You are on page 1of 28

1

UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE-UNIVLLE
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

VIVÊNCIA ONCOLÓGICA: A PERSPECTIVA DE PACIENTES INFANTIS

ADAM ASIN
EVELISE FELICIANO LEITE
JADE GROSSKOPF
JULIANA PEREIRA
LUANA NAGEL DE LIMA
Professora Ana Carolina Wolff Mota

2

Joinville-SC
2015
ADAM ASIN
EVELISE FELICIANO LEITE
JADE GROSSKOPF
JULIANA PEREIRA
LUANA NAGEL DE LIMA

VIVÊNCIA ONCOLÓGICA: A PERSPECTIVA DE PACIENTES INFANTIS

Projeto de pesquisa apresentado para o comitê
de ética da Universidade da Região de
Joinville – UNIVILLE – como requisito para a
aplicação de pesquisa da disciplina de Estágio
Curricular Supervisionado, sob a orientação da
professora Ana Carolina Wolff Mota.

3

Joinville – SC
2015
SUMÁRIO
DESENHO.............................................................................................4
RESUMO..............................................................................................4
INTRODUÇÃO.......................................................................................5
HIPÓTESES...........................................................................................6
OBJETIVOS...........................................................................................6
Objetivos Primários................................................................................................................................6
Objetivos Secundários................................................................................................... 6
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................7
1. Câncer Infantil.................................................................................................. 7
2. A Infância e o Diagnóstico................................................................................... 7
3. O Afastamento da Escola..................................................................................... 9
4. A Hospitalização............................................................................................. 11
5. Processos de Subjetivação.................................................................................12
6. Utilização de Desenhos como Forma de Pesquisa.....................................................13
METODOLOGIA...................................................................................14
CRITÉRIO DE INCLUSÃO........................................................................15
CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO......................................................................15
ANÁLISE CRÍTICA DOS RISCOS................................................................15
BENEFÍCIOS........................................................................................16
METODOLOGIA DE ANÁLISE DE DADOS.....................................................18
DESFECHO PRIMÁRIO...........................................................................18
CRONOGRAMA....................................................................................19
ORÇAMENTO......................................................................................20
REFERÊNCIA......................................................................................20
ANEXOS.............................................................................................24

4

DESENHO

O presente projeto apresenta os delineamentos da pesquisa intitulada “Vivência
oncológica: a perspectiva de pacientes infantis”. Esta investigação tem por objetivo identificar
os processos de subjetivação do paciente infantil em sua vivência oncológica. A pesquisa terá
como alvo crianças com idade entre 5 e 11 anos internadas em um hospital e que possuam
diagnóstico de câncer. A coleta de dados se dará através de entrevistas com as próprias
crianças, partindo de desenhos produzidos por elas e seguidos de um diálogo com perguntas
norteadoras. As entrevistas ocorrerão em um hospital de Joinville (SC), com o consentimento
deste e com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) devidamente assinado
por seus pais e/ou responsáveis. Ressalta-se que as entrevistas serão gravadas, para o processo
de análise de dados, em que ocorrerão suas transcrições literais. Após esse momento inicial de
contato com os dados, as respostas serão tabeladas e analisadas comparando-as com a
literatura já existente, buscando atender ao objetivo da pesquisa, em consonância com o
proposto pela metodologia da análise de conteúdo. Para que quaisquer danos aos participantes
sejam evitados pela publicação, as transcrições serão identificadas por uma letra, assim como
serão ocultados seus nomes e demais envolvidos para não haver prejuízos a nenhuma parte.

RESUMO

O câncer é uma doença que causa danos biopsicossociais e pode modificar toda a dinâmica da
vida do sujeito. Na criança, devido sua vulnerabilidade, a doença pode desestruturar o seu
desenvolvimento que está em maturação, sendo que modifica sua rotina escolar, familiar e
suas atividades com seus pares. Este projeto, intitulado “Vivência oncológica: a perspectiva
de pacientes infantis”, objetiva identificar os processos de subjetivação do paciente infantil
em sua vivência oncológica, compreendendo as mudanças ocorridas em sua vida, tanto em
aspecto físico, emocional, quanto a experiência da hospitalização. Para atingir a este objetivo,
serão realizadas entrevistas com crianças de 5 a 11 anos, que estejam internadas em um
hospital e que possuam diagnóstico de câncer. Essas entrevistas se pautarão em um desenho
que a criança produzirá com a temática do “dia a dia no hospital”, sendo seguidas de um
diálogo com perguntas norteadoras. Essas entrevistas serão gravadas e transcritas literalmente.
A participação da criança acontecerá mediante o aceite do hospital e da assinatura do TCLE
(termo de consentimento livre e esclarecido) por seus pais. Após as entrevistas, as mesmas
serão analisadas e comparadas com a literatura existente. Esta pesquisa se pautará na

5

abordagem metodológica da Psicologia sócio-histórica, por enxergar a criança como um ser
construído socialmente.

6

Palavra chave: processo de subjetivação, vivência, oncologia infantil.
INTRODUÇÃO

Dentre as inúmeras doenças existentes na sociedade moderna, o câncer vem ganhando
grande destaque, não somente devido às proporções que está alcançando, mas também as
diversas pesquisas que estão sendo realizadas na área da saúde. Segundo o INCA (2014), a
estimativa de casos de câncer em diversas neoplasias é de crescimento na população geral.
Tratando-se de Câncer Infantil, os dados do INCA apontam que a primeira causa de morte por
doenças em casos infantis é devido ao câncer.
Diante de um tratamento complexo que envolve quimioterapias, sessões de
radioterapia e possíveis efeitos colaterais debilitantes, a vulnerabilidade emocional e as
mudanças de rotina de um paciente oncológico infantil fazem com que este indivíduo
necessite de atenção redobrada. Tanto a família quanto a equipe de saúde precisam estar
preparadas para lidar com essa demanda e facilitar a vivência desta durante sua internação em
um hospital. Há muito contra o que se lutar, efeitos colaterais das medicações, alterações
psicofisiológicas, questões escolares e de ter que conviver com pessoas e procedimentos que
são estranhos à criança. Assim como ponderou Souza (2012), as reações emocionais da
criança frente ao tratamento de câncer serão sempre acompanhadas pela ansiedade e também
pelo medo, pois a criança não possui conhecimento amplo sobre o tratamento e também o
possível risco que essa doença apresenta para a sua vida. Em situações como essa, em que o
jovem é acometido pelo câncer, a ligação entre ele e a família, em especial a mãe, torna-se
voltada para a proteção, para a busca de segurança, ocasionando em determinados momentos
omissão de informações criticas sobre o tratamento para proteger a criança de possíveis
ansiedades causadas pelo mesmo.
É de suma importância a busca por um melhor entendimento das condições
emocionais da criança para evitar maiores sofrimentos, auxiliando também na melhora parcial
da sua saúde e evitando condições de estresse que viriam a complicar ainda mais seu processo
de tratamento (MOTTA, 2004).
O impacto da hospitalização causa na criança uma mistura de diferentes emoções. O
ambiente onde sua realidade acontecia modificou-se devido à internação e, muitas vezes,

