parte do sistema de ventilação e destina-se a manter as pilhas a uma altura segura do solo. de forma a ser o mais durável possível. ocorrendo o contrário quando essa distância é aumentada. Existe outro tipo de empilhamento. principalmente em regiões de clima seco. 10 . se o comprimento é colocado paralelamente à essa direção (figura 06). devido a alta velocidade de secagem que apresenta. existe uma influência tanto na direção predominante do vento como da distância entre as pilhas. Pode se fazer pilhas com até 6. situando-se em tomo de 2. Pode ser de concreto ou de madeira.Figura 03 – Tipo de amarração entre as pilhas para aumentar a estabilidade. muito usado em regiões tropicais que é o empilhamento tipo tesoura. Consiste em dispor as peças de forma inclinada. e dispensa a colocação de separadores. Pilhas muito estreitas ficam com a estabilidade comprometida devendo ser amarradas umas as outras (figura 03). Reduzindo-se o espaço entre as pilhas aumenta-se o tempo de secagem. e diminui. principalmente como pré-secagem.5m. No caso do empilhamento a descoberto. Uma pilha de madeira tem em média 2m de largura. pois estes já fazem parte da armação.

O corpo de prova C é pesado e colocado em estufa a 103 ± 2°C para determinação do seu teor de umidade. procede-se como na figura 07. nesse mesmo instante (kg) TUi = Teor de umidade inicial da amostra-teste (%) Pi = Peso inicial da amostra-teste (kg) Exemplo: Determinou-se o teor de umidade incial de uma amostra teste. que representarão a umidade da pilha. antes da secagem. qual seu teor de umidade atual (TUa)? Aplicando-se a equação 03. escolhem-se amostras-teste.0 kg. sendo retiradas periodicamente para pesagens (figura 07). Pa = Peso da amostra-teste.Figura 04 – Empilham “tipo tesoura” usado para pré-secagem. fazendo-se a média de seus três teores de umidade. em lugares previamente estabelecidos. Devese fazer o mesmo com pelo menos três amostras-teste por pilha. sendo igual a 60%. tem-se: 11 .). conforme explicação anterior (ver item 2. as quais serão representativas da umidade da pilha. O teor de umidade do corpo de prova C é então o teor da umidade inicial (TUI) da amostra-teste.1. Para se determinar o teor de umidade de cada amostra-teste. Para se calcular o teor de umidade da pilha em um instante qualquer da secagem usa-se a equação 03: onde: TUa = Teor de umidade de uma amostra-teste em um instante qualquer da secagem (%). primeiramente. Acompanhamento da perda de umidade: deve-se. através do método da estufa. determinar o teor de umidade da pilha. Estas amostras ficam distribuídas na pilha. Sabendo-se que o peso inicial (Pi) da amostra-teste era de 12. baseando-se na média de seus teores de umidade. Como não é prático tomar o teor de umidade de cada tábua da pilha.0 kg e que seu peso atual (Pa) é de 9.

Espaçamento variável Figura 06 — Diversos arranjos para a formação do pátio de secagem. "B" — disposição com menor índice de evaporação. de acordo com Finighan & Liversidge.Figura 05 — Disposições nas pilhas no pátio determinadas através de empilhamento convencionais: "A" — disposição com maior índice de evaporação. (03) . 12 .

sendo capturada na estufa. 4. Durante a secagem. Secagem solar É considerado um processo intermediário entre a secagem ao ar livre. isto é. umidade relativa e circulação do ar. as quais são utilizadas para determinar a velocidade de secagem através de controles da temperatura e principalmente da umidade. aberturas. Utilizando-se ventiladores faz-se o ar circular por essa área de aquecimento e através da pilha de madeira. O secador solar utiliza a mesma fonte energética da secagem ao ar livre. Os secadores solares têm para isso. A principal desvantagens da secagem solar é. provocando a secagem. Nos secadores solares mais simples o ar pode ser aquecido cerca de 20°C acima da temperatura ambiente com uma temperatura máxima de 50-60°C. Figura 08 — Duas maneiras de se retirar corpos-de-prova para verificação do teor de umidade de uma amostra de controle. que não possui nenhuma forma de controle. o ar precisa ser renovado. a dependência das condições 13 . podendo levar a madeira a um teor de umidade final menor que a secagem ao ar livre (figura 08). A teoria de funcionamento desse processo está no principio do efeito estufa onde a energia solar incide sobre uma cobertura transparente ou translúcida. porém com mais eficiência.Figura 07 — Representação esquemática de um tipo de distribuição de amostras de controle numa pilha de madeira. a energia solar. Esta energia atinge uma superfície plana pintada de preto e é convertida em calor (ondas longas) que é refletida pela superfície transparente. a qual permite a passagem da energia solar incidente para o seu interior (ondas curtas). e a secagem artificial. que possui controle de aquecimento. da mesma forma que a secagem livre.2.

requer um operador experimentado que procurará manter as condições necessárias à secagem. abrindo ou fechando registros de acordo com um plano pré-estabelecido para a madeira que estiver secando. pode chegar a 100m3 (figura 10).3. Os parâmetros pré-estabelecidos são fixados num painel de controle. o que a torna bastante limitada Existem estudos para a utilização na secagem de madeira. A perda da umidade é acompanhada no painel por meio de sensores ligados a algumas tábuas dentro da estufa registrando o teor de umidade. A circulação do ar é realizada por um ou mais ventiladores. com total controle de temperatura. A indústria produz sofisticados sistemas automáticos para facilitar esses controles. Secagem convencional É o método de secagem artificial tradicional em que a madeira é secada numa estufa. Quando o controle é manual. de captadores solares mais complexos como os concentradores cilindro parabólicos usados para aquecimento de líquidos que transferem calor para as estufas através de circulação em serpentinas (trocadores de calor). 4. O sistema de aquecimento mais comum é através de serpentinas a vapor produzido em caldeira. 14 . de acordo com as características da madeira. Exige também o acompanhamento da perda de umidade através de pesagens de amostras-teste (Figura 08). de forma a requerer um mínimo de manipulações e ajustes para conduzir o processo. umidade relativa e umidade de equilíbrio. dentro da câmara. que usualmente é de 7 a 20 m3 e ocasionalmente.climáticas. de acordo com a capacidade da câmara. que são ajustados automaticamente de acordo com os parâmetros fixados no painel. operando numa faixa de 40 a 100ºC. Figura 09 —Esquema típico de um secador solar Controles — Uma câmara de secagem pode ser controlada manualmente ou automaticamente. O painel pode ter ainda sensores para temperatura. umidade relativa e velocidade do ar.

