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UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD

1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012

Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta

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CIDADE OCULTA – A Vila Operária

Na cidade oculta, através da organização do espaço e da forma construída, os camponeses
tornados operários, imprimiram um traço de ruralidade, humanizando um espaço abstracto
reflectido na casa, também esta inscrita num processo de transformação, tornando-se o
intervalo cronológico admitido (1880-1920) fundamental para entender o momento
contemporâneo da cidade e da sua arquitectura.
A um modo empírico de fazer cidade, associado aos problemas de habitação das designadas
classes laboriosas, corresponde uma forma racional e planificada, orientada pelos poderes
públicos e dirigida às classes dominantes.
Apesar dos inúmeros projectos-lei, apresentados na sequência do primeiro Inquérito
Industrial (1881), a que vem somar-se a esperança nascida da implantação da República, a
instabilidade sócio-política foi adiando progressivamente a intervenção do Estado e dos
Municípios neste domínio. O problema da habitação para as classes mais desfavorecidas vai
ter resposta no sector privado, por parte de proprietários de terrenos urbanos, e em menor
escala por industriais, sociedades filantrópicas e cooperativas prediais, encarado como uma
possibilidade de rentabilização dos terrenos pouco valorizados, através do investimento de
pequenos capitais aplicados na construção de alojamentos precários.
A Vila operária surge por contraposição ao Pátio, enquanto proposta racionalizada de raíz,
útil, económica e simples, fornecendo um espaço salubre e habitável. A racionalidade,
economia de meios e de processos construtivos, reflecte o contexto da sua promoção,
articulando com o tipo de promotores envolvidos, e com o perfil dos seus potenciais
destinatários.
Pretende-se por um lado aprofundar os meios e modos da sua génese, o entendimento das suas
relações tipo-morfológicas e a sistematização das suas características tipológicas. Da leitura
tipo-morfológica sobre o objecto em questão, ressalta a especificidade do seu enquadramento,
sendo no seu carácter marginal e por vezes oculto relativamente à estrutura urbana em que se
insere, que parcialmente reside a sua singularidade.
O reconhecimento de uma estrutura compositiva específica induz uma reflexão mais ampla
baseada no intercâmbio entre as práticas vernaculares e eruditas da arquitectura, e no modo
como estes dois campos se influenciaram mutuamente ao longo de vários séculos, no universo
específico da arquitectura portuguesa.

Vila Macieira (1890)

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capaz de sobreviver adaptando-se a todas as mudanças que lhe são exteriores.ª Estrada de Circunvalação (1852). uma “dupla realidade” 1. ou estende-se às periferias pouco valorizadas subordinada à proximidade das áreas industriais. A Estrutura funcional da cidade Entendida numa vertente abstracta enquanto cidade industrial. Transição e Mudança. As obras do porto de Lisboa. A sua realidade é o devir que a faz ressurgir sucessivamente. A vertente segregacionista associada a este período. 2 . juntamente com a definição do novo perímetro urbano através do traçado da 1. constituem-se os primeiros bairros industriais. em particular a Via de Cintura. as Vilas acompanham a implantação das zonas de forte concentração industrial em particular ao longo do vale de Alcântara a ocidente. Apreendida na dimensão de tipo arquitectónico é ainda possível observar a sua adequação a posteriores contextos. 1 MADEIRA RODRIGUES.º 84). 1979. Maria João. A arquitectura surge assim. Paralelamente. numa perspectiva universal enquanto organismo vivo. Lisboa vive nesta época. e do vale de Chelas a oriente. III Série. que em cada passo ou tipologia concreta.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Vila Macieira (1890) – Estrutura compositiva baseada no quadrado e no retângulo √2. profundas transformações tipo-morfológicas. pois a área vocacionada ao comércio desenvolve-se na zona próxima ribeirinha dependente do tráfego fluvial. p. determina a existência de áreas da cidade às quais estão atribuídas funções específicas. a cidade cresce para Norte. introduzindo no tecido urbano. “Tradição. culturais e económicas que desencadearam os diferentes processos de formação/transformação sobre o tecido urbano. aos quais está significativamente associada a implantação da habitação operária. resultante do traçado ortogonal e do loteamento informado pela referência normativa que corresponde à implementação de uma nova tipologia arquitectónica (o edifício residencial de rendimento). N. baseados numa prática comum que elege o quarteirão oitocentista. 41. sobretudo o tráfego marítimo além Atlântico. respondem a uma informação genética de ordem interna superior. o estabelecimento de vias férreas urbanas e suburbanas. originando novos bairros residenciais. o estabelecimento da rede de transportes acentua a relação com o rio. Assim. a produção do espaço urbano na Lisboa oitocentista”. reforçando numa primeira fase a relação da cidade com o rio. serão as principais condicionantes de todo o processo de urbanização e industrialização da cidade. Lisboa. Profundamente classista. Neste contexto é necessário atender às transformações sociais. num processo de densificação das áreas mais antigas. Embora disseminadas por toda a área urbana. em resposta aos preceitos urbanísticos higienistas e à vontade de uma classe social emergente. Lisboa organiza-se de acordo com parâmetros de funcionalidade. in Separata do Boletim Cultural (Assembleia Distrital de Lisboa. A cidade laboriosa cresce sobre si própria.