7

mantendo-se assim de meses a anos. Oliveira et al (2004) ressalta que o ambiente hospitalar
deve se tornar mais humanizado para que possa receber esses pacientes infantis, ainda mais
àqueles que permanecem no hospital por mais de um trimestre. Essa experiência da doença
terá um impacto significativo no desenvolvimento do curso de vida do indivíduo.
Enfatiza-se a importância de se conhecer os processos de subjetivação das vivências
oncológicas para a criança, além do essencial conhecimento que os profissionais envolvidos
precisam ter desta temática. As expectativas são de que os resultados desta pesquisa possam
ser úteis tanto para a equipe de saúde quanto para os familiares que procuram se informar
sobre a doença, ressaltando a necessidade de se explorar o ponto de vista infantil da doença e
suas repercussões.

HIPÓTESES
As inquietações que circundam a realização desta pesquisa pautam-se nas seguintes
pressuposições dos achados a serem alcançados, quais sejam:
- A criança sofre grandes mudanças físicas e emocionais durante um tratamento que
requer internação;
-A rotina da criança se altera devido uma dificuldade de ir à escola e de brincar com
seus amigos, e isso causa sofrimento na criança;
- Ela não possui clareza de seu diagnóstico e prognóstico, não compreendendo
exatamente porque se encontra no hospital;
- Devido à hospitalização e ao forte tratamento que sofre, sente falta das atividades
anteriormente “normais” e rotineiras (correr, brincar com os amigos e ir para a escola);
- Os pais mudam sua forma de agir com a criança após o diagnóstico, lhes concedendo
muito mais atenção e tempo que antes;
- O hospital oferece pouca ludicidade para a criança se entreter e esquecer um pouco
de seu sofrimento;
- O tratamento é doloroso, fazendo-as sentir indisposição e com medo da dor;
OBJETIVOS

8

Objetivo Primário
Identificar os processos de subjetivação do paciente infantil em sua vivência oncológica.
Objetivos Secundários

Identificar a percepção da criança acerca das possíveis mudanças físicas e emocionais
que ocorreram na sua vida após o diagnóstico da doença;

Investigar o impacto das alterações da rotina na subjetividade da criança;

Averiguar como a criança compreende a sua patologia e como lida com o tratamento;

Verificar como a criança percebe a relação entre seus pais com a mesma após o
diagnóstico;

Conhecer a percepção da criança sobre as brincadeiras oferecidas pelo hospital.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1. Câncer Infantil

O câncer é uma doença que vem crescendo em proporções notáveis, atingindo
crianças, jovens, adultos e idosos, não fazendo distinção de gênero, situação financeira, raça
ou credo, Froelich (2011, p. 134) confirma isto ao pontuar que “o câncer está entre os maiores
causadores das mortes na atualidade e cada vez mais vem sendo enfrentado por diferentes
grupos na sociedade”. O INCA (2014) define o câncer como sendo “o nome dado a um
conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno)
de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras
regiões do corpo”. Sabendo-se que esta doença pode ter múltiplas origens, é de extrema
imprevisibilidade e pode acarretar danos (como sociais, financeiros e psicológicos) tanto ao
sujeito quanto aos que o cercam. Na infância, segundo Froelich (2011, p. 134) os cânceres
mais comuns “são as leucemias (glóbulos brancos), tumores do sistema nervoso central e
linfomas (sistema linfático)”.

2. A Infância e o Diagnóstico

9

A infância é um período de muitas mudanças e de desenvolvimento significantes para
a formação do sujeito. Cardoso (2007, p. 31) afirma que,
A infância é um período crucial na vida de qualquer sujeito. É na infância, a partir
das vivências das relações familiares e sociais como um todo, que o indivíduo
constrói sua relação com o próprio corpo, com o mundo externo, e a partir daí
adquire uma estrutura de personalidade que vai ser a base para todas as suas
experiências futuras.

Partindo disto, é possível refletir o quanto o diagnóstico do câncer em uma criança
pode transtornar a vida desta e de seus familiares. Cardoso (2007, p.31) pondera que, sendo a
doença é um evento inesperado e indesejável, pode causar sequelas físicas e psíquicas que
serão marcantes para a criança. A rotina desta é completamente alterada e seus hábitos infantis
tornam-se algo limitado pela doença e pelo tratamento.
Sobre o diagnóstico ainda, Dávila (2006 apud CARDOSO, 2007) explana de forma
bem relevante, a reação das crianças frente a descoberta da doença, sendo que os pais
desempenham um papel significante, pois o autor coloca que as crianças não compreendem
direito o que esta ocorrendo com ela, então os pais acabam por transmitir sua reação frente ao
diagnóstico para a criança. Enfatiza, então, que quanto mais a família for orientada, melhor
será seu manejo da situação e menor será o sofrimento da criança.
Costa e Lima (2002 apud FROELICH 2011) complementa que o diagnóstico de câncer
infantil poderá interferir em toda a dinâmica familiar, sendo que a doença é muito mais
complexa do que questões físicas, visto que ela atingirá a dimensão psicológica do paciente e
da família que precisará participar do processo de tratamento de forma ativa.
Borges et al. (2006, p. 364) afirma ainda que,
O adulto, por sua vez, frequentemente tem a concepção errônea de que a criança não
compreende a morte e as questões que a envolvem, o que favorece atitudes
inadequadas, como evitar o assunto, tenta minimizar o próprio sofrimento para
poupar a criança, utilizando eufemismos e mentiras que muitas vezes a confundem.