durante o processo de secagem. A aplicação de um programa de secagem é feita de maneira que o operador (controle manual) troca as condições dentro da estufa baseando-se em dados momentâneos do teor de umidade. contração.Figura 10 — Esquema de um modelo de estufa convencional Empilhamento – pode ser realizado diretamente dentro da câmara. obtidos através de amostras teste. no menor tempo possível. longitudinal – quando o comprimento das tábuas é paralelo ao comprimento da câmara. O programa correto deve possibilitar a obtenção da madeira seca com o mínimo de defeitos. Um bom operador de secadores tratará de fazer suas próprias modificações e adaptações. No caso de ventilação ser paralela ao comprimento da pilha. De qualquer forma é importante que a direção do ar circulante seja perpendicular ao comprimento das tábuas para que haja uma perfeita ventilação entre as camadas da pilha. a partir de um programa básico. ou externamente. sobre vagões que são conduzidos por meio de trilhos para dentro da estufa. Quando se seca sempre madeira da mesma espécie e da mesma espessura. O empilhamento pode ser cruzado ou longitudinal: cruzado – o comprimento das tábuas é perpendicular ao comprimento do secador. etc. 15 . diversas indústrias que fabricam secadores para madeira vêm acumulando programas que são fornecidos junto com seus equipamentos. o programa pode ser baseado no tempo. Programas de secagem – um programa de secagem é um plano para se aplicar a combinação correta de temperatura e umidade relativa à carga de madeira na estufa.) – Teor de umidade inicial – Teor de umidade final – Espessura do material – Uso a que o material se destina – Equipamento de secagem Para a maioria das espécies usadas comercialmente já existem programas de secagem elaborados por instituições de vários países. de maneira a obter uma secagem mais econômica e eficiente em sua própria estufa. as condições dentro da estufa são modificados dentro de intervalos de tempo conhecidos. determinados em secagem anteriores. Além disso. no momento apropriado. de acordo com o programa. destinando-se ao mesmo uso final. terão que ser usados separadores especiais (vazados. isto é. de forma a permitir a passagem do ar). Os principais fatores envolvidos na escolha de um programa de secagem são: – Espécie de madeira (densidade.

2. Quando a amostra mais seca alcançar um teor de umidade de cerca de 2% abaixo da média desejada para toda a carga. igual ao dessa amostra (tabela 03). o procedimento usual é o seguinte: 1. Se esse uso final da madeira seca tolerar uma certa variação de umidade. Entretanto. Para a igualação da umidade das peças ao final da secagem procedesse da seguinte maneira: 1. Para o acondicionamento. Tabela 03 — Teores de umidade de amostras-teste para igualação de uma carga de madeira 16 . 4% acima desse teor de umidade médio desejado (tabela 04). estabelece-se um teor de umidade de equilíbrio na estufa. Mantém-se então essas condições até que a amostra mais úmida atinja o teor de umidade final desejado para a carga.Exemplo de programa de secagem: Programa para Mogno (Swietenia macrophylla) A última etapa da aplicação de um programa de secagem é com relação controle de qualidade e as condições de umidade necessária ao produto final a ser confeccionado. deve-se elevar a umidade de equilíbrio dentro da câmara. Quando a amostra mais úmida atingir o teor de umidade médio desejado. em determinados usos como na fabricação de móveis. a uniformidade e a ausência de esforços como o endurecimento superficial são indispensáveis. o processo de igualação pode ser dispensado.

Continuar com o acondicionamento até que as amostras demonstrem que os esforços foram aliviados. Em muitos casos. uma bomba de calor. para madeira de alta densidade. a experiência do operador com diversas madeiras dá uma boa noção quanto ao tempo necessário de acondicionamento. Um desumidificador é termodinamicamente semelhante a um condicionador de ar. Usualmente isso requer de 12 a 18 horas por polegada de espessura. forçando-o a passar por um desumidificador. para madeira de baixa densidade e de 20 a 24 horas por polegada de espessura.4. aparelho usado para 17 . Secagem por desumidificação A secagem por desumidificação é conhecida também como secagem a baixas temperaturas. isto é.Teores de umidade de amostras-teste para acondicionamento de uma carga de madeira 4. Tabela 04 .2. Seu principio básico está na redução da quantidade de vapor d'água do ar. O teste do garfo (capítulo 05) para verificar o endurecimento é o mais confiável para determinar quando se deve parar com o processo de acondicionamento.

situando-se abaixo de 50% do consumo da secagem convencional (02) e há menor incidência de defeitos na madeira. A um desumidificador acoplado a uma câmara de secagem dá-se o nome de secador por desumidificação (figura 11). Apenas para situar em termos de velocidade de secagem. até 15% de umidade final. A válvula de termo-expansão regula a pressão e o fluxo do fluido. O evaporador e o condensador são trocadores de calor que utilizam um fluido circulante para a refrigeração. movimentado pelo compressor. um compressor e uma válvula de controle. causados pela secagem.remover calor de um ambiente com temperatura mais baixa para um ambiente de temperatura mais alta. com realização de trabalho mecânico. (em tomo de 40ºC) a secagem por desumidificação é bastante lenta quando comparada à secagem convencional. Estudos têm revelado também. seu custo de instalação é bem menor. por não necessitar de caldeira. em secadores por desumidificação. peças de cerejeira de 2 polegadas de espessura levaram cerca de 30 dias para ir de um teor de umidade inicial de 50%. o ar é movimentado através da pilha de madeira por um ou mais ventiladores. Como na secagem convencional. Por se processar à baixa temperatura. Entretanto. É basicamente composto por um evaporador. um condensador. Entretanto o ar úmido que vem da pilha é forçado a circular dentro do desumidificador para que parte do vapor d'água seja removida (evaporador) e para que o ar seja aquecido (condensador) (figura 12). 18 . que há um menor consumo de energia quando se seca madeira até cerca de 20% de umidade.

