YOU TUBE E O CONTRATO FIDUCIÁRIO: QUANDO O ENUNCIATARIO PRODUZ O ENUNCIADO Josias Pereira1 (Facnopar) erdfilmes@uol.com.

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Resumo
Neste artigo iremos analisar o site You tube e as mudanças ocorridas no espectador/ enunciatário, o que fez as emissoras de TV rever seu contrato com o espectador, tendo inclusive que modificar sua maneira de proceder. Usaremos alguns parâmetros teóricos de A. J. Greimas que achamos necessário para nossa hipótese do novo contrato fiduciário que o you tube realiza com o enunciatário e como o mesmo vira enunciador/ enunciatário e às vezes ate enunciado. Introdução Nosso interesse pelo tema se faz necessário pelas mudanças sociais ocorridos pelo site you tube, e a pouca penetração que o mesmo apresenta no meio acadêmico. Desejamos levantar um debate sobre como o site contribui para mudança do espectador, que implica em um novo contrato com a mídia televisiva. Contrato este que desde a década de 50 é o mesmo, a TV analógica, monologica por excelência apenas cria alguns momento, raros de dialogo com o espectador / enunciatário. Porem vemos uma mudança se aproximando. Para Greimas (1983:17)2 “... se a comunicação não é uma simples transferência do saber, mas uma empresa de persuasão e de interpretação situada no interior de uma estrutura polêmico-contratual, ela se funda sobre a relação fiduciária dominada pelas instâncias mais explícitas do fazer-crer e do crer, onde evidentemente, a confiança nos homens e em seu dizer conta mais que as frases 'bem feitas' ou sua verdade concebida como uma referência exterior."

O Velho Contrato fiduciário Segundo o Aurélio (2005) Fiduciário significa “Fiducial, dependente de confiança, ou que a revela”, e contrato é “um acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma obrigação”. Saindo deste pressuposto a Televisão, por força de Decreto e lei3, tem a obrigação de oferecer ao espectador informação, entretenimento e educação. Assim, é acordado entre as partes, poder publico, dono da concessão da radiofreqüência e donos das emissoras, realizando assim um contrato, que no caso da TV o contratante passa a ter uma licença de 15 anos que pode ser renovada no termino do contrato, caso o requerente cumpra os termos ou não. Por outro lado o meio de comunicação de massa de maior penetração no país tem sido usado de maneira adversa a sua gênese. Segundo o professor e jornalista Hamilton Octávio de Souza4 : “os processos de concessão e de renovação têm conseguido, ao longo das últimas décadas, uma tramitação silenciosa e aparentemente tranqüila, com acertos apenas nos bastidores – especialmente porque muitos dos deputados e senadores também são concessionários públicos da radiodifusão, sócios e afiliados das grandes redes e defendem o controle do sistema de comunicação nas mãos de empresários conservadores e das oligarquias e caciques políticos regionais – os novos ‘coronéis’ eletrônicos”. Dados do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação5 (UNB) revelam que 271 políticos brasileiros são sócios ou diretores de 348 emissoras de radiodifusão (rádio e TV).6 Assim o contratante/ enunciatário dos programas de TV tem uma parte da mídia pautada pelos interesses políticos. A televisão, por sua vez, cria outras formas de contrato; com o espectador e com o anunciante, modos diferentes. Com este um contrato rigoroso, real, assinado e palpável, com aquele apenas um contrato imaginário. Segundo Barros (2000), o contrato de confiança estabelecido entre sujeitos não é necessariamente um contrato verdadeiro, mas, na maior parte das vezes, um contrato imaginário, um simulacro.