Mediante isto, nota-se como pode ser discrepante a visão da criança sobre sua doença,
comparado aos que o cercam (familiares e profissionais), sendo que na literatura é mais
frequente encontrar pesquisas que apresentam a perspectiva dos profissionais que estão em
contato com ela e de seus familiares em sofrimento. Sem dúvida são estudos necessários e

10

significantes para a compreensão do sofrimento vivido por todos ao se deparar com seres tão
pequenos e já hospitalizados. Todavia, há carência de estudos que exponham a perspectiva da
criança sobre estar doente e ter toda a sua vida mudada, e grande parte das pesquisas
disponíveis com esse enfoque é internacional, geralmente, não sendo condizente com as
realidades socioeconômicas do Brasil.
A doença impõe modificações na vida da criança e exige readaptações frente à nova
situação, além de estratégias para o seu enfrentamento (VIEIRA e LIMA, 2002 apud CRUZ,
2008). Ao falar do câncer infantil e da hospitalização dessas crianças, alguns pontos são
relevantes, já que como Sousa et al (2009) explica, diferentes âmbitos da vida da criança
serão alterados, haja vista que o psicólogo hospitalar deverá trabalhar para que este mantenha
o equilíbrio, que poderá ser perdido ao ocorrer a internação, por que a criança será retirada do
seu convívio familiar, haverá privação das brincadeiras e da vida escolar, sendo obrigada a se
envolver em tratamentos e relacionamentos com pessoas estranhas em situações
imprevisíveis, onde se encontram bastante fragilizadas. Portanto, a perspectiva da criança, o
ambiente hospitalar se torna dicotômico, pois por um lado há o sofrimento imposto pelo
tratamento, por outro lado há esperança da possibilidade de cura e retorno do equilíbrio e
saúde que lhe foram tirados, representando, assim, uma dualidade de significados (VIEIRA e
LIMA, 2002 apud CRUZ).
O ambiente hospitalar pode não ser visualizado somente como local de sofrimento e
dor, devido aos procedimentos técnicos, como ambiente hostil, com pessoas
desconhecidas e equipamentos assustadores. Assim, as brincadeiras, o lazer, a
alegria e o respeito à sua individualidade modificam esse ambiente, tornando-o mais
próximo de sua realidade. Mesmo estando doente e hospitalizada, a criança mantém
essa necessidade de brincar e, por meio dessa atividade, pode comunicar seus
medos, angustias, afetos e alegrias, tendo a possibilidade de se deslocar de uma
posição passiva, a condição de paciente, para uma mais ativa, passando à ação e
desenvolvendo suas potencialidades (VIEIRA e LIMA, 2002 apud CRUZ, 2008, p.
374).

Essas alterações que ocorrem na vida da criança são devido a uma internação muitas
vezes difícil e de sofrimento conjunto, sendo que Barros e Lustosa (2009, p. 123), ponderam
que
a rotina hospitalar é bastante desgastante, pois frequentemente são submetidas às
condutas terapêuticas: visitas, exames, ingestão de medicamentos, atividades, e a
algumas situações variadas como: normas e rotinas rígidas de horários de
alimentação, repouso, impossibilidade de locomover-se, morte, necessidade de
colaboração de outras pessoas, que podem agravar seu estado clínico, sua condição
psicológica e social, dificultando desta forma sua adaptação durante esta fase.

11

Um aspecto que se altera na vida da criança, principalmente as que são diagnosticadas
com câncer terminal, é sua visão de vida e morte. Torres (2002 apud BORGES et al, p.365),
elucida que o
ponto importante a ser considerado é o impacto de uma doença crônica grave e/ou
terminal sobre a conceituação da criança acerca da morte. A criança terminal sabe
que vai morrer, e isto lhe causa maior sofrimento quando está em jogo o afastamento
das pessoas queridas. Estudos revelam que a criança portadora de uma doença grave
tem uma concepção mais amadurecida da morte do que seus pares que não
experienciam tais circunstâncias.

3. O Afastamento da Escola
As crianças que estão hospitalizadas são obrigadas a se defrontar com outra
dificuldade significativa na vida dela que é o afastamento da escola e de suas atividades com
seus pares. Cohen e Melo (2010) relatam que mesmo a criança estando em um cenário pouco
confortável como o hospital e possuindo um diagnóstico médico, precisa-se pensar nesse seu
afastamento da escola, pois após a doença a criança poderá se defrontar com a possibilidade
de fracasso escolar e de inúmeras dificuldades em seu trajeto acadêmico.
Paterlini e Boemer (2008, p. 1154) também destacam a importância de se ter um olhar
pra vida escolar da criança com câncer,
A agressividade do tratamento, o número de internações hospitalares de consultas
médicas, o número de procedimentos invasivos, o estado físico e mental da criança e
do adolescente devem ser levados em conta na programação da volta à escola. As
crianças e os adolescentes portadores de uma doença grave e enfrentando um
tratamento, seja ele paliativo ou curativo, provavelmente não serão capazes de
frequentar a escola da mesma maneira que os outros alunos, cumprindo seus
horários e demandas escolares. Portanto é de suma importância à modificação da
rotina escolar, das expectativas acadêmicas, do suporte educacional, da flexibilidade
com o excesso de faltas e da perda de provas e trabalhos, permitir auxílios
domiciliares e hospitalares.

Fonseca (1999, apud MENÇA e SOUSA, 2013, p. 7) expõe a busca de tornar a
escolarização da criança hospitalizada menos defasada e a tentativa de sociabilizar estas
crianças, de forma a sua estadia no hospital não ser tão sofrida.
A formulação da Política Nacional de Educação Especial (MEC/SEESP, 1994 e
1995) propõe que a educação em hospital seja realizada através da organização de
classes hospitalares, devendo-se assegurar oferta educacional não só às crianças com
transtornos do desenvolvimento, mas também às crianças e adolescentes em
situações de risco, como é o caso da internação hospitalar.

12

Mença e Sousa (2013, web, p. 7) complementam que
A classe hospitalar tem por objetivo recuperar a socialização da criança por um
processo de inclusão, dando continuidade a sua aprendizagem. A criação de classes
escolares em hospitais é resultado do reconhecimento formal de que crianças
hospitalizadas, independentemente do período de permanência na instituição ou de
outro fator qualquer, têm necessidades educativas e direitos de cidadania, onde se
inclui a escolarização.