a circulação do ar pode ser feita de duas formas. quanto mais espessa for a peça de madeira. durante uma secagem em secadores. 19 . uma correta localização e controle das aberturas para entrada de ar seco e frio. as quais operam. e 5a) Dispensar a utilização de grandes pátios necessários para secagem natural de grandes volumes de madeira.2. VANTAGENS EM RELAÇÃO A SECAGEM NATURAL As principais vantagens da secagem em estufa em relação a secagem natural são: 1a) Redução do período de tempo de secagem. temperaturas maiores que as do ambiente externo e uma variação controlada da umidade relativa no seu interior. Circulação do ar As finalidades básicas da circulação do ar no interior de uma estufa são: 1a) Transferência de calor do sistema de aquecimento para o compartimento de secagem. podendo atingir uma velocidade variando entre 21 até 120m/min. VARIÁVEIS DIRETAMENTE RELACIONADAS COM O PROCESSO DE SECAGEM ARTIFICIAL De um modo geral.15m/s). esses três fatores devem ser controlados de maneira rigorosa. 5. o aumento da velocidade do ar. permitirá que aconteça a transferência da energia para as peças. Além disso. 5. a temperaturas inferiores a 100oC. a qual sendo maior que a da madeira. sendo menos vantajoso. Desta forma. quais sejam: 1a) sob condições naturais ou também chamada ao ar livre. porém são mais indicadas para umidades iniciais elevadas. em geral.2. a qual fundamenta-se no princípio de que o ar quente sobe e o ar frio desce. De um modo geral.5 SECAGEM CONTROLADA DA MADEIRA A secagem da madeira pode ser feita de duas formas básicas. a qual pode ser obtida através de circuladores de ar acionados eletricamente. em qualquer época do ano. (0. 5.1.35 até 2m/s). Temperatura (Sistema de aquecimento) Por temperatura.1. deve-se entender a temperatura do ar. Sendo que velocidade ao redor de 2m/s apresentase como mais econômica e eficiente.2. 3a) Possibilidade de eliminar ataques de fungos e insetos. quais sejam: 1a) Circulação natural. 3a) Misturar e condicionar o ar (UR e Temperatura) antes da sua passagem pela pilha de madeira. e 2a) através de estufas ou secadores. ou também conhecidas como secadores industriais. possibilitando em última análise. 4a) Redução da umidade da madeira a teores pré-determinados. podem proporcionar uma adequada circulação do ar. um maior giro de capital. o qual pode atingir uma velocidade de até 9m/min. Desta forma. 5. 2a) Circulação forçada. a fim de permitir uma secagem adequada da madeira. 2a) Distribuição de calor de maneira uniforme sobre todo este compartimento. a evaporação da água. bem como do ar quente e úmido.2. Velocidades superiores e esta podem ser usadas. favorecendo desta forma. uma estufa de secagem de madeira. e 4a) Remover a água da superfície da madeira. (0. Neste capítulo será abordado apenas a secagem em estufas. do ponto de vista econômico. a difusão e capilaridade e consequentemente. deve possibilitar uma circulação mais rápida do ar no seu interior. 2a) Maior controle sobre os defeitos de secagem. maior deverá ser a umidade relativa inicial e mais baixa a temperatura utilizada.

e b) Temperatura de bulbo úmido. um dos mais utilizados. de acordo com a umidade relativa. semelhante ao de uma sauna. quais sejam: a) A capacidade do ar em receber maior ou menor quantidade de vapor de água. Desta forma. c) Através da admissão de ar seco e frio do ambiente externo. Umidade relativa do ar (Sistema de fornecimento de vapor) A umidade relativa do ar está relacionada a dois fatores. e a óleo térmico. ou do programa de secagem de um modo geral. O controle da umidade relativa do ar dentro de um secador. uma maior ou menor quantidade de vapor de água é admitido no interior da câmara de secagem. ocasionando uma elevação da pressão de saturação do vapor de água. que fornece a temperatura do ar no interior do secador. 5.O aumento da temperatura influi na URA. e d) Através da eliminação do ar úmido e quente do interior do secador. Em uma secagem artificial podem ser distinguidos dois tipos básicos de temperatura: a) Temperatura de bulbo seco. e b) A remoção da água das camadas superficiais da madeira. b) Através do fornecimento de vapor.3. TIPOS DE SECADORES De uma forma geral.3.2. o ar poderá absorver mais vapor de água extraído da superfície da madeira. 4. Já quanto a circulação do ar elas podem ser classificadas como câmaras de circulação de ar natural e câmaras de circulação forçada. que possibilita calcular a umidade relativa do ar no interior do secador e a umidade de equilíbrio da madeira. as estufas podem ser classificadas quanto a sua forma de carregamento e quanto a circulação do ar no seu interior. Desta forma. cuja produção de vapor é controlada através de um termostato de bulbo úmido. quais sejam: a) Através do sistema de aquecimento. O sistema de aquecimento de uma secadora pode ser feito a vapor. pode ser feito através de quatro diferentes maneiras. O sistema de fornecimento de vapor consiste basicamente de uma caldeira ou gerador. Quanto ao seu carregamento as estufas podem ser classificadas como câmaras progressivas ou de túnel e câmaras descontínuas ou de compartimento. 20 .

mais uniformes e possivelmente um processo de secagem mais rápida. 6. Seleção por espessura Esta prática simplifica o entabicamento e. em função da espessura das peças e da espécie de madeira que formará a pilha a secar. sendo as principais descritas a seguir: 6. 6. o cerne e o alburno apresentam diferentes teores de umidade. Na Tabela X são apresentadas dimensões e distâncias entre separadores. principalmente.1. pode provocar empenos. com menores tensões de secagem.1. Obedecendo-se os critérios básicos. bem como. apresenta uma desvantagem que é a de perder este material que irá ser analisado. sempre que possível. podem dar origem a tábuas empenadas no final da secagem. madeira sem empenamentos. consequentemente. peças parcialmente secas ao ar com peças consideradas verdes. Portanto. em comparação com aquelas parcialmente secas.1. separar peças de cerne e de alburno. avaliadas e ensaiadas. A seleção pode ser feita de várias formas. PREPARAÇÃO DA CARGA NA SECADORA É de fundamental importância para que se possa obter um bom desempenho da secagem.3. 6. A falta de contato entre a tábua e o tabique. ele pode apresentar inúmeras vantagens. como por exemplo. de tal forma. SELEÇÃO E ENTABICAMENTO A seleção das peças de madeira simplifica a operação de entabicamento. para serem pesadas. 6. que possam ser removidas. tábuas com o mesmo comprimento. 6. 6.6. Em compensação. Seleção por teor de umidade Não é recomendável misturar num mesmo carregamento. facilitam a secagem. a secagem pois reduz o empenamento das peças e dos tabiques.2. bem apoiadas e alinhadas.1. podem reduzir sensivelmente os empenamentos. o carregamento deve ser composto por uma só espécie de madeira.1. resultando em uma desuniformidade do fluxo de ar através da pilha de madeira. proporcionam uma maior estabilidade à pilha de madeira. Estas amostras são colocadas em locais adequados na pilha. tais como: 21 . quando está se processando grandes volumes de madeira.5. que servirão como representativas da carga à secar. Seleção por comprimento Pilhas formadas com peças de diferentes comprimentos. pode-se conseguir ao final da secagem.1.1. Esta prática. Seleção por cerne e alburno Normalmente.2. O alburno seca mais rapidamente que o cerne. Ao contrário. As peças verdes requerem condições mais suaves de secagem inicial e também um tempo mais longo. Seleção por espécie Na medida do possível. bem como. é vantajoso. O uso de tabiques ou separadores. assegurando uma secagem mais rápida e uniformes. periodicamente. ou por espécies que apresentem características semelhantes.4. AMOSTRAS CONTROLADORAS São amostras de madeira previamente selecionadas. encanoamentos e torções. auxilia na obtenção de peças com similaridade em características de secagem.