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Para o anunciante a emissora garante um numero X de espectadores que irão assistir o seu programa e conseqüentemente ter acesso a seu produto e sua marca pode “vender” mais. Já com o espectador é realizado outra forma de contrato intangível, mediado pelo programa, mas para o enunciatário assistir aquele programa, de “graça” devera assistir também alguns minutos de comercial. Seu tempo, a principio pagara o investimento que terá. Assim o triangulo emissora – espectador - anunciante é mantido ate que alguém quebra o contrato e um novo é necessário. No campo da semiótica existe algumas diferenças, segundo a pesquisadora Maria Lucia Vissotto Paiva Diniz7 (2006) : “...o verbete contrato no Dicionário de semiótica. Definido como pressuposto indispensável para a comunicação, o contrato decorre de atividades cognitivas que realizam competências modais, uma forma de "troca" entre sujeitos. Entretanto, refuta tratar-se de simples atividade pragmática entre dois sujeitos que trocam objetos-valor, ao contrário, aponta que essa operação pertence, essencialmente, à dimensão cognitiva, onde reside a questão do valor do objeto a ser recebido. Trata-se do contrato fiduciário” Segundo a mesma autora, “contrato fiduciário pode ser efetivado por contratos que atuam nas três dimensão, cognitiva, pragmática e patêmica ou passional....” e deste modo que queremos analisar o contrato realizado entre o espectador /enunciatário e a TV/ enunciador. Segundo Ferrés (1996) a TV além da área cognitiva trabalha também na área emocional. Utilizaremos pressupostos da psicologia cognitiva para entender um pouco como o esquema mental, contribui para que o espectador possa assistir seu programa preferido e se sentir bem, não se sentir ameaçado ou tenso. O Esquema mental8 Os meios de comunicação de massa, principalmente a TV, trabalha com linguagem sensorial, emocional e racional, Para Ferres (1996), a TV fala primeiro do sentimento e depois da razão, o que a faz ser mais assimilada pelo lado emocional. Sentimento todos temos e é de fácil assimilação, o espectador compreende a mensagem, mesmo não concordando; mas já conhece a informação, o sentimento, então não há problemas de uma “instabilidade mental”9, esquemas mentais acionados para o debate emocional em questão. O que o faz relaxar, pois só vê, compreende e entende o que a tela de raios catódicos exibe. Quando a emissora exibe conhecimento, faz com que o espectador tenha uma base anterior sobre o que é exibido, o que dependera de varias áreas de conhecimento e de aprendizados anteriores que nem sempre o enunciatário tem, ou seja, quando a TV mostra conhecimento o espectador terá que apresentar ou criar um esquema mental sobre o fato retratado. O que as vezes se torna desconfortável, quando não se procura tal informação. Como se o fato narrado cobrasse esta informação anterior, a base, que caso não tenha devera pensar se deve ou não assimilar a informação. Assim, o racional sempre o deixa em alerta, “irei entender?” E se não entender? Terá que pensar, criar novas cognições. Comparar o que sabe com o novo, assimilar ou não o conhecimento. E esta sensação pode ser traduzido como desprazer em alguns casos. Segundo Piaget (1996) os esquemas são estruturas mentais, ou cognitivas, pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio, eles estão em constante desenvolvimento, o que permitem que o indivíduo se adapte aos desafios do meio. Os esquemas mentais não são rígidos, são adaptados através da experiência do individuo. Cheng e Holyoak (2006)10, defendem a idéia de que as pessoas raciocinam utilizando regras aprendidas indutivamente com o objetivo de tomar decisões e prever eventos futuros. O modelo mental seria uma maneira da mente agir, reproduzindo o que já foi vivenciado, analisado ou visto. Apreendendo o espaço e os acontecimentos a mente fica “livre” de futuras surpresas, sabendo como agir dentro de uma situação. Exemplo. Quando você sai de casa de carro e vai a um bairro pela primeira vez, e não sabe o caminho fica mais “ligado” no que esta fazendo e para onde deve ir. Que rua pegar, onde acionar a sete, a velocidade do carro etc. Este “alerta”, às vezes, causa desconforto. Depois que encontramos o espaço, a mente cria um esquema de como chegou até o ambiente. Assim, da segunda vez que for ao mesmo espaço, estaremos mais tranqüilos. O que ira acontecer na terceira, quarta vez que você for ao mesmo bairro. Esta tranqüilidade se deve ao esquema mental criado da primeira vez, assimilando e acomodando as funções do espaço, pois a mente já “decorou” o caminho. Deixando a pessoa mais tranqüila. Já Gardem (1996) um esquema mental serve para uma introdução no mundo da representação mental. O que fazer quando me deparar com o problema.