Anders (2004 apud PATERLINI e BOEMER, 2008, p. 1154) mostra a importância que
a equipe de saúde, escola e familiares têm. Afirma que as três partes precisam trabalhar em
conjunto quando a criança retornar a rotina escolar, seja durante ou pós o tratamento, pois esta
poderá enfrentar grandes obstáculos. Estas crianças poderão se deparar com medos,
desinformações, curiosidades e zombarias na própria escola, pois poderá ser vista como
diferente das demais devido às mudanças que ocorreram na sua aparência física (alteração de
peso, alopecia e uso de máscara de proteção em torno do nariz e da boca).
Challinor (2007 apud PATERLINI e BOEMER, 2008, p. 1155) pondera sobre o
retorno à escola e o confronto que a criança precisará ter com seus pares, em que
Os colegas devem receber informações de acordo com a idade referentes a saúde de
seu colega doente. Quando poucas informações estão disponíveis pela equipe de
saúde e familiares, fofocas e especulações no ambiente escolar surgirão. Rumores e
conjecturas, geralmente errôneos, sobre a doença da criança ou do adolescente são
prejudiciais.

Cruz corrobora a afirmativa, enfatizando que frequentes hospitalizações, além dos
sintomas do tratamento e das limitações físicas, acarretam atraso e prejuízo a seu aprendizado,
podendo levar a criança a abandoná-lo (VIEIRA e LIMA, 2002 apud CRUZ, 2008).
4. A Hospitalização

Destaca-se que há a busca de minimizar a angústia da hospitalização. Pois além da
mudança do ambiente e do afastamento da escola e dos “amigos” habituais, as crianças com
câncer passaram pelo processo doloroso do tratamento. Costa e Cohen (2012, p. 61) apontam
que “a intervenção vai no sentido de não recuar diante do mal-estar que é inerente ao próprio
tratamento oncológico e, que em muitas situações pode servir para fazer desaparecer o desejo
da criança, destituindo-a do lugar de sujeito”.

13

Complementando este argumento, Ribeiro e Ângelo (apud SANCHEZ e EBELING,
2011, p.188), defendem que “as diferentes fontes de estresse podem referir-se ao medo da dor,
das agulhas, procedimentos invasivos e o receio de ser afastado dos familiares”. Sobre isso,
Françoso (2001 apud PATERLINI e BOEMER, 2008), também argumenta que o tratamento
da criança pode se tornar ainda mais doloroso, pois é agregado a ele a preocupação do adulto,
sendo assim o tratamento pode tornar-se ainda mais longo, complexo e agressivo,
caracterizando um período de estresse para a criança e seus familiares.
Sobre isto, uma das mudanças percebidas é a relação pais e criança, sendo que todos
encontram-se em sofrimento, negação, porém percebe-se a necessidade de uma união maior
do que em qualquer outro momento. Mença e Sousa (2013, web), ressaltam que a participação
dos pais e a estadia deles com a criança hospitalizada é relevante, eles podem auxiliar na
observação da criança em diferentes situações e por mais tempo que o profissional que a
acompanha, sendo que os pais são referência fundamentais para elas, seu apoio é
imprescindível para o tratamento e enfrentamento da mesma.
Diante dos dados coletados a partir da literatura, notou-se como é importante conhecer
as vivências da criança com câncer, sendo que Rocha (2005 apud CRUZ, 2008, p. 48)
sustenta que,
Conhecer as crianças permite aprender mais sobre as maneiras como a própria
sociedade e a estrutura social dão conformidade às infâncias; sobre o que elas
reproduzem das estruturas ou o que elas próprias produzem e transformam através
da sua ação social; sobre os significados sociais que estão sendo socialmente aceites
e transmitidos e sobre o modo como o homem e mais particularmente as crianças –
como seres humanos novos, de pouca idade – constroem e transformam o
significado das coisas e as próprias relações sociais.

Ao ouvir a criança em seus anseios e sofrimentos, busca-se evitar que, por estar
internado, perca sua identidade e seja mais um número de prontuário, uma doença, por se ver
longe de tudo que é seu: casa, objetos pessoais, atividades rotineiras, e dependente de uma
equipe de saúde que possivelmente jamais havia visto (CARDOSO, 2007). Acaba por tornarse frágil, desamparado e sem saber o que esperar da vida. Clamando por empatia e
sensibilização por parte de todos, principalmente se for uma criança que ainda está apenas no
início da vida.

5. Processos de Subjetivação

14

A subjetividade tem sido tema recorrente em todas as teorias que existem no campo da
psicologia, cada uma delas parte de pressupostos teóricos que trazem como fundo aspectos
epistemológicos relevantes na constituição do sujeito. A perspectiva socio-histórica enfatiza o
papel da realidade social na formação do sujeito individual. É uma abordagem da psicologia
que estuda a forma como a cultura e o social, permeados pela história, contribuem de maneira
determinante para a constituição desse sujeito (ROSSETO e BRABO, 2005).
Subjetividade, de um modo geral, referia-se às experiências vividas pelo indivíduo que
seriam íntimas, pessoais e únicas, ou seja, totalmente originais e intransferíveis. Mas
Vygotsky olhou para a ciência psicológica de maneira diferente, “acreditou que o eixo teóricometodológico da psicologia, necessariamente, passaria pelo reconhecimento e valoração do
sujeito” (MOLON, 2003, p. 18), defendia, então, a unidade entre a psique e o comportamento,
mas não a identidade desta. Afirmava, então, que havia a correlação direta entre fenômeno
subjetivo e fenômeno objetivo, ou seja, o processo de subjetivação era originário de relações
objetivas que este sujeito mantinha com o seu entorno enquanto este se apropriava do
ambiente em que estava inserido.
Trazendo para a temática do projeto, o processo de subjetivação na criança vai ocorrer
levando em conta aspectos socioculturais que são característicos do ambiente hospitalar em
que está inserida. A apropriação deste mundo se dá através da significação que a criança dá a
cada novo elemento apresentado a ela na dimensão ontogenética.
A significação que a criança vai dar do ambiente hospitalar vai ser mediada
principalmente pela equipe de cuidadores e por seus pais. A criança terá que lidar com todo
um novo sistema de signos e símbolos, próprios do ambiente hospitalar e da patologia a qual
está acometida. Note que a forma como esta mediação ocorre é totalmente relevante no
processo de subjetivação da criança.
É importante ressaltar que, embora passando por situações semelhantes e modos de
significação advindos de estímulos similares no contexto social, os indivíduos produzem
modos de significação distintos, "[...] são afetados de diferentes modos pelas muitas formas
de produção nas quais eles participam - também de diferentes maneiras" (SMOLKA, 2000, p.
31).