se hallan impregnados desde su origen de un cierto carácter de conocimiento para la acción que transmitirán al urbanismo posterior. As elevadas taxas de mortalidade constituíram o argumento do discurso de higienistas e reformadores sociais. O levantamento da situação foi feito através de Inquéritos à habitação. conseguem abalar as instituições e a vida pública. estender-se-iam posteriormente para zonas de baixo valor fundiário na influência directa das primeiras. que ao longo do século XIX defenderam o combate à chaga da habitação operária. as necessárias defesas. 2 POZO Y BARAJAS. Os trabalhos de Ricardo Jorge e António de Azevedo permitiram pela primeira vez em Portugal relacionar cientificamente as condições anti-higiénicas de habitação com os índices de doença e mortalidade. que as denúncias a serem rigorosas e coerentes. A escassez ou pouca objectividade do enquadramento legal elege o Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas 5. num processo de densificação da malha urbana tradicional. 5 Regulamento Geral de Salubridade das Edificações Urbanas (Condições Higiénicas a adoptar nas construções dos prédios). quando era seu presidente o Eng.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Concentradas igualmente nos bairros antigos. promovido pelo Conselho de Melhoramentos Sanitários. a segunda em 1905. coadjuvado pelo Sr. resultou em fortes surtos epidémicos.º Augusto Montenegro. ecoando as preocupações que se fazem sentir por toda a Europa. de 1903. pp. Dos médicos (em particular higienistas) e engenheiros (ligados à indústria ou à criação de infraestruturas – os arquitectos não são ainda reconhecidos como detentores dum conhecimento suficientemente seguro). O discurso higienista estende-se igualmente à cidade através das orientações que em termos urbanísticos acompanham a legislação que serve de enquadramento aos Planos Gerais de Melhoramentos da Capital. nascem as primeiras propostas. só nove afirmam possuir alojamento para os seus trabalhadores. precedente directo de las teorías urbanísticas contemporáneas. implementando o debate da casa barata e salubre. aprovado por decreto de 14 de Fev. assim. frutos del pensamiento higienista. A iniciativa pertenceu ao Conselho de Melhoramentos Sanitários. contribuindo para um levantamento global das causas e efeitos dos problemas suscitados pelo alojamento das classes populares. Nacidos como reacción al entorno social e cívico creado por la Revolución Industrial. As designadas doenças da habitação. Alfonso del. como uma das principais normativas. atingiram preferencialmente as classes mais desfavorecidas que oriundas do meio rural não possuíam em relação à cidade. das 44 indústrias inquiridas em 72 que respondem à rubrica sobre habitação. e o Inquérito aos Pateos de Lisboa 4. Contexto Oitocentista – Condições de Habitação/Os problemas de higiene pública “Los primeros estudios científicos sobre las ciudades surgieron en la segunda mitad del siglo pasado. A falta de condições mínimas de higiene que de um modo geral caracterizou toda a cidade oitocentista. A situação sanitária é de tal modo explosiva. Graça e Penha de França a oriente. 3 . como foi o caso da escarpa dos Prazeres e Campolide a ocidente. 1996. Arrabales de Sevilla – Morfogénesis y Transformación – El Arrabal de los Humeros (Universidad de Sevilla/Consejería de Obras Públicas y Transportes/Fundación Fundo de Cultura de Sevilla. O trabalho ficou a cargo do Eng. conformador de la ciudad actual” 2. destacando-se o Inquérito Industrial de 1881 3. 135. sentidos particularmente nas zonas ocupadas pelas classes laboriosas. 13. 4 O Inquério aos Pateos de Lisboa foi realizado em duas fases: a primeira em 1902e publicada em 1903. 3 A atenção deste Inquérito incidia sobretudo na capacidade de resposta dos industriais às necessidades dos seus próprios operários. Sevilla. Mimoso Ruiz.º Ângelo de Sarrea Prado.