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O que destacamos neste momento é como o racional necessita de mais atenção do espectador / enunciatário para “entender” o enunciado enquanto no emocional os esquemas mentais já foram entendidos e interiorizados. Por este motivo, dentre outros, o emocional da TV é mais atraente do que o racional. Porém destacamos que no momento que o enunciatário esta a procura de uma informação a situação se inverte, então, quando ele não acha na TV no momento que deseja a informação apropriada, procura por fitas ou DVD para poder obter o que necessita e assim alterar ou confirmar seus esquemas mentais. Neste momento que o enunciatário procura e a TV não exibe ela esta “quebrando” o contrato com aquele enunciatário. E em outros momentos quando a TV apresenta uma informação que necessita ser decodificada pelo raciocínio, outro espectador pode se achar traído pelo enunciador, pois ele deseja apenas “relaxar”. A relação neste caso entre emissora/ enunciador e espectador / enunciatário é complexa. Por isso a criação da grade fixa contribuiu para estas relação enunciador / enunciatário. A grade fixa se torna o fiel da balança, o menu. A emissora promete realizar o que esta na grade e o espectador procura na grade o que o interessa. Segundo Maria Seabra Martins (2007), “Entre emissor e receptor há um jogo manipulatório, no qual, para que ocorra a aceitação das idéias do primeiro pelo segundo, torna-se necessário o estabelecimento de uma espécie de acordo, denominado pela semiótica greimasiana "contrato fiduciário".

O Novo contrato fiduciário Marshall McLuhan (1964) diz que o conteúdo de um meio é sempre outro meio. Segundo o autor, a “mensagem” de qualquer meio é a mudança de padrão que ele introduz na sociedade, acelerando ou ampliando os processos já existentes. Estamos chamando de novo contrato fiduciário um espaço onde o enunciatário, além de escolher o que deseja ver, pode, caso o contrato seja rompido, reclamar com o enunciador, fazer um enunciado melhor e indicar para outros espectadores. Ele sai da área passiva de apenas consumir e passa para área ativa, além de reclamar diretamente e deixar seu recado para outros enunciatários, que podem ao mesmo tempo concordar ou discordar dele. Assim, seria uma maneira do enunciatário virar enunciador, pois outros podem comentar sobre o seu ponto de vista. A mudança parece apenas de siglas, mas um olhar mais profundo apresenta nuanças significativas. Neste momento a tríade emissora – espectador anunciante foi rompida. Agora é o enunciatário que tem o poder, ele não necessita pagar com o seu tempo para assistir algo que deseja, pelo contrario, usa seu tempo para novos contratos como uso da Internet e site de exibição de vídeo. O anunciante tem que descobrir outra forma de aparecer, de vender na ‘nova mídia”. Com a demanda de mais um modo de exibir TV e vídeos, o espectador / enunciatário começa a conhecer o novo espaço. E nele pode escolher o que deseja ver. Alguns vídeos independentes, programas de Tv antigos, telejornais etc. Esta nova forma de entretenimento ira concorrer com o tempo do espectador. Assim, as emissora perdem terreno para a grande rede e tenta se conciliar com a mesma, aparecendo e tendo no seu site programas que são exibidos no canal aberto. Outro dado importante para analisarmos a revolução silenciosa do You tube são os dados do site Folha on line, segundo o site “O público do cinema brasileiro caiu mais de 30% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007, aponta um levantamento do Filme B, portal especializado no mercado cinematográfico.” Segundo a agencia Reuters, no Brasil o publico médio dos filmes nacional vem caindo “Enquanto a produção saltou de três filmes em 1992 para 29 em 2003 e cerca de 80 em 2007, o público de tais filmes encolheu de 22 milhões de espectadores em 2003 para 10,3 milhões no ano passado, patamar que mantém desde 2005.” Em comparação com o you tube vemos que há curtas com 3 milhões de acessos e que custaram menos de 500 reais, contra filmes que custaram 3 milhões de reais em media e que o publico às vezes não chega a um milhão. Podemos chegar à conclusão que os novos diretores de cinema, por exemplo, quebraram o contrato com o espectador que reage não indo ao cinema, diminuindo consideravelmente o publico. Outro aspecto é o financeiro, o valor do ingresso.