6. Utilização de Desenhos como Forma de Pesquisa

15

Corroborando com a premissa metodológica desta pesquisa, Derdyk (1989) destaca o
poder da imagem visual, o desenho, como forma de comunicação e significação infantil.
Segundo a autora, o desenho dá oportunidade de que o mundo interior se confronte com o
exterior e a observação do real se depare com a imaginação e o desejo de significar. O
desenhar é, também, instrumento de simbolização, de generalização, de abstração e de
classificação, ressaltando ainda que este envolve diferentes operações mentais como
selecionar e relacionar estímulos, além de simbolizar e representar, favorecendo a formação
de conceitos.
Vygotsky (1988) afirma que ao dar sentido ao desenho, a criança constitui sua
realidade conceituada, e não material. A priori o objeto que representa no papel é reconhecido
quando esta expressa verbalmente seu parecer sobre o que está representando graficamente.
Identifica, então, o objeto pela sua similaridade com a realidade em que vive, consolidando a
expressão ao verbalizar acerca da própria obra.
[...] o desenho da criança deve ser considerado não apenas como uma modalidade de
expressão ou de representação da realidade, mas também como o resultado de
atividade intencional envolvendo aspectos cognitivos e emotivos no seu ajuste à
realidade com a qual convive" (DI RENZO et al., 1997 apud PEREIRA, 2006, p. 5).

Pillar (1996, p. 51) ainda afirma que “[...] ao desenhar, a criança está interrelacionando seu conhecimento objetivo e seu conhecimento imaginativo”.

METODOLOGIA

Para o desenvolvimento da investigação serão entrevistadas crianças que encontram-se
hospitalizadas entre a faixa etária de 5 a 11 anos que possuem o diagnóstico de câncer.
O processo de coleta de dados será feito por meio de entrevistas semi-estruturada,
sendo que para abordar a criança o grupo utilizará de um desenho que está produzirá sobre
seu dia a dia no hospital. Francischini e Campos (2005, apud CRUZ, 2008) apresentam a
importância da técnica de desenho e pintura, em que se tem por objetivo a representação de
algo, tanto interno quanto externo à criança e envolvem a coordenação de mecanismos
biológicos. As autoras ainda afirmam que é uma forma da criança discursar sobre si, seus
sentimentos e percepções, que é o objetivo deste projeto. Todavia o desenho servirá apenas
como uma forma para iniciar um diálogo com a criança, sendo que este diálogo será gravado e
se pautará em perguntas norteadoras que possuirão o propósito de atender aos objetivos. A

16

aproximação e realização da entrevista pelo grupo ocorrerão em duplas para não intimidar a
criança com a presença de todos os cinco integrantes.
Mediante a diferença de maturidade entre a faixa etária da demanda desta pesquisa,
nota-se a importância e necessidade das perguntas norteadoras serem adaptadas durante o
diálogo de forma a se tornar compreensível para cada criança, respeitando seus limites e sua
individualidade.
O material obtido por meio das entrevistas será submetido à análise de conteúdo. Tal
como explica Franco (2003, p.14),
“[...] a Análise de Conteúdo assenta-se nos pressupostos de uma concepção crítica e
dinâmica da linguagem [...] entendida, como uma construção real de toda a
sociedade e como expressão da existência humana que, em diferentes momentos
históricos, elabora e desenvolve representações sociais no dinamismo interacional
que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação”.

Desta forma, será feita a transcrição literal das entrevistas e a atribuição de uma letra
como referência para cada um dos participantes. Após esse primeiro contato com os dados,
finalizada sua coleta, ocorrerão leituras recorrentes com foco na Psicologia Sócio-histórico e
buscando familiarizar-se com os conteúdos expressos, mesmo que subjacentes. O
estabelecimento das categorias virá a posteriori considerando os temas que emergirem das
falas, do conteúdo das respostas, exigindo um constante ir e vir do material de análise à teoria
procurando identificar e explicar os padrões encontrados nos significados das falas das
crianças, relacionando-os à literatura pertinente ao tema desta pesquisa.
Faz-se necessário esclarecer ainda que as crianças, pais e/ou responsáveis e o hospital
somente participarão mediante assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
respaldando de forma ética os sujeitos e demais envolvidos na pesquisa.
CRITÉRIO DE INCLUSÃO

Para a participação na pesquisa, os critérios a serem utilizados para inclusão são: os
participantes serem crianças que estejam hospitalizadas com diagnóstico de câncer e estejam
em tratamento, tendo idade mínima de 05 anos e máxima de 11 anos, identificadas pelos
pesquisadores.
Estas crianças devem estar hospitalizadas e em condições de interagir com o grupo por
meio de fala e expressão gráfica (desenho). Além disso, a aceitação dos participantes na

17

pesquisa está condicionada a assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
sendo que está assinatura caberá aos pais ou responsáveis.

CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Os critérios de exclusão para a pesquisa pautam-se na inexistência de um ou mais
critérios de inclusão expostos anteriormente no item.
ANÁLISE CRÍTICA DOS RISCOS
Baseando-se no código de ética, serão tomadas as devidas providências para que as
entrevistadas não tenham seus nomes ou quaisquer dados que possam comprometê-las de
alguma forma publicados.
A participação dos mesmos se dará de forma voluntária, sendo que eles e seus pais
poderão ou não participar da pesquisa. Haverá também a permissão da instituição hospitalar
para que seja efetuada a pesquisa, todavia é necessário enfatizar que não serão citados os
nomes destas instituições ou funcionários.
Haverá o contato com os pais juntamente com a criança para investigar o interesse de
participar da pesquisa, caso se disponham a participar, haverá o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido – TCLE, que será assinado pelos pais e/ou responsáveis, devido os
participantes serem menores de idade, autorizando-os, assim, a utilização dos dados na
divulgação dos resultados da pesquisa. Caso não seja assinado, as crianças não poderão
participar da pesquisa.
O contato com a criança no momento da entrevista será feito com a devida cautela,
para evitar que hajam consequências negativas decorrentes do mesmo nesse momento de
fragilidade física e emocional.
Os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, assim como todo o material da
coleta de dados, após a conclusão do estudo ficarão sob a guarda dos pesquisadores
responsáveis, pelo tempo mínimo de cinco anos, e após será destruído e descartado. Ressaltase ainda que os pesquisadores se utilizarão de letras/nomes fictícios na apresentação dos
resultados finais da investigação, assegurando o sigilo e o cuidado na forma de identificação
dos participantes e demais envolvidos na pesquisa.