Se a liderança económica. de enfermidade. indispensável ao projecto de sociedade que se defende. Saltava de chofre para o extreme oposto. Este lance pode ser legitimável. mas um sistema de investimento seguro de capitais. facilitando-lhes as condições de vida. harmonizar os interesses dos capitalistas com os das pessoas de poucos haveres” 7. reflecte a profunda contradição do seu universo social. como primeira solução neste domínio. são os principais responsáveis pelos perigos que ameaçam todas as famílias e a organização da vida social e económica. elegendo o Pátio. 4 . Ora o Congresso Internacional de Higiene. 216. António. apresentou publicamente a questão.). será pois de atribuir à grande indústria. 8 MATOS. “Até hoje pouca gente se tem preocupado em estabelecer as circunstâncias em que o trabalho é o mais realmente produtivo. Ano IV (88). Ricardo Jorge comenta do seguinte modo. não é da mais feliz diplomacia” 6. um papel importante. Pode dizer-se que o trabalho se executa ainda agora nas condições de empirismo mais grosseiro. e saltava a pés juntos por cima do Estado. através da promoção do alojamento barato e higiénico a conciliação de classes. a falta de uma rede de esgotos. 9 OLIVEIRA SIMÕES. 7 MATOS. na reforma proclamada. 30. política. “Habitações Económicas”. 1905. A Construção Moderna. mas um dos factores de riqueza das Nações” 8. A Epidemia de Lisboa de 1894/Impressões de uma Missão Sanitária. com seus arremessos de anarquista. Lisboa. mas como manobra para a consecução duma reforma útil. p. importaria convencer os comerciantes e industriais de que a questão do alojamento popular não deve ser um problema de filantropia e caridade. in A Construção Moderna. tal é o problema que todos os estudos devem ter em vista” 9. como protesto. representa não apenas um dever moral (. se poderá realizar também. de apenas burocrático a grande tribunal. p. Ano de 1902. a que acima de tudo se visa. Melo de. 1903. na certeza de que “a tradução social desta igualdade é uma das melhores garantias da ordem e do sossego públicos.. 28. Neste contexto. de acidentes. Assim. na ordem tanto política como económica.. as construções abarracadas que a iniciativa particular destina aos operários. 1903. Melo de. que acaba de realizar-se em Bruxelas. Porto. Lisboa Ano IV (III). bastando para isso que o Estado e os Municípios concedessem certas certas garantias ou benefícios àqueles que as edificassem. Num país sem recursos e sem governantes interessados neste tipo de assuntos. Pregava-se a igualdade. Do Pátio à Vila Operária O quadro de intervenções arquitectónicas que marcaram a cidade oitocentista. 6 JORGE. Tipografia Ocidental. Lisboa. habitações superlotadas nas zonas de traçado medieval onde as classes pobres se amontoam em cubículos sem ar e sem sol. são unânimes: a ameaça de tradicionais focos de insalubridade. p. ano VI (170). águas inquinadas. 1895. in A Construção Moderna.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Os relatórios elaborados na sequência da epidemia de cólera de 1894 em Lisboa e da peste bubónica no Porto em 1899. Tirar do esforço do operário o máximo do produto com o mínimo de usura. 120. Ricardo. “o proporcionar habitação confortável aos proletários. independente e autocrática. “Pátios de Lisboa”. social e cultural pertence à burguesia capitalista. O contingente migratório oriundo do meio rural improvisou as suas próprias soluções de habitação. p. uma proposta feita à Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa por altura da epidemia de cólera de 1894: “De subserviente e subalterna a hygiene passava a ser.

com maior concentração nos bairros antigos. Os Pátios distribuem-se por toda a extensão da cidade. unidades de produção industrial e núcleos de habitação para artesãos. escolas e instituições operárias. a fundação do primeiro grande núcleo fabril (o Real Colégio das Manufacturas e o Bairro Fabril das Amoreiras) no contexto dos projectos pombalinos de fomento manufactureiro e simultaneamente inserido nos planos de reconstrução e reestruturação da cidade após o terramoto. concentrar no mesmo local. A Promoção do alojamento operário Inaugurando o programa da casa económica e sadia. sentidos particularmente nas zonas ocupadas pelas classes laboriosas. este núcleo visava em termos programáticos. dos que foram construídos com essa finalidade. 1881-1883. As formas de ocupação são condicionadas pela natureza dos espaços residuais. Olivais. segue-se a Companhia Lisbonense de Estamparia e Tinturaria de Algodões. e nas zonas periféricas que outrora constituíam a franja rural da cidade (Ameixoeira. de construção mais densa. Apesar da dificuldade em definir tipologias precisas. rentabilizando e fixando a mão-de-obra. O Inquérito Industrial de 1881 incluía uma secção subordinada ao tema. Chelas. quintas e pátios de antigas casas senhoriais em zonas rurais. recorda ainda António de Azevedo. e Beato). que ao longo do século XIX defenderam o combate à chaga da habitação operária. Neste contexto destaca-se o papel de algumas empresas tais como a pioneira Companhia Lisbonense de Fiação e Tecidos. Livro 1. no recinto da Fábrica de Fiação e Tecidos de Xabregas (Fábrica da Samaritana). na qual se perguntava expressamente: “A Fábrica tem habitações para operários? Máximo e mínimo de rendas” 10. A falta de condições mínimas de higiene que de um modo geral caracterizou toda a cidade oitocentista resultou em fortes surtos epidémicos. nomeadamente o já referido Inquérito aos Pateos de Lisboa. 5 . 10 Inquérito Industrial de 1881. 2. Benfica). as necessárias defesas. Charneca. Lumiar. As elevadas taxas de mortalidade constituíram o argumento do discurso de higienistas e reformadores sociais.19-20. a conventos desafectados. Ligado à Real Fábrica das Sedas. que ergue em 1887 a Vila Flamiano. os modestos e ricos proprietários de terrenos urbanos. habitação. As designadas doenças da habitação atingiram preferencialmente as classes mais desfavorecidas que oriundas do meio rural não possuíam em relação à cidade. Marvila. O exemplo mais expressivo é promovido pela Companhia de Fabrico de Algodões de Xabregas.º.ª parte. O levantamento da situação é feito através de vários Inquéritos. abrangendo também as novas áreas de implantação industrial (Alcântara. pp. No âmbito de iniciativas semelhantes. a partir de um plano que previa a edificação de 470 casas. consiste na apropriação espontânea de estruturas pré-existentes. as construções levantam-se inicialmente sob a responsabilidade de dois tipos de senhorios: os donos de fábricas e armazéns. formando um conjunto heterogéneo de escala e conformação diversas. implementando o debate da casa barata e salubre. que ergue em 1885 na Quinta do Carimba (Rua da Fábrica da Pólvora em Alcântara) um bairro para operários. fundada em 1858. das quais se elevaram 60 habitações entre 1759 e 1769. No primeiro caso as habitações destinamse prioritariamente aos operários das empresas. que em 1873 constrói um pequeno número de habitações próximo da fábrica da Companhia. é possível distinguir os que surgiram da ocupação espontânea de um logradouro ou dos pátios de palácios e claustros de conventos.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta O Pátio tal como é entendido no final do século XIX. estendendo-se de logradouros de edifícios e palácios arruinados. Condições de Aprendiz e do Operário. em Alcântara.

