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Cálculo preliminar das cargas máximas sobre a viga suspensa dos pórticos

do AT1-Externo
Luiz Felippe Estrella
Aureo Pinheiro Ruffier
Carlos Kleber da Costa Arruda
CEPEL, 06/03/2008

INTRODUÇÃO
O CEPEL, com recursos da ELETROBRÁS, do Fundo Setorial gerido pela FINEP e próprios do
Centro, está revitalizando alguns laboratórios visando estar capacitado para o desenvolvimento de
linhas de transmissão de alta capacidade, tanto em corrente alternada quanto em corrente
contínua.
O desenvolvimento dessas linhas de transmissão tem por objetivo dotar o Setor Elétrico de
alternativas em corrente alternada até 1100 kV e em corrente contínua até  800 kV, capazes de
escoar a energia hidrelétrica gerada nas usinas a serem implantadas na Região Norte do país
para os centros de carga nas Regiões Sudeste e Nordeste.
Dentre os laboratórios a serem revitalizados destacam-se o Laboratório de Alta Tensão Externo,
que devido as suas características passou a ser denominado de Laboratório de Ultra Alta Tensão
(UAT) e a Gaiola de Testes, vide Figura 1.

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AP2
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IGUAÇÚ

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RIO

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CERCA

UTILIDADES SUL

UTILIDADES NORTE

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VI
VII

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CASA DE CONTRÔLE
L0NGDIST

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LABORATÓRIO DE UAT

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GAIOLA DE TESTE

FIGURA 1 – Arranjo da Unidade Adrianópolis do CEPEL, destacando o Laboratório de UAT e a Gaiola de Teste
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entretanto. em corrente alternada. A área de ensaio desse laboratório terá um espaço útil de 200 m de comprimento. visando minimizar esforços transversais. DIMENSIONAMENTO PRELIMINAR DO LABORATÓRIO DE UAT Dados gerais Vãos: . 60 m de altura e 60 m de largura e a concepção inicial considera 3 pórticos. em delta e em nabla (delta invertido) e configurações bifásicas dispostas verticalmente. configurações trifásicas em arranjos horizontais. 2 . Quanto a Gaiola de Teste prevê-se a reforma da instalação existente segundo o projeto original. uma revisão do mesmo. Poderão ser ensaiados em corrente contínua. FIGURA 2 – Disposição preliminar da área de ensaio do laboratório de UAT As estruturas de ancoragem deverão dispor de partes móveis para permitir gerar as configurações de ensaio. os 3 pórticos são usados e com 3 feixes de condutores e. Prevê-se a montagem dos arranjos de ensaio ao nível do solo e o posicionamento na altura de ensaio com movimentação das vigas auxiliares de cada pórtico de uma forma sincronizada. configurações bipolares horizontais. vide Figura 2.CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS LABORATÓRIOS O Laboratório de UAT permitirá ensaiar.120m. não dispensando. cada um equipado com uma viga auxiliar móvel visando a montagem de configurações de ensaio e 2 estruturas de ancoragem das configurações.

18 Ruptura(N) 101897 119702 252303 167310 Tabela 1 – Propriedades dos condutores.41 3 8x Rail 120 67807 1065 430927 301649 2. EDS adotada: 10% Os condutores adotados são Tern.64  8x Rail 549 302763 211935 10. apenas os 2 pórticos laterais são usados e com 2 feixes de condutores. cada um pesa 20000 N. Cálculo das cargas máximas sobre a viga móvel dos pórticos do AT1-Externo. Peso adicional 3 pórticos – 3 feixes 2 pórticos – 2 feixes Pórtico central 24000 N 0N Pórtico lateral 60000 N 40000 N Tabela 2 – Peso adicional nos pórticos. Rail.1 15. Vão Peso 10% EDS 0. Tern Rail Trasher Dipper Peso (N/m) 13.. Trasher e Dipper.9 22.7x10%  dos (m) no vão (Newtons) EDS Feixes Flecha(m) diâmetros (N) (Newtons) (mm) 120 56358 972 366829 256780 2. e no pórtico central devido às cadeias de isoladores e ferragens conforme mostrado na tabela 2. Além do peso dos condutores.240m.41 3 12x Rail 1055 501930 351351 2. ver tabela 1.35 3 12x Tern 120 45204 710 287284 201099 2.72  6x Trasher 240 106223 240 90409 710 287285 201099 9. 3 .43 3 10x Dipper 120 79814 240 75154 648 244552 171187 9.2 Diâmetro(mm) 27.64  12x Rail 704 334620 234234 9.77 35.72  10x Dipper 240 106419 Tabela 3 – Propriedades mecânicas dos feixes.40  12x Tern 240 60273 473 191523 134066 9. considera-se ainda o peso adicional nos pórticos laterais devido aos ‘yokes’.00 29. A figura 3 mostra o esquema geral de um pórtico juntamente com o motor de içamento da viga móvel e o contrapeso. Possibilidades de combinações elétricas A tabela 3 mostra os diversos feixes escolhidos para os condutores adotados e suas propriedades mecânicas que são utilizadas posteriormente para cálculo dos carregamentos dos pórticos.59 45.7 36.