18

BENEFÍCIOS
Sabe-se que uma pesquisa realizada com crianças é extremamente delicada, porém a
literatura clama por estudos com este foco, “a criança”, por ser de grande escassez os
documentos que abordem este tema. Rocha (1999) aponta o quanto as crianças ainda são
pouco ouvidas, predominando as vozes dos adultos. Como aponta a autora, em geral, são
realizadas pesquisas sobre crianças e não com crianças (ROCHA, 1999 apud CRUZ, 2008).
Ao falar sobre sentimentos e sofrimentos da criança na ala oncológica é essencial terse a perspectiva subjetiva desta, pois cada um sente, pensa e sofre de maneiras distintas.
Vieira e Lima (p. 375, 2002 apud CRUZ, 2008) sugerem a importância de se ver o olhar que
parti da criança, “ao dar voz às crianças/adolescentes, percebemos a dimensão que a doenças
tem em suas vidas, a qual é vivenciada de forma singular, ou seja, como uma experiência
pessoal”. Cruz (2008, p. 14), ressalta esta importância e as possíveis consequências positivas
de se realizar pesquisa com as crianças,
O que as crianças falam pode subsidiar ações a seu favor e contribuir para mudanças
que as beneficiem, porque o seu ponto de vista traz elementos que fortalecem
pessoas e entidades preocupadas com os interesses das crianças e que desenvolvem
ações para construir melhores condições para que a criança viva a sua infância.

Para complementar esta ideia, Sousa et al (2009, p. 4), apresenta a realidade vivida
pelo paciente oncológico atual ao chegar à um hospital,
O despreparo dessa equipe em considerar os aspectos mentais e sociais acaba por
afetar um possível quadro de desequilíbrio psicológico, advindo da hospitalização. A
preocupação em considerar os aspectos mentais e sociais do paciente é de
fundamental relevância, principalmente quando se refere ao tratamento de crianças,
já que essas se encontram vulneráveis fisicamente e psicologicamente perante a
doença, as restrições e a necessidade de cuidados constantes de pessoas estranhas,
como o enfermeiro e o médico.

Mediante este discurso é evidente a importância deste projeto, ao abordar as crianças
sobre sua visão da doença, da hospitalização e das transformações que essas crianças sofrem,
pode-se preparar de forma muito mais adequada essas áreas dos hospitais e os profissionais
que atuaram nela, preocupando-se sempre com o bem-estar da criança e de seus familiares.
Vieira e Lima (2002 apud CRUZ, 2008, p. 375) ponderam que
considerando que a criança e o adolescente vivenciam sentimentos e situações
complexas no cotidiano da doença crônica, é importante que os profissionais de
saúde conheçam essas demandasse as incorporem ao plano de cuidados, visando a
uma intervenção efetiva para a promoção do crescimento e desenvolvimento da
criança.

19

Além dos aspectos já citados, há outro ponto de extrema importância que este projeto
possibilitará, a elaboração e realização de outras pesquisas que possam enfocar a perspectiva
da criança com câncer, podendo-se pesquisar aspectos relacionados com o tratamento, a vida
escolar, a recuperação, o pós-doença, entre outros assuntos de real relevância
Por último, Rocha (2005 apud CRUZ, 2008, p. 46) afirma que,
Deixar as crianças falarem não é suficiente para o pleno conhecimento de sua
inteligibilidade, ainda que nem isso tenhamos conquistado no campo científico e da
ação; depende da efetiva garantia de sua participação social e da construção de
estratégias, em especial no âmbito das instituições educativas da qual fazem parte e
que têm representado espaços e contexto privilegiados das vivências da infância.

Não basta fazer estudos apenas sobre crianças, é necessário ouvi-las, trabalhar com
elas, adentrar este mundo infantil, para então compreender todo o seu sofrimento, assim como
suas perspectivas de vida. Só haverá melhoras nos procedimentos de cura ou cuidados
paliativos com criança, quando descobrir do que as crianças necessitam durante essa difícil
vivência.

METODOLOGIA DE ANÁLISE DE DADOS

Durante toda a investigação, desde a concepção do presente projeto, e destacadamente
na análise dos dados obtidos com a investigação, o embasamento epistêmico norteador pautase na Psicologia Sócio Histórica.
A análise de dados ocorrerá entre os meses de agosto e outubro, sendo que esta análise
ocorrerá em três etapas, Primeiramente, as respostas obtidas serão transcritas literalmente. Na
segunda etapa, as respostas serão comparadas, procurando identificar pontos em comum no
conteúdo das respostas dadas pelas entrevistas, assim como dissonâncias e hiatos. E por fim,
na terceira etapa, serão elaborados categorias e eixos de discussão, ambos representantes do
conteúdo coletado. Essas categorias e eixos serão interpretados com base na literatura
existente sobre o tema, identificando e explicando os padrões, as inconstâncias e as ausências
encontradas.

20

DESFECHO PRIMÁRIO

Espera-se que no decorrer desta pesquisa seja possível caracterizar como o paciente
infantil significa sua vivência enquanto paciente oncológico, que se desvende a forma como
este internaliza as reações emocionais e físicas decorrentes da doença e do tratamento, suas
alterações na rotina e a compreensão que este tem da patologia.
Enquanto que o enfoque da maioria dos estudos relacionados é na equipe de saúde e
cuidadores, talvez por ser um grupo mais acessível dentro dos desafios da pesquisa, o
empenho do presente estudo é o foco na perspectiva da criança. Colocando-a no centro e
utilizando-se de formas não invasivas de investigação, pretende-se através desta pesquisa
compreender como a criança vivencia a experiência de possuir uma doença com uma carga
emocional e física tão intensa.
As expectativas são de que os resultados possam ser úteis tanto para a equipe de saúde
quanto para os familiares que procuram se informar sobre a doença, enfatizando a necessidade
de se explorar o ponto de vista infantil da doença e suas repercussões.