o teor de umidade final e as tensões internas da carga. determinado através da expressão: TU = teor de umidade (%) Pu = peso úmido (g) Ps = peso seco (g) Outra amostra será utilizada para determinar a distribuição do teor de umidade na peça de madeira como um todo. e de 10 a 12 amostras para carregamentos acima de 236m3. uso final da madeira e nível de qualidade requerido. g) Reduzir o custo de secagem. são selecionadas três seções das amostras controladoras. Além disso. deverão ser. principalmente. 6.2. e h) Obter um material mais uniforme e isento de tensões internas. retiradas à 30cm das extremidades. são determinados. é recomendado a retirada de uma amostra de cada espécie selecionada. Seleção das amostras As amostras selecionadas para serem analisadas deverão ser preferencialmente aquelas contendo porções mais pesadas (maior massa específica). úmidas. Para lotes de madeiras heterogêneas. como regra geral. 6. grossas e também. 6. as seções que forem retiradas dessas amostras.4.1. seca ao nível de teor de umidade preconizado no início da secagem. Entretanto. este valor poderá ser estimado através do volume de madeira a secar. secas novamente em estufa e determinado seu teor de umidade. Número de amostras Depende. no mínimo 4 amostras para carregamentos de até 47m3.2. b) Obter um melhor controle do teor de umidade final desejado para a carga de madeira. f) Localizar possíveis focos de problemas que podem afetar o bom desempenho da estufa. medula e porções degradadas. Uma amostra servirá para determinar o teor de umidade médio da carga.2. Entretanto.a) Reduzir os defeitos de secagem. maior porcentagem de cerne. Porém. a fim de assegurar-se uma boa representatividade do grupo. Estas pequenas amostras são pesadas separadamente. sendo recomendado. das condições e características de secagem. o número de amostras também poderá ser determinado em função da experiência do operador da estufa. d) Melhorar a qualidade do material. de madeira sã e isentas de casca.2. para tanto. separam-se amostras pequenas do centro e da periferia da tábua. comparativamente. de aproximadamente 10cm de comprimento.3. Para tanto. e) Desenvolver programas de secagem em função do tempo. preferencialmente. devido à existência de muitas variáveis envolvidas neste processo. eficiência da estufa. devem ser descartadas aquelas que apresentarem nós. c) Reduzir o tempo de secagem da carga de madeira.2. 6. de acordo com RASMUSSEN (1968). Registros de dados de secagem 22 . Estimativa do Teor de Umidade Final e Tensões Internas Concluído o período de secagem. exceto quando o material for de muito baixa qualidade.

ao longo do período de secagem.3. defeitos observados. são os seguintes: espécie de madeira.Embora possam variar dependendo da situação em que a madeira for submetida a secagem. PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS CONTROLADORAS DE UMIDADE E SUA DETERMINAÇÃO AO LONGO DA SECAGEM O método consiste em efetuar pesagens constantes. classe. 4a) Determinar o teor de umidade das amostras 1 e 2 através da expressão: 5a) Calcular a média do teor de umidade entre as duas amostras 1 e 2 23 . data de corte. espessura. Para tanto. os dados a serem registrados. método e duração da estocagem antes e depois da secagem em estufa e data da expedição da carga de madeira seca. devem ser seguidas as etapas a seguir apresentadas.: 1a) Peça inteira 2a) Desprezar as extremidades da peça 3a) Selecionar amostras para determinação do teor de umidade em estufa a 103±2oC. em geral. a partir de amostras de madeira previamente selecionadas. teores de umidade. data de início da secagem. procedência. 6.

3. 4a) Amostra 1: massa úmida = 42g. comprimento = 2m. largura = 10cm As etapas 1.1.3. 2 e 3 são as mesmas descritas no item 5. massa seca = 16g 24 . Exemplo prático Pinus elliottii espessura = 25mm. através da seguinte expressão: 6.6a) Determinar a massa da amostra A 7a) Admitir que o TU médio é o teor de umidade da amostra A Onde: Mf = massa final (g) Mi = massa inicial (g) Tum = teor de umidade médio (%) 8a) Calcular a massa da amostra A para um teor de umidade a 0% (massa seca) através da expressão: 9a) Determinar o teor de umidade da amostra a qualquer momento.

qual será o seu teor de umidade ? 9a) Supondo que após uma semana de secagem a massa (M) da amostra A seja de 170g. qual será o seu teor de umidade ? 25 .5a) Teor de umidade médio entre as amostras 1 e 2 6a) Massa da amostra A 7a) Massa final da amostra A a 0% de teor de umidade 8a) Supondo que após 2 dias de secagem a massa (M) da amostra A seja de 300g.