Z T Y V v e n to X Figura 4 – Carregamento de vento Rompimento dos feixes Esta hipótese visa considerar um eventual rompimento do sistema de ancoragem dos feixes nos pórticos laterais. da sustentação das vigas móveis. A figura 5 mostra o esquema do carregamento de ruptura. da amarração dos feixes e da operação de içamento das fases. Considera-se vento IEC lateral de 115km/h na média de 10 minutos para um terreno de rugosidade classe ‘B’ a 10 metros de altura do solo. Hipóteses de carregamentos: Vento lateral A carga lateral de vento deve ser calculada segundo especificações da ANEEL a qual preconiza a IEC60826. onde V vento é a carga vertical atuante na viga móvel e T é a força transversal devida ao vento. 4 .V ig a s u s p e n s a 60m 60m C o n tr a p e s o M o to r Figura 3 – Esquema geral do pórtico. onde V rup é a força vertical atuante na viga móvel e L é a força longitudinal devida à ruptura. A carga vertical é igual à totalidade da carga vertical dos feixes no vão considerado. e um vento de rajada 160km/h na média de 3s. A figura 4 mostra o esquema de carregamento de vento.

1. como para o vão de 240m. função do vão L G c ( hm50.44 .44 já é maior que o quadrado da relação entre as velocidades de 160 e 115km/h que vale 1. por isso considera-se que ambas possuem a mesma carga de vento.02959  64982 Newtons 2  3. 2. Vvento = 2 x 64982 = 129964 N Metade da carga de vento para 3 feixes.225   .94.0 . pois o coeficiente Gc igual a 2. h m  50m . terreno B.   1. V  115 km / h (10m de altura. 0. IEC60826) Vão L = 120m G c – coeficiente da IEC60826. para 1 feixe de 12xRail.959cm Velocidade do vento. função de h m e terreno G L . Carga lateral de vento. T. d  2.0   2 1 m/s  K BR V10 G c GL L d . Diâmetro do Rail. 10min. 1. K B min R 1 2 2 1  115  T  12 . 120 . Vvento = 3 x 64982 / 2 = 97473 N A tabela 4 mostra os carregamentos de vento nos pórticos central e lateral para os vãos de 120m (3 pórticos) e 240m (2 pórticos) para os 2 feixes considerados.Z Y L V R u p X Figura 5 – Carregamento de ruptura Carregamento de vento A análise da tabela 3 mostra que os piores carregamentos se devem às configurações de 12xRail e 10x Dipper tanto para o vão de 120m. . Carga de vento para 3 feixes. sua carga é menor que a calculada acima. Vvento = 3 x 64982 = 194946 N Carga de vento para 2 feixes.B )  2. vão de 120m: Altura média dos cabos.fator de vão. Nota-se que essas duas configurações possuem cargas verticais diferentes.6  T  12 Quanto ao vento de rajada de 160km/h. O somatório dos diâmetros é praticamente igual em ambas as configurações. Carga Pórtico central Pórtico lateral Vão / Feixe 120m 3 12x Rail 120m T Vvento T 194946 N 67807 + 24000 = 91807 N 97473 N 67807 + 60000 = 127807 N 194946 N 97473 N 5 .44 G L( L 100m )  1.225kg / m 3 . calculada apenas para 12xRail.