a partir dos últimos anos da década de 70. na ausência de um programa de habitação social. pp. eram complementadas com um conjunto de privilégios para a época: assistência médica gratuita. a Cooperativa e Instrução (1898) e a Ocidental 1. ocupando novos espaços. o modelo B era destinado aos funcionários superiores das fábricas e por último o modelo C reservado aos empregados dos Armazéns Grandella. o modelo C. (. Os seus empregados eram incentivados a fazer exames de Francês. que irá levar a cabo a construção do Bairro Operário dos Barbadinhos concluído em 1892. uma semana de férias pagas e uma casa para as mulheres que vindo de fora. o bodo a 1000 pobres no primeiro dia de cada ano. com áreas mais amplas e um tratamento cuidado das fachadas. constituído por habitações unifamiliares de um só piso. No quadro associativista. destacamos o exemplo paradigmático do Bairro/Vila Grandella. A vila Operária Refere Maria João Madeira Rodrigues. reflectindo as suas convicções políticas e filosóficas (republicano e maçon). Para além de oferecer boas condições de laboração com espaço e higiene. deve ser vista como um ensaio de solução. Cada tipologia era destinada a um estatuto específico dentro da “Organização Grandella”.) A vila pode ser considerada. salvaguardou vários aspectos assistenciais aos seus empregados. férias pagas. o modelo B do tipo T3 com características semelhantes ao nível do piso térreo. Op. As melhorias introduzidas nas condições de trabalho. procurava demonstrar à população que as iniciativas ligadas à República asseguravam não só o desenvolvimento comercial e industrial. integram o complexo industrial e comercial monopolista. a áreas cuja carga histórica anterior é exemplar” 11. operando a transformação de áreas rústicas e levando mais tarde a sua influência. como uma forma de colonização interna. Cit. 11 MADEIRA RODRIGUES. cristalizada num tempo e conservando o seu sentido nesse tempo. associados à falta de salubridade das habitações. advogados. Destacam-se neste universo.. possuindo no entanto uma variação com fogos do tipo T4 e mansarda. o descanso semanal. que “A vila. e cantina com refeições baratas. e a caixa de socorros. visando a obtenção de lucros com os empreendimentos imobiliários. As preocupações filantrópicas de Francisco de Almeida Grandella ficaram evidenciadas em todos os tipos de actividade que desenvolveu.. A Vila/Bairro Grandella é composta por três tipologias de habitação: O modelo A do tipo T2 com áreas bastante reduzidas. O modelo A era ocupado pelos operários. associando unidades fabris (que abastecem os armazéns comerciais da Rua do Carmo) à habitação para os trabalhadores. a Cooperativa Popular de Construção Predial (1893). reflectindo na habitação.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Como expressão das motivações e filosofias filantrópicas dos seus promotores. não tinham onde ficar. Destacam-se no conjunto destas iniciativas. numa resposta clara aos problemas de saúde pública.41.º de Janeiro (1901). evidencia-se o papel da Companhia Comercial Construtora. a hierarquia do local de trabalho. mas também a educação e a protecção social. centrando-se no caso de Lisboa. caixa de socorros. Português e Contabilidade. A fábrica e o Bairro Operário de Benfica /Vila Grandella. Nas suas empresas existia um médico contratado. criada em 1890. 6 . racionalizada de raíz.42.. o bairro operário nas proximidades das fábricas equipado com uma creche e uma escola primária. uma creche e uma escola primária para os filhos dos trabalhadores. A Vila operária surge como modelo de habitação multifamiliar intensiva para famílias de baixos rendimentos. As Companhias e Sociedades Construtoras constituem-se em sociedades anónimas de accionistas.