como por exemplo para escadas. Aquece-se o ar no interior da estufa até a temperatura de bulbo seco desejada. Utilizando-se baixas temperaturas em torno de 40o a 60oC. entretanto. Quanto maior a espessura. durante um programa de secagem. são os parâmetros que regulam a passagem de uma etapa para outra. O teor de umidade da madeira e o período de tempo decorrido desde o início da secagem.2. inicia-se a fase de aquecimento da madeira. A temperatura inicial do termômetro de bulbo seco (tS) deve ser mantida até que toda a água livre tenha sido removida. CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PROGRAMAS 7. quanto para o da madeira. um terço da sua umidade inicial. 2a Etapa: Fase de Secagem Propriamente Dita Nesta fase inicia-se o processo de remoção da umidade da madeira. etc. que altas temperaturas e baixas umidade relativas proporcionam uma rápida redução da umidade da madeira. três etapas distintas são reconhecidas: 1a Etapa: Fase de Aquecimento Inicial Nesta fase o processo de secagem ainda não foi propriamente iniciado. HILDEBRAND (1970) sugere uma hora de aquecimento para cada centímetro de espessura da peça de madeira a secar. 6.1.2. Nesta fase. quando o centro das peças atingir um teor de umidade de aproximadamente 30%.. podendo a mesma ser reduzida a medida que a madeira vai perdendo sua umidade. Para madeiras de folhosas que não serão usadas em situações que exijam sua resistência máxima. 26 . RASMUNSSEM (1968) aconselha iniciar a redução da umidade relativa após a madeira ter perdido. 7. Umidades acima de 85% são indicadas para espécies de difícil secagem. temperatura e do gradiente de umidade dentre outras. pelo menos. raquetes de tênis. O período de tempo necessário para a remoção da água higroscópica pode variar em função de fatores tais como: massa específica da espécie. cabos de armas de fogo. da umidade da madeira até um teor pré determinado. Fora dessas situações. Normalmente utilizam-se umidades relativas elevadas acima de 85%. menor a temperatura. espessura da peça. as quais visam a redução. aviões. principalmente para madeiras susceptíveis a defeitos. sendo que os valores máximos para a temperatura variam de acordo com a espessura da madeira. por exemplo. Umidades elevadas devem ser utilizadas para se evitar possíveis colapsos ou rachaduras. com o menor número de defeitos possíveis. Também nesta fase procura-se equilibrar a temperatura a temperatura entre o ar e a madeira. A diferença higrométrica (tS – tU). deve-se dar preferência a temperaturas mais baixas. PROGRAMAS DE SECAGEM Consistem basicamente de uma seqüência previamente estudada de temperatura e umidade relativa. Sabe-se. TIPOS DE PROGRAMAS DE SECAGEM Basicamente existem três tipos de programas de secagem. tanto para o aquecimento do ar .7. Desta forma.1. A duração desta fase está em função da espessura da peça. Umidade – Temperatura Os parâmetros adequados de temperatura e umidade relativa a serem utilizados num programa de secagem são determinados em função da fase de secagem na qual a madeira se encontra. utilizam-se temperaturas mais elevadas e umidades relativas mais baixas de forma simultânea. não deve ser superior a 2oC. remove-se inicialmente a água livre ou capilar. Para a retirada da água de adesão ou higroscópica. estes parâmetros também podem significar sérios problemas de secagem. A temperatura poderá ser elevada de forma mais rígida. a saber: a) umidade – temperatura. o processo de remoção da água livre ocorre de forma relativamente rápida. mais rápida possível. Após atingir a temperatura de bulbo seco desejada no interior da estufa. as temperaturas podem variar entre 81oC até 92oC. b) tempo – temperatura e c) baseados no gradiente de secagem. apesar das baixas temperaturas e altas umidades relativas.

esta etapa poderá ser dispensada.5 – 3.5 como segue: 1.2. ao final da secagem.6 a 1.8 27 .5 Exemplos de gradientes de secagem de algumas espécies: Carvalho e Eucalipto: 1. em elevar de forma significativa a umidade relativa das peças de forma a umedecer as camadas superficiais das peças e desta forma.3a Etapa: Fase de Igualação (equalização) e Acondicionamento Dependendo do material e do processo de secagem.3. Peças de madeira que forem desdobradas novamente após a secagem. a eliminação das tensões internas. Qual será o gradiente de secagem desta carga de madeira? Segundo KOLLMANN e CÔTÉ (1968) o gradiente de secagem varia de espécie para espécie. basicamente.2. em um determinado momento. A elaboração destes programas tem sido. Programas Fundamentados no Gradiente de Secagem O gradiente de secagem ou também chamado de potencial de secagem. 7. O acondicionamento objetiva. tradicionalmente.8 – 2. suavizar o gradiente de secagem estabelecido durante o processo de secagem.2. Programas desta natureza. existirá uma variação em torno de 2% entre uma peça e outra. ainda assim. é a relação existente entre o teor de umidade médio da madeira e o teor de umidade de equilíbrio correspondente às condições do secador. devem receber este tratamento. 7. O gradiente de secagem pode ser calculado através da seguinte expressão: onde: GS = Gradiente de secagem TUm = Teor de umidade médio da madeira (%) TUE = Teor de umidade de equilíbrio da madeira (%) Exemplo: 1) Uma carga de madeira em secagem apresenta um teor de umidade médio igual a 20%. um processo de sucessivas tentativas e erros.0 – 3. Quando o resultado final da secagem for considerado bom. São mais utilizados para coníferas ou madeiras com uma estrutura anatômica mais uniforme.0 – 2. nem todas as peças encontram-se com o mesmo teor de umidade. A dificuldade em se obter uma equalização aumenta com o teor de umidade final desejado. em uma estufa cuja temperatura de bulbo seco é de 60oC e de bulbo úmido de 44oC. correspondendo a um teor de umidade de equilíbrio de 6%. Programa de Tempo – Temperatura São programas fundamentados basicamente no período de tempo no qual a carga de madeira deverá permanecer sob determinadas condições de temperatura e umidade relativa. o qual consiste. tornam necessárias constantes determinações do teor de umidade da madeira. principalmente.6 até 3. A equalização visa reduzir a variação de umidade que existe entre as peças de madeira da carga.6 – 1. com valores variando entre 1. decorrentes da remoção da água da madeira. tendo em vista que.