21

CRONOGRAMA –

ATIVIDADES A SEREM
MAI DESENVOLVIDAS
ABR
JUN
JUL AGO
O
Realização de orientações com professora
X
X
X
X
X
Envio projeto de pesquisa Comitê de Ética em
X
Pesquisa da Univille
Correções projeto de pesquisa após devolutiva
X
Comitê de Ética em Pesquisa da Univille
Contato com sujeitos para participação na
X
X
pesquisa1
Coleta dos dados2
X
X
Transcrição dos dados coletados
X
Análise dos dados obtidos
X
Elaboração dos resultados obtidos
Apresentação final do artigo
Envio dos resultados finais para periódicos
Obs: O calendário está sujeito a alterações e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.

SET

OUT

NOV

DEZ

X

X

X

X

X
X

X

X
X
X

X
X

1 Esclarece-se que o contato com as participantes da pesquisa somente ocorrerá após a aprovação do projeto de pesquisa
pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Univille.
2 Esclarece-se que a coleta de dados ocorrerá somente após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Univille.

22

ORÇAMENTO
As despesas referentes à operacionalização do presente projeto estão descritas a
seguir:
Tabela 1 – Gastos referentes à pesquisa
RECURSOS
Deslocamentos
Alimentação
Materiais de expediente
(caneta, pendrive, papel A4, tinta para impressão, gravador)
Livros
TOTAL

VALORES
R$ 700,00
R$ 150,00
R$ 250,00
R$ 100,00
R$ 1200,00

Todas as despesas serão custeadas pelos pesquisadores acadêmicos, não sendo
utilizados recursos externos para esta pesquisa.
REFERÊNCIA
BARROS, Danielle Marotti de Souza; LUSTOSA, Maria Alice. A ludoterapia na doença
crônica infantil. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 114-136, dez. 2009.
Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rsbph/v12n2/v12n2a10.pdf>. Acesso em:
5 maio 2015.

BORGES, Alini Daniéli Viana Sabino et al. Percepção da morte pelo paciente
oncológico ao longo do desenvolvimento. Psicologia em estudo, Maringá, v. 11, n. 2, p.
361-369,
maio/ago.
2006.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/pdf/pe/v11n2/v11n2a14.pdf>. Acesso em: 2 maio 2015.

CARDOSO, Flávia Tanes. Câncer infantil: aspectos emocionais e atuação do psicólogo.
Rev. SBPH, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 25-52, 2007. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rsbph/v10n1/v10n1a04.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2015.
COHEN, Ruth Helena Pinto; MELO, Amanda Gonçalves da Silva. Entre o hospital e a
escola: o câncer em crianças. Estilos da Clínica, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 306-325,
2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/estic/v15n2/a03v15n2.pdf>.
Acesso em: 8 maio 2015.

23

COSTA, Márcia Regina Lima; COHEN, Ruth Helena Pinto. O sujeito-criança e suas
surpresas. Trivium, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, p. 59-64, 2012. Disponível em
<http://www.uva.br/trivium/edicoes/edicao-i-ano-iv/artigos-tematicos/o-sujeito-criancae-suas-surpresas.pdf> Acesso em: 5 maio 2015.

CRUZ, Silvia Helena Vieira (org.). A criança fala: a escuta de crianças em pesquisa.
São Paulo: Cortez, 2008.

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil.
São Paulo: Scipione, 1989.
FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de conteúdo. 3. ed. Brasília: Liber
Livro, 2009.

FROELICH, Tatiane Cristine. Psico-oncologia e terminalidade: casos em que o paciente
é uma criança. IV Jornada de Pesquisa em Psicologia, Santa Cruz do Sul, p. 134-143,
2011.
Disponível
em:
<http://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/jornada_psicologia/article/view/10193/2
>. Acesso em: 3 maio 2015.

INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA INCA.
Tipos
de
Câncer:
infantil.
Disponível
em:
<http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil>. Acesso
em: 30 abr. 2015.

MENÇA, Viviane Bayer; SOUSA, Sandra Sales Paula Silva. A criança e o processo de
hospitalização: os desafios promovidos pela situação da doença. PsicoDom, Curitiba, n.
11,
jul.
2013.
Disponível
em:
<http://www.dombosco.sebsa.com.br/faculdade/revista_11ed/jul13_artigo02.php>.
Acesso em: 3 maio 2015.
MOLON, Susana Inês. Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky.
Petrópolis: Vozes, 2003.
MOTTA, Alessandra Brunoro; ENUMO, Sônia Regina Fiorim. Brincar no hospital:
estratégia de enfrentamento da hospitalização infantil. Psicologia em Estudo, Maringá,

24

v. 9, n. 1, p. 19-28, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v9n1/v9n1a04>.
Acesso em: 5 maio 2015.
OLIVEIRA, Gislene Farias de; DANTAS, Francisco Danilson Cruz; FONSÊCA
Patrícia Nunes da. O impacto da hospitalização em crianças de 1 a 5 anos de idade. Rev.
SBPH, Rio de Janeiro, v .7, n. 2, p. 37-54, 2004. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rsbph/v7n2/v7n2a05.pdf>. Acesso em: 4 maio 2015
PATERLINI, Ana Carolina Carvalho Rocha; BOEMER, Magali Roseira. A reinserção
escolar na área de oncologia infantil: avanços e perspectivas. Rev. Eletr. Enf., Goiânia,
v.
10.
n.
4.
p.
1152-1158,
2008.
Disponível
em:
<https://www.fen.ufg.br/fen_revista/v10/n4/pdf/v10n4a28.pdf>. Acesso em: 6 maio
2015.
PEREIRA, Lais de Toledo Krücken. O desenho infantil e a construção da significação:
um estudo de caso. Arts Education - UNESCO, [s.l.], 2006. Disponível em:
<http://portal.unesco.org/culture/en/files/29712/11376608891lais-kruckenpereira.pdf/lais-krucken-pereira.pdf>. Acesso em: 30 maio 2015.
PILLAR, Analice Dutra. Desenho e construção de conhecimento na criança. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1996.
ROSSETO, Elisabeth; BRABO, Gabriela. A constituição do sujeito e a subjetividade a
partir de Vygotsky: algumas reflexões. Travessias, v. 3, n. 1, p. 1-11, 2009. Disponível
em: <http://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3238/2553>. Acesso
em: 4 jun. 2015.
SANCHEZ, Marisa Leonetti Marantes; EBELING, Vanessa de Lourdes Nunes.
Internação infantil e sintomas depressivos: intervenção psicológica. Rev. SBPH, Rio de
Janeiro,
v.
14,
n.
1,
p.
186-199,
2011.
Disponível
em:
<http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rsbph/v14n1/v14n1a11.pdf>. Acesso em: 5 maio 2015.
SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. O (im)próprio e o (im)pertinente na apropriação das
práticas sociais. Cadernos Cedes, Campinas, v. 50, n. 1, p. 26-40, 2000. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v20n50/a03v2050.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2015.