S. os quais. ocupando todo o seu perímetro. surge frequentemente implantada no interior do quarteirão. Legislação Camarária de Lisboa..pormenor de vãos e divisão do módulo 12 Idem. Este espaço central funcionando como um corredor. suporte espacial de uma vivência comunitária. in NOBRE.P. segundo critérios do urbanismo convencional.M. inútil ou pouco lucrativo. Esta exigência. 282. resulta numa organização espacial em que as habitações se agrupam à volta do terreno. voltando costas à malha urbana. regulamentando as existentes) no Capítulo XII (Das Edificações interiores ou vilas). Regulamento Geral da Construção Urbana para a Cidade de Lisboa – Disposição aprova em 28 de Agosto de 1930 (Edicto de 6 de Dez. 235. a racionalização do espaço traduzida no aproveitamento máximo da área disponível constitui a qualidade dominante. ou mais desafogado funcionando como um pátio. reduzidos a áreas mínimas e concentrar o espaço livre. evidenciando a importância dada às serventias como forma de articulação com o espaço público. 41. Dissimulada no tecido urbano através do seu sistema de implantação no interior do quarteirão. definindo-as como “grupos de edificações destinadas a uma ou mais moradias. acentuando o valor do espaço construído. não são edificáveis” 12. Imprensa Nacional. Lisboa. que se traduz num sistema de ocupação relativamente fechado.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Situada à margem da estrutura urbana em que se insere. através do qual se acede às habitações. 1972. p. Pretende-se construir o maior número possível de fogos. particularmente expressiva quando a Vila se implanta no interior de um quarteirão. Vila Rodrigues (1902) A marginalidade destas estruturas é reconhecida no Regulamento Camarário de 1930 (que proíbe a construção de novas vilas. com acesso através de um espaço central. dado que o “negócio consistia em rentabilizar espaços no interior dos quarteirões. através de uma organização em redor de um espaço comum semi-privado. Art. construídas em recintos que tenham comunicação directa ou indirecta com a via pública por meio de serventia” 13. Módulo bifamiliar (pré-existência) Vila Mendonça (1912) .º. ou visível no espaço público em zonas mais segregadas da cidade. de 1930). a Vila operária assume-se como estrutura marginal. p. Característica comum às construções com fins lucrativos. elege-a como modelo de transição entre o rural e o urbano. A relação tipo-morfológica mais comum (interior do quarteirão). sublinha o sentido da cidade enquanto lugar habitável em detrimento da sua estrutura funcional. acomodado a um lugar pré-estabelecido. 13 7 .

Apenas com cobertura de uma água e vãos igualmente espaçados. reflectem os enunciados do Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas (Condições Higiénicas a adoptar nas Construções dos Prédios). (1955-59) História dos Descobrimentos. 2008. “A importância da Arquitectura de Programa na História do Urbanismo Português”.) as casas desenhavam-se em correnteza adjacente ao plano sul da muralha que lhes servia de fundo. Os módulos bifamiliares das habitações (geralmente divididas em quatro partes). p.correnteza in Leite. 162. 2001. Na cidade de Lisboa. permitem a definição de cinco grupos tipológicos distintos: 14 HORTA CORREIA. Faculdade de Ciências Humanas e Sociais). que tendo em atenção o modo de articulação com a via pública e tomando como base a proposta de classificação de Nuno Teotónio Pereira. Como exemplo de excepção surge nos arredores de Mafra o conjunto de casas para trabalhadores agrícolas da herdade da Picanceira. obedecendo a um modelo único. designada correnteza na toponímia popular. como é o caso dos palácios de que são exemplos os conjuntos associados ao palácio de Belém e ao palácio das Necessidades. Lisboa. Cabos de S. no sentido de reduzir os espaços não directamente rentáveis. estendendo-se às primeiras realizações dos Bairros Económicos do Estado Novo. “Pátios e Vilas de Lisboa. funcionando a cisterna ameiada como módulo do sistema” 14. cada uma das casas tinha chaminé própria de igual volumetria cilíndrica. Nuno. é comum desde tempos remotos. de casas em correnteza.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta O sistema distributivo é resolvido através de escadas e galerias exteriores.. No âmbito da arquitectura popular nas regiões a Sul de Portugal. A forma de agrupamento resultante da justaposição de módulos. em Sagres. podemos destacar as correntezas do Vale do Sado e os conjuntos para trabalhadores dos núcleos piscatórios da Fuseta e Olhão. refere-se à fundação de uma vila de raíz. Faro. in Jornal Arquitectos N.º 204. Apesar da sua finalidade expressa. marco simbólico da programação urbana portuguesa – a vila do Infante. Actas do V Colóquio Luso-Brasileiro de História de Arte (Universidade do Algarve. p. surgem vários exemplares desta forma de agrupamento. Um dos testemunhos mais antigos. ou na primeira metade de oitocentos. organizam-se à volta de todo o perímetro do terreno e as áreas mínimas dos compartimentos bem como a articulação dos mesmos. a Vila operária apresenta algumas variantes tipológicas. enquanto “edificação multifamiliar intensiva. José Eduardo Capa. construída pela iniciativa privada e destinada a famílias de baixos rendimentos” 15. A sua presença é bastante expressiva nas construções destinadas a alojar os trabalhadores de algumas instituições. 1870-1930”. 38. D. Nesta vila concebida como vila muralhada “(. 15 TEOTÓNIO PEREIRA. 8 . construídos no século XVIII. 2002. Lisboa.. Vicente e Sagres (século XVI) Rua das Necessidades .