Prováveis defeitos de secagem.5 Araucária: 2.0 e um teor de umidade médio de 20%. de acordo com o teor de umidade da madeira no início de cada etapa. Na Tabela 01 é apresentado um exemplo de um programa de secagem para a espécie Imbuia (Phoebe porosa).0 a 3. a serem utilizadas na elaboração de programas de secagem. a finalidade para a qual ela se destina. .4. De posse desses dados e através da comparação destes com os de uma outra espécie cujo programa já foi estudado e definido. Assim. a espessura e o número de peças a secar. devem ser consideradas também.Massa específica. a melhor atitude a ser tomada será a de escolher um programa de secagem mais suave. grande parte dos programas foram estudados e definidos no exterior por pesquisadores estrangeiros. Na Tabela 02 são apresentadas algumas seqüências de temperaturas para secagem de coníferas. previamente. ESCOLHA DO PROGRAMA Quando não houver um programa definido para uma determinada espécie deve-se. respectivamente. que corresponda à espécie de madeira que apresente maior dificuldade de secagem.0 Exemplo: 1) Com a Araucária apresentando um gradiente de secagem igual a 2. a serem utilizados na elaboração de programas de secagem. . como o apresentado na Tabela 01. como o apresentado na Tabela 01. dentre uma carga de madeira a secar. pode-se determinar um programa que seja mais adequado para esta espécie. representando as diferenças entre as temperaturas de bulbo seco (tS) e bulbo úmido (tU).Instabilidade dimensional.Coeficiente de difusão. PROGRAMAS DE SECAGEM PARA MADEIRAS BRASILEIRAS No início dos estudos de programas de secagem para madeiras brasileiras. estudar em detalhe as características da espécies a secar.Pinus: 3. Além destas características. de acordo com uma seqüência previamente estudada de temperaturas (T3) e de diferenças higrométricas (D1). salienta-se as seguintes: . Quando. Nas Tabelas 03 e 04 são apresentadas algumas seqüências de diferenças higrométricas (tS ≠ tU) para folhosas e coníferas. 7.3. primeiramente. dentre outras características que devem ser analisadas. bem como. .Resistência à compressão perpendicular às fibras e. qual será seu teor de umidade de equilíbrio? 7. tivermos espécies com características diferentes das acima relacionadas. . 28 .

Nas Tabelas 05 e 06 são apresentadas algumas seqüências de temperaturas e depressões de bulbo seco e úmido. respectivamente. para secagem de madeiras em estufas convencionais. 29 .

04. 05 e 06. 30 .A Tabela 07 apresenta alguns programas de secagem para madeiras brasileiras de acordo com as seqüências apresentadas nas Tabelas 02. 03.

A Tabela 08 apresenta os programas de secagem utilizados pelo Laboratório de Produtos Florestais (LPF/IBAMA) para o estudo de madeiras brasileiras. 31 .

1. contribuindo para a exploração seletiva. principalmente no setor moveleiro.8. DEFEITOS NA SECAGEM 8. responsável pelo reduzido número de espécies atualmente comercializadas. Causas Os defeitos que ocorrem na madeira durante a secagem causam significativos prejuízos para quem seca madeira e desestimula a utilização de determinadas espécies susceptíveis a esses defeitos. De uma maneira geral empenos e rachaduras são causados por diferenças de contração da madeira ao secar (tanto por anisotropia quanto por gradientes de umidade desenvolvidos na madeira durante o processo de secagem). Figura 11 — Exemplo de um desumidificador acoplado à uma câmara de secagem Figura 12 — Esquema de funcionamento de um desumidificador 32 . por tensão hidrostática (que se desenvolve nas paredes das células podendo causar o colapso) e por tensões de crescimento.

toda contraída e ligeiramente ondulada. 33 .Existem cinco formas comuns de empenos: encanoamento. O arqueamento e o encurvamento são causados pela diferença na contração longitudinal entre duas faces opostas. denominado colapso. diagonal. as camadas da superfície tendem a contrair. ondulada. intercruzada. Diferenças de umidade entre a superfície e o interior de uma peça podem causar tensões denominadas endurecimento superficial. É resultante da diferença entre as contrações tangencial e radial. causam uma contração violenta das paredes celulares. Tensões longitudinais de crescimento podem causar arqueamento e encurvamento logo após o desdobro das toras. Ocorre preferencialmente em tábuas retiradas tangencialmente a tora. A tensão hidrostática nos lumens celulares é considerada a causa de um sério defeito na madeira. 0 encanoamento é causado pela maior contração paralela aos anéis de crescimento em relação à contração perpendicular. causando esses tipos de empenos. que a da parte externa. encurvamento. longitudinalmente. etc. causando os empenos e rachaduras antes da secagem. torcimento e forma de diamante. As explicações teóricas do mecanismo do colapso fogem aos nossos objetivos. Embora não estejam diretamente relacionadas com a secagem as tensões de crescimento podem causar também sérios empenos na madeira. o problema da remoção da água livre ou capilar contida na forma líquida nas cavidades celulares. Pode-se desenvolver uma tensão hidrostática dentro dos lumens das células que. é freqüentemente. no que são impedidas pelas células do centro que ainda estão úmidas. arqueamento. diagonalmente. como grã espiralada. porém pode-se dizer que o fator limitante na secagem das madeiras propensas ao colapso. de um canto ao outro da secção. com a madeira apresentando-se externamente. quando excede o limite proporcional. com temperaturas elevadas nessa face inicial da secagem. O torcimento é causado pela combinação de contrações diferentes e desvios da grã. É que a madeira da parte mais central da tora se contrai mais. quando a tora é desdobrada ocorre o desequilíbrio dessas tensões. Quando a Figura 13 — Formas mais comuns de empenos ocorrentes na madeira superfície seca primeiro que o centro. em peças de secção quadrada. da mesma peça de madeira. Então a superfície fica sob tensão e o centro sob compressão. Como essas tensões se desenvolvem durante o crescimento da árvore. A forma diamante é característica de peças com secção quadrada. quando os anéis de crescimento vão.