Carregamento de ruptura A análise da tabela 3 mostra que o feixe de 10xDipper é o pior caso tanto em peso como em tração no cabo. Figura 7 – Rompimento da sustentação da viga móvel de um pórtico lateral. sendo portanto o único feixe considerado no caso carregamento de ruptura dos feixes ou mesmo de içamento das fases. Caso 2 – Esta hipótese se aplica no caso de rompimento da sustentação da viga móvel de um pórtico lateral.3 10x Dipper Vvento 79814 + 24000 = 103814 N 79814 + 60000 = 139814 N T Vvento --------------- 129964 N 90409 + 40000 = 130409 N 240m T  10x Dipper Vvento --------------- 129964 N 106419 + 40000 = 146419 N 240m  12x Rail Tabela 4 – Carregamentos dos pórticos para vento. de sua ancoragem ou dos feixes condutores. Esses carregamentos podem ser desmembrados em 4 casos. Figura 6 – Içamento de 3 10x Dipper. Caso 3 – Içamento do conjunto formado por 2 feixes de 10 condutores Dipper cada usando os 2 pórticos com vão de 240 metros. de sua ancoragem ou dos feixes condutores conforme mostra a figura 7. Este caso se aplica apenas se os yokes dos pórticos laterais forem ancorados somente após o içamento completo até a posição final. Este caso se aplica apenas se os yokes dos pórticos laterais forem ancorados somente após o içamento completo até a posição final. como explicados abaixo: Caso 1 – Içamento do conjunto formado pelos 3 feixes de 10 condutores Dipper cada usando os 3 pórticos com vão de 120 metros. 6 .

925m e no caso de 2 10x Dipper é 9. 7 . As flechas adotadas no estado de repouso para o caso de 3 10x Dipper é 1. e a carga vertical de 24000 N refere-se ao peso das cadeias de isoladores e ferragens no pórtico central. igual à metade do valor de 79814 N da tabela 3. Tanto os feixes de condutores. L. atingindo a EDS adotada de 10%. A análise estrutural é não-linear geométrica. A figura 7 do caso 2 mostra a carga vertical de 39907 N a qual se refere aos cabos caídos no chão do lado rompido. O vão de cabo condutor é discretizado em 20 elementos de treliça.Figura 8 – Içamento de 2 10x Dipper. como os cabos de sustentação foram modelados com barras de treliça com tração inicial para eliminar singularidades na matriz de rigidez inicial do sistema em repouso. V rup. sua deformada exibe uma flecha total que será igual àquela mostrada na tabela 3 para 3 10x Dipper(vão de 120m) e 2 10x Dipper(vão de 240m). e horizontal longitudinal. Caso 4 – Esta hipótese se aplica no caso de rompimento da sustentação da viga móvel de um pórtico lateral ou de sua ancoragem conforme mostra a figura 9.20m. no intuito de se obter as forças vertical. desenvolvido pelo próprio autor. peso da viga móvel de 170000 N e peso dos 3 yokes igual a 60000 N. Figura 9 – Rompimento da sustentação da viga móvel de um pórtico lateral ou de sua ancoragem. atuantes na viga superior do pórtico para seu posterior dimensionamento. Os valores de flecha adotados na discretização são tais que após atuação do carregamento de peso próprio do cabo condutor. A figura 8 mostra a discretização para estado de repouso do caso 1 e a figura 9 mostra a respectiva deformada obtida após atuação dos carregamentos de peso próprio. Os 4 casos ilustrados acima foram analisados no programa ‘Estruturas’.

Figura 11 . ambos do Cepel. vide tabela 5. ambos da TECHNIP e Luiz Felippe Estrella Junior e Carlos Kleber da Costa Arruda. ficou acertado o seguinte: a) Que para efeito do carregamento de ruptura. os valores nominais adotados no projeto são Vrup = 300000 N e L = 150000 N. algumas precauções devem ser tomadas: 1 – A carga de tração dos cabos não deve ultrapassar 10% da tração de ruptura.Figura 10 – Estado de repouso da discretização do caso 1. A análise desta tabela mostra que a pior situação é o caso 4. As reações no apoio superior da figura 10 são as forças atuantes no pórtico.Deformada do caso 1. Notas finais Durante o uso do UAT. 8 . Carga Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Vrup (N) 271408 275494 283779 285249 L (N) 68540 67116 85154 112116 Tabela 5 – Esforços atuantes nos pórticos para carregamentos de ruptura e içamento. A tabela 5 mostra as forças atuantes nos pórticos para os 4 casos em questão. 2 – Qualquer outra configuração de condutores diferente daquelas mostradas na tabela 3. seus valores de carga não devem ultrapassar os valores mostrados na referida tabela. Na reunião realizada no dia 02 de setembro de 2009 na TECHNIP com os engenheiros João Vellozo e Eliane Ramos.

9 .b) A velocidade de içamento dos guinchos será da ordem de 1 metro para cada 5 minutos. minimizando o impacto sobre a estrutura. eliminando efeitos indesejáveis de amplificação dinâmica dos esforços.