pertencente a uma tradição clássica de ordenamento compositivo. Exprime-se aparentemente numa expressão vernacular. através da prática dos velhos artesãos ou construtores. in Kubler. Ed. pertencentes ao domínio da arquitectura dita corrente. a existência de uma regra compositiva. 9 . porventura ligada a um vernáculo que transcende épocas. Artes/História. Lisboa. Col. que transmigrou por via operativa medieval europeia e nacional. as suas raízes vernaculares. sobretudo nos artefactos construídos de menor erudição. que atravessaram a cultura edificatória. A racionalização do espaço e dos processos construtivos.. reforçam esta leitura. A arquitectura portuguesa. p. (. Essa prática. da Idade Média aos finais do século XIX. tais como o sistema craveiro português. ordem. através de gerações de engenheiros militares e arquitectos. perdida no decurso do processo de transformação dos valores e dos sistemas construtivos introduzido na sequência do Movimento Moderno. Torna-se provável a existência de uma “erudição tradicional” na prática do vernáculo português. Entre as Especiarias e os Diamantes 1521-1706. 1972. Admitindo ou não. reajustada e sistematizada. 3. A ausência do arquitecto na sua concepção e o dimensionamento de alguns elementos construtivos referenciado a antigos sistemas métricos. categorias estilísticas e situações sócio-económicas. directamente associada ao tipo de promotores envolvidos. adequado à origem dos seus potenciais destinatários. até aos primórdios do século XX. quer no período Manuelino. 16 “As alterações ocorridas em Portugal no período 1520-1580 são pois do mesmo nível da que se operou na presente centúria. combina esta vasta herança com as fortes persistências classicizantes.transmissão oral . cujas características nos remetem numa primeira leitura para um universo de cariz ruralizante.provavelmente provenientes das antigas guildas de construtores. transmitidas por via consuetudinária através de sucessivas gerações de construtores e pedreiros e por via escolar. base dos argumentos que conduziram Kubler ao conceito de arquitectura chã 16. verificamos através da sua leitura em termos planimétricos e altimétricos. no verdadeiro sentido etimológico da palavra . Veja. quando o gosto decorado e ecléctico sobrevivente dos fins do século XIX cedeu ao racionalismo e à necessidade económica mediante o abandono da superfície superdecorada.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta Formando correntezas ao longo das vias de acesso No interior do quarteirão formando pátio ou rua Em comunicação directa com a rua formando pátio Em comunicação directa com a Via Pública formando Rua Em edifícios de estrutura diversificada A Vila operária entre vernáculo o erudito e o vernáculo Ao entendimento das suas relações tipo-morfológicas e sistematização das suas características tipológicas.. introduzindo uma reflexão mais ampla sobre as práticas arquitectónicas eruditas e vernaculares. em paralelo com a via especulativa ou “genuinamente” erudita. envolverá saberes de suporte tradicional. entendidos como específicos e correspondendo a uma visão da arquitectura portuguesa. baseada em relações de proporcionalidade apoiada na utilização dos rectângulos dinâmicos. G. Joanino ou ainda Pombalino. cujos valores formais dominantes são a clareza..) Aproveitando a idéia de Júlio de Castilho do «estilo chão» designei-a por arquitectura «chã»”. assim como a procura de resposta a condições mínimas de salubridade. proporção e simplicidade. condicionaram um modelo de habitação. acresce o reconhecimento de uma estrutura compositiva específica. suportado eventualmente pela prática artesanal da produção dos materiais de construção em uso. e o modo como estas se interpenetram no campo específico da arquitectura portuguesa.