no segundo caso. em casos mais sérios. Rachaduras nos extremos das peças (rachas de topo) são causadas devido à secagem rápida dessas partes em relação ao resto. sob tensão. madeira juvenil e de reação. porém pode-se aplicar o teste do garfo durante a secagem para acompanhar o desenvolvimento de possíveis ocorrências de endurecimento superficial. e desvios localizados da grã em relação às faces e às laterais das tábuas. Empenos e rachaduras na madeira podem ser reduzidos através do desdobro adequado. causando o processo inverso. para verificar se todas as tensões já foram eliminadas. a contrair. Este teste é usualmente empregado durante o período de acondicionamento. isto é. pode reduzir o efeito de suas diferentes contrações. Figura 14 — “Teste do garfo” utilizado para verificação do endurecimento superficial. empilhamento. Aqui observa-se a correta orientação em relação aos anéis de crescimento. como a superfície foi impedida de contrair anteriormente. colocação de pesos e procedimentos de secagem: Desdobro – a primeira operação para se controlar a tendência a empenos é o ato de serrar. no primeiro caso causam rachaduras superficiais e. Se a madeira é susceptível ao 34 . No desdobro da madeira uma orientação planejada dessas características.Conforme a secagem progride o centro começa a secar e conseqüentemente. podem causar rachaduras internas em favo-demel (honeycomb). algumas providências podem ser tomadas para minimizá-los. 5. Os extremos começam a contrair rapidamente e como o restante da peça não acompanha. minimizando o aparecimento de defeitos. Entretanto. ocorrem as rachaduras que. Se as tensões forem muito fortes.2. O endurecimento superficial é constatado através do teste do garfo (figura 14). podem transformar-se em verdadeiras fendas causando grandes perdas de madeira. suas camadas de células vão impedir a contração normal do centro. a superfície fica sob compressão e o centro. Redução da incidência de defeitos na madeira Apesar de que pouco pode ser feito para prevenir a ocorrência de defeitos.

cera. Procedimentos de manutenção para garantir um perfeito funcionamento das serras evitando desvios na espessura das peças desdobradas. Para se evitar rachaduras nos extremos pode-se vedar os topos das peças com tinta a óleo. Deve-se evitar pontas livres na formação das pilhas. deverá haver separadores nas extremidades. Podem também ser utilizados nos extremos. As pilhas devem ser cobertas para evitar a exposição ao sol e a chuva que causam contrações e inchamentos alternados podendo agravar os empenos. o balanço ou ponta livre não deve exceder a 0. da peça de madeira. Empilhamento – a espessura uniforme é uma das primeiras providências para garantir um bom apoio das peças sobre os separadores durante o empilhamento. Separadores quebrados ou empenados devem ser evitados pois podem causar empenos. separadores mais largos (cerca de 60mm) para retardar a secagem e evitar rachaduras. há uma sensível redução do encanoamento. evita uma série de problemas. que freqüentemente apresenta contração longitudinal anormalmente alta. um verticalmente sobre o outro. Separadores de dimensões adequadas são importantes para manter a correta ventilação. é aconselhável desprezar a parte central das toras evitando que as últimas tábuas a serem desdobradas incluam porção de medula em uma de suas faces o que fatalmente causaria encurvamento nessas tábuas. etc. A parte mais próxima da medula pode conter madeira juvenil ou de reação. Por este motivo. "C" desdobro tipo "flat saw". resina."A" e "B" tipos de desdobro "quarter saw". verniz. facilitarão o seu perfeito apoio sobre os separadores durante o empilhamento.3m. diminuindo a 35 . sempre que possível. Quando as tábuas forem de tamanhos diferentes. evitando distorções que podem causar encanoamento e torcimento. As fundações das pilhas devem proporcionar um apoio firme e plano.encanoamento de ser desdobrada de forma a ter sua largura no sentido radial (quarter saw) em vez de no sentido tangencial (flat saw). Quando não for possível. O correto espaçamento dos separadores (tabela 02) e seu perfeito alinhamento. Se os anéis de crescimento estiverem orientados perpendicularmente à largura Figura 15 . Esses separadores podem ficar proeminentes cerca de 30mm em relação ao topo das peças.

36 . Nessa situação é necessário optar entre a maior velocidade de secagem com possibilidade de defeitos e uma secagem mais lenta. Umidades relativas baixas. Pode-se minimizar esses defeitos procurando desacelerar a secagem utilizando-se pulverização periódica de água sobre as pilhas para elevar a umidade relativa. mantendo-se mais úmidas. Procedimentos na secagem – na secagem convencional. Separadores menos espessos (até 10mm). principalmente em determinados meses do ano em que a umidade relativa do ar atinge níveis críticos. Na secagem natural em regiões de clima seco. Programas com temperaturas baixas no inicio da secagem são recomendados para madeiras com tendências a defeitos. porém com material de melhor qualidade. Isso ocorre porque o peso das tábuas de cima impede que as de baixo empenem. sobre as pilhas. Colocação de pesos – na prática. a aplicação de um programa de secagem correto pode reduzir bastante a ocorrência de defeitos. Quando utilizado o empilhamento inclinado. observa-se que as tábuas da parte de baixo da pilha apresentam menor índice de empenos que as de cima. espessura e nível de empenos que ela apresentar. um controle efetivo é conseguido usando-se pesos de 250 a 1000kg/m2 dependendo da madeira. esse não pode exceder de 3 a 4 dias para peças com uma polegada de espessura ou uma semana. existe sempre a possibilidade da ocorrência de rachaduras e empenos. no início da secagem. para aliviar essas tensões é essencial para madeiras que vão ser serradas novamente. O acondicionamento. para peças de duas polegadas. ao final da secagem. num processo semelhante à umidificação na secagem artificial. Segundo as pesquisas. pilhas mais largas e mais próximas umas das outras também podem contribuir favoravelmente para a menor incidência de empenos e rachaduras. Logo após esse período. Uma maneira de impedir que as tábuas de cima empenem é a colocação de pesos como blocos de concreto por exemplo. podem causar rachaduras superficiais e endurecimento superficial. apesar de reduzir sensivelmente a velocidade de secagem. a madeira deve ser empilhada horizontalmente (gradeado) ou empacotada para embarque se tiver secado o suficiente.incidência dos raios solares sobre as pontas.

Quanto maior esse diferencial. sendo que entre esses destacam-se: — ao ar livre — galpões abertos — galpões fechados • sem aquecimento • com aquecimento • com ar condicionado — Ao ar livre Em se tratando de madeira verde ou parcialmente seca. maior será. ou se for necessária uma secagem complementar.Proteção temporária para estocagem ao ar livre seu teor de umidade for igual ou superior à umidade de equilíbrio média local. plástico ou outro material impermeável qualquer. ARMAZENAMENTO DE MADEIRA Um dos grandes problemas encontrados pelos madeireiros e para quem trabalha com madeira de maneira geral é o do armazenamento ou estocagem. proteção lateral.). o ganho de umidade da madeira exposta. esta poderá ser armazenada ao ar livre sempre que Figura 16 . podendo propiciar o desenvolvimento de fungos. Tanto a madeira verde com a seca necessitam de cuidados especiais para o armazenamento buscando sempre preservar a qualidade do produto e reduzir as perdas causadas por defeitos produzidos pela ação do clima e pelo ataque de organismos xilófagos (fungos e insetos). devem ser empilhadas com o uso de tabiques conforme o procedimento da secagem ao ar livre. Este ganho dependerá ainda da secção transversal das peças de madeira e do grau de proteção dado às pilhas (cobertura. Pilhas sólidas (sem tabiques) podem ser utilizadas quando o teor de umidade da madeira for inferior a 20%.9. Se a madeira tiver sido seca até um teor de umidade menor que a umidade de equilíbrio. porém devem ser muito bem protegidas contra a chuva porque a água que penetra nesse tipo de pilha é de difícil evaporação. tenderá a absorver umidade. No caso da madeira seca. Essas pilhas devem ser cobertas com lonas. Madeiras com teor de umidade acima de 20% que precisam ser estocadas. 37 . etc. Diversos tipos de armazenamentos podem ser aplicados na prática. o procedimento deverá ser o mesmo descrito na secagem ao ar livre.

