Folha de S.Paulo - Escândalo do mensalão vira "golpismo" no congress...

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São Paulo, sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

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Termo, que passou a designar a mais grave crise do partido, ocorrida em 2005, é ignorado No evento, Dilma afirma que o Brasil hoje lida com os EUA de igual para igual e que Bolsa Família não é um programa assistencialista
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DAS ENVIADAS A BRASÍLIA

Iniciado ontem em Brasília, o 4º Congresso Nacional petista classifica como "golpismo" a mais grave crise política do partido, não mencionando o termo mensalão, como ficou conhecido o escândalo iniciado em meados de 2005. Em um dos painéis destinados a contar a versão petista de cada ano de sua história, o mensalão é descrito da seguinte forma: "A partir de uma reportagem de uma revista que mostrava um episódio de pagamento de propina dentro dos Correios, desencadeou-se uma crise que atingiu fortemente o governo e o partido". A seguir, ele lembra de forma indireta a declaração do então presidente do PFL (hoje DEM), Jorge Bornhausen, em que ele se disse "encantado" com a crise política pela possibilidade de "se ver livre dessa raça [o PT], por, pelo menos, 30 anos". "Um senador deixa claro o objetivo: acabar com a raça do PT. Mas a militância petista, os movimentos sociais e os partidos aliados reagem, derrotando o golpismo", completa o texto. Em 2005, os partidos de oposição chegaram a discutir a possibilidade de pedir o impeachment de Lula, mas recuaram. Num outro ponto do centro de convenções, uma nova linha do tempo petista também ignora o termo mensalão. No banner de 2005, é citada indiretamente a entrevista à Folha na qual o petebista Roberto Jefferson denunciou a compra de deputados em troca de apoio ao governo no Congresso. A crise do mensalão levou Dilma Rousseff para o núcleo duro do governo e contribuiu diretamente para que Lula a escolhesse como candidata à sua sucessão. Com a queda de Dirceu, ela deixou o Ministério de Minas e Energia para

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assumir a Casa Civil da Presidência. O congresso do PT, que aclamará amanhã Dilma Rousseff como pré-candidata, começou com cerca de 1.350 militantes, ao custo de R$ 6,5 milhões. Em rápida entrevista, Dilma evitou comentários políticos: "No sábado eu sou pré [candidata]. Hoje eu não sou nem pré", afirmou ela, dizendo que aparecerá de vermelho amanhã. Na abertura, a imprensa foi barrada pelo secretário de relações internacionais, Valter Pomar, em um evento para convidados internacionais. "Eu decido se é aberto ou não", explicou, sob o argumento de que os jornais não abrem as reuniões dos seus conselhos editoriais. Assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia defendeu da seguinte forma o acesso à imprensa: "Sempre que me perguntam se pode, eu digo que pode. Mesmo quando a imprensa vai lá e conta mentiras das coisas que eu disse, o que tem sido frequente. Mas prefiro a imprensa dizendo mentiras do que calada". Garcia rebateu críticas sobre o texto que trata das diretrizes da campanha de Dilma, afirmando que ele defende o fortalecimento do Estado nos moldes do que é praticado por Lula. No discurso a portas fechadas, Dilma disse, segundo relatos, que o Brasil dialoga de igual para igual com os Estados Unidos e que o Bolsa Família não é assistencialista. Ontem, o PT deu continuidade ao debate sobre a Executiva Nacional. A secretaria de comunicação era disputada pelo deputado federal André André Vargas (PT-PR) e pelo deputado estadual Rui Falcão (SP), que pode ficar com a primeira vice-presidência. (ANA FLOR, EDUARDO SCOLESE,
MALU DELGADO, RANIER BRAGON E VALDO CRUZ)

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