ºs 25 a 32. determinando a estandardização de elementos construtivos. destacando-se no conjunto de planos elaborados para diferentes zonas da cidade. que ao nível do topo da cumeeira é também um quadrado. com base na leitura de Walter Rossa. refira-se o plano de Vila Real de Santo António. Pela primeira vez nestes regimentos e contratos de obra é proposta a sistematização da largura do nembo e a determinação de vãos rectos. Herdeiro da experiência de reconstrução de Lisboa. edificado simultaneamente com a criação em 1773 da Companhia Geral de Pescarias Reais do Reino do Algarve. a partir do estabelecimento de uma arquitectura de programa. o que faz com que o corte em profundidade do edifício nos dê também um rectângulo √2. define o alçado de uma casa. Dos finais do século XVI. sacadas com dois palmos. baseada em relações métricas de base proporcional. Além da Baixa.” regulador da qualidade. uma janela próxima do quadrado e uma porta em duplo quadrado no rés-do-chão. ainda que sob influência dos valores estéticos iluministas.. o plano da Baixa. Walter. Relativamente à Vila operária verifica-se o seguinte: Os temas geométricos que servem de suporte compositivo quer em termos planimétricos. 1998. são apoiados num traçado a partir do quadrado (ad quadratum) e de alguns rectângulos dinâmicos dele derivados: o duplo quadrado (proporção de 1 para 2) e o rectângulo √2 (utilizando para o lado menor o comprimento do lado do quadrado matricial e 10 . construída com edifícios que obedecem ao mesmo programa. Bairro das Águas Livres – Casas do projecto Pombalino in ROSSA. cada lote ocupa na profundidade √2 da largura. Trata-se de um traçado ortogonal regular. (…) Em planta. com uma praça central quadrada funcionando como elemento gerador do plano. Um quadrado de cerca de trinta e dois palmos.. estando a cumeeira a uma altura. resulta a definição de uma arquitectura de fachadas iguais. É ainda elaborado um Regimento “. que com o plano da fachada..UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta As grandes reformas Manuelinas entendem pela primeira vez a cidade enquanto organismo global. Praça das Amoreiras. preço e medida dos materiais de construção. Lisboa. simétrico. completa mais uma vez um rectângulo √2. com volumetrias simples. N. duplo quadrado e rectângulos proporcionais. quadrados por cima.. quer em termos altimétricos. reflectindo os mesmos princípios teóricos que orientaram o traçado de outras cidades contemporâneas no Brasil. vãos normalizados. é novamente implementada uma arquitectura de programa através do prédio de rendimento. implementando as bases de uma praxis arquitectónica e urbanística. O esquema do alçado resume-se a um par de janelas em rectângulos de √2 no piso superior. em métricas de quadrado. No período Pombalino. 125. afirmando-se uma tipologia teorizada em métricas proporcionais e elementos construtivos estandardizados. Cabe ainda referir o sistema de composição arquitectónica utilizado nos blocos de edifícios que integram o plano do Bairro Fabril das Amoreiras.dos carpenteiros e pedreiros e braceiros e aprendizes e call e tijolo e madeira e pregadura. p.

quer na composição interna de cada unidade tipológica (parcela) e na sua subdivisão. como o Bairro Estrela D`Ouro. É assim que surgem verdadeiras unidades de habitação horizontal. ou seja. constituindo neste último caso um sistema viário que. Na sua dimensão de tipo arquitectónico. Do mesmo modo e com suporte no mesmo sistema geométrico matricial. 11 . Esta situação verifica-se quer no ordenamento e parcelamento do sistema morfológico do conjunto edificado. Irene. na sua adaptação morfológica aos bairros periféricos do pós-guerra e 17 TEOTÓNIO PEREIRA. Prédios e vilas de Lisboa. seguida pelas designadas vilas à escala urbana que “(. Livros Horizonte. atingem uma escala que as impõe ao nível do espaço da cidade. Bairro Estrela D` Ouro – Unidades em U. p. A persistência do tipo arquitectónico A Vila operária constitui a génese do percurso estabelecido em torno das questões ligadas à prática da habitação social. ganha uma dimensão urbana. sublinhando a relação entre o alçado e a planta. o rectângulo que contém o triângulo equilateral). ou pela complexidade da sua estrutura. como o Bairro Clemente Vicente” 17. Vila Cândida. Vila Dias – Composição apoiada no rectângulo √2. BUARQUE.. Nuno. Lisboa. verificamos que a Vila operária sobrevive nas experiências que imediatamente lhe sucederam (Bairro Estrela D`Ouro. Bairro Clemente Vicente).UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta cujo lado maior resulta do rebatimento da sua diagonal). são dedutíveis os elementos compositivos das fachadas. incluindo os espaços exteriores inerentes. sem perder o carácter segregado.) pelo volume de edificação. Em casos isolados foi também identificada a proporção áurea (1 por (√5+1)/2. 1995. ou seja 1/φ) e o falso quadrado (1 por √3/2. ou conjuntos massivos de blocos em altura. nomeadamente os vãos.. iniciando em Lisboa por intermédio da iniciativa privada uma primeira actuação neste domínio. 348.