dependendo do uso. Essa absorção poderá ainda ser retardada utilizando-se pilhas sólidas (sem tabiques). 38 . Dependendo das condições climáticas até a madeira seca em estufa pode ser armazenada nesse tipo de galpão. terá sua secagem retardada e necessitará então de janelas para ventilação e de ventiladores para movimentar o ar fazendo-o circular pelas pilhas de madeira. Tratando-se de madeira parcialmente seca porém com teor de umidade acima de 20%. Se o teor de umidade estiver acima de 20%. deve ser entabicada. Podem ser usados para estocar madeira verde ou parcialmente seca. para a ventilação. – Galpões abertos Os galpões abertos (sem paredes laterais) proporcionam uma excelente proteção a madeira verde ou parcialmente seca. Se estiver abaixo de 20% e não for desejável que continua secando. . sol. se estocada ao ar livre. Os galpões abertos devem ser localizados em áreas ventiladas e bem drenadas. Como o galpão protege a madeira do sol e da chuva. pode ser empilhada sem separadores (pilha sólida). Madeira parcialmente seca pode ser estocada em galpões fechados sem grandes riscos de apresentar defeitos de secagem. devem ser envoltas em plástico. se entabicada em galpões fechados. Porém esta absorção tenderá ser mais lenta nos galpões abertos do que ao ar livre. tenderá a absorver umidade.A madeira seca em estufa a um teor de umidade abaixo do teor de umidade de equilíbrio. as pilhas sólidas são recomendáveis. No caso de estocagem de madeira verde. Devem ser grandes o bastante para permitir o remanejo da madeira e ter o piso suficientemente resistente para o caso da utilização de empilhadeira. para armazenamento de madeira serrada Os galpões abertos não oferecem uma boa proteção contra a absorção de umidade. Se o teor de umidade for abaixo de 20%. portanto a madeira seca em estufa a um teor de umidade inferior ao teor de umidade de equilíbrio. com lonas ou. tenderá a absorver umidade principalmente em dias úmidos. porém o seu uso mais indicado é a estocagem de madeira seca ao ar livre ou em estufa. vento etc. deve ser entabicada. a madeira deve ser entabicada podendo. Recomenda-se o empilhamento sem tabiques (pilhas sólidas) porém devem ser bem protegidas contra a chuva. Figura 17 — Galpão aberto. A madeira verde. há uma sensível diminuição do fendilhamento e das rachaduras nos extremos das peças estocadas. Para continuar secando. complementarmente serem instalados ventiladores para movimentar o ar através das pilhas. esta deve ser entabicada devendo também ser mantido um bom espaçamento entre as pilhas.Galpões fechados Oferecem uma boa proteção contra chuva.

Como a elevação da temperatura provoca a diminuição da umidade relativa do ar e. a quantidade de calor necessária não é muito grande. tenderá a secar. a circulação do ar. Se a madeira seca. É desejável. da umidade de equilíbrio. obviamente.Madeira seca em estufa. essa absorção ocorre de uma maneira muito lenta. resistências elétricas ou outro meio qualquer.equilíbrio externo. Com o aquecimento. abaixando. através de serpentinas a vapor. Os galpões fechados e aquecidos são excelentes para o armazenamento de madeira seca em estufa até um teor de umidade de 12% ou menos. pode-se fixar a umidade de equilíbrio dentro do galpão num valor igual ou bem próximo ao teor de umidade da madeira estocada. Ligando-se e desligando-se os aparelhos pode-se conseguir um controle. devido ao aumento da umidade relativa do ar. com teor de umidade em torno de 10 a 12%. Outra forma de se fixar a umidade de equilíbrio dentro do galpão. Quando a madeira que absorveu umidade for exposta a condições de umidades relativas mais baixas. consequentemente. nesse caso. reduzindo ao mínimo a influência da flutuação do teor de umidade de. 39 . A escolha do melhor sistema de estocagem estará sempre em função do teor de umidade desejado. quando estocada em galpões fechados. assim a umidade relativa dentro do galpão. empenamentos. rompimento de uniões e rompimento nas linhas de cola em painéis mesmo quando empilhados sem separadores (absorção nas extremidades). Como esses aparelhos resfriam o ar forçando-o a passar através de um trocador de calor (superfície fria). Se a madeira for empilhada com separadores isso acelerará a absorção de umidade. da umidade relativa do ar. redução das dimensões com rompimento de uniões em produtos acabados e empenamentos. no processo de resfriamento o ar perde umidade por condensação. das condições climáticas locais e. que poderá ser proporcionada por ventiladores. devendo contudo em épocas úmidas. para armazenamento de madeira serrada alta umidade relativa. pode absorver umidade em épocas chuvosas. pode-se aquecer os galpões fechados. num valor igual ou bem próximo ao teor de umidade da madeira estocada é a utilização de aparelhos de ar condicionado. Como a temperatura requerida é normalmente de 5 a 10°C acima da temperatura ambiente. ou produtos fabricados ficarem estocados por longos períodos em condições de Figura 18 — Galpão fechado. poderá ocorrer uma excessiva absorção de umidade que poderá resultar em problemas tais como: inchamento da peça inteira ou de algumas partes. (com teor de umidade abaixo do teor de umidade de equilíbrio). reduzirse o período de estocagem. até certo ponto preciso. podendo aparecer rachaduras. Devido à proteção dada pelo galpão. das possibilidades de investimento da empresa.

em diversos tipos de estocagem 40 .Figura 19 — Variação do teor de umidade de madeira seca em estufa.