You tube

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Para Pierre Lévy,(1996) cada pessoa pode se tornar emissora no espaço cibernético, que é a emergência de uma inteligência coletiva, e propõe que o termo consumidor seja substituído por outros que se enquadrem melhor a esta situação de interatividade, como co-produtor do produto e/ou serviço interativo. O you tube parece que cria um pouco o que Lévy “profetizou” teoricamente. A criação dos sites de exibição de vídeos, onde o cidadão pode colocar, postar, vídeos de graça, começou com o you tube em 2005 , Chad Hurley e Steve Chen que iniciaram a criação de um programa de computador para dividir vídeos com os amigos, pois via e-mail demorava muito e nem sempre era possível, e se aproveitaram da tecnologia download progressivo11. Sem querer os dois deram inicio a uma revolução silenciosa que ainda esta em curso. Segundo dados da agencia folha12 o site apresenta 100 milhões de vídeos acessados por dia! “O you tube é um canal de TV onde nada é produzido”13, na verdade, é o publico que alimenta o site. A idéia provocou uma revolução no enunciatário que a empresa Google, dona do Orkut , que na verdade é apenas uma variação do fotolog com outro designer comprou o you tube por US$ 1,65 bilhão. Segundo dados do IBOPE/NetRatings14 ”O Brasil é o País onde o YouTube alcança a segunda melhor marca em termos do percentual de acesso em relação ao total de Internautas residenciais, atrás somente da Espanha”. Foi lançado no primeiro trimestre de 2007 o You Tube Brasil, dando destaque aos vídeos brasileiros. Surgiram patrocinadores indiretos como o canal Terra, o canal IG e a novela Malhação da Rede Globo, tentando “abocanhar” um espaço que a princípio seria dos independentes e amadores. Assim, seria uma forma do site ser pago, e os mesmos não perderem audiência. As emissoras criam assim um novo contrato com o enunciatário, agora se ele perder alguma coisa na TV aberta, pode tentar ver uma parte no site, o importante para o enunciador é não perder a confiança e os índices do espectador / enunciatário. Pois se perder terá que firmar outro contrato com o anunciante. Estamos vivendo este momento de mudança tanta na área tecnológica como social com a TV digital. O Brasil ainda apresenta um número pequeno de computadores por domicílio. Uma pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet (2006) indica que o número de computadores por domicílio não passa dos 20 %. Segundo o comitê, o total de pessoas com acesso à web atingiu 27,5 milhões de brasileiros. Se for levado em conta pessoas com acesso à rede de qualquer ambiente (casa, trabalho, escolas, universidades e outros locais) esse número sobe para 33,1 milhões. Mesmo com as dificuldades, o Brasil continua sendo o país com maior tempo médio de navegação residencial por internauta, 19 horas, segundo dados do Ibope/NetRatings (2006). Hoje ter um e-mail, blog, fotolog, videolog, perfil do orkut e msn é comum entre os jovens, como se fosse uma carteira de identidade que irá oficializar o jovem no mundo digital. Chega ate a ser um desconforto quando alguém pergunta se você tem um e-mail e a resposta é negativa. - Como assim não tem um e-mail ? Esta mudança de habito esta em crescimento entre os jovens e pautando mudanças maiores na sociedade que a cada ano fica mais “refém” das NTIC´s15
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O receptor ativo O You tube cria um novo processo de constituição, um novo modo de interação entre enunciador e enunciatário. Vemos também uma mudança de comportamento, algumas pessoas que tinham por habito chegar em casa e ligar a TV, estão trocando por chegar em casa e ligar o computador e nele ver tv, filmes,jornais, se comunicar e se mostrar para o mundo. Outro ponto importante é que o este espectador que desde a chegada da TV no Brasil na década de 50, só recebia o sinal eletromagnético e que tinha uma função passiva, começa agora a apresentar um novo perfil que é de um espectador ativo que escolhe o que deseja assistir e caso goste ou não tem a possibilidade de reclamar ou elogiar o autor, além de pode dar nota sobre o vídeo assistido no campo comentários. Assim existe um feedback16 entre criador (autor) e público (Internauta). “A práxis enunciativa é esse ir-e-vir que, entre o nível discursivo e os demais, permite constituir semioticamente culturas.” (Greimas e Fontanille, 1993. P80)17 O novo espectador não aceita mais a velha forma ditatorial da mídia tradicional. Para Célia Quico, docente na Universidade Lusófona e doutoranda em Ciências da Comunicação “O YouTube e a televisão estão, de fato, em concorrência, no sentido em que disputam um mesmo bem escasso: o tempo e a atenção