que acabam por ser concluídos no contexto das Casas Económicas criado pelo Estado Novo. 1992. Cidade de Lisboa. Lisboa. 12 . apresentando-se aos sentidos como inacabado. A Arquitectura Portuguesa Chã – entre as Especiarias e os diamantes 1521-1706. José Eduardo Capa. inaugurando a intervenção directa do Estado em colaboração com as Câmaras Municipais. deixando uma marca de vazio na sua retenção ou fixação.)Mais tarde nos anos 50. “A importância da Arquitectura de Programa na História do Urbanismo Português”.. XXIX. N.º 141(III)1981. 3º Ed. fazendo valer a sua dedicação à causa operária. GOETHE. KUBLER.. Artes/História. (. Ed. “As últimas e já raras realizações da iniciativa privada na construção de Vilas datam da década de 20. La Métamorphose des plantes et autres écrits botaniques. Vega. largamente divulgada nas propostas desenvolvidas entre 1947 e 1972 no contexto específico do movimento moderno. pp. 512-513. ”Pátios e Vilas de Lisboa. Referências Bibliográficas: CARITA. in Análise social . A essência dos conceitos de morfologia e de tipo que directa ou indirectamente influenciam os agentes da teoria e da prática da Arquitectura e da Arquitectura da Cidade no contexto ocidental pode situar-se um pouco anteriormente..UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta ainda através da persistência de elementos formalizadores tais como a galeria. 1870-1930: a promoção privada do alojamento operário”. 1972.Tudo o que é vivo se escapa. os corpos administrativos e os organismos corporativos. 18 TEOTÓNIO PEREIRA. onde curiosamente vêm reproduzir-se algumas tipologias de construção características das vilas operárias (. Faro. Lisboa.. Paris. começam a constuir-se não já na cidade de Lisboa. Col. Lisboa. Faculdade de Ciências Humanas e Sociais). os republicanos. in Actas do V Colóquio Luso-Brasileiro de História de Arte (Universidade do Algarve. sobre a Metamorfose das Plantas.)” 18. desencadeiam uma intervenção pública sistematizada neste domínio. Livros Horizonte. HORTA CORREIA. 1999. George. mas na sua periferia os chamados bairros clandestinos. e existindo em permanente metamorfose.W. Col. J. 2001. 1994. Depois de 1910. Lisboa Manuelina e a Formação de Modelos Urbanísticos da Época Moderna 1495-1521. Triades. Vol.Revista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.. Nuno. através do extenso trabalho de Goethe. surgindo assim os bairros sociais da Ajuda e Arco do Cego. à margem de qualquer licenciamento camarário. Bairro Clemente Vicente – Sistema distributivo Pantera-cor-de-rosa in Revista Arquitectura. Helder.

Annos de 1902/1905. 1996. IPPAR. Walter. 1995. 1994. 1903/1905. RUIZ. Vol. TEOTÓNIO PEREIRA. Lisboa. Prédios e Vilas de Lisboa (Livros Horizonte. Irene. Análise Social . 1995. 1979. Nota: Autoria das imagens em que não é referenciada a fonte. Arte e Património. N. 13 . António José Mimoso. Nuno. PRADO. Lisboa: Ministério das Obras Públicas. Margarida Souza. Sevilla.Revista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.º 84. POZO Y BARAJAS. Arrabales de Sevilla – Morfogénesis y Transformación – El Arrabal de los Humeros. Alfonso del. ROSSA. BUARQUE. Inquérito aos Pateos de Lisboa. Maria João “Tradição. Ângelo de Sarrea. 1998. Separata do Boletim Cultural (Assembleia Distrital de Lisboa. MADEIRA RODRIGUES. Porto. XXIX. Transição e Mudança.UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA – CITAD 1ª Conferência | FILANTROPIA E ARQUITECTURA │ 2012 Ana Leonor Tomás | Doutora Arquitecta LÔBO. Além da Baixa – Indícios de Planeamento Urbano na Lisboa Setecentista. Universidad de Sevilla/Consejería de Obras Públicas y Transportes/Fundación Fundo de cultura de Sevilla. Lisboa. “Pátios e Vilas de Lisboa. a produção do espaço urbano na Lisboa oitocentista”. Lisboa. Lisboa. 1870-1930: a promoção privada do alojamento operário”. TEOTÓNIO PEREIRA. III Série. Planos de Urbanização – A Época de Duarte Pacheco DGOTDU/FAUP Publicações. Lisboa. Comércio e Indústria/Conselho dos Melhoramentos Sanitários/ Imprensa Nacional. 512513. Nuno.