SOUSA, Elzalina Santos de et al. A importância do psicólogo no tratamento de crianças
hospitalizadas. A importância do psicólogo no tratamento de crianças hospitalizadas. In:
GRUPO DE TRABALHO DO XV ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL (ABRAPSO), 2009, Maceió. Anais...
Maceió:
ABRAPSO,
2009.
Disponível
em:
<
http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/504.%20a

25

%20import%C2ncia%20do%20psic%D3logo%20no%20tratamento%20de%20crian
%C7as%20hospitalizadas.pdf >. Acesso em: 2 maio 2015.

SOUZA, Luís Paulo Souza e et al. Câncer infantil: sentimentos manifestados por
crianças em quimioterapia durante sessões de brinquedo terapêutico. Revista da rede
de enfermagem do nordeste, Fortaleza, v. 13, n. 3, p. 686-692, 2012. Disponível em:
<http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/736>. Acesso em:
4 maio 2015.

VYGOSTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos
superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

26

ANEXOS
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO

UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE / UNIVILLE
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Conforme Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996
(Conselho Nacional de Saúde)
Seu filho (a) está sendo convidado (a) a participar, como voluntário (a), de uma
pesquisa desenvolvida pelos acadêmicos: Adam Asin, Evelise Leite Feliciano, Jade
Grosskopf, Juliana Pereira e Luana Nagel de Lima, acadêmicos do Curso de Psicologia
da Univille, por meio da disciplina de Estágio Curricular Supervisionado, sob a
orientação da Professora Ana Carolina Wolff Mota, intitulado “Vivência oncológica: a
perspectiva de pacientes infantis”. A pesquisa tem como objetivo Identificar os
processos de subjetivação do paciente infantil em sua vivência oncológica.
Quanto à metodologia, será uma pesquisa qualitativa que ocorrerá por meio de
entrevistas semiestruturadas. Esta pesquisa irá beneficiar futuras reflexões a cerca do
tema câncer infantil e como essas vivenciam esse processo, partindo da fala de crianças
que estão atravessando estes momentos, sendo que esta pesquisa irá compor uma etapa
importante da formação dos pesquisadores.
A permissão para participação de seu filho (a) nesta pesquisa é opcional e
qualquer risco ou desconforto serão minimizados. Em caso de recusa ou de desistência
em qualquer fase da pesquisa, você não será penalizado (a) de forma alguma. A sua
autorização é de suma importância para o cumprimento do objetivo da pesquisa. Você
obterá informações sobre a pesquisa em qualquer aspecto que desejar. Os acadêmicos
pesquisadores irão tratar a sua identidade e de seu filho (a) com padrões profissionais de
sigilo e a identificação ficará restrita as características gerais do caso. Os resultados
deste estudo poderão ser apresentados por escrito ou oralmente em congressos e revistas
científicas. As entrevistas transcritas serão guardadas pelos pesquisadores responsáveis
por 5 anos, após este tempo o material será incinerado. Os resultados da pesquisa serão
apresentados em forma de artigo científico ao final deste ano.
Em caso de dúvida, você poderá procurar a professora orientadora desta
pesquisa no Departamento de Psicologia da Univille pelo telefone (47) 3461-9158.

ATENÇÃO: A participação em qualquer tipo de pesquisa é voluntária. Em caso de
dúvida quanto aos seus direitos, escrever para o Comitê de Ética em Pesquisa da
UNIVILLE. Endereço: Universidade da Região de Joinville –UNIVILLE : Rua Paulo
Malschitzki, 10 - Bairro Zona Industrial: Campus Universitário - Joinville/SC
CEP 89.219-710: Bloco B, sala B 31: E-mail: comitetica@univille.br: Fone: (47) 3461-

27

9235: Horário de atendimento: Segunda-feira– das 09h ás 13h30 / 16h às 18h30. De
Terça a Sexta – das 08h às 11h às 14h ás 17h
Após ser esclarecido (a) sobre as informações da pesquisa, no caso de permitir
que seu filho faça parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas
vias. Uma delas é sua e a outra é da pesquisadora responsável.

CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO SUJEITO
Eu, ___________________________________________, abaixo assinado, concordo
que meu/minha filho (a) participe do presente estudo como sujeito e declaro que fui
devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa e os procedimentos nela
envolvidos.
Joinville, ____ de _______ de 2015.

Assinaturas:

____________________________________
Responsável pela participante voluntária

____________________________________
Profª. Ana Carolina Wolff Mota
Pesquisadora Responsável

28

PERGUNTAS NORTEADORAS

1. Fale um pouco sobre o seu desenho;
2. Quem disse que você deveria permanecer no hospital? Você sabe o porquê está
aqui?
3. O que os seus pais lhe disseram sobre estar no hospital?
4. Quem fica com você aqui no hospital?
5. O que mais gosta de fazer no seu dia-a-dia fora do hospital? E aqui, do que mais
gosta?
6. Você sente falta de algo ou alguém? Se sim, quem ou quê seria;
7. O que mudou na sua vida desde que você veio para o hospital?
8. Você estuda (vai a escola)? Continua estudando?
9. O que e como você se sente após tomar o remédio ou fazer os tratamentos?
10. O que você tem mais vontade de fazer assim que sair do hospital?