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que as pessoas dedicam aos conteúdos audiovisuais. Apesar da oferta de conteúdos crescer exponencialmente, o dia continua a ter 24 horas."

A Tecnologia contribuindo para o novo contrato fiduciário A tecnologia sempre contribuiu de alguma forma para mudanças seja no âmbito social ou político. Por trás da tecnologia existe vários aspectos dentre eles o comercial com a venda de aparelhos e o royalty. Um programa que o publico ou o mercado escolhe e é usado tem a venda garantida e os aparelhos novos são obrigados a usar aquele padrão tecnológico. Como exemplo citamos o VHS, que tecnicamente era inferior ao seu concorrente Betamax, outro sistema de reprodução de vídeo caseiro, mas como o publico preferiu usar o VHS, o Betamax teve vida curta e os direitos de uso do VHS foram vendidos pela JVC para outras empresas que o comercializaram. A Internet surge na década de 60 ainda de modo embrionário, só em 1982 O nome Internet começa a ser utilizado para designar as redes que utilizam o conjunto de protocolos TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). Faremos uma pequena digressão para entender as mudanças que levaram o you tube a poder ser um dos sites mais acessados do Brasil. Com a criação do computador pessoal a internet começa a se desenvolver de modo comercial. E o primeiro padrão de codificação de vídeo digital foi o H120, logo em seguida em 1988 surgiu o MPEG18 que é um padrão de compressão usado em vídeo e áudio. Pesquisas levam a criação do codec MP3, para troca de áudio. A apple em 1991 cria o Quick time e a Microsoft em 1992 cria o Windows mídia player que só reproduz mídia. Em 1996 surge o Real áudio Player, que trás como novidade o uso do streeming na Internet, processo que deixa o espectador com a possibilidade de baixar o vídeo e o assiste em blocos, protocolos. Assim ao clicar poderia ver uma parte do vídeo de imediato enquanto outra parte era sendo baixada. Antes deveria baixar todo o vídeo, o que demorava o processo. O streeming cria uma revolução na troca de vídeos na Internet, porém a velocidade dos processadores e das vias de comunicação ainda são precárias. Mesmo assim, em 1999 trailer do Star War consegue a marca de 6 milhões de download o que mostrou a força da Internet neste conteúdo. Em 2001 surge o ipod e começa a briga pela TV digital entre o codec do HD DVD apoiado pela Microsoft, e o Blu Ray, apoiado pela Sony. O codec H264 também conhecido como MPG 4 é o codec usado no Blu ray e o novo codec da TV digital Brasileira, 2005 – you tube - populariza o Flash vídeo, 2006 – you tube é vendido para google. Em 2006 o Brasil escolhe seu padrão de TV digital19, o que pode acelerar as mudanças realizadas pelo you tube, onde o espectador pode sair da grade fixa e escolher no site da emissora o programa que deseja assistir, dentre outras mudanças como a interação direta com o canal através da TV. E por trás da guerra entre os formatos e a pirataria surge as redes de troca de arquivos entre usuários de graça. Dentre as mais conhecidas citamos o P2P – usado para baixar vídeo por vários micros tipo sites de vídeo compartilhado troca de arquivos ilegais, mas eficientes para distribuição de mídia entre usuários e o Bit torrent – troca de conteúdo de áudio e vídeo. Quando o Enunciatário produz o Enunciado Segundo Greimas a enunciação é um efeito de sentido do enunciado. Para a pesquisadora Maria L.Vissotto Paiva7: “a relação enunciação/enunciado é o lugar onde se processam as operações de debreagem e embreagem e onde se efetiva a veridicção, pois, na relação enunciador-enunciatário, o enunciador exerce um fazer persuasivo e o enunciatário um fazer interpretativo, ao atribuir um grau de veridicção ao que lhe foi apresentado”. E na TV este contrato é seguido pelo contratante, o enunciatário que ao escolher o seu canal preferido ou programa do momento atribui a este uma confiança que o programa ira preencher ou não, caso o contrato seja quebrado, e a confiança seja perdida, o enunciatário finaliza trocando de canal ou desligando a TV. Porem depois que o contrato é quebrado, o enunciatário não tem como recorrer ao enunciador/ emissora de TV e reclamar, ou avisar outros enunciatários que o contrato que o programa anuncia não é o esperado. Assim, ele

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se frustra, pois todo poder esta com o enunciador / TV. Há casos como o de algumas novelas onde o roteirista, teve que mudar a historia, em função de criticas do enunciatário em outros meios de comunicação, onde ele apresenta a outros enunciatários a quebra de contrato com o programa citado. Porem este tipo de mudança do enunciador ainda é baixo e o enunciatário não se sente forte de poder na hora apresentar sua insatisfação. Ficando o mesmo isolado com suas opiniões e desejos. Este tipo de comunicação monologica que a TV impera esta em plena mudança, pois com a chegada do site you tube e os avanços tecnológicos surge um novo contrato fiduciário onde o enunciatário para a ter voz e se apresenta, agora, alguém capaz de apresentar seu ponto de vista. Neste momento o enunciatário se torna enunciador e obriga a TV e seus congêneres a acatar seu enunciado. Uma das criticas feitas à comunicação de massa do século XX é que não permitem o dialogo com o espectador/ Enunciatário. Existe a forma de comunicação via e-mail ou telefone, cartas, mas a maioria de outros enunciatários inconformados não fica sabendo, o que faz a emissora simplesmente não comentar as criticas que ficam como se nunca existisse. É uma forma de comunicação monologica. relembrando Bakhtin20 “monologia é a qualidade dos discursos autoritários em que um único sentido sobressai impedindo que os demais venham à tona; as partes são dicotomizadas em emissor (enviário da mensagem) e receptor (receptáculo acrítico do primeiro)”. Segundo a professora Raquel de Almeida Moraes as “velhas mídias” dos meios de comunicação de massa – rádio, cinema, imprensa e televisão – são consideradas veículos unidirecionais de informação por meio dos quais a mensagem percorre apenas uma direção – do emissor ao receptor” (2006) Conclusão Para Santaella (1983:13) A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame de modos de constituição de todo e qualquer fenômeno com fenômeno de produção de significação e de sentido.". Concluímos que as mudanças estão ainda em curso, mudanças tecnológicas ainda estão acontecendo e o espectador esta se adaptando a nova realidade. Emissoras de TV agora estão aceitando receber e exibir material do enunciatário, pois assim, mantém com ele um novo contrato, dando a ilusão de que na emissora terá mais visibilidade que no site, este tipo de “fazer persuasivo” não esta seduzido tanto os espectadores. Com a TV digital universalizada em 2016 poderemos ter uma relativa mudança entre o contrato fiduciário entre emissora – anunciante – Espectador. Finalizamos com o pensamento do pesquisador Joel Birman21 (2005) “a imagem forma um tipo de subjetividade diferente de uma subjetividade anterior, que era formada, sobretudo, a partir do discurso”. Segundo Birman a localização do impacto da TV na subjetividade, teria que ser pensada diante de um contexto mais amplo, que é a produção de uma sociedade, de uma cultura centrada na imagem, em que a imagem tem um poder de captura, diferentemente de um discurso falado ou escrito.

Notas
1 Diretor e roteirista de TV, Mestre em Tecnologia Educacional e pesquisador da FACNOPAR 2 - aput Maria Lucia Vissotto Paiva Diniz. Texto Mídia: sincretismo de linguagens e de contratos 3 Decreto-Lei 236, Lei nº 4.117 de agosto de 1962 4 aput “O fim da concessão da TV Globo”, autor - Altamiro Borges 5 Pesquisa realizada pelo professor Venício de Lima 6 Este ato é inconstitucional (artigo nº 54, capítulo I) 7 texto: Maria Lucia Vissotto Paiva Diniz. Contratos na mídia: o Jornal Nacional na berlinda 8 Usaremos a definição de Esquemas mentais como representações práticas de partes da realidade.São como modelos em pequena escala da realidade, tendo como base os esquemas de Piaget

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9 referimos instabilidade mental ao processo que o espectador deve fazer ao se defrontar com informações que não estão em seu esquema diário, o fazendo pensar, assimilar a informação para poder acomodar ou não dependendo do seu modo de agir. 10. Aput Ana Andrade Cordeiro, 2006 11 download progressivo é a tecnologia que permite o envio de informação multimídia através de pacotes, assim para assistir um vídeo ou ouvir uma musica não há necessidade de baixar todo o programa para o seu computador. A imagem ou o som são gravados em uma memória, buffer, e o usuário pode ouvir e ver o filme enquanto o programa ainda está baixando os “pacotes” 12 Dados referentes a 2006 13 Palestra do professor da UERJ Dr. Antonio Brasil – RJ 2007 14 Dados de 2006 segundo Marcelo Coutinho diretor-executivo do IBOPE Inteligência. 15 Novas Tecnologias de Informação e comunicação 16 Feedback é o conceito de enviar uma informação e receber o retorno do que foi enviado, assegurando assim que o sinal transmitido foi recebido e codificado da maneira certa. Diminuindo o ruído ou falha na comunicação. 17. Aput Ana Silva Lopes Davi Médola. Da TV analógica para a digital: elementos para a compreensão da práxis enunciativa. 18 Moving Picture Experts Group - Grupo da Organização Internacional de Normalização ( ISO ) que desenvolveu um conjunto de normas de codificação de informação áudio e vídeo digitais, que ficaram conhecidas pela própria sigla. A mais famosa de todas é a MP3 , de MPEG Audio Layer 19 Com o advento da televisão digital, o caminho trilhado pela programação das grandes redes brasileiras de TV passa, necessariamente, pela convergência entre televisão e Internet, entre outros suportes expressivos, tendo em vista o desenvolvimento de programas interativos. 20 (aput. Raquel Almeida Moraes) Texto: As Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação: as perspectivas de Freire e Bakhtin – 2006 21 Entrevista realizada pela TVE Brasil. http://www.tvebrasil.com.br/salto/entrevistas/joel_birman.htm

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